Mostrando postagens com marcador Diogo Mainardi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diogo Mainardi. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Sartre do Hamas.








por Diogo Mainardi 

A bird's eye view of Kibbutz Urim (by courtesy of the Yad Tabenkin Archives)



“Hamas, Hamas, os judeus na câmara de gás”. 

O bordão foi entoado na Holanda, durante uma passeata organizada por grupos de esquerda para protestar contra a batalha de Gaza. Dois parlamentares do Partido Socialista participaram da passeata.

O antissemitismo? Foi tomado pela esquerda. Gadi Luzzato Voghera é autor de um ensaio sobre o assunto, “Antissemitismo à esquerda”, da editora Einaudi. Professor da universidade de Veneza, judeu e esquerdista, ele comparou a cumplicidade da esquerda européia com o Hamas à cumplicidade da esquerda européia com o stalinismo. Assim como os intelectuais de esquerda, no passado, se recusaram a condenar o totalitarismo de Stalin e o caráter assassino de seu regime, os intelectuais de esquerda, atualmente, acobertam o totalitarismo do Hamas e o caráter terrorista de seu regime – são os Jean-Paul Sartre do Hamas.

O antissemitismo de esquerda é camuflado como antissionismo. Para poder colaborar abertamente com os assassinos do Hamas, os antissemitas de esquerda falsificaram a história, associando os terroristas palestinos aos grupos anticolonialistas do século passado ou ao movimento contra o apartheid na África do Sul, como se Israel fosse um império colonial ou um regime segregacionista. Pior: eles igualaram Gaza ao gueto de Varsóvia, como se Israel fosse a monstruosidade nazista. Em nome do antissionismo, a esquerda acolheu alegremente o despotismo do Hamas, o fundamentalismo religioso, a opressão das mulheres e a retórica genocida contra os judeus.

De setembro para cá, o antissemitismo de esquerda ganhou o impulso da crise financeira internacional. De acordo com uma pesquisa realizada em sete países europeus, 31% dos entrevistados culparam os judeus pelos desastres da economia mundial. É o retorno em grande escala daquele arraigado preconceito antissemita do judeu agiota, do judeu conspirador, do judeu inescrupuloso, do judeu golpista. Agora é a vez do judeu do subprime, do judeu dos ativos tóxicos, do judeu capitalista. Os novos Protocolos dos Sábios do Sião afirmam que o neoliberalismo é obra de judeus apátridas, como Bernard Madoff, e que só a esquerda pode extirpá-lo, com um vigoroso Pogrom keynesiano de investimentos estatais.

A esquerda nem sempre foi assim. Eu, como Tristram Shandy, relato o que aconteceu antes de meu nascimento, quando ainda estava acomodado no útero materno. Passei a gravidez num kibbutz, em Israel. O kibbutz Ashdot Iaakov, pertinho do mar da Galiléia, aos pés das colinas de Golan. Data: 1962. Lá estou eu, boiando no líquido amniótico. Lá está ela, minha mãe, aos 27 anos, grávida de mim, trabalhando na creche do kibbutz. Lá está ele, meu pai, colhendo uvas no vale do Jordão. E lá está ele, meu irmão, aprendendo hebraico na escola. Nenhum deles era – ou é – judeu. O que faziam num kibbutz? Experimentavam a vida comunitária, aquele ideal socializante de irmandade e de partilha dos bens. O ideal socializante, agora, é outro:

- Hamas, Hamas, os judeus na câmara de gás.

Fonte: Veja/ Pletz


sábado, junho 07, 2008

BRASIL, UM PAÍS DE DOLOS e de gente ENGANANDO OS TOLOS

"Olhe Lula. Ele comemora a compra da Varig pela Gol. Olhe os donos da Gol. Eles também comemoram. Olhe essa figura de terno cinza. Quem é ele? Roberto Teixeira? O representante da Varig é Roberto Teixeira? Lula aceita ser visto ao seu lado, sem o menor constrangimento?"

Fiz esse comentário numa coluna do ano passado. A figura de terno cinza, Roberto Teixeira, acabou me processando. Eu sou o homem dos processos. Falo mais com a Dra. Wardi, minha advogada, do que com minha mulher. Nesta semana, os desembargadores do Rio de Janeiro julgaram outro processo contra mim: o de Franklin Martins. Ele perdeu. Eu ganhei. Por unanimidade: 3 a 0.


Dez anos atrás, um relatório do Conselho de Ética do PT acusou Roberto Teixeira de fazer negócios nebulosos com prefeituras petistas, abusando "de sua amizade com Lula". Na última quarta-feira, Denise Abreu mostrou que nada mudou de lá para cá. De acordo com ela, Dilma Rousseff pressionou a Anac a fim de facilitar a compra da Varig pelos empresários representados por Roberto Teixeira. Outros membros da Anac confirmaram seu relato. Leur Lomanto declarou: "Os advogados da Varig informavam algo ao Palácio do Planalto, mas a realidade era outra". Quais eram esses advogados com acesso direto ao Palácio do Planalto? Roberto Teixeira e sua filha Valeska.

Quando foi leiloada, a Varig tinha um buraco de 7,9 bilhões de reais. A pergunta era: quem herdaria o passivo? Alguns dos maiores escritórios de advocacia do Brasil foram consultados sobre o assunto e responderam que a própria Varig teria de arcar com a dívida. Só os empresários reunidos em torno de Roberto Teixeira se sentiram suficientemente amparados para apostar no contrário. Um deles, Marco Antonio Audi, afirmou que Roberto Teixeira tinha o poder de escancarar as portas do governo. Mais do que isso: ele fazia chover. Os maiores credores da Varig eram estatais, como a Infraero e o INSS. Roberto Teixeira, segundo Marco Antonio Audi, simplesmente escancarou as portas dos gabinetes dos ministros encarregados dessas áreas, conduzindo-o ao encontro de Waldir Pires, da Defesa, e de Luiz Marinho, do Trabalho.


Em julho de 2006, os empresários representados por Roberto Teixeira finalmente con-seguiram arrematar a Varig. Pelo preço mínimo. Lula os recebeu no dia seguinte, escancarando as portas do Palácio do Planalto, sem o menor constrangimento. Roberto Teixeira compareceu com as duas filhas, Larissa e Valeska, e com o genro, Cristiano. Ele fez chover? Que sei lá eu. Só sei que, algumas semanas depois, seria dada a largada da campanha presidencial. E, nessas horas, é sempre bom ter gente cheia de dinheiro por perto, comemorando o fechamento de um negócio.

Os cumprimentos ao Roque Sponholz, pela charge que poderia muito bem ser o Logotipo da VarigLog(ro).

terça-feira, junho 03, 2008

ARTHUR VIRGÍLIO - O 8º PASSAGEIRO

ARTHUR VIRGÍLIO - O 8º PASSAGEIRO.




Representante da "oposição-nula", o bravíssimo senador Arthur Virgílio (PSDB AM), resolveu ler a Veja desta semana. O que era para ser de seu conhecimento - já que eleito para fiscalizar o executivo -, foi um espanto. O jornalista Diogo Mainardi descobriu que as FARC, não só estão no Brasil deitando e rolando nas fronteiras, como estão infiltradas (escancaradamente) no (des)governo do NoçuGhia. O nosso 8º passageiro Alien(ado) naquele vôo meio esquisito do Aerolulla, pediu explicações ao Ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, sôbre a nomeação dessa figura ímpar a sra. Angela Maria Slongo. Eis o requerimento e as questões que o Blogando Francamente responde antecipadamente ao Senador:




1) A Sra. Angela Maria Slongo ocupa ou ocupou algum cargo na Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca?


R - Ocupa sim, caro Senador, líder da Oposição (kkkkkkkk) no senado.


2) Qual o cargo ocupado e qual a data da nomeação e exoneração, se for o caso?


R - Babá de Mariscos. A data da nomeação, Vossa Insolência pode pesquisar no Google, perguntar para o Mainardi ou fazer com que esse monte de incapazes do seu gabinete se mexam.


