sábado, dezembro 03, 2016

A defesa da pregação inconveniente, aborto eleições e outras coisas







por Fabio Blanco



Se o homossexualismo é pecado, é óbvio que ele pode ser prevenido e, inclusive, revertido. Não fosse assim, estaríamos diante de uma pecado infalível, o que, por definição, seria a antítese mesma de pecado. E por mais que o cristão acredite nisso, por força da doutrina que segue, sente que, a cada dia, expor essa convicção tem se tornado algo desagradável. Tratar o homossexualismo como pecado está colocando o cristão à beira de cometer um crime.

Isso ficou bem claro nas reações à palestra que seria promovida pela Igreja Batista Getsêmani que, com o título original de Como prevenir e reverter a homossexualidade, provocou a ira de diversas pessoas que tomaram conhecimento do evento. A página da igreja foi então infestada de indignados que não se fizeram de rogados em manifestar, com a brutalidade típica dos integrantes de movimentos ideológicos, sua revolta. Com isso, a igreja fora forçada a mudar o título da palestra e emitir uma nota explicativa, pela qual, mais do que justificar sua escolha, tenta apaziguar os ânimos. Após, então, acabar por cancelar o evento.

A questão é que, independente do quanto isso possa suscitar a ira dos revoltados, o fato é que a Igreja tem todo o direito de expressar sua opinião sobre esse assunto e proibi-la de fazer isso é um atentado não apenas contra uma instituição religiosa, mas contra o próprio conceito de democracia e liberdade que todos ousam dizer que defendem.

É inegável que para a doutrina cristã o homossexualismo é pecado. Isso está explicitamente ensinado em seus cânones. Sendo assim, para ela, o homossexualismo é algo passível de escolha do ser humano. Apenas aquilo que pode ser evitado pode ser pecado, portanto, praticar o homossexualismo, segundo a concepção da Igreja, é algo que está sob o controle de cada pessoa. Assim, se é passível de escolha é prevenível e se é prevenível nada impede que se ensine como prevenir.

Se a Igreja evitar de fazer isso, de ensinar algo que está claro em sua doutrina, apenas para agradar as expectativas politicamente corretas, estará negando a si mesma. E, desta maneira, será o seu fim como instituição religiosa, que se caracteriza, principalmente, por sua independência de consciência. Passaria a ser apenas um local de encontro social, completamente submissa aos ditames do Estado. Seria, portanto, sua destruição.

O que os revoltosos não percebem é que a proteção de liberdade de consciência e expressão das instituições religiosas é, antes de tudo, a proteção da liberdade de todos. Se a Igreja for impedida de pregar conforme seus próprios ensinamentos, nenhuma outra entidade ou indivíduo poderá ter garantida a mesma liberdade. Por isso, a preservação da livre expressão religiosa é a manutenção de ilhas de liberdade que impedem que o Estado tome conta de tudo e passe a ser o definidor final do que é justo, ético e moral.

Fica evidente, portanto, que a liberdade de todos passa necessariamente pela liberdade de expor os conteúdos de cada crença. Ainda que tais conteúdos sejam inconvenientes para alguns grupos e até irritem outros, suprimi-los é um passo largo para a tirania estatal.



Eu sei que quando a Igreja diz que o homossexualismo pode ser revertido ou prevenível isso afeta o âmago daqueles que acreditam que essa é uma condição inescapável de alguns indivíduos. É inclusive lícito que estes tentem provar que o ensinamento cristão está equivocado. Porém, o que não podem fazer, sob pena de sofrerem, eles mesmos, as consequências, é tentar calar a Igreja. Se fizerem isso, nada garante que eles mesmos não sejam proibidos de expressarem seus pensamentos logo em seguida.

E, do lado da Igreja, é preciso, desde já, que ela comece a ser mais explícita sobre o que realmente acredita. É necessário perder o medo de expor o que crê, de fato. Deve acabar com a hipocrisia de tentar mostrar alguma tolerância em relação a uma atitude que ela considera abertamente pecaminosa. Como no caso da Igreja Getsêmani que, em sua nota de esclarecimento, afirma que a veiculação equivocada da informação não representa a opinião da Igreja. Dizendo isso, estaria ela negando que acredita que o homossexualismo pode ser prevenido e até revertido? Bom, sinto informá-los que esse é exatamente o ensinamento cristão, corolário óbvio da convicção de que o homossexualismo é pecado.

Claro que isto não significa que se deva pregar o ódio contra os homossexuais. Isto seria, inclusive, um erro, pois o cristianismo jamais ensinou assim. Mas que a Igreja tem o homossexualismo como um pecado sério e deve falar essas coisas abertamente, sobre isto não há a menor dúvida.

Os ataques contra os religiosos, como no caso contra os organizadores dessa palestra, são até esperados. Aliás, a própria Igreja deve continuar defendendo o direito das pessoas expressarem sua indignação. No entanto, não se pode achar justo que ela precise cancelar ou mudar o nome do evento, com medo de alguma retaliação judicial. Quando as leis humanas passarem a definir o que é lícito e o que é ilícito pregar dentro das Igrejas será o fim da vida como a conhecemos e podemos dar definitivamente as boas-vindas ao admirável mundo novo, onde reina a opressão e o policiamento.

Razões para ser absolutamente contra o aborto
Permitir o aborto de qualquer tipo é permitir, em pouco tempo, todo tipo de aborto. Sabendo disso, há uma enormidade de pessoas que, por amor à vida, lutam para que essa prática não seja permitida de maneira nenhuma. Ainda assim, estes, por mais paradoxal que pareça, são logo tachados, pelos defensores do assassinatos dos bebês em gestação, de insensíveis e, apenas para não perder o costume, fascistas. Por isso, nessa matéria, não é possível qualquer tipo de concessão.

Não importa a afetação de preocupação que esse tipo de gente demonstra, como se fossem as pessoas mais misericordiosas deste mundo. Antes de ser enganado por suas carinhas de anjos, é bom captar o espírito assassino que os acomete.

O problema é que aceitar o aborto por qualquer motivo é escancarar as portas de possibilidades para que infinitos outros motivos sejam considerados também justificadores de tal prática. Isso porque quaisquer motivos que sejam apresentados jamais podem ser totalmente objetivos e é essa margem de subjetividade que permitirá que, cada vez mais, sejam solicitados, pelas razões mais diversas, autorizações para abortar.

O fato é que nenhuma pessoa é capaz de definir o que é uma vida inferior, inviável e de sofrimento. Quem pretender fazer isso está arrogando para si poderes evidentemente divinos. E, apenas para argumentar, ainda que esses fatos fossem razões para abortar, e considerando que o são apenas em determinado graus, ninguém seria capaz de afirmar qual o grau exato deveria ser considerado para permitir o aborto.

Sendo assim, não se deve ceder nem um pouco para o abortistas. Um mínimo que se lhes permita agora será o muito que exigirão amanhã. Até porque o abortismo, antes de tudo, é uma ideologia e já estamos cansados de saber que os movimentos ideológicos nunca estão satisfeitos em suas demandas. Pelo contrário, os militantes são bastante pacientes para conquistá-as progressivamente e de uma forma tão sutil que poucos conseguem captar a estratégia existente por trás.

