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sexta-feira, novembro 16, 2018

Entrevista: a jovem cubana que não desistiu de sonhar










➤      Na semana em curso, o governo cubano afirmou que vai deixar o programa Mais Médicos. A decisão foi anunciada depois de o presidente eleito,Bolsonaro, ter dito que pretende modificar os termos do acordo. O governo cubano se referiu ao que chamou de "declarações ameaçadoras e depreciativas" de Bolsonaro. O presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, prometeu suprir a ausência dos médicos de Cuba, e disse que dará asilo político aos cubanos que pedirem.
“Em torno de 70% do salário desses médicos é confiscado para a ditadura cubana e outra coisa, que é um desrespeito com quem recebe o tratamento por parte desses cubanos, não temos qualquer comprovação que eles sejam realmente médicos e estejam aptos a desempenhar a sua função. Agora, a decisão de suspender isso, foi unilateral por parte do governo, governo não, da ditadura cubana. Eu jamais faria um acordo com Cuba nesses termos, isso é trabalho escravo”, disse Bolsonaro.(JN O Globo de 14/11/2018)





O Mais Médicos sofre desde o início críticas pesadas exatamente por que a maior parte dos salários dos médicos é CONFISCADA pelo governo cubano. Em 2017 o Brasil engordou os cofres cubanos com cerca de 1,3 bi de reais.
Nada melhor do que uma jovem cubana para falar sobre a saúde em Cuba.Abaixo segue entrevista de Zoe María Martínez ao Instituto Liberal em 22 de outubro de 2015:

por Lucas Berlanza(*)

Na semana que passou, a valentia comovente de uma jovem indignada atraiu atenções na Internet. Em um vídeo, que somente em sua própria página na rede social Facebook – com o divertido nome de Disquisições da Zoe -, teve mais de 2200 compartilhamentos até terminarmos de escrever estas linhas, sem contar o sucesso que obteve ao figurar em outras comunidades e perfis virtuais, a menina, em tom decidido e indignado, se declarou cubana e se voltou contra todos aqueles que defendem a tirania socialista estabelecida em sua terra natal pelos irmãos Castro (desde a Revolução que culminou com a insurreição armada de 1959). Ousada e demonstrando toda sua empatia pelo seu povo, a até então desconhecida Zoe se ofereceu, sarcasticamente, para custear passagens para a “paradisíaca ilha socialista” – apenas na cabeça dos amantes da tirania de esquerda, é claro -, desde que os ingênuos se submetessem rigorosamente ao modo de vida de sua gente. Tocados e impressionados pela coragem, fomos atrás dessa história, e trazemos até você o depoimento de quem conhece uma das mais perversas ditaduras modernas de perto, mas não desistiu de sonhar – e nos pede que também perseveremos com o nosso Brasil.

Gostaria que você começasse se apresentando aos leitores do Instituto Liberal e dissesse como vivia com a família em Cuba e há quanto tempo está no Brasil.

Meu nome é Zoe María Martínez. Tenho 16 anos. Moro no Brasil há 4 anos. Passei, portanto, minha infância e começo da adolescência em Cuba; minha vida era quase igual à de todas as crianças cubanas, com as mesmas carências e dificuldades, com a diferença de que eu tinha metade da minha família vivendo fora de Cuba. Então, eles mandavam todo mês remessas de dólares para podermos subsistir.

Como foi a sua saída de Cuba? Como é, em geral, a fuga, ou a “deserção”, dos cubanos? Houve algum momento específico em que tomaram a decisão de sair? São deixados em paz agora, em terra estrangeira?



Minha saída de Cuba foi bem triste por conta da separação familiar. O primeiro a vir foi meu pai, que deixou minha mãe grávida de cinco meses. Depois de quatro anos conseguiu tirar minha mãe, que me deixou na época com nove anos, e também minha irmã do meio, com três anos, aos cuidados dos meus avós maternos, porque na época crianças não podiam viajar nem para fazer turismo. Passados dois anos e oito meses, eles conseguiram nos tirar de lá, e meu pai pôde conhecer a filha de seis anos que tinha deixado ainda na barriga.

A maioria dos jovens quer sair do país e faz todo o possível para conseguir; casam-se com estrangeiros para poder sair da ilha, outros estudam medicina para poderem viajar ou até mesmo se lançam ao mar rumo à Flórida, com destino incerto. Os que têm mais sorte tem algum familiar no estrangeiro que os ajuda a sair legalmente. Uma vez morando no estrangeiro, nós cubanos “somos deixados em paz”, aparentemente, pois sempre sofreremos algum tipo de represália. Por exemplo: cobrança de preços absurdos de qualquer documentação que precisemos obter, incluindo o passaporte cubano, que aqui do Brasil custa em torno de oitocentos e setenta reais (R$ 870,00), e o não reconhecimento de duplas cidadanias. Se formos viajar para Cuba para visitar familiares, somos discriminados no aeroporto local, e às vezes eles se reservam o direito de nos negar a entrada no país sem qualquer explicação, especialmente se formos daqueles que se manifestam publicamente contra o regime.

Como você definiria, em poucas palavras, o regime castrista? Há oposição em Cuba? Quem são e como vivem pessoas como a blogueira Yoani Sanchez, que ficou conhecida por aqui?

Definiria o regime castrista em uma palavra: autocrata. É um stalinismo tropical modernizado. Claro que em Cuba existe oposição, ativa e passiva, mesmo sendo ignorados por algumas personalidades internacionais. Os que são dissidentes ativos são reprimidos brutalmente; aliás, em Cuba, apenas pensar diferente já é motivo para ser perseguido. No caso de Yoani Sanchez, muitos cubanos não sabem da existência dela, assim como dos demais cubanos que são oposicionistas, porque todos os meios de comunicação são censurados pelo governo de maneira hipócrita, já que criticam fortemente a grande mídia nos países democráticos. Sem contar que os oposicionistas são ameaçados e vigiados vinte e quatro horas por dia.

Muitas pessoas que conhecemos visitam a ilha de Cuba e trazem impressões desencontradas. Alguns, em geral fazendo excursões maiores, nos relatam a miséria e o medo nos olhos da população. Outros destacam maravilhas e chegam mesmo a elogiar Fidel. Como você explica essas divergências?

Sempre vai haver essas divergências. Mas isso depende muito do que cada pessoa vai fazer lá. Uns vão por turismo, frequentam só os hotéis e lugares especiais para turistas que geralmente são de difícil acesso ao povo. Outros já vão com a intenção de ver como verdadeiramente se vive em Cuba, saem da área de conforto e do mundo fantasioso que o governo oferece a eles. Sem contar aqueles que vão a eventos patrocinados pelo governo de Cuba e previamente o governo prepara os participantes locais que vão interagir com eles com um discurso pré-elaborado e censurado.

Educação e saúde, dois bens que quase todos desejam, são enaltecidos pela esquerda como conquistas sólidas do regime cubano. Que visão um cubano médio tem do mundo? Os cubanos têm acesso à Internet? O que eles aprendem nas escolas? Você teve essa formação? Experimentou algum contraste com o que estuda por aqui? Os hospitais têm uma boa infraestrutura, são de boa qualidade?

Quando eu morava em Cuba achava normal o jeito de se viver. Na época não tinha acesso à Internet, não tinha liberdade de expressão, não podia imaginar a vida fora de Cuba. Nas escolas tudo é politizado e padronizado, o sistema de educação é cheio de problemas, há escassez de professores. Na minha cidade, as escolas com melhor estrutura foram construídas antes da Revolução, porém não foram bem preservadas. Lá é tudo decadente, tanto a saúde quanto a educação e todo o resto. Nos hospitais faltam remédios, higiene, estrutura, enfim, falta tudo. Os únicos hospitais bons são os reservados para uso da elite do governo e seus familiares.