3) Quais as atribuições do cargo ocupado pela Sra. Angela Maria Slongo?


R - Amamentar os Marisquinhos abandonados pelas mamães-marisco que sofrem de tensão pós-parto.


4) Quais os critérios utilizados para a escolha do nome da Sra. Angela Maria Slongo para o cargo acima citado?


R - O marido da Angela Maria Slongo estava preso, portanto a Sra. em questão ficou privada de recursos para satisfazer sua compras em shoppings e dutty-free; nada mais justo do que dar um cabide, digo emprego para ela.


5) A Sra. Angela Maria Slongo teve sua nomeação examinada pela Agência Brasileira de Inteligência - Abin?


R - Mas é claro, nobre amazonino-cidadão. A Abin pesquisou nos SCPCs de todo o país e constatou que nem mesmo nas casas Bahia ela devia; portanto estava apta a assumir qualquer cargo no governo federal - menos o de presidente, já que ela, ao que tudo indica, estudou -.


6) Em alguma oportunidade foi requisitado o aprofundamento das informações fornecidas pela Abin, para a contratação da Sra. Angela Maria Slongo?


R - Não caríssimo senador (quase um milhão por mês); esses problemas de aprofundamento estão reservados ao seu (dela, é claro) marido. A Abin não aprofunda em homens ou mulheres, não queremos a volta da tortura.


7) Os dados levantados pela ABIN justificam a nomeação da Sra. Angela Maria Slongo?” O requerimento apresenta a seguinte justificativa: “O artigo intitulado ‘O nome é Angela Maria Slongo’, de autoria do jornalista Diogo Mainardi, publicado na revista Veja em sua edição de 4 de junho do corrente, mostra que a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca - ligada diretamente ao Presidente da República – nomeou para uma função de confiança a Sra. Angela Maria Slongo, esposa de Olivério Medina, representante das Forças Revolucionárias da Colômbia - Farc no Brasil e a quem o governo colombiano acusa praticar atos terroristas e homicídio. Assim, o presente requerimento busca esclarecimentos sobre a nomeação da esposa do representante das Farc, além de avaliar as conseqüências para o fato da Sra. Angela Maria Slongo fazer parte da administração pública federal. Importa, ainda, saber se mesmo havendo a checagem da Abin, foi autorizada a publicação da nomeação da Sra. Angela Maria Slongo”.


R - Isso não é questionamento é uma dissertação de mestrado, mas vamos lá... Repetindo, informamos que as Casas Bahia não registram a senhoura Angela como inadimplente; então a contratação é justificada. As Farc são um quase-partido-político, faltando apenas serem reconhecidos como tal pelo Uribe, que assim o fará quando for sequestrado. Não é verdade que as FARC sejam um bando de homicidas, muito menos o Padre Medina, marido da Angela. Vale dizer a Vossa Excelentíssima pessoa que as FARC apenas puxam o gatilho; quem mata é Deus. Como consideração final, alertamos a Vossa Reverendíssima amazonina-pessoa, que não seja pautado pelo Mainardi. Leia a Revista Carta Capital, o blog do Mino Carta ou o do Zé Dirceu. Só não leia o Paulo Henrique Amorim porque ele vive descendo o cacete em Vossa Extremada e Senadora Pessoa.


Assinado: Felipe Matarazzo Suplicy, diretor da creche-mariscal-federal
Imagem parcialmente surrupiada do blog Viva a Merda

sábado, outubro 20, 2007

PASTORAL DA MITSUBISHI

O padre Júlio Lancellotti era o coordenador da Pastoral do Povo de Rua. A partir de agora, ele será conhecido também como o coordenador da Pastoral da Mitsubishi Pajero.

Recapitulo. Em meados de 2005, segundo o próprio padre Júlio Lancellotti, um assassino chamado Anderson Batista o acusou de abusar de seu enteado de 8 anos e passou a chantageá-lo com pedidos regulares de dinheiro. Como um Michael Jackson da Mooca, o padre Júlio Lancellotti negou ter abusado do menino. Como um Michael Jackson do Belenzinho, ele preferiu pagar o chantagista mesmo assim. No total, foram mais de 50 000 reais, incluindo o pagamento de vinte parcelas de uma Mitsubishi Pajero.


A polícia terá de esclarecer todos os aspectos do relacionamento do padre Júlio Lancellotti com o chantagista, definido pelo advogado deste último como "amizade íntima". Foi chantagem? Foi presente? A polícia terá de esclarecer igualmente se o dinheiro usado para pagá-lo saiu de suas economias pessoais ou da entidade beneficente que ele dirige. 



O padre Júlio Lancellotti declarou que pode contar apenas com os 1 000 reais que recebe da Igreja. Mentira. Desde 1975, ele é funcionário contratado da Febem, e continua a ganhar do estado um salário de 2 480 reais. Além disso, a prefeitura repassa mensalmente à sua ONG, Bom Parto, 500 000 reais. É preciso saber se a Mitsubishi Pajero foi comprada com esse dinheiro.

No ano passado, o padre Júlio Lancellotti acusou a prefeitura paulistana de "práticas higienistas", por querer tirar os moradores de rua do centro da cidade, oferecendo-lhes "só um albergue". Pode-se argumentar que o padre Júlio Lancellotti ofereceu ao morador de rua que ameaçou denunciá-lo por pedofilia muito mais do que um albergue. Ofereceu-lhe o aluguel de uma casa, uma bicicleta, uma motocicleta, um terreno, uma viagem à praia e – ei-la – uma Mitsubishi Pajero. Bem que ele poderia estender sua "amizade íntima" a todos os moradores de rua da cidade.








VEJA publicou uma reportagem sobre a disputa entre a prefeitura paulistana e o padre Júlio Lancellotti. Ele chamou a revista de "autoritária". 


A petista Maria Vitória Benevides foi mais longe – chamou VEJA de "fascistóide". E o Observatório da Imprensa comentou a reportagem num artigo cheio de termos de duplo sentido, cujo significado só agora consegui entender: "o rabo do texto", "erguer o traseiro", "jornalismo de latrina", "o padre Júlio estende a mão", "via inversa", "amante da dialética", "iguaria de fel", "vanguarda do atraso".



O padre Júlio Lancellotti participou de todas as campanhas eleitorais de Lula. Em 2002, ao tratar do problema dos menores abandonados, Lula apresentou a seguinte solução: "Você pega o padre Júlio e bota ele para cuidar de criança, ele vai cuidar melhor do que qualquer aparelho de estado". Dependendo do que a polícia descobrir, talvez não seja uma idéia tão boa assim botar o padre Júlio para cuidar de criança.


VEJA Edição 2031 - 24 de outubro de 2007 - Diogo Mainardi

Seção Perguntar não ofende, (ofende?):

Alguém com tanta influência, que tem a mídia petralha a seu favor poderia ter solicitado audiência com o governador (já que não confiava na polícia) e pedido ajuda para prender o chantagista, há três anos; se é que o chantagista não tinha as provas, né meeesmo? Ô histórinha mal contada, sô!

