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domingo, novembro 30, 2014

Maniqueísmo Instrumental.









por Paulo Rosenbaum




Já que o País está dividido ao meio, podemos enfim contar melhor as peças do tabuleiro.

Chefões e subordinados do regime não parecem mais temer as circunstâncias que criaram, nem os 51 milhões que não os avalizaram. A única pergunta significativa é por que? Conseguiram a cola perfeita, aquela que gruda em quem se opõe ao projeto de hegemonia. Nos adesivos, nomenclaturas desqualificadoras de ocasião. A pergunta é, como pode uma oposição que opera com tal frieza lidar com um trator cujo motor já deu sinais que está prestes a fundir?

Refrescando a memória coletiva, a oposição pouco se mexeu quando os primeiros indícios de que uma megaoperação de perpetuação no poder estava em curso. Pouco fez quando as evidências apontavam para o núcleo duro do partido. É verdade, torceu pelo magistrado-solo enquanto tentava superar as ameaças que corriam por fora. Quando ele mesmo dimensionou seu isolamento e jogou a toalha, quase nenhuma voz de desagravo.

A oposição apresenta-se hesitante e pouco convincente aos olhos da opinião pública, que espera bem mais do que “convocação de nova CPI em fevereiro”. A sociedade sente-se orfã diante dos fatos correndo na frente das barreiras. Urgência detectável para bem além das “redes sociais” — como algumas mídias preferem se referir aos rumores para circunscrever uma indignação muito mais ampla. Bem mais difusa do que mensagens rancorosas e preconceituosas entre usuários da internet. A sensação é de que os dinossauros estão esticados tomando sol sobre as pedras, em atitude expectante, diante de um regime agônico. Mas, novamente, podem estar enganados quando não consideram que o extravio leva à truculência, como aconteceu em toda República partisã. Nas circunstâncias que temos testemunhado, não há nada de paranoico evocar as circunstâncias que levaram jovens democracias à bancarrota.

O mais recente ícone do fracasso da democracia é o exemplo venezuelano. A oposição, por medo e intimidada pelo populismo chavista encistou-se numa trincheira distante, fria, com boicote, salto alto e esperança de que o desgaste natural desse conta do tirano. Pois, não ocorreu. Pelo contrário. O resultado de fato foi um avanço sem precedentes do que se convencionou chamar de bolivarismo. Palavra que traduz medidas autocráticas e invenções sob medida para justificar o totalitarismo. A “democracia direta”, por exemplo, é a evidente fissura entre a representação política e os votantes. Implementada, a sociedade se viu diante do desmanche dos três poderes. Extinta a auto regulação, os habitantes daquele país passaram a contar exclusivamente com agentes e líderes do executivo. Não é fortuito que a ONU tenha acabado de condenar Caracas por graves desrespeito aos direitos humanos, de prisões ilegais às torturas. A diplomacia brasileira perfilou-se aos países que tratam direitos humanos com mudez seletiva.

É particularmente espantoso que comentaristas e catedráticos nacionais – subsidiados ou não pelo erário — apontem para uma “nova direita” e uma “extrema direita ideológica” sem, ao mesmo tempo, apontar para o contexto real do parto destas forças. Seria por lealdade nostálgica por aquilo que já foi concebido como os valores progressistas? Faz tempo que o populismo autoritário vem ajudando a deslocar o centro para os extremos. Forças democráticas, da direita à esquerda em desacordo com o onipotência, foram empacotadas, comprimidas e reduzidas à “reação”, agora com insinuações de golpismo. O petismo, sacrificando o fiapo de coerência com seu comportamento e alianças, estas sim, à direita daqueles que são acusados de conservadores, instruiu uma aposta. E ela esta exatamente neste contingente de indignados sem filiação clara, manipulados para insuflar teses conspiratórias. Isso ajuda a propagar com mais facilidade seu maniqueísmo instrumental.

Recobram a desinibição para prosseguir no planejamento oportunista de reformas macro institucionais, à revelia da opinião pública. Não foi só ter levado o pleito na base da calúnia e difamação dos adversários. Não foram só acordos secretos com a ditadura cubana. Não são só os decretos arrivistas. Não é só a imposição de conselhos populares controlados pelo partido. Não é só a luta para extinção do Senado. Não são só financiamentos públicos de campanhas de candidatos dos países vizinhos. Não é só a complacência com governantes totalitários. E não se limita a grudar em um partido tampão como o PMDB, para ganhar aparência mais amigável perante a “nova classe média” que, em segredo chamam de “desprezível baixa burguesia”. Mas, principalmente, a autoconfiança político-jurídica que foram angariando para sustentar todas estas operações. Na clandestinidade atuam com uma única finalidade, já escancarada, de aglutinar-se como poder único.

