terça-feira, outubro 16, 2018

Como o feminismo se equivoca em relação ao capitalismo




E por que homens tendem a ganhar mais do que mulheres.

por Ivan Carrino(*).  

Terminei de ler o livro Economia Feminista - Como construir uma sociedade igualitária (sem perder o glamour), escrito pela doutora em economia Mercedes D'Alessandro, uma das principais ícones do feminismo mundial.

No livro, a economista — que possui formação marxista e é autodeclarada feminista — propõe uma análise centrada na desigualdade. Mas não na desigualdade de riqueza ou de patrimônios, mas sim na desigualdade de gênero. Ou seja, na desigualdade entre homens e mulheres.

Segundo D'Alessandro, a sociedade atual apresenta uma grande disparidade entre os gêneros, evidenciada nas diferenças de salários e no peso que as tarefas do lar exercem sobre a mulher. Essas disparidades de gênero, sentencia a autora, são culpa do capitalismo.

A solução proposta, embora não explicitamente declarada no livro, passa por uma maior regulação estatal.

A obra é um bom resumo dos pontos de vista econômicos do movimento feminista. Não obstante, está eivada de contradições e de problemas de argumentação. Acima de tudo: ela apresenta um diagnóstico errado sobre a situação atual.

A primeira grande inconsistência surge logo em sua proposta. Segundo D'Alessandro, seu livro "se propõe a pensar uma forma de organização social em que as mulheres tenham uma função diferente da que têm hoje".

A pergunta que imediatamente surge é: exatamente a que função ela se refere? À de uma profissional independente de 40 anos de idade? À de uma professora de escola primária? À de uma CEO de uma grande empresa? À de Christine Lagarde, diretora mundial do FMI?

Não seria um tanto pretensioso da parte da doutora D'Alessandro se auto-arrogar a representação de todas as mulheres do planeta e então pressupor que elas exercem hoje um papel que não desejam?

O segundo ponto controverso é que a doutora D'Alessandro sustenta que o trabalho doméstico (segundo suas estatísticas, 9 de cada 10 mulheres realizam esse tipo de trabalho independentemente de terem ou não um emprego fora de casa) é um emprego não-remunerado, e isso equivale a uma exploração.

Esta ideia é falsa.

Imagine um casal qualquer. Os dois membros voluntariamente chegam à decisão de que um deles permanecerá cuidando do lar. De mútuo acordo, "A" organiza a vida do lar enquanto "B" sai ao mercado para trabalhar diariamente em troca de um salário. Em muitas famílias, este é exatamente o arranjo vigente.

Sendo assim, é fato que A realiza um trabalho dentro do lar, da mesma maneira que B o realiza fora do lar. No entanto, não é correto dizer que A não seja remunerado pelo que faz.

Em definitivo, a renda de B se transforma na renda familiar, e serve para prover a todo o grupo. Neste caso, a família, ou o casal, funciona como uma equipe que divide as tarefas. Porém, ambas as tarefas são remuneradas. B trabalha no mercado em troca de um salário, o qual também será usufruído por A.

Logo, A também recebe uma remuneração, a qual se dá na forma de um teto sob o qual viver, na capacidade de consumir o que ambos decidirem comprar (ou na capacidade de consumir tudo aquilo que A quiser, desde que caiba na renda mensal de B), em poder usufruir uma viagem de turismo etc.

Essa ideia de que o trabalho doméstico não é remunerado seria a mais infeliz do livro se não fosse pela incoerente crítica que a autora faz ao capitalismo. D'Alessandro afirma que "em uma sociedade configurada por relações monetárias, a falta de salário transformou uma forma de exploração [os afazeres domésticos] em uma atividade normal".

Mas o fato é que, graças ao capitalismo, a mulher tem um papel cada vez mais importante no mercado de trabalho. De acordo com Steven Horwitz:
Dois fenômenos começaram a ocorrer no século XX, os quais, ao final, alteraram aquilo que até então era visto como um arranjo familiar estável. Primeiro, a inovação tecnológica lentamente começou a produzir máquinas (como a máquina de lavar e o aspirador de pó) que reduziram o tempo de trabalho despendido nas tarefas domésticas. Segundo, o crescimento econômico impulsionado pela economia de mercado aumentou a demanda por mão-de-obra (inclusive feminina) e continuou elevando o poder de compra dos salários.


Ou seja, graças ao crescimento da economia de mercado, é cada vez menos necessária a presença permanente de uma pessoa no lar para os afazeres domésticos, de modo que a ideia básica de "um homem trabalhando e uma mulher dentro de casa" vai perdendo sustentação.

Aliás, é exatamente em economias pouco capitalistas — atrasadas — que há uma menor oferta de ferramentas e máquinas que fazem as tarefas domésticas. Máquinas de lavar roupa, de lavar louça, aspiradores de pó e secadores — instrumentos que reduzem o fardo das tarefas domésticas — são bens caros e de oferta limitada nos países pouco capitalistas, exatamente o arranjo defendido pela doutora D'Alessandro.

O mais curioso é que a própria doutora D'Alessandro reconhece que o capitalismo gerou um avanço — do ponto de vista feminista — na participação da mulher no mercado de trabalho. Segundo seu livro:
Nos anos 1960, somente 2 de cada 10 mulheres trabalhavam fora de casa. Hoje, são quase 7 em cada 10.

Adicionalmente, o livro afirma que, nos EUA, para cada dólar pago a um homem, uma mulher recebe, em média, 79 centavos de dólar. No entanto, a própria autora reconhece que, há 50 anos, esse valor era de 59 centavos de dólar, o que significa que ele cresceu nada menos que 20 pontos.

Finalmente, a autora também reconhece a melhora ocorrida dentro do mundo corporativo:
Nas últimas décadas, as mulheres melhoraram seu acesso a cargos altos. Segundo o censo dos Estados Unidos, em 1980, somente 7% das mulheres possuía um emprego administrativo ou presidencial, sendo que tal cifra era de 17% para os homens. Em 2010, esta diferença já havia praticamente desaparecido.

Apesar de reconhecer essas tendências favoráveis, a doutora D'Alessandro não deixa de afirmar que "as diferenças salariais entre homens e mulheres já duram mais de duzentos anos e não há sinais de que irão mudar substantivamente".

Só que essa afirmação da doutora está em total contradição com as cifras que ela própria mencionou apenas alguns parágrafos antes.

A incoerência

A verdade é que a economia feminista parte de uma premissa totalmente equivocada: ela considera que todas as mulheres formam um grupo único e homogêneo, desconsiderando todas as nuanças e diferenças que existem entre os membros desse grupo. Ou seja, em vez de partir de uma análise individual, o feminismo recorre diretamente a agregações coletivistas, desta forma supondo que todas as mulheres são iguais e querem exatamente os mesmos objetivos.

Algo que já começa com pressuposições erradas não tem como chegar a conclusões corretas e lógicas.

Em segundo lugar, a economia feminista assume erroneamente que toda atividade que não tenha um salário monetário como contrapartida equivale a exploração.

Por último, acusa incoerentemente o capitalismo pelas desigualdades, sendo que foi exatamente este sistema o que mais fez para melhorar as condições de vida tanto dos homens quanto das mulheres. Principalmente: foi o sistema que libertou as mulheres da necessidade de se casar apenas para obter um sustento econômico.

O feminismo se equivoca em relação ao capitalismo. E, ao condená-lo, está jogando contra seus próprios interesses: o maior bem-estar econômico das mulheres ao redor do mundo.

Complemento do IMB

Em um mercado de trabalho com liberdade de contratação e demissão, é impossível haver divergências salariais entre homens e mulheres em decorrência unicamente de discriminação. 

Se as mulheres de fato ganhassem menos que os homens para realizar as mesmas tarefas, empresas que buscam o lucro só contratariam mulheres. Diante de dois candidatos com o mesmo potencial, o patrão contrataria o mais barato.

Ou seja, se de fato houvesse tal discriminação, qualquer empregador iria obter lucros fáceis contratando mulheres e dispensando homens, uma vez que as mulheres poderiam receber um salário menor para fazer exatamente o mesmo trabalho. Consequentemente, a concorrência entre os empregadores iria elevar os salários das mulheres e, assim, abolir qualquer diferença salarial que porventura exista.

Logo, sempre e em qualquer ocasião que houver qualquer tipo de discriminação salarial — e isto vale não apenas para gêneros, mas também para cor de pele, religiões, etnias etc. —, o capitalismo irá abolir tal situação, e não aprofundá-la. E o motivo essencial é que um empregador que permite que seus preconceitos turvem seu juízo de valor estará criando uma oportunidade de lucro para seus concorrentes. 

Uma mulher que produz $75.000 por ano em receitas para seu patrão, mas que recebe, digamos, $20.000 a menos que um empregado masculino igualmente produtivo, poderá ser contratada por um concorrente por, digamos, $10.000 a mais do que recebe hoje e ainda assim permitir que este novo empregador embolse os $10.000 de diferença. 

