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domingo, maio 05, 2013

64 perguntas para se fazer a um abortista.







64 perguntas para se fazer a um abortista.
por Kevin Deyoung



Do que deveríamos chamar aquele que ainda não nasceu e está no útero?

Se aquela entidade é um ser vivente, não é uma vida?

Se você surgiu primeiramente como uma simples célula, como pode aquele óvulo fertilizado ser algo diferente de um ser humano?

Não é mais correto dizer que você era um embrião, em vez de dizer que simplesmente veio de um?

Então quando é que um ser humano passa a ter o direito de viver?

Devemos dizer que o tamanho importa?

Um feto é pequeno demais para merecer nossa proteção?

Pessoas grandes valem mais do que pessoas pequenas?

Homens são mais humanos do que mulheres?

Um jogador de basquete grandão tem mais direito do que um pequenino jóquei?

Uma vida num útero não pode ser levada em conta simplesmente porque você não pode segurá-la em seus braços, ou colocá-la em suas mãos, ou vê-la em uma tela?

Desenvolvimento intelectual e capacidade mental deveriam se tornar a medida de nossa dignidade?

Crianças de três anos de idade valem menos que pessoas de trinta?

Um feto vale menos do que um ser humano formado porque não pode falar, contar ou ter consciência própria?

Um bebê brincando no berço tem de sorrir, ou acenar com a mão, ou recitar o alfabeto antes de merecer mais um dia de vida?

Se uma expressão de acuidade mental básica é necessária para se ter o direito de ser um membro da comunidade humana, o que deveríamos fazer com pessoas em estado de coma, pessoas muito idosas, ou a mamãe de cinquenta anos com Alzheimer?

E o que dizer de todos nós quando dormimos?

Deveríamos negar o direito de viver de um feto apenas pelo lugar onde vive?

O meio onde vivemos pode nos dar ou retirar algum valor?

Valemos menos do lado de dentro do que do lado de fora?

Podemos simplesmente ser mortos quando estamos nadando debaixo d’água?

O lugar onde estamos determina quem somos?

Uma travessia de vinte centímetros no momento do parto nos torna humanos?

Essa mudança de cenário transforma “coisas” em pessoas?

O amor é condicionado pela localização?

Deveríamos reservar a dignidade humana apenas para aqueles que não são dependentes de outros?

Apenas merecemos viver quando podemos viver por conta própria?

Um feto de quatro meses é inferior a um ser humano porque precisa de sua mãe para viver?

Uma criança de quatro meses é inferior a um ser humano quando ainda precisa de sua mãe para viver?

E se você precisar de uma diálise, ou insulina, ou um aparelho respiratório?

A dignidade é fruto do pleno funcionamento das nossas capacidades vitais?

A independência é um pré-requisito para nos identificar como ser humano?

Somos valiosos apenas quando podemos pensar, realizar tarefas, ou fazer as coisas por conta própria?

Se a vida de um feto é vida humana, o que justifica arrancá-la fora?

Seria justo tirar a vida de seu filho no aniversário de um ano porque ele veio à vida por meio de circunstâncias tristes e trágicas?

Você jogaria sua filhinha de um ano e seis meses no meio dos carros em tráfego porque ela tornou nossa vida difícil?

Uma criança de três anos de idade merece morrer porque pensamos que merecemos uma escolha?

O que você merece agora?

Quais são seus direitos como ser humano?

Você tinha esses mesmos direitos há cinco anos?

E quando você era um adolescente e nem podia dirigir?

E naquele tempo em que sua bicicleta tinha rodinhas de apoio?

Você era menos do que um ser plenamente humano quando brincava com terra?

E quando você usava babador?

E quando ainda mamava?

E quando cortaram seu cordão umbilical?

E quando você boiava no liquido amniótico e chutava aquela parede elástica?

E quando seu coração bateu pela primeira vez no monitor?

E quando cresceram suas primeiras unhas?

E quando se desenvolveram suas primeiras células?

Do que deveríamos chamar a criança no útero?

Um feto?

Um mistério?

Um erro?

Uma questão ideológica controversa?

E se a ciência, as Escrituras e o consenso chamarem-na de pessoa?

E se um feto, o bebê desastrado, a criança inocente, o adolescente indisciplinado, o calouro universitário, a noiva maquiada, a mãe de primeira viagem, a mulher trabalhadora, a vovó orgulhosa, e o velho amigo esclerosado não diferirem em tipo, mas apenas em tempo?

Onde na evolução a humanidade começa e termina?

Quando a vida passa a ter valor?

Quando começamos a valer alguma coisa?

Quando os direitos humanos se tornam nossos direitos?

E se Dr. Seuss estiver certo e uma pessoa for uma pessoa, sem importar o tamanho que tenha?

Por que celebrar o direito de matar o que você foi um dia?

Por que negar os direitos do pequenino que é o que você é?





Publicado no The Gospel Coalition: 40 Years after Roe, 64 questions

Divulgação: Reformahoje.org

Tradução: Allan Santos 


sábado, março 02, 2013

UM CRISTÃO NA COMISSÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA CÂMARA.

UM CRISTÃO NA COMISSÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA CÂMARA.



Não se assustem, nem fiquem alvoroçados. E os mais espertos e inteligentes não precisam rir. No Brasil tudo tem um  outro significado. O que no mundo inteligente é governo, por aqui o STF já rebatizou de Quadrilha; então é preciso muito cuidado quando um político - ou qualquer outra pessoa - se auto rotule como Cristão. Marco Feliciano provavelmente presidirá a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e já causou frisson entre os ativistas gays e causou TPM  no Jean Willys, o deputado representante do BBB.

Sinceramente não sei porque tanta preocupação como o sêo Feliciano; o máximo que ele poderá fazer na Comissão é nada e o mínimo será quase nada. Embora ele costume e goste de se digladiar pelas redes com ativistas gays, trocando insultos e muito blá, blá, blá... é só isso e mais nada. 

Dentro do Cristianismo o pastor Feliciano está mais para Judas do que para Paulo; senão vejamos a superpérola que ele escreveu apoiando a atual presidente:



“Amigos e irmãos deste abençoado Brasil nestes últimos dias muito tem se falado sobre minha manifestação de apoio a candidata a presidenta Dilma Rousseff, infelizmente a maldade e distorção de fatos produzem factóides distantes da verdade tentando alcançar com mentiras a consciência livre do povo de Deus, juízes sem toga que se apossam de uma prerrogativa que é só do Deus altíssimo.


É necessário a todos saber versar um dos mais importantes dons que orientam nossa vida cristã o “discernimento”. Sob esta orientação a luz de nossa constituição maior, este se torna o um dos maiores fundamentos para se tomar decisão sobre algo, pois o discernimento do Espírito Santo convence da justiça e do juízo diz a Bíblia.(*)

Fui convidado para conhecer a Ministra Dilma e como pastor pude discernir suas intenções, e no tempo que passei com ela pude ouvir com clareza de sua boca seu compromisso com os cristãos do Brasil em defender a vida e continuar defendendo os avanços que trouxeram prosperidade ao País.

Agora como Deputado Federal eleito firmei com ela e seu partido, junto com outras dezenas de líderes evangélicos, religiosos e representantes de diversos segmentos da sociedade, o compromisso que os temas que tentam polemizar sua campanha neste momento, serão tratados com o devido respeito e clareza, não deixando brechas para que a igreja e a família sejam feridos.

Dilma nos disse que a liberdade religiosa continuará sendo respeitada. Assumiu publicamente ser a favor da vida, mencionando sua posição sobre o aborto. Infelizmente a internet, tem sido um campo aberto e perigoso para disseminação de orientações, equivocadas e distorcidas, em sua verdade, tentando confundir o eleitor cristão com emails e vídeos editados, que atribuem a Dilma situações que levam os Cristãos a terem medo de seu governo, situações que também levaram os Cristãos a terem medo de Lula, que disseram que quando assumisse o governo, fecharia as igrejas, e pelo contrario, o governo Lula não fechou igrejas e também não permitiu que as igrejas fossem consideradas associações, preservando a liberdade da sua homilia acerca das contribuições feitas livremente pela sua membresia, projeto esse que já tinha sido aprovado pelo PSDB, através da sua maioria na câmara e caminhava para ser colocado em vigor através do novo Código Civil, que acabou sendo alterado a pedido de Nosso Presidente, outra coisa que é preciso ser esclarecido é que, quem licenciou o aborto, foi o Ministro da Saúde no governo FHC, a saber o Sr. Serra, hoje candidato a Presidência da Republica e que nessa semana disse ser a favor do casamento homossexual, informação essa divulgada através da imprensa.

Gostaria de deixar aos meus irmãos e eleitores uma palavra: cuidado com informações caluniosas que se difundem através da internet, tentando fazer-nos acreditar em mentiras pinoquiais produzidos por quem tem compromisso de confundir, em detrimento a um fundamentalismo de interesse, que não cabe mais em nosso tempo, não vivemos mais na Era Medieval.

Posso dizer a você que como Deputado Federal eleito pelo Estado de São Paulo, com mais de 211 mil votos, fui procurado pela presidência do meu partido, o PSC para que eu pudesse estar com a Sra. Ministra Dilma Rousseff, e deixei claro a presidência do meu partido minha posição: SOU CONTRA O ABORTO, a favor da liberdade religiosa. E então fui ouvi-la, o que fiz de bom grado, e após ouvi-la fiz um acordo, gozando da posição de Deputado que me foi depositada, e dela tive o compromisso de manter a luta pela vida e a liberdade Cristã de nosso Pais.

Faço então um pedido, vamos dar continuidade ao governo que deu certo. Pois acima do governo dos homens, temos o governo soberano de Deus que é justo e verdadeiro. Outrossim, declaro publicamente que não houve em momento algum outras motivações, a não ser as que aqui esclareci, como a luta pela liberdade religiosa e pela vida, para que eu apoiasse a ministra.



Gostaria de lembrar ao querido povo de Deus, que, não estamos elegendo um SACERDOTE RELIGIOSO, e sim um líder político, que ao governar, não governará para um segmento religioso, e sim governará para UMA NAÇAO INTEIRA, sendo esta uma nação soberana onde seus filhos tem a liberdade de escolher seus caminhos. O próximo presidente governará evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas, ateus, etc. Governara um País Laico.

Cabe a nós e não ao líder político, como igreja orar e trabalhar na propagação do evangelho para que haja salvação em nossa pátria.

Fica aqui meu protesto contra as mentiras, os sensacionalismos disseminados através da internet, os vídeos e cartas, principalmente quando sabemos que pessoas se aproveitam da democracia para escrachar , esculhambar e destruir a imagem de quem quer que seja em seu próprio beneficio e interesses usando para isso a simplicidade do nosso povo.

Eu já fui alvo de tudo isso e sei como é terrível lutar contra uma calunia. Protesto que se aproveitem da credulidade pura dos crentes, levando-os a odiar e difamar pessoas por simplesmente ouvirem, ou lerem, que alguém que trás na frente do seu nome um titulo de SACERDOTE, valendo-se do poder do microfone, da mídia seja ela de que vertente for manipule a seu próprio favor uma mentira que dita varias vezes, soe como se fosse verdade.

Defendo a democracia, onde o voto é livre, é pessoal, e não pode ser comprado nem manipulado, valendo o direito de escolha, comparando projetos de governo. Democracia que da o direito de escolher qualquer candidato.

Mostramos força, quando a imprensa divulga que o fator religião hoje tem que ser respeitado pois ele define a política nacional, todavia não devemos disseminar o ódio religioso, nem levar este país, que é livre, abençoado, aos ditames de uma guerra santa.

Que a verdade seja sempre o alicerce da igreja. E se pessoas mudam seu parecer PARA MELHOR, e penhoram sua palavra para isto, que não seja isto visto como sinal de fraqueza e sim de hombridade, pois nunca é tarde para se fazer o certo, digo isto pois alguns irão questionar palavras do passado ditas pela ministra, então que se guarde isso: No ultimo dia 13 de Outubro em uma reunião em Brasília, mais de 100 lideranças evangélicas de peso nacional, tivemos sua palavra dada, e posteriormente uma carta na qual ela assume publicamente que em seu governo lutará pela vida e que este país continuará sendo um país com cultura e costumes cristãos, e isto para mim já está de bom tamanho.

Nossa bancada evangélica que ainda esta sendo formada já conta com mais de 65 Deputados Federais eleitos, vários Senadores evangélicos eleitos também. Lutaremos juntos pelos interesses daqueles que nos elegeram, com a ajuda de Deus blindaremos a família que é o alicerce da igreja e não envergonharemos nossa fé, sempre em nome da verdade.

Pense com clareza, sem mentiras, no futuro desta nação. Avalie o Governo Lula no qual Dilma dara continuidade, não se esqueça que durante a grande crise mundial, o Brasil foi o ultimo país a ser atingido e o primeiro a sair dela, pois tem uma economia forte, lembre-se que durante o governo Lula o país teve 3 vezes mais empregos gerados do que no governo anterior, lembre-se que o Pré-sal só é uma realidade hoje porque foi no governo lula que houve investimentos em infra-estrutura permitindo assim a descoberta do Pré-Sal que há de financiar segurança publica, educação e saúde, entre tantas outros projetos. Para que esse estilo de governo continue, dia 31 de outubro vote 13, vote em Dilma Houssef para presidente da república.”

