sexta-feira, fevereiro 08, 2019

O obstinado silêncio do Papa em Relação à Perseguição aos Cristãos











por Giulio Meotti (*).

Em 2018, simplesmente devido à sua fé, foram assassinados 4.305 cristãos. O novo "World Watch List 2019" revela esse dado impressionante compilado pela organização não governamental Missão Portas Abertas. A organização divulga que em 2018 houve um acréscimo de 1.000 vítimas cristãs, 25% a mais do que no ano anterior, quando o número atingiu a casa dos 3.066.

Nos dias de hoje, 245 milhões de cristãos ao redor do mundo são, ao que tudo indica, perseguidos simplesmente devido à sua fé. Em novembro último, a organização Ajuda à Igreja que Sofre, divulgou o "Relatório sobre Liberdade Religiosa" de 2018 e chegou a uma conclusão parecida: 300 milhões de cristãos foram expostos à violência. O cristianismo, apesar da forte concorrência, é chamado de "a religião mais perseguida do mundo".

Em março de 2019, o Papa Francisco irá ao Marrocos, país que consta no registro  da lista de observação da Missão Portas Abertas. Lamentavelmente, a posição do Papa Francisco em relação ao Islã parece advir do mundo da fantasia. A perseguição aos cristãos já virou uma crise internacional. Vejamos o que aconteceu com os cristãos no mundo muçulmano de uns meses para cá. Um policial foi morto quando tentava desativar uma bomba em frente a uma igreja copta no Egito. Antes disso, sete cristãos foram assassinados por extremistas religiosos durante uma peregrinação. Na sequência uma vala comum foi descoberta na Líbia contendo os restos mortais de 34 cristãos etíopes massacrados por jihadistas filiados ao Estado Islâmico. O regime iraniano, valendo-se de novas e severas medidas repressivas, prendeu mais de 109 cristãos. Três meses após ser absolvida do crime de "blasfêmia" e libertada do corredor da morte, a cristã paquistanesa Asia Bibi ainda vive como "presidiária": seus vizinhos ainda querem matá-la. Em Mossul, que era o centro dos cristãos iraquianos, houve um "Natal sem cristãos" e no Iraque como um todo, 80% dos cristãos já não existem mais.

O cardeal Louis Raphael Sako, patriarca da Babilônia dos Caldeus e líder da Igreja Católica Caldeia, recentemente disponibilizou levantamentos sobre a perseguição de cristãos no Iraque: "61 igrejas foram destruídas, 1.224 cristãos foram mortos, 23 mil casas e bens imobiliários dos cristãos foram confiscados". O patriarca lembrou o mundo sobre a política do Estado Islâmico, que deu "três opções aos cristãos": conversão ao Islã, pagamento de um imposto especial ou o abandono forçado e imediato de suas terras. "Caso contrário, eles seriam mortos." Dessa maneira, 120 mil cristãos foram expulsos.

"O obstinado silêncio dos líderes europeus sobre a questão das religiões, em particular a do Islã, surpreende e decepciona", escreveu recentemente o romancista argelino Boualem Sansal.

"A atitude deles é simplesmente irresponsável, suicida e até criminosa... no atual contexto marcado por uma expansão vertiginosa... É como viver na base de um vulcão inflando em uma velocidade espantosa e não entender que está se preparando para entrar em erupção".

Sansal, que vem sendo ameaçado de morte por islamistas na França, bem como na Argélia, escreveu o best-seller "2084". Nele, ele escreve que a posição do Papa Francisco no mundo muçulmano é semelhante a dos líderes ocidentais:

"o Papa Francisco não poderia de modo algum desconhecer os colossais problemas causados pela expansão do islã radical no mundo e no seio do domínio cristão... Vamos deixar claro, reiterando... a última religião que chegou à Europa, tem um impedimento intrínseco à integração no tecido europeu fundamentalmente judaico/cristão, ainda que este tenha erodido nos últimos séculos."

O Papa Francisco deu um jeito de explicar que a "ideia de conquista" é parte integrante do Islã como religião e mais que depressa salientou que também seria possível interpretar o cristianismo da mesma maneira. "O Islã autêntico e a leitura adequada do Alcorão se opõem a qualquer forma de violência", ressaltou o Papa, o que não é bem assim. Também de maneira não tão precisa, ele observou que "o Islã é uma religião da paz, compatível com o respeito aos direitos humanos e a coexistência pacífica". É como se o Papa não medisse esforços no sentido de inocentar o Islã de qualquer uma de suas responsabilidades. Parece que ele está se empenhando nessa direção com mais determinação do que os muçulmanos devotos, como o presidente do Egito AbdelFattah el-Sisi, o autor e médico americano M. Zuhdi Jasser, o ex-ministro da informação do Kuwait Sami Abdullatif Al-Nesf, o autor franco/argelino Razika Adnani, o filósofo tunisiano Youssef Seddik radicado em Paris, o jornalista jordaniano Yosef Alawnah e o autor marroquino Rachid Aylal, entre muitos outros.

A violenta perseguição aos cristãos no mundo islâmico evidencia um paradoxo ocidental: "desde a vitória na Segunda Guerra Mundial, os ocidentais trouxeram grandes benefícios a toda a humanidade", escreveu Renaud Girard no jornal Le Figaro.


"Em relação à ciência, eles compartilharam suas grandes invenções, como a penicilina e a Internet. Os direitos humanos e a democracia estão longe de serem implementadas em todo o mundo, mas são a única referência para a governança que existe internacionalmente. É inegável que, sob o impulso dos ocidentais, foram alcançados vastos sucessos políticos, técnicos, na área da saúde e sociais em duas gerações. Contudo, há uma área em que desde 1945 o planeta inegavelmente andou para trás e onde a responsabilidade do Ocidente é flagrante. Liberdade de consciência e de religião... Ao se abster de defender os cristãos do Oriente, o Ocidente cometeu um duplo erro estratégico: deu um sinal de fraqueza ao abandonar seus aliados ideológicos e de ter renunciado à sua fé".

"Aos olhos dos governos ocidentais e da mídia", observa outro levantamento sobre a perseguição aos cristãos compilado pela Ajuda à Igreja que Sofre, "a liberdade religiosa está caindo nas prioridades dos rankings de direitos humanos, sendo eclipsada por questões de gênero, sexualidade e raça".

"O politicamente correto não quer saber nada sobre a contínua perseguição e opressão ao cristianismo e, portanto, está sendo ignorado de uma maneira quase sinistra", realçou recentemente o bispo Manfred Scheuer, de Linz, na Alta Áustria.

Esse eclipse é ainda mais dramático, pois todos sabem que o cristianismo corre o risco de "extinção" no Oriente Médio, segundo o arcebispo de Canterbury Justin Welby:


"Centenas de milhares de cristãos foram forçados a deixarem suas casas. Muitos foram mortos, escravizados e perseguidos ou convertidos à força. Mesmo os que permanecem se perguntam: 'por que ficar?' Os cristãos do Iraque, por exemplo, perfazem hoje menos da metade de 2003, suas igrejas, casas e negócios foram danificados quando não destruídos. A população cristã síria caiu pela metade desde 2010. Como resultado, em toda a região as comunidades cristãs que foram o alicerce da Igreja universal agora enfrentam a ameaça de extinção iminente".

O Ocidente traiu seus companheiros cristãos no Oriente (para visualizar clique aqui e aqui). O Ocidente bem que poderia perguntar: o que o Vaticano e o Papa estão fazendo para combater essa nova perseguição religiosa?

As críticas já começaram a aparecer no mundo católico. "Assim como ele tem parca ansiedade no tocante à onda de fechamento de igrejas, o Papa Francisco parece ter parca ansiedade em relação à islamização da Europa", escreveu o colunista católico americano William Kilpatrick.


"Sem dúvida, conforme evidenciado pelo seu incentivo à migração em massa, parece que ele não tem nada contra a islamização. Seja porque ele realmente acredita na falsa narrativa segundo a qual o Islã é uma religião da paz, seja porque ele acredita que a estratégia da inevitável e auto-realizável profecia que criará um Islã mais moderado, o Papa Francisco parece estar em paz com o fato de que o Islã está se espalhando a toque de caixa. Seja porque o Papa Francisco está mal informado sobre o Islã seja porque ele abraçou uma estratégia de informações deliberadamente equivocadas, ele está apostando alto, não só com sua própria vida, mas com a vida de milhões de pessoas".

Já há regiões inteiras na Síria onde houve limpeza étnica de cristãos cuja história se estende por milênios. O Papa Francisco recebeu recentemente uma carta de um padre franciscano da Síria, Padre Hanna Jallouf, patriarca de Knayeh, vilarejo próximo a Idlib, fortaleza dos rebeldes islamistas que lutam contra Assad. "Os cristãos desta terra são como cordeiros entre lobos", escreveu Jallouf.


