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quinta-feira, março 12, 2020

Foi no Primeiro Turno





O presidente Bolsonaro, novamente deixa o jornACHISMO em polvorosa, ao declarar que tem certeza de ter sido eleito em Primeiro Turno. 



Mas de onde viria essa certeza, já que disse ele ter provas e que as mostrará em data oportuna? 


O que hoje chamamos erroneamente de jornalismo, ficou abalado com uma realidade que está à vista de qualquer pessoa que tenha, pelo menos, um neurônio capenga e se restabelecendo de uma gripe aviária. 



Os indícios são tantos e muitos foram devidamente sepultados ou pela excrescência, a jabuticaba que é o TSE; um Tribunal que trabalha de dois em dois anos e desde que implantaram as Urnas tiveram mais tempo para nada fazerem. 

São todos os jornalistas que nunca desconfiaram da fraude das urnas eletrônicas? Não, claro que não. Antes da Revista Veja se tornar mais um emaranhado de militantes esquerdistas, ela mesma publicou alguns artigos a respeito desse tema; praticamente sumiram esses artigos mas, estranhamente, esqueceram de um deles e, para que esse não suma também, apresentamos um print da página no meio do que foi escrito pelo jornalista Ricardo Setti em 06/11/2014:



COISA ESTRANHA: Partido de extrema esquerda da Guatemala, integrante do Foro de São Paulo, dá parabéns aos “companheiros Lula e Dilma” pela vitória eleitoral — três dias antes da eleição!

Postado em 06/11/2014 às 19:12 , em Blog VEJA (Ricardo Setti):


A Alternativa Nueva Nación (ANN) é um partido de extrema esquerda e “inimigo do imperialismo” da Guatemala que abriga ex-filiados a várias organizações de esquerda, principalmente militantes e ex-guerrilheiros das chamadas Forças Armadas Revolucionárias (FAR), que se dissolveram, em meados dos anos 90, após 30 anos de guerrilha contra diferentes governos do país — ditaduras militares ou eleitos.

No documento abaixo, dirigentes da ANN saúdam a vitória de Dilma Rousseff nas eleições, atacam “as manobras da direita mais conservadora” brasileira e saúdam, “como partido integrante do Foro de São Paulo e de seu Grupo de Trabalho”, partidos como o PT e o PCdeB.

Até aí nada demais, mas o curioso e estranhíssimo é que, em link que aparece no Google do próprio Foro de São Paulo quando se clica o nome da organização — confiram aqui –, o documento é datado de 22 de outubro de 2014 — três dias portanto, ANTES do segundo turno da eleição presidencial. E o documento menciona até a diferença de votos que separou Dilma de Aécio Neves.

O linguajar tijolal e monótono, recheado de velhos lugares-comuns , igualzinho ao dos partidos de esquerda de quando eu era estudante e tinha 18 anos de idade, muito antes da queda do Muro de Berlim, mostra entre várias coisas o desconhecimento dos “camaradas” guatemaltecos em relação às alianças do PT, porque o tempo todo co-atribuem o triunfo ao microscópico PCdoB — e não a aliados poderosos, e conservadores, do lulopetismo, como o PMDB e o PP.

Diz o documento:

“Saudamos jubilosamente o triunfo da Companheira Dilma e do PT no Brasil

“Da Guatemala, as e os companheiros integrantes dos organismos de Direção e Militância da Alternativa Nova Nação, Partido integrante do Movimento Revolucionário guatemalteco, com enorme alegria e satisfação constatamos que o povo brasileiro teve a capacidade de valorizar e respaldar os grandes avanços sociais, políticos e econômicos que se produziram no Brasil desde o triunfo dos Companheiros Lula e Dilma, na aliança construída pelo Partido dos Trabalhadores, PT, o Partido Comunista Brasileiro (sic), PCdoB, e outras forças, outorgando o triunfo eleitoral à Companheira Presidente Dilma Rousseff, com uma diferença de mais de três milhões de votos, nos quais se pode identificar claramente o respaldo dos setores populares do país irmão.



“Esta aliança de partidos conseguiu também obter a maioria das cadeiras no Congresso e no Senado (sic) brasileiro, apesar das manobras da direita mais conservadora, com a cumplicidade do Partido da Social Democracia Brasileira, PSDB, que decidiu identificar-se com os setores mais ricos, e que com o apoio de forças da direita do Continente e das multinacionais da informação, tentaram construir um cenário de medo na população, o que inclusive produziu manipulações no mercado de valores do Brasil; mas o povo decidiu e o fez sabiamente.

“Como Partido integrante do Foro de São Paulo e de seu Grupo de Trabalho, sentimo-nos orgulhosos por este triunfo das forças democráticas brasileiras, o que permitirá aprofundar as transformações sociais e econômicas, o combate à pobreza e desigualdade que o capitalismo predador construiu no Brasil no passado.



“Também porque este triunfo do PT, do PCdoB e seus aliados possibilitará continuar na rota de integração latino-americana e caribenha.

“Longa vida ao projeto político do PT e do PCdoB em favor do desenvolvimento e da democracia!
“O triunfo de Dilma é do povo brasileiro e de todos os povos da América Latina e do Caribe!
“Por uma Guatemala justa, digna e solidária.

“Guatemala, 22 de outubro de 2014.”


Será mesmo preciso que o Presidente Bolsonaro prove alguma coisa ou devemos acreditar que uma organização terrorista, integrante do Foro de São Paulo tenha, além do poder de destruir culturas, educação e progresso; o interessante dom da profecia? 



Pagina do Facebook - já retirada do ar, mas esteve ali até 2016 aproximadamente

Pagina do Facebook - já retirada do ar, mas esteve ali até 2016 aproximadamente

quarta-feira, março 07, 2018

Teste feito por equipe da Unicamp revelou falhas de segurança nas urnas eletrônica






por Redação da Agência Senado | 06/03/2018, 15h43 





O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Diego de Freitas Aranha coordenou uma equipe de profissionais num teste de segurança promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2017. A missão deles, mostrar possíveis falhas no sistema de votação eletrônica adotado no Brasil, foi concluída com êxito.



O especialista foi um dos convidados da audiência pública realizada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, nesta terça-feira (6), sobre segurança do voto eletrônico e implementação do voto impresso nas eleições gerais de 2018.


- No último dia de testes tivemos progressos. Conseguimos, por exemplo, alterar mensagens de texto exibidas ao eleitor na urna para fazer propaganda a um certo candidato. Também fizemos progresso na direção de desviar voto de um candidato para outro, mas não tivemos tempo de testar esse tipo de ataque - explicou.


