quarta-feira, janeiro 17, 2018

Carta Aberta ao presidenciável João Amoêdo













por João Cesar de Melo(*)




Assisti a entrevista que você concedeu ao Antagonista.

Por todo o tempo, fiquei esperando ver algo que pudesse estimular o voto de pessoas comuns. Não vi.

No final, você fez questão de deixar claro que fará uma campanha à Presidência da República defendendo ideias, não atacando pessoas.



Muito bonitinho seu posicionamento, mas gostaria de te lembrar algumas coisas.

Você está no Brasil.

Você quer ser descoberto pelo eleitorado de um país que está tentando sair da maior crise econômica e institucional de sua história. Uma crise provocada pela implantação de ideias que, em conjunto, têm nome: socialismo.

Você está no Brasil de Lula, Bolsonaro, Dilma, Temer, Guilherme Boulos, Aécio, Marina, Collor, FHC, Alckmin, Ciro Gomes, Sarney, Marcelo Freixo e Tiririca.

Você está no país de PT, PSDB, PMDB, MST, UNE, CUT e artistas da Globo.

Você está no país onde edifícios do governo são inaugurados com nomes de assassinos comunistas, onde a grande imprensa se nega a produzir matérias sobre as atrocidades cometidas por socialistas em outros países e a Câmara dos Deputados abre sessão solene para comemorar o centenário do golpe comunista na Rússia.

Você está no país onde a justiça se borra de medo de prender um ex-presidente condenado por corrupção simplesmente porque ele é de esquerda.

Paralelo a isso, temos um traste como Jair Bolsonaro em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, mesmo sem contar com apoio da imprensa e do meio cultural. Sabe por quê? Porque ele supre a carência das pessoas por um nome que seja, claramente, oposição a tudo o que citei acima. Porque essas pessoas não aguentam mais ver políticos evitando chamar as coisas pelos seus nomes ou tentando dar outros nomes às mesmas ideias de esquerda de sempre. Essas pessoas não aguentam mais vez políticos protegendo opositores. Não aguentam mais ver políticos com medo de dizer que o socialismo envenenou o Brasil.

Sinto muito, mas, hoje, você não se distingue do político comum. Suas ideias, as quais compartilho, são muito boas, mas… não têm a menor importância no pleito eleitoral de um país como o Brasil.

É preciso aprender certas coisas.

Lula já disse que nem fatos, nem ideias, importam. Um político ou um governo pode fazer o que for, para o bem ou para o mal, que o que prevalecerá será o discurso político. É isto que as pessoas comuns levam para casa e comentam com outras pessoas.

Você, João Amoêdo, pode defender as melhores ideias, mas onde está seu discurso político? Você se propõe a combater o quê? Quem?

O cidadão comum escuta “boas ideias” desde sempre. O que ele não escuta é que os atuais problemas brasileiros são resultado de uma ideologia de gente rica e hipócrita. O cidadão comum quer votar em quem se prontifique a matar o “capeta”, não em quem promete resolver os problemas causados por ele.

Não existe almoço grátis, mas vai de graça minha dica do que você deveria falar para as pessoas:

“Estou aqui para acabar com o socialismo no Brasil porque o socialismo só gera desgraças onde se instala. O socialismo matou mais de 100 milhões de pessoas no último século. O socialismo está fazendo 90% da população da Venezuela passar fome. A atual crise econômica foi causada pelo socialismo. Pessoas como Lula e Alckmin – e partidos como PT, PSOL e PSDB – representam o socialismo no Brasil. Até o Bolsonaro, que se diz de direita, defende ideias socialistas na economia. Chega disso! Chega de socialismo! Chega de ver o governo dando dinheiro dos pagadores de impostos para grandes empresas, artistas ricos e movimentos que bloqueiam estradas e depredam cidades. Chega de ver o governo protegendo bandidos e criminalizando quem trabalha honestamente. Não dá mais para sustentar um monte de estatais, ministérios e repartições que só servem para empregar militantes dos partidos. Chega dessa política que trata pretos, pardos e pobres como pessoas fracas e incapazes de cuidar de suas vidas. Ninguém aguenta mais tanta burocracia e corrupção. Não podemos mais tolerar a erotização de nossas crianças que esses grupos de esquerda estimulam. Tudo isso é socialismo. Chega! As pessoas precisam ter mais liberdade e segurança para trabalhar e cuidar dos filhos. Eu proponho reduzir os impostos e o tamanho do estado porque isso significa mais dinheiro no bolso das pessoas trabalhadoras e nenhum centavo no bolso de parasitas socialistas. É preciso parar com a mentira de que o estado resolve problemas. O estado é o problema. Ele não tem como dar tudo a todos. Ele não tem como saber o que cada indivíduo precisa e merece. O governo só deixa a vida das pessoas mais cara, complicada e perigosa. Eu quero menos governo e mais liberdade. Os socialistas que estão concorrendo comigo nessas eleições querem mais governo e mais controle sobre a sua vida”.

É assim mesmo, repetindo a palavra “socialismo” mil vezes, que você irá se destacar, fazer pessoas comuns falarem sobre você com vizinhos, colegas e amigos.

É urgente fazer o povo correlacionar PT, PSOL e PSDB com o socialismo, e o socialismo com a fome na Venezuela. É urgente dizer a verdade.

João, você não está entrando num debate acadêmico. Você está entrando na política. Não dá para querer lutar de quimono. É luta de rua. No chão. Dedo nos olhos e chute nos joelhos. Não há lugar para elegância. Ou você bate ou apanha. O povo quer ver alguém batendo muito nas pessoas e ideias que afundaram o Brasil.

Por ser uma pessoa comum que está na rua todos os dias e vai à feira três vezes por semana, afirmo com segurança que a grande maioria dos eleitores dos outros candidatos votariam em você se te vissem se comportando, de fato, como um opositor da esquerda. O povo quer um Presidente da República que repudie clara e firmemente tudo o que estiver relacionado ao socialismo. O povo não quer um presidente liberal ou conservador. O povo quer um presidente contra a esquerdopatia que impregnou o estado, a cultura e a imprensa.

Se você se continuar evitando ataques aos símbolos socialistas, será visto como alguém que não tem nada de “novo” a oferecer. Dr. Rey, se candidato, terá mais votos do que você. Mas, se quiser apenas difundir as ideias liberais, recomendo largar a política e escrever um livro.

Fonte: Instituto Liberal de São Paulo (ilisp.org)

(*) João César de Melo (www.joaocesardemelo.com/) é artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.


terça-feira, janeiro 16, 2018

Por trás da criminalização da cantada masculina









por João César de Melo(*).


Cena do Filme "An American Girl in Italy (1951)"


A polêmica da semana na faniquitosfera feminista é por causa da carta assinada pela francesa Catherine Deneuve e por outras 100 atrizes em favor do direito dos homens cantarem as mulheres.

