segunda-feira, dezembro 10, 2018

Por que o Irã Banca Terroristas Palestinos?



por Bassam Tawil(*).



⚑     O recado que o Irã está dando às famílias palestinas é o seguinte: "se vocês querem dinheiro e uma vida boa, mandem seus filhos morrerem na fronteira de Israel." Trata-se de uma mensagem com alta probabilidade de ecoar nos confins do mundo árabe, muito além dos palestinos.


Consoante com os preceitos da política de longa data de bancar qualquer um que queira destruir Israel ou matar judeus, o Irã decidiu dar dinheiro às famílias de palestinos da Faixa de Gaza mortos durante ataques desferidos contra Israel. A decisão se refere aos palestinos que forem mortos enquanto atacam soldados israelenses durante as manifestações que ocorrem todas as semanas, patrocinadas pelo Hamas, ao longo da fronteira entre Gaza e Israel. As manifestações começaram em março de 2018 sob o lema: "Marcha do Retorno".

Quais são as implicações da decisão iraniana? O recado que o Irã está dando às famílias palestinas é o seguinte: "se vocês querem dinheiro e uma vida boa, mandem seus filhos morrerem na fronteira de Israel". Em outras palavras, o Irã está dizendo às famílias palestinas que a melhor maneira de melhorar suas condições de vida é enviar os filhos para matarem ou ferirem judeus. Trata-se de uma mensagem com alta probabilidade de ecoar nos confins do mundo árabe, muito além dos palestinos.

A expansão da influência iraniana no Oriente Médio como um todo e na arena palestina em particular teve início durante a administração Obama, que fez vista grossa às intenções agressivas do Irã e mais tarde embarcou numa política de passar a mão na cabeça dos mulás. No governo Obama, os iranianos devem ter imaginado que tinham sinal verde para fazer o que bem entendessem. Isso é obviamente a razão deles estarem hoje presentes não só na Faixa de Gaza e no Líbano como também na Síria, Iêmen, Líbia e Iraque.

De uns tempos para cá, o Gatestone Institute expôs como o Irã tramava se apoderar da Faixa de Gaza. O artigo em questão apontou que os iranianos estavam estreitando os laços tanto com o Hamas quanto com a Jihad Islâmica para garantir que os dois grupos terroristas governassem com mão de ferro a população palestina da Faixa de Gaza.

Não há dúvida e ninguém deveria esperar outra coisa dos iranianos. Na realidade, a decisão de recompensar monetariamente as famílias dos palestinos mortos em ataques a israelenses tem tudo a ver com as políticas anti-israelenses e antissemitas dos governantes de Teerã, assim como as de outros. Os iranianos ainda bravateiam a sua decisão. Eles têm a esperança que a iniciativa fortaleça a reputação do Irã nos países árabes e islâmicos e permita que o país continue interferindo nos assuntos internos de países do Oriente Médio.

Não é por acaso que a decisão foi anunciada logo depois que o presidente do Irã, Hassan Rouhani, considerado "moderado" pela imprensa internacional, chamou Israel de "tumor canceroso" e um "regime fake" estabelecido pelos países ocidentais com o objetivo de promover seus interesses no Oriente Médio.

As observações de Rouhani confirmam com mais força o objetivo abertamente declarado do Irã de destruir Israel
Foto: jovens palestinos em Gaza preparam fundas e estilingues para arremessarem pedras contra soldados israelenses que estão do outro lado da cerca que separa Gaza de Israel, 14 maio de 2018. (Foto: Spencer Platt/Getty Images)

Os líderes iranianos e seus aliados palestinos têm o mérito de serem honestos e diretos com respeito às suas intenções. No começo do ano, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, chamou Israel de "cão raivoso" e disse que o mundo islâmico deveria se armar para lutar contra o Estado judeu.

No ano passado, os iranianos tornaram público a contagem regressiva digital mostrando que faltavam 8.411 dias para, segundo eles, a "destruição de Israel". A previsão baseia-se em uma declaração de Khamenei em 2015, na qual ele afirmou que não restaria "nada" de Israel até o ano 2.040.

A decisão de recompensar com dinheiro as famílias dos terroristas palestinos foi anunciada em um congresso do Fórum Mundial para a Proximidade das Escolas Islâmicas de Pensamento, fórum estabelecido em 1990 por ordem de Khamenei com o objetivo de reconciliar as diferentes escolas e orientações islâmicas. Mohsen Araki, presidente do fórum, foi quem anunciou a medida. O Irã, salientou ele, resolveu "adotar" as famílias dos palestinos mortos na fronteira de Gaza com Israel. Quando os iranianos falam em "adotar" alguém, eles querem dizer que Teerã cuidará das famílias daqueles que têm como alvo os judeus e que lhes darão tudo que precisam, como dinheiro, assistência médica e educação.

Os representantes palestinos do Irã, Hamas e Jihad Islâmica, sem perder tempo, aplaudiram a decisão. Eles a chamaram de "passo positivo em direção à unificação dos muçulmanos". Nas palavras do líder da Jihad Islâmica, Khaled al-Batsh, "a nação islâmica não tem outra escolha a não ser a união. Esperamos que os demais árabes e muçulmanos sigam o exemplo e apoiem as manifestações e o fim do bloqueio (imposto à Faixa de Gaza)."

Os iranianos chegaram a convidar os caciques do Hamas para a conferência, sinalizando com mais ímpeto o apoio contínuo de Teerã ao grupo terrorista de Gaza, que também busca a destruição de Israel. A delegação do Hamas foi encabeçada por Mahmoud Zahar, considerado na Faixa de Gaza o "comandante em chefe" do Izaddin al-Qassam, braço armado do Hamas.

O objetivo declarado da conferência é forjar a união dos muçulmanos. Para os iranianos e suas milícias, a unidade islâmica é pré-requisito para o avanço do objetivo final de remover o "tumor cancerígeno" (Israel) da face da Terra. O Irã não mede esforços para alcançar esse objetivo.

Se não fosse pelo apoio iraniano, a organização terrorista xiita libanesa, Hisbolá, não estaria apontando dezenas de milhares de foguetes e mísseis na direção de Israel. Se não fosse pelo apoio militar e financeiro iraniano, o Hamas, a Jihad Islâmica e outros grupos terroristas não teriam condições de disparar mais de 400 projéteis contra Israel num espaço de 24 horas, como ocorreu no mês passado.

O Irã fornece os meios a qualquer um que tenha em comum os mesmos objetivos da República Islâmica de eliminar Israel. O Hisbolá vem recebendo bilhões de dólares dos iranianos a fim de se preparar para a próxima guerra contra Israel. O Hamas e a Jihad Islâmica na Faixa de Gaza têm recebido assistência política, financeira e militar do Irã para levar adiante os ataques a Israel.

As ações do Irã não são dirigidas somente contra Israel, elas também são dirigidas contra os EUA. Conforme Hussein Sheikh al-Islam, autoridade do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores do Irã, explica: "a mais recente decisão (de recompensar monetariamente as famílias palestinas) visa apoiar os palestinos em face das conspirações americanas de eliminar a causa e os direitos dos palestinos".

Para que não paire nenhuma dúvida no ar: o Irã quer que os palestinos se explodam e também quer varrer Israel do mapa e, se pudesse também varreria os EUA do mapa, conforme sugere seu expansionismo na América do Sul.

Ao que tudo indica, há mulás no Irã que não veem a hora da previsão de Khamenei sobre a destruição de Israel em 2040 se tornar realidade. O dinheiro iraniano prometido às famílias destina-se a incentivar mais árabes e muçulmanos a mandarem seus filhos lançarem ataques com foguetes contra Israel e atirarem pedras e bombas incendiárias contra os soldados israelenses.

O destino do dinheiro não é para a construção de clínicas médicas ou escolas na Faixa de Gaza. O Irã está disposto a continuar sua luta contra Israel e os EUA até o último palestino ou árabe ou muçulmano. A bem da verdade, os mulás poderão contemplar mais árabes e muçulmanos morrerem como meio de promover a jihad contra Israel e os EUA. A questão é: será que a comunidade internacional irá permitir que esse plano continue ou será que ela vai acordar para o fato de que o Irã tem em vista muito mais do que só Israel e os EUA?


