sábado, janeiro 10, 2015

O Feitiço Começa a Virar-se Contra o Feiticeiro.






por João José Horta Nobre




"Deus escreve direito por linhas tortas."

O brutal massacre ocorrido ontem (07-janeiro-2015) em Paris na sede do jornal Charlie Hebdo é a confirmação daquilo que eu já por várias vezes afirmei em relação ao processo de islamização da Europa que já está neste momento em curso, ou seja, que as primeiras vitimas do Islamismo vão ser precisamente as forças de esquerda que são quem mais tem contribuído para que chegássemos à atual situação. O feitiço começa a virar-se contra o feiticeiro...

Repare-se que os autores do massacre podiam perfeitamente ter escolhido atacar uma sede da Frente Nacional onde decerto não faltariam "nazi-fascistas" para abater a tiro, em lugar disso, escolheram a sede de um jornal libertário de esquerda. Isto aconteceu não apenas porque o jornal em causa publicou umas caricaturas do profeta Maomé, mas porque a ideologia esquerdista defendida pelo jornal é uma antítese de tudo o que o Islão realmente representa.

A esquerda europeia deu um gravíssimo tiro no próprio pé quando adotou a defesa do multiculturalismo radical como uma das suas principais bandeiras políticas. Esqueceram-se (ou não quiseram saber...) de que a maioria dos imigrantes que entram na Europa são oriundos de civilizações profundamente conservadoras e contrárias aos chamados "valores ocidentais". Esta gente não quer saber de Marx para nada, o seu Marx é o profeta Maomé e o seu Das Kapital é o Alcorão.

Quando chegam à Europa, a esmagadora maioria dos imigrantes muçulmanos não estão interessados em participar no "grandioso" plano multicultural tecido pelas esquerdas europeias. Antes pelo contrário, o que estes imigrantes fazem é isolar-se em comunidades autônomas que se regem pela Lei da Sharia, rejeitam quaisquer influências do País "infiel" que os acolheu e recusam a integração na sociedade normal.

Esta situação é ainda muito mais agravada pelo facto de a maioria das pessoas terem o "racismo" gravado no seu código genético. As "misturas" étnicas que os principais proponentes do multiculturalismo diziam ir ter um resultado "maravilhoso", na realidade tiveram um resultado desastroso. Não se verificou a integração de uma larga camada dos imigrantes, nem sequer após a 3ª e 4ª geração, pelo simples facto de muitos destes serem racistas e não quererem misturas com o sempre malvado "homem branco". Por outro lado, muitos europeus também não querem que os imigrantes se integrem devido à clara evidência de a maioria dos europeus ser igualmente racista, mesmo que estes não sejam capazes de o admitir ou reconhecer.

A disseminação do vírus do politicamente correto nos media europeus foi outro fator que contribuiu em grande medida para a situação atual. Os media fazem literalmente um blackout a qualquer crítica ao atual modelo multicultural e não bastando isto, perseguem e difamam qualquer um que ouse protestar de forma mais ousada contra este estado de coisas. Sei perfeitamente bem que só o facto de eu estar a escrever isto vai fazer com que haja alguns "adiantados mentais" que me irão rotular imediatamente de "fascista", "nazi", "nazi-fascista", "FDP", "radical de extrema-direita", entre outras "maravilhas" a que eu já estou de resto habituado a que me chamem...

Estamos portanto perante um gravíssimo problema civilizacional que ainda agora começou e que temo que irá terminar de forma extremamente trágica. A história da Europa está pejada de banhos de sangue e genocídios. Quando os europeus se sentem ameaçados na sua casa, têm reagido historicamente com a extrema violência, foi assim durante a Reconquista que acabou com a expulsão ou conversão forçada dos muçulmanos da Ibéria. Foi assim com a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial em que séculos de ódio acumulado contra o judeu descambaram no Holocausto e mais recentemente foi assim na ex-Iugoslávia que acabou numa tragédia que muito poucos conseguiram antever.

O atual problema ou "questão muçulmana" na Europa está a caminho de provavelmente terminar dentro de algumas décadas num banho de sangue épico. Isto porque os muçulmanos reproduzem-se a uma taxa muito superior à dos não-muçulmanos e por isso basta fazer algumas simples contas de matemática para se perceber que a continuar a atual tendência, dentro de algumas décadas os muçulmanos irão ser uma maioria em países como a França, Holanda, Bélgica, Noruega, entre outros.

Quando os muçulmanos superarem numericamente os não-muçulmanos nas sociedades europeias, iremos atingir um ponto de ruptura social, possivelmente até poderemos atingir o ponto de ruptura social antes. Os muçulmanos irão então tentar tomar o poder e impor a Lei Islâmica à força. É provável que se assista então a uma "balcanização" ou "libanização" da Europa. Perante este cenário dantesco restarão aos europeus não-muçulmanos três hipóteses:

1 - O internamento compulsivo das comunidades muçulmanas em campos de concentração onde, tal como o nome indica, serão "concentradas" de forma a deixarem de constituir uma ameaça à segurança da Europa.

2 - A divisão de Países como a França em duas partes, uma para os muçulmanos e outra para os não-muçulmanos.

3 - A integração pura e simples dos não-muçulmanos na nova Europa Islâmica e o consequente fim da civilização judaico-cristã no Velho Continente.

Qualquer um destes três cenários é mau, horrível mesmo, mas face ao caos actual e tendo em conta que muito muçulmanos já gozam de cidadania europeia, não antevejo como as coisas possam terminar de outra forma. A Velha Europa meteu-se num imbróglio do qual não conseguirá sair minimamente bem e a sua sobrevivência está neste momento seriamente ameaçada. Não esquecer que foram as esquerdas europeias, em conluio com as forças da maçonaria e do capitalismo selvagem que nos trouxeram à atual situação. Se tivessem dado ouvidos ao que os nacionalistas sempre disseram, ou seja, que esta engenharia social que dá pelo nome de "multiculturalismo", ia terminar em tragédia e das grandes, nem sequer teríamos este problema para começar...

A situação é de uma gravidade tal, que neste momento estamos perante uma autêntica bomba-relógio étnico-religiosa na Europa. Quando rebentar e vai rebentar, o que eventualmente vier a acontecer poderá muito bem fazer com que o holocausto pareça uma mera brincadeira de crianças em comparação...

Para terminar, quero deixar apenas uma questão que julgo que merece reflexão. Se o jornal que ontem foi atacado, ao invés de ser da extrema-esquerda, fosse um jornal de extrema-direita, será que iríamos ouvir tantas críticas ao ataque?

Julgo que (quase) todos sabemos a resposta...

sexta-feira, janeiro 09, 2015

No futuro, todo jornalista terá status de correspondente de guerra.










No futuro, todo jornalista terá status de correspondente de guerra.

por Paulo Rosenbaum




Ninguém quer falar, mas agora ela se foi. Um último suspiro. Foi hoje pela manhã. Não divulgaram, mas as tentativas de salva-la, não foram só inúteis: evidenciou toda doença e expôs a desproteção sob a qual vivia.

O estado já era crítico, mas, sempre nos enganamos com a maquiagem e com as expressões suaves. A verdade é que esteve suprimida para não exaltar ainda mais seus sintomas. Mesmo assim, ninguém percebia bem a gravidade da sua situação. Andava doente, mas mantinha a cabeça erguida. Vinha reclamando da população. Num episódio célebre, notou pessoas se escondendo enquanto a mordaça estava sendo apertada contra sua boca. Com uma lesão na garganta não conseguia mais falar como antes. Enrouquecia todos os dias. Engasgava e precisava ter cuidado com as palavras. Mesmo assim, não faltou um só dia para voltar à carga. Se todos estão testemunhando por que não se manifestam? Nunca conseguiu compreender ou aceitar fingimento. A sociedade teria enfim aprendido a cegueira seletiva dos políticos? Chegou a considerar que vivíamos uma epidemia de estoicismo. Não ver ou se recusar a enxergar num mundo cada vez mais vigiado e controlado.

