sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Retórica do Berro e do Silêncio.










O Partido dos Trabalhadores, há bem mais de uma década, nada de braçada nas águas revoltas da nossa política. Isso não aconteceu por sorte ou acaso. Foi perícia coletiva, dentro de bem traçado planejamento e perfeita execução. De um lado, o partido se constituía na tradição dos partidos de massa, rara entre nós, e aplicava com tenacidade os métodos de infiltração que o fizeram presente e ativo nos corpos sociais e nas instituições do Estado. De outro, partia para o ataque a seus opositores sem tréguas nem misericórdia. O objetivo era produzir a demolição moral de quem estivesse em seu caminho. Pela cartilha petista, escândalo no território inimigo era e continua sendo coisa que ou existe ou se fabrica. Onde houvesse o mais tênue fio de fumaça da suspeita o partido era o primeiro a chegar, com um tonel de gasolina.

Impoluto, apontava o dedo acusador para as privatizações, por exemplo, com a autoridade moral de quem jamais o usou para contar dinheiro mal-havido. Quando seus líderes clamavam por CPIs para investigar as privatizações e a base do governo FHC não os apoiava, roíam-me desconfianças e suspeições. "Ai tem!", pensava eu. Se o nariz petista acusava algo, se sua alma se ouriçava, se seu fino tato acusava, era certo que algo havia. Afinal, eles sabiam tudo, mas tudo mesmo, sobre o governo dos outros.



Foi assim que o partido, sem muito esforço diga-se, destruiu moralmente os governos Collor e Sarney. Foi assim que o partido requereu contra o governo FHC mais de duas dezenas de CPIs. As investidas foram tantas, tão contínuas e violentas que o prestígio do ex-presidente despencou dos elevados índices a que chegara nos pleitos que venceu. Quanto de verdade havia naquelas acusações? O PT atribuía a falta de provas cabais ao engavetamento dos processos na Procuradoria Geral da República e à recusa da base do governo em conceder à oposição os votos necessários à formação das CPIs.



A posse de Lula seria, também, a hora da verdade para sua oposição? Eu pensava que sim. Os petistas não mais dependiam das CPIs para investigar e exibir as negociatas alheias. Passavam a dispor de todos os meios de investigação, servidos em bandeja de prata, com guarnição de veludo azul. Ministério da Justiça, Controladoria-Geral da União, ABIN, Polícia Federal, Receita Federal, eram apenas alguns dentre os muitos instrumentos disponíveis. Sem esquecer, ainda, os arquivos de todos os ministérios, repartições e empresas estatais do país. Vai ter muito colarinho branco na cadeia, pensava eu.



Surpresa! Em 1º de janeiro de 2003 a inquisição petista deve ter embarcado em Alcântara rumo a algum asteroide distante. O outrora refinado faro não capta mau cheiro sequer quando vem da sola do próprio sapato. Seus sherloques, seus produtores de dossiês, que antes sabiam de tudo que acontecia na República, foram acometidos de um alheamento, de um autismo em que não apenas ninguém está a par do que acontece na sala ao lado, mas é a própria mão direita a primeira a desconhecer o que a esquerda faz. Sobre essa duplicidade de conduta nada se fala, nada se escreve. Quando não há explicação moralmente aceitável é preferível deixar o dito pelo não dito. E Lula maneja com perfeição a prolongada retórica do silêncio.





quinta-feira, fevereiro 20, 2014

O PT e a Venezuela.

 O PT e a Venezuela.





Nota do PT acerca da Venezuela.

O Partido dos Trabalhadores (PT), diante dos graves fatos que vêm ocorrendo na República Bolivariana da Venezuela, torna público o que segue:


1. Condenamos os fatos e ações com vistas a desestabilizar a ordem democrática na Venezuela; rechaçamos ainda as ações criminosas de grupos violentos como instrumentos de luta política, bem como as ações midiáticas que ameaçam a democracia, suas instituições e a vontade popular expressa através do voto. Lembramos que esta não é a primeira vez que a oposição se manifesta desta forma, o que torna ainda mais graves esses fatos.

2. Nos somamos à rede de solidariedade mundial para informar e mobilizar os povos do mundo em defesa da institucionalidade democrática na Venezuela, fortalecer a unidade e a integração de nossos povos.

3. Nos solidarizamos aos familiares das vítimas fatais fruto dos graves distúrbios provocados, certos de que o Governo Venezuelano está empenhado na manutenção da paz e das plenas garantias a todos e todas cidadãos e cidadãs venezuelanas.

São Paulo, 18 de fevereiro de 2014.

Rui Falcão
Presidente Nacional do PT

Mônica Valente
Secretária de Relações Internacionais do PT



A PresidentE se encontra com o chefe da Maior Democracia dos séculos XX e XXI.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Governando por provérbios.




por Jacinto Flecha



Nunca houve governante tão esclarecido, como atesta o grande historiador Cide Hamete Benengeli. Próximo da unanimidade era o seu índice de aprovação entre os que ganham sem trabalhar, colhem sem plantar, são diplomados sem aprender ou contratados sem merecer. Resultado invejável, nunca visto na História. Qual o segredo de tanta eficiência?

Dom Quixote havia prometido a Sancho Pança o governo de uma ilha. Depois de muitas andanças, expedientes de alguns amigos tornaram possível entregar ao escudeiro o governo da ilha Barataria (Bras-ilha, para os íntimos). O grande governante não se fez de rogado, assumiu e logo designou como governanta ajudanta a Sra. Sancha Pança. Os baratarianos se divertiam com aquela cara, aquele palavrório, aquela pança, tudo realçado pelo sorriso de marketing televisivo da outra cara, cirurgicamente adaptada. A excepcional administração arrancava constantes elogios do noticiário encomendado e bem remunerado.

Servindo-se de vastíssima cultura popular, presente nos milhares de livros que nunca leu, nas centenas de bares que frequentou, nas dezenas de greves que incentivou, no único emprego pessoal (do qual escapou), ele falava a linguagem que o povo gosta de ouvir: piadas, palavrões, promessas, arroubos, provérbios.

Ah, os provérbios! Ele os enfileirava um atrás do outro, sem quê nem pra quê, num processo conhecido nas ilhas vizinhas como ensartar refranes. Muitas vezes os provérbios continham metáforas futebolísticas, assunto no qual sua competência era tão formidável quanto nas marcas de aguardente.

A profusão de provérbios tinha proverbial fundamentação doutrinária, digamos, como registram os documentos históricos de Benengeli: Provérbios velhos são evangelhos / Provérbios são arreios para qualquer cavalo / Com um provérbio se governa uma cidade / Com pouca cabeça se governa o mundo. Havia provérbios justificando malfeitos: Qualquer que seja a conduta, há um provérbio para apoiá-la / Provérbios são muito úteis, quando nada nos justifica.



A máquina governamental, bem aparelhada e lubrificada, girava lucrativamente de acordo com o comando emitido por outros provérbios: Mateus, primeiro os teus / Cada um puxa a brasa pra sua sardinha / Raposa que dorme não apanha galinha / O sol nasceu para todos, e a sombra para os espertos. Iludia-se quem esperasse tratamento equânime: Para os amigos, tudo; para os indiferentes, a lei; para os inimigos, a justiça morosa e corrupta / A lei não ajuda aos que dormem / Os ausentes estão sempre errados. Até os adversários políticos aderiam, pois pra burro enfeitado não faltam noivas.

Para a outra parte da população baratariana (aquela cujo trabalho sustentava a ilha) valiam outros provérbios reconhecidos e praticados, por isso não precisavam ser lembrados pela propaganda: A fome inventou o trabalho / A necessidade faz o sapo pular / A vida é dura pra quem é mole / Deus ajuda a quem cedo madruga. Eles trabalhavam de fato, pois bem sabiam: Saco vazio não para em pé / Casa que não tem pão, todos brigam e ninguém tem razão. E a experiência diária comprova:Maré alta eleva todos os barcos.

