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quinta-feira, novembro 30, 2017

Butler em recuo estratégico




por Pe. José Eduardo de Oliveira e Silva(*).



Uma resposta aos argumentos de Judith Butler em sua recente entrevista à Folha de S. Paulo.

“Escrevi essas notas por ocasião da leitura do artigo de Judith Butler na Folha de São Paulo em 20 de novembro de 2017, numa breve meditação filosófica. O texto é maior que as postagens habituais, mas penso que valha a pena sua leitura atenta e reflexão”


I. Recuo Estratégico.


Professora do departamento de retórica e literatura comparada da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e diretora do Consórcio Internacional de Teoria Crítica, não é de se admirar que Judith Butler remodele seu discurso para torná-lo mais palatável ao ouvido sensível dos brasileiros, sobretudo após a onda de protestos causados por sua última vinda ao Brasil.

“Um passo em frente, dois pra trás”. Este é o título do livro que Vladimir Lênin publicou em 1904, e que, de certo modo, marcou sempre o modus procedendi de toda a esquerda quando pretende avançar por cima dos obstáculos. (Caso queira ler esse escrito de Vladimir Ilitch Lenine clique aqui; arquivo em pdf)

Quando Fidel Castro assumiu o poder em Cuba em nome da democracia e contra a ditadura batistiana, em seguida, implantou a sua ditadura. Hugo Chávez fez a mesma coisa, apresentou um discurso democrático para, na sequência, impor seu totalitarismo.

Até mesmo o ex-presidente Lula fez isso. Quando tentava se eleger, nos anos 90, era rechaçado pela população. Então, com o auxílio do marqueteiro Duda Mendonça, repaginou-se, dando à luz o “Lulinha paz e amor”, que o elevou à presidência da república em 2002.

Agora, Butler segue a mesma estratégia. Reapresenta a sua teoria em recortes mais essencialistas e até moralistas, para fazê-la avançar.


II. A Teoria de Gênero Butleriana

Apesar de aliviar as tintas em seu texto, qualquer pessoa que tenha tido um contato com a teoria de gênero sabe que esta transcende em muito o objetivo de atender os indivíduos que não correspondem às expectativas relativas ao seu gênero (segundo o artigo de Butler, “ao gênero atribuído no nascimento”).


Como ela mesma afirma, “meu trabalho consiste em delinear a última etapa da batalha filosófica contra a vida do impulso, o esforço filosófico de domesticar o desejo como uma instância de lugar metafísico, a luta por aceitar o desejo como princípio de deslocamento metafísico e dissonância psíquica e o esforço orientado por deslocar o desejo com o fim de derrotar a metafísica da identidade” ([1]Subjects of desire, p. 15).


Obviamente, para ela, como o desejo não se realiza de acordo com um sujeito que lhe dê suporte, o “eu” seria apenas um discurso. Não haveria um ser por detrás da performance de gênero. Seriam estas performances, estas ações, que constituiriam a ficção do sujeito, pois esta ficção seria requerida pelo discurso que nós herdamos da metafísica da substância, discurso que, segundo ela, precisamos superar ([2]Problemas de gênero, p. 56).

Masculinidade e feminilidade, portanto, para ela, são ações desligadas da biologia. Ela afirma, inclusive, que “a ‘presença’ das assim chamadas convenções heterossexuais nos contextos homossexuais, bem como a proliferação de discursos especificamente gays da diferença sexual, como no caso de buth (a lésbica masculinizada) e femme (a lésbica feminilizada) como identidades históricas de estilo sexual, não pode ser explicada como representação quimérica de identidades originalmente heterossexuais. E tampouco elas podem ser compreendidas como a insistência perniciosa de construtos heterossexistas na sexualidade e na identidade gays. A repetição de construtos heterossexuais nas culturas sexuais gay e hétero bem pode representar o lugar inevitável de desnaturalização das categorias de gênero” ([2]Problemas de gênero, p. 66).

Ademais, em diálogo com Witting, ela afirma que “a tarefa das mulheres é assumir a posição do sujeito falante autorizado e derrubar tanto a categoria de sexo como o sistema da heterossexualidade compulsória que está em sua origem. Para ela, a linguagem é o conjunto de atos, repetidos ao longo do tempo, que produzem efeitos de realidade que acabam sendo percebidos como ‘fatos’. Considerada coletivamente, a prática repetida de nomear a diferença sexual criou essa aparência de divisão natural. A ‘nomeação’ do sexo é um ato de dominação e coerção, um ato performativo, institucionalizado que cria e legisla a realidade social pela exigência de uma construção discursiva/perceptiva dos corpos, segundo os princípios da diferença sexual” (Problemas de gênero, p. 200).

Diante disso, soa completamente retórica e maquiada a seguinte pergunta de Butler em seu artigo da Folha: “O livro (Problemas de gênero) negou a existência de uma diferença natural entre os sexos? De maneira alguma, embora destaque a existência de paradigmas científicos divergentes para determinar as diferenças entre os sexos e observe que alguns corpos possuem atributos mistos que dificultam sua classificação”.

Então, Butler admite que existe a possibilidade de uma classificação objetiva, baseada na diferença biológica dos corpos? Obviamente, trata-se, aqui, de uma ginástica retórica para desorientar os menos informados em sua teoria.


III. Ideologia? Sim 

Segundo Butler, “em geral, uma ideologia é entendida como um ponto de vista que é tanto ilusório quanto dogmático, algo que ‘tomou conta’ do pensamento das pessoas de uma maneira acrítica. Meu ponto de vista, entretanto, é crítico, pois questiona o tipo de premissa que as pessoas adotam como certas em seu cotidiano” (artigo para a Folha).

O conceito de gênero é crítico apenas no sentido da “teoria crítica”, quer dizer, enquanto instrumento para criticar a realidade inteira, como ela mesma reconhece neste seu texto.

Contudo, como de praxe na teoria crítica, deve-se criticar tudo, menos a metodologia crítica ou seus instrumentos metodológicos críticos como, no caso, o conceito de gênero.

Ela mesma afirma que “se a noção estável de gênero dá mostras de não mais servir como premissa básica da política feminista, talvez um novo tipo de política feminista seja agora desejável para contestar as próprias reificações do gênero e da identidade – isto é, uma política feminista que tome a construção variável da identidade como um PRÉ-REQUISITO METODOLÓGICO E NORMATIVO, senão como um OBJETIVO POLÍTICO” (Problemas de gênero, p. 25).

