domingo, maio 10, 2015

Com Fachin no STF, família e propriedade em risco
















por José Carlos Sepúlveda da Fonseca



A presidente Dilma Rousseff indigitou, há algumas semanas, o advogado e professor Luiz Edson Fachin para ocupar a vaga do Supremo Tribunal Federal aberta com a saída prematura do Ministro Joaquim Barbosa. Para ser aprovado, seu nome precisa ainda passar por sabatina no Senado.

Logo que foi conhecido, o nome de Fachin começou a enfrentar resistências de variadas índoles.

De acordo com opiniões, nos meios jurídico e político, Fachin está envolvido em episódios na sua carreira profissional – supostas irregularidades cometidas enquanto foi procurador do Estado do Paraná – que deitariam sombras sobre uma das exigências para o cargo de Ministro de Supremo Tribunal, a “ilibada reputação” (*). Motivo pelo qual sua sabatina já foi adiada duas vezes.

Além disso, a indicação da presidente não deixou de chocar amplos setores da sociedade, uma vez que Dilma Rousseff preferiu apostar na radicalização política.

O Brasil vive um clima de crescente e público descontentamento em relação à presidente, a seu mentor político, Lula, ao Partido dos Trabalhadores e à agenda ideológica que estes tentam impingir ao País. Entretanto, Dilma Rousseff, ao indicar o nome de Luiz Edson Fachin, um advogado das causas do MST, chegado ao sindicalismo da CUT e simpatizante do próprio PT, apostou precisamente no reforço desta agenda de esquerda, aparelhando a Suprema Corte do País.

Inequívoca influência marxista
Quem se debruça um pouco sobre os escritos de Luiz Edson Fachin – disponíveis na Internet para quem os quiser consultar – não tem dificuldade em notar a inspiração marxista de seu pensamento.

A dinâmica social para ele se centra na luta de classes entre oprimidos e opressores, e considera que a presente estrutura jurídica acaba por causar uma exacerbação das desigualdades. Favorável a uma igualdade radical e anti-hierárquica, Luiz Edson Fachin mostra-se, no campo das relações familiares, contrário ao modelo exclusivo da “matrimonialização da família” e considera a propriedade privada uma perversão humana.

Fazendo eco ao slogan de “um outro mundo é possível”, dos Fóruns Sociais Mundiais (que reúnem as esquerdas radicais dos mais diversos países) Luiz Edson Fachin afirma que é necessário “sonhar com outro porvir”. Ou seja, uma ordem socialmente orientada a nivelar os indivíduos (o Homem Coletivo).

Para Fachin, trata-se de “produzir alterações estruturais, reforma econômica e social de tendência nitidamente intervencionista e solidarista”, atingindo de maneira frontal o tratamento jurídico da propriedade e da família.

Propriedade e “função social”
Em seus escritos, Luiz Edson Fachin, investe decididamente contra a propriedade privada no campo, atacando o que qualifica como “modo de produção capitalista” que, segundo ele, causa crescente apropriação dos bens e riquezas por parte de uma minoria, em relação a uma maioria da população explorada em sua força de trabalho.

Por isso, torna-se necessário, para Fachin, o “redimensionamento do direito de propriedade” que o subordine a sua “função social”, um jogo de palavras que considera a função social como antagônica à própria propriedade privada, rumo à extinção desta.

Um adversário da família cristã
Fachin também se mostra um adversário da instituição familiar, concebida segundo a Lei Natural e os princípios cristãos, e tão relacionada com a mentalidade e os costumes do povo brasileiro.

Ele propugna a busca de uma “estrutura familiar justa e inclusiva” com a “superação do estatuto jurídico da família monogâmica”, em que todas as relações possam ser reconhecidas como “familiares”, em nome dos princípios da afetividade e do direito à busca da felicidade e do bem-estar.

Seus escritos, em matéria de família – envoltos em empoladas sentenças – não são desprovidos de certa arrogância de uma esquerda bem-pensante. Por isso Fachin afirma, com despeito, que grassa hoje no Direito de Família, tanto em tratados como nos tribunais, “um coro crédulo e entusiástico da manualística rasteira, uma gosma com verniz de epidérmico conhecimento provinciano e surreal”.

Ativismo judicial no Supremo Tribunal Federal
Ao considerar em breves traços o pensamento jurídico de Luiz Edson Fachin cabe uma dúvida: qual a importância destas opiniões doutrinárias para alguém que, uma vez ministro do Supremo Tribunal Federal, passará a ser um “guardião da Constituição” e, portanto, a julgar segundo o texto desta? É precisamente neste ponto que se encontra o maior perigo.

Adepto de uma profunda reforma da ordem jurídica, Luiz Edson Fachin vê o Direito como tendo um papel dialético de “promover a emancipação”. Defensor de que a constitucionalidade das regras se altere de acordo com as mudanças da sociedade “pela força criadora dos fatos”, ataca o dogmatismo enclausurado dos acomodados. Fachin mostra-se assim um defensor do ativismo judicial, o qual aplicará indubitavelmente em suas decisões no STF.

Misteriosas cumplicidades
É muito estranho que no campo dito “oposicionista” se encontrem defensores do nome de Fachin para o Supremo Tribunal Federal. Ressalta, desde logo, a defesa apaixonada feita pelo Senador Álvaro Dias. E, conforme o noticiário, também José Serra seria favorável ao nome de Fachin.

Esta talvez seja uma das mais estranhas lições da presente e grave crise do Brasil. O projeto autoritário de poder do PT – de conotações ideológicas inequívocas, destruidor das instituições do Estado e mentor de uma tentacular máquina de corrupção – só sobrevive pela moleza, conivência e cumplicidade de uma “oposição” que finge ser aquilo que não é.

Torna-se, pois, necessária, mais do que nunca, uma pressão da sociedade sobre os Senadores para que não aprovem o nome de Luiz Edson Fachin para a vaga do Supremo.

Seu pensamento jurídico constitui uma ameaça à preservação dos institutos da Família e da Propriedade no Brasil.


(*) Este artigo já estava em meu blog quando a Consultoria Legislativa do Senado lançou uma nota sobre o exercício da advocacia, por parte de Luiz Edson Fachin, depois de ser nomeado procurador do Estado do Paraná, cargo que ocupou entre 1990 e 2006: "Pode-se concluir que, tendo o Sr. Luiz Edson Fachin tomado posse após janeiro de 1990, quando já se encontravam em vigor as proibições de advogar constantes tanto da Constituição do Paraná quanto da Lei Complementar no 51, de 1990, a atuação no âmbito da advocacia privada, concomitantemente com o exercício do cargo de Procurador do Estado, viola, prima facie, o ordenamento legal".


sábado, maio 09, 2015

O führer de Garanhuns.






O führer de Garanhuns.
por Percival Puggina.




O führer de Garanhuns e seus propagandistas goebbelianos
precisam do ódio como fator de luta 
(segundo ensinou Che Guevara).



O que efetivamente mobilizou o nazismo contra os judeus não foram as destrambelhadas especulações biológicas que apenas favoreceram o trabalho sujo dos que executaram as políticas de extermínio. A causa principal foi o mito da "conspiração judaica", difundindo a ideia do poder econômico do povo judeu e a ele atribuindo a culpa pelos males nacionais. Ao longo da história, mobilizações nacionalistas sempre procuraram identificar um inimigo interno ou externo, direcionando-lhe as animosidades. No nazismo, à exemplo do comunismo, foi acionado este fermento revolucionário que excita os piores sentimentos: a falácia de que o outro, como indivíduo, raça ou classe seja, objetivamente, causador da pobreza do pobre.

