quinta-feira, junho 14, 2018

Crise de Estupros Cometidos por Migrantes na Alemanha: Fracasso do Estado








por Soeren Kern(*).

O estupro e assassinato de uma menina judia de 14 anos por um candidato a asilo iraquiano, cuja solicitação ao asilo havia sido negada, lançou um novo holofote na crise de estupros cometida por migrantes na Alemanha, que continua correndo solta há anos em meio à cumplicidade oficial e à apatia da população.

Milhares de mulheres e crianças foram estupradas ou abusadas sexualmente na Alemanha desde que a Chanceler Angela Merkel permitiu a entrada no país de mais de um milhão de migrantes, na maioria do sexo masculino, oriundos da África, Ásia e Oriente Médio.

O crime mais recente, totalmente evitável, é repreensível de forma singular, pois destaca em um ato apenas as múltiplas consequências malignas da política de portas abertas para a imigração da Alemanha, incluindo aí o malogro em checar os aprovados a ficarem no país e a prática de soltar migrantes criminosos para andarem livremente pelas ruas em vez de encarcerá-los ou deportá-los.

O crime também expõe a grave negligência da classe política alemã, que parece estar mais preocupada em preservar o multiculturalismo e os direitos de migrantes predadores do que proteger mulheres e crianças alemãs das investidas deles.

A polícia informou que Ali Bashar, curdo iraquiano de 20 anos, estuprou Susanna Maria Feldman, estrangulou-a e depois jogou seu corpo em uma matagal ao lado dos trilhos de trem nos arredores de Wiesbaden. Na sequência Bashar fugiu para o Iraque usando documentos falsos.

Feldman estava desaparecida em Mainz desde 22 de maio deste ano. Sua mãe registrou um boletim de ocorrência de pessoa desaparecida em 23 de maio. A polícia, no entanto, mais de uma semana depois, sequer começou a procurar a menina, quando um menino de 13 anos de idade, cujo nome não foi revelado, imigrante que morava no mesmo abrigo para refugiados que Bashar, entrou em contato com a polícia. Em 6 de junho o corpo de Feldman foi finalmente achado.

Bashar chegou na Alemanha em outubro de 2015, no auge do influxo de migrantes, juntamente com seus pais e cinco irmãos, alegando serem refugiados, vindo à tona posteriormente que eram migrantes econômicos. O pedido de asilo de Bashar foi rejeitado em dezembro de 2016. Ele deveria ter sido deportado, mas depois que entrou com um recurso, as autoridades alemãs deram autorização para que ele permanecesse no país.

Nos três anos que esteve na Alemanha, Bashar já era possuidor de uma longa lista de antecedentes criminais, incluindo agressão física a policiais, assalto violento com uso de faca e posse ilegal de armas.

A polícia disse que Bashar também era suspeito de estuprar uma menina de 11 anos em março de 2018, que morava no mesmo abrigo para refugiados onde ele e sua família estavam abrigados.

Bashar conseguiu fugir da Alemanha usando documentos falsos devido à incompetência burocrática: a polícia federal de fronteira não averiguou se o nome que constava na passagem de avião era o mesmo de seus documentos.

Bashar foi preso no norte do Iraque em 8 de junho, sendo extraditado um dia depois para a Alemanha. No momento ele está em um centro correcional para menores infratores em Wiesbaden.

Susanna foi a quarta adolescente alemã assassinada por migrantes ilegais nos últimos 18 meses

🥣🥣16 de outubro de 2016. Maria Ladenburger, estudante de medicina de 19 anos de Freiburg, foi estuprada e assassinada ao voltar para casa de uma festa patrocinada pela faculdade de medicina onde ela estudava. O agressor, de nome Hussein Khavari, entrou na Alemanha em novembro de 2015 sem documentos de identificação. Ele afirmou ter nascido no Afeganistão em novembro de 1999. Devido a sua alegada idade (16 anos), lhe foi concedido asilo de migrante menor de idade desacompanhado, sendo enviado a uma família adotiva.

Após Khavari ser preso como suspeito no caso de Ladenburger, a revista semanal Stern reportou em fevereiro de 2014, que Khavari havia sido condenado a dez anos de prisão por tentativa de assassinato por ter jogado uma mulher de 20 anos de um penhasco na ilha grega de Corfu. A mulher sobreviveu ao ataque e Khavari foi liberado depois de cumprir 18 meses de prisão, com base na anistia para delinquentes juvenis. Ele então migrou para a Alemanha.
Durante o julgamento na Grécia, Khavari disse ao tribunal que nasceu no Irã em janeiro de 1996 e que tinha chegado à Europa em janeiro de 2013.
Durante o julgamento na Alemanha, Khavari confessou ter estuprado e assassinado Ladenburger. Veio à tona que Khavari nasceu no Irã em 29 de janeiro de 1984 e que na época que ele matou Ladenburger, na realidade, tinha 32 anos. Em 22 de março de 2018 Khavari foi condenado à prisão perpétua por estupro e assassinato, mas de acordo com a lei alemã, ele pode pedir a concessão de livramento condicional depois de cumprir a pena por 15 anos.

🥣🥣27 de dezembro de 2017. Mia Valentin, menina de 15 anos de Kandel, pequena cidade no estado federal da Renânia-Palatinado, próximo à fronteira da Alemanha com a França, foi esfaqueada até a morte em uma farmácia local. O agressor, Abdul Mobin, cuja solicitação de asilo havia sido negada, alegou ter 15 anos de idade.

Valentin e o agressor tiveram um caso durante vários meses, depois que ela terminou o relacionamento no início de dezembro de 2017, Mobin passou a ameaçá-la. Em 15 de dezembro, os pais da menina registraram um boletim de ocorrência na delegacia de polícia. A polícia esteve com Mobin em 17 de dezembro e mais uma vez na manhã de 27 de dezembro. Mais tarde naquele mesmo dia, Mobin seguiu Valentin até a farmácia e esfaqueou-a com uma faca de cozinha que ele havia comprado naquela mesma loja. A garota morreu pouco tempo depois.

Mobin chegou na Alemanha em abril de 2016 e residiu inicialmente em um abrigo para refugiados em Frankfurt. Mais tarde ele foi transferido para outro abrigo para refugiados em Germersheim, cidadezinha no estado federal da Renânia-Palatinado, depois para um centro correcional para menores infratores na vizinha Neustadt. Seu pedido de asilo foi rejeitado em fevereiro de 2017, mas ele não foi deportado. Mobin, conhecido da polícia por ter dado um soco em um estudante na escola de Valentin, encontra-se em custódia até que as autoridades alemãs determinem sua verdadeira idade.

🥣🥣12 de março de 2018. Mireille Bold, uma menina de 17 anos de Flensburg, foi esfaqueada até a morte por Ahmad Gulbhar, candidato a asilo de 18 anos do Afeganistão. Ao que tudo indica ele ficou furioso e a matou por ela ter se recusado a usar o véu islâmico. Gulbhar chegou à Alemanha em 2015 como migrante menor de idade desacompanhado. Seu pedido de asilo foi rejeitado, mas ele nunca foi deportado.

Bold, que morava no mesmo edifício do agressor, pediu ajuda à polícia pelo menos uma vez antes de ser assassinada. Um amigo da família de Bold contou o seguinte ao jornal Bild:
"Ahmad é um machão ciumento que sempre quis controlá-la. Eles estavam se relacionando desde janeiro de 2016, as brigas eram constantes. Ele insistia que ela se convertesse ao Islã e que sempre usasse um lenço de cabeça.
"Ela não estava convencida. Sempre que ela saia sem o lenço de cabeça havia transtornos. Mireille me disse que ele fugiu sozinho do Afeganistão e tinha muita saudade de sua família. Supunha-se que ele tinha um emprego em uma empresa de engenharia civil. Certa vez ele ficou ligando para ela no celular a cada dois minutos querendo saber o que ela estava fazendo."
O atacante está detido em prisão preventiva.