domingo, setembro 30, 2007

McCarthy estava certo

McCarthy estava certo
"Agora que jornalistas da minha listinha de fato foram trabalhar para Lula, com carteira assinada e tudo, aguardo os pedidos de desculpas de meus detratores arrependidos, as odes em minha homenagem, os beijinhos e os cafunés"
A TV do Lula já tem um chefe: Tereza Cruvinel. Na quarta-feira, ela foi escolhida para presidir o canal estatal. Petistas e peemedebistas brigam para abocanhar cargos na Petrobras. Enquanto isso, o lobista Mainardi, com seu jeito sonso, conseguiu emplacar mais um nome de sua listinha para um posto de comando no governo.
A primeira listinha do lobista Mainardi foi publicada numa coluna de dezembro de 2005. Nela, relacionei uma série de jornalistas comprometidos com Lula. Mais do que simples torcedores ou correligionários do presidente, acusei-os de distorcer os fatos a fim de abafar as denúncias contra os mensaleiros. A certa altura, eu dizia:
O Globo tem Tereza Cruvinel. É lulista do PCdoB. Repete todos os dias que o mensalão ainda não foi provado. E que José Dirceu não deveria ter sido cassado. Ela aparelhou o jornal da mesma maneira que os lulistas aparelharam os órgãos públicos. Quando tira férias, seu cunhado, Ilimar Franco, assume sua coluna.
Minha listinha de colaboracionistas na imprensa incluía o nome do atual ministro Franklin Martins, que indicou Tereza Cruvinel para a TV do Lula. E o nome de Helena Chagas constava de uma listinha sucessiva em que tratei da quebra do sigilo do caseiro Francenildo. O que fará Helena Chagas? Ela dirigirá o departamento de jornalismo da TV estatal.
Fui muito atacado na época da primeira listinha. Me acusaram de ligeireza. Me diagnosticaram um extenso rol de neuroses. Quatro dos citados chegaram a me processar: Franklin Martins, Leonardo Attuch, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta. Até aquele momento, os quinta-colunas da imprensa permaneciam incógnitos. Ninguém admitia que a afinidade partidária pudesse interferir no desempenho profissional dos jornalistas. E ninguém admitia que eles pudessem estar trabalhando para Lula clandestinamente. Agora que alguns deles de fato foram trabalhar para Lula, com carteira assinada e tudo, aguardo os pedidos de desculpas de meus detratores arrependidos, as odes em minha homenagem, os beijinhos e os cafunés.
No fim daquele primeiro artigo, anunciei o plano de delatar todos os lulistas da imprensa, formando o tribunal macarthista mainardiano. Como sempre acontece comigo, a piada se voltou contra mim. Por muito tempo, fui tachado como um macarthista que perseguia seus colegas por motivos puramente ideológicos. O fato é que Joseph McCarthy estava certo: o comunismo tinha um monte de agentes infiltrados no sistema americano. O fato é que eu também estava certo: o lulismo tinha um monte de agentes infiltrados na imprensa brasileira.
Dois anos depois do estouro do mensalão, já podemos fazer um retrospecto do caso. O STF delineou com clareza suas principais ramificações: o núcleo presidencial, o núcleo parlamentar, o núcleo bancário, o núcleo publicitário. O mensalinho tucano irá desmascarar o núcleo oposicionista. Quanto ao núcleo jornalístico, a ida de Tereza Cruvinel para a TV do Lula fechará o ciclo de uma vez por todas. Estou à espera dos beijinhos. Estou à espera dos cafunés.
Diogo Mainardi - VEJA Edição 2028 - 3 de outubro de 2007 -

sábado, agosto 04, 2007

O pistoleiro Dirceu

O pistoleiro Dirceu
Eu sou "um pistoleiro que Roberto Civita contratou para assassinar a honra das pessoas". Quem declarou isso foi José Dirceu, na última Playboy. Na verdade, em tantos anos de VEJA, só falei uma vez com Roberto Civita, durante um encontro na Editora Abril, em 2004. O assunto foi etimologia. Por outro lado, falei repetidamente sobre José Dirceu com os investigadores do caso Celso Daniel. Quando se trata de Celso Daniel, a primeira imagem que me ocorre é a de pistoleiros contratados para assassiná-lo. Contratados por quem?
José Dirceu, na Playboy, apontou-me como o líder dos agitadores "de todas as direitas do grande Brasil". Tenho dó das direitas, seja lá quantas elas forem. Eu só agito remédio contra tosse. José Dirceu, no papel de agitador, sempre foi bem mais capaz e articulado do que eu. Desde a tragédia em Congonhas, fico lembrando o tempo todo como ele agitou os negócios da TAM, em seu reinado na Casa Civil. Primeiro, tentou entregar-lhe a Varig, por intermédio do representante do Banco Fator, Luciano Coutinho, atual presidente do BNDES. Depois, avalizou o acordo pelo qual as duas companhias passaram a compartilhar os vôos. O acordo logo se refletiu nas contas da TAM. No último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, a TAM registrou um prejuízo de 605,7 milhões de reais. No primeiro ano de Lula e José Dirceu, ela apresentou lucro de 173,8 milhões de reais. Isso é que é agitar.
Apesar de ter sido indiciado como chefe dos mensaleiros e cassado pelo Congresso Nacional, José Dirceu continua sendo o maior empregador particular do governo. No segundo mandato de Lula, os dirceuzistas ainda ocupam o mesmo espaço que no primeiro. O fato de contar com tantos apadrinhados em cargos endinheirados deve facilitar seu trabalho como lobista. Como ele mesmo disse à Playboy, "no governo, quando eu dou um telefonema, modéstia à parte, é um telefonema!". Quanto pode representar, de modo geral, um gerente de negócios de uma estatal? Quanto pode significar, modéstia à parte, o presidente de um banco público?
José Dirceu considera que há "o jornalismo marrom, o amarelo e o jornalismo de Diogo Mainardi". Aparentemente, tornei-me uma nova cor – sou o Flicts da imprensa. Os comentários de José Dirceu a meu respeito podem parecer uma briga pessoal, que deveria ser resolvida no mano a mano: ele com sua .22, usada para praticar assaltos na década de 1970, e eu com minha caneta, que ele definiu como uma arma. Mas José Dirceu me elegeu como símbolo de algo muito maior. Represento, segundo ele, a "imprensa partidária, ideológica, engajada, com projeto político". É sempre assim. Basta Lula ser apanhado em flagrante, como no caso da barbárie aérea, para que seus parceiros sugiram dar óleo de rícino aos jornalistas, com o argumento de que eles manobram para derrubar o presidente mais popular de todos os tempos.
O pistoleiro José Dirceu só vai revelar se atirou em alguém, durante sua fase terrorista, depois dos 80 anos de idade. Quem sabe a gente consegue descobrir, antes disso, o que ele fez no poder.
Diogo Mainardi -VEJA Edição 2020 8 de agosto de 2007

sábado, julho 28, 2007

Quando é que derrubaremos Lula?

Quando é que derrubaremos Lula?





A posse do ministro da Defesa, na última quarta-feira, foi o espetáculo mais indecoroso da história política brasileira. Lula ria. Nelson Jobim ria. Tarso Genro ria. Guido Mantega ria. Celso Amorim ria. Juniti Saito ria. Marco Aurélio Garcia ria. Por algum motivo, até mesmo o demitido Waldir Pires ria. Lula provavelmente se regozijava por ter se safado, segundo seus cálculos, de mais uma fria. No caso, os 200 mortos da tragédia da TAM. Ele repetiu despudoradamente, com sua risada, o gesto de escárnio feito por Marco Aurélio Garcia em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Que espécie de gente tripudia sobre 200 mortos? Como alguém pode atingir esse grau de pusilanimidade? Se um dos militares presentes naquela sala batesse vigorosamente as botas, Lula e seus ministros com certeza sairiam em disparada, aos gritos, acotovelando-se e pisoteando-se no carpete verde. Eles só sabem cuidar da própria pele e do próprio bolso. Dane-se todo o resto.


Ninguém derrubará Lula. O que vai acontecer conosco é muito pior: um progressivo desmoronamento da sociedade. É sempre complicado tentar apontar o momento em que um país se perde irremediavelmente. Mas, se eu fosse apostar, apostaria todas as fichas que ele ocorreu na posse de Nelson Jobim, na quarta-feira passada. Entre uma tirada de bar e outra, Lula profanou os 200 corpos dando a entender que o desastre poderia servir pelo menos para diminuir as filas da ponte aérea. Uma sociedade resiste a um governo corrupto. Ela resiste também a um presidente incapaz. O que elimina qualquer possibilidade de convívio é o triunfo dessa boçalidade predatória que caracteriza Lula e sua gente. Eles cercaram a cidadela e ficaram esperando que nossas reservas de civilidade acabassem. Elas acabaram. Estamos desarmados e rendidos.