Os alertas iniciais foram dados, ela mesmo se encarregou de acenar. Valores democráticos são frágeis, e tem sempre gente tentada a regular, monitorar e todos sinônimos marotos para driblar a palavra “censura”, costumava dizer. Sem precisar forçar pendia ao bom humor. Tudo era natural nela: a risada, a ironia e a sátira sempre usadas para romper o clima pesado. Tudo se intensificava quando insistiam nas carrancas, lamentos e assuntos sérios. As vezes se questionava. Tinha o direito de ser provocadora? Talvez não, mas isso nunca a intimidava. Era obrigação ser careta? Conter-se na missão de opinar? Defendia-se afirmando o direito de interpretar as notícias e que ela mesma era o último valor pelo qual fazia sentido lutar. Mesmo sem aptidão para profeta, acabou gerando profecias.




Seu leitmotiv? Brincar com a seriedade. Colou na entrada da redação: "quanto mais nos levarmos a sério, mais insanos nos tornamos”. Acusada de irreverente quando deparava com culturas menos liberais, escrevia em seu diário que “Minha exigência? A razão da minha existência? Instigar o raciocínio, a crítica, desafiar e informar sem deixar que nos intimidem”. Contam os mais velhos que, certa vez, cercada por intolerantes de todos os lados, e à beira de um linchamento, saiu-se com essa: “Vocês podem acabar me eliminando, mas se é verdade que os valores subjetivos não morrem, sou como o fantasma que assombra. Piadas em dobro reservadas para aqueles que me perseguem”.

Em meio aos milhares de escritos inacabados, acaba de ser encontrado ao lado do corpo, um estudo que ela, A Liberdade de Expressão, esboçou para o próprio epitáfio: “A realidade é absurda: divirtam-se”.

Fonte: Pletz e G1

quinta-feira, janeiro 08, 2015

O Milagre está em Israel.




por Herman Glanz (para o Pletz)


Se Alguma Coisa Entre as Nações Possui o Caráter de Milagre, Este Milagre Está Aqui – Em Israel.

Certamente, todos devem ter tomado conhecimento das execuções cruéis das vítimas dos terroristas do Estado Islâmico, decapitando os sequestrados e mostrado pela mídia, como forma de aterrorizar o mundo, para que todos se submetam aos desígnios do terror. É a barbárie em nome da religião, e não a religião que prega o amor, a compreensão e a fraternidade.

Já tivemos ocasião de lembrar do grande escritor francês, François de Chateaubriand, da Academia Francesa, que visitou Jerusalém em 1806, ao tempo ainda dos navios a vela, (o motor a vapor somente foi introduzido em 1807), e contando sua viagem num livro: Itinerário de Paris a Jerusalém. Quando da visita a Jerusalém escreveu:

“Entrando na cidade, nada poderá consolar da tristeza exterior: a gente se esgueira por pequenas ruas não pavimentadas, que sobem e descem sobre um solo irregular e caminha-se sobre montes de lixo ou entre seixos rolados. Toalhas estendidas sobre cordas de uma casa à outra aumentam a escuridão desse labirinto; algumas lojas em arco e infectas acabam escondendo a luz da cidade desolada; algumas lojas despojadas destacam aos olhos a miséria e algumas vezes as próprias lojas são fechadas com medo da passagem de um cadi (o representante do governo NT). Ninguém nas ruas, ninguém nas portas da cidade; algumas vezes uma pessoa se esgueira na sombra, escondendo sob as vestes os frutos do seu trabalho, com medo de ser despojado pelo soldado muçulmano; ao dobrar numa esquina, um açougueiro árabe apregoa algumas rezes suspensas pelas patas num muro em ruínas: o ar desvairado e feroz deste homem, seus braços ensanguentados, faz crer que ele costuma sempre matar seu semelhante ao invés de imolar um carneiro.”

Tal descrição nos faz pensar como Chateaubriand inferiu tal pensamento, há mais de duzentos anos, numa Jerusalém abandonada e pouco habitada, já submetida à violência das forças de ocupação do Império Turco. E lembramos, que naquele tempo não se falava em terrorismo. E era a Jerusalém velha que hoje dizem ser dos vizinhos que a ocuparam pela força dos exércitos. A barbárie já se destacava naquele tempo.

Interessante o depoimento que se segue:

"Em meio a esta desolação extraordinária, é preciso parar um momento para contemplar coisas ainda mais extraordinárias. Por entre as ruínas de Jerusalém, duas espécies de povos independentes encontram na sua fé aquilo que os fazem suportar tantos horrores e misérias. Lá vivem religiosos cristãos e nada os podem forçar abandonar o túmulo de Jesus Cristo, nem a espoliação, nem os maus tratamentos, nem as ameaças de morte.(…)

Enquanto a nova Jerusalém sobressai assim do deserto brilhante de claridade, lancem-se os olhos entre a montanha de Sion e o Templo, veja-se este outro pequeno povo que vive separado do resto dos habitantes da cidade. Objeto particular de desprezo, ele baixa a cabeça sem se queixar; ele sofre todas as humilhações sem exigir justiça; ele se deixa assolar por golpes sem suspirar; se se lhe exige a cabeça, ele a apresenta à cimitarra. Se qualquer membro desta sociedade proscrita morre, seus companheiros irão, na calada da noite, enterrá-lo no vale de Josafá, à sombra do Templo de Salomão.(…)

Penetrando na morada deste povo, será encontrado numa terrível miséria, mas fazendo as crianças ler um livro, que por sua vez farão seus filhos ler este livro. O que faziam há cinco mil anos, este povo o faz ainda. Ele assistiu dezessete vezes a ruína de Jerusalém e nada o pode desencorajar, nada o pode impedir de voltar seus olhos para Sion. (…) Os persas, os gregos, os romanos desapareceram da terra; e um pequeno povo, cuja origem precede a daqueles grandes povos, existe ainda sem misturas nos escombros de sua pátria. Se alguma coisa entre as nações possui o caráter de milagre, pensamos que este caráter está aqui.”

Esta situação de perseguição pelos fundamentalistas religiosos perdura até hoje, não sendo novidade, portanto, especialmente da parte dos vizinhos de onde Israel foi reconstruído. Observa-se, da parte daquele autor, a presença de judeus e cristãos, ambos perseguidos pelos ocupantes de então e perseguidos pelos fundamentalistas religiosos de hoje. A descrição fala por si. Chateaubriand falando da Palestina, fala de Judéia e, evidentemente não poderia falar em Margem Ocidental. Mas fala na presença judaica, nas sinagogas, além das igrejas que visitou. E, interessante, descreve muitas datas pelo calendário hebreu.

O que se observa é a apropriação da religião pela cultura da barbárie, como ainda no período da Idade Média. É esse retorno ao obscurantismo que preocupa e se espalha pela Europa e América. E mais ainda, a apropriação dessa barbárie pela direita e pela esquerda, no afã de conquistar a grande população islâmica, tende a fazer muita gente, talvez menos esclarecida, a comungar com tais ideólogos do desastre, gente que até mesmo passa a se tornar suicida, achando que está contribuindo pelos direitos humanos e felicidade geral, sucumbindo a uma propaganda muito bem elaborada, gente que, parece, não consegue entender que essa propaganda é feita exclusivamente contra israelenses e judeus, e nada tem a ver com direitos humanos que, para essa propaganda nefasta, excluem judeus e cristãos, como descrito, há mais de dois séculos por Chateaubriand.

domingo, dezembro 28, 2014

O Natal do Sakamoto e o nosso – a diferença entre nós e eles.













O Natal do Sakamoto e o nosso – a diferença entre nós e eles.