Pr. Marco Feliciano
Deputado Federal
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Entenderam bem? Alguém poder levar a sério alguém que se diga Cristão mas acende velas ao capeta? O governo  de transição(*) da Dilma já começou há dois anos e o lobo Marco Feliciano não se deu conta de que dona Eleonora Menicucci (abortista convicta, leia aqui) é ministra chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Será que Marco Feliciano não sabe mesmo ou se faz de morto?


(*) A palavra grega Bíblia, em plural, deriva do grego bíblos ou bíblion (βίβλιον) que significa "rolo" ou "livro"...Então já deu para perceber de que Biblia fala o Marco Feliciano, é certamente algo ligado a rolo, cambalacho, viração.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Salvem o dia da criança.






por Blogando Francamente.






Não está errado não. O título da postagem é Salvem o dia da criança. Salvar sim, pois com tantos bombardeando o que ainda resta de infância nas crianças, será inevitável que a criança seja tal qual um dinossauro: um ser extinto. 

Crianças na Cracolândia - SP

As investidas para transformar a criança em mercadoria são cada vez mais descaradas; senão vejamos:

Aqui em terras que um dia foram de Santa Cruz:


O Estado de S.Paulo 6 de abril de 2012:


O Escritório Regional para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgou nota ontem deplorando a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que inocentou um acusado de estuprar três meninas de 12 anos. O STJ concluiu que não houve presunção de violência, já que as garotas seriam prostitutas. Para as Nações Unidas, além de "abrir um precedente perigoso", a decisão contradiz tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil.

Ou em terras sem muita Cruz:

O ativismo pedófilo é hoje um movimento de importância marginal, que esteve mais em voga entre as décadas de 1950 e 1990, e atualmente é mantido exclusivamente por websites. Segundo um de seus defensores, Frits Bernard, o movimento advoga a aceitação social da atração sexual ou romântica de adultos com crianças, e consequentes atividades sexuais, pretendendo, para esse fim, provocar mudanças sociais e judiciais como a mudança da idade de consentimento para idades mais infantis e a não categorização da pedofilia como doença mental, mesmo que o conceito de doença mental seja criticado. Outro de seus defensores, Tom O'Carroll, escreveu um livro ( Paedophilia: The Radical Case. Peter Owen, London, 1980.) em defesa da pedofila, agora esgotado. Mais tarde O'Carroll foi preso e condenado na Grã-Bretanha por "conspiração para corromper a moral pública" e, posteriormente, foi também condenado à prisão por produzir pornografia infantil.

Mas o que se pode dizer de um governo federal voltado para a legalização do aborto que acaba com a infância antes mesmo dela começar?:

Veja 07 de fevereiro de 2012:



Feminista de carteirinha, a ministra indicada para comandar a Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci (PT), afirmou nesta terça-feira que o aborto é uma questão de saúde pública. Apesar de pessoalmente ser a favor da prática, Eleonora disse que não convém explicitar essa posição particular, já que integrará o governo a partir da próxima sexta-feira, data de sua posse. Ela vai substituir Iriny Lopes, que deixa o cargo para se candidatar à prefeitura de Vitória (ES) pelo PT.

“A minha posição pessoal a partir de hoje não interessa”, disse. Minha posição pessoal já dei em entrevistas", sobretudo nos anos 70, 80 e 90, quando o feminismo precisava marcar posições”. Segundo ela, as declarações – que incluem a informação de que abortou duas vezes – foram testemunhais e feitas logo depois que deixou a cadeia, em 1973. “Não me arrependo, é minha história”.

Ou num governo estadual?:

Do site sul21, de 21 de março de 2012.



Um evento promovido pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) nesta terça-feira (20) pôs em discussão um assunto que, até então, não havia sido tratado publicamente pelo governo gaúcho: o aborto. Durante seu pronunciamento, a titular da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Márcia Santana (PT), deixou bem claro que o Palácio Piratini está disposto a pautar o tema na sociedade.

“Esse evento é o ponto de partida desse debate no Rio Grande do Sul. Não é um debate que deva ficar encoberto”, garantiu a secretária. Ela entende que a sociedade não pode ficar “na zona de conforto” enquanto, no Brasil, milhares de mulheres realizam o aborto em condições precárias e inseguras por conta da criminalização do procedimento. “Não é possível que estejamos na zona de conforto quando mulheres são sangradas na sua alma e no seu corpo a partir de uma gravidez indesejada”, apontou.

O inimigo ensina em Universidades.

E o que se poderia dizer de Luiz Mott, um Professor Titular do Departamento de Antropologia da UFBa; membro da Comissão Nacional de Aids do Ministério da Saúde - CNAIDS e do Conselho Nacional de Combate à Discriminação do Ministério da Justiça, agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Rio Branco pelo presidente FHC; quando ele mesmo escreve:

“Eu fui casado cinco anos, tenho duas filhas e sou bichona”.No fundo, todos nós, gays (e não gays) alimentamos em nossa imaginação um tipo ideal do homem que gostaríamos de amar e ter do lado. E que nem sempre é igual à nossa paixão atual. O ideal pode ser alto e branco, o real, baixo e preto.No meu caso, para dizer a verdade, se pudesse escolher livremente, o que eu queria mesmo não era um “homem” e sim um meninão. Um “efebo” do tipo daqueles que os nobres da Grécia antiga diziam que era a coisa mais fofa e gostosa para se amar e foder".
Se nossas leis permitissem, e se os santos e santas me ajudassem, adoraria encontrar um moleque maior de idade mas aparentando 15-16 anos... 

O restante, para quem tem estômago e esteja desacompanhado de crianças pode ser lido em Julio Severo


Enfim, como se diz por aí: O universo (dos pulhas sem o menor pudor) conspira para que brevemente a infância seja uma etapa da vida que não mais existirá e a criança será exibida apenas em museus, virtuais é claro, como hoje são exibidos os esqueletos de dinossauros.

Lucas 18:15 - Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; mas os discípulos, vendo isso, os repreendiam.16 Jesus, porém, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus.








terça-feira, julho 31, 2012

ABORTO: VOCÊ PAGA E NÃO SABE?.


por Padre Paulo Ricardo

Nas últimas eleições presidenciais, quando a então candidata à presidência da República, Sra. Dilma Rousseff, viu as intenções de voto caírem vertiginosamente após a divulgação da sua posição favorável ao aborto, assinou um compromisso público, no qual firmou a obrigação de não modificar a legislação referente ao aborto. Com isso, conseguiu eleger-se, como é sabido.

Após ser eleita, de fato, a Sra. Dilma Rousseff não tentou modificar as leis que tipificam o aborto, porém, vem trabalhando com afinco e determinação para que o aborto seja implantado no país. Para isso, tem financiado organizações que têm como bandeira o trabalho para a legalização do aborto. Essas organizações lutam pelo que chamam de “direito da mulher” sobre o seu corpo.

Tanto é verdade que a Secretaria de Política para as Mulheres, capitaneada pela sra. Eleonora Menicucci (entrevista aqui), secretária com status de ministra de Estado, está dando quatro milhões e meio de dólares para as seguintes organizações:

CFEMEA (http://www.cfemea.org.br/)
INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO (http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/)
REDE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (http://www.redeh.org.br/)
COLETIVO LEILA DINIZ (http://www.coletivoleiladiniz.org/)
INSTITUTO MULHER NEGRA (http://www.geledes.org.br/)
CUNHÃ COLETIVA FEMINISTA (http://www.cunhanfeminista.org.br/)


A pergunta que não quer calar é a seguinte: qual a razão para que 4,5 milhões de dólares sejam dados para instituições que publicamente trabalham contra a vontade do povo brasileiro?

Somente duas opções podem ser aceitas, nesse caso:

Ou a Sra. Dilma Rousseff, presidente da República, nada sabe sobre as ações da Secretária de Política para as Mulheres e, diante desta denúncia, irá tomar medidas coerentes com o seu compromisso firmado à época das eleições, destituindo peremptoriamente a Sra. Eleonora Menicucci, posto que suas ações não condizem com a palavra dada pela sra. Presidente;

(Nota do Blogando: Essa alternativa não é possível Dilma sabe de tudo e um pouco mais; pode não tomar providências por sua imensurável incapacidade; no caso do aborto não toma providências pois é realmente essa a sua intenção)

Ou a Sra. Presidente sabe exatamente o que está acontecendo na Secretaria de Política para as Mulheres, tem pleno conhecimento das ações da Sra. Eleonora Menicucci, as apoia e, portanto, irá calar-se, omitir-se diante da vontade da maioria esmagadora do povo brasileiro, mostrando com essa atitude que está ciente e de acordo com o que ocorre na referida Secretaria e no Ministério da Saúde. 

Não existe uma terceira alternativa. O país está diante de fatos claros: o Governo Federal insiste em financiar organizações que historicamente já agiram de forma contrária à vontade da população.

A Frente Parlamentar Evangélica protocolou nesta semana, junto à Câmara dos Deputados, em Brasília, o Requerimento nº 2406/2012, assinado pelo Deputado Federal, Sr. João Campos e subscrito por mais vinte e seis parlamentares, solicitando ao Governo Federal que dê explicações detalhadas sobre o destino dado ao valor de 4,5 milhões de dólares (composto de 3 milhões de dolares recebidos da ONU-Mulheres e mais 1 milhão e meio do próprio governo Federal) e sobre o critério de escolha das organizações que estão recebendo parte desse montante.

Além desse requerimento específico, a mesma Frente Parlamentar endereçou um outro ao Sr. Alexandre Padilha, Ministro da Saúde, questionando acerca da norma técnica que permitirá a liberação comercial do medicamento abortivo conhecido como CITOTEC. Qualquer mulher que queira realizar um aborto será orientada pelo Sistema de Saúde - por meio de uma cartilha que está sendo preparada pelo MS - a adquirir este medicamento em qualquer farmácia e administrá-lo. Tão logo os primeiros sintomas apareçam deve encaminhar-se para um Posto de Saúde. O requerimento pede explicações sobre essa ação gravíssima do Ministério da Saúde, subordinado ao Governo Federal, que porá em risco a vida de milhões de bebês.

Incrível é que essa notícia não foi veiculada na grande mídia, nem mesmo no site da Câmara dos Deputados. Apesar do escândalo que esses atos do Governo representam, tais notícias não serão veiculadas na grande mídia. Caso queria inteirar-se, o cidadão deve recorrer ao Pravda (acesse aqui), veículo de comunicação ligado à Federação Russa. Esta é a censura que o país vive.



Colocar em prática a agenda abortista internacional não é algo que começou ontem. Pelo contrário, tão logo acabou o Governo Militar, organizações internacionais passaram a subvencionar institutos nacionais com o fim único de promover a legalização do aborto.
Recentemente, a Organização das Nações Unidas criou um órgão denominado ONU-Mulheres. Este organismo surgiu "a partir de um forte embasamento, pela fusão de quatro organizações da ONU com um sólido histórico de experiência em pesquisa, programas e ativismo em quase todos os países". É interessante perceber como eles são claros ao exporem seus objetivos:
“A ONU Mulheres apoia os Estados-Membros da ONU no estabelecimento de padrões globais para alcançar a igualdade de gênero e trabalha junto aos governos e à sociedade civil para formular leis, políticas, programas e serviços necessários à implementação desses padrões. A ONU Mulheres coordena e promove o trabalho do Sistema ONU no avanço da igualdade de gênero.” http://www.onu.org.br/onu-no-brasil/onu-mulheres/
No documento chamado "O Progresso das Mulheres: em busca da justiça", a ONU-Mulheres afirma na página 43: os comitês das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos, sobre os Direitos Econômicos e sobre os Direitos das Crianças já declararam que estão preocupados pela legalização do aborto e exortaram várias vezes os Estados-membros que revisassem ou modificassem a legislação. Vários casos judiciais transcendentais confirmaram o direito das mulheres ao acesso a serviços de saúde reprodutivas, incluindo o aborto, em condições seguras. Ou seja, segundo este documento, o aborto é um direito reprodutivo das mulheres; existe jurisprudência para amparar esse postulado; mais que isso, se o Brasil não reconhecer o aborto como um direito, entrará para a lista de países que desrespeitam os direitos humanos.
Trata-se de um ataque frontal à soberania da Nação. Com esse documento, querem dizer como se deve pensar, em que se deve acreditar e como se deve legislar no Brasil. Isso é inadmissível. É um atentado à democracia brasileira. Fundações internacionais interferindo na maneira de se governar um país. E isso por meio do dinheiro, comprando posturas e subvencionando organizações nacionais para trabalharem contra a vontade da população.
Diante disso, incrivelmente existe um silêncio sepucral, nada se fala sobre o assunto na grande mídia. Não existe uma voz que se levante em defesa não só da soberania do país, mas em defesa da vida das crianças nos ventres maternos. Onde estão os defensores da vida, dos direitos humanos? Onde?
As crianças mortas, assassinadas pelas normas técnicas, pelo CITOTEC, pelo dinheiro dessas organizações internacionais são SILENCIOSAS. Não gritam, não podem defender-se e, por isso, todos fingem que nada está acontecendo. É mister que o povo apoie os Deputados e Senadores que estão chamando o Governo a dar explicações de seus atos. Não só isso, é preciso que cada cidadão se pronuncie, tome atitudes concretas diante desse flagelo que está se abatendo sobre o país.
Cada homem, mulher de boa vontade, independente da crença religiosa, raça ou partido político, mas que esteja disposto a por em risco fama, propriedade, nome, família e até mesmo a própria vida para defender essa geração de nascituros que está sendo ceifada, deve entrar em contato com o Senadores e Deputados, pedir satisfações ao Governo Federal. Envie e-mails, contate o seu deputado (lista aqui) e o seu senador (lista aqui)
A voz do povo deve ser ouvida. é preciso romper o silêncio sobre essa atrocidade que está em vias de ser legalizada. Sejamos nós as vozes daquelas crianças que estão correndo o risco iminente de serem assassinadas silenciosamente nos ventres maternos. Sejamos nós aqueles que gritam pelos nascituros, pelos fetos, pelas crianças, pela VIDA. Não podemos nos calar diante de tão eloquente silêncio e dor.

terça-feira, julho 24, 2012

Brasileiro paga para celebrarem o Aborto na ONU


por Julio Severo

Durante sua campanha na última eleição presidencial, vendo-se pressionada pela oposição do povo brasileiro ao seu radical histórico pró-aborto, Dilma Rousseff assinou o compromisso de não descriminalizar o aborto (aqui). Foi um sacrifício imenso, pois legalizar o aborto está não só nas entranhas de sua antiga militância comunista, mas também no próprio coração do seu partido, o PT.