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As nomeações ao STF de Barroso, Fux, Toffoli e Fachin representam a maior excrescência que o universo jurídico brasileiro poderia engendrar. Além de não representarem, nem de longe, o que há de melhor entre os juristas do país, não passam de paus mandados das determinações de seus nomeadores, os quais, por seu lado, rezam na cartilha globalista/comunista. E para piorar tudo, neles reside, paradoxalmente, o completo desprezo pelas leis. O que importa para eles é aproveitar do poder para colocar em prática seus delírios ideológicos.

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Fica cada vez mais fácil entender como um homem como Michel Temer, aparentemente distinto e com um nível intelectual superior, pôde estar junto à máfia petista por tanto tempo. Os últimos fatos estão trazendo à tona uma rede de articulações, que culminam agora na tentativa de deter as investigações que começam a chegar nos caciques de seu partido. Se há uma diferença de forma, no fundo vê-se que tratam-se do mesmo tipo de políticos. O Brasil permanece à mercê da pior forma de homens públicos, porém agora de barba feita e fala mansa.

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Segundo Aécio Neves, Fidel Castro foi um homem incrível, cheio das melhores intenções, que apenas errou no método. E pensar que eu torci pela vitória dessa besta na eleição contra a anta.


quinta-feira, dezembro 01, 2016

Qual a posição dos liberais em relação ao aborto?










Por João Luiz Mauad





Uma das maiores agendas feministas é a luta pela descriminalização do aborto. Ano passado a cronista do Globo, Flávia Oliveira, escreveu um artigo intitulado “É preciso falar sobre o aborto” para aquele jornal onde não apenas defende a sua opinião a favor do aborto, como também ataca as mulheres que mantêm opiniões contrárias.

Flávia começa defendendo a discussão sobre o tema, alegando que esta é uma “agenda interrompida, em que valores morais importam mais que saúde pública”. Flávia não se detém a explicar quê valores morais exatamente são esses que ela colocaria como inferiores à questão da saúde pública, mas nota-se em seus argumentos seguintes um viés claramente consequencialista, muito em voga ultimamente nesse debate.

Depois de citar casos específicos, Flávia evoca alguns dados. Ao criticar as mulheres que exibem orgulhosamente suas barrigas nas redes sociais, numa reação à hipótese de liberação do aborto, ela diz: “São mulheres que não refletem sobre um problema de saúde pública que envolve de 600 mil a 850 mil brasileiras por ano, segundo reportagem do GLOBO de setembro de 2014. O aborto é a quinta causa de mortalidade materna no país. Causa mutilações e esterilidade.”

Ora, O argumento de que um crime deva deixar de sê-lo pelo fato de ser praticado em grandes quantidades e de forma escamoteada é absurdo. Equivale a dizer que, se um crime é praticado rotineiramente, com risco para o criminoso, ele deve simplesmente deixar de ser considerado crime. Confesso que não entendo o alcance do raciocínio. Se a norma legal vem sendo descumprida e causando prejuízo aos criminosos, deveríamos simplesmente acabar com ela? Nesse caso, convenhamos, sobrariam no Brasil muito poucas leis.

Trata-se de argumento legal, moral e filosoficamente inconsistente. É um contrassenso pretender legalizar uma prática com base nos índices de incidência ou no risco para os respectivos praticantes. Fosse isto razoável, deveríamos então pedir a descriminação do roubo ou do homicídio, crimes que também envolvem sérios riscos para os agentes e cuja ocorrência em nosso país é superior a do aborto.

Flávia traz ainda um outro argumento ao debate. Diz ela: “O debate do aborto extrapola o contra ou a favor. É mais complexo, porque envolve a liberdade de decidir sobre os próprios corpo e futuro. Deveria ser direito da mulher fazer isso, sem pôr a saúde em risco nem alimentar redes criminosas de contrabando de remédios e clínicas clandestinas.”

Esse é o mesmo argumento normalmente utilizado pelos liberais propensos à liberação do aborto. Tal raciocínio contrapõe, a meu ver equivocadamente, o direito à vida do feto à soberania da mulher sobre o próprio corpo, vale dizer, sua liberdade e propriedade sobre ele. Explico por que acho equivocado:

Pela ótica liberal, como bem demonstrou Bastiat em seu opúsculo “A Lei”, a existência do Estado está vinculada à necessidade de organização de uma força comum, mais poderosa que qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos, encarregada da defesa dos direitos individuais à vida, à liberdade e à propriedade. Portanto, o direito coletivo tem o seu princípio, a sua razão e a sua legitimidade no direito individual. Por outro lado, só podemos delegar aqueles direitos de que efetivamente dispomos. Assim como a força de um indivíduo não pode legitimamente atentar contra a vida alheia, tampouco a força coletiva pode ser aplicada legitimamente para destruir a vida de uma pessoa.

O mesmo raciocínio é válido para a defesa desses direitos. A lei, ao promover a substituição das forças individuais pela força comum, deve garantir que esta atue estritamente nos limites em que aquelas teriam o direito de fazê-lo, ou seja, para garantir ao indivíduo a sua própria vida, liberdade e propriedade. Ao Estado não deveria ser permitida nenhuma ação – ou reação – que não estivesse autorizada a cada cidadão.

Alguns liberais alegam que, no caso da gravidez indesejada, haveria um conflito de direitos. De um lado, estaria o direito á vida do nascituro (uma vida ainda não humana, para alguns) e, de outro, o direito de propriedade da mulher sobre o próprio corpo. Tal conflito pode até ser admitido no caso de gravidez derivada de estupro, mas nunca de gravidez oriunda de ação voluntária e consentida da mulher.

Qualquer manual sobre liberalismo, por mais conciso e superficial que seja, dirá que o exercício da liberdade pressupõe a responsabilidade individual irrestrita pelas conseqüências dos próprios atos. Isto quer dizer que toda e qualquer ação deve ter em conta os possíveis desdobramentos sobre os direitos – vida, liberdade e propriedade – dos demais.





Meu direito de propriedade permite que eu escolha quem pode ou não entrar em minha residência ou qualquer outra propriedade de que eu seja titular. No entanto, meu direito acaba onde começa o do outro e, portanto, não posso atentar contra a vida daqueles que lá estiverem, desde que convidados ou autorizados, a menos que eles tenham, antes, atentado contra a minha própria vida (legítima defesa).

Circunstâncias extremas, inusitadas ou indesejáveis não podem ser descartadas. Tome-se a seguinte situação: Pedro convida Paulo para uma pescaria. Em alto mar, a milhas de distância da costa, os dois brigam e a presença de Paulo torna-se inconveniente para Pedro. Seria correto se, em nome do direito de propriedade de Pedro sobre o barco, este forçasse Paulo a saltar?

Agora imagine que, durante uma festa na sua casa, alguém é acometido de um mal súbito. De acordo com os médicos, sua remoção para o hospital é desaconselhada, sob risco de morte. Segundo os especialistas, esta pessoa deverá ficar em repouso absoluto durante algumas semanas, até que esteja em condições de ser transferido. Por mais incômoda que a presença de um estranho em sua casa possa ser, principalmente em razão dos transtornos que causará na sua vida, seria válido, em nome do direito de propriedade, que você se recusasse a mantê-lo ali?

