domingo, agosto 19, 2012

HEZBOLÁ MARCHA EM LONDRES.


Israel "vai desaparecer do mapa", diz líder supremo do Irã.
A afirmação foi feita pouco antes de um evento (Al Quds) nesta sexta-feira contra o Estado judeu.

Teerã - Israel é uma "excrescência" artificial no Oriente Médio que "irá desaparecer", afirmou o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, antes de um evento nesta sexta-feira contra o Estado judeu e em apoio aos palestinos.


A cerimônia do Dia de Jerusalém (Al-Quds) teve início em 1979 após a fundação da República Islâmica. Os protestos utilizam a palavra Quds, derivada do árabe, para designar a cidade de Jerusalém.

Khamenei, em um discurso na quarta-feira, falou que a "estrela da esperança" que brilhou no Irã durante sua Revolução Islâmica e na guerra de 1980-1988 com o Iraque "também irá brilhar pelos palestinos e sua terra islâmica será devolvida definitivamente à nação palestina".

Ele atacou Israel ao afirmar: "Esta artificial e falsa excrescência sionista vai desaparecer do mapa".

O evento de sexta-feira, afirmou, será "um duro golpe para os inimigos do Islã e da Palestina", e acrescentou que o Irã vê o apoio à causa palestina como "um dever religioso".

A celebração do Al-Quds neste ano ocorre em meio a um aumento de tensões entre Irã e Israel.

O Estado judeu tem aumentado sua retórica belicosa ao ameaçar atacar as instalações nucleares da República Islâmica, que Israel acredita que sejam utilizadas para desenvolver armas atômicas que poderiam destruir seu país.

O Irã nega as acusações, e afirma que seu programa nuclear tem fins puramente civis.

Fonte: http://exame.abril.com.br

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Do The New English Review (Sexta feira, 17 de agosto de 2012):

Al Quds Day march - London 2012


To London to join with March for England and those members of the Casuals and EDL who could get time off work to counter the annual Al Quds march through Ramadan. This has been widely advertised on London’s buses, much to our disgust.

The march started to form up behind the BBC building in Portland place. We could hear a rather hyper-active young man with a northern accent trying to fire up the gathering crowd.

Give me a T, give me an A what have you got - takfir…..!!!!

Jews from Neturei Karta arrived and at 4 pm the march moved off. These are a selection of photographs of the banners and the type of person who attended. Hijabed stewards handed out exactly the same flyers that I was given back in 2009 – Zainab is still wailing outside her olive grove.


There is a line in the Fiddler on the Roof song Matchmaker 'You bring the Bridegroom, slender and pale'. Not that slender and not that pale, please!
 
Marching past the BBC (above) and All Souls Church (below)



Being a dozy bint is not confined to the young women.

The march made its way slowly down Regent Street; we moved quickly to Grosvenor Square to see it form up outside the embassy.

There was a large police presence. There was a pen to the side of the embassy for March for England but they were told they were not compelled to stay in it but safety could not be guaranteed within the garden if any of the Al Quds marchers recognised them. We believe that the robust challenge to this march in previous years (when it was held on a Saturday or Sunday) is the reason the organisers decided to change to a Friday (albeit that the third Friday of Ramadan was the day originally decreed by the Ayatollah Khomeni) when it would be difficult for working men and women to get time off.

The march formed up and speeches began with the assistance of a large screen for those at the back. It began with a recitation from the Koran and continued with a speech from Rabbi Jacob or Yaqub who was wearing a PLO scarf.




The hyper-active young man above aspires to be Freddie Mercury I fear.

Zionism has got to go – say eh oh, say eh oh.

It was less stadium rock and more Teletubbies.

The next speaker was Sister Saracena who declaimed one of her ‘poems’.

“They shoot my neighbours of the hell of it . . .

They say I am a terrorist because I wave my flag

I will wave my flag till all they can see

Is red, white, green and black, “




Some of the men of March for England made a formal complaint about the presence of the green and yellow Hezbullah flags with their picture of the AK47 rifle and promotion of violence. They asked the police to have them removed as this promotion of terrorism is offensive. I don’t know what the police said to the Al Quds organisers but the complaint did reach them. The gathering was told from the platform to ‘keep the flag up, enjoy it, it’s a beautiful flag, we love it, mwah, mwah, mwah (kissing noises and gesture)’

The next speech was from one of the Mullahs (or so I took him to be from his turban)

He said ‘Israel must be wiped off the map. Iran will not wipe Israel off the map. No country will wipe Israel off the map. Israel will wipe itself off the map.”


People were starting to drift away from the rally. Sneaky cigarettes and drinks from bottles of water were being taken behind posts. Mothers had been supervising their children playing by the fountain for some time. The usual suspects Yvonne Ridley and Lauren Booth were due to speak but I had not spotted them in the march past. Groups of youths were suddenly much in evidence and I decided we could live without hearing Ridley yet again. It seemed like a good time to leave.

Photographs by E Weatherwax and S Sto Helit. August 2012 London

sábado, agosto 18, 2012

Ideologia Versão 2.0.



por Herman Glanz –



A guerra da propaganda também é uma forma de guerra. Criando subliminarmente ideias de ódio e destruição de quem têm como inimigo, a propaganda vai fazendo os estragos, conquistando adeptos e servindo para derrotar o inimigo.

Porque começamos com estes esclarecimentos? Porque se observa uma guerra que se arrasta há bastante tempo para destruir o Estado de Israel pela propaganda, no caso enganosa. Trata-se falar em “territórios ocupados” e criação de um Estado Palestino, entendido para os novos palestinos, porque os palestinos anterior-mente eram os judeus. Quando não havia o Estado Judeu, o slogan era “Judeu, vá pra tua terra, Judeu, vá para a Palestina. Hoje escuta-se: Judeu, fora da Palestina. E deve-se dizer que “territórios ocupados” nada têm a ver com Estado Palestino.