À medida que este processo concorrencial for se aprofundando ele irá, ao fim e ao cabo, elevar os salários femininos ao ponto de paridade com os salários masculinos caso a concorrência salarial seja vigorosa o bastante.

A realidade é que há outros fatores indeléveis nessa questão da divergência salarial entre homens e mulheres. Por exemplo, em termos gerais, a probabilidade de as mulheres saírem da força de trabalho por um período de tempo — por causa de gravidez, criação e educação de filhos e outras tarefas (das quais a maioria dos homens se esquiva) — é maior que a dos homens. As mulheres são muito mais propensas que os homens a se ausentar do mercado de trabalho por um período de tempo (anos) para se dedicar à família. E mesmo que não façam isso, elas tendem a gastar muito mais tempo que os homens cuidando das crianças e das tarefas domésticas. Consequentemente, elas ficam atrás de seus colegas homens em termos de acumulação de capital, produtividade e salários.

No entanto, explicações muito mais explosivas sobre diferenças salariais podem ser encontradas no livro do professor James T. Bennett, do departamento de economia da George Mason University, intitulado The Politics of American Feminism: Gender Conflict in Contemporary Society

Neste livro, o professor Bennett enumera mais de vinte motivos por que os homens ganham mais que as mulheres. Cumulativamente, tais explicações explicam por completo a existência de qualquer "disparidade salarial", embora o próprio Bennett acredite que a discriminação salarial por gênero não seja algo inexistente. 

Os motivos, baseados em generalizações respaldadas por volumosas estatísticas, são:
  • Homens têm mais interesse por tecnologia e ciências naturais do que as mulheres.
  • Homens são mais propensos a aceitar trabalhos perigosos, e tais empregos pagam mais do que empregos mais confortáveis e seguros.
  • Homens são mais dispostos a se expor a climas inclementes em seu trabalho, e são compensados por isso ("diferenças compensatórias" no linguajar econômico).
  • Homens tendem a aceitar empregos mais estressantes que não sigam a típica rotina de oito horas de trabalho em horários convencionais.
  • Muitas mulheres preferem a satisfação pessoal no emprego (profissões voltadas para a assistência a crianças e idosos, por exemplo) a salários mais altos.
  • Homens, em geral, gostam de correr mais riscos que mulheres. Maiores riscos levam a recompensas mais altas.
  • Horários de trabalho mais atípicos pagam mais, e homens são mais propensos que as mulheres a aceitar trabalhar em tais horários.
  • Empregos perigosos (carvoaria) pagam mais e são dominados por homens.
  • Homens tendem a "atualizar" suas qualificações de trabalho mais frequentemente do que mulheres.
  • Homens são mais propensos a trabalhar em jornadas mais longas, o que aumenta a divergência salarial.
  • Mulheres tendem a ter mais "interrupções" em suas carreiras, principalmente por causa da gravidez, da criação e da educação de seus filhos. E menos experiência significa salários menores.
  • Mulheres apresentam uma probabilidade nove vezes maior do que os homens de sair do trabalho por "razões familiares". Menos tempo de serviço leva a menores salários.
  • Homens trabalham mais semanas por ano do que mulheres.
  • Homens apresentam a metade da taxa de absenteísmo das mulheres. 
  • Homens são mais dispostos a aturar longas viagens diárias para o local de trabalho.
  • Homens são mais propensos a se transferir para locais indesejáveis em troca de empregos que pagam mais.
  • Homens são mais propensos a aceitar empregos que exigem viagens constantes.
  • No mundo corporativo, homens são mais propensos a escolher áreas de salários mais altos, como finanças e vendas, ao passo que as mulheres são mais predominantes em áreas que pagam menos, como recursos humanos e relações públicas.
  • Quando homens e mulheres possuem o mesmo cargo, as responsabilidades masculinas tendem a ser maiores.
  • Homens são mais propensos a trabalhar por comissão; mulheres são mais propensas a procurar empregos que deem mais estabilidade. O primeiro apresenta maiores potenciais de ganho.
  • Mulheres atribuem maior valor à flexibilidade, a um ambiente de trabalho mais humano e a ter mais tempo para os filhos e para a família.


Portanto, os grupos feministas organizados que querem impor salários maiores para as mulheres deveriam prestar mais atenção a estes determinantes e se concentrar menos em cruzadas quixotescas como legislações sobre "diversidade e igualdade" que demonizam empregados e patrões homens.

Porém, a lógica econômica é normalmente suprimida por grupos ativistas que julgam ser muito mais fácil e produtivo simplesmente difamar aqueles que tentam explicar que há motivos economicamente racionais para a existência de eventuais divergências salariais entre homens e mulheres.

(Texto originalmente publicado em 08/03/18)
(*)Iván Carrino é analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na Argentina e possui mestrado em Economia Austriaca pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri.

by Instituto Mises Brasil

quarta-feira, outubro 10, 2018

O partido anti-Lula







por José Roberto Guzzo(*).

Durante as próximas três semanas você vai ler, ver e ouvir um oceano de explicações perfeitas sobre o que aconteceu nas eleições deste domingo – e em todas elas, naturalmente, os cérebros da análise política nacional dirão ao público o quanto acertaram nos seus pronunciamentos durante a campanha eleitoral, embora tenha acontecido em geral o contrário de quase tudo que disseram. A mesma cantoria, com alguns retoques, deve ser feita daqui para frente para lhe instruir em relação ao desfecho do segundo turno, no próximo dia 28 de outubro. Em favor da economia de tempo, assim, pode ser útil anotar algumas realidades básicas que o primeiro turno deixou demonstradas.

1 – A grande força política que existe no Brasil de hoje se chama anti-petismo. É isso que deu ao primeiro colocado, Jair Bolsonaro, 18 milhões de votos a mais que o total obtido pelo “poste” do ex-presidente Lula. Esqueça a “onda conservadora”, o avanço do “fascismo”, as ameaças de “retrocesso” – bem como toda essa discussão sobre homofobia, racismo, machismo, defesa da ditadura e mais do mesmo. Esqueça, obviamente, a força do PSL, que é nenhuma, ou o esquema político do candidato, que não existe. O que há na vida real é uma rejeição tamanho gigante contra Lula e tudo o que cheira à Lula. Quem melhor soube representar essa repulsa foi Bolsonaro. Por isso, e só por isso, ficou com o primeiro lugar.

2 – O PT, como já havia acontecido nas eleições municipais de 2016, foi triturado pela massa dos eleitores brasileiros. Seu candidato a presidente não conseguiu mais que um quarto dos votos. Os candidatos do partido a governador nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tiveram votações ridículas. Todos os seus candidatos “ícone” ao Senado, como Dilma Rousseff em Minas Gerais, Eduardo Suplicy em São Paulo e Lindbergh Farias no Rio de Janeiro foram transformados em paçoca, deixando o PT sem um único senador nos três maiores colégios eleitorais do Brasil. Mais uma vez, o partido só tem a festejar a votação no Nordeste – e mais uma vez, ali, aparece aliado com tudo que existe de mais atrasado na política brasileira.

3 – A força política de Lula, que continua sendo descrito como um gênio incomparável no “jogo do poder”, é do exato tamanho dos resultados obtidos nas urnas pelo seu “poste”. As mais extraordinárias profecias vêm sendo repetidas, há meses, sobre a sua capacidade de “transferir votos” e a sua inteligência praticamente sobre-humana em tudo o que se refere à política. Encerrada a apuração, Lula continua exatamente onde estava – trancado num xadrez em Curitiba e com muito cartaz do “New York Times”, mas sem força para mandar em nada.

4 – Os institutos de “pesquisa de intenção de voto”, mais uma vez, fizeram previsões calamitosamente erradas. Dilma, segundo garantiam, ia ser a “senadora mais votada do Brasil”. Ficou num quarto lugar humilhante. Suplicy, uma espécie de Tiririca-2 de São Paulo, também era dado como “eleito”. Foi varrido do mapa. Os primeiros colocados para governador de Minas e Rio de Janeiro foram ignorados pelas pesquisas praticamente até a véspera da eleição. Tinham 1% dos votos, ou coisa que o valha. Deu no que deu.

5 – O tempo de televisão e rádio no horário eleitoral obrigatório, sempre tido como uma vantagem monumental - e sempre vendido a peso de ouro pelas gangues partidárias - está valendo zero em termos nacionais. Geraldo Alckmin tinha o maior espaço nos meios eletrônicos. Acabou com menos de 5% dos votos. Bolsonaro não tinha nem 1 minuto. Foi o primeiro colocado. Parece não valer mais nada, igualmente, a propaganda fabricada por gênios do “marketing eleitoral” da modalidade Duda Mendonça-João Santana – caríssima, paga com dinheiro roubado e criada numa usina central de produção. A votação de Bolsonaro foi construída nas redes sociais, sem comando único e sem verbas milionárias.