Observe, então, o que vem sendo proclamado sobre a "elite branca de olhos azuis" pelas personagens mais aguerridas do petismo (do topo lulista à base militante). Lula e os seus não cansam de repetir que essa elite não gosta de pobre, é contra sua prosperidade e se enoja com a presença de gente humilde nos aeroportos e nas universidades. Por quê? Ninguém esclarece. O importante é repeti-lo à exaustão. E o PT é perito em papaguear bobagens tantas vezes quantas sejam necessárias para assemelhar à verdade algo que não tem o menor fundamento. Além de tornar a nação respeitável ao proporcionar a dignidade de todos os cidadãos, o progresso material das classes mais humildes é desejável por todos os segmentos sociais, inclusive por aqueles contra os quais o PT pretende instigar a malquerença dos pobres. Entre os muitos benefícios humanísticos e ganhos de ordem ética, a ascensão social dos mais carentes significa, para todos, maior segurança e maior dinamismo na vida econômica e social. É para todo mundo. É assim que a civilização avança. No fundo, até o Lula sabe disso.

No entanto, o führer de Garanhuns e seus propagandistas goebbelianos precisam do ódio como fator de luta (segundo ensinou Che Guevara). E nada melhor do que aprender com Hitler o modo de suscitar ódio contra quem tem mais. Basta proclamar aos pobres que essas pessoas, brancas de olhos azuis, são a causa de sua pobreza, que estes iníquos não toleram conviver com eles e que, por soturnos motivos, querem preservá-los na miséria. Difundir tais teses após as experiências do nazismo deveria ser capitulado como crime. Numa hipótese mais branda, ser tratado como sociopatia.

Tão perigoso quanto o que estou descrevendo é não se importar com isso e considerar que se trata apenas de uma estratégia, sem efetivas consequências sociais e políticas. Era exatamente o que pensava a maioria dos alemães até bem perto do final da guerra.
Fonte:www.puggina.org

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Relembrando:


Lula declarou admirar Hitler e Khomeini



GUSTAVO KRIEGER ; ELVIS CESAR BONASSA E ABNOR GONDIM 
DA SUCURSAL DE BRASÍLIAElogios feitos por Luiz Inácio Lula da Silva a Adolf Hitler e ao aiatolá Khomeini são uma das preocupações do comando da campanha presidencial do PT.
Lula declarou "admiração" pelos dois no início de sua carreira política.
Hitler foi o ditador alemão que comandou a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Khomeini liderou, em 1979, a revolução xiita (radicais mulçumanos) que derrubou o xá Reza Pahlevi do governo do Irã.
Em julho de 1979, quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista e articulava a criação do PT, Lula deu uma entrevista à revista Playboy, na qual citou os dois líderes como duas figuras políticas pelas quais ele nutria admiração.
Dedicação
O então sindicalista elogiou a "disposição, força e dedicação" de Hitler e afirmou: "O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer".
Sobre Khomeini, Lula disse: "Eu não conheço muita coisa sobre o Irã, mas a força que o Khomeini mostrou, a determinação de acabar com aquele regime do xá foi um negócio sério".
A lista de figuras admiradas por Lula em 1979 incluia ainda Tiradentes, Gandhi, Che Guevara, Fidel Castro e Mao Tsé-Tung. Ele afirmou que não era "coincidência" o fato de todos eles terem lutado para derrubar governos.
Este tipo de declaração, que mostra o Lula radical do movimento sindical, preocupa a direção do PT, empenhada em vender uma imagem mais moderada nas eleições.
Ontem em Palmas (TO), o candidato petista disse que não se lembra de ter feito essas declarações à revista Playboy.
Desconhecimento
"Eu desconheço que haja entrevista da Playboy em que eu falo isso", disse Lula. Mas prometeu que vai procurar o exemplar da publicação que ainda tem guardado em sua casa para se certificar sobre suas declarações dadas a uma pergunta sobre pessoas de renome que admirava.
O líder petista não quis comentar também uma entrevista prestada pelo cartunista Ziraldo à mesma revista, em 80, quando disse que ouviu Lula dizer que das feministas ele só queria o sexo.
"É só perguntar ao Ziraldo se eu disse isso e sobre o que disse em um debate com mais de 500 mulheres no Rio de Janeiro", afirmou Lula.

Colaborou ABNOR GONDIN, da Agência Folha


quinta-feira, maio 07, 2015

O futuro do PT depende da CNBB.






por Frates In Unun




Ditadura bolivariana patrocinada pelos bispos? Reforma política, CNBB e Teologia da Libertação


Completamente desmoralizado por causa dos escândalos vultuosos de corrupção, repudiado veementemente nas ruas, o Partido dos Trabalhadores (PT) não conseguirá se reeleger em 2018. Nem uma eventual fraude nas urnas poderá salvá-los; ante uma eleição esmagadoramente desfavorável, uma “vitória” fraudada causaria um levante sem igual. Eles são conscientes disso.

A única alternativa que lhes resta é dar um Golpe de Estado, ou seja, suspender as instituições democráticas que caracterizam um Estado de Direito.

Para fazê-lo, porém, estão bastante desguarnecidos. Sem o favor do exército nacional e com uma militância de guerrilha insuficiente para tanto, um golpe lhes seria muito difícil e, além disso, viria em desencontro com a fachada democrática que falsamente exibem.

A saída para o impasse seria a Reforma Política, que consta de dois momentos: uma reforma eleitoral, e uma nova constituinte exclusiva e soberana. Em outras palavras, o sistema político brasileiro passaria por uma alteração completa.

Contudo, das propostas existentes, a mais expressiva é a da chamada Coalizão pela Reforma Política, que agrega entidades como CNBB, OAB, Liga Lésbica Brasileira, CUT, MST, União da Juventude Socialista, entre outras.

Não adianta a Dom Joaquim Mol diferenciar este Projeto da proposta homônima do PT. De fato, os grupos que o propõem juntamente com a Conferência dos Bispos são aqueles mesmos que apoiam todo o projeto de hegemonia política do partido governante.

Evidentemente, pela força popular que possui, a CNBB é a responsável principal pela coleta de assinaturas que será entregue à Presidência da Câmara dos Deputados, e está convocando uma imensa multidão para fazê-lo em conjunto, na Praça dos Três Poderes, no próximo dia 11 de maio.

O PT está objetivamente perdido se esta proposta de Reforma Política não prosperar.

A CNBB é a única esperança de salvação para o PT.

Os bispos enganados
Como recentemente reconheceu Dom Murilo Krieger, atual vice-presidente da CNBB, as propostas deste projeto de Reforma Política “não tiveram a participação de todos os Bispos; são fruto, sim, de uma reflexão que envolveu principalmente algumas comissões episcopais”.

A maior parte dos bispos, desacostumados a temas dessa natureza, totalmente empenhados em sua pastoral diocesana, foi literalmente enganada por um pequeno grupo que, sorrateiramente, levou a cabo o tal projeto.

Num recente vídeo, Daniel Seidel, representante da CNBB num evento sobre a Reforma Política na PUC de Goiás, afirmou que

“nós temos que tomar juízo, vergonha na cara, e nos dedicarmos a esta coleta de assinaturas. Por que que eu digo isso? Porque, na verdade, nós não estamos querendo só a reforma política. A reforma política vai dar margem para a reforma tributária, vai dar margem para outras reformas necessárias para repartir. Porque, até então, nestes doze primeiros anos de governo popular no Brasil, nós tivemos avanços importantes acontecendo, mas só que nós chegamos ao limite, e hoje nós temos que distribuir a riqueza que a classe trabalhadora produz nesse nosso país. Agora, a gente só distribui a riqueza com reforma tributária. Não dá mais pra ficar apenas com os importantíssimos programas sociais que existem: o povo quer mais, e quer avançar para uma economia mais igualitária. Agora, para isso, precisa reformar o sistema político brasileiro”.

O representante da CNBB foi bastante contundente na defesa do governo atual, qualificado por ele de “doze primeiros anos de governo popular”.

O Projeto de Lei da Reforma Política não foi votado na Assembleia dos bispos e a maior parte dos mesmos não concorda com este. O tema tampouco foi submetido a votação nesta última 53a. Assembleia da CNBB, onde apenas deu-se lugar para um “esclarecimento” de Dom Joaquim Mol.

Isso não foi por acaso! Os bispos queriam que o tema fosse votado e, se tivesse sido, teria sofrido uma derrota esmagadora, pois todos estavam em peso contra a tal reforma.

