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quinta-feira, julho 17, 2008



ESPERANDO CACCIOLA



Cacciola ao contrário do seu nome, dessa não conseguiu se salvar. Muito menos será o Salvatore de quem quer que seja. Logo mais, estará pelas praias tomando um belo banho de sol e rindo, rindo muito. O Cacciola chegou sem algemas e deve ter se divertido ao saber das declarações do presiMente pedindo ao delegado primogenito para voltar ao caso Dantas. Cacciola, com certeza, em suas férias pela Itália, deve ter assistido novelas com melhor enredo do que esta escrita a quatro mãos: delegados rebeldes, juízes malucos, ministro doido e o herói Lulla.

Enfim, Cacciola de volta - o que não significa que o dinheiro voltará - e chegou cantando, revivendo "O Portão" de Roberto Carlos:

Eu cheguei cansado ao Galeão
Meu advogado me sorrindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei!...
Tudo estava igual
Como era antes
Muita sacanagem, não mudou
Juro não fui eu que piorei
E voltei!...
Eu voltei!
Mas não vou demorar
Porque aqui!
Não é o meu lugar
Eu voltei pr'as coisas
Que eu deixei
Eu voltei!...
Fui abrindo a porta devagar
Sem algemas,
livre passarinho
Todo meu passado recordei
Eu chegue!...
Meu retrato ainda na parede
Procurado por todo esse tempo
Como a perguntar
Por onde andei?
E eu falei!...
Onde andei!
Não dá para roubar
Mas aqui!
Aqui é só pegar
Eu voltei!
Mas não devolverei,
Eu voltei!...
Sem saber depois de muito tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei!...
Quando vi dois braços bem abertos
Me abraçaram como antigamente
Com a lingua plesa me saudou
Eu chorei!...
Eu voltei!
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui dá prá roubar
Eu voltei!
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei!..

quarta-feira, julho 16, 2008

INTERROGATÓRIO DE DANIEL DANTAS

Segundo as agências noticiosas (aquelas que usualmente, só falam bem du guverrnu) o Interrogatório de Daniel Dantas na Policia Federal não foi proveitoso.

Daniel Dantas, segundo as mesmas agências, negou-se a responder qualquer pergunta; até porque se eu fôsse ele só responderia no Vaticano na presença de Deus.
No entanto, o Blogando Francamente, num esforço hercúleo, conseguiu de forma absolutamente lícita (dentro da ética petralha) o video do Interrogatório, em primeiríssima mão.
Note-se a clareza e a objetividade nas respostas dadas a cada uma das perguntas:

À saída da PF, Daniel Dantas conseguiu reconhecer o César Tralli, mesmo estando esse valoroso repórter exclusivo disfarçado de coqueiro e deu a declaração a seguir:
- "Se tiverem a coragem de me convocar no Congresso, prometo repetir tudo o que disse na PF, em alto e bom som"

sexta-feira, maio 18, 2007

RUMO AO CHAVISMO


Rumo ao chavismo.





"O artigo 5º da Portaria 264 estabelece as bases para a censura dos programas jornalísticos. Trata-se do maior atentado de Lula à liberdade de informação. Se no futuro ele quiser censuraro Jornal Nacional ou o Fantástico, a Portaria 264 lhe dará o instrumento legal"
Acusei Lula de reintroduzir a censura prévia no Brasil. Eu sei que ninguém mais se incomoda com ele. Eu sei que o antilulismo ficou datado. Mas Lula tem um plano de longo prazo. O risco é termos de aturar o lulismo para sempre.


A censura prévia está sendo reintroduzida por meio da Portaria 264. O artigo 4° determina que os programas de TV, antes de ir ao ar, devem ser vistoriados e autorizados pelo Ministério da Justiça. Mas há algo ainda pior do que isso. Algo que espantosamente parece ter passado despercebido. O artigo 5° da mesma portaria estabelece as bases para a censura dos programas jornalísticos. Trata-se do maior atentado de Lula à liberdade de informação. Se no futuro ele quiser censurar o Jornal Nacional ou o Fantástico, a Portaria 264 lhe dará o instrumento legal.




É melhor ir aos poucos, de frase em frase, para que o AI-5 lulista fique bem caracterizado. O artigo 5° estipula que os programas jornalísticos estão isentos da classificação indicativa. As emissoras de TV não terão de pedir autorização prévia do governo para transmitir seus noticiários, contrariamente ao que acontecerá com os programas de entretenimento. Até aí tudo certo. O autoritarismo do governo só se manifesta mais adiante, no parágrafo 2°, que diz: "A não atribuição de classificação indicativa aos programas de que trata este artigo" -- e, repito, o artigo 5° inclui os programas jornalísticos -- "não isenta o responsável pelos abusos cometidos, cabendo ao Departamento de Justiça e Classificação encaminhar seu parecer aos órgãos competentes".


O significado desse parágrafo é claro: os telejornais estão livres da classificação indicativa, mas terão de se submeter às mesmas regras censórias dos demais programas. Como nos tempos da ditadura militar, o noticiário será fiscalizado e eventualmente punido pelo governo. Quando se trata de Lula, eu sempre penso o pior. Se os telejornais sofrerem as mesmas restrições dos outros programas, como manda o artigo 5° da Portaria 264, a criminalidade, que todas as pesquisas apontam como o maior problema do país, será devidamente acobertada. Em caso de tiroteio numa favela, o Jornal Nacional só poderá mostrar aquilo que uma criança de 6 anos está apta a ver. Lula quer que a TV apresente uma realidade edulcorada, em que a violência não apareça em toda a sua brutalidade. O ideal lulista é um noticiário infantilizado, para menores de idade. Não podendo impedir o derramamento de sangue causado pelos criminosos, Lula impedirá que a TV mostre todo esse sangue.


O diretor do Departamento de Justiça e Classificação, José Eduardo Romão, é o grande defensor da Portaria 264. Na semana passada, irritado com as emissoras de TV, ele ameaçou "mudar o nível" do ataque do governo. Declarou numa entrevista que, a partir de agora, "passará a discutir a questão das concessões de rádio e televisão". As emissoras, segundo ele, falam "como se fossem indivíduos privados titulares de direitos à liberdade de expressão, mas não o são. São titulares de concessões dadas pelo estado brasileiro". Isso mesmo: o Ministério da Justiça lulista está dizendo que a liberdade de expressão não se aplica às TVs. É um passo seguro rumo ao chavismo.




Diogo Mainardi -
VEJA Edição 2009 23 de maio de 2007