Assim como nos exemplos acima, um embrião humano que se instala no corpo de uma mulher, exceto em casos extraordinários de estupro, é produto de uma ação consciente, cujas conseqüências são bastante previsíveis. O ato sexual é uma escolha quase sempre voluntária e livre. Portanto, a responsabilidade individual a ela inerente não pode ser recusada, isentada ou transferida.

Repetindo o que já foi dito acima, a liberdade tem como contrapartida a responsabilidade irrestrita do agente sobre seus atos, e desta ele não pode fugir, muito menos quando estão envolvidos direitos de outros seres humanos, ainda que não nascidos.

É evidente que, se houvesse algum meio de transferir o feto para outra barriga ou mesmo para uma incubadora artificial, sem prejuízo para a vida ou a saúde do feto, essa seria uma opção totalmente legítima (assim como seria a entrega do recém nascido para adoção), já que conciliaria a propriedade da mulher sobre o corpo com o direito à vida do nascituro. Mas, pelo menos até onde sei, os avanços médicos e tecnológicos ainda não permitem tal coisa, de modo que a vida do feto é totalmente dependente do ventre onde foi gerado.

Um terceiro argumento pró-aborto é o de que um embrião só passa de fato à condição de ser humano após um determinado prazo de maturação. Não se discute propriamente a existência da vida, mas da vida humana. Aqueles que se prendem a tal argumento alegam que o “aglomerado de células embrionárias” seria apenas algo como um ser humano em potencial, que existe como possibilidade, mas ainda não é realidade e, nesta condição, ainda não teria direitos, estando fora da proteção (abrigo) legal do Estado.

Trata-se de debate antigo, embora quem já tenha tido a oportunidade de assistir a uma ultrassonografia de alta definição, realizada em gestantes com apenas oito semanas de gravidez, possa atestar que ali já estão presentes no feto inúmeras características de um ser humano – cabeça, tronco, membros (inclusive dedos), órgãos genitais, etc.

Por outro lado, será que, diante de uma dúvida existencial tão fundamental como essa, a ética e a prudência não recomendariam que se poupasse a vida? Afinal, existe a possibilidade real de que o aborto provocado seja equivalente a um homicídio, um atentado àquele que é considerado o maior dos valores humanos – a vida.

Além das questões acima, alguns propõem ainda um último argumento que, embora fraco, costuma também aparecer no debate. Diz-se que, no princípio da gestação, o feto ainda não tem capacidade de sentir dor e, portanto, o aborto, além dos outros aspectos discutidos acima, seria indolor. Ora, há algumas doenças, que acometem adultos e crianças, que os impedem de sentir dor. Apesar delas, nunca se cogitou liberar o assassinato dessas pessoas, simplesmente porque a lei deve proteger a vida das pessoas e não um suposto direito de não sentir dor.

Ademais, quando se trata do direito de herança, por exemplo, não se discute o nível de evolução do embrião no instante da morte do pai. Ora, se aceitarmos a possibilidade de sacrifício do feto antes de determinado estágio, sob o argumento de que a vida humana ainda não está completamente formada, não seria também o caso de se contestar o direito de herança em caso de morte paterna dentro deste mesmo estágio? Se a lei protege as propriedades materiais do embrião, por que não deve proteger também seu mais valioso bem, sem o qual os outros não têm qualquer valor? Será que a propriedade material é um valor superior à vida?

Por tudo isso, até que me provem que um feto não é um ser humano, cuja única diferença para os demais seres humanos adultos é não dispor, a exemplo das crianças pequenas, de meios próprios para seu desenvolvimento e legítima defesa, eu continuarei defendendo a criminalização do aborto, como defendo a criminalização do homicídio, do latrocínio, da escravidão, etc.

Até porque, qual é o único fundamento para a existência do Estado, numa sociedade liberal, senão a defesa da vida, da liberdade e da propriedade dos indivíduos, principalmente dos mais fracos?



João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

quarta-feira, novembro 30, 2016

O enigma da corrupção


por Roberto Rachewsky


Privilégios são concessões oferecidas pelo governo para favorecer determinados indivíduos em detrimento dos direitos dos demais que ficariam impedidos de atuar numa determinada atividade ou num determinado mercado.

Direitos são princípios morais que têm como finalidade permitir que indivíduos possam agir livremente para garantir sua vida e sua propriedade, tornando possível almejar a felicidade através da realização dos propósitos que cada um escolheu para si.

Liberais consideram o direito à vida e seus derivados, o direito à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade, direitos inalienáveis, que ninguém pode tirar.

Obviamente, nenhum direito pode ser exercido de maneira a violar os mesmos direitos dos demais.

É por isso que se defende que, em um contexto social, todos os indivíduos devem ser iguais perante a lei, gozando dos mesmos direitos, sem que seja concedido a ninguém qualquer privilégio.

O enigma da corrupção desafia-nos a diferenciar se o agente corruptor está agindo para obter um privilégio ou garantir um direito.

Há sim uma diferença substancial entre a natureza e o propósito da ação daqueles que agem para obter privilégios através da corrupção e dos que querem garantir o exercício de um direito inalienável. Agir para garantir privilégios é imoral. Agir para exercer um direito é moralmente legítimo.

O que é comum em ambos os casos é o poder intervencionista do governo que pode tanto conceder privilégios para uns, como pode também violar os direitos de outros.

Num livre-mercado, onde não seria necessário pedir-se permissão para o governo para se exercer um direito, o governo teria apenas o poder de reagir contra aqueles que violam os direitos alheios.

Quando o governo deixa de reagir contra os violentos, por inépcia ou por corrupção, está concedendo privilégios para aqueles que se utilizam da violência para prevalecer.

No livre-mercado, o governo deve atuar exclusivamente como árbitro, com o intuito de reagir à violência .

Num mercado onde o governo pratica a violência ao intervir, negando direitos e concedendo privilégios, é comum que se forme uma névoa que nos impede de determinar, com certeza, quem age moralmente e quem não.

Esse é o enigma da corrupção, que propicia aos criminosos violentos, de dentro e de fora do governo, serem confundidos com suas vítimas inocentes que têm seus direitos violados por quem quer viver de ganhos imerecidos amealhados através da corrupção.

Publicado originalmente em: “Zero hora”.


Fonte: institutoliberal.org.br


terça-feira, novembro 29, 2016

Governo Cubano confessa: Socialismo é pobreza









Itens que para nós são triviais, para os cubanos são artigos de luxo.
por Juan Ramón Rallo





Que Cuba se tornou um país paupérrimo após 57 anos de socialismo é algo que qualquer pessoa pode intuir ao simplesmente analisar os fluxos migratórios: durante os últimos 50 anos, mais de um milhão de pessoas (cerca de 10% da população da ilha) se lançaram desesperadamente ao mar, utilizando qualquer coisa que flutue, correndo o risco de ser devoradas por tubarões, apenas para escapar deste macro-presídio político e econômico.



Isso, e apenas isso, já bastaria para se ter uma noção das condições de vida na ilha-presídio.



No entanto, certamente esses exilados não comovem os defensores do regime, os quais sempre rápidos em rotulá-los como "ratos traidores", "burgueses", "elite privilegiada" e "inimigos do povo", seguindo ordens de seu admirado gerontocrata multimilionário.