No fim das contas, o Projeto vai adiante sob a falsa aprovação da CNBB, e os bispos não reagem, quer porque não entendem direito o assunto, quer porque não conseguem enxergar que se trata de um golpe.

A pergunta que nos fazemos é: por que eles não conseguem enxergar? Como se explica essa incapacidade analítica diante de fatos tão clamorosos?

Ainda viva, a Teologia da Libertação
Não há como entendermos o que está acontecendo sem compreendermos bem em que consiste a Teologia da Libertação (TL). Contrariamente ao que se pensa, esta não morreu; antes, vive, e vive operante.

Engana-se quem imagina que a TL seja uma corrente teológica inspirada no marxismo.

A TL é uma metodologia destinada a transformar a Igreja numa organização integralmente marxista. Para entendê-lo melhor, valhamo-nos da reflexão do fundador da TL, o Padre Gustavo Gutiérrez.

Em seu livro “Teologia da Libertação” (Loyola, São Paulo: 2000, conforme a 9ª. edição original de 1996), Gutiérrez afirma que a história da teologia poderia ser dividida em três fases: no primeiro milênio, a teologia era uma reflexão sapiencial; no segundo milênio, uma reflexão racional; e agora, no terceiro milênio, seria uma “reflexão crítica sobre a práxis, uma teologia crítica” (cf. pp. 61-71).

Ele assume que “entre os antecedentes desta teologia estão o pensamento marxista centrado na práxis, dirigido para a transformação do mundo, cuja gravitação se acentuou no clima cultural dos últimos tempos, e constitui-se em marco formal de todo o pensamento filosófico de hoje, não superável” (pg. 65).

Ademais, admite que todos esses fatores “levaram igualmente à redescoberta ou à explicitação da função da teologia como reflexão crítica”, explicando que, “reflexão crítica” significa que “a teologia deve ser um pensamento crítico de si mesmo, de seus próprios fundamentos[…] Referimo-nos também a uma atitude lúcida e crítica com relação aos condicionamentos econômicos e socioculturais da vida e reflexão da comunidade cristã […] A reflexão teológica seria então, necessariamente, uma crítica da sociedade e da Igreja…, indissoluvelmente unida à práxis histórica” (pp. 67-68).

Gutiérrez não titubeia, e afirma que “se, porém, parte a teologia dessa leitura e contribui para descobrir a significação dos acontecimentos históricos, é para fazer que seja mais radical e lúcido o compromisso libertador dos cristãos. Só o exercício da função profética, assim entendida, fará do teólogo o que, usando a expressão de A. Gramsci, pode chamar-se um novo tipo de ‘intelectual orgânico’” (pp. 70-71).

“Estamos, pois”, conclui Gutierrez, “diante de uma hermenêutica política do Evangelho” (p. 71), que não se limita apenas a justapor-se a toda a tradição, mas “leva necessariamente a uma redefinição” daqueles dois modelos anteriores, de modo que “sabedoria e saber racional terão, daí em diante, mais explicitamente, como ponto de partida e como contexto, a práxis histórica” (p. 72). Portanto, o que “a teologia da libertação nos propõe não é tanto um novo tema para a reflexão quanto um novo modo de fazer teologia” (pp. 72-73).

Converter-se ao mundo
Para Gutiérrez, do ponto de vista prático, a relação entre Igreja e mundo foi se deslocando ao longo da história. O problema é apresentado através de uma afirmação de Johan Babptist Metz: “Apesar das numerosas discussões sobre a Igreja e o mundo, nada há de menos claro do que a natureza de sua relação mútua”(p. 100).

Um primeiro modelo é denominado por ele de “agostinianismo político”, e consiste na convicção de que “as realidades terrenas carecem de autonomia própria”, e são utilizadas pela Igreja apenas para chegar aos “seus próprios fins” (p. 108).

Depois da Revolução Francesa, porém, “a tarefa de construção da cidade temporal será, antes de tudo, busca de uma sociedade baseada na justiça, no respeito aos direitos de todos e na fraternidade humana” e, “em consequência, a autonomia do temporal é sobretudo afirmada perante a jerarquia eclesiástica”, querendo-se, porém, “edificar uma ‘cristandade profana’, a saber, uma sociedade inspirada em princípios cristãos” (pp. 109-110).

E, por fim, atingimos o ponto de chegada desse processo: “mais do que definir o mundo em relação ao fato religioso, parece que este deveria ser definido em face do profano” e, na perspectiva eclesial, “se dantes se tendia a ver o mundo a partir da Igreja, hoje quase se observa o fenômeno inverso: a Igreja é vista a partir do mundo. No passado, a Igreja usava o mundo para seus fins; hoje, muitos cristãos – e não cristãos – se perguntam se devem, por exemplo,usar o peso social da Igreja para acelerar o processo de transformação das estruturas sociais”.“Amundaneidade aparece assim como exigência e condição de uma autêntica relação das pessoas entre si e destas com Deus” (p. 121).

Citando Metz, ele indaga: “será a Igreja realmente algo distinto do mundo?… A Igreja é do mundo; em certo sentido, a Igreja é o mundo: a Igreja não é um não mundo” (p. 128).

Como se vê, para ele, a relação Igreja-Mundo se dá em chave claramente dialética: uma identidade em que prevalece a Igreja, a distinção entre o plano temporal e o plano espiritual, e, por fim, uma nova síntese, a identidade entre Igreja e mundo, na qual prevalece o mundo, numa reinterpretação secularista da Igreja e de sua missão. Para ele, a Igreja serve à transformação do mundo.

Falta-nos entender, porém, como isto se dá.

A Igreja como instrumento para a luta de classes
A teoria de Gutiérrez foi planificadamente exposta na formulação pastoral de Leonardo Boff.

Em seu livro, “E a Igreja se fez povo. Eclesiogênese: a Igreja que nasce da fé do povo” (3a. Edição, Vozes, Petrópolis: 1986 – este título, interpretado à luz do que já foi dito, pode ser traduzido com uma linguagem mais clara da seguinte maneira: “E, finalmente, a Igreja se converteu ao mundo”), ele explica como se devem formar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Primeiramente, define uma CEB como “constituída de um grupo de 15 a 20 famílias, ou mais, que se reúnem em torno da Palavra de Deus para expressar e alimentar sua fé, discutir à luz desta Palavra seus problemas, e ajudar-se mutuamente” (p. 94).

Um pouco mais abaixo, Boff passa a explicar como as CEBs usam a Bíblia apenas como instrumento para levar o povo a uma percepção materialista da vida, à revolta, à luta de classes. Dividirei o texto para facilitar a compreensão:

“O nível de consciência das comunidades abrange comumente três etapas.

1) Inicialmente, os membros descobrem a Igreja, ou melhor, descobrem que são Igreja: preparam as liturgias, apropriam-se da palavra, comentando os textos escriturísticos e formulando orações, inventam dramatizações e celebrações.

2) Num segundo momento, descobrem a vida, os problemas domésticos, profissionais, a pobreza do grupo; tudo isto não é indiferente para a fé e para o Evangelho. Sob a inspiração religiosa, passam eles à prática da ajuda mútua.

3) No terceiro momento, descobrem a sociedade e seus mecanismos de dominação. Dão-se conta de que sua situação de marginalizados é produzida por certo tipo de sociedade elitista e concentrada nas mãos de poucos.

Geralmente, o povo parte de uma perspectiva religiosa: a pobreza que sofre é opressão que significa pecado e contradição do desígnio de Deus; depois, ele passa para uma visão moral: trata-se de injustiça social, de ganância, de desejo desordenado de lucro; em seguida, chega ele a uma expressão política: há interesses de classe, exploração, violação de direitos básicos, e desemboca, finalmente, numa interpretação econômica: dominação de uma classe sobre a outra, desigualdade de condições e opressão” (p. 95).

Notem que esta é a metodologia utilizada para ir levando pouco-a-pouco todo um grupo de pessoas à psicologia da luta de classes, com escopo revolucionário.

