segunda-feira, dezembro 10, 2012

Impossível a paz feita com terroristas.












Impossível a paz feita com terroristas.

Primeiramente saibamos o que o Islam tem a dizer, sobre Terrorismo (extraído do site da Fambras - Federação das Associações Muçulmanas do Brasil:



Uma das distintas características dos tempos em que vivemos é a esmagadora presença da violência em nossa sociedade. É uma bomba que explode num supermercado, ou um avião que desvia, onde indivíduos inocentes são feitos reféns, para aquisição de poder político. Vivemos numa idade onde a manipulação de grupos étnicos e a perda de vidas inocentes se tornaram comuns. Tal é a natureza patente da violência que não se conhecem limites. Esse “terrorismo” é considerado como uma das principais barreiras à paz e à segurança da humanidade.A palavra terrorismo entrou em uso somente algumas décadas atrás. Um dos infelizes resultados desta nova terminologia, é que limita a definição do terrorismo àqueles atos perpetrados por pequenos grupos ou indivíduos.



O terrorismo de fato é um interesse global e manifesta-se em várias formas. Aos seus autores não cabe nenhum estereótipo. Aqueles que acreditam que vidas humanas são baratas e que têm o poder de prender vidas humanas aparecem em níveis diferentes nas nossas sociedades. Pode ser o empregado frustrado que mata os seus colegas a sangue frio ou o cidadão oprimido de uma terra ocupada que exala a sua raiva fazendo explodir um autocarro escolar cheio de crianças inocentes. Esses são os terroristas que nos provocam raiva e repulsão.

Irônicos são os políticos que usam animosidades étnicas antiquíssimas entre povos para fixar as suas posições. O chefe de Estado que requisita o “O tapete bomba” de cidades inteiras e dos conselhos exaltados que condenam milhões de civis à morte segurando a arma ilegal das sanções, raramente são punidos pelos seus crimes contra a humanidade.

É esta definição estreita de terrorismo que fez com que os muçulmanos fossem associados a atos de destruição e de terror. Em consequência eles próprios tornaram-se vítimas de odiosa violência e de terror. A religião do Islam é dada como responsável pelos atos dos não muçulmanos! Pode ser possível que o Islam, cuja luz terminou com as idades escuras na Europa, seja agora responsável pela idade do terror?? Poderia uma fé que tem cerca de um bilhão de seguidores no mundo inteiro e cerca de 7 milhões na América, realmente ordenar a matança e a mutilação de povos inocentes? Poderia o Islam, cujo o nome próprio representa “Paz” e “Submissão a Deus”, incentivar seus seguidores a trabalhar para a morte e a destruição? É possível?



A santidade da vida humana:

O Sagrado Alcorão diz:

“ …não tirem a vida, que Deus fez sagrada, excepto pela justiça ou lei: assim Deus o comanda, para que raciocineis.” [Alcorão 16:151]

O Islão considera que todas as formas de vida são sagradas. No entanto, a santidade da vida humana é-lhe acordada um lugar especial. O primeiro direito básico dos direitos humanos é o direito de viver.

O Sagrado Alcorão diz:

“ … E se alguém matou uma pessoa – a menos que fosse homicídio ou difusão de corrupção na terra, seria como se matasse todos os povos do mundo inteiro e se alguém salvou uma vida seria como se tivesse salvo toda a humanidade” [Alcorão 5:32]

Tal é o valor de uma única vida humana que o Alcorão, iguala a tomada injusta de uma vida humana com a matança de toda a humanidade. Assim, o Alcorão proibe o homicídio em termos claros. A tomada da vida de um criminoso pela ordem do estado para administrar justiça é exigida para confirmar as regras da lei, a paz e a segurança da sociedade. Somente uma corte apropriada e competente pode decidir se um indivíduo perdeu direito à vida negligenciando o direito à vida e à paz de outros seres humanos.



As éticas da guerra:

Mesmo num estado de guerra, o Islam ordena que se trate o inimigo nobremente no campo de batalha. O Islam extraiu uma linha de distinção entre os combatentes e os não-combatentes do país inimigo. A população dos não-combatentes é referida como mulheres, crianças, o velho, o fraco, etc…

O profeta Muhammad (Que a paz e bênçãos de Allah estejam com ele) Costumava proibir os soldados de matar mulheres e crianças e recomendava-lhes: “ … não mutilem, não traiam, não sejam excessivos e não matem um recém-nascido”]. O profeta Muhammad também proibiu a punição com fogo. [3]

Assim, os não-combatentes têm segurança garantida de vida mesmo se o seu país está em guerra com um estado islâmico.



Jihad

Enquanto o Islam for mal entendido no mundo ocidental, talvez nenhum outro termo islâmico evoque reações fortes como a palavra “jihad”. O termo “jihad” tem sido muito abusado, para conjurar imagens estranhas de violência em muçulmanos, forçando povos a submeter-se no ponto da espada. Este mito foi perpetuado ao longo dos séculos de desconfiança durante e após as cruzadas.

Infelizmente, sobrevive até hoje.

A palavra Jihad vem da palavra de raiz “jahada”, que significa esforço. Consequentemente, o Jihad é literalmente um ato de esforço. O profeta Muhammad (paz e bênçãos de Allah estejam com ele) disse que o grande Jihad é se esforçar contra as sugestões insidiosas de sua própria alma. Assim, o Jihad refere primeiramente ao esforço interno da virtude de uma pessoa e da sua submissão a Deus em todos os aspectos da vida.

Em segundo lugar, o Jihad refere o esforço contra a injustiça. O Islão, como muitas outras religiões, permite a autodefesa armada, ou retribuição de encontro à tirania, à exploração, e à opressão.

O sagrado Alcorão diz:

“E por que não deve o Um lutar pela causa de Deus e daqueles que são fracos, mal-tratados (e oprimidos)? - Homens, mulheres, e crianças, cujo o grito é “Nosso senhor! Salvai-nos desta cidade, cujos povos são opressores; e Levantai para nós um que nos protegerá; e Levantai para nós um que nos ajudará! “ [Alcorão 4:75]

Assim, o Islam ordena aos crentes a esforçarem-se ao máximo, a purificarem-se, assim como estabelecer a paz e a justiça na sociedade. Um muçulmano não pode descansar enquando vir injustiça e opressão à sua volta.

Como Martin Luther King Jr. disse:

“Nesta geração, nós temos que nos arrepender, não meramente pelas palavras e as acções detestáveis de pessoas más, mas pelo apelativo silêncio das pessoas boas.”
O Islão ordena acima de tudo os muçulmanos a trabalhar ativamente para manter o contrapeso em tudo o que Deus criou. De qualquer modo independentemente da causa ser legítima ou não, o Sagrado Alcorão nunca desculpa a matança de povos inocentes. Aterrorizar a população civil não pode nunca ser denominado como o Jihad e nunca ser reconciliado com o ensino do Islam.



História da tolerância:

Mesmo os eruditos ocidentais repudiaram o mito de que os muçulmanos forçavam outros a converterem-se. O grande historiador De Lacy O'Leary escreveu: “A história torná-lo claro, que a lenda de fanàticos muçulmanos, varrendo através do mundo e forçando o Islão no ponto da espada em cima de povos conquistados é um dos mais fantàsticos e absurdos mitos que os historiadores têm vindo a repetir.” 
Os muçulmanos governaram Espanha por aproximadamente 800 anos. Durante este tempo, até serem forçados a sair, os não muçulmanos estavam vivos e procriavam-se. Adicionalmente, as minorias Judaicas e Cristãs sobreviveram em terras muçulmanas do Médio Oriente por séculos. Os países tais como Egito, Marrocos, Palestina, Líbano, Syria, e Jordania todos têm ima significativa população Cristã e Judaica.

Isto não é surpresa para um muçulmano, porque sua fé proíbe-o de forçar outro a considerar o seu ponto de vista.

O Sagrado Alcorão diz:

“Deixe que não haja nenhuma obrigação na religião: A verdade está para fora desobstruída do erro: quem quer que rejeita o mal e acredita em Deus, agarrou o mais de confiante punho que nunca quebra. E Deus tudo ouve e tudo sabe. [Alcorão 2:256]



Islam - O Grande Unificador:

Longe de ser um dogma militante, Islão é uma maneira de vida que transcende a raça e a afiliação étnica. O sagrado Alcorão lembra-nos repetidamente de nossa origem comum:

“Oh Humanidade! Nós criá-mo-vos de um único (par), de um macho e de uma fêmea, e fizemo-vos em nações e em tribos, para que se possam conhecer (não para se desprezarem). Verdadeiramente o mais honrado de vós à vista de Deus é (quem é) o mais íntegro de vós. E Deus tem o conhecimento de tudo e tudo Lhe é familiar.” [Alcorão 49:13]

Assim, é a universalidade dos seus ensinos que faz do Islão, a religião com mais rápido crescimento no mundo. Num mundo cheio de conflitos, divisão profunda entre seres humanos, um mundo que é ameaçado com o terrorismo perpetrado por indivíduos e por Estados, Islam é um farol de luz que oferece esperanças para o futuro.

Em segundo lugar, há que se considerar o Estatuto da Organização Terrorista Hamas:



Em nome de Alá, o Misericordioso e Piedoso

Palestina, 1º de Muharram de 1409 AH/ 18 DE AGOSTO DE 1988

Em nome de Alá, o Misericordioso e Piedoso



Sois (palestinos) a melhor nação surgida na face da terra. Fazei o bem e proibis o mal, e credes em Alá. Se somente os povos do Livro (i.e., judeus) tivessem crido, teria sido melhor para eles. Alguns deles crêem, mas a maioria deles é iníqua. Nunca serão capazes de nos causar sério mal, serão apenas uns incômodos. Se vos atacarem, acabarão virando as costas e fugirão, e não serão socorridos. Humilhação é a sina deles, onde possam se encontrar, exceto se forem salvos por meio de um compromisso com Alá ou por um compromisso com os homens. Recaiu sobre eles a ira de Alá, e a sina deles é a desgraça, porque recusaram as indicações de Alá e erradamente mataram os profetas, e por serem desobedientes e transgressores (Alcorão, 3:110-112)



Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele. (segundo palavras do mártir, Iman Hasan al-Banna, com a graça de Alá) (2). Continue lendo aqui


Por fim, após a "introdução" do Estatuto dos terroristas do Hamas,  vejamos na prática o que acontece realmente (do site Rua Judaica):

CAI A MÁSCARA DA TRÉGUA E DA POSSÍVEL CONVIVÊNCIA COM O ESTADO DE ISRAEL 

por Osias Wurman.



ATENÇÃO : O NOVO SÍMBOLO DO MOVIMENTO HAMAS DESTACA OS 25 ANOS DE EXISTÊNCIA; A MESQUITA EM JERUSALÉM; O FOGUETE QASSAM M75 E O "FUTURO ESTADO PALESTINO INDO DESDE O RIO JORDÃO ATÉ O MAR MEDITERRÂNEO"


Dezenas de milhares de palestinos se reuniram na manhã deste sábado na praça Katiba da Cidade de Gaza para participar da celebração do 25º aniversário da criação do movimento islâmico Hamas, que controla o enclave palestino desde 2007, quando expulsou os líderes do Fatah para a Cisjordânia.


O ponto marcante da cerimônia foi um discurso do líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, que está em Gaza para sua primeira visita a um território palestino em 45 anos. Em cada lado do palco foram instalados retratos gigantes do fundador do Hamas, xeque Ahmed Yassin, assassinado pelo Exército israelense em 2004, e de Jabari, morto em 2012.

Em seu pronunciamento, ele disse que nunca reconhecerá Israel e insistiu que os palestinos nunca abrirão mão de nenhuma parte de sua terra. "A Palestina é nossa do rio para o mar e do sul para o norte. Não haverá concessão de uma polegada de terra", disse. "Nunca vamos reconhecer a legitimidade da ocupação israelense e, portanto, não há legitimidade para Israel, não importa quanto tempo vá demorar."

Em um discurso belicoso e intransigente, Meshaal também prometeu libertar prisioneiros palestinos detidos em Israel, indicando que militantes islâmicos tentariam sequestrar soldados israelenses para usá-los como moeda de troca.

"Não vamos descansar até libertarmos os prisioneiros. A maneira que libertamos alguns dos prisioneiros no passado é o caminho que vamos usar para libertar os prisioneiros restantes", disse Meshaal, sob aplausos da multidão.


Entre a multidão havia muitas mulheres e crianças com os símbolos do Hamas, bandeiras e gorros de cor verde. A celebração do 25º aniversário ocorre neste ano com uns dias de antecipação para coincidir com o da primeira Intifada palestina, que começou em 8 de dezembro de 1987 na Faixa de Gaza.




domingo, dezembro 09, 2012

O STF e a República.





por Eros Roberto Grau (para o Estado de São Paulo de 08/12/2012)







Em entrevista ao Estadão (13/11, H8), José Murilo de Carvalho observa que os oito anos de Lula ficarão marcados em nossa História pelo avanço na inclusão social, o que chama de democracia; mas não se destacará, continua, pelo que chama de República. Como sou cidadão deste país e, por isso, devo respeito e acatamento aos julgamentos do Poder Judiciário, nada posso concluir senão que a res publica foi violada. E de tal sorte que o dano não é compensado pelo avanço.

Os escândalos políticos não colaram no presidente
porque ele é um distribuidor de benefícios.
(Veja nº 2040 de 26-12-2007)


De mais a mais, sentido crítico bem atilado, esse avanço haveria de vir, em qualquer circunstância, como exigência do processo de legitimação do modo de produção social dominante. Podem dizer que os termos desta conclusão denunciam uma maneira antiga de raciocinar. Não importa que seja velha, se ainda explica o permanente discreto fascínio de quem domina e os interesses que continuam a prevalecer mesmo quando a inclusão social se amplia.

Mais importante é afirmarmos o quanto devemos de respeito e acatamento, enquanto cidadãos, ao Poder Judiciário, em especial, hoje e sempre, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em especial porque o STF, de modo diverso do que andaram a dizer por aí, não surpreendeu por ser independente. Simplesmente foi o que haveria de ser.

Num tempo, como o nosso, em que o Estado ainda é outra face da sociedade civil, o STF nada mais permanece a ser senão uma porção dela. O Estado é uma totalidade indivisível. Não pode ser fissurado em facções, grupos ou poderes. Assim se prestará ao seu fim, que instrumenta ordem, segurança e paz, para o bem do mercado. A separação dos Poderes, enunciada como "lei eterna", oculta o fato de que o Estado, para ser Estado, é e há de ser uma totalidade.

A organização estatal em funções viabiliza, aprimorando-o, seu funcionamento. Aqui e ali há interpenetração delas, mas o Legislativo produz as leis, o Executivo as aplica e o Judiciário nos julga (e a eles também). Todos deveriam vestir um manto de autoridade. Chamo-o assim, manto de autoridade, não porque detenham poderes. Autoridade é algo diferente do poder. É o saber-se o que se deve fazer, serenamente. Os romanos chamavam-na de auctoritas. Por isso - porque os magistrados, para o serem, são os que mais dela necessitam - os cidadãos a eles devem acatamento e respeito. A eles e a seus julgamentos.

