sábado, março 21, 2015

Quando o diabo é conselheiro







por Percival Puggina(*)





Pelo menos dois milhões e meio de pessoas saíram às ruas no dia 15 de março. Diziam, em essência, quatro coisas: Fora Dilma! Fora PT! Chega de corrupção! E a que estava escrita na camiseta que eu usava: Impeachment! A desaprovação da presidente, em março, segundo levantamento da Datafolha, chegou a 62%. Em fevereiro, o mesmo instituto dizia que para 52% dos brasileiros Dilma é falsa, para 47% é desonesta e para 46%, mentirosa. Nada surpreendente quando esses números se referem a quem disse que "a gente faz o diabo em época de eleição".

Num sistema de governo bem concebido, do tipo parlamentarista, tal situação levaria ao voto de desconfiança. O governo cairia. No presidencialismo, tem-se o que está aí: uma crise institucional. Então, era preciso contra-atacar. Qual o conselho do diabo numa hora dessas? "Diz que teus opositores não gostam de pobre!", recomendaria o Maligno. Foi o que fez Lula, num discurso à porta do hospital onde a Petrobras, por culpa dele e de seus companheiros, respira por meio de aparelhos.

Disse o ex-presidente: “O que estamos vendo é a criminalização da ascensão social de uma parte da sociedade brasileira. (...) A elite não se conforma com a ascensão social dos pobres que está acontecendo neste país”. Por toda parte, o realejo da mistificação, da enganação, da sordidez intelectual passou a ser acionado por gente que se faz de séria. Colunistas chapa-branca, artistas subsidiados pelo governo, intelectuais psicologicamente enfermos se alternam na manivela do realejo, a repetir essa tese.

O líder do MST, João Pedro (quebra-quebra) Stédile, falando ao lado de Dilma no RS, enquanto eu escrevia este artigo, rodou a manivela: "A classe média não aceita assinar a carteira da sua empregada doméstica. A classe média não aceita que o filho de um agricultor esteja na universidade. A classe média não aceita que os negros andem de avião. A classe média não aceita que o povo tenha um pouco mais de dinheiro”. Suponho que na opinião dele, os patrocinadores do MST são santos cujas meias deveriam ser guardadas para fazer relíquias, apesar de esfolarem a nação e encherem os próprios bolsos e os bolsos dos ricos. Quão tolo é preciso ser para se deixar convencer de que o povo sai às ruas porque pobres e pretos andam de avião e não por estar sob um governo que se dedicou a fazer o diabo? Como pode a mente humana entrar em convulsões e a alma afundar em indignidades de tais proporções?

Leonardo Boff, foi outro. Perdeu boa parte de sua fé católica, mas não a fé em Lula, a cujo alto clero não se constrange de pertencer. Dia 16, em Montevidéu, declarou: "No Brasil há uma raiva generalizada contra o PT, que é mais induzida pelos meios de comunicação, mas não é ódio contra o PT, é ódio contra os 40 milhões (de pobres) que foram incluídos e que ocupam os espaços que eram reservados às classes poderosas". É assim que o petismo age. Deve haver um lugar bem quente no inferno para quem se dedica a esse tipo de vigarice intelectual.

Vigarice, sim. E tripla vigarice. Primeiro, porque transmite a ideia equivocada de que o PT acabou com a pobreza, quando o partido está empobrecendo a todos, a cada dia que passa. Segundo, porque a nada o petismo serviu mais do que à prosperidade material de sua alta nomenklatura e a dos muitos novos bilionários que, há 12 anos, servem e se servem do petismo. Terceiro, porque só o PT se beneficia da pobreza dos pobres, aos quais submete por dependência.O desenvolvimento econômico e social harmônico é generoso. A ascensão dos pobres, quando ocorre de fato e não por doação ou endividamento, beneficia a todos. Isso até o diabo sabe.

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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.

sexta-feira, março 20, 2015

A condenação de Levy Fidélix: uma análise.




A condenação de Levy Fidélix: uma análise.
por Fabio Blanco

Por que o Che? A militância gay tem-no como ícone, apesar da sua declarada homofobia


Lembram-se da celeuma causada pelo candidato à presidência da República, o sr. Levy Fidélix, quando ele falou algumas verdades sobre o homossexualismo, tais como “dois iguais não fazem filho” e “orgão excretor não reproduz”? Pois bem, por conta dessas declarações o candidato se tornou réu e condenado, em uma Ação Civil Pública, movida pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que pleiteou uma indenização no valor de um milhão de reais, em virtude de supostos danos morais causados à comunidade LGBT.



Pouparei vocês da embromação jurídica da decisão, tomada, como é costume em nossos computadores forenses, do sistema de repetição enfadonha de sentenças e despachos interlocutórios. Atento-me apenas aos trechos mais relevantes, considerando a natureza da ação e do problema tratado.



Antes de tudo, peço que acompanhem minha análise sem julgar-me como um defensor absoluto das palavras fidelixianas. O que penso delas, neste momento, não vem ao caso. Quero apenas demonstrar, pela simples transcrição e análise das partes do decisum, que o réu se encontrou envolvido em um caso típico de processo dirigido, no qual nem o melhor jurista do mundo poderia livrá-lo da condenação.



Isso porque, para início de reflexão, a magistrada encarregada da decisão já possui um histórico de sentenças favoráveis aos homossexuais. Isso, por si só, torna-a suspeita. Realmente não sei se ela possui algum envolvimento extra-forense com grupos militantes favoráveis à causa homossexual, mas suas decisões anteriores, como a dada no processo 0007609-79.2010.8.26.0100, da 11ª Vara da Família e das Sucessões, do Fórum Central da Capital de São Paulo, demonstram, claramente, que ela tem uma ideia bem favorável aos chamados direitos LGBT.



De acordo com a lei, isso pode até não torná-la passível de suspeição, a ponto de impedi-la de julgar a ação proposta pela Defensoria Pública, mas, na realidade, seu julgamento já está viciado por sua convicção que, como ficará bem claro, não é nada juridicamente fundamentada.



Em sua sentença, a juíza afirma que o réu “ultrapassou a liberdade de expressão assegurada constitucionalmente”. Para fundamentar seu argumento, ela cita o parecer do Ministério Público, atuante no mesmo processo. E este afirma que “as declarações do requerido negam a própria dignidade humana à população LGBT”.



Aqui, me pergunto: que dignidade fora negada aos gays? Dizer que não fazem filhos ou que de seus ânus não saem crianças é apenas uma maneira, não das mais elegantes, de falar algo que qualquer criança sabe. Além do que é a mais pura verdade. Pode-se até dizer que Fidélix foi grosseiro, mas não que agrediu à dignidade de um grupo. A não ser que a dignidade dos LGBT esteja alicerçada na ilusão de que podem se reproduzir entre si.



A dignididade de alguém só pode ser medida pela realidade, pela possibilidade. Dizer que um homem não pode voar, não fere sua dignidade, dizer que uma pessoa não pode viver duzentos anos não fere sua dignidade. E por quê? Porque são impossibilidades reais. Da mesma forma, afirmar que dois homens não podem conceber uma criança não fere em nada suas dignidades, pois ainda não se inventou uma fórmula genética que os possibilite isso.



Mas o parecer do Ministério Público segue em um tom ainda menos jurídico, como quando afirma do réu que “agindo dessa forma, propaga-se discurso de ódio contra uma minoria que vem lutando historicamente, a duras penas, pela garantia de direitos fundamentais mínimos. A exordial narra fatos concretos e reiterados de agressões contra homossexuais em razão de sua opção sexual, muitas das quais culminaram inclusive com a morte de vítimas”.



Primeiro, deve-se ressaltar o tom emocional do parecer. Segundo, o uso de dados que são comprovadamente falsos, sobre supostas agressões contra homossexuais, por conta de sua opção sexual. Terceiro, há algo em Direito que se chama nexo causal, que é o vínculo entre o ato e suas consequências. Aqui, o promotor tenta dar a entender que palavras como a do sr. Fidélix são responsáveis por atos de violência contra homossexuais, ao dizer que com elas propaga-se discurso de ódio. No entanto, esse nexo causal é apenas presumido pelo próprio parquet. Ocorre que, no Direito esse nexo, para ser presumido, precisa ter um vínculo notório com as consequências. No caso, porém, isso não existe, simplesmente porque não se sabe de alguém que tenha agredido homossexuais por causa do discurso do candidato ou de outros discursos que poderiam ser considerados promotores de ódio. Portanto, a presunção do representante do Ministério Público é uma mera dedução feita sobre seus próprios achismos e, por isso, não podem basear juridicamente uma decisão.



