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segunda-feira, outubro 31, 2016

Conservadores vs. Liberais.








por Leonardo Correa. 

Nota do Blogando: Esse artigo foi originalmente escrito em janeiro de 2014. Após o Impeachment da ex presidente Dilma os ânimos entre conservadores e liberais voltaram a "esquentar". Alguns conservadores até aprenderam a usar a mentira das esquerdas editando vídeos e falas para desacreditar um governo que mal começou, esquecendo-se que quase nada foi feito ainda para reconstruir o pais quebrado e roubado pelo PT.

A cada dia que passa fico mais perplexo com a obsessão de alguns liberais e conservadores em criar uma verdadeira frente de combate entre ambos. Não concordo com tudo o que cada linha de pensamento defende. Todavia, o núcleo ideológico dos conservadores é muito próximo ao dos liberais. A grande maioria concorda com a premissa de que a intervenção do Estado na esfera particular do indivíduo é nociva. Defendem, por um lado, que o livre mercado é a melhor escolha e que a liberdade de expressão é fundamental. Afirmam, por outro, que os princípios democrático e republicano, em conjunto com o direito de propriedade, são pilares de uma sociedade livre.

Os pontos de divergência, na minha opinião, são meramente acidentais e não essenciais – estão todos na periferia. Gastar tempo com essa batalha sem sentido é desperdício de energia e perda de tempo. No momento, como já disse diversas vezes, corremos sério risco de um totalitarismo de esquerda. O Partido dos Trabalhadores está a um passo de ficar, pelo menos, 04 (quatro) mandatos seguidos no poder. Isso, caso seu plano de dominação total e absoluta, por alguma razão, vá por água a baixo.

Nos últimos anos a esquerda foi gradativamente solapando as instituições democráticas e o princípio republicano. Enquanto isso, perdemos tempo em uma verdadeira picuinha entre liberais e conservadores. Ora bolas caçarolas, ao focar nessa frente deixamos a esquerda totalitária seguir placidamente em seu objetivo.

Colabore; sem isso o blog não será nem conservador
nem liberal, será apenas mais um no SPC


Faço uma simples indagação: antes de tomar o poder, alguém havia visto qualquer ataque entre os membros da esquerda? Eu nunca vi. Ainda que eles tenham divergências, isso nunca os impediu de unir as forças com vistas ao “plano maior de dominação e poder”.

No entanto, alguns liberais insistem em atacar conservadores (e vice versa). Isso, em um país no qual o espetro político é monopolizado pela esquerda em conjunto com puxa sacos fisiológicos que adoram a posição de “amigos do rei”. Ou seja, somos reféns de totalitaristas e aproveitadores.

Se continuarmos assim, sinceramente, seremos escravos da esquerda para sempre. Em artigo recente, apontei que o Brasil despencou da posição 58 para 114 no ranking de liberdade econômica da Heritage Foudation, desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu o poder. Estamos marchando para algum lugar próximo à Coreia do Norte e Cuba, respectivamente 178 e 177. Enquanto isso, liberais e conservadores – sem qualquer representatividade política no país – perdem tempo e foco com batalhas inúteis.

Já está na hora de por as picuinhas de lado e criar uma oposição verdadeira. Se algum liberal ou conservador acha que devemos ser iguais, eles estão enganados e devem se juntar à esquerda imediatamente. Partindo da premissa de que somos todos diferentes, deveríamos nos concentrar no que é essencial: impedir que a ditadura totalitarista, atualmente em gestação, se concretize.

Estamos no momento de gastar tinta, megabytes, tempo e foco em debates periféricos? Acho que não. Repito o que disse linhas acima, não temos (liberais e conservadores) qualquer representatividade política! Com todo respeito, essa batalha me parece discussão de bêbados nos bares da vida. Não vamos a lugar nenhum com isso.

Fico imaginando a alegria que os esquerdosos sentem quando percebem que somos incapazes de nos unir em torno das questões essenciais. Eles devem gargalhar e dizer: “essa turma não traz qualquer risco para nós”. E, assim, nos tornaremos cúmplices do golpe por absoluta falta de tolerância e capacidade política para viver em um regime democrático, respeitando nossas diferenças e nos unindo em torno das semelhanças.

Aos “dinheiristas” de plantão, não se assustem e podem ficar bem tranquilos. A esquerda não vai acabar com o capitalismo, vai usá-lo em prol do Estado, tal qual os Chineses. Podem continuar tomando champanhe, comendo caviar, andando de Ferrari, usando roupas de grife… Nada disso mudará, afinal de contas, todos – pobres e ricos – precisam de “pão e circo”.

