por Everthon Garcia(*).
O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, afirmou na última sexta-feira, 7/09, que a morte passou “a dois milímetros” dele. A declaração do presidenciável, esfaqueado no abdômen em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) na tarde de ontem, aparece em um vídeo gravado e divulgado pelo pastor evangélico Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus, durante uma visita no hospital Albert Einstein, em São Paulo, para onde o candidato foi transferido na manhã de 7 de setembro.
“Se é que a gente pode falar em distância, a morte esteve distante dois milímetros de mim. A faca passou dois milímetros da minha [veia] cava, eu perdi dois litros de sangue que foram drenados. Se fosse mais três minutos o atendimento, o pessoal diz que eu tinha morrido, é um milagre”, disse Bolsonaro, com dificuldades de falar, ao lado de Malafaia
Na visita ao candidato do PSL à Presidência, acompanhada também pelo senador Magno Malta (PR-ES) e filhos de Bolsonaro, Silas Malafaia fez orações pelo candidato e disse que “não vai ser essa cambada aí que é contra valores de família, bem-estar da nação que vai destruir o nosso país não”.
Em entrevista na última quinta-feira (6/09), o cirurgião Luiz Henrique Borsato, da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, que conduziu a operação de cerca de quatro horas, apontou que a facada desferida por Adelio Bispo de Oliveira em Bolsonaro causou uma “volumosa hemorragia interna”, deixou três perfurações no intestino delgado do presidenciável, que foram suturadas, e uma “lesão grave” no cólon transverso, uma porção do intestino grosso. Neste caso, não houve pontos, mas um procedimento conhecido como colostomia, que consiste na exteriorização de parte do intestino em uma bolsa, onde são excretados fezes e gases.
Segundo o cirurgião, Bolsonaro deve ficar cerca de dois meses com a bolsa da colostomia e, então, será operado novamente para reverter o procedimento. Como o prazo terminaria depois das eleições, o médico foi questionado sobre se a colostomia impediria o candidato de fazer campanha. Ele respondeu que há pacientes que convivem com a bolsa permanentemente, com “qualidade de vida”.
➤ Entendendo a Defesa "Filantrópica" do agressor
Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro (PSL) preso em flagrante na quinta-feira, 06 de setembro, após a tentativa de assassinato do candidato à presidência, está cercado de mistérios: tem quatro advogados de escritórios de alto padrão, estava na cidade com hospedagem paga em dinheiro vivo, quatro celulares, um notebook e diversos outros detalhes não esclarecidos.
As principais perguntas a serem respondidas são, também, origem de muita desconfiança. Nas redes sociais, desde que surgiram as primeiras informações sobre o militante de esquerda, ex-filiado ao PSOL, questiona-se como seriam custeados os honorários dos advogados famosos, como o servente de pedreiro desempregado teria pago suas despesas de hospedagem e quais as ligações com denominações religiosas.
Advogados
Na sexta-feira, 07 de setembro, as informações – desencontradas – começaram a surgir. De acordo com o portal O Antagonista (a partir de publicações do Uol), “um dos quatro advogados de Adélio Bispo de Oliveira, o agressor de Jair Bolsonaro, disse que a equipe foi contratada depois de um contato de familiares e membros das Testemunhas de Jeová”.
“Fomos contatados por membros da igreja para que viéssemos aqui”, declarou Zanone Manuel de Oliveira Júnior, advogado que ficou famoso por atuar na defesa do ex-goleiro Bruno.
⟴O departamento jurídico das Testemunhas de Jeová avalia ingressar hoje na Justiça contra o criminalista Zanone Oliveira Junior por ter declarado que foi contratado para defender o agressor de Jair Bolsonaro por uma pessoa ligada à igreja, informa a Coluna do Estadão.
A avaliação é que o advogado envolveu a imagem da igreja no episódio para ajudar a estigmatizar seu cliente ainda mais.
