sexta-feira, agosto 10, 2012

Em memória ao herói Raoul Wallenberg


por Rafael Eldad - Embaixador de Israel no Brasil
(Artigo publicado no jornal Correio Braziliense de 7 de agosto de 2012)

USPS Wallenberg Stamp, 1997

Em 2012 celebramos os 100 anos do nascimento de Raoul Wallenberg. Cabe a todos nós recordar a história de seus esforços durante o Holocausto e ensiná-los às próximas gerações, para que o seu heroísmo não seja esquecido.

Wallenberg nasceu na Suécia e estava destinado a ter sucesso na vida, mas escolheu salvar a vida de milhões de estrangeiros. Na primavera de 1944, o mundo ocidental viu de perto os horrores do Holocausto, quando os relatos de testemunhas do campo de extermínio de Auschwitz foram divulgados. À época, os EUA estabeleceram o Conselho de Refugiados de Guerra, cujo objetivo era salvar os judeus. Raoul Wallenberg decidiu então assumir a missão do conselho, em Budapeste, de salvar os judeus da Hungria, a partir dos campos de extermínio nazistas.

Uma de suas primeiras tarefas foi projetar um “passe sueco de proteção”. Ele conhecia a fundo a burocracia nazista e sabia que documentos oficiais com carimbos, assinaturas e o brasão da Suécia imporiam respeito. Conseguiu negociar uma cota de 4.500 passes com as autoridades húngaras, mas emitiu três vezes mais. Wallenberg também abriu as Casas Suecas, onde os judeus se esconderiam. Protegidos apenas por uma bandeira e pela declaração de Wallenberg de que esses edifícios eram território sueco, cerca de 15 mil judeus conseguiram refúgio. Posteriormente, missões diplomáticas de outros países seguiram seu exemplo.

Mesmo com a guerra chegando ao fim, o extermínio dos judeus continuava. O oficial nazista Adolf Eichmann, responsável pela “Solução final” dos judeus europeus, instituiu a marcha de deportação da Hungria. Dezenas de milhares de famintos judeus foram forçados a marchar por centenas de quilômetros no inverno rigoroso, com muitas mortes no caminho. Entretanto, Wallenberg não ficou indiferente diante desse crime horrendo. Ele perseguiu as marchas em seu carro, distribuindo alimentos, roupas, medicamentos e os passes de proteção. Usando ameaças e subornos, salvou os judeus que possuíam documentos suecos, levando-os de volta a Budapeste.

Quando deportações ocorriam por trem, Wallenberg exibia uma coragem extraordinária, escalando em vagões destinados a Auschwitz, distribuindo passes de proteção para os judeus já dentro do trem. Ele então exigia que esses judeus, com os passes, fossem retirados dos trens. Eichmann também planejava o massacre de todos os judeus do gueto maior. Wallenberg descobriu a trama e entrou em ação. Ameaçando responsabilizar o comandante em chefe das tropas alemãs na Hungria, o general August Schmidthuber, ele conseguiu cancelar o massacre no último minuto: 120 mil judeus húngaros foram salvos.

Após a guerra, Wallenberg deveria ter retornado à Suécia como herói, mas em 17 de janeiro de 1945 ele foi escoltado por tropas soviéticas ao quartel-general militar a leste de Budapeste. Em seu caminho, disse a um amigo que não tinha certeza se estava indo para ser hóspede ou prisioneiro. Raoul Wallenberg desapareceu naquele dia e seu verdadeiro destino nunca foi revelado. Entre os anos de 1944 e 1945, quando a Europa foi presa em um véu de escuridão, os feitos de Wallenberg brilhavam como um raio singular de esperança. É por isso que o seu legado vive em todas as nossas memórias e gerações de judeus estão vivos hoje graças aos seus esforços.

Comemorando os 100 anos do nascimento de Raoul Wallenberg, devemos nos lembrar do seu legado para a humanidade. Wallenberg, assim como o Holocausto, nunca deve ser esquecido.
----

Mais sobre Raoul Wallenberg:
Biografia em português na Wikipedia 

quinta-feira, agosto 09, 2012

A culpa não é de Israel.



por Ilan Sztulman –



Perto da divisão entre sunitas e xiitas, é pequeno o conflito com Israel. O desleixo de ditadores com o seu povo é a real causa do descontentamento árabe.

A tensão no mundo árabe vai muito além do conflito israelo-palestino. Estamos assistindo pela TV diversas atrocidades no mundo árabe. Partes de corpos, fileiras de crianças mortas na Síria. No Bahrein, se um médico tratar de um manifestante ferido, ele é preso. Os mulás (líderes religiosos muçulmanos) desafiam as sanções internacionais pelo desenvolvimento da capacidade nuclear. Isso vai desencadear uma corrida armamentista nuclear na região.

Por incrível que pareça, depois de 18 meses do início da Primavera Árabe, ainda nos é dito que se o conflito israelo-palestino se resolver as tensões mais prementes da região também vão se resolver. Como se o conflito israelo-palestino fosse a causa de toda a instabilidade do mundo árabe.

O regime brutal de Assad, na Síria, teve a audácia de dizer no Conselho de Direitos Humanos da ONU que a ocupação de Israel é o principal obstáculo para a paz e estabilidade na região. Isso vindo de um regime que está massacrando seu próprio povo e colocando em funcionamento 27 “centros de tortura” espalhados por todo o país.

O conflito israelo-palestino não é a principal causa do descontentamento árabe. Mesmo porque, considerando que a divisão entre sunitas e xiitas existe há 1.300 anos, o conflito árabe-israelense, com seus cem anos, fica pequeno na comparação. O que tem acontecido, na verdade, é que ditadores do mundo árabe tem usado o conflito israelo-palestino como um espetáculo conveniente que distrai a multidão dos problemas reais dessas sociedades árabes.

E os problemas reais destas sociedades são resultados de anos e anos de desleixo com as necessidades e interesses de suas próprias populações, que agora cobram por isso.

O que a população está cobrando? Contra os regimes repressivos de todo o Oriente Médio, ela cobra liberdade, direitos humanos e distribuição mais justa dos recursos. Os jovens cobram emprego -a idade média no Egito, por exemplo, é de 24 anos. Em resumo, o que as pessoas querem é um salário justo, casa própria, emprego e comida na mesa.