Mas a juíza não contentou-se apenas em se apoiar no parecer da promotoria e trouxe alguns argumentos próprios à decisão. No primeiro deles, diz que o réu “empregou palavras extremamente hostis e infelizes a pessoas que também são seres humanos (sic) e merecem todo o respeito da sociedade, devendo ser respeitado o princípio da igualdade”.



Relevando as impropriedades lógicas e semânticas desse pequeno trecho, é importante ressaltar que não há, nele, nenhuma afirmação juridicamente relevante, que fosse capaz de conduzir a decisão a concluir pela condenação. Isso porque palavras hostis e infelizes não são suficientes para causar dano moral a uma coletividade. O mero desrespeito também não. Para que isso ocorra, é necessário que as palavras sejam realmente ofensivas, discriminatórias e segregacionistas. No caso, Fidélix falou apenas algumas verdades biológicas, que não podem ser negadas por ninguém. É verdade que fez ainda duas afirmações contestáveis, em relação a necessidade de tratamento psicológico dos gays. Mas, convenhamos, seria isso suficiente para levá-lo a uma condenação de um milhão de reais? Ora, o próprio Conselho de Psicologia, até pouco tempo, tinha o homossexualismo como um transtorno psíquico. Como, então, alguém citar isso pode ser considerado uma ofensa passível de condenação?



No entanto, quando um juiz quer decidir a favor de uma das partes, quase nada pode impedi-lo. Assim, então, continua a magistrada, procurando razões para condenar o réu, como quando afirma que “a situação causou inegável aborrecimento e constrangimento a toda população, não havendo justificativa para a postura adotada pelo requerido”.



Ora, desde quando aborrecimentos e constrangimentos são motivos para uma condenação milionária? Outra coisa: como ela pode afirmar que as falas de Fidélix aborreceram e constrangeram toda população? A não ser que ela considere que os que não se sentiram ofendidos com as palavras do candidato e os que concordam com ele (que, certamente, alcançam um número expressivo de pessoas no país) não fazem parte da população brasileira.



O que a julgadora está fazendo é uma presunção sem fundamentos. Na verdade, ela toma sua própria indignação como de todos e, assim, contamina sua análise. Isso fica claro na advertência que faz, ao afirmar que não há justificativa para a postura adotada pelo candidato. Oras, isso é jeito de uma juíza escrever, como se estivesse dando bronca em uma criança? Não importa se as palavras de Fidélix têm ou não justificativas, o papel da juíza é analisá-las e verificar se há alguma ligação entre elas e os danos morais alegados.



Além disso, ela não pode presumir esses danos. Há casos que os danos morais são presumidos, como quando um pai perde um filho, quando alguém sofre uma falsa acusação etc. No caso, porém, os danos coletivos não são presumíveis, já que as falas de Fidélix são, no máximo, deselegantes. O que a juíza está fazendo é separar uma parcela da população, que afirma ter sido ofendida pelas palavras do candidato, tomando-a como o todo. Tudo por presunção, conforme a clara predisposição da própria julgadora.



Afirmo tal predisposição tomando como base o próprio trecho seguinte da decisão, onde a juíza expõe claramente sua convicção em relação aos direitos dos homossexuais ao reconhecimento de sua união estável. Ela afirma, categoricamente, que “as uniões estabelecidas entre pessoas do mesmo sexo devem ser reconhecidas e igualmente tuteladas”.



Ora, sem entrar no mérito da conveniência ou não da concessão de direitos aos parceiros homossexuais, não é competência da juíza estabelecer o que deve e o que não deve ser tutelado pelo Estado. Seu papel é julgar conforme a lei e, pelo que sei, não há lei que estabeleça direitos conjugais a pessoas de mesmo sexo. Além do mais, o que tem a ver esta questão com o objeto da ação? Claramente, a magistrada tomou seu julgamento como um ato de propaganda de direitos gays, fazendo de sua sentença um palanque para expor suas convicções.



É evidente que essa magistrada faz parte de uma geração de juízes que não se contentam em interpretar e aplicar a lei. Eles querem criar direitos, mesmo que, para isso, precisem sobrepujar a vontade da população refletida no sistema legal. Isso fica claro no trecho de sua decisão, onde ela afirma que “não é possível que o julgador adote posição de inércia, principalmente considerando que o Direito deve servir de instrumento de pacificação social, independente da opção sexual de cada indivíduo”.



Observem como ela atrai para sua função de julgadora o papel que deve ser do Direito, que abrange muito mais funções do que a dos magistrados. Assim, ela faz do Fórum lugar para ativismo social, afirmação de lutas e antecipação de direitos.



Com uma juíza assim, nem os melhores advogados do mundo seriam capazes de evitar a condenação do sr. Levy Fidélix. Quando a justiça, que deveria ter, em sua fronte, uma venda, julgando, unicamente, conforme a lei a que se submete, passa a decidir conforme as partes do processo, privilegiando aqueles que ela considera detentores de direitos especiais, a ideologia sempre vencerá.



Espero, apenas, que os senhores desembargadores do Tribunal não estejam contaminados ideologicamente dessa maneira, e retomem a situação à justiça esperada.











ET- A informação abaixo foi extraída de um site heterofobico, tentando desmoralizar Levy Fidélix. Esqueceram os articulistas que nem Luciana Genro, nem Levy Fidélix estavam dando aulas de Biologia.
“No homem, a uretra faz parte dos dois sistemas, reprodutor e excretor-urinário”, explica Eduardo Bertero, urologista do departamento de andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia. 
Por isso, o pênis é o único órgão relacionado ao aparelho excretor que está envolvido também na reprodução.

quinta-feira, março 19, 2015

Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente.





Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente.

por Leandro Roque




Os americanos estão rindo à toa. E às nossas custas. Tanto o café da manhã quanto o churrasco deles ficaram bem mais baratos. Do pão ao café, passando pelo bacon e pela carne de boi, tudo barateou para eles

Quem foi o responsável por isso? Nós brasileiros. E, como consequência dessa nossa "gentileza", esses mesmos alimentos ficaram bem mais caros para nós.

Com o esfacelamento do real perante todas as moedas do mundo — e ainda mais intensamente perante o dólar —, a aquisição de trigo, café, soja, açúcar, laranja e carne do Brasil ficou muito mais barata para os americanos e estrangeiros em geral. 

Consequentemente, os produtores brasileiros dessas commodities passaram a vendê-las em maior quantidade para o mercado externo, gerando uma diminuição da sua oferta no mercado interno e um aumento dos seus preços. 

Fartura para os estrangeiros, carestia para nós.

Os preços da carne bovina, por exemplo, que foram até motivo de debate na campanha eleitoral, seguem crescendo. E, nesse caso, a desvalorização do câmbio tem um efeito duplo: de um lado, ela aumenta as exportações e reduz a oferta interna; de outro, ela encarece o preço da soja (a soja é uma commodity precificada em dólar. Se o real se desvaloriza perante o dólar, o preço da soja em reais aumenta). E, dado que o farelo de soja é utilizado como ração para bovinos, o encarecimento da soja encarece todo o processo de produção. (Apenas neste mês de março, a tonelada do farelo de soja subiu de R$ 1.070 para R$ 1.250)

Consequentemente, os preços da carne são pressionados tanto pela diminuição da oferta quanto pelo encarecimento da produção. Por trás de tudo, está o câmbio.

E o problema é que a desvalorização cambial não se restringe apenas ao setor alimentício ou às commodities. Tampouco a desvalorização cambial, ao contrário do que muitos pensam, afeta apenas os preços de bens importados. 

A desvalorização cambial é um fenômeno que gera carestia generalizada em praticamente todos os bens e serviços do mercado interno, pois ela gera um efeito em cascata. 

Além de encarecer alimentos (em decorrência dos fenômenos acima descritos), remédios (85% da química fina é importada), e todos os importados (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários), a desvalorização cambial também encarece os preços das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), e até mesmos os preços dos alugueis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar). 

