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segunda-feira, agosto 14, 2017

O Livro Negro da Esquerda Americana






por Everthon Garcia (*).

Capitão Fantástico’ é fábula familiar sobre a esquerda americana



Este artigo foi publicado no dia 13 de janeiro no WND. O autor, o general Ion Mihai Pacepa é o oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. Seu novo livro, Disinformation, escrito em coautoria com o professor Ronald Rychlak, foi lançado em junho pelo WND Books.

O livro “The Black Book of the American Left: Collected Conservative Writings of David Horowitz” deve ser lido por todo cidadão americano que ama este país. A obra é um chacoalhão de alerta: os Estados Unidos estão sendo infectados pela peste bubônica do marxismo, que, no passado, contaminou o próprio autor do livro.

Na década de 1970, David Horowitz atingiu os mais altos cargos dos movimentos de esquerda americanos. Depois, acabou entendendo que o marxismo é uma mentira – o primeiro passo na direção do roubo e do assassinato – e desde então tem dedicado a vida para avisar que o marxismo está colocando em risco a liberdade e a democracia americanas. Uma pesquisa de opinião pública da Rasmussen Reports mostra que, realmente, hoje apenas 53% dos americanos preferem o capitalismo ao socialismo.

Um dos mais populares night clubs de Nova York é o KGB Bar, com temática soviética. O local, enfeitado com a bandeira soviética e com uma fotografia do “Camarada Lênin”, fica lotado por uma nova geração de escritores marxistas que leem os seus trabalhos. Poucas semanas atrás, esta enorme cidade elegeu, por maioria esmagadora (73% dos votos), um prefeito abertamente marxista, e o conselho de Seattle tem um novo membro que disse, com orgulho, ter usado “o emblema socialista com honra”. O Pravda, jornal pós-soviético da Rússia, que sabia que o socialismo era apenas uma máscara sorridente do marxismo, irritou-se: “Deve ficar claro que, como o rompimento de um grande dique, a enxurrada americana na direção do marxismo está ocorrendo com uma velocidade de tirar o fôlego, contra um pano de fundo de uma manada passiva e infeliz, desculpe, prezado leitor, quero dizer, o povo.”


Imagens do KGB bar


Os Estados Unidos ainda não perceberam realmente que o marxismo está infectando o país porque a grande mídia tem feito o possível para esconder esse truísmo e porque nem o Partido Republicano nem o Tea Party chamaram a atenção para os perigos do marxismo. A nossa mídia também está escondendo o fato de que a única coisa que o marxismo deixou atrás de si foi sempre países parecendo acampamentos de trailer devastados por furacões, e líderes marxistas ardendo no inferno de Dante – todos, sem exceção, de Trotsky a Stalin, de Khrushchev a Brezhnev, de Tito a Enver Hoxha, juntamente com Mátyás Rákosi, Sékou Touré, Julius Nyerere, Nicolae Ceausescu e Hugo Chávez.

David Horowitz nasceu numa família de marxistas confessos, tinha o marxismo no sangue e teve uma carreira de sucesso como ativista, escritor e jornalista marxista. Em 1974, alguns de seus camaradas marxistas – líderes dos Panteras Negras – assassinaram um guarda-livros recrutado por David para fazer a contabilidade de uma escola dos Panteras Negras a qual ajudara a fundar. Aquele crime horrível chocou David e o convenceu a abandonar a carreira de esquerdista de sucesso e passar para o outro lado da barricada política americana.

O David Horowitz Freedom Center e a FrontPage Magazine, criada por David em 1988, marcou o início da sua cruzada antimarxista, que jamais parou. O livro “The Professors: The 101 Most Dangerous Academics in America” (2006) e a Academic Bill of Rights (ABOR) foram outros marcos em sua vida: o início da sua ainda hoje vigorosa campanha contra a doutrinação marxista nas universidades americanas. (A bem da verdade: apesar de nunca ter encontrado pessoalmente com David, eu colaboro com a FrontPage Magazine e tenho repetidamente expressado minha admiração por seu rompimento com o marxismo. David também elogiou publicamente o meu rompimento com o comunismo.)

