quarta-feira, novembro 26, 2014

A Fantástica Fabrica de Notícias.








por Alexandre Borges(*) para o Mídia Sem Máscara.





O Fantástico, pela segunda semana seguida, faz um carnaval sobre um “escândalo” de corrupção numa cidade de 11 mil habitantes no interior do Paraná. Onze mil habitantes! Ou seja, a cidade inteira não encheria metade do Pacaembú. As Organizações Globo, por exemplo, têm 25 mil funcionários, ou mais do que o dobro da população de São Jerônimo da Serra.

Depois de dar ares de escândalo nacional para corrupção numa cidade com menos moradores que um condomínio de cidade grande, o Fantástico conseguiu o afastamento do prefeito Adir Leite. Ganha uma coxinha opressora quem adivinhar qual é o partido dele.

Como não poderia deixar de ser, a produção descobriu que Adir Leite (PSDB) comprava o apoio dos vereadores da cidade com combustível para os carros deles. O que é o Mensalão e o Petrolão perto de um prefeito do interior que enche o tanque do fusca de um vereador em troca de voto? Vinte mil pessoas na Avenida Paulista protestando contra Dilma? Deixa pra lá. Corrupção de um prefeito tucano numa cidade com 11 mil habitantes? Escândalo!

É óbvio que todo corrupto deve ser processado e pagar por seus crimes, ninguém está acima da lei e é claro que a população de São Jerônimo da Serra merece ter seu dinheiro de volta. Para quem é jeronimense não há nada mais importante do que isso, mas e para quem não é? O Brasil tem 5.570 municípios, o Fantástico vai investigar todos e descobrir todo vereador que teve o tanque do carro completado pelo prefeito? Ou quem ganhou um saco de bala Juquinha?

Um dos trabalhos mais sérios já feitos sobre o viés ideológico na imprensa foi feito pelo professor da UCLA e PhD Tim Groseclose, que também lecionou em Harvard e Stanford, mas não espere que qualquer professor de jornalismo do Bananão indique a leitura. Seu livro “Left Turn: How Liberal Media Bias Distorts the American Mind” mostra, a partir de uma metodologia científica de análise dos principais veículos americanos, como o noticiário pode ser manipulado para doutrinar politicamente os leitores, com consequências diretas nas eleições.

Segundo o autor, a maneira mais comum que os jornalistas encontram para fabricar notícias é selecionar, na edição, o que é notícia e o que não é. Depois, é só escolher como fonte das matérias especialistas e organizações alinhadas ideologicamente com os jornalistas para que dêem o foco que pretendem dar para a matéria. Tenho certeza de que qualquer um de vocês vê isso acontecer todos os dias, como nessa matéria do Fantástico, não é preciso ser um expert. E é por isso que a pluralidade de fontes de informação é tão importante.

O Brasil precisa desesperadamente de alternativas para se informar. Se só a VEJA, uma única revista, já é suficiente para fazer um terremoto por semana, imagine um único canal de TV não alinhado com o governo. Até lá, esqueça o Petrolão e vamos falar de São Jerônimo da Serra.


“Prefeito é afastado por desvio de dinheiro após matéria do Fantástico” - http://glo.bo/1yLevHF

“Left Turn: How Liberal Media Bias Distorts the American Mind” - http://amzn.to/1pevp1m



Publicado na Reaçonaria.

Alexandre Borges é diretor do Instituto Liberal.


sexta-feira, novembro 21, 2014

Quem foi Che Guevara?.













Quem foi Che Guevara?.
por ION MIHAI PACEPA



A melhor foto do Assassino Che Guevara



Hollywood se despede de 2009 com uma fraude monumental: o épico Che, de Steven Soderbergh, com quatro horas de duração, em Castelhano, transformando um assassino marxista sádico num, de acordo com o New York Times, “genuíno revolucionário durante as estações do seu martírio”. [1] A palavra “estações” faz referência a Cristo nas Estações do Calvário – a Via Crucis. O protagonista do filme, Benicio del Toro, realmente comparou “o herói revolucionário cubano Ernesto Che Guevara” a Jesus Cristo. [2]

O Che de Soderbergh é uma ficção criada pela comunidade KGB, da qual fez parte o serviço de espionagem romeno ao qual pertenci – o DIE – numa época que me coloca diretamente na trama. O Che real foi um assassino que comandou pelotões de fuzilamento comunistas e fundou o terrível gulag cubano. Foi também um covarde que obrigou os outros a lutar até a morte pela causa comunista e que mandou para o patíbulo centenas de pessoas que se recusaram a fazê-lo, mas que se rendeu sem luta ao exército boliviano embora estivesse armado até os dentes. “Não me matem” implorou Che aos seus captores. “Valho mais vivo do que morto”. [3] O filme de Soderbergh omite este episódio – o qual demoliria o seu Che.



Eu poderia escrever um livro sobre como o terrorista Che foi transformado num ídolo esquerdista inspirador – como um belo príncipe emergindo lindamente de uma repulsiva lagarta – e pode ser que o faça algum dia. Por enquanto, aqui vai um resumo de como a KGB criou o seu Che de ficção.

Na década de 1960, a popularidade do bloco soviético estava em baixa. A brutal repressão soviética ao levante húngaro de 1956 e o seu papel na crise dos mísseis cubanos de 1962 enojaram o mundo, e cada um dos ditadores dos países satélites soviéticos tentou se safar como pôde. Khrushchev substituiu a “imutável” teoria marxista-leninista da revolução proletária mundial pela política de coexistência pacífica e fingiu ser um defensor da paz. Dubcek apostou num “socialismo com face humana” e Gomulka no lema “deixe a Polônia ser a Polônia”. Ceausescu proclamou a sua “independência” de Moscou e se retratou como um “dissidente” dentre os líderes comunistas.

Os irmãos Castro, que temiam qualquer tipo de liberalização, decidiram apenas maquiar, com uma romântica fachada revolucionária, o seu comunismo desastroso que estava matando o país de fome. Escolheram Che como garoto propaganda, já que ele havia sido executado na Bolívia – na época um aliado dos EUA – e assim podia ser retratado como um mártir do imperialismo americano.

A “Operação Che” foi lançada mundialmente pelo livro “Revolution in the Revolution” – uma cartilha para insurreição guerrilheira comunista escrito pelo terrorista francês Régis Debray – que elevou Che aos altares. Debray dedicou a sua vida a exportar a revolução estilo cubano por toda a América Latina; em 1967, entretanto, uma unidade das forças especiais bolivianas treinada pelos EUA o capturou, juntamente com todo o bando guerrilheiro de Che.

Che foi sentenciado à morte e executado por terrorismo e assassinato em massa. Debray foi sentenciado a 30 anos de prisão mas foi libertado depois de três anos devido à intervenção do filósofo francês Jean Paul Sartre, um comunista romanticamente envolvido com a KGB, que também era o ideólogo do bando terrorista Baader-Meinhof. Sartre aclamou Che Guevara como “o ser humano mais completo do nosso tempo”. [4] Em 1972, Debray retornou à França, onde trabalhou como conselheiro para a América Latina do presidente François Mitterrand, e dedicou o resto da vida a disseminar o ódio contra os Estados Unidos.

