segunda-feira, julho 23, 2018

A Inexorável Radicalização da Suécia






por Judith Bergman(*).


Um novo estudo [1] sobre o salafismo na Suécia, conduzido pela Universidade de Defesa da Suécia, pinta uma imagem sombria da radicalização dos muçulmanos em curso na Suécia.

Os salafistas são os "antepassados devotos" das primeiras três gerações de seguidores de Maomé, sua ideologia chegou a ser associada nas últimas décadas à al-Qaeda e ao ISIS, bem como aos grupos locais ligados à al-Qaeda. Segundo o estudo, os salafistas que acreditam no Islã praticado pelos primeiros seguidores de Maomé, tendem a rejeitar a sociedade ocidental em favor de um Islã "puro": "nem todos os salafistas são jihadistas, mas todos os jihadistas são salafistas". [2]

Embora o estudo não forneça uma estimativa sobre quantos salafistas se encontram na Suécia, ele mostra como os meios salafistas evoluíram e se fortaleceram, principalmente na última década, o estudo lista vários casos da influência que eles exercem em diversas cidades e localidades suecas.

Os "salafistas", concluem os autores do estudo, "defendem a segregação de gênero, exigem que as mulheres usem os véus islâmicos para limitar a 'tentação sexual', restringem o papel das mulheres na esfera pública e se opõem categoricamente a ouvir música e a determinadas atividades esportivas".[3].

De acordo com o estudo, muitos salafistas também instruem os muçulmanos a não fazerem amizade com os suecos, referindo-se a eles como "kufr", termo árabe usado para identificar um não muçulmano ou "infiel". O pregador salafista Anas Khalifa salientou:

"isso significa que se você se deparar com um cristão ou um judeu você deve espancá-lo ou ameaçá-lo? Não. Não há uma guerra entre você e cristãos e judeus na sua escola por exemplo. Você o odeia em nome de Alá. Você sente ódio porque ele não acredita em Alá. Você quer do fundo d'alma que ele ame Alá. De modo que é necessário trabalhar com eles, conversar com eles, porque você quer que Alá os guie". [4]

Ao que tudo indica, os salafistas dividiram a Suécia entre eles, geograficamente. Segundo o estudo:

"chama a atenção que os pregadores salafistas, objeto do estudo, parecem cooperar uns com os outros em vez de serem rivais. Na realidade esses pregadores dividem sua da'wa (missão) em diferentes áreas geográficas"[5].

➤    Alguns dos insights do estudo de várias cidades onde os salafistas são atuantes:

Em Borås, crianças não bebem a água da escola ou pintam com aquarelas porque elas dizem que a água é "cristã". A polícia informou que crianças muçulmanas disseram a seus colegas de classe que irão cortar suas gargantas e mostram decapitações em seus celulares. Há casos de "adolescentes que chegam às mesquitas no final de um dia na escola para se 'lavarem' depois de terem interagido com a sociedade não muçulmana". Funcionários da saúde (assistência médica, assistência à infância, etc.) na cidade testemunharam como os homens exercem o controle sobre as mulheres, vistoriando-as mesmo nas salas de espera[6]. Um funcionário da saúde ressaltou:
"percebi que há uma rede que controla as mulheres para que elas não fiquem sozinhas com os funcionários da saúde. Elas não têm condições de dizer a ninguém sobre o que acontece com elas. Muitas mulheres vivem numa situação pior do que viviam em seus países de origem".
Esse tipo de controle das mulheres aparenta ocorrer em praticamente todas as cidades suecas mencionadas no estudo.

Em Västerås a influência religiosa se entrelaça com o crime.

"Poderia ser um bando entrando em uma mercearia. Se a mulher do caixa não estiver usando véu, eles pegam o que quiserem sem pagar, chamam a mulher do caixa de 'prostituta sueca' e cospem nela", disse um policial, segundo o estudo. 

Em outros episódios, sírios e curdos que gerenciam lojas e restaurantes na região são questionados por jovens muçulmanos sobre a religião. Se a resposta não for o Islã, são molestados. Em outros casos, meninos de 10 a 12 anos se aproximam de mulheres mais velhas, perguntando se são muçulmanas, dizendo "este é o nosso pedaço".[7]

Em Gotemburgo, de acordo com o estudo,[8] salafistas disseram aos muçulmanos para não votarem nas últimas eleições porque é "haram" (proibido).

"Eles disseram: no dia do julgamento vocês serão responsáveis por tudo que os políticos estúpidos em que vocês votaram fizerem. Eles estavam a postos em frente às seções eleitorais... Em uma seção eleitoral eles balançaram a bandeira do Estado Islâmico", disse um funcionário local aos autores do estudo. Segundo um imã da cidade, Gotemburgo tem sido a capital do wahhabismo (uma versão saudita do salafismo) na Europa desde os anos 90.[9]

Dos 300 muçulmanos suecos que se juntaram ao ISIS na Síria e no Iraque, praticamente um terço veio de Gotemburgo.[10] (Em relação à população do país, um número maior de pessoas foram da Suécia para se juntar a grupos jihadistas na Síria e no Iraque do que da maioria dos países europeus, a proporção somente é mais alta de indivíduos provenientes da Bélgica e da Áustria [11]). O pregador somali-canadense Said Regeah, ao discursar na Mesquita Salafista Bellevue, em Gotemburgo, "chamou a atenção para a importância das pessoas nascerem 'puras' e que somente os muçulmanos são puros. Todos nascem muçulmanos, mas são os pais que os moldam para que se tornem judeus, cristãos ou zoroastristas".[12]

O estudo também faz menção que proprietários, não muçulmanos, de empresas tiveram seus estabelecimentos vandalizados com pichações a favor do Estado Islâmico e que padres foram alvo de ameaças de decapitação.[13]. Samir disse o seguinte: "se vocês não seguirem o Islã estarão condenados ao ostracismo. Há pais aqui que cobrem seus filhos de três anos de idade com véus. É coisa do outro mundo. Nós não estamos no Iraque".[14]

A outro sujeito de nome Anwar foi negado emprego em um restaurante muçulmano porque ele não era religioso. Ele ressalta que a sociedade está deixando os muçulmanos seculares de lado: "eu não necessito de uma Bíblia ou um de Alcorão na minha vida. O único livro que eu preciso é... a lei (sueca). Mas se a sociedade sequer está ao meu lado, fazer o quê?"[15]

O estudo calcula que na região de Estocolmo o número de jihadistas salafistas pode chegar a 150[16]. Os salafistas estão em sua maioria concentrados na região de Järva, uma das "zonas proibidas" de Estocolmo. Vira e mexe jihadistas e criminosos se sobrepõem, esses muçulmanos aterrorizam quem reside naquela região. Uma mulher ressaltou que os salafistas e os islamistas passaram a dominar empresas, mesquitas instaladas em subsolos e associações culturais nos últimos dez anos e que "os suecos não têm ideia do tamanho da influência do Islã político nos subúrbios". Ela elucidou a maneira com que até as crianças são segregadas por gênero e que os líderes religiosos instruem as mulheres a não denunciarem às autoridades caso o marido abuse delas. "As leis suecas não são cumpridas nos subúrbios".[17]

O estudo conclui com uma crítica às autoridades suecas por sua aparente incapacidade de ligar casos individuais de muçulmanos radicais aos "ambientes que moldam sua maneira de pensar e, em certos casos, facilitam o ímpeto de se juntarem a grupos mais radicais e violentos". O estudo menciona, a título de exemplo, o seguinte:
"quando o então Coordenador Nacional Contra o Extremismo Violento realçou que a razão pela qual tanta gente sai da Suécia para se juntar ao Estado Islâmico é 'um enorme ponto de interrogação', ilustra a incapacidade das autoridades suecas (com exceção da polícia e polícia de segurança) de enxergarem que esse problema não apareceu do nada".[18]
Essa incapacidade ou quem sabe cegueira deliberada de enxergar que o terrorismo jihadista não aparece do nada e sim é alimentado em determinados ambientes, não é de maneira alguma uma conjuntura exclusivamente sueca. A insistência de tantas autoridades europeias e ocidentais de caracterizarem os ataques terroristas como casos de "doenças mentais" ilustra categoricamente o problema.

