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terça-feira, novembro 07, 2017

Silêncio nos cem anos da Revolução Russa



por Karl Schlögel(*).







Feriado que um dia ensejou grandes celebrações poderia hoje servir ao menos para a reflexão na Rússia. Mas Putin tirou apenas uma lição da queda do Império



O 7 de Novembro, aniversário da "Grande Revolução Socialista de Outubro", era o feriado mais importante do calendário soviético, antes até do 1º de Maio e também do Dia da Vitória, o 9 de Maio. Havia desfiles, corais e fogos de artifício.

Agora, no jubileu de cem anos, o clima não é de festa. Em muitos países haverá ao menos exposições e conferências sobre esse "evento único a cada século", mas, nos palcos originais, na Rússia, predominam o desinteresse e a indiferença.

A ideia de encenar o "Ataque ao Palácio de Inverno", em São Petersburgo, foi rejeitada.

Ataque ao Palácio de Inverno


Isso faz surgir a pergunta: o que significa esse silêncio a respeito de um evento que, ao longo de quase cem anos, foi festejado como marco fundador da União Soviética e cisão na história mundial?

E por que, no lugar da celebração da revolução, foi criado um novo feriado, em 2005: o Dia da Unidade Popular, em 4 de novembro? O dia lembra a expulsão dos poloneses de Moscou, em 1612, e, com ela, o fim do período conhecido como Tempo de Dificuldades e o começo do domínio da dinastia Romanov.

Uma espiada nos jubileus passados mostra que cada época teve sua própria interpretação do Outubro Vermelho. Em 1927, no décimo aniversário, Sergei Eisenstein produziu as imagens do ataque ao Palácio de Inverno, que nunca aconteceu daquele jeito, e um dos heróis, Leon Trótski, foi vitimado em favor dos retoques na história.

Em 1937, os festejos coincidiram com o Grande Expurgo desatado por Josef Stalin, o qual incluiu também o assassinato de figurões da "Velha Guarda" revolucionária.

A parada militar de 1941, na Praça Vermelha, tornou-se lendária porque ela demonstrou que Moscou poderia resistir ao ataque dos alemães. Em 1957, ou 20 anos depois do Congresso que condenou o culto à personalidade de Stalin, já não se falava mais sobre o suposto papel de liderança dele no Outubro Vermelho, mas do retorno ao "leninismo autêntico".

No jubileu de 50 anos, em 1967, o destaque era a presença de personalidades, principalmente do então chamado Terceiro Mundo.

A partir daquele ano, o jubileu se tornou cada vez mais um feriado com tons populares, longe da política. E em 1987, depois do início da Glasnost e da Perestroika, ganhou peso o debate sobre uma interpretação radical da Revolução Russa e suas consequências: pessoas que até então eram tabus, como Nicolai Bucharin, reapareceram, e escritos proibidos durante décadas voltaram a ser impressos em larga escala.

Nos anos 1990, o interesse pelo feriado arrefeceu, e ele passou a ser lembrado apenas por membros do diminuto Partido Comunista. Pelo jeito, as pessoas estavam mais ocupadas com os problemas cotidianos do período pós-soviético do que com os "ideais de outubro".

E hoje? Na verdade, a crescente desigualdade social, a violência e a instabilidade – também mundo afora – recomendam a reflexão sobre os motivos dessas tensões e sobre a necessidade urgente de reformas. A evocação da unidade contra o inimigo externo e seus agentes não conseguiu salvar o Império Russo, que desabou sob o peso da Primeira Guerra Mundial.

E também hoje não oferece nenhuma perspectiva para a Rússia pós-soviética. Todos sabem que as dificuldades para a modernização do país estão nos problemas internos.

A recriação do Império Russo, em 1922, sob a forma da União Soviética, mais uma vez sobrecarregou a Rússia com o peso de um império multiétnico e bloqueou por décadas a sua transformação numa nação de cidadãos modernos e autoconfiantes.



A política de Vladimir Putin tirou apenas uma lição do fracasso do império do czar: o medo da mudança e a manutenção da ordem a quase qualquer preço. Mas isso é muito pouco em tempos em que a modernização do país só pode ocorrer com os cidadãos e as instituições para isso necessárias, e não contra eles ou sem eles.

Fonte: defesanet.com.br
(*)Karl Schlögel é historiador especializado em história russa moderna e stalinismo e ex-professor na Universidade Viadrina, em Frankfurt ao Oder.