Em outras palavras, a noção de gênero como identidade variável deve ser uma PREMISSA, aliás, a qual ela não procura demonstrar, antes, apenas apresenta de modo dogmático. A práxis da militância de gênero, ademais, sempre foi a de fazer com que a teoria de gênero “tomasse de conta” da sociedade inteira sem que ninguém se desse conta disso, portanto, de modo acrítico.

Aliás, por que fazem tanta questão de ensinar gênero para as criancinhas? Será que não é justamente porque as mesmas não têm suficientemente desenvolvida a sua capacidade crítica?

Portanto, segundo as próprias determinações de Butler, a sua teoria de gênero cabe muito bem nos limites daquilo que ela entende por uma ideologia.

Não, quem criou a ideologia de gênero não foi Joseph Ratzinger nem muito menos Jorge Scala. O “pai” da “criança” é a Judith Butler, mesmo!


IV. Essencialismo e a Falácia da Arqueologia Foucaultiana

Segundo Butler, “a noção de paródia de gênero aqui definida não presume a existência de um original que essas identidades parodísticas imitem (ela está falando da própria identidade de gênero…) Esse deslocamento perpétuo constitui uma fluidez de identidades que sugere uma abertura à ressignificação e à recontextualização; a proliferação parodística priva a cultura hegemônica e seus críticos da reinvindicação de identidades de gênero naturalizadas ou essencializadas” (Problemas de gênero, p. 238).

Servindo-se da metodologia própria da teoria crítica, Butler cria uma caricatura discursiva e começa a desconstruí-la, como se estivesse desconstruindo a realidade. Na verdade, ela está tão absorvida por seu próprio discurso que crê firmemente nele, substituindo a realidade por ele.

Deste modo, atribui a homem e mulher, termos que aparecem para ela sempre entre aspas, status de identidade essencialista, naturalista, sexista, binária, heterossexista, heteronormativa, fálica, reificada etc.

Para comprovar a ficção da identidade, ela analisa os discursos sobre o masculino e o feminino como se os mesmos fossem o homem e a mulher em si.

Aqui, ela é epistemologicamente dependente da metodologia de Foucault, o qual, partindo do pressuposto que a verdade não existe, passa a rastrear a história das “verdades” para demonstrar que as mesmas são apenas a projeção de um determinado poder regulador. Isto é aquilo que ele chama de arqueologia do saber.

Ora, se quiséssemos, por exemplo, fazer a arqueologia da ideia de “lei da gravidade”, obteríamos uma infinidade de discursos contraditórios e facilmente chegaríamos à conclusão de que a “teoria da gravidade não existe, é apenas um discurso de poder”. No entanto, se você se jogar da janela, de qualquer modo, com ou sem Foucault, vai se espatifar do mesmo modo!

Em outras palavras, estamos diante de um jogo de palavras, de um embaralhamento de discursos, daquilo que a filosofia chama de falácia. A realidade continua intocada, apenas se dribla o interlocutor com um lance desconstrucionista. É aquilo que no futebol chama-se de pedalada.

Como é possível que este tipo de artifício possa convencer alguém? Bem… Como ensinou Aristóteles (tanto nos Analíticos quanto no Peri hermeneias), não é fácil conhecer a essência das coisas. Precisamos proceder a um processo abstrativo complexo, que supõe um trabalho mental consideravelmente sofisticado. A história dos discursos pode ser a história dos bem ou mal sucedidos, e dos mal ou bem intencionados, esforços por alcançar a quididade, a essência das coisas reais. Por isso, o método foucaultiano é sofístico e pode enganar.


V. Sofistas de Gênero

Butler é adepta da subversão da identidade através de atos corporais subversivos, típicos do movimento queer, quer dizer, a atuação de performances revolucionárias que choquem aquilo que ela chama de heteronormatividade.

Outra autora americana de gênero, Joan Scott, é mais ortodoxa, do ponto de vista foucaultiano: ela pretende reescrever a história a partir da noção de gênero (Gender and the politics of history, Nova York, 1999).

Estas são as duas autoras principais. Digamos, as mais representativas dos estudos de gênero.

Contudo, existem mais de 40 teorias diferentes de gênero, todas em disputa entre si. São modos diferentes de apresentar a mesma ideia, a saber: o gênero é um construto desligado da identidade sexual, vale dizer, biológica.

Este também é um expediente da teoria crítica: colocar um grupo imenso de pessoas para criticar implacavelmente a realidade, metralhando-a em todos os sentidos possíveis, sem necessariamente preocupar-se em justificar a própria crítica.

Uma pessoa que quiser encarar toda a aquarela dos estudos de gênero poderá gastar toda a vida apenas ocupando-se de entender as picuinhas intelectuais que os diferentes ativistas nutrem dialeticamente entre si. Decerto ficará perdido nesse labirinto sem saída e, completamente intoxicado de informações contraditórias, acabará por adotar uma entre elas, trocando a realidade pelo discurso.

Isso também aconteceu nos tempos de Sócrates (cf. Platão, O Sofista). Os sofistas eram retóricos pagos pelos políticos da época para convencerem o povo das ideias destes últimos. Destruíam a base mesma do saber, negando a existência do ser e da verdade, e submetiam o povo às suas opiniões. Sócrates os resistiu, pagou o preço de sua vida por isso, mas ao fim e ao cabo, desapareceram os sofistas e prevaleceu a verdadeira filosofia.

Hoje, os críticos, os desconstrucionistas, os ideólogos de gênero são os novos sofistas, pagos pelas fundações internacionais para convencerem o povo de que não existe a verdade, o ser, a essência, e imporem o seu totalitarismo disfarçado de democracia.

Com efeito, Judith Butler veio ao Brasil financiada pela Fundação Mellon para falar de democracia em nome do Consórcio Internacional de Teoria Crítica, fundado no final do ano passado com uma verba doada pela mesma Fundação de 1,5 milhões de dólares (vide o site do próprio Consórcio).