Em 1970, os irmãos Castro elevaram a santificação de Che a um novo patamar. Alberto Korda, oficial da inteligência cubana trabalhando secretamente como fotógrafo para o jornal cubano Revolución, produziu uma foto romantizada de Che. Aquele Che agora famoso, com longos cabelos ondulados e usando uma boina com estrela, olhando diretamente nos olhos de quem o vê, é o logo de propaganda do filme de Soderbergh.

É de se notar que esta foto de Che foi apresentada ao mundo por um agente da KGB trabalhando secretamente como escritor – I. Lavretsky –, num livro intitulado “Ernesto Che Guevara”, editado pela KGB. [5] A KGB chamou a foto de “Guerrillero Heroico” e a espalhou por toda a América do Sul – área de influência de Cuba. O editor milionário italiano Giangiacomo Feltrinelli, outro comunista romanticamente envolvido com a KGB, inundou o resto do mundo com a imagem de Che impressa em cartazes e camisetas. O próprio Feltrinelli virou terrorista e foi morto em 1972 enquanto plantava uma bomba nos arredores de Milão.

Ouvi o nome de Che pela primeira vez em 1959, da boca do general Aleksandr Sakharovsky, antigo chefe da inteligência soviética e conselheiro para a Romênia, que mais tarde dirigiu a “revolução” dos Castro e foi recompensado com a promoção a chefe da toda-poderosa organização de inteligência estrangeira soviética, posição que manteve por quinze anos. Ele chegou a Bucareste com o seu chefe, Nikita Khrushchev, para conferências sobre Berlim Oriental e sobre a “nossa Gayane cubana”. Gayane era o codinome geral para a operação de sovietização da Europa Oriental.

Na época, a burocracia soviética acreditava que Fidel Castro era apenas mais um aventureiro, e relutava em apoiá-lo. Mas Sakharovsky havia ficado impressionado com a devoção ao comunismo do irmão de Fidel, Raul, e do seu tenente, Ernesto Guevara, e fez deles os principais protagonistas da “nossa Gayane cubana”. Os dois foram levados a Moscou para serem doutrinados e treinados, e ganharam um conselheiro da KGB.

De volta a Sierra Maestra, Che provou ser um verdadeiro assassino sangue frio nos moldes da KGB – responsável pela morte de mais de 20 milhões de pessoas apenas na União Soviética. “Meti uma bala de calibre 32 no lado direito do seu cérebro, que vazou por toda a têmpora” escreveu Che no seu diário, descrevendo a execução de Eutimio Guerra, um “traidor da Revolução”, a quem matou em fevereiro de 1957. [6] Guerra era a sétima pessoa a quem Che matara. “Para enviar homens para o pelotão de fuzilamento não é preciso provas judiciais”, explicou. “Estes procedimentos são detalhes burgueses obsoletos. Isso aqui é uma revolução! E uma revolução deve se tornar uma fria máquina de matar movida por puro ódio.” [7]

No dia 1° de janeiro de 1959, a “Gayane cubana” venceu, e a KGB encarregou Che de limpar Cuba dos “anti-revolucionários”. Milhares de pessoas foram enviadas para “el paredón”. Javier Arzuaga, capelão da prisão Al Cabaña no início de 1959, escreveu em seu livro “Cuba 1959: La Galeria de la Muerte” ter testemunhado “o criminoso Che” ordenando a execução de cerca de duzentos cubanos inocentes. “Argumentei diversas vezes com Che a favor dos prisioneiros. Lembro-me especialmente de Ariel Lima, um garoto de apenas 16 anos. Che estava obstinado. Fiquei tão traumatizado que em maio de 1959 recebi ordens para deixar a paróquia Casa Blanca, onde ficava La Cabaña … Fui para o México receber tratamento.” [8]

De acordo com Arzuaga, as últimas palavras de Che para ele foram: “Quando tirarmos nossas máscaras, seremos inimigos”. [9] É hora de tirar a sorridente máscara de Che e revelar a sua verdadeira face. O Memorial Cubano no Parque Tamiami, em Miami, contém centenas de cruzes, cada uma com o nome de uma pessoa identificada, vítima do terror comunista de Raul e Che. [10]

Também é tempo de interromper a mentira de trinta anos, reforçada pelo filme de Soderbergh, de que os irmãos Castro e o seu carrasco Che eram nacionalistas independentes. Em 1972, eu estava presente a um discurso de seis horas no qual Fidel pregou a mesma mentira. No dia seguinte, fui a uma pescaria com Raul. Havia outro convidado no barco, um soviético que se apresentou como Nikolay Sergeyevich. O meu colega cubano, Sergio del Valle, sussurrou no meu ouvido “Aquele é o coronel Leonov”. Anteriormente, ele já havia explicado para mim que Leonov era conselheiro da KGB para Raul e Che nas décadas de 1950 e 1960. Lá, naquele barco, para mim ficou claro como nunca que a KGB estava nas rédas da carruagem revolucionária dos Castro. Dez anos mais tarde, Nikolay Leonov foi recompensado por seu trabalho de manipulação de Raul e Che com a promoção a general e representante chefe de toda a KGB.

Na década de 1970, a KGB era um estado dentro do estado. Hoje, a KGB, renomeada de FSB, é o estado na Rússia, e o Che de Soderbergh é o maná dos céus para os representanes dela na América Latina. Meses atrás, duas marionetes do Kremlin – Hugo Chávez e Evo Morales – expulsaram, no mesmo dia, os embaixadores americanos de seus países. Milhares de pessoas carregando o retrato do Che de Soderbergh tomaram as ruas pedindo a proteção militar russa. Navios de guerra russos estão de volta a Cuba – e, mais recentemente, chegaram à Venezuela – pela primeira vez desde a crise dos mísseis cubanos.

“A fraude trabalha como cocaína” costumava dizer para mim Yury Andropov, o pai da contemporânea era russa da fraude, quando ele era chefe da KGB. Em seguida, explicava: “Se você cheirar uma ou duas vezes, não mudará a sua vida. Mas, se você usá-la dia após dia, ela fará de você um viciado, um homem diferente”. Mao tinha a sua própria frase: “Uma mentira repetida centenas de vezes vira verdade”. O filme de Soderbergh sobre Che prova que ambos estavam certos.

Notas:
[1] A. O. Scott, “Saluting the Rebel Underneath the T-Shirt,” The New York Times, December 12, 2008.
[2] Guillermo I. Martínez, “Guevara biopic belies his ruthlessness,” The Sun Sentinel, January 1, 2009, p. 13A.
[3] Idem.
[4] Idem.
[5] I. Lavretsky, “Ernesto Che Guevara, “Progress Publishers, 1976, ASIN B000B9V7AW, p. 5. Initially published in Russian in 1973.
[6] Matthew Campbell, “Behind Che Guevara mask, the cold executioner,”The Sunday Times, September 16, 2007.
[7] Mark Goldblath, “Revenge of Che: no amount of Hollywood puferry will change the fact that commies aen’t cool,” The Wall Street Journal, December 19, 2008.
[8] “The Infamous Firing Squads,” p. 1, as published in http://therealcuba.com/page5.htm.
[9] Idem.
[10] Ibidem.


