quinta-feira, novembro 22, 2012

Da Primavera Árabe para o Inverno (ou Inferno) Israelense











por Herman Glanz 



A escalada da guerra no Oriente Médio, com a agressão, por centenas de foguetes, às populações civis de Israel, pelos palestinos do Hamas da Faixa de Gaza, além de incorrer em dois crimes de guerra, a saber: atacar populações civis de Israel e se ocultar em meio à própria população civil palestina na Faixa de Gaza, tem por finalidade desviar a atenção de Israel da preparação das armas nucleares pelo Irã.

Ocupado no sul, Israel não terá fôlego para se preocupar com Ahmadinejad e os ayatolás. E tem ainda a finalidade de desviar a atenção da guerra-civil na Síria e dos conflitos entre correntes muçulmanas. Enquanto os foguetes caem em Israel às centenas – já passam do milheiro somente neste ano, 760 desde a última quarta-feira, destaca o Ministério do Exterior israelense que o Conselho de Direitos Humanos da ONU não se pronunciou, condenando as agressões, mas só se ocupa em condenar Israel.

Mas não param aí as agressões e preocupações israelenses. Há uma escalada do conflito, quando Farouk Kadumi, que foi o primeiro presidente da OLP, declara que os palestinos deveriam se unir à Jordânia, e o Príncipe Herdeiro jordaniano fala em retomar a Margem Ocidental. Preocupa a Israel, mas preocupa especialmente a família real jordaniana, pois a presença palestina pode significar a queda da monarquia.

O que está acontecendo é o surgimento de uma nova Guerra Árabe, guerra fria e quente, onde Israel ocupa um cenário para desviar a atenção da Guerra Árabe. O jornal “Asharq Al Awsat” publica artigo do Imad Eddine Adib no qual diz que “a guerra de Gaza é um exemplo, em miniatura, do amplo conflito regional” (…) ”não se trata somente de foguetes lançados sobre Israel, mas principalmente desafiar a experiência dos muçulmanos no poder. O conflito arrisca arrastar o Egito, o Qatar e o Irã e muito dependerá da evolução das negociações entre Irã e Estados Unidos. Não se acha excluída uma nova tensão no Líbano para capturar reféns e usá-los nas negociações como trunfos num jogo iraniano”. Ainda diz o artigo que pode significar colocar Israel e Estados Unidos contra o Irã.”

O jornal saudita “Al Watan” informa de uma entrevista telefônica entre o Rei Abdallah Ben Abdelaziz e o Presidente egípcio, Mohamed Morsi, onde o Rei afirmou ao Presidente que “a situação em Gaza exige a maior sabedoria no trato, aconselhando o Cairo a evitar reações passionais e privilegiar atitudes refletidas e de apaziguamento”.

A verdade é que os conflitos do próprio mundo muçulmano nada têm a ver com Israel. Apesar da Síria ter Israel como inimigo, a fronteira síria com Israel é mais calma, apenas ocorreram atos menores de avanço na zona desmilitarizada; é provável que venham a recrudescer atos provocativos, pois é tudo que Bashar Assad quer para desviar a reação que enfrenta; enquanto isso as demais fronteiras sírias estão ocupadas com refugiados. A Turquia já atirou contra a Síria. Na Jordânia um soldado jordaniano já morreu. No Líbano foi assassinado o general que era contrário aos sírios. A Arábia Saudita se opõe ao Irã, pois este dá apoio aos xiitas sauditas e o Rei mandou tropas em ajuda ao Bahrein contra os xiitas.

Verdade é que, enquanto brigam os muçulmanos entre si, Israel sofre, e a ampliação da guerra é iminente, com invasão terrestre. Já se observam movimentos para conseguir um cessar-fogo, agindo nesse sentido o Egito, Qatar, Turquia e Arábia Saudita. Evidentemente para costurar um acordo, tentarão sempre extrair vantagens de Israel. Por enquanto, o povo de Israel sofre, inclusive com as informações desvirtuadas da mídia e a tradicional montagem de imagens dos palestinos, quando mostram um palestino morto por ataque de Israel e, depois, se se prestar atenção, o tal “morto” está noutra imagem posterior, atuando em mais uma gravação da falsa propaganda. Mas a mídia ocidental divulga e não desmente. Não há, ainda, condições de uma paz verdadeira.


Fonte: Pletz

quarta-feira, novembro 21, 2012

Com olhos em Gaza.





por Paulo Rosenbaum(*)


Ahmadinejad e Kaled Meshaal, líder do grupo terrorista Hamas



O Ministério adverte: esse artigo não é recomendável para torcedores fanáticos nem para aqueles que insistem em ter razão a priori.

O que está acontecendo entre Israel e o Hamas, que ocupou a faixa de Gaza depois que as forças de defesa desocuparam aquela região, era o segundo mais previsível dos conflitos. O primeiro será a manobra derivacionista, conduzida sob o estímulo direto do Irã, parceiro de Assad nos massacres contra o povo sírio. Nos próximos dias, se tudo sair direitinho conforme planejado, o regime teocrático vai tentar reabrir novo front ao norte.

O que virá depois ninguém sabe. As superpotências e a ONU estão ocupadas demais com as bancarrotas financeiras nos seus quintais para bloquear a selvageria que acomete a região.

Mesmo assim, é preciso um pouco de suspensão de qualquer crase ideológica para colocar qualquer luz nos fatos recentes. Os palestinos da Cisjordânia, ligados ao Fatah, tem sido mais pragmáticos e, mesmo capengas, os acordos de Oslo ainda dão alguma sustentação a ideia de dois Estados, a única saída para o conflito. Ninguém pode dizer que não há uma vida tensa, porém vigora certa normalidade, e até prosperidade econômica. Na Palestina de cima há uma classe média, politizada e crítica, e um crescimento econômico de 8% ao ano. Nada mal para tempos de recessão mundial.

A convivência tácita entre os dois povos é uma realidade. Era essa a chance de diálogo que vem sendo desperdiçada há pelo menos uma década. Sempre será a paz fugidia, instável e permanentemente tensa, ainda assim paz.

Completamente diferente da situação da Palestina do Sul, dominada pelo Hamas, organização paramilitar islamofascista, que usa a população civil de Israel como alvo preferencial de mísseis destrutivos, falsamente artesanais, há alguns anos, seguidamente. Essas provocações, que obviamente não são só feitas com biribas inócuas, provocam pânico, destruição e morte entre a população civil do sul de Israel, acarretando uma semi-vida em bunkers para cerca de um milhão de pessoas. Exatamente a mesma população de Gaza, onde por sua vez, prevalece extrema pobreza, apesar de circular muito dinheiro. Lá, como no tráfico dos morros, o fluxo financeiro das doações é controlado com mão de ferro pelos aiatolás do Hamas. Esse controle permite sustentação política através da bem sucedida politica assistencialista, que tanto seduz aqueles que querem dominar as massas sem lhes conceder independência de opinião, liberdade de expressão e aquelas palavras horríveis, que provoca sinceros arrepios nos populistas do mundo: consciência crítica.

Apesar da esmagadora superioridade militar das Forças de Defesa israelenses, a tática de guerrilha islâmica dá certo por uma conjunção de dois fatores interdependentes: o medo crescente da população civil e o consequente apoio da população israelense aos governos que usam preferencialmente a linguagem militar dura: só retaliações permanentes protegem. O fato é que não protegem, e na infernal retroalimentação, agora o risco concreto é cair na velha armadilha e abrir novo front, desta vez por terra. O resultado já pode ser antecipado e bem antes da abertura das urnas funerárias: mais foguetes e mais baixas entre civis, dos dois lados.

