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terça-feira, dezembro 18, 2012

Mudando de opinião; não concordo com a devolução de territórios aos palestinos.





por David Tabacof, direto de Tel-Aviv



Menorá, de uma bíblia iluminada do séc. XIV (provavelmente da Espanha).



Meus amigos: hoje farei uma confissão que é também uma espécie de “a quem interessar possa”. Mudei de opinião. Já não concordo com a devolução de territórios aos palestinos. E a razão é simples e complicada, ao mesmo tempo.

Khaled Mashaal, voltou do seu auto-exílio e em Gaza houve festa. Aproveitaram a visita de seu mais importante líder político, (que agora fugiu para o Egito) . A festa comemorou a “vitória sobre o inimigo sionista” no último confronto em Gaza. Uma vitória que ninguém sabe, ninguém viu, mas entrou na mente palestina por que seus líderes necessitam de “vitórias sobre Israel” a fim de sobreviver, já que em Gaza a situação é calamitosa. Na ocasião festiva, Mashaal fez um discurso e disse o seguinte, em resumo: “Retomaremos a Palestina dos usurpadores sionistas. Gaza já foi libertada. Em seguida virá o resto da Palestina governada pelo irmão Abu Abbas. Em seguida virá Jerusalém, depois será a vez de Jaffa (Tel-Aviv), Haifa, Natânia etc. Toda a Palestina será libertada”.

Para encurtar a história, como a vejo agora. Ao ler o discurso do líder do Hamas, tive uma epifania* judaica. Vi a luz, não dos marreteiros da fé, mas uma visão da real situação de Israel frente aos palestinos, árabes e muçulmanos, em geral. Aquela que aparece quando você separa o que quer do que existe, realmente. E cheguei à seguinte conclusão: se Israel devolver a Margem ocidental, hoje ocupada, esta se unirá, mais cedo que tarde, por eleição ou golpe, a Gaza do Hamas. Isto é, teremos o Hamas nos dois lados da fronteira. Com a margem ocidental do rio Jordão a leste, com Gaza a sudoeste, e ao norte a filial libanesa do Irã, representada pelo Hezbolá.

O Hamas é, por enquanto, apenas, armada pelo Irã. Mais tarde será comprada por verbas que tanto necessitam, passando, oficialmente, a ser um aliado dos aiatolás às portas de Israel. Ao norte já temos o Irã, representado pelo filhote de Teerã, o Hezbolá, hoje mandando no fraco Líbano. Desta forma, retirar as tropas e as cidades da Margem ocidental poderá custar muito caro a Israel. Por isto, passei a ser contra a retirada de um soldado sequer da chamada Judéia e Samária, ou Margem Ocidental ou ainda West Bank.

Jamais acreditei muito que Abbas fazia o policial bom e o Hamas o mau. Hoje, acredito que há um acordo secreto a fim de acabar com Israel. Cada um faz sua parte na luta contra os sionistas. Já discordei da presença de tropas e colônias nas áreas ocupadas. Hoje, concordo porque representam um obstáculo a ataques terroristas contra as cidades de Israel. Impede o avanço de radicais, ajudando a garantir a segurança dos cidadãos israelenses. O mundo e os palestinos alegam que Israel mata civis em suas ações contra os terroristas. Às vezes, morrem mesmo. Mas, não há outro jeito já que os terroristas usam quintais de escolas, hospitais e mesquitas como local ideal para o lançamento de mísseis contra Israel.

O mundo nada disse quando o Hamas disparou seus mísseis, no mês passado. Atiravam a esmo. Não tinham a menor ideia de onde cairiam. Ou seja, poderiam vitimar escolas, hospitais, asilos de velhos ou prédios residenciais. Por que só havia um objetivo: matar judeus. Onde estivessem, sua profissão ou idade eram irrelevantes. O mundo, já sabemos, não se impressiona demasiadamente com sangue judeu. Só se for para doação. Sei que a recusa de Israel em ceder território para o Estado palestino cobra um preço político pesado em todo o mundo. Até a presidente Dilma mandou seu ministro do Exterior chamar o embaixador de Israel para protestar contra a construção de mais residências na Margem Ocidental.

Chamei Netanyahu de infantil. Retiro o que disse. Retiro, por que não temos jeito. É isto ou o fim do Estado Judeu, como os árabes jamais negaram. Os israelenses têm que estar dispostos a pagar o preço. Deixem os cães dos boicotes de artistas, atletas e músicos internacionais ladrar à vontade. Sigamos nosso caminho. A história ensinou que os judeus não podem, nem devem, entregar seu destino a ninguém. Nem aos melhores amigos. Por que? Cada país age de acordo com seus interesses e apoiar Israel pode passar a ser, circunstancialmente, prejudicial. Até os EUA que dão um enorme apoio a Israel em tudo o que precisa e faz, até nas burrices, pode mudar de posição se seus interesses maiores assim exigirem. A Alemanha, ainda com a consciência pesada, ajuda muito a Israel e já lhe presenteou com três submarinos “state of the art” (o mais avançado) e ajuda economicamente. A II Guerra Mundial e seus crimes contra os judeus, porém, está se afastando no tempo. E é preciso cuidado.