Os levantes da Primavera Árabe deixaram um espaço que está sendo perigosamente preenchido por alianças formadas com base na divisão entre xiitas e sunitas. O Irã, patrocinador do terrorismo no mundo (inclusive na América Latina), é um poder xiita. Vem estendendo a sua influência na região com o uso de braços armados como o Hezbollah e por meio de alianças com a Síria e o Iraque.

Em uma região tão instável, o crescimento do islã político é perigoso e não deve ser ignorado. Redes sociais são usadas como instrumento de opressão, difundindo o extremismo. A juventude democrata do Irã, embora educada, ajudou a derrubar o xá, mas não conseguiu traduzir a sua revolução em poder político. Acabou sendo dominada por islamistas que não estavam preocupados com a democracia, mas na revolução islâmica e no terror.

Israel acredita que existe uma oportunidade no estado atual. Israel reza para que a paz e a prosperidade na região sejam alcançadas. Reza, principalmente, para que a democracia deixe de ser apenas uma ferramenta para se chegar ao poder, como aconteceu em Gaza, para se tornar um objetivo final e real – como é no nosso país.

A população do mundo árabe tem seu destino em suas próprias mãos. Eleições não vão levantar a economia da noite para o dia ou resolver conflitos religiosos, mas democracia e qualidade de vida, acima da política sectária, traduzem uma fórmula que Israel vive e apoia. Acreditamos que ela seja a melhor solução a longo prazo para a região.

Israel tem esperança de que esse caminho leve os muçulmanos, os judeus e os cristãos para a unidade democrática, para a verdade e para a prosperidade, como também no Brasil e em todo o mundo. Isso não diminui a importância de uma resolução justa para o conflito israelo-palestino que tanto queremos, mas os eventos recentes devem nos lembrar que, quando se discute o conflito entre israelenses e palestinos, não podemos ignorar a verdadeira natureza do descontentamento árabe.

ILAN SZTULMAN é cônsul-geral de Israel em São Paulo

quarta-feira, agosto 08, 2012

Uma nova Lei Rouanet ou simplesmete Erro-anet.




Por: Felipe Atxa


Chupados todos os caroços, é hora de reformar a lei de incentivo fiscal para a cultura (Lei Rouanet). Hora, também, de trocar erros antigos por erros novos, de fechar o cerco, de promover o “empowerment” do aparato cultural do governo.

A Lei Rouanet deve mudar este ano. Proposta elaborada pelo deputado petista de Pernambuco Pedro Eugênio tramita na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. O governo Dilma apoia o projeto. Produtores culturais dividem-se em relação a seus pontos polêmicos.

A única “vantagem” existente na lei atual desaparece, virtualmente, se a lei for reformada: a liberdade que os produtores culturais tinham de viabilizar projetos sem depender de uma aprovação subjetiva dos burocratas do Ministério da Cultura. Pelo mecanismo atual, qualquer produtor poderia, teoricamente, elaborar um projeto, habilitar-se juridicamente, arrumar um patrocinador por conta própria e levar adiante sem depender da simpatia de militantes esquerdistas. É bem verdade que, ainda assim, 99% dos projetos são parecidos entre si porque os departamentos de marketing das empresas também estão repletos de militantes esquerdistas. Mas havia o 1% que efetivamente desaparece com as alterações propostas.

Algumas das principais críticas feitas à lei conforme funciona hoje e listadas por grandes jornais são a “concentração regional” (mais de 60% dos projetos acontecem no Sudeste); o “excesso de poder” nas mãos das empresas (que escolhem com certa liberdade o que fazer com um dinheiro que não lhes pertence, da renúncia fiscal) e a “baixíssima contrapartida” de recursos privados nos projetos (que não chega a 10% do total).

Das três críticas, apenas a primeira é infundada: há mais projetos realizados no Sudeste em semelhante proporção àqueles que são apresentados ao MinC. Além do motivo óbvio de que há muito mais produtores culturais atuantes nessa região, aquela que também mais contribui com tributos. As outras críticas procedem, embora por motivações erradas. O poder que as empresas têm de definir a destinação de um dinheiro que não lhes pertence é ilegítimo porque o próprio conceito envolvido no incentivo estatal à cultura carece de legitimidade: obriga-se, através dele, que contribuintes desavisados e desinformados sejam indiretamente obrigados a financiar a disseminação de ideias com as quais possivelmente não concordam, ou que na melhor das hipóteses simplesmente ignoram. Da mesma forma, a contrapartida deveria ser não apenas “maior”, mas total: com os financiadores (quem quer que sejam) pagando integralmente por projetos nos quais acreditam.

Porém, a motivação das críticas é outra, bem diferente. O objetivo é diminuir o poder das empresas aumentando o da burocracia. A simples hipótese, por exemplo, de um filme com críticas contundentes e declaradas ao governo – se hoje já é reduzida – desaparece completamente ao submeter os projetos a qualquer crivo subjetivo do Ministério. E a tal exigência de maior contrapartida é um truque: essa possibilidade sempre existiu, mas o fato é que, numa cultura onde o dinheiro do Estado financia uma parcela significativa das produções, a tendência predominante e gradualmente hegemônica é que as produções enquadrem-se cada vez mais dentro das exigências para obter a maior parcela possível de incentivo, e a tal contrapartida (o “dinheiro privado” que deveria co-financiar os projetos) vire pó-de-pirlimpimpim.

Na prática, a nova Lei Rouanet com as mudanças propostas pelo PT traz três consequências imediatas:

1-Aumenta o poder do governo e da burocracia sobre os projetos apresentados. Em teoria, estes serão avaliados quanto à sua “viabilidade comercial”. Os mais viáveis ganham menor incentivo, e os menos viáveis maior. Na prática, pode-se prever a amplitude de tal critério: propaganda ideológica do MST considerada “pouco viável”, peça de teatro sem conteúdo ideológico marxista “muito viável” – o primeiro ganhando um caminhão de incentivo, o segundo jogado às feras do “mercado” (troque a palavra “incentivo” por “dinheiro” se preferir).

2-Facilita ao nível da letargia a vida dos produtores culturais sintonizados com o governo, com a burocracia e com as “comissões” de avaliação dos projetos. Produtores com projetos de “baixa viabilidade comercial” ganham 100% de incentivo fiscal – ou seja, a cada 100 reais que uma empresa investir neles recebe em troca os mesmos 100 reais de desconto no imposto a recolher. Produtores mais “comerciais” precisam convencer empresas preguiçosas e acostumadas a não gastar nada nos patrocínios culturais a começar a gastar 50 reais de cada 100 investidos, por exemplo. Para quais projetos você acha que as empresas irão correr?

