quarta-feira, junho 03, 2020

O que realmente é o fascismo



por Lew Rockwell (*)

Todo mundo sabe que o termo fascista é hoje pejorativo; um adjetivo frequentemente utilizado para se descrever qualquer posição política da qual o orador não goste. Não há ninguém no mundo atual propenso a bater no peito e dizer "Sou um fascista; considero o fascismo um grande sistema econômico e social."

Porém, afirmo que, caso fossem honestos, a vasta maioria dos políticos, intelectuais e ativistas do mundo atual teria de dizer exatamente isto a respeito de si mesmos.

O fascismo é o sistema de governo que opera em conluio com grandes empresas (as quais são favorecidas economicamente pelo governo), que carteliza o setor privado, planeja centralizadamente a economia subsidiando grandes empresários com boas conexões políticas, exalta o poder estatal como sendo a fonte de toda a ordem, nega direitos e liberdades fundamentais aos indivíduos (como a liberdade de empreender em qualquer mercado que queira) e torna o poder executivo o senhor irrestrito da sociedade.

Tente imaginar algum país cujo governo não siga nenhuma destas características acima. Tal arranjo se tornou tão corriqueiro, tão trivial, que praticamente deixou de ser notado pelas pessoas. Praticamente ninguém conhece este sistema pelo seu verdadeiro nome.

É verdade que o fascismo não possui um aparato teórico abrangente. Ele não possui um teórico famoso e influente como Marx. Mas isso não faz com que ele seja um sistema político, econômico e social menos nítido e real. O fascismo também prospera como sendo um estilo diferenciado de controle social e econômico. E ele é hoje uma ameaça ainda maior para a civilização do que o socialismo completo. Suas características estão tão arraigadas em nossas vidas — e já é assim há um bom tempo — que se tornaram praticamente invisíveis para nós.

E se o fascismo é invisível para nós, então ele é um assassino verdadeiramente silencioso. Assim como um parasita suga seu hospedeiro, o fascismo impõe um estado tão enorme, pesado e violento sobre o livre mercado, que o capital e a produtividade da economia são completamente exauridos. O estado fascista é como um vampiro que suga a vida econômica de toda uma nação, causando a morte lenta e dolorosa de uma economia que outrora foi vibrante e dinâmica.

As origens do fascismo

A última vez em que as pessoas realmente se preocuparam com o fascismo foi durante a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, dizia-se ser imperativo que todos lutassem contra este mal. Os governos fascistas foram derrotados pelos aliados, mas a filosofia de governo que o fascismo representa não foi derrotada. Imediatamente após aquela guerra mundial, uma outra guerra começou, esta agora chamada de Guerra Fria, a qual opôs o capitalismo ao comunismo. O socialismo, já nesta época, passou a ser considerado uma forma mais branda e suave de comunismo, tolerável e até mesmo louvável, mas desde que recorresse à democracia, que é justamente o sistema que legaliza e legitima a contínua pilhagem da população.

Enquanto isso, praticamente todo o mundo havia esquecido que existem várias outras cores de socialismo, e que nem todas elas são explicitamente de esquerda. O fascismo é uma dessas cores.

Não há dúvidas quanto às origens do fascismo. Ele está ligado à história da política italiana pós-Primeira Guerra Mundial. Em 1922, Benito Mussolini venceu uma eleição democrática e estabeleceu o fascismo como sua filosofia. Mussolini havia sido membro do Partido Socialista Italiano.

Todos os maiores e mais importantes nomes do movimento fascista vieram dos socialistas. O fascismo representava uma ameaça aos socialistas simplesmente porque era uma forma mais atraente e cativante de se aplicar no mundo real as principais teorias socialistas. Exatamente por isso, os socialistas abandonaram seu partido, atravessaram o parlamento e se juntaram em massa aos fascistas.

Foi também por isso que o próprio Mussolini usufruiu uma ampla e extremamente favorável cobertura na imprensa durante mais de dez anos após o início de seu governo. Ele era recorrentemente celebrado pelo The New York Times, que publicou inúmeros artigos louvando seu estilo de governo. Ele foi louvado em coletâneas eruditas como sendo o exemplo de líder de que o mundo necessitava na era da sociedade planejada. Matérias pomposas sobre o fanfarrão eram extremamente comuns na imprensa americana desde o final da década de 1920 até meados da década de 1930.

Qual o principal elo entre o fascismo e o socialismo? Ambos são etapas de um continuum que visa ao controle econômico total, um continuum que começa com a intervenção no livre mercado, avança até a arregimentação dos sindicatos e dos empresários, cria leis e regulamentações cada vez mais rígidas, marcha rumo ao socialismo à medida que as intervenções econômicas vão se revelando desastrosas e, no final, termina em ditadura.

O que distingue a variedade fascista de intervencionismo é a sua recorrência à ideia de estabilidade para justificar a ampliação do poder do estado. Sob o fascismo, grandes empresários e poderosos sindicatos se aliam entusiasticamente ao estado para obter proteção e estabilidade contra as flutuações econômicas, isto é, as expansões e contrações de determinados setores do mercado em decorrência das constantes alterações de demanda por parte dos consumidores. A crença é a de que o poder estatal pode suplantar a soberania do consumidor e substituí-la pela soberania dos produtores e sindicalistas, mantendo ao mesmo tempo a maior produtividade gerada pela divisão do trabalho.

Os adeptos do fascismo encontraram a perfeita justificativa teórica para suas políticas na obra de John Maynard Keynes. Keynes alegava que a instabilidade do capitalismo advinha da liberdade que o sistema garantia ao "espírito animal" dos investidores. Ora guiados por rompantes de otimismo excessivo e ora derrubados por arroubos de pessimismo irreversível, os investidores estariam continuamente alternando entre gastos estimuladores e entesouramentos depressivos, fazendo com que a economia avançasse de maneira intermitente, apresentando uma sequência de expansões e contrações.

Keynes propôs eliminar esta instabilidade por meio de um controle estatal mais rígido sobre a economia, com o estado controlando os dois lados do mercado de capitais. De um lado, um banco central com o poder de inflacionar a oferta monetária por meio da expansão do crédito iria determinar a oferta de capital para financiamento e estipular seu preço, e, do outro, uma ativa política fiscal e regulatória iria socializar os investimentos deste capital.

Em uma carta aberta ao presidente Franklin Delano Roosevelt, publicado no The New York Times em 31 de dezembro de 1933, Keynes aconselhava seu plano:
Na área da política doméstica, coloco em primeiro plano um grande volume de gastos sob os auspícios do governo. Em segundo lugar, coloco a necessidade de se manter um crédito abundante e barato. ... Com estas sugestões . . . posso apenas esperar com grande confiança por um resultado exitoso. Imagine o quanto isto significaria não apenas para a prosperidade material dos Estados Unidos e de todo o mundo, mas também em termos de conforto para a mente dos homens em decorrência de uma restauração de sua fé na sensatez e no poder do governo. (John Maynard Keynes, "An Open Letter to President Roosevelt," New York Times, December 31, 1933 in ed. Herman Krooss, Documentary History of Banking and Currency in the United States, Vol. 4 (New York: McGraw Hill, 1969), p. 2788.)
Keynes se mostrou ainda mais entusiasmado com a difusão de suas ideias na Alemanha. No prefácio da edição alemã da Teoria Geral, publicada em 1936, Keynes escreveu:
A teoria da produção agregada, que é o que este livro tenciona oferecer, pode ser adaptada às condições de um estado totalitário com muito mais facilidade do que a teoria da produção e da distribuição sob um regime de livre concorrência e laissez-faire. (John Maynard Keynes, "Prefácio" da edição alemã de 1936 da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, traduzido e reproduzido in James J. Martin, Revisionist Viewpoints (Colorado Springs: Ralph Myles, 1971), pp. 203?05.)