Segundo Diego, a equipe dele trabalhou em condições piores do que trabalhariam verdadeiros fraudadores, devido a restrições técnicas e de tempo impostas pelo tribunal, mas ainda assim foi possível explorar pontos vulneráveis para adulterar o software de votação e entrar no ambiente da urna eletrônica.


Segundo o professor da Unicamp, o resultado não foi surpresa, visto que todo software é potencialmente vulnerável. Por isso, é importante o registro físico para que a escolha do eleitor seja resguardada de outra forma.


- Esse é um entendimento da comunidade técnica internacional e segue a experiência de outros países. Não há país no mundo que tenha migrado para a votação eletrônica que não use o registro físico do voto como mecanismo de transparência. O registro físico é inegociável. É um instrumento básico de transparência - afirmou.


Professor lembrou que há cinco anos participou de testes semelhantes feitos pelo TSE. E na ocasião a equipe dele elaborou um ataque que quebrava o sigilo dos votos.


- Demonstramos que era possível recuperar os votos da urna em ordem, sabendo exatamente como votaram o primeiro, o segundo, o terceiro eleitores e assim sucessivamente - explicou.


Participantes de audiência veem má vontade do TSE com voto impresso

por Redação do Senado Noticias | 06/03/2018, 15h38


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem demonstrado má vontade e falta de interesse para implantar o sistema de impressão de votos na urna eletrônica. A opinião é de especialistas ouvidos nesta terça-feira (6) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que realizou uma audiência pública sobre o tema.

A lei que obriga a impressão do voto foi aprovada em 2015 (Lei 13.165), e desde então, segundo os participantes da audiência, o TSE pouco fez para viabilizar o sistema. Agora, a poucos meses das eleições, a corte alega falta de recursos diante do alto custo da medida.

- Dizer que seriam necessários R$ 2 bilhões para habilitar o voto impresso é um reflexo da má vontade do tribunal, que encontrou forma de inviabilizar o cumprimento da lei, alegando falta de orçamento - opinou o professor de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UNB), Pedro Dourado de Rezende, para quem não custaria tanto dar ao eleitor a garantia da lisura do processo.

O engenheiro especializado em segurança de dados, Amilcar Brunazo Filho, afirmou que o TSE "enrolou" até o fim de 2017 e agora se vê com pouco tempo e dinheiro para os procedimentos necessários.

- Tá na cara que estão protelando, empurrando. E agora no dia 5 de janeiro, último dia do mandato de Gilmar Mendes na presidência do tribunal, o Ministério Público apresentou uma ação direta de inconstitucionalidade contra uma lei aprovada três anos antes. Não dá para entender - disse.

▶Prevaricação

Representando a Associação Pátria Brasil, o procurador Felipe Marcelo Gimenez afirmou que o ex-presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, cometeu crime de prevaricação ao protelar por dois anos o cumprimento da lei, que não tem vício de forma, nem de iniciativa e nem de conteúdo.

Ele lembrou que o exercício do voto é secreto, mas o ato seguinte, que é a contagem, é um ato administrativo e se submete a um requisito de validade: a publicidade.

- O voto é secreto, mas a contagem é publica. O Boletim de Urna não prova nada. Quando é impresso, já houve a contagem do voto em segredo, e a fraude já ocorreu - afirmou.

▶Judiciário

Na opinião do senador João Capiberibe (PSB-AP), não haverá impressão do voto se não houver uma forte movimentação política. Ele lembrou que o Parlamento já fez a parte dele aprovando a lei, agora falta a Justiça. Segundo ele, há uma conspiração contra a democracia, o TSE descumpre a lei e o Ministério Público deve agir:

- Essa é uma decisão de um grupo fechado que está acima da lei, o Poder Judiciário. A Lei da Transparência [LC 131/2009], por exemplo, quem não cumpre é o próprio Judiciário. Para buscar informações em tribunais do Brasil, é preciso indicar CPF e ser especialista em navegação na internet, tamanha a dificuldade enfrentada pelo usuário.

A senadora Simone Tebet (PMDB-MS), por sua vez, disse que até acredita que a Justiça Eleitoral não tenha dinheiro para implantar a impressão, mas lembrou que o caixa da União tem. E é uma questão de remanejamento orçamentário.

- Mas a realidade é a seguinte: a sociedade tem dúvida, principalmente quando a diferença é de poucos votos, como nas eleições para vereadores e prefeitos. Se a sociedade tem dúvida, é óbvio que é preciso haver mais transparência. Por conta disso, sabendo que a população tem dúvida, é preciso resolver essa questão - opinou.

▶Defesa

O procurador regional da República Jairo Gomes lembrou que em momento algum o TSE afirmou que não implantaria o voto impresso. Segundo ele, o TSE informou que o faria dentro das possibilidades financeiras. Além disso, acrescentou, não existe sistema perfeito, mas os mecanismos de segurança estão em evolução.

- Houve um aperto no orçamento tão grande que até zonas eleitorais foram extintas [...] Não podemos considerar a teoria da conspiração e dizer que todos estão empenhados em fraudar o pleito: do mesário, ao juiz passando pelo Ministério Público. A realidade não é assim. A urna de lona também era sujeita a fraudes. Eu poderia elencar várias. Não só na hora da votação, mas na apuração - afirmou.

▶Luiz Fux

O senador Lasier Martins (PDT-RS), responsável por conduzir a audiência, afirmou que deixaria a reunião com a convicção de que as desconfianças têm procedência.

O parlamentar ainda confirmou para a próximo dia 13 a continuação dos debates com a presença do presidente do TSE, ministro Luiz Fux. Ele havia sido convidado para esta terça-feira (06), mas não pode comparecer.




Fonte - Agência Senado 

segunda-feira, março 05, 2018

Argentina: alerta contra urna eletrônica






por Luis Dufaur(*).


O Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET), órgão científico do governo argentino recomendou ao Ministério do Interior em documento oficial “não implementar” o voto eletrônico no país, nem “no curto e nem no mediano prazo”.

A instituição científica argentina contradisse a reforma eleitoral desejada pelo governo federal. Após grande vitória nas últimas eleições legislativas, o chefe de gabinete, Marcos Peña, exultou: “desejamos que esta seja a última eleição com boletim de papel”.

Por certo, historicamente, a votação com boletim de voto foi objeto de abusos. A presidente “bolivariana” Cristina Kirchner foi a mais recente e a mais destacada e ativa figura política nessas manipulações imorais.


Mas para os técnicos e cientistas argentinos a urna eletrônica é um instrumento ainda pior do ponto de vista da manipulação e seus resultados são ainda mais facilmente falsificáveis.

O relatório elaborado pelo CONICET recomendou mais sensatamente fomentar a educação moral e técnica dos responsáveis das mesas de voto.