E o aumento do aluguel e o encarecimento da eletricidade, por sua vez, afetam os custos de todos os estabelecimentos comerciais, os quais terão de elevar os preços de seus produtos e serviços (o cabeleireiro e a manicure cobrarão mais caro, assim como o dentista e a oficina mecânica). 

E todos esses aumentos generalizados farão com que os autônomos que atuam no setor de serviços — o eletricista e o encanador comem pão e carne, cortam cabelo, pagam conta de luz e levam seus carros para consertar — também tenham de aumentar seus preços.

Ou seja, não há escapatória: uma desvalorização cambial mexe com toda a estrutura de preços da economia.

Por que uma moeda fraca afeta negativamente toda a economia

A saúde de uma economia é totalmente dependente da saúde de sua moeda. Dado que o dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica, a robustez da moeda irá determinar a saúde de toda a economia. Se a moeda enfraquece, a economia vai junto. Se a moeda fica doente, a economia também adoece. 

Não há como uma economia se fortalecer se a sua moeda está enfraquecendo.

Classicamente, o dinheiro tem a função de ser um meio de troca. Mas, além de facilitar as transações econômicas, o dinheiro também tem a função de mensurar o valor dos bens e serviços. Ao vender ou comprar qualquer bem ou serviço — seja um carro, um apartamento ou uma mão-de-obra —, você o precifica em unidades monetárias. O dinheiro é a régua com a qual você faz essa mensuração. Toda a riqueza material que possuímos é mensurada pela nossa moeda. 

Daí os economistas clássicos, à sua época, defenderem a ideia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais estável possível. Tais economistas corretamente compreenderam que ter uma moeda fiduciária, não lastreada por nada, e cujo valor flutuasse constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem diariamente. 

Imagine o que ocorreria se a definição de metro, grama e minuto fosse alterada diariamente? Num dia, o metro tem 100 centímetros; no dia seguinte, o metro se desvaloriza e passa a valer 95 centímetros. Depois, se valoriza e passa a ter 107 centímetros. Como seria possível fazer qualquer obra dessa maneira?

Assim como um metro flutuante e um minuto flutuante gerariam vários erros de construção, de cálculo e de planejamento, um dinheiro flutuante gera uma enorme quantidade de investimentos insensatos, uma grande desarmonia nas transações e um profundo caos no cálculo econômico.

Por isso, ao longo da história humana, o ouro sempre foi a mercadoria naturalmente escolhida para servir como meio de troca e unidade de conta. Sua tradicional estabilidade como unidade de conta fez dele uma escolha natural para definir aquilo que hoje conhecemos como dinheiro.

(Em dezembro de 2008, um arqueólogo britânico descobriu, nos arredores de Jerusalém, aproximadamente 300 moedas de ouro datadas de 600 d.C., todas elas emitidas pelo imperador bizantino Heráclio, e todas elas valendo o mesmo tanto que valiam há 1.400 anos, se não mais.)

Hoje, infelizmente, a teoria econômica que se tornou dominante — e que é adotada por quase todos os governos — inverteu completamente essa lógica. Os economistas de hoje não mais veem o dinheiro como uma unidade de conta que deve ser a mais estável possível. Não. Eles querem flutuar o metro, o minuto e o grama. Eles querem ter uma régua, um relógio e uma balança que sejam diariamente alterados. E eles genuinamente acreditam que isso gera desenvolvimento econômico.

Os economistas de hoje acreditam que uma unidade de conta sem qualquer âncora, totalmente volúvel e flutuante, turbina a atividade econômica. Pior ainda: dentre esses economistas, há aqueles que vão ainda mais além e dizem abertamente que, quanto mais distorcida for nossa unidade de conta, maior será a nossa criação de riqueza e maior será nosso desenvolvimento. "Destrua a moeda, e surgirão uma Apple, uma Microsoft e uma Google", parece ser o lema. 

A crença, sem nenhuma lógica, é a de que uma moeda desvalorizada, sem poder de compra, irá estimular as pessoas a produzir mais e melhor, e a investir com mais sapiência.  "Altere fortemente a definição de metro, minuto e grama, e amanhã viramos uma Suíça".

Eis o principal problema com esse raciocínio: quando investidores investem, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda futura. Para que investidores invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que valha alguma coisa.

Mas se a unidade de conta é diariamente distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza. Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo.

É exatamente por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, (alta inflação de preços), são raros os investimentos vultosos de longo prazo. É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os juros são altos. É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os bens produzidos são de baixa qualidade. É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, as pessoas são mais pobres. 

E é exatamente por isso que uma moeda forte e estável é indispensável para o crescimento econômico. Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe. O investimento em tecnologia é maior. O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior. O investimento em infraestrutura é maior. O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior. 

Já quando a moeda é instável — ou passa por períodos de forte desvalorização —, os investidores preferem se refugiar em investimentos tradicionais e mais seguros, como imóveis e títulos do governo. Não há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam riqueza.

Uma moeda instável desestimula investimentos produtivos. E, consequentemente, age contra o crescimento econômico. 

É por isso que nenhum país que tem moeda instável e com baixo poder de compra produz bens de qualidade e que são altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

Uma moda fraca e instável, portanto, não apenas afeta todos os preços internos de um país (se a moeda está fraca, então será necessária uma maior quantidade dela para adquirir o mesmo bem), como também enfraquece toda a economia.

Não há escapatória: moeda fraca, investimentos baixos, economia fraca, carestia alta. Sem exceção.

A prática no Brasil

Toda essa longa digressão foi para explicar o que está ocorrendo no Brasil. Nossa moeda está doente. E essa doença da moeda é, sem dúvida, o grande catalisador da insatisfação generalizada com o governo Dilma. 

Este artigo exibe 20 gráficos que mostram que, durante o governo Dilma, o real se tornou uma moeda assustadoramente instável e fraca, tendo se desvalorizado até mesmo perante as moedas do Haiti, do Paraguai e da Bolívia. 

Mas mensurar o real perante outras moedas igualmente fiduciárias ainda não conta toda a história. Para ver a verdadeira saúde da moeda é necessário compará-la ao ouro — mais especificamente, a evolução do preço do ouro nesta moeda.

O ouro sempre foi a constante historicamente usada para mensurar objetivamente a robustez de uma moeda. Se o preço do ouro está subindo, a moeda está enfraquecendo; se o preço do ouro está caindo, a moeda está se fortalecendo. 

No que mais, dado que o ouro é uma commodity que é literalmente transacionada diariamente e a todo o momento, o preço do ouro representa um indicador instantâneo que expõe, antes de todas as outras estatísticas posteriormente coletadas, os erros (e os acertos) da política monetária.

E como se comportou o real, desde sua criação, perante o ouro? O gráfico abaixo mostra o preço, em reais, de um grama de ouro desde 1º de julho de 1994 (ignore aquelas linhas verticais; é defeito do algoritmo do Banco Central):



O gráfico revela informações muito interessantes:

1) Quando nasceu, eram necessários R$ 10,50 para comprar 1 grama de ouro. Hoje, são necessários R$ 120. Isso significa que o real já se desvalorizou 91% desde sua criação.

2) Houve dois períodos em que o real foi relativamente estável perante o ouro: de julho de 1994 a dezembro de 1998, e de janeiro de 2004 a agosto de 2008. 

3) Esses dois períodos foram justamente aqueles em que o percentual de pobreza extrema mais caiu: 30% de 1993 a 1998, e 50% de 2003 a 2008.

4) Também foi durante estes dois períodos que a inflação de preços acumulada em 12 meses mais caiu: de 5.000% em junho de 1994 para 1,65% em dezembro de 1998, e de 17% em maio de 2003 para 3% em abril de 2007 (depois subindo para 6% em meados de 2008, em grande parte por causa da grande carestia mundial vivenciada pelos alimentos e pelo petróleo naquela época).

5) Já os dois períodos de maior descontrole foram os de 1999 a 2002, quando o preço do ouro quadruplicou e a pobreza extrema aumentou quase 10% (ver os dois links do item 2), e de meados de 2008 até hoje, em que o preço do ouro subiu 2,8 vezes. E, embora a pobreza extrema ainda tenha sido reduzida de 2008 até 2012, seu ritmo de queda foi bem mais lento (ver links do item 2). E, em 2013, a pobreza extrema voltou a subir.