Algumas perguntas sobre o Brasil; sabemos que nosso governo apoiou o regime cubano na construção do Porto de Mariel, com o programa Mais Médicos e com toda a sua notória chancela e afinidade diplomática. O que você pensa disso? O que diria aos brasileiros, se pudesse?

Até hoje não consigo entender como um governo que diz defender tanto a democracia e a liberdade de expressão pode se aliar, apoiar um governo que nem o de Cuba, autoritário e ditatorial, que tem violado por mais de cinquenta anos os mais elementares direitos humanos perante seu povo. Aproveito para mandar um recado a todos os brasileiros: o Brasil é lindo, vocês têm um tesouro, zelem com o maior cuidado pela sua democracia. Não deixem que os corruptos contem a sua história. O Brasil é mais que um partido, mais que uma ideologia. Não desistam dele.

Reservo um espaço agora para que você faça suas considerações finais, caso deseje deixar um recado de encerramento.

Meu maior sonho para a minha terra natal é que algum dia seja uma democracia verdadeira, que meu povo pare de sofrer como há tantos anos sofre, e que nós cubanos nunca paremos de lutar para conseguirmos isso.


(*)Lucas Berlanza- Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é carioca, editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.
Fonte-www.institutoliberal.org.br/

quarta-feira, abril 11, 2018

A verdadeira revolução: Lula preso




por Roberto Rachewski(*).




Existe algo mais revolucionário do que a lei verdadeira ser cumprida no Brasil contra gente poderosa, principalmente, se for um político como o Lula?

O que é a lei verdadeira?

É aquela que diz o quê um indivíduo não pode fazer porque estará ferindo um direito de alguém, de um terceiro.

Leis verdadeiras não são as que nos protegem de nós mesmos como se fôssemos estúpidos, nos tirando a liberdade.

Leis verdadeiras não são as que colocam o que é nosso à mercê dos outros, ou do próprio governo.

Leis verdadeiras são aquelas que indicam, claramente, o que acontecerá se alguém violar, com o uso da coerção, uso da força ou fraude, o direito à vida, à liberdade e à propriedade de alguém.

Existe algo mais revolucionário no Brasil do que prender um ex-presidente por corrupção, independentemente da sua popularidade?

Não existe. Nunca existiu.

Vivemos uma revolução. Um tipo novo de revolução porque é diferente das inúmeras revoluções que já ocorreram no Brasil.

Em 07/04/2018, o Brasil conseguiu fazer uma revolução com um ato simples, esperado por todos os brasileiros de bem, que sonham com um Brasil diferente.

Em 07/04/2018, o Brasil fez uma revolução, apenas aplicando a lei a serviço da justiça, apenas expedindo e cumprindo, mal ou bem, um mandado de prisão contra um ex-presidente, o maior traidor que essa nação já teve, Luís Inácio Lula da Silva, o homem que inventou, aperfeiçoou e institucionalizou o Mecanismo.

Toda revolução deve ser disruptiva, a nossa deve ter um propósito, diminuir a interferência governamental na vida das pessoas.

Veja o Mandado de Prisão do Juiz Sérgio Fernando Moro a lula

É a interferência governamental na vida do mais comum dos brasileiros que por o Mecanismo em funcionamento.

Precisamos reescrever a nossa constituição devolvendo a liberdade e a responsabilidade para cada um dos brasileiros que formam o Brasil.

Precisamos reescrever a nossa constituição separando o governo das ideias, da ciência, da saúde, da economia e principalmente da educação.

O Brasil precisa urgentemente fazer a sua Revolução Gloriosa, a sua Revolução Americana, a sua Revolução Industrial, a sua Revolução Digital, a sua Revolução Liberal.

Precisamos mudar radicalmente a governança do setor público brasileiro desconstituindo os políticos e burocratas estatais dos poderes que lhes foram outorgados.

Precisamos liberar o governo do chamado estado de bem estar social para que cada indivíduo fique livre para desenvolver o seu potencial e usar sua capacidade produtiva para atender por si as suas necessidades de vida.



Precisamos transformar o governo numa agência a serviço do bem, oferecendo os serviços que lhe competem exclusivamente, polícia e justiça e nada mais do que eles.

Vivemos uma revolução no Brasil, finalmente parece que os brasileiros estão acordando para a realidade que ensina não ser ético roubar, mentir e trapacear. Que diz não ser ético viver à custa do esforço alheio mediante coerção, diretamente, ou através do governo.

A prisão de Lula não pode ser apenas a prisão de Lula, deve transcender pelo seu significado. A prisão de Lula deve ser o estopim para a única revolução pacífica possível de acontecer, a revolução capitalista, racional, evolutiva, inclusiva, baseada na livre iniciativa, na propriedade privada, no estado de direito a proteger os direitos individuais que permitem a existência do livre mercado, de uma sociedade livre, civilizada, próspera e digna para se viver como seres humanos que somos e não como os bárbaros nos quais quiseram nos transformar.

Viva a prisão do Lula!

Viva a Revolução!

(*) Roberto Rachewski é empresário e articulista
Fonte - institutoliberal.org.br

sábado, fevereiro 24, 2018

Liberação das drogas não acabará com o crime organizado no Rio de Janeiro



por Bernardo Santoro(*).





No bojo da discussão sobre a intervenção na segurança pública do Rio, vários amigos meus retomaram a discussão sobre a liberação das drogas.

Segundo eles, a liberação das drogas acabaria com o financiamento do crime organizado no Rio de Janeiro e resolveria o problema da criminalidade.

A esse argumento nós podemos chamar de “defesa utilitária da liberação das drogas”.

Se tem um argumento que eu considero hoje realmente SEM SENTIDO nessa discussão, é esse argumento utilitário.

Os defensores do argumento utilitário partem do pressuposto que o mercado de consumo de drogas, que é mercado negro em virtude da ilegalidade atual, é um mercado isolado e ensimesmado.

Na verdade, ele está inserido em um mercado muito maior, que é o mercado negro do crime como atividade lucrativa.

O mercado do crime como atividade lucrativa abrange várias condutas ilegais: roubos, sequestros, assassinatos por encomenda, venda de proteção contra o próprio vendedor (milícia), bicho, estelionato, escravidão sexual, etc. O mercado de drogas é apenas mais um deles.

Se fôssemos fazer uma alusão à economia tradicional, poderíamos até montar curvas de preferência para chegarmos a uma taxa de substituição de atividade criminosa, ou seja, o quanto um agente criminoso pode substituir a prática de um crime por outro mais lucrativo, ainda que com maiores chances de ser reprimido, no esforço de maximizar a sua satisfação individual.

Em um cenário de deterioração da segurança pública e das instituições, em que a taxa de lucro de uma atividade criminosa é muito alta, pouco importando a atividade em si, em virtude dos problemas “macroculturais” que eu expus em um texto neste mesmo espaço noutro dia, a legalização das drogas apenas faria migrar os agentes econômicos do crime de uma atividade para outra.

Artigo do The Guardian (um jornal esquerdista, e sem possibilidade de ser acusado de conservador), soltou ontem (20/02/18) uma reportagem denunciando exatamente esse fenômeno na Holanda, que estaria virando um narcoestado e com aumento exponencial de todos os outros crimes, inclusive assassinato por encomenda, cujo preço caiu de 50 mil euros por morte para a “bagatela” de 3 mil euros.

Outro problema flagrante se dá com a legalização com alta carga tributária, o que normalmente é o caso, em virtude do elemento extrafiscal do tributo, o que geraria provavelmente um mercado negro incipiente de drogas mesmo com tudo liberado.

A título de comparação, em 2011, no Brasil, foram cerca de 100 bilhões de maços de cigarro legais vendidos, contra cerca de 30 bilhões de cigarros vendidos no mercado negro, em virtude da carga tributária que corresponde a cerca de 80% do preço do cigarro legal. Trocando em miúdos, mesmo com a legalização do cigarro, 23% desse mercado ainda é de contrabando.