Órgão científico argentino desabona voto eletrônico


Sem melhorar os “níveis de maturidade” moral não se pode pensar em “sistemas com a necessária qualidade particularmente nos quesitos de segurança e integridade”, observou.

A respeito das urnas eletrônicas, o relatório aponta que “existem resultados teóricos onde se demonstra a impossibilidade de satisfazer simultaneamente três atributos requeridos para o sistema, notadamente o secreto, a auditoria e a integridade”.

Estes itens estão ameaçados quando um computador assume o controle dos votos, diz o sisudo relatório.Boletim de voto eletrônico foi desqualificado na Argentina

Por sua parte, politólogos e especialistas em segurança informática questionaram severamente os sistemas de voto eletrônico arguindo que o segredo pode potencialmente ser violado, e que o cômputo fica nas mãos de poucos e ignotos técnicos.

No caso dos boletins de voto em papel há um vasto leque de assistentes de mesa que são em sua imensa maioria simples cidadãos diante dos quais a fraude é mais difícil.

Mais ainda que o temor de hackers e de técnicos sem rosto, paira o espectro de um governo ou de uma facção partidária inescrupulosa ou ideologicamente enviesada que fabrica resultados no incógnito.


O relatório gerou forte polémica nas redes sociais, pois se soube que o parecer contrariava a expectativa do establishment político, o qual teria retido a publicação, até que essa ficou imperiosa, noticiou “Infobae”.

O Ministério do Interior tentou diminuir o impacto alegando “não haver convênio algum assinado entre o Ministério e o CONICET para fazer esse relatório”.

O mundo político um pouco por toda parte dá a impressão que trabalha para enterrar as últimas liberdades que vão ficando. A urna eletrônica é um dos instrumentos que esse mundo amoral mais quer implantar.

Fonte - ipco.org.br

(*)Luis Dufaur é Conferencista de política internacional no Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, historiador e editor de diversos blogs.

domingo, outubro 08, 2017

Ataque ao voto impresso: mais um golpe contra a frágil democracia brasileira







por Thiago Cortês(*).



Não fosse o alerta do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que foi ouvido e acatado por seus pares, as eleições de 2018 estariam, de antemão, sob forte suspeita, uma vez que a implantação do voto impresso teria sido postergada para 2022!

Graças a uma emenda de autoria de Bolsonaro, apresentada em 2015, a proposta de Reforma Política trazia em dois artigos a previsão do voto impresso no Brasil, com validade já para as eleições majoritárias e legislativas de 2018.

Entenda-se: não se trata de retomar o voto por cédula. O voto impresso nada mais é do que o voto eletrônico acompanhando de comprovante impresso com a opção feita pelo eleitor, de forma a permitir uma auditoria completa em caso de dúvidas nas próximas eleições.

Uma medida simples, mas que retoma a capacidade de auditar o resultado do pleito eleitoral e, assim, afastar os perigos do sistema de voto eletrônico.

Porém, o ministro Gilmar Mendes, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), passou a militar furiosamente contra a medida que visa sanar as dúvidas sobre a confiabilidade do sistema de votação eletrônica e sua computação – que hoje é secreta!

Gilmar Mendes garante que as urnas eletrônicas, da controversa empresa Smartmatic (veja mais abaixo) “são invioláveis” e que o custo do voto impresso seria de R$ 2,5 bilhões. É essa a cantilena de Mendes desde que Bolsonaro apresentou a proposta em 2015.

Gilmar Mendes tem militado na imprensa e feito lobby com deputados, conspirando contra o direito dos brasileiros de terem certeza de que seus votos são corretamente computados e de que qualquer brecha para a manipulação dos dados dos resultados seja corrigida.

Ou seja, paradoxalmente, no Brasil os responsáveis pelo sistema eleitoral são os menos interessados em promover meios de auditoria e fiscalização dos resultados!

Oportunidade no calar da noite
Não é novidade que Gilmar Mendes não está interessado em imprimir mais transparência ao sistema eleitoral brasileiro, alvo de críticas de especialistas e de suspeitas da população.

Mas sua influência sempre esbarrou na soberania do Legislativo. Ocorre que uma oportunidade surgiu, literalmente na calada da noite, durante a sessão de quarta-feira, dia 4, quando foi apresentado um pedido de voto de urgência na pauta da Casa.

Atendendo a um pedido direto do TSE, o relator da Reforma Política, Vicente Cândido (PT-SP) apresentou ontem, pouco antes da votação da Reforma Política, uma emenda a ser votada em caráter de urgência visando vetar a aplicação do voto impresso para 2018.

O TSE, mais uma vez, alegou falta de recursos e, por isso, solicitou a supressão dos artigos que permitiam o voto impresso nas próximas eleições, em caráter de emergência.

A votação se daria em um momento no qual os brasileiros estavam mais preocupados com os desdobramentos da crise de segurança pública, especialmente no Rio de Janeiro, além dos ataques do lobby da pedofilia em suas “exposições de arte”…

Era óbvio o risco de retrocesso dadas as seguintes possibilidades: a decisão ser realizada em plenária sem o voto nominal dos deputados, ou seja, de maneira secreta, e por conta, é claro, da força e influência do ministro Gilmar Mendes, agindo com o carimbo do TSE.

Resistência
Porém, o deputado Jair Bolsonaro, juntamente com seu filho, o também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), lideraram, nas redes sociais, a resistência contra o golpe do TSE, recebendo apoio de vários congressistas que perceberam o risco para a democracia.

Para Jair Bolsonaro, “nenhum país do mundo adota esse tipo de sistema de computação de votos que nós temos aqui no Brasil”. “Sem o voto impresso, não podemos auditar, de fato, a eleição. Sem voto impresso, a eleição fica sob grave suspeita”, declarou.

A mobilização, com apoio de movimentos populares, foi grande. Mas o risco era grande já que, como era de se esperar, a votação do tema foi empurrada para a madrugada!

Os deputados pretendiam, como na decisão sobre o Fundão Eleitoral, votar de forma “simbólica” (na qual não existe o registro individual de votos), permitindo que o voto impresso fosse enterrado sem que o DNA de nenhum dos seus assassinos pudesse ser identificado!

Porém, os deputados Jair e Eduardo Bolsonaro, com apoio de Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e até mesmo de Esperidião Amin (PP-SC), conseguiram reverter essa tentativa com seus protestos e discursos na tribuna, além do trabalho de convencimento dos colegas nos bastidores.

Desta forma, a supressão dos artigos não recebeu os votos necessários. E a proposta de postergar a implantação do voto impresso em 2022 foi para o lixo. Mas o TSE não deu a batalha por vencida e outras movimentações já começaram para sabotar a proposta.

