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quarta-feira, julho 08, 2015

A violação da linguagem.



A violação da linguagem.por Jeffrey Nyquist







Em sua obra 'A Quarta Teoria Política', Alexander Dugin diz algumas coisas profundas, que precisam ser conhecidas (mesmo por alguém que se opõe a sua convocação pela destruição dos EUA). “Na política pós-antropológica”, ele escreve, “tudo é invertido: lazer e trabalho (a ocupação mais séria, verdadeiro trabalho, é assistir televisão), conhecimento e ignorância... Os papéis tradicionais macho e fêmea estão invertidos. Ao invés de serem anciãos estimados e experientes, os políticos são escolhidos por sua juventude, glamour, aparência e inexperiência. Vítimas se tornam criminosos e vice versa...”

Dugin vê corretamente que um tipo de inversão tem acontecido. E esta inversão é fundamental. É um sintoma de enorme transformação dentro da alma. A humanidade, como era, tinha dois polos. E estes polos estão sendo desorganizados, negados e invertidos. Tão estranho como possa parecer, ao escrever sobre o equilíbrio de poder entre os dois grandes atores bipolares (Rússia e América), estamos agora acostumados a negar a bipolaridade que simplesmente promete o inverso da mesma polaridade. Isto pode ter a ver com neurose em massa e a negação da morte, ou é o resultado de algum processo alquímico sinistro.

Na semana passada a Suprema Corte dos EUA validou o casamento gay como direito a nível nacional. Deixando de lado o nonsense que perpassa o debate em ambos os lados desta questão, a coisa mais perturbadora é que o casamento é agora definido sem considerar o masculino e o feminino. De acordo com os ensinamentos da maioria das tradições espirituais, gênero é um princípio universal que tem a ver com regeneração. Apenas a união de masculino e feminino tem significado regenerativo. O juiz Kennedy rejeitou esta ideia quando escreveu: “Na formação de uma união matrimonial, duas pessoas tornam-se algo maior do que foram certa vez. Como alguns requerentes nestes casos demonstraram, o casamento personifica um amor que pode resistir até mesmo além da morte. Seria interpretar mal estes homens e mulheres dizer que eles desrespeitam o casamento. Seu apelo é que de fato o respeitam, respeitam tão profundamente que buscam encontrar sua realização para eles próprios”.

Mas meritíssimo juiz Kennedy, a realização do casamento se efetiva em crianças. E tal como o juiz Roberts, que argumentou que a decisão da Corte era um curto-circuito no processo democrático, receio que mesmo que a maioria vote a favor do casamento gay isto não tornará possível que homens produzam descendência sem mulheres. Tudo o que tais decisões ou votos podem fazer é eliminar a definição prévia da palavra “casamento”, que o dicionário de meu avô, o Webster's International Dictionary de 1943, define assim:

“casamento, n.1 Estado de estar casado, ou estar unido a uma pessoa do sexo oposto como marido ou esposa; também a relação mútua entre marido e esposa; abstratamente, a instituição pela qual homens e mulheres são unidos num tipo especial de dependência legal, para o propósito de fundar e manter uma família”.

Como você pode ver, a Suprema Corte violou a língua inglesa, isto é, a Corte assumiu um poder que nenhuma autoridade governamental pode, com prudência, assumir. É o poder mais arbitrário imaginável; pois a Suprema Corte pode agora dizer que “em cima” é “em baixo”, e que “preto” é “branco”. Não podemos dizer o que tal Corte fará a seguir, pois agora é certo que nenhuma propriedade está segura, nenhum contrato está protegido. Qualquer coisa pode acontecer. Não somos mais governados por leis, pois leis são feitas de palavras e agora, a partir deste momento, as palavras são feitas de nada, não possuindo significado intrínseco. São apenas sons, com significados que podem ser atribuídos e reatribuídos politicamente. Foi isto que nossa Suprema Corte fez, e ao fazê-lo, transformou toda a lei em algaravia. E isto, sustento, é a coisa mais perigosa de todas. Não é apenas o casamento que tem sido debilitado. É o estado, a Constituição, a língua inglesa e a sensatez pública. Esta, na verdade, é a mesma prática que aparece na neutralização de nosso poder militar e econômico. É um sintoma de uma dissolução interna, um colapso do instinto e um declínio na anarquia. O que tenho escrito estes muitos anos nunca foi primariamente a respeito da ameaça de Rússia ou China. Meus textos têm sido a respeito da progressiva falsificação da realidade, auto engano nacional e corrupção que servem ao nosso declínio social. Simplesmente selecionei os elementos mais claramente suicidas em nosso auto engano nacional como temas principais. A mesma linguagem distorcida que usamos para referirmo-nos a inimigos como “parceiros” é aqui replicada em nosso uso do termo “casamento homossexual”.