Israel, diferentemente dos seres humanos, não cresceu com a idade. Nem mais esperto ficou. Continua pequeno e, se recuar para as fronteiras de 1967, com pequenas correções, ficará exposto. Nossos vizinhos não são a França, Suécia, México ou Brasil, inimigos apenas no futebol. Aqui ao lado, tem gente com sede de sangue judeu. Todo o cuidado do mundo, reunidos em um só, não é suficiente. Ainda temos muita guerra pela frente. E guerras diferentes, com armas diferentes. Caras e sofisticadas. O futuro já chegou ao Oriente Médio em matéria de armamento. Até os primitivos radicais islâmicos do Hamas já contam com foguetes que podem chegar a Tel-Aviv. Isto sem falar no Hezbolá que tem tudo que o seu patrono, o Irã, tem.

As guerras estão indo para o espaço. É foguete contra foguete. A participação de soldados em terra, infantaria, tanques etc continua muito importante, mas perdeu força com a entrada da guerra travada por mísseis. É uma guerra cara. Neste caso, o apoio americano continua essencial. Israel, porém, está bem adiantado em questão de espaço e mísseis. É uma indústria, relativamente, veterana por que a cabeça judaica fez os cálculos e chegou à conclusão certa: a guerra vai para o espaço. Já em 1988, Israel lançou seu primeiro satélite espacial produzido (foguete e satélite) pela indústria Aero-Espacial de Israel. O bem sucedido, Iron Dome, teve sua produção acelerada e está sendo aperfeiçoado. Israel conta também com anti-mísseis de fabricação própria e os “patriots” americanos. Não corremos perigo iminente.

Mas há muito trabalho à frente.

*Epifânia (do grego “epiphanéia.”) é um termo cristão para explicar uma visão mística reformadora.

Fonte: Pletz

sexta-feira, março 16, 2012

Israel X Irã.



por David Tabacof


Dada a desinformação reinante em torno de um possível ataque israelense ao Irã, o que tem provocado preocupação, informo que, em minha opinião, após a visita de Netaniahu a Washington na semana passada, cresceram as chances de um ataque preventivo israelense.

O preço a pagar será o lançamento de mísseis iranianos e do Hesbolá em direção do centro de Israel, principalmente da área que circunda Tel Aviv. O reator de Dimona também será alvo preferido. Natanhianu faz a seguinte conta: se deixarmos o Irã se armar nucleramente, talvez não use este poderio para atacar imediatemente. O problema imediato será o estímulo e proteção que daria ao Hesbolá, no Líbano e o Hamas em Gaza. Israel passaria a viver à sombra de um Irá portador de bombas nucleares portando mísseis balísticos. Algo que muitos aqui consideram intolerável.

A recusa aliada em bombardear alguns campos de morte nazista durante a 2ª. Guerra, tem servido de exemplo para a falta de confiança que outros possam nos dar proteção. Vivo em Israel há algumas décadas a acho que aprendi uma ou duas coisas. Por isto, mesmo correndo o risco de cometer um erro de apreciação, afirmo que se os serviços de inteligência de Israel informarem que Teerã está prestes a testar um petardo nuclear, Israel atacará.

Este ataque certamente agravará enomemente a crise econômica mudial e o preço do petróleo poderá ultrapassar 300 U$ o barril. É claro que a ameaça israelense de atacar forçará o mundo desenvolvido a reagir a fim de não sofrer suas consequências. Há também um componente de blefe por parte de Israel afim de empurrar o mundo a forçar o Irã a parar. Mas, este não é um blefe normal do jogo de pôker já que Israel tem meios de executar o ataque, mas prefere não iniciar um incêndio de grandes proporções na região.

Um outro elemento que pode influir na decisão iraniana é a “desmentida” capacidade nuclear de Israel que segundo fontes estrangeiras bem informadas possui um estoque de mais de 100 bombas. Se bem que Israel diga e repita que não será o primeiro país a usar a bomba no Oriente Médio, as circunstâncias podem mudar, e estão mudando.

Todos aqui temem uma guerra com o Irá por que sabem que o país não está preparado para sofrer um grande número de baixas civis. Muitos hospitais já vivem superlotados em situações normais. A economia poderá sofrer um grande recuo. E a população civil será a grande vítima numa guerra de apertar botôes vermelhos. Soldados no front estarão mais seguros que a população das cidades.

Em suma, neste momento, Israel parece disposto a dar um prazo relativamente curto às sanções e negociações. Se Teerã não desistir, uma guerra será inevitável. Bibi foi a Washington a fim de colocar Obama a par do que pensa. Na oportunidade, Israel pediu algumas armas especiais e apoio. Parece que foi bem sucedido, se bem que o governo americano tem menos pressa que Israel. O governo israelense, porém, já fechou a questão. Ou o Irã pára seu programa ou será atacado.