Graves suspeitas
São muitas, e das mais diversas fontes, as graves suspeitas que recaem sobre a Smartmatic, a empresa repleta de controvérsias, e que teve uma atuação notadamente polêmica na Venezuela, o que já foi abordado no Mídia Sem Máscara:

“Antonio Mugica, o CEO da empresa Smartmatic – que desde 2004 controla o sistema eleitoral venezuelano – em conferência de imprensa em Londres (sede atual da empresa) atestou que o sistema das urnas foi fraudado pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano, no que diz respeito ao número de votantes no ilegítimo processo eleitoral para a escolha de uma Assembleia Nacional Constituinte, promovida pelo ditador Nicolás Maduro.”

O mesmo artigo citou as gravíssimas denúncias de especialistas, entre eles, Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, Mestre em Direito por Harvard, pesquisador e representante do MIT Media Lab no Brasil.

Ronaldo Lemes, publicando na Folha de São Paulo (07.08.2017) o artigo “Hackeando as urnas digitais”, cita um evento ocorrido na Conferência DefCon, em que as urnas eletrônicas da Smartimatic foram invadidas por um grupo de hackers.

Além disso, a Smartimatic tem relações nebulosas com o governo da Venezuela e outros grupos políticos que não são exemplo de democracia ou transparência.

É imprescindível que fiquemos atentos para impedir os novos atos de sabotagem do TSE, presidido por Gilmar Mendes, contra a fragilíssima democracia brasileira.


Fonte: midiasemmascara.org

quarta-feira, setembro 20, 2017

Urnas eletrônicas: falhas, vulnerabilidades e fraudes do mesário





por Felipe Payão(*).



O professor Diego Aranha é uma das poucas pessoas independentes, sem relação com o governo, que conseguiram colocar as mãos nas urnas eletrônicas, realizar alguns testes de invasão e buscar vulnerabilidades. Aranha palestrou no evento Mind the Sec, em São Paulo, na quarta-feira passada (13), e o TecMundo conversou com ele por alguns minutos sobre a segurança das urnas eletrônicas no Brasil.

Professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Aranha coordenou em 2012 a primeira equipe de investigadores independentes capaz de detectar e explorar vulnerabilidades no software da urna eletrônica em testes controlados organizados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em 2016, foi convidado para realizar novos testes, mas se negou — os motivos você descobre na entrevista. Agora, em 2017, Aranha colocará novamente as mãos nas urnas, e você saberá o resultado dos testes em novembro aqui no TecMundo.

No Mind the Sec, o papo que o professor levou foi outro, abordando temas como criptografia e segurança computacional. Segundo o próprio evento, a "palestra tratou da evolução das técnicas criptográficas e outras tecnologias de preservação da privacidade sob um ponto de vista histórico, até o desenvolvimento da chamada criptografia fim-a-fim implementada em aplicativos modernos para troca de mensagens". Mais sobre isso, você encontrará no canal oficial do Mind the Sec no YouTube.

Agora, você vai acompanhar a conversa que tivemos com Diego Aranha especificamente sobre as urnas eletrônicas. Acompanhe:

TecMundo: Qual foi o seu envolvimento nos testes das urnas eletrônicas?

Diego Aranha: Eu participei como coordenador da equipe vencedora dos testes do TSE na edição de 2012. Em 2016, atuei apenas como observador externo dos testes; isso porque naquele ano o TSE introduziu um Termo de Confidencialidade que me recusei a assinar. Basicamente, o termo determinava que tudo que aconteceria nos testes por lá teria que ficar (sem divulgação). Havia conflito com as informações obtidas em 2012, que deixaram a situação confusa. E também tem o problema natural que eu sou um funcionário público, que deve prestar contas à sociedade. Meu salário não é pago para que eu guarde segredos do TSE. Muito pelo contrário, é para observar o que está funcionando bem e funcionando mal e relatar para a sociedade qual é a minha interpretação. Então, em 2016 eu só fui observador, fiz parte da comissão de avaliação que tentou garantir que os testes fossem minimamente razoáveis. Agora, em 2017, eu vou participar de novo com um grupo de investigadores.

TecMundo: E desta vez não será confidencial?

Aranha: O Termo de Confidencialidade foi alterado, após muita pressão. Agora, você pode relatar publicamente sobre o que foi observado, como vulnerabilidades e afins, desde que o Tribunal Superior Eleitoral seja comunicado antes. Entendi ser razoável. Ainda existem restrições de escopo, sistemas que investigadores não podem olhar, como a identificação biométrica — que não está disponível para teste apesar de estar em produção.

TecMundo: E quem desenvolve é o próprio pessoal do TSE...

Diego Aranha: Sim, o software hoje é majoritariamente desenvolvido por equipe do TSE. Anteriormente, já foi inteiramente terceirizado, mas hoje é responsabilidade do TSE, que conta com uma equipe própria para desenvolver o sistema e mantê-lo ao longo do tempo.

Diego Aranha: Sim, foi um absurdo. Foi quando o ministro Toffoli foi presidente do TSE (ministro Dias Toffoli, 2014/2016), e o PSDB perdeu as eleições gerais e pediu auditoria. Boa parte da imprensa, na época, encarou como um terceiro turno — o que eu acho uma estupidez. Qualquer sistema, de qualquer ordem, deve ser passível de auditoria, e é totalmente legítimo solicitá-la. O problema é que as pessoas olham mais o aspecto político do que o aspecto técnico. A auditoria precisa ser livre para qualquer partido que seja.

Então, montaram uma equipe para realizar a auditoria — eu fui convidado, mas decidi não participar porque os meus esforços são completamente apartidários, não represento e não me envolvo com partido algum — e contactaram duas pessoas para fazer parte dessa equipe: o Alex Halderman (professor na Universidade de Michigan), que já peregrinou o mundo violando segurança de equipamentos de votação — chegou quase a ser deportado da Índia —, e o Rubira por ser absolutamente competente.

O Rubira trabalha na Intel, fora do Brasil, e tem muita experiência em segurança de software, segurança de aplicações, enfim. O TSE negou a participação dos dois com o argumento de que como um é cidadão estrangeiro e o outro vive em cidade fora do Brasil, isso viola a soberania nacional. Supondo que, sei lá, a Intel tivesse interesse em roubar tecnologia das urnas eletrônicas, como se fossem tão avançadas a ponto da Intel considerar isso estratégico. Resultado, um cidadão brasileiro com domicílio fiscal no país foi impedido de participar com esse argumento.

TecMundo: Voltando um pouco para 2012, quando você de fato colocou a mão no sistema. Quais vulnerabilidades mais graves foram encontradas?



