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quarta-feira, outubro 10, 2018

O partido anti-Lula







por José Roberto Guzzo(*).

Durante as próximas três semanas você vai ler, ver e ouvir um oceano de explicações perfeitas sobre o que aconteceu nas eleições deste domingo – e em todas elas, naturalmente, os cérebros da análise política nacional dirão ao público o quanto acertaram nos seus pronunciamentos durante a campanha eleitoral, embora tenha acontecido em geral o contrário de quase tudo que disseram. A mesma cantoria, com alguns retoques, deve ser feita daqui para frente para lhe instruir em relação ao desfecho do segundo turno, no próximo dia 28 de outubro. Em favor da economia de tempo, assim, pode ser útil anotar algumas realidades básicas que o primeiro turno deixou demonstradas.

1 – A grande força política que existe no Brasil de hoje se chama anti-petismo. É isso que deu ao primeiro colocado, Jair Bolsonaro, 18 milhões de votos a mais que o total obtido pelo “poste” do ex-presidente Lula. Esqueça a “onda conservadora”, o avanço do “fascismo”, as ameaças de “retrocesso” – bem como toda essa discussão sobre homofobia, racismo, machismo, defesa da ditadura e mais do mesmo. Esqueça, obviamente, a força do PSL, que é nenhuma, ou o esquema político do candidato, que não existe. O que há na vida real é uma rejeição tamanho gigante contra Lula e tudo o que cheira à Lula. Quem melhor soube representar essa repulsa foi Bolsonaro. Por isso, e só por isso, ficou com o primeiro lugar.

2 – O PT, como já havia acontecido nas eleições municipais de 2016, foi triturado pela massa dos eleitores brasileiros. Seu candidato a presidente não conseguiu mais que um quarto dos votos. Os candidatos do partido a governador nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tiveram votações ridículas. Todos os seus candidatos “ícone” ao Senado, como Dilma Rousseff em Minas Gerais, Eduardo Suplicy em São Paulo e Lindbergh Farias no Rio de Janeiro foram transformados em paçoca, deixando o PT sem um único senador nos três maiores colégios eleitorais do Brasil. Mais uma vez, o partido só tem a festejar a votação no Nordeste – e mais uma vez, ali, aparece aliado com tudo que existe de mais atrasado na política brasileira.

3 – A força política de Lula, que continua sendo descrito como um gênio incomparável no “jogo do poder”, é do exato tamanho dos resultados obtidos nas urnas pelo seu “poste”. As mais extraordinárias profecias vêm sendo repetidas, há meses, sobre a sua capacidade de “transferir votos” e a sua inteligência praticamente sobre-humana em tudo o que se refere à política. Encerrada a apuração, Lula continua exatamente onde estava – trancado num xadrez em Curitiba e com muito cartaz do “New York Times”, mas sem força para mandar em nada.

4 – Os institutos de “pesquisa de intenção de voto”, mais uma vez, fizeram previsões calamitosamente erradas. Dilma, segundo garantiam, ia ser a “senadora mais votada do Brasil”. Ficou num quarto lugar humilhante. Suplicy, uma espécie de Tiririca-2 de São Paulo, também era dado como “eleito”. Foi varrido do mapa. Os primeiros colocados para governador de Minas e Rio de Janeiro foram ignorados pelas pesquisas praticamente até a véspera da eleição. Tinham 1% dos votos, ou coisa que o valha. Deu no que deu.

5 – O tempo de televisão e rádio no horário eleitoral obrigatório, sempre tido como uma vantagem monumental - e sempre vendido a peso de ouro pelas gangues partidárias - está valendo zero em termos nacionais. Geraldo Alckmin tinha o maior espaço nos meios eletrônicos. Acabou com menos de 5% dos votos. Bolsonaro não tinha nem 1 minuto. Foi o primeiro colocado. Parece não valer mais nada, igualmente, a propaganda fabricada por gênios do “marketing eleitoral” da modalidade Duda Mendonça-João Santana – caríssima, paga com dinheiro roubado e criada numa usina central de produção. A votação de Bolsonaro foi construída nas redes sociais, sem comando único e sem verbas milionárias.

Daqui até 28 de outubro o público será apresentado à outras previsões, teoremas e choques de sabedoria. É bom não perder de vista o que acaba de acontecer antes de acreditar no que lhe anunciam para o futuro.

(*) José Roberto Guzzo é jornalista Veja (perfil facebook aqui)

segunda-feira, agosto 17, 2015

Do número de médicos à obrigatoriedade de trafegar mais lentamente que bicicletas: o governo em ação.













Nas discussões sobre medicina no Brasil, persiste o mito de que, se o governo deixar a mão do mercado atuar livremente, as faculdades abrirão vagas sem limite e os médicos se esquecerão dos brasileiros mais pobres.

A ideia tem pouco fundamento: uma das tendências mais festejadas da medicina hoje são justamente as clínicas populares para atender pobres cansados da ineficiência dos hospitais públicos.

Uma delas, a cearense SIM, que faz consultas por R$ 60, planeja abrir 63 unidades no Norte e no Nordeste até 2019.

Mas a crença de que é preciso controlar o mercado alimentou uma intervenção pesada do governo Dilma na formação dos médicos. Desde 2013, faculdades de medicina não podem abrir vagas como desejarem ou como indicarem seus estudos de mercado. Precisam esperar que o Ministério da Educação abra editais e decida quais regiões têm carência de médicos e poderão abrir cursos.

Na semana passada, essa intervenção se estendeu para as especialidades médicas. Um decreto de Dilma dá ao Ministério da Saúde o poder de "dimensionar o número de médicos, sua especialização, sua área de atuação e sua distribuição em todo o território nacional".

Veja só: a presidente deu a um grupo de burocratas de Brasília o poder de decidir a quantidade de médicos numa nação de 200 milhões de pessoas.

Uma lição que o último século ensinou repetidas vezes é que confiar no planejamento central não gera resultados muito humanos. Por mais benevolente e iluminado que seja o planejador, ele não consegue se atentar a todos os movimentos e necessidades de milhões de pessoas dispersas pelo país.

Na União Soviética, burocratas acreditavam que poderiam calcular a demanda de roupas, sapatos ou quilos de farinha e ainda determinar preços de milhões de produtos. A pretensão resultou em filas eternas para obter coisas simples como pão ou sapatos.

No Brasil, temos problemas em todas as áreas que deixamos na mão do planejador benevolente: a manutenção do poder de compra da moeda, a gerência da demanda de energia elétrica e até o suprimento de água, um bem abundante por aqui.

Não se trata de culpar um ou outro político, mas admitir que o sistema é complexo demais para um órgão central tentar coordená-lo. Isso fica claro no transporte coletivo. Toda semana abrem e fecham escolas, igrejas, empresas, fábricas, casas de shows. Surgem eventos e necessidades de transporte diferentes para bairros ou ruas específicas. Só os próprios agentes dispersos no sistema conseguem detectar necessidades das pessoas ao redor e abrir negócios para satisfazê-las.

Mas o planejador central proíbe iniciativas livres no transporte público, com a pretensão de que ele, e somente ele, é capaz de ordenar o sistema. Não daria certo nem se o planejador fosse um gênio da logística.

Agora, o governo quer levar esse modelo para a medicina. E ainda há pessoas que elogiam a medida. "Já passou da hora de o governo federal assumir para si a responsabilidade de planejar e gerir os recursos humanos em saúde", disse a jornalista Cláudia Collucci, da Folha.

É interessante imaginar uma decisão semelhante para o jornalismo. Ora, há jornalistas especializados demais nas grandes cidades do Sul e do Sudeste. Precisamos obrigar alguns deles a trabalhar em jornais de bairro de Osasco e do interior do Amazonas. Seria um atentado à liberdade, não?

O aumento da burocracia ocorrido desde o começo do governo Dilma já está travando a inovação na saúde. Em 2010, a Anvisa deixou de aceitar certificações internacionais, como a do FDA (a Anvisa americana), para aprovar a importação de equipamentos médicos. Mas os burocratas da Anvisa demoram em média quatro anos para certificar equipamentos. Por causa da demora, um hospital interessado em trocar um aparelho de ressonância é impedido de importar máquinas de última geração. Só pode comprar a que foi lançada há quatro anos, que já tem a certificação da Anvisa.

Entraves como esse devem se espalhar pela formação dos médicos. O problema vai estourar justamente quando a população estiver envelhecendo e precisando de serviços de saúde. O triste é que, quando isso acontecer, os planejadores benevolentes vão culpar a mão do mercado, e não o excesso de regulação, pelos problemas da medicina no Brasil.

Em São Paulo, carros são obrigados pelo prefeito a transitarem a velocidades mais baixas que bicicletas

No final de julho, em São Paulo, as Marginais Tietê e Pinheiros tiveram seus limites de velocidades reduzidos, passando de 60 km/h para 50 km/h nas pistas locais, de 70 km/h para 60 km/h na pista central e de 90 km/h para 70 km/h na pista expressa.

O secretário de transportes da cidade, Jilmar Tatto, argumentou que a redução de velocidade tinha o objetivo de poupar vidas ao reduzir os atropelamentos — atropelamentos em uma via expressa!