6) Como era de se esperar, o investimento explodiu logo após a criação do real, chegando a 24% do PIB no segundo semestre de 1994, taxa até então insuperada. E se manteve em torno dos 20% até 1998. Depois, caiu 9% de 2000 a 2003. Já de 2003 a 2008, nova disparada, com um aumento de 25% (de 15,3% para 19,1% do PIB). A partir de 2008, no entanto, e como era de se esperar só de olhar o gráfico, o investimento estagnou.

7) Quando a moeda começa a se desvalorizar mais intensamente, ocorre aquilo que Mises chamou de "corrida para ativos reais": os investidores, em vez de aplicar seu capital em investimentos produtivos e criativos, passam a investir em ativos que oferecem proteção contra a desvalorização da moeda. Investimento em imóveis é a forma mais tradicional no Brasil. Não é de se surpreender, portanto, que a explosão nos preços dos imóveis no Brasil tenha ocorrido entre 2006 e 2012 (período em que o preço do ouro aumentou 3,5 vezes).

8) O atual momento de forte desvalorização do real, que gerou contração nos investimentos, sintetiza bem o descontentamento com o atual governo. O grama do ouro nunca esteve tão caro na história do real, e o ritmo da desvalorização só perde para o de janeiro de 1999. A população está perdendo seu poder de compra.

Não é à toa que a confiança do empresariado despencou forte e está no menor nível da série histórica:




9) No entanto, caso a atual desvalorização do real (veja a extremidade direita do gráfico 1) se mantenha, não descarte uma ressurreição na atividade imobiliária para fins puramente especulativos e de proteção de riqueza.

Vale repetir: quando a moeda se torna instável e se desvaloriza fortemente, o investimento deixa de ter fins produtivos e passa a se concentrar em atividades puramente especulativas, com o intuito de proteger a riqueza.

Nos Estados Unidos

Agora vejamos os Estados Unidos.

Lá, é possível perceber fenômenos idênticos. O gráfico a seguir mostra a evolução do preço de uma onça (31,1 gramas) de ouro em dólares:





Algumas breves constatações:

1) Até 1971, o dólar era ancorado ao ouro. Em agosto de 1971, o presidente Nixon aboliu essa âncora, e o dólar passou a flutuar.

2) Como mostra o gráfico, a década de 1970 foi a década perdida dos EUA, principalmente o período 1976-1980, com a famosa estagflação do governo de Jimmy Carter.

3) Imediatamente após a flutuação do dólar, ocorreram nada menos do que 3 recessões em apenas 8 anos (áreas cinzas).

4) No entanto, de 1983 a 2000, o preço do dólar se manteve relativamente estável em relação ao ouro. Naturalmente, esses foram os anos da pujança americana. Alto crescimento, fartos investimentos, baixa inflação de preços, padrão de vida inigualável, pujança tecnológica, domínio econômico global. A quantidade de pessoas empregadas em relação à população total alcançou um nível que não mais foi superado. Vale observar que grandes empresas tecnológicas como Microsoft, Intel e Apple, embora tivessem sido criadas em décadas anteriores, só realmente se expandiram forte na década de 1980, quando abriram seu capital. Adicionalmente, a Cisco foi criada na década de 1980, e a Google, em 1998. E não nos esqueçamos da incrível Amazon, fundada em 1994.

5) A partir de 2002, o dólar começa a se desvalorizar fortemente. A Guerra do Iraque, iniciada em março de 2003, acelerou ainda mais a desvalorização. Entre 2002 e 2008, o preço da onça de ouro pula de US$ 300 para quase US$ 1.000. E, como explicou Mises, isso gerou uma corrida para ativos reais, que culminou na bolha imobiliária. As pessoas pegavam empréstimos, compravam imóveis e revendiam a preços ainda maiores. É por isso que há quem diga que a bolha imobiliária americana nada mais foi do que uma inevitável reação das pessoas à desvalorização do dólar.

6) Embora o gráfico possa enganar, vale ressaltar que a desvalorização do dólar no período 2008 a 2012 foi percentualmente bem menor que a do período 2002—2008.

7) Caso a atual tendência de estabilidade do dólar se mantenha, a economia americana tem tudo para se recuperar em definitivo.

8) Observe que, de 2003 a meados de 2008, nossa moeda foi muito mais bem gerida que o dólar. Daí a grande popularidade de Lula (leia-se: Henrique Meirelles).

Um breve comentário sobre o salário mínimo no Brasil

Recentemente, a imprensa anunciou com estardalhaço que o poder de compra do salário mínimo em janeiro deste ano foi o maior desde 1965. Só que a fonte desse "estudo" é o próprio Banco Central, o mais interessado em propagandear notícias a seu favor. 

Utilizando uma metodologia completamente convoluta, a mesma instituição que está nos agraciando com um IPCA de quase 8% se autopromoveu desavergonhadamente e a mídia docilmente reportou sem contestar. Desnecessário dizer que, se tal notícia fosse realmente verídica, a aprovação do governo Dilma entre a população que ganha salário mínimo não seria a pior desde o final do governo Collor.

Portanto, façamos o que é certo: comparemos o salário mínimo à commodity que historicamente sempre foi utilizada para mensurar a robustez de uma moeda.

O gráfico a seguir mostra, em termos diários, quantos gramas de ouro o salário mínimo (veja aqui os valores) comprava



Veja como a história fica bem diferente.

1) O maior valor do salário mínimo foi alcançado em agosto de 1998. Naquela época, um salário mínimo comprava 12,38 gramas de ouro. Não é de se estranhar, portanto, que Fernando Henrique tenha sido o único presidente a se reeleger no primeiro turno.

2) O crescente valor do salário mínimo (estipulado pelo governo) de 1994 a 1998 explica por que o desemprego naquela época foi alto. Nada mais do que a velha teoria econômica em ação.

3) A abrupta queda no poder de compra do salário mínimo de 1999 a 2002 (terminou 2002 comprando apenas 5 gramas de ouro) destruiu a reputação de FHC entre os mais pobres.

4) De 2003 a meados de 2008, o poder de compra do salário mínimo dobrou. Mas, ainda assim, era equivalente ao valor do primeiro semestre de 1997, e bem abaixo do poder de compra alcançado em meados de 1998. No entanto, tamanha recuperação foi o suficiente para garantir a elevada popularidade de Lula.

5) Durante todo o governo Dilma, o poder de compra do salário mínimo tem sido um dos mais baixos da história do real. Isso ajuda a explicar o baixo desemprego (que, estatisticamente, é o mais baixo da história do real). De novo, nada mais do que a velha teoria econômica em ação.

Conclusão

O artigo foi iniciado falando sobre como nós estamos garantindo a boa, farta e barata mesa dos americanos, e à custa de nosso próprio estômago. A extremidade direita dos gráficos 1 e 2 explica a história. Não é que o dólar esteja se valorizando (ele está, é fato); o real é que está sendo impiedosamente destruído.

A desvalorização do real é um fenômeno que gera uma bonança para os consumidores estrangeiros e carestia para todos os consumidores nacionais. Nossa renda efetiva cai, nosso poder de compra cai, a confiança despenca, os investimentos desabam, a economia degringola, a pobreza aumenta. E nossos produtos, inclusive alimentos, são mandados para fora a um volume maior. 

É justamente por isso que é irônico ver economistas de esquerda defendendo desvalorização da moeda como forma de estimular o crescimento econômico. Além de não fazer nenhum sentido econômico (adulterar a unidade de conta da economia não gera crescimento; ao contrário, gera desinvestimento), é difícil imaginar uma medida mais anti-povo do que essa. 

A população foi às ruas protestar não só por causa da corrupção. Ela foi às ruas porque a moeda está sendo destruída a um ritmo que mais parece a aceleração de um Fórmula 1, e isso afeta diretamente a qualidade de vida, o bem-estar e robustez da economia. 

A conta de luz subiu 50%. O dólar está em R$ 3,25. O país está em recessão. O desemprego chegou. A tabela do imposto de renda não foi corrigida para compensar a perda do poder de compra da moeda. Encher o tanque ficou bem mais caro. A Petrobras não consegue publicar seu balanço há seis meses por conta de um esquema de corrupção que desviou, por baixo, R$ 88 bilhões de seus cofres. O BNDES empresta bilhões de reais para ditaduras e se nega a prestar contas desses empréstimos. O ex-presidente ameaçou colocar um exército paralelo nas ruas para coibir quem pensa diferente. O governo paga pessoas para se manifestarem a seu favor.