Diego Aranha: Acho que a mais grave observada foi a que nos deu a vitória. Observação: em 2012, os testes eram uma competição entre times também, o que era ineficiente, e até sugerimos que mudasse. Após reunir muita gente dedicada a tornar o sistema mais seguro, não faz muito sentido competir entre si. Voltando: o que exploramos no ambiente de teste foi uma vulnerabilidade no sigilo do voto. Conseguimos, após realizar uma eleição simulada, recuperar os votos em ordem, baseado apenas em informação pública. A hora de emissão da zerésima era a informação que a gente precisava para descobrir como votou o primeiro eleitor, o segundo eleitor, o terceiro eleitor e assim por diante. Sem, no entanto, saber quem eram o primeiro, o segundo e o terceiro eleitores — apesar dessa informação ser fácil de conseguir com a ajuda de um mesário malicioso.


Também descobrimos que a urna armazena o horário de votação de cada um desses eleitores. Então, por exemplo, se você quisesse descobrir o voto de um ministro do Supremo Tribunal Federal, você precisaria do horário de emissão da zerésima da seção eleitoral dele (que é informação pública), de um arquivo que se chama Registro Digital do Voto (que coloca os votos embaralhados e também é informação pública para os partidos) e do horário que ele votou, para descobrir o lugar dele na fila. Recuperando então os votos em ordem, você sabe qual é o voto do ministro. 

Observamos que não havia qualquer obstáculo técnico para, por exemplo, descobrir o voto do presidente do TSE nas eleições de 2010. Obviamente, não fizemos isso porque é antidemocrático e contra a lei, mas as condições técnicas estavam todas lá. 

Também descobrimos que os mecanismos que protegem o software contra manipulação sofriam de falhas de projeto fundamentais. Todas as urnas compartilham o mesmo segredo para proteger o software de votação e isso está diretamente inserido no código-fonte do equipamento. Então, tem ao menos 500 mil cópias dessa informação às claras em cartões de memória, não dá nem para chamar isso de segredo. Mas não tivemos tempo de realizar um ataque em tempo real sobre essa vulnerabilidade, nos deram apenas três dias. Dois dias ficamos realizando ataques no sigilo do voto e o terceiro para montar o relatório e negociar com o TSE o que entraria no relatório. Então, tiveram vulnerabilidades que descobrimos, não atacamos ou exploramos, mas documentamos.


TecMundo: E depois de tudo isso as urnas passaram por alguma atualização?


Diego Aranha: Sim, o software mudou. Fisicamente é praticamente a mesma urna, mas algumas coisas mudaram. Em 2012, havia dois modelos principais: um que não tinha um módulo de segurança em hardware e outro que tinha esse módulo, mas não era usado para tarefas importantes. Esse módulo gera números aleatórios, exatamente para realizar esse embaralhamento de maneira segura; e também há um espaço para armazenar chaves para encriptar a mídia de maneira segura, mas não era usado assim... com o aparente argumento de que "se nem todas as urnas têm, nenhuma pode usar", o que não faz qualquer sentido em termos de segurança.


Desde então, a fração das urnas com esse módulo em hardware com certeza aumentou. As urnas antigas vão saindo de operação e as novas já têm esse recurso. É claro que, entendo e acredito, que o TSE integrou alguns desses mecanismos, que já estavam lá e já haviam sido comprados, nas versões mais novas do software. Eu não tenho evidências disso, mas seria algo natural — foi até o que recomendamos no relatório. Todos esses equipamentos são custeados por impostos, é o mínimo que podem fazer.


TecMundo: Os hackers estão cada vez mais jovens e o hacker brasileiro tem um certo costume de invadir sites por diversão, mesmo que falte um conhecimento técnico alto como atacante. Chegando para as urnas, é fácil se tornar um atacante desse sistema em específico? 


Diego Aranha: O que observamos é o seguinte: os mecanismos de segurança que estavam no sistema não ofereciam custo proibitivo para algum atacante minimamente sofisticado. Um atacante de eleições é um atacante muito bem equipado, politicamente e financeiramente, tanto que possuem milhões para comprar votos.


Evidentemente eu também não sei se os atacantes de eleições brasileiras, como os políticos da velha guarda, possuem interesse real em fraudes tecnológicas. Eles têm vencido eleições do jeito antigo desde que o Brasil é Brasil. Não temos como especular. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que não deveríamos estar nessa posição, até porque do ponto de vista custo-benefício, é um ponto tentador de ataque. Se você compromete alguém, por exemplo, que esteja dentro do TSE para escrever software que vai roubar votos para alguém, isso tem (em tese) custo muito mais barato do que comprar 100 mil votos em uma cidade. É um ponto tentador de ataque, que concentra risco. Eu não sei se os partidos e os políticos já perceberam ou se preocupam com isso, até porque eles encontram outras formas de ganhar eleições. Mas o que é evidente é o seguinte: infelizmente, temos uma comunidade muito profícua em produção de software malicioso e fraude financeira. As condições técnicas, caso sejam transportadas para as eleições, estão lá — ou estavam lá em 2012.


TecMundo: Ocorrem outros tipos de fraude?


Diego Aranha: Nós temos outros tipos de fraude menos tecnológicas nas eleições brasileiras, mas se fala pouco a respeito. A fraude do mesário, em que ele vota no lugar de pessoas que não foram votar. Então, quando a pessoa justifica a falta, percebe-se posteriormente que já votaram no lugar dela. Esse tipo de coisa acontece. Isso porque os mesários também concentram risco nas eleições, eles têm acesso privilegiado ao equipamento.


TecMundo: Mas como isso acontece, especificamente?


Diego Aranha: O mesário opera o equipamento e um eleitor que justificou o voto, por estar em outra cidade, observa posteriormente que o voto foi computado para o título de eleitor dele. O Tribunal Superior Eleitoral fez um cruzamento recentemente e acharam um volume, se não me engano, de dezenas de milhares de votos justificados, mas que receberam votos, que foram contabilizados. O TSE se manifestou de maneira inconclusiva, como se fosse uma questão dúbia. É evidente que foi uma fraude de mesários votando por pessoas que não foram votar.


Então, temos fraude eleitoral no Brasil. Temos compra de votos, temos fraude de mesário, temos modalidades menos tecnológicas de fraude eleitoral que ainda não são devidamente discutidas. Há uma preocupação excessiva com a urna, até porque o equipamento representa maior risco, mas existe fraude eleitoral no Brasil.


E quando a gente fala de dezenas de milhares de votos, estamos falando de algo decisivo em eleições de menor porte. Basta olhar para as recentes e diferentes eleições, como os resultados estão cada vez mais divididos e ao mesmo tempo apertados, como a eleição presidencial passada. Isso pode interferir nos resultados de uma eleição.


