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sábado, agosto 08, 2015

Uma retração no Brasil é quase tão ruim quanto uma desaceleração na China - a visão dos americanos.









É possível as coisas piorarem ainda mais no Brasil? Na semana passada, o governo brasileiro reduziu, de maneira oficial, as projeções para o crescimento da economia do país em 2015: segundo o próprio governo, haverá uma contração de 1,49%. Enquanto isso, o mercado projeta um encolhimento maior, de 1,80%. 

Ao mesmo tempo, a previsão para a inflação de preços se mantém persistentemente alta, em quase 10%.

Já o desemprego, sem dúvida subestimado, está em 8,1%, com tendência de alta.

Dilma Rousseff, a presidente do país, que em seu primeiro mandato se revelou adepta da gastança incontida, ensaia uma guinada e agora pretende segurar os gastos para que o governo não perca o selo de bom pagadorconcedido pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.

Mas, até agora, isso de quase nada adiantou. Ela está em rota de colisão com o Congresso, que quer aumentar salários do judiciário, aumentar as aposentadorias e gastar ainda mais. Simultaneamente, sindicatos continuamente ameaçam fazer greves.

De nada ajudou o fato de a Standard & Poor's ter, na terça-feira da semana passada, rebaixado a classificação de risco do país para apenas um degrau acima da condição de "especulativo", em uma clara advertência de que a agência está se preparando para reduzir em definitivo a classificação de risco dos títulos públicos do país, o que retiraria o selo de bom pagador do governo.

Consequentemente, o valor do real no mercado de câmbio desabou, e está hoje no menor valor em 12 anos. Já o índice da bolsa de valores, o Ibovespa, vem se mantendo no mesmo nível em que estava em meados de 2009.

Como se não bastasse, há crescentes rumores de impeachment da senhora Rousseff e há várias investigações simultâneas sobre vários esquemas de corrupção operados tanto pelo partido da presidente quanto por sua base aliada. O principal deles envolve um gigantesco esquema de propinas na estatal Petrobras. Tudo isso pode se degenerar em uma crise política prolongada e demorada.

Crescimento negativo, desequilíbrios orçamentários, inquietação sindical, investigações de corrupção, crise política sem fim.

Isso gera sérias implicações para o crescimento global. O Brasil, com um PIB de aproximadamente US$ 2,4 trilhões [N. do E.: aqui, o americano está considerando um câmbio de 2,30, que foi a média do câmbio em 2014], é a maior economia da América Latina. Suas empreiteiras, todas elas envolvidas em esquemas de corrupção junto ao governo e suas principais estatais, estão presentes em várias dezenas de grandes projetos de infraestrutura ao longo de todo o continente.

Tudo isso está gerando um enorme fardo para a economia do país, algo que pode ser claramente visto nos balanços divulgados recentemente por várias multinacionais:

1) A Bunge, uma gigante do agronegócio, relatou que seu setor de óleos e azeites foi impactado pela forte queda nas margens e volumes da sucursal brasileira. Segundo a empresa: "os consumidores brasileiros reduziram os gastos e passaram a consumir produtos mais baratos em resposta à economia recessiva".

Note que estamos falando de óleo de cozinha. Os brasileiros estão deixando de adquirir óleo para fazer alimentos. Isso é coisa séria.

E o mesmo está ocorrendo com o processamento de grãos: os volumes caíram à medida que os consumidores brasileiros (do setor alimentício) cortaram gastos. E também houve queda no consumo de fertilizantes. O volume de vendas está menor.

2) A Owens Illinois, uma das maiores fabricantes de garrafas de vidro do mundo, relatou uma queda no volume de vendas no Brasil em decorrência de uma acentuada redução na venda de cervejas.

3) A Goodyear relatou que as vendas de pneus na América Latina caíram 20% em relação ao mesmo período no ano passado em decorrência da desvalorização da moeda brasileira e também a uma queda no volume de vendas.

4) A fabricante de gás industrial Praxair disse que suas receitas de vendas caíram em relação ao ano passado em decorrência das atividades industriais mais fracas no Brasil e na China.

