Esquina da Lorimer Street com a Devoe Street no Brooklyn, Nova York. Saio da estação e um SMS (sim, o bom e velho SMS) informa que meu convidado já está a espera no local combinado. O local não é distante de um outro ponto que há quase dezesseis anos trouxe a R.Z., 37 anos, três noites que por míseros 560 dólares, custaram-lhe sono, transtornos de ansiedade, depressão, humilhações e ideias suicidas.
O dominicano radicado em Nova York chegou aos Estados Unidos em 1999 com o irmão, então um alto prospecto jogador de beisebol nas fileiras do New York Mets. De família católica rígida, R.Z. viu seu irmão se afastar após flagrá-lo com outro homem num humilde apartamento que ambos dividiam com a irmã mais velha em Upper Falls, na cidade de Rochester, NY.
Frequentador da cena gay de Nova York, R.Z. por alguns meses apelou para a prostituição. Tentou se reaproximar da família, em especial da mãe a quem amava como uma divindade; pelo esforço de criar os três filhos em meio a miséria absoluta e um pai ora ausente, ora alcoólatra e violento.
‘A rejeição de minha mãe até hoje me causa dor, mas a perdôo e a amo.’ Não desejo mal algum aos meus irmãos apesar das humilhações, e gostaria de ter acesso aos meus sobrinhos que só conheço por fotos.’
Após um encontro numa boate, Greenwald deu seu cartão a R.Z., um cartão da Master Notions Inc. com seu telefone atrás.R.Z não gosta de falar de seus meses na prostituição pois foi num encontro com Peter Haas que seu eterno pesadelo teve início. Haas, ex-dono de um estúdio ponográfico dedicado ao público LGBT, teve a adição de
Glenn Greenwald como sócio em 2003, assim como o ex-namorado de Greenwald: Jason Buchtel, sócio de Haas na Master Notions Inc.
‘A proposta eram filmes pornográficos e ensaios sensuais. Eu sempre prezei pela minha intimidade e discrição então não me interessava ter minha cara em filmes de todos os recantos gays do mundo.’ O parceiro de R.Z. na época foi quem derrubou o muro do medo e convenceu o parceiro a participar das audições.
O lugar onde R.Z. deveria filmar, com direito a um diretor especializado em atores e atrizes ainda não ‘experts’ em filmes adultos e em como se portar para e diante da câmera, era um inferninho típico de cruising bars. Chamou atenção de R.Z. a quantidade de produtos usados para a prática de Sadomasoquismo, ou BDSM como é mais conhecido.
Na apresentação, Greenwald exigiu ser chamado unicamente e tão somente de: Herr DomMascHry31, ou apenas Herr DOM. A
obsessão nazistóide de Greenwald (um judeu que odeia o Judaísmo, Israel, o Cristianismo, mas com forte queda pelo Islamismo e a idéia de submissão e dominação… já é de domínio e conhecimento público a face Jeffrey Dahmer de Glenn).
‘Eu não sabia o nome real dele e não soube até vê-lo na TV anos e anos depois numa matéria da NBC e as eleições de Bush filho. Após anos saudáveis e sem ataques de pânico, a visão de Greenwald desencadeou todas as memórias perversas que Verdevaldo e seu parceiro Buchtel acometeram ao então jovem de 20 e poucos anos’.
Ainda com um inglês não fluente, R.Z. perguntou a Greenwald porque tantos computadores e numa sala anexa ao ‘estúdio’ com diversas pessoas ao telefone que não paravam de tocar. Era um disk sexo, de onde os atendentes atraíam os interessados para um site conhecido como hairystuds.com – o mesmo site que gerou uma guerra judicial entre Glenn Greenwald e seu ex-sócio Peter Haas.
Haas acusou Greenwald de pelas costas roubar toda sua clientela através de um serviço que ele havia criado relacionando disk sexo com assinantes para conteúdo em áudio, fotos e vídeos pronográficos orientados ao público gay masculino. Em 2004, Greenwald fez Haas encerrar o caso mediante ameaças de divulgação de videos amadores de Haas e vários de seus amigos; alguns deles, homens de alto escalão em Wall Street.