(*)Bassam Tawil, árabe muçulmano, radicado no Oriente Médio.
Fonte - instituto Gatestone (pt.gatestoneinstitute.org)
Imagem 1 - (https://honestreporting.com/urgente-ira-ataca-israel-e-midia-brasileira-vitimiza-siria/)
Original em inglês: Why Iran Funds Palestinian Terrorists
Tradução: Joseph Skilnik

sexta-feira, novembro 30, 2018

PSICO-SÓCIO-PATOLOGIA DAS LEIS: A Patologia do Foro Privilegiado







por Rodrigo Pacheco Angélico (*)


A Constituição Federal de 1988 é a sétima Constituição do Brasil, tendo sido promulgada no dia 5 de outubro, depois de quase 2 anos de trabalho da Assembleia Constituinte. A Constituição é chamada de lei suprema do país porque é nela que foi estabelecida a estrutura e organização do Estado. É na CF que estão as normas basilares, que são superiores a todas as outras normas jurídicas.

Quando nos indignamos perante a impunidade no Brasil, principalmente com relação aos crimes de colarinho branco, não imaginamos que isso também ocorra por encontrar respaldo jurídico na Constituição.

Quantas pessoas podemos citar que foram presas por crimes de colarinho branco antes do evento da Lava Jato e do Mensalão na história recente brasileira? Mas quanto tempo ficaram presas de fato?

Isso ocorre entre outras razões devido o foro privilegiado. O FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO Art. 29, inc. X da Constituição Federal de 88. Trata-se de direito adquirido por algumas autoridades públicas, (aproximadamente 50 mil cargos) de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, garantindo que possam ter um julgamento especial e particular quando são alvos de processos penais.

Ocorre que, esse privilégio afronta diretamente o artigo 5º da Constituição Federal, senão vejamos:

➤     “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Os sintomas do Foro Privilegiado são visíveis e de fácil percepção para qualquer ser humano. Essa lei incentiva à disseminação da corrupção, injustiça social, impunidade e a violência. Propiciando um terreno fértil para bandidos assolarem a democracia enquanto se beneficiam dela, como agentes patológicos que crescem dentro de um órgão saudável ou mesmo como nos filmes de vampiros humanos que sugam sangue uma vez que seu próprio já está totalmente comprometido.

Obviamente que o legislador enxergou nesse artigo 5º da CF, uma possível ameaça à sua integridade e permanência no poder. Criando assim, uma exceção à regra (Foro Privilegiado). Apesar das justificativas é aqui que podemos identificar a oculta causa psíquica, ou seja, a inversão do ser humano, que consiste em ver num bem um prejuízo e no mal um benefício, encontrando uma maneira de “diminuir os prejuízos” da igualdade e transparência previstas no artigo 5º CF.

Recentemente, estive numa palestra ministrada pelo Ilmo. Dr. Deltan Dallagnol, procurador e coordenador da força tarefa da lava jato, onde ele apontava essa necessidade na mudança das leis. Que a força-tarefa da lava jato não seria o bastante para mudar o Brasil, que seria necessária uma mudança na legislação, caso contrário, apenas ocorreria uma alternância de autorias delitivas dentro da malha de corrupção sistêmica brasileira.

Entendo que as leis foram e são elaboradas para manter o poderoso no poder e servir os interesses de poucos em detrimento de muitos. O poder político subordinado ao poder econômico. Esse princípio se institucionalizou, e se tornou a fonte do fazer político. Contudo, temos que ficar vigilantes, como dizia Abraham Lincoln “A eterna vigilância é o preço de nossa liberdade” ou ainda, “Conscientizar a humanidade que ela está nesse estado de obnubilação é condição fundamental para leva-la a uma situação de felicidade. Socialmente, temos que modificar imediatamente as leis, que permitem aos mais doentes dominar a sociedade, estar atento para que os indivíduos maus não distorçam novamente, temos de vigiar cada minuto, para que não sejamos lesados.” Norberto Keppe, Libertação dos Povos pag.17.

A ética e a consciência estão acima da lei. Este princípio metafísico que estipula a máxima da ordem do maior para o menor (fonte dessa máxima seria Santo Anselmo?) deveria ser aplicado quando da elaboração das leis, encontrando sua fonte e respaldo naquilo que está acima dela. Quando uma lei não está sob a égide do elemento transcendental ou metafísico, ela está fadada ao fracasso ou a injustiça. Em seu trabalho, Desobediência Civil, Henry David Thoreau diz: “Se uma lei é injusta, desobedeça”, ou ainda, “Devemos ser homens, em primeiro lugar, e depois súditos. Não é desejável cultivar pela lei o mesmo respeito que cultivamos pelo direito.” O pai da desobediência civil foi o grande inspirador de outros grandes líderes mundiais como Martin Luther King, Mahatma Gandhi e Nelson Mandela.

Se o ser humano não perceber essa inversão que mencionei anteriormente, de ver na corrupção como um grande benefício ou vantagem para si próprio, continuará a criar consciente ou inconscientemente mecanismos de proteção à patologia, travestidos em anseios morais e falácias de raciocínios.

Essa inversão ocorre de maneira geral, tanto nos operadores do direito como os legisladores, políticos, advogados, juízes como no povo, que ao ir às urnas eleger seu representante, identifica num determinado candidato seu próprio desejo de poder e corrupção.


Fonte - http://www.stop.org.br
(*) Rodrigo Pacheco Angélico, advogado OAB 204858/SP, American Bar Association 02095430.

terça-feira, novembro 27, 2018

Objetos Voadores Não Ideológicos









por Ernesto Araújo (*)


A cultura pós-moderna em que vivemos padece de um terrível literalismo. Muitas pessoas vão perdendo a capacidade de compreender o símbolo ou a metáfora, a ironia ou a piada, não conseguem transitar entre diferentes níveis de discurso, não percebem as figuras de linguagem, consequentemente não discernem o senso de humor nem decifram o pensamento sugestivo. Tornam-se incapazes do raciocínio abstrato, baseado em conceitos ou em universais: limitam-se aos particulares, à repetição tautológica de casos específicos. Acham que toda elocução é descritiva, não distinguem a função evocativa da fala.


Assim, se eu fizer uma referência à história da cigarra e da formiga, amanhã algum jornal dirá que eu acredito em insetos falantes.

Em semelhante contexto, quero deixar claro o seguinte: não acredito em discos voadores, nem deixo de acreditar.

O uso da expressão “acreditar” com relação à existência ou inexistência de civilizações extraterrestres e seus aparatos afigura-se inadequado. Parece perfeitamente plausível que existam tais civilizações e sejam capazes de viagens interestelares – e uma hipótese plausível não é, a rigor, matéria de crença. Trata-se, no caso, de uma proposição verificável, e jamais falseável, segundo a epistemologia de Karl Popper, ou seja: é possível comprovar empiricamente que os discos voadores existem, basta que um dia um deles apareça à luz do dia e todo mundo o enxergue, mas é impossível comprovar empiricamente que os discos voadores não existem, pois teríamos de varrer todo o universo à sua procura até concluir por sua inexistência, tarefa inexequível.

Podemos dizer algo semelhante de outras entidades, por exemplo: corvos brancos. É plausível que haja corvos brancos, pois não há nenhuma impossibilidade intrínseca em sua existência, mesmo se nunca ninguém os viu. Os corvos brancos nisso diferem, por exemplo, dos marxistas intelectualmente honestos. A existência de um marxista intelectualmente honesto não é plausível, pois há uma contradição intrínseca entre a disciplina intelectual marxista, que nasce na mentira e obriga seus praticantes a mentir inclusive a si mesmos o tempo todo, e a honestidade intelectual. Desse modo, a proposição “existem marxistas intelectualmente honestos” difere das proposições “existem discos voadores” ou “existem corvos brancos”. Ela não é nem verificável nem falseável, ela é apenas logicamente insustentável, como seria a proposição “existe luz escura”.