Magistrados são para ser respeitados. Lembro episódios notáveis, do tempo em que a discrição era indissociável da pessoa do juiz e as transmissões das sessões de julgamento pela televisão não os havia banalizado. Um processo que viera às manchetes dos jornais, em São Paulo, subira ao Tribunal de Justiça, distribuído a um desembargador. Conta-me seu filho, hoje septuagenário, como eu, que uma sua irmã indagou à mesa do almoço de domingo: "Papai, o que você acha?". O bom juiz respondeu: "Não sei, minha filha, ainda não li os autos". Era assim. Nenhum membro de tribunal insistia no óbvio, justificando-se, pretendendo dar satisfações "ao público", como se ouviu, pela TV Justiça um dia destes.

Juízes de tribunais superiores são indicados pelo Executivo e o Legislativo participa de sua escolha. O juiz prudente, independente, tem para si ter sido indicado para o cargo que ocupe não pelo Sarney, pelo Itamar, pelo FHC ou pelo Lula, com inusitável intimidade, porém, singelamente, pelo presidente da República. Ao tribunal deve chegar sem que a ele tenha sido candidato, sem que faça alarde da própria pureza. Quem a oferece, essa pureza que a palavra enuncia, já a perdeu. Notório saber e reputação ilibada, no caso do Supremo e onde sejam recomendáveis, são para ser conservados durante o exercício do cargo. De reputação ilibada é aquele que, ao caminhar pela rua, merece o olhar respeitoso dos que passam. Apenas. Juízes e ministros de tribunais não são para ser elogiados. Não fazem mais do que a obrigação quando aplicam o direito positivo e a Constituição.

Os juízes não estão lá, nos seus cargos, para produzir equidade. Nem para fazer justiça com as próprias mãos. São servos da Constituição e das leis, servos de um sistema de normas jurídicas que se presta a assegurar um mínimo de calculabilidade e previsibilidade na prática das relações sociais. Precisamente nesse sentido a História avançou, limitando o poder da monarquia patrimonial, para afirmar a instituição do poder legislativo dos Parlamentos. Eis aí uma das tarefas primordiais do Estado moderno: a produção de uma ordem jurídica que garanta certeza e segurança jurídicas. Sem elas não haverá como vivermos em liberdade.

Por isso causa espanto - mais do que espanto, causa temores, apreensão - qualquer reação de desacato, e seja lá de quem for, ao quanto já decidiu, e venha a decidir, o STF no julgamento do chamado "mensalão". E assim seria em qualquer caso, ainda que a res publica não tivesse sido conspurcada, violada.

Nos tempos de menino, quando brincávamos de mocinho e bandido, era razoável que vez e outra mudássemos de torcida. Hoje, não. Se pretendermos viver honestamente, sem agredir os outros, contribuindo para o bem de todos, será indispensável acatarmos, com dignidade, as decisões, quando irrecorríveis, do Poder Judiciário. Não por que façam justiça. Pois é certo que, como dizia Kelsen, a justiça absoluta só pode emanar de uma autoridade transcendente, só pode emanar de Deus; temos de nos contentar, na Terra, com alguma justiça simplesmente relativa, que deve ser vislumbrada em cada ordem jurídica positiva e na situação de paz e segurança por esta mais ou menos assegurada.

Qualquer insurgência contra esta face do Estado que o STF é afronta à ordem e à paz social, prenuncia vocação de autoritarismo, questiona a democracia, desmente-a, pretende golpeá-la. Por isso é necessário afirmarmos, em alto e bom som, o quanto de respeito e acatamento devemos ao Poder Judiciário e em especial, hoje e sempre, ao Supremo Tribunal Federal. Sobretudo porque - repito-o - de modo diverso do que andaram a dizer por aí, o STF não surpreendeu por sua independência. Simplesmente foi o que e como haveria de ser.

(*)Eros Roberto Grau - professor Titular aposentado da Universidade de São Paulo, foi ministro do STF.


Imagem do site: sarapateldecoruja.blogspot.com.br

sexta-feira, dezembro 07, 2012

A privataria petista


A privataria petista.

por LEONARDO BRUNO

Rosemary Nóvoa de Noronha, surpreendida com a abordagem da Polícia Federal, ameaçou ligar para o “chefe” dos policiais. Queria dar uma “carteirada”. Percebe-se a petulância da favorita de Lula. Como uma matrona da fazenda, queria dar pito na jagunçada.


Durante os dois mandatos presidenciais de FHC, a propaganda petista inventou uma denominação pejorativa para criticar as privatizações da telefonia, das fornecedoras de energia, das siderúrgicas e outras empresas estatais: a privataria. Foi disseminada a falsa ideia de que privatizar empresas estatais ou terceirizar serviços públicos seria uma espécie de crime de lesa-pátria contra o Estado e a comunidade. Tal ideia, propagada por parte da mídia e pelos formadores de cultura, como universidades e escolas, acabou impregnando a mente da população.


Na prática, porém, as ações do governo foram perfeitamente legítimas. Não havia nada contra a lei em privatizar, já que o Estado e a sociedade ganham em níveis de eficiência e recursos. O governo privatiza e terceiriza para melhorar os serviços à comunidade. E a telefonia é uma concessão pública, como várias outras atividades pelas quais a iniciativa privada realiza serviços públicos. Mas inventou-se a lenda de que as privatizações foram ruins. Será? O serviço de telefonia só foi democratizado por causa das vendas de telecomunicações. Na época das estatais, só ricos tinham telefones e celulares. Pagava-se tão caro por uma linha como por um carro. Atualmente os celulares são um artigo comum de qualquer classe social. Graças às empresas privadas. Graças às privatizações. Siderúrgicas falidas hoje são bem mais produtivas. E a Embraer, que estava no vermelho quando era estatal, virou uma empresa brasileira de renome internacional.


Contudo, existe um outro tipo de privatização que é inimigo do poder público. Não é o ônus da iniciativa privada em assumir funções públicas e atos eficientes, em favor da comunidade. É justamente o contrário, a usurpação descarada do bem público, quando o Estado é usado como bem privado, aos caprichos de partidos, camarilhas, quadrilhas e grupos de poder. Neste aspecto, como nenhum outro partido, o PT conseguiu instalar uma verdadeira “privataria”, no sentido mais corrupto e ilegal do termo. Estatais, ministérios, cargos públicos, tudo virou propriedade do PT. Os bandoleiros socialistas transformaram a corrupção endêmica num direito adquirido.


Dilma Rousseff não deu um carguinho de ministério para comprar o apoio da senadora Marta Suplicy, para dar força à campanha do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo? O ex-presidente Lula não comprou algumas alminhas através destes mesmos cargos? Roberto Mangabeira Unger dizia que o governo Lula era o mais corrupto da história nacional. No entanto, certas pessoas têm preço. Tempos depois, Unger aceitou um cargo no mesmo governo que ele declarou corrupto. E o jornalista da Globo Franklin Martins? Não virou também ministro, por serviços prestados ao jornalismo chapa vermelha? E o Mensalão? Estatais, cargos, prerrogativas, dinheiro do contribuinte, tudo usado em favor de uma quadrilha particular. Ou seja, os bens de um país inteiro nas mãos de uma minoria.