O general Ion Mihai Pacepa é o oficial soviético de mais alta patente que recebeu asilo político nos Estados Unidos. No Natal de 1989, Ceausescu e a sua esposa foram executados após um julgamento no qual as acusações eram, quase palavra por palavra, extraídas do seu livro “Red Horizons”, subsequentemente traduzido para 27 idiomas.

Publicado no FrontPageMagazine.com em 23 de janeiro de 2009.

Tradução: Ricardo Hashimoto, editor do blog Letters To Hungary.

domingo, novembro 16, 2014

As escolas católicas e a perenização das lendas negras antieclesiais.





Por Paulo Vasconcelos Jacobina








Na semana passada, meu filho adolescente me abordou com o texto de sua prova simulada nas mãos. Ele estuda numa escola católica, ressalte-se, o que não necessariamente torna mais fácil a luta para que ele não perca a fé diante da forma com que as disciplinas de história, literatura e ciências são muitas vezes apresentadas pelos professores. Mas as questões que narro a seguir teriam o mesmo viés, ainda que a escola não fosse católica.

No caso concreto, ele me interpelava com uma questão de história, que tinha exatamente o seguinte conteúdo:

“Enquanto as civilizações sarracena e bizantina desenvolveram amplos estudos de física, matemática, astronomia e medicina, as ciências, na sociedade europeia, não avançaram muito, devido à repressão da Igreja Católica a qualquer estudo que colocasse em risco a sua doutrina religiosa.”

Devido às conversas que temos em casa sobre questões históricas relacionadas à Igreja, ele respondeu na prova que a afirmativa estava errada. Lembrou-se de como eu lhe comentava sobre a verdade do incidente com Galileo Galilei, ou de como eu lhe mencionara o excelente livro “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, de Thomas Woods, ou mesmo a importância da reta razão na compreensão da fé, como ressaltado já por sábios como São Justino, do século II, pelos Padres Alexandrinos do século II e III, por homens como Santo Agostinho (século IV), Boécio (século V), Alcuíno (séc. VIII), Abelardo (séc. XII), Santo Anselmo Séc. XIII), para não mencionar Erasmo e Thomas Hume (séc. XVI), todos numa impressionante defesa da razão humana, reiterada em diversos concílios como o IV de Latrão (1215) e os Concílios Vaticano I (1870) e Vaticano II (1965), além da encíclica “Fides et Ratio”, de João Paulo II, a cujo respeito eu também eventualmente comentava com ele.

É uma impressionante cadeia de homens sábios e documentos em defesa da razão e da ciência produzidos numa única instituição, a Igreja Católica. Não se sabe de outra instituição com uma história assim. Mas, uma vez divulgado o gabarito pela escola, para sua surpresa (e a minha) a resposta correta, para a escola, é que a afirmativa estava certa. O que fez com que meu filho me questionasse com uma certa agressividade na voz, e não sem um certo ar de decepção com a confiabilidade da formação que eu lhe dava.

Resolvi entrar em contato com a direção da escola, por e-mail, e o fiz assim:

“Prezado diretor,

Sou pai de um aluno do ensino médio, e fiquei com uma dúvida grave sobre o simulado aplicado por vocês. Ele me mostrou a prova, e a questão 64 é manifestamente falsa. Mas pelo gabarito publicado, ela estaria verdadeira para a escola.

A questão afirma que a Igreja Católica manteve o ocidente na ignorância científica, repelindo as pesquisas e os avanços científicos, com medo de que o avanço da ciência ameaçasse a fé, que entretanto eram alcançados por sarracenos (muçulmanos) e bizantinos. Isto é manifestamente falso: basta olhar um noticiário de TV para perceber qual das duas esferas do mundo desenvolveu a tecnologia, se o ocidente católico ou o oriente bizantino e muçulmano.

Não é à toa que o renascimento Carolíngeo deu-se já no século IX no ocidente, mesmo sob a crise das invasões bárbaras, e já no século XII o sistema europeu de universidades estava firmemente estabelecido pela Igreja Católica, sem similar no mundo. Enquanto muçulmanos degolavam seus desafetos e bizantinos mantinham seu império sob um tacão de autoritarismo político.

Também não é à toa que o ocidente deu ao mundo, no século XIII, um Santo Alberto Magno, doutor em ciências, e que os monges inventaram os arreios de cavalo eficazes que renovaram a face da Europa durante a baixa idade média. Não é à toa que Galileo Galilei somente pode ter escrito o que escreveu porque era um professor de universidades católicas no século XVI, e que baseou seu estudo nas teorias de Copérnico, que era um padre católico. Há uma série de imbecilidades escritas sobre Galileo, inclusive a de que ele teria sido queimado na fogueira, e repetidas por professores de história de formação antirreligiosa por aí. É uma lenda negra. Galileo morreu de velho, em seu leito, cercado por suas cinco ou seis filhas freiras, confessou-se, recebeu a comunhão e a unção dos enfermos está enterrado numa igreja católica.

Note-se que a cientista Marie Curie era uma devota católica, e que seu trabalho repercutiu no Brasil com o padre Roberto Landell de Moura, que foi a primeira pessoa no mundo a transmitir voz por rádio, em 1903, e que seu professor marxista de história não deve conhecer, é claro, apesar das inúmeras patentes que este padre tem no Brasil e nos EUA.

Mesmo a Wikipedia, que muitas vezes não é confiável em suas informações, faz um interessante reconhecimento da importância da Igreja no fomento da razão através da história:

"Muitos clérigos da Igreja Católica ao longo da história fizeram contribuições significativas para a ciência. Dentre esses clérigos-cientistas estão nomes ilustres tais como Nicolau Copérnico, Gregor Mendel, Alberto Magno, Roger Bacon, Pierre Gassendi, Ruđer Bošković, Marin Mersenne, Francesco Maria Grimaldi, Nicole Oresme, Jean Buridan, Robert Grosseteste, Christopher Clavius, Nicolas Steno, Athanasius Kircher, Giovanni Battista Riccioli, William de Ockham, e muitos outros. Centenas de outros nomes têm feito contribuições importantes para a ciência desde a Idade Média até os dias atuais.

Na verdade, pode-se perguntar por que a ciência se desenvolveu em um ambiente majoritariamente católico. Esta questão é considerada pelo padre Stanley Jaki em seu livro “The Savior of Science”. Jaki mostra que a tradição cristã identifica Deus como racional e ordenado. Ele identifica os escolásticos da Alta Idade Média pela sua despersonalização da natureza.” (Aqui a Lista de clérigos - Cientistas Católicos)

O artigo da Wikipedia, que é um tanto longo, não deixa de ressaltar a importância dos jesuítas para a ciência moderna, e inclusive o fato de que nada menos do que trinta e cinco crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas. Isto parece deixar bem claro qual é a posição institucional da Igreja sobre a ciência, bem diferente daquela maldosamente exposta na referida afirmação da prova. É muito fácil para um jovem adolescente perder a fé – de fato, muitas vezes ocorre sem motivo; certamente fica muito mais fácil quando há uma colaboração externa deste tipo.