Por Flavio Morgenstern(*), para o Instituto Liberal 



Na grande família de um formador de opinião esquerdista há parentes de todas as classes sociais e ramos de atividade. Neste Natal, uma tia do palpiteiro chegou desanimada. Afirmou desairosa:

— Trabalho 11 horas por dia, fora o que faço em casa pelos filhos, estudei muito para não ser uma faxineira como minha mãe, pago impostos cada vez mais altos quanto mais eu vendo com minha empresa e todo o esforço do meu trabalho de meses, feito para dar um futuro para os meus filhos melhor do que o meu passado, vai pro lixo: nesse ano, por 3 vezes fui assaltada à mão armada por arruaceiros que me levaram meses de trabalho, apenas porque tomaram à força o meu trabalho. Por isso sou desiludida quanto ao governo e gostaria de penas mais duras para diminuir a criminalidade e deixar os trabalhadores em segurança.

Nosso herói das opiniões prontas da internet ouviu tal relato com sentimento de “terror e pânico”, como se fossem coisas muito distintas. Ficou indignado e até “bege” ao perceber como sua tia, que nasceu pobre, pegava ônibus para a periferia quase meia noite, esforçada e estudiosa, mesmo com mil adversidades todo dia em sua vida, podia ter pensamentos tão, tão… como dizer?, reacionários - e parem de achar que reacionário é ofensa -.

Seguiu-se um grande bate-boca, em que a tia ficava espantada em como seu próprio sobrinho podia defender tanto as “razões sociais” de pessoas que tomaram atalhos violentos na vida, enfiavam armas em sua cabeça, lhe xingavam de nomes violentos diante de estranhos e dos filhos pequenos, a amarravam, agrediam, ameaçavam matá-la… mas, de acordo com o bem pago opinador de internet, era apenas uma consequência do “sistema capitalista”, e o que a sua tia criou na verdade pertencia, por alguma lógica, a eles.

A coisa se acalmou um pouco quando chegou uma prima sua de outro ramo da família. Rica de berço, não pisa nas bocadas onde a outra tia morava nem de helicóptero. Com pais burocratas, viagens internacionais no currículo desde os 8 anos, faculdade de Artes paga (nunca trabalhou no ramo), é feminista, tem um blog revoltado, é loira, magra, sexy, dirige um Range Rover e luta pelas minorias:

— Viver em São Paulo está impossível, IM-POS-SÍ-VEL. Nesses dias fui buscar meu baseadinho de boa atrás da faculdade, o povo da comunidade é tudo de bom, não é igual esses reaças pensam não, o trafica é o mais gente boa da comunidade e tem até um jipe igual o meu… mas vocês acreditam que um pedreiro fedorento, quando saí do carro, me chamou de loira gostosa e olhou pra minha bunda?! É um ABSURDO esse machismo do patriarcado!!

Nosso blogueiro então se acalmou com uma indignação mais correta. Com efeito, o patriarcado machista era terrível. Um absurdo uma familiar sua, uma minoria, ter de sofrer tanta humilhação nas mãos de uma sociedade tão injusta, em que os opressores tratam asminorias com tanto preconceito, em que a desigualdade é capaz de matar tantas pessoas como sua prima por dia, sem que ninguém fale nada.

Essa situação é absurdamente ridícula. Mas não é tão ficcional quanto parece: basta ver o que intelectuais de 140 caracteres como o blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto andam dizendo sobre o Natal. Não é um epifenômeno acidental dentro de um espectro rigoroso do pensamento de esquerda: é a sua quintessência, o verdadeiro núcleo do que é ser de esquerda – todo o mais, todos os senões, os contrapesos, as tolerâncias e concessões é que são contrárias à esquerda.

Simbologia falsa

Tal se dá porque a esquerda, mesmo tendo seu cerne em um livro de economia (lido por todos, exceto por economistas), trabalha com o imaginário coletivo: são de esquerda os críticos literários, os ficcionistas, os psicólogos, analistas da linguagem e sociólogos que trabalham com o próprio mecanismo com o qual interpretamos o mundo.

A direita (liberal ou conservadora) é técnica: domina a economia, o Direito, as relações internacionais – todavia, sem conseguir comunicar o que pensa, por que pensa, com quais objetivos e através de quais meios pretende atingi-los, é vista até por apolíticos pelos signos de interpretação da esquerda, que a ela atribui racismo, intolerância, xenofobia, machismo, homofobia. Mesmo seus próprios defeitos, como intolerância à diversidade e o uso do Estado para impedir a liberdade das pessoas, ou defeitos de inimigos da direita, sobretudo o nazismo.

O próprio texto de Leonardo Sakamoto, relatando como seus leitores sofreram momentos de “terror e pânico” no Natal em família, é construído desta forma, para seus leitores, julgando estarem vencendo preconceitos, criarem preconceitos sobre o que desconhecem.

São citadas frases informais e tipicamente exageradas da linguagem oral e familiar, sem preocupação com qualquer rigor em uma festa misturando álcool e política, o que até os antigos romanos sabiam ser desastroso. E tome-se uma frase qualquer sobre um parente que “jogou o carro contra ciclistas”, outra tia que disse que “mulher na política só faz besteira”, um primo que “defendeu que pegasse todos os usuários de drogas e passasse fogo”.

Não há um único comentário sobre uma experiência concreta dessas pessoas cometendo injustiça alguma ou ferindo alguém, mas cita-se frases desproporcionais em um ambiente familiar como se significassem que todo o país virou o Partido Nazista.

Todavia, o problema da esquerda é exatamente o oposto: fala maviosamente sobre “justiça social”, edulcora seus métodos para se vender como “preocupada com os pobres”, canta com voz melíflua a respeito de “direitos humanos”… mas, em toda história mundial, é a campeã número 1 (contando até teocracias esquisitas e reinados bárbaros da Antiguidade) de mortes, injustiça, escravização, censura e destruição de direitos básicos do homem.

Nas ceias de Natal que geraram indignação entre os leitores progressistas de Sakamoto, não há ninguém indignado porque um parente foi assassinado num país com 56 mil homicídios em um ano. Não há um único muxoxo contra sermos obrigados a gastar mais para financiar quem ceifa nossas vidas e de nossos entes queridos pelo Estado do que para a educação de crianças inocentes.

Pelo contrário: quem expressa tais sentimentos na mesa de Natal, ainda que de forma desajeitada, é tratado como alguém capaz de provocar “terror e pânico”. A única indignação permitida é contra assoviar para uma mulher, não enfiar uma arma em sua cabeça e atirar. Ou ser contra o Bolsa Família.

Decadialética

Este disparate permite ensejo para uma reflexão importante entre quem pretende discutir política – e, nesta segunda década de século XXI, já chega contaminado de trejeitos de linguagem e automatismos verbais típicos, como feminismo, machismo, homofobia, sociedade conservadora etc.

A esquerda, tão dominante em cursos de Humanas, parece sempre aos recém-chegadosnas discussões como a única força moral, a única preocupada com os pobres e desamparados. A direita, contraditoriamente consubstanciada em uma abstração – o “capitalismo”, tratando com essa palavra realidades tão distintas quanto a Suíça e Cuiabá – só tem suas idéias transmitidas para o povo através da clave de entendimento da esquerda, cujas palavras engastadas já dirigem o pensamento de incautos: desigualdade, exploração, patriarcado, homofobia etc.

O jovem esquerdista tem a impressão de que a esquerda é o reino da racionalidade, da justiça e do correto, e a direita é apenas um poço homogêneo de preconceitos, racismo e malvadez, que não é de esquerda apenas porque não leu Foucault o suficiente.

A um só tempo, nada do que a direita pensa, de seus valores, argumentos, objetivos e métodos – enfim, do que este tal de capitalismo é de fato – nem sequer passa pela cabeça do diletante, que quanto mais ignora e mais se distancia do conhecimento, mais jura que o entende à perfeição.