O Brasil é um buraco. Nunca fizemos algo que prestasse. Mas até outro dia ainda tínhamos uma vaga idéia de como nos comportar. E era essa vaga idéia que mantinha o país andando. Andando de lado, mas andando. Uma das regras de comportamento que a gente seguia era manter certa dose de compostura diante da dor pela morte de alguém. Lula violou essa regra. Depois de violá-la, tripudiou mais uma vez, ensinando aos familiares dos mortos do desastre da TAM que "é preciso que a gente tenha momentos de descontração para tornar a vida menos sofrível". Um dia Lula morrerá. Mas nós já teremos morrido antes dele


Diogo Mainardi - VEJA Edição 2019 1º de agosto de 2007

sábado, junho 30, 2007

Um penico cheio de Obas

Um penico cheio de Obas





"O mundo se divide em dois tipos de pessoas: as que gritam Oba! e as que exclamam Epa!". Quem disse isso? Demócrito? Santo Agostinho? Leibniz? Nietzsche? Nenhum deles: foi Ivan Lessa, no Pasquim. A frase resume tudo o que conseguimos aprender até hoje sobre o ser humano. De acordo com Ivan Lessa, os Oba! são otimistas, alegres, aproveitadores, oportunistas, barulhentos e donos de um caráter flexível. Os Epa!, por outro lado, são censuradores, precavidos, desconfiados, facilmente escandalizáveis, dotados de um caráter rígido e de pouquíssimo senso de humor.



A popularidade de Lula já foi analisada sob diferentes prismas. Faltou um: o que aplica à realidade política a tipologia do Oba! e do Epa!. Os brasileiros sempre foram esmagadoramente Oba!. Somos uma espécie de paradigma universal do Oba!, com focos isolados e desorganizados de Epa!. O grande mérito do lulismo foi separar claramente as duas categorias: uma para cá, outra para lá. Tome-se a última pesquisa CNT-Sensus, publicada alguns dias atrás. Entre os eleitores que ganham até 380 reais, 72,3% festejam Lula com um alegre e ruidoso Oba!. Entre os que ganham mais de 7 600 reais, há apenas 31,7% de Oba! e uma arrasadora maioria composta de 65,9% de censuradores e escandalizados Epa!.




É bom que os que ganham até 380 reais estejam dizendo Oba!. Podemos parar de nos preocupar com eles. Quanto menos a gente se preocupar com eles, melhor para eles e melhor para nós. Agora que o lulismo reintroduziu no Brasil uma pitada de identidade de classe, contrapondo ricos e pobres, temos de encontrar um jeito de preservá-la. Quando um jornalista do Oba! Oba! vier pedir anúncios à sua empresa, diga Epa! e mande-o procurar o governo. Quando um ator ou cantor do Oba! Oba! aparecer pleiteando patrocínio para seu espetáculo, diga Epa! e nem o receba. Quando um professor universitário tentar doutrinar seu filho com o Oba! Oba! de Mészáros, Guattari ou Sachs, diga Epa!, tire seu filho da universidade e arrume-lhe um emprego. Quando um diretor de TV propuser uma minissérie esteticamente arrojada a partir da obra do Oba! Oba! Ariano Suassuna, diga Epa!, mude de canal e veja um enlatado americano.




É assim que eu protesto contra a turma do Oba!: todos os dias, às 4 da tarde, interrompo minhas atividades para ver a reprise de um episódio de The Office, a prova mais evidente da superioridade moral e intelectual da turma do Epa!. De tanto assistir a The Office, é capaz que um dia eu ainda consiga derrubar Lula. Reinaldo Azevedo, em seu blog, comparou os antilulistas àqueles cavaleiros medievais do Monty Python que acreditam poder derrotar seus inimigos berrando um estridente Ni!. É verdade. Se 100.000 pessoas se reunissem na Candelária e berrassem juntas Ni! ou Epa!, o governo cairia na hora. O problema é que a turma do Epa! jamais conseguiria se organizar para reunir 100.000 pessoas num mesmo lugar. É bem melhor ficar em casa vendo TV e zombando da turma do Oba!.




DIOGO MAINARDI
VEJA Edição 20154 de julho de 2007

sábado, junho 09, 2007

Eu quero saber de tudo

Vavá 2010Eu quero saber de tudo

Um delegado da Polícia Federal, citado por O Globo, definiu Vavá como "um cara simples, quase analfabeto, que enrola as pessoas". Eu diria que ele possui todos os predicados para suceder ao presidente da República. Vavá 2010.
Dois anos atrás, quando VEJA publicou que Vavá intermediou encontros sigilosos no Palácio do Planalto entre homens de negócios e o principal assessor de Lula, Gilberto Carvalho, ninguém deu bola para o assunto. Por algum tempo, os oposicionistas ameaçaram convocar Vavá e Gilberto Carvalho à CPI dos Bingos, mas acabaram desistindo com o argumento de que a vida particular do presidente deveria ser mantida longe da luta política.
Lula tem direito a uma vida particular? Renan Calheiros tem direito a uma vida particular? Algum político tem direito a uma vida particular? A imprensa acredita que sim. Mais do que isso: a imprensa acredita que pode determinar o que é um fato de interesse particular e o que é um fato de interesse público. Se um político tem um filho fora do casamento, a imprensa o considera um fato de interesse particular. Ela só passa a considerá-lo um fato de interesse público quando uma empreiteira paga suas contas.
Os jornalistas conhecem a intimidade dos políticos. Eles ficam a maior parte do tempo bisbilhotando os detalhes mais sórdidos sobre essa gente. Mas só publicam o que, para eles, estamos aptos a entender. A imprensa atribuiu-se um papel civilizador. Ela argumenta que é uma selvageria julgar um político a partir de seus hábitos privados. Por isso, sonega sistematicamente qualquer notícia a esse respeito.
Eu nunca me escandalizo com o comportamento dos outros. Mas me recuso a aceitar que a imprensa imponha seus valores omitindo os fatos. Se um senador é adúltero, eu quero saber. Se uma ministra dormiu com um presidente, eu quero saber. Se a mesma ministra traiu o marido com um líder oposicionista, eu quero saber. Depois concluo do jeito que quiser.
Os brasileiros acham que o fetiche da imprensa americana pela vida amorosa dos políticos é um sinal de jequice. Eu acho que jequice é delegar a um repórter de uma sucursal de Brasília a escolha sobre o que eu devo ou sobre o que eu posso saber. Os políticos precisam se sentir permanentemente vigiados. Quando a imprensa acoberta seus deslizes privados, termina por acobertar também seus crimes públicos.
A política brasileira é repulsiva. A gente deveria punir os políticos arruinando sua vida particular. Ao contrário do que se diz, não há nada de errado nisso. Se as aventuras sexuais de Marco Antônio foram relatadas pelos romanos, por que os brasileiros não haveriam de relatar as de Renan Calheiros? Renan Calheiros está para Marco Antônio assim como o Brasil está para a Roma Antiga. Marco Antônio 2010. Renan Calheiros 2010.

Diogo Mainardi - VEJA Edição 2012-13 de junho de 2007

sábado, junho 02, 2007

A Gautama do éter


A Gautama do éter.

A TV Pública é a Gautama do éter. Assim como a Gautama faz obras que custam caro e ninguém vê, a TV Pública custará caro e ninguém a verá. A Gautama deu dinheiro a um monte de lulistas. A TV Pública dará dinheiro a outros tantos. O pessoal da Gautama foi parar na cadeia. Minha torcida é para que, futuramente, por algum motivo, o pessoal da TV Pública tenha o mesmo fim.




O que diferencia a Gautama da TV Pública é o preço. O da TV Pública é mais alto. Muito mais alto. O butim foi calculado inicialmente em 250 milhões de reais por ano. Agora, como diria Zuleido Veras, o contrato já foi aditado. De acordo com o assessor de imprensa informal de Franklin Martins, que despacha regularmente na Folha de S.Paulo, a TV Pública receberá 350 milhões de reais por ano. Se continuar nesse ritmo, logo mais a TV Pública terá de ser chamada de Andrade Gutierrez do éter ou de Mendes Júnior do éter.