O agravante agudo é o Egito, agora com a irmandade muçulmana no poder, adepta da prima-irmã da doutrina que inspirou o Hamas. Mas o grande tabuleiro oculto vem do xadrez pesado que o Irã faz para hostilizar o Estado Judaico através do expansionismo xiita e sua pan-influencia, que vai da Síria à faixa de Gaza, passando pelo Líbano com sua sucursal naquele país, o Hezbollah.

Há poucos dias, uma efeméride chamou-me a atenção um fato que desconhecia, no século V, um rei etíope puniu os judeus daquele país por ajudar muçulmanos. Sabíamos dos antecedentes de ajuda mútua na idade média: no século X o mesmo aconteceu com os muçulmanos, desta vez por abrigar e esconder judeus das garras da Inquisição. Ou seja, há precedentes históricos de solidariedade e paz entre estes povos. Isso para dizer que o conflito não é, nunca foi atávico. Atávico virou uma designação politica contemporânea para confirmar que não tem jeito, que devemos nos conformar com o inexorável.

Mas não só não devemos, como não podemos nos dar a este luxo!

O fato de termos chegado a um lugar onde aparentemente não há uma saída visível para ninguém, evidencia que, mais uma vez, a sociologia da ignorância entrou em ação para mostrar todos seus resultados pedagógicos. Nenhum dos lados é santo, mas a culpa está sempre aonde se concentram mais fanáticos.

Estamos em pleno fogo que decerto vai respingar no mundo, quando poderíamos ter, todos nós, evitado mais essa vergonhosa saraivada de mísseis estúpidos.

Não é a toa que precisamos pedir ajuda aos Céus, onde ainda há esperança de vida inteligente.

(*)Paulo Rosenbaum, é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”

terça-feira, novembro 20, 2012

A Guerra Preto no Branco.









por Mirian Assor






Gostaria de saber qual seria a reação de François Hollande, da senhora Merkel, do Papa, se Paris, Berlim e o Vaticano fossem atacados dia sim, dia sim, por um inimigo vizinho violento e assassino, que já lançou milhares de mísseis, mas que se apresenta como magoado e indefeso.

País com juízo não tolera agressão. Claro. Um míssil não pode ser recebido com bolo brigadeiro. Obviamente. Governo que encolhe as omoplatas diante de uma ameaça feroz prostitui a independência. Certíssimo. A defesa de uma nação não possui a consistência da bavaroise. Seria a catástrofe. A proteção contra o terrorismo não se faz com conversa mole.

Ahmaed Jaabari, que fora preso, em 1998, pelo fantoche Serviço de Segurança Preventiva da Autoridade Nacional Palestiniana, e quem dirigiu o operativo de custódia do soldado Gilad Shalit, movendo-o entre diferentes esconderijos até o momento de sua troca por mil palestinianos cheiinhos de sangue nas manápulas, em Outubro de 2011, teve a sepulcro que cavou. Pois é.

Um criminoso que anda à chuva molha o lombo. Os talhantes da laia do hamas, da jihad Islâmica e de bandoleiros afins, sofrem de tamanha gula pelo ventre aberto que os sanguinários treinam os próprios filhos para serem futuros monstros, fardando-os com cinto de explosivos e utilizando-os como escudos humanos. Esta perversidade conta com o obsceno aval silencioso da Unicef, que supostamente devia zelar pelos direitos das crianças, mas, escandalosamente, nunca interveio. Adiante. A técnica recorrente de os bombistas se esconderem em mesquitas, escolas e hospitais, onde ninguém reza, estuda e está doente, conquista a opinião facciosa burra e alcoviteira.

Israel é, talvez, o único estado livre ao cimo da terra, que tem tido demasiada contenção para assegurar a sua existência e um caso, quase, de estudo porque o mundo espera sempre dele tantas e tantas explicações por defender a sua soberania. As operações militares na Faixa de Gaza, que goza de uma das maiores densidades populacionais do globo, com 1,5 milhão de habitantes numa região de apenas 40 km de comprimento e cerca de 6 km a 12 km de largura, são efetuadas com escrúpulos que mais nenhum exército quer conhecer.

Panfletos escritos em árabe a avisarem que determinada área será alvo de ataque, dizem por si. A egoísta Comunidade Internacional teima em ver o conflito de olhos estrábicos. O mapa desfruta de um presente chamado petróleo e, idem, sorte; não há mísseis apontados em sua direção e por isso, canta de galo com o estômago cheio. Não só o palerma aparelho digestivo egocêntrico é o culpado de uma leitura absurda.

Há um suor analfabeto compulsivo ridículo em igualar o Estado de Israel com um bando de homicidas. Depois, chega a esquizóide atitude; a guerra, para os covardes do costume e para os tradicionais imbecis, apenas estoura quando Israel responde às agressões. O edema de mácula propositado, desvairado, indecoroso de valores universais, travestida de anti-semitismo, fá-los considerar que o hamas só retruque e goza de depósito bélico inofensivo. Uma ova.

Não é preciso ir muito atrás para afirmar e reafirmar que o gangue não brinca à Cinderela. Na quinta-feira dia 15 de Novembro matou três israelitas na cidade Kiryat Malachi. Feriu um bebé e uma criança. Coloca cerca de três milhões e meio debaixo de fogo. Os foguetes mortíferos, desta vez, de pata superior, estão a atingir Telavive e Jerusalém. O míssil Fajr-5 de fabrico do irmão canibal iraniano, capaz de atingir alvos até 75 quilômetros de distância, constitui o último grito da moda do curral. Estão com azar e terão azar.

O sistema defensivo de Israel funciona e facilita o caminho daqueles que, ao praticarem o terror, ambicionam um encontro festivo com as hipotéticas e, convínhamos, infindáveis 72 virgens.


Fonte: Pletz







Pilar de Defesa.









por Floriano Pesaro(*) 






É impossível se calar diante da inquietante situação de Israel e da Faixa de Gaza nos últimos dias. A verdade é que estou extremamente preocupado, perplexo e revoltado.

Antes de tudo, estou preocupado pelas vidas dos civis israelenses sob ameaça dos foguetes lançados sobre seus lares, seus trabalhos, suas escolas, pelas vidas dos soldados obrigados a se mobilizar e agir, pelas vidas dos palestinos, inocentes reféns da violência do Hamas. Este Hamas violento e assassino que já lançou milhares de foguetes sobre o Estado de Israel nos últimos anos, mas que se exibe ao mundo como ofendido e indefeso quando os israelenses buscam eliminar a fonte das constantes e, então, insuportáveis agressões.

Minha perplexidade advém do fato que é sabido e notório que o Hamas nunca aceitou e declara que nunca aceitará a existência do Estado de Israel. Esta organização terrorista utiliza civis como escudos humanos, até mesmo para utilizar como instrumento de mídia. O Hamas, desde 2005, tem contrabandeado para dentro do território de Gaza armas cada vez mais letais, que podem atingir milhares de civis inocentes no território israelense, sejam eles judeus, muçulmanos ou cristãos.

Com esta operação, Israel busca desmantelar o arsenal e a infraestrutura do terror preparada ao longo dos anos, desde 2005 até hoje, e abolir o comando deste domínio palestino assassino. Já a minha revolta é imensa. O mundo tem testemunhado estes ataques de foguete há anos e com extrema intensidade nestas últimas semanas.

Porém, assim que Israel exerceu seu legítimo direito de defesa, a mídia mundial, com seu viés característico, começou a noticiar o conflito como se Israel fosse o grande Golias agressor; como se crianças israelenses não fossem feridas, não tivessem traumas, não morressem… As notícias são tendenciosas, simplistas.