E quem são as vítimas? Vendedores de bebidas e moradores de rua. É curioso que, em vez de simplesmente impedir o acesso de pessoas às marginais (como se faz em qualquer país civilizado do mundo), o governo opta por punir quem nelas transita.

Toda a decisão foi tomada sem nenhum embasamento técnico — o que, por si só, configura abuso de poder.

Como resultado, ficou famosa essa imagem em que uma bicicleta ultrapassa um carro na marginal em um horário em que o trânsito estava fluindo livremente:





No que tange aos automóveis, eis a atual situação do paulistano (você, leitor de outra cidade, pode se preparar: isso ainda vai chegar até você):

1) não se pode circular com um automóvel, 24 horas por dia, durante os sete dias da semana devido ao rodízio, que é ilegal;

2) o pouco espaço para estacionamento que havia foi tomado por faixas vermelhas para bicicletas;

3) as ruas importantes de duas faixas tiveram uma dessas faixas sequestrada para servir exclusivamente a ônibus;

4) as velocidades-limite baixaram em proporção inversa à colocação de radares:

5) as vias expressas perderam o direito de ter esse nome;


7) o mesmo prefeito vislumbra um plano diretor que limite o número de vagas para automóveis a uma por apartamento




O prefeito tem dito que a redução do limite de velocidade nas marginais em São Paulo segue a tendência das capitais europeias.

Na mesma toada, a Folha deu uma notícia semana passada informando que Londres diminuiu em 40% as mortes no trânsito depois de reduzir a velocidade máxima de um quarto das ruas e avenidas para 32 km/h.

Quem lê a reportagem ou ouve as explicações de Haddad pode acreditar que só se anda devagar na capital inglesa. Não é verdade. Nas autoestradas londrinas similares às marginais de São Paulo, a velocidade máxima varia de 40 a 50 milhas por hora, ou 64 a 80 km/h.

Poucos turistas que visitam Londres sabem, mas a cidade tem estradas muito parecidas com as marginais paulistanas. Uma delas é a North Circular Road. 





Assim como a Marginal Tietê, a North Circular é uma autoestrada urbana, que corta a cidade pela metade (na altura da zona 3 do metrô), ligando leste a oeste. Também nasceu do urbanismo modernista dos anos 1950 e também é rodeada por galpões e atacadistas. A diferença é que em São Paulo há um rio não exatamente agradável entre as pistas.

Londres tem ainda um equivalente ao Rodoanel de São Paulo, a M25. Carros comuns podem andar nessa estradaa até 70 milhas por hora, ou 112 km/h. De novo, é um limite superior ao similar paulistano, 100 km/h.

Se a ideia do prefeito Fernando Haddad é copiar as cidades europeias, então deveria aumentar o limite de velocidade nas marginais.

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Leandro Narloch é jornalista e autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, e do Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, além de ser co-autor, junto com o jornalista Duda Teixeira, do Guia Politicamente Incorreto da América Latina, todos na lista dos livros mais vendidos do país desde que foram lançados.

sábado, abril 25, 2015

Modelo para gerar empregos na região paulistana das “zelites” não toca o coração de Haddad.







por Claudio Tognolli





O prefeito Fernando Haddad adora bicicletas e multas. Vejamos:



Multas

Os cofres da Prefeitura de São Paulo fecharam o ano de 2014 com uma arrecadação recorde em multas de trânsito: R$ 898,5 milhões, crescimento de 5,6% em relação a 2013. Um balanço da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) mostra alta de 4,5% das autuações no ano passado.

De janeiro a novembro de 2014 entraram nos cofres públicos do município R$ 791,2 milhões via multas.

Em 2008, quando havia 42 radares fixos na cidade, as multas renderam R$ 387,5 milhões ao município. Hoje, já são 117 equipamentos e uma receita duas vezes maior.

Bicicletas

A gestão Haddad têm como meta entregar, até o final de 2015, 400 quilômetros de ciclovias.

A Prefeitura diz que a implantação das ciclovias teve custo médio de R$ 180 mil por quilômetro até o fim de 2014 - foram 156 quilômetros e um investimento de R$ 28,3 milhões.

Temos uma dupla boa : Haddad defende as bicicletas : e Dilma as pedaladas…

Crime

Como morador dos Jardins, segue um registro deste blogueiro: a fixação de Haddad por bicicletas e multas (eu apoio as bicicletas incondicionalmente) se esquece de outra temática: a segurança.

É infeccionante o número de assaltos nos entornos do Jardim América, Jardim Europa, etc. Óbvio: mansões desocupadas, com o IPTU impagável, nos dois sentidos do termo, tornam a região uma terra de ninguém (nos EUA isso se chama FOT, flying over territory).

Novos empregos: Movimento Zoneamento REAL

Essa terra de ninguém bem que poderia se livrar de bandidos ao mesmo tempo em que aumenta a oferta de empregos na região.

Por que isso não acontece?



Porque as zonas ditas “nobres” tem o comércio vetado em suas franjas, bordas e coração.

Com a força de 30 mil assinaturas de apoio, já entregues oficialmente, foi criado o Movimento Zoneamento REAL, que começa a enfrentar incisivamente o lobby que pretende restringir ainda mais o uso dos grandes corredores comerciais de São Paulo. Neste sábado, 18 de abril, ocorrem reuniões abertas em vários lugares da cidade, junto com as Administrações Regionais, continuam o debate participativo nas mudanças do Plano Diretor que serão votadas em breve na Câmara Municipal. O Movimento Zoneamento REAL estará presente, representando os comerciantes, proprietários, funcionários e usuários das áreas já comerciais do Jardim Europa, em defesa do uso mais diversificado de corredores como os das Avenidas Europa, Cidade Jardim, Rua Colômbia, Alameda Gabriel Monteiro da Silva.

O movimento conta com o apoio da Associação Comercial de São Paulo, entre outros grupos de comerciantes da região nobre da cidade, preocupados com a degradação dos imóveis, subocupação e contra argumentos de restritas e elitistas associações de moradores de sobrenomes poderosos.



“Não podemos permitir que associações que, se somadas em toda a cidade, não passam de 300 pessoas, em nome de seus interesses exclusivos de segregação, se sobreponham à vontade e necessidade de milhares de pessoas que dependem da região e contra o desenvolvimento da cidade”, afirma Geraldine Maia da Silva, advogada do Movimento Zoneamento REAL e especialista em Direito Imobiliário e Direito Urbanístico.

“O que pedimos é absolutamente razoável e concreto, que o interesse público seja posto acima de questões particulares. A instalação de outros tipos de comércio e serviços beneficiará a região como um todo, mas é claro que também estará garantida a preservação das regiões internas, exclusiva de moradias. A cidade é um elemento vivo”, explica Geraldine. “Todos vão sair ganhando: os moradores querem morar e continuarão tranquilos em suas casas, e os comerciantes podem fazer o que precisam, trabalhar”.



Não serão instalados supermercados, shoppings ou grandes estabelecimentos, como estão querendo fazer parecer. O que se pede apenas é que possam ser instalados mais outros serviços, como lojas, restaurantes e boas lanchonetes.

Lei em discussão

A Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo da Cidade de São Paulo é a 13885/2004. Novas mudanças previstas pelo Plano Diretor para os próximos 16 anos estão contempladas na Lei 16050/2014, sancionada em 31 de julho do ano passado. Essas mudanças vêm sendo analisadas em audiências públicas, que discutem as regras que deverão ainda ser votadas e aprovadas na Câmara Municipal de São Paulo. Os corredores são as chamadas Zonas de Centralidade Linear, e se dividem em ZCL-Z1, comércio e serviços de baixa densidade, e ZCL-Z2, serviços de baixa densidade.As propostas desenvolvidas pelo Movimento Zoneamento REAL podem ser melhor conhecidas por vídeo já postado no YouTube:



Post Scriptum: Este blog espera que a liberação das áreas nobres da cidade, para criação de empregos, sensibilize um prefeito que se diz do Partido dos Trabalhadores

domingo, agosto 11, 2013

A Seita do Mal ou a História se repete.








por Laís Bellini. 

(A história se repete? Leiam o post da entrevista de Eleonora Menicucci, a diferença é que esta gostou da ideia, se submeteu aos ditames da organização; já Lais Bellini não gostou. Quer saber quem paga para essa gente promover a baderna? Helio Fernandes Conta aqui)

Capilé com Haddad e com a Soberana



Comecei a escrever esse texto com incentivo e a coragem da Beatriz e a certeza de que falar a verdade nada mais é o que a melhor maneira de livrar-se do que ainda te revira o estômago.. a gente tem que enfrentar uma parada quando acredita que ela não é aquilo que diz representar.


