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quarta-feira, julho 18, 2018

Nelson Mandela: racista, amigo de ditadores e admirado apenas por quem não sabe quem ele era



por Flavio Morgenstern(*).

Cai-se facilmente na tentação de elogiar Mandela como "anti-racista" sem saber quem ele era. Sua luta contra o apartheid é uma das maiores farsas da história recente.

Quando Nelson Mandela criou o movimento pelo fim do Apartheid, a África do Sul vivia um surto de 44 mil homicídios por ano, a maior parte naturalmente de componente racial. Famílias como a do garoto Amaro, de 12 anos, o mais novo da família Viana, que, após ter a mãe estuprada e assassinada junto ao pai, foi jogado em água fervente, num puro ato de sadismo que só o racismo desabrido pode gerar.

Ou o caso de Sue Howarth e seu marido Robert Lynn, que foram acordados às duas da manhã por invasores mascarados que quebraram o vidro de sua casa, na vila remota de Dullstroom por onde moravam por 20 anos, amarrados a uma cadeira e torturados com um maçarico por diversas horas.

Os homens mascarados enfiaram um saco de plástico goela abaixo da senhora Howarth, e tentaram sufocá-lo com outro saco ao redor de seu pescoço. Levados para um matagal ainda em seus pijamas na sua própria caminhonete, a senhora Howarth, 66, executiva de uma companhia farmacêutica, levou dois tiros na cabeça. O senhor Lynn levou um tiro na nuca.

Milagrosamente eles sobreviveram, e Lynn conseguiu se rastejar até a rodovia para pedir socorro para o primeiro carro que passou. A polícia conseguiu encontrar a senhora Howarth seguindo seus gemidos de dor, com uma toalha sobre a cabeça e pouco mais do que um fiapo da blusa, com o peito coberto de sangue. Toda a sua resposta eram gemidos e cobrir os seios com as mãos, numa última tentativa de proteção. Ela acabou falecendo no hospital dois dias depois.

Oh, espere. Esta, é claro, é na verdade a África pós-Mandela, onde os brancos são perseguidos por serem brancos (sim, também com o discurso de “dívida histórica” ou o que o valha) e mortos por gangues de negros, simplesmente por serem brancos. A profissão de bôer (fazendeiro branco) foi considerada a mais perigosa do mundo há 3 anos. Assassinatos horrendos de brancos são rotina no país, que só não parece mais perigoso do que, digamos, o Brasil.

Nelson Mandela é um dos principais símbolos do imaginário político moderno, como Martin Luther King, Che Guevara, Madre Teresa de Calcutá, Malcolm X, Mahatma Gandhi ou Simón Bolívar. Raríssimos, todavia, são aqueles que já leram e pesquisaram sobre tais figuras, além do que o imaginário mais primário diz sobre elas – basicamente, que queriam um mundo sem pobreza e preconceito, e geralmente foram mortos por ricos preconceituosos exploradores que queriam manter seus privilégios de classe.

É curioso como esse imaginário mistura personalidades completamente díspares, como Martin Luther King e Malcolm X no mesmo balaio: o primeiro, um pastor batista conservador, Republicano, que lutou contra uma KKK, Democrata e desarmamentista, pelo direito de armar os negros. Era contra o aborto (política pública usada na América para controlar o aumento da população negra) e o casamento gay. Seu famoso sonho era uma América color-blind: nada de cotas ou movimento negro, e sim uma única lei para todos. Já Malcolm X era um racista que pregava a superioridade dos negros sobre os brancos, uma vingança histórica transformada em leis, era um radical de extrema-esquerda que pregou abertamente o terrorismo para atingir seus fins.

➤    Preso por terrorismo

Nelson Mandela é bem mais parecido com Malcolm X do que com Martin Luther King. Foi abafada em Hollywood uma gafe gigantesca: Leonardo DiCaprio, após tirar uma foto com Mandela quando fez seu filme Diamantes de Sangue, sobre o tráfico de diamantes em Serra Leoa (com uma cena na fronteira com a África do Sul), acabou recebendo uma resposta ríspida do próprio Mandela, que negou seu apoio à narrativa do filme. O que DiCaprio não sabia é que Mandela foi eleito com o dinheiro dos traficantes de diamantes de Botswana e Namíbia, que tanta miséria causam na África.

Mandela foi fundador do movimento uMkhonto we Sizwe, o braço armado do partido radical African National Congress (ANC). Foi preso não por seus pensamentos humanitários contra um regime racista, e sim por planejar um atentado terrorista. E mesmo dentro da cadeia, orquestrou uma operação com Oliver Tambo que explodiu um carro-bomba que deveria chegar a um prédio público. Parado no trânsito, o carro explodiu no famoso caso Church Street Bombing, matando 19 civis em uma área comercial.

A maioria das vítimas do movimento eram civis. Recebeu apoio financeiro e teve próxima amizade com tiranos como Muammar Kadafi, Robert Mugabe, Yasser Arafat e Fidel Castro. Foi considerado terrorista, extinto e, com o partido de Mandela no poder, posteriormente integrado à segurança nacional (sic).

Mandela acabou fazendo um governo pífio, com péssimos indicadores econômicos (sobretudo para os negros) e acabou nem sequer sendo reeleito, embora seu prestígio como símbolo político anti-racista pelo mundo seja inquestionável. Acreditam até mesmo que foi o “Madiba” quem deu direito de voto aos negros (como se só brancos tivessem votado no ex-terrorista). Sobra mesmo sua luta contra o anti-ético regime do apartheid, mas mesmo esta excrescência histórica é mal compreendida.

➤    Apartheid

O regime que perdurou de 1948 a 1984 não era mero “racismo” de ingleses e holandeses: na verdade, os primeiros brancos a chegarem à África do Sul e instalarem seus assentamentos por lá datam de 1652, enquanto a maior parte dos ancestrais das atuais populações negras que migraram tão para o sul do continente chegaram lá depois, quando a África do Sul já era a região mais rica da África subsaariana com uma cavalar dose de capitalismo. Como escreve Selwyn Duke, afinal,
como a vida na África do Sul “racista” era largamente preferível àquela nas nações ao redor, ela foi por muito tempo atrativa para negros migrantes. De fato, devido a este fator e às altas taxas de natalidade entre os negros, a demografia negra da África do Sul aumentou 920 por centodesde 1913. Esta é a principal razão pela qual a população do país aumentou de 6 milhões no começo do século passado para 52 milhões hoje, enquanto a demografia branca aumentou apenas 3,3 milhões durante este período. (grifos nossos)

O tão demonizado “colonialismo”, afinal, foi justamente o fato de os brancos terem criado a tão desejada democracia e a espalhado pelo mundo alternativa bem mais viável do que guerras tribais-étnicas). Até hoje, países negros que estão no Commonwealth britânico ou por eles passaram, como Jamaica e África do Sul, são invariavelmente mais ricos do que seus vizinhos.