E, no entanto, se você reclama de algo, você só o faz porque é da "elite branca" que odeia pobres.

Chegamos a um ponto em que nem sequer podemos mais reclamar da destruição da nossa moeda e da perda do nosso poder de compra. Não mais podemos reclamar que o governo está, mais uma vez, desarranjando a economia e nossa qualidade de vida. Se você faz isso, você é rotulado de "elite branca". E por pessoas que juram que isso é um argumento.

Voltamos ao jardim de infância.

Aqui vai uma dica para Michel Temer: quer se tornar popular quando assumir o governo? Estabilize a moeda em relação ao ouro. As consequências são incríveis. Não é teoria. É empiria.



(*)Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

sábado, março 14, 2015

EUA podem endossar oficialmente tese de fraude eletrônica nas nossas eleições 2014.

















Em 29 de outubro de 2006 o poderoso matutino The New York Times denunciou que os EUA investigavam a presença das mãos do governo de Chávez num suposto golpe eletrônico em urnas, em vários países. O centro de tudo era a empresa venezuelana Smartmatic. Empresa essa que, aliás, também trabalhou no Brasil prestando seus serviços nas eleições presidenciais de 2014.

Nas eleições presidenciais de 2014 a empresa recebeu um contrato junto ao TSE no valor de R$ 136.180.633,71 (cento e trinta e seis milhões, cento e oitenta mil, seiscentos e trinta e três reais e setenta e um centavos)

Esse contrato foi revogado meses depois com sua publicação no Diário Oficial da União.

Sabem qual o problema de tudo isso, que muitos lerão como “mais uma teoria conspiratorial”? É que no próximo dia 21 de março a presença da Smartmartic no Brasil vai ser discutida nos EUA, no prestigioso The National Press Club. Falarão sobre o tema o ex-presidente colombiano Alvaro Uribe, Olavo de Carvalho, o irmão do ex-presidente Bush, Jeb Bush, e o sempre sério e respeitado senador Marco Rubio. Confira:

Ou seja: os EUA passam a endossar, justamente nestes tempos bicudos, a tese de que o Brasil pode ter sofrido um golpe eletrônico chavista.


Agora, os dois pontos polêmicos contra a Smartmatic:

1) O general venezuelano Carlos Julio Peñaloza que foi Comandante Geral do Exército da Venezuela e há alguns anos vive exilado em Miami, descreveu o controle dos resultados das eleições venezuelanas. Confira abaixo a tradução:

Cuba desenvolveu um Plano de Controle Eleitoral Revolucionário (PROCER) na Venezuela, que inclui a manipulação das máquinas de votar e cujo objetivo é estabelecer neste país um regime comunista sob uma fachada eleitoral democrática.

Em artigo anterior sobre a SMARTMATIC, afirmei que essa empresa, fundada por quatro inteligentes engenheiros venezuelanos recém-graduados, foi o cavalo de Tróia desenhado pelo G2 cubano para controlar as eleições venezuelanas. No presente escrito descreverei a forma como se formulou e desenvolve esse plano, cujo objetivo é perpetuar um governo comunista por trás de uma máscara democrática na Venezuela.

O que lerão na continuação não é ficção científica nem especulações, senão o produto de uma detalhada investigação sobre tão delicado tema. É parte de uma seqüência de artigos escritos na convicção de que quanto mais conheçamos a fraude eletrônica que se nos aplica, melhor poderemos combatê-la. O que não devemos fazer é ignorá-la ou, pior, negá-la. 


O “Plano de Controle Eleitoral Revolucionário” (PROCER), é a primeira aplicação cibernética do “Projeto Futuro” de Fidel Castro. Este mega-plano foi formulado como parte da estratégia a utilizar no cenário internacional que Castro chamou de “a batalha das idéias”. O objetivo é construir o que eles chamam a “Pátria Grande Socialista”, dirigida vitaliciamente por Fidel e seus sucessores mediante o controle das mentes nos países dominados. Isto aparece escrito em detalhes no meu livro “O império de Fidel”, que circulará nos próximos dias. O plano PROCER é só uma faceta de um plano mestre que vai além do meramente eleitoral.

O “Plano PROCER” foi desenvolvido no máximo segredo por um seleto grupo dos mais brilhantes professores e alunos da Universidade de Ciências Informáticas (UCI) de Cuba, em conjunção com o G2. Seu objetivo foi controlar o sistema eleitoral venezuelano desde Havana para potencializar o carisma e popularidade de Chávez. Na Venezuela seria fácil desenvolver o plano, dada sua arraigada cultura do voto. Este país conta, além disso, com recursos financeiros para custear o investimento e tem predisposição ao uso de tecnologias avançadas.

A “Universidade de Ciências Informáticas” (UCI) de Cuba, foi fundada em 2002 como um projeto favorito de Fidel desde que o chefe do G2, Ramiro Valdés, lhe vendeu a idéia. Este centro de estudos tem seu pedigree na inteligência militar cubana porque foi criado nas antigas instalações da “Base Lourdes”. Esta instalação secreta era a sofisticada estação de rádio-escuta e guerra eletrônica soviética criada para espionar e atacar ciberneticamente os Estados Unidos durante a Guerra Fria. A instalação foi inicialmente operada exclusivamente por brilhantes técnicos em comunicações e computação da URSS, mas depois do colapso soviético passou para mãos cubanas. Antes de se retirar, os soviéticos deram treinamento técnico aos novos operadores do G2 cubano. Na UCI forma-se o creme e a nata dos experts em telemática e espiões eletrônicos cubanos. A telemática é disciplina que se ocupa da integração dos sistemas informáticos de controle e comunicações em projetos cibernéticos aplicados a sistemas sócio-políticos como o “PROCER”.

A UCI serve de fonte de pessoal técnico e cobertura para a “Operação Futuro”, a mais apreciada jóia da coroa cubana. “Futuro” é o nome-chave do desígnio hegemônico de Fidel na Hispano-América. Para conseguir esse objetivo, a UCI dirigida pelo G2 cubano desenha e executa uma série de projetos telemáticos super secretos, que vão desde o controle de identidade até aplicações eleitorais e controle cibernético do governo e do Estado. Estes projetos estão enquadrados em um cenário estratégico que Fidel chama “a batalha das idéias”.

O plano “PROCER” para a Venezuela complementa a política de infiltração de agentes e guerrilheiros que Fidel manteve desde que chegou ao poder em 1959. Constitui o passo decisivo que permitirá aos irmãos Castro dominar a Venezuela. 


A arma cibernética tem como objetivo a penetração dos sistemas informáticos de alguns países vizinhos através de seus sistemas de comunicações. Esta estratégia permitiria obter informação classificada e eventualmente controlar os países escolhidos, em conjunção com os agentes cubanos infiltrados em seu seio e seus colaboradores. Depois do colapso soviético esta idéia permaneceu congelada por longo tempo por falta de recursos. A chegada de Chávez ao poder em 1999, permitiu a Fidel contar com financiamento adequado para desenvolvê-la. Naquela ocasião, o “PROCER” estava pronto.

2) A operação eleitoral levada a efeito pela Smartmatic na Venezuela, segundo o general, dispunha de uma “rede top secret”, uma espécie de intranet paralela que permitiria o controle da votação e encaminharia os dados da votação em tempo real para um data center provavelmente instalado em Cuba.

Este post alerta o leitor a algo bem simples: os EUA entraram de cabeça, agora, na tese de que nossas eleições foram fraudadas.

Diz algo, não?

quinta-feira, março 12, 2015

A importância de zombar do regime.











A importância de zombar do regime.
por Krzysztof Ostaszewski para o Mises.org




Uma das coisas que mais ameaça o estado é o humor e a risada. O estado presume que você deve respeitá-lo, que você deve levá-lo muito a sério. Thomas Hobbes dizia que era algo muito perigoso o fato de as pessoas rirem do governo, pois nada é mais eficaz do que o escárnio para desmoralizar os agentes do estado.