Sendo assim, convém analisar as reais condições de vida (após quase 60 anos de revolução) em Cuba utilizando os números divulgados pelo próprio regime. Isto é, analisemos como se vive em Cuba segundo as próprias estatísticas da ditadura castrista.

De acordo com o Anuário Estadístico de Cuba 2014, o salário médio mensal no país, que era 455 pesos cubanos em 2011, subiu para 584 pesos cubanos em 2014. 

Porém, qual o valor de um peso cubano? Para os turistas, e exclusivamente para os turistas, um peso cubano conversível vale um dólar. Isso significa que o turista que chega com um dólar é obrigado a trocá-lo por um peso cubano. Mas, para os habitantes da ilha, que não têm acesso a esse mercado controlado pelo governo, o câmbio é outro: atualmente, 26,5 pesos cubanos equivalem a um dólar.

Ou seja, o salário médio em Cuba equivale a 22 dólares mensais — ou R$ 75 mensais; enquanto isso, no Brasil, o salário médio nominal está em R$ 2.231.

Os salários médios mais baixos estão na indústria hoteleira (377 pesos cubanos, ou R$ 49) e os mais elevados estão na indústria açucareira (963 pesos cubanos, ou R$ 124). Os salários do setor educacional são inferiores à média (527 pesos cubanos, ou R$ 68) e os do setor de saúdes, superiores (712 pesos cubanos, ou R$ 92).

Logo, quem trabalha na indústria hoteleira recebe US$ 14,20 mensais e quem trabalha no setor educativo, menos de US$ 20 mensais. 

E vale ressaltar que estes são os salários médios de cada setor: ou seja, há muitos cubanos recebendo valores consideravelmente menores do que esses.

Isoladamente — dirão os defensores do regime — tais dados talvez não sejam demasiadamente informativos. Talvez — dirão eles — os preços em Cuba sejam tão baixos, que um cubano médio pode viver estupendamente bem com pouco mais de 20 dólares por mês.

No entanto, é óbvio que isso não procede. E, por sorte, não é nem necessário especularmos sobre como são os preços dos bens na ilha; o próprio governo castrista já faz esse serviço para nós. Dado que a imensa maioria dos preços é completamente controlada pelo governo, podemos saber em primeira mão quanto custam determinados produtos básicos recorrendo às resoluções do Ministerio de Finanzas y Precios, que é o órgão que estipula os preços dos bens de consumo em Cuba.

Sendo assim, de acordo com a resolução 95/2014, um pedaço de pão de 130 gramas custa 3,25 pesos cubanos. Já uma dúzia de ovos custa, segundo a resolução 61/2011, 13,2 pesos cubanos. Um quilograma de leite em pó, segundo a resolução 165/2014, custa 175 pesos. Uma lata de extrato de 440g de tomate custa 8,1 pesos (resolução 38/2013). Um quilo de peito de frango custa 119,25 pesos. E um litro de iogurte natural, 29,15 pesos (resolução 214/2012).

Ou seja, o salário médio da população cubana — atenção, estamos falando do salário médio de toda a população (que no Brasil é de R$ 2.231) e não apenas de um salário mínimo — permite que ela adquira, mensalmente, 20 pedaços de pão, três dúzias de ovos, um quilograma de leite em pó, dez latas de extrato de tomate, um quilo de frango e um litro de iogurte natural.

Prosperidade em estado puro.

No entanto, é claro que nem só de alimentos básicos vive o homem. Sendo assim, convém conhecer os preços de outros bens que, no Ocidente, já são considerados essenciais: uma caixa de fósforos custa 1 peso (resolução 51/2013); uma mensagem de texto de celular (o SMS) chega a 2,3 pesos, e uma hora de internet custa 53 pesos (preços oficiais da empresa estatal ETECSA cotados em "peso cubano conversível", o qual vale um dólar).

Já uma saboneteira custa 75 pesos (resolução 80/2011). Um creme dental, 4 pesos (resolução 78/2014). Um tambor de detergente de 2,5 quilogramas, 119 pesos. Um aparelho de rádio, 321 pesos. 

E uma televisão de 29 polegadas, 9.275 pesos (resolução 214/2012).

Vale enfatizar: uma televisão equivale a nada menos que 16 meses de trabalho.

Em suma, as condições de vida em Cuba são totalmente miseráveis. E não, não são miseráveis por causa do embargo americano, mas sim porque o socialismo gera pobreza. O embargo nunca impediu Cuba de transacionar com nenhuma empresa de outro país. Com efeito, as importações cubanas chegaram, em 2013, 6,72 bilhões de dólares (8,7% de seu PIB). 

Se Cuba não importa mais é simplesmente porque não exporta mais (para importar é necessário ou exportar ou atrair investimentos estrangeiros). E não exporta mais porque sua capacidade produtiva sob o socialismo é totalmente deficiente e porque seu governo não é receptível ao capital privado estrangeiro. Com exceções, as mercadorias produzidas em Cuba são incapazes de concorrer em qualidade e preço nos mercados ocidentais.

Cuba é pobre porque é socialista. E socialismo é pobreza.

Fonte: Mises.org.br


domingo, novembro 27, 2016

Morre o ditador Fidel Castro, o maior capitalista de Cuba







por Roberto Barricelli(*)

Um canalha que sempre viveu cercado de outros.




Enquanto Cuba empobrece às claras, o ditador Fidel Castro enriqueceu por negócios “obscuros”. Essa é a realidade da Ilha Prisão.

Como todo comunista que se preze, Fidel Castro adorava o comunismo, desde que fosse para o outros, pois para si só o melhor que o capitalismo pode proporcionar. Enquanto sempre pregou o comunismo para o povo, levando milhões à miséria, Fidel acumulou capital e viveu como um “burguês”. Mas no caso do ditador não bastava ser dono dos meios de produção, não, precisava ser dono da Ilha toda, ser o manda chuva.

Enquanto a pobreza é generalizada para a população, os produtos e serviços são ruins e caros, como os sucateados carros dos anos 50, Fidel andava de Mercedes-Benz e nas poucas aparições após “deixar o poder” sempre vestia Puma, Adidas ou até a “imperialista” Nike.



O que acabou em Cuba foi a possibilidade da existência de uma classe média, pois a elite apenas mudou dos empresários para os governantes. Uma elite branca, que governa a Ilha Cadeia com pulso firme. Foco na “elite branca” para não deixar cair no esquecimento o fato de que Ernesto Che Guevara, um dos (sic) heróis da revolução e maiores assassinos da história, era racista. Sim, ele inclusive disse que “o negro insolente e sonhador gasta seu dinheirinho em qualquer frivolidade ou diversão, ao passo que o europeu tem uma tradição de trabalho e economia”.

Mas voltemos ao Fidel Castro.

Enquanto o salário do médico cubano no máximo chega a US$41 na Ilha, nesses mais de 54 anos de “revolução” o capitalista Fidel Castro acumulou uma fortuna estimada em US$550 milhões, segundo a revista Forbes, publicação especializada.

Essa fortuna se deveu a negócios “controlados pelo Estado”, mas claro que “o Estado” era e é Fidel Castro. Entre eles o Palácio de Convenções, próximo a Havana, o conglomerado Cimex (varejista) e a empresa Medicuba, que comercializa vacinas e produtos farmacêuticos produzidos em Cuba.