A conclusão de Boff, no fundo, é o pressuposto do qual ele parte. Para ele, o substrato de todos os problemas humanos é de natureza econômica.

Esta convicção, porém, é a própria essência da cosmologia marxista. O próprio Friedrich Engels, discípulo e parceiro de Karl Marx, escreveu que

“as forças motrizes que – consciente ou inconscientemente e, há que o dizer, na maior parte das vezes inconscientemente – se encontram por detrás dos móbeis das ações históricas dos homens e que, de fato, constituem as forças motrizes últimas da história, os móbeis dos indivíduos, por muito eminentes que sejam, não serão tão importantes como os móbeis que põem em movimento as grandes massas, povos inteiros e em cada povo, por seu turno, classes inteiras” e que “todas as lutas políticas são lutas de classe e que todas as lutas que no seu tempo emancipam classes, apesar da sua forma necessariamente política – porque qualquer luta de classes é uma luta política –, giram, em última análise, em torno de uma emancipação econômica” (Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã, Biblioteca do Socialismo Científico, 3a. Edição, Editorial Estampa, Lisboa: 1975, pp. 136-139).

Vejam a semelhança absurda da lógica deste texto de Engels com aquele texto de Boff.

Na perspectiva “libertadora” das CEBs, até mesmo a Escritura pode ser utilizada como instrumento transitório para se chegar a este mesmo resultado.

Para Boff, a Bíblia serve unicamente para isso!

Numa entrevista do ano passado, durante o período eleitoral, Boff criticou durante a candidata Marina Silva, exatamente por causa de suas convicções bíblicas. Reparem bem em suas palavras:

“O que mudou em Marina Silva? Primeiro ela mudou de religião.De um cristianismo de libertação, ligado aos povos da floresta e aos pobres, passou para um cristianismo pietista e fundamentalista que tira o vigor do engajamento e se basta com orações e leituras literalistas da Bíblia. Isso transformou a Marina numa fundamentalista com a mentalidade de alguns líderes muçulmanos: ler a vontade de Deus não na história e no povo, mas nas páginas da Bíblia de 3-4 mil anos atrás. Isso enrijece a mente e a torna ingênua face à realidade política. Ela viverá permanentemente em crise de consciência entre a lógica da realidade e a lógica religiosa, fundada numa leitura velhista, errônea e anti-histórica da Bíblia”.

Concluindo…
A TL não é uma teologia inspirada no marxismo. É o próprio marxismo, enquanto sistema, desde os seus primeiros pressupostos epistemológicos, disfarçado de teologia. É por causa desta identidade entre marxismo e TL que os teólogos e clérigos que a ela aderem passam a ver o programa do PT e, dentro dele, da reforma constitucional, que o projeto do partido exige, como um programa também da Igreja.

Engana-se quem pensa que a TL tenha sido construída com o propósito essencial de levar a Igreja a uma maior sensibilidade para com os pobres.

Durante os meses de julho e agosto de 1988, mais de cinquenta expoentes mundiais da TL reuniram-se em Maryknoll, Nova York, em um congresso para celebrar o sexagégimo aniversário de Gustavo Gutiérrez. Johan Babptist Metz, o sacerdote fundador da Teologia Política na Europa e um dos principais mentores de Gutiérrez, assim declarou sobre o seu aluno:

“Meu amigo Gustavo Gutiérrez, em suas publicações recentes, sempre tem sublinhado que a Teologia da Libertação não diz respeito a uma nova ética para a Igreja, mas à própria Teologia. É este caráter fundamental da Teologia da Libertação que desejamos discutir agora” (Theology in theStruggle for HistoryandSociety; in The Future of LiberationTheology, Essays in honor of Gustavo Gutierrez, edited by Marc Ellis and Otto Maduro, Orbis Books, Maryknoll, 1989,pp. 165-171. Tradução minha).

Para os bons entendedores, porém, isto já deveria ter estado claro desde o início do primeiro livro de Gutiérrez, quando este afirma que a nova Teologia Crítica não somente deverá suceder a Teologia Sapiencial do primeiro milênio e a Teologia Racional do segundo milênio, mas deverá, futuramente, absorvê-las em si mesma: “Não se trata de simples justaposição. A Teologia Crítica leva necessariamente a uma redefinição das duas primeiras tarefas da Teologia. A Teologia Sapiencial e a Racional terão, daí em diante, como ponto de partida, a práxis histórica. Não é um novo tema para reflexão, mas uma nova maneira de fazer teologia” (Teologia da Libertação, pp. 71-73).

Como o leitor terá percebido, a verdadeira função da TL é parasitar a Igreja, mantendo uma aparência externa, para metamorfoseá-la em um organismo integrante do projeto revolucionário marxista. Para estes “intelectuais orgânicos”, a função da Igreja é ser usada como instrumento para a transformação da sociedade na perspectivada cosmologia marxista, obrigando-a a ressignificar-se de acordo com a nova “teologia crítica”, essencialmente baseada no materialismo econômico e na luta de classes.

São os que já foram conquistados por esta nova cosmologia que nos estão querendo submeter ao engodo deste Projeto de Reforma Política, usurpando o nome da nossa Conferência Episcopal, a despeito da maioria ignorada dos bispos, ameaçando fazer os fiéis da nossa geração passarem a vergonha histórica de serem cúmplices da introdução de uma ditadura bolivariana em nossa nação.

O maior inimigo da Igreja Católica no Brasil é a TL. E é dever de todo católico combatê-la energicamente, pois não podemos permitir que a Igreja seja interceptada por uma ideologia materialista e mundana.

Por isso, convido o caro leitor a divulgar este texto, escrever outros e expor com toda a clareza o modus operandi da TL em nossas igrejas. Peçam a padres e bispos que se manifestem claramente sobre sua própria adesão à TL e sobre o seu verdadeiro conteúdo. Antes que o cupim destroce toda a mobília, peçam que tragam à luz do dia o que é e o que faz a TL.

O Projeto de Reforma Política apresentado pela CNBB é apenas uma decorrência última desta infiltração. Se for bem sucedido, pode ser que a Igreja tenha cumprido sua função e, depois de ter propiciado a completa Revolução socialista no Brasil, possa ser devidamente destruída por aqueles que a interceptaram por dentro.

O papel do Brasil no cenário da revolução continental que o Foro de São Paulo visa criar, gerando a “grande pátria latino-americana”, é decisivo. Se perder o governo do Brasil, não apenas o PT estará perdido, mas todas as décadas de revolução latino-americana irão por água abaixo. O Foro de São Paulo sofrerá uma grande hemorragia.

Por isso, não podemos nos deixar enganar. Faça um grupo, procure seu bispo, fale sobre esta situação dramática. Você vai perceber que a maioria dos bispos já está compreendendo a situação e precisa deste apoio para poder agir. Não vá sozinho; o grupo proporciona um ambiente de diálogo, dentro do qual é mais fácil chegar a um discernimento.

O futuro do Brasil está nas mãos da Igreja. Não podemos cruzar os braços diante dAquele que no-los abriu na cruz!

Deus salve a Igreja!

Deus salve o Brasil!


terça-feira, maio 05, 2015

Por que Lula ataca jornalistas e o MPF?.







por Claudio Tognolli




Há lançadas nos EUA 284 biografias não-autorizadas de Michael Jackson. Nenhuma sofreu retaliações da família Jackson, óbvio. Ali se respeita liberdade de expressão.

Ali, também, quando uma figura pública é acusada, cabe a ela, e somente a ela, sua defesa –sem ataques ad hominem contra os acusadores. Cabe ao acusado a chamada “exceção da verdade”.

Desde 2007 o Brasil é o país que mais processa jornalistas em todo o universo. Quando Márcio Chaer fez esse levantamento, inédito, há quase dez anos, tivemos um fenômeno ogramente brazuca: os advogados das quatro maiores empresas jornalísticas do Brasil passaram a vetar a divulgação do número de ações civis contra jornalistas. Alegavam que tal publicidade afetaria o valor de ações de mercado dessas empresas.

