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terça-feira, abril 01, 2014

Israel – Fator de Estabilidade.











por Herman Glanz




Apesar de lutar contra os ataques dos vizinhos e dos não vizinhos, sejam ataques com armas ou ataques políticos, o Estado de Israel é visto como fator de estabilidade para a região.

Uma nova guerra entra em cena: a dos túneis construídos pelo Hamas na Margem Ocidental, não mais somente em Gaza, obrigando as Forças de Defesa a uma nova preparação para enfrentar essa onda de terror. Lutar em túneis não estava no programa, mas aprende-se e se desenvolvem novas armas e novos meios de detecção. E vários cenários de guerra são examinados, inclusive incursões terrestres contra Hizbollah, no Líbano e Hamas, em Gaza, enquanto se espera que esses terroristas se dispersem pelas consequências de lutas internas palestinas e a guerra na Síria. Há quem diga que os mísseis iranianos, no navio apreendido pelos israelenses no início do mês, seriam destinados ao Sinai, pois seria mais fácil desembarca-los, pois em Gaza seriam vistos, pois não desmontáveis. Do Sinai poderiam ser disparados para atingir, inclusive, Tel Aviv.

Para cobrar mais caro a visita do Presidente americano ao Oriente Médio, a Liga Árabe, na reunião de 25 deste mês de março, visando descolar mais ajuda, aprovou mais três nãos: não ao Estado Judeu, não ceder sobre Jerusalém e o Monte do Templo, pois Jerusalém antiga deve ser a Capital palestina, e não aos assentamentos, exigindo um Estado Palestino livre de judeus. E ninguém fala contra esse apartheid – somente se acusa Israel. Alguém já se indagou o porque desse padrão diferenciado? Bem, direitos Humanos não valem para Israel. Apesar de toda a negação, conforme acabamos de mencionar, vários países muçulmanos sunitas, árabes ou não, se entendem com Israel para a defesa contra os xiitas do Irã, do Iraque e do Hizbollah do Líbano. Especialmente a Arábia Saudita se encontra em polvorosa e o Presidente Obama visitou o monarca saudita para explicar os entendimentos com o Irã mas, há sempre um mas.


Declarou Obama que a Arábia Saudita deveria extinguir a escravidão. É uma forma de colocar os sauditas em posição inferior diante das cobranças que faz à posição política americana. Apesar do presidente americano falar em escravidão, não se ouve condenação formal aos sauditas. Quanto a Israel, mesmo não tendo escravidão, é condenado por apartheid. E mais, ninguém condena a Dhimmitude* dos muçulmanos quanto aos não muçulmanos: cristãos e judeus em países muçulmanos são cidadãos de segunda classe. Mas isso não interessa ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Continuem se indagando do porque desse padrão diferenciado.


E enquanto tudo gira em torno da Guerra Fria, da Rússia com a ocupação da Criméia, ficam um pouco esquecidos os outros problemas, como a guerra na Síria, o processo (sempre processo) de paz de Israel com os palestinos, onde a posição política muda. Há um ano atrás, quando Obama e Kerry visitaram Israel, em 20 de março de 2013, o Presidente Obama declarou que os palestinos deveriam reconhecer logo o Estado Judeu, sendo, evidentemente seguido por Kerry. Agora, Obama declara que não se manifesta em favor do reconhecimento do Estado Judeu. Alguém se indaga porque desse padrão diferenciado?

A política muda como as nuvens. Na Europa o antissemitismo reaparece. Na Inglaterra, preocupa o número de presidiários vinculados à al-Qaeda, que fazem apologia nas prisões junto aos demais presos. Falando em Crimeia, no dia de hoje, 30 de março, em 1856, foi firmado o Tratado de Paris, pondo fim à guerra contra a Rússia travada pela Inglaterra, França, Império Turco e o Reino da Sardenha e Piemonte, por causa da Crimeia. Falando em Inglaterra, em 1218, em 30 de março, o Rei Henrique III obrigava judeus a usar uma peça amarela na roupa, em forma das Tábuas da Lei. O antissemitismo é secular. E a Inglaterra tem tradição. Mas a vida segue em frente, e em Israel se cria moeda virtual, que serve para fugir das taxas bancárias. Vamos em frente!


(*)Dhimmitude significa as condições legais e sociais abjetas de Judeus e Cristãos submetidos a shari'a, a lei corânica.

terça-feira, junho 19, 2012

A Síria e o fim da ONU.




por Deborah Srour


Mais uma vez estamos diante de uma crise em que milhares de pessoas são massacradas e outra vez a ONU nos prova que está aí como um cabide de empregos de alta escala. A crise na Síria é só o mais recente caso de assassinato em massa em que a ONU decidiu não agir e não cumprir o mandato para o qual ela foi criada.

A Organização das Nações Unidas foi estabelecida em 1945 para impedir que os horrores do Holocausto se repetissem. Um dos seus documentos mais fundamentais é a Declaração Universal dos Direitos do Homem aprovada em 1948 que falava dos “atos bárbaros que escandalizaram a consciência da humanidade”. Junto com a Declaração, a Assembléia Geral adotou a Convenção Contra o Genocídio. Na época estava claro para todos que a ONU havia sido criada para prevenir que este tipo de assassinato em massa acontecesse outra vez.