5) A Whirlpool, dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, obtém 16% de suas receitas com o Brasil, seu segundo maior mercado depois dos EUA. No geral, as vendas na América Latina caíram 22% em relação ao mesmo período do ano passado, majoritariamente por causa da debilidade da economia brasileira. Para o segundo semestre de 2015, o conglomerado prevê que a demanda cairá aproximadamente 15% em relação ao mesmo período do ano passado.

6) A Caterpillar obtém aproximadamente 5% de suas receitas com o Brasil. A empresa relatou que as vendas na América Latina caíram 26%, majoritariamente por causa do acentuado enfraquecimento do setor da construção civil no país.

De óleo de cozinhar a pneus, passando por cerveja, eletrodomésticos e equipamentos de construção: tudo caiu. E a queda foi de dois dígitos.

E essas são apenas empresas americanas. A Embraer, a gigante aérea brasileira, reduziu na semana passada seus prospectos para este ano, citando a desvalorização do real e uma quantidade menor de contratos.

Aonde tudo isso vai parar? Por ora, a incerteza é a única constante. Em específico, as investigações de corrupção podem reduzir investimentos — algo de que o Brasil é extremamente carente — à medida que os empresários vão se tornando paralisados de medo, preocupados com projetos que podem ser subitamente cancelados caso os donos das empreiteiras sejam condenados por corrupção.

A batalha entre aqueles que defendem uma austeridade e aqueles a favor de mais gastos públicos também está se desenrolando no país, com resultados imprevisíveis.

É possível piorar? Sim, e já piorou. Ano que vem, o Rio de Janeiro irá sediar as Olimpíadas. Mas, segunda uma reportagem da Associated Press, que ganhou repercussão internacional: "Os atletas que vão competir nos Jogos Olímpicos de 2016 terão que nadar e velejar em águas tão contaminadas por fezes humanas, que se arriscarão a contrair alguma doença e não poder concluir as provas".

Yuck. Deu até para ouvir o som dos burocratas desmaiando no Rio.

Mas o mercado não está ruim para todos. Embora muitos investidores estrangeiros estejam evitando completamente o Brasil, a ProShares UltraShort MSCI Brazil, especializada em fazer vendas a descoberto e lucrar com um declínio das ações brasileiras, está vivenciando um forte aumento em seus negócios à medida que as notícias ruins oriundas do Brasil se multiplicam.



Bob Pisani é jornalista financeiro da CNBC.

terça-feira, outubro 07, 2014

OS 13 MAIORES PREJUÍZOS CAUSADOS PELA GESTÃO FEDERAL DURANTE O GOVERNO DO PT.



por Felipe Hermes
* Escrito em parceria com Bruno Aguiar.





Com pouco mais de 100 estatais e o controle sobre um quinto das riquezas do país, o governo federal é uma estrutura muito bem organizada com o claro objetivo de sustentar a si mesmo. A disputa pelo controle dessa estrutura, que vemos atualmente na campanha eleitoral, baseia-se, em via de regra, em uma disputa para definir quem melhor irá gerir a máquina pública, deixando de lado a compreensão de que a ela deve, ao menos em tese, ser algo complementar aos próprios indivíduos, cumprindo apenas com o que não lhes é possível.
Desse poder excessivo advém a corrupção e os privilégios legais – aqueles benefícios que o partido e seus membros obtém dentro da lei. Listamos abaixo 13 prejuízos causados pela gestão federal nos últimos 12 anos de governo do Partido dos Trabalhadores, dentre obras, supostos esquemas de corrupção e falhas de má gestão. Prepare sua calculadora.
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Angra 3

Iniciada pelo regime militar e paralisada nos anos 80, a Usina de Angra 3, assim como os grandes planos de obras – como o plano de metas de Juscelino Kubistchek e o PAEG do governo militar – foi retomada durante a gestão petista no governo federal. Sob o nome de PAC – Programa de Aceleração de Crescimento – o plano consistia em agregar sob uma mesma bandeira, obras em setores diversos da economia.
Na parte energética, incluíu-se a construção de Angra 3, além de supostas outras 4 usinas a serem erguidas na região Nordeste do Brasil. As usinas ainda não saíram do papel. Angra 3, porém, é real,e seu prejuízo já pode ser estimado.
Segundo relatórios do Tribunal de Contas da União, a usina, prevista para ser inaugurada em dezembro de 2015, está 30 meses atrasada e seu valor já supera o orçamento inicial em R$ 4 bilhões.
Prejuízo estimado: R$4 bilhões segundo o TCU.
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Descompasso entre linhas de transmissão e usinas de geração

