quarta-feira, julho 26, 2017

Washington Olivetto: “Empoderamento feminino” é clichê de baixo nível intelectual








por Flávio Morgenstern(*).

Washington Olivetto solta pomba de sua sacada após ser libertado do sequestro.



O publicitário Washington Olivetto fala uma verdade sobre o empoderamento feminino: é só uma modinha oca para ser repetida sem inteligência.


Washington Olivetto, um dos maiores publicitários do mundo, que já foi seqüestrado pela guerrilha de extrema-esquerda FARC, ligada ao PT, e alguém que, ao contrário da média das entrevistas do Brasil, sempre consegue nos fazer pensar em algo novo a cada resposta, fez uma bela análise da onda da censura politicamente correta em entrevista à BBC. Falando do “empoderamento feminino”, comentou que é um “clichê constrangedor” do mesmo nível de “beijo no coração”.


Ou seja, “empoderamento feminino” é uma modinha. Uma cantilena a ser repetida roboticamente. Um bordão de publicidade fraca. Um pastiche sem conteúdo para apascentar o vulgo. Um refrão para marcar uma tribo de poucos brios sinápticos. Um slogan de política tosca que aqueles que refletem pouco ruminam e regurgitam sem a menor consciência de quanto são subservientes.

O povo do empoderamento feminino não gostou. A declaração óbvia de Washington Olivetto parece que as deixou sem poder. Nenhuma prova material no mundo poderia ser maior de que Washington Olivetto está certo, já que simplesmente uma única pessoa no mundo deixa de reconhecer que repetir “empoderamento feminino” sirva para alguma coisa, e as repetidoras sentiram-se com menos poder.

A publicidade é uma técnica de comunicação condensada. Washington Olivetto tem como grande brio nesta arte o fato de sempre ter vendido produtos fazendo com que as pessoas pensassem, e não subrepticiamente (como, aliás, é feito com o bordão do “empoderamento feminino”). É o que o próprio Olivetto diz: “Tudo poderia estar na comunicação se tivesse vida inteligente, se fosse feito de forma inteligente.”

Conjugando muitos elementos em pouco conteúdo, como um comercial ou um outdoor, a publicidade, como a poesia, está sujeita a um sem número de interpretações distintas por parte de seu público. Por conta disso, está sempre em diálogo com temas complexos da sociedade. Washington Olivetto conta como já colocou negros em destaque e até mesmo um transexual. Mas sem os clichês constrangedores: “Isso pode ser feito de maneira oportuna ou oportunista, essa é a grande questão.”

Olivetto explica seu pensamento:

  “É a ideia que provoca aquele efeito de ‘como não pensei nisso antes’, (…) é algo que tem a ver com o produto e com seu consumidor”. O que ficar repetindo o refrão do empoderamento feminino tem a ver com o público? Com o Brasil? Com, ehrr, as mulheres de carne e osso, e não as patricinhas que gastam a tarde no Twitter?

Poucos diagnósticos podem ser mais precisos do que o seu para o clima atual da mentalidade, sobretudo diante da censura do politicamente correto:


Nos últimos anos, aconteceram outras coisas, incluindo duas que considero muito ruins: surgiu fortemente a presença do politicamente correto, que muitas vezes é bem-educado, mas é chato; e a detecção do politicamente incorreto, que às vezes é engraçado e mal-educado.

No meio disso, tem um negócio que batizei de politicamente saudável, que são ideias que tenham irreverência, senso de humor, mas respeitem a inteligência das pessoas.


Aos apressados que se impressionam com palavras, sem auscultar-lhes o significado pragmático, Washington Olivetto não vocifera contra o politicamente incorreto, e sim reclama da falta de educação, seja da parte da patrulha, seja da típica população. Que consciência pode haver de cada lado, se o diálogo civilizado – incluindo a publicidade, feita para vender – se dá apenas repetindo-se patrulha ou baixarias sem consciência?

Apesar do que querem os politicamente corretos e o povo do clichê do “empoderamento feminino”, a estrutura da realidade não foi nem arranhada pelo reducionismo que adotaram para explicar a vida concreta, como Washington Olivetto esclarece:


No fundo, muita coisa não mudou. Olha, 99,9% das mulheres no mundo gostariam de namorar com um homem bonito, inteligente, charmoso, rico, simpático, bem humorado e bom de cama. Agora, se um rapaz convidar uma moça para jantar e falar ‘você já reparou como eu sou bonito, rico, charmoso?’, ela vai responder ‘na verdade, você é um babaca’. Se ele, sem dizer nada disso, conseguir passar tudo isso, ela vai se encantar. É exatamente isso que faz a boa publicidade.

Publicidade não vende, cria predisposição de compra. Quem vende é o dono da marca. Para criar predisposição você tem que ser sedutor.


Nada pode explicar mais a idéia de empoderamento feminino do que isso. Ninguém berrando “empoderamento feminino!” por reflexo, para pertencer a um grupinho, está realmente empoderado. Nenhuma patrulha do mundo, megafone numa mão e barbeador na outra, vai dar poder às mulheres, embora elas se sintam dentro de um grupo (um shibboleth enganador).

Por mais que queiram ser grandes mulheres – e, para tal, precisem ser grandes pessoas –, nenhuma patrulhadora pentelha consegue ser alguém admirável dizendo que tem poder. Que busca poder. Que quer uma sociedade de poder melhor distribuído. É uma corda bamba entre a chatice que só deixa a coitada ainda mais revoltada e o comunismo.

Por isso Washington Olivetto fala dos “clichês constrangedores”, e poucos ainda notaram que, afinal, tais clichês são crias da publicidade, que gente que se acha inteligente, “crítica” e “pensando com a própria cabeça” crê que pensou sozinha:


Outra coisa insuportável que a publicidade cria ciclicamente, que a sociedade cria, são clichês constrangedores do tipo “pensar fora da caixa”, “quebrar paradigmas”, “desconstruir”, agora o “empoderamento feminino”. Que são todos primos-irmãos de um baixo nível intelectual, são primos-irmãos do “beijo no seu coração”. A gente tem que fugir desses clichês.

As pessoas ciclicamente saem repetindo essas loucuras. Eu brinco aqui, “se alguém falar em quebrar paradigma, vou jogar pela janela. Deixa o coitado do paradigma lá”

Quando você não tem inteligência, copia pessoas inteligentes. Como o mesmo não pode ser feito com a beleza ou com o carisma (oh, dura e pontiaguda estrutura da realidade…), para se sentirem poderosas, algumas pessoas com baixa capacidade intelectual, sem muitas conquistas e criações na vida e, sobretudo, sem nada em si próprias que seja admirável repetem o clichê, não para serem, mas para se sentirem “poderosas”. Como se alguma mulher empoderada na Via Láctea falasse que é empoderada. Como expõe Washington Olivetto, “empoderamento feminino se pratica, não se prega.”

Vale lembrar o belo dito de Margaret Thatcher, que resume as duas situações: “Ser poderoso é como ser uma dama. Se você precisa dizer que você é, você não é.”


É curioso como a publicidade – e a TV, e as novelas, e a moda, e tudo isto elevado à enésima potência na era de redes sociais e hashtags – faz com que as pessoas repitam inconscientemente alguma coisa, e hoje, para que gente intelectualmente fraca se sinta inteligente, repetem acerebradamente que são poderosas, inteligentes, críticas, bonitas, interessantes, admiráveis. São apenas as chatas que não são nada disso. E se tornam ainda mais ignoradas pela parcela interessante (e na qual se interessam) da humanidade exatamente ao comprar os clichês constrangedores da ideologia.