Mas nos anos 90, a ONU provou ser completamente incompetente para impedir os atos de genocídio.

Em 1994, o comandante das forças da ONU em Rwanda, General Romeo Dallaire, enviou uma mensagem para a sede da organização em Nova Iorque dizendo que os Hutus estavam planejando um massacre dos Tutsis. Dallaire informou então que iria destruir os depósitos de armas das milícias Hutus. O chefe da força de paz da ONU na época era Kofi Annan e ele ordenou ao general não interferir. Nos três meses que se seguiram, nada menos que 800 mil Tutsis foram abatidos como gado.

Aí o Conselho de Segurança da ONU fez reuniões para decidir que ação tomar e no final não fez absolutamente nada. O cúmulo foi ter o representante do regime de Rwanda sentado no Conselho como parceiro legítimo dos debates.

Depois tivemos a Bósnia. Em 95 o Conselho de Segurança criou uma “area de segurança” para os muçulmanos da cidade de Srebrenica. O comandante das forças da ONU prometeu que nunca os abandonaria. Mas em Julho de 1995 o exército sérbio atacou e matou mais de 8 mil muçulmanos que viviam na cidade. O batalhão holandês da ONU que havia fugido dias antes, estava numa festa da cerveja em Zaghreb, capital da Croácia, durante os massacres.

A cada vez que foi testada, a ONU fracassou em sua missão. No ano passado, os conselheiros de Barack Obama disseram que se o ocidente não agisse na Líbia, Srebrenica iria parecer um passeio no parque na frente do que Khadafi iria fazer com Benghazi. E aí Obama acionou as forças da OTAN para fazer o trabalho.

Hoje o mundo está frente à uma nova Srebrenica. A revolução na Síria começou em Março de 2011. Todos os dias centenas de civis morrem enquanto o Conselho de Segurança continua a fazer reuniões que não levam a nada. Uma resolução proposta em outubro do ano passado foi vetada pela Russia e China. No final de maio deste ano, o Conselho de Segurança finalmente condenou o governo sírio pela morte de 108 civis em Houla. Mas nenhuma ação concreta foi aprovada.

Outra vez o gênio das forças de paz, Kofi Annan, foi nomeado como enviado especial da ONU e da Liga Árabe para lidar com a crise na Síria. Em março ele anunciou um plano de 6 pontos que resultou em nada! Mas enquanto Annan ia e vinha a Damascos, o ocidente tinha uma boa desculpa para lavar as mãos e não tomar qualquer medida concreta contra Bashar Al-Assad. Nesse meio tempo, 14 mil sírios perderam suas vidas. E mais uma vez, a ONU falhou no seu maior objetivo: prevenir o assassinato em massa de civis inocentes.

A razão pela qual a ONU fracassa a cada vez que tem que tomar uma atitude para evitar um genocídio é por que a organização perdeu foco de seu objetivo em favor dos interesses dos estados membros. A ONU se recusa a tomar qualquer posição moral firme condenando aqueles que cometem massacres ou impondo medidas efetivas contra eles – com exceção de Israel.

No caso da rebelião de Darfur que começou em 2003, quando os Estados Unidos pediram para a ONU agir contra o genocídio praticado pelo exército sudanês, ela simplesmente recusou reconhecer que estava ocorrendo um genocídio e deixou meio milhão de pessoas serem mortas nos oito anos que se seguiram.

Há duas lições para Israel aprender da falta de resposta da comunidade internacional para a crise na Síria: primeiro, o comportamento da organização prova mais uma vez, que Israel nunca deve comprometer sua doutrina de contar consigo própria quando sua segurança estiver em jogo e nunca deve contar com a proteção de forças internacionais.

Em 29 de maio, o Wall Street Journal acusou a organização de ser “cúmplice” do massacre de Houla. Isto pode ter sido uma crítica dura mas contém uma verdade que não pode ser ignorada: as Nações Unidas dizem que irão proteger as pessoas ameaçadas de extermínio, e ao final, não fazem absolutamente nada além de dar um assento de primeira fila às suas forças de paz para assistirem as agressões e massacres.

E esta é a segunda lição: Israel deve responder de modo diferente às constantes críticas que ela recebe de vários órgãos da organização.
Se a ONU é um corpo paralisado, que não pode tomar decisões sobre genocídios, que trata os agressores e suas vítimas da mesma forma, então Israel deve se recusar a aceitar julgamentos morais sobre o seu conflito com os palestinos. Quem são eles para emitirem dia após dia, declarações contra Israel?

A crise na Síria é só o último exemplo de como a ONU perdeu a autoridade moral que tinha quando foi fundada. De fato, ela perdeu qualquer função prática além de causar congestionamentos em Nova Iorque e empilhar multas de estacionamento dos seus diplomatas.

Acho que Israel precisa mudar sua atitude para com a ONU e responder à altura a próxima vez que for “condenada” por um outro funcionário de cabide.