Ok: no Brasil, político sobretudo é que mais processa jornalista civilmente, em busca de reparo financeiro. Nada contra. A arena do direito foi feita afinal para pacificar tais pendengas. Mas Lula não quer lutar na justiça: requer uma “Sharia” xiita da sociedade, uma reação (como lhe cai bem) em cadeia…

As acusações de Lula e do PT contra não apenas o jornalista de Época, mas contra toda a categoria que o investiga, estabelecem um marco. Lula não quer decidir o lance nos tribunais: opta pela conclamação dos militantes a uma cruzada contra a “direita”.

Vivemos tempos bipolares. Um Brasil melhor seria, digamos, heteropolar. Os termos “política de direita” e “política de esquerda” foram cunhados na Revolução Francesa (1789–99). Inicialmente, apenas se referiam ao lugar onde políticos se sentavam no parlamento francês. Aqueles sentados à direita da cadeira do presidente parlamentar eram singularmente favoráveis ao Antigo Regime, (defesa cega da hierarquia, tradição e clero).

Aqui e agora, interessa aos zeros à esquerda dizer que no Brasil o oposto da esquerda é tão somente a direita furiosa.

Mentira: a maioria oposta à esquerda dita progressista, no Brasil, é composta por conservadores. E eles em sua imensa maioria não são direitistas.

Mesmo os conservadores trazem contradições que chocariam nossas “esquerdas”: Edmund Burke, bretão pai do conceito de conservadorismo, era dito conservador porque se opunha à Revolução Francesa (mas defendia com unhas e dentes a Revolução Americana, para o arrepio das nossas “esquerdas…)

Churchill nunca foi de direita: era conservador, apenas.

Tem mais: quem “ataca” o presidente Lula fez apenas o papel de fiscalizar poderes.

Tem mais: o procurador que “atacou” Lula cumpriu apenas o seu papel claro de Promotoria, que é o de acusar, ou por outra, in dubio pro societate.

Tem mais: Walter Lippmann, pai do jornalismo dos EUA, gostava de dizer que “a função da imprensa não é mostrar a verdade, mas jogar luz sobre os fatos”.

O fato é claro: o MPF investiga Lula sim. E ponto final…

Lula deixou uma mensagem clara: é contra poderes constituídos, mas se curva antes poderes constituintes…

Tem mais: confiram a defesa que a categoria fez do Procurador atacado por Lula:



Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) vem a público reiterar sua confiança no trabalho do procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, bem como no dos demais membros do Ministério Público Federal no Distrito Federal. Após a publicação da reportagem “Lula, o operador”, pela Revista Época, no dia 2 de maio, Cordeiro tornou-se alvo de críticas infundadas, calúnias e difamações na internet.

A ANPR repudia qualquer ataque de cunho pessoal à atuação funcional dos procuradores da República, em especial quando se caracterizam pela falta de conhecimento dos fatos. Cabe esclarecer, primeiramente, que o procurador da República Anselmo Cordeiro não é o responsável pela investigação de suposto tráfico internacional de influência que teria sido cometido pelo ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva - o procedimento está sob a direção de outro membro do MPF.

É importante frisar também que os membros do Ministério Público Federal não têm qualquer interesse em retaliar, perseguir ou prejudicar os investigados. Ao promover as medidas legais cabíveis para levar ao conhecimento das autoridades competentes fatos de extrema gravidade, os procuradores da República visam à defesa da ordem jurídica e do Estado Democrático de Direito. Eles tão-somente exercem seu dever constitucional de fazer com que a lei seja efetivamente cumprida por todos, sempre respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, no desempenho de suas funções.

A Associação defenderá em todas as instâncias a atuação funcional dos procuradores da República, na forma que garantem a Constituição e a lei, evitando qualquer expediente de diminuição do Ministério Público na defesa dos princípios da República, da sociedade e do bem comum.

Alexandre Camanho de Assis Procurador Regional da República Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República


Sete provas de que o governo faz mal à saúde.





por Leandro Narloch



1. O governo cobra 41% de imposto sobre o protetor solar

Usar protetor solar é um ato simples para evitar câncer de pele, doença que atinge 180 mil brasileiros por ano. Mas quem optar por seguir as recomendações médicas e usar o produto terá quepagar 41% de imposto (veja aqui também). Com os tributos, o protetor solar brasileiro é um dos mais caros do mundo.

2. O governo proíbe remédios contra câncer (e prende quem os traz ao Brasil)

A primeira regra do tratamento de câncer é que tempo é tudo. Quanto antes o tumor for tratado, maior a chance de sobrevivência. Seria bom avisar isso para a Anvisa. 

Há pelo menos onze remédios contra câncer já aprovados pelo FDA (a Anvisa americana) e por agências europeias que não podem entrar no Brasil porque a Anvisa tarda em aprová-los. Essa burocracia está criando um mercado negro de remédios no Brasil. Em março, uma operação da Receita Federal combateu o crime terrível, cruel e hediondo de trazer remédios importados a doentes brasileiros.

3. Campanha contra o agasalho

A Campanha do Agasalho todo mundo conhece, mas pouca gente sabe que há no Brasil uma campanha com o objetivo contrário: cobrar mais de quem quer se proteger do frio.

Desde 2012, o governo sobretaxa em 97% o valor dos cobertores vindos do Uruguai, Paraguai e da China. O motivo da sobretaxa é que os produtos são muito baratos, e poderiam ameaçar fabricantes nacionais.

4. A Anvisa dificulta a importação de equipamentos médicos modernos

Até 2010, clínicas e hospitais interessados em adquirir máquinas e equipamentos mais modernos podiam importar qualquer produto que tivesse alguma certificação internacional. De repente, porém, decidiu-se que somente equipamentos certificados pela própria Anvisa entrariam no país.

Detalhe: a agência demora em média quatro anos para analisar e certificar equipamentos que já são usados em todo o mundo.

Hospitais que em 2015 quiserem comprar equipamentos que emitem menos radiação só podem escolher os lançados até 2011.

5. Carro mais seguro paga mais imposto

Em 2011, montadoras da Ásia chegaram ao Brasil oferecendo carros com airbags duplos e laterais e freios ABS, na mesma faixa de preços dos "peladões" nacionais.

A reação do governo não foi aplaudir ou celebrar a inovação, mas sobretaxar os veículos para que eles deixem de competir com os das montadoras nacionais. Até hoje, as importadoras não voltaram ao patamar de vendas anterior. (Ver aquiaquiaqui aqui)


6. O governo restringe o número de médicos no país

O Brasil tem 2 médicos por mil habitantes, e boa parte deles concentrados em grandes cidades. É menos do que a meta do Ministério da Saúde (2,5 por mil).

Como piorar esse quadro? Dificultando a criação de cursos de medicina.

Desde 2013, para se abrir uma nova turma é necessário esperar que os funcionários do Ministério da Educação lancem um edital autorizando o negócio. Um menor número de médicos significa, por oferta e procura, serviços piores e preços maiores por consulta.

7. O governo proíbe cigarros que provocam menos câncer

Cigarros eletrônicos têm dez vezes menos substâncias cancerígenas que cigarros comuns e não produzem fumaça, apenas vapor, sem prejudicar a saúde de quem vive perto de fumantes.

Por isso os "e-cigarettes" são febre no mundo todo — com exceção da Turquia e do Brasil.

Desde 2009, a Anvisa proíbe a venda do produto por aqui. O mais incrível é que os diretores da Anvisa dizem que têm como objetivo aprimorar, e não atrapalhar, a saúde no Brasil.




(*)Leandro Narloch é jornalista e autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, e do Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, além de ser co-autor, junto com o jornalista Duda Teixeira, do Guia Politicamente Incorreto da América Latina, todos na lista dos livros mais vendidos do país desde que foram lançados.

domingo, maio 03, 2015

O mercado, e não os sindicatos, nos propiciou o lazer e o descanso.









O mercado, e não os sindicatos, nos propiciou o lazer e o descanso.
por Thomas DiLorenzo





Em seu livro Ação Humana, Ludwig von Mises escreveu que os sindicatos sempre foram a fonte primária de propaganda anticapitalista. Lembrei-me disso recentemente ao ver um adesivo de pára-choque aclamando um dos credos fundamentais do sindicalismo: "O movimento sindical: as pessoas que lhe trouxeram o fim de semana".