O maior filósofo brasileiro, Mário Ferreira dos Santos, completamente ignorado pela esquerda, criou um método único na humanidade para permitir que esta abstração teórica em que às vezes se fecha a mentalidade possa voltar à experiência concreta e vice-versa. Chamou tal método de decadialética, composto de dez modos de captar o objeto pela intelecção humana.

Um deles, o segundo, campo da atualidade e da virtualidade, diz respeito ao que um ente é de fato em determinado momento, e ao que ele pode (ou não) se tornar num momento seguinte. Ora, a liberdade e a justiça podem se transformar em seus contrários, já um gato não pode se tornar um “anti-gato”.

Aparentemente óbvia depois de exposta, tal assunção passa completamente despercebida de todo o arcabouço teorético da esquerda, que, perdida em pedantismo e abstrações como “igualdade”, e não em verdadeiros sujeitos da História, fica toda atabalhoada ao lidar com a realidade.

Exemplo óbvio: Sakamoto (e seus leitores) adoram defender direitos humanos de bandidos, inclusive assassinos (a única “indignação” que causou terror e pânico elencada por ele que envolvia morte falava de pena de morte). É um teoria comum da esquerda, escondida em todos os esquerdistas modernos debaixo de uma logorréia enorme de palavras técnicas com aparência de profundidade. Todavia, por que alguém deveria estar tão preocupado com o (muitas vezes suposto) preconceito das pessoas, sendo que elas podem deixar de ser preconceituosas, mas não há esquerdista que saiba transformar o cadáver de um ente querido em um ente querido vivo?

A esquerda, dominante na Academia, na mídia, na política e no imaginário coletivo, é sempre bastante teórica, com cacoetes de linguagem (de “luta de classes” a “patriarcado”) que pegam na língua comum.

Contudo, é exatamente o senso comum, livre de construções teóricas que funcionam como um cabresto para se enxergar corretamente a realidade, que deve ser resgatado. Um senso comum que, com décadas de dominação teorética progressista, é hoje um senso incomum: a maior parcela da população já foi contaminada.

Para evitar que livros de faculdade e pilhas de jornais formem teorias como a que permite que alguém se indigne mais com uma cantada a uma mulher do que com uma arma para sua cabeça que se deve resgatar uma sabedoria mais profunda e mais incomum para nossa era de planificação e mesmificação social.

Imaginário coletivo contaminado

Uma boa parte das pessoas já foi de esquerda um dia. Entretanto, após anos de estudo – e descobrindo aquilo que os nem seus professores aprenderam – acabam se tornando defensoras rigorosas do capitalismo e dos ideais conservadores ou liberais. O contrário nunca acontece.

Uma dica de pensamento para os jovens que estão se debatendo na internet e nem sempre conseguem entender o que se passa no mundo é justamente esse: faça um atalho que funcione, e leia o que os velhos leram para chegarem às melhores conclusões no fim da vida.

Ninguém nega as boas intenções da esquerda, o problema é o que tais intenções acarretam quando materializadas. E não é porque a direita é uma monstruosidade habitada apenas por Maluf, ditadores militares, skinheads e fanáticos religiosos (quase que integralmente não são de direita, diga-se) que se deve ouvi-la, e sim porque ela tem críticas ao show business dos famosíssimos intelectuais de esquerda que estes mesmos intelectuais nunca ouviram falar.

Ora, um dos problemas da esquerda é sua clave única de entendimento. Com o tripé de injustiças da esquerda moderna sendo reduzido a machismo-racismo-homofobia é fácil cair no algoritmo de siricutico que permite indignação perante uma cantada e culpabilização coletiva da sociedade, no mesmo molde em que forma uma eterna desculpabilização de autores de crimes violentos.

A esquerda, portanto, tem um arcabouço fraco para enxergar a realidade. Mesmo que tenha boas intenções ou uma congruência lógica posterior até funcional, seus conceitos iniciais são mentirosos.

A esquerda é a agremiação de teóricos mundiais do quilate de Rousseau e Marx, de artistas regionais em eterna decadência como Chaplin e Picasso, até jornalistas de segunda ordem como Edward Murrow e Al Sharpton, além de suas grosseiras caricaturas brasileiras do escol de Caio Prado Jr. e Marilena Chaui, Pablo Villaça e Oscar Niemeyer, Cynara Menezes e, claro, Leonardo Sakamoto. Não são pessoas insanas que teorizam diretamente: “Devemos proibir cantadas em mulheres, mas quem as mata em assaltos deve ser solto, pois a culpa é apenas da sociedade”. São pessoas que acabam propondo as duas coisas juntas, sem nunca perceber seu absurdo, por pensarem sob estas claves fracas do entendimento da realidade. Muitas vezes, são até boas em lógica e comunicação, apesar disto.

Outro problema óbvio é o vício na igualdade. A própria idéia de falar tanto em desigualdadetraz em seu bojo o perigo: dá a impressão de que o capitalismo, e apenas ele, causam uma “des”igualdade entre homens, que originalmente eram iguais.

O grande pensador Erik von Kuehnelt-Leddihn, ao falar do “Culto da Mesmificação” (Cult of the Sameness) que é o Leitmotiv da esquerda, dá a seu livro o subtítulo de Procrustes at Large. Procrustes era um ciclope que seqüestrava pessoas para remoldá-las conforme uma prancha – esticando seus ossos caso ficassem menores, cortando-as em pedaços quando fossem maiores.

Para realizar o intento em massa, at large, é preciso um poder central capaz de obrigar toda a sociedade a se reformar em nome dessa “igualdade”. Curiosamente, são as mesmas pessoas que também bradam a favor da “diversidade”, sem perceber que ela sempre foi garantida, a não ser por elas próprias. São um tipo de gente incapaz de conviver com pessoas de crenças, opiniões, escolhas, trabalhos, responsabilidades, famílias, valores, destinos e investimentos diversos dos seus – então, é preciso “corrigi-las” à força, sem perceber que, em nome de corrigir uma suposta “injustiça” na desigualdade, criam a maior injustiça do mundo, espalhada igualitariamente a todos – o que, afinal, só aumenta a injustiça.

Imaginação moral

Um último remédio que pode ser ministrado a quem ainda crê no potencial libertador e reformador da esquerda ante a liberdade econômica capitalista e os valores associados à direita, liberal ou conservadora, é a imaginação moral.

É comum à esquerda buscar justiça apenas procurando encontrar um “opressor” ou “explorador” – destarte, já recaindo em sua gaiola conceitual que apenas enxerga problemas de variação salarial (julgando que são “classes”, e que estas estão em “luta”), ou ainda um maniqueísmo raso, em que supõe-se que exista uma verdadeira luta entre ricos e pobres, homens e mulheres, hetero e homossexuais, brancos e negros.

Tal chave de entendimento está em quase todos os bordões da esquerda mundial, mas não dá conta de absolutamente nada da realidade complexa – se há um negro gay com uma arma apontada para um rico heterossexual, quem é o opressor e o oprimido na situação? E com uma jovem loira e rica com os peitos de fora contra a Igreja, diante de um pobre velhinho religioso rezando em paz?

É com esse tipo de narrativa de heróis e bandidos facilmente identificáveis que muitas pessoas inteligentíssimas ainda creem no mistifório de “correção de injustiças pelo Estado e pela conscientização” da esquerda. Tais narrativas são insuficientes para se conhecer o mundo.

Muito melhor é o conceito de imaginação moral, tão bem trabalhado por intelectuais como Lionel Trilling. Trata-se de notar em narrativas de ficção como personagens são colocados em situação de dúvida e ambiguidades, em que as contradições da vida concreta nem sempre tornam claro o que é certo e o que errado, nos típicos paradoxos e contingências da vida moral, não esquematizada em abstrações e clichês facilmente repetíveis.