Gostaria de esclarecer esta dúvida, inclusive tendo acesso à fonte da qual o professor que elaborou a questão retirou a informação, que, das coisas que conheço, é manifestamente falsa e agressiva à fé católica - à qual a escola alega pertencer.

Mas não se trata de questão de fé, trata-se da necessidade de expor um erro acadêmico grave, que não consigo acreditar ter sido intencional. Não vejo nenhum problema em que se exponha publicamente os erros que historicamente os filhos da Igreja Católica cometeram, mas acho que, no ambiente acadêmico, existe o direito de saber o fundamento de uma afirmação tão grave, tão contrária à boa evidência histórica, e que parece apenas ser a repetição leviana, em meio acadêmico, de uma hostilidade propagada em meios anticlericais para minar a confiança na Igreja.”

A escola deu-me um retorno burocrático, através de uma assessora, que prometeu rever o assunto com a professora, mas ainda não fez nenhuma crítica sobre estas afirmações. Não posso evitar a sensação de ser minoria, mesmo dentro de uma escola católica. Mas é hora de não ter constrangimentos em lutar pela verdade, mormente quando a mentira propagada constitui, ademais, uma ataque à fé.

sábado, novembro 15, 2014









Ensino para a (de)formação das crianças brasileiras – “Ai daquele que escandalizar!”.

Pe. David Francisquini(*)



Mateus 18:6 Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.




A natureza humana foi dotada por Deus de qualidades, aptidões e apetências ordenadas e tendentes a um fim supremo, absoluto e eterno.

Tomemos uma criança. Ela nasce constituída de corpo e alma, com ideias, desejos e sensibilidade. Que formação ela deve receber para a educação de seu caráter e de sua personalidade?

Apesar de o Batismo apagar a nódoa do pecado original, não elimina contudo as más tendências com que toda criança nasce, tendências estas que a acompanharão até o seu último suspiro: “Militia est vita hominis super terram”, isto é, a vida do homem sobre a terra é uma luta (Jó, 7, 1).

De onde a necessidade imprescindível de toda criança ser educada sobretudo pelos pais, dever ao qual eles nunca deveriam furtar-se.

Analisando-se uma criança, vê-se que sua principal tendência está voltada para Deus, que ao criá-la dotou-a com o senso do “ser”. Este senso a faz sentir confusamente que, embora única, ela não se encontra sozinha no universo, onde existem outros seres que lhe são semelhantes, a começar pelos pais.

Portanto, se ela e todas as coisas existem, haverá um ente dotado de perfeições infinitas – Deus – que é a razão de sua existência e de cuja glória participam todos os seres criados.

Mesmo sem fazer essas considerações, a criança possui uma ideia de Deus, porque todo ser tem unidade, bondade, beleza e verdade.

Se Deus criou assim os homens, o que fazem os inimigos de Deus – o demônio e seus sequazes – para truncar os planos divinos? Procurarão circundá-los de contradições, incertezas, instabilidades, egoísmos, ideias de fruição. E na criança, sem jogo de palavras, tentarão trincar o cristal límpido da inocência primaveril por meio do qual ela contempla e ama a Deus nas coisas boas, verdadeiras e belas.

Procurarão ainda colocar no seu próprio ser, no íntimo que a governa, a fim de impedi-la de atingir o fim para o qual foi criada, a aflição, a torcida, os caprichos, as intemperanças, enfim a desordem. Para quê? Para que ela renegue a sabedoria divina fechando sua alma à contemplação; para que não possa admirar, por exemplo, a beleza de uma planta, de um pássaro, de um rio cristalino, de um magnífico pôr do sol, e de relacionar tudo isso com a outra vida que é eterna.

A criança quando chora é porque sente falta de algo; quando ri é porque está feliz, seja pela presença da mãe, seja pelo carinho do pai ou pela aproximação de seus irmãozinhos. Assim ela se desenvolve em todo o seu processo humano, tal como se observa numa semente que desabrocha, cresce, produz flores e frutos. Essa maturação se dá no sadio, reto e virtuoso processo humano de uma criança.

Mas ai daquele que a escandalizar! “Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse nas profundezas do mar”.

O que me motiva a escrever estas linhas é minha indignação diante da escandalosa quantidade de livrinhos da rede pública de ensino para a (de)formação das crianças brasileiras, desde o maternal, passando pelo jardim de infância e continuando mais além, estimulando-as à fruição de sensações, de experiências desconhecidas do mundo infantil, numa palavra, habituando-as desde a mais tenra idade ao mundo da prostituição, ao mundo todo posto no pecado, conforme ensinou Nosso Senhor.


– Seria este um conúbio espúrio do demônio com o governo do PT com vistas a implodir a família enquanto instituição, não permitindo que os pais eduquem seus filhos no caminho do bem, do verdadeiro e do belo, mas, pelo contrário, obrigando-os a percorrer um caminho inverso ao desejado pelo Divino Salvador quando disse “deixai vir a Mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus”?

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(*)Pe. David Francisquini é sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria — Cardoso Moreira (RJ).

sexta-feira, novembro 14, 2014











por Percival Puggina



Raras vezes se ouviu semelhantes confissões. Confessaram em dueto, Lula e Dilma. "Eles não sabem o que somos capazes de fazer!" proclamou ele, enfático. "Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição!" admitiu ela, faceira.

E assim foi. Nunca se viu tanta baixaria. Nunca a verdade foi tão chicoteada pela mentira. Nunca se disse tanta estupidez, porque a estupidez, de algum modo, renderia votos. Desde as eleições que sucederam o Plano Cruzado, em 1986, não se praticava no Brasil um estelionato eleitoral de tais proporções. Todas as providências, todas as urgentes providências demandadas pela péssima situação econômica e pelas deficitárias contas públicas agravaram-se por terem sido postergadas para depois das eleições. Ainda se discutem as urnas e já os preços administrados pelo governo começam a subir. A realidade nacional não podia chegar ao conhecimento do povo. Menos ainda na hora de o povo deliberar sobre quem estava mais capacitado para enfrentar a realidade.



Em todo o país, os militantes e agentes petistas exploravam a ignorância alheia advertindo que se Dilma não vencesse a eleição o Bolsa Família deixaria de existir. E isso era repetido milhões de vezes, com a face lenhosa de quem mantém acirrada inimizade com os fatos. Aécio Neves já havia apresentado e aprovado na CCJ do Senado projeto de lei que torna o Bolsa Família programa de Estado. Algo que o PT não fez, exatamente para não prejudicar sua chantagem política contra os miseráveis do país.

Numa eleição acirrada, apenas esse diabo solto já seria suficiente para alterar o resultado do pleito. Mas houve muito mais! Qualquer prefeita, candidata a reeleição, que fizesse dez por cento do que foi feito na campanha de Dilma teria seu nome retirado das urnas por decisão da Justiça Eleitoral. Imagine uma prefeita cujos garis fossem incumbidos de entregar seus "santinhos" de porta em porta! Imaginem o que faria a Justiça contra uma prefeita, lá do interior, cujos CCs se pusessem ao telefone ameaçando os moradores de determinado bairro de que as obras em execução seriam suspensas se a chefe não fosse reeleita!