Controle estatal do dinheiro, do crédito, do sistema bancário e dos investimentos é a base exata de uma política fascista. Historicamente, a expansão do controle estatal sob o fascismo seguiu um padrão previsível. O endividamento e a inflação monetária pagaram pelos gastos estatais. A resultante expansão do crédito levou a um ciclo de expansão e recessão econômica. O colapso financeiro gerado pela recessão resultou na socialização dos investimentos e em regulamentações mais estritas sobre o sistema bancário, ambos os quais permitiram mais inflação monetária, mais expansão do crédito, mais endividamento e mais gastos. O subsequente declínio no poder de compra do dinheiro justificou um controle de preços e salários, o qual se tornou o ponto central do controle estatal generalizado. Em alguns casos, tudo isso aconteceu rapidamente; em outros, o processo se deu de maneira mais lenta. Porém, em todos os casos, o fascismo sempre seguiu este caminho e sempre descambou no total planejamento centralizado.

Na Itália, local de nascimento do fascismo, a esquerda percebeu que sua agenda anticapitalista poderia ser alcançada com muito mais sucesso dentro do arcabouço de um estado autoritário e planejador. Keynes teve um papel-chave ao fornecer uma argumentação pseudo-científica contra o laissez-faire do velho mundo e em prol de uma nova apreciação da sociedade planejada. Keynes não era um socialista da velha guarda. Como ele próprio admitiu na introdução da edição nazista da Teoria Geral, o nacional-socialismo era muito mais favorável às suas ideias do que uma economia de mercado.

Características

Examinando a história da ascensão do fascismo, John T. Flynn, em seu magistral livro As We Go Marching, de 1944, escreveu:
Um dos mais desconcertantes fenômenos do fascismo é a quase inacreditável colaboração entre homens da extrema-direita e da extrema-esquerda para a sua criação. Mas a explicação para este fenômeno aparentemente contraditório jaz na seguinte questão: tanto a direita quanto a esquerda juntaram forças em sua ânsia por mais regulamentação. As motivações, os argumentos, e as formas de expressão eram diferentes, mas todos possuíam um mesmo objetivo, a saber: o sistema econômico tinha de ser controlado em suas funções essenciais, e este controle teria de ser exercido pelos grupos produtores.


Flynn escreveu que a direita e a esquerda discordavam apenas quanto a quem seria este 'grupo de produtores'. A esquerda celebrava os trabalhadores como sendo os produtores. Já a direita afirmava que os produtores eram os grandes grupos empresariais. A solução política de meio-termo — a qual prossegue até hoje, e cada vez mais forte — foi cartelizar ambos.

Sob o fascismo, o governo se torna o instrumento de cartelização tanto dos trabalhadores (desde que sindicalizados) quanto dos grandes proprietários de capital. A concorrência entre trabalhadores e entre grandes empresas é tida como algo destrutivo e sem sentido; as elites políticas determinam que os membros destes grupos têm de atuar em conjunto e agir cooperativamente, sempre sob a supervisão do governo, de modo a construírem uma poderosa nação.

Os fascistas sempre foram obcecados com a ideia de grandeza nacional. Para eles, grandeza nacional não consiste em uma nação cujas pessoas estão se tornando mais prósperas, com um padrão de vida mais alto e de maior qualidade. Não. Grandeza nacional ocorre quando o estado incorre em empreendimentos grandiosos, faz obras faraônicas, sedia grandes eventos esportivos e planeja novos e dispendiosos sistemas de transporte.

Em outras palavras, grandeza nacional não é a mesma coisa que a sua grandeza ou a grandeza da sua família ou a grandeza da sua profissão ou do seu empreendimento. Muito pelo contrário. Você tem de ser tributado, o valor do seu dinheiro tem de ser depreciado, sua privacidade tem de ser invadida e seu bem-estar tem de ser diminuído para que este objetivo seja alcançado. De acordo com esta visão, é o governo quem tem de nos tornar grandes.

Tragicamente, tal programa possui uma chance de sucesso político muito maior do que a do antigo socialismo. O fascismo não estatiza a propriedade privada como faz o socialismo. Isto significa que a economia não entra em colapso quase que imediatamente. Tampouco o fascismo impõe a igualdade de renda. Não se fala abertamente sobre a abolição do casamento e da família ou sobre a estatização das crianças. A religião não é proibida.

Sob o fascismo, a sociedade como a conhecemos é deixada intacta, embora tudo seja supervisionado por um poderoso aparato estatal. Ao passo que o socialismo tradicional defendia uma perspectiva globalista, o fascismo é explicitamente nacionalista ou regionalista. Ele abraça e exalta a ideia de estado-nação.

Quanto à burguesia, o fascismo não busca a sua expropriação. Em vez disso, a classe média é agradada com previdência social, educação gratuita, benefícios médicos e, é claro, com doses maciças de propaganda estatal estimulando o orgulho nacional.

O fascismo utiliza o apoio conseguido democraticamente para fazer uma arregimentação nacional e, com isso, controlar mais rigidamente a economia, impor a censura, cartelizar empresas e vários setores da economia, escolher empresas vencedoras e privilegiá-las com subsídios, repreender dissidentes e controlar a liberdade dos cidadãos. Tudo isso exige um contínuo agigantamento do estado policial.

Sob o fascismo, a divisão entre esquerda e direita se torna amorfa. Um partido de esquerda que defende programas socialistas não tem dificuldade alguma em se adaptar e adotar políticas fascistas. Sua agenda política sofre alterações ínfimas, a principal delas sendo a sua maneira de fazer marketing.

O próprio Mussolini explicou seu princípio da seguinte maneira: "Tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado". Ele também disse: "O princípio básico da doutrina Fascista é sua concepção do Estado, de sua essência, de suas funções e de seus objetivos. Para o Fascismo, o Estado é absoluto; indivíduos e grupos, relativos."

O futuro

Não consigo imaginar qual seria hoje uma prioridade maior do que uma séria e efetiva aliança anti-fascista. De certa maneira, ainda que muito desconcertada, uma resistência já está sendo formada. Não se trata de uma aliança formal. Seus integrantes sequer sabem que fazem parte dela. Tal aliança é formada por todos aqueles que não toleram políticos e politicagens, que se recusam a obedecer leis fascistas convencionais, que querem mais descentralização, que querem menos impostos, que querem poder importar bens sem ter de pagar tarifas escorchantes, que protestam contra a inflação e seu criador, o Banco Central, que querem ter a liberdade de se associar a quem quiserem e de comprar e vender de acordo com termos que eles próprios decidirem, que querem empreender livremente, que insistem em educar seus filhos por conta própria. Principalmente, por aqueles investidores, poupadores e empreendedores que realmente tornam possível qualquer crescimento econômico e por aqueles que resistem ao máximo a divulgar dados pessoais para o governo e para o estado policial.

Tal aliança é também formada por milhões de pequenos e independentes empreendedores que estão descobrindo que a ameaça número um à sua capacidade de servir aos outros por meio do mercado é exatamente aquela instituição que alega ser nossa maior benfeitora: o governo.

Quantas pessoas podem ser classificadas nesta categoria? Mais do que imaginamos. O movimento é intelectual. É cultural. É tecnológico. Ele vem de todas as classes, raças, países e profissões. Não se trata de um movimento meramente nacional; ele é genuinamente global. Não mais podemos prever se os membros se consideram de esquerda, de direita, independentes, libertários, anarquistas ou qualquer outra denominação. O movimento inclui pessoas tão diversas como pais adeptos do ensino domiciliar em pequenas cidades e pais em áreas urbanas cujos filhos estão encarcerados por tempo indeterminado e sem nenhuma boa razão (senão pelo fato de terem consumido substâncias não-aprovadas pelo estado).

E o que este movimento quer? Nada mais e nada menos do que a doce liberdade. Ele não está pedindo que a liberdade seja concedida ou dada. Ele apenas pede a liberdade que foi prometida pela própria vida, e que existiria na ausência do estado leviatã que nos extorque, escraviza, intimida, ameaça, encarcera e mata. Este movimento não é efêmero. Somos diariamente rodeados de evidências que demonstram que ele está absolutamente correto em suas exigências. A cada dia, torna-se cada vez mais óbvio que o estado não contribui em absolutamente nada para o nosso bem-estar. Ao contrário, ele maciçamente subtrai nosso padrão de vida.

Nos anos 1930, os defensores do estado transbordavam de ideias grandiosas. Eles possuíam teorias e programas de governo que gozavam o apoio de vários intelectuais sérios. Eles estavam emocionados e excitados com o mundo que iriam criar. Eles iriam abolir os ciclos econômicos, criar desenvolvimento social, construir a classe média, curar todas as doenças, implantar a seguridade universal, acabar com a escassez e fazer vários outros milagres. O fascismo acreditava em si próprio.