Quem diz “em acredito em tal coisa” está abrindo um canal para a busca de significado para além ou para fora do terreno da lógica e da epistemologia. O fato de tratar os discos voadores como matéria de crença, e não de verificabilidade empírica, é muito revelador do vazio espiritual contemporâneo. Numa civilização que proíbe a transcendência, algumas pessoas começaram a agarrar-se a certas manifestações materiais ou “mitos contemporâneos” (mais ou menos como diz C.G. Jung em seu ensaio sobre os discos voadores, Um Mito Moderno) que funcionam como sucedâneo do transcendente, do numinoso, do sagrado que elas já não conseguem conceber direta e autonomamente.

Ora, já sabemos que a esquerda não tolera a transcendência, pois a abertura para a transcendência é, em última instância, o que constitui a humanidade do homem, e também já sabemos que a esquerda é anti-humanista. Desse modo, não espanta que todas ou quase todas as pessoas cuja sede de transcendência e numinosidade leva para a crença em discos voadores construam suas casas no bairro da direita. Do mesmo modo aqueles que buscam a transcendência no esoterismo, no ocultismo, nos mistérios das civilizações desaparecidas, na alquimia, normalmente se acomodam na direita, todos os heróis fascinados pela rosa distante, secretíssima e inviolada de que fala Yeats em seu poema “The Secret Rose”, essa rosa que não é senão a transcendência, e a buscam no Santo Sepulcro, ou na embriaguez, no amor, na aventura. Esse bairro colorido, esfuziante de desejo pelo além, pela verticalidade, nas formas mais diversas, esse bairro é a direita. Do outro lado do rio político está o bairro da esquerda, um bairro cinza, pesado, de pessoas cabisbaixas que caminham murmurando slogans vazios ou fazem fila para receber sua ração diária de materialismo e reducionismo (uma espécie de soylent green, uma pasta amorfa feita de pensamento decomposto). No bairro da esquerda não há transcendência, nem a transcendência original nem os seus sucedâneos. No bairro da esquerda não há lugar para o mistério, pois o mistério é constitutivo do ser humano. Quem busca o mistério atravessa para a direita, seja o mistério de quem construiu as pirâmides, seja o de como são feitos os crop circles, seja o mistério do logos incarnado.

Talvez o que defina mais profundamente a cisão entre esquerda e direita seja a rejeição e aceitação da transcendência, respectivamente.

Quem crê procura a direita. Mesmo quem crê em coisas que não seriam questão de crer, como os discos voadores. Muita gente acredita em discos voadores apenas porque acha que é proibido acreditar em Deus.

Não é proibido.


(A Imagem não faz parte do artigo original) 
Fonte - www.metapoliticabrasileira.com.br 
(*) Ernesto Araújo - Ernesto Henrique Fraga Araújo é diplomata, escritor  e indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, como futuro chanceler.

segunda-feira, novembro 19, 2018

Ideologia não, ideias sim








por Ernesto Araújo(*).

➤     Ideias e ideologia são coisas diferentes.

Uma ideologia é um sistema de manipulação do pensamento e das ideias em função de um objetivo de poder.

Ideias são a essência viva da mente humana. Ideias são o resultado dinâmico do processamento da realidade pelo intelecto e pelo sentimento. A realidade não existe sozinha, nem os conceitos ou ideias existem sozinhos, ou não deveriam existir. A ideologia instaura uma cisão entre a realidade e os conceitos, arranca as ideias de seu enraizamento orgânico na realidade, e assim petrifica o pensamento para controlar as pessoas.

Ao repudiar a ideologia, é preciso ter cuidado para não deixarmos de ter ideias. O repúdio à ideologia deve significar a libertação das ideias, e não sua exterminação. Do contrário, faríamos exatamente o que a ideologia quer. Na ideologia as ideias estão lá, acorrentadas, magrinhas, esfomeadas, trabalhando como escravas para o sistema de dominação. Precisamos romper as correntes que assujeitam as ideias, trazê-las para fora e banhá-las novamente na realidade.

Não podemos confundir as coisas, não podemos decretar o fim do pensamento ao estabelecer o fim da ideologia.

Os brasileiros nos revoltamos contra a ideologia que nos dominou, aberta ou insidiosamente, por muito tempo, sob a forma do marxismo escancardo ou mais frequentemente do globalismo com suas várias vertentes. Agora, essa ideologia tenta metamorfosear-se para seguir dominando. Uma perigosa metamorfose ocorreria se, em nome do fim da ideologia, nos submetêssemos à proibição de pensar e de ter ideias.

Ninguém quer substituir uma ideologia por outra. Mas não se deve, tampouco, substituir a ideologia pelo vazio, pelo mecanicismo, pela tautologia, pela superficialidade. Para vencer a ideologia há que voltar a pensar, e não deixar de pensar, sob a desculpa de que qualquer pensamento é ideológico.

Um saudável pragmatismo deve substituir a ideologia. Ser pragmático não significa não ter alma. Ser pragmático não significa não ter coração. Ser pragmático significa estudar a realidade a partir do que somos e buscar os melhores caminhos para o que queremos ser.



(Imagem não faz parte do artigo original) 


Fonte - www.metapoliticabrasileira.com.br 


(*) Ernesto Araújo - Ernesto Henrique Fraga Araújo é diplomata, escritor  e indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, como futuro chanceler.

sexta-feira, novembro 16, 2018

Entrevista: a jovem cubana que não desistiu de sonhar










➤      Na semana em curso, o governo cubano afirmou que vai deixar o programa Mais Médicos. A decisão foi anunciada depois de o presidente eleito,Bolsonaro, ter dito que pretende modificar os termos do acordo. O governo cubano se referiu ao que chamou de "declarações ameaçadoras e depreciativas" de Bolsonaro. O presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, prometeu suprir a ausência dos médicos de Cuba, e disse que dará asilo político aos cubanos que pedirem.
“Em torno de 70% do salário desses médicos é confiscado para a ditadura cubana e outra coisa, que é um desrespeito com quem recebe o tratamento por parte desses cubanos, não temos qualquer comprovação que eles sejam realmente médicos e estejam aptos a desempenhar a sua função. Agora, a decisão de suspender isso, foi unilateral por parte do governo, governo não, da ditadura cubana. Eu jamais faria um acordo com Cuba nesses termos, isso é trabalho escravo”, disse Bolsonaro.(JN O Globo de 14/11/2018)





O Mais Médicos sofre desde o início críticas pesadas exatamente por que a maior parte dos salários dos médicos é CONFISCADA pelo governo cubano. Em 2017 o Brasil engordou os cofres cubanos com cerca de 1,3 bi de reais.
Nada melhor do que uma jovem cubana para falar sobre a saúde em Cuba.Abaixo segue entrevista de Zoe María Martínez ao Instituto Liberal em 22 de outubro de 2015:

por Lucas Berlanza(*)

Na semana que passou, a valentia comovente de uma jovem indignada atraiu atenções na Internet. Em um vídeo, que somente em sua própria página na rede social Facebook – com o divertido nome de Disquisições da Zoe -, teve mais de 2200 compartilhamentos até terminarmos de escrever estas linhas, sem contar o sucesso que obteve ao figurar em outras comunidades e perfis virtuais, a menina, em tom decidido e indignado, se declarou cubana e se voltou contra todos aqueles que defendem a tirania socialista estabelecida em sua terra natal pelos irmãos Castro (desde a Revolução que culminou com a insurreição armada de 1959). Ousada e demonstrando toda sua empatia pelo seu povo, a até então desconhecida Zoe se ofereceu, sarcasticamente, para custear passagens para a “paradisíaca ilha socialista” – apenas na cabeça dos amantes da tirania de esquerda, é claro -, desde que os ingênuos se submetessem rigorosamente ao modo de vida de sua gente. Tocados e impressionados pela coragem, fomos atrás dessa história, e trazemos até você o depoimento de quem conhece uma das mais perversas ditaduras modernas de perto, mas não desistiu de sonhar – e nos pede que também perseveremos com o nosso Brasil.

Gostaria que você começasse se apresentando aos leitores do Instituto Liberal e dissesse como vivia com a família em Cuba e há quanto tempo está no Brasil.

Meu nome é Zoe María Martínez. Tenho 16 anos. Moro no Brasil há 4 anos. Passei, portanto, minha infância e começo da adolescência em Cuba; minha vida era quase igual à de todas as crianças cubanas, com as mesmas carências e dificuldades, com a diferença de que eu tinha metade da minha família vivendo fora de Cuba. Então, eles mandavam todo mês remessas de dólares para podermos subsistir.