"Os fundamentalistas devastaram nossos cemitérios, nos impedem de celebrar liturgias fora da igreja, nos proíbem de usar e exibir símbolos visíveis da nossa fé: cruzes, sinos, imagens bem como nossas indumentárias."

Caso o Papa não queira mais receber cartas dessa natureza, precisará mostrar coragem e lidar com uma das mais terríveis perseguições dos nossos tempos.

O Papa Bento XVI, em seu discurso em Regensburg, salientou o que nenhum Papa jamais ousou dizer: que há uma ligação concreta entre a violência e o Islã. Para ilustrar o argumento, Bento XVI citou um diálogo do século XIV entre o imperador cristão bizantino, Manuel II Paleólogo e um erudito persa, sobre o conceito de violência no Islã: "mostre-me o que Maomé trouxe de novo e lá você encontrará coisas... como sua ordem para espalhar pela espada a fé que ele pregava", assim Bento citou o imperador como tendo dito ao interlocutor muçulmano.

Outro Papa, João Paulo II, também manifestou preocupação. Em uma reunião em 1992, Monsenhor Mauro Longhi, ainda estudante, costumava acompanhar o falecido Papa em suas caminhadas, disse que João Paulo II falou sobre uma "invasão islamista" na Europa.


"O Papa me disse: 'diga isso àqueles que você encontrará na Igreja do terceiro milênio. Eu vejo a Igreja atingida por uma ferida letal. Mais profunda, mais dolorosa que as deste milênio', referindo-se ao totalitarismo comunista e nazista. 'Isso é chamado de islamismo'. Eles irão invadir a Europa. Vi as hordas vindo do Ocidente para o Oriente e então me foi dito país por país, um a um: do Marrocos à Líbia ao Egito e assim por diante até o Oriente".

"O Santo Padre ressaltou: eles vão invadir a Europa, a Europa será como um porão, velhas relíquias, sombras, teias de aranha. Relíquias de família. Você, Igreja do terceiro milênio, deve conter a invasão. Não com exércitos, exércitos não serão o suficiente, mas com sua fé, vivida com integridade".

A visão de João Paulo II parece uma continuação da campanha histórica do Islã nas terras cristãs: "em 637, o exército islâmico tomou Jerusalém, duas vezes sagrada, então o coração de todo o Oriente Médio, o centro histórico do cristianismo", escreveu o romancista argelino Bouale Sansal. Então ele se pôs a descrever "o irresistível avanço do Islã rumo ao Ocidente: o judaico-cristão Norte da África, que se converteu logo de cara, a Espanha Católica, que foi anexada no início do século VIII, Bizâncio que foi tomada em 1453, na sequência marcharam contra Viena, que foi cercada em 1529...".

O Papa Francisco agora se depara com o risco em potencial de um mundo cristão fisicamente engolido pelo crescente muçulmano, conforme estampado no Logotipo do Vaticano escolhido para a próxima viagem do Papa ao Marrocos. Está na hora de substituir o apaziguamento.


(*)Giulio Meotti é Editor Cultural do diário Il Foglio,  jornalista e escritor italiano.
Tradução: Joseph Skilnik
Fonte - Gatestone Institute

domingo, janeiro 20, 2019

Nem Átila






Dizem para você dia e noite, 100 mil vezes em seguida, que o novo governo brasileiro provou ser o pior que a humanidade já teve desde Átila, o Huno

por José Roberto Guzzo. 

É realmente uma canseira, mas não tem outro jeito. A cada vez que você vai escrever ou falar alguma coisa sobre a imprensa no Brasil, é preciso explicar direitinho, se possível com desenho e quadro-negro, que o autor não é? repetindo: não é, de jeito nenhum, nem pensem numa coisa dessas? contra a liberdade de imprensa.

Não está pedindo a volta da censura, mesmo porque seria legalmente impossível.

Não quer a formação de uma polícia para fazer o “controle social dos meios de comunicação”.

Não está “a favor dos militares e contra os jornalistas”.

Não acha, pelo amor de Deus, que é preciso fechar nenhum jornal, revista, rádio, televisão, folheto de grêmio estudantil ou seja o que for.

Não lhe passa pela cabeça sugerir aos donos de veículos e aos jornalistas que publiquem isso ou deixem de publicar aquilo; escrevam em grego, se quiserem, e tenham toda a sorte do mundo para encontrar quem leia.

Com tudo isso bem esclarecido, então, quem sabe se possa dizer que talvez haja um ou outro probleminha com a imprensa brasileira de hoje. Um deles é que a mídia está começando a revelar sintomas de Alzheimer ou de alguma outra forma de demência ainda mal diagnosticada pela psiquiatria.

É chato lembrar esse tipo de coisa, mas também não adianta fazer de conta que está tudo bem quando dizem para você dia e noite, 100 mil vezes em seguida, que o novo governo brasileiro provou ser o pior que a humanidade já teve desde Átila, o Huno. Não faz nexo. Até Átila precisaria de mais de duas semanas de governo para mostrar toda a sua ruindade ? e olhem que ele foi acusado de comer carne humana e andava cercado de lobos, em vez de cachorros, sendo que nenhum dos seus lobos era bobo o suficiente para chegar perto do dono quando sentiam que o homem não estava de muito bom humor naquele dia.

Além disso, errar em tudo é tão difícil quanto acertar em tudo. Talvez fosse mais racional, então, recuar para uma antiga regra da lógica: as ações devem ser julgadas pelos resultados concretos que obtêm, e não por aquilo que você acha delas. Um governo só pode ser avaliado depois de se constatar se as coisas melhoraram ou pioraram em consequência  das  decisões que colocou em prática. O número de homicídios, por exemplo? aumentou ou diminuiu depois de doze meses? A inflação está em 2% ou em 20%? O desemprego caiu ou subiu? E por aí vamos.

Mas essa lógica não existe no Brasil de hoje. Está tudo errado, 100% errado, porque é assim que decretam os estados de alma dos proprietários dos veículos e dos jornalistas que empregam? e não porque mediram algum resultado concreto. Ou seja: ainda não aconteceu, mas o governo já errou. A condenação começou no dia da posse de Bolsonaro e dali até hoje não parou mais.

Os jornalistas, denunciou-se já nos primeiros minutos, não receberam instalações à altura da sua importância para a sociedade. Donald Trump não veio. O discurso de estreia foi ruim? embora não tivessem publicado uma sílaba de algum discurso presidencial anterior, para que se pudesse fazer uma comparação.

Há generais em excesso no governo? e qual seria o número ideal de generais no governo? As médias das administrações de Sarney para cá? A média mundial? O que é pior: o general A, B ou C ou os ministros Geddel, Palocci ou Erenice? Há poucos nordestinos. O ministro do Ambiente acha que esgotos, por exemplo, ou coleta de lixo, são problemas ambientais sérios. Conclusão: ele vai abandonar a Amazônia para os destruidores de florestas.

Como o doente que repete sem parar a mesma coisa, não consegue descrever o que vê pela janela, e esquece tudo o que lhe foi demonstrado 1 minuto atrás, a imprensa travou. A prisão do terrorista Cesare Battisti foi uma “derrota” para Bolsonaro; imaginava-se que teria sido uma derrota para Battisti, mas a mídia quer que você ache o contrário.

O acesso à armas de fogo para que um cidadão (só aquele que queira), tenha a chance de exercer o direito de legítima defesa antes de ser assassinado, vai desencadear uma onda de homicídios jamais vista na história. Como as armas de fogo são caras, denuncia–se que a medida é “pró-elites”.

E se vierem a baixar de preço? Passarão a ser melhores? Quando alguém começa a escrever coisas assim, e faz isso o tempo todo, é porque parou de pensar; o cérebro não está mais ligando Zé com Zé. É um problema. Os leitores, cada vez mais, estão percebendo que a imprensa é inútil. Não só eles. No dia em que o governo descobrir que não precisa mais prestar atenção à mídia, vai ver que está perdendo uma montanha de tempo à toa.

Fonte; Defesanet.com.br
Publicado em Veja.com

sábado, janeiro 19, 2019

O Verde de Verdade





por J.R.Guzzo(*)

Qualquer pessoa razoavelmente bem informada sobre as realidades da terra no Brasil sabe muito bem, e há muito tempo, que poucas coisas são tão estúpidas no imaginário mundial quanto a crença de que a agricultura e a pecuária brasileira “destroem” a natureza. Na verdade, quando mais bem instruída é a cabeça, mais espessa é sua ignorância sobre o assunto – e quanto maior a ignorância, mais alta é a sua voz e mais escandalizada a sua indignação. O fato, no fim das contas, é que as pessoas razoavelmente bem informadas sobre o agronegócio brasileiro são poucas; no Brasil, então, praticamente não existem fora do ambiente diretamente ligado ao trabalho e à produção no campo. As grandes autoridades nos problemas ecológicos supostamente ligados à agricultura, aqui, são a modelo Gisele Bündchen e similares; quando Gisele abre a boca para falar alguma coisa sobre o tema, o governo treme. A mídia reproduz suas afirmações como uma “denúncia”, sem a mais remota preocupação em saber se aquilo faz algum nexo lógico. Na verdade, qualquer idiota que tiver carteirinha de “artista” e disser que o país está sendo destruído pela soja e pelo frango tem a seu dispor espaço imediato e ilimitado em nossos órgãos de informação. Se disser que a culpa de tudo é “do Temer”, então, é só correr para o abraço.