Fidel acumula capital, enquanto o cubano comum acumula dívidas no mercado negro, dificuldades e pobreza.

Parte da fortuna advém também da produtora de rum Havana Club, que foi vendida por US$50 milhões à francesa Pernod Ricard. Esse dinheiro foi parar no bolso de Fidel Castro, apesar da empresa se “estatal”. A verdade é que todas as empresas “estatais” cubanas são mais privadas que qualquer outra e estão sob o controle dos Castro.

O que realmente é estatal em cuba? Os serviços públicos ruins e o cidadão, sim, este também foi estatizado e é tratado com grande desprezo. Atualmente o país ocupa a 59ª posição no Ranking Mundial do índice de Desenvolvimento Humano e segundo a OMS através do World Health Statistics 2013 caiu nas estatísticas de saúde para além da 40ª posição.

Mas Fidel continuava bem e consumindo os produtos importados, bons e mais baratos. Dizia ao mundo que Cuba tem a cura do câncer e o único ditador que se tratou lá dessa doença, morreu.

Mas o que importava para Fidel era continuar sendo sustentado pelos “amigos” bolivarianos, socialistas, comunistas e petistas com empréstimos polpudos feitos com o dinheiro do contribuinte desses países (como Brasil e Venezuela) e que provavelmente não voltarão. No caso da Venezuela, através da balança comercial, onde esta vendia petróleo mais barato em troca de médicos caros e níquel inflacionado.

No fim, Fidel vestia suas roupas importadas, sentava em uma poltrona confortável em sua mansão, tomava seu rum francês produzido em Cuba, ou um uísque importado, fumava seu charuto dominicano (que está melhor que o cubano) e relaxava, contando os dólares que engordam seu polpudo patrimônio.



(*)Roberto Barricelli é autor de blogs, jornalista, poeta e escritor. Paulistano, assumidamente Liberal, é voluntário na resistência às doutrinas coletivistas e autoritárias.

Nota: Artigo editado por Instituto Liberal, publicado originalmente como “Fidel – O grande capitalista” em 11 de dez de 2013.


sexta-feira, novembro 25, 2016

Eleições, hackers, segurança e legitimidade






por Bruce Schneier
Precisamos de procedimentos para avaliar alegações de urnas eletrônicas hackeadas.
Precisamos de um claro e robusto processo de auditoria de eleição.


Acabou. As eleições ocorreram normalmente. No momento em que escrevo, não há alegações significativas de fraude nem evidências críveis de que alguém tenha adulterado os registros de votação ou as urnas eletrônicas. (N. do E.: Na verdade, a pior fraude veio de Obama, conclamando os ilegais a votarem.) E, mais importante, os resultados não foram questionados por ninguém.

Apesar de podermos dar um suspiro coletivo de alívio, não podemos ignorar o problema e ficar esperando a próxima eleição. Os riscos permanecem.

Como os especialistas em segurança têm afirmado há anos, os nossos novos sistemas de votação computadorizados são vulneráveis a ataques tanto por hackers individuais como por hackers patrocionados por governos. É apenas uma questão de tempo antes que ocorra algum ataque.

Urnas eletrônicas podem ser invadidas, e as máquinas que não possuírem uma cédula de votação em papel que possa comprovar a escolha de cada eleitor podem ser invadidas de forma indetectável. Os registros de votação também são vulneráveis; todos eles são bancos de dados computadorizados cujas entradas podem ser apagadas ou alteradas para espalhar o caos no dia da eleição.

O sistema amplamente usado nos estados para a coleta e tabulação dos resultados de votação individual também é vulnerável. Apesar da diferença entre as vulnerabilidades teóricas talvez demonstráveis e um ataque real no dia da eleição ser considerável, nós tivemos sorte este ano. Não apenas a eleição presidencial está sob risco mas também as eleições estaduais e locais.

Para ser bem claro, não se trata de fraude por parte dos eleitores. Foi repetidamente demonstrado que o risco de pessoas inelegíveis votarem ou de pessoas votarem duas vezes é praticamente nulo e as “soluções” para esse problema são certamente medidas de supressão de eleitores. A fraude do sistema eleitoral, entretanto, é muito mais factível e muito mais inquietante.

Eis a minha preocupação. Um dia após uma eleição, alguém pode afirmar que o resultado foi obra de um hacker. Talvez um dos candidatos reclame de uma grande discrepância entre as pesquisas mais recentes e os resultados reais. Talvez uma pessoa anônima anuncie que hackeou uma marca particular de urna eletrônica, descrevendo em detalhes como o fez. Ou talvez seja uma falha de sistema durante o dia da eleição: urnas eletrônicas gravando significativamente menos votos do que o número de eleitores, ou zero votos para um candidato ou para outro. (Essas não são ocorrências teóricas; ambas já aconteceram nos Estados Unidos, apesar de terem ocorrido por erro, não por maldade.)

Não temos procedimentos sobre como proceder caso ocorra alguma dessas coisas. Não há manuais, não há uma equipe de especialistas, não há uma agência regulatória para nos orientar em meio a uma crise. Como nós definiremos se alguem hackeou o voto? Podemos recuperar os votos verdadeiros ou eles foram perdidos para sempre? O que faremos, então?

Em primeiro lugar, precisamos fazer mais para garantir a segurança do nosso sistema eleitoral. Devemos declarar que os nossos sistemas de votação são infraestrutura nacional crítica. Isso é em grande parte simbólico mas demonstra um compromisso para dar segurança às eleições e para tornar fundos e outros recursos disponíveis para os estados.

Precisamos definir padrões de segurança nacional para as urnas eletrônicas e financiar os estados para que possam obter urnas que atendam a esses padrões. Especialistas em segurança eleitoral podem lidar com detalhes técnicos mas as urnas precisam incluir uma cédula de votação em papel que permita um registro verificável pelos eleitores. A forma mais simples e mais confiável de fazer isso já é praticada em 37 estados: cédulas de papel com leitura ótica, assinaladas pelos eleitores, contadas pelo computador mas recontáveis à mão. E nós precisamos de um sistema de auditorias de segurança pré-eleição e pós-eleição para aumentar a confiabilidade do sistema.

Em segundo lugar, a fraude do sistema eleitoral, seja por uma potência estrangeira ou por um ator doméstico, é inevitável, e por isso precisamos de procedimentos detalhados a serem seguidos – procedimentos técnicos para saber o que aconteceu e procedimentos legais para saber o que fazer – que nos dêem, de forma eficiente, uma decisão eleitoral clara e imparcial. Deve haver um corpo independente de especialistas em segurança computacional para esclarecer o que aconteceu e um quadro independente de funcionários do sistema eleitoral, seja na Federal Election Commission ou em qualquer outro órgão, capacitado a determinar e implantar uma resposta apropriada.

Na ausência de tais medidas imparciais, as pessoas lutarão para defender o seu candidato e o seu partido. O que ocorreu na Flórida no ano de 2000 é um exemplo perfeito. O que poderia ter sido uma questão puramente técnica de determinar a intenção de cada eleitor tornou-se uma batalha por quem ganharia a presidência. Os debates sobre cartões anulados e cédulas danificadas, e sobre como extensa a recontagem devia ser feita, foram contestados por pessoas lutando por um resultado particular. Da mesma forma, após uma eleição hackeada, os interesses partidários colocarão uma pressão tremenda nos funcionários para que tomem decisões que se sobreponham à imparcialidade e à exatidão.