O modo de tratar os subalternos seguia provérbios rígidos e implacáveis: O peixe graúdo come o miúdo / Quem manda no terreiro é o galo / Manda quem pode, obedece quem tem juízo. E a reputação do governante estava muito bem protegida: Que te adianta ladrar, se estás em baixo e eu em cima? Quando patrão canta, empregado bate palmas / Pode-se enganar os mandarins, mas nunca insultá-los.



Os idosos e ajuizados, que conheciam as fraquezas da espécie humana, acendiam uma luz de advertência: Em vez de dar o peixe ao pobre, ensine-o a pescar / Não basta ter farinha e ovo, é preciso saber fazer o bolo. E mostravam que fazer caridade não é função do governo: O bem que o governo faz, faz mal feito; e o mal que o governo faz, faz bem feito / O governo faz cortesia com chapéu alheio. Outros baratarianos advertiam: Quem cabrito dá, e cabra não tem, explique de onde o bicho vem / Não dê o passo maior que as pernas / Se a bota é larga, não enfie os dois pés.

As advertências não adiantavam, pois deficiências óbvias impediam o grande governante de aproveitar este provérbio importante: Pra quem sabe ler, um pingo é letra. Recomendaram pôr a barba de molho, mas ele entendeu como raspar a barba. Também não conseguiam bater na cangalha para o burro entender; nem adiantava piscar o olho, aviso que só basta para bom entendedor.

Insensível às advertências, o casal Pança achava que ladrão endinheirado não morre enforcado. Foi aí que a porca torceu o rabo, e resultou que o grande governante deu com os burros n’água. Quanto à governanta ajudanta, já não havia solução: a vaca foi pro brejo.

Fonte: IPCO

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Política Racista provoca sério confronto.







por Cid Alencastro.



Foro de São Paulo: onde se promove a divisão e destruição do Pais.




Humaitá, cidade com cerca de 50 mil habitantes ao sul do estado do Amazonas, tem em sua vizinhança uma reserva indígena. Dessas que o governo federal se empenha para que conserve seus costumes e tradições, mas que vive contraditoriamente em grande parte das benesses proporcionadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai): luz elétrica, celular,tablet, tênis da moda!

Sou favorável a que os índios tenham todos os benefícios autênticos da civilização. E por isso não compreendo por que mantê-los confinados nesse tipo de reservas, que funcionam quase como um território sagrado e autônomo no qual um reles branco não pode pôr os pés. E não se alegue a Constituição, pois nos pontos em que ela coloca entraves ao bem comum é possível mudá-la — a base governamental tem maioria.

Como fruto dessa política de criar uma classe indígena privilegiada, não sujeita às leis que valem para todos os brasileiros, vão se produzindo acirramentos indesejáveis entre brancos e índios, quando o ideal seria que houvesse cooperação e amizade.

Para ganhar uns cobres extra, os índios de Humaitá se deram ao luxo de instituir postos de pedágio irregulares na rodovia Transamazônica, pois são impunes. É mais uma causa de atrito com os moradores.

Ocorre que três humaitaenses desapareceram, e depois foram encontrados pela polícia mortos com tiros de espingarda e enterrados no território indígena. Cinco índios já foram presos, e suspeita-se que há ainda outros envolvidos. As notícias abaixo foram largamente publicadas (*).

Cenas do Confronto 

Ao praticar o sequestro e posterior assassinato, os índios acusados estariam querendo se vingar da morte do cacique Ivan Tenharim — encontrado agonizante na estrada, ao lado de sua motocicleta —, desconfiando que ele foi assassinado. A versão que prevaleceu, porém, é que ele caiu da moto e morreu. Alega-se que estaria bêbado.

Como surgiu a suspeita de assassinato desse cacique? Segundo Gilvan Tenharim, 24, filho do cacique, “em nenhum momento a gente falou que o meu pai foi assassinado. A gente não protestou nem chegou a acusar ninguém”. Mas a reação do coordenador regional da Funai, Ivã Bocchini, foi diferente. Em texto publicado no blog oficial do órgão dias após a morte, ele levantou a hipótese de assassinato. Para o filho do cacique, houve uma “precipitação” da Funai. “A gente viu que ele caiu da moto.”

Contatado pela imprensa, Bocchini desligou o telefone após a reportagem se identificar. O texto acusador foi apagado do blog da Funai. Dias depois Boschini foi exonerado.




“Milhares de pessoas revoltadas com o assassinato de três moradores cometido pelos índios Tenharim promoveram um quebra-quebra na cidade de Humaitá no início da noite de Natal. Atearam fogo na sede da Funai e da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e incendiaram 13 carros estacionados no pátio. Depois seguiram para as margens do rio Madeira, onde atearam fogo a três barcos de grande porte usados pela Funai para transportar índios da cidade para as aldeias”.

Moradores disseram à PF que viram os índios empurrando o carro onde estavam os desaparecidos. Segundo autoridades policiais locais, o atual conflito é resultado de tensões acumuladas na região entre índios e não índios. A população está revoltada, há um ódio acumulado.

“Os líderes da manifestação alegam que a polícia federal, o exército e a força nacional foram omissos no momento de efetuarem as buscas dos três desaparecidos que segundo informações sigilosas foram assassinados, e tiveram seus corpos queimados e enterrados no meio do mato, por dezenas de índios”.

146 índios estavam no centro de Humaitá quando começaram a ser hostilizados. Acuados, decidiram se refugiar na base do 54º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército. Cerca de 3.000 pessoas participaram do protesto e entraram em confronto com a polícia. Vários humaitaenses ficaram feridos.

Para o superintendente da Polícia Federal em Rondônia, Carlos Manoel Gaya da Costa, os índios“não são amigáveis” e limitaram a área de atuação dos agentes da PF na reserva. “Eles dificultam o acesso da polícia à área”.

Dois dias após essas manifestações, cerca de 300 moradores invadiram as aldeias da Terra Indígena Tenharim. Eles se dividiram em carros e caminhonetes, passaram pela aldeia Mafuí, atearam fogo em casas e destruíram o pedágio criado pelos índios no quilômetro 145 da Rodovia Transamazônica (BR-230).

Antes de destruir o pedágio e incendiar as casas, ainda de madrugada, o grupo cortou a energia elétrica das aldeias. “Eles estavam muito furiosos”, disse o funcionário da Eletrobrás, Carlos Alberto Santos, chamado para restabelecer o fornecimento de energia.

No momento em que escrevemos, os corpos foram encontrados e o carro em que viajavam está destruído; os índios não querem abrir mão do pedágio; e a população de Humaitá continua revoltada.

Depoimentos

Eis alguns depoimentos de moradores publicados em “O Estado de S. Paulo” (29-12-13):
1 – “Temos índio aqui que é professor, a gente os respeita como seres humanos, mas como podemos confiar neles depois do que aconteceu? Revoltada, a população é capaz de tudo”, diz a funcionária pública Marlene Souza.

2 – “Eles vêm à cidade, enchem a cara, fazem baderna e fica por isso. Agora que o povo reagiu, eles pegaram o peco (fugiram); índio é protegido pelo governo que nem bicho, então tem de ficar no mato, não tem que viver em dois mundos, no nosso e no deles; o cacique deles caiu da moto porque era um pé inchado (bêbado)”, disse o almoxarife Edvan Fernandes Fritz, 29 anos.

3 – “Temos dois Brasis: um, esse em que a gente vive; o outro, um Brasilzinho que o governo reservou para os índios”, disse o madeireiro Elias Trepak, de 60 anos. Segundo ele, há mais de seis anos os índios controlam a Transamazônica nos 140 quilômetros da reserva e não se faz nada.

4 – A multidão chegou, tombou e incendiou uma viatura e começou a depredar o prédio [da Funai], disse a dona de casa Wilma Oliveira da Paixão, de 24 anos. “Logo alguém jogou uma bola de fogo, aí começaram a incendiar tudo”.