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Mentiras alucinantes na imprensa socialista chinesa.






por Luis Dufaur

A foto Manipulada antes e depois



Qualquer ministério da falcatrua informativa e ideológica dificilmente bate os recordes de antologia verificados na China. Alguns, porém, defendem que talvez na Rússia de Putin o nível de falsidade seja superior.

O orwelliano Ministério da Verdade não é uma invenção novelesca. Ele existiu, e existe ainda!

Muitos o surpreendem quase dia com a mão na massa, agindo em certa grande mídia tida como respeitável e em alguns governos – aliás, não poucos– empossados legal ou ilegalmente.

Porém, qualquer ministério da falcatrua informativa e ideológica dificilmente bate os recordes de antologia verificados na China. Alguns, porém, defendem que talvez na Rússia de Putin o nível de falsidade seja superior.

Decida o leitor.

Em março de 2014, apareceram boiando no rio Huangpu, que passa por Xangai, milhares de carcaças de porcos em avançado estado de putrefação.

Uma granja estatal reconheceu que tinham morrido tantos porcos, que não dava para enterrá-los. Então eles foram sumariamente jogados no rio.

A causa detectada foi uma epidemia de circovirus suíno. Funcionários sanitários passaram vários dias para retirar os porcos que estavam na superfície.

Os moradores de Xangai ficaram estarrecidos, porque é desse rio que a prefeitura extrai a água potável da cidade.

Porém, a mídia do governo, segundo noticiou a CNN, defendeu que a água estava boa e que não apresentava sinais de poluição.

Um usuário da Weibo (o Twitter chinês) perguntou ironicamente: “Desde quando achar porcos apodrecidos boiando no maior rio não é um problema público de saúde?”

E outro acrescentou: “Se aparentemente a água não está contaminada, vinde, ó nossos grandes líderes, tomar o primeiro gole!”
Fraude com a foto do “homem do tanque”


A agência de notícias oficial Xinhua, que funciona como a própria boca do Partido Comunista Chinês, remodelou com tecnologia digital a famosa foto do “homem do tanque”, segundo informou o“The Epoch Times”, jornal chinês com sede em Nova York.

Os fotógrafos flagraram um simples cidadão, Wang Weilin, que conseguiu deter uma coluna de tanques que avançava rumo à Praça Tiananmen, no centro de Pequim, no dia 4 de junho de 1989.

Pouco depois, os mesmos tanques esmagaram os protestos dos estudantes que pediam a liberalização do regime e o fim da ditadura comunista. Foi o massacre de Tiananmen que marcou uma data simbólica na repressão socialista.

A foto é rigorosamente proibida na China.

A agência oficial Xinhua produziu uma versão “politicamente correta” da foto. Nela o milhares de pessoas em ambos os lados da avenida foram acrescentadas, dando a impressão de que estão ovacionando a passagem dos tanques.


Governo fez desaparecer sem investigação os resto do trem-bala de Whenzhou.

Em julho de 2011, dois trens-bala colidiram em Wenzhou, na província de Zhejiang. Meia dúzia de vagões descarrilou e quatro outros caíram do alto da ponte por onde circulavam.

O número definitivo dos mortos foi mais de 40, além de 200 feridos.

Nenhum dos grandes jornais do Estado sequer mencionou o grave acidente. As autoridades mandaram tratores e rolos compressores esmagar os vagões precipitados do alto, sem tirar os corpos de dentro.

Tudo ficou sepultado e encoberto, sem qualquer possibilidade de se saber quem ficou ali para sempre e as causas do desastre.

O governo disse que não houve sobreviventes, mas operários que esmagavam os restos narraram ter encontrado uma menina viva.

Interrogado no dia seguinte durante uma conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério das Ferrovias, Wang Yongping, explicou: “Eles me disseram que enterraram os vagões para facilitar os trabalhos de resgate”.

Alguém lhe perguntou como explicava o caso da menina viva. O porta-voz do ateísmo não achou melhor resposta do que dizer: “Foi um milagre. Ainda que você não acredite em milagres, de qualquer forma eu acredito”.

A indignação popular foi grande diante do tratamento oficial do desastre, pois visou abafar o acontecido e sumir grosseiramente com as provas.

Um usuário da rede social Sina Weibo ironizou: “Este é um país onde uma tempestade de raios pode fazer colidir os trens, onde um carro pode fazer cair a ponte e onde beber leite (contaminado segundo instruções do Ministério da Saúde) produz pedras no rim… A China hoje parece esse trem viajando a toda velocidade numa tempestade de raios – e nós somos os passageiros dentro dele”.

quarta-feira, abril 08, 2015

Putin defensor dos valores cristãos?: elo da corrente de mentiras da nova KGB, diz arcebispo.