TecMundo: Fraudes menores passam despercebidas, certo? E com as eleições cada vez mais apertadas, isso pode fazer uma grande diferença...


Diego Aranha: As pessoas quando pensam em fraude, pensam em um cenário fictício e espetaculoso para uma fraude eleitoral. Mas, na verdade não é isso, às vezes são 500 votos que separam o primeiro do segundo turno. Aí tem um escândalo de corrupção prestes a estourar que vai fazer o candidato perder a eleição no segundo turno. Se ele consegue resolver ainda no primeiro, a vantagem é enorme. Então, sim, pode ser uma fração bem pequena de votos que decide os resultados.


Você apontou muito bem: a eleição presidencial passada e as nossas eleições daqui para frente serão muito polarizadas. A sociedade está se polarizando cada vez mais e fica cada vez mais complicado resolver disputas em resultados eleitorais, por isso transparência é tão importante.


As nossas eleições sempre vão ser muito disputadas. Se não tivermos um sistema minimamente auditável e transparente, isso só dificulta e atrapalha as coisas.


TecMundo: E o que poderia ser feito para aumentar a segurança das urnas e também tornar o processo eleitoral transparente?


Diego Aranha: No Brasil, utilizamos um sistema de votação com registro puramente eletrônico dos votos. Uma consequência direta desse fato é que tanto o sigilo do voto quanto a compatibilidade entre os resultados da eleição e a intenção do eleitorado dependem diretamente da qualidade do software de votação e de sua resistência contra manipulação por agentes internos e externos. Dessa forma, o aprimoramento do sistema passa não apenas pelo incremento de segurança do software de votação e de seus processos de auditoria, mas também da implantação de mecanismos que permitam ao eleitor verificar se o sistema registra sua intenção corretamente. Isso deve acontecer a partir de 2018, quando o TSE começará a implantar o voto impresso em 6% das urnas eletrônicos. É importante acompanhar esse processo para ver qual será o impacto no sistema. 

Também descobrimos que os mecanismos que protegem o software contra manipulação sofriam de falhas de projeto fundamentais. Todas as urnas compartilham o mesmo segredo para proteger o software de votação e isso está diretamente inserido no código-fonte do equipamento. Então, tem ao menos 500 mil cópias dessa informação às claras em cartões de memória, não dá nem para chamar isso de segredo. Mas não tivemos tempo de realizar um ataque em tempo real sobre essa vulnerabilidade, nos deram apenas três dias. Dois dias ficamos realizando ataques no sigilo do voto e o terceiro para montar o relatório e negociar com o TSE o que entraria no relatório. Então, tiveram vulnerabilidades que descobrimos, não atacamos ou exploramos, mas documentamos. 


TecMundo: E depois de tudo isso as urnas passaram por alguma atualização? 


Diego Aranha: Sim, o software mudou. Fisicamente é praticamente a mesma urna, mas algumas coisas mudaram. Em 2012, havia dois modelos principais: um que não tinha um módulo de segurança em hardware e outro que tinha esse módulo, mas não era usado para tarefas importantes. Esse módulo gera números aleatórios, exatamente para realizar esse embaralhamento de maneira segura; e também há um espaço para armazenar chaves para encriptar a mídia de maneira segura, mas não era usado assim... com o aparente argumento de que "se nem todas as urnas têm, nenhuma pode usar", o que não faz qualquer sentido em termos de segurança. 

Desde então, a fração das urnas com esse módulo em hardware com certeza aumentou. As urnas antigas vão saindo de operação e as novas já têm esse recurso. É claro que, entendo e acredito, que o TSE integrou alguns desses mecanismos, que já estavam lá e já haviam sido comprados, nas versões mais novas do software. Eu não tenho evidências disso, mas seria algo natural — foi até o que recomendamos no relatório. Todos esses equipamentos são custeados por impostos, é o mínimo que podem fazer. 


TecMundo: Os hackers estão cada vez mais jovens e o hacker brasileiro tem um certo costume de invadir sites por diversão, mesmo que falte um conhecimento técnico alto como atacante. Chegando para as urnas, é fácil se tornar um atacante desse sistema em específico? 


Diego Aranha: O que observamos é o seguinte: os mecanismos de segurança que estavam no sistema não ofereciam custo proibitivo para algum atacante minimamente sofisticado. Um atacante de eleições é um atacante muito bem equipado, politicamente e financeiramente, tanto que possuem milhões para comprar votos. 


Evidentemente eu também não sei se os atacantes de eleições brasileiras, como os políticos da velha guarda, possuem interesse real em fraudes tecnológicas. Eles têm vencido eleições do jeito antigo desde que o Brasil é Brasil. Não temos como especular. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que não deveríamos estar nessa posição, até porque do ponto de vista custo-benefício, é um ponto tentador de ataque. Se você compromete alguém, por exemplo, que esteja dentro do TSE para escrever software que vai roubar votos para alguém, isso tem (em tese) custo muito mais barato do que comprar 100 mil votos em uma cidade. É um ponto tentador de ataque, que concentra risco. Eu não sei se os partidos e os políticos já perceberam ou se preocupam com isso, até porque eles encontram outras formas de ganhar eleições. Mas o que é evidente é o seguinte: infelizmente, temos uma comunidade muito profícua em produção de software malicioso e fraude financeira. As condições técnicas, caso sejam transportadas para as eleições, estão lá — ou estavam lá em 2012. 

TecMundo: Ocorrem outros tipos de fraude? 

Diego Aranha: Nós temos outros tipos de fraude menos tecnológicas nas eleições brasileiras, mas se fala pouco a respeito. A fraude do mesário, em que ele vota no lugar de pessoas que não foram votar. Então, quando a pessoa justifica a falta, percebe-se posteriormente que já votaram no lugar dela. Esse tipo de coisa acontece. Isso porque os mesários também concentram risco nas eleições, eles têm acesso privilegiado ao equipamento. 

TecMundo: Mas como isso acontece, especificamente? 

Diego Aranha: O mesário opera o equipamento e um eleitor que justificou o voto, por estar em outra cidade, observa posteriormente que o voto foi computado para o título de eleitor dele. O Tribunal Superior Eleitoral fez um cruzamento recentemente e acharam um volume, se não me engano, de dezenas de milhares de votos justificados, mas que receberam votos, que foram contabilizados. O TSE se manifestou de maneira inconclusiva, como se fosse uma questão dúbia. É evidente que foi uma fraude de mesários votando por pessoas que não foram votar. 

Então, temos fraude eleitoral no Brasil. Temos compra de votos, temos fraude de mesário, temos modalidades menos tecnológicas de fraude eleitoral que ainda não são devidamente discutidas. Há uma preocupação excessiva com a urna, até porque o equipamento representa maior risco, mas existe fraude eleitoral no Brasil. 