Ninguém disse que a Comunidade Europeia e os Estados Unidos se alinharam com Israel e seu direito inalienável de defender seu país das agressões recebidas. Ninguém ressaltou a enormidade de bombas caídas no sul de Israel nas últimas semanas! A situação ainda requer muita atenção e cuidado, mas seria útil ver a imprensa mundial ser mais imparcial, pelo menos no que tange à exposição real dos fatos.

Quanto a nós, ficaremos ainda preocupados e perplexos, mas prontos a alertar o mundo quem é quem neste triste conflito. Israel precisa de todas as nossas vozes em sua defesa. Nosso papel é esclarecer, retificar e impedir que difamem esta brava nação que luta para defender seus cidadãos da agressão terrorista.

Israel tem-me a seu lado no âmbito político, social e onde necessário for.

(*)Floriano Pesaro é Sociólogo e Vereador em SP


segunda-feira, novembro 19, 2012

Brincar com o pênis e com a vulva é gostoso.


Brincar com o pênis e com a vulva é gostoso.

Conteúdo Imoral na Escola
por Miguel Nagib (Escola Sem Partido)



“Os pais têm direito a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.” É isso que estabelece o artigo 12 da Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), da qual o Brasil é signatário:



                                   CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (1969)*

                                (PACTO DE SAN JOSÉ DA COSTA RICA)

Artigo 12 - Liberdade de consciência e de religião

1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado.

2. Ninguém pode ser submetido a medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças.

3. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita apenas às limitações previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.

4. Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.



Ocorre que esse direito não vem sendo respeitado por nossas escolas. Burocratas e “especialistas” em educação decidiram educar nossos filhos por nós. Decidiram acabar com a formação moral que lhes damos em casa. Para eles, tudo não passa de “preconceitos” e “tabus”. Do MEC e das secretarias de Educação partem as diretrizes. Nas salas de aula, professores despreparados, perturbados ou pervertidos – é difícil saber – as colocam em prática.

Em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília, um professor de Educação Física (Fábio Conrado) resolveu fazer uma “brincadeirinha” com seus alunos: quem errasse a jogada tinha de responder a perguntas como “você é virgem?” ou “já fez sexo oral em Fulano?” 


Em Recife, crianças de 7 a 10 anos aprendem em sala de aula que “brincar com o pênis e com a vulva é gostoso” e que “o papai acha muito gostoso quando seu pênis fica duro”. Em Contagem (MG), o dever de casa dos alunos do 4.º ano de uma escola municipal – falamos de crianças de 10 anos – é responder “o que é sexo anal”, “o que é boquete“ e “como dois homens fazem sexo”.(ESTADO NÃO DEVE ENFRAQUECER AUTORIDADE DOS PAIS)


Frases escritas em quadro em classe de aula por professor em Ceilândia, no Distrito Federal (Foto: Reprodução)Frases escritas em quadro em classe de aula por  professor em Ceilândia, no DF (Foto: Reprodução)

Os episódios se sucedem. O que chega ao nosso conhecimento é apenas uma fração do que acontece no interior das salas de aula; é o que “vaza” por acidente. Mas pelos “vazamentos” podemos estimar o volume e a qualidade do esgoto moral que circula pelas tubulações do sistema de ensino.

Quem já tentou sabe que é inútil argumentar com esses “educadores”. Os pais que reclamam são tratados como ignorantes e retrógrados.

Qual a solução? Simples: basta que o MEC e as secretarias de Educação proíbam a veiculação de temas como sexualidade – que envolve inevitavelmente uma abordagem moral – nas disciplinas obrigatórias. Se o governo quiser usar as escolas para tratar desses assuntos, que crie uma disciplina facultativa, como se dá com o ensino religioso. É a única saída compatível com o art. 12 da CADH.

Isso vai acontecer? Não neste governo, com certeza. Embora a presidente da República tenha declarado, ao vetar o “kit gay”, que “nós não podemos interferir na vida privada das pessoas”, o MEC continua trabalhando de modo incansável para destruir a autoridade moral dos pais sobre seus filhos. É possível obrigar o governo a agir, mas na Justiça isso pode levar anos.

A boa notícia é que os pais não precisam esperar de mãos atadas. Nosso conselho é processar por danos morais as escolas e os professores que transmitirem aos seus filhos conteúdos que se chocarem com os seus valores e convicções. Além do dano moral causado aos seus filhos – o que precisa ser avaliado caso a caso –, há o dano decorrente da violação a sua autoridade moral. Em situações como essas, dependendo do caso, as indenizações podem passar de R$ 20 mil.

Ou, se quiserem agir preventivamente, ajuízem, com base no art. 12 da CADH, ações para que as escolas e os professores dos seus filhos sejam obrigados a se abster, sob pena de multa, de veicular conteúdos morais nas disciplinas obrigatórias; e orientem seus filhos a lhes reportar em casa o que virem e ouvirem na sala de aula. Se os professores e as escolas começarem a ser processados e condenados, é possível que pensem duas vezes antes de ensinar a crianças de 10 anos “o que é boquete” e “como dois homens fazem sexo”.


Fonte: Escola Sem Partido/ G1/Jurisite.com.br/Gazetadopovo.com.br


sábado, novembro 17, 2012

SÁBIO É QUEM ANTEVÊ O FUTURO.











SÁBIO É QUEM ANTEVÊ O FUTURO.

(Pirkêi Avot)

por Osias Wurman

A imprensa israelense está dando realce, nas edições desta sexta-feira, aos acontecimentos que precederam a retirada dos israelense da Faixa de Gaza em 2005. Falando da tribuna do Knesset no dia em que seu plano de retirada foi aprovado em 25 de outubro de 2004, num tom que ridicularizou seus adversários, o então primeiro-ministro Ariel Sharon disse: "Dizem-me que a retirada [de Gaza] será interpretada como uma retirada humilhante, levará a um aumento nos ataques terroristas e apresentará Israel como uma potência em declínio. Eu rejeito categoricamente esta afirmação. "










Em seguida, o ministro da Defesa, Shaul Mofaz, não tinha dúvida na época que o movimento era "necessário e correto, e vai aumentar a segurança para os cidadãos israelenses". Meir Sheetrit, que era ministro de habitação e construção no momento, rejeitou as alegações por aqueles que acreditavam que a mudança ameaçaria cidades e vilas próximas da fronteira com Gaza e que Israel estava "fugindo do terrorismo". Sheetrit respondeu, dizendo: "Eu nunca ouvi uma afirmação mais ridícula."


Apartamento em Kiriath Malahy onde 3 israelenses foram mortos por foguete lançado de Gaza na quinta-feira.


Sete anos mais tarde, quando o debate público sobre o ritual do Sul é quase tão frustrante como a situação em si, há um silêncio ruidoso sobre a ligação entre os pecados passados e a situação atual.





Não há coincidências no Oriente Médio, que nunca foi tão "antigo" como agora. O Hamas tomou o controle de Gaza após o momento em que os soldados israelenses e os colonos foram desengatados de lá. O arsenal do inimigo tem crescido a níveis sem precedentes e insondável - dezenas de milhares de fuzis, foguetes e mísseis que atualmente ameaçam o sul do país e o centro, e até mesmo mais ao norte. Sem falar na ameaça dos milhares de foguetes iranianos do Hezbollah acumulados no Líbano.