Resumindo: a legalização provavelmente diminuiria apenas circunstancialmente o tráfico de drogas, e os criminosos que perdessem espaço no mercado ilegal de drogas, em virtude do grande incentivo econômico e cultural para a prática de crimes no Rio de Janeiro, simplesmente migrariam para outras atividades criminosas, quase certamente mais violentas que o tráfico em si.

Ou se combate as condições que incentivam o mercado negro do crime como um todo, ou vamos apenas trocar os tipos de crimes mais cometidos, com aumento da incidência de roubos, extorsões e assassinatos no Rio de Janeiro.

*Não vou entrar no argumento deontológico hoje, qual seja, se o governo e a sociedade teriam ou não legitimidade para impedir um indivíduo de fazer mal a si mesmo ao consumir drogas. Esse fica pra outro dia.

Nota: texto publicado originalmente no Facebook de Bernardo Santoro com o título “Um ensaio contra o argumento utilitário da liberação das drogas no Rio de Janeiro”.



Fonte- InstitutoLiberal.org.br

(*)Bernardo Santoro-Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.

sábado, fevereiro 10, 2018

FARMLANDS: O “Legado” de Mandela e o drama dos agricultores sul-africanos




por Ricardo Bordin(*)



É um descuido muito comum esquecer de incluir os povos africanos na lista de vítimas do ideário coletivista e revolucionário que se alastrou pelo planeta no século XX. Angola, Benim, Congo, Etiópia, Moçambique, Somália, Zimbábue: todos estes países, entre as décadas de 1970 e 1990 (e, em algum grau, até a presente data), experimentaram as agruras de governos totalitaristas que justificavam suas ações com a busca de igualdade e com promessas de correções de injustiças sociais. Sim, o comunismo ajudou (e muito) a enterrar o continente africano na fome e no sofrimento.

Mais comum ainda é deixar de fora dos relatos históricos a profunda ligação de Nelson Mandela com o movimento comunista — erro parcialmente compensado pelo esforço de alguns poucos abnegados produtores de conteúdo intelectual¹. A África do Sul, em verdade, ainda vive sob à sombra desta ideologia que, por onde passa, tal qual fosse uma nuvem de gafanhotos assassinos, deixa um rastro de ódio entre grupos de membros da sociedade e produz atraso civilizacional².

Tal distorção do passado ocorre muito por conta da narrativa maciçamente propagandeada por praticamente toda a classe falante (incluindo desde jornalistas a professores, passando por artistas, escritores, historiadores e filósofos), a qual delega ao colonialismo e ao escravismo promovidos pelo homem branco ocidental a responsabilidade e a culpa por todo e qualquer problema enfrentado pelas nações africanas hodiernamente.

Pois foi com o objetivo de jogar alguma luz sobre as trevas deste cenário distorcido pela mentira profissionalizada que a canadense Lauren Southern resolveu produzir o documentário Farmlands — “terras cultivadas”, em tradução livre. Em sua obra cinematográfica, ela relata o drama vivenciado por brancos proprietários de terrenos rurais na África do Sul. O trailer legendado já está disponível:








Não se trata de nada muito diferente dos métodos utilizados usualmente por todos aqueles que promovem “reforma agrária” mundo afora (leia-se: abolição da propriedade privada rural): procura-se deslegitimar a posse das terras alegando que foram adquiridas com base na exploração de “minorias”; então guerrilhas armadas são financiadas e insufladas a promoverem invasões — normalmente os agropecuaristas já foram desarmados pelo governo; a imprensa sempre promove a cobertura destes ataques retratando os invasores como vítimas do capitalismo cruel; leis que preveem o confisco de terras (mesmo as produtivas) em nome da “redistribuição de riquezas” são aprovadas pelos legisladores; e então a escassez e a fome entram em cena.


Tudo muito semelhante ao que ocorreu no Zimbábue recentemente, quando mais de 800 fazendeiros brancos foram obrigados a fugir do país com suas famílias durante o regime de Mugabe, gerando um grave crise de produção de alimentos, uma vez que esses levaram consigo o know-how acumulado por gerações. A história, tudo leva a crer, está prestes a se repetir mais ao sul do continente.

A esquerda vive do ressentimento e da inveja. Segregar é uma imposição vital, portanto. Semear o rancor é seu ganha-pão diário. Nesta conjuntura, não é de se estranhar, por exemplo, que o meme “It is OK to be white” tenha causado protestos (não é legal ser branco, então?), que movimentos racistas como o Black Lives Matter matem em função da cor em nome de sua “legítima causa”, que Oprah declare que todos os brancos idosos deveriam morrer, que “educadores” pretendam extirpar pensadores europeus brancos dos livros escolares (menos Marx, Rousseau e Foucalt, por certo), que Lula perdoe dívidas de ditaduras africanas com o Brasil a fim de compensar a suposta “dívida histórica” do Ocidente — e quem sabe garantir seu asilo político em um breve futuro³.

Foi por isso que Lauren Southern resolveu narrar estes lamentáveis episódios, que podem até mesmo conduzir a África do Sul ao genocídio e à guerra civil, pelo viés dos agricultores brancos: porque a grande mídia, como de praxe, irá solenemente ignorar suas razões e retratar os perpetradores dos atos violentos como mártires na busca por um mundo melhor — exatamente como fez com Mandela.

O preconceito racial contra brancos (ou “reverso”, como alguns querem chamar) já é uma realidade. Muitos alegam, todavia, que somente negros poderiam ser atingidos por racismo, partindo da premissa de que contra eles se deu a escravidão moderna, muito convenientemente “olvidando-se” do fato de que escravos são um espólio de guerra como qualquer outro.

Ser escravizado, portanto, é um fado que atingiu, durante a trajetória da humanidade, absolutamente todas as etnias — inclusive eslavos (brancos de olhos azuis) que foram escravizados por séculos no entorno do Mediterrâneo — , mas que só viu seu fim e proibição no Ocidente “opressor”.



Para este pessoal de memória curta, ouçam o que Mister Catra tem a dizer a respeito do tema (sim, ele mesmo, negro e oriundo de estratos sociais miseráveis):



Pois é. Acabar com o racismo é fácil, como bem ensina Morgan Freeman. O problema é todos aqueles que lucram e amealham capital político com esta forma primitiva e cruel de coletivismo concordarem: 





Na expectativa por este importante documentário…

1 A Verdadeira Face de Nelson Mandela

2 O Verdadeiro Nelson Mandela


(*)

Ricardo Bordin atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR.
Fonte: www.institutoliberal.org.br



quarta-feira, janeiro 24, 2018

As falácias da Oxfam sobre pobreza e desigualdade



por João Luiz, Mauad(*).



Há coisas que podem ser medidas. Há coisas que valem a pena medir. Mas o que pode ser medido nem sempre é o que vale a pena medir. O que é medido pode não ter relação com o que realmente queremos saber. Os custos de medição podem ser superiores aos benefícios. As coisas que se medem podem desviar o foco das coisas que realmente nos interessam. E a medição pode nos fornecer informações distorcidas – conhecimento que parece sólido, mas que realmente é enganoso. Jerry Z. Muller – The Tirany of Metrics

Recentemente, recebi uma piada pelo WhatsApp que dizia mais ou menos assim: 15% dos acidentes de carro são motivados por motoristas alcoolizados. Isso quer dizer que 85% dos acidentes são provocados por motoristas sóbrios. Vamos beber umas geladas!

No caso acima, é fácil deduzir o mau uso da estatística, mas já não é tão fácil dizer onde exatamente está o erro. O mesmo ocorre quando alguém diz que a maioria das pessoas que bebe refrigerantes dietéticos é gorda. Logo, provavelmente esses refrigerantes engordam.