No prefácio de “The Black Book of the American Left”, o primeiro dos nove volumes de suas memórias, David Horowitz escreveu “para o bem ou para o mal, fui condenado a passar o resto dos meus dias” combatendo o marxismo “com o qual eu rompi por iniciativa própria”. Em maio de 1989, ele e outros dois proeminentes ex-marxistas, Ronald Radosh e Peter Collier, foram à Polônia participar de uma conferência sobre o fim do comunismo. Lá, David disse aos dissidentes poloneses: “Para mim, a tradição de minha família a respeito dos sonhos socialistas acabou. O socialismo não é mais um sonho de um futuro revolucionário. É apenas um pesadelo do passado. Mas, para vocês, o pesadelo não é um sonho. É uma realidade ainda em andamento. O meu sonho para o povo da Polônia socialista é que um dia vocês acordem do pesadelo e sejam livres.” Poucos meses depois, os diálogos entre o governo polonês e os líderes do Solidariedade levaram às primeiras eleições semi-livres do bloco soviético.

No dia 9 de novembro de 1989, quando vi pela televisão o Muro de Berlim sendo derrubado, os meus olhos lacrimejaram. Eu estava muito orgulhoso de ser cidadão americano. O mundo inteiro estava expressando a sua gratidão aos Estados Unidos por sua luta de 45 anos de Guerra Fria contra o mal soviético. “O comunismo morreu!”, ouvi as pessoas gritando. Realmente, o comunismo morreu como forma de governo. Mas logo ficou provado que o marxismo, cujo 141° aniversário acabara de ser celebrado, havia sobrevivido.

O filósofo francês Jacques Derrida, que disse ter rompido com o marxismo, mas que confessou que ainda é paralisado pela emoção ao ouvir a Internacional, nos lembra que o primeiro substantivo do Manifesto Comunista de Marx é espectro: “Um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo.” De acordo com Derrida, Marx começou o “Manifesto Comunista” com a palavra espectro porque um espectro nunca morre. David Horowitz concordou. “Após a morte de Stalin”, David escreve em suas memórias, os meus pais – cujas vidas foram dedicadas ao marxismo – compreenderam ter “servido a uma quadrilha de déspotas cínicos responsáveis por matar mais camponeses, causar mais fome e miséria humana, e assassinar mais esquerdistas como eles do que os governos capitalistas desde o início dos tempos… Eu tinha 17 anos na época, e no funeral da Velha Esquerda eu jurei a mim mesmo não repetir a sina dos meus pais… Mas a minha juventude me impediu de ver o que aquela catástrofe havia revelado. Continuei com a minha fantasia de um futuro socialista. Quando a Nova Esquerda começou a emergir poucos anos depois, eu estava pronto para acreditar num novo início e estava ávido por assistir ao seu nascimento.”

David Horowitz agora documenta que uma nova geração de americanos, aos quais não está mais sendo ensinada a história e que conhecem pouco ou nada da longa luta do nosso país contra o marxismo, está dando a esta heresia – responsável pelo assassinato de mais de 90 milhões de pessoas – outra vida nova. Em 2008, o Partido Democrata retratou os Estados Unidos como um “império capitalista decadente e racista”, incapaz de prover a assistência médica para os pobres, de reconstruir as suas “escolas em frangalhos”, ou de substituir as “fábricas fechadas que no passado proporcionaram uma vida decente para homens e mulheres de todas as raças” e garantiram que mudariam isso drasticamente por meio do aumento de impostos sobre os americanos ricos e sobre as empresas americanas e seus proprietários, para financiar programas para os pobres. Isso é marxismo em estado puro. No “Manifesto Comunista”, Marx pintou o capitalismo como “um império decadente e racista” e garantiu erradicá-lo defendendo 10 “transgressões dos direitos de propriedade” os quais vieram a ser conhecidos como os “Dez Pontos do Manifesto Comunista”. Dentre eles: pesado imposto de renda com aumento progressivo e gradual, abolição dos direitos de herança, abolição da propriedade.