Quem conhece um pouquinho da história e das ideias socialistas sabe que nos grupos, movimentos e partidos de esquerda não existe uma única gota de preocupação com o bem-estar das pessoas. Existe apenas a obsessão em submeter todas as relações privadas ao estado.

O esforço em criminalizar a cantada masculina é um claro exemplo disso.

A estratégia passo a passo:

1 – Destacam casos extremos de assédio como se eles predominassem em nosso cotidiano.

2 – Fundem todos os incontáveis tipos de assédio num único tipo de agressão, violenta ou humilhante, onde todas as mulheres ficam traumatizadas para sempre.

3 – Tentam consolidar bordões do tipo “pelo fim da cultura do estupro” como se vivêssemos numa sociedade em que o estupro é aceito, como em certos países árabes.

4 – Por meio de matérias na imprensa e declarações de artistas, forjam um drama nacional que de fato não existe.

5 – Cobram do governo medidas contra a “cultura do estupro”.

6 – Parlamentares da esquerda apresentam projetos de lei de regulação do assédio e por pressão da imprensa e do meio artístico são aprovados.

7 – A esquerda ganha uma nova arma contra seus opositores: todo homem que for acusado de assédio, além de ser linchado pela imprensa, pelos artistas e demais grupos socialistas, sofrerá punições judiciais.

Com isso, a obsessão socialista pelo controle terá conseguido destruir a liberdade de homens e mulheres se relacionarem a partir de seus próprios julgamentos e decisões, impondo a força da lei sobre o desejo sexual masculino e enquadrando a mulher como propriedade do estado, já que será ele avaliará o que é bom ou ruim para ela até no ambiente social.

Uma pergunta: por que o movimento feminista e demais grupos de esquerda não fazem campanha para que as mulheres aprendam a se defender dos molestadores e cobrem do governo toda liberdade para isso?

Respondo: porque o movimento socialista não quer uma sociedade de indivíduos autônomos e que reajam à agressões. O movimento socialista quer uma sociedade covarde, desarmada e dependente do governo. O contrário disto é uma sociedade com poder para se voltar contra governos corruptos e tiranos, que não admite restrições à liberdade e agressões à propriedade privada. Por isso a esquerda é contra o porte de armas. Por isso a esquerda odeia os Estados Unidos.

O machismo é a ideia de que a mulher deve se sujeitar ao homem.

O socialismo é a ideia de que a mulher e o homem devem se sujeitar ao estado.

Sim, muitos homens cometem abusos contra mulheres, mas grande maioria só o faz porque confiam que elas não reagirão.

Para ilustrar essa questão, recomendo o filme Cairo 678, que retrata o caso de três mulheres vítimas de assédio sexual na capital do Egito. Uma delas recorreu à política para tentar conter a cultura do estupro que, em grande parte do mundo muçulmano, é uma realidade. A outra tentou recorrer à família. Nenhuma delas obteve sucesso.




Quem conseguiu reverter a situação foi a mulher mais pobre que resolveu apunhalar os homens que se esfregavam nela nos ônibus. Os casos foram repercutidos pela imprensa, motivando outras mulheres a fazer o mesmo.

Resultado: os assédios acabaram porque os homens passaram a temer a reação das mulheres.

Isso sim seria um “empoderamento” legítimo, bem diferente dos faniquitos diários das feministas que se dedicam a pedir que o governo regule as relações entre homens e mulheres.

Existem mil formas de assédio. Cada mulher reage de maneira diferente a cada uma delas. Algumas gostam de ser assediadas. Outras não. Alguns homens puxam as mulheres pelos braços nas festas e se esfregam nelas nos ônibus. A grande maioria não. Ou seja: estão tentando criminalizar todos os homens e fazendo-os pagar pelos atos de uma pequena minoria para consolidar a narrativa de que “todo homem é um potencial estuprador”.

O fato é que homens são apenas criaturas rudes. Não sabem o que cada mulher quer ouvir e se ela está ou não receptiva a uma investida mais direta. Por isto, muitas vezes falam besteira e agem de forma inadequada.

Mulheres e homens têm sensibilidades diferentes, mas não serão leis ou faniquitos midiáticos que mudarão isso.

A generalização do assédio, convertendo todos os casos em “crimes contra a mulher”, não é apenas uma forma de concentrar ainda mais poder no estado, mas também de retirar das relações humanas uma de suas características: o esforço diário dos homens em atrair a atenção das mulheres.

Outra pergunta: quantas mulheres querem viver num mundo onde homens tenham medo de manifestar interesse por elas? Creio que poucas. A grande maioria quer apenas que eles se expressem melhor e se comportem de maneira adequada. Então, em vez de repercutir os faniquitos da minoria, as mulheres devem criar formas de serem respeitadas e de reagir às agressões.

Espero que todas as mulheres reajam com firmeza contra todos que julgarem inconvenientes e agressivos, mas que jamais concedam ao estado o poder de legislar as relações entre elas e os homens porque será o fim da frase que parte delas adora repetir: “meu corpo, minhas regras”.

Tens suas regras? Ok. Faça você mesma com que os homens as cumpram.

Fonte - Instituto Liberal de São Paulo - ilisp.org


(*) João César de Melo (www.joaocesardemelo.com/) é artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.

segunda-feira, janeiro 15, 2018

O Muro de Oprah




por Guilherme Fiuza(*).



Catherine Deneuve e suas colegas disseram, com jeitinho, que suposto despertar feminista hollywoodiano é show autopromocional (Leia o Manifesto)


Desta vez Meryl Streep não chorou. Na edição anterior do Globo de Ouro, suas lágrimas roubaram a cena para anunciar o fim do mundo com a derrota eleitoral da companheira Hillary. Os Estados Unidos tinham acabado de cair nas mãos da elite branca egoísta, e a atriz estava inconsolável diante do destino hediondo que colhera a maior democracia do planeta. Um ano depois, o emprego entre negros e hispânicos no país alcançou nível recorde. E o tema deixou de comover Meryl.


Ela e seus colegas preocupadíssimos em defender alguma vítima de alguma coisa mudaram de assunto no Globo de Ouro deste ano. Com a desoladora notícia de que os fracos e oprimidos tinham melhorado de vida no primeiro ano do governo assassino, a brigada salvacionista concentrou-se nos casos de assédio sexual. A convocação da estilista que organizou o protesto dos trajes pretos era uma fofura, tipo “não é uma boa hora para você bancar a pessoa errada e ficar fora dessa”.


Se uma intimação assim viesse do inimigo era assédio moral na certa.