Como diz o velho brocardo: torture os números e eles confessarão qualquer coisa. De fato, as estatísticas são, hoje em dia, as grandes aliadas dos mistificadores, que as utilizam de forma indiscriminada para dar aparência científica às falácias e mentiras em prol de suas causas. Você pode desenvolver rígida argumentação lógica a respeito de um assunto sem convencer muita gente, mas basta acrescentar alguns números, tabelas e gráficos para respaldá-las e as pessoas passam a olhar os seus argumentos com outros olhos.

Tudo isso vem, é claro, a propósito da divulgação anual dos números da desigualdade no Brasil e no mundo, pela ONG Oxfam, sobre os quais a mídia amestrada tupiniquim vem dando grande destaque, como de hábito, desde ontem.

No Brasil, o destaque foi para o fato de que os cinco homens mais ricos do Brasil têm riqueza equivalente à metade da população mais pobre do país [a propósito, ano passado, eram seis]. Isso quer dizer que Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra, Marcel Herrmann Telles, Carlos Alberto Sicupira e Eduardo Saverin têm, somados, patrimônio equivalente ao de 100 milhões de pessoas. Houve destaque negativo também para o fato de que, em 2017, o país ganhou mais 12 bilionários, que agora somam 43 indivíduos. Suas riquezas somadas alcançariam R$549 bilhões, que equivalem a R$2.745 por brasileiro (atenção para este número, pois vamos voltar a ele).

A primeira coisa que chama a atenção, pelo menos de quem olha essas informações de forma isenta, é que, dos cinco nomes da lista, três são sócios da 3G Capital, a holding multinacional proprietária de gigantes como AB IMBEV, Burger King, Heinz, Lojas Americanas, entre outras. Os três enriqueceram, portanto, não explorando os mais pobres, mas vendendo a eles produtos baratos e de qualidade. Será que esses três homens exploram alguém quando vendem suas cervejas e refrigerantes no mundo inteiro? Ou seus hambúrgueres? Já o Eduardo Saverin é um dos criadores/fundadores do Facebook, um App utilizado por bilhões de pessoas no mundo. Será que ele ficou rico explorando alguém, ou os bilhões de usuários que passam horas no Facebook utilizam-no de forma voluntária?

Em resumo: Alguém tem dúvida de que esses caras criam algo de muito valor para as pessoas, mundo afora? Quando você compra um produto ou utiliza um serviço fornecido por empresas deles, é por satisfação ou por obrigação? Se é por satisfação, não é justo apontar-lhes o dedo e dizer que sua fortuna é resultado da pobreza alheia. Se esses e outros brasileiros ricos nunca tivessem nascido, o país estaria melhor? Certamente teríamos menos desigualdade, mas será que os pobres estariam menos pobres?

Agora façamos outro exercício. Todos os anos, os governos tupiniquins, nas suas três esferas, tomam dos brasileiros cerca de 35% do PIB em impostos (nada menos que 2,2 trilhões de reais), o que equivale a 11.000 reais por brasileiro (reparem que, neste caso, estamos falando de uma cifra ANUAL, diferentemente daqueles R$2.745, que seriam distribuídos apenas uma vez).

As discrepâncias não acabam aí. Ao contrário dos produtos e serviços que você consome dos bilionários, os impostos são tirados de você à força. E o que os governos lhe dá de volta? Saúde, educação e segurança da pior qualidade, que, quando podemos, tratamos de adquirir no setor privado e, portanto, pelos quais muitos de nós pagamos duas vezes.

Resumindo, economias verdadeiramente capitalistas, onde o governo não interfere escolhendo campeões, a existência de bilionários e, consequentemente, de desigualdades é benéfica para a sociedade, e não algo a se lamentar. Ademais, em condições de livre mercado, a riqueza pressupõe acúmulo de capital e investimentos em empreendimentos rentáveis, onde recursos (escassos) são utilizados de forma eficiente na produção de coisas necessárias e desejáveis. Nesse sistema, os milionários criam um monte de valor para um monte de gente, além, é claro, de um monte de empregos.

Dito isso, existe um tipo de desigualdade que deve ser lamentada: é aquela patrocinada pelo governo, quando este escolhe vencedores e perdedores, seja concedendo subsídios, créditos especiais, contratos viciados pela corrupção, tarifas protecionistas, etc. Nesses casos, em vez de enriquecer competindo no mercado e satisfazendo as necessidades dos consumidores, os empresários se voltam para atividades de conluio, se locupletam com os ocupantes do poder e enriquecem à custa do dinheiro público.

O mais interessante disso tudo, porém, é que, não raro, os que mais reclamam das desigualdades, são os mesmos que pedem mais intervenção do governo na economia.



Fonte: InstitutoLiberal.org.br
(*)João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

domingo, janeiro 21, 2018

Antes de candidatos, precisamos discutir as eleições



por Lucas Berlanza(*).



Já iniciando o tão aguardado 2018, aqueles que se dizem sequiosos por modificar o curso do Brasil se engalfinham e vociferam acusações, em plena pré-campanha por candidatos preferidos. Em um mar de trocas de agressões virtuais entre militantes absolutamente convencidos do voto que depositarão nas urnas – por um candidato, qualquer que seja, que nem se sabe com segurança se chegará ao pleito em condições de disputar -, parece imperar a sensação de que o de que precisamos é de nomes.

Precisamos mesmo, não há negar. No entanto, há pelo menos um tópico que soa soterrado nessa avalanche e que, se não discutido como deveria, a fará parecer ainda mais precipitada. Pouco importa o nome do sujeito que vamos depositar na urna, seja para presidente, seja para deputado, governador ou senador, se não confiarmos no sistema eleitoral e se as regras do jogo não forem cumpridas. Esse é o ponto básico donde importa partir – e, ao que tudo indica, não estamos começando por ele.

As recentes decisões repugnantes do Tribunal Superior Eleitoral nessa matéria, sob comando de Gilmar Mendes, não estão atraindo a atenção que deveriam. Se não acreditamos no sistema através do qual a nossa vontade se deve expressar no apontamento de nossos representantes, toda a credibilidade dos alicerces básicos de nossa comunidade política degenera (ainda mais do que já está degenerada) e corremos o risco de cogitar imprevisíveis soluções de força. Se queremos confrontar os nossos problemas sem recorrer a isso, não há assunto mais importante no momento para o Brasil do que esse.

Em 2014, sobretudo com a penetração das redes sociais e do mundo da Internet no cenário da política, muitos relatos de fraudes nas urnas e problemas graves no registro dos votos foram divulgados e registrados, ensejando até um pedido de auditoria feito pelo PSDB. Considerou-se que nada estava confirmado, mas as alegações das autoridades não aplacaram as dúvidas da população e de movimentos da sociedade civil, insatisfeitos também com a apuração secreta em sala fechada acessível apenas a técnicos.

Desde 2015, porém, a questão de haver ou não fraude nas urnas foi rebaixada para um segundo plano; isso porque não se deveria mais estar discutindo se há ou não necessidade de oferecer instrumentos que reforcem a credibilidade do sistema. O Brasil já decidiu que sim. A Lei 13.165, acolhida durante a minirreforma eleitoral daquele ano, respeitou a desconfiança popular e, no seu art. 59-A, determinou que a urna deverá imprimir o registro de cada voto, que será depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local lacrado anteriormente. Se isso não é uma garantia empírica absoluta, também é verdade que aumenta e muito a confiança geral no processo e não existe mesmo um sistema perfeito.

Nossas potestades jurídicas, lamentavelmente, julgando-se sempre senhoras do supremo juízo, acima do bem e do mal, já há muito ignoram sua principal atribuição, que é a de fazer cumprir as leis, não manipulá-las ou rechaçá-las como bem entenderem. Eis porque Gilmar Mendes se achou no direito de “decidir” que as urnas com impressão seriam “muito caras” e, por isso, só incluiria impressoras em 5 % das cerca de 600 mil urnas no país!