3-Finalmente, esmaga os pequenos produtores, os realmente independentes e aqueles que não aceitam fazer política ou proselitismo disfarçado de cultura.

Pela nova lei, a produção cultural fica dividida em três blocos nítidos: o bloco dos “inviáveis”, com amplo acesso no governo e na burocracia, incentivados em 100%; o bloco dos “viáveis”, com suas grandes produções indo buscar dinheiro nas maiores empresas, estatais e concessionárias de serviços públicos, compensando os 50% faltantes com estrelas globais; e o bloco dos “rejeitados”, sem contato no governo, sem entrada nas estatais, sofrendo a desleal concorrência de quem compete usando dinheiro público numa batalha que deveria ser privada.

Antes que algum militante levante-se, indignado, alegando que as tais “comissões” de avaliação dos projetos serão compostas por representantes da “sociedade civil”, e não serão politizadas diretamente pelo governo, uma lembrança: a politização e partidarização já atinge profundamente tais entidades da “sociedade civil”, ONGs e sindicatos aparelhados e funcionando como braços auxiliares de partidos e projetos políticos – como de resto esses mesmas entidades não fazem questão alguma de esconder. Ou alguém imagina que uma entidade “cristã”, “conservadora” ou “liberal” irá mandar seus representantes para ajudar a avaliar os projetos?

Em resumo: lei nova, subterfúgios antigos. Solução? A ideal seria que o Estado jamais se envolvesse em qualquer tipo de patrocínio ou “incentivo” à produção cultural, deixando a cargo da sociedade e dos indivíduos a liberdade de financiar, produzir ou assistir aquilo que bem entendem segundo seus próprios recursos. A possível: converter cada centavo que sai do orçamento público como “dinheiro para a cultura” em empréstimo reembolsável (como uma linha de crédito comum). Pegou 100 reais, paga 100 reais mais juros e correção de volta. Não pagou? Fica devendo, como um brasileiro comum.

Não vai ser assim a nova Lei Rouanet? Pois é: erraram de novo.

terça-feira, agosto 07, 2012

Juntos Somos um Rio Melhor. Será mesmo?



Primeiramente, começando por saber quem é Marcelo Sereno:



Rede de Escândalos

No Caso Waldomiro Diniz,
Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública do governo Lula, disse a VEJA ter alertado Marcelo Sereno da atuação de Waldomiro.
O que aconteceu?
Sereno rebateu a acusação de Soares: "Não há nada para comentar a respeito da entrevista de um ressentido". Mas caiu, sendo em seguida escalado para a Secretaria de Comunicação do PT. Hoje é secretário municipal em Maricá, no Rio.

Mais maracutaias serenas:
Por Lauro Jardim da Veja em 27/10/2011- A prefeitura de Maricá (RJ), do notório Marcelo Sereno, fechou mais um negócio milionário . Vai gastar seis milhões de reais com publicidade nos próximos 12 meses.

Quem pegou a conta foi a Giacometti Propaganda, que admitiu repassar recursos para a agência de Marcos Valério durante a CPI dos Correios.

Aqui, a cópia grosseira do contrato entre a Prefeitura de Maricá e a Giacometti:



E já que se conhece bem quem é Marcelo Sereno, podemos perguntar ao atual Prefeito Paes como é que Juntos (com tanta gente envolvida em corrução) podemos ser um Rio melhor.

"""(NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO de 04/08/2012) Paes faz campanha com afilhado político de José Dirceu


Paes pediu votos ao lado de vários petistas, entre eles o candidato a vereador Marcelo Sereno, afilhado político e braço-direito de José Dirceu na Casa Civil do governo Lula

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, candidato à reeleição pelo PMDB, participou, na manhã deste sábado (04), de uma caminhada no calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Paes pediu votos ao lado de vários petistas, entre eles o candidato a vereador Marcelo Sereno, afilhado político e braço-direito de José Dirceu na Casa Civil do governo Lula. Dirceu é um dos 38 réus do mensalão e foi denunciado no processo como "chefe da quadrilha". O senador Lindbergh Farias, a deputada federal Benedita da Silva e o vice na chapa, o vereador Adilson Pires, todos do PT, também participaram da agenda do peemedebista.

Acompanhado por vários candidatos a vereador, Paes conversou com eleitores e, ao entrar numa lanchonete, fez um brinde com caldo-de-cana. O prefeito tem motivos para comemorar. Ele aparece com 49% das intenções de voto na pesquisa Ibope divulgada na última sexta-feira. Marcelo Freixo, candidato do PSOL, está em segundo com 8%. Rodrigo Maia, do DEM, registrou 5%. Otávio Leite, do PSDB, ficou com 3% e, Aspásia Camargo, do PV, com 2%.

"Vejo o resultado com muita humildade e alegria. Quero ganhar a eleição. Tenho muito desejo de continuar sendo prefeito do Rio de Janeiro. Nunca fiquei emocionado com pesquisa alta e nem abalado com pesquisa baixa durante minha vida" disse Paes, que possui 20% de rejeição do eleitorado carioca, perdendo apenas para Rodrigo Maia, com 26%.

O prefeito comentou a gafe da última sexta-feira (03) e mudou o tom do dia anterior, quando foi flagrado em áudio vazado numa conversa com a presidente da Empresa Olímpica Municipal, Maria Silva Marques Bastos. Ela o questionou sobre o debate na TV Bandeirantes. Paes disse que ficou "com sono" e achou "chatérrimo".

"Foi um encontro democrático. A gente teve a chance de debater as coisas da cidade. Agora, quando se tem muito candidato falando, toma-se muito tempo", declarou Paes.

Ao lado de cabos eleitorais, que carregavam bandeiras com sua foto e nome, Marcelo Sereno tentou manter a discrição durante toda a caminhada com Paes, que durou pelo menos uma hora. Ele evitou posar para fotos com o prefeito. Todos os candidatos a vereador que acompanhavam o prefeito foram anunciados em um alto falante, exceto Sereno. O petista distribuiu panfletos intitulado como "Uma trajetória de muitas lutas". No texto, Sereno diz que "participou ativamente do governo Lula como chefe de gabinete da Casa Civil". O candidato a vereador demonstrou irritação com O GLOBO quando foi questionado sobre o julgamento do mensalão, iniciado, na última quinta-feira, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
"Espero que seja um julgamento técnico e que tenha a melhor decisão possível", afirmou Sereno, lembrando que não assistiu ao primeiro dia de julgamento e encerrando a entrevista."""