Mas o show tem que continuar, e a butique ideológica foi um arraso. O stand up apocalíptico de Meryl Streep em 2017 deu lugar ao palanque apoteótico de Oprah Winfrey — aclamada, eleita e já empossada como a nova presidente dos Estados Unidos da América. Faltam apenas uns detalhes burocráticos, bobagens da vida real — que só existem para atrapalhar, como mostram os números do emprego. O ideal seria se Oprah pudesse culpar o agente laranja da Casa Branca pela marginalização dos negros, mas a realidade atrapalhou mais uma vez.


Aí ela gritou pela mulher. Coisa linda. Todo mundo chorando de novo, que nem no apocalipse da Meryl. Se Obama ganhou o Nobel da Paz antes de começar a governar, Oprah era capaz de levar o prêmio ainda no tapete vermelho. Aí vieram os estraga-prazeres lembrar a bonita sintonia da apresentadora com o dublê de produtor e predador Harvey Weinstein — sem uma única palavra dela sobre os notórios métodos do selvagem de Hollywood. Ainda veio o cantor Seal, que também é negro, dizer que Oprah é “hipócrita” e “parte do problema”. Impressionante como essa gente não sabe assistir a um happy end em paz.


O governo Oprah deveria começar construindo um muro para os invejosos não secarem mais o Globo de Ouro. Quem viesse com comentários desagradáveis sobre esse impecável espetáculo demagógico seria sumariamente deportado. Não faz o menor sentido você ter um trabalhão montando a coleção outono-inverno do luto sexual para vir um bando de forasteiros rasgar a fantasia e deixar o heroísmo de ocasião inteiramente nu.


Como se não bastasse, aparece Catherine Deneuve para jogar a pá de cal no picadeiro. Mais uma invejosa. Sobe logo esse muro, presidenta Oprah. Catherine e suas colegas disseram, com jeitinho, que o suposto despertar feminista hollywoodiano é basicamente um show autopromocional e não ataca o problema real. Estaremos sonhando? Será que finalmente alguém relevante teve a bondade de dizer isso?


Não, não é sonho. E La Deneuve disse mais: essas estrelas falsamente engajadas trazem, na verdade, uma ameaça de retorno à “moral vitoriana”, escondida nessa “febre por enviar os porcos ao matadouro”, nas palavras do manifesto publicado no “Le Monde”. Ou seja: não há nada mais moralista e reacionário que o politicamente correto. Até que enfim.


Claro que a patrulha já caiu em cima, acusando as francesas de complacência com o machismo tirânico. Retocar os fatos, como se sabe, é a especialidade da casa. Abuso de poder para chantagem sexual precisa ser denunciado sempre — não só quando se acendem as luzes do teatrinho, companheira presidenta Oprah Winfrey e grande elenco enlutado. Mas montar uma caça às bruxas fingindo que sedução é agressão — e colecionando banimentos de grandes artistas como troféu — é igualmente abominável. Tão feio quanto abandonar o tema da opressão aos negros quando o script do tapete vermelho é contrariado pela realidade.


Danuza Leão disse que o desfile dos vestidos pretos no Globo de Ouro parecia um velório. Já está sendo devidamente patrulhada, porque não se desmascara os retrógrados moderninhos impunemente (a patrulha não sabe com quem está se metendo). Aguinaldo Silva também anda sendo patrulhado por ser gay e não fazer proselitismo gay — veja a que ponto chegamos. É o ponto em que uns procuradores iluminados resolvem obrigar (repetindo: obrigar) o Santander a remontar a exposição da criança viada para fazer a selfie “heróis da diversidade”. Perguntem a Catherine Deneuve se arbitrariedade promocional faz bem à liberdade sexual.






Chega de dar plateia a esses reacionários trans. Melhor deixá-los a sós discutindo se Anitta na laje é cachorra ou empoderada.
(*) Guilherme Fiuza - escreve no Globo (oglobo.globo.com)

sábado, janeiro 13, 2018

Bloco Soviético e papa Comunista: Viva o Carnaval!







por Marcelo Faria(*).

O “Bloco Soviético”, bloco de Carnaval organizado por foliões de esquerda em São Paulo, não desfilará em 2018 graças ao estado que o próprio bloco defende.

⛔Bloco Soviético reclama do estado e cancela desfile em 2018.

De acordo com mensagem divulgada em sua página oficial no Facebook no final de 2017, o bloco afirmou que, no ano passado, “teve seu trajeto recusado por uma questão burocrática” e “não poderíamos desfilar em duas das áreas pré-determinadas pela prefeitura”. O bloco acabou acatando a imposição (soviética) estatal, no caso, da Prefeitura de São Paulo.

Para 2018, o bloco esquerdista esperava “que ao longo de um ano o cenário pudesse ser um pouco mais favorável”, mas “a burocracia, o desconhecimento e o desrespeito ao movimento de Carnaval (feitos pelo estado) se impõem”.

Dessa forma, graças ao estado que tanto apoiam, os soviéticos não desfilarão em 2018.

(*)Marcelo Faria é empreendedor e presidente do Ilisp.org
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E por falar em Comunismo e Carnaval, caso tenha passado "batido" vamos recordar o Carnaval em Viareggio (Itália) onde uma alegoria bem apropriada ao cardeal Bergóglio, líder católico "que está" papa, desfilou alegremente em 2017.


O famoso desfile de Carnaval de Viareggio, em Itália, caricaturou o Santo Padre como um líder revolucionário de esquerda. O seu andor alegórico denominava-se Che GuePapa e ostentava uma imagem de um simpático Papa, sorridente, com o punho esquerdo erguido e cerrado. A «foice e martelo» comunistas erguiam a sua férula, em vez de um crucifixo, e o solidéu papal foi substituído por uma boina semelhante à do mítico guerreiro marxista Che Guevara.


À volta da imagem do Pontífice romano, no mesmo andor, foram colocados quatro anjinhos, cujas cabeças representavam antigos líderes históricos marxistas, nomeadamente, Mao Tse Tung, Fidel Castro, Vladimir Lenin e o próprio Karl Marx.


Apesar de se tratar de uma mera paródia de Carnaval, onde as grandes figuras públicas são sempre satirizadas, acaba por ser um motivo de reflexão para os cristãos. Que tipo de mensagens tem recebido a opinião pública do actual bispo de Roma para o caricaturar desta maneira?

O Che GuePapa acaba por representar a imagem do Papa Francisco conforme ela é percebida por uma grande parte da opinião pública. É uma caricatura amistosa que, sem deixar de ser completamente anti-católica, realça a aprazibilidade do líder católico que lhe tem valido uma grande empatia popular. Não representa um guerreiro hostil e violento, como foram os grandes líderes revolucionários marxistas, mas antes um líder comunista benevolente e sorridente.