Entendamos: o Estado de Israel, o Lar Nacional Judaico, foi criado pela antiga Liga das Nações, substituída pela Organização das Nações Unidas depois da Segunda Guerra, mas mantendo todas as decisões anteriores. Uma nova divisão da-quela Palestina destinada ao Lar Nacional Judaico, a tal “Partilha” não foi aceita pelos Estados Árabes vizinhos – Egito, Jordânia (naquele tempo chamada de Transjordânia), Líbano, Síria, além do Iraque e Arábia Saudita, que fizeram a guer-ra contra o recém-criado Estado de Israel e ocuparam Gaza, a Margem Ocidental e Jerusalém velha.

Tais territórios nunca foram territórios do Egito ou da Jordânia. Foram ocupações desses países vizinhos de Israel, porque não aceitam, de modo algum, um país não muçulmano na região. A Palestina, pelas Nações Unidas, era todo o território entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão, depois de subtraído o território para criar a Jordânia. Essa ocupação pelos países vizinhos ocorreu porque não havia ‘povo palestino’ – nunca houve antes um povo palestino que não fosse o povo judeu. Logo, a Palestina toda, do “mar até o rio” era o território de Israel, considerando que a “Partilha” não foi aceita pelos árabes. Com a ocupação do Egito e Jordânia, Israel ficou restrito às linhas do armistício de 1949, que pôs fim à Guerra de 1948.

Nunca houve fronteiras. Quando Israel expulsou o Egito e a Jordânia das terras de Gaza e Margem Ocidental, em 1967, apenas retirou intrusos. Portanto não são terras ocupadas por Israel – foram terras ocupadas pelos países vizinhos, que não aceitaram a “Partilha”. Se essas terras passarem a ser “terras ocupadas” por Israel, todo o Estado de Israel será, também, “território ocupado”. Aliás, é o que diz a Carta Palestina da OLP – a de 1964, era acabar cm Israel pré-1967. Depois, em 1968, emendaram a Carta para libertar todo Israel, tudo sendo “territórios ocupados”. E a Carta da OLP continua em vigor, nunca foi emendada – o objetivo é erradicar Israel do mapa.

A recente comissão presidida pelo Juiz aposentado da Suprema Corte de Israel, Edmond Levy, concluiu assim:

“Do ponto de vista da Lei Internacional, e as clássicas leis a respeito de “ocupação”, conforme constam de importantes Convenções, não podem ser aplicadas às circunstâncias legais e históricas, que são únicas e ‘sui generis’, considerando a presença de Israel na Judéia e Samária há décadas.

Além do mais, as disposições sobre transferência de populações, não podem ser consideradas aplicáveis e nunca houve intenção de aplicá-las ao tipo de atividade de loteamente e construções desenvolvidas por Israel na Judéia e Samária. Por isso, de acordo com a Lei Internacional, os israelenses têm o direito legal de se estabelecer na Judéia e Samária e a criação de loteamentos não pode, por si, ser considerada ilegal.

Por outro lado, tais fatos nada têm a ver com a criação de um Estado Palestino. Caso haja decisão em tal sentido, porque os loteamentos não poderão integrar o novo Estado? Se é porque os israelenses seriam massacrados, então não se pode criar um Estado hostil, apartheid, judenrein. É um absurdo que não se pode tolerar. Quem não quiser permanecer num tal novo Estado, que se mude para dentro do que ficará sendo Israel. Veja-se que em Gaza, por decisão do então governo de Israel, não existem judeus, está judenrein, e os ataques a Israel continuam. Um Estado assim criado poderá fazer acordos com outros países e tornar a defesa bastante difícil. Veja-se o que ocorre na Síria. É de um cinismo a declaração do Presidente russo, Putin, de lamentar o insucesso da missão de Kofi Anan, pois foi a Rússia (e a China) quem torpedeou a diplomacia de paz.

Não precisamos falar dos nazistas que são sempre contra os judeus. Lamen-tavelmente, uma esquerda adotou o lado palestino e até gente nossa, sem coragem de contrariar essa parte da esquerda, comunga dessa posição pró-palestinos. Chamamos a isso de suicidas, porque se colocam contra si mesmos.

Precisamos esclarecer, esclarecer e esclarecer sempre contra essa indecorosa Ideologia versão 2.0

Para o Pletz.

sexta-feira, agosto 17, 2012

O IRÃ NÃO ESTÁ DORMINDO.


(Título original do artigo: Internacional Teocrática)
por Paulo Rosenbaum(*)


Acabaram-se as Olimpíadas mas a vibração continua fora dos campos e das raias olímpicas. O brasileiro – até as padarias tem deixado a tela acesa na TV Justiça – ainda espera pelo justo, e sem compreender a linguagem jurídica a conversa que se ouve nas ruas é “vamos ver no que isso vai dar”.

Mas hoje o mundo opera numa simultaneidade caótica. Sempre foi assim, a diferença é que a informação online nos obrigou à onisciência. Enquanto o mensalão é debatido, num canal de tevê paga pode-se assistir o documentário sobre quem são os atuais líderes do Irã. Imaginem, mas a realidade é pior do que parece. A estratégia persa para controlar a região é estarrecedora.

Explicitamente o regime dos aiatolás e sua guarda revolucionária traçaram planos onde mundo é o limite. Graças aos bons negócios que empresários europeus e de muitos outros países fazem no mercado negro o boicote internacional simplesmente não tem funcionado, faliu, conforme as câmeras da TV britânica provaram. O mercado central de Teerã repleto de mercadorias de última geração, dos americanos aos chineses. Plataformas e tecnologia para extração do petróleo foram compradas da China depois que os Estados Unidos e União Europeia se recusaram a vendê-las ao iranianos. Componentes para usinas atômicas estão chegando em dia, da Coreia do Norte e Rússia, sem prejuízos ao cronograma para obter a bomba nuclear.

A verdade é que o regime de Teerã se internacionalizou e é com essa ideologia que eles tem aumentado a presença em vários pontos do globo. Depois que G. W. Bush nos fez o favor de trocar o regime em Bagdá a “internacional teocrática” aportou com força total no Iraque e já desestabiliza países na África. A presença de assessores militares iranianos e agentes políticos dentro das fronteiras iraquianas é crescente. Nas palavras de um jornalista iraniano que preferiu o anonimato: “eles sempre consideraram o Iraque como parte do Irã, ainda sonham com o grande império persa”.