Os autores do estudo também mencionam que as escolas e autoridades locais não sabem como lidar com os desafios criados pelos salafistas. O estudo cita, a título de exemplo, que uma aluna muçulmana queria tirar o véu para brincar de cabeleireira com as outras crianças, mas os funcionários suecos não permitiram por respeito aos desejos dos pais. Em outro caso em uma pré-escola sueca, uma menininha não queria usar o véu, mas os funcionários suecos forçaram-na a usá-lo, "ainda que parecesse errado", porque esse era o desejo dos pais. Os funcionários da escola sueca também disseram que não sabem como agir quando as crianças querem comer e beber durante o Ramadã, visto que os pais as instruíram que elas devem jejuar.[19]

O estudo é um passo importante, primeiro do gênero na Suécia, que finalmente reconhece que há um problema, mas a menos que as autoridades competentes, como o governo sueco e os líderes políticos, que se recusam a reconhecer a realidade sueca, o leiam e o internalizem, o estudo terá sido feito em vão.

(*)Judith Bergman é colunista, advogada e analista política.
Fonte - pt.gatestoneinstitute.org
Original em inglês: The Relentless Radicalization of Sweden
Tradução: Joseph Skilnik



[1] "Entre Salafismo e Jihadismo Salafista - Impacto e Desafios da Sociedade Sueca", publicado em 28 de junho. O estudo foi encomendado pela Agência de Contingências Civis da Suécia.
[2] Entre Salafismo e Jihadismo Salafista - Impacto e Desafios da Sociedade Sueca, p 14.
[3] ib., p 24
[4] ib., p 132
[5] ib., p 223
[6] Borås está descrito nas pp 162 ff do estudo.
[7] Västerås está descrito nas pp 168 ff.
[8] ib., p 186
[9] ib., p 182
[10] ib., p 103
[11] ib., p 107
[12] ib., p 131
[13] ib., p 186
[14] ib., p 187
[15] ib., p 187
[16] ib., p 210
[17] ib., p 213
[18] ib., p 109
[19] ib., p 194

quinta-feira, julho 19, 2018

O reino das Fake News









por Norival Silva Júnior (*)


Uma lei que pretenda proibir notícias falsas está inevitavelmente vocacionada a ser utilizada como fundamento para censura e violação de direitos.

“Não há nada que tanto nos atire aos perigos 
quanto a fome inconsiderada de deles escapar.”
Michel de Montaigne

Quem subestima a intensidade das transformações provocadas nas relações humanas pelo avanço tecnológico é convidado a acompanhar a mais recente celeuma nos ambientes digitais. Em qualquer plataforma aberta à expressão do pensamento, o tema do momento, a poucas semanas de eleições gerais, é o combate às fake news. De alguma forma as redes sociais teriam criado esse monstruoso fenômeno que ameaçaria a equivocada ilusão de uma democracia sólida e à prova de manipulação. Não que o assunto não seja sério; é muito importante que se discuta a disseminação de mentiras num ambiente pouco controlado e massificado como a Internet. A questão é que acreditar na possibilidade de resolver definitivamente o problema é trabalhar no sentido de atingir, ainda que involuntariamente, conquistas que custaram à sociedade contemporânea um alto preço.

Para que possamos ter uma discussão séria a respeito da questão, importa primeiramente resgatar os cruzados do combate às fake news de seus devaneios imperativos e de volta à realidade. A opinião pública sempre esteve sujeita não apenas a opiniões equivocadas e desprovidas de sentido, mas, sobretudo, a muita mentira friamente construída e sordidamente vendida como fato, inclusive por autoridades e agências de notícias. A história está repleta de exemplos a ilustrar a hipótese, para quem quiser pesquisar.
➤    1. A capacidade de mentir

É muita ingenuidade acreditar que fake news decidam eleições apenas agora, quando a Internet e plataformas como Twitter, Facebook e Whatsapp (para citar apenas as mais populares) seriam utilizadas por agentes “maliciosos.” Ingenuidade porque, primeiramente, a imensa maioria dos usuários de Internet consomem outras fontes de ilusão, como Rádio, Televisão, Jornais Impressos etc. Em segundo lugar, ingenuidade porque as redes apenas registram, em códigos e sinais elétricos, as mentiras e opiniões furadas que as pessoas já propagam entre si no boteco após o futebol, no salão de beleza, no cafezinho do escritório, no ponto de ônibus, no clube de tênis, na reunião do sindicato e por aí vai.

O fato é que a Internet acabou com o monopólio da informação temerária (ou leviana) e da desinformação amplamente exercido por grupos específicos até a massificação do acesso à rede. Fake news sempre abundaram nas mídias hoje tidas por tradicionais. Afinal, uma característica peculiar de nossa espécie é que os homens mentem uns para os outros e para si mesmos, especialmente se motivados por fins coletivos, como ocorre, obviamente, em processos eleitorais.

Informação, manipulação de ideais, mentira e histeria são ferramentas comumente empregadas pelo homem para exercer domínio sobre o universo e seus semelhantes. Tudo isso se deve ao desenvolvimento do primeiro e maior artefato humano, como define Tom Wolfe: a fala.

Em seu último livro, O Reino da Fala (2016), Tom Wolfe, recentemente falecido, apresenta uma envolvente história sobre 150 anos de discussões e pesquisas acerca dos mistérios envolvendo o intrigante dom observado apenas nos humanos: a capacidade de articular sons para transmitir ideias, a habilidade da fala. De Darwin a Chomsky, Wolfe emprega humor, ironia e ceticismo à análise dos estudos sobre a linguagem para conceder algum especial crédito a nomes menos conhecidos como Alfred Wallace e Don Everett, que em seus trabalhos de campo ofereceram argumentos e provas contra a concepção da fala como capacidade inata, que decorreria da simples evolução de algo como a capacidade de canto apresentada pelos pássaros ou de comunicação gestual ostentada pelos orangotangos. Após concluir a jornada pela história da linguagem até os dias atuais, com a rendição do mundo acadêmico em 2014, que declarou não possuir respostas para a origem do fenômeno, Wolfe não deixa de entregar ao leitor sua própria teoria: o homem desenvolveu a fala/linguagem como um artefato, um instrumento de trabalho que lhe permitiu dominar não somente a natureza, mas idealizar e planejar seu próprio destino, elaborar explicações para seus infortúnios, conferir sentido às contingências do viver.

- Fake News ou mau caratismo de Guga Chacra e Organizações Globo?
➤    2. Informação e persuasão

O surgimento da cultura de forma geral, e das culturas, em forma ramificada, bem como suas transformações, está diretamente relacionada ao uso desta ferramenta, a linguagem, para o bem ou para o mal. Seja pela estruturação da comunicação e das organizações coletivas que possibilitaram a instituição da agricultura e assentamento nas primeiras comunidades, o surgimento das nações e a consolidação do comércio gentil, seja pela concepção de ideias e sonhos, a partir do momento em que se estabelece como canal de transmissão de ideias, fatos e conhecimento, a fala se transforma em útil ferramenta de negociação e persuasão. E persuasão, todos sabemos, não se promove apenas com dados irrefutáveis.

A justificação do emprego da mentira como recurso em defesa do bem contra o mal é uma constante na história do pensamento político e o filósofo Gabriel Liiceanu, em sua obra Da Mentira (2006) analisa o serviço prestado pela desinformação e pelo poder de se dizer “o que não é” à legitimação de tiranias e de regimes autoritários. Das tragédias em Sófocles ao jornalismo sob o comunismo soviético, passando por Maquiavel e a projeção do homem virtuoso capaz de um ato de vilania quando necessário, Liiceanu observa o fenômeno da mentira e da dissimulação como ferramenta em favor de algo maior, obviamente, idealizado, e geralmente, impraticável. Sempre houve alguém disposto a recorrer a uma “pequena” mentira, um mal por definição, em nome de uma “grande” causa, e é por isso que, conclui o pensador romeno, “toda a história dessa espécie é a expressão de uma fraude linguística.”