Daqui até 28 de outubro o público será apresentado à outras previsões, teoremas e choques de sabedoria. É bom não perder de vista o que acaba de acontecer antes de acreditar no que lhe anunciam para o futuro.

(*) José Roberto Guzzo é jornalista Veja (perfil facebook aqui)

quinta-feira, outubro 04, 2018

Catar: Generoso Financiador de Mesquitas Francesas


Mesquita em Saint-Etienne-du-Rouvray, Normandia, cidade onde aconteceu o ataque a uma igreja que culminou na morte do padre Jacques Hamel, de 84 anos, degolado após dois homens armados com faca adentrarem na Igreja(Foto: François Mori/AP)

por Giulio Meotti.



As atividades do Catar na França deveriam causar muita inquietação naqueles que se preocupam com a estabilidade das democracias europeias. Durante anos o Catar tem sido o motivo de muitas reclamações no que diz respeito ao fundamentalismo islâmico e seu suposto apoio à Irmandade Muçulmana, Irã, ISIS, elementos da Al-Qaeda, Hamas, Talibã e outros extremistas.

O emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani, proporcionou recentemente provas contundentes que a França é campo fértil para a projeção de seu país que por mais de um ano tem sido boicotado pelos seus vizinhos do Golfo Em julho houve o terceiro encontro em poucos meses, em Paris, entre o emir do Qatar e o presidente da França, Emmanuel Macron. Já foram assinados contratos superiores a 12 bilhões de euros, tornando o Qatar o terceiro maior consumidor de produtos franceses do Golfo, perdendo somente para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. O Catar, no entanto, é motivo de desconforto não somente em relação à economia francesa.

O dinheiro do Qatar financia muitas das "mega mesquitas" da França. São enormes estruturas com minaretes, não aquelas mesquitas improvisadas que apareceram em garagens, lojas e centros culturais. A Grande Mesquita de Poitiers, por exemplo, fica nas proximidades do local onde ocorreu a Batalha de Tours (também conhecida como Batalha de Poitiers), onde Charles Martel, soberano dos francos, deteve o avanço do exército muçulmano de Abdul al-Rahman no ano 732.

Boubaker El-Hadj Amor, imã da Poitiers de hoje, ressaltou que a construção da mesquita, que tem auditório de orações para 700 fiéis e um minarete de 22 metros de altura, foi possível graças ao dinheiro desembolsado pela organização "Qatar Charity". Em um vídeo, o imã de Poitiers reconhece ter se beneficiado dos fundos do Catar para continuar com a construção da mesquita, interrompida por vários anos devido à falta de financiamento dos fiéis locais. "O que construímos é graças a Alá e com a ajuda da organização Qatar Charity", salientou o imã.

De acordo com o jornal Libération:

"presenciamos atualmente a um relativo amordaçamento dos parceiros históricos do Islã na França: Marrocos e Argélia. Embora permaneçam doadores importantes, mantêm laços estreitos com as primeiras gerações de imigrantes e têm assegurado posições chave no Conselho Francês da Fé Muçulmana (CFCM), esses dois países veem sua influência encolher na geração mais nova."
"O Catar opera se infiltrando traiçoeiramente, embora consensualmente, na União das Organizações Islâmicas da França (UOIF), representante na França da Irmandade Muçulmana."


"A intenção do Qatar era assumir o controle do Islã na França através da UOIF", realça Georges Malbrounot repórter do jornal Le Figaro e coautor do livro "Nos très chers émirs"("Nossos queridos Emires") sobre as relações entre a França e o Catar.


Sua minarete de 17 metros de altura, a gigantesca cúpula de 14 metros e sua iluminação exterior noturna, a mesquita Assalam "ilumina a cidade de Nantes." A mesquita aparentemente responde aos verdadeiros anseios dos muçulmanos da cidade. Os fiéis costumavam rezar na Mesquita Arrahma e na Mesquita El Forqane (antiga Capela Cristã de Saint-Christophe antes de ser transformada em um salão para orações islâmicas), mas os líderes da comunidade muçulmana dizem que elas são pequenas demais para as necessidades da comunidade.



O dinheiro do Catar também está fluindo para Mulhouse, cidade da Alsácia, onde a Qatar Charity ajudou a construir o Centro An Nour, que contém uma enorme mesquita, "uma das mais impressionantes da Europa". A mídia do catari retratou o projeto da seguinte maneira:
"O centro encontra-se estrategicamente localizado na região fronteiriça da França, Alemanha e Suíça, onde os muçulmanos somam mais de 20% da população da cidade que é de 256 mil habitantes. Mais de 150 mil pessoas dos três países usufruirão da obra".

Em Marselha, o dinheiro do Catar também financia a futura Grande Mesquita de Marselha que acomodará de 10 mil a 14 mil fiéis, em uma cidade que já abriga "cerca de 70 mesquitas e salões oficiais para as orações"segundo o Conselho Regional da Fé Muçulmana. Além disso, o governo do Catar, tem doado milhões de euros à Grande Mesquita de Paris.

Dos estados do Golfo Pérsico, ao que tudo indica, o Catar é o mais expressivo no tocante à criação da história islâmica na França. Bernard Godard, que durante anos serviu como consultor sobre o Islã para o Ministério do Interior, ressaltou: "não se pode afirmar que o Islã na França seja financiado principalmente pela Arábia Saudita. Ela contribui um pouco, mas bem menos do que países como o Catar ou Kuwait". O estudioso francês Bérengère Bonte escreveu um livro no ano passado intitulado:A República Francesa do Catar("La République française du Qatar").

O Catar, ao que consta, também ajudou a financiar o campus Saint-Denis do European Institute of Human Sciences (IESH) Essa "Universidade Muçulmana" privada, oferece cursos de língua e teologia árabes para estudantes muçulmanos pós-graduados. Em quinze anos, as matrículas saltaram de 180 alunos para cerca de 1.500.

O Catar também está por trás da primeira escola de fé muçulmana financiada pelo estado, a Lycée-Collège Averroès. A escola estava no centro de uma altercação há alguns anos quando um de seus professores pediu demissão por ter escrito que a escola era "um foco de antissemitismo e que 'promovia o islamismo' aos alunos". A escola é financiada com dinheiro público, mensalidade escolar e doações da comunidade muçulmana. Mas quando se tornou necessário comprar um novo edifício e reformá-lo ao custo de 2,5 milhões de euros, o Banco de Desenvolvimento da Arábia Saudita concordou em pagar 250 mil euros e a ONG Qatar Charity 800 mil. De acordo com o jornal Libération:
"Mas quando se tornou necessário comprar um novo edifício e reformá-lo ao custo de 2,5 milhões de euros, o Banco de Desenvolvimento da Arábia Saudita concordou em pagar 250 mil euros e a ONG Qatar Charity 800 mil.

Eis que surge "a Grande Mesquita de Saint-Denis," localizada no subúrbio parisiense de Saint-Denis, que concentra um alto contingente de imigrantes muçulmanos. Ahmed Jamaleddine, tesoureiro da associação Amal, que está por trás da construção da mesquita, salienta: "recebemos financiamento do exterior... Tudo é transparente: os recursos são enviados pelos fiéis da Arábia Saudita e do Catar".

A famosa catedral, Basílica de Saint-Denis, também está localizada em Saint-Denis, nela se encontra a necrópole real onde estão enterrados inúmeros reis franceses, entre eles Charles Martel, citado acima, que conteve o avanço do exército muçulmano em 732.

Parece que o Emir do Catar sabe muito mais da história francesa do que muitos franceses. As democracias fariam um bem a si próprias se abrissem os olhos em relação ao Catar.


(*)Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
Original em inglês: Qatar: France's Generous Financer of Mosques
Tradução: Joseph Skilnik
Direitos Autorais © 2018 Gatestone Institute.

quarta-feira, setembro 12, 2018

Morte passou a dois milímetros de mim







por Everthon Garcia(*).


O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, afirmou na última sexta-feira, 7/09, que a morte passou “a dois milímetros” dele. A declaração do presidenciável, esfaqueado no abdômen em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) na tarde de ontem, aparece em um vídeo gravado e divulgado pelo pastor evangélico Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus, durante uma visita no hospital Albert Einstein, em São Paulo, para onde o candidato foi transferido na manhã de 7 de setembro.

“Se é que a gente pode falar em distância, a morte esteve distante dois milímetros de mim. A faca passou dois milímetros da minha [veia] cava, eu perdi dois litros de sangue que foram drenados. Se fosse mais três minutos o atendimento, o pessoal diz que eu tinha morrido, é um milagre”, disse Bolsonaro, com dificuldades de falar, ao lado de Malafaia 


Na visita ao candidato do PSL à Presidência, acompanhada também pelo senador Magno Malta (PR-ES) e filhos de Bolsonaro, Silas Malafaia fez orações pelo candidato e disse que “não vai ser essa cambada aí que é contra valores de família, bem-estar da nação que vai destruir o nosso país não”.