Tal qual aconteceu com as mortes das outras adolescentes, o assassinato de Susanna provocou a habitual enxurrada de hipocrisia política e indignações 'para inglês ver' dos meios de comunicação alemães.

O nível da indignação pública em relação ao caso de Susanna, no entanto, sugere que para a Alemanha pode estar chegando a hora da onça beber água: o governo alemão está finalmente sendo responsabilizado por seu papel na crise de estupros cometidos por migrantes.

"O governo deve pedir desculpas aos pais de Susanna" ressaltou o jornal Bild, de grande circulação. "A única coisa pior que o assassinato de uma criança é o assassinato de uma criança por um criminoso que não deveria estar em nosso país."
O líder do Partido Liberal Democrata (FDP), Christian Lindner, assinalou que o crime levanta muitas perguntas: "por que os candidatos a asilo recusados não são deportados de maneira mais consistente? Por que o criminoso e sua família conseguiram fugir usando falsa identidade?"

"Isso é típico das agências de segurança alemãs", realçou Alexander Graf Lambsdorff, político do FDP. "Simplesmente há brechas demais nesse sistema. Isso tem sido terrivelmente perturbador por muitos anos a fio."

O primeiro secretário do SPD Carsten Schneider assinalou que o que precisa ser rapidamente esclarecido é "como o suspeito conseguiu fugir e como ele pode ser levado ao tribunal na Alemanha o mais rápido possível".

"O Ministro do Interior deve garantir que os mecanismos de controle existentes também sejam usados na entrada e saída do país" ressaltou Burkhard Lischka, porta-voz do SPD. "Com documentos tão suspeitos e tendo em vista o destino, a Polícia Federal poderia ter identificado por meio de uma simples comparação das impressões digitais que um criminoso estava em fuga."
"O cruel assassinato de Susanna me enche de enorme tristeza e raiva" disse Eckhardt Rehberg, da União Democrata Cristã (CDU). "Como político responsável pelo orçamento eu digo... todo o processo de asilo precisa ser reformulado de cima abaixo. Vamos providenciar os recursos para tanto."

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) anti-imigração, pediu a renúncia de todo o governo federal. Em um vídeo postado no Twitter, a colíder do AfD, Alice Weidel assinalou:


"Susanna está morta. Maria de Freiburg, Mia de Kandel, Mireille de Flensburg e agora Susanna de Mainz..."

"A morte de Susanna não é um golpe do destino. A morte de Susanna é o resultado de muitos anos de irresponsabilidade organizada e do escandaloso fracasso de nossas políticas de asilo e imigração. Susana é vítima de uma descontrolada ideologia multicultural de esquerda que não recua diante de nada para impor seu senso de superioridade moral. Susanna também é mais uma vítima da política hipócrita e egoísta da chanceler Angela Merkel de acolher migrantes de braços abertos.
"Legalmente Ali Bashar nunca deveria ter sido autorizado a entrar na Alemanha. Seu pedido de asilo foi rejeitado há mais de dois anos e ele deveria ter sido deportado. Bashar era conhecido por agredir fisicamente a polícia, atacar policiais e posse ilegal de armas. Em março de 2018 ele já era suspeito de estuprar uma menina de 11 anos em um abrigo para refugiados. De acordo com a lei, Bashar deveria ter sido obrigado a deixar a Alemanha há muito tempo ou ser preso.
"Uma lei de asilo absurda e uma política de asilo grotesca... são lenientes em relação aos trapaceiros e criminosos que se passam por candidatos a asilo, mas que ignora as genuínas preocupações dos cidadãos alemães."
"Ali Bashar, seus pais e cinco irmãos moravam aqui às custas do dinheiro do contribuinte, não podiam ser deportados, mas depois do crime de Ali eles, de alguma forma, conseguiram dinheiro para fugir da Alemanha com documentos falsos. Isso não é problema em uma Alemanha com fronteiras abertas.
"No dia do assassinato de Susanna, você (Merkel) testemunhou no parlamento que você lidou com a crise dos migrantes com responsabilidade. Você se atreveria a repetir essa afirmação na frente dos pais de Susanna? Bem, acho que não. Sua insensibilidade e falso moralismo significam que você se sente acima de dar às vítimas de suas políticas uma palavra pessoal de consolo. Isso é inaceitável para nós cidadãos. Você finalmente assumirá a responsabilidade, Sra. Merkel? Você e todo o seu gabinete devem renunciar para que seja possível implantar outra política de asilo para que os pais neste país não precisem mais temer pela segurança de seus filhos".
A revista semanal Stern conclui:

"As reações emocionais ao caso de Susanna ilustram como a Alemanha mudou. Já no verão da crise dos refugiados, quando centenas de milhares de pessoas entraram no país, houve advertências de que o humor da população poderia dar uma guinada de 180º..."
"O caso de Susanna desperta a imagem da perda de controle, um estado sobrecarregado que não tem mais controle sobre a política de asilo, especialmente em uma sociedade que ama a lei e a ordem. Já há repetidas demandas por leis mais rigorosas. O atual escândalo sobre a má administração no Departamento Federal para Migração e Refugiados (segundo o qual funcionários da imigração aceitaram propina em dinheiro em troca da concessão de asilo a mais de 1.200 migrantes) parece enfatizar a impressão do fracasso do Estado".



(*)Soeren Kern é membro sênior do Gatestone Institute sediado em Nova Iorque.
Fonte - pt.gatestoneinstitute.org
Tradução: Joseph Skilnik

domingo, junho 10, 2018

Oito pontos que explicam o desespero da esquerda e do establishment com Bolsonaro






por Flavio Morgenstern(*)

Nos últimos dias assistimos a uma intensa movimentação nos bastidores da política brasileira. O establishment político e a esquerda começaram a se mover para formar novas alianças, diminuir a fragmentação das candidaturas, e construir alguns consensos mínimos, capazes de cimentar um grande acordão e formar dois grandes blocos partidários (o da esquerda e o do establishment) contra a candidatura do Deputado Jair Bolsonaro.

Ao longo das últimas semanas, estudos e pesquisas foram encomendados; reuniões de emergência foram realizadas; manifestos foram publicados; e uma série de declarações tomaram as manchetes do noticiário. Podemos esboçar uma explicação em oito pontos sobre o que está por trás do desespero do chamado centrão (um punhado de partidos fisiológicos e sem identidade) e da esquerda.

1. Na última pesquisa do Data Poder, a mais confiável à esta altura, o Deputado Jair Bolsonaro aparece com 25% dos votos totais;

2. No entanto, se considerarmos apenas os votos válidos (o que exclui os votos nulos e em branco

3. Pode-se argumentar que o número de votos nulos e em branco deverá diminuir conforme a eleição for se aproximando, mas é importante perguntar o quão grande será essa diminuição. Afinal, nas últimas eleições tivemos uma abstenção de 18,1% e 19,4% respectivamente, numa clara tendência de alta — agravada pelo descrédito crescente da classe política

4. Na prática, isso significa que, hoje, o parlamentar conservador precisaria ampliar seu eleitorado em apenas 15% para alcançar um patamar que daria a ele a vitória no primeiro turno;

5. Se fizermos o mesmo cálculo em relação aos números apresentados nos diversos cenários do segundo turno (um procedimento muito mais problemático), descobrimos que, em termos de votos válidos, o apoio ao pré-candidato do PSL ultrapassaria os 60% contra todos os adversários, com exceção da Marina Silva, contra quem ele obteria 58,3% dos votos válidos;

6. O Deputado Jair Bolsonaro também apresenta o maior número de eleitores convictos e a menor taxa de rejeição entre os candidatos viáveis, dando a ele uma margem de crescimento superior a de todos os seus adversários;

7. Nas casas de apostas internacionais, que não costumam errar com tanta frequência quanto as pesquisas, Bolsonaro também lidera com larga vantagem, sendo apontado pela maioria dos apostadores profissionais como o próximo presidente do Brasil;

8. O mesmo ocorre entre os investidores brasileiros, que, segundo levantamento da XP Investimentos, acreditam majoritariamente (85%) que o capitão estará no segundo turno. O levantamento também revela que 48% dos investidores acreditam que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil;

Como é possível perceber, esses dados todos revelam que há chances reais de que um candidato conservador chegue à presidência do país pela primeira vez em muitos anos (senão na história), o que seria uma péssima notícia tanto para a esquerda quanto para os partidos fisiológicos que governaram o país durante toda a Nova República e ainda não sabem como lidar com esse novo fator político.