Esta situação é o resultado de uma razão simples e descomplicada: As Forças de Defesa de Israel não estão lá para impedir. Quando Gush Katif existia em Gaza serviu como uma zona de segurança para o sul. Em seus últimos anos de existência  os colonos de lá foram vítimas de mais de 6.000 foguetes Qassam e morteiros. Sderot também esteve sob o fogo em seguida, mas muito menos do que agora, e mísseis Grad não atingiam Ashkelon, Ashdod, Beersheba, Gedera ou Kiryat Malachi. E, há poucas horas, chegaram a Tel Aviv.

Esta situação é o resultado de uma razão simples e descomplicada: As Forças de Defesa de Israel não estão lá para impedir. Quando Gush Katif existia em Gaza serviu como uma zona de segurança para o sul. Em seus últimos anos de existência  os colonos de lá foram vítimas de mais de 6.000 foguetes Qassam e morteiros. Sderot também esteve sob o fogo em seguida, mas muito menos do que agora, e mísseis Grad não atingiam Ashkelon, Ashdod, Beersheba, Gedera ou Kiryat Malachi. E, há poucas horas, chegaram a Tel Aviv


O mundo civilizado precisa ver o volume de dólares "despejados" pelo terror palestino através de foguetes e sofisticadas estruturas de lançamento, valores financeiros que deveriam ser aplicados para o bem estar do povo de Gaza.

A visita do primeiro-ministro egípcio Hisham Kandil a Gaza, e seu cinematográfico
abraço no terrorista Ismail Haniyeh, de nada ajudará a pacificação da região.
O Egito declarou que apóia a "resistência palestina".



Em entrevista à CNN, na segunda-feira passada, o presidente israelense, Shimon Peres, promete parar os foguetes a partir de Gaza usando todos os meios possíveis. “Se o Hamas quer que as mães de Gaza durmam ao lado de seus bebês eles também têm que deixar as mães judias fazerem o mesmo”, afirmou o presidente Shimon Peres à CNN na segunda-feira passada. 



Os terroristas de Gaza continuam atacando Israel com foguetes e mísseis, apesar de um cessar-fogo anunciado. O sistema Domo de Ferro interceptou um míssil Grad em Ashdod e três outros foguetes explodiram em áreas abertas. O Hamas concorda com "uma permissividade para matar", disse Peres. 


Sistema Domo de Ferro

"Se eles querem viver suas vidas corretamente e servir a seu povo, eles não podem permitir que atirem e matem nosso povo. Eles tem que pagar para que as mães tenham uma noite de sono, pois elas ficam acordadas para tomar conta de seus bebes, para que eles não sejam atingidos por foguetes. Nenhum país do mundo permitiria isso." Completou. 

Perguntado sobre como Israel vai responder, Peres respondeu: " Vamos tentar pará-los com todos os meios que pudermos. Eles pensam que somos indefesos. Temos o cuidado de respeitar a vida humana e devemos fazer. Mas se eles querem que as mães de Gaza durmam à noite, eles devem entender que as mães judias também querem dormir com seus bebês." Completou.




Israel poderá mobilizar até 75.000 reservistas, segundo a imprensa local, no que seria mais uma indicação de que uma invasão terrestre a Faixa de Gaza pode estar perto de ocorrer. O governo autorizou a convocação depois de uma reunião em Tel Aviv do gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, composto pelos nove principais ministros.

O ministro da Defesa, Ehud Barak, já havia aprovado anteriormente a ampliação do número de convocados para mais de 30.000, depois que foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza caíram perto de Jerusalém e Tel Aviv.

Fonte Rua Judaica/Veja/Cafetorah.com

sexta-feira, novembro 16, 2012

Perdoar é simples demais.





A Noite dos Cristais ou Reichskristallnacht.
A data: 9 de novembro de 1938
Onde?: Em diversos locais da Alemanha e Áustria.
O alvo: Sinagogas, habitações e lojas de judeus.


Um relato verídico e de família:



"Na minha família meu tio relata que quando menino ele visualizou as ultimas horas de vida de meu avô sendo enterrado em uma vala ainda vivo.

O detalhe: Ele foi obrigado a cavar a própria vala, jogar um cadáver dentro após arrastar o cadáver na neve, descalço, e ser atirado junto a vala com o cadáver.
Eu prefiro sobre todo este acontecimento lembrar o exemplo do Lubavitcher Rebe, de como ele encoraja a nação de Israel a superar isto.
O Lubavitcher Rebe é amplamente reconhecido como alguém que desempenhou um papel singular na definição do Judaísmo pós-Holocausto.
Em seus escritos e discussões sobre o tema, o Rebe rejeitou todas as explicações teológicas para o Holocausto. Que conceito maior - diria o Rebe - e que maior desumanidade  pode haver que dar um "motivo" para a morte e tortura de milhões de homens, mulheres e crianças inocentes? Podemos presumir que alguma explicação, suficientemente simples para encaixar-se nos limites finitos da razão humana, possa explicar um horror de tal magnitude? Podemos apenas concordar que existem coisas que estão além do alcance finito da mente humana.
Ecoando as palavras de seu sogro, o Rebe dizia: "Não cabe a mim justificar D'us nisso tudo. Somente o próprio D'us pode responder porque Ele permitiu que acontecesse". E a única resposta que aceitaremos - disse o Rebe - é a imediata e completa Redenção que para sempre expulsará o mal da face da terra e trará à luz a bondade intrínseca e a perfeição da criação de D'us. (continue lendo...)
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A noite dos Cristais.
por Ernesto Strauss (*)

Cabe lembrar esta data fatídica não somente para os poucos sobreviventes que ainda militam no mundo atual, mas toda humanidade do bom senso. Ainda mais em plena época dos que tentam enganar e iludir negando os acontecimentos como, se nada tivesse acontecido no Holocausto, a Shoah que levou ao sacrifício de seis milhões de almas judaicas.

Foi na Alemanha, sob o regime nazifascista, aceito pela população alegando que seria uma resposta ao assassinato do assessor alemão em Paris que se orquestrou um ato de vingança contra todos os judeus até a terceira geração. Foram presos e levados a campos de concentração nas mais suas precárias condições. Não houve protestos do mundo, nem reações, A maioria dos judeus havia lutado ao lado da Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Residências destruídas e famílias ameaçadas, tirados do seu convívio. Bens confiscados e desviados.

Alguns conseguiam ser libertados após semanas na única possibilidade de escapar. Depois de meses nos campos e libertados mediante a apresentação da Grã-cruz de ferro de sua condecoração da Primeira Guerra Mundial 1914/1918, apresentados a policia local conseguiram escapar e tiveram de providenciar a sua imediata saída da Alemanha, sua e de suas famílias.

Iniciou- se um processo chamado “Solução final” para o judaísmo alemão e de seus satélites sempre fundamentado por um ódio e antissemitismo do passado, como relatam os historiadores, sobre a Europa. Este processo encontrou o caminho sem reação do mundo civilizado. E quanto trauma causou, a partir de uma região que cultivava uma cultura avançada. A Segunda Guerra Mundial deixou milhões de vitimas, e graças à reação dos Estados Unidos em conjunto com a sacrificada Inglaterra, terminou em 1945.

Cabe a pergunta: o que o mundo apreendeu com todo este sacrifício.

Parece muito pouco, pois novamente estamos diante de ameaças e de grande desconhecimento de fatos. Ameaças ao Estado de Israel duramente conquistado, apesar de sua comprovada contribuição à humanidade, pois somente com liberdade podem as pessoas contribuir para o futuro.


É uma triste e saudosa lembrança, em honra a todos os que sucumbiram.

Jamais esquecer,

Perdoar é simples demais.

“Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por lhes a prova dos procedimentos e caráter dê lhes o poder de julgar”. Benjamin Franklin – presidente dos Estados Unidos.

(*)Ernesto Strauss é sobrevivente do Holocausto e diretor cultural da B’nai Brith.





quinta-feira, novembro 15, 2012

Ehr Kumt – Ele Está Chegando











por Herman Glanz 


Entrevista para a Hora Israelita de Porto Alegre – Por ocasião dos 74 anos da Noite dos Cristais – 09 e 10/11/1938.


Em 2 de maio de 1933, Coelho Netto, o grande escritor brasileiro, publicava no Jornal do Brasil do Rio de Janeiro, então Capital da República: “Ter-se-ão calado, para sempre, as grandes vozes heroicas que entoaram os hinos da libertação judaica, quando Moisés, desafiando a força faraônica, conclamando o povo o levou através das águas vermelhas para as veigas abundantes do país prometido?”. Na mesma ocasião, 1933, outro escritor brasileiro, Humberto de Campos escrevia: “O mundo inteiro levanta-se, neste momento, em favor de Israel, ameaçado na Alemanha pelo antissemitismo de Hitler.”


Em março de 1933, chamamos a atenção: Hitler assumiu o poder em 30 de janeiro de 1933; março, portanto, era pouco mais de um mês depois da ascensão de Hitler. Em março de 1933, saía no jornal “O Estado de São Paulo”, conhecido hoje como o “Estadão”, artigo de Paris, da lavra de Francesco Nitti, sobre a situação dos judeus na Alemanha. Nitti, judeu italiano, foi Primeiro-Ministro da Itália logo depois da Primeira Guerra, fugindo após a subida de Mussolini. Escrevia Nitti:


“Em Berlim, os maiores estabelecimentos comerciais são de judeus; os maiores de todos são os da casa Tietze. Visitei as maiores lojas de Londres, Nova Iorque e Paris, mas nada me impressionou tanto como a grandiosa organização Tietze. Um pretexto? A imprensa nazista , de acordo com o governo, publicou um documento do qual resultava que Tietze subsidiava e mantinha o partido comunista. (…). A Casa Tietze imediatamente declarou que o documento era falso. Mas a declaração de nada serviu e a polícia mandou invadir e saquear as lojas.”


Mas em 1938, um incidente nos faz lembrar a “Noite dos Cristais”, “Kristhalnacht”. Em 28 de outubro de 1938, HERSCHEL GRYNSZPAN, de 17 anos, que vivia em Paris, soube que seus pais, que estavam em Hanover, na Alemanha, naquele dia foram expulsos, juntamente com 20.000 judeus poloneses, e mandados para um Campo de Concentração. Não aceitando a indiferença, procurou o embaixador alemão em Paris, sendo encaminhado ao 3° conselheiro nazista, Ernst von Rath, e atira nele, que veio a falecer em 7 de novembro. Na noite de 9 para 10 de novembro, os nazistas deslancham um pogrom contra os judeus, destruindo sinagogas e quebrando as vitrinas de vidro das lojas judaicas – daí os cacos de cristais espalhados pelas ruas – a Noite dos Cristais.


Já se quebravam lojas de judeus em 1933, um mês depois da chegada de Hitler. Mas a indiferença anestesiava as reações. Falando em 1938, no Ano Novo judaico de 5771, 2010, o Rabino Schlomo Lewis, de Atlanta, EUA, pronunciou o seu Sermão, que muitos acham o Sermão do Século. Conta o próprio Rabino, que ao saber de sua visita à Lituânia, pouco antes, para ver os locais onde viveram seus parentes, um dos congregantes se aproximou e relatou:


“Recordo um sábado de 1938, quando Vladimir Jabotinsky veio à sinagoga Choral.”(…). “Quando Jabotinky veio, pronunciou um sensacional sermão naquela manhã de sábado e ainda tenho as suas palavras nos meus ouvidos. Ele subiu ao púlpito, olhou para nós com olhos cheios de fogo e gritou: “EHR KUMT, YIDN, FARLAST AYER SHTETL” – (ele está chegando, judeus, abandonem sua cidadezinha.) Pensávamos que estávamos em segurança na Lituânia, livres de Hitler. Vivíamos lá, lá crescemos durante mil anos, mas Jabotinsky estava certo – sua advertência era profética. Nós conseguimos sair, mas muitos não.”


Quando observamos movimentos hostis confundindo as coisas, com passeatas “previstas” e queima de bandeiras de Israel no fim do mês, programadas para Porto Alegre, devemos pensar e reagir: Ehr Kumt. Podem até ocorrer depredações. Não podemos deixar que se usem as liberdades para eliminá-las, para abolir os direitos dos outros e para destilar o velho ódio antissemita. Isto é preocupante. Observam-se movimentos semelhantes na Europa e nos EUA. Em Toulouse, na França, por duas vezes judeus foram atacados e mortos. Lá compareceu o Primeiro-Ministro de Israel, Netanyahu, com o Presidente francês, socialista Hollande, para reverenciar as vítimas judaicas. Ocorrem manifestações e ataques, dessacralizações de cemitérios judaicos, pichações de sinagogas, em vários países da Europa e até nos EUA. Protestos podem ser feitos, passeatas ordeiras, mas os próprios organizadores devem ser contra os usos indevidos dos protestos.


Os próprios organizadores e os Partidos políticos que os apoiam devem repudiar, com toda a clareza, sem ambiguidades, o desrespeito aos diferentes, só porque o são diferentes. E esses grupos e os Partidos políticos associados são contra porque querem apoiar um único lado, mas não podem matar e destruir o outro, tal qual na “Noite dos Cristais”. Que os Partido políticos, que se aproveitam dos protestos, se declarem contra a discriminação e o antissemitismo e contra queima das bandeiras. Do contrário, EHR KUMT. Não podemos permitir a pergunta de Coelho Netto: “Ter-se-ão calado, para sempre, as grandes vozes heroicas que entoaram os hinos da libertação judaica?”

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Sobre o "Fórum Social Mundial Palestina Livre" apoiado abertamente por Tarso Genro, governador em exercício do Rio Grande do Sul, que hospeda o ativista assassino Césare Battisti, Reinaldo Azevedo comprou uma briga ao reprovar a realização de um Fórum abertamente anti-Israel:

-Pois é… O governador Tarso Genro (PT), do Rio Grande do Sul, decidiu apoiar oficialmente um troço chamado “Fórum Social Mundial Palestina Livre”.


A coisa pegou fogo na Internet. Há um documento oficial sobre o evento. Ele deixa claro que se trata de um acontecimento contra o estado de Israel e que, na prática, justifica as ações terroristas. De tal sorte o governo do estado se envolveu com a coisa que o endereço para inscrição traz a marca “rs.gov”. Tarso tem origem judaica — sua mãe era judia. Isso não o protege necessariamente de tentações antissemitas. Não peço licença a judeus ou a não judeus para defender a existência daquele estado — ou outra ideia qualquer. Sustento que o governador está financiando uma atividade que fere o que está disposto na Constituição brasileira.
Muito bem. Publiquei ontem o post, e o governador resolveu reagir com uma nota oficial “de esclarecimento”. Eu a reproduzo em vermelho e comento em azul. “Democratas” como Tarso Genro sempre testam os meus melhores instintos.
Nota de esclarecimento

Nesta terça-feira (13), o governador Tarso Genro conversou, longamente, com o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, sobre o Fórum Social Palestina Livre, que será realizado em Porto Alegre no final deste mês. 
Tarso Genro assegurou que eventuais posições que possam ser manifestadas neste evento só serão apoiadas pelo Governo do Rio Grande do Sul se estiverem norteadas pela posição do Governo Brasileiro sobre o conflito entre israelenses e palestinos no Oriente Médio.
Lottenberg fala em nome de um grupo com ligações específicas com o tema do debate, e compreendo que possa ser, assim, moderado… Como não sou judeu, não pode pesar sobre mim a suspeita de parcialidade. Estou mais livre para sustentar: a pauta do fórum é anti-Israel; os palestrantes são anti-Israel; as reivindicações, entendidas como consenso do povo palestino (o que é mentira!), são anti-Israel. Logo, o evento é contra um país e contra um povo.