Já não falo nas muitas mentiras e acusações vis que arrastaram para esta campanha o qualificativo de "a mais suja da história da República". Estas, as mentiras, revelam o fundo da alma de quem as propaga. Atenho-me, antes, ao que todos viram, assistiram e souberam. Numa eleição em que a diferença de votos ficou em dois pontos percentuais, bastaria que um desses abusos e ilegalidades não fosse cometido para que o resultado final se invertesse. Mas se entende. Quem olha a situação nacional e o esforço do petismo em impor sua hegemonia (intenção reiterada na recentíssima Resolução do Diretório Nacional do PT), sabe que o partido governante não poderia perder as eleições. Este pleito presidencial de 2014 foi disputado sob condição especialíssima: havia nele um partido que simplesmente não saberia viver sem tudo que já tem como coisa sua no patrimônio da União.



quarta-feira, novembro 12, 2014

Por que o socialismo sempre irá fracassar.












Por que o socialismo sempre irá fracassar.
por Hans-Hermann Hoppe



O socialismo e o capitalismo oferecem soluções radicalmente diferentes para o problema da escassez: já que é impossível que todos tenham, imediatamente e ao mesmo tempo, tudo aquilo que querem, como então podemos decidir de modo eficaz quem irá controlar os recursos que temos? 

A solução que for escolhida trará profundas implicações. Ela pode significar a diferença entre prosperidade e empobrecimento, trocas voluntárias e coerção política, liberdade e totalitarismo.

O sistema capitalista soluciona o problema da escassez ao reconhecer o direito à propriedade privada honestamente adquirida. O primeiro a utilizar um determinado bem torna-se o seu proprietário. Outros podem adquiri-lo por meio de trocas e contratos voluntários. Mas até que o dono da propriedade decida fazer um contrato para comercializar sua propriedade, ele pode fazer o que quiser com ela - desde que ele não interfira na propriedade alheia, danificando-a fisicamente.

O sistema socialista tenta solucionar o problema da propriedade de uma maneira completamente diferente. Assim como no capitalismo, as pessoas podem ser donas de bens de consumo. Mas no socialismo, diferentemente do capitalismo, as propriedades que servem como meios de produção são coletivizadas, não possuindo proprietários. Nenhuma pessoa pode ser dona das máquinas e dos outros recursos utilizados na produção de bens de consumo. É a humanidade, por assim dizer, a dona desses recursos. 


Apenas um tipo de pessoa pode comandar os meios de produção: os "zeladores" do sistema, aqueles que controlam todo o arranjo socialista.

As leis econômicas garantem que a socialização dos meios de produção sempre irá gerar efeitos econômicos e sociológicos perniciosos. Qualquer experimento socialista sempre acabará em fracasso, por cinco motivos.

Primeiro, o socialismo resulta em menos investimentos, menos poupança e um padrão de vida menor. Quando o socialismo é inicialmente imposto, a propriedade precisa ser redistribuída. Os meios de produção são confiscados dos atuais usuários e produtores, e entregues à comunidade de "zeladores". Mesmo que os proprietários e usuários tenham adquirido os meios de produção via consentimento voluntário dos usuários anteriores, os meios serão transferidos a pessoas que, na melhor das hipóteses, tornar-se-ão usuárias e produtoras de coisas que elas não possuíam anteriormente.

Sob esse sistema, os proprietários e usuários anteriores são penalizados em prol dos novos donos. Os não-usuários, não-produtores e não-contratantes dos meios de produção são favorecidos ao serem promovidos à posição de zeladores de propriedades que eles não utilizaram, não produziram ou não alugaram para usar. Assim, a renda dos não-usuários, não-produtores e não-contratantes aumenta. O mesmo é válido para o não-poupador que se beneficiou à custa do poupador cuja propriedade poupada foi confiscada.

Torna-se claro, portanto, que, se o socialismo favorece o não-usuário, o não-produtor, o não-contratante e o não-poupador, ele necessariamente eleva os custos sobre os usuários, os produtores, os contratantes e os poupadores. É fácil entender por que haverá menos pessoas exercendo essas últimas funções. Haverá menos apropriações originais dos recursos naturais, menos produção de novos fatores de produção e menos contratantes. Haverá menos preparação para o futuro porque todos os investimentos secarão. Haverá menos poupança e mais consumo, menos trabalho e mais lazer.

Isso significa menos bens de consumo disponíveis para trocas, o que leva a uma redução do padrão de vida de todos. Se as pessoas estiverem dispostas a se arriscar para obtê-los, elas terão de ir para o mercado negro e para a economia informal, onde poderão tentar contrabalançar essas perdas.

Segundo, o socialismo resulta em escassez, ineficiências e desperdícios assombrosos. Essa foi a grande constatação de Ludwig von Mises, que ainda em 1920 já havia descoberto que o cálculo econômico racional é impossível sob o socialismo. Ele mostrou que, em um sistema coletivista, os bens de capital serão, na melhor das hipóteses, utilizados na produção de bens de segunda categoria; na pior, na produção de coisas que não satisfazem absolutamente nenhuma necessidade.

A constatação de Mises é simples, porém extremamente importante: como no socialismo os meios de produção não podem ser vendidos, não existem preços de mercado para eles. Assim, seu "zelador" não pode determinar os custos monetários envolvidos na fabricação ou na modificação das etapas dos processos de produção. Tampouco pode ele comparar esses custos à receita monetária das vendas. E como ele não tem a permissão de aceitar ofertas de outros empreendedores que queiram utilizar seus meios de produção, ele não tem como saber quais as oportunidades que está perdendo. E sem conhecer as oportunidades que está perdendo, ele não tem como saber seus custos. Ele não tem nem como saber se a maneira como ele está produzindo é eficiente ou ineficiente, desejada ou indesejada, racional ou irracional. Ele não tem como saber se está satisfazendo as necessidades mais urgentes ou os caprichos mais efêmeros dos consumidores.

Ou seja, a propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas). Se não há propriedade privada sobre os meios de produção, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada. 


Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível. 


No capitalismo, o livre mercado e o sistema de preços fornecem essa informação ao produtor. A propriedade privada sobre o capital e a liberdade de trocas resultam na formação de preços (bem como salários e juros), os quais refletem as preferências dos consumidores e permitem que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes, ao mesmo tempo em que o julgamento empreendedorial tem de lidar constantemente com as contínuas mudanças nos desejos dos consumidores. 


Já no socialismo, não há preços para os bens de capital e não há oportunidades de trocas voluntárias. O "zelador" fica à deriva e no escuro. E como ele não conhece a situação de sua atual estratégia de produção, ele não sabe como melhorá-la. Quanto menos os produtores podem calcular e fazer aprimoramentos, maior a probabilidade de desperdícios e escassezes. Em uma economia na qual o mercado consumidor para seus produtos é muito grande, o dilema do produtor é ainda pior. 