2011 começou como o que seria meu último ano em Bauru, cidade onde cumpria meu curso de jornalismo pela Unesp, mesma universidade que uniu os primeiros integrantes do Enxame Coletivo, ponto da rede Fora do Eixo por lá. Entre uns shows e outros que assisti das noites fora do eixo, comecei a produzir conteúdo para eles durante os eventos, por meio da E-colab, Equipe de Comunicação Colaborativa de Bauru, grupo este que surgiu com integrantes do Fora do Eixo de Bauru mas que hoje trabalha independente dele. Escrever sobre as noites, os shows e os sons era muito prazeroso, escrevíamos às vezes, durante o próprio evento. Ali mesmo, online, publicávamos, e partíamos para a divulgação do que rolava ali por Bauru, integrando com outras cidades os comentários que rolavam em outros cantos por aí do país. Foi por essas que conheci o Fora do Eixo. A partir do Canja, comecei a me envolver mais ao Fde. Me encantei, e como sempre faço quando me apaixono por qualquer coisa, me joguei. Fui fundo, bem fundo, tapei meus olhos, cerrei minha boca (fui cerrando aos poucos, melhor dizendo). Meus ouvidos, a cada mês, ficavam mais aguçados (recebiam bem as mensagens vindas de cima) e a mente, mais convencida e dependente… 9 meses depois, antes que chegasse a bater a cabeça no fundo do poço, segurei numa cordinha que pendia perto da minha queda e voltei à realidade. Frustrada sim, decepcionada por demais, mas enfim, voltei a pensar. Passei uma semana olhando pra cima, chorando, questionando os meus porquês, me sentindo culpada. Hoje, primeiro dia que tomo coragem pra escrever sobre esse assunto publicamente, associo o meu envolvimento ao Fora do Eixo com diversos fatores da minha vida. Mas enfim, são tantos assuntos que eu vou tentar, veja bem, tentar definir os pontos que considero importantes para serem publicados e espalhados por aí.


O Canja acabou e eu, a cada dia mais encantada, me propus a trabalhar com o Enxame Coletivo como colaboradora. A cada dia mais envolvida, fui para Araraquara onde acontecia o Congresso Regional do Fora do Eixo, em agosto de 2011. Ali, conheci mais gente incrível, cheias de ideias para construir cenas independentes da cultura em suas cidades, para distribuí-las para todo o país, enfim, o discurso que todo mundo aqui que já conversou com qualquer pessoa do Fora do Eixo, já ouviu, pois sim, é bem rápido que se pega o vocabulário e as expressões te encantam, é uma bomba de novidades que faz seu coração e sua mente pensarem "finalmente, encontrei pessoas que pensam e querem mudar o mundo como eu". É, podem rir, mas é verdade, é essa exata sensação que eu tive. Não que mudar o mundo seja uma ação como a de um super herói, mas me refiro às que propõem mudança no seu espaço e em rede, integram essas mudanças que chegam enfim a ser grandes e fazem isso de forma coletiva. O congresso me pirou… e mais ainda porque foi ali que eu conheci o Pablo Capilé. No segundo dia de Congresso, cheguei ali e vi um cara argumentando brilhantemente bem diante de um outro que fazia algumas críticas. O pessoal que fazia críticas era de São Carlos e questionava a atitude da cúpula do Fora do Eixo por terem tirado os caras mais influentes do coletivo de São Carlos para irem viver em São Paulo. (Aqui vale ressaltar que quando eu perguntei o porque de "Fora do Eixo" me contaram que a proposta da rede era fugir da cena Rio-São Paulo e assumir um papel de incentivar as cenas culturais independentes de quaisquer outros cantos do país… No último ano de 2012, a maior luta do Fora do Eixo foi conseguir entrar no Rio de Janeiro, cidade que, durante o Congresso Nacional de 2011, foi imposta pelo Capilé para ser a sede do Congresso do ano seguinte, mas o Rio de Janeiro não abriu as pernas assim. São Paulo, um ano antes, recebeu a rede, conhecida mas nada comparada ao que é hoje, e foi arrombada pela mesma, tudo quanto é evento era coisa do Fora do Eixo, mas não necessariamente porque só eles fazem acontecer, mas porque sim, se apropriavam de realizações de outras organizações como muitos movimentos estão gritando por aí… que o Fora do Eixo não os representa. Mas enfim, vamos voltar ao meu relato pessoal. Conheci o Pablo e ele, obviamente, viu nos meus olhos que eu estava ali, encantada com tudo o que estava ouvindo, conhecendo, descobrindo. Me chamou para uma conversa pessoal (o que deve acontecer com um monte de gente, mas no dia, eu me senti muito importante, e meus próximos ficaram intrigados do porque "O grande Pablo Capilé" queria falar comigo, hoje eu bem sei que ele queria saber mesmo o quanto eu já estava dentro, envolvida, fascinada). Na conversa, fez com que eu me sentisse importante naquela rede, me fez ver o quanto meu papel como "mulher", como ele dizia, era essencial para que Bauru voltasse com toda a potência como antes (a integrante de Bauru que tinha saído do coletivo para ir morar na Casa Fora do Eixo em São Paulo era a única mulher até então, quando eu entrei, a ideia era, praticamente, que eu ocupasse seu espaço, cumprisse suas funções).


Em pouco tempo estava no núcleo duro do coletivo de Bauru, e por conseqüência, morando na sede de lá. (Núcleo duro é o grupo que está mais envolvido com a rede, dentro de um ponto (numa cidade) da rede e, por conseqüência, tem mais poder de fala, mais poder de decisão, mais poder, enfim, ou melhor, como eles dizem mais "lastro", o que pra mim significa tudo a mesma coisa e vem sim com o mesmo tipo de prepotência que a gente assiste ai nos poderes públicos do país. Lastro é sim poder, mas sobre isso eu vou falar mais pra frente). Continuando, meu último semestre na universidade ia por água a baixo. Liguei pra minha mãe e disse "mãe, não vou terminar a faculdade, a universidade não está com nada, vou trabalhar com educação popular, com conhecimento compartilhado que vai além desse engessamento institucional e bla bla bla. Ela, como sempre, tentou me entender e me disse "confio em você". E assim foi, intensamente, me joguei por completo. Já fazia parte de reuniões da regional São Paulo, e, com cada vez mais envolvimento e, bem percebido pelo núcleo duro geral da rede, estava sendo muito acionada por integrantes de outros pontos, "pequenos", da regional São Paulo. Só pra pontuar, digo pequenos aqui pra tentar demonstrar o que isso significava ali dentro da Casa Fora do São Paulo, sim, São Paulo era o controle dessas cidades do estado de São Paulo e também de todas as outras cidades do país e a ligação com os integrados na América Latina. O "pequenos" significa que eram menores em termos de poder em relação a rede e lá em Bauru, começamos a receber grupos de cidades que até então não tinham ponto fora do eixo e que estavam interessados em entender o que era a rede e fazer parte dela. Através de imersões (que aprendemos a fazer durante uma nossa lá na Casa Fora do Eixo São Paulo), começamos a espalhar o conhecimento da rede, as ideias, os vocabulários, os vícios, as dependências, e tudo mais que vem embolado nessa seita, com cara de culturalmente popular, musicalmente descolada, pessoalmente encantadora, internamente… cheio de gente incrível que está cega como eu já estive e com um número contável nas mãos de quem são os controladores e administradores da rede querendo consumir só uma coisa em você: a sua mente. E para quê?! Sinceramente até hoje eu não sei o que é que realmente o Capilé quer fazer da vida dele, nem até onde ele quer chegar. Antes eu pensava que ele queria, sei lá, virar ministro da Cultura, saca. Hoje eu acho que isso tá pequeno pra ele. Ele quer mais, e é por isso que não se diz de partido algum, surfa no mar de vários, tem interlocutor no partido da Marinão que eu sei, tem interlocutor no PT (que é o partido com quem esteve sempre mais próximo), e por aí vai. Hoje eu vejo o Fora do Eixo como uma rede que tá alimentando a imagem do Pablo Capilé, o grande criador da ideia de valorizar a troca de produtos e serviços, o grande criador da moeda solidária, que é o tal mal dito "card". Aliás, na moral, se o Fora do Eixo fosse pagar tudo o que deve em card (e em dinheiro) para os outros, poderia fatalmente decretar falência.


Bom, continuando, saí de Bauru por 10 dias para fazer uma turnê com uns amigos de Bauru que haviam lançado um filme por lá e fecharam com o Fora do Eixo para circularem com eles por algumas cidades do Estado de São Paulo e mais outros dois integrantes de outras duas cidades que tem sede do Fora do Eixo, hoje nenhum deles está mais na rede. E em cada cidade, esses eventos, eram além de tudo, um momento de divulgar a "beleza" da rede. Um desses meus amigos me alertou sobre o quanto eu estava sendo impositiva quando tratava de falar para alguém o que era a rede Fora do Eixo e o quanto eu tava, de certa forma, pesando na mente das pessoas… naquele dia eu discuti com ele, fiquei puta da vida, falei que ele tava atrapalhando meu papel ali de aproximar as pessoas da rede (e sim, eu estava reproduzindo exatamente da maneira que eles queriam… em pouco tempo eu já havia adquirido o vocabulário que encanta quando bem discursado e saía por aí espalhando essa seita São Paulo a fora). No último dia de turnê o Capilé ligou no meu celular. Perguntou como tava rolando a turnê, como tava minha articulação com os possíveis novos pontos e tal… no fim da conversa disse assim: "então, o que você vai fazer sábado!?" isso era quinta, eu estava voltando para Bauru. "Eu gostaria que você viesse pra São Paulo sábado, aqui na casa fora do eixo São Paulo… vai rolar a festa de 10 anos da Fórum e eu gostaria que você estivesse aqui pra participar com a gente". Puuuuuuuta que pariu, me senti importante pra caraaaaaalho e olha só que irônico… hoje, eu vejo essa minha reação como nada mais que uma pessoa que inconscientemente ignorava o propósito horizontal da rede, pois ali eu estava vendo um momento de "subir na rede" como tanto já tinha ouvido falar e que, se entendermos essa expressão ao pé da letra, nada mais é do que a mais pura contradição da sua concepção. E isso rola com muita gente lá dentro, que se esquece e deixa o evo falar mais alto.