O poder da fala e da capacidade de propagar conhecimento – verdadeiro ou falso – na historia do homem é realmente inquestionável. Não à toa, dois dos momentos cruciais desta jornada ocorrem em momentos particulares de revolução na forma de comunicação: a invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, e a adoção massificada da Internet propulsionada pelo protocolo world wide web (o “www”) desenvolvido por um grupo de pesquisadores em Genebra no início dos anos 1990. Curiosamente, estas duas revoluções impactaram a forma como consumimos conhecimento até os dias atuais. Se vincularmos a informação à moda antiga aos jornais, rádio e televisão, é possível opor a esta forma “tradicional” de comunicação os “modernos” mecanismos de informação, notadamente, os portais da Internet e as redes sociais.
➤    3. O fim do oligopólio da persuasão

A informação que tramita no ambiente digital é, por concepção da própria rede, descentralizada, livre e essencialmente democrática. O que poderia explicar a razão de a mídia tradicional ter adotado, desde os anos noventa, uma aguerrida tática de descrédito aos meios digitais como fonte de informação. De fato, o filósofo e sociólogo Pierre Lévy, especialista em sociedade da informação, registra em seu livro Cibercultura (1999) que a Internet, inicialmente pensada para usos militares e estruturada para resistir inclusive a ataques nucleares, logo passou a ter como principal utilização a troca de informações entre pesquisadores de instituições acadêmicas. Foi apenas no fim dos anos 80 que o público descobriu a praticidade e segurança da rede como sistema de correio eletrônico, passando, a partir de então, a canalizar um volume cada vez maior de informações.

Lévy ressalta que a natureza plural e por vezes caótica da Internet, descentralizada e democrática, certamente não está imune à ação de grupos ou pessoas mal-intencionadas. Contudo, ressalva que é exatamente nessa esfera, da possibilidade das intenções maliciosas, que a Internet, ao contrário do que aparenta, representa uma possibilidade real de batalha contra a desinformação. Afinal, como afirma o filósofo tunisiano, “é muito mais difícil executar manipulações em um espaço onde todos podem emitir mensagens e onde informações contraditórias podem confrontar-se do que em um sistema onde os centros emissores são controlados por uma minoria.”

De fato, não há como negar que hoje as informações podem ser rapidamente checadas e desmentidas pelas ferramentas de informação que a própria Internet disponibiliza. É preciso reconhecer que, se é verdade que a maior parte dos usuários da rede ainda está despreparada para o consumo consciente e desconfiado de informações, também é verdade que esse é o mesmo público que há pouco tempo estava sujeito a uma ou duas fontes de informação, e reféns, portanto, de possíveis deturpações maliciosas dos fatos. A persuasão pela desinformação não é mais uma arma exclusiva de poucos.

Ainda assim, a despeito da pluralidade e da impossibilidade de monopolização da informação, a cada boato ou farsa promovida por indivíduos na Internet, surgem novas proposta de regulamentação das fake news. Qualquer seja o tom ou argumento retórico que se empregue a tais iniciativas, o fato é que uma lei que pretenda proibir notícias falsas está inevitavelmente vocacionada a ser utilizada como fundamento para censura e violação de direitos.
➤    4. A lei, a mentira e a verdade

A efetividade de uma lei que pretenda acabar com as fake news esbarra na inegável dificuldade de se distinguir entre notícia falsa (uma mentira) e uma opinião equivocada ou uma interpretação livre dos fatos. Se alguém diz que o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 foi golpe, isso é uma opinião ou uma mentira? À luz da lei e dos procedimentos legais, uma clara mentira. Contudo, assentada em interpretações históricas e ideológicas, uma opinião que não fere lei alguma, e, por mais absurda que soe, sua expressão é livre e constitucionalmente garantida.

Não se olvide, ainda, a possibilidade de uma legislação voltada ao combate às ditas notícias falsas acabar por reprimir as mock news, notícias fictícias que empregam de grande ironia e de paródia para fazer humor crítico, um dos elementos mais importantes na preservação de uma democracia efetivamente livre e saudável.

Excessos, como os ocorridos no recente caso da vereadora assassinada no Rio de Janeiro que teve sua imagem e reputação atacada por boatos infundados, já são alcançados pela legislação brasileira. Aliás, mentiras, falsas promessas, injúrias, calúnias e difamações, são combatidas com um enorme aparato legal que passa pela própria Constituição Federal, Código Penal, Código Civil, Código de Defesa do Consumidor e pelo Marco Civil da Internet, sem falar na construção doutrinária e jurisprudencial sobre o tema. O que não faltam são dispositivos legais que reprimam condutas maliciosas. Há um pouco de dificuldade na identificação de autoria destas noticiais falsas? Sem dúvida. Contudo, apesar da tecnologia ser relativamente nova, os investigadores vem obtendo resultados cada vez mais rápidos na apuração dos ilícitos, numa sequencia de pequenas vitórias que servirá para educar a comunidade digital sobre a responsabilidade de expressão que acompanha o livre exercício do opinar.

Ao contrário do que acreditam as vozes mais exaltadas dos que representam a visão clássica de informação, a população vem se educando, gradativamente, para este mundo em constante transformação. E se tem algo que a proliferação de fake news lega de importante, é a educação para o ceticismo e prudência na Sociedade da Informação, inclusive para o consumo desconfiado da informação vendida pela mídia tradicional, que a despeito da posição inquisitória, é também culpada dos mesmos pecados que denuncia genericamente.


O que é preciso ter claro é que o dito “combate” à epidemia de fake news não deve ser travado pelo processo legislativo, que envolve inegável risco de prejuízo à liberdade de expressão. Quem pode e deve encarar a natural tendência humana de criar mentiras, elaborar ilusões, aumentar um ponto, é a surpreendente e heroica vontade humana de alcançar o conhecimento por refutar tudo o que é falso, condenar o que é superstição, apontar o dedo aos sofismas: um combate que se dá no plano das palavras, no reino da fala, território da mentira e palco do restabelecimento da verdade.
(*)Norival Silva Júnior - Advogado especialista em Direito Digital.

quarta-feira, julho 18, 2018

Nelson Mandela: racista, amigo de ditadores e admirado apenas por quem não sabe quem ele era



por Flavio Morgenstern(*).

Cai-se facilmente na tentação de elogiar Mandela como "anti-racista" sem saber quem ele era. Sua luta contra o apartheid é uma das maiores farsas da história recente.

Quando Nelson Mandela criou o movimento pelo fim do Apartheid, a África do Sul vivia um surto de 44 mil homicídios por ano, a maior parte naturalmente de componente racial. Famílias como a do garoto Amaro, de 12 anos, o mais novo da família Viana, que, após ter a mãe estuprada e assassinada junto ao pai, foi jogado em água fervente, num puro ato de sadismo que só o racismo desabrido pode gerar.

Ou o caso de Sue Howarth e seu marido Robert Lynn, que foram acordados às duas da manhã por invasores mascarados que quebraram o vidro de sua casa, na vila remota de Dullstroom por onde moravam por 20 anos, amarrados a uma cadeira e torturados com um maçarico por diversas horas.

Os homens mascarados enfiaram um saco de plástico goela abaixo da senhora Howarth, e tentaram sufocá-lo com outro saco ao redor de seu pescoço. Levados para um matagal ainda em seus pijamas na sua própria caminhonete, a senhora Howarth, 66, executiva de uma companhia farmacêutica, levou dois tiros na cabeça. O senhor Lynn levou um tiro na nuca.