Todavia, com tal demografia sul-africana, era fácil que esse próprio esquema tribal fosse mais forte e vencesse eleições do que um sistema, digamos, parlamentar (sentido etimológico, em que tudo é resolvido pela conversa). Com diversos conflitos étnicos entre negros que nunca se resolviam mesmo criando-se uma lei civilizada (quem ousaria dizer que a lei inglesa nascida da Magna Carta é ruim?), preferiram viver à parte. Estava criado o apartheid.

O que geralmente não percebem sobre o apartheid é que, muito mais do que um regime racista, ele nasceu como um regime de proteção e separação: eles criaram a democracia, eles usariam a democracia. Exatamente como aconteceria se brancos e negros nunca tivessem se cruzado: a África do Sul se mataria em guerras tribais, enquanto quem vive à parte dessas guerras vota e resolve tudo pelo parlamento.

Com a mentalidade cristã de ingleses e afrikaners (holandeses), os negros que trabalhavam para os brancos acabavam recebendo educação ocidental, falando línguas européias e criaram o sentimento de pertencimento a esta nação que ia surgindo, a África do Sul. Selwyn Duke prossegue:
Isto criou uma situação interessante. Se os brancos tivessem mantido separação completa – se eles tivessem e pudessem evitar qualquer contato com as tribos africanas – não haveria Nelsons Mandelas (pela mesma razão pela qual nativos amazônicos que não conhecem nada além da cobertura de sua floresta não fazem pressão por direitos de voto). Se, como ocorreu com os japoneses e o povo indigente de suas ilhas, os Ainus, os brancos da África do Sul viessem a surpassar em número e em grande medida subjugar as tribos, não haveria ninguém de nota para fazer pressão por nada.
Mas, afinal, “a África do Sul não é uma ilha e migrantes africanos podem facilmente cruzar a fronteira em grande número”. Para aumentar o imbróglio, a população negra surpassava a branca na razão de 10 para 1.

Uma mesma população branca que trouxe conceitos de democracia para um continente em que eles nunca existiram fez o que mesmo tribos negras que não conjugam dos mesmos laços fariam: criaram um sistema em que a representação, economia e civilização dos brancos ficava à parte, separada dos negros (só a África do Sul tem 11 línguas oficiais, muitas de tribos que não aceitariam dividir a mesma mesa).

É claro que houve diversas ações racistas em um sistema imorável e insustentável, que facilitava toda a forma de discriminação contra negros. O que permanece curioso é que a única forma de julgar o apartheid é justamente pelos critérios dos próprios brancos que se protegeram dentro desse sistema.

De fato, sistemas similares ao apartheid são justamente o padrão na África subsaariana: tribos que se protegem entre si. Na batalha entre tutsis e hutus em Ruanda, por exemplo, nenhum crítico ocidental vê como “política racial” quando um grupo negro toma o poder e pratica o genocídio sobre uma tribo rival.

➤    Mandela de perto

Com sua retórica anti-brancos, era apenas questão de tempo para as taxas de homicídio na África do Sul dispararem horrendamente tão logo Nelson Mandela chegasse ao poder. São mortos 20 brancos a cada 24 horas. De fato, os negros continuaram morrendo loucamente sob seu regime, apenas tendo virado estatísticas ignoráveis.

Hoje, a grande herança do presidente Mandela, que teve suas políticas econômicas socialistas desfeitas tão logo saiu do cargo, é uma África do Sul considerada um dos lugares mais perigosos do mundo para brancos. A taxa de homicídios é de 310 a cada 100.000 por ano (as taxas de homicídio na Londres dos “colonizadores” malvados, que aceita negros sem problema, é de 3 a cada 100 mil).

Os Boer foram expulsos do vizinho Zimbábue pela reforma agrária do socialista Robert Mugabe, que estatizou as terras dos “brancos”. O resultado é apenas mais socialismo: fome, fome e fome. Mandela tentou o mesmo, apenas mais lentamente: criou cotas anti-brancos que apenas os jogaram na pobreza, além de expropriar os frutos de seu trabalho.

Havia 128 mil fazendas comerciais em 1980. Hoje, são 40 mil. O partido de Nelson Mandela até hoje nega a perseguição racial. Com a retórica sakamotiana de sempre, o governo apenas diz que os brancos são vítimas por serem “ricos”. É certamente um fator, mas isso não explica crimes como uma vítima branca amarrada atrás de seu veículo e arrastada até seu rosto ser completamente esfacelado no asfalto (algo como usar a esparrela da “desigualdade social” para explicar o crime contra o menino João Hélio, quando até um de seus assassinos tinha carro em casa). Ou adolescentes espancados até a morte depois de seus pais serem mortos. Ou um bebê de dois anos jogado em óleo fervente.

A Genocide Watch classifica a África do Sul no sexto estágio do processo de genocídio. O sétimo é o último – e significa extermínio.

Mandela não disse muito a respeito da violência contra os Boer. Ou melhor, até mesmo foi flagrado durante um cântico de Kill the Boer, hino usado por algumas etnias nas duas Guerras dos Bôeres. (outras ocorrências da música são retiradas do YouTube por “discurso de ódio”)

Sua letra diz “We are going to shoot them; they are going to run. Shoot the Boer; shoot them, they are going to run. Shoot the Boer. We are going to hit them; they are going to run; the Cabinet will shoot them with the machine-gun. The Cabinet will shoot them with the machine-gun….” – palavras extremamente semelhantes ao hino nazista, a Canção de Horst-Wessel, jurando vingança: “Kam’raden, die Rotfront und Reaktion erschossen, Marschier’n im Geist in unser’n Reihen mit” (“Camaradas, baleados pela Frente Vermelha e pelos reacionários, Marchem em espírito em nossas fileiras”).

Aliás, Nelson Mandela passou décadas no cárcere cumprindo prisão perpétua, mas foi solto. Com a pressão internacional (da mesma cultura ocidental mais parecida com o apartheid do que com qualquer cultura africana), o presidente J. W. Botha ofereceu-lhe a soltura em 1985, desde que prometesse não mais se envolver no terrorismo e na luta armada contra os brancos. O Prêmio Nobel da Paz recusou.

É ridiculamente fácil cair na esparrela de defender figuras carimbadas, identificadas como símbolos por todos, sem saber o que são de fato (o mesmo é válido para Che Guevara, Simón Bolívar e tantos outros tiranos fofinhos). Exige-se coragem intelectual para saber a verdade. Mas ela sempre liberta.

Ao contrário do que foi a África do Sul sob Nelson Mandela, até hoje sofrendo com as conseqüências de um terrível presidente.