Fonte: Instituto Liberal

sexta-feira, setembro 16, 2016

A fórmula para um mundo mais rico? Liberdade, justiça e virtudes burguesas.






por Deirdre McCloskey (Mises Brasil)


Idéias e uma profunda mudança de atitude geraram nosso enriquecimento


O mundo é rico e irá se tornar ainda mais rico. Pare de se preocupar.


Nem todos já estão ricos, é claro. Aproximadamente um bilhão de pessoas no planeta ainda sobrevive com a equivalente a US$ 3 por dia ou menos. No entanto, no ano de 1800, praticamente todas as pessoas sobreviviam com US$ 3 ao dia (em valores de hoje).

O Grande Enriquecimento começou na Holanda do século XVII. No século XVIII, o fenômeno já havia se espalhado para Inglaterra, Escócia e as colônias americanas. Hoje, ele é praticamente universal.

Economistas e historiadores concordam quanto à sua espantosa e surpreendente magnitude: em 2010, a renda média diária de uma grande variedade de países, incluindo Japão, EUA, Botsuana e Brasil, havia crescido de 1.000 a 3.000% em relação aos níveis de 1800. As pessoas deixaram de viver em tendas e cabanas de lama e foram morar em casas de dois andares e apartamentos em condomínios. Saíram de uma realidade marcada por doenças causadas por água suja e infectada e alcançaram uma expectativa de vida de 80 anos. Saíram da ignorância plena para a alfabetização e o conhecimento.

Ainda há quem diga que os ricos se tornaram mais ricos e os pobres, mais pobres. Nada mais errado. A se julgar pelo padrão de conforto básico trazido por itens essenciais, as pessoas mais pobres do planeta foram as que mais ganharam. Em locais como Irlanda, Cingapura, Finlândia e Itália, mesmo as pessoas que são relativamente pobres têm acesso a alimentação adequada, educação, alojamento e cuidados médicos. Seus ancestrais não tinham nada disso. Nem mesmo remotamente.

Desigualdade de riqueza financeira é algo que varia intensamente ao longo do tempo; no entanto, no longo prazo, esta se reduziu. A desigualdade financeira era maior em 1800 e em 1900 do que é hoje,como até mesmo o economista francês Thomas Piketty reconheceu. E quando se toma como base o conforto trazido pelo consumo de itens básicos — que é o padrão mais importante de mensuração —, a desigualdade dentro de um país, e também entre países, caiu quase que continuamente.

[N. do E.: a este respeito, vale repetir um trecho deste artigo:

Diferenças na propriedade de ativos não significam uma igual diferença no padrão de vida, muito embora várias pessoas tenham esse fetiche. Por exemplo, a riqueza de Bill Gates deve ser 100.000 vezes maior do que a minha. Mas será que ele ingere 100.000 vezes mais calorias, proteínas, carboidratos e gordura saturada do que eu? Será que as refeições dele são 100.000 vezes mais saborosas que as minhas? Será que seus filhos são 100.000 vezes mais cultos que os meus? Será que ele pode viajar para a Europa ou para a Ásia 100.000 vezes mais rápido ou mais seguro? Será que ele pode viver 100.000 vezes mais do que eu? 

O capitalismo que gerou essa desigualdade é o mesmo que hoje permite com que boa parte do mundo possa viver com uma qualidade de vida muito melhor que a dos reis de antigamente. Hoje vivemos em condições melhores do que praticamente qualquer pessoa do século XVIII.]

Em todo caso, o problema sempre foi a pobreza, e não a desigualdade em si. O problema não é quantos iates possui a herdeira da L'Oreal Liliane Bettencourt, mas sim se a francesa média possui o suficiente para se alimentar. À época em que se passa a história de "Les Misérables", ela não tinha. Nos últimos 40 anos, estima o Banco Mundial, a proporção da população mundial vivendo com apavorantes US$ 1 ou US$ 2 por dia caiu 50%. 

Paul Collier, economista da Universidade de Oxford, nos exorta a ajudar aquele "1 bilhão de pessoas mais pobres do mundo" entre as mais de 7 bilhões de pessoas que habitam a terra. Claro, esse é nosso dever moral. Mas ele também observa que, 50 anos atrás, de cinco bilhões de pessoas, quatro bilhões (80%) viviam em condições miseráveis. Em 1800, eram 95% de um bilhão.

Podemos melhorar as condições da classe operária. Aumentar a produtividade — o que permite aumentos salariais — por meio de engenhos possibilitados pela criatividade humana é o que sempre funcionou. Em contraste, tomar dos ricos para dar aos pobres é um truque que fornece alívio apenas momentâneo. Por definição, a expropriação é sempre um truque efêmero, sem qualquer efeito benéfico de longo prazo. Já o enriquecimento trazido por aprimoramentos testados e aprovados pelo mercado é algo perene e que pode se perpetuar por séculos. Mais ainda: é o que trará ainda mais conforto em termos de acesso a itens básicos e essenciais a praticamente qualquer pessoa do planeta. 

As causas deste Grande Enriquecimento

Mas o que então gerou este grande enriquecimento iniciado ainda na Holanda do século XVII?

Em termos simplificados, houve uma mudança radical na mentalidade das pessoas. Houve uma mudança na atitude das pessoas em relação ao empreendedorismo, ao sucesso empresarial e à riqueza em geral

Antes de os holandeses, por volta de 1600, ou de os ingleses, por volta de 1700, mudarem o seu modo de pensar, havia honra em apenas duas opções: ser soldado ou ser sacerdote. A honra estava apenas em estar ou no castelo ou na igreja. As pessoas que meramente compravam e revendiam coisas para sobreviver, ou mesmo as que inovavam, eram desprezadas e escarnecidas como trapaceiras pecaminosas.

Um carcereiro, no ano de 1200, rejeitou apelos de misericórdia de um homem rico: "Ora, Mestre Arnaud Teisseire, o senhor chafurdava na opulência! Como poderia não ser um pecador?"

E então algo mudou. Primeiro na Holanda, quando a população se revoltou contra o controle espanhol do país. Depois na Inglaterra, com sua revolução, a qual é considerada a primeira revolução burguesa da história. As revoluções e reformas da Europa, de 1517 a 1789, deram voz a pessoas comuns fora das hierarquias de bispos e aristocratas. As pessoas passaram a admirar empreendedores como Benjamin Franklin, Andrew Carnegie e, atualmente, Bill Gates. A classe média, a burguesia, passou a ser vista como boa e ganhou a autorização para enriquecer.

De certa forma, as pessoas assinaram o 'Tratado da Burguesia', o qual se tornou uma característica dos lugares que hoje são ricos, como a Inglaterra, a Suécia ou Hong Kong: "Deixe-me inovar e ganhar dinheiro no curto prazo como resultado dessa inovação, e eu o tornarei rico no longo prazo".

E foi isso que aconteceu. Começou no século XVIII com o pára-raios de Franklin e a máquina a vapor de James Watt. Isso foi expandido, nos anos 1820 (século XIX), para uma nova invenção: as ferrovias com locomotivas a vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam. Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie. Ambos eram escoceses que viviam nos EUA. 

Tudo se intensificaria ainda mais no restante do século XIX e aceleraria fortemente no início do século XX. Consequentemente, o Ocidente, que durante séculos havia ficado atrás da China e da civilização islâmica, se tornou incrivelmente inovador. As pessoas simplesmente passaram a ver com bons olhos a economia de mercado e a destruição criativa gerada por suas lucrativas e rápidas inovações.

Deu-se dignidade e liberdade à classe média pela primeira vez na história da humanidade e esse foi o resultado: o motor a vapor, o tear têxtil automático, a linha de montagem, a orquestra sinfônica, a ferrovia, a empresa, o abolicionismo, a imprensa a vapor, o papel barato, a alfabetização universal, o aço barato, a placa de vidro barata, a universidade moderna, o jornal moderno, a água limpa, o concreto armado, os direitos das mulheres, a luz elétrica, o elevador, o automóvel, o petróleo, as férias, o plástico, meio milhão de novos livros em inglês por ano, o milho híbrido, a penicilina, o avião, o ar urbano limpo, direitos civis, o transplante cardíaco e o computador.

O resultado foi que, pela primeira vez na história, as pessoas comuns e, especialmente os mais pobres, tiveram sua vida melhorada.

Será que o mundo enriqueceu, como diz a esquerda, por meio da exploração de escravos ou de trabalhadores? Ou por meio do imperialismo? Não. Os números são grandes demais para ser explicados por um roubo de soma zero.

Não foi a exploração dos pobres, nem investimentos, nem instituições já existentes. O que causou o Grande Enriquecimento foi uma mera mudança de mentalidade, uma mera mudança de atitude. Ou, para simplificar, uma mera ideia, a qual o filósofo e economista Adam Smith rotulou de "o plano liberal para a igualdade, a liberdade e a justiça". Em uma palavra, foi o liberalismo. Dê às massas de pessoas comuns igualdade perante a lei e igualdade de dignidade social, e então deixe-as em paz. Faça isso e elas se tornam extraordinariamente criativas e energéticas.