Em entrevista de imprensa na sede da Rádio Vaticana, segundo informou o site “La Nuova Busssola Quotidiana”, Mons. Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor do rito greco-católico, disse ter advertido o Papa a respeito de afirmações da Santa Sé que podem ser associadas à propaganda russa.

Mons. Shevchuk esteve em visita ad limina a Roma, juntamente com mais de vinte bispos católicos ucranianos dos ritos latino e bizantino. Os prelados transmitiram a Francisco a dramática situação que vive seu país.

“Para descrever o que acontece na Ucrânia, disse ele no início da entrevista, só se pode usar uma palavra: invasão estrangeira e não conflito civil”.

A expressão “guerra fratricida” havia sido usada pelo Pontífice na audiência do dia 4 de fevereiro com particular infelicidade. Ela suscitou fortes reações nos ambientes católicos ucranianos e verdadeiro entusiasmo entre os seguidores de Vladimir Putin, entre os quais se destacou o Patriarcado de Moscou.

A expressão “guerra fratricida”, explicou o arcebispo de Kiev, feriu a sensibilidade do povo ucraniano, pois ecoa a visualização do conflito ucraniano espalhada pela “propaganda russa”.

“Expliquei pessoalmente ao Santo Padre quais são as vítimas e quais são os agressores”, acrescentou o alto dignitário.

Durante a visita ad limina, o Papa ouviu os pungentes relatórios dos bispos, e fez falar primeiro os bispos da Criméia e das regiões ocupadas por agentes obedientes a Moscou e soldados russos.

As cinco paróquias greco-católicas da Criméia receberam ordem de se recadrastrarem, mas o novo registro lhes foi negado nas três vezes que tentaram.

“Tememos que se trate de um expediente para privar de estatuto legal a nossa Igreja, como já aconteceu em 1946 sob o regime soviético”.

Os postos da Caritas Ucrânia acolhem diariamente por volta de 140 mil pessoas. Dom Sviatoslav explicou: “Apelei a Francisco a fim de que convoque uma iniciativa humanitária internacional”. Até o momento não há notícia a respeito.

Em relação ao Patriarcado de Moscou, que tem adeptos na Ucrânia, o arcebispo explicou que “é difícil colaborar com pastores incapazes de respeitar seus fiéis. Uma hierarquia eclesiástica que se alinha com o poder contra o próprio povo perde credibilidade”.

O chefe do rito greco-católico ucraniano mencionou a angústia e o desconcerto dos ortodoxos ucranianos ligados à Igreja Ortodoxa Russa. Esses seguidores não entendem que o “próprio patriarca possa se ter tornado porta-voz do agressor”.

Para D. Sviatoslav, a Igreja Ortodoxa Russa virou uma poderosa arma de desinformação que está trazendo males aos próprios cidadãos russos.

“Muitos russos de fato não sabem que seus soldados estão sendo mortos. Inclusive pelo bem deles é preciso desmontar esta corrente de mentiras”.

Também faz parte dessa “corrente de mentiras” a imagem falaz, forjada pela propaganda russa, de um Putin defensor dos direitos cristãos.

“Eu sou um filho da Igreja perseguida pela União Soviética – disse o arcebispo – e sei bem que a KGB [N.R.: polícia política comunista na qual se formou Putin] jamais difundiu os valores cristãos, mas se serviu deles com finalidades políticas.

“Eu não acredito que quem sacrifica um milhão de vidas para atingir objetivos geopolíticos possa estar animado por valores cristãos. Não sejamos ingênuos”, concluiu.


segunda-feira, março 23, 2015

Aleksandr Dugin: Ideólogo de Putin logra desavisados no Ocidente.








Aleksandr Dugin: Ideólogo de Putin logra desavisados no Ocidente.

por Luis Dufaur para o IPCO




Aleksandr Dugin (direita): em protesto esotérico-religioso
com sacerdote ‘ortodoxo’ contra a Ucrânia



O ideólogo russo Alexander Dugin, conhecido apenas em minúsculos círculos esotéricos, veio se projetando nos últimos anos pelo fato de Vladimir Putin tê-lo escolhido como seu ideólogo predileto.

O Kremlin fez dele uma espécie de porta-voz filosófico para lograr certa intelligentsia ocidental.