(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

Fonte-http://sensoincomum.org

domingo, junho 10, 2018

Oito pontos que explicam o desespero da esquerda e do establishment com Bolsonaro






por Flavio Morgenstern(*)

Nos últimos dias assistimos a uma intensa movimentação nos bastidores da política brasileira. O establishment político e a esquerda começaram a se mover para formar novas alianças, diminuir a fragmentação das candidaturas, e construir alguns consensos mínimos, capazes de cimentar um grande acordão e formar dois grandes blocos partidários (o da esquerda e o do establishment) contra a candidatura do Deputado Jair Bolsonaro.

Ao longo das últimas semanas, estudos e pesquisas foram encomendados; reuniões de emergência foram realizadas; manifestos foram publicados; e uma série de declarações tomaram as manchetes do noticiário. Podemos esboçar uma explicação em oito pontos sobre o que está por trás do desespero do chamado centrão (um punhado de partidos fisiológicos e sem identidade) e da esquerda.

1. Na última pesquisa do Data Poder, a mais confiável à esta altura, o Deputado Jair Bolsonaro aparece com 25% dos votos totais;

2. No entanto, se considerarmos apenas os votos válidos (o que exclui os votos nulos e em branco

3. Pode-se argumentar que o número de votos nulos e em branco deverá diminuir conforme a eleição for se aproximando, mas é importante perguntar o quão grande será essa diminuição. Afinal, nas últimas eleições tivemos uma abstenção de 18,1% e 19,4% respectivamente, numa clara tendência de alta — agravada pelo descrédito crescente da classe política

4. Na prática, isso significa que, hoje, o parlamentar conservador precisaria ampliar seu eleitorado em apenas 15% para alcançar um patamar que daria a ele a vitória no primeiro turno;

5. Se fizermos o mesmo cálculo em relação aos números apresentados nos diversos cenários do segundo turno (um procedimento muito mais problemático), descobrimos que, em termos de votos válidos, o apoio ao pré-candidato do PSL ultrapassaria os 60% contra todos os adversários, com exceção da Marina Silva, contra quem ele obteria 58,3% dos votos válidos;

6. O Deputado Jair Bolsonaro também apresenta o maior número de eleitores convictos e a menor taxa de rejeição entre os candidatos viáveis, dando a ele uma margem de crescimento superior a de todos os seus adversários;

7. Nas casas de apostas internacionais, que não costumam errar com tanta frequência quanto as pesquisas, Bolsonaro também lidera com larga vantagem, sendo apontado pela maioria dos apostadores profissionais como o próximo presidente do Brasil;

8. O mesmo ocorre entre os investidores brasileiros, que, segundo levantamento da XP Investimentos, acreditam majoritariamente (85%) que o capitão estará no segundo turno. O levantamento também revela que 48% dos investidores acreditam que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil;

Como é possível perceber, esses dados todos revelam que há chances reais de que um candidato conservador chegue à presidência do país pela primeira vez em muitos anos (senão na história), o que seria uma péssima notícia tanto para a esquerda quanto para os partidos fisiológicos que governaram o país durante toda a Nova República e ainda não sabem como lidar com esse novo fator político.

(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen




quinta-feira, maio 17, 2018

Não faz sentido criticar o nazismo e defender a “Palestina”






    ➤É costume não só na esquerda acusar discordantes de "nazistas" e defender a Palestina como um "Estado". Tanto o Terceiro Reich quanto o Hamas só querem matar judeus.


por Flávio Morgenstern(*).

Nenhuma palavra é mais pesada no vocabulário político do que “nazista”, quase nunca usada como uma descrição, quase sempre usada como um xingamento (vide o episódio Esquerda fascista do Guten Morgen, o nosso podcast). No entanto, basta Israel se tornar o tema da discussão para que num átimo de segundo o falante tome a mesmíssima postura que, historicamente, Adolf Hitler tomou: a destruição do Estado judeu (sob a palavra-anátema “sionismo”) e a fundação de um novo Estado no lugar: a Palestina.

De maneira completamente grosseira, poderíamos resumir o nazismo como um Estado totalitário, controlado por populistas, onde judeus são proibidos de existir, tendo como punição a morte em massa, a limpeza étnica (para uma definição mais trabalhada do nazismo, e a resposta sobre por que os nazistas odiavam especificamente judeus, ouça o episódio O nazismo era de direita? do mesmo Guten Morgen).

Podemos resumir o que é a Palestina de maneira bem menos grosseira exatamente da mesma forma: um “Estado” inventado ad hoc no meio do século XX apenas para tomar as cidades dos judeus, habitadas desde o Antigo Testamento, e varrê-los do mapa, trocando-os por um povo inventado, matando cada judeu que ouse pisar no território palestino (para entender a idéia por trás do nacionalismo palestino, ouça o episódio Jerusalém: Capital de Israel? do Guten Morgen).

Israel, o país moderno, é uma república laica (ouça, desta vez, o episódio O que raios é a direita?, ainda do Guten Morgen). Isto significa que o chefe de governo, justamente escorando-se na tradição criada exclusivamente na Revelação judaica, não é o chefe religioso. Uma pessoa pode ser muçulmana, cristã, judia, atéia, yázidi ou o que for em Israel, inclusive contando com tolerâncias específicas da lei segundo a religião e costume.

Na Universidade de Tel Aviv, alguns dos cursos mais disputados são sobre islamismo, inclusive no Direito. A Suprema Corte de Israel possui árabes em sua formação (como George Barra, árabe cristão), e neste ano, um dos nomeados foi Khaled Kabub, que seria o primeiro árabe muçulmano na Suprema Corte israelita.

Nenhum “espelho”, nenhuma comparação e nenhuma simetria pode ser encontrada nos territórios palestinos ocupados por grupos de islamo-fascismo como o Hamas. O tão propalado discurso de que são “oprimidos” por Israel é simplesmente o mesmo discurso de Adolf Hitler: os jihadistas do Hamas odeiam ver judeus. Odeiam que judeus respirem perto deles. Odeiam que judeus inventem de existir bem onde eles queriam que apenas muçulmanos estivessem, impondo a shari’ah como a única lei possível (e adeus, república laica).

Basta ver como toda a esquerda mundial, e a ONU incluída, reverbera o discurso de que assentamentos judeus na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental ou nas Colinas de Golan “ferem os direitos humanos”. Afinal, o que esses judeus pensam, inventando de morar e existir bem onde muçulmanos querem se ver livre deles?! Quem vai reclamar dos “direitos humanos” de muçulmanos poderem andar por uma terra que por 5 mil anos não foi deles sem precisar ver um único judeu nas ruas? (para entender por que a esquerda ocidental e atéia defende a religião mais opressora do mundo, ouça o episódio Por que a esquerda adora muçulmanos? do nosso podcast).