O pastor Antônio Levi de Carvalho, da Igreja do Evangelho Quadrangular em Montes Claros, negou também a O Estado de Minas que esteja custeando os gastos com os advogados de Adélio Bispo de Oliveira, autor do atentado contra Jair Bolsonaro.
Ao jornal mineiro, ele disse:
“A igreja não reconhece o senhor Adélio como membro. A igreja não pagou absolutamente nada de custas processuais dos advogados do senhor Adélio.”
E completou:
“Conhecemos a realidade da nossa cidade, que é difícil. Quem aqui teria dinheiro para contratar advogados de um calibre desse?”
Essa versão, entretanto, mudou dois dias depois, quando Zanone disse que a defesa está sendo paga por um conhecido da igreja que Adélio frequenta: “É filantropia. Eu não sei por meio de qual igreja eles se conhecem. Adélio tem conhecidos que são Testemunhas de Jeová, mas não tenho certeza se a pessoa que me contratou é Testemunha de Jeová”, declarou.
Em outra entrevista, Zanone voltou a falar da contratação de seus serviços, dizendo que havia sido contratado por um homem da cidade de Montes Claros (MG), que seria frequentador da mesma igreja de Adélio, e que a equipe que atuava a seu lado tinha sido contratada apenas para os primeiros dias do processo, sem revelar a identidade do contratante, segundo o G1.
Fernando Costa Oliveira Magalhães, outro advogado de Adélio (também conhecido por atuar no caso Bruno), alegou que sua atuação não tem ligação com partidos políticos ou nomes públicos conhecidos, também recusou revelar a identidade de quem o contratou e quanto foi pago pelos serviços, embora tenha dado uma versão levemente diferente da apresentada por Zanone.
Segundo o jornal Estado de Minas, Magalhães afirmou que ele e os demais advogados haviam sido “contratados a partir de uma congregação de Montes Claros, que pediu sigilo”. Porém, essa versão foi modificada novamente no sábado, por Zanone: “Um processo desse não é barato. Tem uma história que vão fazer uma vaquinha. Espero mesmo que façam. Mas a gente não está sendo financiado por igreja alguma”, disse, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo.
➤ Suspeitas
O deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR), formado em Direito e membro da Assembleia de Deus, foi o representante de Jair Bolsonaro na audiência de custódia de Adélio, realizada na sexta-feira à tarde, 07 de setembro, e levantou suspeitas sobre a contratação da equipe de advogados.
“Nos chama muita atenção – e aqui eu faço o registro de que é um direito da defesa ter advogados -, mas alguém, em situação de pobreza como a gente viu, ter quatro advogados e não ter a defensoria pública acompanhando… Só aí eu deixo para vocês de que não há indícios de que não é um ‘lobo solitário’ sem estrutura financeira nenhuma”, declarou o deputado federal.
Na manhã seguinte à audiência, Adélio foi transferido de Juiz de Fora para um presídio federal no Mato Grosso do Sul, onde cumprirá prisão preventiva, enquanto o inquérito baseado na Lei de Segurança Nacional estiver em aberto.
➤ Silêncio
Logo após as primeiras versões desencontradas sobre o custeio dos advogados, os familiares de Adélio – que vivem em casas humildes num bairro pobre de Montes Claros, foram orientados a não dar declarações à imprensa. “Só podemos dizer que não sabemos de nada. Não vou responder nenhuma pergunta. Vou sempre dizer não, não e não”, disse uma sobrinha do agressor.
O pedreiro Eraldo Fábio Rodrigues Oliveira, 47 anos, companheiro de uma sobrinha de Adélio, declarou que o agressor de Bolsonaro mantinha hábitos estranhos sempre que retornava à cidade natal para rever a família. Um deles era permanecer trancado dentro de um quarto com as janelas fechadas, mesmo em épocas de clima quente.
(*)Everthon Garcia
Fonte - conservadorismodobrasil.com.br