E repetindo o tema da campanha de Paes: JUNTOS SOMOS UM RIO MELHOR, para quê? Mais corrupção ainda? O Rio de Janeiro continua lindo,

RECORDAR É VIVER:




segunda-feira, agosto 06, 2012

A PERGUNTA PERMANECE NO AR.



por Percival Puggina(*)




Argumento "ad hominem" é um falso argumento que pretende vencer e convencer mediante ataque verbal ao oponente. Já me defrontei com ele várias vezes. Também pode ser descrito como falácia, pois busca concluir sobre a correção de algo que esteja em pauta sem examinar seu conteúdo. Trago a expressão para este artigo porque, em dado momento da sessão de abertura do julgamento do caso Mensalão, o ministro Ricardo Lewandowski, altercando com o ministro Joaquim Barbosa, verberou indignado não aceitar argumento "ad hominem". Opa! Esse tipo de coisa no Supremo?






""Ricardo Lewandowski é revisor do processo há dois anos, lembrou Joaquim Barbosa. Por que não levantou a questão antes? Por que justo hoje? A resposta é óbvia.
Lewandowski, então, tem um chilique e diz que não aceita argumentação “ad homnem”.
O que há de “ad hominem” nisso? (no blog de Reinaldo Azevedo).


"O senhor é revisor. Me causa espécie vê-lo se pronunciar pelo desmembramento quando poderia tê-lo feito há 6 ou 8 meses antes que preparássemos toda essa...", argumentou Barbosa. "Farei valer o meu direito de manifestar-se sempre que seja necessário", rebateu Lewandowski. "É deslealdade", disse Barbosa em voz alta.

Neste momento, Lewandowski reagiu, acusando o colega de usar um "tom muito forte".

Antes da discussão, Joaquim Barbosa considerou "irresponsável" discutir o tema novamente. "Ora, nós precisamos ter rigor no fazer as coisas neste país. O mais alto tribunal deste país decidiu, não vejo razão, me parece até irresponsável voltar a discutir essa questão", complementou. "A questão está desenganadamente preclusa." (Extraído do G1)



Tenho sido crítico do STF. Reiteradamente, aquela Corte vem se deixando levar pelas pressões de grupos de opinião mobilizados em torno de pautas que estariam mais legitimamente regradas pelo Congresso. Vejo como preocupante, também, o convívio da atual forma de provimento das vagas no Supremo com o instituto da reeleição para presidente da República. E mais incompatível ainda com a hegemonização (mexicanização) política em curso no país. Não havendo rodízio no poder político, o STF vira poder gêmeo do governo. Reproduz o mesmo perfil ideológico. É um receio que já se tem e é a causa da recente manobra desesperada com que Lula tentou adiar o julgamento para após a eleição. É que até o fim do ano o PT indicará dois novos ministros.

Voltando aos fatos da sessão de abertura do julgamento. A acusação feita por Lewandowski ao relator Joaquim Barbosa, de ter deixado de lado o conteúdo para atacá-lo pessoalmente, é tão grave quanto surpreendente. A sala de sessões do STF não é mesa de bar, e o Pleno não é assembléia de grêmio estudantil. Tudo que ali se afirma exige fundamento.

No entanto, Lewandowski acabara de se pronunciar favoravelmente ao pedido do advogado Márcio Thomaz Bastos para desmembrar o processo, o que faria remanescer sob juízo do STF apenas três dos 38 réus. Os outros 35 seriam borrifados em juízos de primeira instância, Brasil afora. Apoiar o pedido do advogado - pedido que remeteria os principais réus do processo (José Dirceu entre eles) para as calendas da impunidade e das chicanes recursais - foi, de fato, uma deslealdade com o relator e com a Instituição. Ricardo Lewandowski, há mais de dois anos, exercia a função de revisor do caso. Participara de outras decisões no sentido da unicidade do processo adotadas no plenário. E resolveu mudar de entendimento sobre essa questão fulcral no exato momento em que o julgamento começou? Note-se que se sua nova posição fosse referendada pela maioria dos colegas, o processo do Mensalão simplesmente se desfaria no ar! Os principais réus do caso não são os três que remanesceriam - deputados João Paulo Cunha, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto. Diante disso, Joaquim Barbosa, do lado oposto da mesa, perguntou a Lewandowski os motivos pelos quais o colega, sendo revisor do processo há tanto tempo, não suscitara tal questão antes.

O ministro não estava argumentando, nem agredindo. Estava fazendo uma pergunta, a mesmíssima que o país inteiro fazia naquele momento, vendo Lewandowski responder na lata, com voto escrito de 53 páginas, à consulta verbal de um advogado. Por que agora, ministro? Era uma interrogação lógica, imperiosa. E que permanece no ar, pendurada no teto do plenário, aguardando resposta racional. Quando o ministro declarou-se ofendido por ela, chamando de "argumento" o que era apenas um indispensável pedido de explicação, uma curiosidade nacional, e afirmando não admiti-la, ele estava se escondendo do dever moral de responder. E se fugiu disso, abriu a porta para as mais medonhas suposições.


* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

sábado, agosto 04, 2012

A Midia, o Ibope, as Pesquisas e a Record.




Que o alvo da Record do bispo do sexo oral e do aborto evangélico era chegar ao topo, isso é inegável. Todas as emissoras querem ser a primeira; é normal. Como fazer para chegar ao topo? Bem, aí a coisa se complica um pouco.

Há uma especie de mercado fechado para a Globo. Assim, ninguém transmite o futebol, mesmo que queira pagar mais pelos direitos de transmissão: a Globo é assim uma espécie de sócia da CBF e das mais importantes federações de futebol do país e portanto tem o direito de veto.