Desnecessário dizer que, quando não há um cálculo econômico racional, a sociedade irá afundar em um empobrecimento progressivamente deteriorante. Qualquer passo rumo ao socialismo é um passo rumo à irracionalidade econômica.

Terceiro, o socialismo resulta na utilização excessiva dos fatores de produção — até o ponto em que eles se tornam completamente dilapidados e vandalizados. Um proprietário particular em um regime capitalista tem o direito de vender seu fator de produção no momento em que ele quiser, e manter para si as receitas da venda. Sendo assim, é do seu total interesse evitar perdas no valor de seu capital. Como ele é o dono, seu objetivo é maximizar o valor do fator responsável pela produção dos bens e serviços por ele vendidos.

A situação do "zelador" socialista é inteiramente diferente. Como ele não pode vender seu fator de produção, ele tem pouco ou nenhum incentivo para fazer com que seu capital retenha valor. Seu estímulo, ao contrário, será aumentar a produção sem qualquer consideração para com as consequências disso sobre o valor de seu fator de produção — o qual, por causa do uso constante e desmedido, só irá cair. 


Há também a hipótese de que, caso o zelador vislumbre uma oportunidade de utilizar seus meios de produção em benefício privado — como produzir bens para serem vendidos no mercado negro —, ele terá o incentivo de aumentar a produção à custa do valor do capital, consumindo completamente o maquinário. Afinal, ele não tem nada a perder e tudo a ganhar.

Não importa como você veja: quando não há propriedade privada e livre mercado — ou seja, quando há socialismo —, os produtores estarão propensos a consumir o capital até sua completa inutilização. O consumo de capital leva ao empobrecimento.

Quarto, o socialismo leva à redução da qualidade dos bens e serviços disponíveis ao consumidor. Sob o capitalismo, um empresário pode preservar e expandir sua empresa apenas se ele for capaz de recuperar seus custos de produção. E como a demanda pelos produtos de sua empresa depende da avaliação que os consumidores fazem do preço e da qualidade (sendo o preço um critério de qualidade), a qualidade dos produtos tem de ser uma preocupação constante para os produtores. Isso só é possível se houver propriedade privada e trocas voluntárias de mercado.

Sob o socialismo, as coisas são diferentes. Não apenas os meios de produção são coletivamente geridos, como também é coletiva a renda obtida com a venda de toda a produção. Isso é outra maneira de dizer que a renda do produtor tem pouca ou nenhuma conexão com a avaliação que os consumidores fazem do seu trabalho. Todos os produtores, obviamente, sabem desse fato.

Assim, o produtor não tem motivos para fazer um esforço especial para melhorar a qualidade do seu produto. Em vez disso, ele irá dedicar menos tempo e esforço para produzir o que os consumidores querem e gastar mais tempo fazendo o que ele quer. O socialismo é um sistema que incentiva os produtores a serem preguiçosos.

Quinto, o socialismo leva à politização da sociedade. Dificilmente pode existir algo pior para a produção de riqueza.

O socialismo, pelo menos em sua versão marxista, diz que seu objetivo é a completa igualdade. Os marxistas observam que, uma vez permitida a propriedade privada dos meios de produção, está permitida a criação de diferenças sociais. Se eu sou o proprietário do recurso A, isso implica que você não é — logo, nossa relação com o recurso A torna-se diferente e desigual. 


Ao abolir de uma só vez a propriedade privada dos meios de produção, dizem os marxistas, todos passarão a ser co-proprietários de tudo. E isso seria o mais justo, pois estaria refletindo a igualdade de todos como seres humanos.





A realidade, porém, é muito diferente. Declarar que todos são co-proprietários de tudo irá solucionar apenas nominalmente as diferenças de posse. Mas não irá resolver o real e fundamental problema remanescente: ainda existirão diferenças no poder de controlar o que será feito com os recursos.

No capitalismo, a pessoa que é dona de um recurso pode também controlar o que será feito com ele. Em uma economia socializada, isso não se aplica, pois não mais existem proprietários. Não obstante, o problema do controle continua. Quem irá decidir o que deve ser feito com o quê? No socialismo, só há uma maneira: as pessoas resolvem suas desavenças a respeito do controle da propriedade sobrepondo uma vontade à outra. Enquanto existirem diferenças, as pessoas irão resolvê-las por meios políticos.

Se as pessoas quiserem melhorar sua renda sob o socialismo, elas terão de ascender a posições mais valorizadas dentro da hierarquia dos "zeladores". Isso requer talento político. Sob tal sistema, as pessoas terão de despender menos tempo e esforço desenvolvendo suas habilidades produtivas e mais tempo e esforço aprimorando seus talentos políticos. 

À medida que as pessoas vão abandonando seus papeis de produtoras e usuárias de recursos, percebe-se que suas personalidades vão se alterando. Elas deixam de cultivar a capacidade de antecipar situações de escassez, de aproveitar oportunidades produtivas, de estar alerta a possibilidades tecnológicas, de antecipar mudanças na demanda do consumidor e de desenvolver estratégias de marketing. Elas perdem a capacidade da iniciativa, do trabalho e da resposta aos anseios de terceiros.

Nesse cenário, as pessoas passam a desenvolver a habilidade de mobilizar apoio público em favor de suas próprias posições e opiniões, utilizando-se de artifícios como demagogia, poder de persuasão retórica, promessas, esmolas e ameaças. Sob o socialismo, as pessoas que ascendem ao topo são diferentes das que o fazem sob o capitalismo. Quanto mais alto você olhar para uma hierarquia socialista, mais você encontrará pessoas excessivamente incompetentes para fazer o trabalho que supostamente deveriam fazer. Não é nenhum obstáculo para a carreira de um político-zelador ser imbecil, indolente, ineficiente e negligente. Só é necessário que ele tenha boas habilidades políticas. 


Isso é uma receita cera para o empobrecimento de qualquer sociedade.



Hans-Hermann Hoppe é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo eThe Economics and Ethics of Private Property.

terça-feira, novembro 11, 2014

Ditadura militar e ditadura militante.














Ditadura militar e ditadura militante.

por Paulo Briguet - Para o Mídia Sem Máscara


Pai,

Pediram-me para escrever um artigo sobre a ditadura militar e eu logo pensei em você. Tecnicamente, sou um filho da ditadura. Nasci em São Paulo, em 10 de julho de 1970, durante o governo Médici, perto do lugar em que Carlos Marighella fora morto meses antes. Mas nunca esquecerei um fato que eu não pude agradecer em vida: entre combater a ditadura – como fizeram seus dois melhores amigos, Arno Preis e João Leonardo – e formar uma família, você ficou com a segunda opção, e por isso eu existo. Arno e João morreram na luta armada; você me deu a vida.

Lembro-me de uma cena: você e a mãe lendo uma carta na mesa da cozinha, no apartamento da Alameda Barão de Limeira, em São Paulo. Falavam baixo, como se não quisessem ser ouvidos. A carta era de João Leonardo, que estava no exílio. Vocês tinham medo. João Leonardo, o Baiano, encontraria a morte em junho de 1975.



