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terça-feira, março 24, 2015

Doutrinação Marxista nas Escolas.












Câmara fará audiência sobre doutrinação nas escolas pela primeira vez na história.

por Rodrigo Constantino.



Há indícios de ventos de mudança por todo lugar. O brasileiro vai aos poucos despertando da longa sonolência, descobrindo que tem mais poder do que pensava, que pode reagir aos avanços dos bolivarianos, que é possível remar contra a maré vermelha. Pela primeira vez na história, a Câmara terá uma audiência para investigar a doutrinação ideológica nas escolas.

É um primeiro passo. Não sabemos o que vai sair de concreto disso, mas sem dúvida é uma notícia alvissareira. Miguel Nagib, da ONG Escola Sem Partido, celebra a notícia: “Modéstia à parte, acho que o trabalho do ESP tem muito a ver com isso. Essa audiência prepara o caminho para uma lei nacional contra a doutrinação. Foi o mais longe que nós já chegamos até agora”.

Não resta dúvida de que o árduo trabalho da ONG tem parte nisso. Indivíduos fazem a diferença. Por isso mesmo precisamos parar de só reclamar e arregaçar as mangas para agir. Cada um precisa fazer sua parte, mostrar-se vigilante, não permitir passivamente a doutrinação dos filhos nas escolas, mesmo as particulares, denunciar os “professores” que, em vez de ensinar sua matéria, preferem fazer proselitismo político e defender partidos corruptos.

Em sua coluna de hoje no GLOBO, Roberto DaMatta foi certeiro quando disse que chegou a hora do brasileiro comum. O que vimos no domingo foi uma multidão de gente da classe média com bandeiras verdes e amarelas, gritando que nossa bandeira não é vermelha. É exatamente isso: não aceitamos mais o socialismo, as ideologias empurradas goela abaixo de nossos filhos, pois somos brasileiros, não bolivarianos. Escreveu o antropólogo:

A nobreza das utopias — alimentar os famintos, vestir os nus, dar abrigo aos sem-teto — são as palavras magicas dessa cosmologia política pervertida, segundo a qual o governo, sabendo tudo e tudo possuindo, sabe mais e melhor do que a sociedade. 

Mas eis que, depois uma década no poder, nada disso ocorre, exceto a utopia de enricar sem fazer nada — apenas governando e politicando: vendo onde, quando e quanto se pode tirar sem dolo, culpa ou remorso porque o dinheiro era do lucro e o lucro, como na Idade Média, é roubo e pecado. E quem rouba o ladrão tem mil anos de perdão…

Assusta, neste glorioso 15 de março, essas manifestações não encarnadas pelo falso vermelho, e marcadas pelo verde-amarelo. O verde-esperança e o ouro sem mácula que pintam o coração de milhares de brasileiros. Esses cidadãos comuns. Essa gente miúda. Esse povinho sem ideologia ou utopia, mas com a moralidade, apesar de tudo, intacta!

A utopia marxista serviu, até hoje e em todos os lugares, apenas para espalhar um mar de miséria e muita escravidão, enriquecendo os governantes enquanto isso. Não aceitaremos mais que militantes disfarçados de professores tentem praticar lavagem cerebral em nossos filhos. O ensino público é essa desgraça em boa parte pela substituição do aprendizado objetivo pela disseminação de ideologia vermelha nas salas de aula. Desde escolas até universidades.

Que os deputados saibam que estamos atentos, que acompanharemos o andar dessa comissão, que estamos cansados de tanta doutrinação e, como cidadãos comuns, desejamos apenas um melhor ensino público, onde nossos filhos aprendam a ler e a escrever direito, a fazer contas, e não que o socialismo é uma maravilha e o capitalismo o grande mal da humanidade. Chega de tanta doutrinação!

Rodrigo Constantino

A hora do cidadão comum.













por Roberto DaMatta para  http://oglobo.globo.com/




O povo se cansou de testemunhar que o crime compensa quando o roubo é feito por agentes públicos graduados


Passei a semana acompanhando a CPI da Petrobras, lendo os jornais mais importantes do Brasil e seguindo pessoalmente as manifestações. Não fui ao Rio, mas fiquei numa Niterói ilhada por obras que, espero, venham a melhorar a minha vida: a vida de um homem comum que, durante décadas, tem trabalhado no Rio e em todo lugar. Sujeito que subiu em ônibus, tomou barca, lotação e foi do tempo do andar de bicicleta e a pé.

Dizer que há uma guerra entre ricos e pobres ou afirmar, como fazem os áulicos da presidente Dilma, que “o contra” é mais motivador do que o “a favor” é ficar no mais imbecil dos sofismas.