Um conselho de oito profissionais foi reunido para idealizar a TV Pública. Há gente como Eugenio Bucci, recentemente afastado da Radiobrás, Florestan Fernandes Júnior, filho do sociólogo petista, e Beth Carmona, diretora da TVE. Quando Beth Carmona foi nomeada para a TVE, Luiz Gushiken declarou que se tratava de uma "escolha pessoal do presidente Lula". É com esse estigma que ela chega à TV Pública. Beth Carmona é uma espécie de teórica do traço. Traço é como se define o programa de TV com ibope igual a zero. Em sua defesa, ela argumenta que "a TV é uma concessão pública e, como tal, deve servir aos anseios da sociedade, e não à busca desenfreada pela audiência". Traduzindo: o espectador não sabe o que é melhor para ele, quem sabe é a Beth Carmona. Quais seriam os "anseios da sociedade"? Neste momento, estou sintonizado na TVE. Há um porquinho tocando violino. Meu único anseio é ele parar de tocar.




Outro conselheiro da TV Pública é Laurindo Lalo Leal. Ele apresenta um programa na TV Câmara, o Ver TV. Apesar do nome, desconfio que seja um dos programas de TV menos vistos de todos os tempos. Laurindo Lalo Leal acredita no seguinte: "Deve-se lutar contra o índice de audiência em nome da democracia. A TV regida pela audiência contribui para exercer sobre o consumidor as pressões do mercado, que não têm nada da expressão democrática de uma opinião coletiva esclarecida". O autor dessa charlatanice bolivariana é Pierre Bourdieu. A mensagem é aquela de sempre: somos incapazes de entender o que é bom para nós. Hoje à noite vou ver a novela da Globo e comprar todos os produtos anunciados nos intervalos comerciais. Só para incomodar Laurindo Lalo Leal e os acólitos de Pierre Bourdieu.




Se a meta da TV Pública é garantir apoio para o lulismo, não há o menor perigo de sucesso.


Diogo Mainardi - VEJA Edição 2011 6 de junho de 2007

sexta-feira, maio 18, 2007

RUMO AO CHAVISMO


Rumo ao chavismo.





"O artigo 5º da Portaria 264 estabelece as bases para a censura dos programas jornalísticos. Trata-se do maior atentado de Lula à liberdade de informação. Se no futuro ele quiser censuraro Jornal Nacional ou o Fantástico, a Portaria 264 lhe dará o instrumento legal"
Acusei Lula de reintroduzir a censura prévia no Brasil. Eu sei que ninguém mais se incomoda com ele. Eu sei que o antilulismo ficou datado. Mas Lula tem um plano de longo prazo. O risco é termos de aturar o lulismo para sempre.


A censura prévia está sendo reintroduzida por meio da Portaria 264. O artigo 4° determina que os programas de TV, antes de ir ao ar, devem ser vistoriados e autorizados pelo Ministério da Justiça. Mas há algo ainda pior do que isso. Algo que espantosamente parece ter passado despercebido. O artigo 5° da mesma portaria estabelece as bases para a censura dos programas jornalísticos. Trata-se do maior atentado de Lula à liberdade de informação. Se no futuro ele quiser censurar o Jornal Nacional ou o Fantástico, a Portaria 264 lhe dará o instrumento legal.




É melhor ir aos poucos, de frase em frase, para que o AI-5 lulista fique bem caracterizado. O artigo 5° estipula que os programas jornalísticos estão isentos da classificação indicativa. As emissoras de TV não terão de pedir autorização prévia do governo para transmitir seus noticiários, contrariamente ao que acontecerá com os programas de entretenimento. Até aí tudo certo. O autoritarismo do governo só se manifesta mais adiante, no parágrafo 2°, que diz: "A não atribuição de classificação indicativa aos programas de que trata este artigo" -- e, repito, o artigo 5° inclui os programas jornalísticos -- "não isenta o responsável pelos abusos cometidos, cabendo ao Departamento de Justiça e Classificação encaminhar seu parecer aos órgãos competentes".


O significado desse parágrafo é claro: os telejornais estão livres da classificação indicativa, mas terão de se submeter às mesmas regras censórias dos demais programas. Como nos tempos da ditadura militar, o noticiário será fiscalizado e eventualmente punido pelo governo. Quando se trata de Lula, eu sempre penso o pior. Se os telejornais sofrerem as mesmas restrições dos outros programas, como manda o artigo 5° da Portaria 264, a criminalidade, que todas as pesquisas apontam como o maior problema do país, será devidamente acobertada. Em caso de tiroteio numa favela, o Jornal Nacional só poderá mostrar aquilo que uma criança de 6 anos está apta a ver. Lula quer que a TV apresente uma realidade edulcorada, em que a violência não apareça em toda a sua brutalidade. O ideal lulista é um noticiário infantilizado, para menores de idade. Não podendo impedir o derramamento de sangue causado pelos criminosos, Lula impedirá que a TV mostre todo esse sangue.


O diretor do Departamento de Justiça e Classificação, José Eduardo Romão, é o grande defensor da Portaria 264. Na semana passada, irritado com as emissoras de TV, ele ameaçou "mudar o nível" do ataque do governo. Declarou numa entrevista que, a partir de agora, "passará a discutir a questão das concessões de rádio e televisão". As emissoras, segundo ele, falam "como se fossem indivíduos privados titulares de direitos à liberdade de expressão, mas não o são. São titulares de concessões dadas pelo estado brasileiro". Isso mesmo: o Ministério da Justiça lulista está dizendo que a liberdade de expressão não se aplica às TVs. É um passo seguro rumo ao chavismo.




Diogo Mainardi -
VEJA Edição 2009 23 de maio de 2007

sábado, abril 28, 2007

PETISTAS SÃO FORMIGAS GIGANTES




Os meus ñambiquaras
"Eu analiso os usos e costumes do petismo como Lévi-Strauss, Roquette-Pinto e Roosevelt analisaram os usos e costumes dos ñambiquaras.


Os petistas me parecem uma raça gigante de formigas.Eles me parecem homens da Idade da Pedra, ingênuos e ignorantes como animais domésticos"
Os petistas só se referem a mim como "O colunista" ou "O colunista da VEJA".
Trata-se de um tabu bastante comum entre os povos primitivos. Os índios nambiquaras nunca pronunciam os nomes dos outros membros da tribo. Eles acreditam que os nomes próprios possuem propriedades mágicas, sendo escolhidos diretamente por Dauãsununsu, o ente supremo. Revelá-los é um sacrilégio.
Os oromos, da Etiópia, nutrem o mesmo temor pelos nomes próprios. As mulheres oromos costumam denominar seus maridos a partir de alguma característica marcante. Podem chamá-los de "O Honesto", ou "O Prudente", ou "O Desdentado", ou "O Dono do Cavalo Marrom".
Eu sou o "Dono do Cavalo Marrom" dos petistas. Se eu sou o "Dono do Cavalo Marrom" dos petistas, eles só podem ser os meus oromos, os meus nambiquaras. Sinto em relação aos petistas o mesmo espanto e o mesmo encantamento que Claude Lévi-Strauss sentiu em relação aos selvagens de Mato Grosso. Claude Lévi-Strauss, num de seus principais tratados sobre o assunto, comparou os nambiquaras a "uma raça gigante de formigas". Edgar Roquette-Pinto, que percorreu o território nambiquara duas décadas antes do antropólogo francês, definiu-os como "homens da Idade da Pedra". O presidente americano Theodore Roosevelt, que também passou pelas terras dos nambiquaras, afirmou que eles "nem chegaram à Idade da Pedra, sendo ingênuos e ignorantes como animais domésticos".
Eu analiso os usos e costumes do petismo como Claude Lévi-Strauss, Edgar Roquette-Pinto e Theodore Roosevelt analisaram os usos e costumes dos nambiquaras. Os petistas me parecem uma raça gigante de formigas. Eles me parecem homens da Idade da Pedra, ingênuos e ignorantes como animais domésticos.
Claude Lévi-Strauss estudou o código de leis dos nambiquaras. Seu aparato legal tem o mesmo grau de incerteza e de arbitrariedade que o aparato legal do petismo. Em todos os processos dos petistas contra mim -- uns 200 --, eles sempre acabam citando um trecho de um artigo que publiquei em 2005:
"Hoje em dia, só dou opinião sobre algo mediante pagamento antecipado. Quando me mandam um e-mail, não respondo, porque me recuso a escrever de graça. Quando minha mulher pede uma opinião sobre uma roupa, fico quieto, à espera de uma moedinha".
Para os petistas, essa é a prova cabal da minha venalidade, do meu mercenarismo. Afinal, se eu confesso candidamente que minha mulher compra minha opinião, é porque ela de fato compra. E, se ela compra, qualquer um pode comprar. Esse foi o melhor argumento que eles conseguiram encontrar contra mim.
Muita gente teme que o petismo descambe para alguma forma de totalitarismo. "O colunista da VEJA" é menos otimista. Ele acha que o país tem tudo para se transformar numa imensa aldeia nambiquara, cheia de formigas gigantes.