Sem conseguir cumprir os cronogramas previstos em contratos, os cerca de 700 empreendimentos do setor elétrico licitados desde 2005 apresentam um descompasso responsável por prejuízos bilionários.
Segundo o Tribunal de Contas da União, 79% das obras de geração hidrelétrica apresentam um atraso médio de 8 meses – 88% das eólicas possuem atrasos médios de 10 meses, enquanto 62% das pequenas centrais hidrelétricas possuem um atraso médio de 4 meses. Mas o pior problema ainda reside no fato de que geração e transmissão são licitadas de forma separada, o que, somando-se ao atraso médio de 14e meses em 88% das linhas de transmissão, causa um descompasso na capacidade de ofertar energia.
Em muitos casos, as usinas prontas são incapazes de entregar sua energia pela inexistência de linhas, o que não significa porém que deixem de receber o valor acertado em contratos.
Prejuízo estimado: R$8,3 bilhões segundo o TCU.
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Copa do Mundo

O período entre a escolha do Brasil como sede e a realização da Copa do Mundo de futebol, em junho passado, foi marcado por inúmeras controvérsias – dentre as quais, as afirmativas da presidente de que a recessão atual do país se deva em partes pelos feriados excessivos em junho.
Quando apresentou sua candidatura à FIFA em 2007, o Brasil sugeriu que seus gastos seriam de US$1,1 bilhão (ou R$2,6 bilhões). O resultado final, porém, foi um pouco diferente - o triplo, para ser mais exato.
Prejuízo estimado – R$ 1,1 bilhões em subsídios creditícios e fiscais segundo o Tcu. R$6,3 bilhões, apenas em arenas.
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Preços de Combustíveis

A intervenção federal no setor de combustíveis, parte integrante da política de controle de preços, ocorre de forma indireta.
Segundo relatório feito pelo fundo de investimentos Antares, acionista minoritário da Petrobras, a estatal brasileira vendeu, entre 2005 e 2013, combustível abaixo do preço internacional em cerca de 69% do tempo.
No mesmo período a empresa implementou seu gigantesco programa de investimentos, com destaque para o Pré-Sal, forçando-a a realizar desembolsos cada vez maiores, ampliando a dívida da empresa para valores superiores a R$400 bilhões – e em muitos casos levando bancos públicos a lhe emprestar dinheiro, causando um segundo prejuízo.
Segundo economistas, porém, o valor apresentado pela Antares pode ser discutido, mas o certo é que a empresa vendeu, em muitos casos, combustíveis com preços até 30% menores do que no exterior. Como o país não é auto-suficiente na produção de combustíveis, a estatal é forçada a importar, e assim arcar com os custos. Atualmente o déficit do setor de petróleo (a diferença entre o que o Brasil importa e exporta no setor) é de cerca de US$ 10 bilhões – ou seja, o país gastou mais do que vendeu algo próximo de R$23 bilhões apenas em petróleo.
Prejuízo estimado – R$87 bilhões entre 2005 – 2013 (a prática ainda continua em vigor).
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Erro na conta de luz