A Record investiu pesado contra a CBF do Ricardo Teixeira e do Havelange; talvez tenha conseguido alguma coisa com as denúncias que todo o mundo sabia, mas que era ignorada por toda a Mídia e, é claro, principalmente pela Globo. A verdade é que Ricardo Teixeira sumiu - não se sabe se por causa da Record -, mas deixou uma amarga herança na CBF; aliás duas: Marim e Andrés Sanchez. Marin em menos de dois meses de gestão aumentou o próprio salário para R$ 160 mil, mais do que os R$ 98 mil que Ricardo ganhava - e que era muito se comparado a alguém que trabalhe -. Já Andres Sanchez está num lugar merecido, afinal como proprietário de diversas empresas fantasmas é natural que chegasse ao topo da fantasmagórica CBF. E, pelo visto, a Record continuará sem poder retransmitir futebol e a Copa; melhor fez e faz a Bandeirantes que fica com as migalhas dos campeonatos aliando-se à Globo e portanto, tendo que engolir qualquer denuncia contra a CBF ou a Globo; mas isso a Band tira de letra.

Mas afinal qual o desejo real da Record ao centrar suas baterias anti aéreas no Carlos Augusto Montenegro, até agora apenas conhecido por ser o dono do Ibope, das pesquisas que ninguém vê, com resultados sempre duvidosos, por vezes errado?

Com a reportagem do Domingo Espetacular, a Record escancara muitas outras propriedades do senhor Montenegro, muitos outros interesses além da manipulação de pesquisas (resumo das denúncias aqui).Como sempre acontece, a Record quando cita o Gravame, coloca na imagem de fundo o Detran SP, embora exista em quase todos os estados. O alvo é declaradamente o governo do Estado de São Paulo, seu governador, seus aliados e, é claro o ex governador e candidato a Prefeitura de São Paulo.

Convém lembrar que Montenegro, em 2010,  antevia uma derrota de Dilma, mas que depois com o apoio do ex-presidente e das Urnas Eletrônicas tudo ficou diferente em termos de eleição; já que em termos de governo continua tudo como antes: corrupção deslavada.




A Record quer fazer de Russomano (o homem da sacolinha de supermercado)o novo prefeito de São Paulo ou quer mesmo ajudar o Haddad? Afinal o Russomano, segundo as pesquisas (cabeça de bacalhau), estava em segundo lugar, a poucos metros de Serra. Se apoia abertamente o Russomano está desprezando o dízimo do governo federal pró Haddad; e bispo recusando dízimo é impensável. Alguma coisa está errada nessa história.

A Record quer ser a primeira nem que seja na marra? A bem da verdade a Record é muito mais parecida com a Globo do que se possa imaginar. A Globo tem novelas, a Record também - e com atores que foram da Globo, com diretores que foram da Globo e com os mesmos temas que servem apenas para denegrir a sociedade - ou o que resta dela -. A Record tem telejornal apresentado por ex-globais, que enaltecem o governo federal, exatamente como a Globo faz. A Record tem Rodrigo Faro que foi Global e se assemelha ao Luciano Hulck; apenas não desmatou nenhum lugar - por enquanto - para construir sua mansão, no resto é igual; falta apenas que o telespectador consumista de mais do mesmo se acostume ou que o Ibope diga isso.

Dias atrás, foi a vez do Datena se irritar com os seu pontos no Ibope. Em dado momento o Datena gritou (seu nível normal) e disse que escreveu para o Montenegro sobre a audiência: mais um tentando ganhar o Ibope na marra? Naturalmente Datena falava do programa de outro puxa saco do governo federal - como ele - o Marcelo Rezende, que veio para dividir a audiência do horário.

Após esse "desbafo" o Datena vem mudando. Enquanto Marcelo Rezende diz que os problemas da criminalidade de São Paulo são culpa do governo estadual - e não da impunidade reinante no país -, o Datena diz exatamente o contrário, mas jamais diria - como nunca disse -que o(a) presidente poderia dar um basta se quisesse. Datena teve a petulância de dizer que a presidente tem se irritado com o número de mulheres assassinadas e agredidas. É claro que Datena não faz a menor questão de dizer à sua audiência que a presidentE é favorável a Cuba, ao Irã e ao aborto (leia aqui).

Passados outros Domingos Espetaculares e sem mais denuncias contra o Montenegro, eis que finalmente, parece que as denúncias surtiram efeito: Russomano, o candidato do Edir Macedo está "tecnicamente" empatado com Serra:



Veja os números do Ibope para a pesquisa estimulada de 03 de agosto de 2012:

Pesquisa estimulada é aquela onde o pesquisador - esse sujeito mais difícil de se ver do que nota de 100 reais caída no viaduto do Chá - mostra um cartão com o nome dos candidatos. 




José Serra (PSDB) - 26% das intenções de voto
Celso Russomanno (PRB) - 25%
Soninha (PPS) - 7%
Fernando Haddad (PT) - 6%
Gabriel Chalita (PMDB) - 5%
Paulino da Força (PDT) - 5%
Ana Luiza (PSTU) - 1%
Carlos Giannazi (PSOL) - 1%
Eymael (PSDC) - 1%
Levy Fidelix (PRTB) - Não pontuou
Miguel (PPL) - Não pontuou
Anaí Caproni (PCO) - Não pontuou
Em branco ou nulo - 14%
Não sabe - 9%

Resumo da ópera: Denunciar um desafeto dá Ibope.

sexta-feira, agosto 03, 2012

A escola a serviço do MST.





Por Luis Lopes Diniz Filho (*)


Xico Graziano, em seu livro O carma da terra no Brasil, qualifica a política nacional de reforma agrária como um “fracasso retumbante”. Isso ocorre, de um lado, porque o Brasil do latifúndio deixou de existir faz uns 50 anos, devido à modernização das grandes propriedades. De outro lado, os assentamentos de reforma agrária exibem produtividade baixíssima e não geram renda suficiente nem para tirar os assentados da pobreza.

Apesar disso, o autor nota que sucessivos governos vêm persistindo na distribuição de terras, por várias razões, que incluem a resistência dos intelectuais em rever suas teorias, a sensibilização da opinião pública pela estratégia do MST, uma visão idílica da agricultura familiar e “um certo sentimento de culpa que os ricos têm pela histórica miséria que assola o país”.

O que chama a atenção nessa lista, porém, é que o autor ignora uma das causas mais importantes da persistência da visão favorável ao distributivismo agrário na opinião pública: a doutrinação no ensino. Isso é surpreendente, já que Graziano reconhece a resistência dos acadêmicos em rever seus paradigmas, mas não percebe o reflexo disso no ensino médio, que transmite as teorias mais aceitas na universidade.

Há muito que professores e autores de livros didáticos -- como o que se vê acima (Geografia Espaço e Vivência, 7º ano, Atual Editora, de autoria dos professores Levon Boligian, Wanessa Garcia, Rogério Martinez e Andressa Alves – 3º ed. - 2009) -- mostram aos alunos aquele mesmo Brasil que, conforme o autor, deixou de existir há mais de meio século!