Como foi a sua saída de Cuba? Como é, em geral, a fuga, ou a “deserção”, dos cubanos? Houve algum momento específico em que tomaram a decisão de sair? São deixados em paz agora, em terra estrangeira?



Minha saída de Cuba foi bem triste por conta da separação familiar. O primeiro a vir foi meu pai, que deixou minha mãe grávida de cinco meses. Depois de quatro anos conseguiu tirar minha mãe, que me deixou na época com nove anos, e também minha irmã do meio, com três anos, aos cuidados dos meus avós maternos, porque na época crianças não podiam viajar nem para fazer turismo. Passados dois anos e oito meses, eles conseguiram nos tirar de lá, e meu pai pôde conhecer a filha de seis anos que tinha deixado ainda na barriga.

A maioria dos jovens quer sair do país e faz todo o possível para conseguir; casam-se com estrangeiros para poder sair da ilha, outros estudam medicina para poderem viajar ou até mesmo se lançam ao mar rumo à Flórida, com destino incerto. Os que têm mais sorte tem algum familiar no estrangeiro que os ajuda a sair legalmente. Uma vez morando no estrangeiro, nós cubanos “somos deixados em paz”, aparentemente, pois sempre sofreremos algum tipo de represália. Por exemplo: cobrança de preços absurdos de qualquer documentação que precisemos obter, incluindo o passaporte cubano, que aqui do Brasil custa em torno de oitocentos e setenta reais (R$ 870,00), e o não reconhecimento de duplas cidadanias. Se formos viajar para Cuba para visitar familiares, somos discriminados no aeroporto local, e às vezes eles se reservam o direito de nos negar a entrada no país sem qualquer explicação, especialmente se formos daqueles que se manifestam publicamente contra o regime.

Como você definiria, em poucas palavras, o regime castrista? Há oposição em Cuba? Quem são e como vivem pessoas como a blogueira Yoani Sanchez, que ficou conhecida por aqui?

Definiria o regime castrista em uma palavra: autocrata. É um stalinismo tropical modernizado. Claro que em Cuba existe oposição, ativa e passiva, mesmo sendo ignorados por algumas personalidades internacionais. Os que são dissidentes ativos são reprimidos brutalmente; aliás, em Cuba, apenas pensar diferente já é motivo para ser perseguido. No caso de Yoani Sanchez, muitos cubanos não sabem da existência dela, assim como dos demais cubanos que são oposicionistas, porque todos os meios de comunicação são censurados pelo governo de maneira hipócrita, já que criticam fortemente a grande mídia nos países democráticos. Sem contar que os oposicionistas são ameaçados e vigiados vinte e quatro horas por dia.

Muitas pessoas que conhecemos visitam a ilha de Cuba e trazem impressões desencontradas. Alguns, em geral fazendo excursões maiores, nos relatam a miséria e o medo nos olhos da população. Outros destacam maravilhas e chegam mesmo a elogiar Fidel. Como você explica essas divergências?

Sempre vai haver essas divergências. Mas isso depende muito do que cada pessoa vai fazer lá. Uns vão por turismo, frequentam só os hotéis e lugares especiais para turistas que geralmente são de difícil acesso ao povo. Outros já vão com a intenção de ver como verdadeiramente se vive em Cuba, saem da área de conforto e do mundo fantasioso que o governo oferece a eles. Sem contar aqueles que vão a eventos patrocinados pelo governo de Cuba e previamente o governo prepara os participantes locais que vão interagir com eles com um discurso pré-elaborado e censurado.

Educação e saúde, dois bens que quase todos desejam, são enaltecidos pela esquerda como conquistas sólidas do regime cubano. Que visão um cubano médio tem do mundo? Os cubanos têm acesso à Internet? O que eles aprendem nas escolas? Você teve essa formação? Experimentou algum contraste com o que estuda por aqui? Os hospitais têm uma boa infraestrutura, são de boa qualidade?

Quando eu morava em Cuba achava normal o jeito de se viver. Na época não tinha acesso à Internet, não tinha liberdade de expressão, não podia imaginar a vida fora de Cuba. Nas escolas tudo é politizado e padronizado, o sistema de educação é cheio de problemas, há escassez de professores. Na minha cidade, as escolas com melhor estrutura foram construídas antes da Revolução, porém não foram bem preservadas. Lá é tudo decadente, tanto a saúde quanto a educação e todo o resto. Nos hospitais faltam remédios, higiene, estrutura, enfim, falta tudo. Os únicos hospitais bons são os reservados para uso da elite do governo e seus familiares.

Algumas perguntas sobre o Brasil; sabemos que nosso governo apoiou o regime cubano na construção do Porto de Mariel, com o programa Mais Médicos e com toda a sua notória chancela e afinidade diplomática. O que você pensa disso? O que diria aos brasileiros, se pudesse?

Até hoje não consigo entender como um governo que diz defender tanto a democracia e a liberdade de expressão pode se aliar, apoiar um governo que nem o de Cuba, autoritário e ditatorial, que tem violado por mais de cinquenta anos os mais elementares direitos humanos perante seu povo. Aproveito para mandar um recado a todos os brasileiros: o Brasil é lindo, vocês têm um tesouro, zelem com o maior cuidado pela sua democracia. Não deixem que os corruptos contem a sua história. O Brasil é mais que um partido, mais que uma ideologia. Não desistam dele.

Reservo um espaço agora para que você faça suas considerações finais, caso deseje deixar um recado de encerramento.

Meu maior sonho para a minha terra natal é que algum dia seja uma democracia verdadeira, que meu povo pare de sofrer como há tantos anos sofre, e que nós cubanos nunca paremos de lutar para conseguirmos isso.


(*)Lucas Berlanza- Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é carioca, editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.
Fonte-www.institutoliberal.org.br/

terça-feira, novembro 06, 2018

Por que devemos tratar a foice e o martelo da mesma maneira que tratamos a suástica









por Richard Mason, 

➤    Duas ideologias igualmente sanguinárias não devem ser tratadas de maneiras radicalmente distintas


Se você pedir a um cidadão comum para pensar nos dois extremos do espectro político, são grandes as chances de que ele irá imediatamente visualizar, de um lado, a suástica e, do outro, a foice e o martelo.

Independentemente de quais sejam suas visões acerca do paradigma esquerda-direita, ou mesmo se ele acredita na teoria da ferradura, este indivíduo (corretamente) irá pensar no fascismo e no comunismo como sendo as duas ideologias típicas dos extremos.

No entanto, e curiosamente, a rejeição a ambos os símbolos não é a mesma.

Ao verem a suástica, as pessoas imediatamente são remetidas aos horrores do regime nazista, com suas perseguições étnicas e seus homicídios sistematizados, e corretamente sentem uma total repulsa. Em vários países europeus, com efeito, ostentar publicamente uma suástica é crime. Dado que os nazistas foram responsáveis pela chacina de cerca de 20 milhões de pessoas, todos nós entendemos quão abominável é esta ideologia e corretamente a tratamos com desrespeito e repugnância.

Porém, como estas mesmas pessoas reagem ao símbolo da foice e do martelo? Em várias ocasiões, há aceitação. Na maioria das vezes, há apenas indiferença. O que leva à inevitável pergunta: por que a ideologia responsável diretamente por centenas de milhões de mortes não recebe o mesmo tratamento que a ideologia nazista?

➤    Um histórico vermelho de sangue

Os atos inomináveis de Adolf Hitler empalidecem em comparação aos horrores cometidos pelos comunistas na antiga URSS, na República Popular da China e no Camboja, apenas para ficar entre os principais.

Entre 1917 e 1987, Vladimir Lênin, Josef Stalin e seus sucessores assassinaram 62 milhões de pessoas do seu próprio povo. O ponto de partida foi a Ucrânia, onde, de acordo com o historiador Robert Conquest, o regime comunista foi o responsável direto por 14,5 milhões de mortes.