Diogo Mainadi - Veja 02/maio/2007


segunda-feira, abril 23, 2007

NÂO Á LULO-SACANAGEM


Não à Lulo-sacanagem.

Tudo o que os petralhas não gostam deve ser bom. Todos os que elles detestam devem ser, no mínimo, honestos e em homenagem aos petralhas que colocam em dúvida a masculinidade do Reinaldo Azevedo, reproduzo abaixo post de hoje:
Eu digo "NÃO"
Não.Eu não vou desistir do caso Diogo-Franklin-Kennedy Alencar.


Não, enquanto as explicações forem amplamente insatisfatórias como são.


Não, enquanto restar esse rastro de suspeitas.


Não quero demonizar ninguém. Até porque os “demônios”, no Brasil, viram vitimas e logo formam um Sindicato de Demônios. E, se duvidar, cobram indenização de Deus.


Não vou desistir porque me preocupo, sim, com os direitos de um amigo meu.Mas não vou desistir porque, sobretudo, me preocupo com o estado de direito, que é ainda mais amigo meu. Sou amigo de Diogo Alemão, mas sou ainda mais amigo da verdade.Não vou desistir porque me preocupo com a minha própria liberdade.


Não vou desistir porque me preocupo com a liberdade de Kennedy Alencar.


Não vou desistir porque me preocupo com a liberdade de Franklin Martins.


Não vou desistir porque os ditadores da direita, aos quais Franklin se opôs, perderam.


Não vou desistir porque os ditadores de esquerda, que eram da turma de Franklin, perderam.


Não vou desistir porque a democracia venceu.E deu um trabalhão lutar pela sua vitória.


Então eu não desisto.


Não.


Do Blog do Reinaldo Azevedo 

Imagem: Esq - Reinaldo quando, certamente, já era um anti-petralha; no subconsciente. Dir - De chapéu, escondendo os efeitos de sua cruzada anti-petralha.

sábado, abril 21, 2007

O governo mais corrupto da história



DURANTE O GOVERNO MAIS CORRUPTO DA HISTÓRIA, TUDO PODE ACONTECER.



ISSO É MUITO GRAVE!




Sou o Bacuri do Kennedy


Eu sou o Bacuri do petismo. Bacuri foi torturado e morto pelo regime militar. Os informantes que a imprensa tinha no Deops e os informantes que o Deops tinha na imprensa souberam que ele seria morto duas semanas antes de o assassinato de fato ocorrer. Ao contrário do que fizeram com Bacuri, ninguém arrancou minhas orelhas, ninguém perfurou meus olhos. O regime militar era brutal. O petismo é só rasteiro. 


O colunista da Folha Online Kennedy Alencar noticiou que eu seria condenado no processo contra Franklin Martins um dia antes que o juiz efetivamente me condenasse. Se eu sou o Bacuri do petismo, Kennedy Alencar é o informante do Deops. 


Na semana passada, aqui na coluna, dei um peteleco em Franklin Martins. Na segunda-feira, o antigo assessor de imprensa de Lula, Kennedy Alencar, publicou uma nota vaticinando qual seria o resultado do processo do ministro contra mim. Ele acertou até a quantia que eu teria de pagar: 30.000 reais. No dia seguinte, atropelado pelos eventos, o juiz Sergio Wajzenberg decidiu me condenar às pressas, antes de analisar minhas provas e antes de interrogar minhas testemunhas. Como sou parte em causa, tenho de tratar do assunto com uma certa cautela. 


A OAB, a corregedoria e a imprensa podem se ocupar do caso bem melhor do que eu. Mas a sentença do juiz Wajzenberg merece um comentário.O juiz Wajzenberg, como José Dirceu, só me chama de Diego na sentença. É Diego para cá, Diego para lá. Eu, Diego, sou descrito como um camarada da melhor qualidade: inteligente, brilhante, digno, leal, honesto e cumpridor de meu papel social. Mas cometi um erro ao identificar Franklin Martins como simpatizante de Lula, embora ele tenha sido nomeado, um ano depois do meu artigo, ministro de Lula. 


O juiz Wajzenberg se define como uma "velhinha de Taubaté". Ele afirma que, como a velhinha de Taubaté, "prefere acreditar" que um jornalista pode desempenhar seu trabalho com autonomia, mesmo que todos os seus parentes sejam beneficiados com cargos no governo.O juiz Wajzenberg absolve também o "povo brasileiro". Ele alega que, como um bando de índios, nós toleramos a prática do "escambo". Por isso, "um ato que pode parecer uma troca de favores na verdade pode significar um reconhecimento do poder político". 


O juiz Wajzenberg diz que, diante da falta de trabalho, moradia e saúde, temos dificuldade de "entender o que é bom e o que é ruim". Mas ele "prefere acreditar" que "a maioria do povo brasileiro é digna, acredita em Deus e age para que nosso futuro seja melhor". Contaminado pelo espírito benevolente do juiz Wajzenberg, prefiro acreditar que em nenhum momento ele sentiu o peso de julgar um ministro, prefiro acreditar que ele nem considerou a hipótese de favorecer um membro do governo para obter algum tipo de vantagem em sua carreira, prefiro acreditar que ele conduziu meu processo com lisura, prefiro acreditar que ninguém arrancou minhas orelhas e ninguém perfurou meus olhos.


Diogo Mainardi

sábado, novembro 18, 2006

Não se aborreça com Diogo Mainardi










Na Veja:


“Não se aborreça com Diogo Mainardi, afinal o máximo que o cidadão produz com perfeição é paralisia cerebral.”





O comentário foi publicado no blog de Mino Carta.
Para quem não é afeito a sutilezas, refere-se à paralisia cerebral de meu filho. Na última semana, Mino Carta publicou 433 mensagens contra mim. De acordo com ele, outras 106, consideradas ‘inaceitáveis, prontas à agressão’, foram eliminadas. A mensagem sobre meu filho foi uma das que Mino Carta aprovou pessoalmente e que o encheram de emoção, reverberando, segundo suas palavras, "na zona situada entre o coração e a alma, como um Stradivarius ou um Guarnieri del Gesù"

.
Mino Carta selecionou outras mensagens sobre meu filho:Diogo Mainardi é um infeliz e digno de pena. Ter um filho deficiente dá mais pena ainda, porque isso fez dele uma pessoa amarga, invejosa e sem escrúpulos.A opinião da leitora reflete exatamente a de Mino Carta. Em mais de uma oportunidade, na frente de amigos comuns, ele repetiu aos berros que recebi um merecido castigo quando tive um filho deficiente.(...)




É um perfeito exemplo da grandeza moral de Mino Carta. Até hoje, por uma insuperável falha de caráter, fui incapaz de experimentar angústia e tristeza por causa de meu filho. Ele só me deu prazer e felicidade.”