É a imaginação moral que gera os monumentos à humanidade que são os monólogos internos e externos de Hamlet, é a imaginação moral que permite uma vida de dúvida, arrependimentos e indecisões sobre as consequências dos atos de Raskolnikov, de Crime e Castigo. Questões muito complexas e profundas, que nunca conseguiram ser vislumbradas mesmo pelos altos escalões da esquerda, que dominou a crítica literária por décadas – mesmo o grande crítico literário marxista Georg Lukács encontrava mais eco sobre o realismo objetivo em Balzac, Dostoievsky e Thomas Mann do que nos bastiões da ficção do “realismo socialista”. Como bem dizia uma piada dos países do Leste, no impressionismo você pinta o que sente, no expressionismo você pinta o que vê e no realismo soviético você pinta o que mandarem você pintar.

É comum à esquerda vender suas teses em tratados abstratos sem conexão com a realidade (suas elucubrações sobre “desigualdade” e “estupro”, mas sempre passando a mão na cabeça de burocratas milionários e estupradores da vida real) ou em narrativas simplórias de “menino pobre que matou o menino rico pela falta de oportunidades”. Nunca vemos dialética interna, nunca uma dúvida ou conflito.

Não vemos nunca entre intelectuais de esquerda, sejam os Negris ou os Saderes, personagens complexos como Settembrini, o racionalista da modernidade liberal, e o soturno Naphta, jesuíta comunista e ocultista, da Montanha Mágica de Thomas Mann. Ambos reunindo contradições dentro de si, mas também postos em disposição que permanentemente os testa. Settembrini, otimista celebrador da vida, está na verdade às portas da morte, e seu cosmopolitismo é uma forma provinciana de eurocentrismo. Também Naphta, que se alimenta do fanatismo religioso, da impessoalidade e da valoração excessiva da morte, nunca se cura, mas também nunca se entrega a seu dogma de fé na morte por inteiro. É quem, afinal, está de verdade escandalizado pelo horror que é perceber que ser homem é também ser doente, e que uma vitalidade verdadeira é sua aspiração secreta.

Sem reeducar o imaginário, sobretudo com a ficção complexa, dos clássicos e dos modernos, não teremos saída senão o mundo platiforme da esquerda, que se julga justamente mais “crítico”, “racional” e “justo” justamente por não conhecer nada além de sua auto-congratulação umbigocêntrica – crendo exatamente por isso que é possui mais “diversidade”, “tolerância” e menos “preconceito” que seus adversários, que ataca sem conhecer.

Por ora, a esquerda, mesmo pavimentada de boas intenções, tem um problema de visão: só enxerga o que está em sua clave de injustiças, não vendo problema nenhum no mundo fora do tripé de indignação seletiva. E julga que quem não veste o mesmo cabresto só pode ser um obscurantista irracional.

É fácil se assustar com o capitalismo e a direita liberal ou conservadora pelo que a esquerda fala dela. Ou atribuindo suas características às frases mal formuladas, a histrionismos de ocasião, aos discursos enfezados e atípicos de políticos sem papas na língua, sem saber o que é de fato a liberdade que permite que países como a Suíça sejam a Suíça – e por que ela odeia a esquerda.

Fica um convite para os racionais que ainda creem no planejamento reformador, no centralismo burocrático e no progressismo seletivo da esquerda: conheçam o capitalismo, e saibam o que é de fato a direita liberal ou conservadora. Do contrário, seu destino é apenas a indignação modelo Sara Winter: uma loira, rica, magra, famosa e que alguns consideram atraente, protestando jurando a si mesma que é uma “minoria” vítima de injustiças.



*Flavio Morgenstern - Analista político, palestrante e tradutor. Escreve para jornais como Gazeta do Povo, além de sites como Implicante e Instituto Millenium. Em breve lançará seu primeiro livro pela editora Record.

sábado, dezembro 27, 2014

Estado Islâmico (ISIS): incentivando o estupro de mulheres e meninas capturadas.











por  James Burke, Vision Times

Nota do Blogando: Na abertura da Assembléia da ONU (a de número 69), a presidentE brasileira defendeu o Estado Islâmico, lamentando que os EUA tivessem bombardeado instalações desses puros e angelicais estupradores e decapitadores de jornalistas. Realmente a presidentE consegue nos fazer ter vergonha da nossa nacionalidade.(veja aqui)


Lançado pelo Departamento de Pesquisa e Fatwa do Estado Islâmico (ISIS), o panfleto é intitulado Su'al wa-Jawab fi al-Sabi wa-Riqab ("Perguntas e Respostas sobre tomar cativos e escravos"). O panfleto permite que combatentes do ISIS estuprem mulheres cativas e até mesmo meninas (A. Majeed/AFP/Getty Images


Inicialmente, eu ia publicar uma manchete com o título: ISIS é mau e seu folheto ensinando como estuprar mulheres e meninas escravas é uma prova, mas eu esbarrei no problema da contagem de caracteres.

Sim, mau é uma palavra enorme.

Ela não é muito usada nesta era do politicamente correto, mas se encaixa perfeitamente ao ISIS e seu panfleto é apenas mais um exemplo de como eles são moralmente falidos.

Lançado pelo Departamento de Pesquisa e Fatwa do Estado Islâmico (ISIS), o panfleto é intitulado Su’al wa-Jawab fi al-Sabi wa-Riqab (“Perguntas e Respostas sobre tomar cativos e escravos”). O panfleto permite que combatentes do ISIS estuprem mulheres cativas e até mesmo meninas.

De acordo com o MEMRI Monitor de Ameaças e Terrorismo Jihad, o panfleto “foi supostamente divulgado em resposta ao alvoroço causado pelos muitos relatos neste verão de que o ISIS tinha tomado meninas e mulheres yazidis como escravas sexuais”.

JTTM disse que o panfleto “esclarece a posição da lei islâmica (como o ISIS a interpreta) sobre várias questões relevantes, e afirma, entre outras coisas, que é permitido ter relações sexuais com os escravos não-muçulmanos, incluindo jovens, e que também é permitido maltratá-los e vendê-los”.

Publicado em uma conta pró-ISIS no Twitter, o panfleto tem 27 perguntas e respostas e aqui estão algumas delas:

Pergunta 3: Podem todas as mulheres descrentes ser feitas cativas?

“Não há disputa entre os estudiosos de que é permitido capturar mulheres incrédulas [que se caracterizam por] incredulidade original [kufr Asli], como o kitabiyat [mulheres entre os adeptos do Livro, ou seja, judeus e cristãos] e politeístas . No entanto, [os acadêmicos] estão em disputa sobre [a questão de] capturar mulheres apóstatas. O consenso se inclina para proibi-lo, apesar de algumas pessoas de conhecimento acham permissível. Nós [ISIS] inclinamo-nos para aceitar o consenso … ”

Pergunta 4: É permitido ter relações sexuais com um prisioneiro do sexo feminino?

“É permitido ter relações sexuais com cativos do sexo feminino. Alá, o Todo-Poderoso disse: ‘[bem-sucedidos são os crentes] que guardam a castidade, com exceção de suas esposas ou (os cativos e escravos) que suas mãos direitaw possuem, então, eles estão livres de culpa [Alcorão 23: 5-6]’ … ”

Pergunta 5: É permitido ter relações sexuais com um cativo do sexo feminino imediatamente depois de tomar posse [dela]?

“Se ela é virgem, ele [o mestre] pode ter relações sexuais com ela imediatamente depois de tomar posse dela. No entanto, se ela não é, seu útero deve ser purificado [primeiro] … ”

Pergunta 13: É permitido ter relações sexuais com uma escrava que não tenha atingido a puberdade?

“É permitido ter relações sexuais com a escrava que não tenha atingido a puberdade se ela estiver apta para a relação sexual; no entanto, se ela não estiver apta para a relação sexual, então é suficiente desfrutar dela sem relação sexual “.