A recente prisão de agentes da guarda revolucionária iraniana em Aleppo e a troca de agrados verbais entre Damasco e Teerã, também são pistas importantes para rastrear as intenções dos sucessores de Khomeini. Os assessores militares iranianos se uniram às equipes de extermínio de Assad fornecendo armamentos e logística para a indústria do massacre na Síria. Teerã assegura casa e comida para o clã sírio se tudo der errado. A ONU e a comunidade internacional seguem expectadoras. De onde vêm todo este descaso com os consensos internacionais?

No front, a dobradinha AA, Assad-Ahmanejahd já tem pronto planos derivacionistas como provocar alguma reação norte-americana ou reativar os conflitos com Israel na fronteira ao norte para criar um foco mais sustentável enquanto finalizam o serviço genocida sobre o povo sírio. A planilha incluiria ataques contra alvos via Hezbolhah repassando o máximo de armamentos para a organização terrorista que há décadas constrói sistemas de bunkers e já conta com um expressivo arsenal subterrâneo de mísseis.

Ninguém é santo no tabuleiro explosivo dos jogos de poder, a diferença brutal é que quando Israel, EUA ou qualquer país democrático faz das suas, a imprensa livre – cada vez mais comprometida — tem um colossal alcance e assim exerce poder sobre a opinião publica interna e externa. Completamente diferente dos outros países no oriente médio, inexiste liberdade de expressão. Como tudo é filtrado – destarte passado como realidade — espalham-se ainda mais as fronteiras do rancor antissionista e antiamericano.

Como se não bastasse o apetite pelo jihadismo internacional, os aiatolás de longo alcance estão muito provavelmente por trás de recentes atentados terroristas com tendência a abrir filiais na América do Sul, notadamente na tríplice fronteira. Além do escandaloso e ainda impune atentando contra a AMIA em Buenos Aires, os países da tríplice aliança seguem fazendo vistas grossas a estas perigosas aproximações. Problema grave, especialmente para o Brasil, com a proximidade de dois eventos de relevância mundial.

Para completar suas metas o ditador iraniano vem usando as facilidades oferecida pelo companheiro da Venezuela e paga a conta com pesados investimentos em infra estrutura e campanhas eleitorais. Ninguém se espante se sob os auspícios de Hugo Chaves, e a conivência de Brasília, contarmos com o Irã como próximo convidado do Mercosul.

O que os roteiristas e assistentes esqueceram de prever no script é que a maioria não é corrompível, há exaurimento crescente pela sensação de já termos sido suficientemente manipulados e ninguém mais quer ser escravo da causa nem viver sob o cutelo de quem diz encarnar a divindade.

(*)Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

Paulorosenbaum.wordpress.com

quarta-feira, agosto 15, 2012

Ajuda Humanitária e a Corrupção.






Você quer dar seu dinheiro para ajudar aqueles que precisam?.

-2,7 bilhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares por dia. A Autoridade Palestina recebe mais ajuda per capita que qualquer outro país. Dinheiro que, em grande parte, some. O que vem a seguir são apenas alguns exemplos de dinheiro desperdiçado que poderia ter sido usado para consertar o mundo.

-2.500 dólares mensais para Marwan Barghouti, que assassinou 26 israelenses, poderiam ter servido para dar liberdade a 200 meninas exploradas na Tailândia.

-1,5 milhões de dólares para a residência de luxo do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, poderiam ter servido para dar água tratada a 86.700 pessoas em Serra Leoa.

-1,9 milhões de dólares de ajuda dos EUA destinados ao partido do Fatah para vencer as eleições de 2006, vencida pelo Hamas, poderiam ter sido investidos em clínicas de saúde para 390 mil pessoas no Congo.

-22 milhões de dólares anuais para a esposa de Yasser Arafat, Suha, poderiam ser investidos em medicamentos para o tratamento de AIDS para 600 mil pessoas na Suazilândia.

-50 milhões de dólares para o cassino Oasis em Jericó, fechado dois anos depois, poderiam ter sido destinados para plantar 8,3 milhões de árvores frutíferas em Botsuana.

-7,4 bilhões de dólares prometidos à Autoridade Palestina entre 2007 e 2010, poderiam ter alimentado 100 milhões de crianças morrendo de fome no Afeganistão, Angola, Bangladesh, Benin, Butão, Burkina Faso, Burundi, Cambodja, Cabo Verde, Chad, Camarões, Dijibouti, Etiópia, Erítrea, Gambia, Guinea, Haiti, Kirbati, Laos, Lesoto, Libéria, Madagascar, Malawi, Maldivas, Mali, Mauritânia, Moçambique Myanmar, Nepal, Nigéria, Ruanda, Serra Leoa, Somália, Sudão, Tanzânia Togo, Uganda, Yemen e Zâmbia.
A comunidade internacional dá 6 bilhões de dólares de ajuda sem questionar para onde o dinheiro vai, enquanto o resto dos necessitados do mundo apenas aguardam e perguntam... E nós?
Fonte: FME http://www.freemiddleeast.com/

segunda-feira, agosto 13, 2012

DIREITOS HUMANOS.



Editorial da Gazeta do Povo (edição de 12.08.2012).



Se “desrespeito aos direitos humanos” é motivo para zerar na redação do Enem, o estudante terá de se guiar pela plataforma do governo sobre o tema?

No fim de julho, o Ministério da Educação divulgou um guia sobre a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ocorrerá em 3 e 4 de novembro. A prova de redação tem uma importância especial dentro do Enem, que no ano passado foi feito por cerca de 4 milhões de pessoas e é usado como o principal ou o único critério de seleção em dezenas de universidades federais. Mesmo assim, passou quase despercebida a promessa do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Claudio Costa, de que as redações não seriam avaliadas por critérios ideológicos.

O temor de um eventual viés ideológico na correção da prova deriva da quinta competência exigida de quem escreve a redação: “Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos”. A orientação já existe há anos e permite questionamentos. Tradicionalmente, o objetivo da prova de redação não é avaliar qual a opinião do aluno sobre determinado tema, mas apurar se ele é capaz de sustentar essa opinião de maneira coerente e organizada, demonstrando domínio da norma culta do idioma.