E quando a gente fala de dezenas de milhares de votos, estamos falando de algo decisivo em eleições de menor porte. Basta olhar para as recentes e diferentes eleições, como os resultados estão cada vez mais divididos e ao mesmo tempo apertados, como a eleição presidencial passada. Isso pode interferir nos resultados de uma eleição. 

TecMundo: Fraudes menores passam despercebidas, certo? E com as eleições cada vez mais apertadas, isso pode fazer uma grande diferença... 

Diego Aranha: As pessoas quando pensam em fraude, pensam em um cenário fictício e espetaculoso para uma fraude eleitoral. Mas, na verdade não é isso, às vezes são 500 votos que separam o primeiro do segundo turno. Aí tem um escândalo de corrupção prestes a estourar que vai fazer o candidato perder a eleição no segundo turno. Se ele consegue resolver ainda no primeiro, a vantagem é enorme. Então, sim, pode ser uma fração bem pequena de votos que decide os resultados. 

Você apontou muito bem: a eleição presidencial passada e as nossas eleições daqui para frente serão muito polarizadas. A sociedade está se polarizando cada vez mais e fica cada vez mais complicado resolver disputas em resultados eleitorais, por isso transparência é tão importante. 

As nossas eleições sempre vão ser muito disputadas. Se não tivermos um sistema minimamente auditável e transparente, isso só dificulta e atrapalha as coisas. 

TecMundo: E o que poderia ser feito para aumentar a segurança das urnas e também tornar o processo eleitoral transparente? 


Diego Aranha: No Brasil, utilizamos um sistema de votação com registro puramente eletrônico dos votos. Uma consequência direta desse fato é que tanto o sigilo do voto quanto a compatibilidade entre os resultados da eleição e a intenção do eleitorado dependem diretamente da qualidade do software de votação e de sua resistência contra manipulação por agentes internos e externos. Dessa forma, o aprimoramento do sistema passa não apenas pelo incremento de segurança do software de votação e de seus processos de auditoria, mas também da implantação de mecanismos que permitam ao eleitor verificar se o sistema registra sua intenção corretamente. Isso deve acontecer a partir de 2018, quando o TSE começará a implantar o voto impresso em 6% das urnas eletrônicos. É importante acompanhar esse processo para ver qual será o impacto no sistema.





(*) Felipe Payão @felipepayao - Cybercrime reporter. Repórter em @Tec_Mundo

Fonte: TecMundo


Veja também: 

sexta-feira, novembro 25, 2016

Eleições, hackers, segurança e legitimidade






por Bruce Schneier
Precisamos de procedimentos para avaliar alegações de urnas eletrônicas hackeadas.
Precisamos de um claro e robusto processo de auditoria de eleição.


Acabou. As eleições ocorreram normalmente. No momento em que escrevo, não há alegações significativas de fraude nem evidências críveis de que alguém tenha adulterado os registros de votação ou as urnas eletrônicas. (N. do E.: Na verdade, a pior fraude veio de Obama, conclamando os ilegais a votarem.) E, mais importante, os resultados não foram questionados por ninguém.

Apesar de podermos dar um suspiro coletivo de alívio, não podemos ignorar o problema e ficar esperando a próxima eleição. Os riscos permanecem.

Como os especialistas em segurança têm afirmado há anos, os nossos novos sistemas de votação computadorizados são vulneráveis a ataques tanto por hackers individuais como por hackers patrocionados por governos. É apenas uma questão de tempo antes que ocorra algum ataque.

Urnas eletrônicas podem ser invadidas, e as máquinas que não possuírem uma cédula de votação em papel que possa comprovar a escolha de cada eleitor podem ser invadidas de forma indetectável. Os registros de votação também são vulneráveis; todos eles são bancos de dados computadorizados cujas entradas podem ser apagadas ou alteradas para espalhar o caos no dia da eleição.

O sistema amplamente usado nos estados para a coleta e tabulação dos resultados de votação individual também é vulnerável. Apesar da diferença entre as vulnerabilidades teóricas talvez demonstráveis e um ataque real no dia da eleição ser considerável, nós tivemos sorte este ano. Não apenas a eleição presidencial está sob risco mas também as eleições estaduais e locais.

Para ser bem claro, não se trata de fraude por parte dos eleitores. Foi repetidamente demonstrado que o risco de pessoas inelegíveis votarem ou de pessoas votarem duas vezes é praticamente nulo e as “soluções” para esse problema são certamente medidas de supressão de eleitores. A fraude do sistema eleitoral, entretanto, é muito mais factível e muito mais inquietante.

Eis a minha preocupação. Um dia após uma eleição, alguém pode afirmar que o resultado foi obra de um hacker. Talvez um dos candidatos reclame de uma grande discrepância entre as pesquisas mais recentes e os resultados reais. Talvez uma pessoa anônima anuncie que hackeou uma marca particular de urna eletrônica, descrevendo em detalhes como o fez. Ou talvez seja uma falha de sistema durante o dia da eleição: urnas eletrônicas gravando significativamente menos votos do que o número de eleitores, ou zero votos para um candidato ou para outro. (Essas não são ocorrências teóricas; ambas já aconteceram nos Estados Unidos, apesar de terem ocorrido por erro, não por maldade.)

Não temos procedimentos sobre como proceder caso ocorra alguma dessas coisas. Não há manuais, não há uma equipe de especialistas, não há uma agência regulatória para nos orientar em meio a uma crise. Como nós definiremos se alguem hackeou o voto? Podemos recuperar os votos verdadeiros ou eles foram perdidos para sempre? O que faremos, então?

Em primeiro lugar, precisamos fazer mais para garantir a segurança do nosso sistema eleitoral. Devemos declarar que os nossos sistemas de votação são infraestrutura nacional crítica. Isso é em grande parte simbólico mas demonstra um compromisso para dar segurança às eleições e para tornar fundos e outros recursos disponíveis para os estados.

Precisamos definir padrões de segurança nacional para as urnas eletrônicas e financiar os estados para que possam obter urnas que atendam a esses padrões. Especialistas em segurança eleitoral podem lidar com detalhes técnicos mas as urnas precisam incluir uma cédula de votação em papel que permita um registro verificável pelos eleitores. A forma mais simples e mais confiável de fazer isso já é praticada em 37 estados: cédulas de papel com leitura ótica, assinaladas pelos eleitores, contadas pelo computador mas recontáveis à mão. E nós precisamos de um sistema de auditorias de segurança pré-eleição e pós-eleição para aumentar a confiabilidade do sistema.