Pergunta 20: Qual é a lei para uma escrava que foge de seu mestre?

“Um escravo do sexo masculino ou feminino que foge [de seu mestre] comete o mais grave dos pecados …”



Estes são apenas alguns repugnantes exemplos.

O vídeo abaixo mostra membros do ISIS fazendo piada sobre a venda de meninas yazidis:


sexta-feira, dezembro 26, 2014

NOVO PARADIGMA ASSUSTA: HAMAS NÃO É TERROR!.




NOVO PARADIGMA ASSUSTA: HAMAS NÃO É TERROR!.
por Osias Wurman.


Foi uma semana de absurdos onde algumas organizações internacionais entenderam que o Hamas não deve mais ser considerado um movimento terrorista.

O que teria motivado esta radical mudança em conceituar o grupo que domina Gaza?

Qual o gesto pacifista da liderança palestina em Gaza que teria motivado esta “onda de boa vontade” com a filial iraniana no Oriente Médio?

Durante a semana, o grupo terrorista Hamas realizou uma mega-parada para celebrar seus 27 anos de “lutas contra o inimigo sionista”.

Enganam-se os que pensam que os “sofridos” palestinos de Gaza demonstraram nas ruas suas iniciativas cívicas, novas ambulâncias, máquinas e tratores para reconstruir as suas cidades, projetos de saneamento básico e educação.

O que se viu foram crianças vestidas de Shahid - “mártires”- e de terroristas com o rosto pintado para a guerra.











Além desta triste apresentação, muitas armas, munições e até foguetes de médio alcance do arsenal palestino, que não foi destruído por Israel na última guerra.







Os guerrilheiros do Hamas que cobrem o rosto não merecem ser chamados de militares. São simplesmente terroristas!

Diante de jovens e crianças, a futura geração de palestinos que presenciavam as manifestações, um gesto de ódio a Israel e aos judeus: a queima de bonecos configurados como judeus ortodoxos e caixões com a bandeira de Israel representando soldados israelenses mortos.





Se este comportamento não caracteriza um movimento de ódio e terror, então ficará difícil explicar aos jovens e crianças, bem como aos amantes da paz, o que é o “amor ao próximo”!

terça-feira, dezembro 23, 2014

Falta Comida, mas não falta Celular.







por IPCO


Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada nesta quinta-feira (18) revela que 64% dos domicílios brasileiros em situação de insegurança alimentar grave (privação de alimentos para adultos e crianças) têm celular, segundo dados da Pnad 2013 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Mais de 88% dos domicílios com restrições alimentares contam com televisão, 13,8% têm computador e 10% têm não só computador, mas também acesso à internet. Fogão (93,5%) e geladeira (85,8%) também são bens presentes na maioria dos domicílios classificados pelo IBGE com o nível de insegurança alimentar grave.



Dados do suplemento da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios (Pnad) 2013 sobre Segurança Alimentar apontam que 7,2 milhões de brasileiros enfrentaram no ano passado situação grave de privação de alimentos, incluindo experiência de fome. O total é 35,7% menor que o registrado em 2009, quando foi realizada a última Pnad pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e constatou 11,2 milhões de pessoas nesta situação. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (18).



A pesquisa, que abrangeu 65,3 milhões de domicílios do país, foi feita em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

De acordo com o estudo, 50,5 milhões de domicílios (77,4%) estavam em situação de segurança alimentar em 2013. Nessas moradias havia 149,4 milhões de pessoas, equivalente a 72,2% da população residente em habitações particulares.

Nos 14,7 milhões de domicílios restantes (22,6%), onde viviam 52 milhões de pessoas, o IBGE encontrou algum grau de insegurança alimentar, ou seja, ausência de alimentos suficientes para os moradores ou preocupação com a possibilidade de que faltassem recursos.

A população atingida é 20% menor em relação à Pnad de 2009. Na época, a pesquisa havia constatado algum tipo de déficit alimentar em 17,7 milhões de domicílios particulares, onde moravam 65,5 milhões de pessoas.

Níveis de restrição alimentar
De acordo com a Pnad 2013, a situação de insegurança alimentar leve foi registrada em 14,8% dos domicílios pesquisados, totalizando 9,6 milhões de moradias, onde viviam 34,5 milhões de pessoas. Habitações particulares com moradores vivendo insegurança alimentar moderada representavam uma proporção de 4,6% do montante analisado, equivalente a 3 milhões de domicílios, atingindo 10,3 milhões de brasileiros.

Já 3,2% dos domicílios analisados pelo IBGE se enquadraram no caso de insegurança alimentar grave, proporção que representava 2,1 milhões de moradias, onde viviam 7,2 milhões de pessoas.

Em 2009, o percentual de domicílios particulares em insegurança alimentar leve, moderada e grave eram, respectivamente, 18,7%, 6,5% e 5,0%. Em 2004, as proporções eram, respectivamente, 18,0%, 9,9% e 6,9%.

Segundo o instituto, 14,3 milhões de pessoas com 10 anos ou mais idade moravam em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave. Desse total, 54,7% trabalhavam, sendo que 31,5% atuavam em atividades agrícolas.

Situação mais crítica no Nordeste

Das cinco regiões do país, o Nordeste foi a que apresentou a maior taxa de domicílios em situação de insegurança alimentar. De acordo com a pesquisa feita pelo IBGE, 38,1% das moradias nordestinas entrevistadas apresentaram algum tipo de restrição alimentar.

Norte vem em seguida, com 36,1%. Centro-Oeste registrou 18,2%, Sul, 14,9% e o Sudeste a menor taxa, 14,5%.

Nas regiões Norte e Nordeste, as proporções de domicílios onde algum morador passou pela experiência de fome foram 6,7% e 5,6%, respectivamente. Nas regiões Sudeste e Sul, o índice foi de 1,9%, enquanto na Centro-Oeste, a taxa era de 2,3%.

Ao considerar os dados por estado, o Maranhão foi o que registrou a menor prevalência de segurança alimentar (39,1%), seguido do Piauí (44,4%). Espírito Santo, que registrou a maior taxa de segurança alimentar, registrou 89,6%, seguido de Santa Catarina (88,9%) e São Paulo (88,4%).

Área rural é mais atingida por restrição alimentar

Moradores de áreas rurais do país foram os mais atingidos pelo déficit alimentar no ano passado, de acordo com a Pnad. Enquanto 20,5% dos domicílios na área urbana tinham moradores em situação de insegurança alimentar, na área rural a proporção era de 35,3%.

O levantamento utiliza a classificação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) e considera o período de referência dos três últimos meses anteriores à data da entrevista.

domingo, dezembro 21, 2014

Petrobrás e o orgulho roubado de uma nação.








Por Roberto Freire, para a Gazeta do Ipiranga e o Primeira Página



Um dos principais símbolos de nossa nacionalidade e motivo de orgulho para os brasileiros ao longo de seis décadas, a Petrobras parece ter conquistado espaço permanente nas páginas policiais sob os governos de Lula e Dilma Rousseff. Palco do maior escândalo de corrupção da história republicana, a empresa está enredada por uma série infindável de denúncias de operações ilícitas, pagamentos de propina, contratos irregulares, superfaturamento de obras e outros malfeitos que vêm derretendo sua reputação a cada dia. 



O mais recente episódio do assalto à empresa foi conhecido a partir do relato da ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, em reportagem publicada pelo jornal “Valor Econômico”. Segundo a servidora, ela própria teria alertado a diretoria da Petrobras sobre as ilegalidades em contratos, por meio de e-mails enviados à presidente, Graça Foster, e ao então diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza. Após as denúncias, de acordo com a reportagem, a ex-gerente da Petrobras foi enviada à unidade da empresa em Cingapura e teria sido ameaçada e orientada a não trabalhar.