Cheguei na Casa Fora do Eixo em São Paulo naquele sábado. Entrei, vi a programação pregada no primeiro poste da casa e a roda de conversa que seguia trazia entre os debatedores "Laís Vellini", pensei eu, que curioso, tem uma mina com o nome quase igual o meu, e ela tá aqui. Beleza. Entrei, vi o Pablo, dei oi pra ele.. e ele: "ainda bem que você chegou, você entra no próximo debate." (WTF!?) Sim, o Pablo me colocou ali pra falar sobre o Fora do Eixo, defender a rede num debate que tratava de "Juventude, Ruas e Rede", eu tava no Fora do Eixo há menos de 6 meses. No mesmo papo estava o Cauê, um cara que eu conheceria de verdade mais adiante, quando fui trabalhar no Outras Palavras. Naquele dia, ele pareceu um cara que questionava uma coisa que pra mim era, naquele momento, a essência de algo que da teoria à pratica estava funcionando: a rede. Por baixo dos panos, a piada do foradoeixo com o Cauê era de que ele era muito "esquerdinha", tinha muito papo de teoria e nada de prática (na moral, ninguém ali conhecia o Cauê nem tampouco o que ele fazia da vida pra tacharem o cara de esquerdinha porque ele partiu pra fazer umas críticas - e olha que as críticas foram bem de leves). Mais pra frente eu ia entender que a coisa não é assim. Aliás, foi esse mesmo ponto que foi dito quando o Giuseppe Cocco, professor da UFRJ e criador da Uninômade, entrou em debate num dos grupos de email que tratam de Políticas Culturais no Brasil, o chamaram ali dentro de "esquerda demais", assim como o passa-palavra, o Arbex, e outros que escreveram críticas ao fora do eixo. A galera critica com conteúdo, lá dentro é tachada de esquerda demais. Hoje, eu analiso aquele dia como mais um dos dias em que o Pablo te coloca numa sinuca de bico pra ver como você se sai, e também, de certa forma, pra alimentar o seu ego, pra que comece a entender de uma maneira ou outra esse processo de querer "subir" na rede. Sim, bem na humildade, hoje, refletindo, consigo me deparar com diversas vezes em que, ali dentro, eu mesma agi de modo a impressioná-los, a querer subir na rede, para poder falar mais, alçava a possibilidade de um dia, páreo a páreo, poder perguntar, criticar uma coisa ou outra afim de que a rede melhore, mas isso é mera ilusão. E sim, tá cheio de gente lá dentro, com quem conversava, trocava ideia (quando dava tempo) que tinha medo da cúpula, que tinha medo de perguntar, de questionar, de opinar. A galera faz sim o que pedem, a todo momento. Sim, tenho amigos ali dentro que me vêem como quem desistiu, mas não se dão conta do escravismo que estão vivendo, e aqui eu digo escravismo referindo-me ao mental e ao financeiro. Quem toma coragem pra sair da rede tem que ter algum recurso financeiro para recomeçar a vida do zero e muitos, que eu sei, ainda enfrentam longas sessões de terapia. Muitos amigos meus preferiram mudar de cidade, mudar de ares, enfim, pra tentar tudo de novo… uma das coisas interessantes que notei é que quando você está ali dentro, e não importa a época - não me refiro a agora que há por exemplo a Mídia Ninja pautando assuntos nacionais e internacionais, mas sim tempos em que eu ainda estava por ali e a coisa tava só começando com essa mídia mais externalizada -, enfim, você acredita piamente que tudo o que você está discutindo, debatendo, refletindo é sobre a própria rede, em constante ação de marketing.


Ah, quando eu digo cúpula, falo das seguintes pessoas, que, a meu ver, seguem sua própria escadinha de hierarquização, de poder (lastro, como eles dizem): Pablo, Lenissa, Mari e Carol e Felipe (os dois últimos num mesmo nível). Vejam aqui que isso aqui é mera opinião minha, um peixe pequeno naquele mar cheio de espécies… desde os mais capacitados questionadores que logo sumiram com suas caras, até o mais manipulado deles (e entendam que aqui cabe de tudo.. como dizia ontem a um amigo, tentando explicar-lhe a sensação, hoje é mais fácil você se colocar em questionamento sobre a rede, pois eles existem e a cada dia vem surgindo mais críticas, mas há dois anos atrás, um ou outro gato pingado que resolvia criticar era rapidamente abafado, rotulado de rancoroso e seguíamos adiante com nosso afazeres). 


Enfim, 15 dias depois eu estava de volta à Casa Fora do Eixo, dessa vez para trabalhar no pré-congresso. O Congresso Nacional Fora do Eixo que aconteceria, como votado no ano anterior em São Carlos, foi mudado impostamente pela cúpula mor para ser então em São Paulo, mas claro que se você perguntar isso pra eles, vai ter um milhão de respostas do tipo "decidimos em reunião coletiva" "todos podiam contra argumentar mas não tinham opção melhor" e bla bla bla. Não, meu bem, a parada ali acontece quando o Pablo quer. Quando, como, onde, e da maneira que ele quiser. E na moral, "você, que acabou de chegar e, tampouco você que tem os mesmos 6 anos de rede como ele, tem lastro como o lastro de Pablo… por isso, vai de boa, num pergunta muito não porque ainda te falta lastro, quando você tiver lastro, você terá mais poder de voz, aí pode perguntar mais, pode contra argumentar". Eu já vi gente que tem mesmo tempo de rede baixar a cabeça, já vi medo estampado no rosto de pessoas que tão ali na mesma dedicação que ele, já ouvi me falarem que tem que ficar quieto porque ele sabe o que tá fazendo e que a gente tem que confiar e não ficar perguntando muito. 


É, a coisa ali funciona bem assim. Comecei a trabalhar então pelo Congresso Fora do Eixo que aconteceu em dezembro de 2011, em São Paulo. A gente trabalhava das 8h, 9h da manhã até às 03h, 04h… e olha que eu não reclamo de muito trabalho quando acredito na causa… mas o problema que eu vejo é que ali parecia uma nóia coletiva de um querer demonstrar mais trabalho que o outro para o seu gestor. Sim, porque ali dentro haviam gestores. A galera nova que chegava tinha seu gestor, dependendo em que área ia trabalhar. Eu fiquei trabalhando com a Carol, na Universidade Fora do Eixo, e diversas vezes eu saquei que o "lastro" da Lenissa era o maior ali entre as meninas e ela junto da Mari que já estavam a mais tempo ficavam constantemente posicionando a Carol para ela se impor por cima de mim. E aí vem uma lista de coisas absurdas da vivência ali dentro que eu acho que tem que ser explicitada, lembrando ainda que espero eu que pessoas como Reinando Azevedo, um dos caras que mais me enojam na grande mídia, não venha considerar que quem está descrevendo aqui sua experiência tem alguma coisa a ver com seus ideais… pelo contrário.


Quer fazer crítica!? Faça diretamente ao seu gestor que ele resolve com você. Você quer conversar com seu amigo, você não pode. Sim, você tem um gestor lá dentro da casa e, sim, você não pode sair por aí conversando com sua amiga que vive e trabalha no mesmo lugar que você. Lugar este que por sinal pauta ser uma rede coletiva, compartilhada, integrada, de muito amor em sp e em todo o mundo. Eu conversei algumas vezes com alguns amigos e, no que se chama lá dentro de "choque pesadelo", fui chamada várias vezes pra conversas em off, a pressão é forte ali… na hora, você se sente a pessoa mais errada do mundo, sente que tá fodendo com um propósito muito maior e para de conversar com a sua amiga. Sério… eu fui proibida, digo proibida mesmo… de conversar com o cara que ali dentro eu considerava ser o meu melhor amigo. A seguinte frase foi dita a mim: "Laís, o Gabriel era seu "amigo" lá em Bauru. Agora ele está aqui para trabalhar com o Felipe. Qualquer coisa que ele precisar ele tem que conversar com o Felipe. Você tem que conversar com a Carol. Vocês não tem que ficar de conversa. Aqui dentro vocês não são amigos. Vocês trabalham para a rede e em setores diferentes." Claro que a coisa começou a pesar pro meu lado porque eu comecei a sacar que me tornei uma espécie de vírus ali. Não podia mais conversar com as pessoas que queria, com quem me sentia a vontade. Sinceramente, era muito nítida a falsidade todas as vezes que a Carol ou a Lenissa e a Mari me chamaram pra conversar como "amigáveis". Mas quando se está lá dentro, você tem medo, medo de responder, de questionar e acaba acreditando que fazer o que estão te pedindo será melhor para o coletivo. Ou seja, é bom você não conversar com seus amigos ali dentro porque se conversar pode ficar espalhando críticas absurdas que são "da sua cabeça" e isso não é bom… até porque na concepção delas eu era uma garota mimada, de classe média que não vi o que é sofrer pra crescer na vida e portanto não agüentava viver na pressão que a rede tinha pra conseguir se desenvolver. Se eu queria perguntar, eu tava perguntando de mais, tava com, como a Lenissa me dizia "síndrome da aparesidisse". 


Catar e cooptar. Vejam bem moças e rapazes, se você for considerado um perfil estratégico para estar e entrar na rede, cuidado, você em breve pode perceber alguma pessoa que vai se aproximar bastante de você, mas bastante mesmo a ponto de demonstrar muito desejo por você. Quando você está se aproximando, há reuniões que acontecem dentro da cúpula, as vezes com mais uns ou outros, que podem ser indicados para tal ação, para definir quem é a pessoa que tem mais perfil para dar em cima de você e te fisgar pra dentro da rede. Sim, essas conversas acontecem em reunião e ali é definido o nome da pessoa que vai partir pra cima. Cada um aqui que tire a sua conclusão. Tanto sei desse papo que soube ainda que ficaram preocupados quando o cara que foi enviado para partir pra cima de mim não conseguiu, e por isso não sabiam o quanto eu estava me envolvendo realmente com a rede ou não. Só pra pontuar, quando eu ainda estava lá, eu participei de uma conversa na qual propunham que eu tinha que demonstrar que eu estava mais dentro, que eu estava mais entregue à rede, pra que elas pudessem confiar em mim e pra que eu pudesse partir pra fazer ações estratégicas como sair pra catar e cooptar uns caras que considerassem interessante estar dentro. Uma semana depois dessa conversa eu estava fora. E não se enganem queridos, o amor tá aí pra ser mais uma ferramenta… seja você um(a) universitário(a), um(a) intelectual, um(a) artista interessante pra eles, um(a) professor(a) bem posicionada politicamente. Não importa, se você é alvo, o "amor", ou melhor, o "pós-amor" é uma ferramenta.


Quero pontuar uma coisa interessante também… o sexismo forte que existe numa rede que se propõe apoiar "feministas". A sala das meninas é a sala do Banco, da Universidade… a sala dos meninos é a sala da música, da política. E por favor, que cada um tire suas conclusões. Mas o direcionamento é algo bem nítido. Me pergunta qual o sexo do gestor da cozinha. E me pergunta quem sai pra uma ou outra noitada do Fora do Eixo pra dar as caras na festa com uma "galera".


Com quem você se relaciona?! Não queira estar lá dentro e se relacionar amorosamente com qualquer outra pessoa que esteja fora da rede. Você vai viver aquilo ali e nada mais. Ficar dentro da casa o dia inteiro e só sair quando é necessário para a casa (cumprir alguma agenda da sua frente de trabalho ou então se você está escalado para almoço, compras, algo do tipo). Você não vai sair de casa para ir ao cinema, nem tampouco ao teatro, você não vai sair pra ouvir um som, nem tomar uma cerveja com o seu vizinho, afinal você nem conhece seu vizinho, porque não há tempo, espaço, disponibilidade. Você vive dentro da Casa Fora do Eixo São Paulo e isso é a sua vida. Se você quer visitar seus pais no interior… olha sinceramente, que você tenha um bom motivo… e que não venha "pedir" 2 meses seguidos. Sim, porque ali o verbo era esse. "Posso ir visitar minha mãe essa semana?", coisas do tipo. Tá afim de encontrar uma pessoa que não faz parte da rede?! Vai inventar a maior mentira pra conseguir sair dali uma noite se quer, e no dia seguinte se demorar pra voltar, não tem cara bonita te dizendo bom não. Ali, é cobrança 24h por dia. Agora, ai de você perguntar porque o Pablo tá saindo. Porque a Lenissa vai passar 3 dias fora. Você não tem que perguntar. Ela vai sair, vai usar o dinheiro do caixa coletivo, não vai pedir a ninguém o quanto vai usar. Mas claro, veja bem, ela tem "mais lastro que você". O Pablo resolveu dormir até mais tarde e perdeu o vôo. Não importa, ele nem se deu a obrigação de cancelar o vôo. "Você vai ligar lá Laís, vai dar um jeito de trocar a passagem." "Mas já passou a hora do checkin" "não importa, troca, ou compra outra, tem que comprar outra, rápido Laís, já resolveu (o gtalk bombando!!!) vai Laís, vai logo, menina, tá lerda hoje, você é lerda mesmo né, parece retardada". Sim, você fica na função de comprar 70 passagens aéreas e não para durante 4 dias fazendo todas as cotações possíveis e impossíveis. Ai de você comprar um horário que seja errado. Ligue para ela, pergunte que horas ela vai chegar. Tem que ter um vôo pra ela. Laís, você é retardada, NÃO TÁ OUVINDO O QUE EU TO FALANDO?" É nesse nível. E retardada é pouco. Já ouvi a Lenissa mesmo xingar com uma raiva gigante vários que passaram ali na sala "das meninas" por motivos absurdos. Eu passava horas e horas suando pra conseguir prosseguir com as passagens e constantemente sob o olhar difícil de descrever da Lenissa. Era uma mistura de prepotência com aspereza e intencionalmente querendo me passar medo. Sim, ela gostava que eu tinha medo dela. Hoje, não tenho mais. Sei que tudo ali fazia parte dessa tendência de manter você ali dependente da rede e de tudo o que ela teoricamente, na sua cabeça representava de grandioso. E já vi Pablo falar assim com muitos caras ali dentro da sala da música. A sala, com Felipe e com Pablo era uma. Sem eles, era outra. A casa também, mudava o clima. E todo mundo que tá lá, obviamente vai falar que é mentira. Eu já fiz isso. Já senti imenso "prazer" em estar vivendo aquilo e me auto sabotar sem nem perceber.


Quero fortemente pontuar que as pessoas que vivem ali dentro, muitas, a maioria delas, considero que vivem a mesma situação que eu. Eu já estive lá. Já vivi momentos em que aparecia um texto com crítica ao Fora do Eixo e aparecia o Pablo sala por sala ou recebíamos a informação via gtalk: " Escrevam aí sobre o quanto você curte estar vivendo isso aqui, o quanto a gente faz coisa massa", e ai, como mais uma demanda, em 15 minutos o facebook tinha 300, 400, 500 textos com esses mesmos tantos de curtir e compartilhar. É bom lembrar que curtir e compartilhar coisas que o Pablo e mais outros por lá escrevem no facebook é demanda diária. Mas quando você está lá dentro parece mais que você está defendendo a causa da rede, que por mais que você tenha crítica, todo mundo tá ali pra algo maior. E sinceramente, acredito muito que tem muita gente lá dentro que tá lá da mesma maneira que eu, mas que tá trabalhando pra meia dúzia de gatos que controlam tudo o que estão fazendo diariamente, no seu quarto, no seu computador, na sua vida.


Eu já cheguei a ouvir da Carol (e sinto muito que são fortes recomendações da Lenissa e do Pablo) coisas do tipo: "com quem você está conversando aí no facebook Laís? Esse cara nem é do Fora do Eixo. Quem é ele?! Porque você está conversando com ele" e veja bem, ai de você perguntar alguma coisa a Pablo, Felipe, Mari, Lenissa, Carol no mesmo nivel de prepotência. Ai de você querer saber o que ou com quem o Pablo conversa horas de porta fechada. Qual o assunto da conversa fechada em gtalk entre eles e assim por diante. Aliás, pra desmistificar esse encantamento sobre as reuniões gerais… elas são pré-definidas… inclusive seus encaminhamentos. Explico: "Mandem suas pautas, todos podem mandar pautas até dias antes da reunião "geral, aberta, participativa". Assim, horas antes da reunião geral, sempre há reunião da cúpula, em off… preparam textos já combinados com encaminhamentos pré definidos. Às vezes até propõem a você, que está ali do lado e também vai participar da reunião, para que você escreva sobre algum dos pontos que vão ser debatidos, mas claro, já com o encaminhamento dado.. e claro que isso não acontece explicitamente, mas quem vive lá dentro sabe, sente, mas não pergunta nada, a gente sabe. Durante a reunião, deixam um monte de gente de tudo quanto é coletivo falar, expor sua opinião, escrever sua idéia e depois vem, na ordem: o texto brilhantemente escrito de quem ficou pra escrever, entre eles, sobre a pauta tal, em seguida os outros com um "massa! curti sua ideia" e mais uma ou outra proposta incrementando. E aí, sempre se ouve na sala alguém falando "chuva de Ok" ou "chuva de sim", pra adiantar o processo, evitar debates, discussões mais aprofundadas e pra que deslegitime qualquer possibilidade de uma contraproposta. Na verdade, se ela vier, pode saber que há uma resposta pra isso e que eles já estão combinados com tudo o que vão apoiar. E posa vida né, você que acabou de entrar, tá aí quietinho e vai argumentar contra os 5 caras mais "fodões da parada"? Não! Você vai ficar quietinho e participar da chuva de sim! Qualquer mudança de rumo no meio das reuniões eles estão conectados em gtalk e rapidamente se apóiam. É tudo muito rápido e você meu cara, não vai nem perceber. Eu sei que daqui, depois disso que to escrevendo, vai aparecer muita gente dizendo que é tudo mentira, que sou rancorosa, mesquinha, filha de mamãe e bla bla bla. Ok, ok, eu também já escrevi textos dizendo que tal pessoa era rancorosa, mentirosa e que eu era pós-rancor. Eu sei como funciona, apesar de ter passado só 9 meses na rede, pouco tempo na Casa Fora do Eixo São Paulo, ter tido pouco "lastro" e bla bla bla, foi bem mais que o suficiente para me implodirem lá dentro ao perceberem que eu estava despertando, claro.


Sim, me distanciaram dos meus amigos. Me questionaram sobre minha vida amorosa. Disseram pra eu não me relacionar com tal pessoa porque "este não é o momento de você se relacionar com tal pessoa. É o momento de você trabalhar para subir na rede, para adquirir lastro, para ter espaço pra falar, pra conquistar essas coisas, você tem que assumir esses papeis". "Laís, porque você tá indo caminhar todos os dias no Parque com a Bianca. Acho que vocês duas estão conversando muito. Não é para vocês ficarem conversando muito". "Laís porque hoje você ficou de risadisse com os meninos na cozinha!? Você é mulher, tem que se posicionar como tal, não é pra ficar de conversa, de risada com ninguém na cozinha. Vai na cozinha porque tá com fome. Pega o que tem que comer e voltar a trabalhar. Não tá vendo que tá todo mundo aqui focado!?". Na moral, o que é se "posicionar" como mulher? E foco? Ali é passar o dia inteiro fazendo marketing online do Fora do Eixo. Toma banho rápido. Vai no banheiro correndo. Ninguém na casa lê livro algum, porque não dá tempo, isso não existe. E, ainda mais com o discurso do Capilé de que ler é perda de tempo, que agora a comunicação está mais dinâmica, que a gente usa o facebook pra ter informação de tudo e que isso basta juntando um ou outro artigo e tal que você vai ler porque obviamente estará falando do Fora do Eixo, e sim, isso é tudo. Cinema… tem um clube de cinema dentro da rede e marcávamos uma vez por semana (que era nossa hora de descanso da semana) para assistir a algum filme. Mas, sim, rolava uma puta pressão psicológica e disfarçada. Porque, na real, se a sua gestora não vai assistir, porque você vai?! Você tem que trabalhar e trabalho ali, meu amigo, não tem fim. 


Outras coisas que acho interessante questionar. Grito Rock 2012, do nada o Felipe chega e diz que vamos gravar não sei quantos segundos para passar na Rede Globo o comercial do Grito Rock. Por que raios vamos passar o comercial do Grito Rock na Globo!? Na moral, esse assunto, por debaixo das asas da cúpula, gerou burburinho entre a galera, mas como ninguém tem coragem nenhuma de perguntar nada, ficou por isso mesmo, eu inclusive fui num estúdio ver gravar a voz de dois amigos pro comercial e mais nada sobre isso pra geral foi dito. É lógico, isso é coisa de conversa da cúpula. Assunto de quem tem lastro maior, olha a hierarquia aí. Quando o China escreveu merda do Fora do Eixo, era quase véspera de Natal… ficamos mais um dia em São Paulo, porque a repercussão foi tão intensa no campo da música, que o Fora do Eixo tinha que dar uma resposta e naquele dia foi chuuuuva de likes pra cada depoimento que surgia, e você.. que vá escrever o seu sobre o quanto de amor tem pelo fde. 


O dinheiro de verdade do Fora do Eixo. Na moral, o que eu vou escrever aqui diz respeito a somente o que eu associei entre conversa com ex integrantes do fora do eixo, e vivências que tive na casa, além de acessos a documentos e, claro, ao poder de pensar que readquiri tempos depois de sair da rede. Não venham me pedir que prove isso ou aquilo, quem tem que provar que não é assim que funciona são eles. O esquema que consigo visualizar é bem simples e vou tentar descrevê-lo: o Fora do Eixo é uma rede com vários coletivos. Quando existia em Cuiabá o Cubo eles tinham uma associação, a Asprogic, cuja presidenta, se não me engano, é a Lenissa. Em São Carlos, uma outra associação existia e se chamava Associação Caminho das Artes cuja presidenta depois de um tempo, se tornou a Carol. A partir disso, tem-se, ali dentro da cúpula do Fora do Eixo, duas pessoas que são presidentas de duas associações, portanto, que podem emitir notas, e podem emitir, portanto, notas de serviço a outras organizações. Organizações tais que podem ser por exemplo, o Fora do Eixo, que recebe dinheiro público por editais ou relações diretas com empresas privadas como a Vale do Rio Doce, a Petrobrás, a Oi, etc. Quem recebe dinheiro para apoiar atividades culturais tem que justificar os gastos. Por exemplo, então, a associação Caminho das Artes pode prestar um serviço ao Fora do Eixo e emitir uma nota sobre sua atividade prestada a tal organização que vai servir de justificativa ao que o Fora do Eixo tem que apresentar ao governo ou a empresas que o apóiam. 


Outro dia fiz umas associações na minha cabeça e me coloquei a questionar… bom, um coletivo do Fora do Eixo quer fazer um festival local, em sua cidade. Trabalha com o card para fazer troca de serviços com várias organizações e empresas, consegue assim, gastar o menos possível em dinheiro real para realizar. Por vezes, rola inclusive apoio da prefeitura, até porque os caras já tão ai "bem vistos na mídia"… Aí pode rolar um apoio da Oi no Circuito Regional de Festivais, que vai e apóia com alguma parada específica. Aí vai a Petrobrás e investe com 600 mil na Universidade Fora do Eixo, que busca contrapor a ideia de cursos e propõe a ideia de percursos. Através disso, circulam pelos "campus" do Fora do Eixo os "docentes" da Universidade Fora do Eixo. E os "campus" Fora do Eixo nada mais são do que os próprios festivais que já rolam independentemente da Universidade Fora do Eixo. Em realidade, a Universidade divulga uma lista de docentes, pessoas de nome influente na cultura e na política, na educação e nos movimentos, que estão se aproximando da rede e tão achando legalzão o que eles fazem… o Pablo com todo seu discurso lindo o convida para ser docente do Fora do Eixo e o cara acha a idéia massa, e topa. Pronto, tá lá sua foto no flyer da Universidade Fora do Eixo. Ele te chama pra ir dar uma palestra, participar de uma mesa lá numa cidade do interior de São Paulo, por exemplo, e aí pronto, você vai, porque tá achando a ideia legal, vê que eles dividem tudo, grana e tal, acham que não rola grana por aí e tal e aparece na capa do Fora do Eixo, não recebe cachê, participa de uma mesa, e pronto, você já é contabilizado como um apoiador. Uma parada aqui só pra contar que eu sei de gente que nem sabia que taba com a cara estampada nos flyers da universidade foradoeixo e descobriram depois, quando viram na internet. Sem contar que, dos flyers lançados pela Universidade nesses campus que são os festivais, metade dessas pessoas são "orgânicas", ou seja, é a galera que vive la na Casa, que tá no Fora do Eixo e que tá ali preenchendo o espaço porque vai lá dar uma palestra sobre comunicação colaborativa ou sobre a Rede Brasil de Festivais. E olha que aqui, vale lembrar, eu não deslegitimo o quanto eu acho massa incentivar festivais, circulação de gente, de pessoas que vão acrescentar conteúdo em diversos cantos desse mundo, pelo contrário. Simplesmente, o que me deixa chocada é que ali eles não estão interessados em falar sobre comunicação colaborativa, estão só ali fazendo mais marketing do Fora do Eixo. Falando do Fora do Eixo. Eles não vão falar dos Festivais mil e dar espaço pra que surjam um milhão de novos grupos para fazer festivais no país. Eles vão te ensinar como se tornar um ponto fora do eixo e aí você vai fazer festival sobre a guarda das ideias deles, com as bandas que circulam com eles. E é tão mais fácil já que você já vai ter gente que trabalha o seu marketing, a circulação, te ajuda com mil e uma planilhas que você só tem que aprender a preencher e por aí vai.