Já entre 1949 e 1987, o comunismo da China, liderado por Mao Tsé-Tung e seus sucessores, assassinou ou de alguma maneira foi o responsável pela morte de 76 milhões de chineses (há historiadores que dizem que o número total pode ser de 100 milhões ou mais. Somente durante o Grande Salto para Frente, de 1959 a 1961, o número de mortos varia entre 20 milhões e 75 milhões. No período anterior foi de 20 milhões. No período posterior, dezenas de milhões a mais.)

O próprio Mao Tsé-Tung famosamente se gaba de ter "enterrado vivos 46.000 intelectuais", o que significa que ele os enviou para campos de concentração, onde ficariam calados e morreriam de fome.

No Camboja, o Khmer Vermelho exterminou aproximadamente 3 milhões de cambojanos, em uma população de 8 milhões. Este radical movimento comunista comandado por Pol Pot chegou ao ponto de ter como alvo qualquer pessoa que usasse óculos. Crianças eram assassinadas a baionetas.

No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987. Destes, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de inanição e epidemias provocadas por marxistas — dentre estas, mais de 10 milhões foram intencionalmente esfaimadas até a morte, e o resto morreu como consequência não-premeditada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.

Para se ter uma perspectiva deste número de vidas humanas exterminadas, vale observar que as duas grandes guerras mundiais do século XX, mais as Guerras da Coréia e do Vietnã, mataram aproximadamente 85 milhões de civis. Ou seja, quando marxistas controlam estados, o marxismo é mais letal que as principais guerras do século XX combinadas.

➤    Os aliados

Ou seja, não é exatamente por falta de conhecimento. Afinal, assim como o Holocausto, os gulags da União Soviética, o Holodomor, os campos de extermínio do Camboja e a Revolução Cultural da China também são bastante conhecidos.

E, ainda assim, vários intelectuais, jornalistas e membros do meio acadêmico seguem orgulhosamente defendendo — e até mesmo fomentando abertamente — idéias comunistas. No Reino Unido, há jornalistas que abertamente apóiam o comunismo. Estátuas de Karl Marx foram erigidas por ocasião de seu 200º aniversário. Mesmo nos EUA, que sempre foi um dos países mais anti-comunistas da história, há hoje uma estátua de Vladimir Lênin na cidade de Seattle.

Tornou-se aceitável em quase todos os países do mundo (exceto na Polônia, na Geórgia, na Hungria, na Letônia, na Lituânia, na Moldávia e na Ucrânia) marchar sob a bandeira vermelha da ex-URSS, estampada com a foice e o martelo.

Para completar, Mao Tse-Tung é amplamente admirado por acadêmicos e esquerdistas de vários países, os quais cantam louvores a Mao enquanto leem seu livrinho vermelho, "Citações do Presidente Mao Tse-Tung".

[N. do E.: no Brasil, o PCdoB, que recentemente disputou a presidência da república como vice na chapa do PT, é historicamente maoísta].

Seja na comunidade acadêmica, na elite midiática, na elite cultural e artística, em militantes de partidos políticos, em agremiações estudantis, em movimentos ambientalistas etc., o fato é que há uma grande tolerância para com as ideias comunistas/socialistas — um sistema (de governo) que causou mais mortes e miséria humana do que todos os outros sistemas combinados.

Logo, por que exatamente duas ideologias igualmente odiosas e violentas são tratadas de maneiras tão explicitamente distintas?

➤    "O comunismo real nunca foi tentado!"

A resposta pode estar no erro de percepção das virtudes.

Os nazistas, corretamente, são vistos como odiosos e malignos porque toda a sua ideologia é construída em torno da ideia de que um grupo é superior a todos os outros. Trata-se de uma ideologia inerentemente supremacista e anti-indivíduo, uma violenta crença que foi colocada em prática apenas uma vez por aqueles que a conceberam.

Sendo assim, simplesmente não há uma maneira justificável e aceitável para um fascista argumentar que "Ah, mas aquilo não era o nazismo verdadeiro...".

Já o mesmo, aparentemente, não vale para o comunismo. Ao contrário, vemos esse argumento a todo o momento. Aqueles na extrema-esquerda possuem um enorme guarda-chuvas sob o qual se abrigam todos os tipos de estilos comunistas: do stalinismo ao anarco-sindicalismo, passando pelo maoísmo, trotskismo, marxismo clássico ou mesmo pelo socialismo light.

E, dado que Karl Marx nunca implantou ele próprio suas ideias, os líderes dos regimes comunistas sempre usufruíram uma espécie de indulto para praticar suas atrocidades: quaisquer tragédias, descalabros ou crises criadas por regimes comunistas sempre podem ser atribuídas a um "erro" nas aplicações das idéias de Marx, as quais continuam sendo vistas como um mapa infalível para a utopia.

Convenientemente, os defensores desta idelogia sempre têm um passe livre para se descolarem completamente dos horrores do passado. Eles, até hoje, continuam se apresentando como pioneiros e desbravadores de uma ideologia humanitária que simplesmente ainda não teve a oportunidade de desabrochar por completo. "O comunismo de verdade nunca foi tentado!", gritam eles após cada novo fracasso do comunismo.

Agindo desta maneira, os defensores do comunismo podem, após cada novo fracasso, continuar impavidamente se apresentando como humanitários. Eles estão apenas lutando pela libertação da classe proletária e pela criação de um paraíso dos trabalhadores, arranjo este que nada tem a ver com os fracassos e falsos profetas anteriores. A atual geração de comunistas sempre será aquela que, agora sim, irá implantar o comunismo real, e não as deturpações que foram tentadas antes.

Na pior das hipóteses, tais pessoas são vistas apenas como seres ingênuos, mas ainda assim muito bem-intencionados.

➤    Onde estabelecer os limites?

Este é o cerne da questão. Ao passo que o nazismo sempre esteve intrinsecamente ligado aos crimes de seus adeptos, o comunismo sempre conseguiu se distanciar de suas tragédias. Ninguém toleraria a presença de uma camiseta estampada com Adolf Hitler ou Benito Mussolini, mas a foto do maníaco homicida Che Guevara em camisetas e smartphones é amplamente vista como um símbolo de descolamento e de uma pueril ideia de rebeldia juvenil.

Logo, como estabelecer os limites? A ideologia comunista, em sua forma mais pura, sempre consegue se distanciar de suas efetivas implantações, mas a partir de que ponto seu tenebroso histórico irá conseguir desacreditar quaisquer novas tentativas de se implantá-la?

Como disse o economista Murray Rothbard: "Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma "ciência lúgubre". Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância." 

Temos de dizer o mesmo sobre o comunismo. Continuar defendendo idéias e bandeiras comunistas não obstante o pavoroso histórico desta ideologia não é uma postura nem ingênua e nem muito menos bem-intencionada. A história do comunismo é tão sanguinolenta quanto a do nazismo; aliás, é muito mais sanguinolenta.

É hora de dispensarmos a seus símbolos e a seus defensores o mesmo trato que já dispensamos aos nazistas.

De resto, um lembrete aos esquerdistas, progressistas e socialistas de hoje que se arrepiam com a simples sugestão de que sua agenda pouco difere da dos maníacos nazistas, soviéticos e maoístas: não é necessário defender campos de concentração ou conquistas territoriais para ser um tirano. O único requisito necessário é acreditar na primazia do estado sobre os direitos individuais.

Fonte: Mises Brasil
Richard Mason, é freelancer e editor-assistente do site SpeakFreely.today

terça-feira, outubro 16, 2018

Como o feminismo se equivoca em relação ao capitalismo




E por que homens tendem a ganhar mais do que mulheres.

por Ivan Carrino(*).  

Terminei de ler o livro Economia Feminista - Como construir uma sociedade igualitária (sem perder o glamour), escrito pela doutora em economia Mercedes D'Alessandro, uma das principais ícones do feminismo mundial.

No livro, a economista — que possui formação marxista e é autodeclarada feminista — propõe uma análise centrada na desigualdade. Mas não na desigualdade de riqueza ou de patrimônios, mas sim na desigualdade de gênero. Ou seja, na desigualdade entre homens e mulheres.

Segundo D'Alessandro, a sociedade atual apresenta uma grande disparidade entre os gêneros, evidenciada nas diferenças de salários e no peso que as tarefas do lar exercem sobre a mulher. Essas disparidades de gênero, sentencia a autora, são culpa do capitalismo.