Submetam os ideólogos de gênero à arqueologia de suas ideias e à genealogia dos poderes que estão por trás deles, rastreiem a rota do dinheiro e verão que isso nada tem de amor desinteressado à humanidade.


VI. Pedofilia

Butler alega que a Igreja está por trás da estigmatização social da sua teoria de gênero e se defende da acusação de corruptora de crianças acusando a Igreja Católica de ter perdido a sua autoridade moral por proteger pedófilos em seu seio.

A generalização precipitada é um tipo de falácia de que abusam estes ideólogos em sua aversão ao catolicismo. É verdade que alguns delinquentes se esconderam na Igreja e que houve quem se omitisse em sua acusação, mas a Igreja os puniu severissimamente e, sobretudo, nunca os respaldou, justificando doutrinalmente seu desvio de conduta.

Ao contrário, o movimento feminista tem expoentes que defenderam abertamente o sexo com menores, e este não é um privilégio de Shulamith Firestone (The dialetic of sex, p. 215). Há quem queira despatologizar a pedofilia ou transformá-la numa opção sexual respeitável.

Butler apela para a teoria da projeção, sugerindo que os que a acusam de favorecer a pedofilia estão apenas lançando sobre ela o próprio vexame. Na verdade, a generalização precipitada é uma falácia em qualquer direção que se a aplique e o uso deste tipo de sofisma apenas demonstra malícia ou despreparo filosófico.




VII. Filosofia, Verdade e Democracia

Algumas pessoas que trabalham com comunicação vieram queixar-se de que os protestos contra a vinda de Butler ao Brasil apenas projetaram-na ainda mais.

Tenho a impressão de que isto, do ponto de vista filosófico, não é necessariamente assim. Quero dizer apenas que os ideólogos sempre se favoreceram do anonimato e da difusão de ideias não conferidas, exatamente como Butler diz em seu artigo.

Quem coloca a questão nestes termos assume sem percebê-lo a premissa de que a verdade e o erro são equivalentes. Acontece que a força do erro está na hegemonia. Por isso, eles necessitam impô-la para todo o mundo. Mas a força da verdade está nela mesma!

Hoje, a verdade precisa mais de homens com uma verdadeira mente filosófica que da propaganda, é ela que gera os propagandistas, os comunicadores, a cultura e tudo o mais. Foi sobre estes cânones que se erigiu a civilização ocidental e é contra eles que estes bárbaros a estão destruindo.

Uma democracia que se propusesse como alternativa à verdade, caricaturizando-a como autoritarismo, apenas seria uma ditadura disfarçada, a imposição de uma hegemonia.



Como afirma Butler em seu artigo na Folha, “liberdade não é – nunca é – a liberdade de fazer o mal. Se uma ação faz mal a outra pessoa ou a priva de liberdade, essa ação não pode ser qualificada como livre – ela se torna uma ação lesiva”.

No caso, a ideologia de gênero não nos quer apenas privar da identidade, mas também da liberdade e da verdade. De fato, se ninguém é alguém, como pode ter direitos?



(*)Pe. Dr. José Eduardo de Oliveira e Silva-Diocese de Osasco-Doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade de Santa Cruz


[1]Subjects of desire:Hegelian Reflections in Twentieth-Century France-Judith Butler-Copyright Date: 1987-Published by:Columbia University Press Pages: 304,
[2]Problemas de Gênero - Feminismo e Subversão da Identidade - Butler, Judith
Fonte: http://www.semprefamilia.com.br

sexta-feira, novembro 10, 2017

A destruição em nome da emancipação:Simone de Beauvoir e Judith Butler



por Ricardo Gustavo Garcia de Mello.




A destruição da ordem natural binária do sexo, homem e mulher é, em grande parte, produto de manifestações mórbidas na psique ou alma que são provocadas por ideias. E o estudo destas ideias-força, a ideogênese, é importante para compreender o impacto ou as consequências de certas ideias no pensamento e ação humana. Simone de Beauvoir (1908-1986) e Judith Butler (1956) são as genitoras notáveis das ideias que subverteram o nexo natural entre o gênero – homem e mulher o corpo – sexo masculino e feminino e o desejo sexual – ter atração por homem ou mulher.



Para Beauvoir e Butler, é um erro e engodo buscar a igualdade jurídico-política entre homens, mulheres e homossexuais, ou o reconhecimento da pessoa humana em todos os indivíduos, independendo do seu sexo ou cor. É este compromisso humanista que aliena as mulheres e homossexuais, os impedindo de buscar o poder. A luta pela igualdade jurídico-política ou humanista, serve para aliviar a tensão e conciliar as diferenças de modo pacífico, alienando a mulher e o homossexual na humanidade ou essência humana que foi criada pelo homem branco, machista e ocidentalista que conseguiu expandir o seu império através da alienação dos indivíduos de diversas culturas e territórios, em torno do ideal de humanidade ou natureza, uma das ideologias imperialistas. 


Beauvoir e Judith Butler, não desconstroem apenas os aspectos socioculturais de gênero, a masculinidade e a feminilidade. Elas também destroem a própria ordem natural binária do ser humano, homem e mulher, alegando defender as mulheres e os oprimidos.


O raciocínio de Beauvoir e Butler leva à extremidade lógica o próprio relativismo. No “relativismo moderado” existe uma simetria entre todas as culturas, mas continua a existir a mesma natureza humana por debaixo das diferentes roupagens culturais. Já as ideias de Beauvoir e Butler radicalizam o próprio relativismo, não existe uma mesma natureza humana por debaixo das diferentes roupagens sociais e culturais - a própria natureza humana, é uma roupagem sociocultural.


A concepção de uma ordem natural binária e complementar, homem e mulher, é tomado pelos destrutivistas ou relativistas radicais. Como uma forma de naturalizar as desigualdades socioculturalmente construídas. E só a negação de toda concepção de ordem natural e verdade, pode trazer uma liberdade radical para os indivíduos. Eu considero que a negação da ordem natural ou da verdade, não liberta os indivíduos, mas antes os torna vulneráveis às arbitrariedades. 
As categorias, homem e mulher, existem apenas para reprimir certos indivíduos, e “empoderar” outros. 