Comunista bom é comunista sepultado.


Estou escrevendo um livro. Chama-se “República Socialista do Brasil”. Na história, imagino como seria o nosso país se a esquerda tivesse vencido em 1964. Ironicamente, não seria um país muito diferente do que temos hoje. O Brasil contemporâneo teve seu crime fundador na morte de Celso Daniel. No meu livro, Celso Daniel também é assassinado, em circunstâncias que fazem lembrar os Processos de Moscou. Você nunca mais votou no PT depois da morte do Celso Daniel – e eu entendo por quê.

Se a esquerda triunfasse em 1964, você sem dúvida ficaria feliz no primeiro momento. Mas não tenho dúvidas de que, com o tempo, sofreria ainda mais do que sofreu no governo militar, porque você sempre foi amigo da verdade e livre de qualquer sentimento de inveja, ao passo que o socialismo é o império da mentira e da inveja obrigatórias.

Quando, na adolescência, eu comecei a ler Trotsky, você torceu o nariz: “Isso é ultrapassado”. Era um aviso. Vejo, escandalizado, que o Brasil de hoje é um reflexo daquele panfleto terrível intitulado “A Moral Deles e a Nossa”, mais algumas loucuras de Gramsci, Che Guevara, Nietzsche e Foucault.

Dias atrás encontrei um casal de queridos amigos estrangeiros. Eles deixaram o Leste Europeu em 1987, antes da queda do comunismo. Minha amiga disse: “Perto do comunismo, a ditadura militar brasileira foi fichinha”. É isso que as pessoas querem dizer quando falam em ditadura “branda”. Ditadura é sempre ruim, seja de direita ou esquerda. Mas isso não impede que um regime seja comparado com outro. E meu amigo alerta: “O PT está construindo no Brasil o mesmo regime de que nós escapamos no Leste Europeu”.

Querido pai, ensine-me a lutar – não contra a ditadura militar, mas contra a ditadura militante.

Com amor,
do seu filho e xará.



Paulo Briguet, jornalista, edita o blog Com o Perdão da Palavra.

sexta-feira, novembro 07, 2014

Fraude Eleitoral em Capítulos.







Capítulo 1
O PSDB entrou a última quinta-feira (30) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de auditoria a fim de que se verifique a "lisura" da eleição presidencial.



Na solicitação apresentada pelo coordenador jurídico da campanha do candidato derrotado Aécio Neves, deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), o partido sugere a criação de uma comissão com representantes do tribunal e de partidos para verificar o sistema que apura e faz a contagem dos votos.

O texto protocolado diz que a confiabilidade da apuração e a infalibilidade da urna eletrônica têm sido questionadas pela população nas redes sociais.

Capítulo 2
O pedido ao TSE, encontra-se disponível no link a seguir:

Capitulo 3
Os Erros e a Inconsequência do PSDB

Na petição ao TSE prestem atenção ao que segue:
...Nas redes sociais os cidadãos brasileiros vêm expressando, de 

forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos 
e a infalibilidade da urna eletrônica, baseando-se em denúncias das mais variadas 
ordens, que se multiplicaram após o encerramento do processo de votação, 
colocando em dúvida desde o processo de votação até a totalização do resultado.
O aguardo do encerramento da votação no Estado do Acre, 
com uma diferença de três horas para os Estados que acompanham o horário de 
Brasília, enquanto já se procedia a apuração nas demais unidades da federação, 
com a revelação, às 20h00 do dia 26 de outubro, de um resultado já definido e 
com pequena margem de diferença são elementos que acabaram por fomentar,
ainda mais, as desconfianças que imperam no seio da sociedade brasileira.

O PSDB deixa claro que quem coloca o sistema eleitoral brasileiro é o cidadão e não propriamente o partido.

Capitulo 3
Porque então o cidadão brasileiro desconfia desse sistema?

Desde a eleição de 2006 a suspeita de Fraude nas Urnas Eletrônicas acompanha boa parte dos cidadãos e vem crescendo ao longo dos anos. Essa suspeita fica mais clara pesquisando-se no Google e encontrando-se centenas (milhares de compartilhamentos) de resultados envolvendo basicamente o engenheiro Amilcar Brunazo Filho e mais recentemente o também engenheiro e professor no Instituto de Computação da UNICAMP e especialista em Segurança Digital e Votação Eletrônica, Diego Aranha; que pode ser visto na entrevista a Danilo Gentili:



Capítulo 4
Seremos enganados novamente? O PSDB ajudará a passar recibo de honestidade a um sistema absolutamente vulnerável?


O plenário do Tribunal Superior Eleitoral negou nesta terça-feira (4) um pedido do PSDB para formar uma comissão de representantes de partidos para realizar uma auditoria nos sistemas de votação e totalização do resultado das eleições de 2014.

A corte, no entanto, liberou o fornecimento de dados e acesso a programas e arquivos eletrônicos usados no processo. Com as informações em mãos, o PSDB poderá fazer sua própria auditoria ou mesmo contratar uma verificação independente.(G1)

A resposta é sim e sim se o PSDB não se municiar de todos os mecanismos já existentes, de todas as descobertas já feitas e que podem ser vistas nos artigos a seguir:
- O TSE e a descoberta do programa de fraude nas Urnas.
- Dilma virou o jogo com quase 90% dos votos apurados.

Capítulo 5
Fraude Anunciada 4 dias antes das eleições?

Sim, pode-se chamar de fraude anunciada o documento de um partido de esquerda da Guatemala, o Alternativa Nueva Nación - ANN (perfil no Facebook), publicado não só no Facebook (aqui), mas também no site do Petê (aqui). Essa congratulação não esconde nem que o documento foi emitido em 22 de outubro de 2014, portanto 4 dias antes do segundo turno e muito menos a diferença de votos entre a presidentE e Aécio Neves. Mas é claro que todos esses links podem sumir da Internet num piscar de olhos (Nem sei porque não o fizeram ainda) e portanto printamos as páginas de cada link.

ANN-Perfil no Facebook


ANN-Documento no Facebook


O Documento constante no Site do Petê e no Perfil de Facebook do ANN
Mais explícito? Impossível

Site do Petê e as Felicitações Fraudulentas




Aguardemos pois, se teremos que engolir as Urnas e o Petê eternamente ou se enfim tomarão vergonha na cara e acabarão com esse sistema absolutamente vulnerável.

terça-feira, novembro 04, 2014

Alô, TSE! Que diabo de eleição foi essa?.






Alô, TSE! Que diabo de eleição foi essa?.








Escreverei sobre fato novo, valendo-me de notícias velhas. Não faz um ano, nem dois, nem três, que os meios de comunicação e as redes sociais vêm divulgando análises técnicas independentes, estudos elaborados em universidades, opiniões de juristas, alarmantes experiências feitas por hackers e insistentes alertas de que o sistema de votação utilizado no Brasil é vulnerável e de que a transmissão de dados via internet também não proporciona segurança. É insistentemente dito que essas deficiências fazem com que o sistema usado em nosso país seja refugado por muitos outros. Salta aos olhos mais desatentos que um sistema de votação que não permite recontagem tem um gravíssimo e imperdoável pecado original.