A solução proposta, embora não explicitamente declarada no livro, passa por uma maior regulação estatal.

A obra é um bom resumo dos pontos de vista econômicos do movimento feminista. Não obstante, está eivada de contradições e de problemas de argumentação. Acima de tudo: ela apresenta um diagnóstico errado sobre a situação atual.

A primeira grande inconsistência surge logo em sua proposta. Segundo D'Alessandro, seu livro "se propõe a pensar uma forma de organização social em que as mulheres tenham uma função diferente da que têm hoje".

A pergunta que imediatamente surge é: exatamente a que função ela se refere? À de uma profissional independente de 40 anos de idade? À de uma professora de escola primária? À de uma CEO de uma grande empresa? À de Christine Lagarde, diretora mundial do FMI?

Não seria um tanto pretensioso da parte da doutora D'Alessandro se auto-arrogar a representação de todas as mulheres do planeta e então pressupor que elas exercem hoje um papel que não desejam?

O segundo ponto controverso é que a doutora D'Alessandro sustenta que o trabalho doméstico (segundo suas estatísticas, 9 de cada 10 mulheres realizam esse tipo de trabalho independentemente de terem ou não um emprego fora de casa) é um emprego não-remunerado, e isso equivale a uma exploração.

Esta ideia é falsa.

Imagine um casal qualquer. Os dois membros voluntariamente chegam à decisão de que um deles permanecerá cuidando do lar. De mútuo acordo, "A" organiza a vida do lar enquanto "B" sai ao mercado para trabalhar diariamente em troca de um salário. Em muitas famílias, este é exatamente o arranjo vigente.

Sendo assim, é fato que A realiza um trabalho dentro do lar, da mesma maneira que B o realiza fora do lar. No entanto, não é correto dizer que A não seja remunerado pelo que faz.

Em definitivo, a renda de B se transforma na renda familiar, e serve para prover a todo o grupo. Neste caso, a família, ou o casal, funciona como uma equipe que divide as tarefas. Porém, ambas as tarefas são remuneradas. B trabalha no mercado em troca de um salário, o qual também será usufruído por A.

Logo, A também recebe uma remuneração, a qual se dá na forma de um teto sob o qual viver, na capacidade de consumir o que ambos decidirem comprar (ou na capacidade de consumir tudo aquilo que A quiser, desde que caiba na renda mensal de B), em poder usufruir uma viagem de turismo etc.

Essa ideia de que o trabalho doméstico não é remunerado seria a mais infeliz do livro se não fosse pela incoerente crítica que a autora faz ao capitalismo. D'Alessandro afirma que "em uma sociedade configurada por relações monetárias, a falta de salário transformou uma forma de exploração [os afazeres domésticos] em uma atividade normal".

Mas o fato é que, graças ao capitalismo, a mulher tem um papel cada vez mais importante no mercado de trabalho. De acordo com Steven Horwitz:
Dois fenômenos começaram a ocorrer no século XX, os quais, ao final, alteraram aquilo que até então era visto como um arranjo familiar estável. Primeiro, a inovação tecnológica lentamente começou a produzir máquinas (como a máquina de lavar e o aspirador de pó) que reduziram o tempo de trabalho despendido nas tarefas domésticas. Segundo, o crescimento econômico impulsionado pela economia de mercado aumentou a demanda por mão-de-obra (inclusive feminina) e continuou elevando o poder de compra dos salários.


Ou seja, graças ao crescimento da economia de mercado, é cada vez menos necessária a presença permanente de uma pessoa no lar para os afazeres domésticos, de modo que a ideia básica de "um homem trabalhando e uma mulher dentro de casa" vai perdendo sustentação.

Aliás, é exatamente em economias pouco capitalistas — atrasadas — que há uma menor oferta de ferramentas e máquinas que fazem as tarefas domésticas. Máquinas de lavar roupa, de lavar louça, aspiradores de pó e secadores — instrumentos que reduzem o fardo das tarefas domésticas — são bens caros e de oferta limitada nos países pouco capitalistas, exatamente o arranjo defendido pela doutora D'Alessandro.

O mais curioso é que a própria doutora D'Alessandro reconhece que o capitalismo gerou um avanço — do ponto de vista feminista — na participação da mulher no mercado de trabalho. Segundo seu livro:
Nos anos 1960, somente 2 de cada 10 mulheres trabalhavam fora de casa. Hoje, são quase 7 em cada 10.

Adicionalmente, o livro afirma que, nos EUA, para cada dólar pago a um homem, uma mulher recebe, em média, 79 centavos de dólar. No entanto, a própria autora reconhece que, há 50 anos, esse valor era de 59 centavos de dólar, o que significa que ele cresceu nada menos que 20 pontos.

Finalmente, a autora também reconhece a melhora ocorrida dentro do mundo corporativo:
Nas últimas décadas, as mulheres melhoraram seu acesso a cargos altos. Segundo o censo dos Estados Unidos, em 1980, somente 7% das mulheres possuía um emprego administrativo ou presidencial, sendo que tal cifra era de 17% para os homens. Em 2010, esta diferença já havia praticamente desaparecido.

Apesar de reconhecer essas tendências favoráveis, a doutora D'Alessandro não deixa de afirmar que "as diferenças salariais entre homens e mulheres já duram mais de duzentos anos e não há sinais de que irão mudar substantivamente".

Só que essa afirmação da doutora está em total contradição com as cifras que ela própria mencionou apenas alguns parágrafos antes.

A incoerência

A verdade é que a economia feminista parte de uma premissa totalmente equivocada: ela considera que todas as mulheres formam um grupo único e homogêneo, desconsiderando todas as nuanças e diferenças que existem entre os membros desse grupo. Ou seja, em vez de partir de uma análise individual, o feminismo recorre diretamente a agregações coletivistas, desta forma supondo que todas as mulheres são iguais e querem exatamente os mesmos objetivos.

Algo que já começa com pressuposições erradas não tem como chegar a conclusões corretas e lógicas.

Em segundo lugar, a economia feminista assume erroneamente que toda atividade que não tenha um salário monetário como contrapartida equivale a exploração.

Por último, acusa incoerentemente o capitalismo pelas desigualdades, sendo que foi exatamente este sistema o que mais fez para melhorar as condições de vida tanto dos homens quanto das mulheres. Principalmente: foi o sistema que libertou as mulheres da necessidade de se casar apenas para obter um sustento econômico.

O feminismo se equivoca em relação ao capitalismo. E, ao condená-lo, está jogando contra seus próprios interesses: o maior bem-estar econômico das mulheres ao redor do mundo.

Complemento do IMB

Em um mercado de trabalho com liberdade de contratação e demissão, é impossível haver divergências salariais entre homens e mulheres em decorrência unicamente de discriminação. 

Se as mulheres de fato ganhassem menos que os homens para realizar as mesmas tarefas, empresas que buscam o lucro só contratariam mulheres. Diante de dois candidatos com o mesmo potencial, o patrão contrataria o mais barato.

Ou seja, se de fato houvesse tal discriminação, qualquer empregador iria obter lucros fáceis contratando mulheres e dispensando homens, uma vez que as mulheres poderiam receber um salário menor para fazer exatamente o mesmo trabalho. Consequentemente, a concorrência entre os empregadores iria elevar os salários das mulheres e, assim, abolir qualquer diferença salarial que porventura exista.

Logo, sempre e em qualquer ocasião que houver qualquer tipo de discriminação salarial — e isto vale não apenas para gêneros, mas também para cor de pele, religiões, etnias etc. —, o capitalismo irá abolir tal situação, e não aprofundá-la. E o motivo essencial é que um empregador que permite que seus preconceitos turvem seu juízo de valor estará criando uma oportunidade de lucro para seus concorrentes. 

Uma mulher que produz $75.000 por ano em receitas para seu patrão, mas que recebe, digamos, $20.000 a menos que um empregado masculino igualmente produtivo, poderá ser contratada por um concorrente por, digamos, $10.000 a mais do que recebe hoje e ainda assim permitir que este novo empregador embolse os $10.000 de diferença. 

À medida que este processo concorrencial for se aprofundando ele irá, ao fim e ao cabo, elevar os salários femininos ao ponto de paridade com os salários masculinos caso a concorrência salarial seja vigorosa o bastante.