Contudo, depois de eleita, Dilma imitou Lula, que em 2002 também havia feito compromisso com 500 líderes protestantes, pentecostais e neopentecostais de não permitir que seu governo promovesse o aborto e o homossexualismo. Semelhante compromisso não foi necessário com a CNBB, companheira na fundação do PT.
Lula nunca conseguiu cumprir seu compromisso e Dilma não parece querer ser infiel aos descompromissos dele.

Além de enviar técnicos de saúde ao exterior para conhecer em detalhes projetos cuja finalidade é garantir o chamado “aborto seguro”, o Ministério da Saúde também tem prorrogado há mais de dois anos convênios com a Fundação Oswaldo Cruz cuja intenção é o estudo para legalizar por completo o aborto no Brasil.

Mais recentemente, Dilma nomeou Eleonora Menicucci como ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM). Eleonora, além de ativa feminista e militante pró-aborto, era companheira de atividades terroristas comunistas no passado de Dilma. Seu currículo inclui uma viagem à Colômbia em 1995 para aprender a fazer abortos. De terrorismo contra o governo do Brasil, ambas passaram para o terrorismo contra os bebês em gestação. Hoje, Eleonora é membro do Grupo de Estudos sobre Aborto (GEA), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos.

Fundada no início da década de 1990 por 40 organizações feministas, a Rede cresceu com o apoio da Fundação MacArthur, uma poderosa instituição americana que é um dos principais financiadores do aborto no mundo inteiro. A Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos desempenha um papel importante na mudança das mentalidades na luta pela descriminalização do aborto. Na prática, a Rede tem espaço em vários conselhos de Saúde e é apoiada pela ONU, em Nova Iorque.

Foi para Nova Iorque, neste mês, que a ministra Eleonora Menicucci voou (DOU de 17/06/2012), onde, ao lado da assessora especial Marinei Luiz Bonfim, cumpriu agenda entre os dias 8 e 9. O único motivo da viagem, segundo informa a agenda oficial disponível no site da SPM, foi a celebração dos 30 anos da criação do Committee on the Elimination of Descrimination against Women (CEDAW), ou Comitê da ONU para Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. O Comitê tem usado e abusado de questões das mulheres para promover práticas abortivas em países como o Brasil. 

Apesar dos protestos de vários países, o Comitê tem persistido em cobrar a legalização do aborto de governos de várias partes do mundo.

Por motivos óbvios, Eleonora se sente em família no Comitê da CEDAW. Portanto, por nada neste mundo ela poderia perder o aniversário de um órgão tão importante da ONU para as feministas do mundo inteiro.

A data também foi amplamente festejada pela embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, que abriu, para receber a ministra e convidados, a Residência Oficial brasileira, localizada na Rua 79, em Nova York.

Estimativa feita pelo Portal Fé em Jesus aponta que, para a viagem da ministra e sua assessora, foram gastos aproximadamente R$ 4 mil em diárias e outros R$ 20 mil com as passagens aéreas, levando em consideração o pagamento de bilhetes de ida e volta a Nova Iorque na classe executiva, onde costumam viajar autoridades de Estado e assessores especiais. Na TAM, por exemplo, cada trecho nesta classe sai a R$ 5.768,00 para viagens a Nova Iorque realizadas este mês.

Pesquisas de opinião pública já mostraram que 70 por cento do povo brasileiro não quer que a legalização do aborto. Entretanto, esse mesmo povo banca as despesas e luxo de indivíduos que vão a ONU celebrar o que o povo não defende.

A relação do governo brasileiro com o Comitê da CEDAW não é recente. Em 2005 o governo Lula reconheceu, junto ao Comitê abortista, o aborto como direito humano. Na ocasião, foi entregue ao Comitê o documento intitulado “Sexto Informe Periódico do Brasil ao Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher” onde, nas páginas 9 e 10, ele reconhece o aborto como um direito humano da mulher e reafirma novamente diante da ONU decisão do governo de revisar a legislação punitiva do aborto.

A viagem este mês da ministra Menicucci a Nova Iorque especialmente para o aniversário da CEDAW revela que o governo do PT tem os mesmos interesses e ambições do Comitê da CEDAW, a quem fez a promessa, em 2005, de lutar em favor do aborto livre no Brasil.
Essa é uma promessa que Dilma e suas ministras abortistas estão lutando para cumprir, apesar da vontade oposta do povo e apesar do compromisso assinado por ela em 2010.
O lema socialista delas para o povo parece ser: “Aceite nossas mentiras, que gostamos!”
A resposta do povo, nas urnas que sempre elevam ao governo os mentirosos e suas intenções abortistas sanguinárias, é: “Me engana que eu gosto!”

Gosta mesmo. Está até bancando farras de abortistas brasileiros em Nova Iorque e outros lugares do mundo!

Ô povo que gosta de ser enganado!

(*)Titulo Original Povo paga celebração do governo em Comitê pró-aborto da ONU

sábado, julho 14, 2012

Ministro da saúde se prepara para instruir mulheres como fazer abortos ilegais.

Ministro da saúde se prepara para instruir mulheres como fazer abortos ilegais.





Isso é Brasil!.

por Matthew Cullinan Hoffman

12 de julho de 2012 (LifeSiteNews.com) — Quando a principal candidata presidencial do Brasil Dilma Rousseff foi confrontada com seu passado pró-aborto durante as eleições de 2010, ela protestou e afirmou que se opunha à matança de bebês em gestação.

À medida que os números dela de pesquisas de opinião pública e sua eleição ficaram em perigo, Dilma assinou uma declaração pública prometendo jamais introduzir leis para legalizar o aborto ou silenciar os que criticam a homossexualidade. Ela acabou ganhando a presidência por uma margem de doze por cento.



...Dilma afirmou na mensagem: “sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto”, em outro trecho diz: “ eleita presidente da República, não tomarei nenhuma iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família”...

Os ativistas pró-vida estão agora protestando, pois estão aparecendo reportagens na mídia brasileira sobre planos por parte do governo de Dilma para instruir as mulheres como realizar abortos químicos, no nome da “redução de danos e riscos para o aborto ilegal”.

As mulheres que desejarem fazer um aborto “clandestino” informariam ao ministro da saúde de seus planos, e receberiam treinamento de como realizar os abortos, e até receberiam drogas para abortar, embora sejam atualmente ilegais. Elas receberão então livre acesso a atendimento médico pós-aborto às expensas do Estado, de acordo com reportagens.

Embora o governo de Dilma não tenha ainda confirmado ou negado as reportagens, Eleonora Menicucci (Veja aqui entrevista de Eleonora Menicucci em 14/10/2004), ministra pró-aborto da Secretaria de Políticas para as Mulheres, recentemente disse para a Folha de S. Paulo que “Somente é crime praticar o próprio aborto, mas que o governo entende que não é crime orientar uma mulher sobre como praticar o aborto”.

Menicucci, ex-ativista marxista que passou tempo na cadeia com a presidenta Dilma por terrorismo no início da década de 1970, se gabou publicamente de ter feito vários abortos em si mesma, bem como ter recebido treinamento de como realizar abortos na Colômbia. O aborto é ilegal no Brasil e na Colômbia, embora  tenha penas criminais em um número muito pequeno de casos.

A revelação levou a acusações, feitas por ativistas pró-vida, de que Dilma está contradizendo sua afirmação de que ela se opôs ao aborto durante as eleições de 2010.

A Divisão 1 Sul da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil [nota de Julio Severo: a CNBB é uma organização notoriamente esquerdista] divulgou uma declaração denunciando a mudança radical de Dilma e pedindo que ela demita seus ministros que estão causando ofensa.

A política de Dilma, escrevem eles, é “incentivar e difundir o aborto, favorecendo os interesses de organismos internacionais que querem impor o controle demográfico aos países em desenvolvimento, mesmo se isto leva a Presidente a desrespeitar a vontade da maioria do povo brasileiro, que é contrária ao aborto, e a infringir as mais elementares regras da democracia”.

Eles pedem a “demissão imediata da Ministra Eleonora Menicucci da Secretaria das Políticas para as Mulheres” e a “demissão imediata do Secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, que está coordenando a implantação das novas medidas a serem tomadas por esse Ministério”.

Fonte:juliosevero.blogspot.com.br

sexta-feira, abril 13, 2012

Antecipação terapêutica do parto ou antecipação terapêutica da morte?




Eu quero o meu Brasil de Volta


Talvez seja apenas uma coincidência, dessas estranhas em que um raio caia cinco vezes exatamente no mesmo lugar; enfim tudo pode acontecer quando não se tem o controle de alguns "eventos" e o Brasil está totalmente fora de controle.

A coincidência é mais do que uma, na verdade são dezenas, talvez centenas e quem não percebeu ainda é ruim da cabeça mas não necessariamente doente do pé: desde janeiro de 2003 coisas muito estranhas acontecem no nosso Brasil. Antes de continuar é bom colocar as coisas em ordem: não tenho certeza do "nosso" e muito menos se continuamos a viver no Brasil.

Desde esse fatídico mês e ano, parece que as coisas não funcionam como qualquer pessoa normal possa desejar. Os políticos não pararam de mentir, só porque um governo da mentira assumiu. O mentir parece ser inerente ao exercício deste honroso exercício de cidadania - que os políticos insistem em denegrir -, mas passaram, a partir de então, a nem mais esconderem todas as maracutaias em que se metem - e nos metem - dignando-se apenas a mudarem o nome dos seus delitos. Assim, caixa 2 passou a se chamar "recursos não contabilizados". Programas - de governo -  prometidos são esquecidos simplesmente e viram uma "nova versão, revista e bagunçada". Assim temos o bolsa família, uma versão nova de um programa do governo FHC, que deveria ter início meio e fim e não se transformar numa escancarada compra de votos; mas esperar que um governante tenha uma visão do "amanhã" é querer achar perfume chanel no esgoto. O montante em recursos que o governo tem a o-bri-ga-ção de investir, virou um "programa unificado", um PAC 1, que já virou PAC 2 e mais PACs virão sem que os anteriores sequer tenham sido concluídos. 
As milhares de casas que devem ser construídas, mas nunca são, viraram o "Minha Casa, Minha Vida" e o milhão de casas que seriam construídas até o final do governo anterior viraram sorvete, derreteram ou - o que é provável - não foram construídas. 


Quem outrora esconderia seu passado, hoje escancara-o de uma forma absurda e, pior do que tudo, isso não parece refletir no tal índice de popularidade de quem nomeia, por exemplo uma abortista para defender as mulheres (leia aqui). Ministros caem por corrupção deslavada e uma semana após, nenhuma noticia a respeito, nem do dinheiro que levaram e muito menos do local onde passam férias. E aqui vemos que o papel da Imprensa está - também - aquém do que se espera.

Mas não são apenas os políticos que passaram a se comportar de maneira estranha; também a justiça passou a soltar mais condenados com benefícios e diminuição de penas;  embora não tenham avisado a polícia para frear as prisões e assim temos uma autêntica operação "enxuga gelo": a polícia prende, mas a justiça solta.
Definitivamente, não há interesse em construir presídios: são caros demais e, evidentemente, sobram menos recursos para dividir ou "distribuir" entre aliados. 