Fonte: IPCO

Um refugiado evangélico e a cachorrada do governo do PT



por Julio Severo



A menos de 10 dias do encerramento do prazo para o governo brasileiro decidir se concederá refúgio ao senador boliviano Roger Pinto Molina, o Estadão revelou detalhes de uma imunda operação secreta articulada em março de 2013 pelo governo brasileiro para enviar à Venezuela um perseguido político enclausurado numa salinha sem janela durante 455 dias na embaixada brasileira em La Paz, Bolívia. Detalhe: Molina não poderia saber para onde estava sendo enviado.

De acordo com a reportagem, o governo do Brasil ofereceu a Molina, que é evangélico, ajuda para sair da Bolívia, com uma condição: ele deveria dar ao governo brasileiro total direito de enviá-lo a um país sem que Molina soubesse o destino. A oferta do Brasil também estipulava que ele deveria aceitar ser julgado por uma junta de juízes.

Se o senador evangélico tivesse aceitado a oferta, ele teria caído direto na cova dos leões, pois o plano do Brasil envolvia entregar Molina a dois países comunistas aliados da Bolívia: Venezuela e Nicarágua.

Tudo o que era necessário era Molina dar um salto no escuro aceitando a misteriosa “ajuda” de Dilma. O resultado final seria: ele acabaria nas mãos de carrascos comunistas e a senhora Dilma Rousseff poderia dar de ombros e dizer que cumpriu a palavra dela, tirando o evangélico perseguido da Bolívia — sem contrariar as intenções do ditador Evo Morales.
Se não fosse a ação corajosa do diplomata católico Eduardo Saboia retirando da Bolívia o refugiado boliviano contra a vontade do governo brasileiro, Molina cedo ou tarde seria entregue ao governo comunista da Bolívia ou aliados.

Eduardo Saboia (esq) e o senador Roger Molina

Quando bandidos governam um país, os inocentes são tratados como criminosos e os bandidos são tratados como heróis. Quando o assassino comunista Cesare Battisti fugiu para o Brasil, a Itália requereu sua extradição legal, mas o governo de Lula não trancou o criminoso numa salinha por 455 dias nem arquitetou um plano secreto para entregar o assassino a um merecido castigo. O próprio Lula interveio para que o criminoso obtivesse asilo e uma vida regalada

Molina não é assassino, mas um conservador será sempre um criminoso para Evo Morales, Dilma e aliados. O governo do PT fará tudo o que puder para não dar asilo ao evangélico conservador da Bolívia. Portanto, esse é um caso de oração e intercessão.
Não tenho vergonha de ser brasileiro, mas tenho muita, muita vergonha dos que governam o Brasil com esquemas infernais e bandidagens.

Abaixo, conforme o colunista da Veja Augusto Nunes, comunicado ao público do advogado de Molina:

A notícia veiculada no Estadão, e assinada pela experiente repórter Andreza Matais, de que teria sido engendrado pelo Itamaraty um plano secreto para levar o senador Roger Pinto Molina para a Venezuela ou para a Nicarágua deve ser vista com extrema preocupação. Caso essa insensatez se tivesse concretizado, o Brasil teria jogado ou alguém sob a proteção do direito internacional num verdadeiro covil de leões, dado o estreito alinhamento ideológico e político que têm aqueles países com o governo de Evo Morales.

Mas a coisa vai mais longe. A lamentável operação deve ser vista como o capítulo final de uma história que retrata um Itamaraty agonizante, que só permanece vivo porque obstinados brasileiros não desistiram de lutar pela instituição que um dia honrou os seus pais e o seu País. Uma história que teve o seu clímax (ou seria anticlímax?) numa proposta indecente feita a Roger Molina em março do ano passado. O embaixador Marcel Biato – um desses obstinados, justiça seja feita – foi orientado, não sem constrangimento, a propor ao senador, então asilado na Embaixada do Brasil em La Paz, um rol de condicionantes em troca da “liberdade”. A proposta passava por cinco pontos: 1) o senador deveria renunciar ao asilo que lhe fora concedido pelo governo brasileiro; 2) deveria concordar em ser enviado para um terceiro país; 
3) deveria assumir o risco de sair da Embaixada sem um salvo-conduto; 
4) deveria no seu destino final se abster de criticar o Governo de Evo Morales, e, finalmente, 
5) deveria concordar em se avistar com “enviados” da Justiça boliviana, que seriam autorizados a ingressar nas instalações da nossa Embaixada.

Soube que o diplomata Clemente Baena Soares e outros enviados pelo Itamaraty, sem a participação dos integrantes da missão brasileira em La Paz, teriam mantido conversações com a embaixadora da Venezuela, Cris González, com o fim de que fosse cedido um avião de matrícula venezuelana para tirar o senador da Bolívia, com o beneplácito oficial, mas sigiloso, do governo Evo Morales. A reunião que poderia ter selado o destino de Roger Pinto Molina só não ocorreu em razão da embaixadora González ter se deslocado para Caracas, em razão da morte do presidente Hugo Chávez, justamente no momento em que Baena Soares arribava na capital boliviana.

Essa proposta indecente começou a ser rascunhada, ao que parece, logo após a prisão dos torcedores corintianos em Oruro. Numa reunião em Cochabamba, o chanceler boliviano David Choquehuanca teria proposto ao seu congênere Antonio Patriota que o embaixador Marcel Biato – muito crítico dos desmandos do governo Evo Morales – fosse afastado das tratativas para a libertação dos torcedores, condição com a qual o nosso chanceler assentiu. Ao que parece Choquehuanca foi mais além e teria proposto trocar a liberdade dos corintianos pela de Roger Molina. Essa segunda e estapafúrdia proposta teria sido rechaçada por Patriota. Porém, como resultado dessa reunião o senador Molina teve limitado o seu direito de receber visitas e só não foi impedido de falar ao telefone e acessar a Internet porque funcionários da Embaixada exigiram que uma ordem por escrito fosse enviada desde Brasília.

Se algo mais restou de positivo daquela reunião foi que ali se decidiu pela criação de uma comissão bilateral para cuidar do caso do senador. Essa comissão teria se reunido uma única vez em São Paulo. A segunda reunião, programada para La Paz, jamais teria acontecido. Ao que parece, os diplomatas enviados a La Paz sequer foram recebidos pelas suas contrapartes bolivianas. Ato contínuo, foi proposta pelos nossos vizinhos que a frustrada reunião acontecesse em La Antigua, na Guatemala. Desta vez a conversa ocorreu de pé, no corredor. A próxima cartada no jogo da dupla Evo-Choquehuanca foi conseguir que o Brasil assinasse, durante uma reunião de Cúpula do Mercosul em 12 de julho de 2013, uma declaração em que o País se solidarizava com “os Governos da Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela, que ofereceram asilo humanitário ao Senhor Edward Snowden”, sem que tal declaração dedicasse uma única linha a Roger Pinto Molina, àquela altura há um ano e um mês espremido num pequeno quarto improvisado.
Daí para a frente a história é conhecida: Molina foi heroicamente retirado da Embaixada, recebi em minha casa a inesperada visita de um diplomata que naquela ocasião integrava a comissão sindicante encarregada de processar o diplomata Eduardo Saboia e por aí vai.