É por isso que precisamos construir juntos políticas para lidar com futuras fraudes eleitorais. Precisamos de procedimentos para avaliar alegações de urnas eletrônicas hackeadas. Precisamos de um claro e robusto processo de auditoria de eleição. E precisamos que tudo isso esteja pronto antes que uma eleição seja hackeada e que linhas de batalha sejam traçadas.

Em resposta à Flórida, o Help America Vote Act de 2002 exigiu que cada estado publicasse as suas próprias regras sobre o que constitui uma eleição. Alguns estados – Indiana, em particular – definiram uma “sala de situação” de ciber-especialistas públicos e privados prontos para ajudar se algo acontecesse. Apesar do Department of Homeland Security estar ajudando alguns estados com segurança eleitoral e o FBI e o Justice Departament terem feito algumas preparações esse ano, a abordagem tem sido fragmentada demais.

As eleições têm dois objetivos. Primeiro, e mais óbvio, servem para escolhermos um vencedor. Mas segundo, e igualmente importante, servem para convencer o perdedor – e todos os seus apoiadores – de que ele ou ela perdeu. Para atingir o primeiro objetivo, o sistema eleitoral tem de ser claro e preciso. Para atingir o segundo, tem de se mostrar claro e preciso.

Precisamos ter essas conversas antes que algo ocorra, quando cada um de nós pode se manter calmo e racional ao tratar dos problemas. A integridade das nossas eleições está em jogo, o que significa que a nossa democracia está em jogo.


Fonte: Mídia Sem Máscara


Artigo originalmente publicado no New York Times.


Tradução: Ricardo Hashimoto

quinta-feira, novembro 24, 2016

E então, o que o governo tem feito de bom para você recentemente?







Por outro lado, como a sua vida foi aprimorada pelo mundo digital?
por Jeffrey Tucker(*)


Quão sustentável é o modelo político do século XX nesta atual era digital? Eu não apostaria nele.

Os seguidos fracassos e falhas dos governos estão se tornando tão óbvios, e seus custos, tão intensos, que tudo isso terá de forçar alguma mudança. Alguém terá de ceder.

Apenas pense nas mais recentes calamidades fiscais dos estados e em todos os seus programas que foram criados com ampla fanfarra, mas que hoje fracassaram retumbantemente. Todos eles começaram com altas ambições, tendo "especialistas" em seu comando, contando com volumosos recursos dos pagadores de impostos, nababescas propagandas, e todo o poder do estado por trás delas. E no que deram? Em tragédia.

No que diz respeito aos serviços fornecidos pelo estado, não há segurança, não há educação, não há saúde, não há infraestrutura e não haverá aposentadoria. Quem se deu bem foram apenas os burocratas anônimos do alto escalão, exatamente aqueles que criaram tudo dizendo que seria uma maravilha para todos. Todo o resto do povo foi enganado e esbulhado pelo estado. Pagou impostos, pagou a previdência, recebeu em troca apenas descaso, e hoje está desempregado e endividado. E não haverá dinheiro para a sua prometida aposentadoria.

A social-democracia prometida e propagandeada pelo estado acabou. Foi atropelada pela realidade econômica. Políticos e burocratas criaram o estado de bem-estar prometendo redistribuir riqueza, fornecer serviços "gratuitos" e melhorar a vida de todos; apenas se esqueceram de que, para redistribuir riqueza e utilizá-la para bancar serviços "gratuitos", a riqueza não apenas tem de já ter sido criada, como ainda tem de ser continuamente criada. Mais: tem de ser criada a uma taxa maior do que é redistribuída. Caso contrário, todo o sistema sucumbe.

E, para a riqueza ser criada nessa velocidade, é necessário haver capitalismo e livre mercado. E isso foi exatamente o que não houve.

O mesmo erro de sempre

O que deu errado? Aquilo que sempre dá errado quando as elites políticas se imaginam capazes de controlar a economia e o mundo apenas com inteligência, recursos e poder. Inevitavelmente, a arrogância intelectual acaba sendo confrontada por uma realidade que não pode ser controlada. E a realidade sempre se impõe e sai vencedora. Humilhada e derrotada, a classe política se limita apenas a apenas inventar as desculpas de sempre, prometendo novos paliativos toscos, até finalmente ser obrigada a jogar a toalha e reconhecer os fatos da vida.

Eis o grande erro do século XX: a crença de que o governo pode fazer de tudo, desde que haja "pessoas capazes" em sua administração, recursos suficientes, e poder. Essa arrogância derrubou regimes ao redor do mundo, desde Lênin há 100 anos até Obama e sua trágica socialização do sistema de saúde americano. Essa teoria de que o estado pode tudo levou à criação de monstruosas burocracias, justificou várias guerras, e impulsionou a criação de aparatos legais e regulatórios com alcances imperiais.

A fé no estado ainda sobrevive entre as pessoas, embora com cada vez menos convicção. Mas os fracassos sucessivos conseguiram gerar dúvidas até mesmo entre intelectuais pró-regime e políticos convencionais. Porém, como todo o aparato estatal — bem como as estratégias utilizadas para arrancar dinheiro das pessoas para financiá-lo — depende deste modelo, uma mudança de paradigma não virá facilmente.

Um novo modelo

Para os jovens de hoje, seu distanciamento deste modelo de governo é palpável. Difícil imaginar como deve ser para um adolescente de 20 anos assistir ao debate político. Pessoas criadas na era digital vivem em um mundo completamente distinto, um mundo de opções seguras e de alta qualidade criadas pelo gênio humano. Recursos e bens de capital que antes só estavam disponíveis para as elites hoje estão ao alcance de todos, graças às inovações tecnológicas e à genuína democratização criada pelo livre mercado.

Hoje, qualquer pessoa pode fazer filmes pelo YouTube, e ganhar dinheiro com isso. Qualquer pessoa pode publicar livros pela internet. Qualquer pessoa tem o mesmo acesso à informação que todas as outras. Qualquer pessoa pode fazer da sua casa um hotel e ganhar dinheiro com isso. Qualquer pessoa pode fazer do seu carro um meio de transporte de passageiros, e ganhar dinheiro com isso. Qualquer pessoa pode ser um empreendedor sem ter de pedir autorização ao estado. Qualquer pessoa pode até mesmo criar uma nova moeda.

O mundo que eles mais amam está nas mídias sociais e nos aplicativos de smartphone. Nenhum foi criado por decreto governamental. Não houve legislação. Não receberam financiamento estatal. Nenhuma burocracia os aprovou. São amplamente desregulamentados. Não há nenhuma instituição coerciva impingido ordens para que funcionem bem.

Trata-se, na prática, de um cenário em que impera a "anarquia da comunicação", e esta é gerenciada não por políticos poderosos mas sim por criptografias e por empreendedores que se sujeitam apenas aos veredictos dos consumidores. A ausência de um controle feito de cima para baixo é a energia que os impulsiona. E funciona bem para todos.

Decisões sobre onde passar as férias, onde comer, o que comprar, o que vestir, a qual entretenimento ir — em suma, todo o lado bom da vida — são tomadas de acordo com um fluxo ininterrupto de informações que chegam a seus smartphones, os quais eles utilizam também para avaliar todos os tipos de bens e serviços de acordo com sua qualidade e com o fato de terem ou não realmente melhorado sua qualidade de vida.