É claro que deveriam ter construído mais escolas, remunerado melhor os professores, mas quem realmente quer ir para a escola e quem realmente quer ensinar? Os pais - uma grande parcela desses seres em extinção - querem mais é se ver livre de seus rebentos; então entregam a educação (social) aos professores; querem que a escola lhes devolva um Steve Jobs ainda que tenham entregue à escola um Macaulay Culkin piorado.E mesmo a educação formal, o bê-á-bá de todo dia, não é levado a sério. O salário não compensa, mas estranhamente a cada concurso para professores, milhões se candidatam. É claro que fica fácil entender que há empregos aos montes - O IBGE confirma isso embora não acreditemos -, mas não fazem, digamos assim,  o perfil dos professores. 


A criminalidade? É claro que uma educação falha - dos pais e do ensino oficial -, leis frouxas, justiça conivente e falta de emprego formal  desaguam na criminalidade absurda.Estupro de menores nem se leva mais em conta; para isso basta alguém dizer que foi acintosamente seduzido por um(a) pirralho(a) e pronto; já virou jurisprudência: os STJ não me deixa mentir, já que absolveu um estuprador de três menores de 12 anos. (leia aqui)

Chegamos ao requinte máximo quando um ministro se refere a uma vida como coisa e após rebaixar a vida a coisa, ficou mais fácil decretar a sua morte:
"No caso do anencéfalo, não existe vida possível. O feto anencéfalo é biologicamente vivo, por ser formado por células vivas, e juridicamente morto, não gozando de proteção estatal”, Ministro Marco Aurélio Mello. 
Ora se ele reconhece que não há vida e logo depois o reconhece biologicamente vivo, o senhor ministro quer dar um nó na cabeça aos que ainda possuem cérebro. Teria sua excelência coragem para ordenar que fossem descartados os embriões nos bancos dessa modalidade? Afinal os bancos de embriões estão lotados, na capacidade máxima (leia aqui).Gostaria de ver o voto dele para essa particularidade. 


Quem diria que para se chegar a ministro do STF é preciso ter notável saber jurídico e reputação ilibada? Será mesmo? Temos ministro que responde (respondiam é mais correto) a processo por improbidade, portanto a Reputação passou a ser Abalada ao invés de ilibada. Quanto ao notável saber jurídico, nem é bom comentar, até porque eu posso me igualar.

Mas, de todas as piores coisas que aconteceram nos últimos anos. uma salta aos olhos e jamais deveria ter acontecido. O que outrora se chamou de 5º poder - a imprensa - hoje pode ser chamada de poder dos quintos (dos infernos, obviamente). A imprensa escrita passou a ser um guardião do poder central, sempre diminuindo a participação do mandatário mor em qualquer tipo de corrupção; embora até os cãezinhos destes saibam de cor e salteado da sua participação. Quanto a imprensa televisiva, nem é bom comentar: um colunista social puxa saco (hoje em dia também é redundância) não chegaria a tamanha desfaçatez.



Não sei realmente se podemos imaginar que um dia sairemos desse atoleiro; afinal como dizia o camarada Stálin, "quem conta os votos, ganha a eleição" e por enquanto, quem conta os votos é esse pessoal em quem alguns acreditam piamente e a imprensa devota idolatria sem fim.


Enfim, sobre a  "Antecipação terapêutica do parto" ou o popularmente chamado "Aborto de Anencéfalo", fica a advertência do sertanejo: Onde passa um boi, passa uma boiada. Está aberta a porta: o inferno é o limite. 


Os votos favoráveis ao Aborto:
Ayres Britto, Marco Aurélio de Mello,Rosa Maria Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Celso de Melo; Dias Tóffoli não participou do julgamento, porque já tratou do caso quando era advogado-geral da União.

Votaram contra o Aborto:
Ricardo Lewandovski e Cesar Peluzo; para ele, o argumento de que a gestação de anencéfalo seria perigosa para a mãe "não vem ao caso porque as hipóteses de risco à saúde da mãe já estão expressas na lei". "Toda gravidez implica risco teórico à saúde da gestante."

sábado, fevereiro 25, 2012

"MANIFESTO INTERCLUBES MILITARES"


"Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada.
Estendo minha mão a eles.
De minha parte, não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir da minha posse, serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política."

No dia 31 de outubro de 2010, após ter confirmada a vitória na disputa presidencial, a Sra Dilma Roussef proferiu um discurso, do qual destacamos o parágrafo acima transcrito.
Era uma proposta de conduzir os destinos da nação como uma verdadeira estadista.
Logo no início do seu mandato, os Clubes Militares transcreveram a mensagem que a então candidata enviara aos militares da ativa e da reserva, pensionistas das Forças Armadas e aos associados dos Clubes.
Na mensagem a candidata assumia vários compromissos.
Ao transcrevê-la, os Clubes lhe davam um voto de confiança, na expectativa de que os cumprisse.
Ao completar o primeiro ano do mandato, paulatinamente vê-se a Presidente afastando-se das premissas por ela mesma estipuladas. Parece que a preocupação em governar para uma parcela da população sobrepuja-se ao desejo de atender aos interesses de todos os brasileiros.
Especificamente na semana próxima passada, e por três dias consecutivos, pode-se exemplificar a assertiva acima citada.
Na quarta-feira, 8 de fevereiro, a Ministra da Secretaria de Direitos Humanos concedeu uma entrevista à repórter Júnia Gama, publicada no dia imediato no jornal Correio Braziliense, na qual mais uma vez asseverava a possibilidade de as partes que se considerassem ofendidas por fatos ocorridos nos governos militares pudessem ingressar com ações na justiça, buscando a responsabilização criminal de agentes repressores, à semelhança ao que ocorre em países vizinhos.
Mais uma vez esta autoridade da República sobrepunha sua opinião à recente decisão do STF, instado a opinar sobre a validade da Lei da Anistia.
E, a Presidente não veio a público para contradizer a subordinada.
Dois dias depois tomou posse como Ministra da Secretaria de Política para as Mulheres a Sra Eleonora Menicucci.
Em seu discurso a Ministra, em presença da Presidente, teceu críticas exarcebadas aos governos militares e, se auto-elogiando, ressaltou o fato de ter lutado pela democracia (sic), ao mesmo tempo em que homenageava os companheiros que tombaram na refrega.
A platéia aplaudiu a fala, incluindo a Sra Presidente.
Ora, todos sabemos que o grupo ao qual pertenceu a Sra Eleonora conduziu suas ações no sentido de implantar, pela força, uma ditadura, nunca tendo pretendido a democracia.
Para finalizar a semana, o Partido dos Trabalhadores, ao qual a Presidente pertence, celebrou os seus 32 anos de criação.
Na ocasião foram divulgadas as Resoluções Políticas tomadas pelo Partido.
Foi dado realce ao item que diz que o PT estará empenhado junto com a sociedade no resgate de nossa memória da luta pela democracia (sic) durante o período da ditadura militar.
Pode-se afirmar que a assertiva é uma falácia, posto que quando de sua criação o governo já promovera a abertura política, incluindo a possibilidade de fundação de outros partidos políticos, encerrando o bi-partidarismo.
Os Clubes Militares expressam a preocupação com as manifestações de auxiliares da Presidente sem que ela, como a mandatária maior da nação, venha a público expressar desacordo com a posição assumida por eles e pelo partido ao qual é filiada e aguardam com expectativa positiva a postura de Presidente de todos os brasileiros e não de minorias sectárias ou de partidos políticos.

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2012
- V. Alte Ricardo Antonio da Veiga Cabral
- Gen Ex Renato Cesar Tibau da Abilde Costa
- Ten Brig Carlos de Almeida Baptista .
Presidente Clube Naval
Presidente Clube Militar
Presidente Clube de Aeronáutica"


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TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Os presidentes dos Clubes Militares foram obrigados ontem a publicar uma nota desautorizando o texto do "manifesto interclubes" que criticava a presidente Dilma Rousseff por não censurar duas de suas ministras que defenderam a revogação da Lei da Anistia. Logo depois, porém, tanto o comunicado original como o desmentido foram retirados do site em que foram divulgados.
Dilma não gostou do teor da nota por não aceitar, segundo assessores do Planalto, qualquer tipo de desaprovação às atitudes da comandante suprema das Forças Armadas.
A presidente convocou o ministro Celso Amorim (Defesa) para pedir explicações. Ele se reuniu com os comandantes das três Forças, que negociaram com os presidentes dos clubes da Marinha, Exército e Aeronáutica a "desautorização" da publicação do documento, divulgado no site do Clube Militar no dia 16, como revelou o Estado na terça-feira.
No dia seguinte, houve a reunião de Amorim com os comandantes das três Forças e uma conversa com a presidente. Paralelamente a essa movimentação, os comandantes telefonaram aos presidentes dos três clubes a fim de que a nota crítica a Dilma fosse suprimida.
Ontem, o "comunicado interclubes" foi retirado do site no início da tarde. Por volta das 16 horas, foi divulgado um outro texto, em que os presidentes desautorizavam o comunicado anterior. Esse desmentido, porém, não chegou a ficar meia hora no ar. O Clube do Exército, para tentar encerrar a polêmica, retirou a nota e o desmentido, mas a celeuma já estava criada.
Críticas. Apesar de terem sido obrigados a recuar e, com isso, não criar uma crise militar, os presidentes dos clubes não se conformam com as críticas que têm recebido e temem que a Comissão da Verdade só ouça um dos lados na hora de trabalhar.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Entrevista com Eleonora Menicucci de Oliveira.

Entrevista com Eleonora Menicucci de Oliveira. 

A "professora" e socióloga Eleonora Menicucci de Oliveira é a nova ministra chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Antes da entrevista, convém ressaltar um ponto. Eleonora cita nominalmente Frei Betto como sendo quem a indicou para a Diocese de João Pessoa no Centro de Direitos Humanos. É por essas e outras que a Igreja Católica brasileira é o que é hoje: um emaranhado de bispos que já se esqueceram do que seja a Biblia, que mal sabem quem foi Cristo e creem piamente que Direitos Humanos é defender a esquerda e endossar tudo o que esta faz. 

Entrevista em 14/10/2004, feita por Joana Maria Pedro em Cárceres, MT.
Transcrita por Joana Borges
Conferida por Luciana Fornazari Klanovicz
Mini-Biografia

Eleonora Menicucci de Oliveira, nasceu em Lavras, Minas Gerais, em 1944, é Professora de Ciências Humanas em Saúde da Universidade Federal de São Paulo, atuou em grupo clandestino durante a ditadura sendo militante da POLOP e da POC. Reside em São Paulo.
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1974), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (1983) e doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (1990) e Livre Docência em Saúde Coletiva pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Atualmente é servidor publico da Universidade Federal de São Paulo lotada como docente no Departamento de Medicina Preventiva da UNIFESP. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia da Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: direitos humanos, direitos reprodutivos e sexuais, autonomia, aborto-escolha, violência doméstica e sexual, políticas públicas, avaliação qualitativa e autodeterminação.