À primeira vista, pareceria não haver problema algum em pedir “respeito aos direitos humanos” na redação do Enem; no entanto, o governo federal tem uma visão muito peculiar do que sejam direitos humanos, expressa na terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), objeto do Decreto 7.037/2009, atualizado pelo Decreto 7.177/2010. Nesse plano, o governo federal não aborda apenas temas consensuais na sociedade brasileira, como a condenação ao racismo ou à violência contra a mulher, mas também impõe uma série de visões sobre assuntos controversos, como a defesa do direito ao aborto, questões relativas à identidade sexual, à relativização do direito à propriedade rural e ao controle dos meios de comunicação, plataformas dos partidos de esquerda atualmente no poder. O governo federal só mitigou alguns trechos do PNDH3 após forte reação popular.

Daí segue a pergunta: se “desrespeito aos direitos humanos” é motivo para zerar na redação do Enem, como afirma o guia da redação, o estudante teria de se guiar pela cartilha ideológica do PNDH3? Ou ele estaria livre para discordar da visão petista de “direitos humanos”, direito que a própria Constituição lhe garante?

O medo de que um corretor alinhado com a esquerda zere uma redação, inviabilizando a possibilidade de o candidato disputar com sucesso uma vaga universitária, cria um efeito em cadeia pernicioso: escolas em todo o Brasil passam a preparar seus alunos para que pensem de acordo com o Moderno Príncipe gramsciano. Em alguns casos, tal formação é fruto de um pragmatismo segundo o qual o importante é o bom resultado na prova; mas, muitas vezes, os professores atuam como cúmplices do partido. Já em 2007 esta Gazeta do Povo denunciava o viés ideológico de questões de vestibulares em faculdades públicas e particulares no Brasil. Em 2008, uma pesquisa da CNT/Sensus mostrava que metade dos professores assumia ter um discurso politicamente engajado; 86% dos estudantes diziam que Che Guevara recebia tratamento positivo em sala de aula, porcentagem que era de 65% para Lenin e 51% para Hugo Chávez.

A sociedade ainda não acordou para o problema da ideologização do ensino e dos exames; é preciso que os brasileiros – não só aqueles com filhos na escola ou prestes a fazer o Enem – se mantenham alertas. A mera promessa do presidente do Inep ainda não é suficiente: é necessário encontrar mecanismos que tornem cada vez mais remota a possibilidade de conotações ideológicas na seleção do tema ou na correção das redações. A vigilância do Ministério Público, por exemplo, seria bem-vinda neste caso. Em uma época de pressão cada vez maior pela transparência no poder público, seria interessante a divulgação do material usado na formação da equipe de corretores selecionada pelo Inep, para que a sociedade saiba com clareza os critérios empregados e candidatos possam, se preciso, recorrer à Justiça se identificarem um viés ideológico na correção de suas redações. Um evento tão importante para o jovem como a chance de ingressar no ensino superior não pode ser ocasião de lavagem cerebral político-partidária.

O Incrível Discurso de Romney em Jerusalém

por Daniel Pipes



Tradução: Joseph Skilnik


Mitt Romney, o provável candidato oficial Republicano à presidência dos Estados Unidos, proferiu um emocionante discurso na Jerusalem Foundation, agregando apoio emocional com francas declarações políticas. A diferença entre ele e Obama não poderia ser mais dramática. A bem da verdade, ao longo do discurso, pode-se observar muitas contradições em relação a Obama. Por exemplo, logo no início, o comentário "pisar na terra de Israel é pisar na terra de uma nação que começou com uma promessa na antiguidade feita nesta terra", contrasta diretamente com a amarga declaração de Obama no Cairo sobre "a aspiração de uma terra natal judaica arraigada em uma história trágica".

Ademais, diferentemente da absurda posição da administração Obama sobre Jerusalém – sorrateiramente alterando legendas que a identificam como tal exercendo ginásticas verbais para evitar chamá-la como tal – Romney veio à tona e chamou-a claramente Jerusalém "a capital de Israel".

Muitas das suas declarações são cantos de glórias ao Estado Judeu e seus extraordinários laços com os Estados Unidos. Segue abaixo algumas citações, italizadas por mim nas palavras chave em cada citação:

Nossas nações estão separadas por mais de 8.000 quilômetros. Mas, para um americano no exterior, não é possível estar mais perto dos ideais e convicções do meu próprio país do que em Israel.

Tenho a inabalável convicção de que a segurança de Israel é de interesse vital para a segurança nacional dos Estados Unidos.

Nós vimos os horrores da história. Não ficaremos de lado. Não deixaremos que aconteça de novo. Seria tolice não acreditar nas palavras dos líderes do Irã. Afinal de contas, eles são, o resultado de uma teocracia radical. … Temos o dever solene e o imperativo moral de impedir que os líderes do Irã obtenham os meios de atingir suas intenções malignas.

nossa aliança vai além dos esquemas estratégicos ou considerações sobre interesses. A história de como os Estados Unidos – uma nação ainda tão jovem em relação aos padrões dessa região antiga – se ergueu para se tornar o querido amigo do povo de Israel está entre as passagens mais belas e auspiciosas da nossa nação. Por mais diferentes que tenham sido nossos caminhos, vemos as mesmas qualidades uns nos outros. Israel e os Estados Unidos são em muitos aspectos reflexos um do outro.

a duradoura aliança entre o Estado de Israel e os Estados Unidos da América é mais do que uma aliança estratégica: é uma força para o bem no mundo. o apoio dos Estados Unidos a Israel deveria encher de orgulho qualquer americano. Não podemos permitir que as inevitáveis complexidades da geopolítica moderna obscureçam os pilares essenciais. … Uma América livre e forte sempre estará ao lado de um Israel livre e forte.

Seja pela história, seja pela convicção, nossos países estão unidos. Ninguém, nenhuma nação, nenhuma organização mundial, nos afastará um do outro. E contanto que permaneçamos unidos e nos mantenhamos unidos, não haverá ameaça que não possamos superar e muito pouco que não possamos alcançar.

Mas de todo o discurso, as palavras finais foram as que mais me comoveram: "Deus abençoe os Estados Unidos da América e que Ele abençoe e proteja a Nação de Israel". Quando foi a última vez que um político pediu a Deus que protegesse outro país e não apenas o seu próprio?