Subordinada ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, um dos principais acusados de desvios na estatal e antecessor de Cosenza no cargo, Venina contou que também procurou o chefe imediato para falar sobre as irregularidades nos contratos. O diretor teria apontado para uma foto de Lula e perguntado à funcionária se ela queria “derrubar todo mundo”. Talvez este seja o relato mais emblemático sobre a corrupção desenfreada da qual a Petrobras é vítima nos tempos do lulopetismo.



Ironicamente, o PT utilizou politicamente a estatal para atacar seus adversários em recentes disputas eleitorais, acusando-os de tentar privatizá-la. Mal sabiam os brasileiros que, enquanto entoavam o discurso falacioso de campanha, eram os próprios petistas e seus aliados que privatizavam a Petrobras para práticas criminosas. E o mais grave: com o conhecimento das autoridades da empresa, como indicam as revelações da ex-gerente.



O bom trabalho realizado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público deve ser reverenciado e incentivado para que os responsáveis pelo assalto à Petrobras sejam punidos de forma exemplar. E não devemos aceitar o discurso petista de que as investigações só acontecem por mérito de um governo supostamente republicano. Nada mais falacioso. A Polícia Federal é uma corporação de Estado, não de governo. E o Judiciário é um poder independente do Executivo. Nada disso se coaduna com o que prega o PT, com sua visão autoritária e equivocada sobre o funcionamento das instituições da República.



A Operação Mãos Limpas, que praticamente implodiu o sistema político na Itália e desbaratou um megaesquema de corrupção nos anos 1990, foi levada a cabo durante o governo da Democracia Cristã – e o partido que comandava o país acabou desaparecendo, assim como as legendas que sustentavam o governo, como consequência de seu envolvimento direto na corrupção. Embora as circunstâncias do caso brasileiro sejam distintas às da Itália, há algumas semelhanças entre os dois acontecimentos – entre elas, o eixo da corrupção estar localizado no Palácio do Planalto e centrado no PT e nos partidos aliados.



Não se sabe ao certo quais serão os novos desdobramentos do escândalo, mas é evidente que o buraco da corrupção é bem mais fundo do que se imagina. A quadrilha que se apoderou da Petrobras não assaltou apenas os cofres da empresa, mas também roubou o nosso orgulho.



Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS 

Nota do Blogando: Não vejo o menor orgulho em ser a Petrobrás uma empresa brasileira, o monopólio da exploração nos moldes atuais, continua sendo um mal, por exemplo, para os consumidores que têm a sua disposição uma das piores gasolinas do mundo a um preço nem tão barato assim.

sábado, dezembro 20, 2014

Quatro verdades sobre o embargo americano a Cuba.










por Leandro Narloch 




A excelente notícia do provável fim do embargo a Cuba está fazendo muita gente repetir equívocos graúdos sobre o assunto. Abaixo esclareço quatro pontos dessa história:



1. A causa da miséria em Cuba é o comunismo, não tanto o embargo
Uma reportagem da BBC Brasil, publicada no UOL, diz que “o bloqueio econômico empobreceu o país” e “também ampliou o mercado negro e fez com que muitos cubanos tentassem escapar do país rumo aos Estados Unidos”. Ou seja: tudo de ruim que há na ilha é culpa dos americanos. Peraí. Não é novidade que, em qualquer país comunista, a causa do desabastecimento e do mercado negro é a falta de segurança de propriedade e a proibição do lucro. Isso fica evidente na criação de gado em Cuba. Como mostra o Duda Teixeira nesta ótima reportagem: Cuba o país onde é proibido prosperar, quem tem cabeças de gado na ilha é proibido de abater os animais, pois todas as vacas são usadas para aliviar o racionamento de leite. O governo controla a quantidade de gado que cada produtor possui. Quando um animal morre, é preciso chamar um funcionário do estado para avaliar se foi abatido ou morreu de causa natural. O leite só pode ser vendido no mercado negro ou para o governo. O caminhão estatal passa de vez em quando para coletar a quantidade estabelecida por lei a cada produtor, pelo preço definido pelo governo. Como não há regularidade na coleta, é comum o leite estragar antes do caminhão do governo passar. É fácil entender que, numa situação dessas, sem poder lucrar com o próprio trabalho, as pessoas têm menos incentivos para criar gado. Há menos produtos no mercado e, por oferta e procura, eles custam mais caro. Resultado: 80% da comida consumida em Cuba vem de fora – a maior parte dos Estados Unidos. E a carne, quando aparece em algum mercado oficial, sai pelo equivalente a 150 reais o quilo (ou seja, é só para turistas). É verdade que o embargo não ajuda – mas o que realmente empobrece Cuba é a impossibilidade de lucrar produzindo o que as pessoas querem. Poxa, BBC!

2. Contra o bloqueio, a favor do comércio
Quem atribuiu ao embargo tudo de ruim que acontece em Cuba está, sem querer, defendendo o livre comércio. Se a falta de comércio internacional empobrece, logo o comércio com outros países enriquece. Essa frase enfureceria Che Guevara, mas os economistas concordam: mais livre comércio internacional, mais prosperidade, menos pobreza. Uma vistosa prova disso são os poucos países que, dos anos 1960 para cá, fizeram todo o contrário de Fidel. Coreia do Sul, Cingapura e Hong Kong, tão pobres quanto Cuba há 50 anos, abriram a porteira para o capitalismo internacional. Hoje estão mais ricos que a Europa. Tomara que Cuba siga o mesmo caminho.

3. Eles queriam o embargo
Fidel Castro e Che Guevara não só lutaram pelo bloqueio econômico como o consideravam a principal razão da revolução de 1959. Che repetiu diversas vezes que o objetivo era “cortar todos os laços de Cuba com o capital internacional”. Em Argel, em 1965, ele disse que os países socialistas que estabelecerem relações com os capitalistas “são, de certo modo, cúmplices da exploração imperialista”. Por isso,”os países socialistas têm o dever moral de pôr fim à sua cumplicidade tácita com os países exploradores do Ocidente”. Che levou essa ideia a consequências desastrosas, mas o pensamento era comum na época. Nos anos 1960, quase todos os países do Terceiro Mundo, seduzidos pela ideia de que a dependência econômica é a raiz da pobreza, fecharam fronteiras ao comércio. Deu tudo errado, é claro, pois um sinônimo de autossuficiência é pobreza.


4. Pelo fim do embargo brasileiro ao Brasil
Apesar do embargo imposto pelos Estados Unidos, Cuba tem um comércio exterior proporcionalmente maior que o do Brasil. Em 2011 (último dado coletado pelo Banco Mundial), as exportações de bens e serviços eram 20% do PIB; as importações, 19%. O Brasil consegue ter um comércio exterior ainda menor em relação ao PIB: 13% das exportações e 15% das importações (dados de 2013). Para o empresário Roberto Rachewsky (O Embargo brasileiro ao Brasil), isso mostra que os brasileiros vivem um embargo autoimposto. O curioso é que justamente quem é contra o embargo em Cuba costuma defender as barreiras alfandegárias e a burocracia para importação no Brasil. Vai entender.



quinta-feira, dezembro 18, 2014

O estupro da Petrobrás e a gritaria contra Bolsonaro.










Muito se poderia dizer sobre a gritaria contra Jair Bolsonaro (PP/RS), que ironicamente reafirmou que a deputada Maria do Rosário (PT/RS) não merecia ser estuprada. Reafirmou, pois Bolsonaro já havia feito a afirmativa em outra ocasião. Mais precisamente em 2003. Após ser chamado de estuprador pela parlamentar petista, Bolsonaro rebateu com a frase: “Não estupro porque você não merece”.

É evidente que Bolsonaro não teve a intenção de fazer apologia ao estupro, como afirma a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, que denunciou o parlamentar por incitar publicamente a prática do crime de estupro. Crime este que tem crescido em proporções alarmantes: Segundo dados do Anuário de Segurança Pública, o país teve 50.617 casos registrados em 2012, um crescimento de mais de 18% em relação ao ano anterior.