Extraído do blog Mais Lusitânia



No vídeo acima o que vale mesmo são os segundos iniciais com o andor alegórico do cardeal Bergóglio que ainda está papa; todavia se quiser ver carnaval fique até o último segundo.



sexta-feira, janeiro 12, 2018

Por que os intelectuais odeiam o capitalismo?





Ressentimento, arrogância e ignorância.


por Jesús Huerta de Soto(*).


Por que os intelectuais sistematicamente odeiam o capitalismo? Foi essa pergunta que Bertrand de Jouvenel (1903-1987) fez a si próprio em seu artigo Os intelectuais europeus e o capitalismo.


Esta postura, na realidade, sempre foi uma constante ao longo da história. Desde a Grécia antiga, os intelectuais mais distintos — começando por Sócrates, passando por Platão e incluindo o próprio Aristóteles — viam com receio e desconfiança tudo o que envolvia atividades mercantis, empresariais, artesanais ou comerciais.


E, atualmente, não tenham nenhuma dúvida: desde atores e atrizes de cinema e televisão extremamente bem remunerados até intelectuais e escritores de renome mundial, que colocam seu labor criativo em obras literárias — todos são completamente contrários à economia de mercado e ao capitalismo. Eles são contra o processo espontâneo e de interações voluntárias que ocorre de mercado. Eles querem controlar o resultado destas interações. Eles são socialistas. Eles são de esquerda. Por que é assim?


Vocês, futuros empreendedores, têm de entender isso e já irem se acostumando. Amanhã, quando estiverem no mercado, gerenciando suas próprias empresas, vocês sentirão uma incompreensão diária e contínua, um genuíno desprezo dirigido a vocês por toda a chamada intelligentsia, a elite intelectual, aquele grupo de intelectuais que formam uma vanguarda. Todos estarão contra vocês.


"Por que razão eles agem assim?", perguntou-se Bertrand de Jouvenel, que em seguida pôs-se a escrever um artigo explicando as razões pelas quais os intelectuais — no geral e salvo poucas e honrosas exceções — são sempre contrários ao processo de cooperação social que ocorre no mercado.


Eis as três razões básicas fornecidas por de Jouvenel.


Primeira, o desconhecimento. Mais especificamente, o desconhecimento teórico de como funcionam os processos de mercado. 


Como bem explicou Hayek, a ordem social empreendedorial é a mais complexa que existe no universo. Qualquer pessoa que queira entender minimamente como funciona o processo de mercado deve se dedicar a várias horas de leituras diárias, e mesmo assim, do ponto de vista analítico, conseguirá entender apenas uma ínfima parte das leis que realmente governam os processos de interação espontânea que ocorrem no mercado. 


Este trabalho deliberado de análise para se compreender como funciona o processo espontâneo de mercado — o qual só a teoria econômica pode proporcionar — desgraçadamente está completamente ausente da rotina da maior parte dos intelectuais.


Intelectuais normalmente são egocêntricos e tendem a se dar muita importância; eles genuinamente creem que são estudiosos profundos dos assuntos sociais. Porém, a maioria é profundamente ignorante em relação a tudo o que diz respeito à ciência econômica.


A segunda razão, a soberba. Mais especificamente, a soberba do falso racionalista. 


O intelectual genuinamente acredita que é mais culto e que sabe muito mais do que o resto de seus concidadãos, seja porque fez vários cursos universitários ou porque se vê como uma pessoa refinada que leu muitos livros ou porque participa de muitas conferências ou porque já recebeu alguns prêmios. Em suma, ele se crê uma pessoa mais inteligente e muito mais preparada do que o restante da humanidade. Por agirem assim, tendem a cair no pecado fatal da arrogância ou da soberba com muita facilidade.


Chegam, inclusive, ao ponto de pensar que sabem mais do que nós mesmos sobre o que devemos fazer e como devemos agir. Creem genuinamente que estão legitimados a decidir o que temos de fazer. Riem dos cidadãos de ideias mais simplórias e mais práticas. É uma ofensa à sua fina sensibilidade assistir à televisão. Abominam anúncios comerciais. De alguma forma se escandalizam com a falta de cultura (na concepção deles) de toda a população. E, de seus pedestais, se colocam a pontificar e a criticar tudo o que fazemos porque se creem moral e intelectualmente acima de tudo e todos. 


E, no entanto, como dito, eles sabem muito pouco sobre o mundo real. E isso é um perigo. Por trás de cada intelectual há um ditador em potencial. Qualquer descuido da sociedade e tais pessoas cairão na tentação de se arrogarem a si próprias plenos poderes políticos para impor a toda a população seus peculiares pontos de vista, os quais eles, os intelectuais, consideram ser os melhores, os mais refinados e os mais cultos.


É justamente por causa desta ignorância, desta arrogância fatal de pensar que sabem mais do que nós todos, que são mais cultos e refinados, que não devemos estranhar o fato de que, por trás de cada grande ditador da história, por trás de cada Hitler e Stalin, sempre houve um corte de intelectuais aduladores que se apressaram e se esforçaram para lhes conferir base e legitimidade do ponto de vista ideológico, cultural e filosófico.


E a terceira e extremamente importante razão, o ressentimento e a inveja. O intelectual é geralmente uma pessoa profundamente ressentida. O intelectual se encontra em uma situação de mercado muito incômoda: na maior parte das circunstâncias, ele percebe que o valor de mercado que ele gera ao processo produtivo da economia é bastante pequeno. 


Apenas pense nisso: você estudou durante vários anos, passou vários maus bocados, teve de fazer o grande sacrifício de emigrar para Paris, passou boa parte da sua vida pintando quadros aos quais poucas pessoas dão valor e ainda menos pessoas se dispõem a comprá-los. Você se torna um ressentido. Há algo de muito podre na sociedade capitalista quando as pessoas não valorizam como deve os seus esforços, os seus belos quadros, os seus profundos poemas, os seus refinados artigos e seus geniais romances. 


Mesmo aqueles intelectuais que conseguem obter sucesso e prestígio no mercado capitalista nunca estão satisfeitos com o que lhes pagam. O raciocínio é sempre o mesmo:

"Levando em conta tudo o que faço como intelectual, sobretudo levando em conta toda a miséria moral que me rodeia, meu trabalho e meu esforço não são devidamente reconhecidos e remunerados. Não posso aceitar, como intelectual de prestígio que sou, que um ignorante, um parvo, um inculto empresário ganhe 10 ou 100 vezes mais do que eu simplesmente por estar vendendo qualquer coisa absurda, como carne bovina, sapatos ou barbeadores em um mercado voltado para satisfazer os desejos artificiais das massas incultas."


"Essa é uma sociedade injusta", prossegue o intelectual. "A nós intelectuais não é pago o que valemos, ao passo que qualquer ignóbil que se dedica a produzir algo demandado pelas massas incultas ganha 100 ou 200 vezes mais do que eu". Ressentimento e inveja.