Pois quem é a favor é contra e quem é contra é a favor. De alguém, de alguma causa ou coisa. No caso: o povo manifestou-se contra um governo paralisado por sua mendacidade, mas a favor da punição dos ladrões do mais pornográfico sistema de corrupção jamais montado no Brasil. Um sistema que vem do centro do poder e chega à periferia da sociedade É claro que as pessoas estão contra o governo Dilma, mas estão a favor daquilo que move todo povo trivial e idiota: a honestidade, a dor de consciência, a vergonha de testemunhar o furto daquilo que faria o progresso e o bem-estar de um Brasil que eles não acham que é atraso ou babaquice amar.

Do mesmo modo, todo rico tem quem seja mais rico e todo pobre conhece alguém mais pobre. Trata-se de uma oposição segmentar, como diziam os antigos sociólogos ou, como dizem os mais jovens, é um fractal. Como acontece com a oposição entre a casa e a rua na sociedade e, na política, entre direita e esquerda. Não é preciso pensar muito para descobrir que a casa tem uma rua (e vice-versa) e que cada direita tem a sua esquerda. Ou o velho Trotsky não foi assassinado? Quem o matou foi a direita ou a esquerda do stalinismo?

Quando eu fiz uma pesquisa num bairro periférico de São Paulo com pessoas que se definiam como “pobres”, fiquei parvo ao descobrir que todos, rigorosamente todos, se diziam pobres. Assim como os porta-vozes de Dilma que dizem querer um “diálogo” que termine por calar a nossa boca: a boca que foi calada por tanto tempo do cidadão comum. O tal povo que, neste movimento histórico, sai das asas dos partidos. Seja porque eles são todos falidos, mentirosos, malandros — maquinas de enricar seus membros; seja porque ninguém atura mais os Lulas, as Dilmas, as Gleises, os Cardozos (com z), os Dirceus (o “capitão do time”) os seus mensaleiros-jogadores, os Mantegas e as Rosemarys com suas pachorras e bebês.

O homem e a mulher comum se cansaram de pagar a conta da bomba de hidrogênio que foi o roubo ordenado, calculado, com um óbvio viés político-ideológico-partidário na maior e mais querida empresa do país.

Ouvir o Sérgio Gabrielli na CPI foi uma aula e um insulto. Ouvir novamente as reuniões do Supremo ou dos outros tribunais não pode mais ser um outro ato de autoflagelação. Ou mais uma aula de douta malandragem. O povo se cansou de testemunhar que o crime compensa quando o roubo é feito por agentes públicos graduados, eleitos para redimir e não sacanear o Brasil. Pois cada oitiva não termina numa lição de justiça, mas numa pedagogia de corrupção. Numa demonstração dos dotes necessários para bem roubar o Brasil: ter cara de pau, cinismo, frieza, ousadia, ausência absoluta de espírito publico, de patriotismo e, acima de tudo, de gosto pela malandragem que não dá em nada!

O outro aprendizado tenebroso é o seguinte: para roubar nesta escala e com tanta legitimidade, é preciso ser governo. Quem rouba não é o partido, nem as empresas, nem o papel de deputado, governador, prefeito, senador ou presidente. Quem rouba é a urdidura partidária relacional que mete na cabeça uma utopia ou um ideal revolucionário, o qual vai tirar a sociedade de sua miséria de pessoas comuns que trabalham, casam e fazem filhos misturados, que comem arroz com feijão e adoram carne-seca, samba e cerveja. Aceita a ideologia e implementado o partido como governo, começa a ação de “cuidar” ou revolucionar a sociedade. E, já que não se pode acabar com o mercado e a eleição, por que não comprá-los?

A nobreza das utopias — alimentar os famintos, vestir os nus, dar abrigo aos sem-teto — são as palavras magicas dessa cosmologia política pervertida, segundo a qual o governo, sabendo tudo e tudo possuindo, sabe mais e melhor do que a sociedade.

Mas eis que, depois uma década no poder, nada disso ocorre, exceto a utopia de enricar sem fazer nada — apenas governando e politicando: vendo onde, quando e quanto se pode tirar sem dolo, culpa ou remorso porque o dinheiro era do lucro e o lucro, como na Idade Média, é roubo e pecado. E quem rouba o ladrão tem mil anos de perdão...

Assusta, neste glorioso 15 de março, essas manifestações não encarnadas pelo falso vermelho, e marcadas pelo verde-amarelo. O verde-esperança e o ouro sem mácula que pintam o coração de milhares de brasileiros. Esses cidadãos comuns. Essa gente miúda. Esse povinho sem ideologia ou utopia, mas com a moralidade, apesar de tudo, intacta!

Roberto DaMatta é antropólogo