Comentários: (1) Obama e Romney estão tão divididos em relação a Israel quanto em relação aos meios para o crescimento econômico. (2) Repetidas vezes, Romney mencionou os vínculos morais entre os dois países, sim, há benefícios mútuos provenientes da nossa conexão, mas em última análise reflete algo maior e acima de nós. (3) Caso seja eleito, será fascinante ver até onde o ponto de vista expressado hoje verterá para os problemas políticos do dia a dia. Espero que verta de forma significativa.



pt.danielpipes.org/

domingo, agosto 12, 2012

O Racismo de Mitt Romney.




por Deborah Srour.




Nesta semana que passou a controvérsia nos jornais americanos não foi tanto sobre o que fazer com a contínua chacina na Síria mas com aparentes lapsos do candidato republicano à presidência americana Mitt Romney. De acordo com a mídia pró-Obama, em sua visita a Israel, Romney teria cometido uma terrível gaffe que insultou os palestinos.

Tudo começou quando Romney disse numa reunião que “quem vem aqui vê uma renda per capita de $21 mil dólares e compara com a renda per capita nos territórios palestinos de $10 mil percebe a diferença de vitalidade econômica”. E continuou dizendo “que na história econômica do mundo, a cultura faz a diferença”.

Líderes palestinos protestaram, dizendo que Romney era um racista totalmente divorciado da realidade do Oriente Médio. Na verdade, esta reação mostrou que são os palestinos que têm líderes que não só não estão conectados com a realidade do Oriente Médio mas estão totalmente divorciados da história da humanidade.

Será que a referência à cultura faz de Romney um racista? e porque Israel está tão à frente dos palestinos econômica e tecnologicamente?

Racismo é a crença que alguns povos são inerente e biologicamente inferiores a outros. Consequentemente, nada que eles possam fazer poderá evitar ou mudar seu estado de atraso.

Isto não tem nada a ver com cultura que é algo que pode ser mudado. Países como a China, Japão, India e o Brasil se desenvolveram de modo dramático nos últimos 50 anos mantendo sua cultura. Filhos e netos de escravos trazidos da África hoje estão em todas as áreas acadêmicas e de poder nas Américas.

É ser racista admitir que algumas sociedades em algum momento da história estiveram adiante de outras? A verdade é que os palestinos estão muito mais atrás dos israelenses do que Romney pensa. A renda per capita de Israel é em torno de $31 mil e a dos palestinos é só $1.500.

Quando os árabes ocuparam o sul da Espanha, eles desenvolveram a matemática, astronomia, navegação, medicina e outras ciências. Se hoje eles decidissem abandonar o jihad, o martírio e o sonho de dominação do mundo e colocassem como prioridade a educação, a liberdade e o trabalho, eles poderiam ser tão prósperos e avançados quanto Israel, os Estados Unidos ou qualquer outro país.

Num sermão em 2005, o clérico Yousuf Al-Qaradhawi disse enfáticamente que os árabes precisavam trabalhar e serem produtivos e não só gastar o dinheiro do petróleo em futilidades.

Infelizmente, as sociedades árabes estão se mudando para o pior. Para estar do lado certo da história é preciso tomar a direção correta.

O negociador palestino Saeb Erekat que denunciou Romney como racista, disse que os palestinos tinham cultura. Então vejamos. Recentemente, numa performance cultural da Autoridade Palestina, que contou com a presença do seu Ministro da Cultura, o tema das canções e poesias era como ensinar os filhos a empunharem uma arma – não computadores. O Hamas tem colônias de férias aonde milhares de crianças são treinadas para serem homens-bomba e terroristas.

Ao se voltarem para o radicalismo islâmico, impondo a sharia como lei, os árabes estão indo para trás. E infelizmente, os poucos progressistas, que começaram a revolução no mundo árabe, irão perder a batalha final. Isto só vai assegurar o aumento da lacuna.

O problema é que se os árabes negam que há um problema, eles não vão resolve-lo. Quando Romney falou de “cultura” ele não estava se referindo à música ou literatura. Ele estava falando de liberdade de expressão, livre iniciativa e leis justas, ingredientes necessários para qualquer sociedade ter sucesso em nossos dias.

Um jeito de explicar esta falta de progresso econômico é o que os palestinos querem vender: que eles estariam muito à frente se não fosse a ocupação de Israel. Em outras palavras, eles são “vítimas”. Eles dizem que na Judéia e Samária os palestinos têm um autogoverno limitado. Israel controla as travessias para dentro e fora do território. E apesar de ter saído de Gaza, Israel continua a controlar as fronteiras da Faixa e portanto não permite o seu desenvolvimento.

Esse argumento é no mínimo uma asneira. A verdade é que em termos econômicos, durante a “ocupação”, tanto Gaza quanto a Judéia e Samária tiveram o melhor desempenho econômico de todos os países árabes ao redor exceto durante os anos de violência iniciada pelos palestinos. Aliás, nunca houveram controles de fronteira até o começo dos ataques e homens bomba.
Como pode ser o Hamas uma vítima se é o causador de todos os problemas com o lançamento contínuo de mísseis, morteiros e ataques a Israel?

A escolha da violência no lugar da negociação foi o que causou dano à economia palestina. Longe de serem vítimas, os palestinos foram mimados pela comunidade internacional recebendo bilhões de dólares em ajuda que desperdiçaram em corrupção e roubo. Eles recusam dar moradia decentes aos seus próprios cidadãos e os mantêm em campos de refugiados para continuarem a receber a esmola das Nações Unidas.

OK. E aí temos a Tunisia, o Egito, a Jordânia, o Líbano e a Síria. Nenhum deles foi jamais ocupado por Israel. Por que continuam na miséria? Chorar eternamente, se dizer vítima e esperar pela caridade do mundo não vai ajudar nenhum deles a alcançarem o sucesso. Países do Terceiro Mundo que aprenderam estas lições hoje têm economias fortes e voz nas decisões globais.

A conclusão é que o problema aqui não é Israel, ou o capitalismo ou um grupo racial querendo oprimir outro. É falta de governo e de democracia. É também um excesso de demagogia de líderes e zelo religioso de cléricos arrastando seus cidadãos para longe do progresso e prosperidade.