Mas a lembrança que realmente me veio à mente, tornada vívida pela leitura da notícia de hoje, foi o telefonema que recebi do secretário-geral do Itamaraty, Eduardo dos Santos. Disse-me este, em meados de setembro do ano passado, que o meu cliente seria expulso do País caso fosse à Câmara dos Deputados a convite do deputado oposicionista Otávio Leite. Em resposta, expressei toda a minha indignação e deixei claro que não me curvaria a esse tipo de ameaça. Aproveitei a deixa para enfatizar que seria oportuno o embaixador refletir seriamente sobre os limites do Estado. Mas devo confessar que senti o que talvez seja compaixão em relação a Eduardo dos Santos: se há uma coisa que me marcou naquele telefonema foi a sensação de que o secretário-geral estava com medo. E gente com medo, pensei, é o que não falta no Itamaraty. Ainda que estejam longe de constituir a maioria, vem ganhando espaço burocratas que convenientemente se esquecem de que a Diplomacia é e sempre foi uma carreira de Estado. Ou que não menos convenientemente se deixaram contaminar por uma ideologia que lhes vêm assegurando que o próximo posto não vai ser dentro de uma geladeira ou na calorenta Ouagadougou, no Burkina Faso.

Em pouco mais de vinte anos o crack tomou conta das ruas das nossas cidades, fazendo com que milhares de jovens promissores ficassem tão somente na promessa. Hoje, segundo dados das Nações Unidas, sessenta por cento da cocaína produzida na Bolívia vem parar no Brasil. O aumento do tráfico proveniente da Bolívia foi determinante para que o consumo em nosso País dobrasse nos últimos seis anos. Atualmente, três por cento dos universitários brasileiros e quase dois por cento do total da população consomem cocaína regularmente. Não consigo aceitar que um viés ideológico forjado e sedimentado nos corredores das universidades numa época em que era justo e necessário lutar contra a Ditadura nos levou a um quadro crônico de cegueira coletiva que nos impede de criticar essas tais Novas Democracias do Século XXI (um eufemismo para ditaduras), que gostam mesmo, como faziam os militares nos nossos tempos de chumbo, de perseguir os seus opositores. Em nome dessa mesma ideologia aceitamos calados sucessivas provocações de Evo Morales, que espertamente percebeu que pregar contra o “imperialismo” brasileiro, assim como já o vinha fazendo em relação aos chilenos na questão do acesso ao mar, rende votos. Sob o pretexto de corrigir injustiças históricas, apoiamos incondicionalmente um sistema de produção destinado na teoria a abastecer o consumo tradicional, mas que na prática transforma a maior parte das folhas de coca produzida na Bolívia em uma pasta que acaba sendo trocada por carros roubados no Brasil.


A continuar desse jeito, só me falta acordar e, se o meu cachorro não tiver mais uma vez destruído o jornal, ler a notícia de que pegamos o cavalo para trás – ao menos Evo está convencido de que foi assim – e devolvemos o Acre para a Bolívia.

Fernando Tibúrcio Peña, advogado do senador da Bolívia Roger Pinto Molina

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Silêncio cúmplice.












por Heloisa Seixas(*)




‘Os comentários que tenho ouvido me passam a impressão de que, de alguma maneira, nos sentimos culpados’

Recebi o telefonema de um amigo da TV Bandeirantes, muito abalado com a morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um morteiro disparado pelos black blocs na manifestação do dia 6 de fevereiro. Claro que todos nós — a sociedade civil e especialmente nós, jornalistas — estamos chocados com a história. Mas uma frase de meu amigo me chamou a atenção:

“Fico me perguntando se não devíamos ter sido mais duros desde o início, se não devíamos ter denunciado com mais vigor esses vândalos”, disse ele. Aí está: talvez haja, nessa morte, mais do que a sensação de perplexidade e revolta que sentimos quando ficamos sabendo, por exemplo, da morte de alguém vítima de bala perdida. Os comentários que tenho ouvido me passam a impressão de que, de alguma maneira, nos sentimos culpados.



Desde que começaram os movimentos de junho do ano passado, temos assistido à crescente violência nas manifestações. Essa escalada de violência tem sido atribuída quase sempre à maneira truculenta de agir por parte dos policiais. Mas, por maior que seja o despreparo do aparato policial, há vândalos agindo livremente nas ruas durante esses atos, saindo com o objetivo puro e simples de destruir, sem qualquer reivindicação a movê-los.

Jovens advogados, políticos progressistas, instituições que sempre defenderam os direitos humanos, todos têm saído em defesa dos manifestantes, na presunção de que, entre perseguidos e policiais, os primeiros têm sempre razão. Mas os black blocs, ou seja lá que nome tenham, vinham dando sinais nos quais devíamos ter prestado mais atenção: havia tintas neonazistas no comportamento deles, inclusive na hostilidade à imprensa.

Mas parecia retrógrado, uma coisa velha, de direita (como se dizia antigamente), ser contra os manifestantes. Poucos de nós, na imprensa, tivemos coragem de escrever contra eles com a força necessária. Afinal, como defender policiais e governos suspeitos, logo nós, que já trabalhamos sob censura e combatemos a ditadura? Melhor ficarmos quietos, em nome da democracia. Em nome do direito à livre manifestação — mesmo com bombas e pedras.

E agora estamos assim, como o meu amigo da Bandeirantes. Com esse nó na garganta, essa pergunta presa no peito: será que nosso silêncio constrangido nos faz cúmplices na morte de Santiago?

*Heloisa Seixas é jornalista e escritora

Festa dos Jogos Olímpicos na Rússia glorifica Stalin e URSS.









Festa dos Jogos Olímpicos na Rússia glorifica Stalin e URSS.

por Luis Dufaur


A inauguração dos Jogos Olímpicos de inverno em Sochi, Rússia, transmitiu uma mensagem de forte conteúdo soviético seguindo o desejo do presidente Vladimir Putin, destacou Olivier Ravanello no Yahoo! Actualité. 

Numa apresentação sobre gelo com grande quantidade de figurantes – e muitos erros técnicos – os bailarinos do Bolchoï retrataram a história da Rússia com maldissimulada ênfase no criminoso período bolchevista, seus cortejos de mortos, campos de concentração, prisioneiros políticos, o terror, a fome e a guerra de classes nacional e internacional.

A surpresa tomou conta dos entendidos presentes quando os bailarinos ergueram a foice e o martelo comunista e dois perfis humanos característicos da propaganda soviética stalinista. 

Os observadores perceberam os elogios simbólicos ao ditador Stalin. Eles despertaram a lembrança dos holocaustos de milhões de ucranianos pela fome, o envio à Sibéria de centenas de milhares de opositores, o terror estabelecido pelo Partido Comunista sobre todo o país, e as falsidades da propaganda soviética para promover um regime intrinsecamente perverso.



A festa de Putin a seu predecessor aconteceu como se historiadores, escritores, e os próprios russos não tivessem denunciado aquela realidade histórica carregada de horrores.

Porém, Putin podia fazê-lo sabendo que no Ocidente, a quem se dirigiam especialmente as mensagens pro-soviéticas, ressuscitam estranhamente saudosistas e entusiastas do sistema stalinista.

E isso na ordem civil e na eclesiástica, como no MST brasileiro, “cartoneros” argentinos e na Teologia da Libertação que ganha importantes posições.

Não à toa, Putin pôs no cenário para o planeta inteiro ver, aquilo que ele defende há tempos: “A queda da URSS foi a maior catástrofe do século XX”. 

E para a restauração da URSS está trabalhando ditatorialmente e de modo cada vez menos encapuçado na Ucrânia.

E endossando vestes eclesiásticas até no seio da Igreja Católica pelo Ocidente afora.






Luis Dufaur é escritor e edita o blog Flagelo Russo.



domingo, fevereiro 09, 2014

As Damas de Branco e A Globo de Negro.





As Damas de Branco e A Globo de Negro.





O artigo abaixo nem é tão recente assim, mas a ditadura Cubana já é uma velha senhora que desafia o tempo e continua firme e forte graças ao dinheiro injetado outrora pela URSS, mais recentemente pela Venezuela (que também já é uma ditadura) e agora é alimentada pela dupla Lula-Dilma os novos proto-ditadores brasileiros. Mas o artigo se torna interessante na medida em que recentemente a Globo News prestou uma singela homenagem aos 55 anos de ditadura implantada em Cuba pelos irmãos Castro e, na contra mão daquilo que deseja o governo Lula-Dilma - e a Globo segue essa regra serena e servilmente - o SBT exibiu no seu telejornal (08/02/2014) uma reportagem sobre as Damas de Branco (acesse o site aqui)que resistem e há 568 domingos seguidos, fazem seu protesto silencioso pelas ruas de Havana. Bom saber que nem todo o jornalismo no Brasil é formado por esquerdopatas esquizofrênicos que se espalham pelas redações dos principais jornais impressos (alguns até muito importante), revistas (algumas nem se dão ao trabalho de disfarçar o engajamento) e pelas emissoras de TV.