Segundo apontou o Tribunal de Contas da União, entre 2002 e 2010 a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) permitiu reajustes de tarifas maiores do que os devidos. A agência reconheceu o erro e mudou o cálculo em 2010. O prejuízo passado, porém – alguns bilhões pagos a mais pelos consumidores – já havia sido computado a favor das distribuidoras.
Após o Tribunal realizar um relatório no qual estimava o prejuízo e pedia a devolução do montante, a presidente da república, Dilma Rousseff, e seu governo, decidiram anunciar como medida própria em rede nacional a redução tarifária.
Prejuízo estimado – R$ 11 bilhões.
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Subsídios do BNDES (Bolsa Empresário)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, criado BNDE, tem sua origem ainda no governo de Getúlio Vargas, porém seu aumento colossal de poder e influência se deu a partir de seu papel central na política de desenvolvimento do governo federal.
Desde que seu ex-presidente, Guido Mantega, tornou-se Ministro da Fazenda, os empréstimos realizados pelo Tesouro ao banco – isto é, dinheiro do governo para o banco – saltaram de R$ 9,9 bilhões — 0,4% do PIB — para R$ 414 bilhões — 8,4% do PIB -, tornando o governo a principal fonte de recursos do banco, além do Fundo de Amparo ao Trabalhador, sustentado pelo FGTS.
Para emprestar os recursos ao banco, o governo recorre a empréstimos, pagando taxas superiores a 10%, enquanto o BNDES realiza seus empréstimos em taxas próximas de 5% ao ano. A diferença portanto, é prejuízo para o governo.
O custo do subsídio era escondido a 7 chaves pela atual administração. O TCU, no entanto, depois de uma dura queda de braço com o Ministério da Fazenda, conseguiu obriga-lo a calcular o custo para o período 2012 a 2015. Resultado: R$79,7 bilhões. Entre 2009, quando a política de subsídios implícitos foi iniciada, e 2011, não há um número preciso do custo. As estimativas do TCU são de pelo menos R$31,8 bilhões.
Prejuízo estimado: R$111,5 bilhões de 2009 a 2015, ou R$18,6 bilhões/ano.
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Refinaria de Abreu e Lima

Com 3 anos de atraso nas obras em relação ao cronograma original, a Refinaria Abreu e Lima teve alguns percalços no caminho, como a perda da Petrobrás de seu principal sócio no projeto, a estatal venezuelana PDVSA. Ainda assim, a refinaria deve ser concluída em novembro desse ano.
A conclusão da obra põe fim a uma saga que durou 9 anos, não sem antes impor seu custo – um valor final 7 vezes maior do que o previsto.
Prejuízo estimado: R$35,8 bilhões.
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Fundo Soberano

Prática comum em países com um forte superávit em transações correntes – ou seja, em excedente de dólares – a prática de criar um fundo de investimentos para aplicar em outros países e projetos seduziu o governo brasileiro, na onda da “descoberta” do Pré-Sal.
Assim como não possuiu um superávit em transações correntes – o que em geral ocorre em países produtores de petróleo, como os árabes – o fundo soberano brasileiro também não possui foco em investimentos no exterior. Seus recursos, cerca de R$15 bilhões, foram destinados a compra de ações de empresas estatais brasileiras, como a Petrobrás, em parte do processo de capitalização da empresa para suportar os investimentos no Pré-Sal.
O Fundo, que era dono de R$12 bilhões em ações da estatal, viu seu valor cair 40%, e invertendo a lógica do mercado, vendeu na baixa, depois de ter comprado na alta.
Atualmente o fundo ainda é dono de R$2,5 bilhões em ações do Banco do Brasil, e possui 80% de seu patrimônio investido em uma conta do próprio governo, com remuneração de 98% da taxa Selic.
Prejuízo estimado – R$4,4 bilhões.
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Pasadena

A refinaria texana de Pasadena foi adquirida em 2005 pela empresa belga Astra Oil por US$ 42,5 milhões, e posteriormente revendida para a Petrobrás por US$ 1,157 bilhões. A compra suspeita foi investigada pelo Tribunal de Contas da União, que estimou as perdas em um valor menor do que o imaginado originalmente.
O Tribunal condenou 11 diretores e ex-diretores da estatal pelo prejuízo, congelando seus bens para reaver o montante.
Prejuízo estimado: R$1,6 bilhões.
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Petrolão
Não satisfeitos com o poder de indicar milhares de cargos comissionados nas mais de 100 empresas estatais deixadas pelo governo anterior, além das centenas de vagas para conselheiros que fazem ministros estourarem o teto de remuneração do setor público, alguns políticos parecem ter se interessado em intermediar contratos, ao menos na Petrobrás, segundo denuncia de Veja.
O escândalo conhecido como Petrolão, uma alusão ao mensalão, teve como agente central o ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto, que diz ter recebida cerca de 3% dos valores de alguns contratos da estatal, na área de distribuição, em propinas.
Prejuízo estimado – R$ 3 bilhões.
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Transposição do Rio São Francisco