E esta situação é alimentada pela mídia ocidental. Nenhum destes iluminados jornalistas, a começar pelos da Associated Press, na sua ânsia de criticar Romney, notou o crescimento da economia palestina durante a “ocupação” comparado com os países árabes vizinhos não produtores de petróleo, ou a violência palestina como causa dos bloqueios nas estradas, ou a incontrolável corrupção da Autoridade Palestina, os bilhões de dólares doados pela comunidade internacional ou os milhões em impostos sobre o trabalho dos palestinos que trabalham em Israel que vão para o bolso da Autoridade. Nada! Nenhuma menção.

Esta é a vergonhosa “cobertura” dos fatos pelos “respeitáveis” membros da imprensa. Os mesmos que há dois meses atrás diziam que a economia palestina estava ótima e pronta para um Estado! Vai saber…

Para o Pletz.

sábado, agosto 11, 2012

REPUBLICA DO BORDEL; ESSE É O BRASIL ERA LULA.






Não basta dizer que Pelotas é "polo exportador de viados": 

Tampouco, em evento em São Luiz, para o lançamento de um programa (mais um das centenas), dizer que o povo está na merda:
"Eu não quero saber se o João Castelo [prefeito de São Luís, do PSDB] é do PSDB, não quero saber se o outro é do PFL [o presiMente sempre foi atualizado para bobagens, mas esqueceu que o partido é o DEM], não quero saber se é do PT. Eu quero saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra. Esse é o dado concreto", disse Lula".
O pavio curto (na minha terra se chama falta de educação) da sucessora do ex-presidente mostra que Lula sempre esteve cercado de tudo e todos que nada valem; de pessoas que não acrescentaram nada de positivo na vida dele. E, como desgraça pouca é bobagem, some-se o Marco Aurélio Garcia que ficou conhecido como Top-Top:
Lula teria que deixar sua marca ao terminar o governo e o fez em baixo estilo: nada mais, nada menos do que um advogado que já trabalhou para o partido - portanto deveria se declarar não apto a julgar o mensalão - e que tem o perfil do destempero, como toda a "cúpula" (ou será cópula) do partido.
A vítima do novo ministro do STF foi o jornalista blogueiro Ricardo Noblat:
"Acabo de sair de uma festa em Brasília. Na chegada e na saída cumprimentei José Antônio Dias Tóffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal.
Há pouco, quando passava pelo portão da casa para pegar meu carro e vir embora, senti-me atraído por palavrões ditos pelo ministro em voz alta, quase aos berros.
Voltei e fiquei num ponto do terraço da casa de onde dava para ouvir com clareza o que ele dizia.
Tóffoli referia-se a mim.
Reproduzo algumas coisas que ele disse (não necessariamente nessa ordem) e que guardei de memória:
- Esse rapaz é um canalha, um filho da puta.
Repetiu "filho da puta" pelo menos cinco vezes. E foi adiante:
- Ele só fala mal de mim. Quero que ele se foda. Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo.
Acrescentou:
- Em Marília não é assim.
Foi em Marília, interior de São Paulo, que o ministro nasceu em novembro de 1967.
Por mais de cinco minutos, alternou os insultos que me dirigiu sem saber que eu o escutava:
- Filho da puta, canalha.
Depois disse:
- O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia, esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.
Arrematou:
- Chupa! Minha pica é doce. Ele que chupe minha pica.
É esse o Brasil da Era Petralha e, pior ainda, não tem hora para terminar: as Urnas Eletrônicas não deixam.

sexta-feira, agosto 10, 2012

Em memória ao herói Raoul Wallenberg


por Rafael Eldad - Embaixador de Israel no Brasil
(Artigo publicado no jornal Correio Braziliense de 7 de agosto de 2012)

USPS Wallenberg Stamp, 1997

Em 2012 celebramos os 100 anos do nascimento de Raoul Wallenberg. Cabe a todos nós recordar a história de seus esforços durante o Holocausto e ensiná-los às próximas gerações, para que o seu heroísmo não seja esquecido.

Wallenberg nasceu na Suécia e estava destinado a ter sucesso na vida, mas escolheu salvar a vida de milhões de estrangeiros. Na primavera de 1944, o mundo ocidental viu de perto os horrores do Holocausto, quando os relatos de testemunhas do campo de extermínio de Auschwitz foram divulgados. À época, os EUA estabeleceram o Conselho de Refugiados de Guerra, cujo objetivo era salvar os judeus. Raoul Wallenberg decidiu então assumir a missão do conselho, em Budapeste, de salvar os judeus da Hungria, a partir dos campos de extermínio nazistas.

Uma de suas primeiras tarefas foi projetar um “passe sueco de proteção”. Ele conhecia a fundo a burocracia nazista e sabia que documentos oficiais com carimbos, assinaturas e o brasão da Suécia imporiam respeito. Conseguiu negociar uma cota de 4.500 passes com as autoridades húngaras, mas emitiu três vezes mais. Wallenberg também abriu as Casas Suecas, onde os judeus se esconderiam. Protegidos apenas por uma bandeira e pela declaração de Wallenberg de que esses edifícios eram território sueco, cerca de 15 mil judeus conseguiram refúgio. Posteriormente, missões diplomáticas de outros países seguiram seu exemplo.

Mesmo com a guerra chegando ao fim, o extermínio dos judeus continuava. O oficial nazista Adolf Eichmann, responsável pela “Solução final” dos judeus europeus, instituiu a marcha de deportação da Hungria. Dezenas de milhares de famintos judeus foram forçados a marchar por centenas de quilômetros no inverno rigoroso, com muitas mortes no caminho. Entretanto, Wallenberg não ficou indiferente diante desse crime horrendo. Ele perseguiu as marchas em seu carro, distribuindo alimentos, roupas, medicamentos e os passes de proteção. Usando ameaças e subornos, salvou os judeus que possuíam documentos suecos, levando-os de volta a Budapeste.