Simone de Beauvoir (1908-1986), pensadora existencialista francesa que influenciou e foi influenciada por Jean-Paul Sartre. É em termos teóricos, a inauguradora da tradição existencialista feminista. A obra Segunda Sexo (1949) com cerca de mil página, em dois volumes – fatos e mitos (v.1) e a experiência vivida (v.2). Afirma que não existe natureza feminina, esta é a existência numa dada sociedade e cultura que confere à existência daqueles indivíduos o sentido de serem de um sexo inferior, o segundo sexo – a mulher-fêmea, que está abaixo do sexo superior, o primeiro sexo – o homem-macho.

"Sem dúvida, a teoria do eterno feminino ainda tem adeptos [...] Todo ser humano do sexo feminino não é, portanto, necessariamente mulher cumpre-lhe participar dessa realidade misteriosa e ameaçada que é a feminilidade. [...] No tempo de Sto. Tomás, ela se apresentava como uma essência tão precisamente definida quanto a virtude dormitiva da papoula. Mas o conceitualismo perdeu terreno: as ciências biológicas e sociais não acreditam mais na existência de entidades imutavelmente fixadas...”[BEAUVOIR, 1970, v.1, p.7-8]


O existencialismo feminista de Beauvoir, já afirmava aquilo que Judith Butler irá trabalhar em suas obras - que não existe a mulher como uma entidade imutavelmente fixada pela sociedade ou pela biologia, ou seja, não existe natureza feminina. 


“Quando emprego as palavras "mulher" ou "feminino" não me refiro evidentemente a nenhum arquétipo, a nenhuma essência imutável [...]” [BEAUVOIR, 1967, v.2, p.7]


Para Beauvoir, não existe uma essência particular da mulher ou natureza feminina. Não existe essência, tudo é mutável e relativo de acordo com a circunstância tempo-espaço, e situação social.


“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino. Somente a mediação de outrem pode constituir um indivíduo como um Outro. Enquanto existe para si, a criança não pode apreender-se como sexualmente diferençada.” [BEAVOUIR, 1967, v.2, p.8]


Se ninguém nasce mulher, mas se torna mulher. O gênero, o desejo sexual e até o corpo da mulher são constructos socioculturais, que foram internalizados subconscientemente pelos indivíduos como um dado natural. 
“[...] é preciso sublinhar mais uma vez que as mulheres nunca constituíram uma sociedade autônoma e fechada estão integradas na coletividade governada pelos homens e na qual ocupam um lugar de subordinadas ...” [BEAUVOIR, 1967, vol.2, p.363]


É necessário que as mulheres não aceitem a relação homem e mulher como uma relação de complementariedade necessária ou alma gêmea. As mulheres devem realizar uma ruptura radical com a relação homem-mulher, e estruturar relações entre mulheres, no amplo sentido do termo.


“A própria mulher reconhece que o universo em seu conjunto é masculino os homens modelaram-no, dirigiram-no e ainda hoje o dominam ela não se considera responsável está entendido que é inferior, dependente não aprendeu as lições da violência, nunca emergiu, como um sujeito, em face dos outros membros da coletividade fechada em sua carne, em sua casa, apreende-se como passiva em face desses deuses de figura humana que definem fins e valores. [BEAUVOIR, 1967, vol.2, p.364]


A própria ordem natural binária, homem e mulher, é uma construção ideológica que naturaliza relações desiguais de poder – a mulher é uma construção ideológica do patriarcado. 


“O quinhão da mulher é a obediência e o respeito. Ela não tem domínio, nem sequer em pensamento, sobre essa realidade que a cerca.” [BEAUVOIR, 1967, vol.2.p.364]


Para Beauvoir, a mulher só vai se emancipar no momento que romper os seus vínculos materiais e psicológicos com a figura do homem. E fazer da ingratidão e do desprezo, uma forma de luta contra a cordialidade feminina criada pelo patriarcado, com o objetivo de tornar as mulheres servis e dóceis. 


“[...] ensinaram-lhe a aceitar a autoridade masculina renuncia pois a criticar, a examinar, a julgar por sua conta. Confia na casta superior. Eis por que o mundo masculino se apresenta a ela como uma realidade transcendente, um absoluto. “Os homens fazem os deuses, diz Frazer, as mulheres adoram-nos”.[BEAUVOIR, 1967, v.2, p.366]


O homem-macho é o criador do universo, tudo que existe foi inventado por homens, o universo será sempre masculino. Por isto, é necessária uma revolução radical em todas dimensões da vida econômica, política, intelectual e sexual. 
Judith Butler (1956), em sua obra Problema de gênero: feminismo e subversão da identidade (1990). Explicita e reforça a necessidade de destruir o nexo natural entre corpo, gênero e desejo sexual, para afirmar que o gênero, o desejo sexual, e até o corpo são constructos socioculturais, que foram internalizados subconscientemente pelos indivíduos como um dado natural.


“Resulta daí que o gênero não está para a cultura como o sexo para a natureza ele também é o meio discursivo/cultural pelo qual “a natureza sexuada” ou “um sexo natural” é produzido e estabelecido como “pré-discursivo“, anterior à cultura, uma superfície politicamente neutra sobre a qual age a cultura.” [BUTLER, 2003, p.25]


A própria Butler reconhece que Simone de Beauvoir é a sua fonte, por considerar não só o gênero e o desejo sexual, mas o corpo masculino e feminino como uma construção sociocultural.


“Beauvoir diz claramente que a gente “se torna” mulher, mas sempre sob uma compulsão cultural a fazê-lo. E tal compulsão claramente não vem do “sexo” Não há nada em sua explicação que garante que o “ser” que se torna mulher seja necessariamente fêmea. Se, como afirma ela, “o corpo é uma situação”, não há como recorrer a um corpo que já não tenha sido sempre interpretado por meio de significados culturais...” [BUTLER, 2003, p.27]


Judith Butler, em seu artigo, Corpos que pensam: sobre os limites discursivos do “sexo”, ela explica que o “sexo” como algo natural, sexualidade masculina e feminina, não existe, é pura construção. 


“A categoria do “sexo” é, desde o início normativa: ela é aquilo que Foucault chamou de “ideal regulatório”. Nesse sentido, pois, o “sexo” não apenas funciona como uma norma, mas é parte de uma prática regulatória que produz os corpos que governa, isto é, toda força regulatória manifesta-se como uma espécie de poder produtivo, o poder de produzir – demarcar, fazer, circular, diferenciar – o corpos que ela controla.” [BUTLER, 1999, p.153-4]


O “sexo” em Butler é uma forma de exercício de poder – o governo dos corpos e sua demarcação.