Tarso quer enganar a quem? Não sei se Lottenberg, sendo judeu, ficou satisfeito com o “esclarecimento”. Eu, que não sou, não fiquei. O tal fórum tem um documento de referência. Na prática, justifica o terrorismo. Ora, ninguém dá apoio oficial a um fórum como esse, com essa pauta, para afirmar que não se compromete com eventuais “posições” ali defendidas. Então Tarso Genro financia um evento que prega o boicote internacional a Israel e depois diz que a sua posição é a do governo brasileiro?
Ao presidente da Conib, Tarso esclareceu, ainda, que o apoio ao evento foi aprovado por se tratar de uma atividade vinculada ao Fórum Social Mundial, sem compromisso com as posições políticas que ali serão sustentadas pelos diversos integrantes do fórum.
Isso é conversa para boi dormir. O Fórum, como deixa evidente a sua pauta, não se limita a defender a existência do estado palestino. Vai muito além disso. Por que Tarso Genro não financia, só a título de debate, um seminário que pregue, deixe-me ver…, o fim dos petistas? O que lhes parece? Ele daria o dinheiro e as condições materiais para o encontro, mas sem se comprometer com as conclusões do seminário… Trata-se de uma justificativa covarde para uma ação covarde.
As posições do Governo do Rio Grande do Sul, que serão reafirmadas durante o evento, estão baseadas nos seguintes princípios: 
- Apreço às comunidades israelense e palestina, que convivem em harmonia no Rio Grande do Sul, e colaboração no debate para promover uma paz negociada e justa na região, com cessação completa das hostilidades;
Eis o humorista Tarso Genro. Insisto: a pauta do evento deixa claro que não se vai discutir a harmonia ou desarmonia das comunidades “israelense” e “palestina” do Rio Grande do Sul. Aliás, eu ignorava, até a existência dessa nota, que houvesse “israelenses e palestinos” no estado em número tão considerável. Talvez a nota tente se referir a judeus e árabes…
- Reconhecimento do direito do povo palestino de estruturar seu Estado soberano e reconhecimento do direito à existência do Estado de Israel;
Um dos itens da pauta é a chamada “volta dos refugiados”… Na forma como vem a reivindicação, isso significa, por si, negar “o direito à existência do Estado de Israel”.
- Aplicação dos acordos de Oslo e apoio às decisões das Nações Unidas sobre o conflito.

As Nações Unidas rejeitam as ações terroristas, que são incorporadas pelo “documento de referência” do encontro.
Na conversa entre o governador e o presidente da Conib, ficou claro que qualquer manifestação que desconsidere os princípios acima citados não será endossada pelo Governo do Rio Grande do Sul. As posições expostas por Tarso Genro são as mesmas do Governo Federal. Ele propôs que as comunidades gaúchas de palestinos e israelenses reúnam-se com o governador no Palácio Piratini, como já ocorrera quando este era prefeito de Porto Alegre, num evento marcante de amizade, respeito e solidariedade entre os povos.

É patético! Reitero que ignorava a existência de “gaúchos” pertencentes às comunidades “israelense” e “palestina”… Refere-se especificamente a imigrantes? O próprio Lottenberg, que eu saiba, é um brasileiro… judeu! De toda sorte, os conflitos relevantes entre judeus israelenses e árabes palestinos não se dão no Rio Grande do Sul, mas em Israel. Nos países árabes, diga-se, os judeus costumam encontrar poucas dificuldades porque quase não há judeus em países árabes. Não sei se fui muito sutil…
Tarso, então, financia um encontro escancaradamente contra Israel e depois chama todo mundo para um bate-papo? Oferece recursos para que se defendam as ações do Hamas — é o que está na pauta — e depois convida os dois lados para dividir latkes com kafta no Palácio Piratini?
Eu não preciso fazer média com o senhor Tarso Genro e não preciso comparecer à sua festinha, que encobre uma pauta sangrenta. As palavras fazem sentido. E eu prezo o sentido das palavras. O senhor Tarso Genro, ao financiar o fórum anti-Israel, está desrespeitando a Constituição da República Federativa do Brasil. E deveria ser levado à barra dos tribunais por isso. 

Por Reinaldo Azevedo





domingo, novembro 11, 2012

O Estatuto da Destruição da Família.








O Estatuto da Destruição da Família.
por Felipe de Melo



Isto, caríssimos leitores, é o que a Ordem dos Advogados do Brasil e uma boa porção de nossos parlamentares, bem como a totalidade das organizações paragovernamentais LGBT, desejam para nosso País: a desconstrução da família, o alicerce da sociedade.


Existem algumas situações com as quais nos deparamos na sociedade atual que, a bem da verdade, enchem-nos de uma profunda e justificada indignação. Para nós, que assumimos publicamente e defendemos sem medo que aos homens não é possível nenhuma auto-afirmação legítima, sólida e saudável que seja divorciada da ordem moral, testemunhar as barbaridades perpetradas por aqueles que se encontram a diuturno serviço do espírito revolucionário é ultrajante. A multiplicidade de aspectos da nossa realidade, que tem sido minuciosamente seviciada há muito tempo, provocam em nós os mais díspares efeitos, da raiva mais inflamada ao pessimismo mais melancólico. Recorrer às letras, às imagens e ao som é sempre uma forma produtiva não apenas de extravasar esses sentimentos, mas de reagir ao que se passa, de alertar os circundantes sobre a gravidade dos acontecimentos.

Óbvio que nem todos são positivamente obrigados a indignar-se dessa forma. A ralé ralante – para usar uma expressão de Baltasar Gracián – a serviço da Revolução é matreira e sabe como fazer seu trabalho de um modo sutil, à surdina – o que torna nosso trabalho muito necessário. Entretanto, há algumas coisas que ultrapassam em tão larga medida o limite do meramente intolerável que, a bem da verdade, parecem ter a proeza de roubar-nos até mesmo a capacidade de articulação para o alerta e a denúncia. Essas coisas são tão absurdamente explícitas, tão ululantemente óbvias, que o que mais nos indigna não é tanto a sua natureza brutal, mas a pusilanimidade e a pasmaceira gerais diante delas.

Confesso que escrever essas linhas está sendo como tirar leite de pedra, pois estou justamente num desses momentos de estupefação – e, para quem combate o espírito revolucionário e seus sicários, impressionar-se com alguma coisa é algo cada vez mais difícil com o passar do tempo. A Comissão Especial da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em conjunto com a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, entregaram ao presidente do senado, José Sarney, em 23 de agosto, o anteprojeto do Estatuto da Diversidade Sexual (EDS). Composto de 111 artigos, o EDS é uma das peças mais grotescas e aviltantes já concebidas na história brasileira.



Este artigo tratará dos pontos mais absurdos do texto feito pela OAB. Os trechos em negrito são grifos nossos.

Art. 13 – Todas as pessoas têm direito à constituição da família e são livres para escolher o modelo de entidade familiar que lhes aprouver, independente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

A Constituição Brasileira estabelece no § 3º do art. 266 que “é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. Se o STF, cujos ministros certamente foram vítimas de profunda crise coletiva de diverticulite encefálica, atropelou a Carta Magna ao estabelecer que, de acordo com o “espírito Constituinte”, a união homoafetiva é equivalente ao casamento entre homem e mulher, esse artigo do EDS esmigalha a letra constitucional sem piedade. Notem que o “modelo de entidade familiar que lhes aprouver” pode ser qualquer coisa: dois homens, duas mulheres, três homens, três mulheres, um homem e duas mulheres, uma mulher e dois homens... Não há limites – mesmo porque o EDS deixa implícito que a própria existência de limites seria um empecilho a esse suposto direito. Assim sendo, qualquer coisa poderá ser considerada união estável. Emblemática e ironicamente, no mesmo dia em que o anteprojeto do EDS foi apresentado a Sarney, um cartório de Tupã, interior paulista, lavrou uma escritura pública de união poliafetiva (sic) entre um homem e duas mulheres.

Art. 14 – A união homoafetiva deve ser respeitada em sua dignidade e merece a especial proteção do Estado como entidade familiar.

O anteprojeto não defende que a família, seja de que tipo for, mereça especial proteção do Estado, mas apenas a união homoafetiva. Não é fornecido nenhum argumento que justifique esse posicionamento, o que deixa margem a muitas especulações. A mais óbvia é de que o modelo tradicional de família – um homem e uma mulher unidos em matrimônio – não é digno da mesma proteção que a união homoafetiva merece. De duas, uma: ou a família tradicional é mais forte e demanda menos tutela do Estado, ou a ela é menos desejável para a sociedade em que vivemos.

Art. 32 – Nos registros de nascimento e em todos os demais documentos identificatórios, tais como carteira de identidade, título de eleitor, passaporte, carteira de habilitação, não haverá menção às expressões “pai” e “mãe”, que devem ser substituídas por “filiação”.

Esse é, certamente, um dos artigos mais estapafúrdios do EDS. A OAB parece demonstrar, nesse trecho, que qualquer menção à existência da família tradicional em documentos identificatórios deve ser suprimida por representar um símbolo anacrônico, lembrança de um modelo ultrapassado de organização humana que deve ser superada.

Art. 39 – É reconhecido aos transexuais, travestis e intersexuais o direito à retificação do nome e da identidade sexual, para adequá-los à sua identidade psíquica e social, independentemente de realização da cirurgia de transgenitalização.

Art. 40 – A sentença de alteração do nome e sexo dos transexuais, travestis e intersexuais será averbada no Livro de Registro Civil de Pessoas Naturais.

Parágrafo único – Nas certidões não podem constar quaisquer referências à mudança levada a efeito, a não ser a requerimento da parte ou por determinação judicial.

A vedação de toda e qualquer referência à mudança de nome da pessoa, considerada pelo EDS uma “retificação” – ou seja, a correção de um erro –, apenas reforça a ideia de que a identidade sexual da pessoa é algo construído socialmente. A OAB, autora do anteprojeto, demonstra considerar o ser humano uma tabula rasa, um objeto que pode ser modificado de qualquer maneira a depender das circunstâncias. Não deixa de ser uma ideia que, no fundo, remete à engenharia social.

Art. 62 – Ao programarem atividades escolares referentes a datas comemorativas, as escolas devem atentar à multiplicidade de formações familiares, de modo a evitar qualquer constrangimento dos alunos filhos de famílias homoafetivas.

O que isso significa na prática? As escolas terão de evitar a comemoração de efemérides como Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia dos Avôs e das Avós, ou fazê-las de modo que a família tradicional não receba o relevo e a atenção que merece – afinal, isso seria considerado preconceito indireto contra as uniões homoafetivas ou poliafetivas.

Art. 67 – É vedado inibir o ingresso, proibir a admissão ou a promoção no serviço privado ou público, em função da orientação sexual ou identidade de gênero do profissional.

Art. 68 – Quando da seleção de candidatos, não pode ser feita qualquer distinção ou exclusão com base na sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Esses dois artigos lembram analogamente uma situação que está ocorrendo nos Estados Unidos. O governo de Barack Hussein Obama sancionou uma lei que obriga todos os empregadores americanos – empresas públicas e privadas, com fins lucrativos ou não – a fornecerem medicamentos contraceptivos e abortivos a quaisquer funcionárias que os requisitem. Diversas organizações católicas que atuam na área educacional e no terceiro setor acionaram judicialmente a administração Obama, uma vez que isso fere a filosofia das entidades mantenedoras dessas organizações e representa uma afronta à liberdade religiosa nos Estados Unidos.

Com base nos dois artigos acima, organizações religiosas ficariam impedidas de escolher seus funcionários com base em critérios éticos congruentes com suas convicções religiosas, sendo virtualmente obrigadas a contar com um quadro de funcionários que não seja integralmente montado de acordo com seus próprios critérios.

Art. 106 – A participação em condição de igualdade de oportunidade, na vida econômica, social, política e cultural do País será promovida, prioritariamente, por meio de:

I – inclusão nas políticas públicas de desenvolvimento econômico e social;

II – modificação das estruturas institucionais do Estado para o adequado enfrentamento e a superação das desigualdades decorrentes do preconceito e da discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero;

III – promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o combate à discriminação e às desigualdades em todas as manifestações individuais, institucionais e estruturais;

IV – eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais e institucionais que impedem a representação da diversidade sexual nas esferas pública e privada;

V – estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas oriundas da sociedade civil direcionadas à promoção da igualdade de oportunidades e ao combate às desigualdades, inclusive mediante a implementação de incentivos e critérios de condicionamento e prioridade no acesso aos recursos públicos;

VII – implementação de programas de ação afirmativa destinados ao enfrentamento das desigualdades no tocante à educação, cultura, esporte e lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, meios de comunicação de massa, financiamentos públicos, acesso à terra, à Justiça, e outros.

Se existem sistemas de cotas raciais para acesso ao ensino superior público e concursos públicos, por que não estabelecer cotas sexuais? É justamente isso que esse artigo do EDS propõe. Não apenas isso: também estabelece acesso privilegiado a recursos públicos tendo como único critério a identidade sexual.

Isto, caríssimos leitores, é o que a Ordem dos Advogados do Brasil e uma boa porção de nossos parlamentares, bem como a totalidade das organizações paragovernamentais LGBT, desejam para nosso País: a desconstrução da família, o alicerce da sociedade. Caso o Estatuto da Diversidade Sexual, esse folhetim de natureza inegavelmente inconstitucional e imoral, chegar a ser aprovado, o potencial efeito desagregador que isso terá no Brasil será algo inimaginável. Se a situação está crítica agora, ela será um sonho idílico comparado com o que está por vir.



Felipe Melo edita o blog da Juventude Conservadora da UnB; para o Mídia Sem Máscara






sábado, novembro 10, 2012

Algumas Lições do Mensalão.






por Everardo Maciel (ex-secretário da receita federal 1995-2001)

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Talleyrand, célebre chanceler de Napoleão, ao censurar a dinastia dos Bourbons, dizia que eles nunca aprendiam e nunca esqueciam. Para evitar que a sociedade brasileira seja estigmatizada por esse conceito, convém que sejam extraídas algumas lições do julgamento, embora inconcluso, do mensalão.

Sem lugar a dúvidas, esse episódio é um dos mais importantes acontecimentos da nossa Justiça. Pela primeira vez estão sendo julgados, simultaneamente, importantes próceres políticos, banqueiros, profissionais liberais e, para usar uma qualificação utilizada pela defesa, mequetrefes. Cada réu com sua pena ou juízo absolutório.

O julgamento está sendo enriquecido por memoráveis manifestações sobre a ética e a República, como um sopro alentador em favor da restauração de valores que vêm sendo vilipendiados seguidamente e comprometem a formação das gerações mais jovens.

É sagrado o direito de ficar inconformado com as sentenças (jus sperniandi) ou, em nome da liberdade de expressão, criticá-las. Não é aceitável, contudo, proferir invectivas contra a convicção dos magistrados, porque, além da possibilidade de enquadramento por crimes contra a honra, constitui uma afronta ao Judiciário.

As divergências nos entendimentos dos magistrados, malgrado os dispensáveis preciosismos e discursos confusos, devem ser vistas como prova de vitalidade da instituição. O dissenso é mais rico, como ensinamento, que o consenso. A verdade tem muitas faces.

O julgamento, em virtude da transmissão ao vivo, expôs ao público conceitos antes confinados aos recintos dos tribunais e pôde arrostar a velha tese que entendia a condenação como algo destinado a pobre, preto e prostituta, segundo a perspicaz observação de um magistrado mineiro.

Dirão alguns que outras pessoas cometeram crimes idênticos ou assemelhados. É verdade. Que se julguem todos, então! O mensalão deve ser tido não como uma exceção, mas como um precedente.

Rejubilo-me com a repulsa da Corte ao caixa 2, como crime em si ou manobra diversionista para dissimular a prática de outros crimes. A alegação dessa malfadada "tese", caso fosse razoável, deveria ter trilhado os caminhos da modéstia e da contrição, sem manifestações de entusiasmada esperteza.

O Supremo Tribunal Federal não devia, contudo, ser onerado com um longo julgamento de um volumoso processo criminal, de forma estranha à sua vocação de elucidar controvérsias constitucionais e em detrimento da apreciação de relevantes demandas.

Na explicação desse fato se encontra o instituto do foro privilegiado, que pretendeu (ainda que não se diga abertamente) evitar o julgamento dos "condestáveis" da República pelos magistrados de primeira instância, na presunção de que ocorreriam excessos.

É razoável que determinadas autoridades tenham prerrogativas no atendimento de requisições judiciais. Eventuais excessos de magistrados, por sua vez, devem ser corrigidos por uma adequada lei de abuso de autoridade e por uma correição efetiva. O privilégio de foro, entretanto, é deplorável e acarreta, como se pôde ver no mensalão, julgamento em instância única e sobrecarga de trabalhos para o Supremo.

A metodologia dos julgamentos revelou-se modorrenta, repetitiva e arcaica. O cansaço visível na face de alguns ministros é apenas consequência de sua condição humana. Um laudo sobre determinada instituição financeira foi lido mais de uma dúzia de vezes. Existe alguém capaz de ouvir atentamente um relatório de mais de mil páginas? Por que reproduzir, literalmente, depoimentos contidos nos autos? Não bastaria uma ilação referenciada aos autos? Por que dispensar a utilização de modernos meios de exposição que favoreçam a compreensão das intervenções orais?

A fixação das penas (dosimetria) deveria pautar-se pela concisão, sendo expressa numa tabela, que conteria a pena-base e as circunstâncias, se for o caso, que a agravam. Além disso, parece-me que, na determinação da pena, seria aconselhável adotar o voto médio, e não o modal, como bem aconselharia a ciência estatística no trato de situações análogas.

O julgamento dos crimes de lavagem de dinheiro produz controvérsias que revelam claramente as deficiências da legislação, agravadas por mudanças recentes, que podem resultar em sérios percalços para determinados profissionais (notadamente, advogados e contadores), ainda que não tenham tido participação no ciclo criminoso. A legislação é claudicante e merece ser revista. Não há jurisprudência boa que salve uma lei ruim.

À margem desses comentários, não se pode desperdiçar a oportunidade de enfrentar as causas dos crimes que deram origem ao mensalão. Na essência, tudo gravita em torno de questões políticas e eleitorais. A prevenção desse tipo de crime aponta para o reexame da legislação relativa às prestações de contas de candidatos e partidos políticos, nela incluída a obrigação de fiscalização sistemática pela Receita Federal, e as malsinadas "emendas parlamentares" - fonte inesgotável de corrupção e de abjetas barganhas políticas.

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Sobre Everardo Maciel Thais Oyama da Veja, em agosto de 2002, traçou um interessante perfil:


O predador Everardo Maciel, o mais voraz dos secretários que a Receita já teve,incrementa a caça à sonegação,revoluciona o sistema de entrega de declarações e comemora o que,para o resto dos brasileiros, é fonte de amargura: a estratosférica subida da arrecadação (Veja mais aqui)
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Sobre o artigo ALGUMAS LIÇÕES DO MENSALÃO, Geraldo Hernandes do grupo por 1 Brasil melhor, faz algumas considerações bem apropriadas:

CARPINDO TIRIRICA

O jornal O ESTADO DE S. PAULO publicou, em 05-11-12, artigo de Everardo Maciel intitulado ALGUMAS LIÇÕES DO MENSALÃO, onde se lê:

“O julgamento está sendo enriquecido por memoráveis manifestações sobre a ética e a República, como um sopro alentador em favor da restauração de valores que vêm sendo vilipendiados seguidamente e comprometem a formação de gerações futuras”

Reconheço que o nível de conhecimento do ex-diretor da Receita Federal sobre o assunto supera o meu e lhe confere, portanto, capacidade de discernir, com maior propriedade, sobre o assunto. Mesmo assim, na minha humilde sapiência,...discordo.

Quatrocentos anos antes de Pilatos lavar as mãos, Sólon, poeta, legislador e jurista grego, já apregoava:

Justiça é como teia de aranha; só pega os pequenos enquanto os grandes a transpassa e seguem livres.

O Sr Everardo tem razão quanto ao “sopro alentador” mas, pelo tamanho que a corrupção atingiu, fermentada por anos no calor das impunidades e escorada em leis corporativistas, mesmo que os 25 acusados sejam condenados à pena máxima, muito pouco se terá avançado para redimir os poderes da República da culpa de possibilitar, por ambição, indolência ou interesse, o crescimento dessa vergonha nacional.

O que foi feito até, agora para resgatar a dignidade das nossas instituições eu vejo como... carpir tiririca.

Tiririca, para quem não conhece é, além de alcunha de um deputado, o terror dos agricultores. É uma gramínea invasora, de alto poder infestante que, por consumir nutrientes do solo, impossibilita o desenvolvimento e outras plantas e libera no solo um inibidor de geminação de sementes de outras plantas.

Carpir é perda de tempo; é grande o poder de rebrota e, em poucos dias, as folhas despontam na terra. Sua nocividade está para a lavoura assim como a dos dirigentes dos poderes da República está para a Nação.

E assim o será enquanto vigorar esse sistema que não seleciona os postulantes a cargos no legislativo.

E assim será enquanto os mais altos cargos do judiciário forem ocupados conforme os interesses de um único indivíduo.

E assim será enquanto parcela significativa do povo continuar se indignando diante da televisão e se omitindo diante da urna.

E assim será enquanto o povo ficar atirando pedras inutilmente sem uma ação efetiva.

É louvável a ação, até agora, do Judiciário, mas considero ainda prematuro assustar os passarinhos com rojões. Há muito que se fazer ainda para arrancar pela raiz as tiriricas do sistema republicano brasileiro.