Ignora-se ao certo se Putin acredita no que diz Dugin, pois nos pragmáticos discursos do chefe do Kremlin é difícil achar a embaralhada verborragia ocultista de seu ideólogo.

Porém, o ditador se enfeita ostentando um pensador de seu agrado, embora assaz escuro, contraditório, místico-panteísta e com fulgores satanistas.

Dugin propala, sem ser desmentido pelo seu patrão, a ideia de uma Rússia liderando um “Império Euro-asiático”. A proposta ecoa o sonho leninista de uma revolução mundial que encaixaria todas as nações na União de Repúblicas Socialistas Soviéticas ingloriamente fracassada.

Dugin não duvida em atrelar a essa “nova URSS euro-asiática” países como Áustria, Hungria, Romênia, Servia e Eslováquia, que sofreram na própria pele a ferocidade da escravidão soviética e que deram o sangue de seus melhores filhos para dela se libertar.

Para Dugin, a Rússia deve anexar completamente a Ucrânia e exterminar os ucranianos, especialmente os católicos. A Polônia é, para ele, um “erro histórico”, pois são eslavos que não pertencem à igreja cismática russa.


Para Dugin, a Rússia deve anexar completamente a Ucrânia e exterminar os ucranianos, de modo muito especial os católicos, segundo reportagem do International Businnes Times.

Dugin também ensina que a Polônia é um “erro histórico”, pois são eslavos católicos que não pertencem à igreja cismática russa presidida pelo Patriarca de Moscou.

Pelo fato de professarem a fé católica, os poloneses teriam degenerado da raça eslava, não têm lugar em seu oculto universo cósmico e devem ser suprimidos.

Dugin também prega o desaparecimento dos países próximos dos EUA, inclusive os europeus, que deveriam ser anexados pela força ao “Império Euro-asiático”. Essa seria a exigência de fenômenos geográficos ou de forças telúricas a que ele atribui um poder materialista absoluto e incoercível.

O mais espantoso é que Dugin conseguiu fazer adeptos no mundo dos futuros escravos do “Império Euro-asiático”.

Centenas de “voluntários” vindos da Rússia
 ingressam na Ucrânia, segundo flagrou a OSCE

Para esses enganos ele usufruiu de antigas amizades. Estas provêm da rede de “grupos de influência” que a URSS espalhou outrora no Ocidente. A rede atravessou incólume e impunemente o período da transição da “URSS 1.0” para a “URSS 2.0”, como dizem as juventudes putinistas.

sábado, dezembro 13, 2014

Putin elogia aliança entre Hitler e Stalin.



Putin elogia aliança entre Hitler e Stalin.
por Luis Dufaur







Não há segredo, mas houve muita ocultação nos manuais ocidentais de história: Hitler e Stalin foram grandes aliados e desencadearam conjuntamente a II Guerra Mundial.

E, em certo sentido, essa aliança, aparentemente rompida no transcurso da guerra, nunca deixou de funcionar. E perdura como se nunca tivesse sido quebrada.

Mas muitas pessoas no Ocidente foram enganadas por uma propaganda e uma visualização confusa dos fatos.

Agora o presidente russo Vladimir Putin acaba de reafirmar – mais uma vez, aliás – a simpatia de Moscou pelo tratado de não-agressão de 1939 entre os dois ditadores europeus.



Putin convocou diversos pesquisadores e acadêmicos para produzir trabalhos defendendo que ao assinar o Pacto Ribbentrop-Molotov, também conhecido como Pacto Hitler-Stalin, a URSS não fez nada de mau.

A reunião com os acadêmicos foi referida pelo site alemão Spiegel Online, pelo The New York Times e pelo diário britânico The Telegraph, citados pela radio oficial alemã “Deutsche Welle”. 

Putin declarou que toda pesquisa digna de crédito deveria chegar à conclusão de que o acordo entre os dois ditadores era parte dos métodos de política externa da época. Obviamente, o historiador que não demonstrar isso perderá crédito e sua carreira estará liquidada na “nova URSS”.

“A União Soviética assinou um tratado de não-agressão com a Alemanha. As pessoas dizem: 'Ah, isso é ruim.' Mas o que há de ruim no fato de a URSS não querer lutar?”, sofismou o líder russo.

Putin queixou-se de que a potência russa é acusada de ter dividido a Polônia. Mas, segundo ele, quando a Alemanha atacou o país, os poloneses faziam parte da Checoslováquia. Se alguém entendeu a lógica do argumento, por favor, avise.