“Assim, o “sexo” é um ideal regulatório cuja materialização é imposta: esta materialização ocorre ( ou deixa de ocorrer) através de certas práticas altamente reguladas. Em outras palavras, o “sexo” é um construto ideal que é forçosamente materializado através do tempo.” [BUTLER, 1999, p.154]


O sexo não é um dado da dualidade da natureza humana, mas um constructo, ou seja, uma construção ideal que é autoritariamente internalizado pelos indivíduos como algo natural. 
Butler, no seu artigo desdiagnosticando gênero (2004) “O sexo se torna compreensível por meio dos signos que indicam como ele deveria ser lido e compreendido. Esses indicadores corporais são os meios culturais através dos quais o corpo sexuado é lido. Eles próprios são corporais e funcionam como signos assim, não há nenhum caminho fácil para distinguir entre o que é “materialmente” verdadeiro e o que é “culturalmente” verdadeiro a respeito de um corpo sexuado.” [BUTLER, 2009, p.108] 


O Sexo masculino e feminino são formas pelas quais as relações sociais, numa determinada cultura codificam os corpos dos indivíduos através de práticas, e discursos. 


E, além disto Butler crítica a concepção de natureza humana ou humanismo. A concepção de humanidade universal que contempla todas as pessoas, é um engodo ideológico concebido pelo homem branco, sexista, burguês, racista e imperialista. Para amortecer os conflitos, e alienar os diferentes em torna de uma luta pelo reconhecimento da humanidade, que só reforça o poder branco, macho, burguês e eurocêntrico. O pensamento de Butler tem por base exacerbar as diferenças e contradições, até se tornarem inconciliáveis e antagônicas. O homem universal, o indivíduo livre, o cidadão nacional, etc., são produções políticas de certas ideologias que excluem a diversidade, e ocultam os conflitos. O humanismo significa a alienação das diferenças pelos Universais. Não existe natureza humana, que transcende as diferentes circunstâncias tempo-espaço, e diferenças socioculturais. 


A Natureza humana, e a sua divisão natural binária ou a heteronormatividade. São construções ideológicas dos poderosos. Que só podem ser subvertidas por elementos que superem o próprio binarismo, homem e mulher, uma etapa superior do feminismo, ou seja, a politização do transgênero como agente da subversão. A subversão radical da ordem, a verdadeira revolução, depende da desnaturalização da dualidade sexual humana, homem e mulher. 


Os indivíduos só serão livres, segundo Beauvoir e Butler, quando os seus corpos poderem adquirir configurações autônomas, e para tal é necessário destruir as relações sociais e discursos que preservam a ordem natural binária, homem e mulher.

Fonte: HeitordePaola.com

Fontes bibliográficas 
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo: fatos e mitos.v.1, São Paulo: Difusão Européia do Livro (DIFEL) ,1970
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo: a experiência vivida.v.2, São Paulo: Difusão Européia do Livro (DIFEL), 1967.
BUTLER, Judith. Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do “sexo”. In: LOURO, Guacira Lopes (org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica,1999. p. 151-172.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
BUTLER, Judith. Desdiagnosticando o gênero. Physis, Rio de Janeiro , v. 19, n. 1, p. 95-126, 2009.

terça-feira, outubro 31, 2017

Judith Butler e aTeoria Queer de desconstrução sexual




...que invadiu o Brasil e objetiva reorientar a sexualidade humana


Por Marisa Lobo.

Esclarecendo sobre a “invencionice” da teoria Queer, que está promovendo e influenciando fortemente os saberes humanistas, a reorientação sexual e a desconstrução da heterossexualidade, ou seja, da família tradicional.





“Se a teoria Queer pode tentar desconstruir a heterossexualidade, acusando-a de ser ‘anormal’ ou ‘compulsória’, também posso eu descontruir a homo normatividade e chamar a atenção para o preconceito mundial contra a família tradicional, que representa o avanço dessa teoria e que negligencia totalmente o saberes médicos, jurídicos e religiosos que fazem parte igualmente da vida de todo sujeito. Saberes estes garantidos pela constituição e pela declaração dos direitos humanos. Temos que debater e promover o equilíbrio e direitos, é fato. Porém, sem ferir nossos princípios, que também são direitos, e ficar refém de invencionices sociais que por querer defender seus direitos à dignidade, fere a dignidade do outro”.

Do que se trata a teria Queer.

A teoria Queer, oficialmente queer theory (em inglês), é uma teoria sobre o gênero que afirma que a orientação sexual e a identidade sexual, ou de gênero, dos indivíduos são o resultado de um constructo social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais. A teoria Queer teve origem nos Estados Unidos em meados da década de 1980 a partir das áreas de estudos gay, lésbicos e feministas, tendo alcançado notoriedade a partir de fins do século passado. Fortemente influenciada pela obra de Michel Foucault e pelo movimento feminista, dentro dessa teoria está a desconstrução da heterossexualidade como normal, pela criação crítica de “heteronormatividade”, sugerindo que a heterossexualidade é imposta e normativa. Este seria um gênero neutro, onde crianças seriam criadas sem definição de papeis sexuais e ou social, pois, para a teoria, não existe diferença entre o sexo. Desta forma a teoria garante que se extinguiria o preconceito entre homens e mulheres e gênero.

Em minha opinião é um objetivo é até nobre, mas que abriga uma prática perigosa ao colocar este sujeito em conflito com sua sexualidade, podendo gerar muitos transtorno de identidade de gênero, pois sabemos o quanto os papéis, bem como figura e modelos de pai e mãe, são essenciais na construção de um cidadão.

Embora essa dinâmica social contemporânea pulse de forma intensa na tentativa de desconstruir a heterossexualidade como natural e a família nuclear fundamentalmente heterossexual, patriarcal e fundada em laços sanguíneos; apesar desses esforços, prevalece a heterossexualidade como modelo, conforme a sua natureza biológica e não de forma normativa e/ou compulsória, como tenta aludir a teoria Queer.