A obra mais cara financiada com impostos pelo Programa de Aceleração do Crescimento, a transposição do Rio São Francisco, que pretende levar água ao semi árido nordestino por meio de 600Km de canais, teve seu prazo de entrega atrasado em 3 anos, além de um aumento de 71% no valor da obra.
Prejuízo estimado: R$3,5 bilhões.
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COMPERJ

A saga da construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, COMPERJ, segue à risca o roteiro da refinaria pernambucana Abreu e Lima, marcada por atrasos e custos muito acima do previstos. A conclusão da obra, que deveria ser entregue em 2011, ficou para 2016, e o valor final acompanhou o reajuste, saindo de US$ ,1 bilhões para atuais US$31 bilhões, como aponta o tribunal de Contas da União
A Petrobrás contraria o relatório do TCU e afirma que o investimento inicial, em 2010, era de US$8 bilhões, estando hoje previsto em US$13,5 bilhões. 
Prejuizo estimado – R$ 13 bilhões.
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O que vem por aí…

Previsto pela presidente Dilma para ser inaugurado antes da Copa do Mundo, o trem bala brasileiro sequer saiu do papel, mas seu valor – e as controvérsias sobre sua viabilidade – já se multiplicaram desde então.
Somente com consultoria para realização do projeto do trem-bala já foi gasto a bagatela de R$1 bilhão. 
Com riscos e valores estratosféricos envolvidos, e viabilidade duvidosa, o interesse do setor privado nunca foi dos maiores. A solução encontrada foi realizar um leilão no modelo PPP com 70% de participação do BNDES, 10 % de Fundos de Pensão de Estatais e 20% da iniciativa privada.
O valor inicialmente previsto era de R$ 11 bilhões. Adiado quatro vezes, o leilão que definiria o início das obras foi definido para o final deste ano, após as eleições de outubro.
A estimativa de custo de lá pra cá chega a R$33,1 bilhões. Um interessante estudo apresentado no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro mostra que projetos de trens de alta velocidade apresentam normalmente um custo 45% maior que o orçado, o que poderia levar o custo do projeto para R$48 bilhões.
Prejuízo estimado: R$ 37 bilhões.
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PREJUÍZO TOTAL ESTIMADO – R$ 261 bilhões

O que seria possível fazer com este valor?
- 104 mil creches como as construídas pela prefeitura de São Paulo.
- 928 presídios com capacidade para 600 presos cada.
- 7,6 milhões de laptops infantis.
- Pavimentar 1 em cada 4km de rodovias existentes no Brasil, ou quase o dobro do total existente atualmente.
- Montar um campeonato de 7 divisões com 20 times em cada, todos iguais ao Barcelona, que custa R$1,74 bilhões. A dúvida seria como distribuir o que sobrar… Talvez premiações?
- Colocar 47,8 milhões de pessoas para cursar uma faculdade à distância por 1 ano.
- Pagar um plano de saúde para cada brasileiro durante 2 anos. Considerando o faturamento do setor atualmente.
- 8,63 milhões de carros Gol 1.0
- 60,3 mil km de ferrovias, o equivalente ao dobro do total de ferrovias atuais.
- 8 olimpíadas como a de Londres.
- 64,5 mil km de estradas duplicadas, o suficiente para dar a volta ao mundo uma vez e meia.
- 43 pizzas para cada brasileiro, o suficiente para comemorar o resultado de mais 4 anos de prováveis escândalos.

quinta-feira, maio 08, 2014

O governo brasileiro é uma comédia.








E precisaria um editorial do Financial Times com esse título? Na verdade não é bem uma comédia, a não ser que dilapidar uma outrora grande empresa do mundo (Petrobrás caiu do décimo segundo lugar para o centésimo vigésimo lugar durante as desadministrações Lula/Dilma).


terça-feira, março 04, 2014

História Natural da Falência do sistema binário.




por Paulo Rosenbaum




Consultando dicionários, a palavra oposição cai na seguinte chave temática: de um lado conveniência e consentimento, de outro, discrepância e protesto.

O levantamento faz parte de uma análise mais panorâmica para avaliar o terreno baldio onde pisamos. Faz parte do jogo político que um governo conviva com seu contraponto. Trata-se de um sistema binário, onde um não pode viver sem o outro. Quando o poder não compreende que essa competição é o que dá sentido ao processo democrático, ou está mal intencionado ou perdeu o rumo. Uma e outra coisa podem se sobrepor, mais frequentemente do que se imagina.