Os inimigos da América podem ver isto. Eles o revelam, apesar de suas sociedades estarem repletas de perversão. Os russos foram os primeiros a serem vitimizados por líderes insanos. Lênin e Stalin foram psicopatas que modelaram o estado russo de acordo com seu próprio distúrbio mental. Porém, os americanos nunca foram governados por Lênin ou Stalin. Então, qual a nossa desculpa? Como chegamos a algo que é pior que o leninismo ou o stalinismo? Pois a maldade de ditadores é algo que podemos relatar. É uma velha história, remontando aos césares. Mas um mal que inverte a realidade, que viola a linguagem e falsifica conceitos fundamentais, não é um mal que possa ser entendido da mesma maneira. Trata-se uma perversão espiritual que nos conduz às portas do oculto; a algo não visto, a algo conectado com as artes sombrias.

No dia da decisão fatídica o juiz Scalia observou: “O que realmente surpreende é a arrogância do golpe judicial de hoje. Estes juízes sabem que limitar o casamento a um homem e uma mulher é contrário à razão; eles sabem que uma instituição tão antiga como o próprio governo, e aceita por cada nação na história até quinze anos atrás, não pode ser apoiada por outra coisa a não ser ignorância e intolerância. E eles estão querendo dizer que cada cidadão que não concorda com isso, que adere ao que era, até quinze anos atrás, o juízo unânime de todas as gerações e todas as sociedades, fica contra a Constituição”.

Este novo conhecimento, que ataca o dicionário inglês, que ataca o próprio fundamento da legalidade, significa a destruição de toda lei. A Suprema Corte dos EUA cometeu um ato de desconsideração, de desagregação, de auto eliminação. Esta decisão não diz respeito realmente à questão da tolerância e intolerância a determinada minoria. Esta questão apenas nominalmente diz respeito a homossexuais. Na verdade, a comunidade gay tem sido usada como um joguete político para realizar um tipo de alquimia sinistra. Agora, a partir deste ponto, qualquer violência poderá ser cometida a qualquer um. Cada uma das várias causas pode ser ativada contra as outras; pois que reservas tem a lei agora? Que reverência? Que credibilidade? Perdeu o senso de suas próprias palavras, decaindo em insanidade por si.

Não pode haver justiça quando as palavras são usadas em sentido perverso. Quando os significados podem ser invertidos e o mundo virado de ponta cabeça. Nenhuma ideologia pode transformar uma mentira em verdade. Nenhuma alegação especial vai abalar o eixo da terra. As Leis Universais prevalecem. O niilista que nega esta lei é o arauto de sua própria destruição. A sociedade que saúda este niilista, que o eleva à Suprema Corte, que elege congressistas e presidentes deste tipo, não pode ser salva.



Tradução: Flávio Ghetti

terça-feira, outubro 02, 2012

O caminho da servidão na Venezuela.













...Urnas Eletrônicas, biometria...



POR JEFFREY NYQUIST 


“O não-tão-sutil aspecto desse sistema é que o sistema biométrico está visivelmente conectado por um cabo à urna eletrônica, de modo à levantar suspeitas de que o voto não será secreto”.




Nos últimos treze anos a Venezuela tem se afastado da economia de mercado e tem tomado o caminho da economia socialista sob o comando de Hugo Chávez. E agora o futuro do socialismo venezuelano está na balança. Ou não? Alguns dias atrás conversei com Eric Ekvall, um consultor político americano que viveu e trabalhou na Venezuela desde as eleições de 1982 daquele país. Ekvall ajudou as campanhas eleitorais de alguns notáveis, tal como Jaime Ramón Lusinchi da Venezuela em 1983, Oscar Arias da Costa Rica em 1985 e Lula da Silva do Brasil em 1993. Eu perguntei para Ekvall sobre a tentativa de reeleição de um doente Hugo Chávez, principalmente por conta de ele estar como presidente daquele país nos últimos treze anos sem jamais ter deixado de dar andamento à construção do socialismo por lá. Dada a diminuição dos índices econômicos da Venezuela, como Chávez espera ser possível ganhar mais uma eleição?


A resposta, segundo Ekvall, é que Chávez trapaceia. “A primeira eleição que houve manipulação, segundo sabemos, foi a de 2004”, explicou Ekvall. “Um quinto da população basicamente assinou uma petição para instaurar um referendo de reavaliação política na cédula. Essa demanda foi adiada várias vezes e o governo usou todos os tipos de mecanismos para afastá-la tempo o bastante para que eles pudessem gastar milhões de dólares em urnas eletrônicas que nunca foram usadas na Venezuela até então; nós [venezuelanos] sempre fizemos votação por meio de cédulas como a maioria dos países do mundo...”