Pergunta pra Ivana Bentes e pro Claudio Prado se eles vão sair de suas bem acomodadas e "media ou alto classeadas" casas e vidas para ir viver numa casa fora do eixo, dividir seu quarto com mais 8 pessoas, suas roupas com mais 20, 30 pessoas, seu sabonete com mais 22, sua bermuda com mais 15 caras, vai lavar a louça do almoço pra 80 pessoas e o prato do Capilé (que eu nunca vi lavar uma louça em todo tempo que estive morando lá, "mas calma lá Laís, ele tem coisa mais importante pra fazer"). Também nunca vi Carol, Lenissa e Mari fazer um almoço, uma janta. Ops, vi sim, acho que duas vezes, quando deu uma vontadezinha de fazer uma coisa diferente. "Mas Laís, deixa de ser mesquinha, egoísta, você acabou de chegar, tá perguntando coisa demais, fica de boa, vai de boa". Eu nunca vi Mari, Lenissa, Carol, Pablo, Felipe, levantarem da cadeira pra lavar um banheiro pós-domingo na casa… e nunca vi também alguém ter coragem de pedir pra eles ajudarem sendo que batia final de domingo na casa e o resto da casa toda levantava e ia limpar a parte inteira externa pra ficar limpa porque segunda-feira a vida e o trabalho continuam. Eu nunca vi nenhum deles sair pra fazer compras. E na moral, não me venham dizer que já fizeram muito quando começaram há 5 anos atrás ou quando a casa em São Paulo surgiu e bla bla bla, sinceramente, pra mim, quer viver num coletivo, então viva como um coletivo, horizontalmente, e sempre horizontalmente, sempre, dividindo trabalho braçal, compartilhando o intelectual, trocando constantemente, de verdade, não de mentirinha.. Não vem com esse papo de horizontalidade sendo que o Fora do Eixo é uma das estruturas mais engessadas que eu conheço na minha vida, ditatorial diria eu. Com seus ministros e seu presidente muito bem auto-intitulado rei-mor da bancada. Diria mais, ali se vive uma ditadura monárquica com toda a sujeira de autoritarismo de milhões de outras caras bonitas que possa haver num governo que se descreva como tal. Monárquica porque o Pablo é um rei lá dentro. Só não parece porque ele não se importa muito em demonstrar e porque também, po, é bem descolado aparecer como um cara de boa, que não liga pra roupa que tá vestindo, tá sempre tranqüilão… é o pós-rei-cult. E dito ditatorial porque a única coisa que eu consigo associar com o medo que existe nas pessoas em questionar o poder da cúpula é a ditadura. E sim, eu sou rancorosa pra caralho, na moral, vem falar de coletividade, de horizontalidade?! E ainda diz que horizontalidade é entender que você tem seu papel e a outra pessoa tem a outra. Porra, isso eu entendo muito bem. Aliás, acho até interessante ponderar, a idéia de coletividade funcionou internamente bem em muito coletivo por aí… a horizontalidade é possível. Mas claro, o papel do Pablo é articular, ficar analisando se está tudo no caminho que eles querem, mas tempo pra fazer trabalho braçal não, eles não tem mais, e você tem que entender… e quando você tiver lastro você vai poder ser como eles, olha que legal gente! "Calma Laís, você tem que crescer primeiro na rede" mas que porra de idéia de crescer é essa se essa merda aqui se diz horizontal?! putaquepariu, não to entendendo mais nada.


Eu dividi o que eu tinha ali, não me venha dizer nas respostas que podem bombardear minha vida depois desse texto, que eu não dividi. Eu dividi sim, e dividiria a minha vida inteira novamente, sem medo de errar, sem medo de me foder de novo se sentisse que dessa vez, quem tá por perto tá querendo fazer diferente. E quem tiver afim, eu garanto, pelo tanto de gente foda que eu conheci tanto lá na rede, e que ainda estão lá dentro noiados ou que já saíram, quanto gente que nunca se envolveu, que há muita gente querendo fazer diferente, há muito coletivo que não tem marca Fora do Eixo e tá fazendo coisa pra caralho. Mas se você não quer ter a marca, você vai ser excluído "da rede" cara, sério. Você é um movimento e não quer estar junto!? Não quer ser junto?! Então tu tá fora. E aí você some do mapa para eles. Na real, eu posso bater minha cabeça um milhão de vezes na parede, vai doer, mas eu vou levantar e o calo vai sair depois de um tempo e novamente eu vou tentar. Porque se eu sai dessa rede não foi por não ter força pra agüentar, nem foi por não entender lastro, nem tampouco por ser classe media ou que raios de classe vocês querem definir, não foi por não entender uma vida em coletivo, uma vida compartilhada. Eu pouco me importo, sinceramente, se a vida, o dia a dia, fizesse valer a pena, pelo seu propósito de mudança real, eu disponho aqui o que há de material, o que há de imaterial em mim e na moral, quem me conhece de verdade mesmo, sabe o que eu to falando e que isso é verdade. A quem eu me refiro aqui não me conhece de verdade, viram eu me dedicar e só rotularam a minha cabeça com um milhão de tags pra tentar moldar a minha cabeça, pra eu ser o que eles precisavam, mais uma peça do lego fora do eixo. Eu perdi muitos amigos por sair dali, mas readquiri novos porque você, querido, que quer entrar na rede, vai se dando conta que os amigos que tem agora, não vão mais ser seus amigos em pouco tempo, porque vão te fazer acreditar que simplesmente eles não fazem mais parte da sua vida, nem faz sentido você estar perto de gente que não está no mesmo ritmo que você. Sim, vão dizer que você já está em outro patamar de compreensão da vida, que você entende, eles não entendem, por isso te criticam, porque o ego deles é maior que a beleza do que você vive… é isso que vão te dizer e você vai acreditar. E sua família?! Ah, sua família poxa, vai ficar longe cara. Cada vez mais distante, cada vez mais e mais longe. Eu sei que aqui vão aparecer um milhão de pessoas falando "a minha mãe apóia, ela ama o que eu faço e bla bla bla" galera, eu to ligada. quando eu entrei no Fora do Eixo minha mãe achou genial, achou foda o que eu tava fazendo e tal, mas ela foi lá pra conhecer, me alertou sem impor qualquer coisa, mas enfim, até hoje, ela como vocês que estão lendo, nunca souberam da minha história e se hoje eu remexo nela é porque eu considero um momento importante pra falar porque eu não to sozinha, porque eu sei que tá cheio de gente aqui me lendo que tá com medo inclusive de se dar conta do que eu to falando. Tem gente lendo e com medo de curtir. Tem gente lendo e com medo de escrever o seu próprio relato. Eu espero que mais gente tenha a coragem da Beatriz, a minha coragem e a de tanta gente que ainda vai aparecer, cada uma a seu tempo, cada uma no seu espaço, porque abrir a boca pra falar disso aqui não é fácil não. Sim, eu tenho amigos que já foram ameaçados e não venham pedir nomes, cada um vai falar da sua experiência a hora que bem entender. 


Saí com o Fora do Eixo me devendo pouco menos de 5 mil reais (não em card, em real mesmo…). Negociei com eles porque muita coisa diziam que era "investimento meu na rede" e diziam ainda que no fundo mesmo eu que devia pra eles pelo tanto de coisa que eu aprendi enquanto estive na rede. O que toparam pagar segue: passagem aérea comprada no cartão de crédito da minha mãe, meu limite do cartão que ficou negativo, mais de 8 multas no período de um mês com meu carro circulando São Paulo - Rio de Janeiro - Minas Gerais. Sendo que eu não considerei, por exemplo, cobrar a batida no carro que acabou com uma lateral, devolvi o carro pra minha mãe assim mesmo, um ano de 3g no meu cartão e mais. Eu não queria mais ficar debatendo, fechei em cerca de 3 mil reais… os quais eu só vi a cor de 500 reais e já trocamos incansáveis 57 emails nos quais a resposta sempre é que o orçamento, o caixa, não deu pra fechar pra pagar esse mês. Lembrando ainda que colocaram meu nome no Serasa por não pagaram uma conta de um celular que não era meu mas estava no meu nome mesmo depois de eu ter saído e eu que fui pagar essa conta um ano depois pra que meu cartão fosse liberado e meu nome limpo. Eu saí do Fora do Eixo em fevereiro de 2012. Estamos em agosto de 2013. E que aqui cada um pense o que quiser.


Cada um sai da casa com uma tag. Lembro que tinha a ‪#‎traíra‬, o ‪#‎filhodaputa‬, eu sai como a‪#‎desistente‬, sei que depois de mim saiu a ‪#‎loca‬ e por aí vai. Pra cada um que se vai, eles justificam com um milhão de defeitos da pessoa, po, ela sai por isso, ela fraquejou nisso, ela não agüentou por isso, e bla bla bla. Até quando eu estava lá, tinha uma frase do Pablo pra quando alguém saía: "pode ir, pra cada um que sai, chega 10 a mais". A coisa já não tá mais bem assim. As pessoas estão acordando e eu espero que esse meu relato seja mais um despertar. Eu sei que depois desse texto podem rolar diversas reações da Casa. Ou eles vão ignorar ou vão retalhar a minha pessoa como bem tentam fazer. Podem falar, podem gritar. Pode ser que doa dependendo de quem escreva até porque de lá de dentro eu ainda guardo carinho de muita gente, mas o meu papel hoje tá sendo social, de despertar o olhar de quem tá vendo de fora e também de quem não tá vendo de dentro. Que fique claro que quando eu trato de fora do Eixo eu não to generalizando as pessoas da rede que fazem parte dela, como eu fiz, eu to falando de quem a comanda, quem a organiza, quem a vê como ferramenta estratégica para eu não sei chegar aonde. Fica aqui que se daqui em diante, qualquer dia por aí eu sumir, só tem dois cantos em que podem procurar que é certeza que vão me achar, e eu não sei muito bem em que estado eu estaria. Comecem pelos cabeças do Fora do Eixo. Se não estiver por lá, aí deixa que minha mãe, meus irmãos e meu amigos mais próximos vão saber onde e exatamente com quem eu vou estar. 