O mais bem-sucedido autor brasileiro de livros de Geografia, José William Vesentini, passou décadas publicando disparates sobre agricultura. Um deles é afirmar que a modernização agrícola brasileira restringiu-se à agricultura de exportação, enquanto os produtos voltados para o mercado interno, como arroz e feijão, teriam continuado a ser produzidos com “métodos tradicionais”. Ora, basta consultar os dados de produtividade agrícola para ver que tais afirmações são falsas. Mas Vesentini nunca cita essas informações em suas obras, o que leva à conclusão de que ele não checa o que aconteceu de fato no campo por estar convicto da infalibilidade das teorias vigentes na academia.

Outro erro monumental desse autor está em dizer que o Brasil possui sérios problemas de “subnutrição” causados pela desigualdade de renda e pelo suposto predomínio da dita “agricultura de exportação”. A Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE, atesta que há tempos a desnutrição se tornou um problema residual e localizado, mesmo quando se consideram apenas os estratos mais pobres da população.

Os livros de Vesentini não são exceções, mas a regra. Consideremos o Livro didático público, elaborado pela Secretaria de Estado da Educação no governo Requião (Paraná). Essa obra é até muito mais enfática na defesa dessas visões anacrônicas que os livros de Vesentini. Mas o pior é que os professores usam tais visões equivocadas para justificar as invasões de terra, como já vem sendo denunciado pelo site Escola Sem Partido. Será que a estratégia política do MST sensibilizaria tanto a opinião pública se não fosse o trabalho doutrinador de milhares de professores em todo o Brasil?

Os malefícios causados pela doutrinação superam as questões ideológicas e de valores, pois afetam negativamente a discussão da agenda de políticas públicas, como mostra a reforma agrária.




Sobre o livro (Geografia Espaço e Vivência, 7º ano, Atual Editora, de autoria dos professores Levon Boligian, Wanessa Garcia, Rogério Martinez e Andressa Alves – 3º ed. - 2009), Klauber Cristofer Pires escreveu para o Escola sem Partido em 1º de maio de 2012:




...Vou falar da doutrinação ideológica presente na educação escolar, a partir da análise do livro de Geografia intitulado Geografia - Espaço e Vivência, 7º ano (6ª série) da Atual Editora; trata-se de uma obra de doutrinação, digamos assim, “light”, porque tem coisa muito pior rodando aí, e com a chancela do MEC! Falo aqui de um livro que está sendo utilizado por uma escola particular e religiosa bem conceituada em Belém, e reconhecida por sua tradição e rigor no ensino. Ao passear pelas folhas, o leitor há de se deparar com inúmeras bandeiras que constam da agenda dos partidos de esquerda, tais como desigualdades de renda geral, desigualdades de salários entre homens e mulheres, trabalho infantil e povos indígenas. Peço a licença de declinar-me quanto a uma análise desses temas, para não estender demais a crítica e bem porque também de tal forma estão disseminados na cultura brasileira que fica difícil separar o que seja uma apologia política consciente de um mero mito arraigado.

Assim sendo, faço uso apenas dos assuntos notoriamente visíveis, para destacar neles duas formas principais de foco didático enviesado: nos dois primeiros temas a serem apresentados, os autores enumeram problemas brasileiros e oferecem a solução estatal como se esta fosse a única e indeclinavelmente possível; já no terceiro tema, dedicam uma página inteira do livro à mais franca apologia do MST e da reforma agrária.



A doutrinação camuflada

Vamos aos trechos, começando à página 50, do Capítulo 5 – A distribuição da população brasileira - Entendendo a pirâmide etária brasileira, donde se lê, com grifos de minha parte:





Analisar e extrair dados da pirâmide etária é fundamental para compreendermos melhor a nossa sociedade. As informações extraídas podem auxiliar o governo dos municípios, dos estados e da União a executar melhor suas ações sociais e a planejar suas ações futuras.Veja o quadro que se segue:

1 – Base larga

Indica um elevado percentual de jovens no total da população, fato que indica a necessidade de o governo fazer grandes investimentos na construção de postos de saúde, hospitais, creches, escolas e universidades, e também na geração de empregos. Na realidade brasileira, porém, os setores da saúde e educação não recebem quantidade suficiente de recursos. Um grande número de crianças e adolescentes não frequenta a escola e vive em condições precárias de saúde e alimentação. Além disso, muitos jovens começam a trabalhar prematuramente para ajudar na renda da família, prejudicando os estudos.

2- Corpo Afunilado

(...)

3- Ápice estreito

Indica um percentual ainda reduzido de idosos (cerca de 10%) no total da população. Isto revela que a expectativa de vida do brasileiro é relativamente baixa: em torno de 72 anos. Em países como Suécia, Bélgica, e Holanda, a expectativa de vida está acima dos 78 anos. A longevidade nesses países se deve, principalmente, à elevada qualidade de vida da maioria da população, que, ao atingir a terceira idade, recebe amparo do governo, com bons planos de aposentadoria, assistência médico-hospitalar de boa qualidade, entre outros benefícios, o que não ocorre no Brasil.




Como os leitores podem perceber, os autores incorrem em um fatalismo estatólatra, atribuindo ao estado todas as responsabilidades pela provisão de toda a sorte de facilidades e benefícios, como se se tratasse de uma mera questão de conveniência e arbítrio, e não da arrecadação que este obtém com os tributos e das suas crônicas deficiências em aplicar os recursos públicos. Com isto, liminarmente afastam dos estudantes – crianças de 10 a 13 anos - a opção de criticar os problemas sociais brasileiros com base em uma ética pautada pelas liberdades individuais e pela iniciativa privada.

Vamos adiante, agora visitando as páginas 58 e 59, já no Capítulo 6 - O espaço rural brasileiro:


P. 58 - A expansão da produção de gêneros agrícolas para a indústria e para a exportação

Entretanto, grande parte dos agricultores proprietários de pequenos e médios estabelecimentos rurais recebem do governo recursos técnicos e financeiros insuficientes para atender às suas necessidades. Tal fato tem dificultado a modernização dessas propriedades, que, em grande parte estão voltadas para a produção de culturas alimentares, como o feijão, a mandioca e o arroz.