Artigo originalmente escrito para o Mídia Sem Máscara, por Ubiratan Iorio em 31/03/2010.





Quer conhecer um país? Procure saber se nele existem presos políticos. Se houver, não vale a pena sequer visitá-lo.


O verbo transitivo indireto dissidiar significa, segundo os dicionários, ser dissidente, divergir, dissidir. Vem do substantivo feminino latino dissensione, definido como divergência de opiniões ou de interesses, desavença, desinteligência, dissidência e, em sentido figurado, discrepância, contraste, oposição. Todas essas acepções têm uma coisa em comum: são detestadas pelos regimes totalitários de qualquer matiz ideológico, principalmente pelas ditaduras ditas "socialistas". Como a de Cuba, por exemplo.

Podemos perfeitamente divergir - com parentes dentro de nossa casa, com colegas no trabalho, com pessoas com quem encontramos na rua, com opiniões que são manifestadas em jornais ou na televisão - a respeito de qualquer assunto e isso é absolutamente normal, porque ter nossos próprios princípios faz parte do conceito de liberdade de consciência e de pluralidade, que são elementos da individualidade e da dignidade da pessoa humana. Mas nenhum regime realmente ditatorial jamais tolerou nem tolera a existência de dissidentes, de pessoas que, pensando por conta própria, se opõem aos que se apossaram do Estado e pretendem impor o seu próprio conceito de "felicidade" a toda a população.





As Damas de Branco de Havana - as mulheres cubanas que têm parentes presos pelo simples fato de discordarem do regime totalitário imposto por Fidel ao país e que passaram a fazer protestos públicos para que o governo dito "popular e democrático" os ponha em liberdade - merecem não apenas o nosso respeito: merecem o apoio de quem quer que preze as liberdades individuais e o próprio ser humano. Mulheres de coragem, que não temem a opressão, não têm medo de ameaças, não receiam a reação violenta da polícia castrista e querem proclamar ao mundo o que ele há muito tempo já sabe, apesar dos esforços da mídia gramsciana para esconder a podridão do regime cubano: que sufocar as liberdades individuais, que incluem a de opiniões, é um crime bárbaro contra o ser humano e que tais regimes não podem mais ter cabimento no mundo atual.


Cuba, China, Coréia do Norte, Vietnã do Norte, Irã e, no compasso atual, a Venezuela, bem como alguns acólitos latino-americanos do ridículo Chávez, são países que têm presos políticos, dissidentes. Pessoas que não concordaram com as atrocidades cometidas pelos que se apoderaram do Estado, a maior das quais o desrespeito à liberdade de consciência e de opinião. De minha parte, há muitos anos decidi que não poria os pés em Cuba enquanto o regime comunista continuasse dando as cartas. Não estou perdendo nada com essa atitude, embora torça para que os cubanos, oprimidos há cinco décadas, se libertem do sistema tirânico imposto por Castro na época da Guerra Fria.


Mas, enquanto as valorosas Damas de Branco rebelam-se destemidamente contra a tirania, pinçamos do jornal Estado de Minas a notícia publicada no último dia 26 de março: "Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) ocuparam, na madrugada de ontem, a centenária fazenda Fortaleza de Sant'Anna, em Goianá, na Zona da Mata, a 287 quilômetros de Belo Horizonte. A propriedade de 4,2 mil hectares pertence aos descendentes da família Tostes, uma das fundadoras do município de Juiz de Fora. A coordenação do MST alega que um laudo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), emitido há dois meses, aponta que a fazenda é improdutiva" (frisemos que tal "argumento", como sempre, é apenas um pretexto para a agressão aos direitos de propriedade, pois o tal laudo não é verdadeiro). E prossegue: "Ocupamos para acelerar o processo de desapropriação. A propriedade não está cumprindo sua função social", justificou um dos coordenadores do MST.


Em outro trecho da notícia, o referido senhor alega que os proprietários da fazenda no século XIX eram donos de escravos, o que por si só já justificaria a invasão... Mesmo se houvesse argumentos para sustentar agressões a qualquer direito de propriedade estabelecido legalmente, trata-se de um raciocínio de um primarismo e de uma bronquice assustadores! E que revelam o que todos os que pensam com a própria cabeça já sabem, há bastante tempo, que é o fato de que a reforma agrária de que tanto falam não passa de mera fachada para encobrir o verdadeiro objetivo desses radicais, o de implantar um socialismo caquético,decrépito e comatoso no Brasil.




Prefiro não perder mais o meu tempo comentando as declarações do chefe dos invasores. Vou apenas salientar o contraste: enquanto em Havana um grupo valoroso defende o retorno da liberdade, aqui no Brasil esses verdadeiros bandos de desocupados, manipulados politicamente e que costumam ser carinhosamente tratados pela mídia de "movimentos sociais", lutam pelo ingresso na servidão! Os maquinadores do totalitarismo que estão por trás do MST são os mesmos que tentaram - e ainda tentam - empurrar goela abaixo dos brasileiros uma verdadeira aberração jurídica, econômica e ética, denominada eufemisticamente de PNDH-3.


Se você ama o Brasil e, mais do que isso, se ama a liberdade e respeita a verdadeira dignidade da pessoa humana, não fique quieto: apóie do jeito que puder as Damas de Branco e rechace veementemente, também de todas as maneiras que estiverem ao seu alcance, essas tentativas do MST e dos que, a pretexto de defender direitos ditos "humanos" (um pleonasmo claro), querem instituir em nosso país a servidão do indivíduo ao Estado.




A esperança dos que prezam a liberdade é que nenhuma ditadura é eterna. Podem durar décadas, mas um dia, terminam. O fim do regime cubano e a derrota de Chávez e de outros chefes totalitários é líquida e certa. Na antiga URSS, nem houve necessidade de disparar tiros. Bastou o esfacelamento natural do regime e o consequente clamor popular. Fidel, Raul, Chávez e outros súcubos da servidão sabem que seus regimes estão com os dias contados. Mais cedo do que se pensa - e do que desejam a mídia gramsciana e os "movimentos sociais" - a brisa suave da liberdade voltará a soprar sobre os milhões de seres humanos que oprimem.


Saudações efusivas às Damas de Branco!

Título original: As Damas de Branco e os invasores vermelhos de Goiana.

Fonte: Mídia Sem Máscara.

sábado, fevereiro 08, 2014

Discriminação Palestina.












por David S. Moran 




O secretario de Estado americano, John Kerry, está intensificando a sua guerra psicológica, vazando diretamente ou através de outros, inclusive jornalistas, partes do seu plano de paz para Israel e os palestinos.

Parte do governo israelense cai na armadilha vez após vez e por isso deixa parecer que Israel é contrário a um acordo de paz. Até os dias de hoje, o ódio aos judeus e a não aceitação da existência do Estado de Israel é ensinada desde o jardim de infância até a universidade- inclusive nas escolas da ONU- e parece que isto não incomoda a ninguém. Como sabemos tudo começa na educação e se não se educa para a paz, por aceitar o outro, mesmo assinado qualquer tratado de paz, ele não sera implementado. Na TV palestina, controlada pela Autoridade Palestina, a incitação contra os judeus em geral e Israel em particular, continua solta, isto sem mencionar a TV da Hamas na Faixa de Gaza. Nem Abu Abbas nem outras autoridades governamentais palestinas tentam conter o ódio que essas TVs dispersam.