Joana: Hoje é dia 14 de outubro de 2004 e nós estamos em Cárceres no evento que se chama Corpo,Sexualidade e Gênero, ou qualquer coisa nessa direção, promovido pela Universidade Estadual de Cárceres, e eu estou aqui conversando com a Eleonora Menicucci. E eu gostaria que tu começasses falando de onde é que tu nasceste, porque o que eu quero mesmo é que tu me contes quando é que tu achaste que tu eras feminista, que é essa a minha discussão, a identificação com o feminismo.
Eleonora: Uhum.
Joana: Tá certo?
Eleonora: Entendi.
Joana: Mas eu queria que tu falasses primeiro com que nome tu nasceste, Eleonora Menicucci mesmo?
Eleonora: Eleonora Menicucci de Oliveira. Eu nasci em Lavras, interior de Minas, sul de Minas, no dia 21 de agosto de 1944, no ano do final da Guerra, da Segunda Guerra. Eu sou a segunda de seis filhos, cinco mulheres e um homem,(uma morreu ainda pequena) e fui basicamente educada só por mãe porque meu pai morreu quando eu tinha onze anos.
Joana: Há é?
Eleonora: Com quarenta e quatro anos e minha mãe tinha trinta e cinco.
Joana: Tu eras a mais nova então?
Eleonora: A segunda.
Joana: A segunda.
Eleonora: A segunda de cinco filhos. Sendo quatro mulheres e o mais novo homem.
Joana: Tá.
Eleonora: Eu atualmente resido em São Paulo na rua João Moura, 476 apartamento 51 em Pinheiros.
Eu atualmente sou socióloga sanitarista, professora livre docente do Departamento de Medicina
Preventiva, dedicação exclusiva na Universidade Federal de São Paulo ligada à disciplina de Ciência Humanas em Saúde.
Joana: Faculdade de Medicina, no caso?
Eleonora: Antiga Escola Paulista de Medicina, hoje chama Universidade Federal de São Paulo. E atualmente eu também estou exercendo a vice pró-reitoria de pesquisa na minha universidade. 
Joana: É?
Eleonora: É, recentíssimo, há dois meses. Eu sempre fui professora. Lecionei na Universidade Federal
da Paraíba.
Joana: Tu começasses no primário, nada?
Eleonora: Eu fiz o colegial, eu fiz o curso normal até então...
Joana: Há é, fizeste o curso normal?
Eleonora: É, em Belo Horizonte. E do curso normal...não, em Lavras. E me formei em 1963 como professora primária, imediatamente depois eu fui pra Belo Horizonte e aí me... Imediatamente eu fui lecionar num colégio de primeiro e segundo grau particular e entrei para o partido comunista.
Joana: Isso era que ano mais ou menos?
Eleonora: 1964, no ano do Golpe.
Joana: 64.
Eleonora: 64, no ano do Golpe. Ai entrei pra universidade neste mesmo ano.
Joana: Tá. Fosse fazer faculdade.
Eleonora: Fui fazer faculdade.
Joana: Sociologia, no caso?
Eleonora: Não, eu fiz Pedagogia. É porque...aí um mês depois o partido achou que eu deveria pedir transferência para Ciências Sociais, aí teve um novo vestibular...
Joana: Tá.
Eleonora: ...no mesmo ano em abril eu entrei para Ciências Sociais, chamada Ciências Sociais, né? E lecionava, fiz concurso pra ser professora de escola pública...
Joana: Há tu fosse professora de quinta à oitava série.
Eleonora: em Belo Horizonte, fui professora primária de quinta à oitava série numa favela que
chamava Morro do Papagaio, em Belo Horizonte. E neste ano em 65 também por decisões partidárias, depois do Golpe, eu também fiz vestibular pra Medicina e passei e cursei quatro anos de Medicina junto com Ciências Sociais.
Joana: Olha só!
Eleonora: Por isso que eu estou na Escola Paulista de Medicina..
Joana: Certo.
Eleonora: Tem algo do retorno, né?
Joana: Sim, sim.
Eleonora: E daí é...eu tenho...eu sou separada, tenho dois filhos, uma moça com 35 anos que tem uma filhinha de 2 anos, e um rapaz de 29 anos, né?
Joana: Jóia.
Eleonora: Ela mora em Nova York, é cineasta e ele é... ele mora em São Paulo tem uma fábrica de fazer prancha...
Joana: uhum.
Eleonora:... de surf, né?
Joana: uhum.
Eleonora: E...bem, aí você me pergunta, tá aqui a primeira questão: no período de 64 a 85 se eu me identifiquei com o feminismo?
Joana: Sim. A partir de quando você achou que era feminista?
Eleonora: Pois é Joana, eu me descobri feminista na cadeia...
Joana: Tá.
Eleonora: ... em 1971, em São Paulo ? DOI-CODI porque...só pra fazer um...
Joana: Você já era casada nessa época?
Eleonora: Já. Só pra fazer um gancho, eu entrei pro Partido Comunista depois rachei com o Partido Comunista, fui pra luta armada e... 
Joana: Você fez parte de qual organização?
Eleonora: Eu fiz parte da dissidência do Partido Comunista, depois da POLOP, e depois do POC, Partido Operário Comunista.
Joana: Certo.
Eleonora: E em 67 eu já clandestina em Belo Horizonte eu casei com um companheiro, de organização quando eu digo, e casei porque eu precisava...eu queria mudar de nome porque eu já estava muito queimada.
Joana: uhum.
Então eu passei a me chamar Eleonora de Oliveira Soares, né? E neste momento em 67 até 68, final de 67 início de 68, ainda estava em Belo Horizonte, quando foi julho eu entrei pra clandestinidade em 68 fui pra cidade industrial, e no final de 68 nós, quando a situação da luta contra a ditadura apertou
muito, nós fomos para São Paulo já clandestinos, e eu fui grávida.
Joana: Tu e teu marido?
Eleonora: Eu e ele. Os dois nas mesmas condições. E eu fui grávida é...e eu fiquei
69inteira...inteiro clandestina grávida fazendo ações...
Joana: uhum.
Eleonora: ...em São Paulo. A minha filha nasceu em 27 de setembro de 69, próximo ao seqüestro do embaixador americano e do homem ter ido à Lua, tá vendo?
Joana: uhum.
Eleonora: ...do Yuri Gagarin. Eu tive clandestinamente essa filha na maternidade de São Paulo.
Joana: Com outro nome, é isso?
Eleonora: Eu tive com outro nome, ela tinha outro nome.
Joana: Certo.
Eleonora: E o meu companheiro, que era o meu ex-marido, ele só pode vê-la depois que eu sai da
maternidade.
Joana: Certo.
Eleonora: né?
Joana: Por que vocês estavam sendo procurados, evidente?
Eleonora: Procurados por três processos.
Joana: uhum.
Eleonora: Já morávamos na cidade...no ABC com nome falso, com tudo falso. E ela nasce de cesária, em 69. E nós ainda ficamos, ai era no POC, nós ficamos clandestinos até julho de 71. Sendo que em maio de 71 quando o POC, começou a queda do POC na OBAN em São Paulo, a organização decidiu é...que a gente deveria, eu era da direção e eu também participei dessa decisão, que deveríamos sair do país.
Joana: Certo.
Eleonora: Eu saí até o Chile e ele ficou em São Paulo e eu voltei com a menina um mês depois.
Joana: Certo.
Eleonora: Porque a minha avaliação era que eu tinha que fazer...
Joana:...a luta armada aqui.
Eleonora:...a luta armada aqui. E um detalhe importante nessa trajetória é que seis meses depois dessa minha filha ter nascido eu fiquei grávida outra vez. Ai junto com a organização nós decidimos, a organização, nós, que eu deveria fazer aborto porque não era possível...
Joana: Certo.
Eleonora: ...na situação ter mais de uma criança, né? E eu não segurava também. Aí foi o segundo aborto que eu fiz.
Joana: uhum.
Eleonora: Tinha um cara, Isac Abramovicht, um ano depois ele vai ter...ele vai ser uma figura destaque na minha vida.
Joana: Esse cara quem? 
Eleonora: O médico que me fez a primeira consulta de pré-natal na clandestinidade , indicado por uma companheira.
Joana: ...que fez teu aborto.
Eleonora: Não, eu fiz aborto em outra clínica de Pinheiros, também de um médico militar, vim a saber depois. Eu vou presa dia 11 de julho de 71.
Joana: uhum.Espera, tu tinhas ido pro Chile...
Eleonora: Pro Chile e voltei.
Joana: e voltaste? E teu marido ficou lá?
Eleonora: Ficou em São Paulo. Eu fui sozinha com minha filha.
Joana: Tu fosse sozinha. Ai tu voltasse...
Eleonora: Com o grupo do POC.
Joana: Tá. Tu voltasses um mês depois...
Eleonora: Um mês depois...
Joana: E aí fosse presa em seguida?
Eleonora: Fui presa três meses depois.
Joana: Vocês estavam certos em querer sair.
Eleonora: Sim. Completamente certos de querer ficar no Brasil.
Joana: uhum.
Eleonora: Aí eu fui presa em 1971 dia 11 de julho com ela...
Joana: Tavas com ela.
Eleonora: Ela tinha um ano e dez meses.
Joana: Fosse presa como? Em casa?
Eleonora: Eu fui presa na casa de uns tios do meu ex-marido porque nesse mesmo dia ele tinha ido pra Uberaba clandestino pro velório da mãe dele. E eu fui deixar a Maria na casa desses tios. Aí quando nós chegamos a OBAN já estava lá.
Joana: Tsiiii.
Eleonora: E aí eram dezessete homens armados pra me prender. E isso era uma hora da tarde. Às seis horas eu fui pra OBAN, e eu me separei dessa minha filha dizendo que ia para o dentista bruscamente.
Joana: E ela tava com o que?
Eleonora: Um ano e dez meses.
Joana: Um ano e dez meses.
Eleonora: E aí no processo foi todo mundo preso. Meu ex-marido foi preso no enterro. E durante o processo de tortura, que durou 72 dias na OBAN, de todas as formas de tortura a minha filha com um ano e dez meses foi torturada na minha frente tomando choque. Então este foi o episódio. O que fez o pré-natal e poderia ter feito o meu aborto era médico da OBAN – o torturador, ele ainda hoje tem uma clínica de aborto em São Paulo.
Joana: Barbaridade.
Eleonora: E ele que me...e ele que nos dava a injeção pra gente voltar da tortura. Então é esta figura hoje que o CRM está sempre...tá caçando, o CRM e eu tenho ido no CRM várias vezes e na Justiça depor contra ele na Comissão dos Mortos e Desaparecidos. É aí eu fiquei, minha filha foi morar pra com a minha mãe, e eles não torturaram a minha filha na frente do meu ex-marido.
Joana: Tá. Foi só na tu frente.
Eleonora: Só na minha frente. E isso foi o momento decisivo pra eu descobrir a importância que a
maternidade tinha pra mulher e a importância que qualquer instância social de poder...
Joana: uhum.
Eleonora:... fazia uso do corpo da mulher e da maternidade, né? Isso me fez a pensar... me colocou a pensar e refletir muito no sentido de que qual era a relação do centralismo democrático, da esquerda com a questão da mulher. Por que eu fui me descobrir feminista na tortura?
Joana: uhum. E tu percebestes a diferença. 
Eleonora: Eu percebi absolutamente a diferença, e não só a diferença na tortura, porque a tortura de homens e mulheres ela foi completamente diferente, tinha o uso do corpo da mulher o que não tinha o uso do corpo do homem.
Joana: uhum.
Eleonora: Tinha o uso da suposta fragilidade materna.
Joana: uhum.
Eleonora: Né? E em detrimento da suposta força de virilidade masculina...do pai.
Joana: uhum.
Eleonora: E também ao repensar toda a minha trajetória de esquerda eu pude perceber as relações de
poder muito forte de gênero na esquerda.
Joana: uhum.
Eleonora: Então essas duas coisas foram fundamentais pra eu me tornar feminista. E evidentemente
que o meu encontro com o feminismo ele nasce muito com uma transversalidade da questão de classe
social.
Joana: uhum, uhum.
Eleonora: Porque eu vim desse lugar.
Joana: Certo. Tu estavas entrando por questão de classe.
Eleonora: Eu vim desse lugar.
Joana: uhum.
Eleonora: E...
Joana: Mas eu queria saber mais, por favor.
Eleonora: Pode continuar.
Joana: Tu me falaste que tu começasses também a observar a questão da mulher, das relações no
interior da tua própria organização, das organizações das quais tu participastes, além da questão dos
órgãos de repressão havia também. Tu poderias, porque há pouco tu me contaste que a tua filha foi torturada na tua frente, e que também usaram contigo uma tortura diferente da do teu marido.
Eleonora: Sim, sim.
Joana: E com relação ao fato de...
Eleonora: Só ao fato dela ter sido torturada só na minha frente e não na dele...
Joana: e não na dele... é...
Eleonora: ... já é... tem um significado.
Joana: Já. E com relação às organizações das quais tu participavas?
Leonota: Há... primeiro que as mulheres dificilmente chegavam a um cargo de poder...
Joana: Mas tu eras a chefe?
Eleonora: Eu era. Fui uma das poucas. Por que? Eu me travesti de masculino...
Joana: É? Como era?