P. 59 - Cooperativas, agroindústrias e a modernização do campo.

Uma das principais formas encontradas pelos pequenos e médios agricultores para superar os problemas causados principalmente pela falta de apoio financeiro do governo é a formação de cooperativas.

Uma economia de mercado, a princípio, não deve necessitar de financiamentos externos de origem estatal para a produção, a não ser por razões muito especiais. Em uma autêntica economia de mercado, a poupança própria é a primeira responsável pelo financiamento da produção. Quanto ao financiamento privado, se necessário ou viável, este pode ser obtido por meio da rede bancária privada, da bolsa de futuros ou até por meio da captação no mercado de capitais. Quando o governo se põe a emprestar dinheiro para a produção agrícola, isto não significa outra coisa que um encarecimento de todo o processo produtivo, eis que o capital original foi captado de forma “gratuita” por meio da tributação, este que agora é oferecido a juros a quem foi confiscada parte de sua poupança que bem poderia ter sido aplicada na produção.

Muito menos há de se falar em fornecimento estatal de recursos técnicos, pois o aprimoramento técnico faz parte natural do processo de especialização dos meios de produção. É o produtor quem precisa buscar desenvolver-se tecnologicamente, seja por meios próprios, seja por meio da aquisição comercial de tecnologia, da mesma forma como uma empresa urbana contrata firmas de consultoria para diversos fins, e não o governo que precisa manter uma estrutura com tal finalidade.

A doutrinação ostensiva

Conforme visto nos parágrafos acima, os autores fizeram uso de uma linguagem sutil, que não se reporta à defesa direta de partidos e ideologias, mas que prega melifluamente aos alunos em tenra idade a solução estatal para os problemas sociais apontados, de forma a parecerem naturais e inquestionáveis as suas conclusões. A injeção do veneno estatólatra foi feita, de modo que dali a alguns anos os alunos, então tornados cidadãos, prosseguirão a raciocinar e a tomar decisões com base nas plataformas de pensamento adquiridas na pré-adolescência.

Este tipo de abordagem é a mais difícil de ser avaliada por uma pessoa sem visão de maldade, razão pela qual é a que mais passa despercebida. Não obstante, não se contentaram os responsáveis pelo conteúdo do livro didático em pauta, eis que partiram para a franca propaganda da reforma agrária e do MST, conforme veremos em trechos do Capítulo 7 – O trabalho e a terra no espaço rural brasileiro.

A desonestidade intelectual despudorada começa ao afirmarem, à página 65, um flagrante desvirtuamento da palavra “expropriação”, a ver, com grifos dos autores:

Uma das principais causas da concentração fundiária no Brasil é a expropriação, ou seja, a perda da propriedade rural pelos pequenos agricultores que, endividados, acabam utilizando suas terras como pagamento de dívidas contraídas em bancos, ou vendendo-as para empresas e grandes fazendeiros. Sem terra para trabalhar, muitos desses agricultores migram para as cidades.

Ora, em hipótese nenhuma há de se falar em “expropriação” segundo os fatos apontados no livro, isto é, a entrega de terras dadas em garantia por empréstimos bancários e a venda a terceiros. Expropriação é confisco de terras, sem direito sequer a uma indenização, assim como o STF fez com os arrozeiros da região da Reserva Raposa Serra do Sol e como o Incra tem feito a partir de sua nova e peculiar interpretação das terras quilombolas.

Vamos agora à página 66, cujo inteiro teor foi transmitido na íntegra, a seguir, com comentários de minha parte em destaque:





Reforma Agrária: a reorganização do espaço rural

De acordo com vários especialistas, muitos dos problemas existentes no espaço rural brasileiro poderiam ser resolvidos caso o país promovesse uma ampla reforma agrária, isto é, uma reorganização da estrutura fundiária com o objetivo de promover a distribuição mais justa das terras. Para tanto, seria necessário desapropriar grandes áreas improdutivas, como as existentes em muitas fazendas. As terras desapropriadas seriam então subdivididas em lotes e distribuídas entre os agricultores e trabalhadores rurais sem terra, formando os chamados assentamentos rurais.

No Brasil, a implantação de uma reforma agrária mais ampla vem sendo adiada há décadas. Tal demora obriga milhares de trabalhadores rurais a viver em condições desumanas. Essa situação gera grande tensão no campo, o que, muitas vezes, provoca conflitos entre trabalhadores sem terra e fazendeiros.

A implantação efetiva da reforma agrária traria muitas transformações ao espaço rural do país, como a redução da migração de trabalhadores rurais para as cidades, fixando-os no campo, a melhoria das condições de vida dos pequenos agricultores e de suas famílias, o aumento da produção de alimentos básicos para a população e a diminuição da violência gerada nos conflitos pela posse de terras.


Comentário: Os autores levantam a alegada problemática de uma concentração de terras e da corrente migratória para os centros urbanos omitindo nesta linha de raciocínio o notório fato de o Brasil se destacar mundialmente com um dos maiores produtores de alimentos do mundo, fornecendo-os aos preços mais baixos aos seus cidadãos, bem como pelo fato de que em economias mais adiantadas a população rural ser ainda muito mais reduzida que a brasileira. A pergunta primeira que fica, portanto, é esta: a quem a organização do sistema agropecuário deve servir: à população – os consumidores - ou ao assentamento de agricultores despreparados e incompetentes? Além disso, em nenhuma grande potência agrícola mundial jamais houve nenhuma reforma agrária. Pelo contrário, onde houve, verificou-se um verdadeiro desastre na produção e a geração de desastrosos quadros de violência e até de revoltas e revoluções.


Quadro em destaque nº 1:

A simples redistribuição de terras não garante o sucesso de uma reforma agrária. É necessário que sejam tomadas, principalmente por parte do governo, medidas de apoio aos pequenos produtores rurais, tais como:

- facilidades na obtenção e pagamento de financiamentos bancários, para que os agricultores possam adquirir máquinas, implementos agrícolas, adubos e sementes, entre outros elementos necessários à produção;

- garantia de preços na comercialização da safra;

- condições de transporte e armazenamento da produção;

- orientação técnica de agrônomos e veterinários, possibilitando uma maior rentabilidade das lavouras e criações;

- criação de infraestrutura nos assentamentos como a construção e a manutenção de escolas, postos de saúde, e sistema de transporte.

- Logo, uma reforma agrária deve garantir melhores condições de trabalho e de vida aos pequenos produtores rurais e suas famílias.