Não exatamente. Nas últimas décadas do século XIX, a semana de trabalho era de, em média, 61 horas de trabalho. Atualmente, nos países mais ricos, ela é de 34 horas. E esta quase duplicação do tempo de lazer para os trabalhadores foi possibilitada pelo capitalismo, e não pelo sindicalismo. 

Como explicou Mises: "Na sociedade capitalista prevalece uma tendência de contínuo aumento da quota de capital investido per capita. ... Consequentemente, a produtividade marginal do trabalho, os salários reais e o padrão de vida dos assalariados tendem a aumentar continuamente."

É claro que isso só ocorre em economias capitalistas em que a prevalecem a propriedade privada, a livre iniciativa e o empreendedorismo. O contínuo aumento observado no padrão de vida dos países (predominantemente) capitalistas se deve aos benefícios gerados pelo investimento em capital, pelo empreendedorismo, pelo avanço tecnológico, e por uma força de trabalho mais bem educada (e não à educação estatal, que serviu apenas para tornar a população mais ignorante). 

Os sindicatos rotineiramente conseguem um feito inegavelmente astuto: eles conseguem ganhar o crédito por essas melhorias ao mesmo tempo em que defendem políticas que afetam e obstruem justamente as instituições do capitalismo que são a causa da prosperidade deles próprios.

A semana de trabalho mais curta é uma invenção inteiramente capitalista. À medida que os investimentos em capital — isto é, em máquinas, equipamentos e instalações mais modernas — levaram a um aumento na produtividade marginal dos trabalhadores ao longo do tempo, foi possível que uma quantidade menor de trabalho gerasse os mesmos níveis de produção. À medida que a concorrência por mão-de-obra foi se tornando mais intensa, vários empregadores passaram a competir pelos melhores empregados. E esta competição se deu de duas maneiras: oferecendo salários maiores e horas de trabalho menores. 

Aqueles que não oferecessem semanas de trabalho menores eram obrigados pelas forças da concorrência a compensar esta desvantagem oferecendo salários maiores — caso contrário, estes empreendedores se tornariam pouco competitivos junto ao mercado de trabalho, ficando sem mão-de-obra qualificada.

A concorrência capitalista, não obstante as alegações contrárias dos sindicalistas, também explica por que o "trabalho infantil" desapareceu nos países ricos. Antigamente, os jovens deixavam o campo e iam para a cidade trabalhar sob condições severas nas fábricas porque isso era uma questão de sobrevivência para eles e para suas famílias. Porém, à medida que os trabalhadores foram se tornando mais bem pagos — graças aos investimentos em capital e aos subsequentes aumentos na produtividade —, um número cada vez maior de pessoas passou a poder se dar ao luxo de manter seus filhos em casa e na escola. 

As legislações, apoiadas pelos sindicatos, proibindo o trabalho infantil só surgiram depois que o trabalho infantil já havia declinado.

Ademais, as leis contra o trabalho infantil aprovadas nos séculos seguintes sempre foram de cunho protecionista e sempre tiveram o objetivo de privar os mais jovens da oportunidade de trabalhar. Dado que o trabalho infantil, em várias ocasiões, concorria com a mão-de-obra sindicalizada, os sindicatos se esforçaram ao máximo para usar o poder do estado com o intuito de privar os mais jovens do direito de trabalhar. 

Atualmente, nos países mais atrasados, o amor incontido dos sindicalistas às crianças fez com que a alternativa ao "trabalho infantil" passasse a ser a mendicância, a prostituição, o crime e a inanição. Os sindicatos absurdamente proclamam estar adotando uma postura altamente moral ao defenderem políticas protecionistas que inevitavelmente levam a estas desumanas consequências.

Os sindicatos também se vangloriam de ter defendido todas as legislações sobre segurança do trabalho impostas pelo Ministério do Trabalho e similares agências governamentais. É fato que os ambientes de trabalho são hoje muito mais seguros do que eram há mais de um século, mas isso foi também uma consequência das forças da concorrência capitalista, e não das regulamentações defendidas pelos sindicatos. 

Ainda hoje, há pessoas que realmente acreditam que no século XVIII havia o mesmo tanto de riqueza que há hoje, de modo que, se os salários eram baixos (comparado aos padrões de hoje), se a segurança no trabalho era precária (de novo, comparado aos padrões de hoje) e se mulheres e crianças trabalhavam, isso só ocorria porque os malditos e gananciosos capitalistas se recusavam a prover segurança e salários altos, e obrigavam mulheres e crianças a trabalhar.

Tais pessoas realmente acreditam que bastava apenas um decreto governamental para que um trabalhador em 1750 gozasse dos mesmos confortos, segurança no trabalho e níveis salariais vigentes hoje! É inacreditável. Para quem está acostumado a todas as comodidades e confortos do século XXI, é claro que as condições de vida do século XVIII pareciam "sub-humanas".

Falar que a qualidade de vida era ruim nos séculos XVIII e XIX tendo por base o século XXI, e daí tirar conclusões, é vigarice intelectual. Tal postura ignora toda a acumulação de capital que ocorreu ao logo dos séculos seguintes. Era simplesmente impossível ter nos séculos XVIII e XIX a qualidade de vida que usufruímos hoje no século XXI, a segurança no trabalho, e a renda. Naquela época, não havia a mesma acumulação de capital que temos hoje. A produtividade era menor, os investimentos eram menores, a quantidade e a variedade de bens e serviços eram menores. Era impossível ter naquela época a mesma quantidade de comodidades que temos hoje.

Trabalhar muito e receber pouco não era uma decisão de capitalistas maldosos. Era a necessidade da época. Quem realmente acredita que era possível trabalhar 6 horas por dia nos séculos XVIII e XIX e ainda assim viver bem não entende absolutamente nada de economia. Tal raciocínio parte do princípio de que vivemos no Jardim do Éden, que a riqueza já está dada, e que tudo é uma mera questão de redistribuição.

Ambientes de trabalho perigosos e precários são extremamente custosos para os empregadores, pois eles são obrigados a oferecer uma diferença compensadora (salários maiores) para conseguir atrair mão-de-obra. Mais ainda: a diferença salarial teria de ser muito alta para atrair trabalhadores qualificados, que é o que todo empregador realmente quer. 

Sendo assim, qualquer empreendedor possui um poderoso interesse financeiro em aperfeiçoar a segurança de seu ambiente de trabalho, especialmente nas indústrias, onde os salários normalmente são a maioria dos custos totais. Adicionalmente, caso o mercado de trabalho seja livre, permitindo ampla liberdade de mobilidade para os trabalhadores e ampla oferta de trabalho, empregadores que não aumentarem continuamente tanto a segurança quanto os salários de seus empregados irão perder mão-de-obra. 

Toda perda de mão-de-obra implica grandes custos para os empregadores, que têm de arcar com os custos da mão-de-obra perdida, treinando e qualificando novos empregados. Da mesma maneira, quanto menor for a segurança no trabalho, maiores serão os gastos com compensações trabalhistas em decorrência de acidentes de trabalho — para não mencionar a simples ameaça de processos.

Investimentos em tecnologia — desde tratores e retroescavadeiras com ar condicionado aos robôs utilizados nas fábricas de automóveis — também tornaram o ambiente de trabalho mais seguro. No entanto, os sindicatos quase sempre se opuseram a estas tecnologias, recorrendo ao argumento ludita de que elas "destroem empregos".

Mises estava certo ao dizer que os sindicatos sempre foram uma das principais fontes de propaganda anticapitalista. Porém, desde que ele escreveu Ação Humana, os sindicatos também se tornaram a principal frente de esforços lobistas em prol da regulamentação e da tributação de empresas, algo que serve apenas para destruir seu capital e consequentemente impedir aprimoramentos na produção e na segurança do trabalho. 