Para ele, segundo “The Telegraph”, o acordo nazi-comunista foi no fundo bem feito pela Rússia e acabou sendo bom.



Moscou negava cinicamente a existência do pacto Ribbentrop-Molotov até 1989. Mas não adiantou silenciar a verdade ovante.

Assinado pelo ministro do Exterior do Terceiro Reich, Joachim von Ribbentrop, e pelo seu homólogo soviético Viatcheslav Molotov, o tratado garantia à Alemanha que a URSS permaneceria neutra no caso de uma ofensiva contra a Polônia.

Em 2009, na cerimônia pelos 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial, em Gdansk, Putin já havia tentado defender o Pacto entre Hitler e Stalin.

O acordo com a Alemanha hitlerista permitiu a invasão conjunta nazi-soviética da Polônia que foi o estopim da II Guerra. Mas Putin fugiu pela tangente alegando que não foi a única causa e, tal vez não teve culpa nenhuma.

Putin repete o velho realejo comunista anti-capitalista: a culpa pelas atrocidades de Adolf Hitler é dos capitalistas e dos anglo-saxões.

De fato, em 1938, os governos amolecidos da Inglaterra, a Itália e a França assinaram o vergonhoso Acordo de Munique, em que entregaram os pontos diante da Alemanha nazista.

Mas houve pessoas ilustres até no Brasil como Plinio Corrêa de Oliveira que execraram esse acordo.

O próprio Putin lembrou no encontro com os historiadores, que o futuro primeiro-ministro britânico Winston Churchill censurou o Acordo de Munique dizendo: “Agora a guerra é inevitável”.

Na verdade, a famosa apóstrofe de Churchill, em 3 de outubro de 1938, foi mais incisiva: “Tínheis que optar entre a guerra e a vergonha. Escolhestes a vergonha e tereis a guerra”.

É o que muitos pretensos defensores de Ocidente parecem fazer hoje, ao contemporizar com Vladimir Putin e com suas invasões de países vizinhos!




Luis Dufaur, escritor, edita o blog Flagelo Russo.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Festa dos Jogos Olímpicos na Rússia glorifica Stalin e URSS.









Festa dos Jogos Olímpicos na Rússia glorifica Stalin e URSS.

por Luis Dufaur


A inauguração dos Jogos Olímpicos de inverno em Sochi, Rússia, transmitiu uma mensagem de forte conteúdo soviético seguindo o desejo do presidente Vladimir Putin, destacou Olivier Ravanello no Yahoo! Actualité. 

Numa apresentação sobre gelo com grande quantidade de figurantes – e muitos erros técnicos – os bailarinos do Bolchoï retrataram a história da Rússia com maldissimulada ênfase no criminoso período bolchevista, seus cortejos de mortos, campos de concentração, prisioneiros políticos, o terror, a fome e a guerra de classes nacional e internacional.

A surpresa tomou conta dos entendidos presentes quando os bailarinos ergueram a foice e o martelo comunista e dois perfis humanos característicos da propaganda soviética stalinista. 

Os observadores perceberam os elogios simbólicos ao ditador Stalin. Eles despertaram a lembrança dos holocaustos de milhões de ucranianos pela fome, o envio à Sibéria de centenas de milhares de opositores, o terror estabelecido pelo Partido Comunista sobre todo o país, e as falsidades da propaganda soviética para promover um regime intrinsecamente perverso.



A festa de Putin a seu predecessor aconteceu como se historiadores, escritores, e os próprios russos não tivessem denunciado aquela realidade histórica carregada de horrores.

Porém, Putin podia fazê-lo sabendo que no Ocidente, a quem se dirigiam especialmente as mensagens pro-soviéticas, ressuscitam estranhamente saudosistas e entusiastas do sistema stalinista.

E isso na ordem civil e na eclesiástica, como no MST brasileiro, “cartoneros” argentinos e na Teologia da Libertação que ganha importantes posições.

Não à toa, Putin pôs no cenário para o planeta inteiro ver, aquilo que ele defende há tempos: “A queda da URSS foi a maior catástrofe do século XX”. 

E para a restauração da URSS está trabalhando ditatorialmente e de modo cada vez menos encapuçado na Ucrânia.

E endossando vestes eclesiásticas até no seio da Igreja Católica pelo Ocidente afora.






Luis Dufaur é escritor e edita o blog Flagelo Russo.