Quando deportações ocorriam por trem, Wallenberg exibia uma coragem extraordinária, escalando em vagões destinados a Auschwitz, distribuindo passes de proteção para os judeus já dentro do trem. Ele então exigia que esses judeus, com os passes, fossem retirados dos trens. Eichmann também planejava o massacre de todos os judeus do gueto maior. Wallenberg descobriu a trama e entrou em ação. Ameaçando responsabilizar o comandante em chefe das tropas alemãs na Hungria, o general August Schmidthuber, ele conseguiu cancelar o massacre no último minuto: 120 mil judeus húngaros foram salvos.

Após a guerra, Wallenberg deveria ter retornado à Suécia como herói, mas em 17 de janeiro de 1945 ele foi escoltado por tropas soviéticas ao quartel-general militar a leste de Budapeste. Em seu caminho, disse a um amigo que não tinha certeza se estava indo para ser hóspede ou prisioneiro. Raoul Wallenberg desapareceu naquele dia e seu verdadeiro destino nunca foi revelado. Entre os anos de 1944 e 1945, quando a Europa foi presa em um véu de escuridão, os feitos de Wallenberg brilhavam como um raio singular de esperança. É por isso que o seu legado vive em todas as nossas memórias e gerações de judeus estão vivos hoje graças aos seus esforços.

Comemorando os 100 anos do nascimento de Raoul Wallenberg, devemos nos lembrar do seu legado para a humanidade. Wallenberg, assim como o Holocausto, nunca deve ser esquecido.
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Mais sobre Raoul Wallenberg:
Biografia em português na Wikipedia 

quinta-feira, agosto 09, 2012

A culpa não é de Israel.



por Ilan Sztulman –



Perto da divisão entre sunitas e xiitas, é pequeno o conflito com Israel. O desleixo de ditadores com o seu povo é a real causa do descontentamento árabe.

A tensão no mundo árabe vai muito além do conflito israelo-palestino. Estamos assistindo pela TV diversas atrocidades no mundo árabe. Partes de corpos, fileiras de crianças mortas na Síria. No Bahrein, se um médico tratar de um manifestante ferido, ele é preso. Os mulás (líderes religiosos muçulmanos) desafiam as sanções internacionais pelo desenvolvimento da capacidade nuclear. Isso vai desencadear uma corrida armamentista nuclear na região.

Por incrível que pareça, depois de 18 meses do início da Primavera Árabe, ainda nos é dito que se o conflito israelo-palestino se resolver as tensões mais prementes da região também vão se resolver. Como se o conflito israelo-palestino fosse a causa de toda a instabilidade do mundo árabe.

O regime brutal de Assad, na Síria, teve a audácia de dizer no Conselho de Direitos Humanos da ONU que a ocupação de Israel é o principal obstáculo para a paz e estabilidade na região. Isso vindo de um regime que está massacrando seu próprio povo e colocando em funcionamento 27 “centros de tortura” espalhados por todo o país.

O conflito israelo-palestino não é a principal causa do descontentamento árabe. Mesmo porque, considerando que a divisão entre sunitas e xiitas existe há 1.300 anos, o conflito árabe-israelense, com seus cem anos, fica pequeno na comparação. O que tem acontecido, na verdade, é que ditadores do mundo árabe tem usado o conflito israelo-palestino como um espetáculo conveniente que distrai a multidão dos problemas reais dessas sociedades árabes.

E os problemas reais destas sociedades são resultados de anos e anos de desleixo com as necessidades e interesses de suas próprias populações, que agora cobram por isso.

O que a população está cobrando? Contra os regimes repressivos de todo o Oriente Médio, ela cobra liberdade, direitos humanos e distribuição mais justa dos recursos. Os jovens cobram emprego -a idade média no Egito, por exemplo, é de 24 anos. Em resumo, o que as pessoas querem é um salário justo, casa própria, emprego e comida na mesa.

Os levantes da Primavera Árabe deixaram um espaço que está sendo perigosamente preenchido por alianças formadas com base na divisão entre xiitas e sunitas. O Irã, patrocinador do terrorismo no mundo (inclusive na América Latina), é um poder xiita. Vem estendendo a sua influência na região com o uso de braços armados como o Hezbollah e por meio de alianças com a Síria e o Iraque.

Em uma região tão instável, o crescimento do islã político é perigoso e não deve ser ignorado. Redes sociais são usadas como instrumento de opressão, difundindo o extremismo. A juventude democrata do Irã, embora educada, ajudou a derrubar o xá, mas não conseguiu traduzir a sua revolução em poder político. Acabou sendo dominada por islamistas que não estavam preocupados com a democracia, mas na revolução islâmica e no terror.

Israel acredita que existe uma oportunidade no estado atual. Israel reza para que a paz e a prosperidade na região sejam alcançadas. Reza, principalmente, para que a democracia deixe de ser apenas uma ferramenta para se chegar ao poder, como aconteceu em Gaza, para se tornar um objetivo final e real – como é no nosso país.

A população do mundo árabe tem seu destino em suas próprias mãos. Eleições não vão levantar a economia da noite para o dia ou resolver conflitos religiosos, mas democracia e qualidade de vida, acima da política sectária, traduzem uma fórmula que Israel vive e apoia. Acreditamos que ela seja a melhor solução a longo prazo para a região.

Israel tem esperança de que esse caminho leve os muçulmanos, os judeus e os cristãos para a unidade democrática, para a verdade e para a prosperidade, como também no Brasil e em todo o mundo. Isso não diminui a importância de uma resolução justa para o conflito israelo-palestino que tanto queremos, mas os eventos recentes devem nos lembrar que, quando se discute o conflito entre israelenses e palestinos, não podemos ignorar a verdadeira natureza do descontentamento árabe.

ILAN SZTULMAN é cônsul-geral de Israel em São Paulo

quarta-feira, agosto 08, 2012

Uma nova Lei Rouanet ou simplesmete Erro-anet.




Por: Felipe Atxa


Chupados todos os caroços, é hora de reformar a lei de incentivo fiscal para a cultura (Lei Rouanet). Hora, também, de trocar erros antigos por erros novos, de fechar o cerco, de promover o “empowerment” do aparato cultural do governo.

A Lei Rouanet deve mudar este ano. Proposta elaborada pelo deputado petista de Pernambuco Pedro Eugênio tramita na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. O governo Dilma apoia o projeto. Produtores culturais dividem-se em relação a seus pontos polêmicos.