Greenwald ‘The Professor’ DomMascHry31
Após uma longa sessão de fotos, Butchel prometeu uma quantia substancial a R.Z. já que na opinião dele e de seu sócio, o rapaz teria uma carreira meteórica, fabulosa e com ganhos até então inimagináveis para o jovem.
Antes da parte legal da coisa, um contrato de cerca de 80 páginas sobre uso de imagem e demais tópicos que praticamente eximiam Greenwald e Buchtel de qualquer rigor da lei, haveria a prova final, o desempenho sexual e artístico dele deveria ser examinado.
Herr DomMascHry31, como ele EXIGIA ser chamado, trouxe outros atores da produtora. R.Z viu Greenwald vestido como um general da SS, os paramilitares nazistas. As sessões de Sadomasoquismo, Blasfemia e outros horrores, duraram ininterruptas cinco horas.
De acordo, totalmente de acordo com R.Z., não convém ao leitor saber dos pormenores, isso seria puramente sensacionalismo barato sobre a identidade nefasta; um sujeito tratado como herói por quem não o conhece e não sofreu em suas mãos a sexualidade doentia e criminosa de quem já defendeu nazistóides com unhas e dentes… e de graça, arcando ele mesmo com os custos processuais.
Pro bono!
A demência, o predador sexual que é Glenn Greenwald e seus amigos é coisa para a justiça divina na opinião de R.Z., para nós: são questões de polícia. Alguém que traveste sua aficção por sexo apimentado por violência, falta de respeito a instituições religiosas e devoção ao Nazismo, merece os rigores da lei.
No mundo as avessas que vivemos, um homem inteligente, beligerante e conhecedor das ratoeiras nos sistemas judiciários tanto dos Estados Unidos, como da União Européia e do Brasil; Glenn Greenwald facilmente escapa de quem deseja enfim pegá-lo com uma tática que ele aprendeu bem antes de conhecer Edward Snowden: a de chantagear inimigos ou quem se coloque no caminho dele para atingir seus objetivos.
Os eventos ocorreram em Setembro de 2003, numa estúdio mal ventilado, que mais parecia um bunker nazista do que uma produtora de filmes; ainda que filmes adultos. R.Z. quis embora após a ‘primeira’ sessão, mas foi alertado que havia assinado um acordo e deveria cumpri-lo.
Num envelope, havia o nome de R.Z., sua idade, seu endereço e nome de familiares. Ao todo 560 dólares, os 60 a mais deveriam ser usado para que ele se alimentasse. Bem comportado – receberia não 560, mas 4.000 dólares e a garantia de que antes de Janeiro de 2004, teria seu Green Card.
Greenwald chamou um táxi, se vestiu e disse que retornaria antes do anoitecer. Um homem, americano mas com forte sotaque espanhol porém fluente, avisou a R.Z. que sabia de sua situação até então ilegal nos Estados Unidos, e que não contaria até dez para entregá-lo ao controle de imigração.
Numa América ainda temorosa, em que cada americano médio não conseguia dizer duas frases sem mencionar o 11 de Setembro, terror, Bin Laden e imigrantes ilegais – ilegais como R.Z. naquela época, eram capazes de confessar sem tortura, a morte de Kennedy.
Entre o que R.Z. considerava um inferno mais brando e o inferno dantesco de Glenn Greenwald, após dias de assédio e ameaças, R.Z contatou uma amiga que havia sido parte da infame DDP (Dominicans Don’t Play), uma violenta gangue dominicana que atua no tráfico de drogas desde o início da década de 1990, bastante conhecida por sua brutalidade ao executar inimigos.
R.Z. contou a amiga o que estava se passando e pediu ajuda pois temia pela sua vida, até mesmo pela exposição do que Greenwald e Butchel já haviam gravado.
Na segunda parte deste artigo, temos uma Q&A com R.Z. em que ele explica como conseguiu se livrar de Glenn Greenwald, da tentativa do americano em trazê-lo ao Brasil em 2004, até as atividades criminosas de Greenwald antes do caso Snowden, em que o dono do The Intercept já era obcecado em vigiar os outros, mas temia mais do que tudo pela sua segurança e privacidade.
Imagem - do filme O Predador que tinha mesmo um predador: Fox corta cena com ator condenado por crime sexual.
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