A ideia liberal foi gerada por uma feliz coincidência de acontecimentos no noroeste europeu de 1517 a 1789: a Reforma, a Revolta Holandesa, as revoluções na Inglaterra e na França, e a proliferação da leitura. Estes acontecimentos, conjuntamente, libertaram as pessoas comuns, dentre elas a burguesia e sua livre iniciativa. 

Em termos sucintos, o Tratado da Burguesia é este: primeiramente, deixe-me tentar este ou aquele aprimoramento. Ficarei com os lucros, muito obrigado. Porém, em um segundo ato, estes lucros servirão de chamariz para aqueles importunos concorrentes, os quais irão também entrar no mercado, aumentar a oferta de bens e serviços, pegar parte da minha clientela e, consequentemente, erodir esses meus lucros (como a Uber fez com a indústria de táxi). Já no terceiro ato, após todos os aprimoramentos e melhorias que criei terem se espalhado, eles farão com que você melhore de vida substantivamente e fique rico.

E foi isso o que ocorreu.

Você pode discordar e dizer que idéias são coisas corriqueiras e nada especiais, sendo que, para torná-las realidade, é necessário termos um capital físico e humano adequado, bem como boas instituições. Esta é uma ideia muito popular, principalmente à direita, mas é errada. Sim, é necessário ter capital e instituições para implantar e incorporar as idéias. Mas capital e instituições são causas intermediárias e dependentes, e não a raiz.

A causa básica do enriquecimento foi, e ainda é, a ideia liberal, a qual originou a universidade, a ferrovia, as edificações, a internet e, mais importante de tudo, nossas liberdades. A acumulação de capital é extremamente importante, mas não é a causa precípua do enriquecimento. Qual foi a acumulação de capital que inflamou as mentes de William Lloyd Garrison e Sojourner Truth

Desde Karl Marx, a humanidade criou o hábito de buscar explicações materiais para o progresso humano. Depender exclusivamente do materialismo para explicar o mundo moderno — seja o materialismo histórico da esquerda ou o economicismo da direita — é um erro. Idéias sobre a dignidade humana e a liberdade foram as grandes responsáveis. O mundo moderno surgiu quando se começou a tratar as pessoas com mais respeito, concedendo a elas mais liberdade.

Mudanças econômicas em todo e qualquer período da história dependem — muito mais do que os economistas acreditam — da mentalidade das pessoas. Dependem daquilo em que elas acreditam. Foram idéias e mudanças de atitude o que geraram o nosso enriquecimento.

É claro que nem todas as idéias são doces. Fascismo, racismo, eugenia e nacionalismo são idéias que, recentemente, estão adquirindo um alarmante índice de popularidade. Mas idéias práticas e agradáveis a respeito de tecnologias lucrativas e de instituições libertadoras, bem como a ideia liberal que permitiu que pessoas comuns, pela primeira vez na história, tivessem liberdade para empreender e enriquecer, geraram o Grande Enriquecimento. Por isso é importante inspirar, estimular e encorajar as massas. As elites não precisam desse empurrão, pois já são plenamente inspiradas. Igualdade perante a lei e igualdade de dignidade ainda são a raiz do desenvolvimento econômico e espiritual.

Por fim, a grande ameaça à nossa prosperidade não são as recessões econômicas temporárias, mas sim a adoção de atitudes contrárias ao lucro e ao progresso. Quando o ato de empreender e ganhar dinheiro passa a ser demonizado, e quando a inovação é obstaculizada, perdemos aquilo que Adam Smith rotulou de "o óbvio e simples sistema da liberdade natural". Aceitar e respeitar o capitalismo é uma ideia que funcionou muito bem para as pessoas ao longo dos dois últimos séculos. Sugiro que a aceitação e o respeito devem continuar.

terça-feira, setembro 15, 2015

A surpreendente moda do “LUBERalismo” - um motivo para nos animarmos.











por Luciana Lopes e Adriano Gianturco (*).




Um dos efeitos mais interessantes da chegada da Uber no Brasil tem sido a súbita e surpreendente defesa do livre mercado empreendida pelos seus usuários diante das recentes tentativas de proibição do aplicativo.

O "luberalismo" dos usuários surpreende pela qualidade dos argumentos. Nas redes sociais, condena-se a reserva de mercado dos táxis e o caráter coercitivo da organização do transporte público e seu sistema de licenças estatais. Muitos invocam seu direito de escolha: por que devem ser limitados apenas a um serviço, quando seria possível escolher entre vários?

Outros questionam a qualidade do serviço prestado pelos táxis, acostumados ao monopólio, e a compara à dos novos entrantes, apontando que a concorrência leva a uma melhoria geral da qualidade do serviço e do bem estar dos consumidores.

Outros ainda apontam que, a depender do legislador, estaríamos ainda usando máquinas de escrever, e que a Uber já é suficientemente regulamentada pelos seus próprios usuários. Todos argumentos clássicos, há séculos defendidos pelos liberais e libertários, feitos espontaneamente por pessoas que, por ignorância ou opção, provavelmente torcem o nariz quando ouvem falar em "liberalismo".

Há um motivo pelo qual o senso comum, no caso da Uber, se adequou à defesa da liberdade. 


O economista Donald Boudreaux diz que estamos tão bem acostumados com a fluidez dos mercados no nosso dia a dia que nunca nos perguntamos como as trocas entre bilhões de pessoas desconhecidas podem funcionar tão bem a ponto de sempre podermos encontrar um prato de comida em um restaurante. Em geral, quando questionado a pensar nos mercados, o consumidor se sente alheio a esse grande e complexo sistema (apesar de ser, como definiu Ludwig von Mises, seu soberano) e tende a querer controlá-lo e a planejá-lo por meio de legislações e regulamentos governamentais. 


A Uber, ao contrário, torna o funcionamento do mecanismo de trocas e a soberania do consumidor claros e evidentes — por meio de um simples aplicativo, o usuário decide, escolhe e avalia o serviço que adquire.

Ele sabe que não é da benevolência do motorista que vêm a água, as balinhas e a gentileza, mas do seu empenho em promover seu auto-interesse — no caso, as 5 estrelinhas que garantem sua continuidade na rede. A própria lei da oferta e da demanda é evidenciada pela tarifa dinâmica — o usuário vê os preços subirem nos momentos de maior tráfego e decide se vale ou não a pena solicitar a viagem.

Assim, o aplicativo Uber permite ao usuário exercer e experimentar diretamente o poder autorregulador dos mercados.

Porquanto o Luberalismo da ocasião deva ser celebrado em um país de tradição autoritária e antimercadista, é o momento de mostrar que ele não deve se restringir à Uber. Os argumentos a favor da abertura e da competição, evidentes no caso do aplicativo, valem para toda a economia.

No transporte coletivo, as vans, concorrendo com as concessionárias, fazem trajetos mais eficientes e baratos, garantindo um serviço melhor à população mais pobre. Na fotografia, um mercado ainda relativamente livre (não se depender do Senado Federal), qualquer pessoa pode ter seus momentos documentados, por preços baixíssimo ou altos, por novatos ou profissionais de renome. 


Na telefonia, viu-se como a abertura à competição (ainda que limitadíssima, no caso do Brasil), possibilitou a universalização dos celulares. Na Índia e na Guatemala, onde a liberalidade quanto às concessões de telefonia é grande, as tarifas estão entre as menores do mundo.

Na nova economia compartilhada, plataformas como Airbnb, Udemy, Indiegogo, que possibilitam trocas entre seus usuários, estão provocando uma verdadeira revolução de preços, qualidade e oferta.

Assim, quando nos deparamos com mercados aparentemente complexos e não conseguirmos imaginar como poderia se dar seu funcionamento sem uma regulamentação centralmente planejada, tentemos "uberizá-lo". Imagine um Uber para diaristas, contadores, advogados, médicos ou professores. Imagine um Uber para a compra de carros, eletrodomésticos ou comida.

Imagine que exista um aplicativo que conecte tomadores e prestadores daquele serviço, ou consumidores e produtores daquele bem. Imagine essa plataforma descentralizada, que dá aos usuários um poder real de avaliar e direcionar os preços, quantidades e qualidade desses bens e serviços.

Essa plataforma é o livre mercado.




Luciana Lopes é formada em Direito pela UFMG e atua como consultora legislativa de finanças públicas.

Adriano Gianturco é doutor em Teoria Política, professor do Ibmec de Belo Horizonte, e autor do livro "O empreendedorismo de Israel Kirzner.

Fonte: http://www.mises.org.br/

terça-feira, julho 21, 2015

Suicídios políticos.






por Alberto Mansueti





Vinte e tantos anos depois da queda do Muro de Berlim (1989), e do colapso da União Soviética (1991), a esquerda segue viva, e até mesmo em posição de domínio, na América Latina, Estados Unidos e em grande parte do mundo.

E por quê? Simples: porque a direita cometeu suicídio político. Uma força política pode suicidar-se de várias formas, e a direita escolheu o “igualismo”, que em inglês chamam de me-tooism (me too = eu também). No mercado é quando se lança uma oferta igual ou muito similar a da concorrência. Um equívoco grosseiro: a arte comercial consiste em distinguir-se, não em igualar-se; porque se há originais, ninguém quer cópias.

Negar a vigência ou até mesmo a validade do espectro esquerda-direita é um erro, e mais ainda: uma fraude, que é parte da grande farsa da esquerda, porque essas são as categorias básicas e universais na política, assim como norte e sul, homem e mulher, capitalismo e socialismo, positivo e negativo. Direita e esquerda se opõem em suas promessas básicas porque derivam de visões contrárias da sociedade humana. Quais são? Abraham Kuyper (1837-1920), teólogo calvinista que foi primeiro ministro na Holanda, as explicou assim:

(1) A direita defende a ordem social descentralizada: a família, a economia, a educação, a ciência, arte, cultura e religião são “esferas separadas” do Estado. E o governo somente garante segurança, justiça e obras de infraestrutura, com imposto moderados e com percentuais iguais; ele não se “assenhora” das instituições próprias de cada esfera, cada uma delas “soberana” sobre si. Porém, há uma direita má, o mercantilismo ou “capitalismo de compadres”; e uma direita liberal, que é a boa direita.

(2) A esquerda tem seu plano de reforma para a sociedade inteira, que não se limita a “redistribuir a riqueza” na ordem econômica, como propõe o social-comunismo; essa é só uma isca para gananciosos incautos, e é a parte visível do iceberg. Seu programa inclui abolir a propriedade privada, a família, a religião e o Estado (ao menos como o conhecemos); e para isso exige a subversão da ordem, e a escravidão de todas as esferas ao reino político, e a um governo central, dando um giro radical e “total” (isto é, totalitário) na sociedade, uma “mudança segundo um plano”, chamado “Revolução”. E há uma esquerda má: o socialismo dito “democrático”; além de uma esquerda ainda pior: o nazicomunismo.

(O dito “anarcocapitalismo” rejeita a divisão entre direita e esquerda porque é ele mesmo uma mescla de capitalismo com marxismo cultural, e como todo híbrido é instável, inviável, estéril e inclassificável).

Contra o propósito (ou despropósito) da esquerda, Kuyper fundou, ao final do século 19, um partido, obviamente de direita, que chamou de “Anti-Revolucionário”. Ele ganhou sua primeira eleição em 1901, e depois disso quase todas as demais, até que começou a imitar os socialistas em suas promessas, e desapareceu. O mesmo aconteceu em outros países europeus. E nos Estados Unidos, que desde 1968 até agora, de onze eleições para presidente o Partido Republicano chegou a ganhar sete com propostas claramente de direita, e perdeu quatro com propostas “igualistas”, em 1976, 1992, 1996 e 2008. Esse fato se repete em eleições para parlamentares e em nível local.

E por quê? Fácil: porque em toda parte sempre há: (1) a “minoria barulhenta” que vota na esquerda; (2) a “maioria silenciosa” ou trabalhadora, de família ou empresária, que vota pela direita, quando há, e se as propostas são liberais e atrativas; e (3) os iludidos, que nem sequer fazem ideia da situação em que se encontram.

E na nossa América Latina? A direita fracassa porque apresenta candidatos mercantilistas, incompetentes e personalistas, com ofertas igualistas. Em muitos países a direita se suicidou ou sumiu, e agora a rivalidade é entre a esquerda branda e a radical, e quase sempre a radical vence, como é lógico quando não há um desafio à matriz de opinião dominante, que é contra o capitalismo e a favor do socialismo.

Há espaço para a direita liberal na América Latina? Muito. A classe média independente, ou seja, técnicos e profissionais que não dependem do governo. E a burguesia informal, ou seja, o setor privado clandestino (mercado negro). E muita gente dependente do governo, mas que acredita que seria muito melhor fazermos as Cinco Reformas, que por certo não são patrimônio exclusivo dos liberais: às vezes elas são postuladas por especialistas não liberais, embora intelectualmente honestos, do FMI e do Banco Mundial, ainda que por iniciativa individual, com o nome de “reformas micro-econômicas” ou “reformas de segunda geração”.

Porém, deparamos com o suicídio político e econômico dessa classe média e da burguesia incipiente, que vota na esquerda e depois promove gigantescas manifestações de rua, cem por cento inúteis por se tratar de “diretismo”; ou seja, sonhos de uma democracia “direta” ideal, não real. O socialismo ideal é uma utopia na economia, tal como o “diretismo” na política, dizem autores não liberais, porém inteligentes e eruditos (como Giovanni Sartori), o qual serve aos fins da esquerda, por isso a promove. A maioria silenciosa se ocupa de sua casa e de seu trabalho, e não tem tempo para atividade política, nem para investigar as ciências políticas; por isso deve confiar em seus representantes legítimos, e na democracia “indireta” ou representativa, que é sua garantia de independência, e de sobrevivência.

A classe média é vítima dos veteranos profissionais do socialismo e de seus enganos: a partidofobia e a antipolítica. Ela investe cega contra a representação política, porque os embusteiros da politicagem e os charlatões da mídia lhe dizem que os iPhones, o Twitter e o Facebook, e as marchas “indignadas” substituem a democracia representativa com seus partidos.

Ilusões; porém trágicas, visto que levam ao suicídio.



Alberto Mansueti é advogado e cientista político.

domingo, julho 05, 2015

Educação domiciliar, casamento gay, liberais ateus e outras notas.










Por Alexandre Magno Fernandes Moreira



Dias atrás um amigo brincou, dizendo: "do jeito que as coisas estão indo, o STF vai acabar considerando obrigatória a educação domiciliar!" Na hora, achei engraçado o otimismo dele, mas depois me lembrei que na verdade a educação domiciliar já é obrigatória. Quando a Constituição declara que a educação é um dever da família, está obrigando os pais a educarem seus filhos em casa. A educação domiciliar, portanto, não é um direito dos pais, mas um dever que deve ser cumprido por eles, sem possibilidade alguma de delegação.


O que está em discussão agora no STF é se um dos componentes da educação, a instrução, pode ser dada exclusivamente em casa ou se requer a frequência a uma escola. Nós estamos preparados para demonstrar não apenas que os pais têm autonomia para decidir sobre isso como também em regra têm condições adequadas para instruir os filhos em casa.

*

Está confirmado para a Global Homeschool Convention (Rio de Janeiro, março de 2016) Sugata Mitra, uma das maiores autoridades mundiais em inovação educacional. Vale a pena conferir sua fantástica palestra no TED:






O pessoal "mais esclarecido" adora propagar a existência de uma equação que seria mais ou menos assim: "mais escolas é igual a menos presídios". Em outras palavras, quanto maior o acesso à educação formal, menor a criminalidade. O curioso é que no Brasil tem acontecido o fenômeno inverso: há pelo menos três décadas, o aumento da criminalidade está ocorrendo de forma concomitante com o aumento do acesso à educação formal, e ambos de forma bem expressiva. Quem tiver paciência, pode conferir, por exemplo, a evolução do número de homicídios conjugada com o número de estudantes universitários; nas duas situações, os números foram multiplicados por várias vezes nas últimas décadas. Em estatística, isso pode significar duas coisas: a) não há relação nenhuma entre essas duas variáveis; ou b) o aumento de uma contribui, ou é até mesmo determinante, para o aumento da outra. Neste ponto, sou obrigado a fazer uma pergunta incômoda: e se a verdadeira equação for "mais escolas é igual a mais presídios"? Em outros termos, e se o aumento do acesso à escola estiver de algum modo contribuindo para o aumento da criminalidade?

*

Não acredito no discurso do pragmatismo. Seres humanos são profundamente emocionais e simbólicos, e apenas raramente agem tendo em vista um resultado futuro favorável. Então, quase sempre em que alguém usa um raciocínio consequencialista, fico me indagando qual é a sua real motivação.

Isso me veio à mente quando assisti o entusiasmo dos deputados de esquerda com a rejeição da emenda constitucional que previa a redução da maioridade penal para 16 anos (apenas para crimes hediondos). Afora alguns que têm um interesse concreto no aumento da criminalidade, todos estavam agindo para defender sua visão de mundo, essencial à sua identidade como seres humanos. O esquerdista típico acredita na bondade inata das pessoas, que seriam corrompidas pela "sociedade" (sim, isso é Rousseau!), mais exatamente por não ter tido oportunidades suficientes nessa sociedade.

É inconcebível para a esquerda a existência do mal. Tudo seria resolvido por mais oportunidades econômicas e mais educação. É mais ou menos assim: o sujeito mata e estupra porque é pobre (já perceberam o preconceito contra os pobres?) e porque não estudou suficientemente Geografia, Química e Matemática. Faz sentido pra você?

*

É difícil imaginar um sujeito mais esquizofrênico do que o militante liberal e ateu. Ele realmente acredita na utopia de um mundo sem religião e com Estado mínimo. Para essa pessoa, além de sugerir um bom psiquiatra, não custa nada lembrar que, ao menos no mundo ocidental, a principal força contra a expansão do poder estatal é a religião, essencialmente as várias denominações cristãs. Aliás considerando que quase toda caridade privada é feita por meio de organizações religiosas, se estas deixarem de existir, qual entidade você acha que vai assumir esse espaço?