Na busca pela liberdade, o conhecimento econômico é de extrema importância, principalmente porque ele ajuda a fazer as pessoas decentes entenderem não apenas que o estado é desnecessário, como também — e ainda mais importante — é uma instituição ilegítima. 

Mas o conhecimento econômico, por si só, não basta. É necessário algo mais para abolir a legitimidade do estado. E é por isso que é importante ridicularizar o estado. É crucial desmascarar as autoridades políticas e mostrar os verdadeiros bufões que eles são. Só assim, por meio do escárnio, os cidadãos os levarão menos a sério.

Infelizmente, poucas pessoas dão o devido valor à zombaria. Mas ela foi e continua sendo crucial para a desmoralização de vários regimes tirânicos ao redor do mundo. Não fossem as piadas, as pessoas comuns não estariam realmente a par das humilhações e penúrias vivenciadas nos regimes socialistas e comunistas. Pense nas atuais escassezes de papel higiênico na Venezuela e de absorventes na Argentina, e todas as piadas que isso gera.

Por isso é de suma importância seguir sempre a seguinte regra: ria e zombe do governo o máximo possível. Ridicularize e escarneça os burocratas e as autoridades políticas. Sempre. Jamais os leve a sério.

O artigo a seguir, de estilo leve e humorístico, é uma homenagem a algumas grandes piadas anti-soviéticas que ajudaram a desmoralizar, perante o mundo, os burocratas que o comandavam, e também os ideólogos que os alimentavam.

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A União Soviética produziu o mais eficaz e bem-sucedida máquina de propaganda da história da humanidade. O nome dessa máquina era Mikhail Suslov.

Talvez sua maior obra tenha sido aquela tática que foi rotulada de "A Manobra Suslov": sempre que você estiver na iminência de ser acusado de algo — seja um simples ataque ideológico ou mesmo uma acusação de atrocidade —, imediatamente acuse seu opositor de ser exatamente ele o autor da atrocidade ou do fracasso ideológico.

Um dos mais divertidos exemplos da Manobra Suslov ocorreu imediatamente após a invasão russa do Afeganistão, em 1979. Após os protestos mundiais, os soviéticos emitiram um comunicado condenando a intervenção do Ocidente nos assuntos internos do Afeganistão.

Suslov dominava com tamanha perfeição a arte da propaganda, que os políticos ocidentais pareciam totalmente amadores quando incorriam em qualquer confronto ideológico com ele. O mais eficaz e desmoralizante contra-ataque a Suslov não foi feito por nenhum político ou ideólogo profissional, mas sim pelo cidadão comum, que criou piadas populares a respeito do comunismo.

Essas piadas transmitiam muito mais sabedoria e compreensão a respeito da real situação soviética do que todos os discursos feitos por todos os políticos, economistas e cientistas políticos ocidentais juntos. Os ecos do confronto ideológico entre o grande mestre, Suslov, e os amadores anônimos que criaram as piadas anti-soviéticas podem ser ouvidos até hoje.

Considere, por exemplo, a maneira como são tratadas as pessoas de classe média que têm uma postura anti-estado. No mais brando dos cenários, elas são acusadas de "ingratidão", pois atacam o mesmo governo que lhes propicia vários "benefícios", como estradas, saúde pública, universidades públicas, programas culturais "gratuitos" e previdência social. 

O que é interessante é que o termo ingrato — mais especificamente "infelizes ingratos" — soa muito familiar para qualquer um que tenha vivido sob o comunismo: esse era exatamente o termo que Suslov utilizava para descrever qualquer cidadão soviético que ousava expressar qualquer oposição ao regime soviético. Como podiam ser tão atrevidos? Afinal, eles tinham educação gratuita, saúde gratuita, e moradia subsidiada. Como podiam eles reclamar de um governo que cuidava deles de maneira tão abnegada? Só para constar, na URSS, havia algo pelo qual os indivíduos tinham de pagar: eles recebiam a conta da munição utilizada na execução de seus familiares. Mas isso, obviamente, não era mencionado por Suslov, embora fosse uma prática corriqueira.

Tornou-se popular a seguinte piada anti-soviética sobre os "infelizes ingratos". 

Um homem havia solicitado um visto para poder sair da União Soviética. Como seu pedido estava demorando muito para sair — vários anos, na verdade —, ele já havia praticamente desistido. E então, em uma madrugada, aproximadamente às 3:30 da manhã, ele ouviu várias batidas fortes na sua porta. Ele se levantou da cama, foi cambaleando de sono até a porta e perguntou, "Quem é?"

Uma voz respondeu: "É o carteiro". O homem imediatamente abriu a porta, cheio de esperança de que seu visto havia sido concedido. Qual não foi o seu susto ao ver vários homens uniformizados adentrarem violentamente sua casa. Eles logo lhe disseram que eram do KGB e que queriam ter uma palavrinha com ele.

O tema do interrogatório subsequente foi o de como ele era um infeliz ingrato: "A pátria mãe socialista deu a você um lugar para morar, cuidou de você, deu-lhe educação gratuita, saúde gratuita, e lhe foi tão boa. Como você pode ser tão ingrato?"

O homem hesitou por um momento, e então disse: "Bom... Eu estava querendo me mudar para um país onde a entrega de correspondências ocorresse ao final das manhãs, ou então à tarde."

Sim, é verdade que essa piada não está entre as três melhores sobre o comunismo, pois as três melhores abordam exatamente os três principais pesadelos da vida sob o comunismo: era um sistema economicamente ineficiente, era cruel (e totalmente entediante) e era letal.

A piada sobre a ineficiência econômica é mais bem conhecida entre os americanos, pois representa a perspectiva americana em relação à União Soviética. A história se passa na Moscou de 1987. Uma mulher pede que o marido vá a uma quitanda estatal para ver se ele consegue algum pão. O homem chega lá e se depara com uma longa fila; ele entra no final dela e começa a esperar pacientemente.

Para quebrar o tédio, ele puxa conversa com o homem imediatamente à sua frente. "A fila está grande hoje, hein?". "Sim", respondeu o outro. "Mas podia ser pior: ouvi dizer que nos EUA o governo nem pão dá!". "Ah, sim...". E continuou a esperar.

As horas foram se passando e a fila permanecia completamente imóvel. Isso o deixou perplexo. Sim, ele estava acostumado a longas e demoradas filas, mas elas ao menos se moviam. Após várias horas de espera, completamente imóvel, ele ficou exasperado, irritado e começou a gritar em alto e bom som para expressar seu descontentamento com o sistema soviético.

À medida que ele foi chamando a atenção de todos, três homens grandalhões trajando casacos cinzas se aproximaram dele e silenciosamente pediram que ele saísse da fila e os acompanhasse. Eles falaram que eram do KGB e que queriam ter uma palavrinha com ele. Após levarem o cidadão para um cômodo isolado, eles lhe disseram que sua manifestação anti-governo, feita de maneira estrepitosa e em público, era totalmente inaceitável. 

E então disseram: "Escute aqui, camarada, se isso ocorresse há uns cinco anos você seria imediatamente fuzilado ali mesmo. Agora, porém, como estamos em glasnost e perestroika, temos de fazer as coisas de maneira diferente. Mas você realmente deveria reconsiderar sua postura. Por que você não vai para a sua casa e pensa com mais cuidado sobre isso? Vá correndo e nunca mais faça isso de novo."

O homem, então, vai correndo para sua casa. Ao entrar no apartamento, sua mulher já vai logo dizendo: "Finalmente voltou, hein? Conseguiu o pão?" E o homem responde: "Mulher, esqueça o pão! Esse país está totalmente quebrado. Não, não há mais pão nenhum. Mas isso é o de menos. A coisa está tão feia, que eles nem sequer têm munição!"

Embora o sistema soviético fosse cruel e enfadonho, os longos discursos proferidos pelos membros do alto escalão do Politburo tinham lá seu aspecto divertido porque eram completamente insanos. A dúvida que assombrava a população era o que a mataria primeiro: a crueldade do regime ou a imbecilidade dos discursos. Havia uma piada sobre isso.

Na década de 1970, houve um encontro especial entre quatro líderes do mundo: o secretário-geral Leonid Brezhnev, o presidente francês Valéry Giscard d'Estaing, o presidente americano Jimmy Carter, e a Rainha Elizabeth, da Inglaterra. Eles almoçaram juntos e, após o almoço, sentaram-se para um chá.