Tudo isso tangencia o óbvio, mas é como se a realidade turva do solo não permitisse a transparência. E se, num mundo de instantâneos, o papel do jornalismo ainda faz algum sentido, um deles talvez seja elucidar, abrindo mão de tentar explicar.

Nos países onde a oposição aceitou fazer parte de uma coalização tácita — isso é, finge que se encoraja, mas consente no apoio inercial — boicota eleições, ou foi sendo apagada pelo medo de contestar populistas, desastres são certeiros.

Em um contexto assim, a sociedade, sem representatividade real, vai sendo empurrada para a polarização — nosso ponto atual no GPS — e ao sectarismo. E o sectarismo pode ser considerado o recheio das revanches. Ser oposição significa impedir que a prática adesista se instale para sempre e que o monológico não prevaleça.

Guardadas as circunstâncias, não é mais necessário obedecer a um poder que passou a negar as regras pelas quais o alcançou. Mas, qual tipo de desobediência caberia numa arena democrática?

Opor-se é renegar a submissão e reagir à coação. Significa insurgência à continuidade, e aceitação do revezamento, preservando o senso de República. Opor-se é lançar-se contra turbilhões em consenso. É negar linchamentos, mesmo aqueles que politicamente oportunos.

Opor-se é renegar a submissão e insurgir-se contra a continuidade e, ainda, aceitar o revezamento
Neste sentido, ser oposição é manter a integridade mesmo diante da evidente adulteração das regras do jogo. Ser o poder constituído deveria significar resistir às demandas do partido. Não só aquelas que não foram escolhidas pelos que votam como as geradas pelas injustiças e abusos. Especialmente quando estas últimas forem uma usurpação justificada pela autoridade adquirida pela votação.

O mais grave dos delitos, acobertados pelo sufrágio, é colocar em execução planos para os quais não se foi eleito. Não vale evocar a bula dos calhamaços rotulados de “programa partidário”, a que na vida prática ninguém dá a mínima, começando pelos próprios partidos.

Oposição serve para fazer a reparação e ampliar a distância que nos separa da unanimidade. Restaurar fé nos contrários é bloquear o culto à personalidade. Uma oposição lúcida acredita que é distinta e distante dos que habitam a outra margem, ainda que nunca eticamente superiores a priori.

Discrepar significa estar apartado da cooptação. É insinuar-se na luta enquanto a maioria se calou ou foi amordaçada. É defender o dever sem escudar-se no argumento duvidosamente legalista dos direitos adquiridos.

Oposição e poder deveriam respeitar quem confiou no voto, assim como desconfiar das aclamações ideológicas. Cabe à oposição o encargo de reunir forças daqueles que não transigem com totalitários. Uma oposição não aceita impunidade e repudia radicalmente toda forma de indução à violência: do discurso aos incêndios.

O sistema binário — poder x oposição — deveria aceitar o desafio que constitui a essência da democracia: garantir segurança e liberdade de expressão como prioridades absolutas. À oposição cabe fazer cisma, separar-se no voto e revidar, na medida da necessidade. Além de impedir o revanchismo e calcular como mostrar ao senso comum cada ponto cego dos óculos viciados no poder.

Por isso tudo, ser oposição ou governo exige mais responsabilidade, mais atenção e densidade do que escalar palanques a cada ciclo eleitoral.

Fica evidente: neste momento, infelizmente, não contamos com governo ou oposição.

Fonte: Pletz

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Governando por provérbios.




por Jacinto Flecha



Nunca houve governante tão esclarecido, como atesta o grande historiador Cide Hamete Benengeli. Próximo da unanimidade era o seu índice de aprovação entre os que ganham sem trabalhar, colhem sem plantar, são diplomados sem aprender ou contratados sem merecer. Resultado invejável, nunca visto na História. Qual o segredo de tanta eficiência?

Dom Quixote havia prometido a Sancho Pança o governo de uma ilha. Depois de muitas andanças, expedientes de alguns amigos tornaram possível entregar ao escudeiro o governo da ilha Barataria (Bras-ilha, para os íntimos). O grande governante não se fez de rogado, assumiu e logo designou como governanta ajudanta a Sra. Sancha Pança. Os baratarianos se divertiam com aquela cara, aquele palavrório, aquela pança, tudo realçado pelo sorriso de marketing televisivo da outra cara, cirurgicamente adaptada. A excepcional administração arrancava constantes elogios do noticiário encomendado e bem remunerado.