A rebeldia de Mendes foi alvo de artigo do jurista Modesto Carvalhosa publicado em O Globo no início de dezembro do ano passado. Carvalhosa chamou Mendes de “prevaricador”, contestou a estimativa de que o custo seria de R$ 2 bilhões (para ele, na verdade, não passaria de R$ 125 milhões) e apontou uma “clara intencionalidade delituosa” na não-destinação de recursos do Orçamento para a iniciativa.

Temos ciência da escalada de nossas dívidas, de que nossos gastos públicos continuam elevadíssimos e de que todo o equacionamento da recessão empreendido com sucesso pela equipe econômica do governo Temer não significou pôr um ponto final a nenhuma dessas preocupações. Ainda despendemos recursos demais em atividades e estruturas que não deveriam estar nas mãos do Estado de maneira alguma. Ainda há muitas estatais para privatizar e ministérios para aniquilar. Contudo, se há um gasto que não é supérfluo, é aquele que contribui para melhorar a respeitabilidade, aos olhos do povo, do próprio sistema de exercício da nossa democracia. A não ser assim, repetimos, tudo desmorona. A concepção de Gilmar Mendes de que se trata de gasto excessivo não poderia ser mais injustificável; se há algo importante em que vale a pena gastar recursos do Estado neste momento, é isso.

A tal desatinada decisão, vieram se somar algumas notícias vergonhosas publicadas pelo site O Antagonista – vergonhosas, é claro, para o nosso querido TSE. Uma delas dá conta de uma ação civil sendo movida pela União Nacional dos Juízes Federais (Unajuf) para obrigar o TSE a suspender um pregão eletrônico que estava marcado para começar no último dia 12 (sexta-feira) para a aquisição de 30 mil impressoras. O documento pede, claro, que Gilmar cumpra a lei de uma vez e use recursos do Orçamento para introduzir a impressão em todas as malditas urnas. Porém, antes fosse só isso! O juiz Eduardo Rocha Cubas ainda acusa o TSE de superfaturar o valor das urnas e direcionar a licitação, incluindo ainda itens que restringem a concorrência!

Segundo o mesmo site, Gilmar Mendes fechou um contrato sem licitação em 2016 com a Flextronics Instituto de Tecnologia por R$ 7 milhões para “a criação de um novo modelo de urna eletrônica”. A equipe de Modesto Carvalhosa também está atenta e denunciou que o projeto não está funcionando a contento, enquanto dinheiro público está sendo torrado para pagar a essa empresa. A tal da Flextronics pertenceria ainda ao filho do ex-ministro da Fazenda de Sarney, Dilson Funaro, que já teve seu nome envolvido em denúncias de fraudes. O contrato ainda incluiria “cláusulas que chamam atenção de especialistas, como o pagamento de diárias do contratado e a liberação de pagamento (R$ 1,7 milhão) pela simples entrega de um ‘plano de trabalho’”. É estarrecedor!

Não é só isso (!!!). O pregão para escolher a empresa que fornecerá as desprezíveis impressoras para apenas 5 % das urnas se arrastou até o início da tarde de sexta, quando foi suspensa para a empresa do lance vencedor poder refazer seus cálculos. Adivinha que empresa foi? A “má e velha” Smartmatic! Sim, a infame empresa venezuelana que com muito custo admitiu fraudes nas suas urnas naquele país. A novela se repete, sem ter graça nenhuma.

Até o momento, aparentemente, apenas Modesto Carvalhosa e os juristas e advogados em seu entorno estão realmente focando neste problema. É necessário que esse quadro se modifique. Declaramos apoio à denúncia de Janaína Paschoal e outros juristas contra a ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela, situação em que o Brasil pode ter impacto, dada a sua posição histórica de liderança na região, ainda que hoje tão combalida. Também queremos aqui declarar apoio às mobilizações de Carvalhosa contra uma evidente movimentação do TSE de Gilmar Mendes na direção contrária aos interesses do cidadão brasileiro.

Os movimentos populares precisam estar totalmente conectados a essa demanda. Se o escárnio persistir, isso pode se tornar motivo para voltar às ruas.




(*)Lucas Berlanza é Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),  editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.
Fonte - InstitutoLiberal.org.br

quinta-feira, dezembro 14, 2017

O Estado de Bem-Estar Social brasileiro não tem ajudado os mais pobres










por Luan Sperandio(*).




Atualmente 45,5 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza segundo o Banco Mundial. Significa dizer que para cada 5 habitantes um não possui renda suficiente para atender suas necessidades básicas, como alimentação, habitação, transporte e vestuário. O percentual aumentou após a maior recessão da história brasileira, mas é bom lembrar que no início do século a proporção de brasileiros em situação de vulnerabilidade social era o dobro do atual.

A ideia do Estado de Bem-Estar Social é justamente para possibilitar ajudar os mais pobres: com os recursos obtidos por meio de impostos o poder público sustenta uma rede de escolas, hospitais, previdência e moradia, entre outras proteções que podem varias de um país para outro.

Os defensores de um Estado provedor o justificam argumentando que a neutralidade estatal em face dos negócios privados agravou as diferenças econômicas a partir das revoluções do século XVIII. Assim, o Estado passou a agir como mediador das diferenças econômicas, suprindo necessidades sociais a partir de programas governamentais e benefícios sociais.

Nesse sentido, ao dispor sobre como será organizado o orçamento nas finanças do Estado brasileiro a Constituição de 1988 estabelece que uma de suas funções é a redução das desigualdades sociais. Contudo, mesmo que você considere que a abstenção do Estado apregoada pelos liberais do século XIX não é o caminho a ser seguido, nada garante que todas as medidas dentro do aparato que compõem o Estado de Bem-Estar Social priorizaram a ponta mais frágil da população, reduzindo, de fato, a desigualdade na distribuição de renda.

Dessa forma, independentemente de sua posição ideológica, é preciso reconhecer que o Estado brasileiro não ajuda verdadeiramente os mais pobres. Pelo contrário: contribui diretamente para uma grande fração da desigualdade – e quem reconhece isso é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, uma fundação do próprio governo federal.

Isso ocorre porque esse aparato precisa ser custeado e, analisando os dados, verifica-se que no complexo sistema tributário nacional os 10% mais pobres proporcionalmente pagam 44,5% mais impostos do que os 10% de maior renda. A despeito disso, grande parte das políticas sociais patrocinadas com esse dinheiro não beneficiam os brasileiros com menor renda.

Entre os exemplos estão privilégios destinados a alguns poucos da sociedade, que são arcados por todos os demais. Como diz o cientista político Christian Lohbauer, “são as pessoas que almoçam conosco no domingo”. É a parcela da população que está dentro de alguns cargos do funcionalismo público; trata-se de uma casta privilegiada pela previdência social que aposenta por tempo de contribuição ou recebe determinadas pensões ; são os egressos do ensino superior que mesmo possuindo alta renda não precisam pagar mensalidades, e por aí vai. Todas as evidências empíricas apontam que a despesa da maior parte das políticas públicas no Brasil não são equânimes.

O conjunto de tudo isso resultou em levantamento do Banco Mundial,que estimou que o Brasil gasta apenas 12,1% do PIB com os 40% mais pobres, beneficiando os cidadãos que possuem maior renda de forma desproporcional. Isso ocorre porque há várias políticas do Estado brasileiro que, embora vendidas com finalidade ‘social’, tem como resultado a concentração de renda.

É bom salientar que há exemplos de boas políticas públicas focalizadas nessa camada mais pobre, como o Bolsa Família e o Prouni, mas ainda são exceções dentro de nosso orçamento.

Essa discrepância entre o discurso prometido pelos defensores do Estado de Bem-Estar e os resultados práticos não é exclusividade do Brasil, vale ressaltar.Dennis Mueller analisou as nações da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e constatou que as transferências fiscais destinadas ao quintil de maior renda são maiores do que as que chegam aos 20% mais pobres em países como França, Itália, Luxemburgo e Suécia. Ademais, na grande maioria dos países estudados, mais da metade da transferência fiscal vai para a classe média.

