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sexta-feira, julho 17, 2015

O petismo e a bajulação da imprensa.









por Luis Milman (*)



No ambiente jornalístico, a presença dominante dos comunistas é incontestável há décadas. A grande maioria dos jornalistas sempre esteve próxima do esquerdismo. Não digo hoje, como militância aberta, mas no plano da adesão intelectual e da adoção bajuladora e servil a um argumento da autoridade petista, que é um partido da esquerda confessional, aquela que trata o marxismo como um tipo de religião revelada. Sem a submissão a este argumento da autoridade, o governo Dilma Rousseff já teria perdido sua sustentação junto àintelligentsia e, como não possui qualquer respaldo popular, teria desabado.

Em idioma vicário, o comunismo transmutou-se em progressismo, depois do colapso da União Soviética. Essa presença comunista nas redações, não é abertamente ativista, o que não significa dizer que não seja muito ativa. Ela explica o apoio com que contam, no meio jornalístico, todas as posições esquerdistas nos chamados temas sociais controversos, como a liberação do consumo de maconha, o fator antrópico de aquecimento global, a descriminalização do aborto, a proibição do uso de armas, a manutenção da maioridade penal em 18 anos e a tentativa de criar crimes diferenciados contra homossexuais.

Para o jornalista padrão, o adjetivo “conservador” significa “reacionário”. E, saliente-se: por total ignorância, este jornalista padrão sequer sabe o que designa, no universo político-doutrinário, o termo “conservadorismo”. A militância da redações muito precariamente ouviu falar de um Burke ou, mais recentemente, de um Scruton, mas as posições “progressistas” são defendidas, em que pese a sua rejeição pela esmagadora maioria da sociedade, como as pesquisas de opinião não cansam de apontar.

Darei três exemplos: na mídia circulante, o ex-tupamaro Mujica – e isto é uma forte credencial -, tornou-se um estadista porque liberou a maconha no Uruguai; Noam Chomsky é o teórico mais influente do mundo porque acusa os EUA dos mais abjetos crimes e Benjamin Netanyahu é um obstáculo à paz porque lidera a radical direita israelense contra posições negociáveis do moderado presidente palestino Abu Mazen.

Tudo isto é risível. Mujica é um marxista incurável; Chomsky, um mentiroso cínico e compulsivo, e Netanyahu um político de direita, é claro, mas democrata, prudente e não está negociando com Abu Mazen porque o palestino não é, na prática, o moderado que a mídia esquerdista nos apresenta. Pode parecer paradoxal que a sociedade se expresse de um modo conservador e a imprensa, no polo contrário, de uma forma sistematicamente “avançada”. Abrem-se espaços generosos e constantes, nos jornalões e jornalecos brasileiros, para especialistas aparvalhados pelo marxismo de almanaque lançarem explicações desesperadas para o que chamam de “onda conservadora brasileira”. É claro que a classe média do país cansou do PT. Caiu a máscara do lulopetismo para os chamados cidadãos e cidadãs comuns, de classe média, o segmento social que Marilena Chauí - talvez a filosofa maior daquela pocilga intelectual que Reinaldo Azevedo chama de o “Complexo PUCUSP”-, disse odiar, com frenesi e sob o aplauso de Lula, seu líder. 

As análises que as estrelas da mídia tradicional nos oferecem sobre a virada brasileira à direita são tão miseráveis quanto a ideologia de baixo marxismo que eles abraçam e insistem em espalhar. São sempre análises autoindulgentes, que sequer raspam o cerne das razões pelas quais o PT se espatifou politicamente: a ausência escancarada de energia moral, a desgraçada insistência em agredir os valores mais caros ao povo e a corrupção, que, mais do que entranhada no partido, é inerente à sua doutrina.

Existe, é claro, na chamada mídia, uma trincheira heroica, daqueles que desafiam essa quase unanimidade. No entanto, o quase-consenso vermelho é policiado selvagemente por lideranças políticas, intelectuais delirantes e por uma legião de blogueiros e twitteiros da linha justa. Se apenas com isto não se pode impedir que escândalos sejam noticiados, que o naufrágio do lulopetismo se mostre irreversível, então que se trate de apertar mais a corda nos pescoços dos bajuladores petistas usuais, que dominam as redações. Talvez assim aquilo que já está péssimo não desande. Não é por acaso que Lula sai por aí, enquanto o país afunda numa crise moral, política e econômica patrocinada pelo seu partido, a uivar que a mídia quer destruir o PT. Muito menos que os petistas, que se lambuzaram na corrupção do Mensalão e do Petrolão, dizem que toda essa podridão não passa de uma construção da mídia reacionária. Eles sabem, é certo, que a mídia é precisamente o oposto do que a acusam, ou seja, é uma mídia amestrada por anos de submissão a um marxismo de clichês.

A elite petista sabe que a companheirada que os ampara nas redações pode muito. Mas nós sabemos que ela não pode tudo.



(*)Luis Milman é professor de filosofia e jornalista.