Em entrevista na última quinta-feira (6/09), o cirurgião Luiz Henrique Borsato, da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, que conduziu a operação de cerca de quatro horas, apontou que a facada desferida por Adelio Bispo de Oliveira em Bolsonaro causou uma “volumosa hemorragia interna”, deixou três perfurações no intestino delgado do presidenciável, que foram suturadas, e uma “lesão grave” no cólon transverso, uma porção do intestino grosso. Neste caso, não houve pontos, mas um procedimento conhecido como colostomia, que consiste na exteriorização de parte do intestino em uma bolsa, onde são excretados fezes e gases.


Segundo o cirurgião, Bolsonaro deve ficar cerca de dois meses com a bolsa da colostomia e, então, será operado novamente para reverter o procedimento. Como o prazo terminaria depois das eleições, o médico foi questionado sobre se a colostomia impediria o candidato de fazer campanha. Ele respondeu que há pacientes que convivem com a bolsa permanentemente, com “qualidade de vida”.

➤     Entendendo a Defesa "Filantrópica" do agressor 


Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro (PSL) preso em flagrante na quinta-feira, 06 de setembro, após a tentativa de assassinato do candidato à presidência, está cercado de mistérios: tem quatro advogados de escritórios de alto padrão, estava na cidade com hospedagem paga em dinheiro vivo, quatro celulares, um notebook e diversos outros detalhes não esclarecidos.

As principais perguntas a serem respondidas são, também, origem de muita desconfiança. Nas redes sociais, desde que surgiram as primeiras informações sobre o militante de esquerda, ex-filiado ao PSOL, questiona-se como seriam custeados os honorários dos advogados famosos, como o servente de pedreiro desempregado teria pago suas despesas de hospedagem e quais as ligações com denominações religiosas.
Advogados

Na sexta-feira, 07 de setembro, as informações – desencontradas – começaram a surgir. De acordo com o portal O Antagonista (a partir de publicações do Uol), “um dos quatro advogados de Adélio Bispo de Oliveira, o agressor de Jair Bolsonaro, disse que a equipe foi contratada depois de um contato de familiares e membros das Testemunhas de Jeová”.

“Fomos contatados por membros da igreja para que viéssemos aqui”, declarou Zanone Manuel de Oliveira Júnior, advogado que ficou famoso por atuar na defesa do ex-goleiro Bruno.

⟴O departamento jurídico das Testemunhas de Jeová avalia ingressar hoje na Justiça contra o criminalista Zanone Oliveira Junior por ter declarado que foi contratado para defender o agressor de Jair Bolsonaro por uma pessoa ligada à igreja, informa a Coluna do Estadão.
A avaliação é que o advogado envolveu a imagem da igreja no episódio para ajudar a estigmatizar seu cliente ainda mais.

O pastor Antônio Levi de Carvalho, da Igreja do Evangelho Quadrangular em Montes Claros, negou também a O Estado de Minas que esteja custeando os gastos com os advogados de Adélio Bispo de Oliveira, autor do atentado contra Jair Bolsonaro.

Ao jornal mineiro, ele disse:

“A igreja não reconhece o senhor Adélio como membro. A igreja não pagou absolutamente nada de custas processuais dos advogados do senhor Adélio.”

E completou:

“Conhecemos a realidade da nossa cidade, que é difícil. Quem aqui teria dinheiro para contratar advogados de um calibre desse?”

Essa versão, entretanto, mudou dois dias depois, quando Zanone disse que a defesa está sendo paga por um conhecido da igreja que Adélio frequenta: “É filantropia. Eu não sei por meio de qual igreja eles se conhecem. Adélio tem conhecidos que são Testemunhas de Jeová, mas não tenho certeza se a pessoa que me contratou é Testemunha de Jeová”, declarou.

Em outra entrevista, Zanone voltou a falar da contratação de seus serviços, dizendo que havia sido contratado por um homem da cidade de Montes Claros (MG), que seria frequentador da mesma igreja de Adélio, e que a equipe que atuava a seu lado tinha sido contratada apenas para os primeiros dias do processo, sem revelar a identidade do contratante, segundo o G1.

Fernando Costa Oliveira Magalhães, outro advogado de Adélio (também conhecido por atuar no caso Bruno), alegou que sua atuação não tem ligação com partidos políticos ou nomes públicos conhecidos, também recusou revelar a identidade de quem o contratou e quanto foi pago pelos serviços, embora tenha dado uma versão levemente diferente da apresentada por Zanone.

Segundo o jornal Estado de Minas, Magalhães afirmou que ele e os demais advogados haviam sido “contratados a partir de uma congregação de Montes Claros, que pediu sigilo”. Porém, essa versão foi modificada novamente no sábado, por Zanone: “Um processo desse não é barato. Tem uma história que vão fazer uma vaquinha. Espero mesmo que façam. Mas a gente não está sendo financiado por igreja alguma”, disse, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo.


➤     Suspeitas

O deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR), formado em Direito e membro da Assembleia de Deus, foi o representante de Jair Bolsonaro na audiência de custódia de Adélio, realizada na sexta-feira à tarde, 07 de setembro, e levantou suspeitas sobre a contratação da equipe de advogados.

“Nos chama muita atenção – e aqui eu faço o registro de que é um direito da defesa ter advogados -, mas alguém, em situação de pobreza como a gente viu, ter quatro advogados e não ter a defensoria pública acompanhando… Só aí eu deixo para vocês de que não há indícios de que não é um ‘lobo solitário’ sem estrutura financeira nenhuma”, declarou o deputado federal.

Na manhã seguinte à audiência, Adélio foi transferido de Juiz de Fora para um presídio federal no Mato Grosso do Sul, onde cumprirá prisão preventiva, enquanto o inquérito baseado na Lei de Segurança Nacional estiver em aberto.

➤     Silêncio

Logo após as primeiras versões desencontradas sobre o custeio dos advogados, os familiares de Adélio – que vivem em casas humildes num bairro pobre de Montes Claros, foram orientados a não dar declarações à imprensa. “Só podemos dizer que não sabemos de nada. Não vou responder nenhuma pergunta. Vou sempre dizer não, não e não”, disse uma sobrinha do agressor.

O pedreiro Eraldo Fábio Rodrigues Oliveira, 47 anos, companheiro de uma sobrinha de Adélio, declarou que o agressor de Bolsonaro mantinha hábitos estranhos sempre que retornava à cidade natal para rever a família. Um deles era permanecer trancado dentro de um quarto com as janelas fechadas, mesmo em épocas de clima quente.


(*)Everthon Garcia
Fonte - conservadorismodobrasil.com.br

domingo, setembro 02, 2018

Por que votarei em Jair Bolsonaro




por Pedro Henrique Medeiros(*).

Bolsonaro entre duas eleitoras: Ana Paula e Ilana (2)


Nos últimos vinte anos, as eleições no Brasil foram disputadas por dois principais partidos: um comunista (PT) e outro social-democrata (PSDB), ambos de esquerda. O que é um fenômeno interessante e assustador, uma vez que o país possui um povo que é predominantemente conservador. O Brasil é o país com o maior número de católicos no mundo, de acordo com o Anuário Pontifício de 2017 e o Anuarium Statisticum Ecclesiae de 2015, mas vive uma crise de representatividade tão grande que pode ser constatada pela inexistência de um único partido político conservador, de um canal de TV conservador ou de uma rádio conservadora.

De acordo com uma recente pesquisa da Record TV/Real Time Big Data, a tríade de temas principais que dominam o debate político nacional e que permitem definir o Brasil como um país conservador tem a seguinte proporção: 70% dos brasileiros são contra a legalização do aborto, 64% se opõem à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, 74% se opõem à legalização da maconha. São dados que estão de acordo com a prevalência de uma população majoritariamente cristã no território.

Os dados ficam mais interessantes quando vemos que 65% dos brasileiros entrevistados querem que o próximo presidente da República seja homem, 41% que ele tenha entre 50 e 60 anos, 73% querem que o próximo presidente seja branco, 89% que ele acredite em Deus, 53% que ele venha de família pobre, 80% querem que ele tenha experiência política, 77% querem que o próximo presidente tenha formação universitária e 85% que ele não seja investigado por corrupção. Após ler esses dados, qual o primeiro nome que vem à sua mente? Eu só consigo pensar no nome de Jair Messias Bolsonaro.

Bolsonaro se define como cristão. Apesar de dizer que é um católico que frequentou a igreja Batista por mais de dez anos, ele diz que sua religião é Deus. Esta definição traz consigo suas bandeiras e o faz se enquadrar quase que completamente nos anseios da maioria dos brasileiros e que foram descritos acima. O Brasil não teve, nas últimas eleições, um candidato que pudesse ser chamado de conservador e de direita ao ponto de que tivesse real e verdadeira chance de representar esses valores numa disputa eleitoral. O mais próximo que chegamos disso foi com o falecido Enéas Carneiro, guardadas as devidas diferenças e proporções.