Essas evidências acabaram sedimentando a chamada Lei de Director: “os gastos públicos são feitos para beneficiar a classe média e são financiados com impostos bancados em grande parte pelos pobres e pelos ricos.” Isso porque a classe média é a que possui maior poder de influência política entre os grupos de renda, não a camada mais pobre.

Por fim, criticar o modelo de Bem-Estar Social tradicional não é ser contra qualquer política de redistribuição ou serviço gratuito, mas reconhecer que o atual modelo falha em atingir seus objetivos declarados. Esse é o primeiro passo para que reformas institucionais socialmente mais justas possam ser feitas. Mesmo que afetem determinados grupos de interesse, a sociedade como um todo será beneficiada ao final desse processo.


(*)Luan Sperandio é graduando em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e faz MBA em Liderança e Desenvolvimento Humano na Fucape Business School. Atualmente é Vice-presidente da Federação Capixaba de Jovens Empreendedores e editor do Instituto Mercado Popular. É colaborador do Instituto Liberal desde 2014.

Fonte: institutoliberal.org.br



sábado, dezembro 09, 2017

Existe algum exemplo de sociedade que tenha prosperado com o comunismo?






por Roberto Rachewski(*).




O problema de Cuba não reside apenas no fato de Fidel Castro ter sido um déspota e seu sucessor ser um tirano como ele foi. O problema é que o sistema que ele adotou para o país, o comunismo, precisa de déspotas para se manter até que venha o colapso total, inexorável, daquela sociedade. Assim foi na União Soviética, na China, no Vietnam, no Cambodja, na Coréia do Norte, na Albânia, na Iugoslávia, na Polônia, na Alemanha Oriental e em outros países por onde o comunismo passou, assim é onde ele ainda persiste.

As experiências comunistas que foram adotadas voluntariamente ao longo da história, também não deram certo. Porém, por não haver déspotas impondo a sua manutenção, foram prontamente abandonadas sem que houvesse consequências desastrosas para a população. Há dois exemplos bem conhecidos dessas experiências: a dos Pilgrims, colonizadores puritanos ingleses, que depois de passarem um tempo na Holanda, resolveram migrar para a América, criando na Nova Inglaterra uma comunidade com os princípios do comunismo que quase levou-os a perecerem com a fome e a falta de insumos para enfrentarem o clima adverso. Superaram seus problemas ao abandonarem rapidamente aquele modelo, adotando o livre mercado, introduzindo o princípio da propriedade privada. Princípio esse que tornaria os Estados Unidos a mais rica e poderosa nação da história. Mais recentemente, encontramos o exemplo do Kibutz, experiência comunista voluntária desenvolvida em Israel, que também fracassou fragorosamente como uma tentativa de engenharia social. Os Kibutzim que ainda restam abandonaram a forma utópica e idealista original, que suprimia totalmente a propriedade privada, adotando também práticas capitalistas para se manterem viáveis.

Não há um exemplo na história, de uma sociedade que tenha prosperado ao adotar o comunismo. Todas as que insistiram nesse modelo nefasto de arranjo político-econômico dependeram de um déspota para manter a população sob controle rigoroso para não fugirem da opressão e da fome. Os povos que vivem ainda sob esse experimento cruel e deletério, como em Cuba, na Coreia do Norte e na Venezuela, sofrem com a escassez e a coerção dos seus governos.



Se não acreditam, perguntem aos que defendem esses regimes, mas moram em sociedades livres, por que eles não se mudam para lá? Eu fui a Cuba e vi, quem tem autoestima e deseja uma vida plena, confortável, saudável, feliz e longeva, deve evitar se mudar para lá. A não ser, é claro, que faça parte do círculo perverso de amigos dos donos do poder. Nesse caso, terão à disposição uma população inteira de escravos para lhes propiciar o que há de melhor, obtidos sob o apontar de uma arma.


(*)Roberto Rachewski é Empresário e articulista.

Fonte: Institutoliberal.org.br

sábado, dezembro 02, 2017

Nazismo e Comunismo: duas faces da mesma moeda




por Mario Guerreiro(*).



O nome da aludida moeda é muito conhecido: é totalitarismo, regime que se opõe ao democrático caracterizado pelo pluripartidarismo – ao menos bipartidarismo – pela rotatividade do poder, eleições diretas e/ou indiretas, pelas liberdades civis, etc.

Ora, nenhuma dessas quatro feições essenciais da democracia pode ser encontrada nos regimes comunista e nazista. Fascismo é o nazismo italiano, ou melhor: o nazismo é que é o fascismo alemão, se considerarmos que Mussolini implantou seu regime totalitário em 1922 e Hitler implantou o seu em 1933.

Na primeira fase da Segunda Guerra (1939-1940), a Alemanha nazista e a União Soviética mantinham o Pacto Molotov-Ribbentrop, um acordo de não-agressão assinado em agosto de 1939 estabelecendo dez anos de paz entre os dois países. Me engana que eu gosto!

Era da conveniência de ambos, uma vez que eles estavam ganhando tempo. Hitler já tinha em mente a invasão da Polônia, coisa feita em setembro do mesmo ano, mas ainda não estava preparado para a invasão da URSS. Stalin menos ainda para enfrentar a poderosa máquina de guerra alemã.

Quando a Alemanha venceu a Copa do Mundo, numa partida final contra a Inglaterra, um repórter perguntou a Margaret Thatcher como se sentia ela com a Alemanha derrotando a Inglaterra no seu esporte nacional. A Dama de Ferro respondeu na bucha: “Não tem importância. Nós já derrotamos duas vezes os alemães no seu esporte nacional!” [But with a little help of Uncle Sam!]

Recentemente, ficamos sabendo que o pacto Molotov-Ribbentrop era algo mais do que um tratado de mera não-agressão, era na realidade uma partilha da Europa ocidental para Hitler e da Europa oriental para Stalin.

Finda a guerra, o Führer (em português: o Líder e em italiano : il Duce) não ficou com nada, porém O Feito de Aço (em russo: Stalin) não só ficou com toda a sua parte como também com boa parte do território alemão ironicamente chamado de Deutsche Demokratische Republik / República Democrática Alemã, que era de fato alemã, mas não era uma república e de democrática nada tinha!

Um quarto de sua população era composto de membros policialesca da Stasi (forma contraída de Ministerium für Staatssicherheit /Ministério da Segurança do Estado), que só acabou com a queda do Muro de Berlim em 1989 – coisa equivalente a Geheime Staatspolizei / Polícia Secreta do Estado, contraidamente Gestapo.

Talvez, isto tenha sido assim, porque o Estado-Maior das Forças Aliadas não deu ouvidos ao grande estrategista, General Patton, que propunha um avanço até Moscou, a deposição de Stalin e abertura de eleições. Embora considerado no mínimo extravagante, Patton tinha grande visão estratégica e histórica.

Uma das mais claras evidências dessa repartição do bolo é que Stalin invadiu ao mesmo tempo a Polônia e ocupou a metade oriental do país – pobre Polônia! Vítima eterna de uma fatalidade geopolítica somente por estar entre a Rússia e a Alemanha!

Em 1941 tem início a segunda fase da Segunda Guerra. É neste ano que Hitler rompe o pacto de não-agressão invadindo a URSS. Ora bolas, quem leu e levou a sério Mein Kampf, ficou sabendo que Hitler só respeitaria tratados, se eles continuassem sendo do interesse do Terceiro Reich. Não estou interpretando: isto é dito com todas as letras! Ora, tanto para o nazismo como para o comunismo, os fins justificam os meios, ou seja: para alcançar algo muito desejável, pode pisar no pescoço da própria mãe!

No entanto, Hitler cometeu o mesmo erro que Napoleão e, antes dele, Carlos XII da Suécia. Todos derrotados pelo grande general russo: general Invernov Impiedovsky! Quem não conhece a História acaba mesmo cometendo os mesmos erros de seus antecessores. “Hegel estava certo: a História se repete. Só que da primeira vez é tragédia e da segunda farsa” [K. Marx: O 18 Brumário de Napoleão III]. E, acrescentamos nós, da terceira vez, comédia pastelão dos Três Patetas!

Até 1940, fim da primeira fase da Segunda Guerra, havia uma grande colaboração entre a Alemanha e a URSS. Afinal de contas, ambos eram socialistas e o socialismo, ainda que democrático, é um comunismo introduzido com vaselina, ou seja: uma suave preparação para o socialismo totalitário.

Quem chegou a esta conclusão não fomos nós, foi o Prêmio Nobel de Economia, Friedrich Hayek, em O Caminho da Servidão [The Road to Serfdom, 1944]. Mas concordamos inteiramente com ele e com Karl Popper em A Sociedade Aberta e Seus Inimigos [The Open Society and its Enemies, 1945], a quem devemos a ideia fartamente embasada de que a ideologia nazista e a ideologia comunista são irmãs siamesas e filhas do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831).

Quanto à colaboração de Hitler com Stalin até 1940, basta dizer que enquanto a fome grassava na URSS – milhões de ucranianos tiveram seus produtos agrícolas expropriados por Stalin e morreram de inanição!!! – a URSS forneceu toneladas de comida e matérias primas para Hitler e em troca recebeu armas e orientação bélica.

Na realidade, ambos os partidos únicos da Alemanha e da URSS eram socialistas totalitários – o PCUS [Partido Comunista da União Soviética] e o Partido Nazista [Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei / Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães].

Talvez, a grande diferença é que o comunismo podia ser nacionalista (Stalin) ou internacionalista (Trotsky), mas o nazismo sempre foi ultranacionalista – Deutschland über alles in der Welt! / Alemanha acima de tudo no mundo!, como dizia antes de Hitler e diz até hoje o Hino Nacional Alemão. Qualquer semelhança com “Além do Bem e do Mal” / Jenseits Von Gut und Böse, título de um livro de Friedrich Nietzsche, é mera coincidência…

Todavia, Somente oligofrênicos e paranoicos estão além do bem e do mal. Os primeiros por falta de imaginação, os segundos por excesso. Mas, a esta altura cabe perguntar: De onde surgiu a ideia de que comunismo e nazismo eram ideologias diametralmente opostas?

Não deve ter sido pelo fato de a URSS e o chamado Mundo Livre terem se aliado contra a Alemanha nazista. A ideia de que a URSS era contra a “democracia burguesa” e o “vil capitalismo” era compartilhada por Hitler em Mein Kampf / Minha Luta, a “Bíblia do nazismo”.

Ora, é uma antiga estratégia militar dois blocos – no caso Mundo Livre e URSS – aliarem-se contra um terceiro – no caso, o mundo dominado pelo nazismo em que França é um exemplo peculiar:

A França ocupada fazia parte do domínio nazista Enquanto a chamada França Livre (a da resistência liderada pelo general De Gaulle em seu exílio na Inglaterra) combatia o nazismo, a República de Vichy, ao sul do país, liderada pelo marechal Pétain, era aliada do nazismo – vergonha nacional gaulesa!

Não é exagerado dizer que a guerra fria, que dividiu o mundo em duas metades – Bloco Capitalista liderado pelos Estados Unidos e Bloco Comunista liderado pela URSS – não começou com a Cortina de Ferro em 1945 (Iron Curtain, segundo Churchill), mas sim com o pacto Molotov-Ribbentrop em 1939.

Com a diferença de que as duas metades almejadas por este mesmo pacto eram uma coisa e as duas ocorridas historicamente foram outra. E não podemos afirmar que a guerra fria acabou em 1991, com a dissolução da URSS. mas sim que as metades agora são outras. “Multilateralismo” é uma lenda urbana assim como o aquecimento global da ecologia fajuta e Terra plana dos criacionistas. Nada contra a religião, tudo a favor da ciência e do bom senso.

Na realidade, a ideia de nazismo e comunismo como diametralmente opostos é uma elaboração do inegavelmente eficaz marketing político comunista. A verdadeira oposição se dá entre totalitarismo, não importando sua coloração, e democracia, não importando se é o caso de uma autêntica democracia ou se é o caso de uma democracia claudicante, como o Brasil.

A pior das democracias é preferível ao melhor dos totalitarismos ou, como disse Churchill: “A democracia é o pior dos regimes, excetuando todos os outros”. Trata-se da escolha do menos ruim, aquela que costumamos fazer em todas as eleições…

Favoreceu bastante essa pseudo-oposição o grande escândalo do século XX: o Holocausto, o maior genocídio da História, com 6 milhões de judeus assassinados em campos de concentração!

Um dos maiores divulgadores desse massacre foi o general Eisenhower. Finda a Segunda Guerra, quando o líder supremo das Forças Aliadas visitou um dos campos de concentração ficou estarrecido com a crueldade nazista e deu seguinte ordem aos seus comandados: “Fotografem e filmem tudo; Quero tudo documentado, porque ainda há de chegar um dia em que um imbecil dirá que isso nunca existiu!”

O dia chegou, mas o imbecil não foi nenhum comunista, uma vez que a ampla divulgação dos horrores do nazismo era algo bastante conveniente para sua estratégia soviética de marketing político pós-Segunda Guerra, mas sim um líder muçulmano iraniano: Mahmoud Ahmadinejad, para quem o Holocausto foi uma invenção da propaganda capitalista americana e Israel devia “ser empurrado para o mar”! (em suas próprias palavras).

Infelizmente, não dispomos de suficiente espaço aqui, para mostrar que o islamismo é um aliado do comunismo internacional e sua finalidade precípua a corrosão das bases da civilização hebraico-cristã. (Continua em próximo artigo)

(*)Mario Guerreiro é Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor do Depto. de Filosofia da UFRJ. Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da UniverCidade.
Fonte: Institutoliberal.org.br

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Fui a Cuba para ver as realizações do governo comunista: é de arrepiar.






por Roberto Rachewsky(*).








Fui a Cuba para ver, in loco, as realizações do governo comunista.

Visitei casas de família, um hospital, uma escola, modelos das políticas de moradia, saúde e educação implantadas ao longo das últimas seis décadas pela chamada “revolução”.

Voltei com uma infecção intestinal de fato e com a alma emocionalmente desarranjada por testemunhar tanto a miséria quanto o sofrimento, a dissimulação e a desconfiança de quem as experimenta.



O medo e a desesperança que eu enxerguei por trás dos brilhantes olhos negros e dos largos sorrisos brancos só podem existir onde a civilização não chegou ou, se houve um dia, partiu há muito tempo.

A infecção intestinal vai passar rápido, espero. O desarranjo emocional, eu não sei. Sei que há os que voltam sem um e outro. Sem o primeiro é sorte. Sem o segundo, é azar.

Abaixo algumas informações publicadas durante a viagem em minha página no Facebook. Minhas fotos de Havana estão disponíveis para quem quiser ver na hashtag #cubadeverdade .

Tirem suas próprias conclusões sobre o que é viver no “paraíso” comunista implantado por Fidel Castro, Che Guevara e seus lunáticos seguidores:

O acesso à Internet em Cuba ocorre somente em alguns hotéis e de forma precaríssima. Mesmo num hotel 5 estrelas tem hora que não funciona. Cai a conexão a todo momento e ela é lenta. O povo não tem acesso livre, então as pessoas tentam capturar o sinal de Wi-Fi para se comunicar com parentes. É de arrepiar ver a alegria desse pessoal quando conseguem conexão para matar as saudades de quem está longe, algo que para nós é corriqueiro, aqui é limitado pelo governo.