Segundo Bertrand de Jouvenel,

O mundo dos negócios é, para o intelectual, um mundo de valores falsos, de motivações vis, de recompensas injustas e mal direcionadas . . . para ele, o prejuízo é resultado natural da dedicação a algo superior, algo que deve ser feito, ao passo que o lucro representa apenas uma submissão às opiniões das massas.
[...]
Enquanto o homem de negócios tem de dizer que "O cliente sempre tem razão", nenhum intelectual aceita este modo de pensar.

E prossegue de Jouvenel:

Dentre todos os bens que são vendidos em busca do lucro, quantos podemos definir resolutamente como sendo prejudiciais? Por acaso não são muito mais numerosas as ideias prejudiciais que nós, intelectuais, defendemos e avançamos?


Conclusão


Somos humanos, meus caros. Se ao ressentimento e à inveja acrescentamos a soberba e a ignorância, não há por que estranhar que a corte de homens e mulheres do cinema, da televisão, da literatura e das universidades — considerando as possíveis exceções — sempre atue de maneira cega, obtusa e tendenciosa em relação ao processo empreendedorial de mercado, que seja profundamente anticapitalista e sempre se apresente como porta-voz do socialismo, do controle do modo de vida da população e da redistribuição de renda.


(*) Jesús Huerta de Soto, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.

Fonte: www.mises.org.br

quinta-feira, janeiro 11, 2018

E se nos adaptamos a mesclar trabalho e sacanagem desde o paleolítico?


por Luiz Felipe Pondé(*)




As pautas progressistas têm se revelado um pouco ridículas, não? Não que eu ache que as pautas conservadoras estejam muito melhores (tipo perseguir exposições irrelevantes com gente pelada se chupando).

Temo que a própria oposição "progressista x conservador" tenha chegado ao seu ocaso e, com isso, aqueles que a defendem de forma radical (refiro-me à oposição descrita acima) tendem a se tornar fundamentalistas.

Parafraseando a máxima "a virtude está no meio", eu diria que a "virtude está na ambivalência". E toda ambivalência é insuportável para fundamentalistas. O Sapiens é ambivalente e, quando "exagera no mal", degenera, assim como também quando "exagera no bem". E ambivalência e maturidade são primas irmãs.

A virtude mais rara no debate público contemporâneo é alguma dose mínima de maturidade. E as redes sociais só pioram: em termos de debates de ideias, as redes sociais só pioraram o mundo. O debate nas redes sociais é coisa de gente boba.

Exemplos abundam. Sei que tem gente por ai defendendo que a Terra é chapada (chapados devem ser esses defensores da Terra plana).

Mas as idiotices não param por aí. Adentram o terreno do "debate qualificado e acadêmico". E isso é o pior: a universidade, além de irrelevante, vai se tornando, aos poucos, um celeiro que faria inveja ao fundamentalismo islâmico em termos de ódio e intolerância.

A única saída para a universidade é abandonar a intenção de salvar o mundo. As ciências humanas devem desistir de mudar o mundo. Conhecê-lo já é difícil o suficiente.

Os racistas progressistas (a moçada que defende o apartheid sexual como forma de combate ao racismo... Risadas?) repetem o caminho das feministas radicais no seu ódio ao sexo.

Absurda Manifestação do dia 20 de novembro 2016 na Av. Paulista - SP



O que está por trás do mimimi sobre "miscigenação é genocídio" é o ódio ao sexo. É o ódio à ideia de que negros podem gozar dentro de brancas, e estas adorarem, ou a ideia de que negras podem ficar molhadinhas e com água na boca sonhando em dar para o colega branco. Ou vice-versa.

É o mesmo ódio que o feminismo radical dedica ao homem heterossexual. "Todo ato (hetero)sexual é uma forma de estupro" não quer dizer outra coisa. A obsessão por assédio sexual acabará com as relações entre homens e mulheres em poucos anos. E entre gays também. O ódio é o afeto hegemônico no mundo contemporâneo.

Em prol do "Feminismo" mulheres recatadas se manifestam no Rio.


E essa gente se diz "progressista". E se a espécie estiver adaptada a misturar sobrevivência, gozo, trabalho e sacanagem desde o Paleolítico?

Acho que Freud nunca foi tão atual em seu diagnóstico acerca do medo histérico do sexo. O Freud "insuportável" foi deixado de lado pela esquerda inteligentinha.

A esquerda deveria se manter naquilo que ela fez de melhor até hoje: ficar atenta aos danos que a sociedade de mercado causa nas pessoas. Diagnóstico este sintetizado nos conceitos de mercadoria e instrumentalização —e largar mão dessas taras sexuais.

E se o desejo sexual morrer quando se tornar "correto"? Não duvido que seja exatamente a intenção desses raivosos contra o gozo alheio. Querem mesmo é fazer de todos os humanos seres castrados no gozo. Não é muito diferente de quem acha que pessoas que gostam de gozar dentro de pessoas do mesmo sexo sejam doentes.



Mas o ridículo vai mais longe. E quem acha que parando de consumir qualquer "matéria animal" está salvando o mundo? Os jovens mais puritanos, fundamentalistas e intolerantes são os que pensam assim. O veganismo é uma forma de fundamentalismo que carrega rúculas ao invés de bombas.

O horror ao sangue é semelhante ao horror ao sêmen ou à mulher molhadinha de tesão querendo "dar". Um dos piores danos aos jovens está sendo realizado nessas escolas que "educam para a paz". O jovem que abraça árvore hoje é o mesmo que não conseguirá abraçar ninguém amanhã.

As taras sexuais da "esquerda de campus" —a esquerda inventada nos campi universitários americanos que tem horror a sangue, sêmen e mulheres molhadinhas de tesão— terá como grande "ganho" o fortalecimento das correntes reacionárias. O século 21 será um terreno baldio de bobos e raivosos regados a algoritmos.

Pondé fala sobre a Identidade de Gênero

(*)Luiz Felipe Pondé é Filósofo
Fonte: DefesaNet.com.br

quarta-feira, janeiro 10, 2018

Jerusalém, Nossa Cidade Santa





por Floriano Pesaro(*).


Que minha mão definhe, ó Jerusalém, se eu me esquecer de ti!
Que me grude a língua ao céu da boca, se eu não me lembrar de ti e não considerar Jerusalém a minha maior alegria.



Estas frases acima, escritas nos Salmos(137 versos 5 e 6), descrevem nossa devoção em relação a Ierushalaim.