A questão é que ninguém merece ser estuprada. Sobretudo as mulheres. “Estupro” procede do termo latino stupru que deriva da palavra violatione. Bolsonaro disparou contra Maria do Rosário, por sua vigarice ideológica, quando ela fugia do Plenário da Câmara para não ouvir seu discurso contra a dita Comissão Nacional da Verdade. “Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí! Há poucos dias, você me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir”.



Maria do Rosário é uma das responsáveis pelo estupro da dignidade militar. Uma afronta petista contra as Forças Armadas, instituição que sempre apareceu entre as mais respeitadas nas pesquisas. O povo ainda tem em alta nossos militares. Aliás, este é justamente outro sentido da palavra latina stupru: sentido genérico de afronta ou infâmia.

Outra instituição que foi estuprada, mesmo não merecendo, foi a Petrobrás. As denúncias de corrupção e os escândalos envolvendo o Governo nos levam a sensação de que não havia defesa contra esta violação. Em terra sem lei o que se faz não merece atenção, mas o que se diz provoca o borburinho ensurdecedor dos moralistas contumazes.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

A história não fala de Covardes.











Comissão Nacional da Verdade. Um período sombrio para ser esquecido.

Entrevista na na íntegra concedida pelo CEL MOÉZIA ao Jornal O GLOBO.

Com a entrega do seu relatório a CNV encerra seus trabalhos e põe fim a um dos episódios mais tristes, decepcionantes e vergonhosos da história recente do nosso Exército. 
Não pelos possíveis desdobramentos do que foi “plantado” no relatório da comissão. Dentro do ordenamento jurídico brasileiro, o trabalho da comissão vai dar em nada. Foi tempo e dinheiro público jogado fora.
Seja qual for o crime imputado aos agentes do estado, eles não estarão mais sujeitos a processos, julgamentos e condenações, eles estarão protegidos pela Lei da Anistia, a menos que ela seja revogada o que não acreditamos. O relatório é uma mera peça informativa que não tem qualquer valor jurídico, só serve para fazer joguinho de cena. A Dilma chorou (quase arrancou os bigodes para conseguir), o lula vai chorar e muitos outros vão chorar inclusive a militância, MST, cubanos, haitianos, venezuelanos, etc. Espero que nenhum militar chore pelo mesmo motivo.

O que nos preocupa é muito mais sério.
Nós, servidores do Estado, das FFAA, em particular do Exército, nos sentimos traídos, profundamente decepcionados, tristes, envergonhados com o posicionamento dos comandantes das FFAA, nestes três anos em que funcionou a CNV. 
Traídos, decepcionados, tristes e envergonhados, porque nada fizeram para nos defender, nós, soldados que um dia foram convocados para uma missão dura e espinhosa e a ela se dedicaram de corpo e alma.

Foram enormes os sacrifícios, para todos, dentre os quais me enquadro e para nossos familiares. No fragor da batalha, do combate, abrimos imensas feridas em nossos corações e almas que jamais cicatrizarão e que levaremos conosco para o resto de nossas vidas e para a eternidade. Dias e noites terríveis aqueles que vivemos.

Cumprimos com bravura e galhardia a missão recebida. Nossos Comandantes de então, reconheceram nosso trabalho, fomos aclamados heróis e recebemos as mais altas condecorações pelos relevantes serviços prestados à nação. Éramos diferenciados dentro do Exército Brasileiro e das FFAA.

Passado o tempo, no período em que reinou soberana a CNV, nossos comandantes atuais foram protagonistas de uma ação covarde, insidiosa, criminosa, traiçoeira, vergonhosa, jamais vista na história do Exército brasileiro: abandonaram seus soldados em pleno campo de batalha, deixando-os à sua própria sorte, a mercê dos seus inimigos. 
Caxias, Osório, Sampaio, Mallet e tantos outros inclusive Vilagran Cabrita, Patrono da Engenharia e outros grandes Comandantes na nossa história militar, que lutaram ombro a ombro, lado a lado com seus soldados, sentiriam vergonha desses comandantes medíocres, velhacos e lhes diriam com desprezo que são indignos de exercerem comando quem quer que seja e muito menos de serem herdeiros de suas gloriosas tradições e de ostentarem o galardão de General que ostentam.

Nenhuma atitude, nenhum gesto, nenhuma palavra.
Simplesmente, covarde e traiçoeiramente assistiram impassíveis, seus subordinados sujeitos à sanha de seus algozes.
Que decepção, que tristeza, que vergonha!
Esse ato covarde, traiçoeiro, vergonhoso nos deixa agora diante de uma outra grande preocupação!
Abandonar seus soldados no campo de batalha é inadmissível, mas, numa missão de sacrifício, para salvar muitas outras vidas pode-se até compreender, mas abandonar uma nação inteira, um país inteiro!!!!!

Nosso país está gravemente enfermo, pede socorro, pede nossa ajuda! Os abutres e carniceiros do poder, já faz algum tempo, estão carcomendo suas entranhas, levando-o aos poucos à morte! 
Somos guardiões da Pátria! Temos o dever moral e profissional de ajuda-la, temos que honrar o juramento que um dia fizemos e impedir que voltemos a ser uma republiqueta de quinta categoria, bem ao estilo do PT, que éramos antes de 31 de março de 1964.

Será que vocês também vão abandonar o Brasil como fizeram conosco, seus soldados? 
Estão desconstruindo o Brasil, o país está em derrocada, chafurdando no lamaçal do roubo, da corrupção, da picaretagem, de políticos e governantes inescrupulosos subornados pelo poder das empreiteiras que sangram o erário público com enormes prejuízos para o povo brasileiro e vocês assistem impassíveis, nenhuma palavra, nenhuma atitude! 

Disciplina não é subserviência. 
Ninguém está fazendo apologia da indisciplina, da violência, ninguém quer fazer revolução, luta armada, tomar e permanecer no poder, ninguém quer derramamento de sangue, mortes, nada disso! 
Mas, do jeito que as coisas estão não podem ficar.

Vocês estão perdendo o controle da situação. A tropa é povo, tudo vê tudo ouve, tudo sente e está de olho em vocês! Cuidado! Confiança não nasce do nada, confiança conquista-se.
Senhores generais, francamente! A julgar por tudo quanto estamos assistindo na vida do nosso país e do que falamos até agora, permitam-me perguntar: 
De que lado vocês estão? 
Será que vocês fazem parte dessa sujeira? 
Fazem parte do esquema desses safados? 
Será que estão ganhando “alguma coisa” para dar cobertura a essa corja de corruptos e ladrões? 
Será que vocês vão ter coragem de trair o Brasil e dar de “mão beijada” para esses vagabundos tudo o que lutamos para conseguir em 1964? 
Ou será que também têm os mesmos sonhos “quixotescos” desses idiotas retrógrados do PT de querer dominar a América do Sul e nela implantarem o comunismo ?
Será? 

Meu Deus seria o fim!
O Alto Comando das FFAA ou está acomodado ou é incompetente para assumir as altas responsabilidades de seus postos e que o momento exige.
Seja qual for o caso, para o bem do Brasil e das FFAA, todo o seu Alto Comando, deveria pedir transferência para a reserva, deveria renunciar aos seus atuais cargos e entregar o comando para outros Generais mais competentes e mais capacitados para os desafios e grandes responsabilidades próprias de seus postos e funções.
E para finalizar, uma última indagação: qual será a atitude de vocês diante das acusações feitas aos nossos Grandes Generais e ex Presidentes no relatório da CNV? E quanto aos os demais?
Vão ficar calados, impassíveis só olhando? 
Por favor, não nos envergonhem ainda mais perante a nação brasileira. 
Deus proteja o Brasil.

Coronel Ref. PEDRO IVO MOÉZIA DE LIMA. 
ivomoezia@gmail.com