➤     O Brasil é o pais mais eficiente na relação agricultura/natureza

É natural, assim, que tenha passado praticamente sem registro o último estudo em profundidade da NASA e do USGS, o Serviço Geológico dos Estados Unidos, que mapeou por satélite, hectare por hectare, as áreas utilizadas para cultivo no mundo inteiro. Ao lado de pesquisadores do Global Food Security Analisys da ONU, a agência espacial e o serviço de geologia dos Estados Unidos revelaram que o Brasil é um dos países mais eficientes do mundo na relação agricultura-natureza – produz muito alimento em pouca terra e, em consequência, consegue preservar áreas extensas de vegetação e ambiente naturais. Os números, mais uma vez, revelam o contrário das crendices: as lavouras ocupam menos de 8% do território do Brasil. A Índia ocupa 60%; os Estados Unidos, onde estão os maiores críticos do agronegócio brasileiro, utilizam 18% de sua terra com a atividade rural, ou mais do que o dobro do Brasil. Da Europa, então, melhor nem falar: “área verde”, ali, é pouco mais que o jardim público e as árvores plantadas para fazer sombra nas ruas. Verde natural, mesmo, é com o Brasil – a vegetação nativa, aqui, cobre mais de 65% do território nacional, ou dois terços de todo o país.

Os dados são resultado de trabalho feito por profissionais, com a utilização da mais avançada tecnologia disponível. Não são palpite de ativistas ecológicos baseados na pura fé, ou na safadeza. Também não são propaganda da “bancada ruralista”. Vão no sentido exatamente contrário ao que pregam os lobbys agrícolas americanos, que gastam milhões de dólares combatendo o agronegócio brasileiro, com o seu lema “fazendas aqui, florestas lá”; têm a colaboração entusiasmada dos “militantes” brasileiros do verde. Para quem trabalha no campo, naturalmente, as informações da NASA não chegam a ser uma surpresa. Batem com os levantamentos mais recentes da Embrapa, com diferenças de 0,2%. Além disso, o agricultor e o pecuarista sabem muito bem, pelo que veem com os seus próprios olhos, sem a ajuda de satélites, qual é a situação real das terras que cultivam. Mas a verdade, nessa questão toda, é o que menos interessa. A “preservação da natureza” virou uma religião, com dogmas que estão acima da discussão racional e que têm de ser obedecidos sem nenhum questionamento. Ou o sujeito acredita, mesmo que não tenha um miligrama de informação sobre o assunto, ou é carimbado como defensor dos “agrotóxicos”, inimigo da alimentação saudável, capitalista selvagem, perseguidor de “camponeses” e cúmplice do “trabalho escravo” – além, é claro, de fascista e eleitor “do Bolsonaro”.

Não perca seu tempo com essa gente.


(*)J.R.Guzzo : “Veja”, 10/05/2018

quinta-feira, dezembro 27, 2018

Palestinos: Metralhar uma Mulher Grávida e Mentir







A cena de um ataque terrorista fora do assentamento de Ofra na Cisjordânia, em 9 de dezembro de 2018. (Magen David Adom)
por Bassam Tawil (*).

Três israelenses foram mortos na Cisjordânia na mais recente onda de terrorismo palestino. As vítimas foram dois soldados e um bebê de apenas quatro dias, nascido prematuramente após a mãe ter sido baleada e ferida em um ataque com uma rajada de tiros perpetrado por terroristas palestinos.

O ataque terrorista ocorreu perto da cidade de Ramala, na Cisjordânia, de fato a capital da Autoridade Palestina (AP) onde o presidente Mahmoud Abbas bem como a maioria dos altos funcionários residem e trabalham. A chacina ocorreu quando uma rajada de tiros foi disparada do interior de um veículo em movimento nas proximidades da colônia de Ofra, e na sequência o veículo foi localizado pelo exército israelense no bairro de Ain Musbah em Ramala, nos arredores da residência particular e gabinete de Abbas.

Ninguém está insinuando que Abbas sabia que o ataque terrorista seria perpetrado. No entanto, a reação de Abbas e das autoridades de alto escalão da AP aos ataques levanta sérias dúvidas ao seu pretenso comprometimento em fazer a paz com Israel.

Horas antes do ataque à Ofra, Abbas ressaltou em um discurso perante os líderes de sua facção, Fatah, que continua comprometido com a "resistência popular pacífica" e com a diplomacia. "Não acreditamos em armas e não acreditamos em foguetes", salientou Abbas fazendo referência aos foguetes lançados pelo Hamas e por outros grupos terroristas contra Israel a partir da Faixa de Gaza.

Este é o mesmo Abbas que, apesar de dizer se opor ao uso de armas e foguetes, não condenou o ataque terrorista no qual três israelenses foram mortos. Muito pelo contrário, tanto seus assessores como ele próprio têm condenado Israel todo santo dia pela repressão aos terroristas.

O incitamento contra Israel teve início logo após o ataque à Ofra, quando Abbas e membros da Fatah e da Autoridade Palestina começaram a condenar Israel pelo envio de soldados a Ramala em busca dos terroristas.

Em vez de condenar os assassinatos em Ofra, o Ministério da Informação de Abbas emitiu uma contundente condenação ao exército israelense por este entrar nos escritórios da agência de notícias palestina Wafa. O ministério definiu a entrada dos soldados como "ato de terrorismo" e pediu à comunidade internacional que responsabilize Israel pela "agressão" aos palestinos.

Segundo a lógica do ministério de Abbas, soldados israelenses que estão atrás de terroristas configura um "ato de terrorismo" mas disparar tiros contra uma mulher grávida e outros seis civis israelenses parados em um ponto de ônibus, não.

O exército israelense não entrou em Ramala porque Israel quer "reocupar" a cidade e reinstalar o governo militar israelense. Tratava-se, na realidade, de uma operação limitada que durou poucas horas envolta no contexto da perseguição aos terroristas palestinos. Abbas e membros do alto escalão, no entanto, vêm empreendendo uma intensa campanha de incitamento contra Israel, espalhando mentiras e teorias conspiratórias fora de qualquer propósito.

Veja, por exemplo, o que o Secretário-Geral da OLP, Saeb Erekat, que se autodenomina como o "principal negociador palestino", tinha a dizer sobre a perseguição aos terroristas pelos agentes israelenses. Erekat, em uma bizarra declaração, afirmou que a "intrusão israelense em Ramala foi realizada com o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump". Erekat também pediu à comunidade internacional que responsabilize Israel por seus "crimes" e que proporcione proteção internacional aos palestinos.

O que causa espécie na declaração de Erekat é que ele insinua que Israel precisava da permissão de Trump para enviar suas tropas a Ramala para capturar os terroristas que assassinaram três pessoas. É estranho também que Erekat acredita que a busca israelense para capturar terroristas é um "crime" pelo qual Israel deve ser responsabilizado na arena global.

No entanto, as declarações bizarras da AP não param por aí. Prestemos atenção na observação de Osama Qawassmeh, alto funcionário da Fatah e porta-voz, que afirmou que a operação militar israelense em Ramala foi na realidade dirigida contra o próprio Abbas. Segundo Qawassmeh, o exército israelense "invadiu" Ramala porque Abbas rejeitou o plano, ainda não divulgado, de Trump de paz para o Oriente Médio. Como se isso não bastasse, o membro da Fatah sustentou que o empenho do exército israelense de capturar os terroristas também estava ligado à oposição de Abbas a uma recente resolução dos EUA na Assembleia Geral da ONU para condenar o Hamas pelo disparo incessante de foguetes contra Israel e pelo incitamento à violência.

Essa sandice reflete a lógica distorcida de Abbas e de seus representantes em Ramala. Para eles, o verdadeiro problema não é o disparo de uma rajada de tiros e subsequente morte de uma mulher grávida e a morte de dois soldados. Longe disso, os líderes palestinos, incluindo Abbas, apontam o dedo acusador na direção de Israel pela audácia de enviar soldados para capturar terroristas palestinos e impedir outros ataques contra cidadãos israelenses. Desnecessário dizer que os soldados israelenses que entraram em Ramala em nenhum momento chegaram perto do gabinete ou da residência de Abbas e, com certeza, não tinham a menor intenção de alvejá-lo ou alvejar qualquer um de seus assessores. Na realidade, nenhum membro da Autoridade Palestina ou da Fatah foi detido nem ferido pelas tropas israelenses.