Se você conhece o “Manifesto”, como David conhece, vai pensar que Marx em pessoa escreveu o programa econômico do Partido Democrata, o qual contém todos os dez pontos acima citados. Se você não conhece o “Manifesto”, dê uma olhada no “The Black Book of the American Left”. Os jovens de hoje, cuja idade é igual à que David tinha quando ignorou os inauditos crimes de Stalin, acreditam em jantar grátis. Não é de admirar que, na corrida eleitoral de 2008, o Partido Democrata lotou estádios com jovens exigindo a redistribuição da riqueza dos Estados Unidos. Algumas daquelas assembleias eleitorais pareceram, para mim, uma repetição das aglomerações do ditador romeno Ceausescu – mais de 80 mil jovens reunidos em frente do agora famoso templo grego imitando a Casa Branca erguido em Denver, para exigir a redistribuição da riqueza americana. O Partido Democrata conquistou a Casa Branca e as duas câmaras do Congresso.

As pessoas se acostumaram a olhar com complacência a “redistribuição de riqueza”, mas David Horowitz demonstra, de maneira convincente, que isso é a quintessência do marxismo, e que o marxismo sempre termina em colapso econômico. Eu concordo. “Roubar os capitalistas é moral, camaradas”, eu ouvi Khrushchev dizer durante suas “férias de seis dias” de 1959 na Romênia. “Não se espantem, camaradas. Usei intencionalmente o verbo roubar. Roubar os nossos inimigos é moral, camaradas.” “Roubar os capitalistas é um dever dos marxistas”, pontificava o presidente da Romênia, Nicolae Ceausescu, durante os anos em que fui o seu conselheiro de segurança nacional. “Os capitalistas são inimigos mortais do marxismo”, ouvi Fidel Castro discursar em 1972 quando passei férias em Cuba como convidado do seu irmão Raul. “Matá-los é moral, camaradas!”

Na minha outra vida cheguei ao topo da entidade marxista – o Império Soviético – criado por meio da redistribuição da riqueza do seu povo, e para escapar da sua tirania eu fui obrigado a recomeçar a minha vida do zero, como David. Redistribuição de riqueza é roubo disfarçado – um passo antes do homicídio – e o roubo e o homicídio se tornaram políticas públicas no dia do nascimento do marxismo soviético. Imediatamente após a revolução de novembro de 1917, os marxistas soviéticos confiscaram a riqueza da família imperial, apoderaram-se das terras dos russos ricos, nacionalizaram a indústria e o sistema bancário e mataram a maior parte dos donos de terras. Em 1929, confinando os camponeses em fazendas coletivas, os marxistas soviéticos roubaram as suas propriedades juntamente com os animais e ferramentas. Em poucos anos, virtualmente toda a economia soviética estava funcionando a base de propriedades roubadas. Quando o povo começou a protestar contra o roubo, os marxistas transformaram o Império Soviético num Estado policial tirânico. Mais de 20 milhões de pessoas foram mortas para manter aquele império gulag sob controle. Em longo prazo, entretanto, roubo e crime não compensam, mesmo quando cometidos por uma superpotência. O colapso da União Soviética em 1991 é a maior prova disso.

No dia 7 de fevereiro de 2009 a capa da Newsweek estampou: “Somos todos socialistas agora.” Isso também foi dito pelo jornal Scînteia de Ceausescu quando ele transformou a Romênia num monumento ao marxismo. Dois anos após tomar o poder, o marxista Partido Democrata americano produziu os mesmos resultados do marxismo de Ceausescu – em escala americana. Mais de 14 milhões de americanos perderam o emprego, e quase 42 milhões de pessoas recorreram a programas de alimentação do governo. O crescimento do PIB caiu de 3-4% para 1,6%. A dívida nacional cresceu para o valor sem precedentes de US$17 trilhões, e o valor projetado para 2019 é de US$18 trilhões. O Scînteia foi à falência. A Newsweek foi vendida por um dólar.