- O Diogo Mainardi não deve estar surpreso com Mino Carta. Quem sempre viveu nababescamente e defendeu comunistas, ou é ignorante ou mal intencionado. Ignorante o Mino não é: jamais foi visto comendo notas de cem dólares; ao contrário recebe-as antecipadamente do amigo Gushiken. Mino Carta é outro que deveria ir plantar batatas em Cuba.
TEXTO NA INTEGRA AQUI

segunda-feira, novembro 06, 2006

O DELEGADO MOYSÉS NÃO É ISENTO



O DELEGADO MOYSÉS NÃO É ISENTO

Por Diogo Mainardi, na Veja


Quem o nomeou para a chefia da PF de Piracicaba foi Francisco Baltazar da Silva. Baltazar foi obrigado a se afastar do cargo depois de ser acusado de envolvimento com o doleiro Toninho da Barcelona, o chamado doleiro do PT. Baltazar trabalhou como gorila de Lula, juntamente com Freud Godoy. A PF abafou o caso Freud Godoy. Moysés foi chamado para abafar o abafamento, dando um aperto em Veja” O delegado Moysés perseguiu Veja. Dei o troco. Persegui o delegado Moysés.

Moysés Eduardo Ferreira é diretor da Polícia Federal de Piracicaba. O chefe da PF paulista, Geraldo Araújo, disse que ele foi trazido de Piracicaba para conduzir o caso Freud Godoy “justamente para fazer uma investigação isenta, distanciada”. Como assim? O delegado Moysés pode ser tudo, menos isento e distanciado. TEXTO COMPLETO

Escolha o final da Isenta Investigação sobre o Dossiê Tabajara:
A PF do doutor Marcio irá concluir:
-Tudo foi uma pegadinha,
-Todo aquele dinheiro era parte do jogo Banco Imobiliário, roubado do comitê de campanha do Aluizio por um tucano-suicída,
-Freud Godoy foi envolvido (inveja tucana) por ser o substituto natural de Kofi Anan,
-O delegado Moysés está sendo envolvido pelos ateus da Veja,
-Não existiu dossiê, nem dinheiro, nem malas, nem Freud, nem Lacerda...na verdade o Brasil não existe.
-Porque no Brasil é assim mesmo! Como diria o Dr. Samir Achôa.

sábado, outubro 14, 2006

Lula, Freud e dinheiro sujo: tudo a ver.







Lula, Freud e dinheiro sujo: tudo a ver.


"Todos os rastros apontam para o mesmo lugar: o Palácio do Planalto. Os golpistas que tramaram contra os tucanos eram da turma do presidente. E tudo indica que o dinheiro que eles usaram veio de lobistas e empresários que tinham interesse no governo federal".

Estou todo embananado. Lula, Freud Godoy, Naji Nahas, Daniel Dantas, Telecom Italia, Telemig, Marcos Valério, Duda Mendonça e Delfim Netto. O que une um ao outro? O que é verdade? O que é mentira?


Ordenando os fatos:


1. A CPI dos Sanguessugas quer descobrir se Naji Nahas depositou 396.000 reais na conta da empresa do gorila particular de Lula, Freud Godoy.
2. Isso teria ocorrido em 5 de setembro, poucos dias antes de o comando da campanha de Lula ter sido flagrado tentando comprar o dossiê contra os tucanos.
3. O dinheiro que Naji Nahas teria repassado a Freud Godoy estava aplicado em cotas acionárias da Telemig. Até recentemente a empresa era controlada por Daniel Dantas.
4. A Telemig foi uma das maiores pagadoras de Marcos Valério.
5. Marcos Valério deu dinheiro a Freud Godoy.
6. Duda Mendonça tinha a conta de publicidade da Brasil Telecom, outra empresa controlada por Daniel Dantas.
7. Duda Mendonça também deu dinheiro a Freud Godoy. E recebeu ainda mais de Marcos Valério, lá fora.
8. Daniel Dantas e Naji Nahas trabalham juntos. Naji Nahas é o plenipotenciário da Telecom Italia no Brasil. Ele intermediou o acordo entre os italianos e Daniel Dantas.
9. VEJA noticiou que, em maio de 2003, a Telecom Italia deu 3 200 000 reais em dinheiro vivo a Naji Nahas. O dinheiro foi entregue a deputados da base lulista, segundo fontes da própria Telecom Italia.
10. Aqui na coluna contei que Naji Nahas, em 2002, arrecadou dinheiro ilegal para a campanha de Lula. Na época, defini Naji Nahas como a figura mais extravagante do lulismo.
11. A ponte entre Naji Nahas e Lula era Delfim Netto. O mesmo Delfim Netto que, como declarou Lula na última terça-feira, não foi eleito por "vingança de um conjunto de elitistas, porque defendia a nossa política".
Perdeu-se? Eu também me perdi. Muitas perguntas precisam ser respondidas pela CPI dos Sanguessugas. O dinheiro que Naji Nahas supostamente entregou a Freud Godoy seria usado para comprar o dossiê? Quem era o dono do dinheiro? O próprio Naji Nahas ou um de seus empregadores? Qual é o elo com o valerioduto? Por que Freud Godoy recebe dinheiro de tanta gente?
Estou embananado. Mas todos os rastros, de 1 a 11, apontam para o mesmo lugar: o Palácio do Planalto. Os golpistas que tramaram contra os tucanos eram da turma do presidente. E tudo indica que o dinheiro que eles usaram veio de lobistas e empresários que tinham interesse no governo federal.
Lula disse: "Esse menino não tem nada a ver com isso". O menino, no caso, era Freud Godoy. Se Lula disse, uma certeza a gente pode ter: é mentira. O menino tem tudo a ver com isso
.



domingo, setembro 17, 2006

SEM LULA, O MUNDO É MELHOR.




por Diogo Mainardi, na Veja



Quero que Lula perca. Como quero que Lula perca, rejeito todas as pesquisas eleitorais. O procedimento é simples. Quase todo dia aparece uma pesquisa indicando sua vitória no primeiro turno. 

Consulto o Datafolha e o Ibope, cotejo os dados região por região, classe social por classe social, e passo a distorcer a realidade. Tiro 1 ponto porcentual de um candidato, dou 2 pontos a outro, depois amplio as margens de erro até conseguir subverter os resultados. Em minhas análises do Datafolha e do Ibope, Lula sempre perde. É um mundo melhor, o meu. 

Um mundo mais limpo. O resto da imprensa é igual a mim. Todos os jornalistas interpretam as pesquisas de acordo com seus desejos e simpatias. Pouco tempo atrás, o Datafolha mostrou que Lula estava praticamente empatado com Geraldo Alckmin na camada dos eleitores com renda acima de dez salários mínimos. Elio Gaspari, eleitor de Heloísa Helena, aproveitou para pontificar: "A maldição elitista do tucanato, segundo a qual o companheiro seria reeleito pela massa dos não-informados aliada aos menos escolarizados, faz água. Vai ao brejo a idéia da reeleição, pela vontade de pobres ignorantes, de um presidente ruinoso que teve quarenta malfeitores à sua volta". Quatro dias depois, o Datafolha voltou atrás, mudando radicalmente seu prognóstico. Naquela camada dos eleitores mais ricos, o empate técnico se transformou numa extraordinária vantagem de 27 pontos para Geraldo Alckmin. 

O discurso de Elio Gaspari foi para o brejo. Vingou a idéia de que Lula é um presidente ruinoso com quarenta malfeitores à sua volta, e que só é votado por uma massa de pobres ignorantes. Os pobres ignorantes são o principal tema de disputa entre os analistas de pesquisas eleitorais. Em particular, os pobres ignorantes do Nordeste. 