Não podemos negligenciar a verdade de que o sujeito é predisposto a desenvolver características psicológicas do sexo a que pertence. A teoria Queer promove um discurso nobre em seu meio, mas promove uma prática totalmente arriscada, uma “invencionice” acolhida por aqueles que defendem apenas um grupo, como se este grupo vivesse em uma ilha e pudesse criar saberes, regras e normas, e os impor para a maioria da população mundial, o que sabemos não ser possível. Faz parte de uma educação saudável e da construção do sujeito saber lidar com a frustração e entender que nem tudo é ou pode ser como idealizamos e ou queremos.

O mundo caminha para essa reorientação sexual, que deveria ser vista pelas áreas médicas e psicológicas com grande desconfiança e cuidado. Sabemos que é uma preocupação mundial. Há os que a defendam, mas também os que criticam.



Ou seja, para os heterossexuais é a certeza da desconstrução da família tradicional e de uma reorientação social acerca da sexualidade do sujeito que, sendo imposta, não eliminará preconceito algum apenas criando mais um tabu, pois acusam a heterossexualidade da maioria da humanidade de ser “anormal”, colocando a homossexualidade como “normal”. A dicotomia permanece sobre outra ótica: a da desconstrução da heterossexualidade.

O ser humano deve ser entendido como um todo, como a soma de suas partes. A significação e a formação indenitária se dão exatamente ao respeito dessa máxima: somos um corpo que é resultado da soma de várias partes e cada uma deve ser ouvida, mas se pensando no sujeito em sua totalidade.

Esse movimento (queer) argumenta que a família homo afetiva deve ser motivada e afirma em seus discursos que a intenção é colocar definitivamente em xeque esse conjunto que eles chamam de “normativo ocidental”, e colocam em construção o seguinte:



Não lhe parece que este pensamento, que motiva ações contra a família e os que eles chamam “religiosos”, sugere e motiva um preconceito mundial contra o mundo ocidental por sua tradição e ou fé? A teoria Queer trata da questão da sexualidade com alienação psicológica; não podemos nos esquecer de que há coisas que podemos mudar e outras que ainda que manipulemos com palavras, permanecem imutáveis. Portanto, será um grande gerador de conflitos se não reconhecermos esta máxima. Minha critica é que movimentos ideológicos, políticos ou antiifamília tradicional vêm se vitimando e nos induzindo a nos inclinarmos a defendê-los por emoção, e não pela lógica da razão, que faz parte da construção do pensamento humano e dos direitos que devem ser consolidados e conscientes.

A critica que faço abertamente à teoria Queer, ou seja, ao movimento LGBTT que é o verdadeiro mentor dessa desconstrução, é que eles impõem a aceitação da família homo afetiva não como um direito o que é perfeitamente louvável, mas com um absolutismo como questão fechada, não deixando espaço para argumentações e ou opiniões contrarias. Tentam com este pensamento o avanço na desconstrução total da normalidade da heterossexualidade, objetivando afetar a família tradicional, negligenciando estatisticamente a sua existência; não levando, inclusive, em consideração que vivemos em um estado democrático de direito. Agindo assim violam o próprio direito humano.



Neste sentido, entendo que a teoria Queer tenta impor a homossexualidade afirmada como conceito/lugar seguro para a afirmação indenitária de sujeitos, e não percebe este movimento que é mais político e ideológico, que estão confinados à construção imaginária de nossa história e práticas sociais, ou seja, querem desconstruir a heterossexualidade como normal, impondo culturalmente a homossexualidade de maneira compulsória. Em linguagem popular: vamos trocar 6 por meia dúzia?




Esse movimento deixa claro em sua teoria que está embasado nos engajamentos políticos, assumindo a necessidade de se postular algo como uma noção de pós-identidade e de uma política que sustente tal existência à convenção indenitária, fazendo claramente criticas aos saberes religiosos, médicos, psicológicos e jurídicos, afirmando que esse discurso de normas e naturalidade é forjado por estes profissionais. Vou usar aqui uma fala do psiquiatra Dr.Adnet “contra a ciência legítima não cabem malabarismos”.

As críticas à heterossexualidade da maioria da população mundial são severas e descartam totalmente a biologia e genética, desconstruindo estes saberes afirmando que são historicamente arquitetados por poderosos e devem ser desconstruídos pelo movimento queer, numa forma de alinhamento epistemológico com o construcionismo crítico.



E é nesta perspectiva que esse movimento vem se constituindo como referencial teórico à temática da sexualidade e influenciando, no Brasil, as ciências humanas; e que vem exercendo grande influência sobre o campo sociocultural e, em particular, no campo psicológico. Influenciando, ou melhor, norteando toda a psicologia pós-moderna.

Desta forma, na desconstrução, a religião e a fé de todo cidadão têm sido usadas de forma negativa e como reforçador de preconceito contra os homossexuais. Com manipulação intelectualmente desonesta, tentam atribuir ao judaísmo/Cristianismo a normativa da heterossexualidade, levando ao delírio de seus seguidores a lógica da desconstrução da heterossexualidade desrespeitando, inclusive, a laicidade do estado.



Por um lado devemos entender que a interferência e a influência existem como algo que mesmo um Estado laico não está isento de sofrer. Por isso , o embate democrático entre os mais diversos atores sociais se faz necessário, pois dessa forma se estabelecem políticas públicas. Então, todo o seguimento religioso tem que ter este entendimento de que as políticas que contemplem a todos os cidadãos são políticas públicas construídas muitas vezes com nossa omissão. O estado legitima esta políticas públicas que são construídas por vários seguimento, e não podem ser definidas por um grupo e/ou um segmento. Cabe aos religiosos também lutarem pela atenção do estado assim como todos os movimentos fazem

Por outro lado, creio que é chegado o momento de enfrentarmos essa desconstrução e lutarmos por um equilíbrio nessa “invencionice” que levará a humanidade a viver, em um futuro muito próximo, de maneira muito mais intolerante e conflituosa. Porém, esclareço que não podemos negar, de forma alguma, direitos constitucionais de qualquer pessoa, mas, de forma, alguma perverter e/ou inventar direitos. Estamos caminhando para uma cultura do desrespeito ao próximo e de privilégios e cerceamento de direito das maiorias e levantar esta questão é agir com preconceito, segundo essa teoria e esse movimento de reorientação sexual.