No mundo digital, ninguém está no topo da cadeia de comando impondo ordens. Nenhum indivíduo ou instituição exerce veredictos decisivos sobre vencedores e perdedores. Isso fica a cargo de todos os consumidores (usuários) que atuam na rede, que é um sistema disperso de coleta e processamento de informações. Tal sistema sabe que há muito mais sabedoria nos julgamentos cumulativos feitos por milhões de indivíduos do que nos caprichos de uma autoridade centralizada.

Para essa geração jovem, é assim que o mundo melhora: uma escolha de cada vez.

Dois modelos, mundos totalmente separados

A distância que separa este modelo de gerenciamento digital daquele observado no cenário político nacional não poderia ser mais abissal. Na política, há candidatos prometendo restaurar as glórias do passado. Outros prometem futuros brilhantes e progressistas. O que impera é uma visão essencialmente revanchista. Esquerda e direita brigam entre si para recuperar o território que cada uma acredita ter perdido. Quando o debate não é apenas patético e pastelão, ele é repleto de casos de corrupção e favorecimento indevido. Esses são os dois cenários reais da política: pastelão e corrupção.

Se a política fosse um aplicativo de smartphone, sua avaliação seria tão epicamente baixa (menos que uma estrela) que ninguém jamais faria seu download.

Como essas duas visões de mundo podem coexistir? Por enquanto, seguem coexistindo, mas os custos estão cada vez mais evidentes, e os benefícios, cada vez mais ilusórios. Apenas olhe para seu contra-cheque (ou para seu cupom fiscal que discrimina os impostos embutidos em cada item comprado no supermercado) e veja quanto custa esse sistema antiquado e patético. Jovens que estão começando sua vida adulta agora estão preocupados com emprego, aluguel, contas, planos de saúde e carro. No entanto, eles olham para seus salários e para seus cupons fiscais e vêem uma vasta quantia de dinheiro lhes sendo confiscada e direcionada ao estado. Não há opção, ao contrário de todas as outras áreas de vida.

Crucialmente, os supostos benefícios trazidos pelos gastos do governo e por toda a sua onipotência não são de maneira alguma óbvios. O prestígio que outrora o governo e seus programas usufruíam parece ter evaporado. Apenas pense nisso. Gerações anteriores viram grandes obras, aberturas de estradas, construções de hidrelétricas, exploração do espaço e épicas batalhas no cenário internacional. Há décadas que nenhuma dessas demonstrações de impressionismo governamental aparece para o público crédulo.

A ilusão do governo barato está acabando

Antes, as pessoas pareciam genuinamente acreditar que estavam obtendo grandes ganhos com os programas do governo a custos que pareciam relativamente baixos — no mínimo, tais custos eram disfarçados por meio de variados truques, como inflação, imposto de renda retido na fonte (mecanismo diabolicamente genial, que oferece restituições ao longo do ano e confere a impressão de se estar ganhando dinheiro do governo) e endividamento barato. Mas esses dias de delícia acabaram. Os custos passaram a ser cada vez mais intensamente sentidos no século XXI, ao passo que os ilusórios benefícios se comprovaram uma enganação.

Previdência, saúde, educação, segurança, infraestrutura: não apenas nada funciona, como ainda custam muito caro. Até mesmo coisas como controle de qualidade dos produtos e serviços já estão sendo feitos pelos aplicativos e pelas redes sociais. E com resultados extremamente superiores do que os sucessivos fracassos do governo.

Os maiores pavores das pessoas hoje sempre envolvem encontros com agentes do governo: DETRAN, Receita Federal, Alfândega e qualquer repartição pública.

Para piorar, eleições

O ápice desse espetáculo de degeneração política são as eleições. Votar em alguém se tornou um ato tão repulsivo, que passou a ser moralmente doloroso. Não há o certo; há apenas o menos repugnante. A escolha que você faz se baseia no temor de que o outro candidato será ainda pior. Você não vota desejando o mundo que aquele candidato prometeu criar; você apenas quer impedir que outro seja eleito. De certa forma, voltamos àquela condição pré-moderna, algo corriqueiro na era das privações e da luta pela sobrevivência. Isso simplesmente não mais tem lugar no século XXI.

Séculos atrás, David Hume explicou que todo governo — mesmo com seus vastos poderes — só consegue se manter enquanto a população acreditar que ele está fazendo mais bem do que mal. A existência de algum nível de consenso é crucial para a estabilidade do regime. Mas o que acontecerá quando a credibilidade moral e prática do governo se esfacelar ao ponto do desaparecimento? Aí você terá uma verdadeira mudança de paradigma.

Há várias características da política do século XX que não mais se aplicam no século XXI. Todas aquelas pessoas criadas na era digital estão cientes disso, mesmo sem saber vocalizar esse sentimento. Nenhum sistema de governo pode sobreviver por muito tempo a este crescente volume de anomalias que está arrebentando o paradigma político vigente. Algo terá de mudar.

Conclusão

O que o governo fez de bom para você recentemente? Se você não consegue responder a esta pergunta rapidamente, você já percebeu o problema central da vida atual. Resta agora descobrir a resposta para tipo de sociedade que queremos construir para o futuro.


Fonte: Mises.org

(*)Jeffrey Tucker

terça-feira, novembro 22, 2016

Máquina de fazer dinheiro: a indústria milionária do aborto












por Hélio Angotti Neto(*)


O aborto é uma máquina de fazer dinheiro. Comece com um bebê ainda no útero de sua mãe, acrescente um carniceiro abortista ávido por verdinhas e obtenha mais duas vítimas sem muito esforço: a mãe e seu filho abortado. Equação sangrenta e lucrativa, pelo menos para o abortista.

Não exagero. Ou você realmente acha que médicos – se podemos chamá-los assim – matam fetos e bebês por caridade de suas alminhas santas?

Tome por exemplo a megaempresa abortista Planned Parenthood (PP), fundada pela eugenista Margareth Sanger, de quem falarei mais adiante e cujo legado de eliminação racial ainda perdura. Veja alguns números:

🔺 Realizou 323.999 abortos em 2014, isto é, ceifou 888 vidas por dia ou uma vida a cada 97 segundos. Um prodígio da carnificina.[2]

🔺 Foi responsável por um terço dos abortos realizados nos Estados Unidos em 2011 (333.964 em 1,06 milhões de mortes).[3]

🔺 De 2011 a 2014 fez 1.312.728 abortos e ofereceu mais 1,3 milhões de kits de contracepção de emergência (isto é, mais abortos farmacológicos).[4]

Verdade seja dita, o aborto é o holocausto contemporâneo dos indefesos.

Toda essa casuísta genocida é justificada, ou pelo menos amenizada, por meio de desculpas como aquela que afirma ser o aborto somente uma atividade minoritária entre os muitos serviços de saúde prestados pela PP. Pelo menos isso funciona como fator de alívio na cabeça de muitos abortistas.