Toda a questão Israel-Palestina é exatamente isto: saber se o território da Palestina continuará sendo parte de Israel, que pretende simplesmente ir retirando os judeus dali em nome dos “direitos humanos” de jihadistas e de quem quer viver sob a shari’ah (e obrigar outros a viver sob o fio da espada), ou se o território deixará de vez de ser uma soberania israelense atacada pelos maiores inimigos da liberdade do mundo e, depois de ser roubado, se tornar um totalitarismo muçulmano nos moldes do Estado Islâmico, sendo reconhecido como um “país” por agências de lobby internacional, acadêmicos e jornalistas que, no minuto seguinte, reclamarão do aumento do racismo, do preconceito, da intolerância e, claro, do nacionalismo como os maiores problemas do mundo.

A “Palestina” seria formada por um povo que nunca existiu: não é preciso ser um gênio para saber que desde o Antigo Testamento até as conquistas pela cimitarra de Maomé e seu bando, foram quase 5 milênios sem nenhum islâmico no território que judeus conquistaram fugindo da escravidão nos impérios egípcio, babilônico e assírio.

O, digamos, escritor Assaf A. Voll escreveu o livro “A History of the Palestinian People: From Ancient Times to the Modern Era”, justamente contando a história do povo palestino desde a Antigüidade até os dias atuais. O livro, que se tornou best seller instantâneo em Israel, é totalmente em branco.



A fragmentação do Império Otomano no fim da Primeira Guerra que gerou povos nômades, rejeitados por países árabes da região, que inventaram que deveria existir um país islâmico bem no coração de Israel. E, claro, limpando-se de todos os judeus do mesmo modo que Adolf Hitler fez no Terceiro Reich nazista. O Império Otomano e a Alemanha recém-unificada lutaram lado a lado na Primeira Guerra.



O fundador do “nacionalismo palestino” não apenas pensava como Hitler: Mohammad Amin al-Husayni, o “Grande Mufti de Jerusalém”, se encontrou de fato com Adolf Hitler para exigir a “independência árabe” e se opor à criação de um Estado judeu modernamente consolidado na Palestina. É exatamente a historiografia “anti-colonialista” que aprendemos nas doutrinárias aulas de História brasileira. Um dos principais nomes da doutrina anti-colonialista na modernidade é o ex-presidente americano Barack Obama.

    ➤“Você vê, tem sido nossa desgraça ter a religião errada. Por que não temos a religião dos japoneses, que consideram o sacrifício para a pátria como o bem supremo? A religião muçulmana também teria sido muito mais compatível conosco do que o cristianismo. Por que tem que ser o cristianismo com sua mansidão e flacidez?
É notável que, mesmo antes da guerra, às vezes ele prosseguisse:

  ➤“Hoje, os siberianos, os russos brancos e as pessoas das estepes vivem vidas extremamente saudáveis. Por esta razão, eles estão melhor equipados para o desenvolvimento e, a longo prazo, biologicamente superiores aos alemães.     [Fonte: Albert Speer: Inside the Third Reich]
Fonte-sensoincomun.org

(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

segunda-feira, maio 07, 2018

A Convulsão Social Não Foi Convidada


  







por Flávio Morgenstern(*). 

Lula está preso há um mês. Cadê a convulsão social prometida pelo PT?

    ➧O PT ameaçava os cumpridores da lei com uma convulsão social total, praticamente uma revolução bolivariana, se Lula fosse preso. Lá se vai um mês de prisão e ninguém tá nem aí.

O ex-presidente Lula - e atual condenado a 12 anos e 1 mês, por enquanto -já está preso há um mês, após seu folclórico showmício diante da sede do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo. O PT prometia, ameaçava, esperneava e reameaçava Oma convulsão social de proporções saturnais caso Lula fosse preso. Algo próximo de uma revolução bolchevique tupiniquim. Nada se provou mais falho.



Neste ínterim, o Brasil simplesmente seguiu a vida, ignorando completamente a prisão de uma autoridade populista e egoica, líder de um partido considerado sinônimo de corrupção e mentiras (além de uma histeria anacrônica e francamente brega). É uma ética e uma estética que deixaria antigos fãs de Collor e Maluf muito mais bem apessoados do que qualquer universitário cheio de “causas sociais”.

No dia de sua prisão, ignorando a lei e esbravejando a perdigotos (e um cheiro de cachaça reconhecido por Gleisi Hoffmann, a “Amante” da lista da Odebrecht), Lula mal conseguiu fechar mais do que dois quarteirões ao redor do Sindicato dos Metalúrgicos. A maior parte das pessoas estava achando estranho como os ônibus e metrôs estavam vazios, até serem informados por motoristas que a situação em São Bernardo afetou até a capital. E então é que o povo lembrava que Lula ainda não havia se entregado.

Sua igualmente clichezenta e cafonérrima foto sendo carregado nos ombros de um sindicalista negro escondeu uma verdade incômoda para petistas: ao redor do ex-presidente mais corrupto, mas mais populista do país, não estava o povo, e sim jornalistas profissionais com câmeras gigantescas e caríssimas para tirar foto de um momento criado de maneira completamente artificial.



As cenas de desocupados no acampamento pró-Lula só conseguem gerar piadas, como sindicalistas gritando “Bom dia” para Lula, a icônica foto de políticos petistas tentando entrar, sendo barrados e formando uma foto parecendo de uma banda de hiphop, o siricutico de Manuela D’Ávila querendo fichar quem gritou “Aqui é Bolsonaro, porra!” ao seu lado (e acusando-o de ter encostado em seu corpo, o que se provou uma acusação falsa) ou os delírios de Lindbergh Farias, que viu uma nuvem em formato de Lula (!) ou tirou uma foto “dormindo” no acampamento, tão verdadeira quanto uma nota de R$ 500 com Lula no lugar do símbolo da República.

O PT está vivendo uma fantasia criada pelo próprio discurso do partido: a de que representa o povo. Confundindo sua militância de desocupados fanáticos, quase sempre de profissões improdutivas (de sociólogos a jagunços de sindicato), com o próprio povo, criou uma população que só existe em seu discurso e no Datafolha, que misteriosamente sempre erra favorecendo o PT (é a única coisa na qual o Datafolha sempre acerta).

Não tendo como lidar com duas camadas de consciência a um só tempo, petistas acreditavam mesmo que o mundo se resumia ao Sindicato dos Metalúrgicos, ao DCE das Universidades federais, à Folha de S. Paulo e ao Projac, e achavam de fato que a prisão de Lula iria causar uma convulsão social de assustar, ehrr, o povo de fato, que acorda 5 da manhã para pegar ônibus na periferia e trabalhar honestamente, ao invés de acreditar que pobreza é licença para roubo.