Esse embate, esse diálogo entre atores diferentes, movimentos sociais, sociedade e Estado, é algo que não deve ser suprimido, pois constitui-se fruto da democracia brasileira. Não podemos aceitar um estado refém de qualquer ideologia política. Isso não é democracia. Temos que aprender a conviver com o diferente, mas para isso não precisamos nos tornar um. É nosso dever, como cristãos, promover a tolerância, mas também é nosso direito não ser discriminados por nossa fé e por nossa maneira de viver, pois é nossa escolha e nosso princípio.

Estudantes e profissionais devem entender seus deveres de respeito ao próximo, mas devem lançar um olhar crítico aos saberes, inventado e conhecendo de leis e de política É necessário aprender, compreender e lutar, no nosso caso, para que nosso modo de vida não seja desconstruído. Não é preconceito e sim direitos. Vale lembrar que vivemos em um estado democrático de direito e temos os nossos.




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Fonte: .gospelmais.com.br


Este artigo é registrado e faz parte do Livro: “Desconstrução da heterossexualidade, uma imposição LGBTT” é proibida sua reprodução sem autorização e citação da autora.

Referência Bibliográfica
-Lobo, Marisa . Desconstrução da heterossexualidade uma imposição LGBTT- ed. Jocum, Curitiba ,2013
-CECCARELLI, Paulo. A invenção da homossexualidade. Bagoas: estudos gays, gêneros e sexualidades, Natal, n. 2, p. 71-93, 2008.
-CECCARELLI, Paulo. Sexualidade e preconceito. Revista Latino americana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 3, n. 3, p. 18-37, set. 2000
-FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas completas de S. Freud. Tradução de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1980b. v. 7.
-SANTOS JÚNIOR, A. A laicidade estatal no direito constitucional brasileiro. 2008. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=11236>. Acesso em: 28 ago. 2009.
-SOUSA FILHO, Alípio. Por uma teoria construcionista crítica. Bagoas: estudos gays, gêneros e sexualidades, Natal, v. 1, n. 1, jul./dez. 2007. Disponível em: <http://www.cchla.ufrn.br/bagoas/v01n01art02_sfilho.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2009.
-Lizardo de Assis, Cleber Queer theory and the CFP n. 1/99 resolution: a discussion about heteronormativity versus homonormativity – http://www.cchla.ufrn.br/bagoas/v05n06art06_assis.pdf
-Biblia sagrada . ed. Almeida Revista e Atualizada

Em Cristo Marisa Lobo

segunda-feira, outubro 30, 2017

Caso Judith Butler: A prova de que Bolsonaro faz mais pela liberdade do que você







Por Felipe G. Martins(*).


Se você quer ter uma idéia da força e da abrangência do domínio hegemônico que a esquerda ainda exerce em determinadas esferas da nossa sociedade, tudo o que terá de fazer é observar, com atenção, as reações daqueles que estão se levantando contra as vozes minguadas que — por meio de um abaixo-assinado — ousaram dizer que Judith Butler, uma das mentes por trás da ideologia de gênero e uma das responsáveis maiores pelo genocídio cultural do Ocidente, não é bem-vinda no Brasil.

Se o alvo do abaixo-assinado fosse Richard Verrall, um daqueles idiotas que negam o holocausto, nenhum dos nossos elegantíssimos liberais tentaria se valer da ocasião para nos mostrar como são virtuosos, tolerantes e afeitos à liberdade; nenhum deles gritaria contra a censura ou bradaria palavras de ordem sobre liberdade de expressão. Como, porém, o alvo é uma esquerdista badaladíssima pelo establishment cultural, todos eles correm para o centro do palco, prontos para desempenhar com, solicitude e diligência, o papel de idiotas úteis que a esquerda lhes atribuiu.

Tal como o pseudo-historiador britânico, a pseudo-filósofa americana usurpa a credibilidade da ciência com a finalidade de legitimar e avançar uma ideologia política de caráter francamente revolucionário e totalitário. Portanto, se alguma diferença há entre os dois, além da ideologia a que cada um deles serve, é que a ideologia de Verrall é corretamente repudiada por todos, enquanto a ideologia de Butler é louvada, celebrada e promovida por toda a classe falante.

Porém, a verdade é que de nada adianta ressaltar esses fatos, afinal, nossos liberais de palco não reagem à realidade, mas sim ao jogo de impressões criado para aprisionar sua imaginação numa camisa-de-força psicológica, que limita suas ações e reações a um repertório fixado pelo establishment cultural; àquilo que é cool, pega bem e é digno de elogios aos olhos da mesmíssima classe falante que nos bombardeia, diariamente, com a ideologia de Judith Butler; da mesmíssima classe falante que fecha todos os espaços não para radicais como Verall ou Butler, mas para qualquer um que ouse dar voz aos valores, às crenças e às tradições majoritárias da nossa população.

                          Criadora da Ideologia de Gênero virá ao Brasil

Contiuem assinando(AQUI) a Petição para que o SESC Pompéia suspenda a palestra de Butler

(*)Felipe G. Martins - é professor e analista político escreve para o sensoincomum.org




domingo, outubro 29, 2017

Combatendo Judith Butler e a Ideologia de Gênero




Teoria Queer: A mentira que quer se impor.
por Padre José Eduardo(*).




Os Falaciosos pressupostos da Teoria Queer.

A palavra “queer”, em inglês, significa “diferente, esquisito, estranho, bizarro”. E os teóricos “queer” sustentam que a personalidade humana seria espontaneamente assim: “diferente, esquisita, estranha, bizarra”.

Assim como uma árvore “cresce” de modo errático, isto é, imprevisivelmente, sem um curso definido, anormativa, irregular, a não ser que seja “endireitada” por alguma trave que delineasse retilineamente seu curso, seus contornos, a personalidade humana seria também esdrúxula, não fosse uma trave que a enquadrasse em limites odiosamente deterministas: a heteronormatividade.

Heteronormatividade, para eles, é esta ideologia sexista que cataloga a identidade de acordo com a biologia dos corpos: se você nasce macho, é homem; se fêmea, mulher.

Contudo, ressignificada a trave, esvaziada de conteúdo a heteronormatividade, a humanidade poderia retornar à indefinição basal de sua própria identidade.