Capa da Newsweek em 2009


Vamos dar nome aos bois: estamos falando de marxismo. Marxismo nos Estados Unidos!

O livro “The Black Book of the American Left” não podia ter surgido em momento mais oportuno. Os Estados Unidos precisam entender imediatamente que o marxismo é uma mentira, e que essa mentira é o primeiro passo na direção do roubo e do assassinato.


Fonte – Epoch Times

Conservadorismodobrasil.com.br

terça-feira, maio 12, 2015

As raízes secretas da Teologia da Libertação.







por Ion Mihai Pacepa(*)


A História costuma se repetir, e, se você tiver vivido duas vidas como eu vivi, talvez tenha a oportunidade de ver uma repetição com os próprios olhos.

A teologia da libertação, sobre a qual pouco se falou nas últimas duas décadas, está de volta às notícias. Mas ninguém está falando nada sobre a sua origem. Ela não foi inventada pelos católicos latino-americanos. Foi concebida pela KGB. O homem que hoje é o chefe da Igreja Ortodoxa Russa, Patriarca Kirill, trabalhou secretamente para a KGB sob o codinome “Mikhailov” e passou quatro décadas promovendo a teologia da libertação, à qual, nós, do topo da comunidade de inteligência do leste europeu, demos o apelido de Marxismo Cristianizado.

A teologia da libertação tem sido normalmente entendida como um casamento entre Marxismo e Cristianismo. O que ninguém entende é que ela não foi inventada por cristãos que foram atrás do Comunismo, mas por comunistas que foram atrás dos cristãos. Eu descrevi o nascimento da teologia da libertação em meu livro Disinformation, escrito em coautoria com o professor Ronald Rychlak. A sua gênese foi parte do Programa de Desinformação do Partido/Estado, altamente secreto, aprovado formalmente em 1960 pelo chefe da KGB, Aleksandr Shelepin, e pelo membro do Politburo Aleksei Kirichenko, na época o segundo na hierarquia do partido, logo abaixo de Nikita Khrushchev.

Em 1971, a KGB enviou Kirill – recém-elevado ao grau de arquimandrita (NT: algo equivalente a abade na Igreja Católica) – a Gênova como emissário da Igreja Ortodoxa Russa para o Conselho Mundial de Igrejas (World Council of Churches). O CMI era, e ainda é, a maior organização religiosa internacional depois do Vaticano, representando cerca de 550 milhões de cristãos de diversas denominações em 120 países. A principal tarefa de Kirill/Mikhailov era envolver o CMI na disseminação da recém-criada teologia da libertação por toda a América Latina. Em 1975, a KGB conseguiu infiltrar Kirill no Comitê Central do CMI – posição que manteve até ser “eleito” patriarca da Rússia, em 2009. Logo após ter entrado no Comitê Central, Kirill informou à KGB: “Agora, a agenda do CMI é a nossa agenda”.

Durante os anos de Kirill na direção do CMI, a teologia da libertação lançou raízes profundas na América Latina – cujo mapa hoje tem expressivos retalhos vermelhos. Navios de guerra e bombardeiros russos estão de volta a Cuba pela primeira vez desde a crise dos mísseis de 1962, e a Rússia também enviou recentemente navios e bombardeiros para a Venezuela.

O Papa João Paulo II, que conhecia bem a cartilha comunista, não se deixou enganar pela teologia da libertação soviética. Em 1983, o seu amigo e homem de confiança, Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI), na época chefe da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, classificou como marxista a idéia da teologia da libertação de que a luta de classes seja essencial para a história. O Cardeal chamou a teologia da libertação de “heresia ímpar” e a dinamitou como uma “ameaça fundamental” para a Igreja.

É claro, era e continua sendo uma ameaça – uma ameaça deliberadamente concebida para minar a Igreja e desestabilizar o Ocidente por meio da subordinação da religião a uma ideologia política ateísta, que é quem vai lucrar geopoliticamente com isso.

Hoje, nomes como Oscar Romero e Miguel d´Escoto Brockmann, não pronunciados desde os anos 1980 quando a União Soviética ainda existia, estão novamente no noticiário internacional. Lá vai! Os promotores de uma ideologia religiosa concebida pela KGB, que no passado abraçaram a revolução marxista violenta, agora negam a ligação da teologia da libertação com o marxismo e com a KGB.

Cada sociedade reflete o seu próprio passado. Desde o início dos tempos, todos os que se sentaram no trono do Kremlin – czares autocráticos, líderes comunistas, presidentes democradicamente eleitos – estiveram ocupados em controlar todas as expressões de religião que porventura pudessem atrapalhar as suas ambições políticas. Quando, em 1547, Ivan IV – O Terrível – se auto coroou o primeiro czar russo, também se auto proclamou chefe da Igreja Ortodoxa Russa. Czarismo e comunismo podem ter sido tragados pela areia do tempo mas o Kremlin dá continuidade essa tradição.

Ao longo de toda sua história, a Russia tem sido uma samoderzhaviye, tradicional forma russa de autocracia totalitária na qual o senhor feudal domina o país e a igreja com o auxílio da sua força política policial. Esta, sempre que teve um problema difícil de imagem, simplesmente trocou de nome – de Okhrana para Cheka, para GPU, para OGPU, para NKVD, para NKGB, para MGB, para MVD, para KGB – e fingiu ser uma organização novinha em folha.

Muitos dos falecidos oficiais da KGB devem ter virado no túmulo na véspera do Ano Novo de 1999 quando o seu antigo chefe, Vladimir Putin, meu colega da KGB durante algum tempo, entronou-se no Kremlin. Durante a Guerra Fria, a KGB era um estado dentro do estado. Agora, a KGB – rebatizada de FSB – é o próprio estado. De acordo com um estudo publicado no jornal russo Novaya Gazeta, em 2003, cerca de seis mil ex-oficiais da KGB estavam tocando os governos locais e federal russos. O respeitado jornal britânico The Guardian noticiou que o presidente Putin acumulou secretamente cerca de 40 bilhões de dólares, tornando-se o homem mais rico da Europa.

Na Rússia, quanto mais as coisas mudam, mais parecem ficar do mesmo jeito.

Isso nos leva de volta a Kirill/Mikhailov. Em 2006, a fortuna pessoal do arcebispo Kirill foi estimada em 4 bilhões de dólares pelo Moscow News. Não se espante. Em meados dos anos 1990, o Departamento de Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa Russa, dirigida por Kirill, ganhou o privilégio de importar cigarros com isenção de impostos como recompensa por sua lealdade à KGB. Não demorou muito para que ele se tornasse o maior fornecedor de cigarros importados da Rússia.

Poucos anos atrás, quando Kirill estava visitando a Ucrânia como novo Patriarca da Rússia, um jornal publicou uma foto na qual o prelado aparecia com um relógio de pulso Breguet, com custo estimado em 30 mil euros. O jornal russoKommersant acusou Kirill de abuso de privilégio de importação de cigarros sem pagamento de impostos e o apelidou de “metropolitano do tabaco”. Kirill negou possuir tal relógio. Disse que a foto devia ter sido alterada por seus inimigos, e postou a fotografia “real” no seu website oficial. Um estudo minucioso desta fotografia “real”, entretanto, mostra que o relógio Breguet havia sido apagado do seu pulso por edição da imagem mas o reflexo do relógio ainda está nitidamente visível na superfície da mesa abaixo do seu braço.

Mikhailov e a sua KGB, rebatizada FSB, estão fazendo o possível para apagar por edição de imagem a barra da saia que os liga à teologia da libertação. Não podemos deixar que eles consigam.