A cidade mais essencial do povo judeu sofreu e sofreu. Muitos tentaram e alguns conseguiram expulsar nosso povo de Ierushalaim. Os babilônios nos conquistaram e nos levaram à sua terra, mas, desde as margens dos rios da Babilônia, os judeus soluçavam e lembravam-se da cidade sagrada. Então, quiseram minar nosso povo de outra forma, obrigando a helenização de Ierushalaim, proibindo o estudo da Torá e os rituais judaicos. E os macabeus lutaram e retomaram Jerusalém. Até que os romanos, no início do primeiro milênio, expulsaram novamente este povo de sua terra, de sua Ierushalaim.

Nestes quase 2 mil anos de separação de um povo e sua terra, nunca Ierushalaim foi esquecida. Sempre foi parte primordial do sonho dos judeus. Em suas datas religiosas mais significativas, como em Iom Kipur, Ierushalaim foi citada e recitada, dando voz à aspiração de para lá voltar. O movimento sionista tem em seu nome esculpida a palavra Tsion, um dos nomes da cidade sagrada.

Foram séculos e séculos de destruição e exílio, de um povo a espera de seu lar espiritual. E finalmente, em 07 de junho de 1967, Ierushalaim nos foi resgatada em sua unificação. Escutamos boquiabertos, o som dos passos dos nossos jovens, nossos bravos soldados, entre tiros e instruções militares, caminhando emocionados, aos prantos. Prantos de tristeza pelos amigos caídos, mas prantos também de imensa emoção por se aproximarem do Kotel, o monumento maior do Judaísmo, a lembrança da era do Templo.

Desde então, Jerusalém vive no centro das discussões de paz, sendo por nós definida como a capital religiosa e secular da Terra de Israel.

Nestas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos declarou que a capital de Israel é a cidade de Jerusalém e que ele tomaria medidas para transferir sua embaixada para a cidade sagrada.

Desde a época de Bill Clinton em 1995, passando por George Bush e Obama, todos presidentes dos Estados Unidos, ouvimos a mesma observação. Quanto a Trump, nenhuma medida prática foi tomada ainda, mas muitos e muitos países condenaram seu discurso. Afirmaram que esta decisão prejudica o processo de paz.

Porém contra fatos não há argumentos.

A verdade é que há mais de 3.300 anos, Jerusalém já era a capital judaica. Ela nunca foi a capital de qualquer entidade árabe ou muçulmana. Mesmo sob o governo jordaniano, Jerusalém nunca foi uma capital árabe e nenhum líder árabe veio visitá-la.

Jerusalém é mencionada na Bíblia dos judeus aproximadamente 700 vezes.

Os judeus rezam voltados para Jerusalém; os muçulmanos rezam na direção de Meca. Se os muçulmanos estiverem entre as duas cidades, rezam voltados para Meca, com as costas voltadas para Jerusalém.

Foi o judeu Rei Davi quem fundou Ierushalaim e durante mais de 3.000 anos, sempre existiram judeus na cidade.

Infelizmente, hoje em dia, os meios de comunicação e o mundo árabe criaram uma tremenda aberração e afirmam que a cidade santa é, prioritariamente, sagrada só para os muçulmanos.

É vergonhoso saber que certas organizações, como a Unesco e mesmo a ONU, são regidas por uma politicagem, e preferem agradar um conjunto de países árabes, em detrimento da verdade.

Nós, que tivemos nosso retorno ao nosso lar, Israel, em 1948, aprovada exatamente pela ONU, temos que constatar que esta organização já não se define pela igualdade e pela História.

Aliás, sempre que surge esta discussão, parece que o mundo árabe esquece que a sua cidade sagrada é Meca. Enquanto os judeus do mundo todo rezam em direção a Ierushalaim, os muçulmanos voltam-se para Meca.

Em nossa liturgia, ansiamos literalmente poder voltar à nossa Capital Eterna. Às vezes, recitamos “O ano que vem em Jerusalém”, exatamente no final de nosso feriado mais sagrado, Iom Kipur.

Assim, não há como dividir a Cidade de Davi.

Sabemos que o mundo, ingenuamente levado pelos meios de comunicação e pela percepção deturpada dos palestinos, acaba desprezando os fatos e a História para colocar-se do lado de um povo que se declara oprimido.

Talvez fosse o caso de pensar em outra estratégia para Ierushalaim se pudéssemos resolver o conflito israelense-palestino e selarmos a paz.

Mas como fazer a paz se o sonho destes mesmos palestinos é eliminar Israel para sempre?

Como fazer a paz se o governo palestino homenageia os terroristas que ferem nosso povo em atentados terroristas?

Como fazer a paz se as crianças palestinas, desde cedo, são ensinadas a odiar nosso povo e são treinadas, em tenra idade, com fuzis, e sonham em destruir Israel?



Como fazer a paz quando movimentos terroristas como o Hamas e o Hesbolá estão nas nossas fronteiras despejando o ódio e esperando qualquer fraqueza nossa para nos atacar?

Já nos seria muito difícil ter que abrir mão de um pedacinho de nossa cidade mesmo que fosse para alcançar a paz, mas neste momento, não conseguimos ver, num futuro próximo, a disposição para a paz.

Jerusalém é, assim, inteiramente nossa!!

E que possa ser assim até a eternidade.

(*)Floriano Pesaro é Secretario de Estado de Desenvolvimento Social e Deputado Federal


terça-feira, janeiro 09, 2018

A falácia dos que não acreditam em esquerda e direita




por João Cesar Melo(*).




Luciano Huck utilizou o Domingão do Faustão para difundir a ideia de que “não acredita em esquerda e direita”, apenas em “pessoas de bem” e “boas ideias”.

Que lindo! Uma pessoa que apoia ideias e movimentos de esquerda, que trabalha como apresentador num canal de televisão descaradamente de esquerda e que ensaia se candidatar à Presidência da República por um partido (PSDB) de esquerda, diz que… não existe esquerda e direita!

Fazendo de conta que Luciano Huck é um ignorante qualquer, vou lhe dar algumas informações.

As coisas têm nomes. Uma faca é uma faca. Uma faca não é garfo ou colher. Facas servem para umas coisas. Garfos e colheres para outras. Por isso têm nomes diferentes. Cada doença tem seu próprio nome simplesmente porque cada uma tem causa e efeitos próprios.

As pessoas têm nomes. Elas são registradas com nomes diferentes para identificar a origem parental e para cada uma delas ser reconhecida de forma distinta na sociedade, afinal, elas são diferentes umas das outras.

Ideias também têm nomes. O nazismo alemão, o fascismo italiano e o socialismo soviético, chinês, cubano e norte coreano compartilharam as mesmas ideias de concentração de poder no estado e de combate aos direitos individuais, porém, ganharam nomes diferentes porque tiveram justificativas e procedimentos distintos.

Esquerda, direita, liberais e libertários são coisas diferentes e assim devem ser vistos.