Fonte: Mídia Sem Máscara

quinta-feira, novembro 29, 2012

A natureza do Fórum Palestina Livre













por Luis Milmann 



Dentre os objetivos dos apoiadores do terrorismo disfarçados de pacifistas está acabar com a parceira entre Israel e o Brasil, que precisa manter-se atualizado em tecnologia de ponta na área militar. A acusação feita contra Israel de prática de apartheid é infame. O que os organizadores deste Fórum não aceitam é a própria existência do estado judeu.

O encontro internacional de milhares de militantes anti-israelenses, que ocorrerá em Porto Alegre, com o patrocínio do governo Tarso Genro e do PT, no final deste mês, não deve ser compreendido apenas sob uma ótica ideológica. É certo que uma das finalidades do Fórum Mundial Palestina Livre é apresentar Israel como um estado criminoso e racista, de acordo com o histórico cânone da propaganda oficial palestina, difundido por partidos e organizações esquerdistas de todo o mundo há décadas e reverberado no documento de referência do Fórum. É seguro, também, que, no momento em que Israel lança uma ofensiva militar na Faixa de Gaza, para proteger sua população contra as centenas de mísseis disparados pelo Hamas e outros grupos terroristas palestinos, a organização do tal Fórum fará de Porto Alegre um centro difusor de mistificações e distorções antissemitas ainda mais intensas.


Ninguém pode esperar menos que a satanização de Israel e a exaltação da “resistência” dos terroristas palestinos islâmicos da Faixa de Gaza, num contexto mais amplo de denúncias e demandas alucinadas, que têm alimentado o imaginário esquerdista desde o final da Guerra dos Seis Dias, em 1967. Estas constatações são suficientes para repudiar o apoio que Tarso Genro está emprestando ao Fórum Palestino, transformado por ele num evento oficial do estado. Mas os problemas que decorrem da realização deste encontro mundial em Porto Alegre são ainda mais graves do que se poderia esperar de uma algaravia de inimigos de Israel, ainda que disfarçados de pacifistas e moderados. Entre as exigências que os organizadores do Fórum anunciam como decisivas para a pressão junto a governos da Europa, Ásia e América Latina, está a adoção de medidas BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) contra Israel, em conformidade com o que apregoa a própria Organização para a Libertação da Palestina.


As medidas BDS destinam-se às populações e aos governos. Na Europa e nos Estados Unidos, há ONGs especializadas na pregação do boicote ao consumo de produtos israelenses. No Brasil, uma ala considerável do PT tenta convencer o governo a adotar as medidas BDS e persuadir a presidente Dilma Rousseff a agir, na cena internacional, no sentido de isolar Israel. Os organizadores do Fórum Palestina Livre e os grupos políticos internacionais de esquerda que lhes dão sustentação, entre eles a parte do PT a que pertence Tarso Genro, consideram o Brasil um país chave para sua atuação. Na América do Sul, o Brasil é o maior parceiro comercial de Israel. Os dois países mantêm acordos de cooperação tecnológica e de segurança importantes e, mais ainda, várias empresas israelenses estão instaladas no Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul.


A Elbit Systems, por exemplo, uma das grandes indústrias de tecnologia militar de Israel, possui contratos de cooperação com as Forças Armadas brasileiras e fornece equipamentos militares para a Marinha e a Aeronáutica. Sua subsidiária, a Aeroeletrônica Indústria de Componentes Aviônicos S.A (AEL) tem sede em Porto Alegre e atua como centro de produção e apoio logístico de equipamentos eletrônicos de defesa avançada. A AEL é fornecedora de produtos para programas militares e de segurança no Brasil e em vários outros países. Além disso, atua com a Embraer para produzir sistemas de aeronaves não tripuladas de uso militar, como o Harpia Sistemas, que tem sede em Brasília. São empresas estratégicas para o Brasil manter-se atualizado em tecnologia de ponta na área militar.


A organização do Fórum Palestina Livre afirma que principalmente as parcerias das empresas israelenses com o setor militar brasileiro contribuem para manter o que eles chamam de “regime de apartheid” de Israel. Por isso, prepara a denúncia da presença destas empresas no Brasil, como forma de auxiliar, segundo os organizadores do Fórum Palestina Livre, na luta maior contra a “limpeza étnica” praticada por Israel. Não há mentira maior. A acusação feita contra Israel de prática de apartheid é infame. O que os organizadores deste Fórum não aceitam é a própria existência do estado judeu. A sua agenda de propaganda anti-israelense é, também, uma agenda política previamente delineada para influenciar a opinião pública e pressionar o governo brasileiro, de modo a fazer com que se altere a percepção diplomática e negocial tradicionalmente construtiva com relação aos israelenses.


Tudo isto faz parte de um movimento global degradante que, há muito tempo, dedica-se a deformar a imagem de Israel e das comunidades judaicas que o apoiam. Porto Alegre, que colhe os benefícios de possuir uma empresa israelense de ponta e com inserção global, no final das contas, receberá impostores, profissionais da fraude, militantes islamitas e comunistas do mundo inteiro, num Fórum preparado para atacar Israel de todas as formas. É o novo antissemitismo cínico aportando por aqui, com o patrocínio de Tarso Genro.


Luis Milmann é jornalista