Hoje o cenário é totalmente distinto. O fascismo não possui nenhuma ideia nova, nenhum projeto grandioso — nem mesmo seus partidários realmente acreditam que podem alcançar os objetivos almejados. O mundo criado pelo setor privado é tão mais útil e benevolente do que qualquer coisa que o estado já tenha feito, que os próprios fascistas se tornaram desmoralizados e cientes de que sua agenda não possui nenhuma base intelectual real.

É algo cada vez mais amplamente reconhecido que o estatismo não funciona e nem tem como funcionar. O estatismo é e continua sendo a maior mentira do milênio. O estatismo nos dá o exato oposto daquilo que promete. Ele nos promete segurança, prosperidade e paz. E o que ele nos dá é medo, pobreza, conflitos, guerra e morte. Se queremos um futuro, teremos nós mesmos de construí-lo. O estado fascista não pode nos dar nada. Ao contrário, ele pode apenas atrapalhar.

Por outro lado, também parece óbvio que o antigo romance dos liberais clássicos com a ideia de um estado limitado já se esvaneceu. É muito mais provável que os jovens de hoje abracem uma ideia que 50 anos atrás era tida como inimaginável: a ideia de que a sociedade está em melhor situação sem a existência de qualquer tipo de estado.

Eu diria que a ascensão da teoria anarcocapitalista foi a mais dramática mudança intelectual ocorrida em minha vida adulta. Extinta está a ideia de que o estado pode se manter limitado exclusivamente à função de vigilante noturno, mantendo-se como uma entidade pequena que irá se limitar a apenas garantir direitos essenciais, adjudicar conflitos, e proteger a liberdade. Esta visão é calamitosamente ingênua. O vigia noturno é o sujeito que detém as armas, que possui o direito legal de utilizar de violência, que controla todas as movimentações das pessoas, que possui um posto de comando no alto da torre e que pode ver absolutamente tudo. E quem vigia este vigia? Quem limita seu poder? Ninguém, e é exatamente por isso que ele é a fonte dos maiores males da sociedade. Nenhuma lei, nenhuma constituição bem fundamentada, nenhuma eleição, nenhum contrato social irá limitar seu poder.

Com efeito, o vigia noturno adquiriu poderes totais. É ele quem, como descreveu Flynn, "possui o poder de promulgar qualquer lei ou tomar qualquer medida que lhe seja mais apropriada". Enquanto o governo, continua Flynn, "estiver investido do poder de fazer qualquer coisa sem nenhuma limitação prática às suas ações, ele será um governo totalitário. Ele possui o poder total".

Este é um ponto que não mais pode ser ignorado. O vigia noturno tem de ser removido e seus poderes têm de ser distribuídos entre toda a população, e esta tem de ser governada pelas mesmas forças que nos trazem todas as bênçãos possibilitadas pelo mundo material.

No final, esta é a escolha que temos de fazer: o estado total ou a liberdade total. O meio termo é insustentável no longo prazo. Qual iremos escolher? Se escolhermos o estado, continuaremos afundando cada vez mais, e no final iremos perder tudo aquilo que apreciamos enquanto civilização. Se escolhermos a liberdade, poderemos aproveitar todo o notório poder da cooperação humana, o que irá nos permitir continuar criando um mundo melhor.

Na luta contra o fascismo, não há motivos para se desesperar. Temos de continuar lutando sempre com a total confiança de que o futuro será nosso, e não deles.

O mundo deles está se desmoronando. O nosso está apenas começando a ser construído. O mundo deles é baseado em ideologias falidas. O nosso é arraigado na verdade, na liberdade e na realidade. O mundo deles pode apenas olhar para o passado e ter nostalgias daqueles dias gloriosos. O nosso olha para frente e contempla todo o futuro que estamos construindo para nós mesmos. O mundo deles se baseia no cadáver do estado-nação. O nosso se baseia na energia e na criatividade de todas as pessoas do mundo, unidas em torno do grande e nobre projeto da criação de uma civilização próspera por meio da cooperação humana pacífica.

É verdade que eles possuem armas grandes e poderosas. Mas armas grandes e poderosas nunca foram garantia de vitória em guerras. Já nós possuímos a única arma que é genuinamente imortal: a ideia certa. E é isso que nos levará à vitória.

Como disse Mises,
No longo prazo, até mesmo o mais tirânico dos governos, com toda a sua brutalidade e crueldade, não é páreo para um combate contra ideias. No final, a ideologia que obtiver o apoio da maioria irá prevalecer e retirar o sustento de sob os pés do tirano. E então os vários oprimidos irão se elevar em uma rebelião e destronar seus senhores.

(*) Lew Rockwell é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.

Publicado no https://www.mises.org.b

domingo, maio 24, 2020

A indignação pediu licença para dizer Palavrão





por Paulo Slavenca (*)

Nada, na falas verificadas na reunião ministerial, atenta contra a liberdade do cidadão, seu direito de ir e vir. 

O Presidente demonstra total indignação com o algemamento de civis trabalhadores ou pequenos empresários por agentes dos Executivos estadual e municipal. O "ditador", o "genocida", o "homofóbico" indigna-se com prisões arbitrárias. E aí se vem falar dos... palavrões? Pois é!


Vi e ouvi o Presidente declarar-se indignado com a falta de informações. Errado? O cargo exige isso! Como se governa um país sem se estar a par de fatos que bem compete a órgãos de justiça e segurança colher, apurar, compilar, classificar e pôr nas mãos do Chefe de Governo e Chefe de Estado do País? Ai, mas... os palavrões... os palavrões!

Bolsonaro, com seus palavrões, não fez de alvo, com eles, homens e mulheres simples, trabalhadores honestos, empresários decentes, profissionais de categoria alguma. Os alvos foram dois governadores ávidos pela cadeira presidencial, que surfaram, nas últimas eleições, na onda do então candidato Jair Messias Bolsonaro. Os dois que, hoje, destacam-se como solapadores da ordem econômica de "seus" estados. Em certo momento, um estuprador é qualificado de "filho da p...ta", o mesmo que, na onda das liberações, por ordem de governadores, de presidiários, fez logo uma vítima.

Moro, que bem levou uma merecida chapoletada, quando o Presidente manifestou descontentamento com a inoperância do Ministério da Justiça diante do descalabro de algemar-se cidadãos comuns, nada declarou em termos de discordância com as posições de SEU CHEFE! E veio pedir "detalhamentos" de ações de segurança! Ora, se não estava sequer cumprindo com a obrigação de impedir injustiças e arbitrariedades de tiranetes estaduais e municipais, era para se mancar.

Não vi nem ouvi Bolsonaro desdenhar da gravidade da COVID-19, mas mostrar declaradamente preocupação com a falta de informações precisas acerca das mortes, salientando a necessidade de comunicarem-se as comorbidades.

Li uma semianalfabeta, nas redes sociais, declarar-se enojada com o nível da reunião. Claro, por causa dos palavrões. A criatura tem uma página no Facebook que é uma vitrina de vulgaridade, gente! Foto com a língua meio de fora, lambendo o canto do lábio superior, ao lado de outras fotos... com filhos pequenos??? E a peste é casada! Enojada - ou melhor, estarrecida - seria ela ter ficado com a declaração da Ministra Damares acerca da contaminação criminosa de indígenas, para que, morrendo de COVID-19, a culpa fosse de imediato jogada na gestão presidencial, por causa de insatisfações com uma política que cortou verbas para ONGS de araque.

E ler ou ouvir moções de repúdio aos palavrões de Bolsonaro justamente de quem vai ao delírio com Lula, o cara que zoou com os pelotenses, qualificando a cidade gaúcha de "exportadora de veados, o apologista do "gr...lo duro" das mulheres da bancada petista???





E a fala de Weintraub? O que disse acerca da bolha que é Brasília, um antro de burocratas agarrados a comodidades e privilégios, distantes do povo é mentira? Bastaria Dilma Rousseff não ter sido defenestrada, e estaríamos em uma situação de servidão, com o PT implementado sua agenda de controle total de hábitos, acesso à informação, principalmente por meio do que bem sabe fazer: aparelhar!