E a ideologia atual é a de controle absoluto. É a da censura disfarçada de “poder ao povo”. A própria jornalista da BBC (e quem hoje defende mais censura do que jornalistas?) é pega caindo no desejo de submissão:


BBC Brasil – Mas para uma parte das mulheres esse tipo de propaganda seria inaceitável em qualquer meio, porque você está comparando uma mulher a um Porsche.

Olivetto – Mas aí você tem que cancelar a vida. Se partir desses princípios, você cria um mundo totalmente antisséptico. Vai chegar à conclusão dos caras do Fahrenheit 451 (romance de Ray Bradbury), que vale a pena queimar os livros.


A verdade pode nunca ser mais clara do que a mentira, mas a realidade sempre ganha da irrealidade.

Ademais, alguém aí havia notado (“como eu não pensei nisso antes?”, como alertou Washington Olivetto) que falar em empoderamento feminino é a mesma coisa que repetir clichês e bordões como “beijo, me liga” ou “loucura, loucura, loucura”? O funcionamento por desejo mimético é o mesmo. O público-alvo também: a dona-de-casa que repete “não é brinquedo, não” porque viu na novela é a pós-adolescente youtuber do “empoderamento feminino” depois que passa na faculdade. Modinhas.



O maior empoderamento feminino foi terem um clichê feminino para chamar de seu. Não era justo que só homens pudessem virar os tiozões do pavê.

Relembre o sequestro de Washington Olivetto AQUI


(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

Fonte: sensoincomun.org

terça-feira, julho 25, 2017

Presidente Donald Trump – O primeiro semestre







por Filipe G. Martins(*).




O último dia 20 de julho marcou o final dos primeiros seis meses da presidência de Donald Trump, que teve início em 20 de janeiro de 2017, após uma das vitórias eleitorais mais impressionantes da história. Por ser a primeira pessoa a chegar à presidência dos Estados Unidos da América sem nunca ter exercido um cargo eletivo previamente e por ser um bilionário de muito sucesso no mundo dos negócios, além de uma figura polêmica e politicamente incorreta, Donald Trump tem sido observado com especial atenção.
Sua experiência empresarial; seu status de outsider; sua abordagem reformista; seu resgate de princípios como a soberania das nações e a auto-determinação dos povos; e uma série de outras características atípicas para um político contemporâneo; somadas ao fato de ele estar à frente da nação mais poderosa e influente do mundo, o colocam sob o olhar atento de políticos e eleitores do mundo todo, que vêem em seu governo uma demonstração do que se pode esperar de outsiders, de nacionalistas e de outras categorias de políticos que, direta ou indiretamente, se espelham nele.
Por isso mesmo, este assunto demanda um amplo debate e um balanço mais detalhado destes seis primeiros meses, abrangendo os sucessos e as falhas do Governo Donald Trump. No entanto, nem um debate de qualidade nem um balanço preciso poderão ser obtidos sem uma cobertura equilibrada do que está ocorrendo por lá, o que depende da publicação de matérias que apresentem uma perspectiva distinta daquela que tem bombardeado a grande mídia brasileira.
Para contribuir com esse equilíbrio, deixo aqui uma lista das realizações do Governo, oferecendo um contraponto às matérias que estão sendo publicadas, desde o início da semana, por inúmeros veículos de mídia e que, em sua maioria, apresentam uma perspectiva excessivamente negativa da presidência e até tentam avançar a idéia falsa de que nada foi realizado nestes seis meses.
A lista foi organizada de modo temático, tomando como critério as promessas e os objetivos de Donald Trump e de seus eleitores e não os desejos de seus opositores. Ressalto ainda que essa lista foi elaborada sem qualquer pretensão de ser exaustiva e que muitas outras vitórias poderiam ser mencionadas. Ao final dele, sugiro que a confrontem com o que tem sido mostrado na TV, e perguntem a si próprios se gostariam de ter no Brasil um presidente que fizesse pelo nosso país o que Donald Trump está fazendo pelos Estados Unidos da América.




Vitórias políticas e estratégicas

  • Nomeou um excelente juiz para a Suprema Corte;
  • Retirou os EUA do opaco e impermeável TPP;
  • Aprovou 40 projetos de lei, 13 atos de revisão legislativa e 30 ordens executivas para desfazer decisões nocivas e prejudiciais do Governo Obama;
  • Ajudou o Partido Republicano a vencer todas as eleições especiais disputadas até agora – todas eram vistas como termômetros da aprovação de seu trabalho;
  • A credibilidade da grande mídia nunca foi tão baixa;
  • Canais que não fazem nada além de atacá-lo, como a CNN e a MSNBC, estão experimentando as audiências mais baixas que já tiveram em anos;
  • Apesar de uma taxa de aprovação pessoal baixa (shy effect), todas as pesquisas mostram que os americanos estão otimistas com a direção do país e com a economia;
  • Criou uma comissão para identificar, investigar e produzir um relatório sobre fraude eleitoral.


Economia


  • Congelou a criação de regulações governamentais;
  • Eliminou regulações que afetavam a economia;
  • Congelou a contratação de funcionários públicos;
  • Estabeleceu que uma nova regulamentação só pode ser criada se duas anteriores forem eliminadas;
  • Criou um programa para identificar e eliminar regulações desnecessárias no setor agrícola;
  • Anunciou o corte de bilhões de dólares no financiamento da ONU;
  • Reduziu a dívida americana em 100 bilhões;
  • Está realizando uma reforma administrativa da máquina estatal;
  • Está promovendo o corte de gastos administrativos do governo;
  • Tomou providências para realizar uma auditoria dos gastos públicos;
  • Estabeleceu um exemplo ao doar todo o seu salário;
  • A folha de pagamento da Casa Branca de Donald Trump é 5.1 milhões menor do que a da Casa Branca de Obama;
  • O número de pessoas desempregadas é o menor em 16 anos;
  • Alguns estados estão passando pela menor taxa de desemprego da história;
  • O número de pessoas fora do mercado laboral já é menor do que o apresentado dez anos atrás, em junho de 2007;
  • Desde que Trump foi eleito, cerca de 600 mil novos empregos foram criados;
  • O percentual de americanos efetivamente empregados tem se mantido acima dos 60%, um patamar que nunca foi alcançado durante o Governo Obama;
  • Há cerca de 6 milhões de vagas de emprego disponíveis, o maior número da série histórica do Bureau of Labor Statistics;
  • Desde que Trump assumiu o governo, 589 mil pessoas conseguiram empregos em período integral, melhorando suas condições de trabalho;
  • O aumento na demanda por mão-de-obra já está elevando os salários reais dos trabalhadores e diminuindo a dependência de programas governamentais;
  • De fevereiro a abril, a renda familiar média aumentou mil e trezentos dólares, indo de US$58.061,00 a US$59.361,00;
  • O número de pessoas que dependem de benefícios como o seguro desemprego é o menor desde janeiro de 1974;
  • O número de dependentes de programas governamentais como o "food stamps" também tem caído mês a mês;
  • O otimismo dos consumidores já supera os números anteriores à crise de 2008;
  • O Dow Jones Industrial Average, o NASDAQ e o S&P 500 vêm subindo e batendo recorde atrás de recorde;
  • Apresentou um programa de reforma tributária, que realizará uma simplificação e uma diminuição drásticas dos impostos;
  • Os termos do NAFTA e de outros acordos comerciais estão sendo renegociados;
  • Regulações mais rígidas foram criadas para inviabilizar o lobby de ex-funcionários públicos e agentes do governo;
  • Recriou o Conselho Nacional Espacial, ampliou o orçamento da NASA e estabeleceu o objetivo de colocar o homem em Marte até 2030, com a finalidade de facilitar o desenvolvimento de novas tecnologias.