Na mesma pesquisa da Record TV, vemos que 92% dos brasileiros defendem a redução da maioridade penal, bandeira cujo principal representante na Câmara Legislativa, como deputado federal, é o próprio Bolsonaro. Bolsonaro também é contra o Estatuto do Desarmamento, lei antidemocrática que não respeitou o referendo de 2005, em que 63,94% da população disseram ser a favor do comércio de armas. Bolsonaro é capitão reformado do Exército brasileiro, que, segundo a Associação Brasileira de Consumidores (Proteste) de 2016, é a primeira instituição no ranking de confiança dos brasileiros.

O fenômeno Bolsonaro, apesar de ser prematuro e incompleto, é o princípio da quebra desse monopólio de disputas presidenciais entre candidatos progressistas e esquerdistas. Bolsonaro é um fenômeno prematuro porque as bases e instituições culturais que deveriam alçar um candidato conservador à presidência e sustentar seu virtual mandato ainda não estão prontas (temos apenas o povo disperso); e é um fenômeno incompleto porque seus posicionamentos pessoais não estão completamente alinhados aos valores conservadores e de direita que o povo emana e anseia por representação.

Mas são pequenos detalhes – como a questão do controle de natalidade, seu histórico tecnocrata positivista proveniente de sua formação militar e sua defesa de determinados fatos e situações do regime militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985 – que podem ser ajustados e não são significativos ao ponto de comprometer sua candidatura e mandato. Sobre a questão da defesa do livre mercado e do liberalismo econômico, Bolsonaro está fechado com o economista Paulo Guedes, que é formado pela Escola de Chicago e considerado o melhor economista do Brasil.

A ascensão de um candidato conservador é algo que PT e PSDB não esperavam. Os maiores escândalos de corrupção da história do planeta, conhecidos por Mensalão e Petrolão, deixam claro que os políticos comunistas, socialistas e de esquerda tinham plena convicção de que poderiam comprar qualquer político para depois acusá-lo de corrupto, caso ele se tornasse um perigo aos planos da organização criminosa. Mas Bolsonaro não se deixou comprar e se destacou como um dos poucos políticos no Brasil que não estão envolvidos em esquema de corrupção.

Bolsonaro foi citado na suprema corte pelo então ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, por não ter recebido qualquer quantia no Mensalão, e foi citado também pelo doleiro Alberto Youssef, em depoimento, como um dos poucos que não recebeu propina do Petrolão. Estes dois esquemas de corrupção são considerados os maiores do planeta, com mais de quinhentos parlamentares envolvidos e investigados.

Tudo bem que Barbosa e Youssef são duas figuras que não gozam do total prestígio das pessoas conservadoras e que estão mais atentas às biografias de ambos: o primeiro por seus votos progressistas em questões de importância como o aborto e cotas raciais, e o segundo por ser uma figura lombrosiana. Mas as declarações deles têm um forte peso, dado o contexto em que estão inseridas. Jair também esteve presente em uma audiência pública com Fernandinho Beira-mar, e este disse que conhece Bolsonaro e seus posicionamentos, e que Jair não tem rabo preso na política, o que permite ao deputado não fazer demagogia quando defende propostas duras contra o crime.

Bolsonaro foi o único político que teve coragem de explicar de forma clara para o povo – numa linguagem que até um esquerdista entende – que aquilo que se convencionou chamar eufemisticamente de “governabilidade” nada mais é do que a compra de votos, a prática de conchavos, a distribuição de verbas de emendas parlamentares em troca de votos, a rifa de comando em ministérios, que culminam na corrupção propriamente dita. Essa é a forma de governo que impera no Brasil desde o golpe que deu fim ao Império, e a forma que domina o cenário político principalmente após a tal da “redemocratização”, que se deu ao fim ao Regime Militar.

Em toda entrevista que concede, Bolsonaro diz que, se for pra fazer igual aos outros presidentes que foram eleitos anteriormente, ele prefere nem disputar as eleições presidenciais. Bolsonaro é o deputado mais odiado por parlamentares de esquerda, os mesmos que estão envolvidos até o pescoço com o esquema de propina chefiado pelo PT. Bolsonaro trocou de partido mais vezes do que um militante do PSOL deixa de tomar banho em um ano, justamente porque ele não segue as ordens e determinações dos líderes na hora de votar.


Não existia um único partido político que pudesse ser chamado e considerado “de direita” no Brasil, e essa situação só mudou quando Bolsonaro foi para o PSL, com poderes para fazer mudanças no partido, expulsando a ala libertária (LIVRES), voltando ao social-liberalismo e com planos de transformá-lo em um partido conservador. Mesmo numa época que não tinha o conhecimento e embasamento teórico, tropeçando algumas vezes ao longo de sua carreira pública, meio desalinhado em relação ao conservadorismo e um pouco perdido sobre o que seria o lado direito do espectro político, Bolsonaro manteve sua independência e liberdade de consciência – o que já o coloca como uma das melhores opções disponíveis no mercado político.

Bolsonaro foi voto vencido dezenas de vezes ao ser contra projetos progressistas, mas também ganhou muitas outras batalhas, como no caso do malfadado “kit-gay”, que seria distribuído para crianças nas escolas. Suas dezenas de projetos de lei não foram aprovadas justamente porque ele nunca recorreu às práticas ilícitas necessárias ao corriqueiro processo político brasileiro, mantido através de corrupção. Aqueles projetos de Bolsonaro que foram aprovados tiveram que ser apresentados por outros parlamentares, alterando o nome do autor, para driblar a censura e boicote dos outros parlamentares.

Para barrar uma vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais, PT e PSDB farão de tudo. Com a vitória de Trump nos EUA, os blocos que disputam o poder global sofreram um duro golpe e hoje amargam enormes prejuízos. A esquerda brasileira não quer que o que ocorreu nos EUA se repita aqui no Brasil e que isso atrapalhe seus planos.

Se existe um motivo para o voto no Bolsonaro e que poderia ser chamado de “motivo de força maior”, seria aquele que apela à seguinte constatação: se não for Bolsonaro o vencedor, será o Foro de São Paulo. Este é um argumento que tem um caráter coercitivo poderoso, mas só atinge aqueles que estão familiarizados com o debate político que leva em consideração as análises geopolíticas e as ações dos blocos internacionais e supranacionais que disputam o poder global na Nova Ordem Mundial.

O Foro de São Paulo é uma entidade supranacional que foi fundada por Lula e Fidel Castro para implantar o comunismo em países da América Latina; para, segundo suas palavras, “resgatar o que foi perdido no Leste Europeu” (sic). O Partido dos Trabalhadores, assim como vários outros partidos, como o PDT de Ciro Gomes, é submisso a essa organização estrangeira que viola a soberania do Brasil, o que é ilegal de acordo com a lei eleitoral brasileira (Artigo 28 da Lei dos Partidos).

Nosso país tem o papel de enviar recursos para as outras republiquetas bolivarianas da América do Sul, para salvar o socialismo nesses países. Trabalhamos e pagamos impostos para financiar ditaduras comunistas como Cuba e Venezuela, além de bancar obras na Argentina, na Bolívia, Colômbia, etc. Bolsonaro é o único candidato com chances reais de vitórias que bate de frente, denuncia e combate o Foro de São Paulo.

Diferentemente de muitas pessoas, eu não apoio o Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil baseado apenas nos dois motivos básicos mais comuns: (1) motivo pragmático, como o fato de não haver alternativa melhor; (2) método de exclusão, como o fato dele ser o “menos pior” (sic). Eu apoio, defendo e faço campanha para Bolsonaro porque realmente acredito que ele vai ganhar. Acredito nisto não como um artigo de fé, ou baseado numa esperança frívola num possível milagre eleitoral, mas sim ancorado na seqüência de fatos e argumentos que eu apontei acima. Uma análise fria e não sentimental da situação me dá confiança para fazer campanha abertamente para o meu candidato, porque eu estou do lado da maioria da população brasileira.

Mesmo levando em conta todo tipo de fraude, golpe e artimanhas que podem frustrar minhas expectativas, eu confesso que, por diversas vezes, já imaginei e continuo imaginando a cena do Bolsonaro subindo a rampa do Planalto Central, no dia 5 de janeiro (o dia da posse foi adiado do dia 1 para o dia 5 durante a última reforma eleitoral).

O motivo pragmático (não haver alternativa melhor) e o método de exclusão (ser o “menos pior”) deveriam ser suficientes para qualquer pessoa sensata optar pelo voto no 17, mas muitos não estão satisfeitos. Somados aos outros motivos que fazem de Bolsonaro a melhor alternativa por representar a maioria da população, esse conjunto de argumentos se torna forte o suficiente para convencer os mais céticos e reticentes. Com a inclusão do argumento do Foro de São Paulo, até mesmo o eleitor mais cético deveria ser convencido de que Bolsonaro é a melhor opção.