Eleonora: Eu tinha atitudes masculinas, eu tinha atitudes...Quais são as atitudes masculinas?
Determinar entre... simbolicamente e a representação do masculino...
Joana: uhum, uhum.
Eleonora: Era decidida, determinada, forte, sabia atirar...
Joana: uhum.
Eleonora: Entendeu?
Joana: Entendi.
Eleonora: Sendo que muitas mulheres sabiam isso tudo.
Joana: Certo.
Eleonora: Transava com vários homens.
Joana: Certo.
Eleonora: Essa questão do desejo e do prazer sempre foi uma coisa muito libertária pra mim, e por isso
eu fui muito questionada dentro da esquerda.
Joana: É?
Eleonora: É. 6
Joana: Dentro do mesmo grupo do qual tu eras a líder?
Eleonora: Sim. Porque o próprio... por questões de segurança eu só poderia ter relação sexual com os companheiros da minha organização.
Joana: Certo.
Eleonora: Num determinado momento sim, mas na história do movimento estudantil também já existia isso.
Joana: Certo. Eu acho que tem alguém tocando a porta. (Interrupção)
Joana: Então, nós estávamos na organização. Tu estavas dizendo que tu sentiste isso a partir do fato de que tu observasses que as mulheres nunca ocupavam ou dificilmente ocupavam...
Eleonora: Em sua maioria não ocupavam um cargo de direção.
Joana:... e também a questão da transa.
Eleonora: A questão da transa e a outra questão, por exemplo...
Joana: Mas, estavas me contando que para...por questões de segurança só transava no interior do grupo.
Eleonora: Isso muito, muito recente, muito próximo à prisão.
Joana: Certo.
Eleonora: Porque ao longo do movimento estudantil...
Joana: uhum.
Eleonora:... eu transava com todos...
Joana: Sim.
Eleonora:... independente da minha organização.
Joana: Certo.
Eleonora: À medida que a situação de repressão foi ficando cada vez mais forte...
Joana:... uhum.
Eleonora:... aí, evidentemente, que eu mesma tinha os meus critérios...
Joana. Certo, de seleção de parceiros.
Eleonora:...de seleção de parceiros daqueles que estavam na mesma organização que eu.
Joana: Tá.
Eleonora: Mas existia uma regra.
Joana: Que regra era essa?
Eleonora: Que você só podia ter relação sexual entre as pessoas da sua célula.
Joana: Tá. E os homens, acontecia isso também? Ou era só com as mulheres?
Eleonora: Há, era só com as mulheres.
Joana: Porque os homens transavam com outras.
Eleonora: Transavam, transavam, transavam, transavam. E a outra coisa que era muito marcante na esquerda... na clandestinidade na esquerda, se por um lado a esquerda, veja bem eu não tenho a menor dúvida disso, nos liberou...
Joana: uhum.
Eleonora:... nos colocou um horizonte de vida, nos liberou
Joana: uhum.
Eleonora:... do ponto de vista político, sexual, de mentalidade com um projeto de sociedade, isso gera um combate muito forte entre família nuclear e a esquerda. Militar na esquerda tinha uma questão
muito... o centralismo democrático era muito forte.
Joana: Tá.
Eleonora: Então a sua opinião... a sua percepção, os seus sentimentos não poderiam ser extravasados.
Joana: uhum.
Eleonora: Os seus medos, suas dores, suas saudades.
Joana: Certo.
Eleonora: Não poderiam. E as mulheres, eu digo isso muito, para serem aceitas e ascenderem cargos
de direção elas tinham que ter atitudes muito consideradas pela esquerda que os homens é que tinham.
Joana: Certo. Certo 7
Eleonora: E ao longo do processo da esquerda, e ao longo do processo de cadeia, porque eu fiquei três anos e oito meses presa.
Joana: E o teu marido?
Eleonora: Também ficou quatro.
Joana: uhum.
Eleonora: Na cadeia que as... foram se desmanchando as organizações e a convivência se tornou mais íntima entre nós de outras organizações? Ficou muito claro a questão da relação com as mulheres.
Joana: Certo.
Eleonora: Era uma relação de poder.
Joana: uhum.
Eleonora: Agora nós ocupamos cargos, mas a maioria de mulheres que era aceita, transvestia-se de
masculina.
Joana: Certo.
Eleonora: Ela era, você podia dizer, que era um reflexo das relações de poder da sociedade, mas essa
questão não se colocava pra nós, hoje é uma leitura que eu faço...
Joana: uhum
Eleonora:... bem pós pós pós pós...
Joana: uhum. Uhum.
Eleonora:... pós- o período....
Joana: Certo.
Eleonora:... não pós-modernidade, pós- o período.
Joana: Pós- o período. Entendo.
Eleonora: Pós- o período. Então nesse sentido as únicas mulheres que eram direção da minha
organização era tres.
Joana: Bom começo.
Eleonora: Todos masculinos.
Joana: Certo.
Eleonora: Todos homens.
Joana: Eu quero voltar a tua filha. Eles torturaram ela na tua frente, mas a tua família não a recuperou?
Eleonora: A minha filha... a minha família a recuperou após dez dias.
Joana: Dez dias. Então ela ficou contigo dez dias.
Eleonora: Ela não ficou comigo, ela ficou no exército e eu fiquei no DOI-CODI.
Joana: Certo.
Eleonora: Eu não sei com quem ela ficou.
Joana: Certo.
Eleonora: Hoje sei.
Joana: Certo.
Eleonora: Que a irmã do meu ex-marido ficava indo muito lá.
Joana: Certo.
Eleonora: Isso me transmitiram.
Joana: uhum
Eleonora: Depois ela foi recuperada pela minha mãe. Ela foi criada pela minha mãe esses...
Joana: Esses três anos e pouco que tu ficaste lá.
Eleonora: É. Ela ficou até os cinco anos de idade ela ficou com a minha mãe, cinco e pouco. Depois eu sai da cadeia em 74, fui pra Belo Horizonte, morei com a minha mãe uns meses e depois meu exmarido saiu e nós começamos um processo de recuperação dela.
Joana: Certo.
Eleonora: Que foi ...
Joana: Que não deve ter sido fácil, não é?
Eleonora: Isso foi muito doloroso porque o sentimento de perda dela era absurdo...
Joana: Porque ela não reconhecia vocês? 8
Eleonora: Não, ela não nos reconhecia como pai e mãe nem como pessoas..né?...
Joana: Em suas relações.
Eleonora: Em minhas relações. E depois imediatamente eu quis ter outro filho...
Joana: uhum.
Eleonora:... e muito no sentido de pra provar para os torturadores, mesmo que fosse simbolicamente, que o que eles tinham feito comigo não tinha me tirado a possibilidade de reproduzir e de ter uma escolha sobre meu próprio corpo...
Joana: uhum.
Eleonora:... então eu tive mais um filho e logo que ele nasceu também de cesária eu me laqueei.
Joana: Certo.
Eleonora: então...eu tinha...eu fui presa com 24 para 25 mais ou menos...
Joana: Nossa senhora.
Eleonora:...e sai com 30.
Joana: Certo.
Eleonora:... assim, da história toda e com 30 para 31 tive o meu segundo filho e fiz a laqueadura de trompas...
Joana: Certo.
Eleonora:... já em Belo Horizonte.
Joana: E tu continuaste com o teu marido mais tempo?
Eleonora: Não.Ai quando esse meu filho Gustavo nasceu, a menina chama Maria, eu fiquei mais um ano...
Joana: uhum.
Eleonora:... e nós nos separamos.
Joana: uhum.
Eleonora: E... ao longo da cadeia e depois da readapta...da reabilitação (risos), da resociabilização no mundo social nós tivemos várias crises, porque é muito difícil ser casal que vai preso junto, que sofre tudo junto, que vê as forças e as fragilidades um do outro, e de todo um projeto que se desmoronou continuar junto.
Joana: Imagino.
Eleonora: Muito difícil, muito difícil. Hoje eu sou muito amiga dele. Nós temos uma relação muito boa, mas é uma relação em que eu criei os filhos.
Joana: Entendi.
Eleonora: É uma relação muito de ele aparece.
Joana: Certo. Como na maioria dos casos.
Eleonora: Na maioria, ele aparece. E os meus filhos tiveram que depois de adultos criar uma relação com este pai que era um pai ausente no sentido da manutenção.
Joana: Certo.
Eleonora: Do prover.
Joana: E então, tu saísses da cadeia em 74.
Eleonora: Certo.
Joana: Tu tiveste algum contato com o feminismo dentro da cadeia, com leituras feministas...
Eleonora: Não.
Joana:... ou depois?
Eleonora: Não, não. Ao longo da cadeia eu tive... Durante a cadeia? Eu tive muitas reflexões com as minhas companheiras de cadeia...
Joana: Tá.
Eleonora:... uma delas é a Dilma Roussef (atual ministra de Minas Energia)
Joana: uhum.
Eleonora:... que é Ministra das Minas e Energia, e hoje outras que são do PSDB, mas todas feministas, se tornaram feministas...
Joana: Certo, dentro da cadeia elas estavam? 9
Eleonora: Dentro da cadeia porque nós começamos...
Joana: Fizeram uma espécie de grupo de consciência?
Eleonora: Grupo de reflexão lá dentro...
Joana: Grupo de reflexão.
Eleonora:... por que fomos nós que estamos...
Joana: uhum.
Eleonora:... que fizemos, voltaríamos a fazer sim, mas e o nosso corpo e a nossa sexualidade.
Joana: uhum.
Eleonora: Entendeu?
Joana: E antes disso tu nunca tinhas participado de uma coisa dessa, um grupo de reflexão?
Eleonora: Nunca, nunca, nunca, nunca.
Joana: E tinhas lido em algum momento antes algumas das obras?
Eleonora: Não. Nenhuma, nenhuma. Eu li pela primeira vez em 75...
Joana: Certo. Já estavas fora da cadeia um ano.
Eleonora: Porque eu já saí...é...eu já saí em 74 eu saí em outubro...
Joana: Certo.
Eleonora:... no dia 12, Dia da Criança, eu saí já bem claro que eu era feminista.
Joana: Certo.
Eleonora: E logo que eu saí da cadeia, eu em Belo Horizonte eu fui procurar um grupo de mulheres.
Joana: Esses grupos de consciência?
Eleonora: É, só que era um grupo de lésbicas...
Joana: Certo.
Eleonora:... e eu não sabia. Era um grupo de pessoas amigas minhas...
Joana: uhum.
Eleonora: e que era...era o único grupo feminista que tinha lá.
Joana: Que tinha lá. Uhum.
Eleonora: E eu de cara fui maravilhosamente bem acolhida, e eu me senti muito bem
Joana: Certo.
Eleonora: Me senti muito bem. E então eu recuperando...é...no processo de recuperação minha póscadeia...
Joana: uhum.
Eleonora: Porque eu voltei a estudar!
Joana: Ah, legal!
Eleonora: Eu parei de estudar em 68.
Joana: uhum.
Eleonora: Eu parei no quarto ano de Medicina e no quarto de Ciências Sociais.
Joana: Fosse concluir?
Eleonora: Fui, aí eu voltei pra concluir...
Joana: Certo.
Eleonora:...na UFMG, e optei por acabar Sociologia.
Joana: Sociologia.
Eleonora: Porque a Medicina estava um caos...um horror.. eu estava questionando muito e o que eu
havia passado na cadeia, me afastou mito da medicina, do cuidado, etc,......
Joana: uhum.
Eleonora:... porque durante a cadeia, eu pós-tortura eu fui...eu fiquei sem andar muitos... uns dois anos
e fui fazer...é...
Joana: Tu andavas de cadeira de roda ou de muleta?
Eleonora: De cadeira de roda e de muleta.
Joana: Nossa.
Eleonora: É. E fui... eu tratava no Hospital das Clínicas, e o Hospital das Clínicas de São Paulo estava sob intervenção.
Joana: uhum.
Eleonora: E eu...eles decidiram que eu seria operada da coluna. E aí um ex-companheiro de cadeia que
tinha saído, que era médico, descobriu que eu ia ser...
Joana: Operada.
Eleonora:... operada e impediu a cirurgia.
Joana: uhum.
Eleonora: Eu já estava anestesiada.
Joana: Báhhh.
Eleonora: Porque eu não tinha hérnia de disco e eles diziam que eu tinha. Eles iam me aleijar...
Joana: Claro.
Eleonora:...e me tirou. Então isso mexeu muito comigo...
Joana: Certo.
Eleonora:... do ponto de vista de profissão...
Joana: Imagino.
Eleonora: O quê que eu vou fazer com a Medicina?
Joana: uhum, uhum.
Eleonora: Ai que terminei Sociologia, e quando eu fui terminar Sociologia os meus calouros de
Ciências Sociais eram os meus professores.
Joana: Ah!
Eleonora: Então foi muito legal, muito bacana, porque eles... primeiro que eles tinham o maior orgulho
de serem os meus professores...
Joana: Certo.
Eleonora:...e eu de estar lá terminando.
Joana: Sentiste entre amigos, no caso?
Eleonora: Entre amigos e tudo. E aí fiquei em Belo Horizonte, terminei, tive meu segundo filho.
Joana: uhum.
Eleonora: E não quis imediatamente me integrar a nenhum grupo de esquerda que tinha...
Joana: Tá.
Eleonora:...como eu não quis até agora.
Joana: Mas te integrasse nesse grupo...
Eleonora: De mulheres.
Joana:...de mulheres?
Eleonora: Não, aí começa a minha trajetória...
Joana: Certo.
Eleonora:...feminista.
Joana: Tu te lembras quando foi que tu foste nesse grupo?
Eleonora: Lembro, foi maio de 75. Aí eu tive...
Joana: 75. Bem no Ano Internacional da Mulher.