Daí o conceito de “gênero”, que serve como instrumento para a dessignificação de qualquer identidade. Precisaríamos reconquistar a indefinição. Esta seria a libertação perfeita, que nos alforraria das determinações e nos abriria para a verdade de que, no fundo, o normal é ser estranho, troncho; o normal é ser anormal.

O problema central desta argumentação é que esta repousa sobre um PRINCÍPIO FALSO DE COSMOLOGIA: a ideia de que a natureza seria ERRÁTICA. Nada mais absurdo!

Os entes naturais se movem não a esmo, mas de acordo com pautas muito bem determinadas, a partir de informações que possuem inconscientemente, dentro de si, programando-os de acordo com uma direcionalidade muito clara, estudável, teorizável. É para isso que existem as ciências naturais!

Assim, uma árvore não cresce “queer” simplesmente: é a interação de sua própria “fisiologia” com o ambiente em que se encontra que causa aquele crescimento. A árvore se “estica” em busca de luz e umidade, seus alimentos, e isso não é nada “queer”, é mega determinado.

Obviamente, a natureza humana não é vítima de um determinismo biológico, mas possui racionalidade; a pessoa é capaz de interpretar suas próprias inclinações naturais equacionando-as em vista do próprio bem humano integral, o que supõe a aceitação de si, das próprias determinações, não se as enxergando como limites detestáveis, mas como pauta nas quais escreve a própria biografia, livre, mas não aleatória e irresponsável.

Na verdade, a tal da “heteronormatividade” da qual dizem nos querer libertar, quando vista no arco de todo o desenvolvimento histórico, apresenta-se-nos como um dos fenômenos mais onipresentes e espontâneos que abraçam a totalidade das culturas humanas. Não surge diante de nós como uma “trave” artificial, um estorvo de que nos seria grato o livramento. Nestes termos, inexiste.

Antes, é esta “gêneronormatividade” que se nos quer impor como superestrutura (ou, para utilizar o ludíbrio deles, super-superestrutura) aniquiladora de nossa espontaneidade.
De fato, para que tanto ardil, se o “heteronormativo” é irreal?, para que tanto esforço de desconstrução ou ressignificação do que chamam de “binarismo”, se este é meramente ideológico, enganoso?…

A realidade é evidente: os teóricos de gênero são verdadeiros “ideólogos”, querem nos sufocar na indefinição, nos expropriar de nós mesmos. A “gêneronormatividade” é a trave que nos quer impedir de simplesmente e espontaneamente ser como somos há milênios, sem rótulos de “queer” ou “no queer”, simplesmente ser!

Daí, todas as absurdidades que eles atribuem à artificialidade do heteronormativo, inexistindo este, se imputam à gêneronormatividade: a produção de invisibilidades, de desigualdade, violência, opressão etc. Este é o abuso mais absurdo, o desrespeito soberano, o autoritarismo assassino, o totalitarismo mais estrangulador.

O ser humano, até hoje livre, em se tornando gêneronormativo, se comprimirá numa personalidade vazia, indefinida, incapaz de se conhecer, e, desconhecendo-se, ignorante do cosmos, da verdade, do bem, de Deus…

LEIA TAMBÉM: Criadora da Ideologia de Gênero virá ao Brasil

Nota do Blogando Francamente: A petição pelo Cancelamento da Palestra de Judith Butler no SESC Pompéia entre 7 e 9 de novembro ainda está aberta, assine-a AQUI

Artigo publicado no site do Padre Rodrigo Maria
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Debate sobre identidade de gêneros na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (15/09/2014):



(*) Padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, tornou-se referência no que diz respeito à defesa da família em âmbito nacional.

Acesse o Perfil do Padre José Eduardo no Facebook Aqui

sexta-feira, outubro 27, 2017

Criadora da “ideologia de gênero” virá ao Brasil










por Marcelo Faria(*).



Evento visa atualizar a Escola de Frankfurt.


O Sesc Pompeia abrigará, entre os dias 7 e 9 de novembro de 2017, o seminário internacional Os Fins da Democracia / The Ends Of Democracy. De acordo com a descrição do evento, ele seguirá “o espírito da abordagem crítica formulada pela geração frankfurtiana da teoria crítica e reunirá filósofos, sociólogos, antropólogos, cientistas políticos e psicanalistas de vários países para abordar a necessidade de uma reatualização da teoria crítica à luz dos presentes desafios políticos”. Em outras palavras: o evento visa atualizar a Escola de Frankfurt.

O seminário é organizado pelo Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com a Universidade da Califórnia em Berkeley (UC Berkeley) – principal sede do pensamento da Escola de Frankfurt na atualidade – e é o segundo encontro do ciclo de conferências do “Convênio Internacional de Programas de Teoria Crítica”. A vinda de todos os palestrantes internacionais é financiada pela fundação americana Andrew W. Mellon Foundation.



A abertura e o encerramento do evento contarão com a participação da doutora em Filosofia pela Universidade Yale e professora de Retórica e Literatura Comparada da UC Berkeley, Judith Butler, criadora da anti-científica “ideologia de gênero”, a qual define que “as ações apropriadas para homens e mulheres foram transmitidas para produzir uma atmosfera social que mantém e legitima a existência aparentemente natural de dois gêneros” (como descreve em seu livro “Performative Acts and Gender Constitution, de 1988). Sua obra mais conhecida, entretanto, é “Problemas de Gênero – Feminismo e a Subversão da Identidade” (1990), onde Butler mistura Freud, Simone de Beauvoir, Jacques Lacan e Michel Foucault para afirmar: o gênero, o sexo e a sexualidade seriam “construídos culturalmente” de acordo com o que a sociedade permite que seja visto como coerente e natural, em uma “ordem compulsória”. Desta forma, seria necessário “desconstruir as ligações entre sexo e gênero”, ignorando a biologia, para que os gêneros sejam “flexíveis e de flutuação livre”, o que se tornou a base da teoria queer, também conhecida como “ideologia de gênero”.



Uma petição na Internet (ASSINE AQUI ) pede que o SESC Pompeia cancele a presença de Judith Butler no evento e até o momento conta com mais de 27 mil assinaturas.


Fonte: ilisp.org.