A realidade é que há outros fatores indeléveis nessa questão da divergência salarial entre homens e mulheres. Por exemplo, em termos gerais, a probabilidade de as mulheres saírem da força de trabalho por um período de tempo — por causa de gravidez, criação e educação de filhos e outras tarefas (das quais a maioria dos homens se esquiva) — é maior que a dos homens. As mulheres são muito mais propensas que os homens a se ausentar do mercado de trabalho por um período de tempo (anos) para se dedicar à família. E mesmo que não façam isso, elas tendem a gastar muito mais tempo que os homens cuidando das crianças e das tarefas domésticas. Consequentemente, elas ficam atrás de seus colegas homens em termos de acumulação de capital, produtividade e salários.

No entanto, explicações muito mais explosivas sobre diferenças salariais podem ser encontradas no livro do professor James T. Bennett, do departamento de economia da George Mason University, intitulado The Politics of American Feminism: Gender Conflict in Contemporary Society

Neste livro, o professor Bennett enumera mais de vinte motivos por que os homens ganham mais que as mulheres. Cumulativamente, tais explicações explicam por completo a existência de qualquer "disparidade salarial", embora o próprio Bennett acredite que a discriminação salarial por gênero não seja algo inexistente. 

Os motivos, baseados em generalizações respaldadas por volumosas estatísticas, são:
  • Homens têm mais interesse por tecnologia e ciências naturais do que as mulheres.
  • Homens são mais propensos a aceitar trabalhos perigosos, e tais empregos pagam mais do que empregos mais confortáveis e seguros.
  • Homens são mais dispostos a se expor a climas inclementes em seu trabalho, e são compensados por isso ("diferenças compensatórias" no linguajar econômico).
  • Homens tendem a aceitar empregos mais estressantes que não sigam a típica rotina de oito horas de trabalho em horários convencionais.
  • Muitas mulheres preferem a satisfação pessoal no emprego (profissões voltadas para a assistência a crianças e idosos, por exemplo) a salários mais altos.
  • Homens, em geral, gostam de correr mais riscos que mulheres. Maiores riscos levam a recompensas mais altas.
  • Horários de trabalho mais atípicos pagam mais, e homens são mais propensos que as mulheres a aceitar trabalhar em tais horários.
  • Empregos perigosos (carvoaria) pagam mais e são dominados por homens.
  • Homens tendem a "atualizar" suas qualificações de trabalho mais frequentemente do que mulheres.
  • Homens são mais propensos a trabalhar em jornadas mais longas, o que aumenta a divergência salarial.
  • Mulheres tendem a ter mais "interrupções" em suas carreiras, principalmente por causa da gravidez, da criação e da educação de seus filhos. E menos experiência significa salários menores.
  • Mulheres apresentam uma probabilidade nove vezes maior do que os homens de sair do trabalho por "razões familiares". Menos tempo de serviço leva a menores salários.
  • Homens trabalham mais semanas por ano do que mulheres.
  • Homens apresentam a metade da taxa de absenteísmo das mulheres. 
  • Homens são mais dispostos a aturar longas viagens diárias para o local de trabalho.
  • Homens são mais propensos a se transferir para locais indesejáveis em troca de empregos que pagam mais.
  • Homens são mais propensos a aceitar empregos que exigem viagens constantes.
  • No mundo corporativo, homens são mais propensos a escolher áreas de salários mais altos, como finanças e vendas, ao passo que as mulheres são mais predominantes em áreas que pagam menos, como recursos humanos e relações públicas.
  • Quando homens e mulheres possuem o mesmo cargo, as responsabilidades masculinas tendem a ser maiores.
  • Homens são mais propensos a trabalhar por comissão; mulheres são mais propensas a procurar empregos que deem mais estabilidade. O primeiro apresenta maiores potenciais de ganho.
  • Mulheres atribuem maior valor à flexibilidade, a um ambiente de trabalho mais humano e a ter mais tempo para os filhos e para a família.


Portanto, os grupos feministas organizados que querem impor salários maiores para as mulheres deveriam prestar mais atenção a estes determinantes e se concentrar menos em cruzadas quixotescas como legislações sobre "diversidade e igualdade" que demonizam empregados e patrões homens.

Porém, a lógica econômica é normalmente suprimida por grupos ativistas que julgam ser muito mais fácil e produtivo simplesmente difamar aqueles que tentam explicar que há motivos economicamente racionais para a existência de eventuais divergências salariais entre homens e mulheres.

(Texto originalmente publicado em 08/03/18)
(*)Iván Carrino é analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na Argentina e possui mestrado em Economia Austriaca pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri.

by Instituto Mises Brasil

quarta-feira, outubro 10, 2018

O partido anti-Lula







por José Roberto Guzzo(*).

Durante as próximas três semanas você vai ler, ver e ouvir um oceano de explicações perfeitas sobre o que aconteceu nas eleições deste domingo – e em todas elas, naturalmente, os cérebros da análise política nacional dirão ao público o quanto acertaram nos seus pronunciamentos durante a campanha eleitoral, embora tenha acontecido em geral o contrário de quase tudo que disseram. A mesma cantoria, com alguns retoques, deve ser feita daqui para frente para lhe instruir em relação ao desfecho do segundo turno, no próximo dia 28 de outubro. Em favor da economia de tempo, assim, pode ser útil anotar algumas realidades básicas que o primeiro turno deixou demonstradas.

1 – A grande força política que existe no Brasil de hoje se chama anti-petismo. É isso que deu ao primeiro colocado, Jair Bolsonaro, 18 milhões de votos a mais que o total obtido pelo “poste” do ex-presidente Lula. Esqueça a “onda conservadora”, o avanço do “fascismo”, as ameaças de “retrocesso” – bem como toda essa discussão sobre homofobia, racismo, machismo, defesa da ditadura e mais do mesmo. Esqueça, obviamente, a força do PSL, que é nenhuma, ou o esquema político do candidato, que não existe. O que há na vida real é uma rejeição tamanho gigante contra Lula e tudo o que cheira à Lula. Quem melhor soube representar essa repulsa foi Bolsonaro. Por isso, e só por isso, ficou com o primeiro lugar.

2 – O PT, como já havia acontecido nas eleições municipais de 2016, foi triturado pela massa dos eleitores brasileiros. Seu candidato a presidente não conseguiu mais que um quarto dos votos. Os candidatos do partido a governador nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tiveram votações ridículas. Todos os seus candidatos “ícone” ao Senado, como Dilma Rousseff em Minas Gerais, Eduardo Suplicy em São Paulo e Lindbergh Farias no Rio de Janeiro foram transformados em paçoca, deixando o PT sem um único senador nos três maiores colégios eleitorais do Brasil. Mais uma vez, o partido só tem a festejar a votação no Nordeste – e mais uma vez, ali, aparece aliado com tudo que existe de mais atrasado na política brasileira.

3 – A força política de Lula, que continua sendo descrito como um gênio incomparável no “jogo do poder”, é do exato tamanho dos resultados obtidos nas urnas pelo seu “poste”. As mais extraordinárias profecias vêm sendo repetidas, há meses, sobre a sua capacidade de “transferir votos” e a sua inteligência praticamente sobre-humana em tudo o que se refere à política. Encerrada a apuração, Lula continua exatamente onde estava – trancado num xadrez em Curitiba e com muito cartaz do “New York Times”, mas sem força para mandar em nada.

4 – Os institutos de “pesquisa de intenção de voto”, mais uma vez, fizeram previsões calamitosamente erradas. Dilma, segundo garantiam, ia ser a “senadora mais votada do Brasil”. Ficou num quarto lugar humilhante. Suplicy, uma espécie de Tiririca-2 de São Paulo, também era dado como “eleito”. Foi varrido do mapa. Os primeiros colocados para governador de Minas e Rio de Janeiro foram ignorados pelas pesquisas praticamente até a véspera da eleição. Tinham 1% dos votos, ou coisa que o valha. Deu no que deu.