Constrangedoramente, durante o chá, a Rainha flatulou de maneira relativamente estrondosa — e, como todos nós sabemos, a Rainha não flatula estrondosamente.

Imediatamente, o presidente Giscard d'Estaining elegantemente se levantou, assumiu a culpa e pediu desculpas em profusão pelo lamentável incidente, e explicou que ele havia comido muita sopa de cebola durante o almoço, e que isso afetava sua digestão.

O chá prosseguiu.




No entanto, apenas alguns minutos depois, a rainha disparou um novo foguete.

O presidente Jimmy Carter instantaneamente se levantou e se desculpou com grande sinceridade, explicando que ele sempre carregava consigo alguns amendoins, e que ele provavelmente não deveria tê-los comido.

Mas de nada adiantou. Três minutos depois, a rainha expeliu uma nova rajada. 

Dessa vez, ao ver que ninguém mais estava disposto a assumir a culpa, Brezhnev lentamente se levantou, olhou ao seu redor, levou a mão ao bolso do casaco, retirou um papel no qual estavam escritas algumas considerações, e as leu de maneira lenta e deliberada: "A responsabilidade por esse terceiro e consecutivo desarranjo intestinal de Elizabeth Windsor, conhecida por alguns como a Rainha da Inglaterra, é graciosamente assumida pelas massas operárias e trabalhadoras das cidades e vilarejos da União Soviética".

E o que dizer, por fim, de todos os cadáveres? Sim, havia uma piada sobre os homicídios. Ela envolvia o grande líder da revolução, a lenda, o gigante, o homem mais importante que já viveu: Vladimir Ilyich Lênin.

Antes de se tornar o grande líder do mundo, Lênin passou uma temporada na Polônia, em uma pequena cidade nas montanhas ao sul do país chamada Poronin. Enquanto estava em Poronin, Lênin alugou um quarto no andar superior de uma casa que pertencia a um comerciante local. 

Um belo dia, Lênin acordou e abriu a janela. O sol estava brilhando, os pássaros cantavam alegremente, e o ar estava agradavelmente fresco. Lênin sentiu a grande exuberância da vida e finalmente percebeu que seu grande plano para a humanidade tinha um belo futuro.

Após a contemplação, ele começou a fazer suas higienes matutinas e, mais uma vez, sentiu-se limpo e revigorado. Começou a se barbear enquanto olhava pela janela, admirando a magnificência daquele mundo que ele estava prestes a salvar, e pôs-se a pensar sobre novas ideias revolucionárias. 

Ele, no entanto, tinha de ser cuidadoso, pois essa ainda era uma época anterior aos barbeadores elétricos, e ele estava usando uma navalha tradicional e muito afiada.

Enquanto se barbeava cuidadosamente, um garoto de cinco anos, filho do dono da casa, repentinamente entrou em seu quarto, fazendo algazarra, correndo, gritando e fingindo ser um cowboy, atirando com o dedo indicador de sua mão. Lênin ficou estarrecido e irado, mas o garoto simplesmente continuou correndo dentro do seu quarto.

Lênin, então, colocou a navalha cuidadosamente sobre a pia e, com grande ira, gritou: "Pare com isso, seu menino maldito e idiota! Saia do meu quarto imediatamente, e cale a boca, senão vou lhe dar um chute no traseiro com tanta força, que você jamais irá conseguir andar novamente!"

O garoto ficou paralisado de medo, começou a chorar e saiu correndo. E todo o mundo ficou paralisado por um minuto, em choque e descrença.

Como era possível que esse grande e visionário líder da humanidade tenha agido de forma tão atípica, tão fora de sua característica tradicional? Gritar com uma criança e perder seu temperamento desta maneira? Por quê? Não havia necessidade disso. Ele poderia ter resolvido o problema ali mesmo, sem estardalhaço, sem gritaria e sem demonstrar suas emoções. Afinal, ele tinha uma navalha bem afiada em suas mãos.



Krzysztof Ostaszewski é nativo de Lodz, Polônia. É professor de matemática e diretor e do departamento de ciências atuarias na Universidade de Illinois.

terça-feira, março 10, 2015

Sobre o vídeo “óóun que fofo” da semana.







Sobre o vídeo “óóun que fofo” da semana.
por Alexandre Borges para o Mídia Sem Máscara






Se você não estava em Marte já viu o vídeo “óóun que fofo” da semana (logo abaixo, infelizmente), promovido pelo Ad Council, uma associação de publicitários criada em 1941 para a criação e divulgação de campanhas “sociais”.



O vídeo mostra a campanha “Love Has No Labels” (o amor não tem rótulos), criada por dois publicitários da agência R/GA de Nova York e patrocinada pela Coca-Cola, P&G, Allstate, StateFarm, Pepsico e Unilever. Nele, o público vê esqueletos se beijando e depois descobre que são, na visão dos criadores da campanha, vítimas de preconceito por cor, origem, religião ou orientação sexual. OK, pode falar “óóun que fofo” se quiser, todo mundo é a favor do amor, mas pense um pouco mais sobre esse vídeo.

Imagine Adolf Hitler e Heinrich Himmler batendo um papo animado sobre os resultados da “solução final” em 1943. Como seus esqueletos apareceriam na mesma situação? Mãos nos ombros e sorrisos largos, certo? Uma prova de amizade acima dos “rótulos”. E como ficariam os esqueletos dos psicopatas do ISIS enquanto planejam o próximo corte de cabeças? Os esqueletos deles são diferentes dos de vocês? Não, queridos, não estou comparando beijos com nazismo, o assunto é outro.

Como estariam os esqueletos de Josef Stálin e Lavrentiy Beria combinando o próximo extermínio de ucranianos? Ou de um chefe do tráfico num morro qualquer rindo do relato da última vítima mandada para ser queimada em pneus? Ou de Renato Duque e Paulo Roberto Costa combinando o percentual do próximo esquema de bilhões do Petrolão? Como seria a imagem dos esqueletos de Champinha e Pernambuco conversando sobre a tortura, estupro e morte de Liana Friedenbach?

Esqueletos são iguais, mas somos mais que esqueletos. Somos mais que nossa fisiologia, nossos instintos, mais que carne e osso. Somos o que pensamos, acreditamos, tememos, defendemos, atacamos, somos o que sabemos ou queremos saber, o que falamos e o que ouvimos, somos mais que corpo, somos também “espírito”, “alma” ou a nossa consciência, razão, intuição, emoções e escolhas, memórias, experiências, crenças e idéias.

Você verá que muito do discurso ideológico do mundo de hoje namora com a idéia da negação do pensamento, da civilização, do progresso e da razão, com uma volta romântica ao paleolítico e à nossa “natureza animal”. Desde o “bom selvagem” de Rousseau até os movimentos nudistas, passando pela arte que usa dejetos humanos nas pinturas ou músicos que dão shows emitindo grunhidos, da feminazis que usam roupas com a menstruação aparente ou atores que fazem surubas como se fossem performances, a valorização da fisiologia como definidora da existência e a negação do pensamento, do que distingue o homem dos outros animais, dá o tom.

Desde Marx, a idéia de que você é nada mais que um conjunto de preconceitos e representa apenas “interesses de classe” ganhou força e até hoje influencia o debate direta ou indiretamente. Como você seria incapaz de um “pensamento livre”, é preciso se despir do que te prende à sua classe e se entregar ao paraíso na Terra imaginado pelo marxismo, uma sociedade sem classes e sem preconceitos, “de cada qual, segundo sua capacidade e a cada qual, segundo suas necessidades”. A sociedade passaria a ser fisiológica, de corpos (esqueletos) que comem, transam e dormem, livres da responsabilidade de pensar, fazer escolhas, tomar decisões e separar “o joio do trigo”, o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto.

Para quem pensa assim, Shakespeare não é o maior dramaturgo de todos os tempos, é apenas “um homem branco representante das elites”. Ele, assim todos nós, seria incapaz de pensar livremente, ele apenas coloca em palavras o que sua classe e sua raça querem que ele coloque para explorar e oprimir. Nesse caso, a parte mais “valiosa” de Shakespeare é seu esqueleto, desprovido de idéias próprias, e a única que deveria ser valorizada.

