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sexta-feira, março 27, 2015

Levyatã.










por Marcos Troyo (*) para www1.folha.uol.com.br/





Desarrumação na economia. Confusão na política externa. Nossas recentes apostas ideológicas cobram pesado preço na percepção global sobre o Brasil.

O "Financial Times" classifica nossas agruras como "autoinfligidas". A "The Economist" nos vê no atoleiro. O "The New York Times" ouve apenas o "sussurro" da voz brasileira no mundo.

Na mídia, na diplomacia ou no mercado, o Brasil é hoje menos respeitado do que há poucos anos. Escapou-nos a narrativa de economia inclusiva e potência em ascensão.

O Brasil perdeu muito da "polifonia" de seu decantado sucesso –contemporâneo ao boom global de commodities e aos dois mandatos de Lula.

Nosso pioneirismo em energias limpas contrasta-se à terra arrasada das usinas de biocombustíveis –levadas a esse quadro pela política de preços da Petrobras. Nossa riqueza de petróleo em águas profundas é desafiada pelo baixo preço internacional da mercadoria –além de um nacionalismo datado e abominável corrupção.

A diplomacia perdeu a bússola. Vergonhosamente escanteada pelo Planalto, foi instrumentalizada a executar um novo terceiro-mundismo que em nada aprimorou nossa corrente de comércio, nossa participação em cadeias produtivas ou nosso "soft power" na América Latina ou na África. Tínhamos até recentemente uma história de êxito a apresentar em diferentes domínios.

Hoje o mundo só ouve uma voz: a do ministro da Fazenda. O Brasil está Levy-dependente.

Em sua obra-prima, "Leviatã"(em PDF), Hobbes descrevia o "estado de natureza" como aquela condição em que não há espaço para a indústria e o trabalho, pois o resultado deles é incerto. Tampouco florescem a agricultura, o comércio exterior ou o conhecimento.

A forte imagem hobbesiana comporta, em devidas proporções, semelhanças ao Brasil. Todos encontram-se em compasso de espera. E o deficit de talentos e credibilidade no alto escalão governamental empurra o titular da Fazenda para além das atribuições de sua pasta.

Joaquim Levy negocia pessoalmente medidas ante o Congresso. Protagoniza o road-show do ajuste fiscal junto a empresários. Argumenta em prol da participação do Brasil na OCDE. Aponta que capitalismo de Estado é incompatível com regimes democráticos.

No limite, foi sua presença à frente da economia brasileira, e não números de nossa contabilidade nacional, que evitaram nos últimos dias a perda do grau de investimento.

Esta sensação de "nunca tantos deveram tanto a tão poucos" não é boa.

O único salvador da pátria que deu certo na história foi José do Egito (Gen 37-50). O filho de Jacó interpretou os sonhos do faraó e executou estratégia de aproveitar período de vacas gordas para criar investimentos necessários à fase de vacas magras. Cenário inverso ao que se descortina para o Brasil.

Encontramo-nos na situação de dependermos da POLÍTICA para ajustarmos a POLÍTICA econômica de modo a lançar as bases de uma nova economia POLÍTICA e de uma POLÍTICA externa reorientada.

Pela força da conjuntura, um técnico em finanças está tendo de converter-se num "Levyatã"




(*)Economista, diplomata e cientista social, dirige o BRICLab da Universidade Columbia em NY, onde é professor-adjunto de relações internacionais e políticas públicas. Escreve às sextas.

domingo, dezembro 21, 2014

Petrobrás e o orgulho roubado de uma nação.








Por Roberto Freire, para a Gazeta do Ipiranga e o Primeira Página



Um dos principais símbolos de nossa nacionalidade e motivo de orgulho para os brasileiros ao longo de seis décadas, a Petrobras parece ter conquistado espaço permanente nas páginas policiais sob os governos de Lula e Dilma Rousseff. Palco do maior escândalo de corrupção da história republicana, a empresa está enredada por uma série infindável de denúncias de operações ilícitas, pagamentos de propina, contratos irregulares, superfaturamento de obras e outros malfeitos que vêm derretendo sua reputação a cada dia. 



O mais recente episódio do assalto à empresa foi conhecido a partir do relato da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, em reportagem publicada pelo jornal “Valor Econômico”. Segundo a servidora, ela própria teria alertado a diretoria da Petrobras sobre as ilegalidades em contratos, por meio de e-mails enviados à presidente, Graça Foster, e ao então diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza. Após as denúncias, de acordo com a reportagem, a ex-gerente da Petrobras foi enviada à unidade da empresa em Cingapura e teria sido ameaçada e orientada a não trabalhar.



Subordinada ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, um dos principais acusados de desvios na estatal e antecessor de Cosenza no cargo, Venina contou que também procurou o chefe imediato para falar sobre as irregularidades nos contratos. O diretor teria apontado para uma foto de Lula e perguntado à funcionária se ela queria “derrubar todo mundo”. Talvez este seja o relato mais emblemático sobre a corrupção desenfreada da qual a Petrobras é vítima nos tempos do lulopetismo.



Ironicamente, o PT utilizou politicamente a estatal para atacar seus adversários em recentes disputas eleitorais, acusando-os de tentar privatizá-la. Mal sabiam os brasileiros que, enquanto entoavam o discurso falacioso de campanha, eram os próprios petistas e seus aliados que privatizavam a Petrobras para práticas criminosas. E o mais grave: com o conhecimento das autoridades da empresa, como indicam as revelações da ex-gerente.



O bom trabalho realizado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público deve ser reverenciado e incentivado para que os responsáveis pelo assalto à Petrobras sejam punidos de forma exemplar. E não devemos aceitar o discurso petista de que as investigações só acontecem por mérito de um governo supostamente republicano. Nada mais falacioso. A Polícia Federal é uma corporação de Estado, não de governo. E o Judiciário é um poder independente do Executivo. Nada disso se coaduna com o que prega o PT, com sua visão autoritária e equivocada sobre o funcionamento das instituições da República.



A Operação Mãos Limpas, que praticamente implodiu o sistema político na Itália e desbaratou um megaesquema de corrupção nos anos 1990, foi levada a cabo durante o governo da Democracia Cristã – e o partido que comandava o país acabou desaparecendo, assim como as legendas que sustentavam o governo, como consequência de seu envolvimento direto na corrupção. Embora as circunstâncias do caso brasileiro sejam distintas às da Itália, há algumas semelhanças entre os dois acontecimentos – entre elas, o eixo da corrupção estar localizado no Palácio do Planalto e centrado no PT e nos partidos aliados.



Não se sabe ao certo quais serão os novos desdobramentos do escândalo, mas é evidente que o buraco da corrupção é bem mais fundo do que se imagina. A quadrilha que se apoderou da Petrobras não assaltou apenas os cofres da empresa, mas também roubou o nosso orgulho.



Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS 

Nota do Blogando: Não vejo o menor orgulho em ser a Petrobrás uma empresa brasileira, o monopólio da exploração nos moldes atuais, continua sendo um mal, por exemplo, para os consumidores que têm a sua disposição uma das piores gasolinas do mundo a um preço nem tão barato assim.