Porém, mais outro caso de corrupção surge na seara política petista. A descoberta de um novo esquema de propinas, envolvendo a Advocacia Geral da União e o Escritório do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, abre novas portas aos esquemas escusos da privataria petista. Há algumas cenas curiosas deste caso, que refletem até que ponto o PT se apropriou do Estado brasileiro.


Dilma Rousseff, ao ser informada de um novo escândalo, extinguiu o cargo atribuído à Rosemary Nóvoa de Noronha, pessoa muito próxima do ex-presidente Lula e uma das envolvidas no esquema de corrupção. E mandou fechar o escritório da Presidência.


Em artigo publicado no Mídia Sem Máscara, o jornalista Percival Puggina foi muito feliz em observar como o dinheiro público é jogado na lata do lixo, para favorecer pessoas incompetentes e insignificantes. Para que servia, afinal, o cargo de dona Rosemary? Aliás, para que a Presidência da República necessitaria de um escritório num dos bairros mais caros de São Paulo? Tudo indica que era para fazer esquemas e engordar os bolsos dos companheiros.

"E tudo se passava ante os olhos da mãe do PAC, sob o nariz da mãe do PAC e junto aos ouvidos da mãe do PAC. Por quê? Porque o poder confiado a mãos irresponsáveis não vale pelo bem que produz mas pela festa que proporciona e porque é muito difícil afastar-se de más companhias generosas".(Percival Puggina)

Outra cena estarrecedora encontrada no local do crime: uma foto do ex-presidente Lula chutando uma bola de futebol, na parede da sala do escritório. A pergunta que não quer calar é: o escritório era realmente do Estado ou do PT? O que o ex-presidente Lula estaria fazendo num lugar que é, teoricamente, uma repartição pública? O Ministério Público de São Paulo pode se revoltar contra crucifixos ou louvações a Deus nas cédulas de real, mas parece fechar os olhos para o culto idolátrico do ex-presidente.


Outro lance, igualmente perverso, reflete a psicologia do PT no governo. Rosemary Nóvoa de Noronha,surpreendida com a abordagem da Polícia Federal, ameaçou ligar para o “chefe” dos policiais. Queria dar uma “carteirada”. Percebe-se a petulância da favorita de Lula. Como uma matrona da fazenda, queria dar pito na jagunçada. Para os petistas e seus comparsas, os policiais federais não são funcionários públicos, sujeitos a uma legalidade democrática, dentro de um Estado de Direito. São capangas, paus mandados de um chefe em Brasília, apaniguados do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Desde que o PT se tornou governo, o Ministério da Justiça serve de advocacia privada do partido. Márcio Thomaz Bastos, o criminalista, fez escola em Brasília... 


Quanta insolência, não é mesmo? A Polícia Federal descobriu mais uma falcatrua do PT! Como eles se atrevem a invadir a intimidade de um escritório da Presidência, já que é uma propriedade privada do partido? Só faltou chamar o outro “chefe”, o ex-presidente Lula. 


Como sempre, Lula é o último a saber. Ainda que todos os seus contatos, indicações e amigos próximos sejam incrivelmente corruptos e descarados, ele, coitado, é sempre uma pessoa ingênua e desinformada. Também é “vítima” da enganação. O problema é que Lula, o suspeito, quando cai na realidade, foge da situação. Já caiu fora do país. Em 2007, ele também deu uma sumida quando o avião da TAM explodiu em Congonhas, São Paulo, e quando a ANAC se encontrava atochada em corrupção. O ex-presidente ficou caladinho lá, encastelado na Versalhes de concreto, esperando algum resultado satisfatório para se safar. Não é mera coincidência a de que no governo de Dilma Rousseff, a ANAC seja mais uma vez envolvida em bandalheiras, ameaçando a segurança dos brasileiros nos aeroportos. 


Agora dá pra entender as motivações do PT contra as privatizações de estatais. Os petistas querem que o Estado controle tudo, justamente porque não vão perder a boquinha, a mamata governamental. Eles são o próprio Estado. Lula ou Dilma são versões caricaturais e republicanas de Luís XIV. E Dona Rosemary Nóvoa, como parte da máquina absolutista da corrupção, já deu o recado aos policiais: L´État C´est moi!

Imagem do roderrock.blogspot.com.br
Fonte: Mídia Sem Máscara.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Chanucá: Quando aqueles dias e este momento se encontram.




Chanucá: Quando aqueles dias e este momento se encontram.



por Michel Schlesinger, rabino da CIP 

Homenagem à amiga Ligia Ramos


Baruch sheassá nissim laavoteinu baiamim hahem bazeman hazé. (Abençoado seja Deus que fez milagres aos nossos antepassados naqueles dias, neste momento). 

A brachá do acendimento das velas de Chanucá traz uma contradição. Afinal de contas: é naqueles dias ou neste momento?

A festa de Chanucá parece nos colocar, sistematicamente, diante de opostos para que nós busquemos o equilíbrio. Diversos símbolos ligados à Festa das Luzes expressam contradições e nos desafiam para a procura de um caminho intermediário.

Baiamim hahem bazeman hazé. Naqueles dias, neste momento. A história precisa dialogar com o cotidiano. Sem história somos árvores sem raízes. Se tivermos apenas história, nos transformaremos em um museu de antiguidades. É justamente a releitura da história de forma criativa que imprime relevância ao judaísmo contemporâneo.

Os motivos principais da celebração de Chanucá são a vitória dos macabeus sobre os gregos e o milagre do azeite que durou oito dias. A crença em Deus é importante. Devemos ter esperança mesmo quando as condições físicas e materiais são extremamente adversas. O judaísmo nos convida a ter fé sempre. Ao mesmo tempo, o milagre do azeite nunca teria ocorrido se não fosse pela coragem de Matitiahu e seus filhos. Caso não tivesse Iehudá

Hamacabí liderado uma revolta a favor da nossa liberdade religiosa, não teria acontecido milagre algum. O milagre, na perspectiva judaica, é a responsabilidade que delegamos a Deus depois de realizarmos absolutamente tudo que se encontra ao nosso alcance.

Acendemos as velas de Shabat dentro de nossas casas. O local correto de se colocar as duas chamas que iluminam nossos jantares de sexta-feira é perto da mesa de jantar, para que possamos nos utilizar da luz da chama durante a refeição. Já em Chanucá é diferente. Devemos colocar a vela perto da janela ou do lado de fora de nossas casas. Havia antigamente um costume de se colocar a chanukiá nas batentes das casas no lado oposto da mezuzá. Isto acontece porque o milagre deve ser divulgado. Temos a obrigação de propagar a luz para além dos nossos lares. Devemos fortalecer o particularismo judaico para sermos melhores cidadãos do mundo. Mais uma vez vemos a busca do equilíbrio entre aquilo que nos é privado e nossa responsabilidade universal.

A própria luz traz uma interessante contradição. Quando não existe claridade alguma, ficamos perdidos. Ao mesmo tempo, quando somos expostos à luz excessiva, também ficamos cegos. O termo aramaico para cego é saguei nahor, ou ‘demasiadamente iluminado’. A luz excessiva traz tantos danos quanto a ausência absoluta de luz. Nosso desafio é buscar uma iluminação que seja forte, por um lado, mas que não ofusque nossa visão por outro.

As comemorações judaicas são, de uma maneira geral, a conjugação de um motivo histórico e a celebração de uma nova etapa da natureza. Pessach comemora a saída do Egito e também o início da Primavera. Shavuot celebra a entrega dos Dez Mandamentos e também a chegada dos primeiros frutos. Sucot relembra a vida em moradias temporárias no deserto e a última colheita do ano agrícola. Será que a festa de Chanucá lembra somente a história dos macabeus e o jarro de azeite ou também tem algum motivo ligado à natureza?