Milagrosamente eles sobreviveram, e Lynn conseguiu se rastejar até a rodovia para pedir socorro para o primeiro carro que passou. A polícia conseguiu encontrar a senhora Howarth seguindo seus gemidos de dor, com uma toalha sobre a cabeça e pouco mais do que um fiapo da blusa, com o peito coberto de sangue. Toda a sua resposta eram gemidos e cobrir os seios com as mãos, numa última tentativa de proteção. Ela acabou falecendo no hospital dois dias depois.

Oh, espere. Esta, é claro, é na verdade a África pós-Mandela, onde os brancos são perseguidos por serem brancos (sim, também com o discurso de “dívida histórica” ou o que o valha) e mortos por gangues de negros, simplesmente por serem brancos. A profissão de bôer (fazendeiro branco) foi considerada a mais perigosa do mundo há 3 anos. Assassinatos horrendos de brancos são rotina no país, que só não parece mais perigoso do que, digamos, o Brasil.

Nelson Mandela é um dos principais símbolos do imaginário político moderno, como Martin Luther King, Che Guevara, Madre Teresa de Calcutá, Malcolm X, Mahatma Gandhi ou Simón Bolívar. Raríssimos, todavia, são aqueles que já leram e pesquisaram sobre tais figuras, além do que o imaginário mais primário diz sobre elas – basicamente, que queriam um mundo sem pobreza e preconceito, e geralmente foram mortos por ricos preconceituosos exploradores que queriam manter seus privilégios de classe.

É curioso como esse imaginário mistura personalidades completamente díspares, como Martin Luther King e Malcolm X no mesmo balaio: o primeiro, um pastor batista conservador, Republicano, que lutou contra uma KKK, Democrata e desarmamentista, pelo direito de armar os negros. Era contra o aborto (política pública usada na América para controlar o aumento da população negra) e o casamento gay. Seu famoso sonho era uma América color-blind: nada de cotas ou movimento negro, e sim uma única lei para todos. Já Malcolm X era um racista que pregava a superioridade dos negros sobre os brancos, uma vingança histórica transformada em leis, era um radical de extrema-esquerda que pregou abertamente o terrorismo para atingir seus fins.

➤    Preso por terrorismo

Nelson Mandela é bem mais parecido com Malcolm X do que com Martin Luther King. Foi abafada em Hollywood uma gafe gigantesca: Leonardo DiCaprio, após tirar uma foto com Mandela quando fez seu filme Diamantes de Sangue, sobre o tráfico de diamantes em Serra Leoa (com uma cena na fronteira com a África do Sul), acabou recebendo uma resposta ríspida do próprio Mandela, que negou seu apoio à narrativa do filme. O que DiCaprio não sabia é que Mandela foi eleito com o dinheiro dos traficantes de diamantes de Botswana e Namíbia, que tanta miséria causam na África.

Mandela foi fundador do movimento uMkhonto we Sizwe, o braço armado do partido radical African National Congress (ANC). Foi preso não por seus pensamentos humanitários contra um regime racista, e sim por planejar um atentado terrorista. E mesmo dentro da cadeia, orquestrou uma operação com Oliver Tambo que explodiu um carro-bomba que deveria chegar a um prédio público. Parado no trânsito, o carro explodiu no famoso caso Church Street Bombing, matando 19 civis em uma área comercial.

A maioria das vítimas do movimento eram civis. Recebeu apoio financeiro e teve próxima amizade com tiranos como Muammar Kadafi, Robert Mugabe, Yasser Arafat e Fidel Castro. Foi considerado terrorista, extinto e, com o partido de Mandela no poder, posteriormente integrado à segurança nacional (sic).

Mandela acabou fazendo um governo pífio, com péssimos indicadores econômicos (sobretudo para os negros) e acabou nem sequer sendo reeleito, embora seu prestígio como símbolo político anti-racista pelo mundo seja inquestionável. Acreditam até mesmo que foi o “Madiba” quem deu direito de voto aos negros (como se só brancos tivessem votado no ex-terrorista). Sobra mesmo sua luta contra o anti-ético regime do apartheid, mas mesmo esta excrescência histórica é mal compreendida.

➤    Apartheid

O regime que perdurou de 1948 a 1984 não era mero “racismo” de ingleses e holandeses: na verdade, os primeiros brancos a chegarem à África do Sul e instalarem seus assentamentos por lá datam de 1652, enquanto a maior parte dos ancestrais das atuais populações negras que migraram tão para o sul do continente chegaram lá depois, quando a África do Sul já era a região mais rica da África subsaariana com uma cavalar dose de capitalismo. Como escreve Selwyn Duke, afinal,
como a vida na África do Sul “racista” era largamente preferível àquela nas nações ao redor, ela foi por muito tempo atrativa para negros migrantes. De fato, devido a este fator e às altas taxas de natalidade entre os negros, a demografia negra da África do Sul aumentou 920 por centodesde 1913. Esta é a principal razão pela qual a população do país aumentou de 6 milhões no começo do século passado para 52 milhões hoje, enquanto a demografia branca aumentou apenas 3,3 milhões durante este período. (grifos nossos)

O tão demonizado “colonialismo”, afinal, foi justamente o fato de os brancos terem criado a tão desejada democracia e a espalhado pelo mundo alternativa bem mais viável do que guerras tribais-étnicas). Até hoje, países negros que estão no Commonwealth britânico ou por eles passaram, como Jamaica e África do Sul, são invariavelmente mais ricos do que seus vizinhos.

Todavia, com tal demografia sul-africana, era fácil que esse próprio esquema tribal fosse mais forte e vencesse eleições do que um sistema, digamos, parlamentar (sentido etimológico, em que tudo é resolvido pela conversa). Com diversos conflitos étnicos entre negros que nunca se resolviam mesmo criando-se uma lei civilizada (quem ousaria dizer que a lei inglesa nascida da Magna Carta é ruim?), preferiram viver à parte. Estava criado o apartheid.

O que geralmente não percebem sobre o apartheid é que, muito mais do que um regime racista, ele nasceu como um regime de proteção e separação: eles criaram a democracia, eles usariam a democracia. Exatamente como aconteceria se brancos e negros nunca tivessem se cruzado: a África do Sul se mataria em guerras tribais, enquanto quem vive à parte dessas guerras vota e resolve tudo pelo parlamento.

Com a mentalidade cristã de ingleses e afrikaners (holandeses), os negros que trabalhavam para os brancos acabavam recebendo educação ocidental, falando línguas européias e criaram o sentimento de pertencimento a esta nação que ia surgindo, a África do Sul. Selwyn Duke prossegue:
Isto criou uma situação interessante. Se os brancos tivessem mantido separação completa – se eles tivessem e pudessem evitar qualquer contato com as tribos africanas – não haveria Nelsons Mandelas (pela mesma razão pela qual nativos amazônicos que não conhecem nada além da cobertura de sua floresta não fazem pressão por direitos de voto). Se, como ocorreu com os japoneses e o povo indigente de suas ilhas, os Ainus, os brancos da África do Sul viessem a surpassar em número e em grande medida subjugar as tribos, não haveria ninguém de nota para fazer pressão por nada.
Mas, afinal, “a África do Sul não é uma ilha e migrantes africanos podem facilmente cruzar a fronteira em grande número”. Para aumentar o imbróglio, a população negra surpassava a branca na razão de 10 para 1.

Uma mesma população branca que trouxe conceitos de democracia para um continente em que eles nunca existiram fez o que mesmo tribos negras que não conjugam dos mesmos laços fariam: criaram um sistema em que a representação, economia e civilização dos brancos ficava à parte, separada dos negros (só a África do Sul tem 11 línguas oficiais, muitas de tribos que não aceitariam dividir a mesma mesa).

É claro que houve diversas ações racistas em um sistema imorável e insustentável, que facilitava toda a forma de discriminação contra negros. O que permanece curioso é que a única forma de julgar o apartheid é justamente pelos critérios dos próprios brancos que se protegeram dentro desse sistema.

De fato, sistemas similares ao apartheid são justamente o padrão na África subsaariana: tribos que se protegem entre si. Na batalha entre tutsis e hutus em Ruanda, por exemplo, nenhum crítico ocidental vê como “política racial” quando um grupo negro toma o poder e pratica o genocídio sobre uma tribo rival.