Será que esse membro da Fatah acha que o mundo lá fora é tão obtuso a ponto de acreditar que Israel colocaria em perigo a vida de seus soldados enviando-os a Ramala pelo simples fato de Abbas ter rejeitado um plano de paz que ninguém nunca viu nem sabe de seu conteúdo? Algum dos soldados que entraram em Ramala bateu na porta de Abbas e entregou-lhe uma carta dizendo que deveria aceitar o plano de Trump, (que ninguém conhece), caso contrário ele seria punido? É óbvio de não.

Abaixo mais um exemplo das mentiras e teorias de conspiração promovidas pelos assessores de Abbas nos últimos dias. Mahmoud Habbash, que ocupa o cargo de conselheiro de Abbas para assuntos religiosos, realçou, reagindo às medidas de segurança israelenses contra o terrorismo, que Israel e o Hamas estavam se enfrentando com o objetivo de "virarem a mesa" na Cisjordânia com o intuito de abrir caminho para a implementação do "acordo do século" de Trump que já despontava no horizonte.

Vale salientar também que o Hamas reconheceu publicamente que estava por trás da recente sucessão de ataques terroristas ocorridos na Cisjordânia. Mas, segundo Habbash, a repressão israelense contra o terrorismo nada mais é do que uma conspiração costurada por Israel e pelo Hamas para desgastar a Autoridade Palestina e abrir caminho para a "aprovação do acordo do século, que visa liquidar a causa palestina".

O conselheiro de Abbas, no entanto, está convencido que o mundo é tão tapado a ponto de acreditar que Israel e o Hamas estavam mancomunados por trás dos recentes ataques terroristas. Isso nada mais é do que mais um libelo de sangue de Abbas e de seu séquito contra Israel. A declaração acima não constitui somente uma mentira deslavada, trata-se também de um insulto à inteligência, parece até plágio de um programa humorístico. "Parece", quer dizer, porque esses comentários aparentemente ridículos se referem a uma série de ataques terroristas que ceifaram a vida de cidadãos israelenses. Assim sendo, as declarações devem ser levadas a sério e vistas no contexto da campanha da liderança palestina de incitação e disseminação de fake news contra Israel . É exatamente esse tipo de discurso incendiário que leva os terroristas palestinos a continuarem com os ataques contra Israel.

Em vez de culpar o Hamas pelos ataques terroristas, o gabinete de Abbas preferiu responsabilizar Israel pelo surto de violência na Cisjordânia. "O clima criado pela política de incursões recorrentes de Israel em cidades palestinas, bem como incitamento contra o presidente Abbas, desencadeou essa rodada de violência, que nós rejeitamos", ressalta uma declaração emitida pelo gabinete do presidente palestino.

Mais uma vez, a declaração mostra que Abbas considera as medidas anti-terroristas de Israel e não os ataques elaborados pelo Hamas, como causa dos protestos e da violência. A mensagem de Abbas ao mundo é a seguinte: como esses israelenses ousam tomar medidas de segurança para impedir ataques terroristas contra seus civis e seus soldados!

Está claro que Abbas treme na base em condenar seus rivais no Hamas por desfecharem a última onda de ataques terroristas na Cisjordânia. Ele está cansado de saber que assim que condenar o disparo da rajada de tiros contra uma mulher israelense grávida, o povo se levantará e o acusará de colaborar com Israel. Mas Abbas só pode culpar a si mesmo: seu ininterrupto incitamento e mentiras lançadas contra Israel tornaram perigoso demais dizer uma palavra sequer contra os terroristas palestinos.

Por último, é interessante expor um detalhe importante sobre o porquê de Abbas e seus representantes manterem suas bocas bem fechadas: a repressão israelense contra o Hamas na Cisjordânia, na realidade, atende aos interesses da Autoridade Palestina. Sem a repressão, o Hamas teria derrubado o regime de Abbas há muito tempo e tomado o controle da Cisjordânia. São os soldados israelenses, posicionados a uma pequena distância do gabinete e da residência de Abbas que o mantém são e salvo. Por mais inconveniente que seja a verdade, para Abbas e seus manipuladores em Ramala, é a verdade nua e crua






(*)Bassam Tawil, árabe muçulmano, radicado no Oriente Médio.
Original em inglês: Palestinians: Shooting a Pregnant Woman and Lying
Tradução: Joseph Skilnik

segunda-feira, dezembro 10, 2018

Por que o Irã Banca Terroristas Palestinos?



por Bassam Tawil(*).



⚑     O recado que o Irã está dando às famílias palestinas é o seguinte: "se vocês querem dinheiro e uma vida boa, mandem seus filhos morrerem na fronteira de Israel." Trata-se de uma mensagem com alta probabilidade de ecoar nos confins do mundo árabe, muito além dos palestinos.


Consoante com os preceitos da política de longa data de bancar qualquer um que queira destruir Israel ou matar judeus, o Irã decidiu dar dinheiro às famílias de palestinos da Faixa de Gaza mortos durante ataques desferidos contra Israel. A decisão se refere aos palestinos que forem mortos enquanto atacam soldados israelenses durante as manifestações que ocorrem todas as semanas, patrocinadas pelo Hamas, ao longo da fronteira entre Gaza e Israel. As manifestações começaram em março de 2018 sob o lema: "Marcha do Retorno".

Quais são as implicações da decisão iraniana? O recado que o Irã está dando às famílias palestinas é o seguinte: "se vocês querem dinheiro e uma vida boa, mandem seus filhos morrerem na fronteira de Israel". Em outras palavras, o Irã está dizendo às famílias palestinas que a melhor maneira de melhorar suas condições de vida é enviar os filhos para matarem ou ferirem judeus. Trata-se de uma mensagem com alta probabilidade de ecoar nos confins do mundo árabe, muito além dos palestinos.

A expansão da influência iraniana no Oriente Médio como um todo e na arena palestina em particular teve início durante a administração Obama, que fez vista grossa às intenções agressivas do Irã e mais tarde embarcou numa política de passar a mão na cabeça dos mulás. No governo Obama, os iranianos devem ter imaginado que tinham sinal verde para fazer o que bem entendessem. Isso é obviamente a razão deles estarem hoje presentes não só na Faixa de Gaza e no Líbano como também na Síria, Iêmen, Líbia e Iraque.

De uns tempos para cá, o Gatestone Institute expôs como o Irã tramava se apoderar da Faixa de Gaza. O artigo em questão apontou que os iranianos estavam estreitando os laços tanto com o Hamas quanto com a Jihad Islâmica para garantir que os dois grupos terroristas governassem com mão de ferro a população palestina da Faixa de Gaza.

Não há dúvida e ninguém deveria esperar outra coisa dos iranianos. Na realidade, a decisão de recompensar monetariamente as famílias dos palestinos mortos em ataques a israelenses tem tudo a ver com as políticas anti-israelenses e antissemitas dos governantes de Teerã, assim como as de outros. Os iranianos ainda bravateiam a sua decisão. Eles têm a esperança que a iniciativa fortaleça a reputação do Irã nos países árabes e islâmicos e permita que o país continue interferindo nos assuntos internos de países do Oriente Médio.

Não é por acaso que a decisão foi anunciada logo depois que o presidente do Irã, Hassan Rouhani, considerado "moderado" pela imprensa internacional, chamou Israel de "tumor canceroso" e um "regime fake" estabelecido pelos países ocidentais com o objetivo de promover seus interesses no Oriente Médio.

As observações de Rouhani confirmam com mais força o objetivo abertamente declarado do Irã de destruir Israel
Foto: jovens palestinos em Gaza preparam fundas e estilingues para arremessarem pedras contra soldados israelenses que estão do outro lado da cerca que separa Gaza de Israel, 14 maio de 2018. (Foto: Spencer Platt/Getty Images)

Os líderes iranianos e seus aliados palestinos têm o mérito de serem honestos e diretos com respeito às suas intenções. No começo do ano, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, chamou Israel de "cão raivoso" e disse que o mundo islâmico deveria se armar para lutar contra o Estado judeu.

No ano passado, os iranianos tornaram público a contagem regressiva digital mostrando que faltavam 8.411 dias para, segundo eles, a "destruição de Israel". A previsão baseia-se em uma declaração de Khamenei em 2015, na qual ele afirmou que não restaria "nada" de Israel até o ano 2.040.

A decisão de recompensar com dinheiro as famílias dos terroristas palestinos foi anunciada em um congresso do Fórum Mundial para a Proximidade das Escolas Islâmicas de Pensamento, fórum estabelecido em 1990 por ordem de Khamenei com o objetivo de reconciliar as diferentes escolas e orientações islâmicas. Mohsen Araki, presidente do fórum, foi quem anunciou a medida. O Irã, salientou ele, resolveu "adotar" as famílias dos palestinos mortos na fronteira de Gaza com Israel. Quando os iranianos falam em "adotar" alguém, eles querem dizer que Teerã cuidará das famílias daqueles que têm como alvo os judeus e que lhes darão tudo que precisam, como dinheiro, assistência médica e educação.