Dos palestinos parece que nada é exigido. Até mesmo o parágrafo que o governo israelense exige, o do reconhecimento de Israel como o Estado Judeu- conforme a Resolução 181 da ONU de 1947- Abu Mazen diz que nunca o aceitará. Esta negação provavelmente é devido ao fato dos palestinos não reconhecerem o direito de Israel de existir. Faruq Kadumi, dos fundadores da Fatah e da OLP,de quem foi o”ministro do exterior”, já na década de 70′ disse que “usaremos contra Israel o processo do salame. Tudo que Israel ceder nós o aceitaremos, mas continuaremos a nossa luta ate o final, obter todo o território”. Tanto é que Kadumi não aceitou o acordo com Israel em 1994, quando Arafat e sua cúpula retornou aos territórios ocupados e ficou em Tunísia (até hoje). Outra prova, pode ser vista no simbolo dos palestinos, que até a equipe de futebol chilena,Palestino, quis usar- é do mapa da região sem a existência de Israel.

O mundo parece “cair” em cima de Israel e culpa-lo pelos males da região e por não solucionar a situação com os palestinos. Exemplo deste absurdo é que em 2013 a Assembleia Geral da ONU aprovou 22 resoluções condenando Israel e somente 4 contra todo o resto do mundo. Esta destorção não tem lógica de nenhum ângulo que se olhe. Porque esta discriminação e ganho de projeção dos palestinos, o que eles fizeram ou deram ao mundo? Os palestinos começaram a ter projeção internacional com o final da guerra do Vietnã, que até então ocupava as folhas dos jornais e houve necessidade de achar novo projeto e este foi o Arafat com sua keffieh.

Os palestinos introduziram ao mundo novo tipo de terror: os sequestros de aviões e suas explosões, fato que mudou as normas em todos os aeroportos do mundo. Até então embarcava-se num avião quase como num ônibus, ai foram tomadas medidas de segurança ate o que é visto nos aeroportos de hoje. Os palestinos trouxeram o terror contra civis com explosivos colocados desde em sacolas de feira até dentro de radio transistor. Colocados em burros, fazendo-os explodir e até a invenção de homem e mulher bomba- os terroristas suicidas- que vão a lugares lotados de pessoas, mercados ou ônibus para causar o maior numero de mortos. O muro que Israel construiu e foi criticado parou completamente este terror. Mais do que isto, países que protestaram como os EUA, construíram seu próprio muro na fronteira com o México para diminuir o fluxo de imigrantes ilegais (e não de bombas) ao seu território. Os palestinos ousaram e conseguiram fazer atentado numa Olimpíada (em Munique,1972) assassinando 11 atletas israelenses.

A ONU, organização que promove a paz, consentiu que Arafat, o líder de uma organização palestina e não de um estado membro, viesse a dar seu discurso na Assembleia Geral, portando seu revolver. Há um absurdo maior do que este? Os palestinos foram e são usados pelos países árabes para atacar o Estado de Israel e o Ocidente, estes mesmos países que não querem resolver o problema dos refugiados palestinos, apesar das fortunas que tem. Estes países confinaram os refugiados em campos de refugiados, não lhes dando direitos, considerando-os cidadãos de segunda categoria, ate impedidos de exercer varias profissões.Eles preferem perpetuar a situação. Estes “irmãos” árabes expulsaram a OLP e seus terroristas do seu território. Assim o foi em 1970 da Jordânia, em 1982 do Líbano, em 1991 do Kuwait e mais recentemente da Tunísia. A ONU tem uma agencia para tratar dos refugiados no mundo todo, a ACNUR (em inglês UNHCR)e tem uma agência só para tratar dos palestinos, a UNRWA,que recebe verbas maiores do que a UNHCR.

Os absurdos continuam. Apesar de todo o terror que trouxeram consigo, os palestinos conseguiram obter na Assembleia Geral da ONU, com o voto automático dos países árabes, dos muçulmanos, do Terceiro Mundo, um dia de solidariedade com o povo palestino. E o dia fixado para tal é o mesmo marcado a própria ONU, nos seus dias mais conscientes, aprovou a resolução da Partilha do Mandato Britânico na Palestina em “um estado judeu e um estado árabe”(árabe e não palestino, termo que só começou a aparecer a partir de 1975).

Hoje a Autoridade Palestina é regida por uma ditadura e eleições que deveriam ocorrer em 1999, caíram no esquecimento. Estados Unidos que chutou para fora seu maior aliado árabe,Mubaraq do Egito, nem menciona a democracia na A.P. Dos direitos humanos também não se ouviu nesta região, onde a mulher é relegada a segundo plano, onde homossexualismo é proibido, onde há governo corrupto e a pobreza do povo reina. Mas as entidades internacionais ligadas a erradicação destas normas, emudecem quando se trata dos palestinos. Pois é, trata-se do mesmo mundo que caiu na euforia com a queda do Muro de Berlim, mas quer erguer um novo muro e fazer de uma mesma cidade- Jerusalém- capital de 2 Estados, fato inédito no mundo. Até Berlim quando estava dividida serviu apenas de capital da Alemanha Oriental, a da Ocidental foi Bonn.

Porque esta discriminação a favor dos palestinos? Que benefícios eles deram ao mundo? Só eles são ocupados por outro povo? Há dezenas de povos ocupados por outros e ninguém fala a respeito. Ao redor do mundo são assassinados centenas e milhares de pessoas dos quais ninguém fala. Em 2013 milhares foram assassinados na Síria, Iraque, Afeganistão, Republica Centro Africana,Somália, Nigéria, Sudão, Mali, Líbia entre outros (todos tem em comum a luta com islamistas) e só se fala nos 28 palestinos que foram mortos por Israel neste ano. Há discriminação maior do que esta, a favor dos palestinos?

A IGUALIDADE PARA OS HAREDIM

Cerca de mil ultra-ortodoxos saíram ontem as ruas de 4 cidades para protestar contra a decisão da Suprema Corte de Israel, proibindo a transferência de verbas - as yeshivot - para que seus estudantes não se alistem ao exército. Como sempre os deputados haredim gritam no Knesset e esta gritaria passou depois às ruas. Coloquemos os fatos nas devidas proporções. Trata-se de uma minoria ativa e rivalidade de rabinos e seus rebanhos entre si que querem mostrar quem é mais extremista. Esta minoria não reconhece Israel (porque o Messias ainda não chegou) e como gritaram ontem nos protestos ”passamos a Inquisição, o Holocausto, passaremos o Estado”. E se eles não querem fazer parte de Israel, por que protestar por falta de verbas ?. Em qualquer pais os cidadãos tem direitos e obrigações.

O governo transfere anualmente grandes somas às yeshivot, mesmo que a maioria de seus estudantes e os haredim não “participem” na vida israelense, seja no alistamento e serviço militar, seja trabalhando e pagando impostos. A maioria destes ultra-ortodoxos prefere viver as margens da sociedade israeli, coisa que só permitem fazer em Israel.Aqui eles se recusam ate estudar matemática, ciências e até o inglês: que futuro seus filhos terão no Séc. XXI?. Seus irmãos haredim em qualquer pais, mesmo no Brasil trabalham e encontram tempo para seus estudos de religião.

Enquanto seu número era pequeno e Ben Gurion consentiu que 400 estudiosos se dedicassem a estudos e fossem isentos do exército, o problema era pequeno, mas nos dias de hoje trata-se de muitos milhares que também sobrecarregam na economia, sem falar na igualdade de compromissos de todos os cidadãos do pais. Ao longo do tempo nenhum governo quis entrar em confronto com os ultra-ortodoxos e com os árabes israelenses, mas parece que chegou a hora de fazer todos os cidadãos israelenses participar dos esforços comuns. Isto também pode ser feito através de “serviço nacional”, trabalhando em hospitais, lecionando, etc…

O medo de certas correntes dos haredim é misturar-se com os leigos e que lhes influencie negativamente, mas há ultra-ortodoxos que servem no exercito e se beneficiam e depois encontram trabalhos. No exercito há unidades de combatentes haredim e na área da cibernética se integram muito bem. Saliente-se que o governo não quer que os haredim parem os seus estudos, apenas quer integra-los a sociedade fazendo com que cumpram com as obrigações de todos os cidadãos desde o serviço militar passando ao trabalho e ao pagamento de impostos, para a prosperidade geral.

AJUDA HOSPITALAR A SÍRIOS

A Síria está no terceiro ano de sangrenta guerra civil e ninguém vê o fim desta carnificina. Nos jornais não são relatados os sofrimentos que a população passa pelo intenso frio na região (agora é inverno), da fome ou da falta de tratamento médico. Esta semana foi publicado que 40% -quarenta porcento- dos hospitais sírios foram destruídos. Calamidade pública. Há relato de um hospital que tratava de 500 pacientes e hoje atende a apenas 25. Falência do sistema de saúde publica síria.

Nesta situação, sírios que estão mais próximos da fronteira de Israel e com o passar do tempo mais longínquos também, chegam a fronteira para serem atendidos no hospital militar de campo que ali foi erguido pela Unidade de Saúde do Exercito de Israel (IDF). Mensalmente mais de 100 sírios são atendidos e em casos mais graves são transferidos a hospitais no norte de Israel. Este fato que é pouco publicado nos meios de comunicação fez os sírios descobrirem uma nova face dos israelenses, muito diferente da propaganda do “diabo israelense” que lhes amamentavam desde o nascimento até a velhice.

Quem ainda não aprendeu sobre Israel é a Assembléia Geral da ONU, que ultimamente aprovou uma resolução condenando Israel por estender este auxilio medico aos sírios, acusando Israel de ajudar os rebeldes Armamento químico.A Síria comprometeu-se de entregar seu arsenal químico de 1.300 toneladas ate o dia 5.2.14, mas no caso sírio compromisso não significa que também tem que cumpri-lo.Pois agora a ONU publicou que apenas menos de 5% foi entregue ate esta data. Os EUA em particular e o Ocidente em geral que ameaçaram atacar a Síria pelo seu uso de armas químicas contra sua própria população, não o fizeram, acreditando na fantasiosa palavra do governo sírio.Agora estão percebendo-se eh que estão abrindo os olhos- que não da para confiar em quem não cumpriu nada do que prometeu.

CURTAS

Armamento clandestino. O semanário inglês Sunday Times relatou(2.2.14) que o governo sírio esta armazenando arsenal químico e biológico com a ajuda de especialistas iranianos e norte coreanos em áreas alawitas (comunidade ao qual Assad pertence). Parece que o governo sírio prevê que o pais seja desmembrado e sera criado um estado Alawita na parte ocidental da Síria. Esta noticia fortalece a preocupação de Israel que já previu que Assad não entregara todo o arsenal químico.

Irã proíbe chat com o sexo oposto. O líder supremo do pais,aiatolá Khamenai emitiu uma fatwa (“No Léxico, a palavra Árabe fatwa significa dar uma resposta satisfatória em relação à certo assunto. Na linguagem técnica da Shari’ah, a palavra fatwa esclarece a aplicação da lei islâmica em uma resposta dada à uma questão ou conjunto de questões, normalmente relacionadas a um assunto Islâmico. Não faz nenhuma diferença se aquele que coloca a questão é uma pessoa ou um grupo de pessoas") , decreto, proibindo pessoas de sexos opostos a conversarem por chat na internet.”É moralmente ilícito diante da imoralidades que muitas vezes envolve essas coisas”.

Corrida a Irã. Mal se levantou parcialmente o embargo a Irã e ainda sem este pais tomar medidas, governos e firmas ja correm para fazer negócios bilionários com o pais dos aiatolás. A Russia já assinou contrato para a compra de US$ 20 Bilhões. Os franceses enviaram uma delegação de 170 homens de negócios, entre eles representantes da Renault e da Peugeot, para acionarem seus negócios. Ate o governo americano criticou estes passos, enquanto os iranianos confirmaram que vão continuar com suas centrifugas.

Afeganistão.O parlamento afegã aprovou uma lei(6.2.14) que proíbe parentes de um réu, testemunhar contra ele. O significado disso é que os homens afegãs poderão bater ou estuprar sua mulheres, filhas e irmãs sem temer que elas possam testemunhar contra ele.

O “stão”. Nos últimos anos muitos países tornaram-se famosos -infelizmente em conotações negativas- como o Afeganistão, Paquistão, Quirguistão, Curdistão, Kasajestão,Uzbequistão,Tajiquistão, entre outros. O sufixo “stão” significa “local” e a primeira parte da palavra é o povo ou a tribo que lá habita.

Palavras de palestinos proeminentes. O negociador chefe palestino, Saeb Arikat, que esta reescrevendo a historia e declarou na véspera do Natal que Jesus era um palestino, volta agora com nova baboseira.Diz ele”meus ancestrais são os cna’anitas,que vieram a região 3.000 anos antes dos judeus”.

Taufik Tirawi,general palestino e dos chefes de segurança, muito ligado a cúpula palestina declarou esta semana que “as negociações de paz são vazias e um estado palestino não acontecera nos próximos 20 anos”. Ele deve saber o que fala e o resto parece ser jogo comprado.

Jibril Rjoub, que foi comandante militar da Cisjordânia e atualmente fora a liderança politica eh o chefe da Federação Palestina de Futebol, foi enviado ao Irã. No seu retorno, já com baterias carregadas, declarou que os palestinos estão negociando (indiretamente com Israel) só para desmascarar a face fascista israelense. Todas as opções estão na mesa, inclusive a luta armada”.

Faculdade de Direito de Tel Aviv destacada. A Faculdade de Direito de Tel Aviv, segundo a Quacquarelli Symonds,(QS)está em 31º lugar entre as melhores 500 faculdades de Direito no mundo, em 2013. Esta Faculdade eh a líder em excelência de pesquisas de todas as Faculdades fora dos EUA e da Inglaterra.

Fonte - Pletz

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Abortofobia.





França condena cidadão de 84 anos de idade por dar par de sapatinhos de bebê a uma mulher grávida que ia abortar. 





O enésimo paradoxo do nosso tempo é o crime de “abortofobia”, um conceito simplesmente surreal que viria a significar o ato de opor-se ao aborto, mesmo que seja apenas uma oposição intelectual em vez de física.

Numa época em que grassam “fobias” de todo tipo imaginável, a fobia que tem como objeto o aborto é particularmente assombrosa. O conceito de “fobia” passou a ser usado,de modo generalizante, para indicar a atitude negativa e a injusta discriminação de pessoas ou de situações, identificadas pela palavra que se combina com o termo “fobia”: pense na “cristianofobia”, já presente em muitos países, cujo alvo (de ataques físicos, assédio moral e marginalização)são os cristãos.No caso do aborto, porém, a situação “denunciada”como se fosse preconceituosa é a oposição a um verdadeirocrime, que é o de assassinar uma criança.

Na sociedade de hoje, em que se defendem a ferro e fogo os direitos de todos, menos os do nascituro, o novo absurdo parece não escandalizar quase ninguém. Pelo contrário: quem se opõe ao aborto é que se torna um “culpado”a ser punido, mesmo que apenas expresse uma opinião ou peça que as mulheres que planejam abortar sejam devidamente informadas sobre todas as alternativas que poderiam substituir esse gesto extremo.

O paladino dos direitos dos abortistas parece ser a França, onde a lei Weil,de 1975, criou o “crime de obstrução do aborto”. Quem comete esse “crime”, o de obstaculizar o aborto, pode ser considerado um “abortofóbico”.