Trata-se portanto de um regime que finge que não governa, para enfim trabalhar em sua especialidade, a oposição. Isso é muito sugestivo. Sugestivo de que estamos diante de um governo que já age num registro sub oficial. À sombra da legitimidade constitucional. Não porque quer, mas porque atingiu uma espécie de zênite transgressor, e sob o excesso de denúncias, acobertou uma verdade muito mais comprometedora que os alardes dos maus feitos que agora vazam por todos os lados. Por todos os lados, menos para o corredor central do Planalto. E enquanto se convencem de que a impunidade é o prêmio laudatório à grandiosidade de sua causa, o país encolhe, e nós junto.

quarta-feira, abril 21, 2010

21 de Abril



A história não foi muito condescendente com o Brasil nesse 21 de Abril, e em outras datas também. O começo da nossa história foi complicado. Diz a lenda que os portugueses rumavam para as Índias e (sem querer) acabaram descobrindo o Brasil!. Ou seja, seria como pretendermos ir à Disney e embarcarmos num voo para a Patagônia. Lá atrás, 1792, o Tiradentes - único pobre entre os insurgentes - foi enforcado; os outros participantes do movimento saíram de fininho e viveram felizes.
Em 1927 era inaugurado o estádio de São Januário do meu Vascão. E dai? Daí que 40 anos depois o Eurico Miranda ingressou no Vasco e todo mundo sabe o final da história... .
Em 1960 Juscelino inaugurava Brasília e dava o empurrão oficial para que o Governo se tornasse uma Sociedade Anônima: as empreiteiras se tornaram sócias majoritárias dos governos e os governantes viraram sócios majoritários delas - taí o PAC que não me deixa mentir -.

Em 1985 o dr. Tancredo Neves, faleceu mineiramente depois de mineiramente estar no governo (de um jeito ou de outro) desde 1935. Podemos dizer que o dr. Tancredo foi assim uma espécie de Porcina da política: foi presidente sem jamais ter sido.
Enfim, o melhor a se comemorar é o Dia mundial dos Bombeiros. Gente de fibra, que exerce a profissão como um sacerdócio, com a desvantagem - no Brasil - de ganharem pouco e se arriscarem muito.

Daí que o feriado aqui em Sampa amanheceu parecendo um domingão com muito sol e calor. Então o que fazer? Passear nos Shoppings (Urgh!); correr no Ibirapuera e ver aquele concretão do Niemeyer?; ir ao cinema e assistir o Chico Xavier (Puargh!), Lulla o filho da P átria (Vade retro Satana!), Avatar (e correr o risco de ver a Marina Silva?)... . Que tal lavar a alma?. Eu fui!.

O local: Paróquia de Santo Antonio do Caxingui, Av. Prof. Francisco Morato, 2042 (Pertinho do Estádio do São Paulo F.C.)

O que tem nessa Igreja de tão especial? Às 4ªs feiras ao meio dia e no último domingo do mês, o padre Sérgio Roberto de Farias, 29 anos, carinhosamente chamado de padre Sérginho celebra a missa de Libertação (Renovação Carismática).

Quem o vê, pela primeira vez, não acredita sequer que ele seja um sacerdote: tem-se a impressão que um coroinha tomou o lugar do padre. Baixinho, cabelos cortados à americana, óculos de geniozinho de escola, bem diferente do porte atlético, dos quase dois metros de altura do padre Marcelo Rossi. Dono de uma voz marcante, irradiando uma energia contagiante, o padre Sérginho sabe como poucos pastores como conquistar suas ovelhas. E tome músicas de louvor, invocando o Espírito Santo, reverenciando o Cristo, fazendo com que todos sintam que realmente nesse local o sobrenatural está presente.
É o sermão um ponto forte do padre Sérginho; no de hoje ele perguntou o quê tantas pessoas (calculo mais de quinhentas e tantas outras que voltaram por falta de espaço), que poderiam estar "curtindo" o feriado, faziam alí?

- "Somos loucos, loucos por Cristo Jesus...". "Muitos nos criticam, mas continuaremos ao lado de Cristo...". "...O inferno que se cuide... nós o fecharemos...".

Inevitável é verem-se as manifestações de libertação: à minha frente uma jovem cai; mais adiante uma senhora; atrás mais outra e por todo o recinto manifestações iguais acontecem. O padre Sérginho adverte e os fiéis vão ao delírio aplaudindo a Jesus:
-"Não se incomodem... nós vemos a todo instante as manifestações do pecado pelas ruas e não nos escandalizamos... são pessoas sendo curadas não por homens, mas pelo Espírito Santo de Deus...".

Duas horas ou um pouco mais, já é possível ver-se, à saida da Igreja, que aquelas pessoas que entraram com o semblante carregado, se sentem aliviadas, curadas, libertas e já sorriem, cumprimentam-se umas às outras, trocam endereços, e-mails, números de telefones e prometem voltar na próxima semana; desta vez só para louvar, só para agradecer. Aos que ainda não receberam aquilo que foram buscar, fica a certeza de que na próxima missa lá estarão novamente e, desta vez, crendo que não é o padre Sérginho quem cura ou liberta e sim o Cristo Vivo.

Que bom se a CNBB lutasse para que todas as missas fossem como as realizadas pela Renovação Carismática; que abandonassem a política partidária, que parassem de conduzir as ovelhas do Senhor para as bocas famintas dos lobos travestidos de políticos cristãos... . Mas isso é um sonho. Parabéns ao padre Sérginho.