Os representantes palestinos do Irã, Hamas e Jihad Islâmica, sem perder tempo, aplaudiram a decisão. Eles a chamaram de "passo positivo em direção à unificação dos muçulmanos". Nas palavras do líder da Jihad Islâmica, Khaled al-Batsh, "a nação islâmica não tem outra escolha a não ser a união. Esperamos que os demais árabes e muçulmanos sigam o exemplo e apoiem as manifestações e o fim do bloqueio (imposto à Faixa de Gaza)."

Os iranianos chegaram a convidar os caciques do Hamas para a conferência, sinalizando com mais ímpeto o apoio contínuo de Teerã ao grupo terrorista de Gaza, que também busca a destruição de Israel. A delegação do Hamas foi encabeçada por Mahmoud Zahar, considerado na Faixa de Gaza o "comandante em chefe" do Izaddin al-Qassam, braço armado do Hamas.

O objetivo declarado da conferência é forjar a união dos muçulmanos. Para os iranianos e suas milícias, a unidade islâmica é pré-requisito para o avanço do objetivo final de remover o "tumor cancerígeno" (Israel) da face da Terra. O Irã não mede esforços para alcançar esse objetivo.

Se não fosse pelo apoio iraniano, a organização terrorista xiita libanesa, Hisbolá, não estaria apontando dezenas de milhares de foguetes e mísseis na direção de Israel. Se não fosse pelo apoio militar e financeiro iraniano, o Hamas, a Jihad Islâmica e outros grupos terroristas não teriam condições de disparar mais de 400 projéteis contra Israel num espaço de 24 horas, como ocorreu no mês passado.

O Irã fornece os meios a qualquer um que tenha em comum os mesmos objetivos da República Islâmica de eliminar Israel. O Hisbolá vem recebendo bilhões de dólares dos iranianos a fim de se preparar para a próxima guerra contra Israel. O Hamas e a Jihad Islâmica na Faixa de Gaza têm recebido assistência política, financeira e militar do Irã para levar adiante os ataques a Israel.

As ações do Irã não são dirigidas somente contra Israel, elas também são dirigidas contra os EUA. Conforme Hussein Sheikh al-Islam, autoridade do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores do Irã, explica: "a mais recente decisão (de recompensar monetariamente as famílias palestinas) visa apoiar os palestinos em face das conspirações americanas de eliminar a causa e os direitos dos palestinos".

Para que não paire nenhuma dúvida no ar: o Irã quer que os palestinos se explodam e também quer varrer Israel do mapa e, se pudesse também varreria os EUA do mapa, conforme sugere seu expansionismo na América do Sul.

Ao que tudo indica, há mulás no Irã que não veem a hora da previsão de Khamenei sobre a destruição de Israel em 2040 se tornar realidade. O dinheiro iraniano prometido às famílias destina-se a incentivar mais árabes e muçulmanos a mandarem seus filhos lançarem ataques com foguetes contra Israel e atirarem pedras e bombas incendiárias contra os soldados israelenses.

O destino do dinheiro não é para a construção de clínicas médicas ou escolas na Faixa de Gaza. O Irã está disposto a continuar sua luta contra Israel e os EUA até o último palestino ou árabe ou muçulmano. A bem da verdade, os mulás poderão contemplar mais árabes e muçulmanos morrerem como meio de promover a jihad contra Israel e os EUA. A questão é: será que a comunidade internacional irá permitir que esse plano continue ou será que ela vai acordar para o fato de que o Irã tem em vista muito mais do que só Israel e os EUA?


(*)Bassam Tawil, árabe muçulmano, radicado no Oriente Médio.
Fonte - instituto Gatestone (pt.gatestoneinstitute.org)
Imagem 1 - (https://honestreporting.com/urgente-ira-ataca-israel-e-midia-brasileira-vitimiza-siria/)
Original em inglês: Why Iran Funds Palestinian Terrorists
Tradução: Joseph Skilnik

sexta-feira, novembro 30, 2018

PSICO-SÓCIO-PATOLOGIA DAS LEIS: A Patologia do Foro Privilegiado







por Rodrigo Pacheco Angélico (*)


A Constituição Federal de 1988 é a sétima Constituição do Brasil, tendo sido promulgada no dia 5 de outubro, depois de quase 2 anos de trabalho da Assembleia Constituinte. A Constituição é chamada de lei suprema do país porque é nela que foi estabelecida a estrutura e organização do Estado. É na CF que estão as normas basilares, que são superiores a todas as outras normas jurídicas.

Quando nos indignamos perante a impunidade no Brasil, principalmente com relação aos crimes de colarinho branco, não imaginamos que isso também ocorra por encontrar respaldo jurídico na Constituição.

Quantas pessoas podemos citar que foram presas por crimes de colarinho branco antes do evento da Lava Jato e do Mensalão na história recente brasileira? Mas quanto tempo ficaram presas de fato?

Isso ocorre entre outras razões devido o foro privilegiado. O FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO Art. 29, inc. X da Constituição Federal de 88. Trata-se de direito adquirido por algumas autoridades públicas, (aproximadamente 50 mil cargos) de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, garantindo que possam ter um julgamento especial e particular quando são alvos de processos penais.

Ocorre que, esse privilégio afronta diretamente o artigo 5º da Constituição Federal, senão vejamos:

➤     “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Os sintomas do Foro Privilegiado são visíveis e de fácil percepção para qualquer ser humano. Essa lei incentiva à disseminação da corrupção, injustiça social, impunidade e a violência. Propiciando um terreno fértil para bandidos assolarem a democracia enquanto se beneficiam dela, como agentes patológicos que crescem dentro de um órgão saudável ou mesmo como nos filmes de vampiros humanos que sugam sangue uma vez que seu próprio já está totalmente comprometido.

Obviamente que o legislador enxergou nesse artigo 5º da CF, uma possível ameaça à sua integridade e permanência no poder. Criando assim, uma exceção à regra (Foro Privilegiado). Apesar das justificativas é aqui que podemos identificar a oculta causa psíquica, ou seja, a inversão do ser humano, que consiste em ver num bem um prejuízo e no mal um benefício, encontrando uma maneira de “diminuir os prejuízos” da igualdade e transparência previstas no artigo 5º CF.

Recentemente, estive numa palestra ministrada pelo Ilmo. Dr. Deltan Dallagnol, procurador e coordenador da força tarefa da lava jato, onde ele apontava essa necessidade na mudança das leis. Que a força-tarefa da lava jato não seria o bastante para mudar o Brasil, que seria necessária uma mudança na legislação, caso contrário, apenas ocorreria uma alternância de autorias delitivas dentro da malha de corrupção sistêmica brasileira.

Entendo que as leis foram e são elaboradas para manter o poderoso no poder e servir os interesses de poucos em detrimento de muitos. O poder político subordinado ao poder econômico. Esse princípio se institucionalizou, e se tornou a fonte do fazer político. Contudo, temos que ficar vigilantes, como dizia Abraham Lincoln “A eterna vigilância é o preço de nossa liberdade” ou ainda, “Conscientizar a humanidade que ela está nesse estado de obnubilação é condição fundamental para leva-la a uma situação de felicidade. Socialmente, temos que modificar imediatamente as leis, que permitem aos mais doentes dominar a sociedade, estar atento para que os indivíduos maus não distorçam novamente, temos de vigiar cada minuto, para que não sejamos lesados.” Norberto Keppe, Libertação dos Povos pag.17.

A ética e a consciência estão acima da lei. Este princípio metafísico que estipula a máxima da ordem do maior para o menor (fonte dessa máxima seria Santo Anselmo?) deveria ser aplicado quando da elaboração das leis, encontrando sua fonte e respaldo naquilo que está acima dela. Quando uma lei não está sob a égide do elemento transcendental ou metafísico, ela está fadada ao fracasso ou a injustiça. Em seu trabalho, Desobediência Civil, Henry David Thoreau diz: “Se uma lei é injusta, desobedeça”, ou ainda, “Devemos ser homens, em primeiro lugar, e depois súditos. Não é desejável cultivar pela lei o mesmo respeito que cultivamos pelo direito.” O pai da desobediência civil foi o grande inspirador de outros grandes líderes mundiais como Martin Luther King, Mahatma Gandhi e Nelson Mandela.

Se o ser humano não perceber essa inversão que mencionei anteriormente, de ver na corrupção como um grande benefício ou vantagem para si próprio, continuará a criar consciente ou inconscientemente mecanismos de proteção à patologia, travestidos em anseios morais e falácias de raciocínios.

Essa inversão ocorre de maneira geral, tanto nos operadores do direito como os legisladores, políticos, advogados, juízes como no povo, que ao ir às urnas eleger seu representante, identifica num determinado candidato seu próprio desejo de poder e corrupção.