Uma nova medida legal proposta na França, contrária a quem é contra o aborto,inclui dois artigos de extraordinária gravidade: o primeiro altera a lei atual, que já permite o aborto para mulheres “em situação de dificuldade”. Essa lei é de interpretação vastíssima, tanto que a história francesa não relata um único caso de mulher que tenha tido o aborto negado por ausência da tal “situação de dificuldade”. Mesmo assim, o texto será alterado e a nova lei dirá que o aborto é permitido para as mulheres “que não desejam levar a gravidez a termo”. Na prática, pouco muda: o aborto na França, afinal, já é permitido para qualquer mulher que o solicita; mas a mudança é decisiva do ponto de vista do princípio. O aborto não será mais considerado como a consequência de uma dificuldade, como um drama, como uma derrota, e sim como uma opção completamente normal;como um direito (cf. La Nuova Bussola Quotidiana, 24 de janeiro).

A segunda alteração na legislação francesa proíbe obstaculizar o aborto não apenas fisicamente, o que já estava em vigor, mas também psicologicamente. A leitura dos trabalhos preparatórios revela que a intenção do legislador é proibir que, nos hospitais, as mulheres sejam informadas sobre as alternativas ao aborto; é proibir, também, que os voluntários dos centros de apoio à vida circulem pelos hospitais; e é proibir, inclusive, que, mesmo fora ou nas proximidades dos hospitais, haja protestos ou divulgação de informações pró-vida às mulheres.

Essa lei foi aprovada na primeira sessão, mas deve ser submetida a uma segunda.

A ministra francesa dos Direitos das Mulheres, Najat Belkacem-Vallaud, foi longe o suficiente para declarar que o número de abortos na França ainda é “muito baixo”. Aparentemente, ela acha pouco o fato de que 35% das mulheres francesas já abortaram e que, só no ano passado, 220 mil crianças foram abortadas no país, diante de 810 mil que nasceram. Outra ministra francesa, a da Saúde, Marisol Touraine, chegou a pedir que a França faça uma “mobilização” contra a lei… do país vizinho, a Espanha, que pretende estabelecer algumas restrições ao aborto.

A “abortofobia” parece destinada, portanto, a ter longa vida em terras francesas. E a primeira vítima foi um homem de 84 anos, Xavier Dor, conhecido ativista pró-vida que foi declarado culpado de dar a uma mulher grávida um par de sapatos de bebê a fim de dissuadi-la de abortar. Ele deverá pagar uma multa de 10.000 euros e corre o risco de pegar ainda um mês de prisão.

Por conta do “crime” de “abortofobia”, os franceses pró-vida podem agora ser processados e condenados simplesmente por realizarem atividades de informação e dissuasão nos hospitais, por indicarem um número de telefone a uma mulher grávida ou por lhe proporem uma reflexão sobre o que é oaborto.

Da mesma forma, são criminalizados aqueles que organizam e participam de Marchas pela Vida ou mantêm sites com informações contrárias ao aborto. A pena máxima prevista pela lei é de dois anos de prisão e 30.000 euros de multa.

Perante os magistrados que leram a sua sentença, Xavier Dor, que há anos define o Estado francês como “République luciférienne”, declarou, do alto dos seus 84 anos de idade: “Crime é assassinar uma criança”.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Mais médicos: enfim a hora da verdade.





Por Percival Puggina.



O pedido de asilo da cubana Ramona Matos Rodriguez, que desertou do programa "Mais Médicos", quebrou os ponteiros do relógio do governo petista em relação à sua tramoia com a empresa Castro & Castro Cia Ltda, com sede e foro na cidade de Havana. Chegou a hora da verdade.

Impõe-se, portanto, que eu escreva este artigo. Durante meses, os defensores do indefensável, com a fria determinação dos mentirosos contumazes, tentaram negar os fatos. Tentaram transformar esse negócio escandaloso em inaudita solidariedade do povo cubano para com os países necessitados. Também para eles acabou o tempo da mentira.

Não se trata, aqui, de mostrar o quanto sei sobre a realidade daquela ilha caribenha, mas de mostrar há quanto tempo tais fatos são bem conhecidos. Por isso, transcrevo a seguir um trecho do meu livro "Cuba - A Tragédia da Utopia", publicado em 2004. É o relato de uma informação que recebi na Embaixada de Cuba quando a visitei em 2001 e ainda sequer cogitava escrever o referido livro (pag. 113).

"Em 2001 fui visitar a embaixada brasileira em Havana. Ela se situa no excelente prédio da Lonja de Comércio (Bolsa de Valores), uma edificação do século XIX, recentemente restaurada. (...) Durante a entrevista (com o secretário da embaixada), entrou na sala uma moça de cor negra que lhe dirigiu algumas palavras em espanhol e se retirou deixando expedientes sobre a mesa. Quando ficamos novamente sós, ele explicou que a moça era cubana, excelente funcionária, contratada por uma das duas agências oficiais através das quais o governo loca mão-de-obra para organizações estrangeiras que funcionam no país. A embaixada fornecera uma descrição do perfil da pessoa que necessitava, agência estabelecera o valor da remuneração em 200 dólares mensais, enviara algumas moças para serem entrevistadas e aquela havia sido escolhida. Dos 200 dólares com que a embaixada remunerava a agência a moça recebia o equivalente, em pesos, a 20 dólares. O restante ficava para seu generoso patrão, o Estado cubano. Diante dessa dura realidade a representação brasileira, incluíra a funcionária em sua folha de pagamentos e lhe repassava, por fora, 500 dólares mensais. É o que a maior parte das representações estrangeiras e empresas de fora fazem como forma de motivar seu pessoal.


Não é diferente o que acontece em relação aos muitos convênios que o governo cubano estimula que sejam firmados com países latino-americanos para fornecimento de pessoal médico, especialmente na área de medicina comunitária. Cuba não sabe o que fazer com os médicos que têm (um médico para cada cento e poucos habitantes!) e os médicos não sabem o que fazer com o que sabem. Acabam nas portas dos hotéis, oferecendo serviços como guias turísticos. Através desses convênios e do mecanismo de apropriação do salário de seu pessoal nos tenebrosos níveis acima descritos, o governo consegue captar dólares no exterior. E ainda faz o seu “comercial” como um país solidário que presta importante ajuda à saúde pública das comunidades carentes do planeta."


Há 13 anos, portanto, Cuba já adotava esse procedimento. De um lado anuncia ao bom e generoso povo cubano que está prestando ajuda humanitária. De outro, apropria-se da renda produzida pelos recursos humanos que aloca, numa proporção jamais sonhada pelo mais porco dos "porcos capitalistas" dos quais tanto mal falam. Pior ainda: nos tempos do patrocínio soviético, a paga cubana em recursos humanos consistia em enviar jovens para as guerrilhas comunistas nos conflitos da África subsaariana. Sangue cubano por rublos e petróleo, em nome da "unidade dos povos".

Agiu certíssimo a Dra. Ramona. Quero ver a retirarem do gabinete da liderança do DEM. Pago para ver! Ronaldo Caiado é osso duro de roer. Quero ver, também, quem terá coragem de desmentir as informações que ela presta sobre o sinuoso percurso dos valores que o governo brasileiro paga, per capita, a Raúl Castro. E quero ver, por fim, o que dirá a OPAS, a altissonante Organização Pan Americana de Saúde, intermediária oficial dessa operação, sobre o contrato dos médicos cubanos com a tal de Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos S.A. que a contratou.

Outra coisa que ninguém conta, mas tenho informação de cocheira: faltam médicos em Cuba. Os negócios dessa empresa locadora de médicos (!) esvaziaram os serviços locais que estão sendo prestados por estudantes latino-americanos de Medicina.

Repito: quebraram-se os ponteiros desse negócio. O que ainda existe de moralmente sadio na sociedade brasileira não pode conviver passivamente com um declarado e certificado regime de escravidão em território nacional. Com a palavra a Ministra Maria do Rosário. Ou os cubanos não são humanos?

Fonte:www.puggina.org