Este vídeo, que tem por exemplo homossexuais se beijando em público, seria impossível em diversas partes do mundo em que pessoas com o mesmo esqueleto que os dos ocidentais considerariam o ato uma ofensa passível de chibatadas e morte. O que nos diferencia deles não é o esqueleto, o que permite que sejamos tolerantes é o nosso cérebro e não a tíbia ou a omoplata.

A construção de uma sociedade tolerante e livre, uma obra que levou séculos e que permite que existam Coca-Cola, P&G, Allstate, StateFarm, Pepsico e Unilever para patrocinar esse vídeo, é da lavra de pessoas com esqueletos iguais aos de Hitler, Marx, Stálin, Mao, Pol Pot ou Champinha, mas com idéias totalmente diferentes, e são essas idéias que precisam, mais do que nunca, ser defendidas.

Não lute apenas por seu esqueleto, lute pelas idéias que fizeram da sociedade ocidental o grande experimento da história da humanidade. São essas idéias que protegem você de virar apenas um esqueleto mais cedo do que gostaria.


Alexandre Borges é diretor do Instituto Liberal.

segunda-feira, março 09, 2015

FGTS, INSS e Aviso Prévio - um assalto ao trabalhador, disfarçado de direito.



FGTS, INSS e Aviso Prévio - um assalto ao trabalhador, disfarçado de direito.
por Renato Furtado para o mises.org.br


Todo político adora falar que defenderá "os direitos" dos trabalhadores custe o que custar, que jamais cederá, e que manterá os "benefícios conquistados".

A questão é: há realmente algum ganho para o trabalhador? Ou há apenas ônus?

Na prática, ao impor encargos sociais e trabalhistas — todos eles custeados pelo próprio trabalhador, como será mostrado mais abaixo —, o governo está dizendo que sabe administrar melhor o dinheiro do que o próprio trabalhador. 




Mais ainda: se o trabalhador é obrigado a pagar por seus "direitos", então ele não tem um direito, mas sim um dever.

Os tais "direitos trabalhistas" nada mais são do que deveres impostos pelo governo ao trabalhador. E, para arcar com esses deveres, a maior parte do salário do trabalhador é confiscada já na hora do pagamento.

Somente para bancar os benefícios básicos — férias, FGTS, INSS, encargos sobre aviso prévio — são confiscados R$ 927 mensais de um trabalhador que recebe em suas mãos salário mensal de R$ 1.200.

Um funcionário trabalhando em regime CLT, com um salário contratado de R$ 1.200, custará efetivamente ao seu empregador 80% a mais do que o seu salário. 

Confira a tabela abaixo:

tabela.png
Fonte: http://www.campesi.com.br/custofunc.htm





Ou seja, por causa dos encargos sociais e trabalhistas impostos pelo governo, o patrão tem um gasto de R$ 2.127 com o trabalhador, mas o trabalhador recebe apenas R$ 1.200. Toda a diferença vai para o governo (exceto o item férias, o qual, por sua vez, será disponibilizado apenas uma vez por ano, e que seria mais bem aproveitado pelo trabalhador caso tal quantia fosse aplicada).

E há quem acredite que isso configura uma "conquista trabalhista" e um "direito inalienável do trabalhador".

Mais ainda: esses não são os únicos custos para o patrão. Em primeiro lugar, os custos podem variar ainda mais conforme o sindicato de classe, o regime de apuração da empresa e o ramo de atividade. Há ocasiões em que os encargos sociais e trabalhistas podem chegar a quase 102% do salário. Adicionalmente, a empresa também tem de ter uma reserva para gastar em tribunais, pois sempre há funcionários saindo e acionando a empresa na Justiça do trabalho. Há também os custos de recrutamento de funcionários, os quais aumentaram muito em decorrência da política de seguro-desemprego e bolsa- família. E quem paga todos esses custos são os trabalhadores.

Eu mesmo, na condição de empresário, preferiria pagar R$ 2.200 por mês para um funcionário em um país sem encargos e leis trabalhistas do que R$ 1.200 no Brasil. Com esse salário mais alto eu teria, no mínimo, funcionários mais motivados. Mas, como não sou uma fábrica de dinheiro, não tenho condições de fazer isso.

Mas a espoliação do trabalhador é ainda pior do que parece. Veja, por exemplo, o que acontece com o FGTS. Essa quantia, que poderia ser incorporada ao salário do trabalhador, é desviada para o governo e só pode ser reavida em casos específicos (ou após a aposentadoria). 

Na prática, o governo "pega emprestado" esse dinheiro do trabalhador e lhe paga juros anuais de míseros 3%. Dado que a caderneta de poupança rende 7% ao ano, e a inflação de preços está em 7,2% ao ano, o trabalhador não apenas deixa de auferir rendimentos maiores, como ainda perde poder de compra real com a medida. 

E para onde vai o dinheiro do FGTS? Uma parte vai para subsidiar o BNDES e a outra vai para financiar a aquisição de imóveis — algo completamente sem sentido, pois a aplicação desse dinheiro na caderneta de poupança já permitiria ao trabalhar obter o dobro do rendimento e, com isso, ter mais dinheiro para comprar imóveis.

E vamos aqui dar de barato e desconsiderar as cada vez mais frequentes notícias de uso indevido desse dinheiro. (R$ 28 bilhões de reais do FGTS foram investidos pelo BNDES em várias empresas, mas não há nenhuma informação sobre quais empresas receberam o dinheiro, quanto receberam, e quais as condições de pagamento).

No caso do INSS, R$ 398,46 são confiscados mensalmente com a promessa de que o trabalhador irá receber saúde (SUS), seguro de vida e previdência. Não irei aqui comentar sobre a qualidade e a confiabilidade destes três. Irei apenas dizer que, caso o trabalhador tivesse a opção de ficar com este dinheiro, ele poderia recorrer ao mercado privado e voluntariamente contratar um plano de saúde, um seguro de vida e previdência por R$ 300 e ainda receber um serviço melhor do que o do SUS.

(E, se o governo eliminasse os impostos sobre esses setores, bem como abolisse toda a regulamentação, o valor poderia baixar para R$ 200, e o trabalhador poderia obter um serviço de maior qualidade.)

Por fim, o aviso prévio faz com que muitas empresas demitam os funcionários sem necessidade. Por exemplo, se uma empresa está passando por uma fase difícil e não tem certeza de que poderá manter o funcionário por mais de um mês, será mais racional demitir para não correr o risco de mantê-lo por mais tempo e, consequentemente, não poder honrar suas obrigações trabalhistas depois. 

O aviso prévio também trava as empresas, que podem se ver obrigadas a demitir um funcionário produtivo, mas que ainda está no período de experiência, e ao mesmo tempo manter um funcionário improdutivo, mas que já cumpriu o período de carência. Tudo isso só para não pagar o aviso prévio.

Esse custo da improdutividade será descontado de todos os funcionários.

E tudo isso para não mencionar os outros impostos que incidem sobre as empresas e que afetam sobremaneira sua capacidade de investir, de contratar e de aumentar salários. No Brasil, a alíquota máxima do IRPJ é de 15%, mas há uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa determinado valor. Adicionalmente, há também aCSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido), cuja alíquota pode chegar a 32%, o PIS, cuja alíquota chega a 1,65% e a COFINS, cuja alíquota chega a 7,6%. PIS e COFINS incidem sobre a receita bruta. Há também o ICMS, que varia de estado para estado, mas cuja média nacional beira os 20%, e o ISS municipal. Não tente fazer a conta, pois você irá se apavorar.

O custo de todo esse sistema para o trabalhador é muito maior do que as eventuais vantagens que ele possa oferecer (se é que há alguma). 

Dado o atual arranjo, seria muito mais proveitoso tanto para o trabalhador quanto para as empresas dobrar o salário-mínimo e eliminar os encargos sociais e trabalhistas. Haveria mais dinheiro nas mãos de cada trabalhador, haveria uma mão-de-obra mais motivada, e ainda atrairíamos muito mais empresas para o país, o que naturalmente forçaria ainda mais o aumento natural dos salários. Isso, por si só, tornaria obsoleta a lei do salário-mínimo, levando à sua extinção.

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Leandro Roque contribuiu para este artigo.



Renato Furtado é cristão, empresário do setor madeireiro, e líder do Movimento Revolucione-SE.