➤    Mandela de perto

Com sua retórica anti-brancos, era apenas questão de tempo para as taxas de homicídio na África do Sul dispararem horrendamente tão logo Nelson Mandela chegasse ao poder. São mortos 20 brancos a cada 24 horas. De fato, os negros continuaram morrendo loucamente sob seu regime, apenas tendo virado estatísticas ignoráveis.

Hoje, a grande herança do presidente Mandela, que teve suas políticas econômicas socialistas desfeitas tão logo saiu do cargo, é uma África do Sul considerada um dos lugares mais perigosos do mundo para brancos. A taxa de homicídios é de 310 a cada 100.000 por ano (as taxas de homicídio na Londres dos “colonizadores” malvados, que aceita negros sem problema, é de 3 a cada 100 mil).

Os Boer foram expulsos do vizinho Zimbábue pela reforma agrária do socialista Robert Mugabe, que estatizou as terras dos “brancos”. O resultado é apenas mais socialismo: fome, fome e fome. Mandela tentou o mesmo, apenas mais lentamente: criou cotas anti-brancos que apenas os jogaram na pobreza, além de expropriar os frutos de seu trabalho.

Havia 128 mil fazendas comerciais em 1980. Hoje, são 40 mil. O partido de Nelson Mandela até hoje nega a perseguição racial. Com a retórica sakamotiana de sempre, o governo apenas diz que os brancos são vítimas por serem “ricos”. É certamente um fator, mas isso não explica crimes como uma vítima branca amarrada atrás de seu veículo e arrastada até seu rosto ser completamente esfacelado no asfalto (algo como usar a esparrela da “desigualdade social” para explicar o crime contra o menino João Hélio, quando até um de seus assassinos tinha carro em casa). Ou adolescentes espancados até a morte depois de seus pais serem mortos. Ou um bebê de dois anos jogado em óleo fervente.

A Genocide Watch classifica a África do Sul no sexto estágio do processo de genocídio. O sétimo é o último – e significa extermínio.

Mandela não disse muito a respeito da violência contra os Boer. Ou melhor, até mesmo foi flagrado durante um cântico de Kill the Boer, hino usado por algumas etnias nas duas Guerras dos Bôeres. (outras ocorrências da música são retiradas do YouTube por “discurso de ódio”)

Sua letra diz “We are going to shoot them; they are going to run. Shoot the Boer; shoot them, they are going to run. Shoot the Boer. We are going to hit them; they are going to run; the Cabinet will shoot them with the machine-gun. The Cabinet will shoot them with the machine-gun….” – palavras extremamente semelhantes ao hino nazista, a Canção de Horst-Wessel, jurando vingança: “Kam’raden, die Rotfront und Reaktion erschossen, Marschier’n im Geist in unser’n Reihen mit” (“Camaradas, baleados pela Frente Vermelha e pelos reacionários, Marchem em espírito em nossas fileiras”).

Aliás, Nelson Mandela passou décadas no cárcere cumprindo prisão perpétua, mas foi solto. Com a pressão internacional (da mesma cultura ocidental mais parecida com o apartheid do que com qualquer cultura africana), o presidente J. W. Botha ofereceu-lhe a soltura em 1985, desde que prometesse não mais se envolver no terrorismo e na luta armada contra os brancos. O Prêmio Nobel da Paz recusou.

É ridiculamente fácil cair na esparrela de defender figuras carimbadas, identificadas como símbolos por todos, sem saber o que são de fato (o mesmo é válido para Che Guevara, Simón Bolívar e tantos outros tiranos fofinhos). Exige-se coragem intelectual para saber a verdade. Mas ela sempre liberta.

Ao contrário do que foi a África do Sul sob Nelson Mandela, até hoje sofrendo com as conseqüências de um terrível presidente.

(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

Fonte-http://sensoincomum.org

quarta-feira, julho 11, 2018

Os países mais armados do mundo mostram uma falácia






por Benê Barbosa(*)


Estudo aponta os 25 países mais armados do mundo

Dos 25 países mais armados do mundo, nenhum figura entre os mais violentos e mais de 30% apresentam taxas inferiores à um homicídio por cem mil habitante, trinta vezes menos que o Brasil.



A Small Arms Survey, organização não governamental sediada em Genebra, na Suíça, divulgou em junho deste ano a prévia do seu mais novo estudo “Estimating Global Civilian-held Firearms Numbers” – uma estimativa de armas de fogo nas mãos de civis no mundo e os 25 países mais armado são:



De acordo com as estimativas da organização, os Estados Unidos possuem quase 400 milhões de armas de fogo nas mãos da população, ou seja, mais de uma arma para cada habitante do país. Em 2007, também de acordo com a Small Arms Survey, esse número era de 275 milhões, portanto houve um implemento de 125 milhões de armas nos últimos dez anos. São, em média, 12,5 milhões de novas armas por ano ou mais de um milhão de armas comercializadas por mês!

Se a tese de que, inexoravelmente, mais armas significam mais crimes, deveria haver uma explosão de violência proporcional nos EUA com a entrada de milhões de armas em circulação, mas isso simplesmente não aconteceu! A taxa de homicídios no período praticamente não variou e se manteve sempre próxima de cinco homicídios por cem mil habitantes, seis vezes menor que a taxa brasileira. Teses esdrúxulas disfarçadas de “estudo”, como é o caso de uma conduzida por um ex-diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que afirma que a cada 1% de aumento nas armas em circulação há 2% a mais de homicídios – tese já refutada pelo pesquisador Fabrício Rebelo– recebem uma derradeira pá de cal.

Publicado em http://blog.aventurashop.com.br

Dentre os 25 países mais armados do mundo, absolutamente nenhum figura entre os mais violentos ou com maiores taxas de homicídios, pouco importando as gritantes diferenças de IDH, econômicas, culturais, região ou, até mesmo, conflagrações internas, como é o caso do Iraque. Dos 25, dez possuem menos de um homicídio por cem mil habitantes; doze deles têm entre um e cinco, e apenas o Iraque se aproxima da taxa de dez homicídios – mesmo assim, três vezes menor que a taxa do Brasil.

Importante notar que, como já demonstrei acima, assim como nenhum dos países mais armados do mundo figurem entre os mais violentos, a recíproca se mostra parcialmente verdadeira. Entre os 25 países com as maiores taxas de homicídios encontramos El Salvador, Honduras e Venezuela, os três primeiros colocados em assassinatos e, adivinhem, todos eles com legislações fortemente restritivas. O Brasil, país do Estatuto do Desarmamento, ostenta a honrosa 12ª colocação entre os países mais violentos.

As estimativas não são absolutamente precisas e o próprio autor reconhece isso exatamente pela dificuldade em contabilizar as armas ilegais. Exemplo disso é a quantidade de armas estimada para o Brasil, aproximadamente dezessete milhões, o que deixaria o Brasil com uma taxa de 8,5 armas para cada cem habitantes. O número me parece bastante inflacionado, pois mesmo se somássemos todas as armas produzidas aqui desde o Brasil império até hoje, as importadas, as contrabandeadas e até mesmo as manufaturadas, não chegaríamos a esse montante. De qualquer forma o estudo é uma importante ferramenta de análise e entendimento, porém, como não parece corroborar com a narrativa desarmamentista, seguirá sendo ignorado pelos “especialistas” que pululam por aí.

Dentre todas as conclusões que podemos tirar, talvez a mais importante e inequívoca é que a maioria esmagadora de proprietários de armas não cometem qualquer crime violento. Só isso já seria o suficiente para que abandonássemos a ideia de que uma sociedade armada é menos segura e todo dono de arma é um assassino em potencial.

(*)Benê Barbosa pautas@olivre.com.br

terça-feira, julho 10, 2018

Alemanha: 'Decapitando' a Liberdade de Imprensa?



por Stefan Frank (*).


Em uma aparente tentativa de varrer para debaixo do tapete um duplo homicídio que ocorreu recentemente em Hamburgo, Alemanha, as autoridades censuraram o caso. Além disso elas invadiram os apartamentos de uma testemunha que gravou um vídeo onde relatava o assassinato e o de um blogueiro que postou o vídeo no YouTube.

O assassinato, estampado em manchetes mundo afora, ocorreu na manhã de 12 de abril. O criminoso, Mourtala Madou, de 33 anos, imigrante ilegal do Níger, esfaqueou a ex-namorada alemã, identificada como Sandra P. e a filha do casal de um ano de idade, Miriam, em uma estação de metrô de Hamburgo. A filha morreu no local, a mãe pouco depois no hospital. O filho dela de três anos testemunhou os assassinatos.

De acordo com o Ministério Público, Madou que fugiu do local, mas depois chamou a polícia e foi preso logo em seguida, atacou a ex-namorada "por vingança e porque estava furioso" pelo fato de no dia anterior ao incidente, o tribunal ter negado a ele a guarda conjunta da filha.

Mais tarde veio à tona que por meses a fio Madou ameaçava machucar Sandra P. e o bebê. Um graduado promotor público disse aos repórteres que a polícia investigou as acusações da mulher e concluiu que "Madou não estava falando sério", portanto não levaram o caso adiante.

Além disso, seis meses antes, em outubro de 2017, um juiz revogou uma medida cautelar obtida por Sandra P. contra Madou dois meses antes, sob a alegação de que não via "nenhuma evidência" de que Madou a havia ameaçado. Isso quando as ameaças de Madou se multiplicaram e ele disse explicitamente: "vou matar a nossa filha e depois mato você!"

Um detalhe dos assassinatos que nunca foi oficialmente revelado é que Madou, ao que consta, tentou decapitar o bebê. Este detalhe foi mencionado por um usuário de transporte coletivo, cidadão ganense Daniel J., cantor gospel de uma igreja evangélica de Hamburgo, que por acaso chegou à estação de metrô momentos depois do ataque e gravou a cena em seu celular. No vídeo é possível ver policiais interrogando testemunhas e paramédicos em volta do que parece ser um bebê do sexo feminino. 

Daniel J. diz: "Ai meu Deus. É inacreditável. Ai Jesus, ai Jesus, ai Jesus. Cortaram a cabeça do bebê. Meu Deus. Ai Jesus."
Policiais interrogando testemunhas do duplo homicídio na estação de metrô de Jungfernstieg, Hamburgo, Alemanha. (Imagem: captura de tela de vídeo Daniel J./Heinrich Kordewiner)

Heinrich Kordewiner, blogueiro de Hamburgo que descobriu o vídeo na página do Facebook de Daniel J., fez o upload para o YouTube.

Dias mais tarde uma equipe de procuradores do estado e policiais da unidade de crimes cibernéticos da polícia de Hamburgo chegou ao apartamento de Kordewiner com um mandado de busca e confiscou seu computador, telefone celular e outros aparelhos eletrônicos, supostamente para encontrar "provas" do "crime". Ele foi, e ainda é, acusado de fazer o upload do vídeo.

Kordewiner e seu colega de apartamento contaram ao Gatestone Institute sobre o ataque que aconteceu às 6h45. Eles disseram que ao se recusarem a abrir a porta os policiais a forçaram e invadiram a residência , chegaram a revirar o quarto do colega ao lado, embora ao que tudo indica, não estava incluído no mandado de busca.

"O policial disse que ele também podia procurar cartões SD", contou o colega de apartamento ao Gatestone Institute. "Enquanto revirava os livros da minha estante, ele disse que poderia virar todo o meu apartamento de cabeça para baixo. Ele disse para eu relaxar."

De acordo com o mandado de busca, Kordewiner é acusado de ter "invadido a esfera privada" da vítima de assassinato, em violação do §2010 do Código Penal da Alemanha. O assim chamado "parágrafo paparazzi", cuja legislação foi introduzida por Heiko Maas (atualmente ministro das relações exteriores da Alemanha), que como ministro da justiça era responsável pela lei de censura da Internet da Alemanha, lei pouco conhecida e raramente usada, aprovada em 2015. Entre outras coisas, ela torna ilegal tirar fotos que "mostrem alguém em situação vulnerável". Supostamente destinada a proteger as vítimas de acidentes de trânsito de serem filmadas por curiosos, a lei já era altamente controversa ao ser debatida em 2014, associações de jornalistas criticaram-na por ela comprometer a liberdade de imprensa.

O assassino em uma "Mesquita".


Quando o parlamento alemão debateu a lei, Ulf Bornemann, chefe do departamento "Odio e Incitamento" do Ministério Público de Hamburgo, um dos 10 especialistas presentes, foi convidado a apresentar seus pareceres sobre o assunto. Vera Lengsfeld, ex-membro do parlamento e membro do movimento de direitos civis da Alemanha Oriental, escreveu na época que Bornemann foi o único a abraçar a lei sem reservas: "porque", segundo ela, ele havia dito: "será que os dados de um suposto instigador deveriam ser protegidos?"

Em declaração por escrito, Bornemann elogiou a lei de censura por ela dar "um recado político indubitável segundo o qual o governo está disposto a tomar medidas contra os crimes de intolerância nas redes sociais". Bornemann também fazia parte da equipe que invadiu o apartamento de Kordewiner.

A motivação sustentada para o ataque, violação dos direitos à privacidade é frágil. É possível ver no vídeo somente os pés da vítima e mesmo assim rapidamente. Conforme aponta o diário Hamburger Abendblatt, as imagens "estão desfocadas, filmadas à distância, não permitindo identificar ninguém".

Nesse meio-tempo, Welt online, outro jornal alemão, publicou um vídeo mostrando imagens em close da vítima, o que não estimulou os procuradores do estado a entrarem em ação. A principal diferença entre os dois vídeos parece ser o comentário verbal sobre a decapitação no vídeo de Daniel J. A alegada violação dos "direitos à privacidade", então, parece ser somente um pretexto.
➤     A "Decapitação"

"Não fazemos comentários sobre esse rumor", disse a procuradora do estado Nana Frombach ao Gatestone Institute quando questionada sobre a decapitação. Ela só estava disposta a admitir que a criança havia sofrido "ferimentos graves no pescoço". Quando o Gatestone Institute observou que o §2010 não podia ser aplicado ao vídeo em questão porque ele não mostrava o rosto de ninguém, ela respondeu que isso "ainda não foi decidido" e que o ataque se baseava em uma "suspeita inicial". O Gatestone Institute mencionou então que Kordewiner, em vez de fazer o upload do vídeo anonimamente (o que teria sido fácil para ele), havia feito o upload para o seu Canal no Youtube, juntamente com seu nome completo e endereço, tornando o declarado objetivo do ataque de "encontrar provas" não apenas desproporcional, mas também totalmente desnecessário. Frombach salientou que ela não estava autorizada a "comentar sobre detalhes de uma investigação em andamento", mas que poderia "garantir" que o mandado de busca foi "emitido por um juiz".

Como é possível um jornalista, sob uma censura dessas fazer reportagens? É ilegal filmar a cena de um ataque terrorista? Frombach disse que ela "não tem como afirmar" se isso ainda é legal na Alemanha de hoje. "Eu só posso julgar casos específicos, não aqueles que ainda não aconteceram", ressaltou ela.

O Website libertário Achse des Guten (Eixo do Bem) foi o primeiro órgão de imprensa a relatar o ataque. Dois dias depois, o diário Hamburger Abendblatt salientou:
"O procurador do estado de Hamburgo está processando, de maneira exemplar, um blogueiro que publicou fotos da tragédia de Jungfernstieg... A ação se baseia no parágrafo 201o, uma lei que o conselho de imprensa e associações de jornalistas consideram problemática com relação à livre imprensa".
O Abendblatt criticou a "formulação nebulosa" da lei e a "interpretação ainda mais nebulosa do procurador do estado", afirmando: "a lei estipula que não podem ser tiradas fotos de pessoas em situação vulnerável. No entanto, o vídeo do celular não mostra ninguém nessas condições."

Segundo o Abendblatt, fontes "de dentro do serviço de segurança" foram "pegas de calça curta" com as invasões das casas do blogueiro e a de Daniel J. O procurador do estado que ordenou as invasões estava "deveras exasperado neste caso", disseram as fontes e que ele queria "matar uma mosca com bala de canhão... é surpreendente a rapidez com que o mandado de busca foi emitido, dados os elevados obstáculos que enfrentamos todos os dias, mesmo quando lidamos com crimes graves".

Em um comentário do Abendblatt, o editor Matthias Iken classificou a invasão de "irresponsável", porque ela "dá munição às teorias da conspiração dos direitistas". Onde, perguntou ele, "as proibições começam? E onde terminam?"

Nesse ínterim, o vídeo incriminatório foi excluído de todos os websites tornando-se inacessível aos internautas alemães que acessam o Youtube, (embora ele ainda possa ser visto pelos alemães em websites que estão fora do alcance das autoridades alemãs).

➤     O Tiro da Censura Saiu pela Culatra
Se o plano das autoridades era realmente o de censurar as notícias e abafar as informações sobre a decapitação, então o tiro saiu pela culatra. Devido às reportagens sobre a invasão, milhares de pessoas assistiram ao vídeo e centenas de milhares de pessoas ficaram sabendo da tentativa frustrada de censura. Pior do que isso, em relação aos ávidos censores, que inadvertidamente revelaram os detalhes que eles próprios queriam manter longe da população. Isso porque o mandado de busca, cuja cópia foi entregue a Kordewiner, fornece um relato detalhado dos assassinatos. Ele analisa detalhadamente que Madou "queria punir a mãe da criança" e "impor sua vontade e propriedade sobre ela". Com a "intenção de matar", Madou "de repente" tirou uma faca da mochila, apunhalou a criança na barriga e depois cortou quase que completamente o pescoço dela.

O gabinete do procurador do estado é subordinado à autoridade do governo do Estado de Hamburgo, a uma coalizão de social-democratas e do Partido Verde. O ministro da Justiça do Estado, Till Steffen, é membro do Partido Verde e durante anos foi acusado de estar por trás de inúmeros escândalos em seu ministério. Entre eles, que supostos assassinos tiveram que ser libertados da prisão preventiva, o que ocorreu recorrentemente, porque os prazos prescreveram. Em 2016, Steffen impediu a polícia de compartilhar fotos do terrorista do caminhão de Berlim, Anis Amri, quando ele ainda estava foragido, por medo de que compartilhamento de imagens de jihadistas suspeitos de terrorismo poderia provocar ódio racial.
➤     Censura no Parlamento

O governo de Hamburgo continua se empenhando em esconder a decapitação. Isso ficou claro em maio quando parlamentares do partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) realizaram um inquérito parlamentar acerca da invasão dos policiais e detalhes sobre o caso do assassinato. Entre outras coisas, eles queriam saber se o bebê foi decapitado. O governo, violando seus deveres constitucionais, se recusou a responder. Além disso o governo censurou as perguntas apagando frases inteiras. O jornal Die Welt destaca: "o texto de uma investigação e perguntas ser apagado sem consulta" é algo "que quase nunca acontece".

Quando o Gatestone Institute entrou em contato com Alexander Wolf, um dos parlamentares que participaram do inquérito, para descobrir o que exatamente foi censurado, ele enviou o inquérito original (as duas primeiras páginas) bem como a resposta do Senado (páginas 3, 4 e 5), nas quais foram censurados trechos das perguntas. Cada alusão, por mais leve que fosse, sobre uma decapitação que poderia ter ocorrido, foi apagada, bem como o link para o artigo que deu a notícia em primeira mão sobre a decapitação e a subsequente invasão dos policiais. Wolf revelou ao Gatestone Institute o seguinte:
"Na sessão do Comitê para Assuntos Internos, o senador do comitê e o procurador do estado responsável responderam evasivamente às repetidas perguntas do nosso líder Dirk Nockemann, imputando falta de respeito (em relação às vítimas do assassinato). Na minha opinião isso foi concebido para causar indignação contra o investigador por parte de outros parlamentares. Aparentemente, o senador quer varrer a questão para debaixo do tapete".
Os líderes dos outros partidos de oposição também foram contatados pelo Gatestone Institute: Dennis Gladiator da União Democrata Cristã (CDU) e Anna von Treuenfels-Frowein do centrista Partido Liberal Democrata (FDP). Treuenfeld-Frowein respondeu:
"É óbvio que a população tem direito à informação. Mas para nós, como partido comprometido com o estado de direito, os direitos individuais não terminam com a morte. Portanto, consideramos adequada a decisão de excluir trechos do inquérito. Nesse momento, não há necessidade de tornar público os detalhes do crime".
Gladiator não respondeu aos pedidos do Gatestone Institute para que tecesse comentários sobre o assunto.

Porque a decapitação deveria ser mantida em segredo, isso ninguém sabe. O que ficou claro é o quão facilmente as autoridades alemãs têm condições de censurar as notícias e punir os blogueiros que divulgam informações por eles consideradas inconvenientes. Eles têm um enorme arsenal de recursos legais à sua disposição. Não parece incomodá-los que a lei invocada neste caso estipule explicitamente que ela não será aplicada ao "relato de eventos atuais". O procurador do estado, no entanto, argumenta que este caso de assassinato, que foi noticiado na França, Índia, Paquistão, África do Sul e Estados Unidos e outros lugares, não constitui um "evento atual".

"Para o Ministério da Justiça de Hamburgo", o Abendblatt publicou: "o duplo homicídio é um crime passional que não é de interesse público".

(*)Stefan Frank é jornalista e autor sediado na Alemanha.

sábado, julho 07, 2018

O maior estupro em massa da História foi praticado por Socialistas



Alemanha, cidade de Leipzig, agosto de 1945


por Everthon Garcia(*).

Fonte-Conservadorismo do Brasil.


Aos 80 anos, Gabriele Köpp tem problemas com sono, por vezes, simplesmente não consegue comer. Aos 15 anos, ela foi repetidamente violada por soldados soviéticos, sendo virgem e não tendo nenhum conhecimento prévio sobre o sexo.


A revista “Spiegel” escreve que não existem os dados exatos sobre a quantidade de mulheres alemãs violadas pelo exército soviético, o número que aparece em várias publicações aponta para dois milhões de mulheres. Segundo a investigação do Dr. Philipp Kuwert, o especialista de traumas e o chefe do Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia do Hospital universitário de Greifswald, a idade média das vítimas de violações soviéticas era de 17 anos e cada mulher foi violada em média 12 vezes. Quase metade das vítimas possui os sintomas pós – traumáticos, incluindo os pesadelos, tendências de suicídio, anestesia emocional. Cerca de 81% destas mulheres adquiriram o efeito negativo direto sobre a sexualidade.

A historiadora Birgit Beck-Heppner escreve que os soldados soviéticos usavam as violações para intimidar as populações alemãs, mostrando que o seu governo e exército já não lhes conseguiam garantir a segurança. Por isso, muitas destas violações eram executados em público.

Em 1945, os soviéticos foram os primeiros a chegar em Berlim. Mesmo após a rendição dos nazistas, o sofrimento do povo alemão parecia não ter fim. Os soldados do Exército Vermelho invadem casas, arrancam mães e filhas de suas famílias e as estupram em praça pública, algumas foram estupradas várias vezes por grupos de até 10 soldados. Mais de 2 milhões de mulheres alemãs foram estupradas só em 1945, desde crianças de 8 anos à idosas de 80. O livro “Anônima, Uma Mulher em Berlim”, é um relato perturbador sobre os abusos sexuais sofridos pelas mulheres da Alemanha em 1945.

➤A “doença russa”

Gabriele Köpp lembra na conversa com o jornalista de “Spiegel” que a sua menstruação parou por completo durante os 7 anos. Naquela época era um sintoma bastante comum entre as alemãs e era chamado pelos ginecologistas de “doença russa”.

Quando Gabriele Köpp é perguntada se conheceu o amor, se teve alguma vez relações sexuais, ela responde: “Não, não tive nada disso. Para mim existia apenas uma coisa – a violência”.



Leia mais:

➤    As mulheres alemãs, da geração da II Guerra Mundial, ainda hoje chamam o memorial do Exército Vermelho em Berlim de “Campa do violador desconhecido”.

por: Daniel Johnson (*).

Como afirma no seu novo livro o historiador militar britânico, Anthony Beevor, a orgia das violações, perpetuada pelo Exército Vermelho nos dias da agonia da Alemanha nazista, tinha contornos bem maiores, do que suspeitava-se antes. Beevor, autor do bestseller “Stalingrado”, diz que as tropas soviéticas, durante a sua ofensiva, violaram grande número das mulheres russas e polacas, que eram prisioneiras dos campos de concentração, e também milhões de alemãs. O nível de indisciplina e libertinagem do Exército Vermelho revelou-se, quando o autor estudava os arquivos soviéticos, para escrever o livro “Berlim”, editado pela "Viking".

Anthony Beevor, que foi graduado pela Academia Militar de Sandherst e cumpriu o serviço militar no 11º Regimento da Cavalaria Prince Albert, afirma ser “tristemente abalado” pela descoberta, que mulheres e moças russas e polacas, libertadas dos campos de concentração, também foram vitimas de violação. “Isso destruiu completamente a minha percepção, do que os soldados usavam a violação, como forma de vingança contra os alemães”, - disse ele.

No momento, quando os russos chegaram às portas do Berlim, soldados olhavam para as mulheres, praticamente como para o “trofeu vivo”; eles consideravam que, já que libertam a Europa, podem comportar-se como quiserem.

A reputação elevada do Anthony Beevor, como historiador, garante que as suas afirmações, irão ser apreciados de maneira séria. O seu livro "Stalingrado”, foi avaliado muito positivamente e mereceu alguns prêmios prestigiantes: Samuel Johnson, Wolfson (História) e Hawthornden. Mas o seu relato sobre o cerco do Berlim, promete ser mais discutível. “Em muitos aspectos, o destino das mulheres e moças em Berlim, é bem pior, do que destino dos soldados, que passaram fome e privações em Stalingrado”.

Para compreender, porque a violação da Alemanha foi tão unicamente aterrorizante, é importante olharmos para o contexto. Operação “Barbarossa”, invasão nazi à URSS em 1941, foi o início do conflito mais genocída da história. Hoje considera-se, que, provavelmente, 30 milhões dos cidadãos da União Soviética morreram durante a guerra, incluindo mais de 3 milhões, que foram exterminados pelo fome nos campos de concentração alemães. Os alemães, que não mostravam nenhum tipo de misericórdia, não podiam o esperar em resposta. Eles também tiveram pesadas baixas humanas. Só na batalha de Berlim, foram mortos ou morreram mais tarde, como prisioneiros, mais de 1 milhão dos soldados alemães e pelo menos 100 mil civis. A URSS perdeu (nesta batalha) mais de 300 mil pessoas.

Neste cenário terrível, Stalin e os seus comandantes desculpavam e até incentivavam violações, e não só em relação à nação alemã, mas também aos seus aliados: Hungria, Romênia e Croácia. Quando o comunista jugoslavo, Milovan Djilas apresentou um protesto ao Estaline, ditador rebentou-se: “Como que, Você não consegue entender o soldado, que andou à pé milhares de quilômetros através do sangue, fogo e morte e quer entreter-se com mulher ou levar alguma bugiganga?”

Quando os comunistas alemães, o avisavam, que violações causam a repugnância da população contra o partido, Stalin irritou-se: “Eu não permito a ninguém, meter na lama a reputação do Exército Vermelho!”

As violações começaram em 1944, logo depois da entrada do Exército Vermelho na Prússia Oriental e Silezia. Em muitas cidades e aldeias, foram violadas TODAS as mulheres dos 8 à 80 anos. Alexandre Soljenitsin, Nobel da literatura, naquele tempo jovem oficial, descreve este terror no seu poema “As noites da Prússia”:

Pequena filha no colchão
Morta. Tantos e tantos estiveram nele
Pelotão, ou talvez até companhia?

Mas pessoas como Soljenitsin, eram raros: maioria dos seus camaradas, consideravam a violação legitima. Quando o exército em ofensiva, entrou no interior da Alemanha, na ordem do Comandante – Chefe, Marechal Georgiy Zhukov, estava escrito: “Desgraça para a terra dos assassinos. Nos vingaremos de tudo, e a nossa vingança será terrível”.

Quando o Exército Vermelho, chegou às portas de Berlim, sua reputação, reforçada pela propaganda nazi, amedrontou a população alemã, muitos fugiam. Embora em maio de 1945, a resistência desesperada cessou, experiências pesadas das mulheres alemãs não cessaram logo. Quantas mulheres alemãs, foram violadas ao tudo? Podemos apenas conjugar os dados, mas eles perfazem uma porcentagem significativa, dos pelo menos 15 milhões de mulheres que viviam na zona de ocupação soviética, ou foram expulsas das províncias orientais da Alemanha. Sobre o alcance das violações, podemos ajuizar pelo facto, que todos os anos, no período entre 1945/48, cerca de dois milhões de mulheres faziam abortos ilegais. Apenas no inverno de 1946/47, as autoridades soviéticas, preocupadas com propagação das doenças venéreas, introduziram castigos severos para os seus soldados na Alemanha Oriental, pela “confraternização com inimigo”.




Os soldados soviéticos, consideravam a violação, que não raramente consumia-se perante olhos do marido e dos membros da família da mulher, como uma maneira correcta de humilhar a nação alemã, que considerava os eslavos como raça inferior. A sociedade patriarcal russa e habito das patuscadas bacanais também jogaram o seu papel, mas mais importante foi a indignação perante o nível de vida bastante alto dos alemães.

O fato sublinhado por Antony Beevor, do que as tropas soviéticas violavam não apenas alemãs, mas também as vitimas do nazismo, recentemente libertados dos campos de concentração, obriga a pressupor, que a violência sexual, foi muitas vezes confusa, embora as mulheres russas e polacas, foram violadas em números muito menores, que as mulheres conquistadas alemãs. Judias, não eram vistas pelos soldados soviéticos, obrigatoriamente como vitimas do nazismo. Os comissários soviéticos, expropriavam os campos de concentração alemães, para aprisionar neles seus próprios presos políticos, incluindo os “inimigos da classe” e também os funcionários nazis, por isso o seu relacionamento com os prisioneiros destes campos, foi claramente fora do sentimental.

Falando dos milhões dos russos ou eslavos, expatriados à Alemanha para os trabalhos forçados, aqueles que conseguiram sobreviver o regime nazi e não foram executados como traidores ou mandados para GULAG, podiam considerar-se como felizardos. As mulheres deste grupo, pelos vistos, tinham o tratamento, não melhor do que as alemãs, ou talvez até pior.

Berlim, 1945


A violação da Alemanha, deixou atrás de si, uma herança amarga. Violação contribuiu para não popularidade do regime comunista na Alemanha Oriental e para a necessidade posterior, deste regime, fazer da policia política secreta Stasi, o seu suporte.

As próprias vitimas, receberam um trauma permanente: as mulheres alemãs, da geração da II Guerra Mundial, ainda (hoje) chamam o memorial do Exército Vermelho em Berlim de “Campa do violador desconhecido”.

(*)Daniel Johnson - ("Red Army troops raped even Russian women as they freed them from camps"; "The Daily Telegraph", Gra - Bretanha).

Fonte - ucrania-mozambique.blogspot.com/
Exército Vermelho violava até as mulheres russas, libertadas dos campos de concentração

Ler artigo original (em inglês):