Isso obstruiu severamente o progresso da economia de mercado, fazendo com que todos, inclusive os sindicalistas, ficassem em uma situação pior do que poderiam estar em termos econômicos. As regulamentações impostas sobre as empresas por burocracias federais, estaduais e municipais constituem um tributo efetivo sobre os investimentos em capital, fazendo com que tais investimentos sejam menos lucrativos. 

Menos investimentos em capital geram um declínio no crescimento da produtividade da mão-de-obra, o que por sua vez diminui o crescimento dos salários e do padrão de vida.

Adicionalmente, um aumento mais lento da produtividade leva a um aumento mais lento de tudo o que é produzido na economia, fazendo com que os preços de bens e serviços sejam maiores do que seriam em um contexto de maior liberdade. Adicionalmente, uma quantidade menor de produtos será inventada e comercializada. 

Tudo isso é prejudicial para a economia e para o bem-estar daquelas mesmas pessoas que os sindicatos alegam "representar". (Inacreditavelmente, existem economistas que afirmam que os sindicatos são bons para a produtividade. Se isso fosse verdade, as empresas estariam recrutando sindicalistas, e não se esforçando para tentar impedir a sindicalização de seus empregados.)

Mises também demonstrou que, à medida que as empresas vão se tornando mais estritamente reguladas, suas decisões empreendedoriais vão se tornando cada vez mais baseadas na aquiescência aos ditames governamentais e não na busca pelo lucro. Os sindicatos continuam a clamar por mais regulamentações porque, para poderem sobreviver, eles têm de convencer os trabalhadores — e a sociedade — de que "as empresas são o inimigo". É por isso que, como observou Mises, a propaganda sindicalista sempre foi anticapitalista. Os trabalhadores supostamente necessitam de ser protegidos do "inimigo" pelos sindicatos.

Mas a realidade é que substituir decisões que visam ao lucro pela mera complacência à burocracia é uma postura que reduz a lucratividade sem trazer benefício algum para ninguém. O resultado final será, mais uma vez, uma redução na lucratividade do investimento e uma subsequente redução na quantidade de investimentos. Os salários estagnam e qualidade de vida fica abaixo do potencial, graças à autodestrutiva propaganda sindical. 

As altas hostes sindicais, extremamente bem remuneradas, conseguem manter seus empregos e seus privilégios ao perpetuarem tais propagandas. Vários líderes sindicais conseguem se tornar políticos bem-sucedidos. Mas o que eles realmente fazem é prejudicar exatamente aquelas pessoas que compulsoriamente pagam as taxas que são utilizadas para sustentar seus luxos.

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Leia também:






Tradução de Leandro Roque

sábado, maio 02, 2015

Paulo Freire e a “educação bancária” ideologizada.










Por Luiz Lopes Diniz Filho(*)



É sempre bom recordar tudo o que se refira à Ideologização da Escola, transformandos nossos filhos em verdadeiros zumbis que repetem frases estupidas. Esse artigo foi originalmente escrito em 2013.
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Em 18 de janeiro de 2013 a Gazeta do Povo publicou uma reportagem com mais uma batelada desses chavões que os seguidores de Paulo Freire usam para nos fazer acreditar que esse sujeito era um educador preocupado com liberdade e autonomia do indivíduo, quando ele não passava de um doutrinador ideológico dogmático e autoritário (mas de fala mansa). Como crítico de sua pedagogia, gostaria de tecer alguns comentários.

Segundo a reportagem, Freire – que “defendia uma educação assumidamente ideológica”“propunha uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos e condenava o tradicionalismo da escola brasileira, que chamou de ‘educação bancária’, em que o professor deposita o conhecimento em um aluno desprovido de seus próximos pensamentos. Tal sistema, diz, só manteria a estratificação das classes sociais, servindo o ensino de mero treinamento para a formação de massa de trabalho. Contrariamente, Freire propunha a construção do saber de forma conjunta, em que o professor se aproxima dos conhecimentos prévios dos estudantes, para com essas informações ser capaz de apresentar os conteúdos aos alunos, que teriam poder e espaço para questionar os novos saberes”.

Na prática, a coisa funciona assim: o professor questiona os alunos sobre o seu dia a dia, apresenta uma explicação ideológica para os problemas e insatisfações relatados, e depois discute com eles o que acharam desse conteúdo. Se os alunos discordarem da explicação, o professor argumenta em favor do seu próprio ponto de vista ideológico. Ao fim do diálogo, o professor conclui que os alunos que ele conseguiu convencer estão agora “conscientes” da sua “verdadeira” condição de oprimidos e explorados pela sociedade de classes.

Ora, isso é apenas a dita “educação bancária” camuflada de diálogo! O professor apresenta uma única via para explicar as situações relatadas pelos alunos: a ideologia em que ele acredita. O aluno é deixado na ignorância sobre a existência de pesquisas que explicam as situações de pobreza, desigualdade, problemas urbanos e ambientais, entre outros, fora do universo teórico e ideológico do professor.

O próprio simplismo do pensamento de Paulo Freire permite exemplificar como isso se dá. Suponham que um aluno de Freire, um operário em processo de alfabetização, convidado a falar sobre sua vida cotidiana, dissesse que está desempregado. Aproveitando a oportunidade para “conscientizar” o aluno, o professor Freire apresentaria a sua visão sobre o tema: “O desemprego no mundo não é, como disse e tenho repetido, uma fatalidade. É antes o resultado de uma globalização da economia e de avanços tecnológicos a que vem faltando o dever ser de uma ética realmente a serviço do ser humano e não do lucro e da gulodice irrefreada das minorias que comandam o mundo” (a citação é de Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa).

É claro que o aluno hipotético só poderia contestar essa análise se tivesse lido trabalhos de economistas sobre as causas do desemprego. Entretanto, o aluno obviamente não leu nada disso, pois está se alfabetizando! Ou seja, o aluno não tem nem poder nem espaço para “questionar os novos saberes” apresentados pelo professor.

O que se tem aí, portanto, é um método que consiste em transmitir ao aluno verdades prontas, tal como na dita “educação bancária”, mas disfarçado por um processo dialógico manipulado pelo professor, que sonega ao aluno o conhecimento de explicações alternativas e mais sofisticadas do que aquela!

(*) Doutor em Geografia pela FFLCH-USP, professor do Departamento de Geografia da UFPR e colaborador do ESP.

sexta-feira, maio 01, 2015

Cardeal Raymundo Damasceno foi a evento da religião biônica da ONU e não citou Jesus Cristo.


Cardeal Raymundo Damasceno foi a evento da religião biônica da ONU e não citou Jesus Cristo.
por Alex Pereira(*).



O alto dirigente da CNBB Raymundo Damasceno participou de um encontro da religião biônica da ONU, na cidade de Viena, Áustria, realizado entre os dias 20 e 23 de novembro de 2013.

No discurso transcrito em 3 páginas, o líder da seita cristã-esquerdista não citou nenhuma vez o nome de Jesus Cristo, do qual Raymundo se diz “pastor de almas” diante do público brasileiro. Com certeza esse discurso do cardeal globalista é uma vergonha, e segue à risca a lei imposta na nova Arca da Aliança de Mikhail Gorbachev.


Intervención del Emmo. Sr. Cardenal Raymundo Damasceno Assis, Arzobispo de Aparecida, Presidente de la Conferencia Nacional de los Obispos de Brasil (CONIB), Moderador de Religiones por la Paz América Latina y el Caribe, y Representante del Consejo Episcopal Latinoamericano (CELAM) en la Sesión Plenaria IV: “Acogiendo al otro a través del desarrollo humano que respeta la Tierra.”








Queridos hermanos y hermanas

Estoy participando en esta 9na Asamblea Mundial de Religiones por la Paz en nombre del Consejo Episcopal

Latinoamericano (CELAM), organismo de la Iglesia Católica que anima y acompaña las 22 Conferencias

Episcopales de los 35 países de América Latina y el Caribe.