Tais serviços de saúde incluiriam campanhas de prevenção contra o câncer de mama, acompanhamento pré-natal e referência para adoção. Porém, antes que uma lágrima comovida escorra do canto de algum olho de crocodilo, tenho que revelar que tais serviços têm caído de forma consistente nos últimos anos.[5]

A sangrenta realidade é que 94% do que a PP faz é abortar.[6]

Apesar de divulgarem a cifra mágica de 3% de serviços ligados ao aborto, uma análise da distorção estatística revela a marota manipulação de dados. Um pacote de serviço de pré-natal é contado, em cada visita, como um serviço isolado. Um atendimento com diversos procedimentos conta como um serviço isolado para cada procedimento. Nesse superfaturamento macabro, o principal serviço da PP – o aborto - é maquiado.[7]

A PP é tão boa em praticar a maldade que até ousam estipular uma cota de quantos bebês precisam morrer por ano.[8] Stálin, com suas cotas de deportados para Gulags na Sibéria, ficaria orgulhoso.

Apesar de a PP declarar-se como uma organização sem fins lucrativos, seu orçamento no biênio 2014-2015 foi de 1,3 bilhões de dólares.[9] Dessa montanha de dinheiro, 554 milhões de dólares saíram dos cofres públicos, sustentados por muitos cristãos a favor da vida.[10]

Como se não bastasse o lucro imoral obtido com a matança de milhões, a PP ainda foi capaz de faturar com a venda de pedaços de bebês e fetos. É um açougue de gente! [11]

Mas se não deu tempo de abortar, sem problemas. Há como lucrar enquanto são crianças, como mostra a cumplicidade com a prostituição infantil. Abortemos as crianças das crianças.[12]

Com tanto dinheiro na jogada, é claro que os abortistas lutarão com unhas e dentes – ou melhor, curetas e aspiradores – para que a fonte jamais seque. Embora se declarem apartidários, promovem intenso lobby e injetam dinheiro na campanha de candidatos abortistas em todas as instâncias políticas. [13]

De volta ao legado racista e eugenista da senhora Sanger, tão celebrada por progressistas como Hillary Clinton, nota-se que 79% das instalações abortistas ficam nas periferias onde habitam afrodescendentes e latinos.[14] Minorias perfazem 64% dos abortos nos Estados Unidos e para cada criança branca abortada são abortadas cinco crianças negras.[15] Há inclusive uma disposição em aceitar doações especialmente destinadas ao aborto seletivo de determinados grupos étnicos.[16] 

A próxima vez que você questionar sobre a razão de o aborto ser tão defendido por certos grupos de interesse, tenha em mente que, ao contrário de cuidar por meio da cura, do alívio e do consolo, matar é extremamente fácil, e muito lucrativo também.




[1] Artigo baseado no relatório do Family Research Council, de janeiro de 2016, disponível em: http://downloads.frc.org/EF/EF15F70.pdf

[2] “Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, https://www.plannedparenthood.org/files/2114/5089/0863/2014-2015_PPFA_Annual_Report_.pdf

[3] “Induced Abortion in the United States,” Guttmacher Institute, July 2014, accessed July 24, 2015, http://www.guttmacher.org/pubs/fb_induced_abortion.html; “Planned Parenthood, Care. No matter what, 2011-2012 Annual Report,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016,

[4] “Planned Parenthood, Care. No matter what, Annual Report 2011-2012,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, http://www.plannedparenthood.org/files/4912/9620/1413/PPFA_AR_2012_121812_vF.pdf ; “Planned Parenthood, Care. No matter what, Annual Report 2012-2013,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, http://www.plannedparenthood.org/files/7413/9620/1089/ARFY13_111213_vF_rev3_ISSUU.pdf ; “Planned Parenthood, Our Health. Our Decisions. Our Moment, Annual Report 2013-2014,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, http://www.plannedparenthood.org/files/6714/1996/2641/20132014_Annual_Report_FINAL_WEB_VERSION.pdf; “Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” Planned Parenthood Federation of America, accessed January 5, 2016, https://www.plannedparenthood.org/files/2114/5089/0863/2014-2015_PPFA_Annual_Report_.pdf ; Susan Wills, Esq. “New Studies Show All Emergency Contraceptives Can Cause Early Abortion,” Charlotte Lozier Institute, January 1, 2014, accessed July 24, 2015, https://www.lozierinstitute.org/emergencycontraceptives/ .

[5] “Planned Parenthood, 2011-2012 Annual Report,” p. 2-3; “Breast Health Initiative,” Planned Parenthood, accessed July 24, 2015, http://www.plannedparenthood.org/about-us/newsroom/breast-healthinitiative ; “Planned Parenthood and Mammograms,” Fact Check, October 18, 2012, accessed July 24, 2015, http://www.factcheck.org/2012/10/planned-parenthood-and-mammograms/ ; “Cecile Richards Lied About Mammograms, Finally Comes Clean,” Breitbart, accessed October 6, 2015, http://www.breitbart.com/big-government/2015/09/30/cecile-richards-lied-mammograms-finallycomes-clean/

[6] “Planned Parenthood, 2011-2012 Annual Report,” accessed July 24, 2015, p. 5.

[7] Abby Johnson, “Planned Parenthood Business Model All About Abortion,” LifeNews.com, April 5, 2011, accessed July 24, 2015, http://www.lifenews.com/2011/04/05/abby-johnson-planned-parenthoodbusiness-model-all-about-abortion/ ; Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” accessed January 5, 2016, p. 30.

[8] “Exposed: Former Planned Parenthood Director Says It Has Abortion Quotas,” LifeNews.com, accessed October 8, 2015, http://www.lifenews.com/2014/04/16/exposed-former-planned-parenthood-directorsays-it-has-abortion-quotas/

[9] Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” accessed January 5, 2016, p. 34.

[10] Planned Parenthood, 2014-2015 Annual Report,” accessed January 5, 2016, p. 32-33.

[11] “Investigative Footage,” The Center for Medical Progress, accessed July 24, 2015, http://centerformedicalprogress.org/cmp/investigative-footage ; Abby Ohlheiser, “Congressional, state investigations into Planned Parenthood underway after undercover video goes viral,” The Washington Post, July 15, 2015, accessed July 24, 2015, http://www.washingtonpost.com/news/acts-of-faith/wp/2015/07/15/congressional-stateinvestigations-into-planned-parenthood-underway-after-undercover-video-goes-viral

[12] “Exposing Planned Parenthood’s Cover-up of Child Sex Trafficking,” Live Action, accessed July 24, 2015, http://liveaction.org/traffick

[13] “Planned Parenthood,” The Sunlight Foundation, Influence Explorer, accessed July 24, 2015, http://influenceexplorer.com/organization/planned-parenthood/a3bf2b2a33a84534a706a2d04c52de95

[14] “Map Guide,” Protecting Black Life, accessed October 20, 2015, http://www.protectingblacklife.org/pp_targets/

[15] Susan A. Cohen, “Abortion and Women of Color: The Bigger Picture,” Guttmacher Policy Review 11, (Summer 2008): 3, accessed July 24, 2015, http://www.guttmacher.org/pubs/gpr/11/3/gpr110302.html

[16] The Planned Parenthood Racism Project, Live Action, accessed July 24, 2015, http://liveaction.org/theplanned-parenthood-racism-project/

Fonte: Midia Sem Máscara.

(*)Hélio Angotti Neto é coordenador do Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina e autor do livro A Morte da Medicina.