Eleonora: É. Aí eu tive o contato com “A Dialética do Sexo” da Sulamita Firestone.
Joana: Era isso que eu queria ouvir.
Eleonora: Me enlouqueceu!
Joana: Como foi que você leu? Você teve o livro na mão? É isso?
Eleonora: Elas me...
Joana: Elas te emprestaram?
Eleonora:... me emprestaram o livro, e eu sai louca e fui para comprar.
Joana: Foste comprar.
Eleonora: E aí elas dizem “Não, compra O Segundo Sexo também”, e eu falei “Ah, aquela bobagem?”,
assim.
Joana: Aquela bobagem?
Eleonora: É, porque perto da Sulamita é bobag...
Joana: Certo. 11
Eleonora:... naquela época. E eu era muito...eu já era muito libertária nessa sentido...
Joana: Certo.
Eleonora: ... então eu fui atrás, Minto, desculpa, um equívoco, na minha formação marxista eu li a
Alessandra Kolontai...
Joana: Certo.
Eleonora:... muito, a Juliet Mitchel...
Joana: Certo.
Eleonora:...e.... a Alessandra e a Juliet Mitchel.
Joana: Isso quando tu eras estudante?
Eleonora: Estudante e militante. Eu lia muito.
Joana: Certo. Mas não leste como uma feminista? Leste por causa do Partido.
Eleonora: Não. Li como esquerdista. Li como esquerdista. Que queria ler e achava a vida delas
fantástica.
Joana: O que tu lesse das duas?
Eleonora: A Alessandra Kolontai eu li “Minha vida” na época, da Sulamita eu li “A Revolução da
Psicanálise”, é... não, da Juliet Mitchel eu li “A Revolução da Psicanálise”, e depois eu vim ter um
contato que mexeu muito comigo, como eu criticando, mais eu não tinha muitos parâmetros para
criticar, foi é a história da família, da propriedade...
Joana: Engels.
Eleonora:... e do Engels.
Joana: Isso foi durante a tua formação de esquerda.
Eleonora: Minha formação.
Joana:... de esquerda? E aí depois...
Eleonora: É. Não, formação comunista.
Joana: Pois é, formação de esquerda, no caso.
Eleonora: De esquerda.
Joana: Quando tu entrasses neste grupo foi que tu tivesses contato com a Sulamita?
Eleonora: Sulamita.
Joana: Tá.
Eleonora: Sulamita é um marco na minha vida.
Joana: Tá bem.
Eleonora: E...
Joana: E comprasse O Segundo Sexo também?
Eleonora. Aí eu comprei O Segundo Sexo ...
Joana: E leste em seguida?
Eleonora: Li O Segundo Sexo. Fiquei muito apaixonada ...
Joana: Certo.
Eleonora:... também...
Joana: Betty Friedan Não?
Eleonora:...teve... não porque a Betty Friedan...
Joana: É 71 ela aqui no Brasil.
Eleonora: “A Mística Feminina”.
Joana: Isso.
Eleonora: Não, “A Mística Feminina” eu li em 76.
Joana: Certo. Um pouco depois, talvez?
Eleonora: Um pouco depois, quando foi traduzido.
Joana: Sim, mas foi traduzido em 71.
Eleonora: 71? Bem, eu tive acesso...
Joana: Certo. Não lembras quando?
Eleonora: Não, mas foi tudo nessa época de final de 74 até eu entrar para esse grupo...é...75...
Joana: Tu passaste a ter várias leituras. 12
Eleonora: Eu a ter várias leituras. Reli...
Joana: uhum.
Eleonora... a Alessandra. Reli a Juliet, e já fui mais generosa com elas.
Joana: Certo:
Eleonora: Do ponto de vista de mulher.
Joana: Sim, sim.
Eleonora: E eu fui nesse ni... ai já nessa época eu radicalizei meu feminismo. Eu comecei a militar.
Joana: Onde?
Eleonora: Em Belo Horizonte eu comecei a militar neste grupo.
Joana: Neste mesmo grupo?
Eleonora: É
Joana: O quê que se fazia além de discutir?
Eleonora: Nós discutíamos o corpo...
Joana: Certo.
Eleonora:... discutíamos a sexualidade, eu tive a minha primeira relação com mulher também...
Joana: uhum.
Eleonora: Quer dizer, que foi bastante precoce pra essa...e transava com homem...
Joana: Certo.
Eleonora:...pra minha trajetória.
Joana: Mesmo porque tu também estava com o teu marido eu acho, não estavas?
Eleonora: Sim, sim.
Joana: Estavas. Aham.
Eleonora: Mas nós nunca tivemos esse... e ele era um cara muito libertário. Nós nunca tivemos essa
questão de relação...
Joana: Certo.
Eleonora:... muito marginal em Belo Horizonte....
Joana: Sim. A militância em que no sentido que tu estas dando é no sentido de discussão?
Eleonora: No sentido de discussão e de priorizar a minha vida.
Joana: Certo.
Eleonora: Eu deixei de militar em organizações de esquerda...
Joana: Certo.
Eleonora:... e fui militar no feminismo...
Joana: Certo.
Eleonora:... em grupos de reflexão.
Joana: uhum.
Eleonora: Ali junto com esse grupo de mulheres feministas lésbicas.
Joana: uhum.
Eleonora: Ai esse grupo foi se ampliando...
Joana: uhum.
Eleonora:... e se desdobrando em grupos de reflexão, em grupos de criar um jornal, mesmo que fosse
um jornal de divulgação mão-a-mão, né?
Joana: E vocês chegaram a escrever isso?
Eleonora: Chegamos a escrever...
Joana: E como é que se chama esse jornal?
Eleonora: “Pensando a mulher”, era um jornalzinho de Belo Horizonte...
Joana: hum...
Eleonora: É.
Joana: Tu não tens ele?
Eleonora: Eu devo ter na minha casa.
Joana: É. 13
Eleonora: Devo ter uma cópia. Depois em 76 eu começo o processo de articulação mais nacional com
o feminismo...
Joana: Tá.
Eleonora:... via Belo Horizonte 75, 76.
Joana: De que jeito?
Eleonora: Começo com o S.O.S Mulher do...
Joana: Tu começasses a participar do S.O.S Mulher lá dentro de Belo Horizonte, é isso?
Eleonora: S.O.S. de Belo Horizonte fazendo a ponte com o S.O.S Mulher de São Paulo.
Joana: Tá.
Eleonora: Ai que eu conheço a Jacira, a Schuma...
Joana: Diga o nome completo delas, por favor?
Eleonora: Jacira Melo, Maria Aparecida Schumarer, a Teresa Verardo, um reencontro com a Iara
Prado, que era minha ex-companheira de cadeia...
Joana: Certo.
Eleonora:... que hoje é tucana, mas muito feminista com a Bete Vargas...
Joana: Certo.
Eleonora:... que é de Porto Alegre. É...com a... já estabelecendo um vínculo muito forte com a Celina
Albano em Belo Horizonte, que hoje é secretária de cultura da prefeitura. E aí nesse processo entra a
discussão do Ano Internacional da Mulher...
Joana: Certo.
Eleonora:... em 75. E aí começam os encontros feministas.
Joana: Tu participaste?
Eleonora: Participei de todos eles. O de Belo Horizonte...não...aí participei do de Valinhos que foi um
boom do ponto de vista de levantar as questões da sexualidade, o de Belo Horizonte que foi na
faculdade de Filosofia, depois o do Rio de Janeiro, e aí eu me mudo final de 77 princípio de 78, e eu
me separo, e nessa época eu trabalhava em Belo Horizonte na...num órgão do governo estadual por
ajuda... que ajuda assim que mesmo eu sem ter ainda o processo de anistia...
Joana: uhum.
Eleonora:... eu fui contratada como técnica de um órgão superintendente de planejamento urbano, o
XXX, então eu trabalhava lá. E aí no início de 78 eu já tinha me separado do meu ex-marido e resolvo
sair de Belo Horizonte. Aí quando eu saio de Belo Horizonte eu busco um lugar bem longe porque eu
não queria mais ser referência para a esquerda.
Joana: Entendi.
Eleonora: Porque é uma carga muito pesada.
Joana: Imagino.
Eleonora: Muito pesada.
Joana: Todo mundo te espia.
Eleonora: Me espia e me demanda.
Joana: E cobra.
Eleonora: Me chupa e me demanda, e eu não queria mais aquilo naquele momento. Eu queria viver a
minha individualidade, a minha sexualidade...
Joana: uhum.
Eleonora:...e eu não podia. Então eu procurei isso sou muito amiga, por incrível que pareça, a vida
inteira do Frei Beto e pedi a ele pra me encontrar um lugar o mais longe possível de Belo Horizonte.
Aí ele falou “Eu tenho dois lugares onde a Diocese é muito aberto, em Vitória com Dom Luís ou em
João Pessoa com Dom José Maria Pires. Eu falei “Eu quero João Pessoa”, quanto mais longe melhor.
Não tinha nem avião, eu fui de ônibus gastei 58 horas.
Joana: Foste com teus filhos?
Eleonora: Com os dois filhos.
Joana: Sim. 14
Eleonora: E João Pessoa foi... eu digo que João Pessoa de 78 a 84 foram anos fundamentais na minha
vida e no meu reencontro comigo mesma.
Joana: uhum.
Eleonora: Porque eu cheguei lá sem cartão de apresentação e sem...
Joana: A Frei Beto?
Eleonora: É... mas assim, eu cheguei, eu. Eu tive que construir minha vida.
Joana: uhum. Fosse trabalhar?
Eleonora: No Centro de Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba.
Joana: Tá legal.
Eleonora: E aí eu comecei a trabalhar com as mulheres rurais de Alagamar, que era o que eu queria, na
época muito pesado trabalhar com os movimentos de trabalhadoras rurais, e comecei , logo depois retomei um grupo, a minha atividade de grupo de reflexão feminista com algumas mulheres em João Pessoa. A maioria de fora de João Pessoa e duas de dentro...
Joana: uhum.
Eleonora:... de João Pessoa. Então nós criamos o primeiro grupo feminista lá em João Pessoa chamado Maria Mulher.
Joana: Olha só!
Eleonora: É. Esse Maria Mulher...
Joana: Já ouvi falar.
Eleonora:... foi um grupo fortíssimo que teve desdobramento, hoje o CUNHA é um desdobramento
dele. Críamos esse grupo, esse grupo foi fortíssimo...
Joana: Também teve um jornal?
Eleonora: Não.
Joana: Não chegou a ter?
Eleonora: Esse grupo não chegou a ter. Esse grupo chegou a ter várias publicações chamadas Maria Mulher...
Joana: É?
Eleonora: É. Esse termo de história em quadrinho...
Joana: uhum.
Eleonora: E...
Joana: Tipo divulgação?
Eleonora: É, da questão da mulher.
Joana: uhum. Divulgação da questão da mulher.
Eleonora: É. Nós trabalhávamos com a questão da violência, contra a violência contra a mulher. Fizemos uma enorme...um enorme movimento de visibilidade contra o assassinato de uma poetisa lá chamada Violeta formiga que foi assassinada por um cara de classe alta, seu ex-marido...
Joana: uhum.
Eleonora:... senhor do engenho rural e da alta burguesia. E nós fomos pra rua. Fomos pra “quem ama não mata” naquela insígnia que o Brasil estava...
Joana: Estás falando da Diniz?
Eleonora: É. “Quem ama não mata” e O silêncio é cúmplice da violência, e aí começamos a nos
articular dentro do Nordeste.
Joana: Tá.
Eleonora: Era o S.O.S Mulher...o S.O.S Corpo e um grupo de reflexão que tinha em Natal...
Joana: uhum.
Eleonora:... de auto-reflexão, e o Maria Mulher o quê que nós fazíamos? Nós fazíamos auto-exame de colo de útero, auto-exame de mama...
Joana: O que tu fez de Medicina estava ajudando?
Eleonora: Estava ajudando muito. Trabalho com violência contra a mulher e trabalho de sensibilização e cursos de educação pra mulheres da periferia e mulheres rurais.
Joana: Vocês tinham apoio financeiro?
Eleonora: Nenhum.
Joana: Quer dizer, por conta própria.
Eleonora: Eram grupos de auto-ajuda. Naquela época não tinha as agências financiadoras.
Joana: Não tinha é.
Eleonora: Grupos de auto-ajuda. Com esse grupo nós colocamos o feminismo paraibano no nível
nacional, e ele foi se fortalecendo muito, esse grupo. Por causa desta militância toda... aí eu feminista, eu tive minha casa em João Pessoa incendiada.
Joana: Nossa!
Eleonora: É.
Joana: Isso foi em que ano?
Eleonora: Foi em 81.
Joana: 81.
Eleonora: Foi durante a primeira greve de professores, eu era da ANDES e também era feminista.
Joana: A essas alturas tu já eras professora de novo?
Eleonora: Ai eu entro para a Universidade Federal da Paraíba como colaboradora 80 que existia...
Joana: Tu ainda não tinhas mestrado?
Eleonora: Não. Eu fui fazer...fiz o meu mestrado na Paraíba, em Sociologia do Trabalho...
Joana: Depois de 81?
Eleonora: É. Terminei em 82, 83...aí encontro na Paraíba a Lourdes Bandeira que já estava na Paraíba
também. E aí eu entro para a Universidade...
Joana: Certo.
Eleonora:...eu faço concurso e entro pra Universidade.
Joana: uhum.
Eleonora: Não, eu entrei pra Universidade mais cedo. Eu entrei pra Universidade em 78, eu chego em
78. E nesse momento da primeira greve com as questões feministas, a minha participação em... (toca
um celular)
Eleonora: Só um minutinho.
(Interrupção da gravação)
Joana: Tu estavas dizendo que entraste na Universidade pra dar aulas como...
Eleonora: Colaboradora.
Joana:...colaboradora em 78.
Eleonora: Em 78. E na greve de 82, que fomos todos incorporados, eu entro para o quadro permanente da Universidade.
Joana: Ah tá.
