Com satisfação li o artigo de Sergio Malbergierna Folha on-line de 24/07. Sergio Malbergier põe o dedo na ferida da Publicidade no Brasil.
No recente IV Congresso de Propaganda, João Roberto Marinho e Roberto Civita, criticaram a Censura do TSE (revogada posteriormente) pelas entrevistas promovidas com a prefeiturável Marta Favre, na Folha de São Paulo e na Veja: Ponto para o João Roberto
Porém,durante todo o Congresso, nenhuma palavra a respeito da ética que deveria nortear a atuação de publicitários, quando o assunto marketing eleitoral. Marcos Valério e Duda Mendonça, salvo engano são publicitários e nos últimos anos se envolveram em todos os tipos de negócios ilícitos: Marcos Valério, com o caixa 2 do Petê, recentemente mas, passando pelo caixa 2 do então candidato Azeredo (aquele que quer calar a Internet) e Duda Mendonça, com o caixa 2 de Marcelo Alencar (1997) e altamente comprometido com caixa 2 do Petê que elegeu - queira elle ou não - Lulla.
Estranho mundo da Publicidade que exige o fim da Censura de um lado e permite ou se locupleta com corruptos de toda espécie, que desviam o dinheiro que falta ao SUS, na Educação e na Segurança. São pequenas ditaduras como essa que dão força moral ao nosso pequeno aprendiz de ditador, para sonhar com a perpetuação no poder; pessoalmente ou com algum preposto.
Agora, falta aparecer um jornalista, não comprometido ideologicamente com o poder ou corrompido pelo governo, que comece a desvendar o estranhíssimo mundo de outra ditadura: a das pesquisas. Essas pesquisas encomendadas, ou por amigos do pesquisado ou - no caso de São Paulo - por inimigos do pesquisado, são altamente suspeitas e, no meu entender, visam apenas a justificar o resultado final de uma eleição que será, novamente, comandada - onde o Rei tiver mais interêsse - por computadores.
E por falar em ditaduras, os traficantes do Rio também têm os seus candidatos preferidos. Esses empreendedores do vício exercem, livremente, todo o seu poder intimidatório para influenciar os Sem Segurança para elegerem os seus candidatos: Traficantes pressionam eleitores
Alguns ganham eleição imputando aos rivais o fim do bolsa família, manipulando pesquisas ou dando uma "azeitada" nas urnas, outros usam uma AK-47 ou uma AR-15; é tudo uma questão de estilo.
Se faltava alguém para que a privada transbordasse, agora não falta mais.
O ex-bispo Fernando Lugo, ganhou a eleição no Paraguai, sem urna eletrônica(*).
O ex-padre começou bem em seu discurso: "Hoje escrevemos um novo capítulo na história política da nossa nação".
Nós brasileiros sabemos bem o que significa "novo capítulo": empreguismo de incompetentes em áreas estratégicas, gastança com dinheiro público (no Paraguai tem Cartão Corporativo?) e muita, mas muita demagogia barata em discursos inflamados. Novo capítulo na história significa também, mais um estúpido seguidor da teologia da libertação a bater continência para o Bufão Bolivariano e, a exemplo do rei da Coca Andino, fará o NoçuGhia ficar de quatro e, lógico, nós as estúpidas vaquinhas de presépio diremos amém.
A confusão já começou: NoçuGhia diz que não haverá revisão no Tratado de Itaipu; já o nosso grande enrolador das relações exteriores - e incestuosas -, Celso Amorim, diz que sim. Logicamente que devemos acreditar no Celso Amorim porque ele aumenta, mas não inventa. Leia o imbróglio aqui
(*) Na próxima eleição Lugo não vai dispensar a Urna Eletrônica que é a garantia de reeleição.
BRASIL ESGÔTO
Mamapac está sendo perseguida pela oposição-cabeça-de-bacalhau. Esses maus brasileiros estão xeretando os gastos com o Cartão-Tapioca da ministra. Está no site do Diego Casagrande
Descobriram que mamapac comprou um guarda-chuva preto, grande e automático e uma lupa para "uso pessoal" E daí? Como é que uma lady pode fazer comício tranquilamente, caso ocorra uma chuva repentina? E, se a ministra tiver que ler dossiês com letras minúsculas, nada mais natural que nós paguemos a conta da lupa.
E por quê questionam a compra de revistas [Caras, Nova e Claudia] para a nossa primeiríssima dama? Ler faz bem e já que ela não faz nada tão grandioso quanto o NoçuGhia, por quê não deixarmos que ela se instrua?
A perseguição não para por aí; Nilcéa Freire (Secretaria das Mulheres) não pode nem tomar vinho; Walfrido dos MaLes Ghia, não pode comprar cargas de canetas contrabandeadas; José Dirceu não podia tomar leite desnatado, banana-prata ou banana-maçã, mamão, queijo frescal, manteiga, laranja e pão de forma, mesmo depois de ter passado tanta fome em Cuba? É a bolsa-ditadura em forma de alimentação para esse grande estrategista de congressos da UNE.
"Foi um impulso meu. Ele era tido como dedo-duro. Não fui investigar nem vou fazer pesquisa para livrar a barra dele. Não tenho arrependimento nenhum". A fala é de Hélio Jaguaribe, o Jaguar d'O Pasquim, novo premiado pelo bolsa ditadura,em entrevista à Revista Época (A revista retirou a matéria mas ainda há arquivos que repercutem)
O jaguar foi um dos algozes de Wilson Simonal, acusado injustamente pelos comunistóides da época de ser informante do SNI.
Aquela gentalha ultrapassada, que se considerava o último grama de sal do mar morto, hoje vive muito bem. Alguns, é bem verdade, já se foram para o inferno ou outro lugar qualquer; como o Henfil - outro que deitou o pau no Simonal - com as suas charges.
Aquela gente que reclamava tanto da Censura, acabou Patrulhando e calando o maior showman que o Brasil já teve: Wilson Simonal, um Pelé da musica.
Ziraldo, outro agraciado pelo bolsa-ditadura e integrante da tropa de choque do Pasquim, só reconheceu -mas, nem tanto - a merda que fizeram, somente quando Simonal estava a sete palmos da terra.
Quem não conheceu essa figura ímpar, pode ter "uma palhinha" num vídeo histórico - com a participação de Sarah Vaughan -, clicando Aqui
➤Dúvidas Cruéis:
1 - A família do Simonal poderá cobrar uma indenização desses novos milionários?
2 - O doutor Luiz Eduardo Greenhalg aceitará ser advogado da causa?
3 - Não ouço nem leio nenhuma homenagem das entidades afro-qualquer-coisa a esse negro brilhante. Na época, Simonal era rico e famoso, será esse o motivo do silêncio?
➤"Não suporto mais esse peso"
Matéria da Revista Época:
Internado em estado grave em São Paulo, o cantor Wilson Simonal afirma que nunca foi delator e pede para ser lembrado como artista
Hospitalizado na ala gratuita do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, desde o último dia 4, o cantor Wilson Simonal, de 62 anos, luta com dificuldade contra uma doença crônica no fígado. "O seu estado é grave", alerta o médico Alfredo Salim. O cantor se alimenta por sondas e vive sonolento por causa dos antibióticos e antidepressivos. "O que você tem, cara?", perguntou na semana passada o escritor e amigo Mário Prata. "Mágoa", respondeu, secamente, o cantor.
É uma mágoa que se arrasta há quase 30 anos. No governo Médici, no início da década de 70, na fase dura do regime militar, Simonal foi acusado de delatar comunistas ao temido Serviço Nacional de Informações (SNI), agora extinto. Ganhou a hostilidade do meio artístico e intelectual. O golpe o atingiu no momento em que dividia com Roberto Carlos o posto de cantor mais popular do Brasil. A carreira entrou em declínio irreversível. Segundo Sandra Manzini Cerqueira, sua mulher há sete anos, Simonal sobrevive graças a bicos esporádicos como músico e à ajuda de poucos amigos. Ele quase não canta mais. A média de shows é de dois ou três por ano.
No final dos anos 60, a vida do cantor provocava inveja. "Louras e morenas choviam na horta do 'Simona', navegando nas noites cariocas a bordo de um dos carros mais bonitos da cidade", lembra o jornalista Nelson Motta no livro Noites Tropicais. Contratado da multinacional Shell, Simonal foi o primeiro negro a gravar um comercial para TV no Brasil. Ao se apresentar no encerramento do Festival Internacional da Canção, em 1969, literalmente regeu 30 mil pessoas no Maracanãzinho, no embalo de "Meu Limão, Meu Limoeiro".
Fez longas turnês pelo país. Na volta de uma dessas viagens, em 1972, a bomba estourou. Simonal suspeitou que o contador Rafael Viviani o roubara. Entre os seguranças do cantor havia um policial ligado ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Mário Borges, a quem Simonal pediu para investigar o caso. Segundo o cantor, foi esse policial quem tomou a iniciativa de sequestrar e torturar Viviani.
No leito do Sírio Libanês, Simonal nega mais uma vez que tenha participado do seqüestro. No decorrer do processo que o condenou a cinco anos de prisão, dos quais cumpriu apenas uma semana, Borges disse que Simonal era informante - outro fato que ele nega até hoje. "Foi uma farsa", diz o cantor. Passados quase 30 anos, ninguém conseguiu provar sua culpa. Mas ficou a fama de delator - uma dúvida que persegue até os amigos que o defendem, como Nelson Motta. "No país da impunidade mais absoluta, é incrível que ele esteja até hoje sendo punido com tanto rigor", diz o jornalista.
O caso teve conseqüências profundas na vida familiar do cantor. Simonal, que mora sozinho num flat em São Paulo, tem uma relação difícil com os filhos Max de Castro e Wilson Simoninha, ambos músicos. No final do ano passado, o pai assistiu, escondido no fundo de uma casa noturna, a um show dos filhos. E saiu antes do fim para não ser notado - nem pelos filhos nem pela platéia. "Não quero prejudicar a carreira deles", justifica, com lágrimas nos olhos. "Não quero que ninguém aponte para mim e diga que o pai deles é aquele que entregou todo mundo." Depois de anos sem falar com o pai, Simoninha visitou-o no hospital no domingo 16. "Ele sofreu muito em conseqüência da doença", conta. "Disse para ele se cuidar, refazer a vida." As acusações ao pai, protesta Simoninha, são "ranço de pessoas antigas". "Ele é um artista único", elogia.
Em 1972, Simonal foi acusado de ser "dedo-duro" na capa do jornal O Pasquim. Vinte anos depois, o humorista Jaguar, um dos fundadores do semanário, chegou a declarar que se orgulhava de ter ajudado a destruir a carreira do cantor. Hoje admite que pode ter se equivocado, mas diz estar muito velho para revisar posições. "Foi um impulso meu", diz. "Ele era tido como dedo-duro. Não fui investigar nem vou fazer pesquisa para livrar a barra dele. Não tenho arrependimento nenhum", diz.
Na luta contra o estigma, Simonal recorreu em 1991 à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Nada existe nos arquivos oficiais que indique ter sido servidor ou prestador de serviços ao SNI. Em junho de 1998 outro documento, emitido pelo Centro de Inteligência do Exército, isentou-o das mesmas acusações. Uma declaração de 26 de janeiro de 1999, assinada pelo então secretário de Estado dos Direitos Humanos e atual ministro da Justiça, José Gregori, reiterou os dois pareceres anteriores.
De nada adiantaram os documentos. Simonal está tão estigmatizado como dedo-duro que até uma piada da anárquica turma do Casseta & Planeta no jornal O Globo o fez entrar em depressão. "É um patrulhamento absurdo", revolta-se a mulher, Sandra. "Mesmo que ele tivesse feito o que dizem, houve uma anistia neste país", protesta Mário Prata. Outro amigo, o cantor Jair Rodrigues, lamenta que com esse episódio o Brasil tenha perdido a chance de conhecer um grande artista. "Por causa desses problemas ele fica deprimido e volta a beber", diz. Entre as razões da disfunção hepática, afirma o médico Alfredo Salim, pode estar o alcoolismo. "Mas é difícil especificar, também pode ser hepatite ou outro problema." Com uma voz que em nada lembra a de seus grandes momentos, Simonal diz que nunca se meteu em política, nunca teve nada contra a esquerda ou a direita. "Não agüento mais esse peso. Meu negócio é a música", diz. E é por ela que ainda sonha ser reconhecido.
➤No dia 25 de março de 2000, Simonal fez o seu último show, no Espaço Memphis, um bar em Moema. Alguns dias depois foi internado no Hospital Sírio-Libanês, recebendo visitas de Jair Rodrigues e, inesperadamente, de Geraldo Vandré. O cantor faleceu em 25 de junho de 2000, vítima de uma cirrose hepática decorrente do alcoolismo