Em segundo lugar, a fraude do sistema eleitoral, seja por uma potência estrangeira ou por um ator doméstico, é inevitável, e por isso precisamos de procedimentos detalhados a serem seguidos – procedimentos técnicos para saber o que aconteceu e procedimentos legais para saber o que fazer – que nos dêem, de forma eficiente, uma decisão eleitoral clara e imparcial. Deve haver um corpo independente de especialistas em segurança computacional para esclarecer o que aconteceu e um quadro independente de funcionários do sistema eleitoral, seja na Federal Election Commission ou em qualquer outro órgão, capacitado a determinar e implantar uma resposta apropriada.

Na ausência de tais medidas imparciais, as pessoas lutarão para defender o seu candidato e o seu partido. O que ocorreu na Flórida no ano de 2000 é um exemplo perfeito. O que poderia ter sido uma questão puramente técnica de determinar a intenção de cada eleitor tornou-se uma batalha por quem ganharia a presidência. Os debates sobre cartões anulados e cédulas danificadas, e sobre como extensa a recontagem devia ser feita, foram contestados por pessoas lutando por um resultado particular. Da mesma forma, após uma eleição hackeada, os interesses partidários colocarão uma pressão tremenda nos funcionários para que tomem decisões que se sobreponham à imparcialidade e à exatidão.

É por isso que precisamos construir juntos políticas para lidar com futuras fraudes eleitorais. Precisamos de procedimentos para avaliar alegações de urnas eletrônicas hackeadas. Precisamos de um claro e robusto processo de auditoria de eleição. E precisamos que tudo isso esteja pronto antes que uma eleição seja hackeada e que linhas de batalha sejam traçadas.

Em resposta à Flórida, o Help America Vote Act de 2002 exigiu que cada estado publicasse as suas próprias regras sobre o que constitui uma eleição. Alguns estados – Indiana, em particular – definiram uma “sala de situação” de ciber-especialistas públicos e privados prontos para ajudar se algo acontecesse. Apesar do Department of Homeland Security estar ajudando alguns estados com segurança eleitoral e o FBI e o Justice Departament terem feito algumas preparações esse ano, a abordagem tem sido fragmentada demais.

As eleições têm dois objetivos. Primeiro, e mais óbvio, servem para escolhermos um vencedor. Mas segundo, e igualmente importante, servem para convencer o perdedor – e todos os seus apoiadores – de que ele ou ela perdeu. Para atingir o primeiro objetivo, o sistema eleitoral tem de ser claro e preciso. Para atingir o segundo, tem de se mostrar claro e preciso.

Precisamos ter essas conversas antes que algo ocorra, quando cada um de nós pode se manter calmo e racional ao tratar dos problemas. A integridade das nossas eleições está em jogo, o que significa que a nossa democracia está em jogo.


Fonte: Mídia Sem Máscara


Artigo originalmente publicado no New York Times.


Tradução: Ricardo Hashimoto

sábado, setembro 24, 2016

Fraude Eleitoral em Capítulos 2.









E já que até hoje nada mudou, repetimos a matéria de novembro de 2014

Capítulo 1
O PSDB entrou a última quinta-feira (30 de outubro de 2014) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de auditoria a fim de que se verifique a "lisura" da eleição presidencial.

Na solicitação apresentada pelo coordenador jurídico da campanha do candidato derrotado Aécio Neves, deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), o partido sugere a criação de uma comissão com representantes do tribunal e de partidos para verificar o sistema que apura e faz a contagem dos votos.

O texto protocolado diz que a confiabilidade da apuração e a infalibilidade da urna eletrônica têm sido questionadas pela população nas redes sociais.


Capítulo 2
O pedido ao TSE, encontra-se disponível no link a seguir:


Capitulo 3

Os Erros e a Inconsequência do PSDB

Na petição ao TSE prestem atenção ao que segue:


..Nas redes sociais os cidadãos brasileiros vêm expressando, de 

forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos 
e a infalibilidade da urna eletrônica, baseando-se em denúncias das mais variadas 
ordens, que se multiplicaram após o encerramento do processo de votação, 
colocando em dúvida desde o processo de votação até a totalização do resultado.
O aguardo do encerramento da votação no Estado do Acre, 
com uma diferença de três horas para os Estados que acompanham o horário de 
Brasília, enquanto já se procedia a apuração nas demais unidades da federação, 
com a revelação, às 20h00 do dia 26 de outubro, de um resultado já definido e 
com pequena margem de diferença são elementos que acabaram por fomentar,
ainda mais, as desconfianças que imperam no seio da sociedade brasileira.


O PSDB deixa claro que quem duvida do sistema eleitoral brasileiro  é o cidadão e não propriamente o partido.


Capitulo 4

Porque então o cidadão brasileiro desconfia desse sistema?


Desde a eleição de 2006 a suspeita de Fraude nas Urnas Eletrônicas acompanha boa parte dos cidadãos e vem crescendo ao longo dos anos. Essa suspeita fica mais clara pesquisando-se no Google e encontrando-se centenas (milhares de compartilhamentos) de resultados envolvendo basicamente o engenheiro Amilcar Brunazo Filho e mais recentemente o também engenheiro e professor no Instituto de Computação da UNICAMP e especialista em Segurança Digital e Votação Eletrônica, Diego Aranha; que pode ser visto na entrevista a Danilo Gentili:



Capítulo 5

Seremos enganados novamente? O PSDB ajudará a passar recibo de honestidade a um sistema absolutamente vulnerável?

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral negou nesta terça-feira (4) um pedido do PSDB para formar uma comissão de representantes de partidos para realizar uma auditoria nos sistemas de votação e totalização do resultado das eleições de 2014.

A corte, no entanto, liberou o fornecimento de dados e acesso a programas e arquivos eletrônicos usados no processo. Com as informações em mãos, o PSDB poderá fazer sua própria auditoria ou mesmo contratar uma verificação independente.(G1)

A resposta é sim e sim se o PSDB não se municiar de todos os mecanismos já existentes, de todas as descobertas já feitas e que podem ser vistas nos artigos a seguir:

Capítulo 6

Fraude Anunciada 4 dias antes das eleições?

Sim, pode-se chamar de fraude anunciada o documento de um partido de esquerda da Guatemala, o Alternativa Nueva Nación - ANN (perfil no Facebook), publicado não só no Facebook (aqui), mas também no site do Petê (aqui). Essa congratulação não esconde nem que o documento foi emitido em 22 de outubro de 2014, portanto 4 dias antes do segundo turno e muito menos a diferença de votos entre a presidentE e Aécio Neves. Mas é claro que todos esses links podem sumir da Internet num piscar de olhos (Nem sei porque não o fizeram ainda) e portanto printamos as páginas de cada link.