Fonte - http://www.stop.org.br
(*) Rodrigo Pacheco Angélico, advogado OAB 204858/SP, American Bar Association 02095430.

terça-feira, novembro 27, 2018

Objetos Voadores Não Ideológicos









por Ernesto Araújo (*)


A cultura pós-moderna em que vivemos padece de um terrível literalismo. Muitas pessoas vão perdendo a capacidade de compreender o símbolo ou a metáfora, a ironia ou a piada, não conseguem transitar entre diferentes níveis de discurso, não percebem as figuras de linguagem, consequentemente não discernem o senso de humor nem decifram o pensamento sugestivo. Tornam-se incapazes do raciocínio abstrato, baseado em conceitos ou em universais: limitam-se aos particulares, à repetição tautológica de casos específicos. Acham que toda elocução é descritiva, não distinguem a função evocativa da fala.


Assim, se eu fizer uma referência à história da cigarra e da formiga, amanhã algum jornal dirá que eu acredito em insetos falantes.

Em semelhante contexto, quero deixar claro o seguinte: não acredito em discos voadores, nem deixo de acreditar.

O uso da expressão “acreditar” com relação à existência ou inexistência de civilizações extraterrestres e seus aparatos afigura-se inadequado. Parece perfeitamente plausível que existam tais civilizações e sejam capazes de viagens interestelares – e uma hipótese plausível não é, a rigor, matéria de crença. Trata-se, no caso, de uma proposição verificável, e jamais falseável, segundo a epistemologia de Karl Popper, ou seja: é possível comprovar empiricamente que os discos voadores existem, basta que um dia um deles apareça à luz do dia e todo mundo o enxergue, mas é impossível comprovar empiricamente que os discos voadores não existem, pois teríamos de varrer todo o universo à sua procura até concluir por sua inexistência, tarefa inexequível.

Podemos dizer algo semelhante de outras entidades, por exemplo: corvos brancos. É plausível que haja corvos brancos, pois não há nenhuma impossibilidade intrínseca em sua existência, mesmo se nunca ninguém os viu. Os corvos brancos nisso diferem, por exemplo, dos marxistas intelectualmente honestos. A existência de um marxista intelectualmente honesto não é plausível, pois há uma contradição intrínseca entre a disciplina intelectual marxista, que nasce na mentira e obriga seus praticantes a mentir inclusive a si mesmos o tempo todo, e a honestidade intelectual. Desse modo, a proposição “existem marxistas intelectualmente honestos” difere das proposições “existem discos voadores” ou “existem corvos brancos”. Ela não é nem verificável nem falseável, ela é apenas logicamente insustentável, como seria a proposição “existe luz escura”.

Quem diz “em acredito em tal coisa” está abrindo um canal para a busca de significado para além ou para fora do terreno da lógica e da epistemologia. O fato de tratar os discos voadores como matéria de crença, e não de verificabilidade empírica, é muito revelador do vazio espiritual contemporâneo. Numa civilização que proíbe a transcendência, algumas pessoas começaram a agarrar-se a certas manifestações materiais ou “mitos contemporâneos” (mais ou menos como diz C.G. Jung em seu ensaio sobre os discos voadores, Um Mito Moderno) que funcionam como sucedâneo do transcendente, do numinoso, do sagrado que elas já não conseguem conceber direta e autonomamente.

Ora, já sabemos que a esquerda não tolera a transcendência, pois a abertura para a transcendência é, em última instância, o que constitui a humanidade do homem, e também já sabemos que a esquerda é anti-humanista. Desse modo, não espanta que todas ou quase todas as pessoas cuja sede de transcendência e numinosidade leva para a crença em discos voadores construam suas casas no bairro da direita. Do mesmo modo aqueles que buscam a transcendência no esoterismo, no ocultismo, nos mistérios das civilizações desaparecidas, na alquimia, normalmente se acomodam na direita, todos os heróis fascinados pela rosa distante, secretíssima e inviolada de que fala Yeats em seu poema “The Secret Rose”, essa rosa que não é senão a transcendência, e a buscam no Santo Sepulcro, ou na embriaguez, no amor, na aventura. Esse bairro colorido, esfuziante de desejo pelo além, pela verticalidade, nas formas mais diversas, esse bairro é a direita. Do outro lado do rio político está o bairro da esquerda, um bairro cinza, pesado, de pessoas cabisbaixas que caminham murmurando slogans vazios ou fazem fila para receber sua ração diária de materialismo e reducionismo (uma espécie de soylent green, uma pasta amorfa feita de pensamento decomposto). No bairro da esquerda não há transcendência, nem a transcendência original nem os seus sucedâneos. No bairro da esquerda não há lugar para o mistério, pois o mistério é constitutivo do ser humano. Quem busca o mistério atravessa para a direita, seja o mistério de quem construiu as pirâmides, seja o de como são feitos os crop circles, seja o mistério do logos incarnado.

Talvez o que defina mais profundamente a cisão entre esquerda e direita seja a rejeição e aceitação da transcendência, respectivamente.

Quem crê procura a direita. Mesmo quem crê em coisas que não seriam questão de crer, como os discos voadores. Muita gente acredita em discos voadores apenas porque acha que é proibido acreditar em Deus.

Não é proibido.


(A Imagem não faz parte do artigo original) 
Fonte - www.metapoliticabrasileira.com.br 
(*) Ernesto Araújo - Ernesto Henrique Fraga Araújo é diplomata, escritor  e indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, como futuro chanceler.

segunda-feira, novembro 19, 2018

Ideologia não, ideias sim








por Ernesto Araújo(*).

➤     Ideias e ideologia são coisas diferentes.

Uma ideologia é um sistema de manipulação do pensamento e das ideias em função de um objetivo de poder.

Ideias são a essência viva da mente humana. Ideias são o resultado dinâmico do processamento da realidade pelo intelecto e pelo sentimento. A realidade não existe sozinha, nem os conceitos ou ideias existem sozinhos, ou não deveriam existir. A ideologia instaura uma cisão entre a realidade e os conceitos, arranca as ideias de seu enraizamento orgânico na realidade, e assim petrifica o pensamento para controlar as pessoas.

Ao repudiar a ideologia, é preciso ter cuidado para não deixarmos de ter ideias. O repúdio à ideologia deve significar a libertação das ideias, e não sua exterminação. Do contrário, faríamos exatamente o que a ideologia quer. Na ideologia as ideias estão lá, acorrentadas, magrinhas, esfomeadas, trabalhando como escravas para o sistema de dominação. Precisamos romper as correntes que assujeitam as ideias, trazê-las para fora e banhá-las novamente na realidade.

Não podemos confundir as coisas, não podemos decretar o fim do pensamento ao estabelecer o fim da ideologia.

Os brasileiros nos revoltamos contra a ideologia que nos dominou, aberta ou insidiosamente, por muito tempo, sob a forma do marxismo escancardo ou mais frequentemente do globalismo com suas várias vertentes. Agora, essa ideologia tenta metamorfosear-se para seguir dominando. Uma perigosa metamorfose ocorreria se, em nome do fim da ideologia, nos submetêssemos à proibição de pensar e de ter ideias.

Ninguém quer substituir uma ideologia por outra. Mas não se deve, tampouco, substituir a ideologia pelo vazio, pelo mecanicismo, pela tautologia, pela superficialidade. Para vencer a ideologia há que voltar a pensar, e não deixar de pensar, sob a desculpa de que qualquer pensamento é ideológico.

Um saudável pragmatismo deve substituir a ideologia. Ser pragmático não significa não ter alma. Ser pragmático não significa não ter coração. Ser pragmático significa estudar a realidade a partir do que somos e buscar os melhores caminhos para o que queremos ser.



(Imagem não faz parte do artigo original) 


Fonte - www.metapoliticabrasileira.com.br 


(*) Ernesto Araújo - Ernesto Henrique Fraga Araújo é diplomata, escritor  e indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, como futuro chanceler.

sexta-feira, novembro 16, 2018

Entrevista: a jovem cubana que não desistiu de sonhar










➤      Na semana em curso, o governo cubano afirmou que vai deixar o programa Mais Médicos. A decisão foi anunciada depois de o presidente eleito,Bolsonaro, ter dito que pretende modificar os termos do acordo. O governo cubano se referiu ao que chamou de "declarações ameaçadoras e depreciativas" de Bolsonaro. O presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, prometeu suprir a ausência dos médicos de Cuba, e disse que dará asilo político aos cubanos que pedirem.
“Em torno de 70% do salário desses médicos é confiscado para a ditadura cubana e outra coisa, que é um desrespeito com quem recebe o tratamento por parte desses cubanos, não temos qualquer comprovação que eles sejam realmente médicos e estejam aptos a desempenhar a sua função. Agora, a decisão de suspender isso, foi unilateral por parte do governo, governo não, da ditadura cubana. Eu jamais faria um acordo com Cuba nesses termos, isso é trabalho escravo”, disse Bolsonaro.(JN O Globo de 14/11/2018)





O Mais Médicos sofre desde o início críticas pesadas exatamente por que a maior parte dos salários dos médicos é CONFISCADA pelo governo cubano. Em 2017 o Brasil engordou os cofres cubanos com cerca de 1,3 bi de reais.
Nada melhor do que uma jovem cubana para falar sobre a saúde em Cuba.Abaixo segue entrevista de Zoe María Martínez ao Instituto Liberal em 22 de outubro de 2015:

por Lucas Berlanza(*)

Na semana que passou, a valentia comovente de uma jovem indignada atraiu atenções na Internet. Em um vídeo, que somente em sua própria página na rede social Facebook – com o divertido nome de Disquisições da Zoe -, teve mais de 2200 compartilhamentos até terminarmos de escrever estas linhas, sem contar o sucesso que obteve ao figurar em outras comunidades e perfis virtuais, a menina, em tom decidido e indignado, se declarou cubana e se voltou contra todos aqueles que defendem a tirania socialista estabelecida em sua terra natal pelos irmãos Castro (desde a Revolução que culminou com a insurreição armada de 1959). Ousada e demonstrando toda sua empatia pelo seu povo, a até então desconhecida Zoe se ofereceu, sarcasticamente, para custear passagens para a “paradisíaca ilha socialista” – apenas na cabeça dos amantes da tirania de esquerda, é claro -, desde que os ingênuos se submetessem rigorosamente ao modo de vida de sua gente. Tocados e impressionados pela coragem, fomos atrás dessa história, e trazemos até você o depoimento de quem conhece uma das mais perversas ditaduras modernas de perto, mas não desistiu de sonhar – e nos pede que também perseveremos com o nosso Brasil.

Gostaria que você começasse se apresentando aos leitores do Instituto Liberal e dissesse como vivia com a família em Cuba e há quanto tempo está no Brasil.

Meu nome é Zoe María Martínez. Tenho 16 anos. Moro no Brasil há 4 anos. Passei, portanto, minha infância e começo da adolescência em Cuba; minha vida era quase igual à de todas as crianças cubanas, com as mesmas carências e dificuldades, com a diferença de que eu tinha metade da minha família vivendo fora de Cuba. Então, eles mandavam todo mês remessas de dólares para podermos subsistir.

Como foi a sua saída de Cuba? Como é, em geral, a fuga, ou a “deserção”, dos cubanos? Houve algum momento específico em que tomaram a decisão de sair? São deixados em paz agora, em terra estrangeira?



Minha saída de Cuba foi bem triste por conta da separação familiar. O primeiro a vir foi meu pai, que deixou minha mãe grávida de cinco meses. Depois de quatro anos conseguiu tirar minha mãe, que me deixou na época com nove anos, e também minha irmã do meio, com três anos, aos cuidados dos meus avós maternos, porque na época crianças não podiam viajar nem para fazer turismo. Passados dois anos e oito meses, eles conseguiram nos tirar de lá, e meu pai pôde conhecer a filha de seis anos que tinha deixado ainda na barriga.

A maioria dos jovens quer sair do país e faz todo o possível para conseguir; casam-se com estrangeiros para poder sair da ilha, outros estudam medicina para poderem viajar ou até mesmo se lançam ao mar rumo à Flórida, com destino incerto. Os que têm mais sorte tem algum familiar no estrangeiro que os ajuda a sair legalmente. Uma vez morando no estrangeiro, nós cubanos “somos deixados em paz”, aparentemente, pois sempre sofreremos algum tipo de represália. Por exemplo: cobrança de preços absurdos de qualquer documentação que precisemos obter, incluindo o passaporte cubano, que aqui do Brasil custa em torno de oitocentos e setenta reais (R$ 870,00), e o não reconhecimento de duplas cidadanias. Se formos viajar para Cuba para visitar familiares, somos discriminados no aeroporto local, e às vezes eles se reservam o direito de nos negar a entrada no país sem qualquer explicação, especialmente se formos daqueles que se manifestam publicamente contra o regime.

Como você definiria, em poucas palavras, o regime castrista? Há oposição em Cuba? Quem são e como vivem pessoas como a blogueira Yoani Sanchez, que ficou conhecida por aqui?

Definiria o regime castrista em uma palavra: autocrata. É um stalinismo tropical modernizado. Claro que em Cuba existe oposição, ativa e passiva, mesmo sendo ignorados por algumas personalidades internacionais. Os que são dissidentes ativos são reprimidos brutalmente; aliás, em Cuba, apenas pensar diferente já é motivo para ser perseguido. No caso de Yoani Sanchez, muitos cubanos não sabem da existência dela, assim como dos demais cubanos que são oposicionistas, porque todos os meios de comunicação são censurados pelo governo de maneira hipócrita, já que criticam fortemente a grande mídia nos países democráticos. Sem contar que os oposicionistas são ameaçados e vigiados vinte e quatro horas por dia.

Muitas pessoas que conhecemos visitam a ilha de Cuba e trazem impressões desencontradas. Alguns, em geral fazendo excursões maiores, nos relatam a miséria e o medo nos olhos da população. Outros destacam maravilhas e chegam mesmo a elogiar Fidel. Como você explica essas divergências?

Sempre vai haver essas divergências. Mas isso depende muito do que cada pessoa vai fazer lá. Uns vão por turismo, frequentam só os hotéis e lugares especiais para turistas que geralmente são de difícil acesso ao povo. Outros já vão com a intenção de ver como verdadeiramente se vive em Cuba, saem da área de conforto e do mundo fantasioso que o governo oferece a eles. Sem contar aqueles que vão a eventos patrocinados pelo governo de Cuba e previamente o governo prepara os participantes locais que vão interagir com eles com um discurso pré-elaborado e censurado.

Educação e saúde, dois bens que quase todos desejam, são enaltecidos pela esquerda como conquistas sólidas do regime cubano. Que visão um cubano médio tem do mundo? Os cubanos têm acesso à Internet? O que eles aprendem nas escolas? Você teve essa formação? Experimentou algum contraste com o que estuda por aqui? Os hospitais têm uma boa infraestrutura, são de boa qualidade?

Quando eu morava em Cuba achava normal o jeito de se viver. Na época não tinha acesso à Internet, não tinha liberdade de expressão, não podia imaginar a vida fora de Cuba. Nas escolas tudo é politizado e padronizado, o sistema de educação é cheio de problemas, há escassez de professores. Na minha cidade, as escolas com melhor estrutura foram construídas antes da Revolução, porém não foram bem preservadas. Lá é tudo decadente, tanto a saúde quanto a educação e todo o resto. Nos hospitais faltam remédios, higiene, estrutura, enfim, falta tudo. Os únicos hospitais bons são os reservados para uso da elite do governo e seus familiares.

Algumas perguntas sobre o Brasil; sabemos que nosso governo apoiou o regime cubano na construção do Porto de Mariel, com o programa Mais Médicos e com toda a sua notória chancela e afinidade diplomática. O que você pensa disso? O que diria aos brasileiros, se pudesse?

Até hoje não consigo entender como um governo que diz defender tanto a democracia e a liberdade de expressão pode se aliar, apoiar um governo que nem o de Cuba, autoritário e ditatorial, que tem violado por mais de cinquenta anos os mais elementares direitos humanos perante seu povo. Aproveito para mandar um recado a todos os brasileiros: o Brasil é lindo, vocês têm um tesouro, zelem com o maior cuidado pela sua democracia. Não deixem que os corruptos contem a sua história. O Brasil é mais que um partido, mais que uma ideologia. Não desistam dele.

Reservo um espaço agora para que você faça suas considerações finais, caso deseje deixar um recado de encerramento.

Meu maior sonho para a minha terra natal é que algum dia seja uma democracia verdadeira, que meu povo pare de sofrer como há tantos anos sofre, e que nós cubanos nunca paremos de lutar para conseguirmos isso.


(*)Lucas Berlanza- Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é carioca, editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.
Fonte-www.institutoliberal.org.br/

terça-feira, novembro 06, 2018

Por que devemos tratar a foice e o martelo da mesma maneira que tratamos a suástica









por Richard Mason, 

➤    Duas ideologias igualmente sanguinárias não devem ser tratadas de maneiras radicalmente distintas


Se você pedir a um cidadão comum para pensar nos dois extremos do espectro político, são grandes as chances de que ele irá imediatamente visualizar, de um lado, a suástica e, do outro, a foice e o martelo.

Independentemente de quais sejam suas visões acerca do paradigma esquerda-direita, ou mesmo se ele acredita na teoria da ferradura, este indivíduo (corretamente) irá pensar no fascismo e no comunismo como sendo as duas ideologias típicas dos extremos.

No entanto, e curiosamente, a rejeição a ambos os símbolos não é a mesma.

Ao verem a suástica, as pessoas imediatamente são remetidas aos horrores do regime nazista, com suas perseguições étnicas e seus homicídios sistematizados, e corretamente sentem uma total repulsa. Em vários países europeus, com efeito, ostentar publicamente uma suástica é crime. Dado que os nazistas foram responsáveis pela chacina de cerca de 20 milhões de pessoas, todos nós entendemos quão abominável é esta ideologia e corretamente a tratamos com desrespeito e repugnância.

Porém, como estas mesmas pessoas reagem ao símbolo da foice e do martelo? Em várias ocasiões, há aceitação. Na maioria das vezes, há apenas indiferença. O que leva à inevitável pergunta: por que a ideologia responsável diretamente por centenas de milhões de mortes não recebe o mesmo tratamento que a ideologia nazista?

➤    Um histórico vermelho de sangue

Os atos inomináveis de Adolf Hitler empalidecem em comparação aos horrores cometidos pelos comunistas na antiga URSS, na República Popular da China e no Camboja, apenas para ficar entre os principais.

Entre 1917 e 1987, Vladimir Lênin, Josef Stalin e seus sucessores assassinaram 62 milhões de pessoas do seu próprio povo. O ponto de partida foi a Ucrânia, onde, de acordo com o historiador Robert Conquest, o regime comunista foi o responsável direto por 14,5 milhões de mortes.

Já entre 1949 e 1987, o comunismo da China, liderado por Mao Tsé-Tung e seus sucessores, assassinou ou de alguma maneira foi o responsável pela morte de 76 milhões de chineses (há historiadores que dizem que o número total pode ser de 100 milhões ou mais. Somente durante o Grande Salto para Frente, de 1959 a 1961, o número de mortos varia entre 20 milhões e 75 milhões. No período anterior foi de 20 milhões. No período posterior, dezenas de milhões a mais.)

O próprio Mao Tsé-Tung famosamente se gaba de ter "enterrado vivos 46.000 intelectuais", o que significa que ele os enviou para campos de concentração, onde ficariam calados e morreriam de fome.

No Camboja, o Khmer Vermelho exterminou aproximadamente 3 milhões de cambojanos, em uma população de 8 milhões. Este radical movimento comunista comandado por Pol Pot chegou ao ponto de ter como alvo qualquer pessoa que usasse óculos. Crianças eram assassinadas a baionetas.

No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987. Destes, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de inanição e epidemias provocadas por marxistas — dentre estas, mais de 10 milhões foram intencionalmente esfaimadas até a morte, e o resto morreu como consequência não-premeditada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.

Para se ter uma perspectiva deste número de vidas humanas exterminadas, vale observar que as duas grandes guerras mundiais do século XX, mais as Guerras da Coréia e do Vietnã, mataram aproximadamente 85 milhões de civis. Ou seja, quando marxistas controlam estados, o marxismo é mais letal que as principais guerras do século XX combinadas.

➤    Os aliados

Ou seja, não é exatamente por falta de conhecimento. Afinal, assim como o Holocausto, os gulags da União Soviética, o Holodomor, os campos de extermínio do Camboja e a Revolução Cultural da China também são bastante conhecidos.

E, ainda assim, vários intelectuais, jornalistas e membros do meio acadêmico seguem orgulhosamente defendendo — e até mesmo fomentando abertamente — idéias comunistas. No Reino Unido, há jornalistas que abertamente apóiam o comunismo. Estátuas de Karl Marx foram erigidas por ocasião de seu 200º aniversário. Mesmo nos EUA, que sempre foi um dos países mais anti-comunistas da história, há hoje uma estátua de Vladimir Lênin na cidade de Seattle.

Tornou-se aceitável em quase todos os países do mundo (exceto na Polônia, na Geórgia, na Hungria, na Letônia, na Lituânia, na Moldávia e na Ucrânia) marchar sob a bandeira vermelha da ex-URSS, estampada com a foice e o martelo.

Para completar, Mao Tse-Tung é amplamente admirado por acadêmicos e esquerdistas de vários países, os quais cantam louvores a Mao enquanto leem seu livrinho vermelho, "Citações do Presidente Mao Tse-Tung".

[N. do E.: no Brasil, o PCdoB, que recentemente disputou a presidência da república como vice na chapa do PT, é historicamente maoísta].

Seja na comunidade acadêmica, na elite midiática, na elite cultural e artística, em militantes de partidos políticos, em agremiações estudantis, em movimentos ambientalistas etc., o fato é que há uma grande tolerância para com as ideias comunistas/socialistas — um sistema (de governo) que causou mais mortes e miséria humana do que todos os outros sistemas combinados.

Logo, por que exatamente duas ideologias igualmente odiosas e violentas são tratadas de maneiras tão explicitamente distintas?

➤    "O comunismo real nunca foi tentado!"

A resposta pode estar no erro de percepção das virtudes.

Os nazistas, corretamente, são vistos como odiosos e malignos porque toda a sua ideologia é construída em torno da ideia de que um grupo é superior a todos os outros. Trata-se de uma ideologia inerentemente supremacista e anti-indivíduo, uma violenta crença que foi colocada em prática apenas uma vez por aqueles que a conceberam.

Sendo assim, simplesmente não há uma maneira justificável e aceitável para um fascista argumentar que "Ah, mas aquilo não era o nazismo verdadeiro...".

Já o mesmo, aparentemente, não vale para o comunismo. Ao contrário, vemos esse argumento a todo o momento. Aqueles na extrema-esquerda possuem um enorme guarda-chuvas sob o qual se abrigam todos os tipos de estilos comunistas: do stalinismo ao anarco-sindicalismo, passando pelo maoísmo, trotskismo, marxismo clássico ou mesmo pelo socialismo light.

E, dado que Karl Marx nunca implantou ele próprio suas ideias, os líderes dos regimes comunistas sempre usufruíram uma espécie de indulto para praticar suas atrocidades: quaisquer tragédias, descalabros ou crises criadas por regimes comunistas sempre podem ser atribuídas a um "erro" nas aplicações das idéias de Marx, as quais continuam sendo vistas como um mapa infalível para a utopia.

Convenientemente, os defensores desta idelogia sempre têm um passe livre para se descolarem completamente dos horrores do passado. Eles, até hoje, continuam se apresentando como pioneiros e desbravadores de uma ideologia humanitária que simplesmente ainda não teve a oportunidade de desabrochar por completo. "O comunismo de verdade nunca foi tentado!", gritam eles após cada novo fracasso do comunismo.

Agindo desta maneira, os defensores do comunismo podem, após cada novo fracasso, continuar impavidamente se apresentando como humanitários. Eles estão apenas lutando pela libertação da classe proletária e pela criação de um paraíso dos trabalhadores, arranjo este que nada tem a ver com os fracassos e falsos profetas anteriores. A atual geração de comunistas sempre será aquela que, agora sim, irá implantar o comunismo real, e não as deturpações que foram tentadas antes.

Na pior das hipóteses, tais pessoas são vistas apenas como seres ingênuos, mas ainda assim muito bem-intencionados.

➤    Onde estabelecer os limites?

Este é o cerne da questão. Ao passo que o nazismo sempre esteve intrinsecamente ligado aos crimes de seus adeptos, o comunismo sempre conseguiu se distanciar de suas tragédias. Ninguém toleraria a presença de uma camiseta estampada com Adolf Hitler ou Benito Mussolini, mas a foto do maníaco homicida Che Guevara em camisetas e smartphones é amplamente vista como um símbolo de descolamento e de uma pueril ideia de rebeldia juvenil.

Logo, como estabelecer os limites? A ideologia comunista, em sua forma mais pura, sempre consegue se distanciar de suas efetivas implantações, mas a partir de que ponto seu tenebroso histórico irá conseguir desacreditar quaisquer novas tentativas de se implantá-la?

Como disse o economista Murray Rothbard: "Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma "ciência lúgubre". Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância." 

Temos de dizer o mesmo sobre o comunismo. Continuar defendendo idéias e bandeiras comunistas não obstante o pavoroso histórico desta ideologia não é uma postura nem ingênua e nem muito menos bem-intencionada. A história do comunismo é tão sanguinolenta quanto a do nazismo; aliás, é muito mais sanguinolenta.

É hora de dispensarmos a seus símbolos e a seus defensores o mesmo trato que já dispensamos aos nazistas.

De resto, um lembrete aos esquerdistas, progressistas e socialistas de hoje que se arrepiam com a simples sugestão de que sua agenda pouco difere da dos maníacos nazistas, soviéticos e maoístas: não é necessário defender campos de concentração ou conquistas territoriais para ser um tirano. O único requisito necessário é acreditar na primazia do estado sobre os direitos individuais.

Fonte: Mises Brasil
Richard Mason, é freelancer e editor-assistente do site SpeakFreely.today