É claro que há lugares bonitos, ainda que deteriorados; é notório que há gente alegre, ainda que sofrida; é compreensível que se escute música por todos os cantos, é uma das formas de sobrevivência. Mas, no final é revoltante que tudo isso esteja envolto por uma pobreza e precariedade impressionantes.



Uma professora ganha do governo 10 CUCs, o que paga menos de dois breakfasts ou 5 horas de internet, se lhes fossem perdido o acesso. Então, ela complementa a renda trabalhando como camareira no hotel. Quando ela ganhar o nenê, terá o privilégio de usufruir da licença-maternidade por seis meses, com um pequeno detalhe: sem direito à remuneração, que já não serve para nada mesmo.

Água em Havana só é fornecida em quantidade suficiente para lavar roupas aos domingos. O cubano não-privilegiado precisa armazenar água em baldes e tonéis durante a semana porque às vezes nem aos domingos há água em abundância.



O racionamento de luz é permanente, o fornecimento de energia começa, com sorte, às 18:00 e vai até às 8 horas, na maioria dos bairros. Não há regularidade nem para restaurantes que atendem o turismo. Pode-se chegar em um deles e o encontrá-lo fechado porque na noite anterior não haver energia para manter os mantimentos. É um horror.

As crianças cubanas são obedientes. Elas são ensinadas e doutrinadas nas escolas. Pelos 10 anos de idade, se dão conta da realidade e questionam os pais sobre as discrepâncias do que lhes foi ensinado com a experiência que a vida proporciona. Então são educadas em casa a manterem um duplo comportamento: a falsa aceitação do regime e um ódio atávico aos que os mantêm na miséria sem perspectivas de experimentarem a liberdade que todo ser humano sonha um dia usufruir.



Havana é uma cidade em ruínas, como somente as que viveram em guerra chegaram a experimentar. Uma cidade que viveu seu esplendor e se tornou um amontoado de relíquias decrépitas. Os prédios modernos são frios e opressivos, como aqueles que os conceberam. Povo alegre por natureza, transformou a alegria em profissão. Na intimidade, quando ganham confiança, expõem o que é viver numa ilha-prisão. Havana com seus cortiços, como as favelas brasileiras, indianas ou chinesas, têm sido glamourizadas somente por aqueles que lucram com a pobreza alheia.



(*)Roberto Rachewsky é empresário e articulista.

sábado, novembro 25, 2017

O terror do comunismo: 100 anos e 100 milhões de vidas




por João Luiz Mauad(*).




O que compartilho abaixo é o testemunho pungente de uma jovem estudante de Harvard, filha de imigrantes que fugiram da desgraça comunista do Leste Europeu, que não se conforma com o fato de ver tantos dos seus colegas, ainda hoje, vivamente empolgados com aquela ideologia assassina de triste memória.



Em 1988, meu pai, então com vinte e seis anos, saltou de um trem no meio da Hungria, com nada além de uma mochila de roupas nas costas. Nos dois anos seguintes, ele fugiu de um opressivo regime comunista romeno, que o mataria se lhe pusessem as mãos.

Meu pai fugiu de um governo que bateu, torturou e lavou o cérebro de seus cidadãos. Um amigo seu de infância desapareceu depois de rabiscar um insulto sobre o ditador na parede do banheiro da escola. Seus vizinhos morreram de fome por conta de rações de alimentos destinadas a combater a “obesidade”. À medida que a população diminuía, as mulheres eram enviadas ao hospital todos os meses para garantir que engravidassem.

A jornada de fuga do meu pai finalmente levou-o aos Estados Unidos. Ele se mudou para o Centro-Oeste e se casou com uma mulher romena que partiu para a América no momento em que o regime entrou em colapso. Hoje, meus pais são médicos no Kansas. Suas duas filhas foram para Harvard. Eles tiveram sorte.

Cerca de 100 milhões de pessoas morreram nas mãos da ideologia da qual meus pais escaparam. Elas não podem contar suas histórias. Nós devemos a eles reconhecer que essa ideologia não é uma moda passageira, e que suas vítimas não são uma piada.

O mês passado marcou os 100 anos da revolução bolchevique, embora a cultura da faculdade lhe dê exatamente a impressão oposta. As representações do comunismo no campus pintam a ideologia como revolucionária ou idealista, em oposição à sua violência autoritária. Em vez de aprofundar a nossa compreensão do mundo, a experiência da faculdade nos ensina a reduzir uma das ideologias mais destrutivas da história humana a uma narrativa unidimensional satanizada.

Caminhe ao redor do campus, e é provável que você veja Che Guevara em algumas camisas e botões. Piadas secundaristas declaram que ele é secundário em “ideologia e implementação comunistas”. O novo Clube esquerdista no campus busca “uma perspectiva moderna” sobre Marx e Lenin para “aliviar o estigma em torno do conceito de esquerdismo”. Um autor lamenta nessas páginas que é muito difícil encontrar comunistas por aqui. Para muitos estudantes, endossar o comunismo é uma maneira legal de se queixar do mundo.

Depois de passar quatro anos em um campus saturado de memes marxistas e piadas sobre as revoluções comunistas, meus colegas de classe se formam com a impressão de que o comunismo representa uma crítica ao status quo, em vez de uma filosofia empiricamente violenta que destruiu milhões de vidas.

As estatísticas mostram que os jovens americanos são realmente inconscientes do passado angustiante do comunismo. De acordo com uma pesquisa YouGov, apenas metade dos millenials acreditam que o comunismo foi um problema, enquanto cerca de um terço acreditam que o presidente George W. Bush matou mais pessoas do que o líder soviético Joseph Stalin – que matou 20 milhões. Se você perguntar aos millenials quantas pessoas o comunismo matou, 75% irão subavaliar.

Talvez antes de brincar sobre revoluções comunistas, devemos lembrar que a polícia secreta de Stalin torturou “traidores” em prisões secretas, enfiando agulhas sob suas unhas ou batendo até que seus ossos se quebrassem. Lênin tirou comida dos pobres, causando fome na União Soviética que induziu as mães desesperadas a comerem seus próprios filhos, e camponeses a desenterrar cadáveres por comida. Em todos os países em que o comunismo foi tentado, resultou em massacres, fome e terror.

O comunismo não pode ser separado da opressão; na verdade, depende disso. Na sociedade comunista, o coletivo é supremo. A autonomia pessoal é inexistente. Os seres humanos são simplesmente engrenagens em uma máquina encarregada de produzir utopia; eles não têm valor próprio.

Muitos na minha geração borram a realidade do comunismo com a ilusão da utopia. Nunca tive esse luxo. Minha compreensão do comunismo foi personalizada; Eu pude ver seu impacto duradouro nos rostos dos membros da minha família, contando histórias de seu passado. Minha perspectiva em relação à ideologia é radicalmente diferente porque conheço as pessoas que sobreviveram; Meus parentes continuam a se perguntar sobre seus amigos que morreram.

As histórias de sobreviventes pintam uma imagem mais vívida do comunismo do que os livros texto que meus colegas de classe leram. Embora possamos nunca entender completamente todas as atrocidades que ocorreram sob os regimes comunistas, podemos tentar desesperadamente garantir que o mundo nunca repita seus erros. Para esse fim, devemos contar as histórias dos sobreviventes e lutar contra a banalização do passado sangrento do comunismo.

Meu pai deixou seus pais, amigos e vizinhos na esperança de encontrar a liberdade. Conheço sua história porque esta é minha herança; Você agora conhece sua história porque eu tenho uma voz. Cem milhões de outras pessoas foram silenciadas.

Cem anos depois, não esqueçamos a história das vítimas que não têm voz porque não sobreviveram para escrever suas histórias. Mais importante ainda: não tenhamos a tentação de repeti-lo.

(*)Laura M. Nicolae, 20 anos, é aluna de Matemática Aplicada em Winthrop House – Harvard.

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João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.