Segundo os estudiosos do judaísmo, existe ainda um motivo ligado a Chanucá que foi esquecido com o passar dos anos: o solstício de inverno. A Festa das Luzes também marcava o dia mais curto do ano no hemisfério norte e o início do aumento das horas de luz a partir daquele instante.

Segundo estes pesquisadores, o ritual de acender uma vela a mais a cada dia pode ter se relacionado, no princípio, com o renascimento anual do sol. Na medida em que os dias iam se tornando mais longos, os judeus acendiam velas para celebrar esta transição. A comemoração de uma festa de luzes a partir do dia mais curto do ano ajudava a espantar a escuridão que assombrava o coração das pessoas. Enquanto muitos ficavam deprimidos e alimentavam sentimentos derrotistas, nosso povo se engajava em um ritual de esperança, coragem e luz.

Existe a famosa discussão entre Shamai e Hillel sobre a forma correta de se acender as velas. Enquanto Shamai queria que diminuíssemos as chamas a cada dia, Hillel sustentava de deveríamos sempre acrescentar uma chama. Isto porque em termos de santidade, devemos sempre incrementar e nunca diminuir. Sabemos que não é possível. Sabemos que nossa observância religiosa cresce e diminui ao longo de nossa vida. Nossa cashrut não é sempre a mesma, rezamos mais, ou menos, em períodos diferentes; conseguimos ser mais ou menos altruístas em fases distintas da nossa vida. Às vezes, agregamos luzes e outras tantas acendemos velas a menos. Eu tive um professor em Jerusalém, Shlomo Fucs, que acendia duas chanukiot todos os dias da festa. Em uma ele acrescentava velas e na outra diminuía.

O óleo é um dos símbolos desta festa. Por este motivo comemos alimentos fritos, como os sonhos e os latkes (receita aqui). Nós sabemos que, ao colocarmos azeite em um copo com água, eles não se misturam. Apenas uma fina camada do azeite entra em contato com a água. Assim é o desafio da sobrevivência judaica. Se nos misturamos totalmente, perdemos nossa identidade própria. As mesmo tempo, se ignoramos o mundo que nos cerca, perdemos a oportunidade de nos enriquecer com aquilo que é estranho e deixamos de cumprir nossa missão de tornar o mundo mais humano. É justamente por meio de um instrumento supostamente grego – o pião ou sevivon (origem aqui)- que celebramos a sobrevivência judaica.

O principal desafio de Chanucá, acredito, é buscar equilíbrio em um mundo complexo. Conciliar passado e presente, individualismo e universalismo, escuridão e luz em excesso, identidade e isolamento. 

Baiamim hahem bazeman hazé, naqueles dias e também neste momento.

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Post do Mural de Ligia Ramos:

“Quando os gregos entraram no Templo, profanaram todas as reservas de óleo dali; e os hasmoneus – após a vitória sobre os gregos – encontraram um único cântaro pequeno de óleo puro inviolado, ainda com o selo do Sumo Sacerdote. Normalmente, esta quantidade de óleo seria suficiente para manter a menorá acesa por apenas um dia; mas um milagre aconteceu, e o óleo durou oito dias.

No dia 25 de Kislev
do ano 165 a.C., exatamente três anos após a profanação do Templo por Antiochus, a menorá voltou a brilhar.

A menorá especial usada para comemorar o milagre de Chanucá é chamada de "chanukia". Ela possui oito braços, todos do mesmo nível, correspondendo aos oito dias do feriado, além de um braço elevado adicional para o shamash, a vela auxiliar com a qual acendemos as outras. É costume se colocar a chanukiá no peitoril da janela para que as pessoas de fora possam vê-la, divulgando assim o milagre do óleo. As velas são acesas após o pôr-do-sol, com exceção de Sexta-feira à noite, quando elas são acesas antes das velas do Shabat.

Acende-se o shamash e o seguramos, enquanto cantamos a seguinte bênção:
Baruch ata Adonai Eloheinu melech ha ‘olam asher kid’shanu b’mitzvotav v’tsivanu l’hadlik ner shel Chanucá.


Bendito sejas Tu, ó Eterno, nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenastes acender a vela de Chanucá.


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Uma Luz para a Paz


Rafael Eldad, Embaixador de Israel no Brasil 

chanukah marc chagall.



Neste sábado à noite, o mundo judaico irá acender a primeira vela de Chanucá, lembrando uma vez mais o milagre da vitória dos poucos sobre os muitos e recordando-se também dos milagres presenciados nos tempos dos Macabeus e nos da atualidade.


Pessoalmente, Chanucá tem para mim um significado muito importante, porque justamente na noite da primeira vela, casei-me com Batia e este ano, como quando a cada 19 anos, o calendário gregoriano coincide com o calendário judaico, é uma emoção especial.


Chanucá, além das lições históricas, nacionais e morais, se transformou, ao longo dos anos, no símbolo de luz que ilumina nosso caminho. Esta luz é a que nós, judeus, tentamos expandir para o mundo inteiro, visando através de contribuições, fazê-lo melhor, mais desenvolvido e solidário, um mundo mais justo e, sobretudo, um mundo com mais paz.


Chanucá é para nós, povo judeu, uma oportunidade para reforçar nossa unidade, assim como o nosso compromisso com a identidade judaica e o propósito inquebrantável, por parte das comunidades judaicas em todo o mundo, de acompanhar e apoiar o Estado de Israel.


Como em outros momentos, também agora o Estado de Israel está atravessando um período conturbado e de dificuldades, mas estou certo de que unidos através da convicção e da ação harmoniosa , saberemos superar essas dificuldades.


Hag Chanucá Sameah !

terça-feira, dezembro 04, 2012

Gaza Não É a Chave, Filadélfia É.






Gaza Não É a Chave, Filadélfia É.


por Daniel Pipes

Original em inglês: Gaza's Not the Key, Philadelphi Is
Tradução: Joseph Skilnik

A segunda guerra entre o Hamas e Israel de 10 a 21 de novembro estimulou um imenso debate sobre seus aspectos positivos e negativos, cada lado tentando atrair um grande bloco de indecisos (19 por cento dos americanos de acordo com CNN/ORC, 38 por cento segundo Rasmussen). Será que Israel é um estado criminoso que não tem o direito de existir, muito menos usar de força? Ou será que Israel é uma democracia liberal moderna, sob estado de direito, que de forma justificável protege civis inocentes? A moral move o debate.


Para qualquer pessoa sensível, é óbvio que os israelenses estão 100 por cento certos em se proteger de ataques injustificáveis. Uma charge da primeira guerra entre o Hamas e Israel de 2008 - 2009 mostra, de forma simbólica, um terrorista atirando detrás de um carrinho de bebê em um soldado israelense na frente de um carrinho de bebê



A claríssima diferença entre os dois lados.





A questão mais difícil é como evitar futuras guerras entre o Hamas e Israel. Alguns antecedentes: Se os israelenses estão 100 por cento certos em se proteger, seu governo também arca com toda a responsabilidade de ter provocado esta crise. Especificamente, realizou duas retiradas unilaterais equivocadas em 2005:

<>De Gaza: Ariel Sharon venceu a reeleição ao posto de primeiro ministro em janeiro de 2003 em parte por ter zombado de um rival que defendia a retirada unilateral de todos os residentes e soldados israelenses de Gaza; depois, inexplicavelmente, em novembro daquele ano ele adotou a mesma política e colocou-a em prática em agosto de 2005. Naquela época eu disse que isto era "um dos piores erros já cometidos por uma democracia".