(*)O general Ion Mihai Pacepa é o oficial de mais alta patente que desertou do Bloco Soviético. O seu livro mais recente, Disinformation, em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, publicado pelo WND, está sendo filmado em Hollywood.

Publicado no National Review.

Tradução: Ricardo R Hashimoto

Fonte: Mídia Sem Máscara

sexta-feira, novembro 21, 2014

Quem foi Che Guevara?.













Quem foi Che Guevara?.
por ION MIHAI PACEPA



A melhor foto do Assassino Che Guevara



Hollywood se despede de 2009 com uma fraude monumental: o épico Che, de Steven Soderbergh, com quatro horas de duração, em Castelhano, transformando um assassino marxista sádico num, de acordo com o New York Times, “genuíno revolucionário durante as estações do seu martírio”. [1] A palavra “estações” faz referência a Cristo nas Estações do Calvário – a Via Crucis. O protagonista do filme, Benicio del Toro, realmente comparou “o herói revolucionário cubano Ernesto Che Guevara” a Jesus Cristo. [2]

O Che de Soderbergh é uma ficção criada pela comunidade KGB, da qual fez parte o serviço de espionagem romeno ao qual pertenci – o DIE – numa época que me coloca diretamente na trama. O Che real foi um assassino que comandou pelotões de fuzilamento comunistas e fundou o terrível gulag cubano. Foi também um covarde que obrigou os outros a lutar até a morte pela causa comunista e que mandou para o patíbulo centenas de pessoas que se recusaram a fazê-lo, mas que se rendeu sem luta ao exército boliviano embora estivesse armado até os dentes. “Não me matem” implorou Che aos seus captores. “Valho mais vivo do que morto”. [3] O filme de Soderbergh omite este episódio – o qual demoliria o seu Che.



Eu poderia escrever um livro sobre como o terrorista Che foi transformado num ídolo esquerdista inspirador – como um belo príncipe emergindo lindamente de uma repulsiva lagarta – e pode ser que o faça algum dia. Por enquanto, aqui vai um resumo de como a KGB criou o seu Che de ficção.

Na década de 1960, a popularidade do bloco soviético estava em baixa. A brutal repressão soviética ao levante húngaro de 1956 e o seu papel na crise dos mísseis cubanos de 1962 enojaram o mundo, e cada um dos ditadores dos países satélites soviéticos tentou se safar como pôde. Khrushchev substituiu a “imutável” teoria marxista-leninista da revolução proletária mundial pela política de coexistência pacífica e fingiu ser um defensor da paz. Dubcek apostou num “socialismo com face humana” e Gomulka no lema “deixe a Polônia ser a Polônia”. Ceausescu proclamou a sua “independência” de Moscou e se retratou como um “dissidente” dentre os líderes comunistas.

Os irmãos Castro, que temiam qualquer tipo de liberalização, decidiram apenas maquiar, com uma romântica fachada revolucionária, o seu comunismo desastroso que estava matando o país de fome. Escolheram Che como garoto propaganda, já que ele havia sido executado na Bolívia – na época um aliado dos EUA – e assim podia ser retratado como um mártir do imperialismo americano.

A “Operação Che” foi lançada mundialmente pelo livro “Revolution in the Revolution” – uma cartilha para insurreição guerrilheira comunista escrito pelo terrorista francês Régis Debray – que elevou Che aos altares. Debray dedicou a sua vida a exportar a revolução estilo cubano por toda a América Latina; em 1967, entretanto, uma unidade das forças especiais bolivianas treinada pelos EUA o capturou, juntamente com todo o bando guerrilheiro de Che.

Che foi sentenciado à morte e executado por terrorismo e assassinato em massa. Debray foi sentenciado a 30 anos de prisão mas foi libertado depois de três anos devido à intervenção do filósofo francês Jean Paul Sartre, um comunista romanticamente envolvido com a KGB, que também era o ideólogo do bando terrorista Baader-Meinhof. Sartre aclamou Che Guevara como “o ser humano mais completo do nosso tempo”. [4] Em 1972, Debray retornou à França, onde trabalhou como conselheiro para a América Latina do presidente François Mitterrand, e dedicou o resto da vida a disseminar o ódio contra os Estados Unidos.

Em 1970, os irmãos Castro elevaram a santificação de Che a um novo patamar. Alberto Korda, oficial da inteligência cubana trabalhando secretamente como fotógrafo para o jornal cubano Revolución, produziu uma foto romantizada de Che. Aquele Che agora famoso, com longos cabelos ondulados e usando uma boina com estrela, olhando diretamente nos olhos de quem o vê, é o logo de propaganda do filme de Soderbergh.

É de se notar que esta foto de Che foi apresentada ao mundo por um agente da KGB trabalhando secretamente como escritor – I. Lavretsky –, num livro intitulado “Ernesto Che Guevara”, editado pela KGB. [5] A KGB chamou a foto de “Guerrillero Heroico” e a espalhou por toda a América do Sul – área de influência de Cuba. O editor milionário italiano Giangiacomo Feltrinelli, outro comunista romanticamente envolvido com a KGB, inundou o resto do mundo com a imagem de Che impressa em cartazes e camisetas. O próprio Feltrinelli virou terrorista e foi morto em 1972 enquanto plantava uma bomba nos arredores de Milão.

Ouvi o nome de Che pela primeira vez em 1959, da boca do general Aleksandr Sakharovsky, antigo chefe da inteligência soviética e conselheiro para a Romênia, que mais tarde dirigiu a “revolução” dos Castro e foi recompensado com a promoção a chefe da toda-poderosa organização de inteligência estrangeira soviética, posição que manteve por quinze anos. Ele chegou a Bucareste com o seu chefe, Nikita Khrushchev, para conferências sobre Berlim Oriental e sobre a “nossa Gayane cubana”. Gayane era o codinome geral para a operação de sovietização da Europa Oriental.

Na época, a burocracia soviética acreditava que Fidel Castro era apenas mais um aventureiro, e relutava em apoiá-lo. Mas Sakharovsky havia ficado impressionado com a devoção ao comunismo do irmão de Fidel, Raul, e do seu tenente, Ernesto Guevara, e fez deles os principais protagonistas da “nossa Gayane cubana”. Os dois foram levados a Moscou para serem doutrinados e treinados, e ganharam um conselheiro da KGB.

De volta a Sierra Maestra, Che provou ser um verdadeiro assassino sangue frio nos moldes da KGB – responsável pela morte de mais de 20 milhões de pessoas apenas na União Soviética. “Meti uma bala de calibre 32 no lado direito do seu cérebro, que vazou por toda a têmpora” escreveu Che no seu diário, descrevendo a execução de Eutimio Guerra, um “traidor da Revolução”, a quem matou em fevereiro de 1957. [6] Guerra era a sétima pessoa a quem Che matara. “Para enviar homens para o pelotão de fuzilamento não é preciso provas judiciais”, explicou. “Estes procedimentos são detalhes burgueses obsoletos. Isso aqui é uma revolução! E uma revolução deve se tornar uma fria máquina de matar movida por puro ódio.” [7]

No dia 1° de janeiro de 1959, a “Gayane cubana” venceu, e a KGB encarregou Che de limpar Cuba dos “anti-revolucionários”. Milhares de pessoas foram enviadas para “el paredón”. Javier Arzuaga, capelão da prisão Al Cabaña no início de 1959, escreveu em seu livro “Cuba 1959: La Galeria de la Muerte” ter testemunhado “o criminoso Che” ordenando a execução de cerca de duzentos cubanos inocentes. “Argumentei diversas vezes com Che a favor dos prisioneiros. Lembro-me especialmente de Ariel Lima, um garoto de apenas 16 anos. Che estava obstinado. Fiquei tão traumatizado que em maio de 1959 recebi ordens para deixar a paróquia Casa Blanca, onde ficava La Cabaña … Fui para o México receber tratamento.” [8]

De acordo com Arzuaga, as últimas palavras de Che para ele foram: “Quando tirarmos nossas máscaras, seremos inimigos”. [9] É hora de tirar a sorridente máscara de Che e revelar a sua verdadeira face. O Memorial Cubano no Parque Tamiami, em Miami, contém centenas de cruzes, cada uma com o nome de uma pessoa identificada, vítima do terror comunista de Raul e Che. [10]

Também é tempo de interromper a mentira de trinta anos, reforçada pelo filme de Soderbergh, de que os irmãos Castro e o seu carrasco Che eram nacionalistas independentes. Em 1972, eu estava presente a um discurso de seis horas no qual Fidel pregou a mesma mentira. No dia seguinte, fui a uma pescaria com Raul. Havia outro convidado no barco, um soviético que se apresentou como Nikolay Sergeyevich. O meu colega cubano, Sergio del Valle, sussurrou no meu ouvido “Aquele é o coronel Leonov”. Anteriormente, ele já havia explicado para mim que Leonov era conselheiro da KGB para Raul e Che nas décadas de 1950 e 1960. Lá, naquele barco, para mim ficou claro como nunca que a KGB estava nas rédas da carruagem revolucionária dos Castro. Dez anos mais tarde, Nikolay Leonov foi recompensado por seu trabalho de manipulação de Raul e Che com a promoção a general e representante chefe de toda a KGB.

Na década de 1970, a KGB era um estado dentro do estado. Hoje, a KGB, renomeada de FSB, é o estado na Rússia, e o Che de Soderbergh é o maná dos céus para os representanes dela na América Latina. Meses atrás, duas marionetes do Kremlin – Hugo Chávez e Evo Morales – expulsaram, no mesmo dia, os embaixadores americanos de seus países. Milhares de pessoas carregando o retrato do Che de Soderbergh tomaram as ruas pedindo a proteção militar russa. Navios de guerra russos estão de volta a Cuba – e, mais recentemente, chegaram à Venezuela – pela primeira vez desde a crise dos mísseis cubanos.

“A fraude trabalha como cocaína” costumava dizer para mim Yury Andropov, o pai da contemporânea era russa da fraude, quando ele era chefe da KGB. Em seguida, explicava: “Se você cheirar uma ou duas vezes, não mudará a sua vida. Mas, se você usá-la dia após dia, ela fará de você um viciado, um homem diferente”. Mao tinha a sua própria frase: “Uma mentira repetida centenas de vezes vira verdade”. O filme de Soderbergh sobre Che prova que ambos estavam certos.

Notas:
[1] A. O. Scott, “Saluting the Rebel Underneath the T-Shirt,” The New York Times, December 12, 2008.
[2] Guillermo I. Martínez, “Guevara biopic belies his ruthlessness,” The Sun Sentinel, January 1, 2009, p. 13A.
[3] Idem.
[4] Idem.
[5] I. Lavretsky, “Ernesto Che Guevara, “Progress Publishers, 1976, ASIN B000B9V7AW, p. 5. Initially published in Russian in 1973.
[6] Matthew Campbell, “Behind Che Guevara mask, the cold executioner,”The Sunday Times, September 16, 2007.
[7] Mark Goldblath, “Revenge of Che: no amount of Hollywood puferry will change the fact that commies aen’t cool,” The Wall Street Journal, December 19, 2008.
[8] “The Infamous Firing Squads,” p. 1, as published in http://therealcuba.com/page5.htm.
[9] Idem.
[10] Ibidem.


O general Ion Mihai Pacepa é o oficial soviético de mais alta patente que recebeu asilo político nos Estados Unidos. No Natal de 1989, Ceausescu e a sua esposa foram executados após um julgamento no qual as acusações eram, quase palavra por palavra, extraídas do seu livro “Red Horizons”, subsequentemente traduzido para 27 idiomas.

Publicado no FrontPageMagazine.com em 23 de janeiro de 2009.

Tradução: Ricardo Hashimoto, editor do blog Letters To Hungary.