Bolsonaro ditador? Um homem que deseja que o povo se arme para bem resistir às ordens de um Estado totalitário? Como falou certeiro: o povo brasileiro deixou-se amedrontar, insuflado pela mídia (acréscimo meu), confinou-se apavorado. E os que ousaram sair foram algemados e postos em camburão por agentes de uma Gestapo oficiosa! "Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema e deixa tudo morrer dentro de casa"! BRILHOU, PRESIDENTE! Gado, os bolsonaristas? Gado é quem se deixa desarmar, para defecar-se de medo diante do agente do governo que vier buscá-lo para um campo de concentração ou de extermínio! Ai... eu tenho nojo de palavrão...

Bolsonaro um ditador dos palavrões? Veja aqui

Quer saber? Uma paradinha para comentar sobre o uso da linguagem. Aliás, vou concluir por aqui mesmo.

Ora, feio e nauseante é não falar com perfeita dicção e correção o palavrão ou deixar de escrevê-lo conforme as convenções ortográficas em vigor. Ridículo é colocar acento agudo na letra vogal da representação gráfica de um monossílabo tônico terminado em "u", seguido ou não de "s", como vemos tanto por aí, ao depararmos com o substantivo iniciado com a consoante, oclusiva, velar, surda representada pelo grafema "c", e terminado pela vogal oral, fechada, posterior, arredondada representada pelo grafema "u".

Feio é viver com livros à disposição e não se dar sequer o trabalho de ler um texto de dez linhas, mas ousar digitar sacrilégios e blasfêmias contra a norma culta da língua nas redes sociais. Pior, achar que se pode dispensar do trabalho de aprender só porque digita de um IPhone!

Meu voto continua sendo dele: um Presidente que, numa reunião fechada, mostrou-se preocupado com a liberdade do povo, ao contrário de quem nos quer ver desarmados, vulneráveis e desinformados!

(*) Paulo SValenca  é um cidadão consciente de que o Brasil precisa voltar aos trilhos. 


quinta-feira, maio 14, 2020

Comida e máscaras só para muçulmanos; cristãos não.





Os casos de coronavírus continuam a crescer no país de maioria muçulmana. Mas a Comissão Nacional de Justiça e Paz denuncia: "A ajuda é distribuída apenas aos muçulmanos"

por Alessandra Benignetti -quinta- feira , 14/05/2020 - 11:53 (horário Itália)



A ajuda de emergência foi comprada com zakat , a esmola ritual fornecida pela sharia e, portanto, não pode ser distribuída a cristãos e outras minorias religiosas, mas apenas a fiéis islâmicos. Isso acontece no Paquistão , um país de maioria muçulmana, onde nas últimas 24 horas foram registrados dois mil novos casos de coronavírus. A curva começou a subir novamente após o abrandamento parcial das restrições por parte do governo, o que levou centenas de pessoas a entrar nos mercados locais. Os números oficiais falam de mais de 30 mil infecções. Entre as províncias mais afetadas está a de Punjab.

Bem aqui, de acordo com Cecil Shane Chaudhry, diretora executiva da Comissão Nacional de Justiça e Paz, uma organização católica de direitos humanos, várias organizações religiosas muçulmanas excluíram membros de outras denominações religiosas da distribuição de ajuda. Nos últimos dias, voluntários de um centro islâmico na vila de Sandha Kalan, no distrito de Kasur, se recusaram a oferecer comida para centenas de famílias em dificuldade, só porque são cristãs. O mesmo aconteceu em Lahore, em uma vila na Raiwind Road.


Ainda na mesma cidade, o imã de uma mesquita em Model Town, anunciando uma distribuição de alimentos para os mais necessitados, especificou que seria dirigido "apenas aos muçulmanos". E, no entanto, assegura Chaudhri, que denunciou o incidente à fundação pontifícia Ajuda à Igreja em Necessidade, são precisamente aqueles pertencentes a minorias que precisam mais do apoio do Estado e de organizações beneficentes. Os cristãos , em particular, disseram aos jornalistas italianos que "desempenham os empregos mais mal pagos, com salários diários que os obrigam a viver abaixo da linha da pobreza ou dependem de um emprego que está desaparecendo por causa do bloqueio" .

O ativista, portanto, apela ao governo de Lahore por " máscaras , luvas e outras ferramentas de proteção a serem fornecidas aos trabalhadores da saúde e trabalhadores domésticos, muitos dos quais são cristãos" . São precisamente os membros dessa minoria religiosa, que exercem as profissões mais humildes e, consequentemente, os mais expostos à infecção, que estão em maior risco. "Covid não conhece fronteiras, todos estão em perigo, independentemente da religião - recomenda Chaudhry - como pode ser considerado correto negar comida e outras ajudas de emergência a cristãos e outras minorias, considerando em particular que eles estão entre os que mais sofrem atualmente?" .

A proposta é usar censos para direcionar a ajuda principalmente para os mais vulneráveis. Mas, por enquanto, o ativista denuncia: "não temos conhecimento de nenhuma iniciativa que inclua membros de minorias religiosas para garantir que suas necessidades não sejam ignoradas" .

Alessandra Benignetti escreve para o il.jornale.it 


sábado, maio 09, 2020

Dez motivos para encerrar o Isolamento agora




por Dr. John Lee (*)

NOTA: Artigo originalmente escrito e voltado para o Reino Unido, mas que se encaixa perfeitamente para o Brasil, exceto que lá lutam contra o Vírus e no Brasil lutam contra o presidente eleito democraticamente

Escrevendo há um mês para a The Spectator, aplaudi o objetivo declarado do governo de tentar seguir a ciência ao lidar com a Covid. Tais promessas são mais fáceis do que cumpridas. Seguir a ciência significa entender a ciência. Significa envolver-se com interpretações rivais dos dados limitados, a fim de mostrar o que é mais importante no que não sabemos. Em vez disso, o governo no Reino Unido (e em muitos outros lugares) parece desinteressado em pontos de vista alternativos. A narrativa escolhida - que o bloqueio salvou inúmeras vidas - foi obstinadamente seguida por todos os porta-vozes. Nenhuma dúvida é permitida. Temos visto a resposta do grupo a uma ameaça externa percebida que Jonathan Haidt descreve tão lucidamente em seu excelente livro sobre o pensamento moral humano, A mente justa .

Tornou-se agora uma questão de fé que o bloqueio é vital. Acredita-se que não apenas seja causalmente responsável por 'achatar a curva', mas também teme-se que sua liberação muito cedo possa causar um segundo pico em casos e 'desastre econômico' (presumivelmente devido a um grande número de mortes). Em que evidência isso é feito?

Mesmo se alguém pudesse entender por que o bloqueio foi imposto, ficou muito rapidamente claro que não havia sido pensado. Não em termos dos efeitos mais amplos sobre a sociedade (que ainda precisam ser contados) e nem em termos de como o próprio vírus pode se comportar. Mas, no início, quase não havia evidências. Todo mundo estava adivinhando. Agora, temos um mundo de evidências, de todo o mundo, e o argumento para começar a reverter o bloqueio é convincente. Aqui estão dez razões pelas quais acredito que é errado continuar com o bloqueio e por que devemos começar a revertê-lo imediatamente e rapidamente.

1. Você não pode entender o significado desse vírus simplesmente olhando para os números brutos da morte 

O bloqueio foi promulgado com uma previsão de 500.000 mortes no Reino Unido, reduzido rapidamente para 250.000 e depois para 20.000. Enquanto escrevo, o número de mortos no Reino Unido é de 30.150. A mídia de radiodifusão incidiu incansavelmente no número de mortes e histórias emocionais em torno das vítimas. Embora toda morte seja triste, o significado de um número de mortes só pode ser entendido olhando-se o quadro geral. Essa pandemia é única na maneira como foi observada e mensurada. Isso significa que estamos testando e contando uma proporção muito maior de casos de Covid do que já foram contados anteriormente para outras infecções respiratórias, como a gripe. Isso é verdade mesmo que muitos casos da Covid em casas de repouso não tenham sido inicialmente incluídos nos números. Realmente não sabemos quantas pessoas morrem de gripe a cada ano, porque a vigilância depende principalmente de medidas substitutas e não de testes reais, mas o número estimado para 2014/15, o mais alto dos últimos anos, foi de 28.330. Então, sim, Covid é uma doença nova e desagradável. Mas mesmo que você assuma 40.000 mortes de Covid, seu número de mortes está no mesmo estádio que as doenças com as quais vivemos, não algo tão extraordinário que justifique a reação de bloqueio.

E como é novo, é provável que seja o pior possível (veja 9 abaixo). A maioria dos casos é assintomática. Os sintomas mais comuns não são febre, tosse, dor de cabeça e sintomas respiratórios; eles não são sintomas. O caso típico não sofre de fibrose respiratória; a doença não deixa marcas. Em algum lugar, cerca de 99,9% dos que pegam a doença se recuperam. Dos infelizes o suficiente para morrer, mais de 90% têm condições pré-existentes e estavam chegando ao fim de suas vidas. Dizer que isso não é indiferente: é simplesmente um fato da vida que as pessoas mais velhas têm maior probabilidade de morrer em qualquer evento e, especialmente, mais chances de morrer de novos tipos de infecção.

2. A resposta da política ao vírus foi motivada pela modelagem do Covid - não por outros fatores
O Isolamento está prejudicando nossa capacidade de conviver com os efeitos desse vírus, sem alterar o jogo longo

Não apenas esse modelo estava extravagantemente errado antes na previsão do curso das epidemias virais, mas não diz nada sobre qualquer outra coisa. Nesse caso, foi atormentado desde o início por dados ruins e suposições erradas. Os dados sobre virulência foram extremamente tendenciosos em favor de casos graves. Havia uma suposição de que 80% da população pegaria rapidamente a doença, quando na verdade 15% parece mais próximo da marca. Mesmo a transmissibilidade muito discutida do vírus, o número R, não é algo que se sabe com precisão porque houve tão poucos testes; permanece uma suposição ou uma saída dos modelos. A modelagem pode ser muito útil em termos de apontar as fraquezas em nossos dados, e é por isso que é incrível que, após seis semanas de bloqueio, ainda tenhamos feito tão pouco teste na comunidade. Mas, em situações complexas, os modelos raramente são abrangentes ou precisos o suficiente para constituir uma base suficiente para políticas públicas. Os próprios modelos que nos colocam em confinamento - com base em previsões que não são mais acuradas - estão nos mantendo aqui, apesar de suas falhas conhecidas.

3. Não sabemos se o Isolamento está funcionando 

Você pode ser perdoado por pensar que nós fazemos. Mas o fato é que a evidência direta para a eficácia do bloqueio nessa situação é mínima e a abordagem é baseada principalmente na modelagem. Muitos municípios com abordagens muito diferentes para o bloqueio parecem ter curvas semelhantes, na medida em que seus diferentes testes e registros do vírus permitem uma comparação significativa. As curvas são resultado de nossas ações ou são apenas uma manifestação da maneira como esse vírus está entrando em equilíbrio com seus novos hospedeiros humanos? As curvas nos navios afetados pelo vírus também parecem semelhantes às curvas da população. É fácil apresentar argumentos plausíveis de que o que estamos fazendo 'deve' estar diminuindo a propagação. Mas o modelo sueco de distanciamento social voluntário parece igualmente eficaz, mas com custos muito mais baixos.

4. Deveríamos facilitar o Isolamento para salvar vidas

Os custos econômicos e diretos de saúde do bloqueio são enormes. O bloqueio causou uma enorme interrupção nos cuidados de saúde de outras condições que não a Covid, que está tendo efeitos imediatos significativos e também terá efeitos retardados significativos. Além disso, as crises econômicas são uma causa direta de problemas de saúde. Uma maneira de tentar medir intervenções em saúde é usar 'anos de qualidade de vida', ou QALYs. Um QALY equivale a um ano em perfeita saúde. No Reino Unido, a idade média de alguém que morre de Covid é de 80 anos. A maioria dos que morrem tem um número relativamente pequeno de QALYs restantes. Mas os efeitos diretos à saúde do bloqueio e da desaceleração econômica têm um efeito desproporcional nos jovens, com muito mais QALYs restantes, portanto, comparar mortes entre Covid e outras causas como esse suicídio não faz justiça à escala dos efeitos na saúde atribuíveis ao bloqueio. Além disso, não devemos esquecer que há mais na vida do que morte. Um ano com depressão (por exemplo) não é um QALY. Quando você considera todos os efeitos de saúde mental e física atribuíveis ao bloqueio antes da morte, bem como as mortes, fica claro que o bloqueio está causando um enorme impacto nos QALYs em toda a população, superando em muito os causados ​​pelo Covid.

5. O Isolamento não é sustentável 

A menos que vivamos assim para sempre, o bloqueio terá que ser facilitado. Então o que? A caixa de Pandora está aberta. Ninguém pensa que este vírus será erradicado. Ele estará presente na população e se espalhará à sua maneira. Para entender os efeitos gerais de um vírus, não podemos apenas olhar agora ou nas próximas semanas. O impacto desse patógeno será medido, como a gripe, ao longo de anos. Alguns anos serão piores que outros. Não há garantia ou mesmo probabilidade de que esse bloqueio tenha tido algum impacto sobre o número total de mortes nos próximos cinco anos. Vidas 'salvas' agora podem ser reivindicadas mais tarde. Nosso próprio sistema imunológico foi aperfeiçoado por centenas de milhões de anos de evolução para lidar com ameaças virais. Eles são a única maneira de sobrevivermos em um mundo cheio de patógenos virais, muitos dos quais já tivemos todos sem saber. Os países que agora têm o prazer de ter uma baixa incidência do vírus terão que enfrentá-lo mais tarde, a menos que entrem em um estado de isolamento semelhante à Coréia do Norte. Mesmo assim, o vírus pode entrar no vento, ou gatos domésticos, ou de alguma outra maneira que ainda não pensamos. Nenhum país jamais melhorou a saúde de sua população, tornando-se mais pobre. O bloqueio está prejudicando nossa capacidade de conviver com os efeitos desse vírus, sem alterar o jogo longo. Nenhum país jamais melhorou a saúde de sua população, tornando-se mais pobre. O bloqueio está prejudicando nossa capacidade de conviver com os efeitos desse vírus, sem alterar o jogo longo. Nenhum país jamais melhorou a saúde de sua população, tornando-se mais pobre. O bloqueio está prejudicando nossa capacidade de conviver com os efeitos desse vírus, sem alterar o jogo longo.

6. O Isolamento afeta diretamente aqueles com maior probabilidade de serem afetados pelo coronavírus 

O coronavírus afeta principalmente os idosos e aqueles com condições pré-existentes. Mas a grande maioria deste grupo que contrai a doença se recupera. Enquanto isso, o bloqueio está impedindo muitas das coisas que tornam a vida digna de ser vivida: ver filhos, netos e amigos; comer fora, hobbies, trabalhos de caridade, viajar. Fazendo todas as coisas que as pessoas trabalham tanto para poder desfrutar. O isolamento é perigoso para todos, mas principalmente para os idosos. 

E as pessoas que morreram durante esse período de Covid ou - muitas outras - de outras doenças? É correto que eles tivessem tido mortes solitárias, que eles e seus entes queridos não pudessem dizer adeus? Que efeitos isso terá sobre os sobreviventes? Quantas pessoas idosas morreram porque não tiveram acesso aos cuidados? Em nome de quem o bloqueio está sendo prolongado? Os idosos saudáveis ​​e os grupos "vulneráveis" precisam do Estado para estender essa experiência prejudicial para seu próprio bem ou gostariam de fazer suas próprias avaliações de risco diante da incerteza, como sempre fizeram antes?

Existem 10.832.396 pessoas com mais de 65 anos na Inglaterra e no País de Gales. Mesmo se assumirmos 50.000 mortes por Covid nesse pico, e todas ocorrerem nessa faixa etária, a probabilidade de morte será menor que 1 em 200. Você prefere ver sua família e viver sua vida (com as precauções razoáveis ​​necessárias) e tomar suas próprias chances, ou ser trancado pelo governo para seu próprio bem?

7. O Isolamento prejudica diretamente aqueles que não serão afetados pelo coronavírus 

A grande maioria das pessoas com menos de 65 anos e quase todos com menos de 50 anos não será mais incomodada por esta doença do que por um resfriado. Eles estão sendo convidados a fazer grandes sacrifícios por algo que não os afetará. Educação, emprego, negócios: esses não são conceitos abstratos, são as vidas das pessoas. Este grupo inclui as pessoas que são a parte mais produtiva da nossa sociedade e cujos esforços apóiam todos os demais, incluindo aqueles que estão doentes. Por que removê-los da atividade é uma coisa sensata a se fazer? O argumento de que eles podem, sem saber, transmitir o vírus para outras pessoas e, portanto, é melhor mantê-los em casa - a mensagem de 'fique em casa, salve vidas' dada a nós pelo governo - é espúria (veja também 9 abaixo). Não há evidências de que o auto-isolamento daqueles em risco especial seja uma opção pior. Educação perdida, oportunidades de emprego perdidas,



8. O serviço de saúde não foi sobrecarregado e provavelmente não será


Os modelos epidemiológicos não tinham nada a dizer sobre a rapidez com que nosso serviço de saúde poderia se adaptar a uma nova doença. Como se viu, ele se adaptou rapidamente. Não foi sobrecarregado nem esteve perto disso. Esse medo não pode mais ser uma justificativa para continuar o bloqueio. De fato, o bloqueio apenas prejudicou nossa capacidade de se adaptar mais rapidamente. Infelizmente, o episódio também revelou coisas menos palatáveis ​​sobre o NHS. O entusiasmo com que os gerentes seguiram o refrão da Covid fez com que muitos tratamentos vitais e investigações de condições com as quais pudéssemos e estivéssemos lidando fossem sumariamente suspensos. Qual é a equação moral que mostra por que um paciente com uma doença em particular tem prioridade sobre todas as outras? É certo que a equipe de saúde possa simplesmente receber ordens de quem tratar pelos gerentes? Quem assume a responsabilidade pelo atendimento ao paciente? Conheço muitos que estão profundamente infelizes por trabalhar em um NHS, onde a cultura de comando e controle está tão incorporada que os médicos podem ser instruídos a interromper, por exemplo, a quimioterapia contra o câncer no meio do curso e sentem que não têm outra opção a não ser cumprir.

9. O vírus quase certamente não é uma ameaça constante 

Como expliquei na minha última peça da revista, uma visão evolutiva sugere que o vírus provavelmente mudará rapidamente, com formas menos virulentas se tornando dominantes. O bloqueio pode potencialmente diminuir essa tendência benéfica. Nesta visão, pessoas assintomáticas que espalham o vírus são boas, porque isso significa que a doença se torna mais branda mais rapidamente. Isso já poderia estar contribuindo para o achatamento das curvas de mortes que estamos vendo. Nesse caso, quanto mais cedo levantarmos o bloqueio, melhor. Isso também implica que o pico de doenças que vimos neste momento provavelmente será o pior possível. No futuro, o vírus entrará em equilíbrio com a população, já que uma imunidade mais ampla se combina com formas predominantemente mais brandas do vírus, causando uma taxa de mortalidade geral mais baixa que, no entanto, varia de ano para ano, bem como a gripe.

10. Pode-se confiar nas pessoas para se comportarem de maneira sensata 

Seis semanas de confinamento demonstraram claramente que o povo britânico é adulto e pode confiar em tomar decisões sensatas sobre sua saúde. Tudo o que pedem é que seja apresentada uma imagem verdadeira, incluindo uma avaliação realista do que não sabemos. Receio que seguir a ciência signifique viver com incerteza. Nossa política geralmente não gosta de associar-se à incerteza, mas neste caso, eu pensaria que a maioria das pessoas ficaria encantada em ver o governo reconhecendo a paisagem em mudança em torno de Covid e os efeitos do bloqueio. Já é bastante óbvio que a Covid está longe da ameaça existencial que foi inicialmente temida e que o bloqueio, por si só, é um grande dano em muito mais eixos do que a Covid. O governo' A continuação da elaboração das conseqüências de sua narrativa inicial incompleta apenas a coloca na posição de acumular mais danos sobre aqueles que já existem. O estado não pode controlar o que não entende. Nesse cenário, a única solução razoável é informar as pessoas sobre os riscos e permitir que, sensata, calma e individualmente, tomem suas próprias decisões.

Acontece que 'seguir a ciência' em Covid não é nada fácil ou mesmo possível. Uma coisa ficou clara: o Covid não é, de fato, um patógeno extraordinariamente letal, apenas um desagradável, semelhante a muitos outros. Portanto, não faz nenhum sentido seguir a ciência no Covid, com exclusão de todo o resto. O governo deve rapidamente levantar o bloqueio para uma condição semelhante à da Suécia.

O primeiro passo é geralmente o mais difícil. Será muito mais fácil traçar um percurso de volta à normalidade a partir daí. E, apesar dos receios de que continuemos a abrigar esse vírus, nosso novo normal deve se parecer muito com o nosso antigo, talvez com a adição de alguma responsabilidade social diante de doenças respiratórias. É a única maneira de vivermos no mundo.


(*) Dr. John Lee  é um professor de patologia recentemente aposentado e um ex-patologista consultor do NHS Serviço Nacional de Saúde (National Health Service) e escreve para a The Spectator 

segunda-feira, abril 13, 2020

Como a Ideologia Progressista Levou a Catástrofe na Espanha




por Soeren Kern (*)


A mais alta autoridade do governo espanhol em coronavírus, Fernando Simón, assegurou em uma entrevista coletiva à imprensa nacional que não havia perigo em participar dos comícios em 8 de março. "Se o meu filho me perguntasse se ele poderia ir, eu lhe diria para fazer o que bem entendesse", salientou ele.


"Honestamente, parece piada que o governo esperou até agora, indubitavelmente por razões políticas, para emitir esse comunicado. O governo socialista/comunista mais uma vez colocou seus interesses políticos acima do bem comum. Esse flagrante pouco caso deveria resultar em demissões". — Elentir, Contando Estrelas, 9 de março de 2020.

Uma ação coletiva movida na Espanha acusa o governo de deliberadamente colocar em risco a segurança pública ao incentivar a população a participar de mais de 75 passeatas de feministas em 8 de março para comemorar o Dia Internacional da Mulher, em meio à pandemia do coronavírus. Foto: uma manifestação no Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 2020 em Madri, Espanha. 
(Foto: Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images)


O governo espanhol, formado pela coalizão de socialistas e comunistas, está sendo processado por suspeição de negligência na forma de lidar com a pandemia do coronavírus. O governo está sendo acusado de colocar seus ignóbeis interesses ideológicos acima da segurança e do bem-estar da população, agravando na esteira, desnecessariamente, a crise humanitária que já toma conta da Espanha, atrás somente da Itália, país mais castigado da Europa.

Uma ação coletiva movida em 19 de março acusa o governo espanhol, extremamente ideológico seja lá qual for a régua de medição, visto que o Podemos, parceiro comunista da coalizão fundado com capital inicial fornecido pelo governo venezuelano, deliberadamente colocou em risco a segurança pública ao incentivar a população a participar de mais de 75 passeatas de feministas, realizadas por toda a Espanha em 8 de março para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Os comícios realizados em todo território nacional visavam protestar contra o perene bicho-papão do governo: o pretenso patriarcado da civilização ocidental.

Centenas de milhares de pessoas participaram dessas passeatas, inclusive com a presença de badalados, como o vice-primeiro ministro da Espanha, bem como a esposa e mãe do primeiro-ministro, além da esposa do líder do Podemos, que já deram positivo com respeito ao Coronavírus 2019 (COVID-19). Não se sabe quantas pessoas foram infectadas pelo vírus em consequência dos comícios.

O processo, no qual participam mais de 5 mil querelantes, acusa o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e seus representantes nas 17 regiões autônomas da Espanha de "prevaricação", termo jurídico espanhol que significa mentir e enganar. Segundo consta, o governo estava tão determinado em garantir que as passeatas das feministas ocorressem em 8 de março que subestimou deliberadamente os alertas sobre a pandemia. A título de exemplo, alguns desses alertas:

  • Setembro de 2019. O Global Preparedness Monitoring Board, um painel internacional de especialistas convocado pelo Banco Mundial e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), emitiu um alerta sobre uma "ameaça real e verdadeira de uma pandemia extremamente letal causada por um patógeno respiratório altamente transmissível que poderia matar de 50 a 80 milhões de pessoas e destruir cerca de 5% da economia mundial.
  • 31 de dezembro. A China alertou a OMS sobre inúmeros casos de uma pneumonia atípica em Wuhan, cidade portuária onde residem 11 milhões de pessoas na província central de Hubei. Tratava-se de um vírus até então desconhecido.
  • 7 de janeiro. A China identificou o novo coronavírus como a causa de uma misteriosa doença em Wuhan.
  • 21 de janeiro. A OMS confirmou a transmissão do vírus entre humanos.
  • 29 de janeiro. Cooperativas farmacêuticas da Espanha alertaram que as farmácias estavam ficando sem estoque de máscaras devido a um salto na demanda. As vendas de máscaras aumentaram 3.000% em janeiro em relação ao mesmo período do ano anterior.
  • 30 de janeiro. O diretor geral da OMS declarou o surto do coronavírus uma emergência de saúde pública que requer atenção internacional.
  • 31 de janeiro. O primeiro caso que se tem notícia sobre o COVID-19 na Espanha foi confirmado em La Gomera, Ilhas Canárias, onde o teste de um turista alemão deu positivo e ele foi internado em um hospital local.
  • 12 de fevereiro. A Mobile World Congress, a maior feira de celulares do planeta, que atrai mais de 100 mil participantes de 200 países, foi cancelada por medo do coronavírus. A estimativa da perda financeira para Barcelona e para o setor da indústria hoteleira da cidade gira em torno de US$560 milhões.
  • 24 de fevereiro. Mais de mil hóspedes e funcionários do hotel Costa Adeje Palace em Tenerife, Ilhas Canárias, foram colocados em quarentena, depois que um cidadão italiano testou positivo para COVID-19.
  • 27 de fevereiro. Um homem de 62 anos de Sevilha testou positivo para COVID-19. Ele foi o primeiro caso de transmissão comunitária do vírus na Espanha. O homem disse que ele provavelmente foi infectado durante uma conferência do setor bancário em Málaga, onde se sentou ao lado de um parceiro que tinha saído de férias e ido para as Ilhas Canárias onde teve contato com pessoas da Ásia. Os médicos salientam que o diagnóstico foi de "grande importância" porque provou que o COVID-19 estava circulando na Espanha sem que ninguém soubesse.
  • 2 de março. O Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças aconselhou os países europeus a cancelarem eventos com grande concentração de pessoas para evitar a transmissão do coronavírus.
  • 2 de março. A Agência Espanhola de Medicamentos enviou uma carta aos distribuidores farmacêuticos para que restringissem a comercialização de máscaras e que impedissem a sua distribuição nas farmácias espanholas. O objetivo da agência, segundo orientação do Ministério da Saúde, era garantir o fornecimento de máscaras para hospitais e centros de saúde num momento em que o número de casos confirmados estava começando a se multiplicar. A medida bloqueou as vendas para farmácias espanholas, bem como as vendas para o exterior.
  • 3 de março. O ministério regional da saúde em Valência comunicou que a primeira fatalidade em virtude do coronavírus na Espanha ocorreu em 13 de fevereiro. As autoridades sanitárias ficaram sabendo que ele havia contraído o vírus somente 19 dias após a sua morte, claro indício de que as autoridades espanholas foram lerdas em entender o surto. Uma vez que os casos de coronavírus que vão a óbito duram entre duas e oito semanas, fora o período de incubação de 14 dias, é possível que o homem tenha sido infectado no início de janeiro.
  • 3 de março. As autoridades espanholas decretaram que partidas de futebol e basquete com grandes aglomerações fossem realizadas a portas fechadas, sem público, para conter a propagação do coronavírus.
  • 6 de março. O Ministério da Saúde da Espanha recomendou: "o princípio da precaução deve prevalecer. O surgimento de um vírus até agora desconhecido significa que medidas de precaução devem ser tomadas com base no conhecimento científico existente sobre os vírus".


Em 7 de março, malgrado os alertas, a mais alta autoridade do governo espanhol em coronavírus, Fernando Simón, assegurou em uma entrevista coletiva à imprensa nacional que não havia perigo em participar dos comícios em 8 de março. "Se o meu filho me perguntasse se ele poderia ir, eu lhe diria para fazer o que bem entendesse", salientou ele.

O intrépido jornalista Matthew Bennett radicado na Espanha, descobriu que o governo espanhol não divulgou novos casos de coronavírus entre os dias 6 a 9 de março, ao que tudo indica, para minimizar frente à população o perigo de participar dos comícios.

Em 9 de março, quando o número de casos confirmados de coronavírus dobrou em um só dia em Madri, a Presidente da Comunidade Autônoma de Madri, Isabel Díaz Ayuso, determinou o fechamento de todas as escolas da capital, no mínimo por duas semanas. A medida do governo regional pegou o governo central de surpresa e na prática o forçou a agir.

  • 10 de março. O Ministro da Saúde da Espanha, Salvador Illa, especialista em filosofia catalã, sem experiência na área da medicina, ressaltou: "a situação de hoje poderá ser diferente da de ontem, ela está mudando e continuará a mudar até superarmos essa situação".
  • 11 de março. O governo espanhol admitiu que já sabia em 8 de março, antes dos comícios das feministas, que o surto do coronavírus estava fora de controle em Madri.
  • 12 de março. O primeiro-ministro Sánchez, ao se defender das críticas por ter autorizado o prosseguimento das passeatas, ressaltou que seu governo estava respondendo à "dinâmica" do coronavírus, "adaptando-se" "de hora em hora" às recomendações dos especialistas da área.
  • 14 de março. O governo central decretou estado de emergência em todo território nacional, o que na prática isolou 46 milhões de pessoas por no mínimo 15 dias. Todas as viagens não essenciais foram proibidas e as pessoas ficaram confinadas em suas casas, exceto em casos de emergência ou para comprarem alimentos ou medicamentos. Todas as escolas e universidades do país estão fechadas.
  • 29 de março. A quarentena, a mais rigorosa de toda a Europa, foi prorrogada até 11 de abril.

O processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal da Espanha por conta da imunidade do primeiro-ministro.

O Artigo 404 do Código Penal prevê uma pena de 9 a 15 anos de inelegibilidade para qualquer cargo público para funcionários públicos condenados por crime de prevaricação.
Víctor Valladares, advogado em Madri responsável pela ação, adiantou:
"o resultado das convocações às manifestações e sua aprovação direta pelas delegações governamentais e pela inércia do governo central presidido pelo acusado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, não poderiam ser mais antagônicas frente à determinação da UE em seu informe. Por que não foi emitida uma diretiva para impedir qualquer tipo de evento com grande aglomeração? "


Enquanto isso, a Associação de Médicos e Profissionais da Saúde de Madri (AMYTS) e a Confederação dos Sindicatos dos Médicos (CESM) também entraram com ações judiciais contra o governo. A petição inicial exige que os governos federal e local forneçam aos hospitais de Madri máscaras, óculos de proteção e contentores de resíduos hospitalares num espaço de 24 horas.

O blogueiro espanhol Elentir, que administra o blog Contando Estrelas, um site politicamente perspicaz, fundamental para entender a política espanhola contemporânea, escreveu:

"conforme descobrimos com 16 dias de atraso, a primeira morte pelo coronavírus ocorreu em 13 de fevereiro na Espanha. Diante do risco de cancelamento das grandes mobilizações de feministas marcadas para o domingo, 8 de março, Fernando Simón comentou: 'não dispomos de recomendações específicas sobre a suspensão do comício de 8 de março.'"
"Em 9 de março, um dia após as passeatas das feministas, o Ministro da Saúde, Salvador Illa, recomendou expressamente a todos os portadores de doenças crônicas ou múltiplas patologias que não saíssem de casa, exceto em caso de emergência. Ele disse isso imediatamente após os comícios das feministas ocorridos em 8 de março."
"Honestamente, parece piada que o governo tenha esperado até agora, indubitavelmente por razões políticas, para emitir esse comunicado. O governo socialista/comunista mais uma vez colocou seus interesses políticos acima do bem comum. Esse flagrante pouco caso deveria resultar em demissões".
As críticas à maneira do governo espanhol lidar com a crise do coronavírus também vieram de membros do próprio Partido Socialista. Em 22 de março Juan Luis Cebrián cofundador do jornal El País, órgão conhecido por refletir a posição oficial do Partido Socialista, escreveu:


"as lágrimas de crocodilo derramadas por tantos líderes políticos que afirmavam que ninguém poderia imaginar algo como o coronavírus não faz nenhum sentido. Não é que não havia aqueles que imaginavam algo assim: a bem da verdade eles previram isso e alertaram para isso com todas as letras. Sem a menor sombra de dúvida, houve negligência por parte de vários ministros da saúde e de seus superiores e na França três médicos já entraram com uma ação na justiça contra o governo por esse mesmo motivo. A consequência é que hoje a maioria das nações ocidentais está sobrecarregada quanto à sua capacidade de combater a epidemia, reagiram tarde e de forma errada. Faltam: leitos hospitalares, profissionais da saúde, respiradores e transparência nas informações oficiais."
"Em 24 de fevereiro, a OMS alertou oficialmente sobre a probabilidade de enfrentarmos uma pandemia. Apesar disso e sabendo da magnitude da ameaça, já totalmente reconhecida em inúmeros países, praticamente nenhuma medida foi tomada em relação à maioria dos possíveis cenários. No caso da Espanha, incentivou-se a participação popular em manifestações gigantescas, promoveu-se a realização de grandes festivais populares, atrasou-se o financiamento urgente de pesquisas, minimizou-se a ameaça e até a autoridade oficial ainda hoje encarregada de dar as recomendações científicas ousou dizer entre sorrisos que não havia nenhum risco para a população."
"Não é hora de abrir um debate sobre o assunto, mas é legítimo assumir que, além das responsabilidades políticas, os cidadãos... terão o direito de exigir reparação legal se houver negligência por culpa".
A Espanha é um dos países europeus mais castigados pelo vírus: em 29 de março, mais de 80 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença do coronavírus 2019 (COVID-19) e mais de 6.500 morreram em decorrência dela. O verdadeiro número de pessoas infectadas pode ser dez vezes maior devido à falta de testes em casos assintomáticos. À medida que a pandemia avança, a Espanha está prestes a ultrapassar a Itália como o país mais atingido da Europa.

(*)Soeren Kern é colaborador sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque.
Tradução: Joseph Skilnik 

Chacoalhando a Complacência Através do COVID-19?







por Daniel Pipes (*)Washington Times
8 de Abril de 2020

Será que há um raio de esperança por conta do estorvo causado pelo vírus COVID-19? Observadores veem uma série de efeitos positivos, da queda longeva nos preços do petróleo à melhor qualidade do ar, do enfraquecimento de movimentos extremistas ao relaxamento de regulamentações desnecessárias. Mas esses possíveis efeitos positivos não são nada se comparados ao efeito incomensurável: chacoalhar os americanos, tirando-os da complacência e abrir suas mentes para o potencial de catástrofes.

Um vírus de alcance mundial, que mudou a rotina de praticamente todo o planeta desordenando a economia, apresenta um lembrete estarrecedor quanto à fragilidade da cadeia de suprimentos, da vulnerabilidade da saúde pública e da precariedade da democracia. Essa desestabilizadora experiência trará consequências positivas se ela abrir a cabeça dos presunçosos para a possibilidade de levantes. Duas ameaças existenciais se destacam como as de maior probabilidade: pulso eletromagnético (EMP) e o fim da civilização ocidental.

O EMP poderia resultar em desastre instantâneo devido à queima de aparelhos eletrônicos, deixando as economias modernas paralisadas. Conforme explica Peter Pry, ex-chefe da Comissão sobre o EMP do Congresso: "se vocês acham que o coronavírus é assustador, esperem até que uma enorme tempestade solar ou um ataque via pulso eletromagnético cause um apagão na rede elétrica nacional, colapsando a economia e infraestruturas críticas de água e alimento, nove em cada dez americanos morrerão de fome." Note bem: 90% de mortos.

Duas enormes tempestades solares ocorreram em tempos modernos, em 1859 e 1921, a terceira passou raspando pela terra em 2012. Jonathan O'Callaghan escreve no Scientific American que outra supertempestade "é uma inevitabilidade em futuro próximo."

Erupção solar que pode queimar aparelhos eletrônicos.


E quanto a um ataque? A Comissão sobre o EMP do Congresso constatou que qualquer um dos países a seguir: China, Coreia do Norte, Rússia e talvez o Irã poderiam desfechar um ataque de EMP contra os Estados Unidos, bastando para isso um número até bem reduzido de armas nucleares. Isso causaria "danos de grande monta em larga escala e de longa duração às críticas infraestruturas dos Estados Unidos, aos próprios Estados Unidos como país viável e à sobrevivência da maioria de sua população."

Não faz nem um mês que a maioria dos americanos fizeram pouco caso de tamanha ameaça existencial. Sacudidos pelo estilo dos mais medievais, a questão é: será que estamos preparados para levar essas coisas a sério e desembolsar cerca de US$1 trilhão para nos protegermos tanto das atividades solares como das de nossos inimigos?

Quanto à civilização Ocidental, ela se formou, segundo Jeffrey Hart de Dartmouth, a partir da "tensão criativa entre Atenas e Jerusalém." Desde então foi evoluindo por dois milênios até virar a força dominante do planeta, influenciando praticamente todos os povos em praticamente todos os aspectos da vida. A modernidade, argumenta o sociólogo Rodney Stark é "integralmente produto da civilização Ocidental."

Sua trajetória ascendente parecia certa até a deflagração da Primeira Guerra Mundial em 1914, tragédia que deu início a uma sucessão de guerras, revoluções e violências ideológicas que culminaram na melancolia cultural de hoje. Insegurança, vergonha por causa de uma leve pigmentação e culpa por conta de uma história de imperialismo, fazem com que a maioria dos cidadãos do Ocidente se veja como a maldição e flagelo do planeta. A partir daí vão se acumulando inúmeras fraquezas, em especial as demográficas e culturais.


Kaiser Wilhelm passando revista nas tropas alemãs durante a Primeira Guerra Mundial.



Com exceção de Israel, nenhum país Ocidental chega perto de uma taxa de natalidade de 2,1 por mulher, o necessário para a manutenção estável da população. Caso a atual taxa de fertilidade total de 1,3 filhos por mulher em países como a Espanha e a Itália se mantenha inalterada, firme e sem imigração, o número de mulheres férteis irá despencar para cerca de 60% em 2050, 36% em 2080 e 22 % em 2110 em relação aos números de hoje. Visto que a taxa de natalidade continua caindo vertiginosamente com o passar do tempo, essas projeções ainda estão altas demais.


Em termos demográficos, Israel é único país Ocidental fora da curva. (Meus agradecimentos a Alejandro Macarrón Larumbe.)



Mas a imigração para o Ocidente já está em andamento, em especial pelos muçulmanos. Impulsionados por uma superpopulação, miséria, ditaduras e guerras civis em suas terras natais, eles chegam ao Ocidente com um robusto senso de superioridade religiosa e autosegurança cultural. Impor costumes leva tempo, mas muitos indícios apontam para uma "guinada a caminho, como as mesquitas-catedrais pipocando nas capitais ocidentais, críticas ao Islã virando tabu, a poligamia se expandindo, governos financiando instituições beneficentes islamistas, até leis para piscinas dos governos municipais. Esse processo avança incansável e silenciosamente à medida que as populações autóctones se contraem.




A proteção contra a calamidade do EMP requer apenas e tão somente verba, resguardar a civilização Ocidental, por outro lado, requer uma guinada histórica no sentido da pessoa em si e de sua identidade. Na direção oposta, enquanto o EMP acontece num piscar de olhos, a evolução cultural anda a passos lentos durante décadas.

Em que pese que algo desconhecido há apenas três meses tenha condições de transformar nossas vidas e ao que tudo indica com colossais consequências, talvez faça com que os americanos estejam agora mais receptivos à possibilidade de avaliar que possa haver perigos novinhos em folha, ainda mais destrutivos. Ou será que temos que ser surpreendidos por estes também? Nossa chance de planejarmos chegou, vamos fazer uso dela.



Daniel Pipes (DanielPipes.org, @DanielPipes) é o presidente do Middle East Forum. 
© 2020 por Daniel Pipes. Todos os direitos reservados.
Tradução: Joseph Skilnik