Muitas pessoas que se informam apenas pela mídia mainstream chamam o Bolsonaro de ditador, radical, extremista, intolerante, entre outros adjetivos, e dizem que o capitão não sabe dialogar, que o Jair não vai conseguir governar o país. Mas essa mesma galera não sabe o nome dos vices presidentes dos outros candidatos, e nem teve sua opinião ouvida no processo de formação da chapa do seu candidato de esquerda.

Tiveram que aceitar qualquer um que o partido escolheu, baseado em negociações espúrias com corruptos de todos os tipos. Políticos que os eleitores nunca viram, que não sabem o que pensam, que não sabem o que dizem.

Enquanto isso, nós, os eleitores do Bolsonaro, dialogamos diretamente com o nosso candidato a presidente via redes sociais sobre cada etapa da campanha, da nossa campanha. Acompanhamos de perto cada passo, cada detalhe, cada movimento. Temos nossas vontades e nossos anseios condensados e traduzidos por intelectuais que expressam aquilo que o povo quer dizer, e não aquilo que organizações internacionais dizem ser o melhor para a gente.

Mesmo em tempos de fake news, de jornalistas que distorcem tudo o que dizemos e que inventam narrativas que não condizem com a realidade, tempo de agências de checagem que gastam recursos checando figuras de linguagem, ainda conseguimos mandar nosso recado, driblando a mídia mainstream e passando a bola embaixo das pernas do establishment.

Estamos aqui, todos os dias, mostrando nossas opiniões, expondo nossas preferências, expressando nossos contentamentos e descontentamentos, e vemos o nosso candidato prestar atenção a todas essas manifestações, reagindo e tomando decisões baseado em nossa opinião, opinião do povo, online, dialogando com a gente enquanto corta o cabelo numa live, ao vivo no Facebook, no Instagram, no Twitter, no YouTube etc.

A candidatura do Bolsonaro está inaugurando uma nova forma de se fazer democracia no Brasil, e talvez seja algo que não encontra paralelo em lugar algum do mundo, utilizando a Internet como uma ferramenta de conexão direta entre cada eleitor e o político, seu representante no poder. Não é algo que é imposto de cima pra baixo, mas que vai se construindo de baixo pra cima.

(2) Foto imagem - Durante a Convenção que ratificou o nome de Jair Bolsonaro como candidato a presidente da República pelo PSL (17)

(*)Pedro Henrique Medeiros é graduado em Gestão em Logística e aluno do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho. Vive em Joinville, SC.
- Fonte - www.revistaamalgama.com.br

quinta-feira, agosto 30, 2018

O Velho Partido Novo







NOTA DO IMB
Esta postagem de blog não mais representa a realidade dos fatos em 2018. Foi escrito e publicado em 2011, quando:
a) o NOVO não era um partido;
b) o NOVO defendia primordialmente ideias de eficiência na gestão estatal. Desde então, o NOVO se tornou um partido e assumiu claramente uma postura liberal ao defender a redução substancial do estado bem como o aumento das liberdades econômicas e individuais. Por ora, é o único partido liberal (mas não-libertário) no Brasil.

Nota do Blogando Francamente
Em 2018 Amoêdo, presidente do Novo, parece não ser tão liberal assim:
➤     Amoêdo quer ProUni da pré-escola ao ensino médio(Estadão)
por Fernando Chiocca(*).
➤   "Dentre todas as tiranias, uma tirania exercida pelo bem de suas vítimas talvez seja a mais opressiva. Pode ser melhor viver sob um ditador desonesto do que sob onipotentes cruzadores da moralidade. A crueldade do ditador desonesto às vezes pode se acomodar, em algum ponto sua cobiça pode ser saciada; mas aqueles que nos atormentam para o nosso próprio bem irão nos atormentar indefinidamente, pois eles assim o fazem com a aprovação de suas próprias consciências." - C. S. Lewis

Sempre que vemos alguém com planos de entrar na vida pública, a primeira coisa que nos vem à mente é que se trata de mais um querendo enriquecer mamando nas fartas tetas do governo. Mas existe a possibilidade remota de ser alguém realmente interessado em melhorar a vida de todos, alguém "bem intencionado". No entanto, por mais estranho que isso possa soar, o segundo caso pode ser, e geralmente é, muito pior que o primeiro. Um partido político intitulado Novo está em formação no Brasil e, assumindo que se trata de um grupo bem intencionado, vou demonstrar que seus objetivos são inalcançáveis da maneira que propõem, e que tudo o que podem conseguir é o agravamento dos problemas que pretendem solucionar.


Imagem acrescentada pelo Blogando Francamente:
Noticia publicada em 16/12/2010 em Época

O economista prêmio Nobel Milton Friedman costumava dizer que não existe nada que causa mais males do que boas intenções — e, de fato, pessoas que não são dotadas de um conhecimento necessário, ao tentar ajudar, acabam por atrapalhar ainda mais. Imagine que você reclame de uma dor no peito, e eu, sem jamais ter estudado medicina ou conhecer qualquer coisa sobre tratamento de enfermidades, pegue um bisturi e abra seu tórax! Ora, por mais que eu tenha a intenção de lhe ajudar, este meu ato certamente vai lhe matar. E o que isso tem a ver com o partido político em questão? Tudo. Eles revelam um mínimo de informações sobre si próprios — talvez querendo reunir o maior número possível de apoiadores antes de expor motivos que possam levar a desentendimentos —, mas pelo pouco que mostram, já podemos notar que são pessoas com pouco ou nenhum conhecimento em economia e filosofia política. 

A economia é uma ciência de causa e consequência. Através de seus postulados axiomáticos lógico-dedutivos, a economia nos diz quais serão os resultados de determinadas ações. Ela não nos diz nada se determinado fim é desejável; mas sem o conhecimento da economia, pessoas que desejam atingir o fim X, podem adotar o meio Y que necessariamente leva ao fim Z. O Partido Novo parece ter a intenção de trazer mais prosperidade à sociedade, usando como meio "uma gestão eficiente" do estado. Mas como a economia nos ensina, isto é uma impossibilidade. Como Lew Rockwell resume
Foi a ciência econômica a primeira a descobrir a total incapacidade de o estado fazer quaisquer melhorias na ordem social. Mas o estado virou a ciência ao avesso para poder utilizar a economia como justificativa para pilhar e saquear com a desculpa de estar "estimulando o investimento". Todo ser pensante sabe que tirar dinheiro do setor produtivo para desperdiçá-lo com os parasitas do setor público não traz estímulo nem crescimento.

A "eficiência na gestão pública" parece ser a única bandeira do Partido Novo, "um partido formado por empresários", por pessoas que sabem administrar, que irão trabalhar com metas, e isso torna irônico o nome Novo, pois todo esse papo é velho e muito comum na política. Aliás, parece que a moda generalizada agora é essa, e os marqueteiros políticos se esforçam para estampar em seus candidatos a marca da eficiência. Kassab e Alckmin há muito são retratados como esforçados e eficientes. Eles não precisaram fundar um partido e chamar de novo para levantar esta bandeira. Já Paulo Skaf, ex-presidente da FIESP, pareceu mais coerente: se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (Nota do Blogando Francamente = hoje 2018, Skaff caiu na real e mudou-se para o partido que seja um governo de esquerda, de centro, direita; não importa, o hoje MDB, ex-PMDB, está aliado ao poder), ressaltando sua principal qualidade de representar uma "novidade", ou seja, um não-político que levaria sua experiência em gestão "privada" para as atividades públicas. (Neste vídeo, Skaf inclusive se apresenta como "o novo", com um discurso ipsis literis do Partido Novo). E o que dizer de Paulo Maluf, que há décadas usa este discurso de empresário experiente usando seus conhecimentos adquiridos em suas indústrias para a vida pública? 

O Partido Novo conta com uma boa divulgação e conseguiu atrair a atenção de um número razoável de pessoas. Consequentemente, muitas questões são levantadas em relação às intenções, projetos e ideologia do partido. A resposta padrão é esta que se segue a uma pergunta feita na página do Partido Novo no facebook:
Julio — Gostei da ideia e apoio esta iniciativa, mas me respondam: Qual é a posição do partido sobre: Reforma Fiscal, Reforma do Judiciário, Reforma Política, Reforma da Educação, Meio Ambiente (leia-se proteção total e uso sustentável), Pré-sal, Reforma da Segurança Pública, Investimentos no setor de energia, tecnologia e infraestrutura de transportes do país. Sem rodeios, sem meio termo, sem politicagem, sem favorecimentos, 100% voltado ao cidadão, doa a quem doer. Se esta iniciativa for para colocar mais meia dúzia de espertalhões em Brasília ganhando dos nossos bolsos, não precisam nem responder.
Partido Novo — Julio, obrigado. Envie a sua ficha de apoio e preencha o cadastro no site para receber maiores informações sobre o NOVO. Certamente todas as propostas do NOVO irão priorizar o cidadão.

E assim eles vão seguindo, sem mostrar a cara, sem se posicionar sobre assunto algum. No site do partido lemos que
...esquerda, direita, socialismo, capitalismo, liberalismo e democracia não mais definem a ideologia de um partido. O NOVO, se pautando em objetivos e valores maiores, de acordo com seu conjunto de princípios, programa e estatuto, proporá, em conjunto com seus fundadores, filiados, críticos e comentaristas, um rótulo que defina sua metodologia baseada em gestão e cidadania.

Coincidentemente — mais uma vez — outro partido em formação utiliza a mesma "nova" descrição. É o PSD, de Kassab, que em artigo publicado na Folha de São Paulo declara:
...um novo partido não se consolida do dia para a noite, com uma ou duas eleições. Vai se formando no debate interno de ideias, no diálogo sobre princípios e valores, ao mesmo tempo em que participa e se aprimora nos embates democráticos do Congresso. O processo é dinâmico e supera a falsa polêmica reducionista de direita-centro-esquerda.

No entanto, ambos deixam transparecer suas tendências consideradas de "esquerda", ou socialistas. No blog do Partido Novo, já começa a aparecer o viés socialista de seus integrantes. Uma das fundadoras, que é da área médica, já começa a esboçar seus próprios planos mirabolantes para consertar o sistema de saúde socializada. Desde que eu nasci, as notícias sobre a saúde pública são sempre as mesmas: filas, carência de médicos e remédios, gente morrendo por falta de atendimento. Sem levar em conta a qualidade da imagem, seria possível pegar uma reportagem feita em um hospital público há 30 anos e exibi-la no jornal da noite de hoje que ninguém notaria tratar-se de notícia antiga. Será que esta mulher realmente acha que conhece a solução mágica? 

O economista Lawrence Reed sintetiza em uma frase as vãs esperanças de se remediar o irremediável; "Já repararam como os estatistas estão constantemente 'reformando' suas próprias realizações? Reforma na Educação, Reforma da Saúde. Reforma da Previdência. Reforma Tributária. O simples fato de eles estarem sempre ocupados 'reformando' é um reconhecimento implícito de que eles não fizeram direito nas primeiras 50 vezes." 

Mas agora vai dar certo, o Novo tem a solução.

O vice-presidente do partido chega a elogiar a eficiência da nefasta lei seca no Rio de Janeiro, que solapa ainda mais as liberdades dos cariocas, tornando-os reféns de policiais inescrupulosos. O presidente do partido revela que outra intenção é "diminuir as desigualdades sociais do país". Já esclarecemos que os meios escolhidos por eles não podem levar aos fins pretendidos, mas vamos analisar agora este fim. Ora, "desigualdade" é uma condição derivada da liberdade, da economia de mercado, da meritocracia, e dificilmente pode ser considerada um problema. Por exemplo, uma família com renda de R$10 mil é mais desigual quando comparada à família de Eike Batista do que quando comparada a uma família com renda de R$1 mil. Logo, desigualdade não é o problema, e sim a pobreza. Porém, a ideologia socialista é a ideologia da inveja, e prega em seu âmago o igualitarismo e, talvez mesmo sem saber, é daí que vem a formação dos ideais do presidente do partido. Pelo menos isto é uma coisa que eles podem conseguir através dos meios que escolheram, o socialismo: acabar com as desigualdades sociais, tornando todos igualmente pobres.

Concomitante a este projeto do Partido Novo, existe outro que é realmente novo. E não é apenas novo, é também revolucionário, diferente de tudo que já se viu na política, e é formado por pessoas que realmente sabem como lidar com os problemas do país. Refiro-me ao partido Libertários, cujos fundadores e integrantes são grandes conhecedores da ciência econômica e da filosofia política, e possuem uma consistente fundamentação ideológica, na qual a liberdade é o objetivo político central. O Libertários, que também é um partido embrionário, não se furta a se posicionar perante qualquer tema, mesmo os mais polêmicos. E qual a diferença essencial entre os libertários e todos os outros? Os libertários não possuem planos mágicos para impor à sociedade; pelo contrário, o que eles querem é a ausência de planejamentos centrais.

Sabem que é impossível que o estado forneça qualquer serviço eficientemente. Sabem que o mercado é capaz de prover com mais qualidade e menores preços e, acima de tudo, com justiça, tudo que o governo se outorga a fornecer. E como sabem tudo isso? Debateram e estudaram um bocado antes de se embrenharem na política.

Será que pelo menos um destes 181 fundadores do Partido Novo está familiarizado com as obras de Ludwig von Mises, F. A. Hayek, Murray Rothbard ou Hans-Hermann Hoppe? Será que ao menos eles já ouviram falar do Ron Paul? Meter-se na política sem conhecer o pensamento austro-libertário pode ter consequências mais graves do que abrir uma pessoa com um bisturi sem saber nada de medicina — existe a possibilidade do bisturi não matar a pessoa.

De nada adiantam apenas boas intenções, planos mirabolantes, gente séria, preparada, empresários e empreendedores de êxito. Não há utopia mais infantil e desconectada da realidade que um estado eficiente. Se os membros do Partido Novo são genuinamente bem intencionados, falta unir as boas intenções ao conhecimento. Um único artigo de Rothbard pode ser suficiente para livrá-los da ingenuidade em filosofia política.

(*)Fernando Chiocca é um intelectual anti-intelectual e praxeologista.
Fonte - IMB (Mises Brasil)

terça-feira, agosto 28, 2018

Árabes rejeitam Israel como Estado Nação





➤    A Razão Secreta dos Árabes Repudiarem a Lei que Define o País como Estado-nação do Povo Judeu.

por Bassam Tawil (*). 

A hipocrisia dos representantes dos cidadãos árabes de Israel, que estão chorando: 'não é justo', com respeito à nova Lei que Define o País como Estado-nação do Povo Judeu, atingiu novos patamares nos últimos dias.

São os mesmos representantes cujas palavras e ações causaram graves danos às relações entre judeus e árabes nas últimas duas décadas em Israel e também aos interesses de seus próprios eleitores, os cidadãos árabes de Israel.

Os líderes árabes israelenses, especificamente os membros do Knesset, dizem estar indignados, não só porque a lei define Israel como a pátria do povo judeu, mas também porque a nova legislação não diz nada sobre a plena igualdade de direitos a todos os cidadãos.

Para quem nunca viu uma tempestade num copo d'água, é esse o caso. Desnecessário seria dizer: a nova lei não rescinde a lei anterior ou a Declaração da Independência de Israel, que já abrange tudo isso. Em Israel, existem também outras Leis Básicas que garantem direitos iguais a todos. Por exemplo, a Lei Básica: Dignidade Humana e Liberdade, aprovada em 1992, estipula:

"O propósito dessa Lei Básica é proteger a dignidade e a liberdade do ser humano, com o propósito de estabelecer em uma Lei Básica os valores do Estado de Israel como um Estado judeu e democrático".
...
"Os direitos humanos fundamentais em Israel baseiam-se no reconhecimento do valor do ser humano, na santidade da vida humana e no princípio de que todas as pessoas são livres, esses direitos devem ser mantidos no espírito dos princípios estabelecidos na Declaração do Estabelecimento do Estado de Israel".
Declaração da independência de Israel de 1948, que obviamente não é atingida pela nova Lei que Define o País como Estado-nação do Povo Judeu, também promete igualdade a todos os cidadãos, independentemente da sua religião, cor ou raça. Ela declara:
"O Estado de Israel fomentará o desenvolvimento do país a todos os habitantes, basear-se-á na liberdade, justiça e paz, conforme previsto pelos profetas de Israel, garantirá a completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os habitantes, independentemente de religião, raça ou sexo, garantirá a liberdade de religião, consciência, língua, educação e cultura, salvaguardará os Lugares Sagrados de todas as religiões e será fiel aos princípios da Carta das Nações Unidas".

Portanto, uma vez que as leis preexistentes de Israel e a Declaração da Independência permanecem inalteradas e garantem direitos iguais a todos os cidadãos, o que exatamente está por trás do feroz ataque dos líderes árabes israelenses à Lei do Estado-nação? Será que é realmente porque eles estão preocupados com a igualdade ou é outra coisa? A resposta está em suas próprias declarações: no fundo eles se opõem à ideia de Israel ser a pátria do povo judeu. Eles estão cansados de saber que a Lei do Estado-nação não afeta o status e os direitos dos cidadãos árabes como cidadãos iguais a todos em Israel.

Tomemos por exemplo o caso de Zouheir Bahloul, membro árabe do Knesset (União Sionista), que divulgou nesta semana a intenção de renunciar ao parlamento em sinal de protesto à Lei do Estado-nação. Ele reclama que o Knesset se tornou a "chancela da legislação racista".

Primeiro, Bahloul é o último cidadão árabe de Israel com direito a reclamar de discriminação. Por décadas a fio, ele foi um dos jornalistas esportivos mais famosos de Israel, reverenciado tanto por árabes como por judeus. Assim sendo, ele sempre desfrutou de uma vida confortável em Israel, vida que nem em sonho ele poderia ter em nenhum país árabe.

Segundo, se Bahloul não gosta da lei que define Israel como a pátria do povo judeu, o que ele está fazendo em um partido de nome União Sionista? Uma vez que você concorda em se juntar a um partido sionista, você não pode depois reclamar se Israel sustenta que quer ser a pátria do povo judeu. Será possível que alguém possa realmente acreditar que este parlamentar árabe não sabia durante todos esses anos que o sionismo é o movimento nacional do povo judeu que defende o restabelecimento de uma pátria judaica no território definido como a histórica Terra de Israel?

Terceiro, também é digno de nota que seu partido União Sionista, de qualquer maneira, já estava farto de Bahloul e planejava se livrar dele, especialmente depois que no ano passado ele resolveu boicotar uma cerimônia do Knesset que marcava o 100º aniversário da Declaração Balfour. Ironicamente, a segunda parte da Declaração Balfour estipulou que o estabelecimento de uma pátria judaica não deve "prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina".

A atual controvérsia em relação à Lei do Estado-nação, portanto, não é sobre direitos iguais. Longe disso, trata-se na realidade sobre a aceitação da existência de Israel como a pátria do povo judeu. Bahloul boicotou a cerimônia da Declaração Balfour no Knesset, ao que tudo indica, porque ele se opõe à ideia de uma pátria do povo judeu. Se não fosse por isso, por que então um árabe que vive em Israel se opõe a uma declaração que declara aberta e categoricamente que a pátria judaica não "prejudicará" os direitos de não judeus?

O presidente da União Sionista, Avi Gabbay, criticou como "extremista" a decisão de Bahloul.

É bem provável que Bahloul sabia que ele seria expulso do partido, parece que ele resolveu usar a Lei do Estado-nação como pretexto para deixar o partido, difamar Israel chamando o país de "um estado com sintomas do apartheid" e o Knesset como "chancela da legislação racista".

Quarto, vale salientar que Bahloul não apresentou imediatamente a renúncia ao Knesset. Ele disse que vai apresentar a carta de renúncia quando o Knesset retornar de seu prolongado recesso de verão em meados de outubro. Em outras palavras, Bahloul evidentemente quer passar mais alguns meses no Knesset, provavelmente para continuar recebendo um belo salário e outros privilégios concedidos aos membros do parlamento. Ao adiar a renúncia, ele provavelmente espera que alguém venha implorar para que ele desista da ideia de sair, é como se ele estivesse dizendo: 'por favor, não me deixe sair do Knesset!' Bem, Sr. Bahloul, se o senhor está tão chateado com a lei e não quer mais fazer parte do sistema político israelense, por que não se levanta e sai agora? Por que o senhor quer ficar por mais alguns meses em um parlamento que o senhor acusa de "racista" contra os árabes?

O "pequenino sórdido segredo" é que mesmo se palavras sobre igualdade para todos os cidadãos fossem adicionadas à nova lei, Bahloul e alguns de seus colegas árabes do Knesset ainda assim teriam se oposto a ela. Eles simplesmente se opõem veementemente à própria noção de ser Israel um Estado judeu.

Alguns como Ahmed Tibi, tem consistentemente pleiteado a transformação de Israel de um "Estado judeu" em um "estado para todos os seus cidadãos" ou um "estado de todos os seus grupos nacionais (étnicos)".

Outro membro árabe do Knesset, Jamal Zahalka, recentemente ridicularizou os símbolos judaicos salientando: "eu prefiro morrer a cantar o hino nacional de Israel". Muitos membros árabes do Knesset jamais aceitaram o hino nacional de Israel ou a sua bandeira que porta o símbolo de seis pontas da estrela de David. Em relação à bandeira de Israel, Zahalka disse: "para mim qualquer bandeira é um trapo. É um pedaço de pano. É muito pior do que um trapo".

Hanin Zoabi, membro árabe do Knesset, sem a menor cerimônia manifestou com todas as letras sua oposição à definição de Israel como a pátria do povo judeu. O povo judeu não tem direito à autodeterminação, ressaltou ela em outubro de 2017.
"Os judeus não são uma nacionalidade, então não podemos falar de autodeterminação para o povo judeu... Os israelenses, eles podem ter uma autodeterminação, mas não como um Estado judeu, mas dentro de um estado democrático secular".
Vale dizer que Zoabi, que vem de um enorme clã de Nazaré, foi suspensa do Knesset em 2014 por incitamento, por ter justificado a chuva de foguetes que o Hamas lançou contra Israel e o sequestro (e subsequente assassinato) de três adolescentes israelenses por terroristas palestinos.

São figuras do naipe de Zoabi que têm e continuam causando graves danos às relações entre judeus e árabes em Israel. Sua execrável retórica anti-Israel e suas ações são a principal razão pela qual um número cada vez maior de judeus está começando a olhar para os cidadãos árabes de Israel. como se eles fossem uma "quinta coluna", um "inimigo de dentro".

Líderes árabes israelenses se manifestam de maneira depreciativa em relação a Israel com o intuito de alcançarem maior visibilidade. Eles sabem que nenhum jornal mencionaria o nome deles se estivessem às voltas com questões como esgoto ou falta de salas de aula em escolas árabes. No entanto, se eles disserem algo de ruim sobre Israel ou se provocarem os judeus, os holofotes com certeza estarão em cima deles.

A prioridade Nº 1 dos cidadãos árabes de Israel é reduzir a alta taxa de desemprego entre os universitários árabes formados. Os cidadãos árabes de Israel querem ser totalmente integrados em Israel. Eles estão lutando por melhores serviços do estado, em especial no que diz respeito à infraestrutura em suas cidades e aldeias. Mas em vez de representar os reais interesses de seus eleitores, Tibi, Zoabi, Zahalka e outros passam o tempo todo condenando Israel e se identificando com os inimigos do país.

As ações e palavras desses membros árabes do Knesset só serviram para aprofundar a cisão entre judeus e árabes, justamente quando há sérios esforços por parte do governo israelense em melhorar as condições de vida dos cidadãos árabes. Por exemplo, uma comissão parlamentar israelense anunciou em abril do ano passado a decisão de alocar 20 milhões de shekels (US$5,6 milhões) para um novo programa destinado a aumentar o número de árabes israelenses com empregos no setor de tecnologia. Em 2015, como parte de uma decisão do gabinete, o comitê anunciou que o governo de Israel já investiu US$1,2 bilhão dos US$4,2 bilhões destinados ao desenvolvimento econômico da comunidade árabe e de outras minorias.

Os árabes são cidadãos com direitos iguais em Israel e os direitos que desfrutam são infinitamente maiores do que gozariam em qualquer outro país do Oriente Médio. Em uma pesquisa de opinião publicada em 2016, 55% dos cidadãos árabes de Israel disseram estar orgulhosos de serem cidadãos israelenses. Outra enquete publicada em 2017, constatou que 60% dos cidadãos árabes de Israel trazem consigo atitudes positivas em relação ao país.

Os líderes árabes israelenses podem incitar contra Israel o quanto eles quiserem. A difamação não mudará a realidade de que Israel é a única democracia próspera do Oriente Médio e que trata as minorias com respeito. Enquanto as minorias são perseguidas e assassinadas na Síria, Líbano, Egito, Iraque, Líbia e outros países árabes e islâmicos, os cidadãos árabes de Israel estão sendo integrados no país. Eles ocupam altos cargos na Suprema Corte, no Ministério das Relações Exteriores, no setor de saúde e até na Polícia de Israel.

A nova lei não mudou essa realidade, de fato, a maioria dos cidadãos árabes, ao que tudo indica, não dá a mínima para a nova lei. A maioria dos árabes em Israel continua acordando de manhã e continua seguindo em frente com suas vidas. Eles podem trabalhar em qualquer lugar, podem viajar para qualquer lugar do país e continuarão desfrutando de todos os privilégios, benefícios e liberdades que os cidadãos judeus usufruem.

Certos líderes dos cidadãos árabes de Israel, no entanto, têm algo bem diferente em mente. Eles querem que os israelenses desistam de seu desejo de Israel ser a pátria do povo judeu, porque eles esperam que um dia os judeus se tornem minoria em seu próprio país. Por tempo demais esses líderes têm incitado seus eleitores contra Israel e contra os judeus. Se esses líderes são tão infelizes em Israel, talvez devam considerar se mudar para Ramala, Faixa de Gaza ou qualquer outro país árabe. Será que não gostariam de renunciar ao Knesset? O que os impede? O fato de ser a pátria dos judeus, supostamente tão danosa a eles, onde eles e seus filhos podem viver e prosperar.


(*)Bassam Tawil, árabe muçulmano, radicado no Oriente Médio.

Tradução: Joseph Skilnik