(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen




domingo, junho 03, 2018

André Rebouças, um negro e um plano revolucionário de Ferrovias





por Flavio R. Cavalcanti(*).


“ (...) o que falta a este Império, como a todos paizes do mundo, é capital, é indústria, é trabalho, é instrução, é moralidade. Esse não-estar, que obriga a dizer – há falta de braços – significa realmente que o paiz está tão mal governado que não pode garantir trabalho e pão para os seus habitantes”.
André Rebouças

O chamado “Plano Rebouças”, foi exposto e defendido em um livro mandado publicar pelo governo imperial:

Garantia de juros
Estudo para sua aplicação às empresas de utilidade pública no Brasil
André Rebouças
Tipografia Nacional, Rio de Janeiro, 1874
« A primeira parte deste trabalho foi escrita no último mês de 1870 e nos primeiros meses de 1871: encetei a sua redação a 18 de Dezembro de 1870.
« Foi essa primeira parte revista, com a maior bondade, pelo meu muito venerado Mestre e Amigo o Visconde de Itaboraí, que Deus chamou à eterna mansão a 8 de Janeiro de 1872.
« A segunda parte foi escrita depois de promulgada a Lei da garantia de juros de 24 de Setembro de 1873.
« À ilustrada Redação do Jornal do Comércio sou grato pela publicação deste escrito em artigos desde 5 de Dezembro de 1873 até 28 de Janeiro de 1874.
« S. Ex. o Sr. Conselheiro José Fernandes da Costa Pereira Junior, muito digno Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas, teve a bondade de mandar tirar a presente edição: aproveito esta oportunidade para certificar-lhe minha sincera gratidão.
« Rio de Janeiro, em 15 de Agosto de 1874.
« O Engenheiro André Rebouças. »


É na segunda parte desse trabalho que André Rebouças faz quase que uma pausa, para expor, no Capítulo XVII, sua “Teoria do sistema geral de viação do Império”:

Sumário. – O litoral da Paraíba do Norte contém os pontos mais orientais do Império. – Pela província da Paraíba do Norte passará o maior caminho de ferro interoceânico da América do Sul. – Teoria do sistema geral de viação do Império. – Determinação das linhas bases. – Grande triângulo de viação. – Diretrizes paralelas à base amazônica. – Diretrizes convergentes ao vértice meridional. – O rio S. Francisco. – Descrição das principais paralelas ou dos grandes caminhos interoceânicos brasileiros. – Paralela do vale do Paraíba do Norte. – Paralela do rio S. Francisco. – Paralela do Paraguaçu. – Paralela do Jequitinhonha. – Paralela do rio Doce. – Paralela do Rio de Janeiro. – Paralela de São Paulo. – Paralela do Iguaçu. – Paralela do Uruguai. – Paralela do Jacuí e do Ibicuí. – Linhas convergentes mais notáveis. – Confluentes do Amazonas. – Convergente do Madeira, Guaporé, Aguapeí e Paraguai e convergentes análogas. – Convergente do Tocantins. – Araguaia. – Rio Vermelho. – Anicuns, Paraíba e Paraná. – Convergente do Tocantins e do rio S. Francisco. – Convergente do Parnaíba. – Gurgueia. – Rio Preto. – Rio Grande. S. Francisco. – Rio das Velhas e rio Paraíba do Sul. – Críticas e objeções à teoria das convergentes e paralelas. – A serra do Mar e o Paraíba do Sul. – Sistema radial e sistema quadriculado ou sistema europeu e sistema americano. – Qual o sistema que melhor convém ao Brasil.

O “triângulo invertido” resumia o conceito da “Ilha Brasil”, que praticamente regeu a definição das fronteiras do Brasil no Tratado de Madri, de 1750, negociado pelo secretário brasileiro do rei D. João V [Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madrid. Jaime Cortesão. MRE / Instituto Rio Branco, Rio de Janeiro, 1956. Vol. 1, tomo II, II parte, “Alexandre de Gusmão e a Ilha Brasil”, p. 135-178].







  • O rio Amazonas — prolongando o litoral norte — seria o grande eixo horizontal
  • O litoral, do Nordeste ao Sul era, já então, o grande eixo leste
  • Os rios fronteiriços — Uruguai, Paraná, Paraguai, Cuiabá, Guaporé, Mamoré, ligados ao Madeira — formariam, com o tempo, o grande eixo oeste



No interior desse “triângulo”, os rios Paraná, Araguaia, Tocantins, São Francisco e Parnaíba tenderiam a formar os principais eixos norte-sul.

Caberia às ferrovias, portanto, a função de interligar esses grandes eixos de navegação, com traçados leste-oeste.

Esse “geometrismo” utilizado por André Rebouças não contribui nem um pouco para facilitar a compreensão de sua “Teoria do sistema geral de viação do Império”.

Tratava-se de definir apenas as linhas principais de uma estrutura final, a ser atingida no futuro, quando o país fosse finalmente coberto por uma "malha" viária bem mais densa.

De aparência totalmente diversa dos demais planos ferroviários — tanto do Império quanto da República — o Plano Rebouças é quase um manifesto de seu americanismo (ou yankismo, na terminologia de Rebouças), defendendo a atração de imigrantes em massa pela divisão e venda de terras, instituição do casamento civil, facilidades de naturalização, respeito aos direitos civis, liberdade de religião, liberdade de empreendimento, desenvolvimento das ferrovias, industrialização, etc.

Tomado ao pé da letra, — ou, das “10 paralelas” e de seu “geometrismo”, — passou a ser criticado como fantasioso, irreal, utópico, e aos poucos foi deixando de ser citado, sendo raro constar das resenhas mais recentes.

A estranheza decorre, em grande parte, de diferenças de concepção:



  • Indicava um quadro final, e não um estágio nivelado às finanças do momento;
  • Propunha acelerar o desenvolvimento, como faziam os Estados Unidos, e não adequar-se ao que (comparativamente) era estagnação.

O Plano Ramos de Queiroz, por exemplo (lançado no mesmo ano), incluiu nada menos do que 8 de suas “10 paralelas” — apenas descendo a detalhes de tortuosidade, e evitando esticá-las a distâncias capazes de assustar. Desse ponto de vista, o Plano Ramos de Queiroz seria, portanto, um plano de oportunidade, mais do que um projeto fixo e de longo prazo.

Compreendido, porém, como um conjunto de diretrizes, o Plano Rebouças poderia atravessar décadas e realizar-se à proporção daquilo que o desenvolvimento permitisse, a cada momento, — através de sucessivos governos, — como ocorreu, aliás, com os planos viários dos Estados Unidos; e como tem ocorrido, ao longo das últimas gerações, com a hidrovia do Tietê, p.ex.

O resultado seria uma ampla rede de comunicações, cobrindo o território do Brasil — pela conexão de ferrovias leste-oeste com os eixos de navegação norte-sul (C3 a C6) — e integrando-o aos países vizinhos.

Rebouças, aliás, combatia todo tipo de desconfianças e intrigas que freqüentemente opunham a monarquia às repúblicas vizinhas.

Politicamente, as 10 paralelas igualavam os diversos portos do Atlântico — em oposição aos projetos sudeste-noroeste, que privilegiariam os portos do Rio de Janeiro, ou Santos, ou Antonina / Paranaguá. Ou só o de Santos, na prática, durante décadas.