Política externa e segurança nacional


  • Conduziu com maestria e força momentos difíceis como o uso de armas químicas na Síria;
  • Está pressionando a China e a Rússia e criando um ambiente sem precedentes para conter as loucuras da Coréia do Norte;
  • Reverteu as mudanças promovidas pelo Governo Obama que favoreciam a ditadura cubana;
  • Anunciou um cessar-fogo na Síria;
  • Encerrou o programa da CIA que armava os rebeldes sírios (dentre os quais, muitos eram ligados à Al Qaeda e ao próprio ISIS);
  • Concedeu mais autonomia ao Departamento de Defesa, o que resultou no uso da GBU-43B (conhecida como "mãe de todas as bombas) contra um complexo de túneis utilizados pelo ISIS no Afeganistão. O ataque matou pelo menos 100 terroristas, incluindo quatro comandantes importantes, sem qualquer baixa de civis.
  • O ISIS está vivendo o seu pior momento e está próximo de se tornar uma organização meramente simbólica;
  • Impôs uma nova rodada de sanções contra o Irã;
  • Anunciou a expansão de 21 bilhões de dólares no orçamento das Forças Armadas;
  • Está desenvolvendo um programa para ampliar a Marinha americana e o poder bélico dos EUA em geral;
  • Libertou prestadores de serviço humanitário no Egito;
  • Impediu que Sabrina de Sousa, uma agente da CIA, fosse extraditada para a Itália;
  • Conseguiu a libertação de inúmeros prisioneiros civis e militares nos exterior;
  • Segundo o pai de Otto Warmbier, que foi mantido em uma prisão norte-coreana até junho de 2017, se o Obama tivesse se engajado tanto quanto o Trump na negociação o seu filho teria tido um destino melhor;
  • Acordou a venda de recursos energéticos americanos para a Polônia, dando autonomia e independência para o seu maior aliado no Leste Europeu;
  • Tem se aproximado dos países da Iniciativa dos Três Mares para conter o avanço russo sem fortalecer a União Européia;
  • Escolheu, para sua primeira viagem internacional como presidente, um itinerário simbólico que incluía Jerusalém, Riyadh, o Vaticano e Bruxelas;
  • Realizou um dos melhores discursos da história recente em Varsóvia na Polônia, se comprometendo a defender a Civilização Ocidental;
  • Renegociou a compra de 90 caças F-35 da Lockheed Martin, reduzindo 725 milhões de dólares nos custos com que o Governo Obama havia concordado e abrindo o caminho para a economia de bilhões ao longo do programa.

Segurança migratória e das fronteiras


  • Acabou com a política "Catch & Release", leniente e negligente com a imigração ilegal;
  • Reduziu em 73% a travessia ilegal das fronteiras americanas;
  • Aumentou em 38% a prisão de imigrantes ilegais;
  • Aumentou em 40% a deportação de imigrantes ilegais;
  • Ampliou a segurança nas fronteiras e tomou previdências para facilitar o trabalho dos agentes de segurança;
  • Os agentes de controle alfandegário e de imigração realizaram quase 42 mil prisões em 100 dias;
  • Aprovou uma lei que aumenta a punição de criminosos, caso eles já tenham sido deportados previamente;
  • Cortou o envio de fundos para "cidades santuários", que dificultam o combate à imigração ilegal;
  • Aumentou o orçamento da ICE, a agência que exerce função de controle alfandegário e de imigração;
  • Anunciou a ampliação do quadro de agentes da ICE;
  • Colocou uma equipe de engenheiros e especialistas para planejar a construção do MURO, que deve começar em breve.


Combate à infiltração de terroristas


  • Aprovou o banimento temporário do ingresso de pessoas originárias de um grupo de Estados falidos ou que financiam o terrorismo;
  • Reduziu em 50% a recepção de refugiados;
  • Os perseguidos (cristãos e outras minorias) passaram a ter prioridade frente aos perseguidores (terroristas islâmicos) no programa de refugiados;
  • Está tomando providências para estabelecer um programa para vetar o ingresso de extremistas.


Segurança pública


  • Solicitou estudos para encontrar formas de ampliar as penas para crimes violentos;
  • Tornou o Departamento de Justiça um ambiente menos hostil para os policiais e outros agentes de segurança;
  • Facilitou o processo de levantamento de fundos e de orçamento por parte das polícias locais;
  • Aprovou uma lei que facilita e agiliza o auxílio para a família de policias mortos em atividade;
  • Identificou um esquema fraudulento no sistema de saúde envolvendo 412 pessoas e o desvio de 1.3 bilhões de dólares;
  • Enviou agentes federais para auxiliar no combate à epidemia de crimes violentos em Chicago.


Energia

  • Autorizou e estimulou a aceleração dos dutos de Keystone e Dakota;
  • Retirou os EUA do Acordo de Paris, evitando que a economia fosse afetada por uma carga extra de regulações ineficazes;
  • Tomou providências para desregulamentar o setor energético, o que já tem gerado milhares de empregos;
  • Ampliou a área do Alaska que pode ser explorada para a extração de recursos energéticos;
  • Pediu uma reforma do Departamento de Energia para agilizar o processo de aprovação de operações de exploração de gás e petróleo;
  • Eliminou uma lei que impedia a criação de novas operações de extração de petróleo do fundo do mar e solicitou uma revisão de todas as regulações do setor energético;
  • Negociou a ampliação da venda de recursos energéticos para a Polônia e outros países do Leste Europeu.

Questões sociais e educação


  • Cortou o financiamento de organizações que promovem o aborto no exterior;
  • Aprovou medidas que asseguram e ampliam as liberdades religiosas;
  • Anunciou o fim da intervenção federal na educação de crianças de até 12 anos;
  • Reverteu a lei que permitia que os estudantes de escolas públicas utilizassem o banheiro destinado a pessoas do sexo oposto;
  • Eliminou regulações para facilitar o ingresso de jovens em programas de aprendizado e treinamento profissional, bem como de ensino vocacional;
  • Solicitou que sua Secretária de Educação combata ativamente o Common Core e crie um programa para devolver o controle das políticas de educação para os estados;
  • Tem dado todo o auxílio (fundos e especialistas) para resolver os problemas ligados à contaminação da água na cidade de Flint, no Michigan.


Atos Simbólicos

  • Foi o primeiro presidente, desde Ronald Reagan, a discursar na convenção anual da NRA, a Associação Nacional de Rifles, maior responsável pela manutenção do direito de portar armas nos EUA e no mundo;
  • Mike Pence, seu vice, foi designado para fazer um discurso na Marcha Anual pela Vida, se tornando o primeiro vice-presidente da história a participar do evento;
  • Trump também designou sua conselheira Kellyanne Conway para falar no evento e explicitar o apoio do presidente aos movimentos pró-vida;
  • Em vez de realizar o seu primeiro discurso de formatura na Universidade de Notre Dame, como todos os presidentes, Trump fez seu primeiro discurso numa universidade conservadora, a Christian Liberty University. No discurso, ele lembrou que "na América, não adoramos o governo, nós adoramos Deus e Deus somente";
  • A Casa Branca criou um grupo diário de oração e um grupo semanal de estudos bíblicos;
  • Em vez de comemorar o centésimo dia de seu governo no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, o presidente optou por ir para Pensilvânia se reunir com os seus apoiadores. Isso fez dele o primeiro presidente, desde o Reagan, a não participar do jantar;
  • No mesmo dia, uma pesquisa do Morning Consult descobriu que 37% dos americanos confiavam mais na Casa Branca do que na mídia enquanto 29% confiavam mais na mídia do que na Casa Branca;
  • No dia de sua posse, anunciou a criação do Dia Nacional do Patriotismo;
  • Ainda em seu primeiro dia de governo, ele retornou o busto do Primeiro Ministro britânico Winston Churchill ao Salão Oval, de onde o Obama havia o removido. Ele também aceitou a oferta do Reino Unido de emprestar outro busto de Churchill para a Casa Branca.
  • Em junho, o Homeland Security anunciou o corte do financiamento para inúmeras organizações islâmicas que recebiam fundos do Governo Obama.
  • O Departamento de Justiça abriu um processo contra dois médicos e uma terceira pessoa por realizarem mutilação genital no território americano, a primeira demonstração de executar a lei que proíbe esse ato desde que ela foi criada em 1996.Apesar do que tenta dizer a grande e velha mídia, na realidade é bem difícil apontar quais seriam os deméritos do primeiro semestre de Donald Trump como homem mais poderoso do mundo.

(*)Filipe G. Martins -Professor de Política Internacional e analista político, é especialista em forecasting, análise de riscos e segurança internacional.
Fonte: sensoincomum.org

segunda-feira, julho 24, 2017

Perigosas crendices sobre o aborto





por padre Luis Carlos Lodi da Cruz.



Certa vez, um químico deixou acidentalmente que uma solução de ácido clorídrico (HCl) fosse lançada sobre sua pele. Um colega de laboratório pôs-se a pensar o que fazer para socorrer seu amigo que gritava de dor.

Pensou ele: ácidos e bases neutralizam-se mutuamente, produzindo sal e água. Assim, uma solução de ácido clorídrico (HCl) é neutralizada, por exemplo, por uma solução de hidróxido de sódio (NaOH), produzindo cloreto de sódio (NaCl) e água (H2O).

HCl + NaOH ® NaCl + H2O

Levado pelo desejo de neutralizar o efeito do ácido clorídrico, o amigo da vítima aplicou sobre sua pele corroída uma solução de hidróxido de sódio (soda cáustica). Para sua surpresa, o resultado não foi um alívio, mas um agravamento da corrosão, o que fez a vítima sofrer ainda mais.



O aborto “terapêutico”
Da mesma forma, diante do fato de que certas doenças se tornam mais complicadas com a gravidez, há médicos que, à semelhança do químico do exemplo anterior, acreditam que o aborto fará “desengravidar” a paciente, levando-a ao estado anterior à concepção do filho. Segundo Alberto Raul Martinez, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP), em depoimento de 1967,

“deve-se levar em conta que a reação mais comum do médico não afeito à especialidade ginecológica, quando a gravidez ocorre em uma de suas pacientes já afetadas por problema físico ou mental, é a de que a remoção da gestação poderia simplificar a questão.”

Isso, porém, não ocorre. O aborto é uma prática tão selvagem que, além de condenar à morte um inocente, agrava o estado de saúde da gestante enferma.

Sobre este assunto, convém citar a célebre aula inaugural “Por que ainda o aborto terapêutico?” do médico-legal João Batista de Oliveira Costa Júnior para os alunos dos Cursos Jurídicos da Faculdade de Direito da USP de 1965:

Ante os processos atuais [de 1965!] da terapêutica e da assistência pré-natal, o aborto não é o único recurso; pelo contrário, é o pior meio, ou melhor, não é meio algum para se preservar a vida ou a saúde da gestante. Por que invocá-lo, então? Seria o tradicionalismo, a ignorância ou o interesse em atender-se a costumes injustificáveis? Por indicação médica, estou certo, não o é, presentemente. Demonstrem, pois, os legisladores coragem suficiente para fundamentar seus verdadeiros motivos, e não envolvam a Medicina no protecionismo ao crime desejado. Digam, sem subterfúgios, o que os soviéticos, os suecos, os dinamarqueses e outros já disseram. Assumam integralmente a responsabilidade de seus atos [1].

O aborto para “aliviar” os danos do estupro
Também à semelhança do químico que pretendia neutralizar a corrosão do ácido clorídrico despejando hidróxido de sódio na vítima, há quem pense que, se uma gravidez resultou de um estupro, o aborto seria capaz de “desestuprar” a mulher. Depois de um aborto — pensam os doutos, sem qualquer fundamento — a mulher violentada voltaria a seu estado anterior ao estupro. E mais ainda: afirmam gratuitamente que, se a mulher violentada der à luz, a simples visão do bebê perpetuará a lembrança do estupro em sua vida. Leia-se, por exemplo, esta lamentável afirmação de Nélson Hungria:

Nada justifica que se obrigue a mulher estuprada a aceitar uma maternidade odiosa, que dê vida a um ser que lhe recordará perpetuamente o horrível episódio da violência sofrida [2].

Convém lembrar ao célebre jurista que a vida da criança por nascer permanece inviolável apesar da violência praticada por seu pai e sofrida por sua mãe. Ainda que o bebê parecesse repugnante aos olhos da mãe, nada justificaria a sua morte. Em tal caso (suponhamos que ele existisse), a mãe poderia encaminhar seu filho recém-nascido para a adoção, e ele rapidamente encontraria um casal para acolhê-lo [3].

No entanto, os casais que pretendem adotar não devem alimentar esperanças de encontrar bebês disponíveis entre os concebidos em uma violência sexual, pois estes costumam ser os filhos preferidos de suas mães. Explico-me.

Em meu trabalho pró-vida, já conheci muitas vítimas de estupro que engravidaram e deram à luz. Elas são unânimes em dizer que estariam morrendo de remorsos se tivessem abortado. Choram só de pensar que alguma vez cogitaram em abortar seu filho. A convivência com a criança não perpetua a lembrança do estupro, mas serve de um doce remédio para a violência sofrida. Com exceção das gestantes doentes mentais [4], não conheço nenhum caso em que uma vítima de estupro, após dar a luz, não se apaixonasse pela criança.

E mais: se no futuro, a mulher se casa e tem outros filhos, o filho do estupro costuma ser o preferido. Tal fato tem uma explicação simples: as mães se apegam de modo especial aos filhos que lhe deram maior trabalho.

Olha! Se você sofre demais para conseguir uma coisa, é muito mais amor. Porque esse filho é o que mais deu dilema.
(Maria Aparecida, violentada em 1975, referindo-se ao seu filho Renato, fruto da violência).

No início, quando você percebe que está grávida, fica com muita raiva. Mas depois que a criança nasce, você nem se lembra mais do que aconteceu.
(Maria Luciene, violentada em 1995, mãe de Bruna).

Tive tanto trabalho para ter esse neném e agora vou dar para os outros?
(E., adolescente de 12 anos, violentada pelo pai em 1999).

Se, porém, a gestante fizer um aborto, a marca do estupro, longe de se apagar, ficará cristalizada. Em vez de ter diante de si um rosto sorridente de uma criança para lhe servir de remédio, a mulher terá dentro de si a voz da consciência acusando-a de ter matado um filho inocente. Nenhuma vítima de estupro merece tão horrível castigo. Mas é isso o que nosso governo tem oferecido como “tratamento” para a violência sexual…


Notas:
[1] João Batista de O. COSTA JÚNIOR, Por quê, ainda, o abôrto terapêutico? Revista da Faculdade de Direito da USP, 1965, volume IX, p. 326.

[2] HUNGRIA, Nélson. Comentários ao Código Penal. vol. 5, 4.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1958, p. 312.

[3] Quem conhece as filas de adoção dos Juizados da Infância e da Juventude, sabe que os recém-nascidos não ficam muito tempo esperando por pais adotivos.


[4] As doentes mentais não rejeitam o filho. Contudo, não criam laços afetivos com ele, de modo que não se importam que ele seja adotado.

sábado, julho 22, 2017

Informação e desinformação: um dos aspectos da Guerra Híbrida





por Flávio César Montebello Fabri

Bacharel em Direito, Mestre em Ciências de Segurança e
Ordem Pública, Policial Militar (SP)




O DefesaNet têm corretamente não somente alertado mas, principalmente, orientado, a respeito do cenário atual vivido a respeito de Guerra Híbrida. Tema que aparentemente é alusivo (a um leigo) somente como uma atuação militar, vivido por forças singulares, na “terra de ninguém”, mais do que nunca tem sido experimentado pelas forças policiais e pela sociedade civil como um todo, sendo extremamente complexo.



Até pouco tempo atrás, em outubro de 2015, vivenciamos em São Paulo (principalmente na capital), a ocupação de mais de 200 escolas, durante a “reorganização” proposta pelo Estado. Poucos se lembraram do evento ocorrido no Chile em 2006, conhecido como Rebelião dos Pinguins (com documentário disponível no site YouTube), com mais de 600.000 estudantes envolvidos, onde se falava muito do “amadurecimento do movimento estudantil”.

Poucos também leram a obra de Gene Sharp, Da Ditadura à Democracia (ou o documentário “Como Iniciar uma Revolução”), enquanto tentavam olhar um pouco mais atentamente a respeito das grandes manifestações populares que ocorriam, também, em passado recente.

Deixemos um pouco de lado conceitos doutrinários a respeito de Inteligência (que segundo a ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, é o “exercício de ações especializadas para obtenção e análise de dados, produção de conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país”) e Contrainteligência (de uma forma singela, o foco na proteção contra espionagem, por exemplo e produção de conhecimentos, realização de ações voltadas para a proteção de dados, conhecimentos etc.). Passemos a falar sobre a atividade de obtenção de informações e, mais propriamente, da desinformação.




Mas antes que pareça algo extremamente atual ou romântico (como em muitos filmes sobre espiões), gostaria de lembrar que, do ponto de vista histórico, a Sagrada Escritura (Bíblia) é rica em assuntos que ainda hoje parecem surpreendentes. Como a Bíblia é praticamente encontrada em todos os cantões do planeta, não é difícil efetuar consulta.

A não ser em relação aos meios utilizados e a refinamentos táticos, a primeira ação conhecida com típicas características de emprego de Forças Especiais, se encontra no Livro de Juízes, no seu capítulo 7. Gideão deslocou sob a cobertura da noite e do silêncio uma fração extremamente bem treinada para um acampamento adversário, que possuía um contingente muito maior que a força enviada. Tochas escondidas em cântaros (que foram posteriormente arremessados violentamente ao solo, produzindo som alto) ofuscaram e desorientaram os oponentes, que foram posteriormente abatidos.

A vitória de Gideão pouco difere em doutrina, técnica ou tática às operações do LRDG (Long Range Desert Group) britânico na África Saariana ou a equipe SEAL (Sea Air Land - U.S. Navy, sendo que a equipe 6 é denominada como United States Naval Special Warfare Development Group) desdobrada na Operação Arpão de Netuno, no Paquistão, em maio de 2011, que culminou com a morte do terrorista Osama Bin Laden. Também, a Bíblia menciona a importância do levantamento de informações, precedendo uma ação “ostensiva” propriamente dita. No Livro de Números 13: 1-2 (capítulo treze, versículos de um a dois) se lê: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Envia homens que espiem a terra de Canaã...”. Sucessor de Moisés, Josué fez uso de “espias” com a finalidade de angariar informações a respeito da situação em localidades, particularmente Jericó. Lemos em Josué 2:1-5 (capítulo dois, versículos de um a cinco) que: “Então Josué enviou dois espiões dali onde se encontrava o campo israelita em Sitim, para que passassem o rio e se dessem conta secretamente de qual era a situação no outro lado, especialmente em Jericó”.

No versículo 3 que: “São espias...foram mandados pelos chefes israelitas para estudarem a melhor forma de nos atacarem (grifo nosso)”. Em Hebreus 11:31(capítulo onze, versículo trinta e um) lemos: “Pela fé Raabe... acolheu em paz os espias”. 

Ressalto novamente que no comparativo entre ações, que se deve levar em consideração fatores como “quando ocorreu” e “com quais meios disponíveis”. Também me desculpo com aqueles que são conhecedores a respeito de temas bíblicos, por alguma incorreção de minha parte.

Estudar o objetivo, em vários outros pontos, são condições a serem avaliadas pela inteligência, podendo preceder uma ação onde, de uma forma ou de outra, se fará conhecer as reais intenções de um grupo. John Keegan, famoso historiador militar inglês, em sua obra Inteligência na Guerra: conhecendo o inimigo, de Napoleão à Al-Qaeda (Companhia das Letras, 2006), falando sobre a inteligência, cita o pensamento de George Washington de que “A necessidade de obter informações de qualidade é evidente e não precisa ser objeto de debate”. Ainda, Keegan ensina que “a conquista da Gália por César decorreu de seu melhor uso de informações...”.

A arte da observação e dedução também foi sendo desenvolvida com o passar do tempo. As regras de observação mencionavam, inclusive, a análise quando da visualização da poeira e reflexos de luz como indicação de ações de tropas adversárias. Keegan explica que “uma nuvem generalizada de poeira indicava geralmente a presença de saqueadores inimigos...colunas densas e isoladas de pó demonstravam que as hostes estavam em marcha”, tão como, citando o Marechal de Saxe, que “nos dias claros, os reflexos de sol nas baionetas e espadas podia ser interpretado a distâncias de até 1600 metros...se os raios forem perpendiculares, significa que o inimigo avança em nossa direção; quando intermitentes e infrequentes, indicam retirada”.

Pois bem. Não necessariamente nos cenários de Guerra Híbrida, um objetivo (ou grupo envolvido) fica evidente. Da mesma forma, além de obter informações de interesse (e resguardar as mesmas quando necessário), DESINFORMAR também garante resultados quando se fala em mobilização de grupos, formar opiniões, fragilizar instituições, ocultar fatos etc. Aplicativos como o WhatsApp, Telegram, como tantos outros, feitos para facilitar o contato entre pessoas, podem ser utilizados para propagar em curtíssimo espaço de tempo boatos e informações distorcidas causando comoção, sendo que nem todos os usuários, antes de compartilharem algo que receberam, se preocupam em verificar a veracidade ou contexto.

Até que seja esclarecida que a informação recebida não era verídica ou possuía um caráter outro que não o mero esclarecimento a respeito de um fato, a mensagem já produziu seu efeito: DESINFORMAR.

O professor Guy Durandin, em seu livro As Mentiras na Propaganda e na Publicidade (JSN Editora, 1997) já alertava que “quanto ao grau de informação, evidentemente é mais fácil enganar uma população pouco informada do que uma bem informada. Para ilustrar, falaremos apenas de duas situações. Nos regimes totalitários, o governo se esforça para controlar totalmente a informação, ao ponto de se tornar impossível distingui-la da propaganda.

A população, recebendo tudo da mesma fonte, não tem dados para exercer seu espírito crítico, e corre o risco de acreditar em mentiras, ou então, depois de decepções acumuladas, tornar-se totalmente cética”. Na obra, exemplos como Goebbels (um artista da desinformação) e vários outros, são citados. Este livro é de leitura quase obrigatória, principalmente nos dias atuais.

Sobre informar e desinformar vi duas circunstâncias totalmente diversas em relação a uma pessoa próxima: meu filho. Um dia, uma de suas professoras comentou a respeito das vantagens de países democráticos. Citou como exemplo... Cuba (!!!). Meu filho recebeu uma informação brevemente, não ocorreu debate ou pesquisa sobre, sendo que ao chegar em casa comentou estar fascinado com o que foi descrito. Conversamos longamente e foi exposto outro ponto de vista pessoal de minha parte. Deixo a convicção a respeito do tema com ele, desde que pesquise, tenha acesso a mais referências e outros posicionamentos.

Por outro lado, em outro ambiente (Capítulo DeMolay Sagrada Aliança Nº 791 – São Paulo / SP), testemunhei a pesquisa e debate, sem paixões exacerbadas, a respeito de temas atuais. Informações sobre determinado assunto foram expostas, ocorreram perguntas e, de forma salutar, uma conversa entre os jovens. Felizmente cada um deles tinha um posicionamento pessoal, que foi respeitado, celebrando-se as diferenças. Com uma vantagem: cada um deles, mesmo tendo uma opinião própria, teve acesso a mais informações.

Acompanhar o tema Guerra Híbrida, é um assunto mais complexo e de difícil compreensão do que aparenta. Com a velocidade que proporciona a dispersão de informações, é muito fácil, caso não se pesquise, se deixar levar por fatos parciais ou interesses que não são evidentes. Talvez, em outra oportunidade, possamos comentar mais a respeito de desinformação.

sexta-feira, julho 21, 2017

Conservadores VS Libertários

por Marcos Henrique Campos



Conservadores e libertários compartilham a visão de que o livre mercado é o único sistema através do qual uma sociedade pode se desenvolver economicamente em toda a sua potencialidade. Em resumo, que é o único sistema capaz de possibilitar que seus integrantes prosperem materialmente, em diferentes níveis, mas sempre no sentido da elevação progressiva e consistente do padrão médio de vida das populações.

Entretanto, os consensos param por aí. Há um ponto de divergência entre essas duas correntes de pensamento que as tornam inconciliáveis, e que deixa claras as intenções conservadoras dos primeiros (como a própria denominação revela), e revolucionárias dos segundos: conservadores compreendem que a liberdade do mercado deve ser restringida pela ordem social vigente; libertários defendem a liberdade ilimitada de ação dos indivíduos no mercado, sendo imposto somente o limite definido pelo axioma do Princípio da Não Agressão (segundo o qual uma ação somente será passível de punição quando se tratar de uma agressão contra outro indivíduo – agressão essa que pode se dar através do uso da força, ou por meio de fraude). Ou seja, conservadores defendem o livre mercado, enquanto a ação dos indivíduos agindo neste mercado não ultrapassar os limites morais definidos pela ordem social vigente; libertários pretendem subverter esta ordem social, e submetê-la às necessidades e/ou desejos pontuais e arbitrários dos indivíduos, em detrimento da tradição moral, e em nome da liberdade de mercado e, em última instância, de um ideal abstrato, a saber, as “liberdades individuais”.

Como estes posicionamentos antagônicos se traduzem na prática? Conservadores se posicionam contra a legalização do comércio de drogas; libertários a favor. Conservadores se posicionam contra a legalização da prostituição; libertários a favor. Conservadores se posicionam contra a comercialização de órgãos; libertários a favor. Conservadores se posicionam contra a comercialização de crianças; libertários a favor. Os casos nos quais há divergência semelhante são bastante numerosos e diversos.

Os conservadores compreendem que a ordem social, estabelecida pela tradição, fundada em princípios morais submetidos ao teste dos séculos, é a estrutura que possibilita e assegura a existência mesma do livre mercado, e por este motivo há entre os conservadores a preocupação prioritária em preservar tal ordem social. Os conservadores entendem que não há garantia alguma de que uma eventual nova ordem social, artificialmente concebida e implantada pelos libertários, sustentada em uma doutrina sem lastro na tradição moral da sociedade, será capaz de preservar a existência do livre mercado, ou de quaisquer das liberdades individuais duramente conquistadas ao longo dos séculos.

O conservadorismo tem como preceito a ideia de que um conjunto de leis, que é o instrumento através do qual a ação dos indivíduos será limitada, e em última instância regulará o mercado, emerge (e deve sempre emergir) naturalmente do conjunto de princípios morais estabelecido em determinada ordem social, nunca o contrário. O conservador entende que a legislação não é capaz de criar a ordem social, ao menos não uma ordem social próspera e longeva – ou uma ordem social justa para com os seus integrantes.

Libertários, por sua vez, pretendem estabelecer uma nova ordem social, cujo conjunto de regras seria baseado em sua doutrina, que por sua vez se baseia em grande medida no Princípio da Não Agressão. As características dessa nova ordem social, artificialmente concebida, são incertas. Os resultados da engenharia social são imprevisíveis. É possível até que o livre mercado, tão caro para os libertários, torne-se incompatível com essa nova ordem social, e venha a desaparecer, assim como o próprio conceito de “liberdade individual”.

Neste aspecto, o modus operandi de caráter revolucionário dos libertários é tão inconsequente e potencialmente destrutivo quanto o adotado pelos socialistas.

quinta-feira, julho 20, 2017

Partido Liberal Sueco: Incesto e necrofilia devem ser legalizados







por Natan Falbo.




O incesto entre irmãos e necrofilia deve ser legalizado, argumentou a juventude do Partido Liberal Sueco (LUF Stockholm).

Os jovens do partido, em Estocolmo, votaram em uma reunião anual ocorrida em 2016 para uma moção de debates sobre a legalização do incesto e necrofilia.

Solicitando a revogação de várias leis contra o incesto entre irmãos e irmãs com mais de 15 anos de idade, além de permitir que as pessoas “sedeassem” seus corpos para relações sexuais após a morte sem que o haja punição para aquele que pratica o ato.

Cecilia Johnsson, presidente do partido em Estocolmo, disse ao jornal sueco Aftonbladet, que a legislação contra-incesto equivale uma “lei moral”, ou seja, não deveria ter valor constitucional, acrescentando ela complementou: “Estas leis não protegem ninguém agora”.

E continuo: “Eu entendo que [incesto] pode ser considerado incomum e nojento, mas a lei não pode criminalizar o que é nojento”.

O Partido também votou para apoiar a legalização de atos sexuais com cadáveres, desde que a pessoa tenha consentido enquanto ainda estava viva. Uma espécie de acordo necro-nupcial. 

O jornal Independent contatou a Sra. Johnsson para obter uma resposta.

Não é a primeira vez que propostas similares foram levantadas na Europa.

Em 2014, o Conselho Alemão de Ética também pediu o fim da criminalização do incesto entre irmãos, depois de examinar o caso de um homem preso por ter quatro filhos com sua irmã.

O conselho argumentou que o risco de incapacidade em crianças não era suficiente para garantir uma lei que colocasse os casais em “situações trágicas”, e que o incesto descriminalizado não alimentaria a propagação da prática, pois está é “muito rara”.

“A maioria do Conselho Alemão de Ética é de opinião que não é apropriado que uma lei penal preserve um tabu social”, disse em comunicado.

Uma porta-voz do partido CDU de Angela Merkel rejeitou a possibilidade de abolir a punição criminal na época.

Com informações de Independent, (*)Natan Falbo – Conservadores

Fonte:conservadorismodobrasil.com.br

quarta-feira, julho 19, 2017

Da sentença de Moro









por Carlos Andreazza(*).



É aula de reconstrução cronológica, preciosa e precisa em roteirizar o que se passou. A saber, porém, se definitiva também como peça condenatória


A sentença por meio da qual Sergio Moro condenou Lula precisa ser lida pelo brasileiro que quiser entender o país em que vive. Está tudo ali. O texto é obra-prima da interpretação; mas pretende desmontar — tecnicamente — a politização dos processos promovida tanto pela defesa do ex-presidente quanto pelo Ministério Público. Não terá sido tarefa fácil, dada a qualidade da denúncia que recebeu. Significativo é, pois, que o juiz se negue a tratar — explicitamente — de organização criminosa ao mesmo tempo em que a evidencia na costura de delações, testemunhos, documentos e circunstâncias. A sentença é aula de reconstrução cronológica, preciosa e precisa em roteirizar o que se passou. A saber, porém, se definitiva também como peça condenatória.

O ano-chave para se compreender a associação entre Lula e o tríplex é 2009. Ele ainda era presidente da República. Até 15 de setembro, Lula e Marisa haviam pagado 50 de 70 prestações relativas à aquisição de uma unidade simples no então Residencial Mar Cantábrico. O projeto imobiliário era da Bancoop, presidida por João Vaccari Neto, futuro tesoureiro do PT. Menos de um mês depois, em 8 de outubro, a Bancoop transferiria os direitos sobre o empreendimento à OAS — que o renomeou: Condomínio Solaris.

A partir de 27 de outubro de 2009, com prazo de 30 dias, os cooperados da Bancoop teriam de optar entre celebrar novo contrato, doravante com a empreiteira, ou pedir restituição de dinheiro. Lula e Marisa, entretanto, nem se manifestaram a respeito nem voltaram a pagar parcelas. Somente no final de 2015, com a Lava-Jato na rua — Léo Pinheiro, presidente da OAS, fora preso em novembro de 2014 — e a história já pública, formalizariam a desistência. No curso desses seis anos, jamais a construtora ou a cooperativa pressionaram para que se decidissem. No curso desses seis anos, contudo, o apartamento equivalente à unidade a que haviam aderido foi vendido. Apenas um imóvel do Solaris nunca seria posto à venda: o tríplex — que, conforme documentos da empreiteira, estava reservado.

Tragamos Vaccari de volta, elemento cuja ação obscura ilumina o entendimento da negociata pela qual Lula foi condenado; trama em que a propriedade no Guarujá é sobra — franja para agrado pessoal — do complexo corruptivo que sustentou o projeto de poder petista.

A OAS participou do esquema que saqueou a Petrobras durante os governos petistas. Em 2008, segundo relato de Léo Pinheiro, Vaccari o procurou para tratar do pagamento ao PT de 1% sobre o valor do contrato firmado para a construção da refinaria de Abreu e Lima. A operação ocorria — desde o início da gestão de Lula — sob a guarda de uma conta-propina do partido junto à empreiteira.



A transação por meio da qual o condomínio foi transferido à construtora não consistiu simplesmente num bom negócio objetivo para a OAS, mas em concerto que compunha o mutualismo criminoso em que se transformou, sob a administração petista, a relação entre Estado e iniciativa privada no Brasil, cujos expoentes são consultores como Palocci e campeões nacionais como Joesley Batista. Em 2009, quando das tratativas para transmissão do empreendimento, Vaccari contou a Pinheiro que havia uma unidade de Lula no condomínio, sugeriu que seria interessante à empreiteira assumi-lo, sobretudo em função da parceria entre a empresa e o partido, e informou que ao então presidente caberia o tríplex, muito mais caro — e não o imóvel simples pelo qual faltava pagar 20 parcelas.

Veio, no entanto, a já histórica reportagem do GLOBO, publicada em março de 2010, que — antes de existir qualquer investigação judicial — afirmava que o tríplex pertencia a Lula e Marisa. A notícia alarmaria Pinheiro, que procurou Vaccari e Paulo Okamotto. Queria saber sobre como proceder, uma vez que o imóvel ainda estava em nome da OAS. Deveria vendê-lo? Não. A determinação que recebeu foi para que o mantivesse reservado, oculto como patrimônio da construtora. Era ano eleitoral — e Lula trabalhava para eleger Dilma Rousseff. Aliás, sobre a transferência formal do apartamento, Vaccari e Okamotto sempre foram claros ao pedir que permanecesse em nome da empreiteira, com a qual o PT tinha sólida ligação, vínculo de confiança graças ao qual podiam prescindir de título de propriedade.



Só se voltaria a conversar a respeito em 2013, com o ex-presidente já recuperado do câncer. De uma reunião no Instituto Lula, em dezembro, derivariam a visita do casal ao tríplex, no início de 2014, e as obras no imóvel. O mais importante, porém, teria vez em meados daquele ano — novamente eleitoral, o da reeleição de Dilma: Pinheiro enfim acertou com Vaccari que a diferença de preço entre a unidade simples, pela qual se desembolsara apenas parte, e o tríplex, assim como os custos com a reforma do apartamento (e do sítio em Atibaia), seria descontada dos créditos do PT junto à construtora. O tríplex reservado era bem material extraído da conta-propina petista na OAS — traficância de titularidade, portanto, impossível.

Moro desenhou sem papel.

Leia aqui a sentença na íntegra.

(*)Carlos Andreazza é editor de livros

Fonte: oglobo.oglobo.com


segunda-feira, julho 17, 2017

A incessante encenação das mentiras palestinas




por Bassam Tawil



Os enviados Jason Greenblatt e Jared Kushner dos Estados Unidos, que se encontraram nesta semana em Jerusalém e em Ramala com funcionários do alto escalão de Israel e da Autoridade Palestina (AP) com o objetivo de viabilizar a retomada do processo de paz, descobriram o que os enviados anteriores americanos ao Oriente Médio constataram nas últimas duas décadas – que a AP não mudou, não tem como mudar e que não vai mudar.

No encontro em Ramala com o presidente da AP, Mahmoud Abbas, os dois emissários americanos foram informados que os palestinos não aceitarão nada que não seja um estado independente na fronteira pré-1967 tendo como capital Jerusalém Oriental.

Abbas também deixou claro que ele não tem nenhuma intenção de fazer concessões no tocante ao “direito de retorno” na questão dos “refugiados” palestinos. Isso significa que ele quer um estado palestino ao lado de Israel e também quer que Israel seja inundado com milhões de “refugiados” palestinos transformando o país em outro estado palestino.

Na reunião Abbas também reiterou sua exigência que Israel liberte todos os prisioneiros palestinos, incluindo assassinos condenados com as mãos manchadas de sangue judeu, como parte de qualquer acordo de paz. No passado a libertação de terroristas só fez com que aumentasse o terrorismo contra Israel.

De acordo com o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudaineh, o presidente da AP disse a Kushner e a Greenblatt que uma “paz justa e abrangente deveria se basear em todas as resoluções das Nações Unidas (relativas ao conflito árabe-israelense) e à Iniciativa de Paz Árabe (2002)”. Tradução: Israel deve se retirar para as linhas indefensáveis pré-1967 e permitir que facções palestinas armadas se posicionem nas colinas com vista para o aeroporto Ben Gurion e Tel Aviv.

A posição de Abbas reflete com precisão a política da liderança da AP nas duas últimas décadas – política esta normalmente comunicada a todas as administrações americanas, sucessivos governos israelenses e à comunidade internacional.

Há de se reconhecer, Abbas tem sido consistente. Ele nunca mostrou nenhuma disposição em aceitar fazer quaisquer concessões a Israel. Ele jamais perde a oportunidade de reafirmar suas exigências a todos os líderes mundiais e altas autoridades de governo com os quais ele se reúne regularmente.

No entanto, há aqueles na comunidade internacional que ainda acreditam que Abbas ou algum outro líder palestino poderá fazer concessões em troca da paz com Israel.

É inacreditável, mas tanto Kushner quanto Greenblatt, ao que tudo indica, acreditam que possam ter sucesso onde todos deram com os burros n’água.

Os dois enviados americanos, inexperientes, estão trabalhando na ilusão de que persuadirão Abbas e a liderança da AP de desistirem de certas exigências como o “direito de retorno”, a libertação de terroristas presos e a cessação da construção em assentamentos.

O porquê dos enviados do presidente Trump estarem criando a impressão perigosamente ilusória segundo a qual é possível alcançar a paz com a atual liderança da AP é simplesmente um mistério.

Criar uma expectativa dessas é como dar um tiro no pé juntamente com uma vingança, quanto mais alta a expectativa, maior a decepção. Dar aos palestinos a sensação de que a administração Trump possui uma varinha mágica para resolver o conflito israelense-palestino acabará aumentando o ódio e a hostilidade dos palestinos em relação aos americanos e a Israel. Quando os palestinos acordarem para o fato de que o governo Trump não colocará Israel de joelhos, eles irão retomar seus ataques retóricos contra Washington, acusando o governo americano mais uma vez de ser “tendencioso” a favor de Israel.

Foi exatamente esta a sorte das administrações e dos presidentes anteriores dos EUA que decepcionaram os palestinos ao não imporem os ditames a Israel. Os palestinos ainda sonham com o dia em que os EUA ou qualquer outra superpotência force Israel a aceitar todas as suas exigências.

Quando Israel não concorda em aceitar a lista de exigências, os palestinos acusam o país de “destruir” o processo de paz.

Pior do que isso, os palestinos usarão esta acusação como desculpa para redobrar seus ataques terroristas contra os israelenses. A reivindicação palestina, como sempre, será a de que eles estão sendo forçados a recorrer ao terrorismo em face do fracasso de mais um processo de paz patrocinado pelos EUA.

A administração Trump está cometendo um erro colossal ao pensar que Abbas ou qualquer um de seus colegas da Autoridade Palestina têm condições de mostrar alguma flexibilidade em relação a Israel, particularmente em relação a Jerusalém, assentamentos e o “direito de retorno”.

Não há dúvida que Abbas não tem condições de mostrar aos enviados americanos que ele não foi incumbido pelo seu povo para dar um passo na direção da paz com Israel. Abbas sabe, mesmo que os representantes americanos não saibam, que um movimento nessa direção acabaria com sua carreira e possivelmente com a sua vida.

Abbas também não quer entrar para a história palestina como o líder traidor que “se vendeu aos judeus”.

Não obstante as melhores intenções dos enviados americanos e de outros da comunidade internacional, Abbas está cansado de saber a sorte de qualquer líder palestino que considere “colaborar” com a “entidade sionista”.

Abbas, cujo mandato terminou em 2009, é visto como um presidente ilegítimo por inúmeros palestinos, sequer está em condições de oferecer a Israel concessões para fechar um acordo de paz. Para começar, mais tarde poderá surgir alguém e dizer, com toda razão, que como Abbas excedeu seu mandato legítimo no cargo, qualquer acordo feito por ele é ilegal e ilegítimo.

Abbas também não tem condições de conter o incitamento contra Israel, ele não tem como impedir os pagamentos aos assassinos condenados e às suas famílias e também não tem como aceitar a soberania judaica sobre o Muro das Lamentações em Jerusalém.

Ainda que certos assessores, vez ou outra, apareçam com declarações sugerindo que a liderança da AP estaria disposta a considerar algumas concessões em relação a essas questões, tais observações não devem ser levadas a sério: elas são destinadas apenas e tão somente aos países ocidentais.

A assertiva da AP é que ela já fez concessões suficientes meramente por reconhecer o direito de Israel de existir e de desistir das reivindicações palestinas sobre “toda a Palestina”. Segundo este posicionamento é Israel e não os palestinos que precisa fazer concessões pela paz.

“Atingimos o limite no que diz respeito às concessões (em relação a Israel)”, elucidouAshraf al-Ajrami, ex-ministro da AP. “Nós já fizemos uma série de concessões quanto às questões centrais ao passo que Israel não nos apresentou nada”.

É bom lembrar que esta declaração do ex-funcionário da AP é uma mentira deslavada, dadas as generosas propostas, gestos e concessões feitas por sucessivos primeiros-ministros e governos israelenses nas últimas duas décadas.

Reiteradamente, todas as iniciativas israelenses foram rechaçadas pelo rejeicionismo palestino e pela intensificação da violência.

A proposta apresentada pelo primeiro-ministro Ehud Barak em Camp David em 2000 de se retirar da maior parte dos territórios capturados por Israel em 1967 teve como consequência a Segunda Intifada.

A retirada israelense da Faixa de Gaza cinco anos depois foi interpretada, equivocadamente, pelos palestinos como sinal de fraqueza e recuo, resultando no lançamento de milhares de foguetes e mísseis contra Israel.

Outra proposta generosa e sem precedentes do primeiro-ministro Ehud Olmert caiu no vazio.

A atual política da liderança da Autoridade Palestina é evitar alienar a administração Trump fazendo de conta que Abbas e seus cupinchas estão empenhados seriamente em alcançar a paz com Israel. É por esta razão que os representantes de Abbas estão pisando em ovos para não criticar Trump nem seus enviados.

Abbas quer ludibriar a administração Trump para que ela acredite que ele tem a coragem, a vontade e o mandato para fechar um acordo de paz com Israel, da mesma maneira que ele mentiu para os ex-primeiros-ministros israelenses. É o mesmo Abbas que, nos últimos 10 anos, não conseguiu voltar para sua residência privada na Faixa de Gaza, que permanece sob o controle do Hamas.

Mas, ao pé do ouvido, funcionários palestinos do alto escalão têm criticado a administração Trump por simplesmente se atreverem a fazer exigências da liderança da AP, como parar com a incitação anti-Israel e o pagamento de salários aos terroristas presos e às suas famílias. Em outras palavras, o que as autoridades palestinas estão dizendo é: ou Trump aceita nossas exigências ou que vá para o inferno.

“Os americanos já endossaram a posição de Israel” reclamou Hanna Amireh, cacique da OLP.

“A liderança palestina rejeita a exigência de interromper a ajuda financeira aos detentos e às suas famílias… Em vez de apresentar pré-condições aos palestinos, os americanos deveriam exigir o fim do incitamento e da construção em assentamentos israelenses”.

No mundo distorcido da liderança da Autoridade Palestina, as demandas israelenses no tocante ao fim da glorificação palestina de assassinos são por si só um ato de “incitamento”.

Como Israel se atreve a exigir que a liderança da AP suspenda a remessa de dinheiro para terroristas presos e às suas famílias? Como Israel se atreve a desmascarar o incitamento e a glorificação de assassinos e terroristas?

A liderança da AP simplesmente não consegue entender qual o problema de dar nomes de assassinos de judeus às ruas, praças públicas e centros para a juventude.

É uma mera questão de tempo até que a liderança da AP comece a acusar abertamente a administração Trump de ser tendenciosa a favor de Israel. No mundo de Abbas e de seus cupinchas, qualquer administração dos EUA que não engula as mentiras e as invenções palestinas é considerada um círculo “hostil” controlado por judeus e sionistas.

E é exatamente isso que os palestinos disseram em relação a Trump e à sua equipe durante a campanha eleitoral à presidência dos Estados Unidos.

A liderança da AP, a bem da verdade, baixou o tom contra Trump e seus assessores a partir do momento que ele venceu as eleições. No entanto, este tom mais ameno tem o seguinte objetivo: que a AP não seja acusada de ser contra a paz.

Na realidade a liderança da AP mudou o tom mas não a música. Estamos testemunhando uma providência tática e temporária por parte dos palestinos. Esse teatro acabará em breve. A pergunta que continua no ar é: o Ocidente irá perceber que o espetáculo acabou?



Bassam Tawil, árabe muçulmano, radicado no Oriente Médio.

Publicado no site do Gatestone Institute – https://pt.gatestoneinstitute.org

Tradução: Joseph Skilnik

Fonte: Midia Sem Máscara