Petistas foram traídos pelo próprio discurso. O povo de verdade não está relativizando roubo, corrupção, celsodanielização. Apesar de todo o apelo mítico da figura de Lula, absolutamente distinta do Lula de carne e osso, a revolução bolivariana brasileira não ocorreu, como foi após a prisão de Chávez na Venezuela. Os petistas, que há um mês se esmeraram na narrativa de comparar Lula a Nelson Mandela (curiosamente, outra figura amiga de tiranos, corrupto e que enriqueceu com tráfico de diamantes, mas que acelera corações de quem não conhece sua história, apenas o seu nome), acabaram sem o que dizer.

O povo não quer convulsão social em nome de corruptos, mesmo quando cai em seu canto de sereia. O Brasil vai muito bem só rindo das notícias chorumentas de Lula, obrigado.


Fonte: sensoincomum.org
(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

segunda-feira, abril 16, 2018

Folha problematiza o Super-Homem o chamando de “fascista”







por Flavio Mergenstern(*).
    ⏩A Folha e sua monomania obsessiva de chamar colunistas esquerdistas para problematizar tudo chamou o Super-Homem de fascista. Logo o homem de aço que socava nazistas.

O repórter Rogério de Campos da Folha, em prova cabal e definitiva de que tem um tempo livre indescritivelmente irreal para a sociedade brasileira, problematizou o Super-Homem. Adivinhe qual o adjetivo usado pelo repórter? Um doce sabor obviedade para quem responder “fascista”.

O título da coluna da Folha é Fortão que bota ordem na casa, Superman é acusado de ser fascista há 80 anos”. O que Rogério de Campos quer dizer com isso? Useiro e vezeiro do velho truque pilantra de dizer que alguém ou algo sofre “críticas”, com sujeito oculto, coletivo e plural, o subtítulo tasca: “Ataques mais frequentes são de que quadrinhos naturalizam violência como forma de resolver problemas”.

Já dá pra imaginar que tipo de gente bem resolvida gasta tempo problematizando uma forma de escapismo que não corresponde em nada ao comportamento na vida real das pessoas que lêem gibis. Provavelmente gente com 5 filhos, preocupada com questões como pedofilia ou degeneração moral. Talvez até buscando uma ordem metafísica de tão graves e complexos são os problemas de sua vida concreta, preferindo ordenar sua ética até no plano não-carnal. Gente com boletos e responsabilidades sobre vidas alheias. Certamente alguém que ri quando começa a propaganda do PSOL. As pessoas que fazem algo da vida, afinal. Deve ser este o público-alvo da Folha. Não é?

Rogério de Campos começa seu texto dizendo que o Super-Homem “sempre foi acusado” de ser “fascista ou nazista”, sem se preocupar em dizer por quem (existe uma diferença entre ser chamado de fascista ou nazista por uma vítima do Holocausto ou por Jean Wyllys e Lola Aronovich). O argumento é só esse: “a necessidade de um homem forte para botar ordem na sociedade”.

Nunca vimos o Super-Homem botando ordem na sociedade: só evitando crimes. Quem precisa de homens fortes com planos sociais é quem banaliza o genocídio promovido por Stalin, Fidel Castro, Pol-Pot e companhia. E para enfrentar bandidos, não há registro de alguma sociedade que prescindiu de homens fortes. Ou vamos enfrentá-los com os Ursinhos Carinhosos?

Depois de horas de texto rolado, vemos uma crítica substancial e assinada: do padre jesuíta Walter J. Omg. Sua única citação: “O Super-Homem é nazista”. E só. Já o tarado Gershon Legman (inventor do vibrador) tem mais destaque, com toda aquela logorréia de “repressão sexual” para a problematização da época, em que tudo era “fascista” porque era forte (e naquela época não tinha academia em cada esquina pra curar os problemas do próprio Gershon Legman, que só via força nos nazistas, que perderam a guerra). O próximo da fila foi o censor oficial de quadrinhos: Fredric Wertham e seu infame Seduction of the Innocent. Quando é pra falar clichê e chamar todo mundo de fascista, vale até citar gente paranoica.

Entre os argumentos, estaria o elogio de crianças leitoras de Super-Homem a “autoridades não-eleitas como a polícia” (oooh, onde esse mundo vai parar?!) ou uma “rebeldia infantil contra a desordem” (sic). Até o fato de Clark Kent se “submeter à mulher” (na verdade, simplesmente tratá-la como rainha do lar) é colocado como negativo, apesar de ser tudo o que feministas sempre quiseram. E taca-se lá no fim a “onda conservadora” e a palavra “autoritarismo” como se fossem uma mesma coisa.

Ou seja: tudo aquilo que é forte é fascista. Se o Super-Homem malha um pouco, PIMBA!, nazista. e assim fazemos uma nova geração de gente que acha que “fascismo” é cuidar da própria vida e fazer a ordem vencer bandidos. Como disse Steven Pinker, se vamos deixar apenas os fascistas dizerem isso, os fascistas é que estarão certos, e não nós, bonitões defensores da liberdade.

E o final do texto… o que dizer da canalhice e absurdo analfabetismo do final do texto?


Será que a Folha ou Rogério de Campos sabem que o principal inimigo do Super-Homem no começo de sua “carreira” eram… fascistas e nazistas?



Não foi a própria Folha que já usou Adolf Hitler para dizer que é possível mentir só dizendo verdades?



Fonte: sensoincomum.org
(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

sábado, abril 14, 2018

PGR denuncia Bolsonaro por piada






por Flavio Morgenstern(*).


...E o Lula do grelo duro, Pelotas exportadora de viados, meter porrada nos coxinha e o inesquecível "enfiem panelas no c…?" da falecida? 


Raquel Dodge denuncia Bolsonaro por uma piada que considerou "racista". E o Lula do grelo duro, de Pelotas exportadora de viado, que vai meter a porrada nos coxinha?

Jair Bolsonaro foi denunciado por Raquel Dodge, Procuradora Geral da República, pelo crime de racismo. O crime de racismo é imprescritível e inafiançável. Homicídio é apenas inafiançável. Se matou alguém e escapou de ser julgado por tempo suficiente, voilà, liberdade, liberdade. Além de racismo, apenas ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático não prescreve. Afinal, fazer uma piadinha e pegar em armas para instaurar a revolução são mais ou menos a mesma coisa. E quem fez uma piada em 1957 certamente é um nazista até hoje.

O argumento contra Bolsonaro é o de que teria ofendido membros da comunidade Quilombola em palestra no Clube Hebraica, em Pinheiros, São Paulo e teria “incitado” a discriminação contra esses povos.

Bolsonaro visitou uma comunidade quilombola e disse que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”. E também definiu o clima no local: “Não fazem nada, eu acho que nem pra procriador servem mais”.

São frases duras? Bem… pra quem leu Gregório de Matos, são praticamente matinê infantil. Bolsonaro descreve a tal comunidade quilombola dizendo que não são produtivos e usando um peso exagerado (7 arrobas são 102,823 quilogramas). O mesmo que fazemos ao dizer que alguém pesa uma tonelada. Nem perguntemos sobre a produção das comunidades quilombolas, porque perguntar tem virado crime no Brasil.

Como citar o famoso poema “Anatomia horrorosa que faz de huma negra chamada Maria Viegas” de Gregório de Matos? Já sabemos que a leitura atual é a de que deveria ser proibido:

 Dize-me, Maria Viegas qual é a causa, que te move,a quereres, que te prove todo o home, a quem te entregas?jamais a ninguém te negas,tendo um vaso vaganau,e sobretudo tão mau,que afirma toda a pessoa,que a fornicou já, que enjoa,por feder a bacalhau.
Mas nós somos nós. Quando se trata de Bolsonaro, quer se escarafunchar até de trás pra frente e de cabeça para baixo para tratá-lo como nazista. Segundo a PGR, Bolsonaro “referiu-se a eles [quilombolas] como se fossem animais, ao utilizar a palavra ‘arroba'”. O que será que não deve haver de processo com parlamentares falando em engordar uma tonelada ou… bem, como será que está o medo de Jean Wyllys, que realmente aponta para características raciais, o que Jair Bolsonaro não faz? Será que vai ser processado também?



É curioso notar como tudo o que é normalmente falado pelas pessoas, mesmo que o politicamente correto considere nazismo (e o que o politicamente correto não considera nazismo?), é avaliado em filigranas para forçar a criminalidade quando se trata de Bolsonaro, e aliviado quando são outros os falantes. Incluindo o ministro do STF Luís Roberto Barroso, que chegou a chamar Joaquim Barbosa de “negro de primeira linha”. Aí, claro, trata-se apenas de um “deslize”.






A procuradora frisa que Bolsonaro “era capaz à época dos fatos, tinha consciência da ilicitude e dele se exigia conduta diversa, sobretudo por se tratar de um Parlamentar”. E que “[e]stão devidamente caracterizadas nos autos, portanto, a autoria e a materialidade do crime”.

Será que isso é válido para o ex-presidente Lula, que está preso, quando perguntou sobre as “mulheres de grelo duro do PT” para atacar a advogada Janaína Paschoal? Ou quando disse que Pelotas era uma cidade exportadora de viados?



Alguém reclamou de Lula quando foi flagrado dizendo que ficaria escondido em sua casa durante as manifestações pelo impeachment de 13 de março de 2016, bradando sobre sua milícia paramilitar: “Vai ter um monte de peão na porta de casa pra bater nos coxinha. Se os coxinha aparecer (sic), vão levar tanta porrada que nem sabem o que vai acontecer.”

Talvez não seria alguma forma de incitação não à “discriminação”, este termo tão vago, mas uma verdadeira ordem para agredir pessoas? Será que ninguém compara Lula a um ditador querendo espancar seu povo? Quem sabe Lula tenha consciência da ilicitude dos fatos e espera-se dele conduta diversa?

Para não falar do tanto que disse que o povo e os que o investigavam deviam enfiar panela e processo no cu.

Por que para Lula pode tudo, e depois de esbulhar o país, gritam ainda que não há provas e é uma perseguição política, enquanto um candidato falando o que todo o povo diz (e petistas dizem bem pior), tem de ser perseguido por uma piada? Será que não teríamos de rever quem é o verdadeiro perseguido político do país, por mais que não queira ganhar nada através do discurso do vitimismo barato?

terça-feira, abril 10, 2018

Manuela D’Ávila chama polícia para achar apoiador de Bolsonaro que tirou foto com ela.


por Flavio Morgenstern(*).



A comunista Manuela D'Ávila, que acha que Lula não deveria estar preso e que não deu um pio para os anti-petistas agredido, chamou a polícia para um apoiador de Bolsonaro


Os americanos chamam isso de White men problems. Os problemas de “branco”, no típico linguajar do racismo contra brancos ultra-permitido hoje. A deputada, candidata a presidente (riam à vontade, riam mesmo) e provável “Avião” na lista da Odebrecht Manuela D’Ávila, do PCdoB, está acampada em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde está preso o ex-presidente Lula.



Quer dizer, não acampaaaaada, que pode estragar suas roupas de New York. Dá uma passada lá durante o dia, claro. Afinal, o que mais precisa fazer com o dinheiro que ganha do trabalhador brasileiro? Enquanto nós estamos aqui, proletariando, Manuela D’Ávila está na frente da PF, fazendo… bem, número. Só precisa estar lá. É assim que o PT e a esquerda fazem política atualmente. Você ganha algo por ser ou estar. Basta o verbo to be.

Eis que um transeunte, transeuntando pela rua, pediu para tirar uma foto com Manuela D’Ávila. Assim que a parlamentar sorriu, o transeunte disse: “Aqui é Bolsonaro, porra!” (huaheuheuhehueh). Manu não gostou.


Quer dizer, Manu não gostou nem um pouco. Puta merda, você não sabe como Manu não gostou. Chamou a polícia exigindo que ela o procurasse. A polícia respondeu o óbvio: 

“Pra quê?” Bem… bem… olha, bem, por que me abraçou, e ninguém tem o direito de encostar no meu corpo!

Fica-se imaginando como seria a vida de Manuela D’Ávila se ela precisasse pegar o metrô sentido leste 6 da tarde algum dia de sua vida. Imagine o chilique a cada curva de um ônibus saindo da M’Boi Mirim.

Manu chamou a polícia. Repetindo: Manuela D’Ávila chamou a polícia porque alguém tirou uma foto com ela. Exigindo que tinha o direito de descobrir o seu nome, RG e CPF. E bradando que tinha o direito porque “ele veio de lá” (sic).

Manu Adora fazer polêmicas e até as inventa quando não existem


Que país fascista é esse em que as pessoas podem dizer em quem votam em público e não tomarem um esculacho da polícia e serem fichados por comunistas?!

Óbvio que Manuela D’Ávila ou os petistas e esquerdistas ao seu redor não deram um pio sobre a quantidade de anti-petistas agredidos de todas as formas só nos últimos dias. Mas tirar uma foto com ela e dizer “Aqui é Bolsonaro, porra”? Onde já se viu um nazismo desses?



Como são bons os problemas de quem não tem problema na vida, não? O chilique foi registrado pela Folha com o título mais paliativo “Busca por seguidor de Bolsonaro marca manhã em frente a prisão de Lula” (sic). Assim dá até a impressão de que dentro do artigo estará descrito um crime horrendo de um seguidor do Bolsonaro. E a Folha, óbvio, precisa aprender a usar crase.

Fonte: sensoincomum.org


Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

quinta-feira, março 29, 2018

Jornal paranaense alertou em janeiro que Lula sofreria “falso atentado” em Quedas do Iguaçu




por Flávio Morgenstern(*).



O jornal O Paraná, em reportagem publicada no dia 7 de janeiro, havia alertado que as autoridades investigavam um “falso atentado” que estava sendo promovido pelo MST para tentar causar uma aura de vitimização em Lula. A reportagem possui uma cópia no WebArchive em 2 de fevereiro, e a cidade marcada é Quedas do Iguaçu exatamente a mesma de onde o ônibus de Lula saiu e, supostamente, teria levado tiros que não feriram ninguém.


Ainda em janeiro, o jornal O Paraná alertou que o MST planejava um "falso atentado" contra Lula em Quedas do Iguaçu. Exatamente onde um ônibus de sua campanha levou tiros.





Disse o jornal à época, já falando de Quedas do Iguaçu



“No Paraná, um dos principais redutos do MST, que comanda uma das – se não a maior – maiores concentrações de sem-terra “do Brasil, em Quedas do Iguaçu, a situação é ainda mais tensa. A reportagem do Jornal O Paraná teve acesso com exclusividade “a informações que revelam um elaborado e até macabro plano elaborado por pessoas envolvidas com a alta cúpula petista “e que conta com a “mão de obra” dos sem-terra instalados em Quedas.


“Uma fonte que transita livremente pelos acampamentos revelou, em detalhes, que está sendo traçado um falso atentado “contra o ex-presidente para aquele dia. A reportagem procurou os líderes de segurança estadual, mas eles estão em férias. “Contudo, descobriu que o serviço de inteligência do Paraná acompanha essas articulações e “que, por motivos de segurança, não podem dar detalhes. Entretanto, ninguém desmente informação alguma.





A reportagem ainda alerta que, caso Lula seja condenado em segunda instância, futuras invasões de terra em massa a partir do Paraná, berço do MST, podem ocorrer, além de ataques a torres de transmissão de energia, o que é da ciência do delegado-chefe da Polícia Federal em Cascavel, Marco Smith, que considera que tais práticas são um procedimento “nada incomum”.






Claro, tudo pode ser a boa e velha “mera coincidência”, mas é no mínimo suspeito que um jornal tenha acertado com tamanha precisão um suposto atentado contra Lula bem em Quedas do Iguaçu, o que não é exatamente uma obviedade para todo o país, e com três meses de antecedência. A Teoria da Mera Coincidência precisa de muita força de vontade para ser aplicada, num possível atentado sem vítimas, e que de repente está em todos os canais de TV (bem ao contrário das ovadas que Lula recebeu no caminho).


Hoje, o jornal lembrou a sua reportagem, mostrando que as únicas diferenças foram de alguns dias (as forças de segurança presumiam que o falso atentado ocorreria antes do julgamento dos embargos pelo TRF-4, e não dois dias depois), e que um grande enfrentamento era esperado em Porto Alegre no dia do julgamento. Como hoje sabemos, foi um dia tranqüilo, o que não pode ser dito do restante de campanha eleitoral ilegal de Lula pelo sul.

A única cidade onde foi bem recebido foi, justamente, em Quedas do Iguaçu, reduto do MST de onde o “atentado” teria ocorrido. A reportagem conseguiu a informação justamente de dentro de um acampamento do MST na cidade.




Um ônibus com jornalistas que acompanhavam a caravana teria até desviado da rota “por segurança”, e foi alvejado com três tiros. Misteriosamente, a mudança de rota não foi avisada à polícia, que então não acompanhou o que acontecia com o ônibus.

Aquilo que os americanos chamam de false flag para manipular a opinião pública são estudados há séculos.

De acordo com o maior especialista em segurança pública do país, Bene Barbosa (ouça entrevista em nosso podcast), a perfeição dos furos é insuficiente para dizer se o ônibus estava parado ou em movimento.

Fonte: Sensoincomum.org


(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

sábado, fevereiro 24, 2018

Não é a desigualdade social, é falta de surra de espada de São Jorge







por Flávio Mergenstern(*).




A logorréia manjada de legalização das drogas, desmilitarização da polícia, educação e justiça social JÁ FORAM testadas. O que vai mesmo diminuir o crime é surra no bumbum.


É impossível supor razões para o aumento da criminalidade e da violência ignorando o principal fator na execução do crime: a decisão pessoal do criminoso de cometê-lo. Tentar aventar causas e teses sociológicas pseudo-complexas que ignorem a consciência e a vontade de puxar o gatilho, no dizer de Theodore Dalrymple, “é Hamlet sem o Príncipe”.




Basta que situações de crise absoluta de instituições e poder ainda mais absoluto concentrado nas mãos de criminosos eclodam, como o clima de salve-se-quem-puder do Rio de Janeiro, e imediatamente “especialistas” são chamados às redações de jornal, que logo orquestrarão o coro de todos os seus jornalistas repetindo em uníssono: não há solução fácil para a questão da criminalidade, e só teremos mudanças de verdade quando liberarmos as drogas, fizermos a desmilitarização da polícia e promovermos alguma forma de “justiça social”, via de regra traduzida como distribuição de renda (posse estatal da propriedade).

A agenda e o discurso se repetem roboticamente, sem que nunca o rebanho se atreva a questionar nem o que diz, nem por que diz o que todos os outros estão dizendo sem nenhuma discussão, jurando que regurgitar um palavreado dado mastigado é o mesmo que “ter estudado” a questão em centenas de livros.

Todas as questões apontam para o aumento da criminalidade por causas externas ao sujeito: é a crença de que se comete um crime por ter sido forçado pelas circunstâncias. O ser humano não teria a mais remota capacidade de decisão autônoma: seria um ser amoral e tão imbecilizado quanto um joão-bobo, sua autonomia seria a mesma de um menu eletrônico de telemarketing.


Sua consciência teria a consistência de gelatina em um terremoto, e só poderia decidir pelo que dizem sumidades como Luciano Huck, Marcelo Freixo, especialistas de Globo News, Luiz Eduardo Soares, Jean Wyllys, Ilana Szabó narrados pela voz do Faustão.

A crença determinista e fatalista é a de que os seres humanos, sobretudo se forem pobres e/ou negros, não possuindo moral, cairão no crime para tomar o que é dos ricos/brancos. Assim, a “solução” apresentada é tornar o crime um não-crime (legalizando as drogas) ou roubar já direto na fonte (fazendo “distribuição de renda” ou “justiça social”), pois senão o pobre e negro, tratado sempre como um ladrão ou um trouxa, acabará roubando na esfera privada.