Derrotado nos 13 empreendimentos capitalistas que chegou a estruturar — portos, ferrovias, companhia de águas, empresa florestal, etc. —, nos anos seguintes Rebouças voltou-se para a abolição da escravidão como estratégia de desmantelamento da oligarquia latifundiária.

Seu projeto de reforma da terra (cadastro e parcelamento dos latifúndios para atrair imigrantes) — anunciado por D. Pedro II na última Fala do Trono, em 1889 — parece ter assustado a oligarquia cafeeira e precipitado a derrubada da monarquia.

(*) Flavio R. Cavalcanti - publicou a matéria em 23/11/2014 em http://vfco.brazilia.jor.br/ 

sexta-feira, junho 01, 2018

A irresponsabilidade causou 75 bilhões de prejuízo e você vai pagar





Não faltou nenhum setor para ser atingido pela paralisação criminosa das estradas; da aviação à agricultura, da industria de brinquedos às montadoras, do grande comércio ao pequeno bazar de periferia, todos foram e continuarão a serem afetados já que a incerteza quanto ao futuro imediato ficará pairando sobre a cabeça de quem estava se animando com a pequena melhora do pais. Quem se arriscará a aplicar seus já minguados recursos se a qualquer momento os tresloucados podem voltar a "protestar por absolutamente coisa nenhuma"?

Os reflexos dessa irresponsabilidade que conseguiu unir Empresários do Transporte de Carga, Caminhoneiros Autônomos, Sindicatos do setor e movimentos como "Fora Temer", "lula livre" e "Intervenção Militar", ou seja, uma revolta incestuosa jamais vista em qualquer tempo.
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A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estima as perdas em R$ 6,6 bilhões e alerta que haverá falta de alimentos e alta de preços nos supermercados. Segundo o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, esse prejuízo é apenas na produção primária e não considera o processamento e a indústria de insumos:

— "Fora o que está por vir, porque a recuperação não é imediata".

Um dos setores mais afetados é o de frangos e suínos, que amarga um prejuízo de R$ 3 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABTA). Praticamente todas as unidades de produção e 235 mil trabalhadores estão parados, 70 milhões de frangos morreram, e 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos ainda correm risco de morrer. A recuperação vai demorar, porque são ciclos longos de produção: a cadeia do frango levaria dois meses, e a dos suínos, 180 dias.

A produção de soja tem deixado de escoar diariamente 400 mil toneladas do grão, e 360 mil litros de leite foram descartados, um prejuízo de R$ 1,2 bilhão.

No setor têxtil, o drama é parecido. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, as perdas já beiram R$ 1,9 bilhão, até esta quarta (30/05), ainda tinha cerca de 70% das empresas paradas ou prestes a parar. A previsão da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) é de que serão necessários pelo menos 20 dias para que a situação seja normalizada.

— "Não há previsão de retomar a produção. Estamos sem liderança (política), e essa situação já transcende o bom senso".

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, estima que 40% das atividades do setor tenham sido atingidas, comprometendo negócios de R$ 2,4 bilhões. E o Sindusfarma, que representa a indústria de medicamentos, estima perdas de R$ 1,6 bilhão, devido a interrupções na produção e problemas na entrega de medicamentos em farmácias e hospitais.

A produção automobilística está parada desde sexta-feira passada. A Federação da Indústrias do Estado do Rio (Firjan) calcula que isso causará uma perda de R$ 77 milhões no PIB da sua indústria de transformação.

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), as perdas do setor devem bater R$ 3,1 bilhões, considerando cinco estados — Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia — mais o Distrito Federal. Com isso, a CNC reduziu sua previsão para o crescimento do comércio este ano de 5,4% para 4,7%. O prejuízo se divide entre R$ 1,42 bilhão na venda de combustíveis e lubrificantes e de R$ 1,73 bilhão no comércio de hortifrutigranjeiros, até o dia 28.

No Porto de Santos são 80 navios parados. Os importadores e exportadores estão pagando diariamente por isso. 

Os produtores de leite perderam R$ 1 bilhão, parte disso com o descarte de mais de 300 milhões de litros de leite.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula que produtores em geral devem levar de seis meses a um ano para se reestruturarem.

Na indústria automobilística quase todas as fábricas estão paradas desde sexta-feira (25/05). O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, diz que "a maioria retomará a produção, de maneira gradual, a partir de segunda-feira". As unidades da Fiat em Minas Gerais e da Jeep em Pernambuco voltam a operar nesta quinta-feira, 31.

A Anfavea não divulgou prejuízos, mas, com base na produção média de veículos em abril, cerca de 51 mil veículos deixaram de ser fabricados. O resultado deste mês poderá interromper uma sequência de 18 meses de alta na comparação interanual.

Até terça-feira as vendas do setor tinham caído 11% em relação a abril (para 192,8 mil unidades), mas ainda devem superar o volume de maio de 2017, de 195,6 mil unidades.

A indústria química soma R$ 2,5 bilhões em perda de faturamento e calcula em dez dias o período para retomada de atividades.

Fontes: Agência Estado -- 


sexta-feira, maio 25, 2018

4 coisas que você precisa aprender para debater com esquerdistas





por Marcelo Faria(*).



Saiba quais são os pontos fortes e fracos deles

É possível encarar uma bancada de esquerdistas sem grandes dificuldades. Como vocês podem perceber, a pauta econômica deles praticamente morreu porque não funciona (o que abre uma avenida para você utilizar argumentos econômicos liberais) e boa parte da esquerda passou a depender da pauta feminista / LGBT / movimento negro. Para dar alguns exemplos, já debati com esquerdistas quatro vezes:

– A primeira na PUC-SP (lugar mais hostil que já debati) onde o juiz trabalhista saiu concordando comigo que o FGTS é um assalto aos trabalhadores e INSS é uma pirâmide financeira;
– A segunda no Mackenzie com o Ivan Valente (PSOL), que no último momento levou um sindicalista para debater o tema (lei de terceirizações) que foi tão rebatido por mim que não quis me cumprimentar no final. O Ivan mesmo ficou jogando para a plateia (80% militantes do PSOL) e falando sobre tudo, menos sobre o tema;
– A terceira na Poli-USP, onde descobri que conheço mais sobre a teoria furada de Karl Marx do que um professor doutor marxista do direito da USP;
– E a quarta na Medicina-USP, onde debati contra três esquerdistas ao mesmo tempo e fiz um deles perceber que era mais liberal do que imagina (ele fez uma vaquinha e levantou dinheiro para construir uma casa que recebe LGBTs, tudo totalmente privado e voluntário).

2. Seja incisivo sem ser mal educado

Entretanto, não dá para fazer isso sendo passivo, é necessário bater em argumentos, fatos e ser incisivo, o que não significa ser mal educado. No caso do Brasil, é preciso estudar a falácia do “gap salarial” entre homens e mulheres (que não existe), entender como o estado brasileiro prejudicou os negros por meio da Lei da Terra de 1850 (impedindo que os escravos libertos pudessem se apropriar de terras não utilizadas), estudar os dados de mortes de LGBTs (99% não têm nada a ver com “homofobia”, são crimes similares aos outros que ocorrem com toda a população), etc. É preciso entender os argumentos alheios para refutá-los.

Jordan Peterson foi um mestre nesse sentido ao debater com uma feminista na televisão. Veja o resultado:



3. Saia da sua bolha

É impossível aprender a debater só indo em evento com plateia que concorda com você e realizado em área nobre da cidade. Você tem que participar de mais debates com quem discorda de você e em ambiente hostil, palestrar na favela, falar com o povão na feira, entre outros. Aí você percebe que pautas estúpidas como “gap salarial” são coisas de socialista de iPhone da imprensa e acadêmico da torre de marfim, o que deixa mais fácil argumentar com propriedade sem titubear.

4. Estude mais, incluindo aquilo que eles defendem

Estude. MUITO. Nunca pare de ler. E não apenas autores liberais (fundamentais se você quiser debater economia) ou conservadores. Você tem que entender mais do fascismo do que eles. Mais do nacional-socialismo do que eles. Mais da social-democracia do que eles. Mais do que Karl Marx do que eles (aqui você tem um ótimo começo). Acredite, é um prazer imenso debater quando você sabe mais sobre o que o seu “adversário” no debate defende do que ele mesmo.

Certamente esse texto ainda será completado com mais pontos, mas, por ora, já é um bom começo. E quem quiser me convidar para mais debates, é sempre um prazer.

(*)Marcelo Faria é presidente do ilisp.org e empreendedor

quarta-feira, maio 23, 2018

Censura do Facebook na Alemanha





por Stefan Frank (*).


Um tribunal em Berlim emitiu uma medida cautelar temporária contra o Facebook. Sob a ameaça de uma multa de US$300.000 ou uma pena de prisão, o Facebook foi obrigado a republicar o comentário de um usuário que a rede social havia excluído. Além disso, a sentença proibiu a empresa de proscrever o usuário por causa do comentário.


É a primeira vez que um tribunal alemão lida com as consequências da lei da censura da Internet na Alemanha, que entrou em vigor em 1º de outubro de 2017. A lei estipula que as empresas de redes sociais devem excluir ou bloquear "aparentes" delitos criminais, como difamação, calúnia, injúria ou incitação, no prazo de 24 horas do recebimento da reclamação do usuário.

Conforme apontam inúmeros críticos, a censura oficial faz com que a liberdade de expressão fique à mercê de decisões arbitrárias de entidades corporativas propensas a censurarem mais do que o absolutamente necessário para evitarem levar uma multa pesada de até US$65 milhões. Segundo a reportagem de um jornal, os censores do Facebook têm apenas dez segundos para decidirem se excluem ou não uma postagem.

O caso que o tribunal de Berlim teve que cuidar ocorreu em 8 de janeiro de 2018, o jornal suíço Basler Zeitung postou um artigo intitulado "Viktor Orban fala sobre a invasão muçulmana" em sua página no Facebook. A sinopse dizia o seguinte:

"Viktor Orban se pergunta como em um país como a Alemanha... o caos, a anarquia e a travessia ilegal de fronteiras podem ser festejadas como algo positivo".
O usuário do Facebook, Gabor B., postou o seguinte comentário:

"Os alemães estão ficando cada vez mais obtusos. Não é de se admirar, uma vez que a mídia da esquerda os entope todos os dias com fake news sobre 'trabalhadores qualificados', aumento no desemprego e Trump".

O comentário rapidamente recebeu o maior número de "curtidas", até que o Facebook o excluiu, devido a uma suposta violação das "normas comunitárias" do Facebook. Além disso, Gabor B. foi banido do Facebook por 30 dias.


"É permitido compartilhar a opinião do comentarista ou considerá-la polêmica ou não objetiva", salientou Joachim Nikolaus Steinhöfel, advogado de Gabor B. ao Gatestone Institute. "O importante é o seguinte: o comentário está protegido pelo direito à liberdade de expressão". Ele ressaltou que antes de entrar com a ação, seu escritório de advocacia enviou uma advertência por escrito ao Facebook.

"O Facebook cedeu em parte e suspendeu a proscrição, mas não republicou o post. Os advogados do Facebook nos notificaram que 'um completo reexame concluiu que as normas comunitárias foram aplicadas corretamente e que, portanto, o conteúdo não pôde ser republicado', nossa avaliação não pode ser compartilhada."

Steinhöfel, além de advogado, é um renomado jornalista, blogueiro e ativista contra a censura. Ele tem um Website onde documenta inúmeros casos em que o Facebook exclui conteúdo ou usuários banidos, não raramente ambos. O Facebook aparentemente bane os usuários por conta de comentários negativos no tocante à imigração em massa ou sobre determinados aspectos da cultura islâmica. Por exemplo, em março de 2018, Frank Bormann foi banido depois de gracejar: "muçulmanos já estão com duas esposas. Para financiar tudo isso, os alemães estão trabalhando num segundo emprego."

Joachim Steinhöfel  é advogado, jornalista e ativista contra a censura. Ele tem um Website onde documenta casos em que o Facebook exclui conteúdo ou usuários banidos, não raramente ambos. (Steinhöfel Imagem: Hilmaarr/Wikimedia Commons)

Às vezes, o Facebook parece contestar até mesmo as críticas implícitas de organizações terroristas. Em abril de 2018, Christian Horst foi banido por três dias depois que ele postou uma foto de membros da organização terrorista palestina DFLP fazendo a saudação de Hitler.

Às vezes os usuários são banidos sem motivo aparente. Em março de 2018, Marlene Weise foi banida do Facebook por 30 dias, por postar duas fotos: uma delas mostrava a seleção feminina iraniana de vôlei dos anos 1970 vestida com camisetas e bermudas, a outra atual, vestida com hijabs e roupas cobrindo os braços e as pernas.

Steinhöfel explica que os tribunais geralmente não dão as razões para a emissão de medidas cautelares. O tribunal pode, no entanto, conceder a tutela se o conteúdo excluído em questão for considerado legal e legítimo:
"É uma decisão histórica e a primeira decisão judicial dessa natureza na Alemanha... No final das contas, os usuários podem agir contra as práticas comerciais não transparentes de uma empresa que assume a responsabilidade como se estivesse lidando com bicicletas de segunda mão".
Steinhöfel diz que, dada a posição dominante no mercado do Facebook, o resultado dessa batalha jurídica terá repercussões de longo alcance no tocante à comunicação e troca de opiniões nas redes sociais: "será que um usuário que cumpre a lei e o contrato tem que aceitar que empresas como o Facebook ou o Twitter possam apagar seu conteúdo ou proscrevê-lo? A decisão é um passo importante para a vitória da liberdade de expressão".

Fonte - pt.gatestoneinstitute.org
(*)Stefan Frank é jornalista e autor sediado na Alemanha.
Original em inglês: Facebook's Censorship in Germany
Tradução: Joseph Skilnik

terça-feira, maio 22, 2018

Guerra da Suécia Contra a Liberdade de Expressão




por Judith Bergman (*).



Segundo a grande mídia sueca, no ano passado o país apresentou uma escalada significativa no número de processos por "discurso de incitamento ao ódio" nas redes sociais. Acredita-se que a maior responsável por este salto seja a organização "Näthatsgranskaren" ("Investigador do Ódio na Web"), órgão privado fundado em janeiro de 2017 pelo ex-policial Tomas Åberg, que se dispôs identificar e denunciar às autoridades aqueles suecos que ele e sua organização entendem que estejam cometendo crimes e "incitarem o ódio" contra estrangeiros.

A organização de Åberg denunciou nada menos que 750 cidadãos suecos em 2017 às autoridades por "ódio na Internet". Segundo o Aftonbladet, 14% dos casos registrados foram considerados adequados para ações penais, dos quais cerca de 7%, 77, culminaram em condenações. A maioria dos que foram identificados e denunciados pela organização eram mulheres de meia-idade e idosas. "A idade média girava em torno de 55 anos", salientou Åberg, "as jovens praticamente nem aparecem".

Segundo o Aftonbladet, "ao se debruçar sobre a questão, Tomas Åberg contempla a rapidez com que as pessoas se radicalizam na Internet, sustentando ser estarrecedor. Isso pode começar com declarações contra estrangeiros que estejam dentro da lei, para depois enveredarem para o grave ódio criminoso". ("Ódio" na realidade não é crime, de acordo com a lei sueca, mas "incitamento ao ódio" é). [1]

Åberg fundou a organização juntamente com um amigo, porque, segundo ele, não achava que "graves crimes na Internet" estivessem sendo levados suficientemente a sério na Suécia. "Criamos nosso próprio aplicativo de busca, que aponta palavras e frases que podem ser suspeitas de representarem incitação contra grupos étnicos e ameaças ilegais".

No momento, a organização é composta por 15 pessoas, incluindo policiais, desenvolvedores de sistemas, palestrantes, advogados e assistentes sociais, todos anônimos. A organização se recusa a identificar as pessoas que trabalham para ela.

Há pouco tempo Åberg foi indicado a uma prestigiosa condecoração, o prêmio "Herói Sueco", por um dos maiores jornais da Suécia, o Aftonbladet. Desde 2007 o jornal concede o prêmio "Herói Sueco" todos os anos "aos heróis do dia a dia que se destacaram pela bravura, coragem cívica e compaixão pela condição humana". Pelo visto, denunciar compatriotas suecos às autoridades por presumido "discurso de incitamento ao ódio" é agora visto na Suécia como "heroico".

Não obstante, logo após a indicação de Tomas Åberg ao prêmio "Herói Sueco", seu nome, ao que consta, desapareceu da lista dos indicados sem que fosse dada nenhuma explicação por parte do Aftonbladet. Veio à tona que Åberg era pecuarista e que, ao que tudo indica, deixou seu gado morrer de fome em 2013. Após ter sido denunciado à polícia por abuso aos animais, segundo consta ele mudou de nome, fugiu do país para escapar da justiça e voltou para a Suécia somente quando o prazo prescricional de seu crime estava para vencer.

Causa espécie que na Suécia, embora não seja visto como "compassivo" nem "heroico" matar animais de fome, é visto como 'heroico' denunciar cidadãos idosos à polícia para que sejam processados e que tenham, em potencial, suas vidas arruinadas por expressarem suas opiniões nas redes sociais.

A grande mídia não só vê a denúncia de crimes de pensamento à mídia como uma atitude "heroica", como também o estado sueco a incentiva diligentemente. A organização de Åberg recebeu 600.000 coroas suecas (US$73.000) do governo sueco. Este apoio foi motivado pelas "atividades contra o racismo e intolerância" da referida organização.

É estranho que o Estado sueco possa se dar ao luxo de dar mais de meio milhão de coroas suecas a uma organização privada de justiceiros, dirigida por uma figura aparentemente inescrupulosa, justamente quando a polícia sueca está ávida por recursos e mal tem tempo para investigar aqueles crimes, incluindo os dantescos estupros coletivos, que motivam essas 'odiosas' mensagens nas redes sociais, isso só para início de conversa.

Uma das idosas, cuja vida Åberg solapou e provavelmente arruinou, é uma mulher de 73 anos de idade sem antecedentes criminais, que compartilhou um texto antigo de 2015, disponível na internet e escrito por outra pessoa, em um pequeno grupo do Facebook de no máximo 50 pessoas. Ela foi acusada de "incitamento contra um grupo étnico" por compartilhar o seguinte:

"Uma sensação biológica na Suécia. Uma nova espécie de ave (parasitus muslimus) se estabeleceu aqui... Nos últimos anos, o pássaro árabe (parasitus muslimus) se espalhou, em grande escala, no norte da Europa, em grande parte porque não tem inimigos naturais nessa região... A fêmea tem um escudo abrangente de penas, onde apenas os olhos são visíveis... O macho geralmente tem quatro fêmeas... É uma espécie de ave migratória, com a peculiar característica de nunca voltar ao local de origem..."

Outra mulher, de 75 anos de idade, foi acusada de "incitamento ao ódio contra um grupo étnico" por escrever o seguinte sobre o casamento de muçulmanos no Facebook em maio de 2017:

"O direito aos nossos corpos? Não imagina o que elas querem dizer com isso? Elas querem dizer que não têm o direito de escolherem seus maridos. Ele deve ser um primo, tio... ou talvez um avô. Provavelmente eles não têm freios em relação ao QI porque a consanguinidade entre os muçulmanos vem acontecendo há milhares de anos. "

Nesse meio tempo, outra mulher, Christina de 65 anos, foi acusada de "incitamento ao ódio contra um grupo étnico" por postar no Facebook: "se isso continuar, a inteligência na Suécia ficará no nível dos peixinhos dourados" e "recuse tudo o que tem a ver com o Islã". Ela nega ter escrito aquelas coisas, mas insiste que deseja alertar os suecos em relação ao Islã. De acordo com os boletins de imprensa, em 2016 Christina foi atacada por quatro assim chamados "menores desacompanhados" (migrantes), golpeada na cabeça até ficar inconsciente, o que debilitou sua memória. Ninguém foi condenado por esse ataque, mas agora ela enfrenta dificuldades financeiras e não tem condições de pagar o aluguel da residência. Ela não recebe nenhuma ajuda do estado sueco. Até agora, segundo consta, Christina já foi interrogada seis vezes, por até duas horas de cada vez, por seus supostos crimes de pensamento, foi interrogada sobre sua infância e se ela estava usando drogas. Ela não tem antecedentes criminais.

"É terrível se sentir uma criminosa perigosa por ter escrito a verdade sobre o que está acontecendo em nossa sociedade, enquanto o estupro está nas nuvens e os criminosos estão soltos", salientou ela à Samtiden. Foi alguém da Näthatsgranskaren que a denunciou à polícia. Ela corre o risco de ser multada ou ir para a cadeia.

Denny, uma aposentada de 71 anos, está sendo julgada por "incitação ao ódio" por ter perguntado: "pode-se criticar o fascismo e o nazismo, e por que não o Islã? Por que o Islã deveria ter algum status de proteção?"

Um homem de 64 anos foi denunciado à polícia pela Näthatsgranskaren por incentivar os suecos a aprenderem defesa pessoal. Ele está sendo acusado de "incitamento ao ódio contra um grupo étnico" por postar no Facebook:
"Antes que seja tarde demais, sugiro que qualquer um... que tenha condições de defender esse país, se inscreva em clubes de tiro, academias de defesa pessoal, de caratê ou qualquer coisa do gênero... Tudo é permitido ao muçulmano, contanto que ele moleste os "infiéis"... para muçulmano decapitar alguém é tão tranquilo quanto para nós é abrir uma lata de sardinha".

Durante os interrogatórios, ele, segundo consta, ressaltou que não teve nenhuma intenção de fazer mal a ninguém e que seu post era meramente sobre defesa pessoal. A polícia o questionou se ele tem alguma coisa contra os muçulmanos: "eu não tenho nada contra os muçulmanos...", afirmou ele. "Não se trata disso. Trata-se do Islã e do Alcorão que não têm os mesmos valores que nós abraçamos... Está escrito no Alcorão que todos os infiéis devem ser mortos..." Ele pediu à polícia que lidasse com imãs que pregam o ódio nas mesquitas.

Mesmo antes da organização de Åberg entrar em cena, a Suécia já estava processando os suecos por "incitação ao ódio", como se o futuro do Estado sueco dependesse disso. Abaixo estão alguns casos recentes:

Uma mulher de 71 anos de idade se referiu aos assim chamados menores de idade desacompanhados como "crianças barbadas" e disse que elas estão "envolvidas em estupros e também estão demolindo seus lares (asilos)". Ela postou o comentário na página do Facebook dos Democratas Suecos em junho de 2016. Em fevereiro de 2018, um tribunal sueco a condenou a pagar uma multa por "incitamento ao ódio contra um grupo étnico".

No julgamento, ela disse que havia lido diversos artigos sobre esses pretensos refugiados desacompanhados que "incendeiam asilos e estupram e depois se recusam a ter a idade determinada por médicos a fim de se esquivarem da condenação".

"Isso me deixou aterrorizada", afirmou ela, desculpando-se pelo post, que ela disse visava apenas os que cometem crimes. O tribunal evidentemente não deu a mínima para o medo da idosa e concluiu o seguinte:

"...[a mulher] deveria ter se dado conta que havia um risco iminente de que as pessoas que lessem esse texto percebessem que se trata de uma expressão de discordância em relação a outros grupos étnicos de pessoas em geral e em relação a vasta maioria de refugiados solteiros desacompanhados que, na época do comentário, haviam chegado à Suécia em particular. Apesar disso, ela postou o comentário no Facebook".

Uma mulher de cinquenta anos foi condenada a pagar uma multa em dezembro de 2017 por ter escrito um post no Facebook, no qual ela chamou os homens do Afeganistão que mentiram sobre sua idade de "montadores de camelos": "esses malditos montadores de camelos nunca serão autossuficientes, porque são malditos parasitas," escreveu ela. O promotor Mattias Glaser enfatizou que o post foi dirigido contra "jovens que lutam para permanecerem no país". De acordo com o tribunal:

"...palavras condescendentes foram usadas de uma maneira que... expressam desprezo por pessoas de origem afegã ou pessoas de regiões vizinhas com relação à cor da pele e origem nacional ou étnica de uma maneira que se enquadra no artigo que trata do incitamento ao ódio".

Em novembro de 2017 um homem de 65 anos foi condenado a pagar uma multa por "incitamento ao ódio contra um grupo étnico". Seu crime? Postar no Facebook que migrantes "recém-chegados" e não os suecos, eram culpados de cometerem estupros coletivos. Segundo o tribunal, o homem "alegou que afegãos, africanos e árabes que chegaram recentemente à Suécia cometem crimes como estupros coletivos". Essa alegação, segundo o tribunal, constitui "claro desprezo" por pessoas das mencionadas origens. O idoso de 65 anos argumentou que ele publicou o comentário porque a Suécia omite estatísticas em relação às origens étnicas de estupradores e que seu comentário era uma maneira de disseminar informações e iniciar um debate. A declaração do idoso não surtiu nenhum efeito no tribunal, que concluiu: "o post contém uma acusação grave segundo a qual pessoas de certas nacionalidades cometem crimes graves e o post, como tal, não pode ser considerado um estímulo ou contribuição a uma discussão objetiva sobre o tema."

Em fevereiro, um homem de 55 anos foi condenado a pagar uma multa por "incitamento contra um grupo étnico" por escrever no Facebook que muçulmanos sunitas estão por trás da maioria dos crimes cometidos por gangues na Suécia, bem como estupros. "Somalis são muçulmanos sunitas... eles estão por trás de grande parte dos crimes cometidos por gangues na Suécia e também por todas as outras violências, como estupros. Afegãos são 80% sunitas e eles são um povo maldito!", escreveu ele.

No julgamento ele disse que tinha a impressão que havia liberdade de expressão na Suécia. "Você vê esse tipo de coisas todos os dias", disse ele, "estupros coletivos, tiroteios, abuso de animais e coisas afins e parece que os políticos não são capazes de tomarem providências quanto a isso. A polícia também não faz nada e o povo fica furioso". O tribunal concluiu:

"...o post indica que os muçulmanos normalmente estão por trás dos crimes cometidos por gangues e estupros coletivos na Suécia e é escrito de forma ofensiva... o post não convida a uma discussão crítica sobre religião, expressa o tipo exato de desprezo que a provisão visa sobre incitação contra um grupo étnico. O réu foi condenado a 10.000 coroas (US$1.200) por incitamento contra um grupo étnico".

A lista não para por aí...

A Suécia está sendo varrida por uma intensa onda de assassinatos, ataques violentos, estupros coletivos, abuso sexual, além da constante ameaça terrorista. Em vez de usar seus escassos recursos para proteger seus cidadãos dos ataques violentos, a Suécia trava uma guerra legal contra os aposentados por eles se atreverem a se manifestar abertamente contra os ditos ataques violentos dos quais o Estado não consegue protegê-los.


(*)Judith Bergman é colunista, advogada e analista política.
Fonte - pt.gatestoneinstitute.org
Original em inglês: Sweden's War on Free Speech
Tradução: Joseph Skilnik


[1] Brottsbalken capítulo 16, § 8,1 st, aborda claramente o "incitamento" (em sueco: "hets mot folkgrupp") contra grupos de pessoas definidas pela "raça, cor da pele, origem nacional ou étnica, fé ou preferência sexual". No entanto, a cláusula não criminaliza críticas à religião, ideologia ou ideias.

domingo, maio 20, 2018

Bélgica: Primeiro Estado Islâmico da Europa?



por Giulio Meotti(*).
Atentado em Bruxelas (22/03/2016) assumido pelo DAESH 



A sigla do Partido ISLAM da Bélgica significa "Integridade, Solidariedade, Liberdade, Autenticidade, Moralidade". Os líderes do Partido ISLAM pelo jeito querem transformar a Bélgica em um Estado islâmico. Eles a chamam de "Democracia Islamista" e o ano previsto é: 2030.

Segundo a revista francesa Causeur, "o programa é confusamente simples: substituir todos os códigos civis e penais pela lei da Sharia. Ponto final. Criado na véspera do escrutínio municipal de 2012, o Partido ISLAM obteve de imediato resultados impressionantes. Os números são alarmantes.

O efeito que esse novo partido está provocando, segundo Michaël Privot, especialista em Islã e Sebastien Boussois, cientista político, poderá vir a ser a "implosão do tecido social belga". Políticos belgas, como Richard Miller, já defendem a proscrição do Partido ISLAM.

Crianças treinadas pelo DAESH


A revista semanal francesa Le Point traça os planos do Partido ISLAM: o partido deseja "evitar o vício proibindo o funcionamento de casas de jogos (cassinos, casas de apostas) e lotéricas". Juntamente com a autorização do uso do véu muçulmano nas escolas e um acordo sobre os feriados religiosos islâmicos, o partido quer que todas as escolas na Bélgica ofereçam carne halal em seus cardápios. Redouane Ahrouch, um dos três fundadores do partido, também propôs segregar homens e mulheres no transporte público. Ahrouch era membro do Centro Islâmico da Bélgica na década de 1990, um ninho do fundamentalismo islâmico onde se recrutava candidatos à jihad para lutarem no Afeganistão e no Iraque .

Ao lado do livro da "Paz" (Alcorão) as armas para implementa-la


O Partido ISLAM sabe que a demografia está do seu lado. Ahrouch salientou que "em 12 anos Bruxelas será composta em sua maioria por muçulmanos". Nas próximas eleições belgas, o Partido ISLAM já se prepara para concorrer com candidatos em 28 municípios. À primeira vista parece irrisório em termos comparativos, uma vez que há 589 municípios belgas, mas mostra o progresso e a ambição do novo partido. Em Bruxelas, o partido estará presente em 14 das 19 legendas.

O mais provável é ser esta a razão do Partido Socialista temer a ascensão do Partido ISLAM. Em 2012 o partido já mostrou sua força ao concorrer em apenas três distritos de Bruxelas, elegendo um representante em dois deles (Molenbeek e Anderlecht), perdendo apenas por uma margem apertada na cidade de Bruxelas.

Dois anos mais tarde, nas eleições parlamentares de 2014, o Partido ISLAM tentou expandir a sua base eleitoral em duas circunscrições eleitorais, a cidade de Bruxelas e Liège. E mais uma vez, os resultados foram impressionantes para um partido que defende a introdução da Sharia, lei islâmica, na Bélgica. Em Bruxelas, eles conquistaram 9.421 votos (quase 2%).

Este movimento político, pelo que se sabe, começou em Molenbeek "toca dos radicais belgas", uma "incubadora de recrutadores para o Estado Islâmico do Iraque e do Levante". Seus jihadistas aparentemente estavam planejando desfechar ataques terroristas em toda a Europa e até mesmo no Afeganistão. O colunista francês Éric Zemmour, jocosamente sugeriu que, em vez de bombardear Raqqa, na Síria, a França deveria "bombardear Molenbeek". No momento em Molenbeek 21 autoridades municipais de um total de 46 são muçulmanas.
A polícia antimotim monta guarda no distrito de Molenbeek, em Bruxelas, em meio a blitzes nas quais inúmeras pessoas, incluindo Salah Abdeslam, um dos responsáveis pelos ataques em Paris em novembro de 2015, foram presas em 18 de março de 2016. (Foto de Carl Court/Getty Images)

➤"A capital europeia", salienta o Le Figaro, "será muçulmana em vinte anos".
"Cerca de um terço da população de Bruxelas já é muçulmana", assinalou Olivier Servais, sociólogo da Universidade Católica de Lovaina. "Os praticantes do Islã, devido a sua alta taxa de natalidade, deverão ser maioria" em quinze ou vinte anos. Desde 2001... Mohamed está no topo da lista dos nomes dados aos meninos nascidos em Bruxelas".

O Partido ISLAM trabalha em um ambiente propício. Segundo o prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, todas as mesquitas da capital europeia já estão "nas mãos dos salafistas". Há poucas semanas, o governo belga encerrou o arrendamento, de longo prazo, da maior e mais antiga mesquita do país, a Grande Mesquita de Bruxelas à família real saudita, "como parte do que as autoridades dizem ser uma campanha para combater a radicalização". Autoridades salientaram que a mesquita, era uma "gleba do extremismo".

Um relatório confidencial do ano passado revelou que a polícia havia descoberto 51 organizações em Molenbeek com suspeitas de ligações com o jihadismo.

Será que já não chegou a hora da Bélgica acordar da letargia?


(*)Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
Fonte - pt.gatestoneinstitute.org
Original em inglês: Belgium: First Islamic State in Europe?
Tradução: Joseph Skilnik

quinta-feira, maio 17, 2018

Não faz sentido criticar o nazismo e defender a “Palestina”






    ➤É costume não só na esquerda acusar discordantes de "nazistas" e defender a Palestina como um "Estado". Tanto o Terceiro Reich quanto o Hamas só querem matar judeus.


por Flávio Morgenstern(*).

Nenhuma palavra é mais pesada no vocabulário político do que “nazista”, quase nunca usada como uma descrição, quase sempre usada como um xingamento (vide o episódio Esquerda fascista do Guten Morgen, o nosso podcast). No entanto, basta Israel se tornar o tema da discussão para que num átimo de segundo o falante tome a mesmíssima postura que, historicamente, Adolf Hitler tomou: a destruição do Estado judeu (sob a palavra-anátema “sionismo”) e a fundação de um novo Estado no lugar: a Palestina.

De maneira completamente grosseira, poderíamos resumir o nazismo como um Estado totalitário, controlado por populistas, onde judeus são proibidos de existir, tendo como punição a morte em massa, a limpeza étnica (para uma definição mais trabalhada do nazismo, e a resposta sobre por que os nazistas odiavam especificamente judeus, ouça o episódio O nazismo era de direita? do mesmo Guten Morgen).

Podemos resumir o que é a Palestina de maneira bem menos grosseira exatamente da mesma forma: um “Estado” inventado ad hoc no meio do século XX apenas para tomar as cidades dos judeus, habitadas desde o Antigo Testamento, e varrê-los do mapa, trocando-os por um povo inventado, matando cada judeu que ouse pisar no território palestino (para entender a idéia por trás do nacionalismo palestino, ouça o episódio Jerusalém: Capital de Israel? do Guten Morgen).

Israel, o país moderno, é uma república laica (ouça, desta vez, o episódio O que raios é a direita?, ainda do Guten Morgen). Isto significa que o chefe de governo, justamente escorando-se na tradição criada exclusivamente na Revelação judaica, não é o chefe religioso. Uma pessoa pode ser muçulmana, cristã, judia, atéia, yázidi ou o que for em Israel, inclusive contando com tolerâncias específicas da lei segundo a religião e costume.

Na Universidade de Tel Aviv, alguns dos cursos mais disputados são sobre islamismo, inclusive no Direito. A Suprema Corte de Israel possui árabes em sua formação (como George Barra, árabe cristão), e neste ano, um dos nomeados foi Khaled Kabub, que seria o primeiro árabe muçulmano na Suprema Corte israelita.

Nenhum “espelho”, nenhuma comparação e nenhuma simetria pode ser encontrada nos territórios palestinos ocupados por grupos de islamo-fascismo como o Hamas. O tão propalado discurso de que são “oprimidos” por Israel é simplesmente o mesmo discurso de Adolf Hitler: os jihadistas do Hamas odeiam ver judeus. Odeiam que judeus respirem perto deles. Odeiam que judeus inventem de existir bem onde eles queriam que apenas muçulmanos estivessem, impondo a shari’ah como a única lei possível (e adeus, república laica).

Basta ver como toda a esquerda mundial, e a ONU incluída, reverbera o discurso de que assentamentos judeus na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental ou nas Colinas de Golan “ferem os direitos humanos”. Afinal, o que esses judeus pensam, inventando de morar e existir bem onde muçulmanos querem se ver livre deles?! Quem vai reclamar dos “direitos humanos” de muçulmanos poderem andar por uma terra que por 5 mil anos não foi deles sem precisar ver um único judeu nas ruas? (para entender por que a esquerda ocidental e atéia defende a religião mais opressora do mundo, ouça o episódio Por que a esquerda adora muçulmanos? do nosso podcast).




Toda a questão Israel-Palestina é exatamente isto: saber se o território da Palestina continuará sendo parte de Israel, que pretende simplesmente ir retirando os judeus dali em nome dos “direitos humanos” de jihadistas e de quem quer viver sob a shari’ah (e obrigar outros a viver sob o fio da espada), ou se o território deixará de vez de ser uma soberania israelense atacada pelos maiores inimigos da liberdade do mundo e, depois de ser roubado, se tornar um totalitarismo muçulmano nos moldes do Estado Islâmico, sendo reconhecido como um “país” por agências de lobby internacional, acadêmicos e jornalistas que, no minuto seguinte, reclamarão do aumento do racismo, do preconceito, da intolerância e, claro, do nacionalismo como os maiores problemas do mundo.

A “Palestina” seria formada por um povo que nunca existiu: não é preciso ser um gênio para saber que desde o Antigo Testamento até as conquistas pela cimitarra de Maomé e seu bando, foram quase 5 milênios sem nenhum islâmico no território que judeus conquistaram fugindo da escravidão nos impérios egípcio, babilônico e assírio.

O, digamos, escritor Assaf A. Voll escreveu o livro “A History of the Palestinian People: From Ancient Times to the Modern Era”, justamente contando a história do povo palestino desde a Antigüidade até os dias atuais. O livro, que se tornou best seller instantâneo em Israel, é totalmente em branco.



A fragmentação do Império Otomano no fim da Primeira Guerra que gerou povos nômades, rejeitados por países árabes da região, que inventaram que deveria existir um país islâmico bem no coração de Israel. E, claro, limpando-se de todos os judeus do mesmo modo que Adolf Hitler fez no Terceiro Reich nazista. O Império Otomano e a Alemanha recém-unificada lutaram lado a lado na Primeira Guerra.



O fundador do “nacionalismo palestino” não apenas pensava como Hitler: Mohammad Amin al-Husayni, o “Grande Mufti de Jerusalém”, se encontrou de fato com Adolf Hitler para exigir a “independência árabe” e se opor à criação de um Estado judeu modernamente consolidado na Palestina. É exatamente a historiografia “anti-colonialista” que aprendemos nas doutrinárias aulas de História brasileira. Um dos principais nomes da doutrina anti-colonialista na modernidade é o ex-presidente americano Barack Obama.

    ➤“Você vê, tem sido nossa desgraça ter a religião errada. Por que não temos a religião dos japoneses, que consideram o sacrifício para a pátria como o bem supremo? A religião muçulmana também teria sido muito mais compatível conosco do que o cristianismo. Por que tem que ser o cristianismo com sua mansidão e flacidez?
É notável que, mesmo antes da guerra, às vezes ele prosseguisse:

  ➤“Hoje, os siberianos, os russos brancos e as pessoas das estepes vivem vidas extremamente saudáveis. Por esta razão, eles estão melhor equipados para o desenvolvimento e, a longo prazo, biologicamente superiores aos alemães.     [Fonte: Albert Speer: Inside the Third Reich]
Fonte-sensoincomun.org

(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen