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BLOGANDO FRANCAMENTE


| quarta-feira, setembro 28, 2016








por Diario Digital





O ex-presidente de Israel e Nobel da Paz Shimon Peres morreu hoje, disse o seu médico pessoal à agência noticiosa francesa AFP.

O estadista de 93 anos morreu por volta das 03:00 (01:00 em Lisboa), afirmou Rafi Walden, que é também genro de Shimon Peres.

Shimon Peres sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) a 13 de setembro e encontrava-se hospitalizado desde então. Internado na unidade de cuidados intensivos, estava sedado e com respiração assistida. O último dos 'arquitetos' de uma paz que não prosperou, o último sobrevivente da geração dos "pais fundadores" de Israel, Shimon Peres foi um dos principais artesãos dos acordos de Oslo, defendendo o diálogo com os palestinianos como o único meio para alcançar a paz.

Artífice da segurança de Israel - sem nunca ter sequer passado pelo exército -, ocupou todos e cada um dos cargos possíveis, a partir dos quais deixou um indelével contributo para o desenvolvimento tecnológico, econômico e militar do seu país.

Nascido na Polónia a 02 de agosto de 1923, Peres chegou ainda criança, com a sua família, à Palestina sob mandato britânico e, com menos de 20 anos, foi descoberto pelo fundador de Israel, David Ben Gurion, ao lado do qual viveu a criação do Estado judeu em 1948, dirigiu o Serviço Naval e liderou a missão do Ministério da Defesa israelita nos Estados Unidos enquanto estudou em Harvard e em Nova Iorque.

O seu contributo mais reconhecido internacionalmente foi o de impulsionar da aproximação entre palestinianos e israelitas que culminou, em 1993, com o reconhecimento israelita da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o início de um processo de negociações que aproximou como nunca ambas as partes no sonho da paz e que deveria ter conduzido à criação de um Estado palestiniano.

Apesar de a paz ter sido 'truncada' em 2000 pela Segunda Intifada e de as partes não terem conseguido voltar a encarrilar um diálogo frutífero, Shimon Peres continuou a erguer a bandeira da solução de dois estados e tornou-se numa voz conciliadora em prol da paz numa região submersa num conflito que dura há mais de um século. Shimon Peres foi o israelita que mais tempo exerceu a função de deputado, após entrar para o Parlamento em 1959 e servir ininterruptamente até 2007, altura em que foi eleito Presidente.

Um dos primeiros cargos políticos de Shimon Peres foi o de subdiretor-geral do Ministério da Defesa, nos anos 1950, tutela a que regressaria como ministro duas décadas mais tarde. Nesta primeira etapa da sua carreira política, Peres é reconhecido por ter estabelecido uma crucial aliança com a França, que concedeu a Israel a sua histórica supremacia aérea regional e o seu programa nuclear.

Shimon Peres contribuiu com Ben Gurion para a reunificação dos movimentos socialistas no Partido Trabalhista, por via do qual exerceu o cargo de ministro em cinco pastas desde 1969 até à disputa pela liderança do partido, em 1974, em que foi derrotado pelo mais carismático Isaac Rabin. Após a demissão de Isaac Rabin, três anos mais tarde, devido a um escândalo político, Peres foi por um breve período de tempo, primeiro-ministro em exercício, cargo que deixaria ao sair perdedor das eleições de 1977 diante do conservador Menahem Begin. Nas duas décadas seguintes, continuou na liderança do Partido Trabalhista e as suas tentativas para chegar ao Governo (em 1981, 1984, 1988 e 1990) foram infrutíferas. Isto apesar de ter sido primeiro-ministro entre 1984 e 1986 no âmbito de um acordo de rotatividade com Isaac Shamir (Likud).

Contra a recusa de Isaac Shamir, Shimon Peres lançou durante aqueles anos uma campanha de contactos com líderes árabes e abriu um canal de comunicação informal com figuras palestinianas. Uma manobra política em falso -- fez cair um governo confiando no apoio de partidos ultraortodoxos que depois o negaram --, a par com a rivalidade que mantinha com Rabin e a crescente influência de este levaram-no a voltar a perder a liderança trabalhista em 1992, começando-se a criar a sua fama em Israel de "eterno perdedor".

Rabin, o seu rival más acérrimo, nomeou-o nesse mesmo ano ministro dos Negócios Estrangeiros, o que daria lugar a um período de cooperação fora do comum entre ambos e que abriu caminho aos acordos de Oslo, assinados com os palestinianos em 1990, que os levaria a partilhar o Nobel da Paz, a par com o ex-presidente palestiniano Yaser Arafat.

Peres investiu o dinheiro do prêmio na criação do Centro Peres para a Paz, para promover a coexistência entre árabes e judeus. Depois do assassínio de Rabin, em 1995, voltou a assumir a chefia do Governo até ser derrotado por Benjamin Netanyahu em maio de 1996, deixando depois o partido nas mãos do general retirado Ehud Barak. Falhou a presidência em 2000, quando perdeu para o então quase desconhecido Moshe Katsav, mas alcançou-a finalmente em 2007.

Como chefe de Estado, cargo que abandonou em 2014, aos 91 anos, viveu a sua época dourada, em que rivais e aliados lhe reconhecem méritos, ganhando o mais elevado reconhecimento da cidadania israelita. Em sete décadas de carreira, foi primeiro-ministro por duas vezes, ministro em 16 governos, deputado durante 48 anos e chefe de Estado ao longo de sete.

Frases de Shimon Peres em entrevistas à Revista Veja

Confira integra, clicando aqui (Entrevista em 1991) e clicando aqui (Entrevista em 2001)
(Talvez seja obrigatório cadastro para acessar o arquivo digital da Revista: é rápido, fácil e gratuito)




“A OLP é o maior problema dos palestinos, é o obstáculo para a paz com Israel. Não é uma entidade séria. Promete e não cumpre”

“Apenas a força militar não é suficiente para frear as ameaças à segurança de Israel”

“O futuro de Israel não está na faixa de Gaza, mas no Oriente Médio como um todo, em sua convivência com os vizinhos”

“Ao acenarem na direção de Saddam Hussein, os palestinos erraram – e muito. Saddam perderá a guerra, isso é evidente, e o povo palestino também será listado entre os derrotados”

“Os tiranos devem ser liquidados”

“Com ou sem intifada, precisamos resolver o problema palestino de forma política”

“Não há alternativa (à paz com os palestinos)”



“Israel sempre foi um drama. É mais um drama do que um país”

“O problema é que a direita ocupou terras em excesso de nossos vizinhos, criando um mapa impossível de ser mantido na prática. Já a esquerda, para agradar à maioria, fez concessões demais”

“Ainda acho a paz possível”

“O vai-e-vem rápido do noticiário da televisão não ajuda a entender situações complexas como a do Oriente Médio”

“Não gosto da neutralidade, ela é uma forma de escape. Temos de fazer escolhas. E eu fiz a minha”

“O dia é dos visionários. A noite, dos sonhadores”

“Vejo soluções nas formas de coexistência entre os dois povos, mas não necessariamente coabitando no mesmo vilarejo”

“Da mesma forma que é capaz de grandes decisões, Arafat toma decisões erradas”

“Grande parte do Oriente Médio continua desconectada do resto do mundo, vivendo no passado. São lugares com ódios, nacionalismo exagerado e subdesenvolvimento econômico.”

“Quem teme a morte nunca aproveita a vida”

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Por CAntonio 9/28/2016 05:27:00 AM

| segunda-feira, setembro 26, 2016






por Luis Dufaur (*)


O cristianismo é promovido apenas enquanto instrumento domínio político


O historiador francês Philippe Fabry registrou em seu blog uma estranha contradição em seu país. Políticos e jornalistas que oscilam entre os partidos de direita passaram repentinamente a ecoar uma imagem que parece ter sido mandada fazer pelo Kremlin.

Entre eles, cita o político e ensaísta Yvan Blot, que passou a defender que o regime de Putin é o guardião dos valores tradicionais do cristianismo e da família, e que a “nova Rússia” seria uma espécie de baluarte no qual o Ocidente deve se apoiar para não afundar na decadência.

Fabry relembra então alguns dados de conhecimento geral que são omitidos por essa visualização:

— a “nova Rússia” pseudo-cristã, cuja população é mais do que o dobro da francesa, aborta proporcionalmente duas vezes mais crianças (800 mil por ano) do que a França laicista (200 mil).

— a “nova Rússia” é o primeiro consumidor mundial de heroína. Embora esse extenso país represente apenas 2% da população mundial, consome 21% da produção planetária dessa droga pesada. Trata-se de uma herança recebida por Putin, mas não se tem notícia de que ele aja eficazmente para extirpar o vício que devora a nação.

— o desmantalamento da família está provocando uma catástrofe demográfica: a população russa – mais de 140 milhões – ruma para 80 milhões de habitantes por volta de 2050, segundo as projeções.

— os índices econômicos da Rússia de Putin neste século, após um momento episódico de euforia pela alta do petróleo, afundam hoje assustadoramente. A Providência dotou a Rússia de insondáveis recursos materiais. No entanto, o problema é o coletivismo soviético, que continua de pé. E sobre essa estrutura socialista reina a nomenklatura da “nova Rússia”, uma das mais corruptas do mundo.

Costumes cristãos estão sendo achincalhados com objetivos políticos.


Por que essas figuras da direita francesa, tão dignas de respeito, caíram no conto de uma propaganda povoada de fantasmas tão contrários à realidade?

A pergunta de Fabry suscitou comentários. Sobre a calamitosa situação moral da Rússia, Robert Marchenoir observou que

“de fato, a Igreja ortodoxa russa é na prática uma dependência do FSB (ex-KGB), que professa uma concepção da religião próxima à do Islã e oposta ao catolicismo e ao protestantismo; é uma correia de transmissão fanática e supersticiosa do poder político (...). A causa não é uma influência do Islã, mas está ligada ao cisma bizantino, (...) à irracionalidade russa, e ao papel do clero ortodoxo na história da Rússia”.


Outro comentarista acrescentou que a

“Igreja Ortodoxa Russa não tem mais nada a ver com o cristianismo, é uma religião consagrada ao culto do Estado russo. O próprio Kirill [patriarca de Moscou] declarava nos anos 90 que sua igreja tinha necessidade de se reformar para se separar da KGB, mas depois mudou de opinião”.


Essas afirmações sobre o Patriarcado de Moscou ajudam a compreender a descristianização geral no interior da Rússia, mas não chegam a explicar por que políticos de direita no Ocidente vejam na “nova Rússia” um modelo de cristianismo.

A irrigação desses setores direitistas com dinheiro russo, com quantias por vezes milionárias, é uma das explicações comumente apontadas.

As máquinas de financiamento que funcionam no Ocidente em geral visam marginalizar as direitas, suas organizações, seus intelectuais e representantes. Compreende-se que, em decorrência disso, se sentindo objetivamente injustiçadas e aparecendo uma sedutora proposta, possam ter caído.

O exemplo mais citado é o empréstimo de 9 milhões de euros, feito em 2014 ao Front National francês por um banco russo de estrita observância à vontade de Putin.


Culto da personalidade de Putin reedita o culto a Stalin,
instrumentalizando e desvirtuando o cristianismo.


Mas Cécile Vaissié, professora de estudos russos e soviéticos da Universidade Rennes 2, em seu extenso livro Les réseaux du Kremlin en France, publicado em 2016, apresenta uma interpretação mais complexa e rica.

De fato, a Rússia consagra anualmente 3,5 bilhões de euros para a sua propaganda. E, ao fazê-lo, segundo a professora, “o Kremlin utiliza os velhos métodos da KGB: prefere promover sua imagem internacional, ao mesmo tempo em que reprime a população russa”.

O Kremlin visa expandir as “igrejas ortodoxas” de acordo com um projeto em nada religioso, mas completamente político.

“Tudo o que está ligado à igreja ortodoxa russa (mais conhecida como ‘Patriarcado de Moscou’) é político.

“Na chefia dessa igreja se encontram dignitários que trabalharam para a KGB na época soviética”, explica.


Hoje, acrescenta a professora, Putin se serve dela. Na Rússia, a ortodoxia é uma ideologia de estado, antidemocrática e antiocidental.

A partir dos anos 1920 a diáspora russa rompeu com o Patriarcado de Moscou, porque este dependia do Kremlin, o senhor temporal comunista ou nostálgico do comunismo que define os princípios pastorais e religiosos, bem como a nomeação dos clérigos.

O Patriarcado de Moscou foi criado em 1589 pelo czar da Rússia, que queria um apoio religioso para expandir seu império até o Mediterrâneo.

Dito Patriarcado foi suprimido pelo czar Pedro o Grande em 1721, e reconstituído em 1917 após a Revolução Comunista de Lênin.

Desde então ele vem servindo ao ditador marxista de turno que o fechou em 1925. Stalin o restaurou em 1943, após os bispos “ortodoxos” jurarem fidelidade absoluta ao regime e aos interesses soviéticos.

Segundo explicou a professora Vaissié ao Médiapart, o resultado é que a propaganda russa montou no Ocidente uma imagem “que não tem nada a ver com a Rússia real".

“Esse falso imaginário faz crer que a Rússia seria a ‘Santa Rússia’ de outrora, que defende as tradições familiares e cristãs.

“Essas tradições familiares foram imensamente destruídas na Rússia, elas são muito mais vivas na França. O cristianismo foi enormemente destruído na Rússia” – completou.


Prof.a Cécile Vaissié: as redes do Kremlin na França:




(*)Luis Dufaur é escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO e webmaster de diversos blogs.

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Por CAntonio 9/26/2016 06:17:00 PM

| sábado, setembro 24, 2016










E já que até hoje nada mudou, repetimos a matéria de novembro de 2014

Capítulo 1
O PSDB entrou a última quinta-feira (30 de outubro de 2014) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de auditoria a fim de que se verifique a "lisura" da eleição presidencial.

Na solicitação apresentada pelo coordenador jurídico da campanha do candidato derrotado Aécio Neves, deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), o partido sugere a criação de uma comissão com representantes do tribunal e de partidos para verificar o sistema que apura e faz a contagem dos votos.

O texto protocolado diz que a confiabilidade da apuração e a infalibilidade da urna eletrônica têm sido questionadas pela população nas redes sociais.


Capítulo 2
O pedido ao TSE, encontra-se disponível no link a seguir:


Capitulo 3

Os Erros e a Inconsequência do PSDB

Na petição ao TSE prestem atenção ao que segue:


..Nas redes sociais os cidadãos brasileiros vêm expressando, de 

forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos 
e a infalibilidade da urna eletrônica, baseando-se em denúncias das mais variadas 
ordens, que se multiplicaram após o encerramento do processo de votação, 
colocando em dúvida desde o processo de votação até a totalização do resultado.
O aguardo do encerramento da votação no Estado do Acre, 
com uma diferença de três horas para os Estados que acompanham o horário de 
Brasília, enquanto já se procedia a apuração nas demais unidades da federação, 
com a revelação, às 20h00 do dia 26 de outubro, de um resultado já definido e 
com pequena margem de diferença são elementos que acabaram por fomentar,
ainda mais, as desconfianças que imperam no seio da sociedade brasileira.


O PSDB deixa claro que quem duvida do sistema eleitoral brasileiro  é o cidadão e não propriamente o partido.


Capitulo 4

Porque então o cidadão brasileiro desconfia desse sistema?


Desde a eleição de 2006 a suspeita de Fraude nas Urnas Eletrônicas acompanha boa parte dos cidadãos e vem crescendo ao longo dos anos. Essa suspeita fica mais clara pesquisando-se no Google e encontrando-se centenas (milhares de compartilhamentos) de resultados envolvendo basicamente o engenheiro Amilcar Brunazo Filho e mais recentemente o também engenheiro e professor no Instituto de Computação da UNICAMP e especialista em Segurança Digital e Votação Eletrônica, Diego Aranha; que pode ser visto na entrevista a Danilo Gentili:



Capítulo 5

Seremos enganados novamente? O PSDB ajudará a passar recibo de honestidade a um sistema absolutamente vulnerável?

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral negou nesta terça-feira (4) um pedido do PSDB para formar uma comissão de representantes de partidos para realizar uma auditoria nos sistemas de votação e totalização do resultado das eleições de 2014.

A corte, no entanto, liberou o fornecimento de dados e acesso a programas e arquivos eletrônicos usados no processo. Com as informações em mãos, o PSDB poderá fazer sua própria auditoria ou mesmo contratar uma verificação independente.(G1)

A resposta é sim e sim se o PSDB não se municiar de todos os mecanismos já existentes, de todas as descobertas já feitas e que podem ser vistas nos artigos a seguir:

Capítulo 6

Fraude Anunciada 4 dias antes das eleições?

Sim, pode-se chamar de fraude anunciada o documento de um partido de esquerda da Guatemala, o Alternativa Nueva Nación - ANN (perfil no Facebook), publicado não só no Facebook (aqui), mas também no site do Petê (aqui). Essa congratulação não esconde nem que o documento foi emitido em 22 de outubro de 2014, portanto 4 dias antes do segundo turno e muito menos a diferença de votos entre a presidentE e Aécio Neves. Mas é claro que todos esses links podem sumir da Internet num piscar de olhos (Nem sei porque não o fizeram ainda) e portanto printamos as páginas de cada link.







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Por CAntonio 9/24/2016 07:49:00 AM

| quinta-feira, setembro 22, 2016









6 FATOS QUE SEU PROFESSOR ESQUERDISTA NÃO TE CONTOU.


1. O comunismo falhou miseravelmente
Estima-se que os regimes comunistas ao longo do século XX tenham matado pelo menos 100 milhões de pessoas em todo mundo. Alguns podem até contestar esse número, mas precisam admitir que é impossível esconder tantas mortes varrendo tudo pra debaixo do tapete. Crimes de tamanhas proporções deixam rastros visíveis demais para serem ignorados.

Este número inclui não só as pessoas que foram mortas pela repressão típica destes regimes totalitários mas também em consequência de suas políticas econômicas desastrosas, tais como os confiscos que resultaram na fome russa de 1921 e no Holodomor ou a coletivização forçada do campo, implementada por Mao Tse Tung que resultou na Grande Fome Chinesa e por sua vez matou cerca de 20 milhões de pessoas.

Alguns regimes foram letais ao extremo. É o caso do Khmer Vermelho no Camboja que conseguiu exterminar nada mais, nada menos que um terço da população do país. 

O pior de tudo é que o comunismo acabou desmoronando em todos estes países e seu modelo teve que ser abandonado. Todas estas pessoas morreram em vão. Em nome de um ideal fracassado. O muro de Berlim caiu. A União Soviética não existe mais e a China mergulha de cabeça no capitalismo.

Mas não só o velho comunismo falhou. Os novos modelos de socialismo parecem fadados ao mesmo destino. O assim chamado "socialismo do século XXI" praticado na vizinha Venezuela dá claros sinais de que não poderá se sustentar por muito tempo. O país, mesmo tendo uma das maiores reservas de petróleo do mundo é assolado hoje por escassez de todo tipo de bem imaginável, de energia elétrica à papel higiênico, passando por frango, leite e outros produtos essenciais. Tem uma das taxas de inflação mais altas do mundo e uma taxa de homicídios também entre as mais altas do mundo.

2. A teoria de Marx foi refutada

Karl Marx construiu toda a sua teoria em cima de uma ideia errada herdada dos economistas clássicos: A teoria do Valor Trabalho. Segundo a teoria do Valor Trabalho, o valor real de uma mercadoria era definido pela quantidade de trabalho investido na sua produção.

Com base nisso, Marx arroga ter descoberto o conceito da Mais Valia que dizia o seguinte: Se a mercadoria vale a quantidade de trabalho investida na sua produção, para que o patrão, que não trabalha diretamente, tenha lucro, ele precisa pagar aos funcionários, um valor menor do que o trabalho que eles investiram na produção da mercadoria. Dessa forma os patrões exploram o proletariado.

Porém Marx estava errado em vários pontos, desde o diagnóstico do problema, até a sua solução. A Teoria do Valor Trabalho foi refutada pela teoria da Utilidade Marginal, desenvolvida simultaneamente por três economistas: Stanley Jevons na Inglaterra, Leon Walras na França e Carl Menger na Áustria. Os três, ao mesmo tempo, em países diferentes e praticamente sem entrar em contato um com o outro, perceberam que o que confere valor a uma mercadoria não é o trabalho, mas a sua utilidade. 
Uma mercadoria que exigiu muito trabalho pra ser produzida não terá nenhum valor se não for útil. Portanto, é a utilidade que as pessoas conferem às mercadorias que determina seu valor. Os custos de produção, entre eles o do trabalho, é que precisa se ajustar aos preços de mercado.

Especula-se que este desmascaramento esteja por trás da atitude de Marx de adiar a publicação dos volumes seguintes da sua obra máxima: O Capital, que só foram publicados após sua morte, por Engels. 

Outros economistas posteriores como Ludwig von Mises e Friedrich A. Hayek dariam mais detalhes sobre a inviabilidade do socialismo, explicando que dessa forma, a única maneira de medir a utilidade de um produto é através do mecanismo de oferta e demanda do livre mercado. 
Se o livre mercado é suprimido, não há o mecanismo de oferta e demanda, se não há livre equilíbrio entre oferta e demanda, a economia se torna um caos. Por isso, abolir o mercado e concentrar as decisões econômicas no estado que tenta calcular o preço das mercadorias com base no trabalho é impossível e tende ao fracasso.


3. As previsões de Marx não se cumpriram até o presente momento


Com base na sua ideia de Mais Valia e de exploração do proletariado, Marx previu que a situação dos trabalhadores iria se deteriorar cada vez mais. Como, segundo Marx, para garantir o lucro do patrão, o valor das mercadorias é vendido sempre acima daquilo que os trabalhadores recebem para produzi-las, o custo de vida destes aumentaria cada vez mais.
Isso iria gerar ciclos econômicos e crises frequentes, com cada nova crise sendo pior que a anterior, até que chegaria o momento em que o capitalismo entraria em total colapso, os trabalhadores se revoltariam, fariam uma revolução e implantariam o socialismo.

Só que nada disso aconteceu. Na verdade aconteceu o exato inverso.

O capitalismo é marcado por crises constantes sim, mas ele sai mais forte de cada uma delas.
A Grande Depressão foi com certeza a maior de todas as crises do capitalismo, mas isso já foi há mais de 80 anos. O capitalismo jamais passou por outra crise semelhante. Desde então é inegável que a qualidade de vida e a economia prosperaram enormemente nos países capitalistas.
Ao contrário do que Marx previra, a qualidade de vida das classes menos favorecidas aumentou e a pobreza extrema está sendo reduzida gradualmente em todo mundo. 

Para entender a velocidade desse progresso considere as Metas do Milênio apresentadas em 2000 pela ONU. O objetivo era reduzir pela metade o número de pessoas vivendo com 1 dólar por dia até 2015. Essa meta foi atingida cinco anos mais cedo.


4. A maioria dos países mais pobres do mundo tiveram regimes de inspiração socialista por longos anos.



Você já deve ter ouvido falar que a culpa pela fome e pela miséria no mundo é do capitalismo.
Mas o que seu professor esquerdista não te contou é que o socialismo já foi e continua sendo, uma força extremamente influente no mundo. As idéias socialistas não vão contra o Status Quo, ela é parte do Status Quo. Ela é a parte ruim dele diga-se de passagem.

Muitos países que você imagina serem vitimas do capitalismo já tiveram regimes de inspiração socialista. Só no continente africano: Angola, Moçambique, Benin, República do Congo, Etiópia e Somália tiveram suas economias destruídas por regimes comunistas que duraram vários anos e quase todos continuaram tendo economias bastante controladas pelo estado mesmo depois disso.

Seu professor esquerdista também deve ter falado pouco sobre regimes de inspiração socialista na Líbia e no Iêmen. Sobre o partido Baath no Iraque e na Síria. Que países que fizeram parte da União Soviética e que mantiveram um modelo parecido, mesmo com o fim do comunismo, como é o caso do Uzbequistão, tem a maioria da sua população na miséria.

Também não deve ter falado nada sobre como políticas socialistas devastaram o Zimbábue. Nem que a Índia, país que concentra a maioria dos miseráveis do mundo, por quase 40 anos teve uma sucessão de governos populistas, paternalistas, intervencionistas e que se inspiravam na economia soviética. Durante todo este período o país esteve completamente estagnado e só começou a crescer nos anos 90, justamente depois que o governo promoveu amplas reformas liberais, que apesar de tímidas, já conseguiram reduzir drasticamente a miséria no pais.


5. Os países mais liberais estão entre os mais desenvolvidos ou entre os que mais rápido se desenvolvem


Outra coisa que seu professor esquerdista não deve ter te contado, é que todos os países com IDH considerado "muito alto" são, de uma forma ou de outra, capitalistas. Aposto que você não sabia que a Nova Zelândia estava completamente quebrada nos anos 80, mas que depois de uma reforma liberal radical, conseguiu se reerguer e chegar ao posto de 6º melhor IDH do mundo. Que a Alemanha saiu dos destroços da II Guerra Mundial seguindo uma doutrina econômica chamada "ordoliberalismo". Que os Estados Unidos, 3º melhor IDH do mundo, maior economia do mundo e país mais inovador do mundo em número de patentes, tem a liberdade de mercado e a propriedade privada como parte inseparável da sua história, da sua cultura, das suas instituições e da sua própria identidade nacional.

Não deve saber que a carga tributária da Austrália (2º melhor país pra se viver do mundo) é de apenas 33,2% do PIB, que o Canadá foi considerado o 2º melhor país para se fazer negócios pelo Fórum Econômico Mundial, nem que Hong Kong e Singapura (13º e 18º melhores IDHs respectivamente) eram países miseráveis até bem pouco tempo atrás. Conseguiram chegar ao posto em que estão hoje em menos de 30 anos e são justamente, os dois países mais liberais do mundo.


Nem todo país liberal é desenvolvido, mas com certeza todos eles estão no caminho. Um exemplo é o Panamá, o país da América Central que teve o 8º maior crescimento do PIB em 2012 e que está entre os que mais reduziram a pobreza nos últimos anos, ou o Peru, que apesar de ainda ser bastante pobre, também vem conseguindo reduzir drasticamente a pobreza e teve o maior crescimento do PIB da América do Sul em 2012.


Outra coisa que seu professor esquerdista não deve ter te contado, é que todos os países com IDH considerado "muito alto" são, de uma forma ou de outra, capitalistas. Aposto que você não sabia que a Nova Zelândia estava completamente quebrada nos anos 80, mas que depois de uma reforma liberal radical, conseguiu se reerguer e chegar ao posto de 6º melhor IDH do mundo. Que a Alemanha saiu dos destroços da II Guerra Mundial seguindo uma doutrina econômica chamada "ordoliberalismo". Que os Estados Unidos, 3º melhor IDH do mundo, maior economia do mundo e país mais inovador do mundo em número de patentes, tem a liberdade de mercado e a propriedade privada como parte inseparável da sua história, da sua cultura, das suas instituições e da sua própria identidade nacional.

Não deve saber que a carga tributária da Austrália (2º melhor país pra se viver do mundo) é de apenas 33,2% do PIB, que o Canadá foi considerado o 2º melhor país para se fazer negócios pelo Fórum Econômico Mundial, nem que Hong Kong e Singapura (13º e 18º melhores IDHs respectivamente) eram países miseráveis até bem pouco tempo atrás. Conseguiram chegar ao posto em que estão hoje em menos de 30 anos e são justamente, os dois países mais liberais do mundo.


Nem todo país liberal é desenvolvido, mas com certeza todos eles estão no caminho. Um exemplo é o Panamá, o país da América Central que teve o 8º maior crescimento do PIB em 2012 e que está entre os que mais reduziram a pobreza nos últimos anos, ou o Peru, que apesar de ainda ser bastante pobre, também vem conseguindo reduzir drasticamente a pobreza e teve o maior crescimento do PIB da América do Sul em 2012.


6. Distribuição de Renda pode não servir pra nada


Os socialistas dão a entender, através de seu discurso, que a desigualdade é o grande mal do mundo. Para descreditar as políticas liberais, apontam para um "aumento da desigualdade" como se isso fosse sempre um mal e como se igualdade fosse sempre um bem.

São incapazes de perceber que desigualdade não significa pobreza e que igualdade não significa riqueza. Um povo pode ter igualdade, mas serem todos iguais na pobreza. Da mesma forma, outro povo pode, apesar da desigualdade, garantir um nível de vida satisfatório para os mais pobres.

A prova disso é que a desigualdade medida pelo Coeficiente GINI, revela algumas coisas bem interessantes:

- A Etiópia é um dos países mais igualitários do mundo. É inclusive mais igualitária que a média dos países da União Européia. Outro que também está entre os mais igualitários é o Paquistão.
Mas onde é que existe mais pobreza? No Paquistão e na Etiópia ou na União Européia?

- O Timor Leste é mais igualitário que Espanha, Canadá e França

- O Bangladesh, outro país que concentra massas de miseráveis é mais igualitário que Irlanda e Nova Zelândia.

- A Índia é mais igualitária que o Japão.

- O Malawi é mais igualitário que o Reino Unido.


E a lista segue adiante. Os exemplos são inúmeros mas todos eles levam a uma conclusão inequívoca: Igualdade não serve pra porcaria nenhuma.


Fontes:

Ranking de Países por IDH (qualidade de vida)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_%C3%8Dndice_de_Desenvolvimento_Humano

Ranking de Países por Distribuição de Renda (Índice GINI)
https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2172rank.html

Ranking de Países por Índice de Homicídios
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_taxa_de_homic%C3%ADdio_intencional

Países onde é mais fácil fazer negócios:
http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200902031523_RED_77804209

Ranking de Países por tamanho da Carga Tributária
https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2221rank.html

Ranking de Países por crescimento do PIB em 2012
https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2003rank.html

Sobre os governos socialistas na Índia e sua posterior reforma liberal:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_da_%C3%8Dndia

Sobre as reformas liberais na Nova Zelândia:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=692

Países que já foram socialistas:
Angola - http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Popular_de_Angola
Benim - http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Popular_do_Benim
Congo - http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Popular_do_Congo
Etiópia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Democr%C3%A1tica_Popular_da_Eti%C3%B3pia
Moçambique - http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Popular_de_Mo%C3%A7ambique
Somália - http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Democr%C3%A1tica_da_Som%C3%A1lia
Iêmen - http://pt.wikipedia.org/wiki/I%C3%A9men_do_Sul

Sobre o partido socialista Baath que governou Iraque e Síria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Baath

Sobre os 100 milhões de mortos deixados pelo comunismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Livro_Negro_do_Comunismo

Sobre o regime socialista que exterminou um terço da população do Camboja
http://pt.wikipedia.org/wiki/Khmer_vermelho

Sobre a teoria da Utilidade Marginal que refutou as teorias de Marx
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_marginalista

Gráficos mostrando a redução da miséria absoluta em todo o Mundo e quais países foram mais eficientes nisso:
http://povertydata.worldbank.org/poverty/home

Matéria: O Porco Capitalista


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Por CAntonio 9/22/2016 04:45:00 AM

| terça-feira, setembro 20, 2016









por Mario Chainho

Algumas pessoas podem ficar desconsoladas por não ter uma nação como modelo. Mas isto pressupõe uma “mentalidade de escravo”, como diria Aristóteles.




Os intelectuais marxistas são peritos em fazer revisionismo histórico mas parece que muitos conservadores ou “direitistas” estão a tomar-lhe o gosto, dado vislumbrarem alguma necessidade de polirem os seus novos ou velhos ídolos (que até podem ser antagônicos entre si). Este revisionismo é normalmente usado para lavar honras de ideologias, religiões ou países. Mas existe uma diferença. Os revisionistas marxistas não têm pudor em falsificar a História de forma mais ou menos grosseira, abolindo factos e fabricando outros. Já os revisionistas da direita preferem entrar numa toada mais “relativista” com a intenção de diluir culpas. Note-se que não estou a falar de negacionistas do Holocausto ou de outras bestas do gênero mas de uma pretensa nova massa de pessoas que se quer substituir à esquerda dominante mas que se encontra notavelmente perdida por ter demasiada vontade de actuar e pouca de estudar.

A direita emergente parece ter uma certa necessidade de enaltecer alguma nação que sirva de modelo e onde também se depositam algumas esperanças na salvação futura. Neste momento, muitos ainda olham os EUA como um farol do mundo, sobretudo pelos feitos passados, e esperam que os EUA restabeleçam uma nova ordem internacional menos dominada pelo esquerdismo, seja pelo comando de Donald Trump ou por alguma outra figura que venha a aparecer. Outros, demasiado desiludidos pelo declínio ocidental, acham que apenas a Rússia pode defender a cristandade e evitar o seu colapso pelas mãos do modernismo e dos muçulmanos radicais. Futuramente irei discutir se estas pretensões têm alguma razão de ser, mas para já apenas pretendo descrever um processo de branqueamento de culpas, mais ou menos inocente, que decorre acerca destas duas nações. Comecemos pelo caso russo.

É inegável que a atuação da Rússia no séc. XX foi de uma monstruosidade aterradora. Não foram apenas as purgas, o Gulag, as deportações, mas também as anexações de países vizinhos, a infiltração de agentes no mundo inteiro, o financiamento e instrumentalização de movimentos revolucionários e até terroristas no Ocidente, o que se deu nos mais diversos domínios (estatal, jornalístico e até religioso). Não é um grande currículo para quem quer fazer da Rússia uma espécie de salvadora do mundo, pelo que alguns acham que encontraram uma saída airosa: Os “erros da Rússia” não são mais do que a consequência daquilo que o Ocidente exportou para lá. Ou seja, os russos foram contaminados pela Revolução Francesa, pelo marxismo de origem germânica, e as potências ocidentais até financiaram os bolcheviques em certos momentos-chave, e a consequência disto tudo foram os erros da Rússia que acabaram por se espalhar pelo mundo.

Aparentemente não existe aqui nenhum revisionismo, porque os factos não são negados e, ainda por cima, até são contextualizados. Acontece que isto não é posto como uma reflexão de alto nível, que tenta fazer sobressair as causas profundas ou propiciadoras dos eventos, mas é apresentado quase como se fosse uma explicação mecânica de causa-efeito. Assim, até parece que os russos estavam em paz nos seu canto mas, de repente, foram infectados por um vírus vindo do Ocidente e desenvolveram uma patologia que depois voltou-se contra os locais de onde o “vírus” tinha vindo.

Se a coisa tivesse sido assim tão linear, era logo caso para perguntar se faz faz algum sentido depositar hoje tantas esperanças na Rússia, dado que eles no passado teriam sido uma meras vítimas inermes. Quem garante que no futuro eles não vão ser manobrados por chineses os pelos proponentes do Grande Califado? Assim, a justificação vai contra a imagem de força e de liderança que alguns querem transmitir acerca da Rússia. Uma pergunta mais básica consiste em saber se temos alguma prova ou até indício de que a Rússia já deixou de espalhar os seus erros e passou a uma fase “redentora” da humanidade. Talvez alguns achem que a ideia de Aleksandr Dugin de levar a “grande guerra dos continentes” para a sua derradeira fase já faça parte desta redenção.

Em segundo lugar, existe um elemento de fraude quando se alega que certas ideias ocidentais penetraram na Rússia e a corromperam. As ideias não são como exércitos em movimento que forçam a sua passagem e impõem a sua vontade aos vencidos. Além do mais, no séc. XIX a difusão de livros, notícias, assim como a movimentação de pessoas não ocorria com a velocidade e facilidade que existe hoje. Aquelas elites revolucionárias russas que vemos retratadas por Dostoievsky na realidade não recebiam uma influência de forma passiva mas buscavam ativamente imbuir-se de certas ideias. Não era inevitável que fossem buscar do Ocidente apenas a influência socialista e a da Revolução Francesa. Podiam ter também olhado para Edmund Burke, para Benjamin Disraeli, para as revoluções americana e industrial, para o liberalismo econômico, até para o próprio Aristóteles, que via as suas obras terem uma edição de referência, para a neo-escolástica, para Schelling, para a filosofia do espírito dos franceses e assim por diante.

Em suma: se os russos deixaram se influenciar apenas por aquilo que havia de pior no Ocidente foi porque eles mesmo assim o quiseram, dado serem as únicas coisas para os quais eles tinham apetência. Mesmo o alheamento ou mesmo apoio que potências ocidentais deram à Revolução Russa, também verificado em outras etapas da construção da União Soviética, não explica mecanicamente naquilo que esta se tornou. Se ali foi construído um Estado brutal e autoritário foi porque os russos já admiravam essas “qualidades”, e o próprio Aleksandr Dugin de certa forma valida esta ideia. É natural que sociedades assim façam despertar certas personalidade heroicas, mas isso não quer dizer que o povo russo seja heróico. Como acontece com todos os povos, os russo têm uma cota parte de heróis e outra de facínoras, e no meio permanece uma imensa maça daqueles que simplesmente não compreendem o que se passa e simplesmente aceitam tudo porque nem lhes passa pela cabeça que podiam não aceitar.

Com estas colocações podemos analisar a limpeza de culpas dos EUA mais rapidamente. Quando lemos um livro como 'American Betrayal”, de Diana West, ficamos assoberbados com a forma como o país foi dominado durante décadas por agentes soviéticos, e mesmo hoje continua a ser largamente governado desde fora. Assim, podemos ser tentados a concluir, no final, que no fundo a culpa foi da KGB. Mas não, os erros dos EUA são mesmo dos EUA. Na Segunda Guerra Mundial a administração Roosevelt tinha como prioridade máxima o apoio aos soviéticos, o que por diversas vezes prejudicou os britânicos. Também não podemos esquecer que sem a conivência dos norte-americanos os impérios coloniais europeus não tinham caído para mãos comunistas. Existe um sem número de disparates na política externa dos EUA que não podem ser simplesmente jogados para debaixo do tapete.

Acresce que os norte-americanos americanos foram avisados diversas vezes da influência comunista na política americana. O caso do senador Joseph MacCarthy é apenas o mais conhecido, e a própria Diana West assume que corre o papel de ser mais uma Cassandra que não será acreditada por mais verdades que diga. Então, os norte-americanos têm uma tal confiança no seu sistema político que os leva a ter um orgulho psicótico que não recua ante a mais cabal exposição dos factos. Isto chegou a uma extremo inimaginável quando um farsante de quinta categoria como Obama conseguiu se fazer eleger por duas vezes para a presidência.

Existe também toda uma série de erros dos EUA ligados à guerra cultural, seja através da comunicação social, de Hollywood, da industria do espetáculo e assim por diante. Claro que a Escola de Frankfurt teve influência nisso, e a KGB também deu o seu contributo, assim como a ONU. Mas o orgulho quase demoníaco dos americanos no 'free speach' leva-os a acolher todo o tipo de porcarias como isso não tivesse consequências. O problema da liberdade de expressão já tinha sido sinalizado por Platão no diálogo 'Górgias', onde Sócrates não recusa que os sofistas se pronunciem mas também não abdica do seu “direito” de não ouvir. Contudo, num cenário em que os novos sofistas dominam jornais, escolas e a indústria de ficção, o direito de não ouvir reduz-se a quase nada. A liberdade de expressão é um conceito que faz sentido quando pessoas de carne e osso estão umas perante as outras. Mas hoje o cidadão anónimo encontra-se perante uma entidade quase divina e proteiforme – uma hidra com várias cabeças: o herói do cinema, a notícia na TV, a estrela pop e assim por diante – contra o qual ele nada pode e que o domina quase por completo. Em grande parte, temos que atribuir aos EUA este estado de coisas.

O processo de desculpabilização a que me venho referindo só funciona porque não é apresentado como tal, ou suscitaria uma imediata contestação. É um truque de ilusionista que visa desviar as atenções. Por exemplo, quando se aponta um erro à Rússia alguém pode logo dizer que os americanos também fizeram isto e aquilo, e vice-versa. A outra forma de desculpabilização ou revisionismo, que me concentrei aqui, tenta desviar a atenção através de uma espécie de vitimização. Os factos não são negados, mas postos “no contexto”, embora na verdade o que acontece é uma mudança sub-reptícia no enfoque no discurso.

Algumas pessoas podem ficar desconsoladas por não ter uma nação como modelo. Mas isto pressupõe uma “mentalidade de escravo”, como diria Aristóteles, ou seja, uma necessidade imperiosa de ser comandado por alguém. É fácil perceber que quando um povo tem esta necessidade é como se estivesse a dizer que não tem grande razão de existir e que deve ser assimilado pelo seu modelo de referência.




Fonte: Mídia Sem Máscara




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Por CAntonio 9/20/2016 07:50:00 AM

| segunda-feira, setembro 19, 2016











por Thiago Kistenmacher (para o institutoliberal.org.br).







Não é de hoje que conhecemos os perigos de Luiz Inácio Lula da Silva. Seus discursos demagógicos causam aversão e medo em qualquer pessoa que tenha bom senso. Lula tem sua disposição todas as ferramentas que, por sorte, ainda não foram usadas.

Em seu último discuso tratou sua acusação com ironias e chorou de forma dissimulada. Enquanto esteve na presidência da República chamou de “companheiros” os tiranos Hugo Chávez e Fidel Castro, se aproximou de Ahmadinejad e apoiou o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Durante sua fala de defesa, na qual protagonizou um papel que só encanta seus seguidores, disse que se a oposição quiser vencê-lo, terá que fazer isso nas ruas. Qualquer semelhança com o que está acontecendo na Venezuela de seu “companheiro” Maduro não é coincidência. Lula deveria saber que numa democracia a oposição se vence nas urnas, não nas ruas, que geralmente se transformam em campos de batalha. Mas não poderíamos esperar nada diferente de um apreciador de autocracias.

Ademais, não é preciso muita sagacidade para perceber a capacidade de manipulação desse “messias” político – seu choro forçado só comove indivíduos como Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Rui Falcão. Lula rememora Tiradentes numa clara tentativa de ser identificado como o salvador da nação, um herói. E com um discurso teleológico repleto de promessas para um Brasil igualitário, encarna o messianismo político, demonstrando toda sua fé na política, cujos problemas foram discutidos por Michael Oakeshott em “A Política da Fé e a Política do Ceticismo” [ainda sem tradução para o português]. Todo messias político carrega um ditador dentro de si. Além disso, traz consigo uma tropa de indivíduos facilmente manipuláveis que aguardam as ordens do chefe.

De forma muito bem fundamentada, o Ministério Público mostrou que Lula não é só o líder máximo da corrupção, ele também é o coronel de uma horda disposta a tudo. Ele pode ser visto como um ditador acorrentado e acompanhado de grupos que vem assumindo o papel de milícias, no caso a CUT e o MST; ele tem sectários ao seu redor que defenderiam sua inocência mesmo que ele fosse réu confesso, isso considerando desde a militância da base, passando pelos professores acadêmicos e chegando ao governo federal; ele tem um partido transformado em causa máxima da vida de várias pessoas; ele beija a camisa e o símbolo do PT no intuito de cativar seu rebanho, de tornar seus soldados ainda mais aguerridos; ele convoca os militantes e partidários a usarem o vermelho pelas ruas; e com a narrativa do “golpe”, excita sua tropa contra aqueles que ele denomina “inimigos da democracia”.

Pior ainda, Lula não emite uma só palavra de reprovação sobre a violência perpetrada pelos arruaceiros que quebram tudo, gritam e picham “Fora Temer”. Evidente que não o faria, pois se a justiça brasileira tirar suas correntes, ele fará o mesmo. Lula vem demonstrando comportamento semelhante ao de um ditador acorrentado tentando estourar o cadeado. Seu passado sindicalista tem muita semelhança com o fascismo de Mussolini e seu discurso salvacionista esconde uma ameaça real à democracia brasileira.

A única pobreza que Lula combateu foi a sua própria, afinal, hoje ele considera como coitado aquele que ganha R$ 2000,00 e diz ser simples um relógio de R$ 800,00. Até nisso Lula se parece com seus parceiros ditadores que usufruem do bom e do melhor enquanto vociferam contra seus inimigos. Por isso é aconselhável que permaneçamos vigiando os cadeados da justiça e conferindo as correntes que nos mantém seguros deste sujeito que só não se assenhoreou de todas as instituições por falta de oportunidades.

O Brasil tem duas opções: ou mantém Lula acorrentado ou ele é quem nos acorrentará, afinal de contas, Lula, a autointitulada “jararaca” está pronta para dar o bote. Aliás, além de aparente psicopatia, veneno é o que ele tem de sobra.

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Por CAntonio 9/19/2016 06:57:00 AM

| sexta-feira, setembro 16, 2016







por Deirdre McCloskey (Mises Brasil)


Idéias e uma profunda mudança de atitude geraram nosso enriquecimento


O mundo é rico e irá se tornar ainda mais rico. Pare de se preocupar.


Nem todos já estão ricos, é claro. Aproximadamente um bilhão de pessoas no planeta ainda sobrevive com a equivalente a US$ 3 por dia ou menos. No entanto, no ano de 1800, praticamente todas as pessoas sobreviviam com US$ 3 ao dia (em valores de hoje).

O Grande Enriquecimento começou na Holanda do século XVII. No século XVIII, o fenômeno já havia se espalhado para Inglaterra, Escócia e as colônias americanas. Hoje, ele é praticamente universal.

Economistas e historiadores concordam quanto à sua espantosa e surpreendente magnitude: em 2010, a renda média diária de uma grande variedade de países, incluindo Japão, EUA, Botsuana e Brasil, havia crescido de 1.000 a 3.000% em relação aos níveis de 1800. As pessoas deixaram de viver em tendas e cabanas de lama e foram morar em casas de dois andares e apartamentos em condomínios. Saíram de uma realidade marcada por doenças causadas por água suja e infectada e alcançaram uma expectativa de vida de 80 anos. Saíram da ignorância plena para a alfabetização e o conhecimento.

Ainda há quem diga que os ricos se tornaram mais ricos e os pobres, mais pobres. Nada mais errado. A se julgar pelo padrão de conforto básico trazido por itens essenciais, as pessoas mais pobres do planeta foram as que mais ganharam. Em locais como Irlanda, Cingapura, Finlândia e Itália, mesmo as pessoas que são relativamente pobres têm acesso a alimentação adequada, educação, alojamento e cuidados médicos. Seus ancestrais não tinham nada disso. Nem mesmo remotamente.

Desigualdade de riqueza financeira é algo que varia intensamente ao longo do tempo; no entanto, no longo prazo, esta se reduziu. A desigualdade financeira era maior em 1800 e em 1900 do que é hoje,como até mesmo o economista francês Thomas Piketty reconheceu. E quando se toma como base o conforto trazido pelo consumo de itens básicos — que é o padrão mais importante de mensuração —, a desigualdade dentro de um país, e também entre países, caiu quase que continuamente.

[N. do E.: a este respeito, vale repetir um trecho deste artigo:

Diferenças na propriedade de ativos não significam uma igual diferença no padrão de vida, muito embora várias pessoas tenham esse fetiche. Por exemplo, a riqueza de Bill Gates deve ser 100.000 vezes maior do que a minha. Mas será que ele ingere 100.000 vezes mais calorias, proteínas, carboidratos e gordura saturada do que eu? Será que as refeições dele são 100.000 vezes mais saborosas que as minhas? Será que seus filhos são 100.000 vezes mais cultos que os meus? Será que ele pode viajar para a Europa ou para a Ásia 100.000 vezes mais rápido ou mais seguro? Será que ele pode viver 100.000 vezes mais do que eu? 

O capitalismo que gerou essa desigualdade é o mesmo que hoje permite com que boa parte do mundo possa viver com uma qualidade de vida muito melhor que a dos reis de antigamente. Hoje vivemos em condições melhores do que praticamente qualquer pessoa do século XVIII.]

Em todo caso, o problema sempre foi a pobreza, e não a desigualdade em si. O problema não é quantos iates possui a herdeira da L'Oreal Liliane Bettencourt, mas sim se a francesa média possui o suficiente para se alimentar. À época em que se passa a história de "Les Misérables", ela não tinha. Nos últimos 40 anos, estima o Banco Mundial, a proporção da população mundial vivendo com apavorantes US$ 1 ou US$ 2 por dia caiu 50%. 

Paul Collier, economista da Universidade de Oxford, nos exorta a ajudar aquele "1 bilhão de pessoas mais pobres do mundo" entre as mais de 7 bilhões de pessoas que habitam a terra. Claro, esse é nosso dever moral. Mas ele também observa que, 50 anos atrás, de cinco bilhões de pessoas, quatro bilhões (80%) viviam em condições miseráveis. Em 1800, eram 95% de um bilhão.

Podemos melhorar as condições da classe operária. Aumentar a produtividade — o que permite aumentos salariais — por meio de engenhos possibilitados pela criatividade humana é o que sempre funcionou. Em contraste, tomar dos ricos para dar aos pobres é um truque que fornece alívio apenas momentâneo. Por definição, a expropriação é sempre um truque efêmero, sem qualquer efeito benéfico de longo prazo. Já o enriquecimento trazido por aprimoramentos testados e aprovados pelo mercado é algo perene e que pode se perpetuar por séculos. Mais ainda: é o que trará ainda mais conforto em termos de acesso a itens básicos e essenciais a praticamente qualquer pessoa do planeta. 

As causas deste Grande Enriquecimento

Mas o que então gerou este grande enriquecimento iniciado ainda na Holanda do século XVII?

Em termos simplificados, houve uma mudança radical na mentalidade das pessoas. Houve uma mudança na atitude das pessoas em relação ao empreendedorismo, ao sucesso empresarial e à riqueza em geral

Antes de os holandeses, por volta de 1600, ou de os ingleses, por volta de 1700, mudarem o seu modo de pensar, havia honra em apenas duas opções: ser soldado ou ser sacerdote. A honra estava apenas em estar ou no castelo ou na igreja. As pessoas que meramente compravam e revendiam coisas para sobreviver, ou mesmo as que inovavam, eram desprezadas e escarnecidas como trapaceiras pecaminosas.

Um carcereiro, no ano de 1200, rejeitou apelos de misericórdia de um homem rico: "Ora, Mestre Arnaud Teisseire, o senhor chafurdava na opulência! Como poderia não ser um pecador?"

E então algo mudou. Primeiro na Holanda, quando a população se revoltou contra o controle espanhol do país. Depois na Inglaterra, com sua revolução, a qual é considerada a primeira revolução burguesa da história. As revoluções e reformas da Europa, de 1517 a 1789, deram voz a pessoas comuns fora das hierarquias de bispos e aristocratas. As pessoas passaram a admirar empreendedores como Benjamin Franklin, Andrew Carnegie e, atualmente, Bill Gates. A classe média, a burguesia, passou a ser vista como boa e ganhou a autorização para enriquecer.

De certa forma, as pessoas assinaram o 'Tratado da Burguesia', o qual se tornou uma característica dos lugares que hoje são ricos, como a Inglaterra, a Suécia ou Hong Kong: "Deixe-me inovar e ganhar dinheiro no curto prazo como resultado dessa inovação, e eu o tornarei rico no longo prazo".

E foi isso que aconteceu. Começou no século XVIII com o pára-raios de Franklin e a máquina a vapor de James Watt. Isso foi expandido, nos anos 1820 (século XIX), para uma nova invenção: as ferrovias com locomotivas a vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam. Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie. Ambos eram escoceses que viviam nos EUA. 

Tudo se intensificaria ainda mais no restante do século XIX e aceleraria fortemente no início do século XX. Consequentemente, o Ocidente, que durante séculos havia ficado atrás da China e da civilização islâmica, se tornou incrivelmente inovador. As pessoas simplesmente passaram a ver com bons olhos a economia de mercado e a destruição criativa gerada por suas lucrativas e rápidas inovações.

Deu-se dignidade e liberdade à classe média pela primeira vez na história da humanidade e esse foi o resultado: o motor a vapor, o tear têxtil automático, a linha de montagem, a orquestra sinfônica, a ferrovia, a empresa, o abolicionismo, a imprensa a vapor, o papel barato, a alfabetização universal, o aço barato, a placa de vidro barata, a universidade moderna, o jornal moderno, a água limpa, o concreto armado, os direitos das mulheres, a luz elétrica, o elevador, o automóvel, o petróleo, as férias, o plástico, meio milhão de novos livros em inglês por ano, o milho híbrido, a penicilina, o avião, o ar urbano limpo, direitos civis, o transplante cardíaco e o computador.

O resultado foi que, pela primeira vez na história, as pessoas comuns e, especialmente os mais pobres, tiveram sua vida melhorada.

Será que o mundo enriqueceu, como diz a esquerda, por meio da exploração de escravos ou de trabalhadores? Ou por meio do imperialismo? Não. Os números são grandes demais para ser explicados por um roubo de soma zero.

Não foi a exploração dos pobres, nem investimentos, nem instituições já existentes. O que causou o Grande Enriquecimento foi uma mera mudança de mentalidade, uma mera mudança de atitude. Ou, para simplificar, uma mera ideia, a qual o filósofo e economista Adam Smith rotulou de "o plano liberal para a igualdade, a liberdade e a justiça". Em uma palavra, foi o liberalismo. Dê às massas de pessoas comuns igualdade perante a lei e igualdade de dignidade social, e então deixe-as em paz. Faça isso e elas se tornam extraordinariamente criativas e energéticas.

A ideia liberal foi gerada por uma feliz coincidência de acontecimentos no noroeste europeu de 1517 a 1789: a Reforma, a Revolta Holandesa, as revoluções na Inglaterra e na França, e a proliferação da leitura. Estes acontecimentos, conjuntamente, libertaram as pessoas comuns, dentre elas a burguesia e sua livre iniciativa. 

Em termos sucintos, o Tratado da Burguesia é este: primeiramente, deixe-me tentar este ou aquele aprimoramento. Ficarei com os lucros, muito obrigado. Porém, em um segundo ato, estes lucros servirão de chamariz para aqueles importunos concorrentes, os quais irão também entrar no mercado, aumentar a oferta de bens e serviços, pegar parte da minha clientela e, consequentemente, erodir esses meus lucros (como a Uber fez com a indústria de táxi). Já no terceiro ato, após todos os aprimoramentos e melhorias que criei terem se espalhado, eles farão com que você melhore de vida substantivamente e fique rico.

E foi isso o que ocorreu.

Você pode discordar e dizer que idéias são coisas corriqueiras e nada especiais, sendo que, para torná-las realidade, é necessário termos um capital físico e humano adequado, bem como boas instituições. Esta é uma ideia muito popular, principalmente à direita, mas é errada. Sim, é necessário ter capital e instituições para implantar e incorporar as idéias. Mas capital e instituições são causas intermediárias e dependentes, e não a raiz.

A causa básica do enriquecimento foi, e ainda é, a ideia liberal, a qual originou a universidade, a ferrovia, as edificações, a internet e, mais importante de tudo, nossas liberdades. A acumulação de capital é extremamente importante, mas não é a causa precípua do enriquecimento. Qual foi a acumulação de capital que inflamou as mentes de William Lloyd Garrison e Sojourner Truth

Desde Karl Marx, a humanidade criou o hábito de buscar explicações materiais para o progresso humano. Depender exclusivamente do materialismo para explicar o mundo moderno — seja o materialismo histórico da esquerda ou o economicismo da direita — é um erro. Idéias sobre a dignidade humana e a liberdade foram as grandes responsáveis. O mundo moderno surgiu quando se começou a tratar as pessoas com mais respeito, concedendo a elas mais liberdade.

Mudanças econômicas em todo e qualquer período da história dependem — muito mais do que os economistas acreditam — da mentalidade das pessoas. Dependem daquilo em que elas acreditam. Foram idéias e mudanças de atitude o que geraram o nosso enriquecimento.

É claro que nem todas as idéias são doces. Fascismo, racismo, eugenia e nacionalismo são idéias que, recentemente, estão adquirindo um alarmante índice de popularidade. Mas idéias práticas e agradáveis a respeito de tecnologias lucrativas e de instituições libertadoras, bem como a ideia liberal que permitiu que pessoas comuns, pela primeira vez na história, tivessem liberdade para empreender e enriquecer, geraram o Grande Enriquecimento. Por isso é importante inspirar, estimular e encorajar as massas. As elites não precisam desse empurrão, pois já são plenamente inspiradas. Igualdade perante a lei e igualdade de dignidade ainda são a raiz do desenvolvimento econômico e espiritual.

Por fim, a grande ameaça à nossa prosperidade não são as recessões econômicas temporárias, mas sim a adoção de atitudes contrárias ao lucro e ao progresso. Quando o ato de empreender e ganhar dinheiro passa a ser demonizado, e quando a inovação é obstaculizada, perdemos aquilo que Adam Smith rotulou de "o óbvio e simples sistema da liberdade natural". Aceitar e respeitar o capitalismo é uma ideia que funcionou muito bem para as pessoas ao longo dos dois últimos séculos. Sugiro que a aceitação e o respeito devem continuar.

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Por CAntonio 9/16/2016 10:04:00 AM