5 – O tempo de televisão e rádio no horário eleitoral obrigatório, sempre tido como uma vantagem monumental - e sempre vendido a peso de ouro pelas gangues partidárias - está valendo zero em termos nacionais. Geraldo Alckmin tinha o maior espaço nos meios eletrônicos. Acabou com menos de 5% dos votos. Bolsonaro não tinha nem 1 minuto. Foi o primeiro colocado. Parece não valer mais nada, igualmente, a propaganda fabricada por gênios do “marketing eleitoral” da modalidade Duda Mendonça-João Santana – caríssima, paga com dinheiro roubado e criada numa usina central de produção. A votação de Bolsonaro foi construída nas redes sociais, sem comando único e sem verbas milionárias.

Daqui até 28 de outubro o público será apresentado à outras previsões, teoremas e choques de sabedoria. É bom não perder de vista o que acaba de acontecer antes de acreditar no que lhe anunciam para o futuro.

(*) José Roberto Guzzo é jornalista Veja (perfil facebook aqui)

quinta-feira, outubro 04, 2018

Catar: Generoso Financiador de Mesquitas Francesas


Mesquita em Saint-Etienne-du-Rouvray, Normandia, cidade onde aconteceu o ataque a uma igreja que culminou na morte do padre Jacques Hamel, de 84 anos, degolado após dois homens armados com faca adentrarem na Igreja(Foto: François Mori/AP)

por Giulio Meotti.



As atividades do Catar na França deveriam causar muita inquietação naqueles que se preocupam com a estabilidade das democracias europeias. Durante anos o Catar tem sido o motivo de muitas reclamações no que diz respeito ao fundamentalismo islâmico e seu suposto apoio à Irmandade Muçulmana, Irã, ISIS, elementos da Al-Qaeda, Hamas, Talibã e outros extremistas.

O emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani, proporcionou recentemente provas contundentes que a França é campo fértil para a projeção de seu país que por mais de um ano tem sido boicotado pelos seus vizinhos do Golfo Em julho houve o terceiro encontro em poucos meses, em Paris, entre o emir do Qatar e o presidente da França, Emmanuel Macron. Já foram assinados contratos superiores a 12 bilhões de euros, tornando o Qatar o terceiro maior consumidor de produtos franceses do Golfo, perdendo somente para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. O Catar, no entanto, é motivo de desconforto não somente em relação à economia francesa.

O dinheiro do Qatar financia muitas das "mega mesquitas" da França. São enormes estruturas com minaretes, não aquelas mesquitas improvisadas que apareceram em garagens, lojas e centros culturais. A Grande Mesquita de Poitiers, por exemplo, fica nas proximidades do local onde ocorreu a Batalha de Tours (também conhecida como Batalha de Poitiers), onde Charles Martel, soberano dos francos, deteve o avanço do exército muçulmano de Abdul al-Rahman no ano 732.

Boubaker El-Hadj Amor, imã da Poitiers de hoje, ressaltou que a construção da mesquita, que tem auditório de orações para 700 fiéis e um minarete de 22 metros de altura, foi possível graças ao dinheiro desembolsado pela organização "Qatar Charity". Em um vídeo, o imã de Poitiers reconhece ter se beneficiado dos fundos do Catar para continuar com a construção da mesquita, interrompida por vários anos devido à falta de financiamento dos fiéis locais. "O que construímos é graças a Alá e com a ajuda da organização Qatar Charity", salientou o imã.

De acordo com o jornal Libération:

"presenciamos atualmente a um relativo amordaçamento dos parceiros históricos do Islã na França: Marrocos e Argélia. Embora permaneçam doadores importantes, mantêm laços estreitos com as primeiras gerações de imigrantes e têm assegurado posições chave no Conselho Francês da Fé Muçulmana (CFCM), esses dois países veem sua influência encolher na geração mais nova."
"O Catar opera se infiltrando traiçoeiramente, embora consensualmente, na União das Organizações Islâmicas da França (UOIF), representante na França da Irmandade Muçulmana."


"A intenção do Qatar era assumir o controle do Islã na França através da UOIF", realça Georges Malbrounot repórter do jornal Le Figaro e coautor do livro "Nos très chers émirs"("Nossos queridos Emires") sobre as relações entre a França e o Catar.


Sua minarete de 17 metros de altura, a gigantesca cúpula de 14 metros e sua iluminação exterior noturna, a mesquita Assalam "ilumina a cidade de Nantes." A mesquita aparentemente responde aos verdadeiros anseios dos muçulmanos da cidade. Os fiéis costumavam rezar na Mesquita Arrahma e na Mesquita El Forqane (antiga Capela Cristã de Saint-Christophe antes de ser transformada em um salão para orações islâmicas), mas os líderes da comunidade muçulmana dizem que elas são pequenas demais para as necessidades da comunidade.



O dinheiro do Catar também está fluindo para Mulhouse, cidade da Alsácia, onde a Qatar Charity ajudou a construir o Centro An Nour, que contém uma enorme mesquita, "uma das mais impressionantes da Europa". A mídia do catari retratou o projeto da seguinte maneira:
"O centro encontra-se estrategicamente localizado na região fronteiriça da França, Alemanha e Suíça, onde os muçulmanos somam mais de 20% da população da cidade que é de 256 mil habitantes. Mais de 150 mil pessoas dos três países usufruirão da obra".

Em Marselha, o dinheiro do Catar também financia a futura Grande Mesquita de Marselha que acomodará de 10 mil a 14 mil fiéis, em uma cidade que já abriga "cerca de 70 mesquitas e salões oficiais para as orações"segundo o Conselho Regional da Fé Muçulmana. Além disso, o governo do Catar, tem doado milhões de euros à Grande Mesquita de Paris.

Dos estados do Golfo Pérsico, ao que tudo indica, o Catar é o mais expressivo no tocante à criação da história islâmica na França. Bernard Godard, que durante anos serviu como consultor sobre o Islã para o Ministério do Interior, ressaltou: "não se pode afirmar que o Islã na França seja financiado principalmente pela Arábia Saudita. Ela contribui um pouco, mas bem menos do que países como o Catar ou Kuwait". O estudioso francês Bérengère Bonte escreveu um livro no ano passado intitulado:A República Francesa do Catar("La République française du Qatar").

O Catar, ao que consta, também ajudou a financiar o campus Saint-Denis do European Institute of Human Sciences (IESH) Essa "Universidade Muçulmana" privada, oferece cursos de língua e teologia árabes para estudantes muçulmanos pós-graduados. Em quinze anos, as matrículas saltaram de 180 alunos para cerca de 1.500.

O Catar também está por trás da primeira escola de fé muçulmana financiada pelo estado, a Lycée-Collège Averroès. A escola estava no centro de uma altercação há alguns anos quando um de seus professores pediu demissão por ter escrito que a escola era "um foco de antissemitismo e que 'promovia o islamismo' aos alunos". A escola é financiada com dinheiro público, mensalidade escolar e doações da comunidade muçulmana. Mas quando se tornou necessário comprar um novo edifício e reformá-lo ao custo de 2,5 milhões de euros, o Banco de Desenvolvimento da Arábia Saudita concordou em pagar 250 mil euros e a ONG Qatar Charity 800 mil. De acordo com o jornal Libération:
"Mas quando se tornou necessário comprar um novo edifício e reformá-lo ao custo de 2,5 milhões de euros, o Banco de Desenvolvimento da Arábia Saudita concordou em pagar 250 mil euros e a ONG Qatar Charity 800 mil.

Eis que surge "a Grande Mesquita de Saint-Denis," localizada no subúrbio parisiense de Saint-Denis, que concentra um alto contingente de imigrantes muçulmanos. Ahmed Jamaleddine, tesoureiro da associação Amal, que está por trás da construção da mesquita, salienta: "recebemos financiamento do exterior... Tudo é transparente: os recursos são enviados pelos fiéis da Arábia Saudita e do Catar".

A famosa catedral, Basílica de Saint-Denis, também está localizada em Saint-Denis, nela se encontra a necrópole real onde estão enterrados inúmeros reis franceses, entre eles Charles Martel, citado acima, que conteve o avanço do exército muçulmano em 732.

Parece que o Emir do Catar sabe muito mais da história francesa do que muitos franceses. As democracias fariam um bem a si próprias se abrissem os olhos em relação ao Catar.


(*)Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
Original em inglês: Qatar: France's Generous Financer of Mosques
Tradução: Joseph Skilnik
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