*

Boa parte das pessoas se casa e tem filhos principalmente por status. Constituir família seria um atestado de que a pessoa tornou-se madura, ultrapassou os desvarios da juventude. A pressão implícita dos amigos tem papel fundamental nessa decisão (quando quase todos os amigos se casaram, você sente que "o cerco está se fechando"). A partir de certa idade, pega mal não estar casado ou não ter filhos. O resultado dessa busca por status são casamentos que nunca deveriam ter acontecido, pois um ou mesmo os dois cônjuges não têm nenhuma vocação matrimonial e assim apenas conseguem criar um inferno para si mesmos. Da mesma forma, filhos são muitas vezes gerados apenas para que seus genitores possam se declarar "pai e mãe" perante seus pares; obviamente, gerar é muito mais fácil que educar, o que leva ao conhecido fenômeno da "terceirização dos filhos".

Permitam-me perguntar: como seria se o casamento e a criação de filhos não gerassem absolutamente nenhum status, nenhuma nova forma de respeitabilidade?

*

Nessas discussões coloridas e acaloradas sobre a decisão da Suprema Corte americana, acho que dois fatores importantes estão passando despercebidos.

Em primeiro lugar, tanto nos EUA quanto aqui, a Constituição não prevê o direito ao casamento gay. Em ambos os países, as cortes supremas fingiram interpretar a Constituição quando na verdade apenas expressaram a ideologia da maioria de seus membros (no caso do STF, de todos os seus membros). Isso deveria deixar de cabelo em pé todas as pessoas que atuam na área jurídica, independente da sua opinião sobre o assunto. Pelo visto, não provocou comoção nenhuma. Bem, tanto aqui como lá, o desprezo pela Constituição vem travestido como interpretação desta. Nunca se sabe o que virá a seguir...

Em segundo lugar, parece que esqueceram de alguém nessa equação: as crianças, que, nos termos da Constituição, devem ter "prioridade absoluta". Alguém por acaso já ouviu falar em um estudo empírico sobre menores criados por casais gays? Pois é, nem eu! Quer dizer que criaram uma nova instituição jurídica sem saber qual o efeito que terá sobre os membros mais frágeis da sociedade? Vale lembrar o óbvio: reconhecer a existência jurídica do casamento homossexual significa necessariamente reconhecer o direito de os cônjuges adotarem. E o direito dos futuros adotandos? Ninguém está preocupado com isso?

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O conservadorismo em uma frase: "a realidade existe" (você é livre para ir contra ela, mas terá que arcar com as consequências). O esquerdismo em uma frase: "tudo são opiniões" ("e nós queremos impôr nossas opiniões a vocês ").

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Há uma gigantesca diferença entre ser vítima e fazer o papel de vítima. Todos nós já fomos vítimas de injustiças incontáveis vezes. Desde um chefe que indevidamente não reconheceu o trabalho do subordinado até a pessoa que brigou com o cônjuge apenas para descontar em alguém a sua frustração com a vida, não faltam situações em que somos injustamente prejudicados. A grande questão é como reagir aos infortúnios inevitáveis da vida.

De modo bastante simples, a pessoa pode agir ou reclamar. Ao agir, os reveses são reconhecidos como oportunidades de crescimento, amadurecimento e aprendizado. Não se perde tempo buscando culpados: ou se busca uma solução ou se releva o infortúnio como algo irrelevante. Essa é atitude de uma pessoa emocionante adulta.

Por outro lado, quem apenas reclama escolhe o papel de vítima. Ele decidiu jogar toda a responsabilidade por sua vida nas costas alheias. "O mundo é injusto e eu nunca sou responsável pelas coisas ruins que me acontecem" é o lema de sua vida. E com muita facilidade racionalizam esse sentimento. Sempre encontram bons argumentos. São os adolescentes emocionais, mesmo que há muito já tenham passado dos 18 anos.

Todos são livres para escolher uma ou outra atitude. Porém, ao escolher o papel de vítima, as pessoas abrem mão da maior dádiva que o ser humano tem: a de definir seu próprio destino.

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É muito fácil descobrir se uma pessoa é feliz ou não: basta pedir que ela fique totalmente parada, sem fazer nada, por, digamos, cinco minutos. Se ao final desse período, ela se sentir ansiosa para fazer algo, qualquer coisa mesmo, a infelicidade predomina. Se, ao contrário, ela se sentir bem consigo mesma, sem angústia ou ansiedade, estamos diante de uma pessoa feliz. A verdadeira felicidade é isso: saber que o simples fato de você existir já é o suficiente para sentir-se bem.


Alexandre Magno Fernandes Moreira é advogado.