<>Do Corredor Filadélfia: Sob pressão dos Estados Unidos principalmente da Secretária de Estado  Condoleezza Rice, Sharon assinou um acordo em setembro de 2005, chamado de "Acordos Estabelecidos", que previa a retirava das forças israelenses do Corredor Filadélfia, uma área com 14 km de comprimento e 100 metros de largura entre Gaza e Egito. A desafortunada "Missão de Assistência Fronteiriça da União Européia para o Posto de Passagem de Rafa" (EUBAM Rafah) se posicionou.



O Corredor Filadélfia em existência até novembro de 2005.


O problema é que as autoridades egípcias se comprometeram no acordo de paz de 1979 com Israel (III:2) a evitar "atos ou ameaças de beligerância, hostilidade e violência", mas na realidade permitiam o contrabando volumoso de armamentos a Gaza através de túneis. De acordo com um documento de Doron Almog, ex-chefe do Comando Sul de Israel no início de 2004, o "contrabando tem uma dimensão estratégica" pelo fato dele envolver quantidades suficientes de armas e equipamentos militares "para tornar Gaza uma plataforma de lançamento para ataques cada vez mais intensos e com maior alcance contra o território israelense".

Almog considerou essa política "um jogo perigoso" do regime de Mubarak e um "enorme perigo estratégico" que poderia "por em risco o acordo israelense-egípcio além de ameaçar a estabilidade de toda a região". Ele atribuiu a atitude complacente do Egito a uma mistura de percepções antissionistas entre as autoridades e a disposição de dar vazão aos sentimentos antissionistas da população egípcia.


Sharon arrogantemente assinou os "Acordos Estabelecidos", contrariando a forte oposição dos órgãos de segurança de Israel. Obviamente, ao remover esta camada de proteção israelense, seguiu-se conforme previsto um "aumento exponencial" no arsenal de Gaza, culminando nos mísseis Fajr-5 que atingiram Tel Aviv neste mês.

A fim de permitir que soldados israelenses evitem de forma eficiente que armamentos cheguem a Gaza, David Eshel do Defense Updatesustentava em 2009 que a IDF (Forças de Defesa de Israel) reconquistassem o Corredor Filadélfia e aumentassem o seu tamanho para uma "linha de segurança estéril completa de cerca de 1.000 metros", ainda que isso significasse transferir para outro local aproximadamente 50.000 residentes de Gaza. Curiosamente, em 2008,Ahmed Qurei da Autoridade Palestina endossava em particular medidas semelhantes.

Maj. Gen. (res) Doron Almog de Israel previu os problemas
de hoje no início de 2004.


Almog vai mais longe: notando o profundo envolvimento iraniano em Gaza, ele defende transformar o Corredor Filadélfia em terra de ninguém alargando-o para cerca de 10 km. O ideal seria, conforme diz em uma correspondência enviada a mim, se o Army Corps of Engineers dos Estados Unidos construíssem um obstáculo a fim de evitar o contrabando e se os militares americanos tivessem um papel contínuo em policiar a fronteira. Segunda opção, deixar na mão dos israelenses. (O Acordo Gaza-Jericó de maio de 1994, ainda em vigor, estabelece uma "Área de Instalações Militares" sob total controle de Israel – de fato, o Corredor Filadélfia – que concede a Jerusalém a base legal para retomar esta fronteira tão importante).

Já Michael Herzog, anteriormente oficial altamente graduado no Ministério da Defesa de Israel, me informa que é tarde demais para Israel retomar o Corredor Filadélfia, que a pressão internacional sobre o Egito para interromper o fluxo de armas para Gaza é a solução. Na mesma linha, o ex-embaixador Dore Gold defende "acertos" conjuntos EUA-Israel com o propósito de evitar a entrada de armamentos.

Estou cético quanto a um papel eficaz americano, seja militar ou diplomático, somente os israelenses têm estímulo suficiente para acabar com a transferência de armas. Os governos ocidentais deveriam sinalizar ao Hamas que eles irão encorajar Jerusalém a responder ao próximo ataque de mísseis com a retomada do Corredor Filadélfia, evitando assim futuras agressões, tragédias humanitárias e crises políticas.

DanielPipes.org


segunda-feira, dezembro 03, 2012

Israel, palestinos, gaúchos e imprensa.









Israel, palestinos, gaúchos e imprensa.

por Ronaldo Gomlevsky 

Tarso Genro e seu protegido, o assassino Battisti
“Dizem que é muito saboroso”, fala Tarso Genro sobre maconha

Você, meu querido leitor, tem consciência dos problemas que envolvem a vida e a disputa entre árabes e judeus no Oriente Médio? Você já teve a coragem de sequer abrir um livro cuja tese seja de defesa de uma parte e, ainda, um outro que defenda a parte contrária? Você já conseguiu se informar sobre o assunto na proporção que lhe possibilite, verdadeiramente, sem paixões e sem preconceitos traçar uma linha de raciocínio que lhe leve a conclusões sensatas e benéficas na busca pelo equilíbrio e pela paz na região?

Caso a sua resposta seja sim, já li e concluí, você é legitimo para ter uma opinião sobre o tema. Caso sua resposta seja não, você está, por si próprio, proibido de ter uma opinião. Você pode dizer que “acha” mas que não sabe.

Normalmente, preconceitos de judeus contra árabes e de muitos contra os judeus, montam na cabeça do preconceituoso falsas teses que defendam seu ódio, sua estupidez e sua insensatez transformada em repulsa ao desconhecido. A explicação que se pode obter a respeito do desequilíbrio de certa imprensa na divulgação dos fatos que ocorrem no Oriente Médio, vem da obtusidade e do desconhecimento que alguns editores pensam que resolvem publicando fotos bombásticas.

Não faz muito tempo, os gaúchos, habitantes de Porto Alegre, foram surpreendidos com a atitude leviana de seu governador que aceitou, provavelmente, também sem conhecimento de causa e, talvez pelo sentimento de culpa que lhe acompanha por ser um judeu não judeu, repito, aceitou abrir as portas da cidade que é a capital de seu estado para discutir a causa palestina.

Certamente o Rio Grande do Sul, não deve ter qualquer problema de pobreza, de falta de moradia para a população carente, não deve ter filas nos hospitais públicos, não deve ter esgotos a céu aberto, deve ter escolas públicas de excelente qualidade, por isso mesmo, seu governador pode se dar ao luxo de virar as costas para os problemas de seu povo para tratar de um assunto, do qual, certamente, pouco conhece, desperdiçando os recursos da cidadania que o elegeu em atividade política contra um país amigo do Brasil, para atender meia dúzia de eleitores ou, quem sabe, atender também o seu próprio preconceito contra seus ancestrais.

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GAÚCHOS À MARGEM. Favelas crescem 29,8% no Estado - KAMILA ALMEIDA, ZERO HORA 22/12/2011


Censo aponta que, em 10 anos, Rio Grande do Sul ganhou 68,2 mil favelados
De 2000 até o ano passado, o número de favelas no Rio Grande do Sul teve um crescimento de 29,8%. Mais do que o dobro que o crescimento da população no mesmo período, de 12,3%. Recorte do Censo 2010, o dado faz parte do levantamento Aglomerados Subnormais, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



Hoje são 297.540 indivíduos nessas condições, contra 229.244 em 2000. O número corresponde a 2,8% dos gaúchos. Em 1991, quando o censo começou a ser realizado, a população de favelados no Estado não chegava a 100 mil. Era de 99.621.