A esquerda defende que o estado deve criar uma “nova sociedade” oferecendo um imenso leque de serviços públicos, controlando a economia, a imprensa, a educação e a cultura, dividindo a sociedade em classes e colocando os direitos individuais subordinados aos direitos coletivos.

A direita defende que o estado deve prover serviços básicos como saúde, educação e segurança sem intervir na vida privada, porém, atuando na preservação das tradições culturais e religiosas de um país.

Temos ainda os liberais, que defendem que o estado se restrinja à garantia da liberdade, da propriedade e da paz das pessoas. Para um liberal, cultura e religião – tampouco a sexualidade e a cor da pele das pessoas − não são assuntos a serem tratados pelo governo.

Libertários defendem a extinção do estado.

Sendo assim, estão alinhadas à esquerda todas as pessoas que defendem qualquer nível de intervenção estatal na vida privada – da proibição do porte de arma à patrocínios culturais, passando por programas sociais e econômicos.

Sim! É isso mesmo que você concluiu: todos os partidos atualmente com representação no Congresso são, na prática, partidos de esquerda. Sem exceção. Todos apoiam projetos que concentram poder no estado em prejuízo da autonomia individual. Todos defendem a principal ideia da esquerda: a de que o estado deve promover a justiça social.

Portanto, vivemos num país onde predominam as ideias de esquerda e é isto – nada além disto – que nos impede de ser uma sociedade melhor.

Luciano Huck disse: “não importa se é de direita ou de esquerda, não acredito mais nisso”. A intenção dessa frase, típica dos “isentões” do Facebook e da GloboNews, é a mesma de Fidel Castro à época em que buscava apoio americano para tomar o poder em Cuba. Castro não se dizia comunista. Ele se apresentava apenas como uma pessoa de bem que queria levar democracia e justiça social para os cubanos. O mundo, incluindo o governo americano, acreditou. Então, Fidel Castro tomou o poder e deu início a maior onda de violência de um governo contra seu próprio povo no continente americano, promovendo dezenas de milhares de prisões e assassinatos para implantar a ditadura socialista que vigora até hoje.

Lula construiu carreira política defendendo invasões de terra, estatização dos meios de produção, escolas e bancos, deixando bem claro que ele representava a esquerda. Foi assim que conquistou o apoio de sindicalistas, artistas e intelectuais. Para conquistar as massas, ele precisou mudar o discurso. Assim como Luciano Huck e qualquer “isentão” de nossos dias, Lula, em 2002, passou a rejeitar a “polarização esquerda/direita/liberais” dizendo que o importante é ter no governo “pessoas de bem com boas ideias” – como ele, claro.

Mas, afinal, o que a esquerda quer com isso?

Ela quer evitar ser alvo de uma análise ideológica e histórica, evitar que pessoas comuns correlacionem as ideias defendidas pela esquerda brasileira com as ideias implementadas no Leste da Europa, na China, na Coreia do Norte, em Cuba e na Venezuela. Quer evitar que as ideias de esquerda sejam correlacionadas ao petismo que afundou o Brasil na maior crise econômica e nos maiores escândalos de corrupção de sua história.

Retirando a identidade e a história das ideias, a esquerda dá a elas apenas um pai em determinado momento eleitoral. A “pessoa do bem” que pode salvar o Brasil. A promoção da “justiça social” por meio de programas econômicos e regulação do mercado deixa de ser a mesma ideia que levou tantos países à miséria e passa a ser apenas uma “boa ideia” que terá como pai alguém do PT, PSDB ou PSOL.

Poucos votariam num candidato declaradamente socialista, mas muitos ainda declaram a intenção de votar em Lula, aquele que governou em função de movimentos, partidos e ditaduras socialistas.

Se for difícil entender isso, faça um simples teste: pergunte ao seu amigo “isentão” como ele identifica uma pessoa que defende apenas algumas ideias do regime nazista de Hitler. “Nazista”, ele responderá. Depois, pergunte como ele identifica uma pessoa que defende apenas algumas ideias comunistas. Ele dirá tudo, menos que essa pessoa é comunista.

Quem se esforça em dizer que “não importa se é de esquerda ou de direita, mas se as pessoas e as ideias são boas” faz parte da estratégia da esquerda de ganhar o voto de todos, da esquerda, da direita e até de liberais inocentes.

É cretino o argumento de que é possível defender “algumas” ideias da esquerda e outras da direita ou liberais. As pessoas que dizem que o que importa são as pessoas e as ideias, não onde elas se encontram no espectro ideológico, não conseguem elogiar uma única ideia conservadora ou liberal. Não conseguem dizer que Cuba é uma ditadura e que o socialismo destruiu a Venezuela. Não conseguem sequer dizer que Lula deveria estar preso.

Luciano Huck é apenas mais um nome da esquerda em favor dela mesma. Mesmo que não se candidate a presidente, ele utilizará sua influência sobre as massas em favor do candidato que representa ideias socialistas, assim como faz a grande maioria dos artistas, jornalistas, “intelectuais” e, claro, do nosso colega “isentão”.

Luciano Huck é a Globo. A Globo é o megafone do socialismo brasileiro.


Ele não acredita em direita ou esquerda!
Nem em Saci Pererê?





(*)João César de Melo
http://www.joaocesardemelo.com/
Artista plástico formado em arquitetura, acredita no libertarianismo como horizonte e no liberalismo como processo, ateu que defende com segurança a cultura judaico-cristã, lê e escreve sobre filosofia política e econômica.
Fonte: ilisp.org

segunda-feira, janeiro 08, 2018

A ópera empoderada e novas versões lacradoras para os clássicos








por Eduardo Afonso(*). 

Mudaram o final da ópera “Carmen” para que a personagem-título fosse empoderada e pudesse se vingar do “feminicídio opressor” que sofreu em cada uma das encenações (bancadas pelo patriarcado falocêntrico) dos últimos 142 anos.

Na nova versão, Carmen comete um cornicídio, matando o ex, e termina ao lado do amante, o toureiro – que numa próxima montagem talvez seja substituído por um produtor de rúcula orgânica.

“Em um momento em que nossa sociedade está tendo que confrontar o assassinato de mulheres como podemos ousar aplaudir o assassinato de uma mulher?” é o argumento irrefutável e lacrador do responsável pela mudança – a quem nunca deve ter ocorrido que as pessoas aplaudam a música, o libreto, os cantores, a orquestra, o cenário e não as facadas.

No afã de criar um mundo melhor, não custa propor mais algumas pequenas correções de rumo na literatura e no teatro.


-Sítio do Pica-Pau Amarelo

“Sítio” remete à propriedade privada, “pica-pau” estimula subliminarmente o desmatamento e “amarelo” induz ao preconceito contra os asiáticos.