Comentário: Aí está um flagrante de economia planejada ao modo socialista de produção: juros diferentes dos que seriam balizados pelos riscos e preferências do mercado; preços mínimos subsidiados pelo estado que significam não outra coisa que a ineficiência paga com o dinheiro arrancado à força da população, com o empobrecimento de toda a sociedade; orientação técnica estatal que pode ser oferecida de forma mais eficiente pela iniciativa privada, bem como toda a infraestrutura de produção, transporte e comercialização. Seria interessante que os doutos professores que afirmaram tamanha estultice mostrassem os prodígios realizados pelas nações socialistas, a começar pela URSS, que de maior exportadora mundial de grãos, veio a se tornar importadora, ou por Cuba, que se gaba por uma produtividade inferior a um décimo da brasileira.




Quadro em destaque nº 2:

Nos últimos anos, os trabalhadores sem terra no Brasil vêm atuando de forma organizada, por meio do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra (MST). Esse movimento atua na maioria dos estados brasileiros, com o apoio de várias entidades religiosas, sociais e políticas. O MST promove ocupações provisórias em fazendas improdutivas, como forma de pressão para que o governo acelere o processo de reforma agrária no país. Contudo, na maioria das vezes, as ocupações causam conflitos entre os lavradores sem terra, os jagunços contratados pelos donos das fazendas e os policiais que, normalmente, atuam com o objetivo de impedir as ocupações ou de retirar os sem terra da área ocupada, por ordem da justiça. Estes conflitos têm gerado grandes tragédias no campo, causando a morte de centenas de trabalhadores rurais.




Comentário: Note-se como os autores pintam de rosa a ações do Movimento dos Sem Terra - MST, usando de termos tais como “ocupações provisórias” o que são invasões de propriedade com o uso frequente da força e da violência, amiúde com o sequestro dos proprietários ou senão de seus funcionários, com destruição de benfeitorias, máquinas e equipamentos, bem como com o esbulho de culturas e criações, enquanto usam de uma linguagem acusatória para com os funcionários encarregados de proteger as propriedades, a quem chamam pejorativamente de “jagunços” e até mesmo usam de um tom a deslegitimar a função da polícia, como se não fosse seu dever - em tempo, tantas vezes descumprido – de proteger a propriedade e obedecer aos mandados de reintegração de pose. Não obstante, segundo pesquisa levada a cabo pelo próprio Incra, o quase um milhão de famílias que já recebeu títulos de terras torrou seus empréstimos a juros privilegiados, fez nenhum ou pouco uso dos recursos técnicos oferecidos e destes quase a metade mal consegue produzir o mínimo para sobreviver, permanecendo ainda pendurados em cestas básicas pagas pelos cidadãos por via do estado.

Conclusão

Aqui estão alguns exemplos flagrantes de doutrinação político-ideológica aplicada aos alunos de dez a treze anos, e olhem só, no caso concreto, de uma escola particular! Pais! Mães! Mestres honestos! Precisamos dar um basta, e isto se faz pela cobrança de todos nós.


Como sempre digo, a opinião pertence a cada um, mas os fatos, estes não podem servir de reféns da ideologia. Se vocês não quiserem ver seus filhos molestados por militantes de plantão, averiguem os livros escolares de seus filhos, cobrem de suas escolas e mandem para mim, que os publicarei para amplo conhecimento público. Vocês podem escanear as folhas sobre as quais têm dúvidas ou certeza de incidência de doutrinação político-ideológica e enviar para o meu e-mail. (klauber.pires@gmail.com)




(*)Luis Lopes Diniz Filho é Doutor em Geografia pela FFLCH-USP; professor do Departamento de Geografia da UFPR.

Fonte: Gazeta do Povo, edição de 30 de julho de 2012/Escola sem partido

quinta-feira, agosto 02, 2012

O BRASIL É UMA PEPSI-COLA?





A Pepsi-Cola vem desenvolvendo uma campanha de marketing ousada. Alguns dizem que a fábrica do refrigerante se rendeu e assumiu que não é o preferido; outros entendem que é uma forma diferente de se impor e assumir uma liderança nunca alcançada.

O Brasil dos últimos 9 anos, parece a Pepsi-Cola e tenta se impor através do marketing, tão caro e ousado quanto a campanha desenvolvida pela multinacional do refrigerante. Todavia, ao contrário do refrigerante, as alternativas que se apresentam para quem "compra" o novo Brasil têm sido um desastre.

Tanto a Pepsi quanto o Brasil atual, são frutos do marketing; só que a Pepsi paga seu marketing com seus próprios recursos; já o Brasil paga seu marketing com recursos das empresas governamentais e isso significa que o contribuinte é quem paga pela "farra". Seria como se a Coca-Cola financiasse a campanha "Pode ser?" da Pepsi.

Se fizermos um pequeno esforço, veremos que o marketing governamental é muito parecido com o da Pepsi. Querem ver?

-  "O consumidor brasileiro quer juros mais condizentes com um pais de terceiro mundo que eternamente sonha em ser uma nação decente. O governo oferece ao consumidor com a maior cara de pau do mundo, uma redução nos ganhos da poupança e sem nenhum pudor diz: Pode Ser?

- "Para julgar os corruptos do mensalão, a parte não contaminada da população exige independência dos magistrados do STF. O governo oferece 8 dos 11 ministros nomeados nos últimos anos e diz com a carinha de uma madre Tereza: Pode Ser?

- "Queremos um jurista renomado, de reputação ilibada e de notável saber jurídico para a mais alta corte do país, diz o contribuinte". O governo oferece o José Antonio Dias Toffoli (ex advogado do petê e amigo pessoal de Lula e causídico do José Dirceu, apontado como "chefe de quadrilha")e com a cara mais cândida do mundo diz ao pagador de impostos: Pode ser?

A vantagem, no caso do Marketing da Pepsi, é que o consumidor pode escolher entre o Pode Ser a Pepsi e o Eu Quero é Coca-Cola ou Guaraná ou Tubaína ou outras dezenas de refrigerantes; já no caso do Marketing do Governo - o Pode Ser é sempre o Pior - o cidadão só tem uma saída e essa, necessariamente passa pela posse de um Passaporte e uma passagem só de ida para outro país - longe do continente sulamericano.

Querem um pais melhor em 2014? Tirem o cavalinho da chuva; o Pode Ser do governo será Dilma ou mais do mesmo (Lula).