Eleonora: Entendeu? Mas eu dava aula até naquele contrato de colaboradora 80.
Joana: uhum.
Eleonora:...que tinha nas universidades federais. Foi durante a primeira greve nacional, eu era do comando de greve , eu estava voltando de Olinda com o Francisco Julião e quando cheguei , minha casa havia sido destruída por uma bomba...
Joana: Certo.
Eleonora:...e voltei junto com ele. Eu dei carona pra ele, e quando eu chego a minha casa estava incendiada.
Joana: Nossa. E foi incêndio criminoso?
Eleonora: Foi criminoso, teve processo, teve...
Joana: Nossa.
Eleonora: Foi.
Joana: Não descobriram quem era?
Eleonora: Não, mas há ainda suspeitas bem...bem claras que foi um latifúndiário.
Joana: Certo.
Eleonora: Exatamente por causa, não só do meu trabalho feminista, mas meu trabalho de mulheres com as trabalhadoras rurais.
Joana: Certo.
Eleonora: E aí é que eu conheço a Margarida Alves, a Penha, que morreu com a Bete Lobo, e eu passo a ter uma...elas passam a ter uma importância muito grande na minha vida e vice-versa.
Joana: uhum, uhum.
Eleonora: E aí eu...
Joana: Fala, e daí tu fosse fazer mestrado...
Eleonora: Não, eu fiz mestrado na Paraíba.
Joana: Na Paraíba mesmo.
Eleonora: Na Paraíba mesmo.
Joana: Isso em 81, 82...
Eleonora: Eu terminei de 82 para 83.
Joana: Certo.
Eleonora: Meu mestrado foi O Feminismo:o reinventar da educação...
Joana: Certo.
Lenora:...a partir de práticas feministas.
Joana: E isso foi na Educação?
Eleonora: Não, foi na Sociologia.
Joana: Na Sociologia.
Eleonora: Na Sociologia do Trabalho.
Joana: Tá.
Eleonora: Eu fiz com um grupo de mulheres da periferia...
Joana: Tá.
Eleonora:...em João Pessoa mesmo.
Joana: Tá.
Eleonora: Depois em 84 eu venho pra São Paulo fazer doutorado na Ciência Política, já
articuladíssima...
Joana: Imagino.
Eleonora:...com o feminismo, e com linhas de pesquisa bem definidas do ponto de vista feminista.
Joana: Quem é que te orientou em São Paulo?
Eleonora: Em São Paulo foi a Maria Lúcia Montes, uma antropóloga. Embora na época ela fosse da Ciência Política. E em 84 eu faço, entro para o doutorado com uma tese que era sobre Direitos Reprodutivos e Direitos Sexuais a partir...é...a construção da cidadania a partir do conhecimento sobre o próprio corpo.
Joana: Isso por conta do teu trabalho com as mulheres? Certamente, claro.
Eleonora: Por conta do meu trabalho com as mulheres em uma favela chamada Favela Beira-Rio.
Joana: Certo.
Eleonora: Lá em João Pessoa.
Joana: uhum.
Eleonora: Que hoje é um bairro. Então nesta época eu fiquei quatro anos em São Paulo fazendo a tese e voltando a João Pessoa
Joana: Por que os meninos ficaram lá?
Eleonora: Comigo em São Paulo.
Joana: Em São Paulo.
Eleonora: Em São Paulo. E aí fui coordenadora do grupo de Mulher e Política da ANPOCS, do GT.
Joana: uhum.
Eleonora: Dois anos...dois mandatos seguidos, e voltei pra João Pessoa. Aí em São Paulo eu integrei um grupo do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. Eu a Maria José Oliveira, a Vera Soares, a Tereza Verardo a Margareth Lopes, a Magali Marques, críamos o Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, que é uma ONG, para atender as mulheres de forma diferenciada com respeito a... E nesse período estive também pelo Coletivo fazendo um treinamento de aborto na Colômbia.
Joana: Certo. 17
Eleonora: O Coletivo nós críamos em 95...
Joana: Como é que era esse curso de aborto?
Eleonora: Era no Clínicas em Aborto...a gente aprendia a fazer aborto...
Joana: Aprendia a fazer aborto.
Eleonora: Com aspiração AMIU
Joana: Com aquele...
Eleonora: Com a sucção.
Joana: Com a sucção. Imagino. Uhum.
Eleonora: Que eu chamo de AMIU . Porque a nossa perspectiva no Coletivo, a nossa base...
Joana: Que as pessoas se auto...auto...fizessem
Eleonora: Auto-capacitassem, e que pessoas não médicas podiam...
Joana: Claro.
Eleonora:...lidar com o aborto.
Joana: Claro.
Eleonora: Então vieram duas feministas que eram clientes, usuárias do Coletivo, as quais fizeram o primeiro auto-exame comigo. Então é uma coisa muito linda...
Joana: uhum.
Eleonora:...muito bonita, descobrirem o colo do útero e...
Joana: uhum.
Eleonora:...ter uma pessoa que segura na mão.
Joana: Certo.
Eleonora: E elas dão esses depoimentos em vários encontros. E depois em São Paulo, em... ...em 89...
Joana: Já devias ter defendido a tese a essas alturas?
Eleonora: Não, eu defendi em 90.
Joana: Defendesse em 90.
Eleonora: 90. Em dezembro de 90. Eu voltei pra Recife. Voltei pra João Pessoa e morei em Recife.
Joana: uhum.
Eleonora: Trabalhei tanto no Maria Mulher e na volta, em 90, eu pedi transferência pra Universidade Federal de São Paulo, a então Escola Paulista de Medicina, porque meus filhos queriam ficar em São Paulo...
Joana: Certo.
Eleonora: Eu pedi transferência....
Joana: E foi tranqüilo?
Eleonora: Não, foi difícil transferência na época do Collor.
Joana: Imagino.
Eleonora: E ai eu me...eu fui uma das que teve direito de transferência garantida porque eu vim liberada com a seguinte questão, se o Collor ganhar a presidência, e assumir e exigir que todos retornem, a sua transferência é será dada.
Joana: uhmm.
Eleonora: Ele exigiu, ele ganhou e exigiu e a minha transferência foi incentivada. Eu volto...eu
venho...aí nós críamos em 90 a Rede Nacional Feminista de Saúde, em Itapecerica da Serra
Joana: Certo.
Eleonora: E...dentro da Escola Paulista nós temos um núcleo.de estudos e pesquisas em saúde e
realções de gênero. Eu não tinha um Departamento de Medicina Preventiva que me acolhesse ainda, aí eu fiz a escolha de ir para o Departamento de Enfermagem na perspectiva de contribuir com a melhoria da qualidade de assistência das mulheres.
Joana: uhum.
Eleonora:...na ponta dos serviços. Na Escola Paulista eu tive...e nós críamos o Núcleo de Estudo em
Saúde da Mulher e Relações de Gênero, e junto com outro grupo de mulheres feministas, inclusive a
Margareth Rago, a Miriam Grossi, e a Magda Neves, nós fizemos parte de um núcleo que com um
recurso da Ford a partir de um encontro de São Paulo, da Fundação Carlos Chagas... 18
Joana: Certo.
Eleonora:...cria a REDEFEM, cria a Revista de Estudos Feministas...
Joana: Sim.
Eleonora:...e cria esse grupo que ia pensar o ensino feminista através dos núcleos de estudos.
Joana: uhum.
Eleonora: Esse grupo era composto por essas pessoas...
Joana: Sai aquele livro inclusive, “Questão de Gênero”...
Eleonora Exatamente. Exatamente.
Joana: uhum.
Eleonora: E eu continuo com duas linhas....hoje eu sou professora livre docente, do Departamento de Medicina Preventiva com uma tese que se transformou em livro, eu fiz meu pós-doutorado em Milão, na Itália, na Faculdade de Medicina na área de Saúde, Trabalho e Gênero.
Joana: uhum.
Eleonora: Hoje eu coordeno um diretório de pesquisa que é Saúde e Relações de Gênero no CNPq. Eu sou pesquisadora 1B do CNPq, e toda a minha atividade de pesquisa é na área de Saúde e Relações de Gênero, e Saúde da Mulher, com um olhar feminista.
Joana: uhum.
Eleonora: Tem um impacto disso na construção do conhecimento da saúde.
Joana: uhum.
Eleonora: E...no ativismo eu faço parte da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivo, uma das fundadoras, e até novembro eu ocupo lugar de relatora das Nações Unidas do Direito a Saúde no Brasil.
Joana: Certo.
Eleonora: Fui indicada pela Rede...
Joana: Certo.
Eleonora:...e selecionada curricularmente. E toda a minha produção, tanto acadêmica como o meu pé na militância, no ativismo feminista, ele se dá via duas grandes linhas de pesquisa que é Feminismo, e Saúde e Relações de Gênero. Dentro da Saúde e Relações de Gênero tudo o que diz respeito a Direitos Reprodutivos e Sexuais, Saúde e Trabalho.
Joana: Certo.
Eleonora: E Violência. Hoje eu faço parte da coordenação de um dos serviços de violência que atende mulheres vítimas de violência sexual, que é o da UNEFESP, o da Casa de Saúde, atendemos mulheres que foram vítimas de violência sexual e fazemos o aborto nesses casos.
Joana: Certo.
Eleonora: E também hoje faço parte das Jornadas Brasileiras pela Legalização do Aborto,no grupo de
coordenadoras.
Joana: uhum, uhum. Essa é tua militância atual?
Eleonora: É minha militância atual.
Joana: Tu também fazes parte da REDEFEM eu acho.
Eleonora: Faço, faço parte da REDEFEM, exatamente.
Joana: Estás em várias frentes.
Eleonora: Sou consultora de várias.Revistas e Agências de Fomento..
Joana: Imagino.
Eleonora: Capes, CNPq, barará...barará...barará...Fundação Carlos Chagas.
Joana: uhum.
Eleonora: Agora esses últimos dois anos eu concentrei nesse trabalho de relatoria da ONU...
Joana: uhum.
Eleonora:...e onde foi fantástico porque nós definimos...isso até eu gostaria de dizer, nós definimos como eixo estruturador dessa relatoria, são seis relatorias pra Educação, a Saúde, Água, Terra e
Alimentação, Moradia, Trabalho e Meio Ambiente...
Joana: uhum. 19
Eleonora:... e só sou eu de relatora, o resto tudo é homem. E na relatoria da saúde nós definimos como
os dois grandes eixos estruturadores dos casos paradigmáticos de violência a questão da saúde da mulher e a saúde no trabalho. Na saúde da mulher nós visitamos vários municípios do interior de Recife onde a morte materna é altíssima pra sair do eixo Rio, São Paulo e de Minas Gerais, e a questão do aborto.
Joana: uhum.
Eleonora: Visitamos várias maternidades: duas grandes maternidades do Rio de Janeiro, duas
maternidades do Rio, duas de Belo Horizonte, uma de Fortaleza, onde nós tínhamos recebido notícia que mulheres tinham morrido por aborto e as profissionais tinham sido presas. Na do Rio mais grave, que a profissional algemou a mulher na cama e chamou a polícia.
Joana: Meu Deus!!!
Eleonora: É. Pra prender. Isso foi há seis meses. E a outra Saúde e Trabalho são questões de
contaminação e da questão de método, e essas denúncias são levadas pra ONU. Nós vamos agora para
Genebra, como fomos no ano passado. E duas dela foram para a Organização dos Estados Americanos
para responsabilizar o Estado por essas relações. O Estado brasileiro, é uma questão...a minha questão
feminista faz parte da minha vida integral.
Joana: Eu tô vendo.
Eleonora: Completamente.
Joana: Tu te lembras de mais alguma coisa? Eu acho que eu esgotei as nossas questões.
Eleonora: Eu completei?
Joana: Uhum, completaste.
Eleonora: A não ser que você tenha...
Joana: Bom, eu iria te perguntar se tu autorizas a divulgação da entrevista. Eu vou te mandar de qualquer maneira a transcrição, se tu quiser acrescentar ou tirar alguma coisa.
Eleonora: Quero. Quero. E pra mim, uma questão que eu acho que é importante, é dizer que hoje eu tenho 60 anos e sou avó.
Joana: uhum.
Eleonora: E eu digo que a questão feminista é tão dentro de mim, e a questão dos Direitos
Reprodutivos também, que eu sou avó de uma criança que foi gerada por inseminação artificial na mãe
lésbica.
Joana: uhum, uhum.
Eleonora: Então eu digo que sou avó da inseminação artificial...
Joana: (risos)
Eleonora:...alta tecnologia reprodutiva.E aí eu queria colocar a importância dessa discussão que o
feminismo coloca, no sentido do acesso às tecnologias reprodutivas.
Joana: Certo.
Eleonora: Entendeu? E eu diria...eu fiz dois abortos, e também digo que sou avó do aborto, também porque por mim já passou.
Joana: Sim
Eleonora: Também já passou nesse sentido. E diria que eu sou uma mulher muito feliz e muito
realizada, e eu pauto em duas questões: na minha militância política e no feminismo.
Joana: Certo. A tua história, né?
Eleonora: Que é a minha história de vida e eu acredito que os sujeitos são construídos a partir de sua própria história.
Joana: Claro. Tá certo.
Eleonora: Tô falando isso pra historiadora...
Joana: (risos). Tá certo. Bom, Eleonora eu te agradeço bastante, e se a gente tiver uma outra questão a gente volta a conversar.
Eleonora: Sem dúvida. Estou a disposição.


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