Mais recentemente, após recusas em submeter o sistema a auditorias independentes, chegam às redes sociais notícias de urnas não zeradas no início da votação e de disparidade entre os resultados médios das seções com identificação digital e as seções com identificação documental em situações análogas. E por aí vai. É possível que o clima de desconfiança se nutra, também, de informações falsas. Mas as informações falsas só transitam graças à desconfiança propiciada, de um lado, pela inconfiabilidade do sistema e, de outro, pelas eloquentes insinuações de Dilma e de Lula sobre o que seriam capazes de fazer para vencer.

Não se trata de uma desprezível e deselegante inconformidade com a derrota. Eu não me prestaria para esse papel. Trata-se de algo grave, a cobrar posicionamento dos cidadãos que se sentem civicamente responsáveis. Instala-se, no país uma pesada suspeita sobre a higidez e a invulnerabilidade do sistema, conduzindo à incertezas sobre a legitimidade dos mandatos saídos das urnas dos dias 5 e 26 de outubro.





Sei que dar satisfação a torto e a direito sobre os porquês de suas escolhas e decisões, ou sanar inquietações cívicas, não são tarefas que se contem entre as atribuições jurisdicionais mais urgentes e relevantes do Tribunal Superior Eleitoral. Mas neste caso não é exatamente assim. O que milhões e milhões de brasileiros, nestes dias, estão expressando como podem nas redes sociais não se soluciona com um dar de ombros das autoridades. Não silencia ante a voz do trono. Não some por decreto. Não cabe em nenhuma gaveta. Não se enterra nos desvãos do tempo. Nas democracias (muitas delas proibiram o uso desse modelo), a confiabilidade do sistema eleitoral é tema de elevadíssimo interesse público, questão altamente sensível, sobre a qual não pode haver dúvidas. E, menos ainda, inúmeras, imensas e reiteradas dúvidas.

Muito já foi escrito sobre o quanto era politicamente impróprio confiar a presidência da Corte que conduziria este pleito a um ex-funcionário do partido governista. Agora, surpreende o silêncio do TSE sobre aquilo que mais se fala no país: as suspeitas sobre a eleição por ele presidida. Já surpreendia antes, quando os cidadãos se angustiavam e não passava dia sem que alguma informação circulasse, potencializando as incertezas. E surpreende ainda mais agora, quando denúncias e inconformidades surgem dos pontos mais variados do território nacional.

Para bem da democracia, da respeitabilidade das instituições e da legitimidade dos mandatos, que tudo seja auditado e investigado. E que estas sejam as últimas eleições feitas segundo esse método de votação e transmissão de dados. Afinal, ao longo dos anos, quase uma centena de países vieram conhecer o modelo brasileiro. Nenhum o adota.




domingo, novembro 02, 2014

Socialismo católico?.










Socialismo católico?.

por padre José Eduardo.(para o Mídia Sem Máscara)





Uma das maiores vitórias do movimento socialista foi, como queria Antonio Gramsci, o aniquilamento da resistência católica.

De fato, nos tempos do Papa Pio XI, havia uma tão grande consciência a respeito, que o mesmo pôde escrever que "socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista" (Quadragésimo anno). Na sequência, ele inclusive preveniu a Igreja contra o socialismo cultural, que ele chamava de educacional, tão perverso quanto o anterior.

Contudo, as décadas se passaram e as advertências de Pio XI, Pio XII e João XXIII foram sendo ignoradas... Os socialistas entraram dentro da Igreja e começaram a confundir a mente dos fieis, até o ponto de que não apenas os mesmos não conseguiam mais discernir os porquês da Igreja em condená-los, mas passaram até a tornar-se seus defensores contra a mesma Tradição à qual diziam pertencer.

Chegamos à situação em que não apenas a contradição apontada por Pio XI parece anacrônica, mas poucos se encontram em condições de compreendê-la.

De um lado, alguns se prendem ao argumento de autoridade, dizendo que, se Pio XI falou, está falado, e pronto!, esquecendo-se de que aquilo é bom não porque o Papa mandou, mas o Papa mandou porque aquilo é bom. Os mais aguerridos se prendem à antiga pena canônica de excomunhão, que não vige do mesmo modo em nossos dias, desmoralizando, por fim, seus próprios postulados.

De outro lado, outros defendem a identidade entre o socialismo e o evangelho, criando uma confusão absurda, como se a própria doutrina social da Igreja fosse de raiz socialista. Como reação psíquica a isto, alguns destes chegam aos extremos da histeria, negando o óbvio simplesmente porque o querem, devotando às suas teses uma fé cega, injustificada, fanática, que os enclausura numa posição invencível, num engano hermético, patológico.
As reafirmações dos papas posteriores à doutrina de Pio XI foram ignoradas solenemente, dando a sensação, propositalmente causada, de que o socialismo era, enfim, harmonizado com a fé cristã.

As consequências deste quiproquó podem ser vistas, hoje, a olho nu. Com a melhor das boa-vontades, muitos católicos bem intencionados dão a vida por um sistema totalitário, emprestam o nome e as causas pelas quais trabalham a uma ideologia que existe para destruí-los, não conseguem perceber que estão do lado errado do tabuleiro da história. E a resistência católica não apenas foi bloqueada, mas mudou de sentido, tornou-se resistência "católica" anti-católica. A dialética entrou dentro da Igreja.

A única alternativa para sairmos deste imbróglio é não nos limitarmos ao argumento de autoridade, mas estudarmos para que se consiga explicar a qualquer pessoa porque o socialismo é incompatível com a reta razão e, portanto, com a fé cristã; porque um sistema que existe para desconstruir a sociedade inteira (inclusive as famílias, a Igreja, as instituições) e reconstruí-la sobre novos fundamentos, que não a verdade e o bem, deve ser rejeitado com a máxima energia.

Nos tempos de Pio XII, quando os socialistas iriam vencer as eleições na Itália, ele se reuniu com o presidente da Ação Católica italiana e pediu que cada membro visitasse a casa de cada católico, explicando a malícia do socialismo com termos simples, catequéticos: -- o pobre tem duas vaquinhas, o rico tem oito; os comunistas dizem que as dividirão por igual, cinco para o rico, cinco para o pobre; isto é mentira, no final das contas, eles tomarão as dez vacas de ambos e darão a cada um apenas o que quiserem.

Com argumentos deste tipo, os comunistas italianos foram vencidos em 1948. Talvez, hoje, a razão de nossos contemporâneos esteja tão violentada que não consigam entender sequer isso. Cabe a nós inventarmos modos de pedagogicamente os instruir.
Digo apenas que, neste sentido, nosso maior esforço deve ser entender racionalmente isto e explicá-lo com simplicidade e clareza. Sem isto, Pio XI continuará sendo jogado para baixo do tapete, juntamente com todos os papas que o reverberaram ao longo da história, e a vitória será historicamente entregue às mãos de Antonio Gramsci et caterva.