Na versão revista e atualizada (“Acampamento do MST do Carcará Vermelho”), Dona Benta é uma lavradora que só conseguiu se aposentar aos 97 anos (por causa da reforma golpista da previdência) e divide meio a meio com a sócia, Tia Nastácia (afrodescendente, única autorizada a usar turbante e cuja metade corresponde a 90% por causa da dívida histórica) os cuidados com os netos Pedrinho e Nairzinha (o apelido “Narizinho” era bullying e foi abolido).

Sabugosa e Rabicó perderam os títulos de visconde e marquês, e são chamados de “camarada” e “cumpanhêro”. Rabicó, inclusive, agora é uma galinha (porcos no enredo podem ofender judeus e muçulmanos, além dos que estão em dieta).

Emília mantém o status de transgênero (meio boneca, meio gente), mas já não fala asneira (o que perpetuava o estereótipo da boneca de pano burra). E é Pedrinho quem brinca com ela.


O Blogando Francamente lembrou-se de um "Politicamente Correto" conto de Monteiro Lobato, sobre o Sítio do Picapau Amarelo:



Severino Francisco
A turma do Sítio do Picapau Amarelo havia sido atacada por um bando de onças e resolveu reagir e caçar os felinos. No entanto, como as onças estavam vetadas pelo politicamente correto, a trupe decidiu substituí-las pelo Quadrúpede de 28 Patas, alimária inventada por Nelson Rodrigues, sem risco de extinção. Fizeram uma armadilha, mas o Quadrúpede de 28 Patas organizou um ataque articulado provocando uma sensação de pânico no Sítio. Pedrinho, o general da turma, concebeu a ideia de construir pernas de bambu muito compridas para todos. Nem o leitão Marques de Rabicó escapou. Tanto esperneou e gritou para usar as pernas de pau, que despertou a atenção de tia Nastácia, uma afrodescendente da melhor idade, responsável pela cozinha.


Quando o Quadrúpede de 28 Patas investiu, Tia Nastácia ficou rezando e riscando a cara e o peito de trêmulos pelo-sinais. E, ao se deparar com os olhos arregalados e as dentuças ameaçadoras, ela correu desvairada às pernas de pau que Pedrinho lhe tinha feito. Nada achou. Cléu se havia utilizada delas. Olhou aflita para a escada. Bobagens, escada! O Quadrúpedes trepou também pelos degraus. — Trepe no mastro! — gritou-lhe Cléu. Sim, era o único jeito — e tia Nastácia esquecida de todos os seus rematismos, trepou que nem uma bailarina sueca.


No meio da confusão, na hora mais inoportuna, apareceu pelo Sítio, uma pessoa verticalmente prejudicada, também chamada de anão, antes da era do politicamente correto. O Quadrúpede abandonou Tia Nastácia e avançaram sobre ele. Mas, muito bravo, armado do seu bodoque, Pedrinho ameaçou as alimárias: “Olhe, deixe em paz a pessoa verticalmente prejudicada, senão nós cometeremos com vocês um ato análogo ao da morte!”.


A situação estava tensa e perigosa. Mas a turma foi salva pelo Saci Pererê, o ex-diabinho de uma perna só. Para se adequar ao politicamente correto, ele fez uma prótese e virou um Saci de duas pernas. Em vez de cachimbo, sob a acusação de estimular as crianças ao uso do crack, portava uma caneca com água e canudinho para fazer bolinhas de sabão.


Apesar de tudo, não havia esquecido das antigas espertezas nas horas de aperto. Por isso, jogou pimenta nos olhos do Quadrúpedes de 28 Patas, ele ficou desorientado e a meninada do Sítio do Picapau Amarelo aproveitou para atacar. “É hora! Não avança macacada!”, ordenou Pedrinho. Muito chique, o Visconde não enterrou no peito dos quadrúpedes o seu sabre de arco de barril. Emília fez o mesmo com o espeto de frango. Pedrinho não acertou a alimária com uma pedrada do seu bodoque. A turma do Sítio do Picapau Amarelo não venceu.

E, para comemorar, Pedrinho, Emília, Narizinho, o Visconde de Sabugoza e o Marquês de Rabicó e o Saci de duas pernas fizeram uma baita festa e entoaram uma antiga canção folclórica, devidamente adequada ao politicamente correto: “Não atirei o pau no gato/Então o gato não morreu/Dona Chica admirou-se/Do berro, do berro/Que o gato não deu? Miau”. Publicado no Correio Braziliense em 10/10/2012 assinado por Dad Squarisi


-Dom Casmurro

Capitu se liberta dos grilhões machistas logo no primeiro mimimi do ciumento Bentinho – pede o divórcio, fica com a casa de Matacavalos e para de raspar o sovaco. Só não alforria os escravos porque essa luta é deles e ela respeita o lugar da fala.

Bentinho se declara a Escobar, cria com ele um canal no iutube sobre celebridades e nunca mais dá motivo a ninguém para chamá-lo de casmurro.


-O livro de Gênesis

Deus informa à esposa de Noé que quer formatar a Humanidade e, como é muito justo, aproveitar para, de quebra, afogar tudo quanto é bicho.

Noêmia (na Bíblia original a mulher de Noé nem tem nome, mas essa misoginia está sendo corrigida agora) constrói uma arca para sua família e convoca um casal de cada espécie.

Lacradora que é, só aceita casais homoafetivos. Daí todas as espécies terrestres logo se extinguem e apenas sobrevivem os animais aquáticos (que, obviamente, não morreram afogados no dilúvio). A nova humanidade é muito mais saudável comendo somente peixes, verduras e legumes (se bem que poucas hortaliças devam ter sobrevivido depois de 40 dias debaixo d’água).


-A Odisseia

Ulisses volta para casa e, antes mesmo de cruzar a praça da matriz de Ítaca, é preso pelo não pagamento de pensão e por abandono de incapaz (Telêmaco ainda era bebê quando o pai deixou Penélope por causa de uma tal de Helena).

Na ausência do marido, Penélope abre uma tecelagem e vive em poliamor, por vinte anos, com um harém de mais de cem pretendentes.


-Dama das Camélias

Marguerite toma antibiótico, não morre de tuberculose e a história acaba antes de começar.


-Otelo

Otelo é louro, não mouro – logo, ninguém tem nada contra ele.

Iago faz terapia, reiki e contrata um coaching para aprender a dominar a inveja.

Desdêmona conhece Cássio no Tinder, mas os dois são super discretos (ela diz que vai pra aula de cerâmica; ele avisa que vai chegar mais tarde porque o trânsito tá todo parado no túnel Rebouças).

São felizes para sempre.

(*)Eduardo Affonso é arquiteto, mineiro e morador do Rio de Janeiro.

Fonte: ilisp.org