Saludo cordialmente cada tradición religiosa representada por sus delegaciones en esta 9na Asamblea Mundial de Religiones por la Paz. Esta es, sin duda, una rica experiencia de encuentro, diálogo y convivencia interreligiosa; una experiencia que fortalece y consolida los caminos que ya hemos comenzado a recorrer en un ambiente de diálogo, respeto mutuo y cooperación entre nuestras diferentes tradiciones religiosas.

Saludo y agradezco, particularmente, a las personas que se han empeñado más directamente en la organización de este importante evento.

Vivimos en un mundo plural, con múltiples manifestaciones sobre todo en los ámbitos de la cultura, de la política, de la economía, de las ciencias y de la religión. Esta realidad plural es factor de enriquecimiento para la convivencia humana, un llamado a la interacción y a la solidaridad global. Todos los pueblos viven hoy una interdependencia que posibilita el intercambio de valores culturales, materiales y espirituales, comprometiendo a todos en la construcción de un destino común de la humanidad en los horizontes de la paz, la justicia y la comunión.

Las religiones tienen aquí un papel importante que cumplir. Es propio de la religión establecer relaciones, crear vínculos, tender puentes. El corazón de las religiones está formado por venas interconectadas que se comunican, se unen, se integran. Ellas son generadoras de solidaridad, fraternidad, compasión, justicia y paz.

En el actual contexto religioso plural, se identifica una diversidad de cosmovisiones sagradas, una multiplicidad de orientaciones de sentido donde “Dios”, “experiencia religiosa”, “mística”, “salvación”, expresan contenidos y experiencias bien diversas. Esos diferentes universos religiosos no pueden estar en competencia. No pueden ser ideologizados (cultural, política y económicamente) y volverse un factor de tensiones y conflictos en la sociedad. Las religiones están llamadas a vivir en un contexto de intercambio de dones, que fortalece los proyectos de cooperación por el bien de la humanidad y por la defensa de la creación.

En esta forma, como religiosos, tenemos el deber de poner mucha atención a factores que pueden promover la desintegración de las relaciones entre los pueblos. Las catástrofes naturales, en Haiti, Japón, Filipinas y otros logares, el empobrecimiento y las guerras, intensifican el fenómeno de la movilidad humana en muchas regiones del planeta.

La permanente búsqueda del desarrollo económico muchas veces no respeta los derechos de los pueblos, por ejemplo, los derechos de los indígenas, de los afrodescendientes y de las futuras generaciones, y los derechos de la tierra, por consiguiente, la globalización económica no incluye la “globalización de la solidaridad y de la justicia”. Las difíciles situaciones sociales y ambientales en que viven grandes sectores de la población mundial es consecuencia y también causa de múltiples tensiones en las relaciones nacionales e internacionales.

¿Cuál es el papel de las religiones en este contexto? ¿Qué podemos hacer juntos para aliviar los males que la humanidad y la creación sufren en estos días? No se trata de dar recetas, mas permítanme apuntar algunos caminos.


En primer lugar, es importante entender que religión y sociedad son realidades que se reclaman mutuamente. Esa relación no siempre es pacífica, pero es fundamental para que las religiones perciban el importante papel que deben cumplir en la sociedad: promueven el ejercicio de la convivencia, la afirmación de la libertad, la promoción de la dignidad del ser humano. Las religiones son una instancia de sentido que garantiza la unión de las sociedades y de los pueblos. En sintonía con el Concilio Vaticano II (1962-1965) de la

Iglesia Católica, podemos decir que “las alegrías y las esperanzas, las tristezas y las angustias” de los pueblos de nuestro tiempo, son también (o deberían ser) alegrías, esperanzas, tristezas y angustias de las religiones.

En segundo lugar, es fundamental ir hasta el corazón de nuestras tradiciones religiosas, buscando juntos los elementos que construyen los caminos de encuentro entre ellas, no para homogeneizar nuestras diferencias, sino con miras a la construcción de una agenda común en la promoción de la paz en el mundo, la defensa y promoción de la vida humana, el cuidado con toda la creación.

En tercer lugar, es importante buscar nuevos horizontes que podamos conquistar juntos en esta búsqueda de una sociedad más justa y equitativa. Me gustaría sugerir algunos caminos.

. El camino antropológico: es preciso fortalecer la religión en esa dimensión de firmación de lo humano. No existe una religión sin humanismo. Todo humanismo que no tiene en cuenta la religión corre el riesgo de frustrar los intentos de una vida feliz tan deseada por todas las personas. El ser humano está llamado a una relación con lo Trascendente, de modo que el valor de la religión está garantizado por el valor de lo humano que ella promueve.

. El camino teológico-doctrinal: una tradición religiosa se afirma en la comprensión que tiene de lo Divino/Trascendente en su relación con lo humano/inmanente. Las tradiciones religiosas, particularmente la mía, se propone como interpretación simbólica la auto-manifestación del Trascendente en las situaciones concretas de la existencia humana, buscando responder a los interrogantes más profundos del hombre y de la mujer. De aquí surgen las diferentes doctrinas, ritos y símbolos religiosos. Urge hoy día fortalecer el principio de la libertad religiosa en la sociedad actual. Ese principio se fundamenta en la profundidad de la conciencia que constituye la dignidad de cada persona. Para eso, debemos colocar nuestras tradiciones a disposición unas de otras, en un encuentro que nos posibilite atender, juntos, el universo religioso que ampara y fundamenta el universo humano, social y cósmico.

. El camino socio-ecológico: es preciso buscar la cooperación interreligiosa con miras a la defensa y promoción de la vida humana y del planeta. Esto exige una mirada común para lo humano y para la creación entera, buscando un acuerdo básico sobre los fines y los valores comunes, así como sobre los medios para alcanzarlos. Se trata de los valores que fortalecen la vida pública y desarrollan el cuidado de toda la creación, valores como la justicia, la paz, el respeto, la solidaridad, la libertad, la fraternidad, los derechos humanos y de la tierra. Esos elementos tienen raíces y significados en nuestras diferentes religiones.

En la Iglesia Católica, el Papa Benedicto XVI, en la Encíclica Caritas in Veritate, invitó al mundo entero a hacer una “alianza entre el ser humano y el medio ambiente, que ha de ser reflejo del amor creador de Dios, del cual procedemos y hacia el cual caminamos” (DCE 50). En este campo hizo un llamado a los responsables internacionales para que todos actúen conjuntamente y demuestren prontitud en la protección del entorno, de los recursos y del clima, obrando siempre de buena fe, en el respeto de la ley y la solidaridad con las regiones más ébiles del planeta.

Por su parte, el Papa Francisco, quien tomó el nombre del patrono de la ecología, San Francisco de Asís, decía en el inicio de su pontificado: “Sed custodios de los dones de Dios. Cuando el hombre falla en esta responsabilidad, cuando no nos preocupamos por la creación y por los hermanos, entonces gana terreno la destrucción y el corazón se queda árido”.

Hago votos para que esta 9na Asamblea Mundial nos conduzca a la realización de los propósitos que, a partir de la fe en Dios creador y providente, se traduzcan en proyectos específicos de convivencia social y ambiental que promuevan la calidad de vida de toda la humanidad y de toda la creación. Una vez más agradezco a todos y a todas, la oportunidad que me han brindado para vivir con ustedes esta experiencia de diálogo y convivencia interreligiosa. Y si me permiten, confieso que esta experiencia me lleva a soñar en la realización de un evento semejante en Brasil, que tiene las puertas abiertas para acogerlos a todos ustedes.

Muchas gracias.



( 9na Asamblea Mundial de Religiones por la Paz
Viena, Austria, 20 al 22 de noviembre de 2013 -





Já não bastasse o envolvimento da seita revolucionária CNBB com o movimento comunista latino-americano, os apóstatas apostam fichas altas na aceleração do império do diabo na Terra, colaborando com a maldita organização luciferina Religions for Peace, da instituição globalista ONU. Raymundo Damasceno de Assis é o representante da seita no festim diabólico, já acostumado com o trato direto com a organização narcoterrorista PT-Foro de São Paulo.




Alex Pereira é apresentador na Rádio Vox.
Fonte: Mídia Sem Máscara