Servindo-se de vastíssima cultura popular, presente nos milhares de livros que nunca leu, nas centenas de bares que frequentou, nas dezenas de greves que incentivou, no único emprego pessoal (do qual escapou), ele falava a linguagem que o povo gosta de ouvir: piadas, palavrões, promessas, arroubos, provérbios.

Ah, os provérbios! Ele os enfileirava um atrás do outro, sem quê nem pra quê, num processo conhecido nas ilhas vizinhas como ensartar refranes. Muitas vezes os provérbios continham metáforas futebolísticas, assunto no qual sua competência era tão formidável quanto nas marcas de aguardente.

A profusão de provérbios tinha proverbial fundamentação doutrinária, digamos, como registram os documentos históricos de Benengeli: Provérbios velhos são evangelhos / Provérbios são arreios para qualquer cavalo / Com um provérbio se governa uma cidade / Com pouca cabeça se governa o mundo. Havia provérbios justificando malfeitos: Qualquer que seja a conduta, há um provérbio para apoiá-la / Provérbios são muito úteis, quando nada nos justifica.



A máquina governamental, bem aparelhada e lubrificada, girava lucrativamente de acordo com o comando emitido por outros provérbios: Mateus, primeiro os teus / Cada um puxa a brasa pra sua sardinha / Raposa que dorme não apanha galinha / O sol nasceu para todos, e a sombra para os espertos. Iludia-se quem esperasse tratamento equânime: Para os amigos, tudo; para os indiferentes, a lei; para os inimigos, a justiça morosa e corrupta / A lei não ajuda aos que dormem / Os ausentes estão sempre errados. Até os adversários políticos aderiam, pois pra burro enfeitado não faltam noivas.

Para a outra parte da população baratariana (aquela cujo trabalho sustentava a ilha) valiam outros provérbios reconhecidos e praticados, por isso não precisavam ser lembrados pela propaganda: A fome inventou o trabalho / A necessidade faz o sapo pular / A vida é dura pra quem é mole / Deus ajuda a quem cedo madruga. Eles trabalhavam de fato, pois bem sabiam: Saco vazio não para em pé / Casa que não tem pão, todos brigam e ninguém tem razão. E a experiência diária comprova:Maré alta eleva todos os barcos.

O modo de tratar os subalternos seguia provérbios rígidos e implacáveis: O peixe graúdo come o miúdo / Quem manda no terreiro é o galo / Manda quem pode, obedece quem tem juízo. E a reputação do governante estava muito bem protegida: Que te adianta ladrar, se estás em baixo e eu em cima? Quando patrão canta, empregado bate palmas / Pode-se enganar os mandarins, mas nunca insultá-los.



Os idosos e ajuizados, que conheciam as fraquezas da espécie humana, acendiam uma luz de advertência: Em vez de dar o peixe ao pobre, ensine-o a pescar / Não basta ter farinha e ovo, é preciso saber fazer o bolo. E mostravam que fazer caridade não é função do governo: O bem que o governo faz, faz mal feito; e o mal que o governo faz, faz bem feito / O governo faz cortesia com chapéu alheio. Outros baratarianos advertiam: Quem cabrito dá, e cabra não tem, explique de onde o bicho vem / Não dê o passo maior que as pernas / Se a bota é larga, não enfie os dois pés.

As advertências não adiantavam, pois deficiências óbvias impediam o grande governante de aproveitar este provérbio importante: Pra quem sabe ler, um pingo é letra. Recomendaram pôr a barba de molho, mas ele entendeu como raspar a barba. Também não conseguiam bater na cangalha para o burro entender; nem adiantava piscar o olho, aviso que só basta para bom entendedor.

Insensível às advertências, o casal Pança achava que ladrão endinheirado não morre enforcado. Foi aí que a porca torceu o rabo, e resultou que o grande governante deu com os burros n’água. Quanto à governanta ajudanta, já não havia solução: a vaca foi pro brejo.

Fonte: IPCO