A única “vantagem” existente na lei atual desaparece, virtualmente, se a lei for reformada: a liberdade que os produtores culturais tinham de viabilizar projetos sem depender de uma aprovação subjetiva dos burocratas do Ministério da Cultura. Pelo mecanismo atual, qualquer produtor poderia, teoricamente, elaborar um projeto, habilitar-se juridicamente, arrumar um patrocinador por conta própria e levar adiante sem depender da simpatia de militantes esquerdistas. É bem verdade que, ainda assim, 99% dos projetos são parecidos entre si porque os departamentos de marketing das empresas também estão repletos de militantes esquerdistas. Mas havia o 1% que efetivamente desaparece com as alterações propostas.

Algumas das principais críticas feitas à lei conforme funciona hoje e listadas por grandes jornais são a “concentração regional” (mais de 60% dos projetos acontecem no Sudeste); o “excesso de poder” nas mãos das empresas (que escolhem com certa liberdade o que fazer com um dinheiro que não lhes pertence, da renúncia fiscal) e a “baixíssima contrapartida” de recursos privados nos projetos (que não chega a 10% do total).

Das três críticas, apenas a primeira é infundada: há mais projetos realizados no Sudeste em semelhante proporção àqueles que são apresentados ao MinC. Além do motivo óbvio de que há muito mais produtores culturais atuantes nessa região, aquela que também mais contribui com tributos. As outras críticas procedem, embora por motivações erradas. O poder que as empresas têm de definir a destinação de um dinheiro que não lhes pertence é ilegítimo porque o próprio conceito envolvido no incentivo estatal à cultura carece de legitimidade: obriga-se, através dele, que contribuintes desavisados e desinformados sejam indiretamente obrigados a financiar a disseminação de ideias com as quais possivelmente não concordam, ou que na melhor das hipóteses simplesmente ignoram. Da mesma forma, a contrapartida deveria ser não apenas “maior”, mas total: com os financiadores (quem quer que sejam) pagando integralmente por projetos nos quais acreditam.

Porém, a motivação das críticas é outra, bem diferente. O objetivo é diminuir o poder das empresas aumentando o da burocracia. A simples hipótese, por exemplo, de um filme com críticas contundentes e declaradas ao governo – se hoje já é reduzida – desaparece completamente ao submeter os projetos a qualquer crivo subjetivo do Ministério. E a tal exigência de maior contrapartida é um truque: essa possibilidade sempre existiu, mas o fato é que, numa cultura onde o dinheiro do Estado financia uma parcela significativa das produções, a tendência predominante e gradualmente hegemônica é que as produções enquadrem-se cada vez mais dentro das exigências para obter a maior parcela possível de incentivo, e a tal contrapartida (o “dinheiro privado” que deveria co-financiar os projetos) vire pó-de-pirlimpimpim.

Na prática, a nova Lei Rouanet com as mudanças propostas pelo PT traz três consequências imediatas:

1-Aumenta o poder do governo e da burocracia sobre os projetos apresentados. Em teoria, estes serão avaliados quanto à sua “viabilidade comercial”. Os mais viáveis ganham menor incentivo, e os menos viáveis maior. Na prática, pode-se prever a amplitude de tal critério: propaganda ideológica do MST considerada “pouco viável”, peça de teatro sem conteúdo ideológico marxista “muito viável” – o primeiro ganhando um caminhão de incentivo, o segundo jogado às feras do “mercado” (troque a palavra “incentivo” por “dinheiro” se preferir).

2-Facilita ao nível da letargia a vida dos produtores culturais sintonizados com o governo, com a burocracia e com as “comissões” de avaliação dos projetos. Produtores com projetos de “baixa viabilidade comercial” ganham 100% de incentivo fiscal – ou seja, a cada 100 reais que uma empresa investir neles recebe em troca os mesmos 100 reais de desconto no imposto a recolher. Produtores mais “comerciais” precisam convencer empresas preguiçosas e acostumadas a não gastar nada nos patrocínios culturais a começar a gastar 50 reais de cada 100 investidos, por exemplo. Para quais projetos você acha que as empresas irão correr?

3-Finalmente, esmaga os pequenos produtores, os realmente independentes e aqueles que não aceitam fazer política ou proselitismo disfarçado de cultura.

Pela nova lei, a produção cultural fica dividida em três blocos nítidos: o bloco dos “inviáveis”, com amplo acesso no governo e na burocracia, incentivados em 100%; o bloco dos “viáveis”, com suas grandes produções indo buscar dinheiro nas maiores empresas, estatais e concessionárias de serviços públicos, compensando os 50% faltantes com estrelas globais; e o bloco dos “rejeitados”, sem contato no governo, sem entrada nas estatais, sofrendo a desleal concorrência de quem compete usando dinheiro público numa batalha que deveria ser privada.

Antes que algum militante levante-se, indignado, alegando que as tais “comissões” de avaliação dos projetos serão compostas por representantes da “sociedade civil”, e não serão politizadas diretamente pelo governo, uma lembrança: a politização e partidarização já atinge profundamente tais entidades da “sociedade civil”, ONGs e sindicatos aparelhados e funcionando como braços auxiliares de partidos e projetos políticos – como de resto esses mesmas entidades não fazem questão alguma de esconder. Ou alguém imagina que uma entidade “cristã”, “conservadora” ou “liberal” irá mandar seus representantes para ajudar a avaliar os projetos?

Em resumo: lei nova, subterfúgios antigos. Solução? A ideal seria que o Estado jamais se envolvesse em qualquer tipo de patrocínio ou “incentivo” à produção cultural, deixando a cargo da sociedade e dos indivíduos a liberdade de financiar, produzir ou assistir aquilo que bem entendem segundo seus próprios recursos. A possível: converter cada centavo que sai do orçamento público como “dinheiro para a cultura” em empréstimo reembolsável (como uma linha de crédito comum). Pegou 100 reais, paga 100 reais mais juros e correção de volta. Não pagou? Fica devendo, como um brasileiro comum.

Não vai ser assim a nova Lei Rouanet? Pois é: erraram de novo.