– Esse resultado é assustador, uma certa contradição se considerar as projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), que levavam em conta a regularização fundiária a partir do estatuto das cidades – disse o professor do Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional da UFRGS Eber Souza Marzulo.


Levando em consideração apenas os municípios, o levantamento revela uma migração para regiões suburbanas de Porto Alegre. A Capital assistiu a um crescimento de 34,5% da população em áreas suburbanas – eram 143.353, em 2000, e passaram a ser 192.843. Também mostraram crescimento municípios como Tramandaí (11,8%), no Litoral Norte, e Novo Hamburgo (9,3%), no Vale do Sinos.


Fabiano Pereira, secretário de Justiça e de Direitos Humanos do Estado afirma não haver explicações plausíveis para este crescimento no Estado.


– O Brasil cresceu tanto em muitos setores. Agora, 2012 tem de ser o ano da cidadania e dos valores. Não podemos admitir seres humanos passando fome e morando em áreas degradadas – destaca Pereira.


Matéria do Jornal Zero Hora revela as cidades do RS lembradas pelos índices de criminalidade.


O que revela o mapa do crime?




Se Porto Alegre é a capital de todos os gaúchos, algumas cidades poderiam dividir o título quando o tema é a violência. Entre as candidatas ao indesejável posto está Alvorada, campeã em assassinatos. Com 195 mil habitantes, o município apresenta uma taxa de homicídios comparável às registradas na Colômbia e no Iraque pós-guerra.


A seguir, ZH mostra como é o mapa do crime no Estado, depois de cruzar dados da Secretaria da Segurança Pública, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).


A cidade das mortes


Ao longo de 2010, uma pessoa foi morta em Alvorada a cada quatro dias. Com 90 assassinatos no ano passado, o município apresenta uma taxa quase 70% maior do que São Leopoldo, a segunda colocada no ranking, com 68 mortes.


Para as autoridades policiais, o tráfico de entorpecentes está por trás de maioria dos casos. Estimam que oito em cada 10 crimes tenham as drogas como pano de fundo (na foto acima, uma operação para combater homicídios na cidade).


– Em Alvorada, o tráfico está disseminado em toda a cidade – diz o delegado Omar Abud, titular da 1ª Delegacia Regional da Polícia Civil em 2010.


Na década de 90, a cidade era a quinta do ranking de homicídios, com taxa de 27,6 mortes para cada 100 mil habitantes. Em 2005, já havia alcançado o topo da lista com taxa de 29 assassinatos. Agora, bateu a casa das 45 assassinatos.


– Estou designando um delegado para concluir os inquéritos parados. Esse trabalho antecede a criação de uma delegacia especializada em homicídios – diz o novo titular da delegacia regional, Leonel Carivali.


Porto Alegre acorda com outdoors espalhados pela cidade denunciando caos na saúde do RS
Janeiro de 2010

Diversos outdoors foram espalhados pelas ruas de Porto Alegre estampando a frase: RS 1° lugar em tudo e, logo em seguida, trazendo alguns dados dos recordes negativos, como a que afirma que Porto Alegre é a capital brasileira com o maior número de aids por habitante do país.

Esta foi mais uma iniciativa do Grupo SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade, visando chamar a atenção da população, das autoridades e, principalmente, dos participantes do Fórum Social Mundial, para denunciar a má gestão na saúde do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre, que tem contribuído para deixar tanto o Rio Grande do Sul, quanto a capital com o maior número de casos por cada 100 mil habitantes e tentando buscar apoio de outras instituições para que esse quadro possa ser mudado.

Mesmo após a coletiva com a imprensa realizada em parceria com o SIMERS – Sindicato Médico do Rio Grande do Sul no último dia 11 de janeiro, onde foi deliberado o encaminhamento das denúncias ao Ministério Público Federal e Estadual, nada foi resolvido.

Gustavo Bernardes, coordenador Geral do SOMOS tem recebido diariamente denúncias de diversas pessoas que vivem com aids que tem ido procurar seus resultados de exames de carga viral e CD 4 feitos no LACEN e que os mesmos não estão sendo realizados no prazo previsto. “Tem pessoas vindo do interior do Estado buscar seus exames e eles não estão prontos e dizem que os exames feitos em dezembro terão que ser descartados e refeitos, causando enormes transtornos para população que vive com HIV/Aids”, afirma.

Sobram problemas na gestão Estadual e Municipal. No Estado a Política não tem nem coordenação e os recursos de prevenção para as ONGs estão parados desde 2008. No município o gestor não investe em prevenção e falta diálogo com a sociedade civil.
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Bem, fotos de crianças mortas na guerra diária de Gaza, do lado palestino, não só vendem jornais mas, mais do que isso, colocam o mundo contra o “agressor” que no caso vem a ser na verdade, o real agredido. O Oriente Médio não é apenas palco das novelas de Glória Peres, Mashalá! É também palco de muitos mistérios que não se resolvem com a leitura esporádica de seus temas em jornais ou revistas.

Se você quer saber e opinar sobre o assunto, leia e conheça mas não se deixe levar por apelos sentimentais.

Desde que o mundo é mundo, guerra sempre foi guerra!

(*)Ronaldo Gomlevsky é Editor Geral da Revista Menorah e escreveu para o Pletz.
Importante - As informações sobre favelas e a violência no RS, bem como as imagens, foram colocadas pelo blogando e não pelo autor do artigo.

LULA GIGANTE.





Mas não é preciso ficar apavorado, essa lula é um molusco gigante, obra de uma cabeça que nada ofereceu à humanidade que fosse minimamente útil: Leonardo Boff. Esse gigantesco molusco seria o "novo adão", versão ecochatos ou os vermelhos comunistas repaginados. Mas é interessante que da cabeça de um marxista, amigo do peito do Luis Inácio, ex-presidente e consultor eterno da Presidência da República tenha saído essa brilhante ideia: uma Lula Gigante; por que não uma onça gigante; um leão gigante, talvez uma sardinha gigante...?

A matéria abaixo é de autoria de Luis Dufaur e originalmente tem o título 'Proposta da nova “religião” ambientalista é publicada, incomoda, e some!' e saiu no site do IPCO.



Comentando matéria publicada pela agência  ACIprensa, redigimos o post“Teólogos da Libertação desvendam segredos da nova “religião” verde”, Reputamos então a ACIprensa – e continuamos reputando – uma agência séria e respeitável.

No endereço citado constava a estapafúrdia ideia do ex-frei Leonardo Boff de que, para substituir o homem, a “Mãe Terra” estaria preparando um novo ser capaz de “receber o espírito”, que não seria outra coisa senão uma lula gigante.

Amigos peruanos que traduziram e publicaram nosso post constataram que o parágrafo sobre a “lula gigante” (“calamar gigante” no original em espanhol) anticristã e evolucionista havia desaparecido do referido endereço.

No Peru, a polêmica sobre a Teologia da Libertação vem crescendo, com poderosos apoios eclesiásticos ao renovado erro.

Conferimos que de fato houve a supressão da “lula gigante”, sem que viesse dos meios jornalísticos qualquer explicação de praxe.

Compreendemos que algum erro possa ter havido, mas não se entende a inexistência de uma indispensável explicação anexa para esclarecimento dos leitores.



Além do mais, é preciso procurar muito longe os ventos com a quantidade, continuidade e força necessários para torná-las viáveis.

O procedimento de ACIprensa é próprio de quem recebeu uma pressão externa que a obrigou contra sua vontade a suprimir o texto.

Felizmente, como é nosso costume, tínhamos conservado um snapshot da página, comprovando a nossa perfeita boa fé.

Ele foi tirado no domingo, 28 de outubro de 2012, 22:54:35, e oferecemo-lo acima a nossos leitores.

Também, no cache do Google, podia-se ler a reprodução integral do artigo com a desumana teoria do “calamar gigante”.

Este cache é atualizado periodicamente, mas o original ainda existia no domingo, 25 de novembro de 2012, 18:27:38.

Para os interessados, procurar em Google a frase: “estaria preparando un nuevo ser capaz de “soportar el espíritu”, que no sería otro que un calamar gigante.” (em espanhol):



Numerosos sites e blogs em espanhol reproduziram a versão original de ACIprensa, incluindo o parágrafo completo com a ímpia teoria do “calamar gigante” do ecoteólogo marxista.



Poderíamos estampar neste post a lista desses sites e blogs com a frase denunciadora do fanatismo da reverdecida Teologia da Libertação.

Aliás, já fizemos essa lista e a enviamos via e-mail aos nossos amigos peruanos.

Porém, publicá-la poderia desencadear pressões indesejáveis e censuras sobre sites e blogs católicos bem intencionados, que lutam em geral de modo honroso e corajoso contra a falta de recursos e de apoios eclesiásticos.

Não queremos atirar sobre eles essas pressões.

Máxime nestes momentos em que a Teologia da Libertação, agora de mãos dadas com o ambientalismo radical, recupera poder, influência e intolerância, notadamente a partir de altas esferas eclesiásticas.





domingo, dezembro 02, 2012

Holocausto Subliminar.





por Paulo Rosenbaum 

Logotipo de página da Federação Israelita do Paraná (feipr.org.br)


“O oráculo decreta o destino, o filósofo torce contra si mesmo, esperando que suas previsões fracassem”.

Em meio aos assuntos que dominaram a mídia nas últimas semanas está a aberta e escandalosa demonização de Israel: um eufemismo covarde para incluir judeus sem mencioná-los. Trata-se de um claro sinal de que há algo sistêmico em curso. A ONU fez a partilha da ex-colônia britânica e outorgou a dois povos, dois Estados. Como se trata de uma das regiões que mais mudou de mãos na história, não se deve olvidar o pesado passado colonial, que trai a confiança mútua entre as partes, ambas responsáveis pelo desperdício de preciosas possibilidades de acordo. A questão Palestina, portanto, é apenas a tecla da vez. Para alimentar preconceitos e ideologias, como Sartre escreveu, sempre se pode inventar algum álibi.

Temos que encarar o recente cessar fogo como um epílogo de uma guerra bem maior, cujo enredo está entrelaçado com a crise econômica mundial, a explosão de violência e o holocausto subliminar.

Aos poucos, abandona-se, de lado a lado, a ênfase na solução por dois Estados. Na auto-armadilha bem montada, os bem pensantes criaram impasses para si mesmos: como exorcizar Israel e defender o Hamas ou o Hezbollah sem conceder espaço aos argumentos fundamentalistas? Há muito tempo, na palestina do sul, a luta do califado da retidão já não é só contra o Estado Hebreu. Há, portanto, uma espécie de estatuto moral duplo. Se, de um lado, há consenso que após o 11 de setembro a islamofobia seja inaceitável, de outro, a aversão aos judeus tem sido “naturalizada”, normatizada e regulamentada. A banalização é o primeiro passo ao conformismo. Basta espiar as redes sociais, as manchetes e o escandaloso aumento de ataques “espontâneos” contra judeus na Europa. Da construção lingüística, às imagens super exploradas, Israel vem figurando nos textos e nas charges como agressor, belicoso, hostil, quase uma entidade macabra. São conclamações ao ódio, retocadas como análise política imparcial. Não importa como se mova, para onde e com quem se mova estará, a priori, errado.

Uma campanha, sim, dessas publicitárias, que conta até com o apoio de nomes de peso, como intelectuais americanos, europeus e latino americanos. Eles emprestaram seus nomes a uma causa e compraram e foram comprados pela ideia de que um Estado Moderno, democrático, com população de 7.9 milhão de pessoas, multiétnico, incluindo quase 1.6 milhões de árabes-israelenses, pode ter seu direito à existência cassado. Não adianta espernear, evocar paranoia conspiratória ou bufar! É isso mesmo: estamos diante de um tentame de deslegitimização do Estado de Israel. Os doutores chegaram à conclusão que ele não merece mais respirar.

Como eutanásia e pena de morte são coisas sérias, caberia entender como alcançaram, depois de meia dúzia de cervejas, este brilhante veredicto. Só o inverno da razão explica como mentes iluminadas concebem execrar um Estado e como isso passou a ser não só aceitável, como politicamente correto.

Por aqui, o governador do Rio Grande do Sul subsidiará um fórum para discutir a questão palestina. É mais que sintomático que não tenham convidado ninguém ligado à Israel. Todos fazem parte do time das convicções absolutas, das ideias acabadas, cabeças formatadinhas. E por que dariam voz à outra versão dos fatos? Mais um palanque para insuflar a demonização do outro lado. Aberrações que o centralismo partidário e o aparelhamento do Estado brasileiro tornaram possível. A proposta viola explicitamente os termos da constituição federal, que não só reconhece o direito à existência de Israel e da criação de um estado Palestino, como proíbe a incitação ao ódio religioso, étnico e racial. E, para satisfação dos que prezam guerra, tentam minar o convívio impar e pacífico que árabes e judeus têm por aqui. A esquerda senil, incluindo a ideológica diplomacia brasileira, vai sendo movida pelo dominante e pré-escolar sentimento de antiamericanismo.

Mais um bom exemplo de como monólogos podem ser travestidos de diálogos numa suposta democracia.

Sob a cegueira antissionista o mundo parece solidário com organizações que, enquanto escolhem deliberadamente civis como alvos, vestem gravatas e negociam com a diplomacia internacional. São neo-terroristas. Quem os apóia, incluindo os senhores catedráticos, deveria rezar à noite para que seus pedidos jamais sejam atendidos. O risco é acordar com pesadelos lembrando Foucault defendendo o aitolá Khoumeini. Diante desse irrefletido apoio o que será do Oriente Médio com o eventual triunfo do fundamentalismo? O quem nos espera com a aplicação literal das leis religiosas ao modo talibã? Como ficarão as democracias, os tribunais, os direitos das mulheres, das minorias, dos muçulmanos moderados, das comunidades cristãs? Como assistiremos a conversão à espada dos “infiéis” das outras etnias?

Na verdade, o que hoje incomoda nos judeus contemporâneos é não mais poder confundi-los com a aura de povo vitimizado pela história, os nômades apátridas, eternamente perseguidos e oprimidos. Agora há um país cujo vigor é, em si, a própria mensagem do “nunca mais”. O que hoje estimula o atavismo antissemita enraizado pelo mundo, é que diferentemente de todos os períodos nos últimos dois milênios, Israel existe e resiste militarmente a sua imediata eliminação, como propõem explicitamente em suas “cartas constitucionais” o regime iraniano e todas suas filiais, Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica e Al Quaeda.

Sim, tudo mudou e pouco teve a ver com a primavera árabe. Se antes o acordo era varrer os párias que atrapalhavam o desenvolvimento europeu, agora o defeito intolerável nos judeus, simbolizados pelo Estado de Israel, é sua força, e, a missão, destruí-los primeiro simbolicamente, depois sua nação e, se possível, com o aval da indiferença do mundo, levar a cabo a solução final.

Não vai acontecer. O mais provável é que depois do inverno da razão, o tempo mude para dias mais amenos, com trovoadas e pancadas ocasionais, num novíssimo e refrescante verão do mundo.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”.