A importância das urnas eletrônicas tornar-se-á evidente para qualquer um que lembrar das palavras de Stálin em 1923: “Considero algo totalmente sem importância quem no partido vai votar, ou como; mas é de extraordinária importância quem vai contar os votos e como”. Essa citação vem do livro The Memoirs of the Former Secretary of Stalin, escrito por Boris Bazhanov após sua deserção em 1928. É um dos primeiros relatos dos métodos políticos soviéticos, que mostra como um ditador pode consolidar o poder. De acordo com Ekvall, o governo de Chávez também “foi aconselhado por seus conselheiros cubanos para apressar a implantação de uma série de grandes programas sociais: programas de educação de graça, programas de comida de graça e apelos às pessoas de baixa renda para inflar as murchas taxas de popularidade” (Alguém é capaz de visualizar o Brasil lendo isso?). E qual a eficácia disso?


Diz Ekvall para que “voltemos para o referendo de 2004 [...] e cerca de 75% dos eleitores acabaram de votar e houve euforia nas ruas [...] pois o mandato [do Presidente Chávez] seria revogado [...] Institutos veteranos de pesquisa política dos EUA mostravam que o referendo havia passado por 59 a 41, mas para a surpresa de todos, o resultado oficial foi 59 a 41 – mas para o outro lado. Isso causou um clamor entre os políticos da oposição que basicamente chamara de ‘fraude’ o processo eleitoral”.

Ao longo dos anos, os cientistas sociais estudaram o referendo de 2004 da Venezuela e mostraram que 22.5% dos votos foram modificados. No último ano, seis estudos apareceram no periódico Statistical Science, confirmando os estudos anteriores. Na verdade, há evidências que Chávez tenha falsificado todos os resultados eleitorais da Venezuela desde 2004.


E agora, oito anos depois, a popularidade de Chávez continua a cair. Para combater isso, um crescente número de venezuelanos foi adicionado aos programas assistencialistas – sem sucesso. Como Stálin também disse, “Gratidão é uma doença sofrida por cães”. Infelizmente para Chávez, o povo venezuelano não é cachorro. “Segundo pesquisas confiáveis” ressalta Ekvall, “o candidato opositor Henrique Capriles está a frente; então nós temos atualmente uma situação muito tensa na Venezuela”. Capriles é um candidato atrativo e amável – um “rock star” político, diz Ekvall. “Chávez está literalmente na corda bamba” – Então como Chávez fraudará as eleições desta vez? O truque das urnas eletrônicas funcionará?


“Desta vez, o atual governo veio com um tipo de [...] proposta fraudulenta ‘visível a olho nu’”comentou Ekvall. “A fraude eleitoral [...] está já na cabine de votação. Quando se entrar para votar desta vez, o sujeito será confrontado com uma larga amostra de tecnologia como jamais foi vista por qualquer votante no mundo. Primeiramente, será necessário se submeter a um aparato biométrico, depois será necessário o número da carteira de identidade nacional e, por fim, será necessário colocar o dedão em um scanner [...] assim o nome do votante aparecerá e então será requisitado que se mova dois passos para a direita, onde há uma urna eletrônica, e só assim será possível votar em uma urna com tela sensível a toque.”


E como isso pode ser tido como fraude? Evkall responde: “O não-tão-sutil aspecto desse sistema é que o sistema biométrico está visivelmente conectado por um cabo à urna eletrônica, de modo à levantar suspeitas de que o voto não será secreto”.


O significado do voto secreto em um estado assistencialista pode ser esclarecido por meio da história recente da Venezuela. Evkall assinala que “durante a petição conduzida em 2004, o governo pegou os nomes de todos os cinco milhões de signatários. Eles foram colocados em uma lista negra. Esses cinco milhões viram-se [...] em desvantagem quando se tratava dos créditos de assistência, empregos distribuídos pelo governo, empréstimos, empréstimos estudantis, qualquer coisa. Se você assinou a petição para revogar o mandato do presidente, você se tornou automaticamente um cidadão de segunda classe. Alguns chamaram isso de ‘O apartheid político da Venezuela”.


Eis um modo ardiloso de intimidar os eleitores. Segundo Ekvall, “As pessoas têm todos motivos para temer...” Eis um país onde o estado de bem-estar social é usado como cenoura, mas apenas para aqueles que consistentemente apoiam o governo. Se os leitores querem entender o que significa o socialismo e se ele é compatível com a liberdade, eles devem estudar o processo eleitoral venezuelano. Os socialistas não apenas arruinaram a economia venezuelana, eles corromperam o sistema eleitoral e os próprios eleitores.


Será que a Venezuela se livrará do socialismo nas eleições do próximo mês? Ninguém sabe ao certo, mas Ekvall está preocupado. E para os demais, a Venezuela não é o único país a caminho da servidão.

(Entenderam o recado, senhores e senhoras, brasileiros e brasileiras, do futebol, do carnaval ou da novela e silicone?)



Publicado no Financial Sense.


Tradução: Leonildo Trombela Júnior