Os lulistas acreditam que os pobres do Nordeste são tão ignorantes, mas tão ignorantes, que vão acabar votando em Lula, apesar dos quarenta malfeitores. Os tucanos discordam. Eles acreditam que os pobres do Nordeste podem até declarar voto em Lula nas pesquisas eleitorais, mas são tão ignorantes, tão ignorantes, que vão apertar o botão errado na hora de votar, anulando suas escolhas. Sempre que Lula ultrapassa a barreira dos 50 pontos, sou obrigado a apelar para esse argumento. 

José Dirceu, um dos quarenta malfeitores citados por Elio Gaspari, comparou nossa imprensa aos militares golpistas de 1964. Não dá para entender José Dirceu. O triunfo eleitoral de Lula demonstra claramente que a imprensa é inofensiva. Quando ela tenta reagir, basta comprá-la. O Brasil não é dominado por uma elite má. Essa elite má só existe para gente como José Dirceu e Elio Gaspari. O Brasil é dominado por uma massa de pobres ignorantes. Eles estão decidindo por nós. E estão decidindo muito mal. Isso se não confundirem os algarismos e apertarem os botões errados.

sábado, agosto 19, 2006

Ginecomastia, sanfoneiros, pobres.

Diogo Mainardi






"Nos últimos quatro anos, Lula enriqueceu.Colocou jaquetas nos dentes e Botox na testa.Mas continua com uma cara autenticamente pobre.Mais do que Alckmin. Mais do que Heloísa Helena.Mais do que Cristovam Buarque. O maior atrativo de Lula é sua cara. O eleitor pobre olha para ele e vota"



O programa eleitoral começou na terça-feira. No dia seguinte, a notícia mais lida na Folha Online era sobre o comediante Ceará. Nada sobre Lula. Nada sobre Geraldo Alckmin. Nada sobre Heloísa Helena.



Eu desconhecia o comediante Ceará. Ele é imitador de Silvio Santos. De acordo com a Folha Online, foi parar no hospital por causa de uma ginecomastia. A ginecomastia é o aumento do volume das mamas no homem. Em geral, é provocada por medicamentos ou distúrbios hormonais.




Ceará sofreu uma cirurgia plástica para a retirada das mamas e, poucas horas depois, já estava perfeitamente restabelecido. O eleitor consciencioso pode deplorar a apatia política dos internautas da Folha Online, que perdem tempo com futilidades. Mas o fato é que a ginecomastia de Ceará é um assunto muito mais interessante do que o programa eleitoral. O desmaio de Ana Paula Arósio, protagonista de Páginas da Vida, é um assunto muito mais interessante do que o programa eleitoral. A filha adotiva de Regina Duarte, protagonista de Páginas da Vida, é um assunto muito mais interessante do que o programa eleitoral.

Acompanhei a estréia da propaganda de todos os candidatos a presidente. Menos a de Geraldo Alckmin. Como já esclareci aqui na coluna, pretendo evitar qualquer contato com sua campanha, porque temo desistir de votar nele. Quando ele apareceu na tela, mudei imediatamente de canal, para um velho espetáculo musical na RAI. Li que a trilha sonora do programa de Alckmin, assim como a de Lula, foi feita por um sanfoneiro. Precisamos urgentemente de uma reforma política que proíba o emprego de sanfoneiros na propaganda eleitoral.

O programa de Lula foi muito simples e eficiente. Primeiro apareceu Lula, com um sorriso apatetado, dizendo as mentiras de sempre e penando para seguir o teleprompter. Depois apareceu o retrato de um monte de gente feia e pobre. O locutor disse: "Lula tem a cara do povo". É verdade. Nos últimos quatro anos, Lula enriqueceu. Colocou jaquetas nos dentes e Botox na testa. Mas continua com uma cara autenticamente pobre. Mais do que Alckmin. Mais do que Heloísa Helena. Mais do que Cristovam Buarque. O maior atrativo de Lula é sua cara. O eleitor pobre olha para ele e vota.

Lula só conseguiu chegar até o fim de seu mandato porque tucanos e pefelistas calcularam que seria melhor poupá-lo, aplicando-lhe um astuto "impeachment nas urnas". O que nenhum deles parece ter compreendido foi que a contrapartida do impeachment nas urnas era a anistia nas urnas. Foi para isso que Lula trabalhou nos últimos meses. Se sua cara de povo o reeleger, o lulismo será perdoado de todos os seus crimes. Aos eleitores, restará apenas discutir sobre a ginecomastia.



sábado, maio 20, 2006

Diogo Mainardi. Os xingamentos de Lula


Diogo Mainardi.


"Para sorte do presidente, minha honra custa barato. Quero receber um ressarcimento de apenas 38 500 dólares, a mesma quantia que o espião da Kroll lhe atribuiu no paraíso fiscal"


Um espião da Kroll, contratado por Daniel Dantas, atribuiu a Lula uma conta num paraíso fiscal. Lula se descontrolou. Partiu para o insulto. Não contra Daniel Dantas, que o espionou, e sim contra VEJA, que noticiou o fato. O presidente sabe que sempre dá para negociar com Daniel Dantas. Com VEJA não dá.
Lula disse que "a VEJA tem alguns jornalistas que estão merecendo o prêmio Nobel de irresponsabilidade". Ele disse também que na revista não há "uma única pessoa que tenha 10% de sua dignidade e honestidade". Lula acrescentou que todos sabiam a que jornalista ele se referia, pelo que "ele tem feito nesses últimos meses". E concluiu: "Quem escreve uma matéria daquela é bandido, mau-caráter, malfeitor, mentiroso".
O autor da matéria sobre Daniel Dantas é Márcio Aith. Em 2004, na Folha, ele revelou a primeira parte do relatório Kroll. Na semana passada, em VEJA, ele deu outro furo, revelando a segunda parte do relatório Kroll, com os números das contas bancárias dos líderes petistas. Minha coluna foi publicada como um adendo à matéria principal. Nela, Daniel Dantas acusou o governo de concussão, incriminando diretamente o presidente. Não se sabe ao certo quem Lula pretendia chamar de bandido, mau-caráter, malfeitor e mentiroso, se Márcio Aith ou eu. Alberto Dines, que tem uma mentalidade igual à de Lula, e consegue entender o que ele fala, interpretou da seguinte maneira: "Embora o presidente tenha protestado em termos impróprios contra Márcio Aith, fica evidente que se referia ao parajornalista e pau-mandado Diogo Mainardi".


Decidi processar Lula. Meus advogados já mandaram um pedido de esclarecimento ao STF. Caso Lula confirme que o bandido, mau-caráter, malfeitor e mentiroso sou eu, processo-o por crime contra a honra. Para sorte do presidente, minha honra custa barato. Quero receber um ressarcimento de apenas 38.500 dólares, exatamente a mesma quantia que o espião da Kroll lhe atribuiu no paraíso fiscal. Metade do dinheiro vai para Márcio Aith.


Mas essa não é a única disputa que deverá ser resolvida nos tribunais. O espião da Kroll, numa das listas que encaminhou a VEJA, acabou grafando errado o nome de Antonio Palocci. O fato gerou uma gritaria danada. Não consigo entender os petistas. Por isso implico tanto com eles. Antonio Palocci não processou seu antigo parceiro Rogério Buratti, que o acusou de ser corrupto. Ao mesmo tempo, prometeu processar VEJA, que publicou uma lista em que ele é erroneamente chamado de Júnior. Ou seja, corrupto pode, Júnior não. Lula está certo. Não tenho 10% de sua dignidade e honestidade, se são esses os parâmetros do PT.


O mais espantoso na última semana foi a velocidade com que os jornalistas do aparato petista abafaram o caso Daniel Dantas. Eles descartaram qualquer possibilidade de que as contas de Lula e seus ministros pudessem ser verdadeiras. Mesmo sem saber quais eram. E não se interessaram em indagar sobre a concussão. Nesse ponto, eles foram ajudados pelos bandidos do PCC, que ocuparam todas as notícias. Os criminosos só se aplacaram quando ganharam uns aparelhos de televisão. Bem que alguém poderia mandar uns aparelhos de televisão para a sede do PT.