Quando eu saí da casa, pedi pra sair tranqüila, avisei a Carol que eu não queria alarde, que eu não estava bem, tinha passado dois dias acordada pensando na atitude a tomar. Não agüentava mais a pressão, não queria mais estar ali, só queria ir embora tranqüila, sem discutir, sem problemas. A resposta pra esse meu pedido foi colocar as 22 pessoas que viviam comigo e mais umas outras que estavam ali na casa no dia na minha frente numa reunião geral. Descer uma enxurrada de argumentos os quais eu não estava afim de responder. Esquentaram meu psicológico até eu não agüentar mais. Eu só chorava, queria sair dali, sem problemas, sem mal estar. As pessoas ali me olhavam com cara de "coitada, desistiu" e a cúpula, mais precisamente Lenissa e Mari com uma certa cara de que eu era lamentável, falando com arrogância mas deixando com que se parecesse que nenhuma das palavras haviam sido combinadas. De verdade, eu mal me lembro do que me disseram naquela noite. Eu só queria sair dali e me mantiveram ali como se eu tivesse que bater cartão pra galera já que eu estava saindo. Fizeram isso comigo porque eu não tava saindo de lá sabendo de nada de mais que pudesse comprometê-los. Eu era só um peão ali dentro. Quem sabia muito eles fizeram sair na surdina. Da noite pro dia, como rolou com muita gente que ainda não se sentiu a vontade pra falar, mas que com certeza tem muito mais que eu pra contar. A mim me colocaram diante de todos ali que eram meus amigos, até então alguns bem próximos, e perguntaram "porque você tá saindo Laís?" Eles sabem que o estado em que eu me encontrava psicológica e emocionalmente não dariam condições para que eu contra argumentasse e puxasse um debate coletivo ali. Hoje, como diriam os Doces Bárbaros, de "pé quente e com a cabeça fria" eu lhes dou essa resposta. A última fala daquela conversa foi, obviamente, do Capilé: "Laís, independente de qualquer coisa, a gente vai se cruzar por aí, tenho certeza". E sim, Capilé, é aqui que a gente tá se cruzando de novo. Eu aqui, você aí.




Laís Bellini


sábado, dezembro 22, 2012

E o Mundo não acabou.




E o Mundo não acabou.


Para uns a notícia é boa, para outros nem tanto e para muitos tanto faz; até porque nem sabiam do tal calendário Maia, quem foram os Maias, onde moraram... assim como também não sabem muitas outras coisas.
Tem gente que tinha quase a certeza de que o Marco Maia, presidente da Câmara é um descendente desse povo e até certo ponto não estão errados; já que os Maias sacrificavam humanos e o pessoal do Maia sacrifica o povo com a carga tributária maior do mundo. E, pensando bem, o fiasco do fim do mundo parece bem ser obra do partido do Maia deputado: se parece com um dos centenas de programas de governo que só ficam no papel , mas fazem um barulho enorme em publicidade.

Para os carnavalescos (os que vivem às custas de dinheiro publico e das contravenções) é um motivo para enredo de 2014. 
Aliás, para tema de enredo 2014, o fiasco do Fim do Mundo tem tudo a ver com os "eventos" do ano que virá: Copa do Mundo(superhipermegafaturada) e Eleições (superhipermegafajutadas)
Para os apocalípticos de algumas denominações cristãs, o fim do fim,  é um incentivo para profetarem mais finais do mundo; para os adivinhos, que jamais acertaram uma centenazinha no jogo de bicho, uma forma de ganhar dinheiro com novas previsões; enfim poderíamos dizer que o final do mundo foi adiado para qualquer data, dependendo de quem o profetize. 

Para o brasileiro de uma forma geral, o fim do fim foi bom: há uma possibilidade, remota mas há, de ver o José Dirceu, o Genoíno e o Waldemar da Costa Neto embarcando num camburão da Policia Federal rumo a um presídio. É claro que se isso acontecer será por pouquíssimo tempo, como da vez anterior em que ficou pouquíssimo tempo engaiolado. Dos três - fora os outros condenados - será interessante ver o Playboy Waldemar desembarcando do camburão e tendo a ex-esposa na porta do presídio fazendo caretas para ele.
Para o Lula o fim do fim do mundo foi um azar: haverá mais tempo para se descobrir onde e quando ele se reuniu tête a tête com a Rose (entenda o tête como quiser).

Para dona Mariza, será mais uma oportunidade de usar aquele pau de macarrão que certamente ela tem em casa.
Para Rose, que deseja mais é que acabe o mundo em Pizza, o fim do fim foi trágico: acabou a mamata.

Para os paulistanos, foi um alívio o mundo não acabar: muitos estavam descendo para as praias e não seria bom terem desperdiçado tanto dinheiro à toa, com peru, chester, champanhe Cereser, amendoim e outras bobagens, dentre as quais muita bebida. Mas esse alívio se estende a todo o Brasil e o peru e demais coisas é comum a todos.

Mas, sendo paulistano, devo reconhecer que o fim do mundo adiado foi um alívio temporário e muito pequeno: vem aí o Haddad e por longos 8 anos (só ele) e mais algumas décadas (da sua turma) sentiremos que não se acaba com o mundo com fogo e água apenas: a incompetência dos petistas faz muito mais estragos onde quer que estejam.

sexta-feira, outubro 19, 2012

PAULO FREIRE UMA INUTILIDADE.


PAULO FREIRE UMA INUTILIDADE.

Um patrono à altura.
por Carlos Ramalhete(*)




Vivemos atualmente a dissolução de uma sociedade edificada ao longo de milênios. É uma longa e bela construção, fundada na filosofia grega e no personalismo judaico-cristão, e burilada ao longo dos séculos. Essa sociedade nos deu a noção de que todos têm direitos inalienáveis; que a natureza pode e deve ser estudada e, ao mesmo tempo, preservada; que o Belo e o Bom têm valor. Deu-nos as universidades, a democracia representativa, o reconhecimento da dignidade dos mais fracos.

Este imenso patrimônio cultural é a herança a que cada brasileiro tem – ou teria – direito. O que vemos, contudo, é o oposto. Mais de um terço dos universitários são analfabetos funcionais. As escolas servem à doutrinação política e à “desmitificação” dos valores da nossa sociedade, deixando de lado o ensino e a preservação da cultura.

Paulo Freire, um dos maiores culpados deste estado de coisas no Brasil, recebeu, com razão, o título de “Patrono da Educação Brasileira”. É justo que ele seja o patrono de uma “educação” que não é capaz de ensinar a ler e escrever, mas que martela nos alunos uma visão tão deturpada do mundo que é mais fácil encontrar dez estudantes que creiam que a luta de classes é uma lei da natureza que achar um que saiba enunciar a Segunda Lei da Termodinâmica.

A História e a Geografia passam a ser apenas denúncia de supostas monstruosidades; o vernáculo, na melhor das hipóteses, uma tentativa de reproduzir a verbalidade. As ciências – deixadas quase de lado –, uma sucessão de conteúdos “bancários”, no dizer dos seguidores do falso profeta recifense. Faz-se força para enfiar alguma ideologia nas ciências, mas não há luta de classes na Química ou opressão econômica na Física. Fica difícil.

Só o que fez este triste patrono foi descobrir que o aluno é um público cativo para a doutrinação marxista. A educação deixa de ser uma abertura para o mundo, uma chance de tomar posse de nossa herança cultural, e passa a ser apenas a isca com a qual se há de fisgar mais um inocente útil para destruir a herança que não conhece.

As matérias pedagógicas da licenciatura resumem-se hoje à repetição incessante, em palavras levemente diferentes, das mesmas inanidades iconoclastas. Os cursos da área de Humanas, com raras exceções, são mais do mesmo, sem outra preocupação que não acusar aquilo que não se dá ao aluno a chance de conhecer. O que seria direito dele receber como herança.

Paulo Freire é o patrono da substituição de conhecimento por ideologia, de aprendizado por lavagem cerebral. Merece o título.

(*)Carlos Ramalhete é professor.


A propósito do assunto Paulo Freire, fuçando daqui e dali encontrei no blog do Contra algo de estarrecer os e as PauloFreiretes de plantão:

"Certa vez, por obrigação profissional, tive de fazer uma palestra-louvação sobre Paulo Freire. Foi um dos momentos mais constrangedores de minha vida. Já sabendo que o famoso "método" inventado por essa vaca sagrada do esquerdismo tupiniquim não vale uma promessa de Lula ou de Dilma Rousseff, engoli em seco minha opinião e passei cerca de uma hora enaltecendo-o, reproduzindo o discurso oficial perante uma platéia de devotos da seita freiriana. 


Por isso me senti vingado pelo texto a seguir, do professor Olavo de Carvalho. Com o estilo e a verve habituais - e, principalmente, com fatos e argumentos -, OC demole mais esse deus do panteão esquerdista, recolocando-o em seu devido lugar. Demonstra, de forma cabal, que o tal "método", assim como a fama de Freire, não tem nada a ver com educação, mas com ideologia. Se eu pudesse voltar no tempo, começaria aquela palestra com a pergunta feita por OC já na primeira frase. Poucas vezes transcrevi um texto com tanto gosto como faço agora. (GB)"


O Texto é de Olavo de Carvalho:


Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.


As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.

Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.

Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:

“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)

“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)

“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)

“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)

“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It's All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)

“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)

“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)

“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed.,Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)

Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).


Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.

Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

Fontes: Midia Sem Máscara, Blog do Contra, Olavo de Carvalho