Para evitar atritos no processo, a polícia se torna desmilitarizada, tendo mais uma função de ordenamento de patrimônio (se o crime, ou a justiça social, está devidamente ocorrendo na calçada, sem ninguém atravessando a rua com o sinal aberto para os carros) do que de proteção da vida contra ameaças.

A fé cega dos proponentes de tal agenda, copiada pari passu da ONU para seu plano de governo global sobre países pobres, é uma versão homeopática do socialismo: sem revolução, mas com governança indireta. Se pobres e negros têm essa mania chata de roubar e traficar drogas, devemos aceitar este hábito para a inclusão social, e para diminuir o crime, deixemos que políticos do PSOL cuidem de roubar eles mesmos o fruto de nosso trabalho e passá-los para as mãos da bandidagem.

Assim, aquilo que não colou com a Internacional Comunista, nem com a social-democracia, nem com o sindicalismo, nem com o bolivarianismo, nem com o marinasilvismo, tenta colar como a verdadeira solução para a violência, no bom e velho modelo esquerdista do “agora vai”.

A melhor política para o negro e o pobre, acreditam estes especialistas de DCE, seria tornar o negro e pobre menos violento, já o apascentando com distribuição de renda, permitindo que relaxe com um baseado (já, numa só tacada, permitindo que tenha uma fonte de renda melhor do que tentar sobreviver numa economia engessada por impostos escorchantes, através do livre comércio enriquecedor longe de impostos, desde que o produto sejam drogas que destruam famílias e o patriarcado) e, claro, impedindo que cidadãos não-criminosos tenham acesso às armas – afinal, vai que o negro e pobre invente de gastar 5 mil em uma arma legalizada, passar pelos testes psicológicos necessários e, depois de se registrar para a polícia, invente de assaltar à mão armada!! Já imaginou o perigo?!

Ao contrário deste pensamento molóide, incapaz até mesmo de lidar com contradições primárias (como tratar a polícia como uma força opressora fascista, e a um só tempo crer que apenas ela deve possuir armas, mas atuar de maneira desmilitarizada para lidar com traficantes armados até o oritimbó), a realidade é bem oposta. Sobretudo em relação ao que são, de fato, os pobres. Trabalhadores, ainda que sofrendo do mesmo pecado original de todos nós.

Se todos os pobres fossem bandidos, ou bandidos em formação, simplesmente seria impossível sair à rua (que dirá empregar um pobre para ajudá-lo a subir de vida, na ajuda mútua chamada “capitalismo”).

Pelo contrário: se pensarmos no homem como dotado de livre arbítrio, e usarmos aqueles conceitos canônicos da filosofia de priscas eras que soam tão ultrapassados a nós, como bem e mal, virtude e vício, liberdade e consciência, moral e honra, teremos um modelo de pensamento que pode, afinal, melhorar a situação da violência do Rio (pois soluções não pertencem ao reino da política; do contrário, bastaria matar todos os criminosos atuais e viver num mundo sem crime, sem necessidade de polícia, cadeia e tribunal, para todo o sempre).

A educação tão alardeada só tem o resquício da beleza da palavra. Sob tal palavra, querem fazer doutrinação a favor da religião do PSOL, mas a bela educação é ex ducere, conduzir para fora, tirar o indivíduo dos limites aparentemente infranqueáveis de sua condição, de seu corpo, de seu histórico, e levá-lo a estados mais elevados (o exato oposto da doutrinação baseada em cor de pele, órgãos sexuais e usufruto destes).

E educação se faz disciplinando-se as vontades e instintos. Apesar de toda a logorréia contra “desigualdade social”, ninguém até hoje provou que alguma forma de igualdade econômica é, de fato, justa (o Marcelo Freixo não parece achar justo receber o mesmo que o aviãozinho do morro no começo de uma carreira que vai durar até comprar seu Playstation com 16 anos e morrer num tiroteio com polícia, milícia ou traficante rival aos 19).

E esta disciplina se faz com punições. O homem que sabe viver em sociedade além do “especialismo de Globo News” e da sociologia da UFRJ sabe que punições são necessárias até para fazer um bebê não brincar com a comida ou para um cachorro fazer cocô apenas no jornal (a única atividade que faz com que Globo, Folha e Estadão não decretem falência). Lição espacial que os alunos esquerdistas das federais parecem ter esquecido.

Basta voltar ao molde antigo, de surras variando da chinelada para a cinta e a vara de marmelo, terminando pela temível espada de São Jorge, e voilà: teremos de volta uma paz no Rio de Janeiro e no Brasil que existia antes dos experimentos com a vontade pura. O modelo “se eu quero, eu posso pegar à força”, tão defendido para roubos, só precisa ser lembrado como o mesmo princípio do estupro para deixar esquerdistas em tilt infinito.

Se falam tanto em um problema estrutural, o qual nem polícia e nem Exército podem resolver (o que é mais ou menos dizer que o céu é azul, que 2 e 2 são 4 e que Lula recebeu o triplex como propina), deve-se lidar com o problema estrutural como todas as sociedades lidaram: com códigos de conduta mais rígidos, que afetem o indivíduo até mesmo no monólogo de sua consciência, não com controle social sobre armas (meios), “educação” doutrinadora, dinheiro através de impostos e vontades através de drogas, noves fora as conseqüências e externalidades negativas de cada uma dessas ações sobre outras pessoas.

O que falta é criar homens, não moleques que preferem atalhos violentos para terem o que quiserem (e a inconsciência de um baseado para relaxar quando não conseguem ser homens o suficiente). O que falta é um código de conduta social válido para o ator triliardário da Globo e para o nóia da Rocinha, que os faça almejar o bom, o belo e o verdadeiro até quando não tem polícia por perto.

A legalização das drogas já é praticamente uma realidade prática (quem vai preso sem ser por outras violências anexas?), a educação que querem é o mesmo que ver um desfile de escola de samba, o Esquenta da Regina Casé ou o Encontro com Fátima Bernardes, e a justiça social que tanto dizem que diminuirá crimes só os fez aumentar em escala exponencial durante todo o governo PT, com aumento de imposto, Bolsa Família, petrolão e tudo. O discurso do que vai solucionar já está concretizado e a coisa só piora.

Não querem polícia, e sim educação e uma justiça social que impeça até fiu-fiu na rua? Pois então, abandone as drogas e aprenda a controlar seus instintos com surra de espada de São Jorge. Dome os dragões dentro de si, trabalhe e não busque uma vida fácil. A vida justa não tem nada, absolutamente nada a ver com o que Marcelo Freixo, Ivan Valente e Jean Wyllys ensinam no DCE, no BBB e no PSOL


Fonte - sensoincomum.org.


(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen