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domingo, julho 09, 2017

O que raios é socialismo fabiano?





por Flávio Morgenstern(*).

Com o destaque dado a João Doria, o termo "socialismo fabiano" começou a ser usado nas redes sociais. Mas o que é o fabianismo na vida real?







Um novo termo tem sido repetido ad nauseam nas discussões políticas na internet: socialismo fabiano. A incidência do vocábulo cresceu na medida em que o prefeito de São Paulo, João Doria, ganhou notoriedade entre uma parcela da direita por seus ataques ao PT. Outra facção, por ser o prefeito um filiado ao PSDB, alavancou o uso da expressão considerando que Doria é, na verdade, um “socialista fabiano”.

Poder-se-ia perguntar aos usuários do bordão uma série de questões: o que é o socialismo fabiano? Quem são os grandes socialistas fabianos? Em que país surgiu? Rússia? França? Alemanha? Onde ele já foi aplicado? Quais as instituições que o promovem? Quais são seus princípios? Os principais livros? Qual a diferença para outras formas de socialismo? Como é a economia fabiana? À base do Gulag, como na União Soviética? E a liberdade de imprensa? Há expurgos, paredón, genocídio?

O estudioso que questionar a maioria dos useiros do termo não encontrará respostas. O fenômeno é idêntico ao que a esquerda fez com o termo técnico “fascista”, uma realidade histórica brutal e perigosíssima – mas, usado tão somente como metáfora, e não descrição, está sempre comparando o que não é socialismo fabiano com o apelativo mote, justamente para tentar ofender quem teria horror a ser associado a alguma forma de socialismo. Mesmo a uma versão amorfa e indefinida.

O vocábulo fica assim oco de significado. Como define o antropólogo Claude Lévi-Strauss, aprofundando a terminologia lingüística, a palavra se torna um signo flutuante: pode significar qualquer coisa, só dependendo da vontade momentânea do falante. É algo comum ao pensamento mágico: ao invés de olhar para a realidade e, para expressá-la, tentar extrair dela um conceito, com palavras como “maçã”, “tristeza” ou “crise internacional de hedge funds“, o sujeito quer criar a realidade através de palavras-mágicas, como um pequeno Deus do Gênese.

Entre uma direita que poucos livros lê, mas dedicadíssima a um verdadeiro estudo de comentários de Facebook, a organização do mundo depende de seus ânimos, emoções, impressionabilidades e vontades urgentes, e não da fria observação, análise, estudo e estratégia. Em poucos minutos de mimetização de ídolos, o sujeito estará igualando a economia escandinava que produziu empresas como Nokia e Ericsson ao Camboja de Pol-Pot, simplesmente por tratá-los pelo mesmo termo. É uma situação comparável a quem tenta analisar as diferenças entre Beethoven e Mozart, conversando com alguém que só conhece bicordes e Luan Santana.

O fenômeno de lingüística, ideologia e mentalidade segue a Lei de Rothbard, a despeito de não ser um debate acadêmico: a parcela menos lida e mais emocionalmente sensível da direita tende a se especializar justamente naquilo que menos sabe.

Quanto mais o termo é usado, repetido e macaqueado ao ponto de não fazer mais sentido nenhum, menos o usuário sabe o que está fazendo. É difícil crer que, sem uma definição socrática, o indivíduo consiga identificar um socialista fabiano se o vir na rua. Todavia, é exatamente pelo que está chamando tudo aquilo que não é o socialismo fabiano, podendo até mesmo se tornar presa fácil de um.

Afinal, o que, na vida real, fora da caixa de comentários do Facebook, é o socialismo fabiano? Como uma realidade concreta, histórica, atual, presente e nem de longe pequena ou pouco influente, é importante conhecer o conceito, até mesmo para saber combatê-lo.
A sociedade fabiana

Não são precisos muitos desvãos secretos em linguagem hermética: em pouco tempo no Google, sobretudo em inglês, é possível aprender muito da conceitualização básica do fabianismo.

Não é possível falar em socialismo fabiano sem falar da Fabian Society. Longe de uma corporação secreta, a “Sociedade Fabiana”, formada em Londres em 1884, tem site (fabians.org.uk), conta no Twitter (@thefabians) e página no Facebook. Já na primeira página do Google encontram-se grandes monumentos das letras britânicas, como The Guardian e a Encyclopædia Britannica, explicando o que é a Fabian Society.







Há duas realizações de ordem gigantesca que os fabianos legaram à esquerda: a fundação do Partido Trabalhista (Labour Party) britânico e de uma das maiores universidade voltadas à economia e às ciências sociais do planeta, a London School of Economics (LSE), que tanto fez com que a economia ocidental visse com bons olhos as idéias socialistas. Os informes, papers, estudos e artigos, ou mesmo o podcast da London School of Economics, dão um panorama atual de quais as visões, objetivos e práticas da Sociedade Fabiana hoje.







Tal como boa parte dos hábitos insulares ingleses (empirismo ao invés de racionalismo, dirigir pela esquerda e aversão ao sistema métrico), o socialismo fabiano é um fenômeno tipicamente britânico. Para identificar um socialista fabiano, um dos passos mais seguros é verificar sua familiaridade ao ideário da London School of Economics e à ala fabiana ortodoxa do Partido Trabalhista inglês.



Quem fundou a sociedade fabiana foi o casal de barões Sidney e Beatrice Webb, e não uma pessoa chamada “Fabian”. O socialismo fabiano deriva seu nome do general romano Quintus Fabius, que se destacou na Segunda Guerra Púnica. A chamada “estratégia fabiana” era algo novo para a época: uma tática de guerrilha que busca, lentamente, atacar os suprimentos das tropas inimigas, mesmo que muito mais numerosas. O inimigo definha em força gradual e lentamente. O socialismo fabiano utiliza uma tática bastante parecida.

Quatro nomes deixaram o ideário do socialismo fabiano famoso, embora raramente sendo referidos como “socialistas fabianos” ou “fabianistas” – o mero termo “socialista”, deixando que o contexto da Inglaterra fizesse o serviço de localização, bastava. Os Prêmios Nobel de Literatura George Bernard Shaw (1925) e Bertrand Russell (1950), além da revolucionária Virginia Woolf, foram os grandes mentores “não-econômicos” do socialismo fabiano. Fabianos que apanhavam muito em debates do grande gênio católico G. K. Chesterton.

Curiosamente, boa parte da visão de mundo do fabianismo também é influenciadora e também influenciada por outro romancista: H. G. Wells, que, em obras como O Homem Invisível, A Ilha do Dr. Moreau, A Máquina do Tempo e Guerra dos Mundos, descreveu utopias onde a tecnologia substituiria as tradições civilizacionais e a sociedade seria reformada paulatinamente.

Dois conceitos-chave são entrevistos aí: o socialismo fabiano acredita em evolução, e não em revolução. Era um dos grandes temas de H. G. Wells. Além disso, seu foco não-revolucionário é a reforma da sociedade, não seu redesenho pós-revolucionário. Uma das principais características do fabianismo é derivada não de Hegel ou de Karl Marx, mas de Charles Darwin: a sociedade “evolui” através da ciência e da razão, e cientistas deveriam reformar a sociedade, que não poderia resistir ao “progresso”, feito via democrática. Além dos positivistas (como, por exemplo, o Exército brasileiro), socialistas fabianos são os grandes tecnocratas.
O que fazer com os pobres?

O primeiro manifesto socialista fabiano é o documento Why are the many poor?, que chega a uma conclusão não muito diferente da satírica solução para a pobreza proposta por Jonathan Swift em A modest proposal, de 1729: a esterilização em massa dos pobres como meio de controle populacional. Uma espécie de malthusianismo com anabolizantes. Se a proposta parece chocante colocada sem meias palavras, os desdobramentos atuais da esquerda para a questão dos pobres passou da esterilização para o aborto em massa, sobretudo de negros, em modelos como o da Planned Parenthood.

O fabianismo primitivo mostra-se vencedor nos temas da esquerda moderna, pós-queda do Muro de Berlim: nada de economia, e sim sexo.

Um das primeiras grandes influências intelectuais para o fabianismo foi o psicólogo progressista e reformista social Havelock Ellis, que legou a todo o socialismo fabiano a terceira idéia após Malthus e Darwin: a eugenia, a teoria de que os bem nascidos devem prosperar, e aqueles sem serventia para uma sociedade cientificamente planejada devem ser dela extraídos. Havelock Ellis foi presidente da Eugenics Society.

Se a eugenia passiva de Francis Galton visava a manutenção de caracteres raciais, a eugenia ativa, como feita por outros socialistas, os nazistas, partia para o extermínio aberto de elementos indesejados pelos agentes do Estado. Hoje, no mundo do aborto, onde mais crianças são exterminadas do que em qualquer momento da história (mesmo no culto a Moloch), vivemos numa acelerada mudança da eugenia passiva para a eugenia ativa.




Além da eugenia, o tema da vida de Havelock Ellis marcou o caminho dos fabianos: a homossexualidade, e até a psicologia transgênero. Suas teorias sobre auto-erotismo e narcisismo foram posteriormente adaptadas pela psicanálise de Sigmund Freud. A Fabian Society foi uma desinência de um grupo com o desabrido nome de The Fellowship of the New Life.

Rapidamente, o “progresso científico” propagou as pílulas anticoncepcionais, o aborto, a eutanásia e boa parte daquela parcela do ideário de esquerda que chamamos de ‘progressista”. A Inglaterra era o centro científico do mundo da época.

Sidney e Beatrice Webb podem ser considerados os fundadores do que se chama de Welfare State junto a Lloyd George e William Beveridge. São suas as propostas do salário mínimo em 1906, do National Health Care em 1911, da mudança da herança para o mais velho em 1917.
Socialismo democrático

Incrivelmente, o primeiro brasão de armas da Fabian Society era um lobo em pele de cordeiro (!!), para demonstrar os métodos preferenciais da Sociedade. Logo a idéia foi abandonada, por suas óbvias implicações negativas, e substituída por uma tartaruga, representando a preferência por uma mudança lenta, gradual e imperceptível para o socialismo.

Após visitarem a Ucrânia no auge da fome do Holodomor, Sidney e Beatrice Webb escreveram um livro de dois volumes chamado Soviet Communism: A New Civilization?, em que juram que não havia fome: tudo era “propaganda de anti-comunistas”. Stalin, obviamente, não era ditador nenhum, imagine. O socialismo fabiano de verdade, tratado como um “socialismo light” no Facebook, sabia assustar o PSOL quando queria.

H. G. Wells rompeu com a Fabian Society, escrevendo ainda quando era membro o panfleto The Faults of the Fabian. A sociedade foi parodiada em seu romance The New Machiavelli.

Contudo, economicamente, o socialismo fabiano foi se distanciando do socialismo “clássico” da linha marxista e tentou implantar sua “ciência”. Com a típica aversão inglesa ao controle e à planificação, assimilaram o liberalismo econômico, criando essa estrovenga moderna que é o liberalismo gerenciado, no qual o sistema de precificação é permitido, o mercado tem alguma liberdade, mas há pesadas regulações e regras que permitem ao Estado fazer uma supervisão logística de todo o processo.

Como explicamos aqui e aqui, foi criado o “socialismo democrático”, termo que confunde 11 em cada 10 falantes: trata-se da estratégia em que taxando empresas, criando-se direitos trabalhistas e regulamentações econômicas, logo o Estado controlaria mais de 51% da economia, e bastaria então que o Estado comprasse empresas sufocadas pela carga de impostos. É o processo de estatização – ou “nacionalização” – de companhias através do que chamam de setores estratégicos. O socialismo chegaria por evolução, e não revolução. Foram seus articuladores Leonard Woolf, R. H. Tawney e G. D. H. Cole.

Neste momento pré-globalização, socialismo fabiano e globalismo ainda soam quase como opostos: o primeiro nacionaliza, adorando grandes elefantes brancos, enquanto o segundo preconiza o exato oposto. O socialismo fabiano é Petrobras, o globalismo é Goldman Sachs. O socialismo fabiano é reserva de mercado para computadores nacionais, o globalismo é Microsoft e Facebook. Demoraria mais de meio século para alguma articulação entre duas entidades indiscerníveis, muitas vezes de contornos vaporosos – ao contrário da Fabian Society, praticamente nenhum globalista nunca se auto-declarou “globalista” ou escreveu algum “Manifesto Globalista”.
Um governo fabiano

A influência do fabianismo foi gritante no governo de Clement Attlee, primeiro-ministro que sucedeu Winston Churchill pós-Segunda Guerra. Attlee não é muito conhecido fora do Reino Unido, embora seu governo seja paradigma de desastre dentro da Inglaterra. Foi Clement Attlee quem implementou o Welfare State e as propostas do socialismo fabiano, tendo John Maynard Keynes como seu mentor.

Além do National Health Care, o principal destaque ficou para a nacionalização das minas de carvão e das ferrovias – exatamente os setores estratégicos pensados na nacionalização da Sociedade Fabiana, e exatamente os elefantes brancos que seriam desmantelados 30 anos depois, por Margaret Thatcher.

Outro destaque de seu governo foi a descolonização, tema tão caro ao ensino de História no Brasil.

Clement Attlee é lembrado pelos ingleses de uma forma análoga a Lula: uma militância esquerdista o ama, mas não admite em público, enquanto ele é lembrado pelo povo como sinônimo de desastre: seus gastos aumentaram o poder dos sindicatos e emperraram a economia, torrefazendo dinheiro do pagador de impostos com empregos que só serviam à ideologia. Winston Churchill voltaria ao cargo após seu governo, iniciando uma hegemonia conservadora de 4 mandatos seguidos. E isto em uma época em que os Conservadores estavam em crise.

Anthony Crosland, então, edita The New Fabian Essays em 1952, renovando a esquerda, que desde aquela época sofria seriamente com o anacronismo. Num tempo em que governos “socialistas democráticos” tomavam a Europa inteira, os fabianos sofriam em casa: mesmo Harold Wilson, duas vezes primeiro ministro, era um esquerdista que não comungava do credo socialista fabiano, tendo de rotineiramente angariar apoio no complexo sistema parlamentarista inglês junto aos Conservadores.

A Fabian Society voltou a ser a grande influência do Partido Trabalhista apenas na década de 90, e agora turbinada. Operou em dois fronts: modificar a estratégia eleitoral, a um só tempo em que lutava contra o aristocrata parlamentarismo britânico em busca de uma democracia mais direta, modelo “um homem, um voto”.

O resultado veio a galope: Tony Blair, o mais fabiano dos socialistas fabianos, se elege com mais de 200 parlamentares fabianos – quase todo o seu gabinete, incluindo nomes importantes como o futuro primeiro ministro Gordon Brown.

No mesmo ano, outro político fortemente influenciado – e influenciador – para os fabianos foi eleito na França: o primeiro ministro Lionel Jospin, que em 2005 escreveria uma auto-biografia confessando que descobriu no gabinete de Mitterrand que nem fazia idéia do que diziam os informes econômicos. Ambos tinham alta popularidade e ambos eram conciliadores, o que permitia que a agenda fabiana fosse implementada, ao mesmo tempo em que os fabianos mais radicais pediam pelas reformas mais antigas, como a de impostos.

O mundo, o socialismo, a esquerda e o que pegava bem, além da própria estratégia, haviam mudado. A Sociedade Fabiana deveria fazer o mesmo, como vieram a fazer os políticos “sociais-democratas” ao redor do mundo que, assumindo na década de 90, tentaram parecer pró-mercado e talvez até mesmo “privatizadores” em setores falidos. Era uma época em que a nova esquerda admitia a globalização, enquanto a velha esquerda regurgitava estatização, nacionalismo e socialismo. Foi a década de Bill Clinton. Foi a época de Tony Blair. Foi a época de Fernando Henrique Cardoso.
O PSDB é um partido “socialista fabiano”?

Nascido de uma espécie de modernização da esquerda do velho MDB, e com diversas tendências internas, o partido dos tucanos (Fernando Henrique, Serra, Nunes e boa parte de um partido de descendente de italianos eram narigudos) nasceu justamente na época da modernização da esquerda, que “os novos fabianos” da década de 90 trouxeram ao mundo.




Pode-se entender a diferença primordial entre PSDB e PT, que marcou a dicotomia política brasileira de 1993 para frente, justamente entendendo que o PT bradava por um socialismo não-global (“Fora ALCA! Fora FHC e o FMI!”), enquanto o PSDB já tinha abandonado o termo “socialismo” (como a maior parte dos fabianos modernos), preferindo ser um “reformista social”, ou um “social-democrata” ou apenas um partido que luta pela “justiça social”. O PT pensava em nacionalização (estatização) e greve, o tucanato já abraçava o globalismo, o capitalismo dirigido, os, digamos, “gestores” e “quadros técnicos” da tecnocracia que até hoje arrotam platitudes em economês sobre “crescimento” em nossos jornais.

No lastro da modernização da esquerda com a queda do Muro de Berlim, foi inciada a era da chamada “terceira via”, posteriormente chamada de “neoliberalismo” (vinculado retroativamente a políticos conservadores como Reagan e Thatcher e, por isso, levando a inculta esquerda brasileira a achar que o “neoliberalismo” é de… direita), uma espécie de socialismo por meio do reformismo e com aparência de liberalismo, tendendo à abertura global. O movimento terceiro-mundista, o sistema-mundo de Wallerstein, a CEPAL e tantos outros modismos beberam direta ou indiretamente da fonte da Sociedade Fabiana, que conta ou contou com a colaboração de Tony Blair e Bill Clinton, além de pensadores como Anthony Giddens. Poucas coisas são mais fabianas no mundo do que a Constituição de 1988.

Óbvio que para o brasileiro médio, acostumado ao linguajar da grande e velha mídia e dos professores de história, soa estranho chamar tucanos de “socialistas”, como se eles pregassem Gulag, paredón, economia racionada e ditadura do proletariado. Por isso, é necessário esclarecer que trata-se do socialismo ocidental pós-Segunda Guerra, no qual a Sociedade Fabiana foi, por incontáveis vezes, inimiga do velho socialismo.





José Serra, por exemplo, homem altamente influenciado por John Maynard Keynes, Joseph Schumpeter e sobretudo Albert Hirschman, tem como pressupostos para sua economia política a gestão forte nas áreas que a Fabian Society considerava estratégicas – como a saúde – e algum princípio de mercado com regulação em áreas menos estratégicas. Alguns usam nomes como “sociedade de mercado democrático”, ou variações com os termos, para o gigante elefante branco que, paulatinamente, através dos ganhos econômicos perante governos mais esquerdistas e estatizantes anteriores, foram angariados.

Algumas das lideranças mais ligadas aos intelectuais do PSDB, portanto, são o fino cerne do socialismo fabiano. Mas e quanto a pessoas que, perguntadas sobre Hayek, acharão que estamos falando da Selma? O Aécio Neves saberia diferenciar Thomas Piketty de Francis Fukuyama se os visse na frente?
João Doria no partido dos socialistas fabianos

O PT pode ser definido como o único partido de fato do país, na acepção que o termo tem, seja em Robert Michels (que via no fascismo um socialismo melhorado, por ser “mais democrático”) ou em Antonio Gramsci, seja em Carl Schmitt ou em Bertrand de Jouvenel: uma agremiação que busca o poder acima dos interesses particulares de seus indivíduos, com uma ideologia clara, um plano de poder e uma duradoura unidade de ação maior até do que a duração de vidas individuais.

Tendo ficado de fora da modernização da esquerda pós-esfacelamento da União Soviética (já naquela época ninguém mais agüentava ouvir falar em socialismo, lição que o PT só foi aprender com Duda Mendonça), o PT hoje tenta se modernizar às pressas, trôpego, e tendo como inimigo justamente um partido de esquerda modernizada – tratado pelo pensamento binário brasileiro como “direita”.

Mesmo sendo um partido de sindicalistas (Lula, Berzoini, Gushiken), guerrilheiros (Dirceu, Genoino), intelectuais falantes (Fernando Haddad, Marta Suplicy, Eduardo Suplicy) e falhas no espaço-tempo (Dilma Rousseff), é possível ver a cola que os une e entender perfeitamente o que é o partido sem precisar descer a seus interesses individuais.




Nenhum outro partido brasileiro possui tal estrutura, nem mesmo o PSDB. Há membros que apenas rezam tanto pela cartilha do “Estado gestor” (a própria cartilha socialista fabiana), como FHC e Serra. Ao mesmo tempo, há uma gelatina ideológica como Geraldo Alckmin, que a um só momento acena para o Opus Dei e para Gabriel Chalita, discípulo de Paulo Freire (enquanto é alvo do deboche e do desprezo de FHC nos bastidores). Estes andam lado a lado com esquerdistas da velha guarda (inclusive pré-globalistas, como Aloyzio Nunes), tecnocratas narcistas sem nenhum projeto além de si próprios (Aécio Neves, Tasso Jereissati), alguns poucos herdeiros da Democracia Cristã de Franco Montoro, e mesmo um ou outro legislador que esteja no partido, estando muito mais à direita do que o partido permite (Cássio Cunha Lima, Yeda Crucius e até o conservador Paulo Eduardo Martins).

Não é exatamente inteligente considerar alguém “socialista fabiano” apenas por ser do PSDB, embora seja o partido par excellence do fabianismo no Brasil. FHC e Serra certamente foram influenciados por esse ideário. Alckmin e Aécio, que não se parecem em nada, têm incontáveis defeitos, mas têm menos influência do fabianismo do que de qualquer projetinho de lei homenageando deputado em troca de apoio para uma emenda.

Ao invés de ver unidade e princípios superiores entre o alto tucanato de FHC, Aécio, Serra e Alckmin, o que se vê são figuras que se odeiam puxando o tapete um do outro por interesses pessoais. É um partido formal, mas não aquilo que a ciência política considera um partido, um meio de poder: o PSDB é uma briga interna entre gente em quem o povo só vota por detestar mais o PT, e que não avança projeto nenhum.






João Doria galgou o poder na cidade de São Paulo justamente indo contra todo o partido, contando apenas com o apoio de Geraldo Alckmin, que estava tentando ganhar força para fazer frente justamente à ala mais fabiana do partido, que o despreza. É simplesmente impossível encontrar na mídia uma declaração de um tucano favorável ao único político com alta aprovação no Executivo do próprio partido. Ficou famosa, nas primárias da cidade, a cena em que partidários pela indicação de João Doria e de Andrea Matarazzo se esbofetearam nas ruas, com direito a calças arriadas e, bem, isto. Andrea Matarazzo acabaria saindo do partido para virar vice na chapa de Marta Suplicy, agora no PMDB.

João Doria enriqueceu com contratos com o governo, que até hoje não foram investigados. Ficou famoso só o caso da sua revista “Caviar Lifestyle” (sic), que obviamente ninguém lê, mas recebia verbas do governo Alckmin. Apenas a pontinha de um iceberg incalculavelmente maior. Mas antes de Alckmin, seu grupo político é o da família Covas, onde cresceu no PSDB. São coisas pelas quais o atual prefeito deve responder.

Contudo, Doria ganhou a primeira eleição paulistana no primeiro turno por seu estilo midiático e seus ataques ao petismo, formalmente indigitando Lula, não cedendo a repórteres que o pediam moderação (um anti-tucanismo explícito) e, sobretudo, pelo desmantelamento fugaz do descalabro feito na cidade pelo petista Fernando Haddad, que chegou a ter popularidade de um dígito.

Como parte dos tecnocratas com bom sobrenome do partido, Doria tem uma ideologia dificilmente discernível no horizonte. Não parece ser alguém que deve saber o que raios é “socialismo fabiano”, e deve acreditar que o fabianismo, por ser “socialismo”, significa piquete e revolução, e não um meio para um socialismo que, certamente, algum dia chegará, com a obstinação de uma tartaruga.

Nesta toada, ao invés de ler Keynes, Doria assumidamente só lê jornais, sendo o homem de mídias modernas (Bom Dia Brasil e Youtube) na política brasileira. Sendo publicitário, suas preocupações parecem muito mais voltadas às aparências do que às suas substâncias das coisas. Sendo consumidor da mídia, o seu sistema de valores é oriundo da mídia: valores do globalismo – nada de socialismo fabiano, fenômeno muito mais localizado, daqueles influenciados diretamente pelo turning point da velha esquerda rumo à modernização em idos dos anos 90.

Essa mídia acha que Donald Trump é pior do que Kim Jong-un e Adolf Hitler somados, e que armas causam crimes, enquanto criminosos são sempre “suspeitos”. Essa mídia acredita que aquecimento global é “consenso científico” e que a solução são acordos multilaterais que deixem que a ONU governe no lugar de nossas soberanias nacionais.

A mídia, enfim, é o que João Doria pensa, descontando-se os eufemismos para Lula.
Globalismo x O socialismo fabiano hoje

Para os leitores de Facebook, que não lêem livros, há um microcosmo conhecido que conheceu a verdade revelada, raramente ultrapassando um punhado de pessoas, e um mar aberto de erro inimigo que é sempre homogêneo. Assim, basta pensar que todos os adversários são idênticos, sem precisar pensar em nada além: globalismo, socialismo fabiano, social-democracia, socialismo, nazismo e uva passa no arroz são a mesma coisa, usando-se os termos como intercambiáveis.

A coisa se torna ainda mais grave quando salpicada de expressões que caem no uso comum, que o usuário não faz idéia do que significa, mesmo a 1 segundo de distância do Google. É comum ver usuários de Facebook afirmando que João Doria é claramente um socialista fabiano pois sua eleição é a estratégia das tesouras… uma estratégia criada por Lenin justamente para colocar a extrema esquerda no poder, e não um socialismo lento como o fabiano (as tesouras foram usadas pelo PSTU em 2013, por exemplo).




O globalismo hoje já presume um Estado cada vez menor (conquistando muitos libertários, que acreditam que um acordo multinacional de “livre comércio” significa “livre mercado sem fronteiras”), além de se focar em pautas contrárias à família: feminismo, propaganda gayzista, legalização das drogas, educação controlada pela ONU, legalização do aborto e financiamento via grandes fundos bancários transnacionais, com grande destaque para o Goldman Sachs.

O socialismo fabiano, apesar de se conjugar com o globalismo em diversos aspectos, está preocupado muito mais com a questão de leis de renda e herança, ainda buscando criar um grande Estado nacional que possa dirigir a sociedade.




Seu maior exemplo atual (que, não por mera coincidência, é egresso da London School of Economics), é o economista Thomas Piketty, cujo livro O Capital no Século XXI advoga que os insumos advindos da renda (por exemplo, uma casa colocada para alugar) são incrivelmente maiores do que os do trabalho (por exemplo, de um carpinteiro que alugue uma casa para morar). Assim, a desigualdade mundial aumentará brutalmente, e a única solução cabível é que governos criem impostos de renda fortíssimos (inclusive em âmbito global), para tentar equalizá-la com os ganhos do trabalho.

Na Inglaterra da Fabian Society, a questão é tão pública que o incêndio na Torre Grenfell, que deixou 79 mortos, foi discutido justamente à luz das incansáveis reformas por “bairros verdes” (do Partido Verde) e de bairros criados para trabalhadores pelo Partido Trabalhista fabiano, contra a “especulação imobiliária” (já notou como a expressão é usada quase apenas neste mercado?) dos Conservadores.

Um dos novos turning points dos socialistas fabianos veio em 2007, quando Geoffrey Robertson escreveu no jornal esquerdista The Guardian (única fonte da mídia brasileira sobre Inglaterra) o artigo We should say sorry, too, no qual Robertson lembrava que o passado fabiano era o da eugenia. Como não apenas os fabianos eram eugenistas, e como hoje é fácil fugir do debate dizendo que aborto nada tem a ver com eugenia, o debate não prosperou muito.




João Doria, apesar de ser globalista sem nem saber o que é globalismo (qualquer um que acredite e comungue dos valores da grande e velha mídia o é), é contra o aborto. Tampouco parece interessado em um plano de aumento de impostos e gestão econômica dirigida da economia que aumente o tamanho do Estado. Se Serra quer um “Estado controlador”, Doria é chamado de “CEO de São Paulo S/A“, não parecendo ter uma ideologia muito clara além disso. É difícil crer como alguém contra o aborto e pesados impostos na habitação possa ser um “socialista fabiano”. Mas é facílimo perceber como ele acredita no que os globalistas de viés mais liberal dizem.

Quando foi eleito, a professora brasileira Sonia Corrêa, da London School of Economics, na palestra Thinking Sexualities, Globalities and the Politics of Rights from an Interdisciplinary Perspective, utilizou Doria como exemplo da “onda conservadora” que tomava o Brasil após o impeachment, intensificada mundialmente com a eleição de Donald Trump. Os socialistas fabianos não parecem ir muito com a cara de Doria.

A dúvida que fica, sabendo-se que o que um político pensa ou acredita influencia bem pouco no seu agir histórico, é: quem daria as cartas num eventual governo Alckmin? E num eventual governo Doria? Qual é a capacidade de transcender as linhas partidárias, a Fundação Teotônio Vilela, o Instituto FHC etc? O New Labour de Tony Blair e o “reaganismo democrata” do Bill Clinton também eram privatizantes, pró-livre comércio, dentre outras coisas, mas isto basta? Para onde apontará a seta pós-governo olhando-se a longo prazo? São questões que precisam ser analisadas com seriedade.

A Fabian Society apresenta-se hoje mais como um think tank, tendo sérias reservas contra o ultra-radical Jeremy Corbyn, espalhafatoso e socialista da velha guarda. Mas seu método e propósito são claríssimos, mesmo em momentos distintos da história. Não é uma sociedade secreta, e tem membros em todo o mundo anglo-saxão, além de países como França e Espanha.

É importante conhecer seus inimigos com exatidão se se quer vencê-los. Do contrário, é fácil tentar destruir um Goldman Sachs com os argumentos que só atingiriam uma Petrobras. O que não deve acontecer são vidas perdidas lutando contra moinhos de vento em comentários de Facebook, que aos olhares mais apressados e confusos parecem gigantes.

Com colaboração de Filipe G. Martins, nosso mestre em assuntos anglófonos.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Dengue um mosquito que incomoda, mas o Serra é o culpado.




Dengue um mosquito que incomoda, mas o Serra é o culpado.




Nas notícias recentes (Estadão) prestem bem atenção:


"A luta está só começando", advertiu o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Além do aumento de casos, o Ministério da Saúde alerta que o número de cidades com criadouros do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, cresceu de forma significativa.
 O "de forma significativa" para o Padilha é pouca coisa; algo em torno de 240 mil casos ou aproximadamente 190% em comparação ao mesmo período do ano passado. 
Desgraça pouca é sempre bobagem para essa gente.

No blog do Reinaldo Azevedo, um apanhado geral do que esse mosquitinho safado anda fazendo neste amado ano da desgraça de 2013:




Definitivamente, não vivemos tempos convencionais. Há fatos que parecem se dar numa realidade paralela. A ligeireza com que os petistas, com o beneplácito da imprensa, se livram de suas responsabilidades e transferem culpas é um troço assombroso. O exemplo que chega às raias da poesia é Fernando Haddad. Ele já decidiu que não vai mostrar a cara enquanto chover na cidade de São Paulo. Seus secretários vêm a público, culpam Gilberto Kassab, que é seu aliado — parece parte de uma combinação, o que explica o ex-prefeito não reagir —, e prometem soluções. Haddad, de fato, não faz chover. Mas por que a culpa seria do outro? “Ah, porque faltaram obras…” Quando é que todas as obras contra enchentes serão feitas? Para “resolver”, só fazendo Stálin voltar do inferno para forçar que alguns milhões, debaixo de porrete, como era de costume, deixassem áreas inundáveis e de risco. Mas não quero me perder nesse particular.

Os casos de dengue triplicaram em 2013. O combate à infestação tem, sim, uma dimensão municipal. Todos sabem disso. Mas a coordenação é, como também é sabido, federal. Logo, constatado o desastre, o mínimo que se deve fazer é cobrar uma providência do governo. É o que faz com qualquer partido. O PT está no poder há dez anos. Quem não se lembra dos “mata-mosquitos” perseguindo o tucano José Serra em 2002? A situação era muito menos grave do que agora, e a imprensa foi a primeira a jogar os casos de dengue nas costas do Ministério da Saúde — e do candidato.

Exatamente isso. Há doze anos passados o grande culpado dos casos de dengue era o então ministro da Saúde José Serra. Nessa época, ele se preparava para ser candidato à sucessão de FHC e, como a noçimprensa cubanotupiniquim se virava para dar saltos maiores se aventurando na esquerdopatia geral o grande vilão da dengue não era o mosquito mas o ministro. Vejamos uma matéria pinçada em 2001:


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2001 21:32
Barretos sofre epidemia de dengue; Serra é chamado de "mole"
Do Diário OnLine


O município de Barretos, na região de Ribeirão Preto (SP), já registrou 78 casos de dengue este ano. O número foi divulgado nesta quinta-feira pela Superintendência do Controle de Endemias (Sucen).

Segundo a Sucen, a cidade vem enfrentando uma epidemia da doença, ao contrário do que diz o prefeito Uebe Rezeck (PMDB), que alega que a situação é endêmica.

Rezeck enviou nota à imprensa nesta quarta-feira criticando o ministro da Saúde, José Serra, e dizendo que ele não consegue controlar a dengue no país. "O senhor ministro vem dizer que o prefeito é mole! Mole é o senhor, que com todo o poderio que tem não consegue deter a propagação da dengue no País."

O Ministério da Saúde, por sua vez, comunicou, também por meio de nota oficial, que a culpa pela disseminação da doença é de total responsabilidade de Rezeck. "Repassamos mais de R$ 200 mil, desde 98, para o combate da dengue. O prefeito, em vez de se ocupar em combater o mosquito transmissor, preferiu se dedicar à campanha pela sua reeleição".


O tempo passa, o tempo voa e hoje nem a poupança continua numa boa, mas isso é outra história. Então ficamos acertados da seguinte forma: Quando o petê não estiver no poder (coisa difícil de acontecer enquanto contarem os votos; como já dizia o camarada Stálin), a culpa por uma epidemia de dengue ou de unha encravada será do ministro da saúde e do presidente da república que o nomeou; porém quando (a palavra "enquanto" fica melhor) o petê estiver no poder a culpa de qualquer problema envolvendo a saúde ou será da falta de um imposto ou, no caso da dengue, será do  vasinho, do pneu, da caixa d’água, das entrâncias das costas de uma banhista na praia... as possibilidades de se jogar a culpa em terceiros, quartos e quintos será enorme. 

Além de ser um dos prováveis Postes-Candidato ao governo do Estado de São Paulo o que mais faz o Padilha? O que realmente fez o Temporão?  E, finalmente, o que faz a presidente da república além de visitar tiranias africanas?

Enfim isso é Brasil, onde há doze anos passados a imprensa culpava o Serra pela Dengue e hoje, felizmente o problema é do Abreu (não é o bi-ator): nem do Padilha nem meu.

quinta-feira, outubro 27, 2011

FHC e Dilma.


Apenas reproduzindo a notícia dada por um informativo de Colombo (PR), por enquanto:



"Dilma recebeu para um jantar em Brasília o grupo conhecido como The Elders (os anciãos, em português)
Quase nove anos depois de deixar a Presidência, Fernando Henrique Cardoso voltou ontem (25) ao Palácio da Alvorada como convidado da presidente Dilma Rousseff.


Ninguém Merece

Dilma recebeu para um jantar em Brasília o grupo conhecido como The Elders (os anciãos, em português), que reúne líderes mundiais em torno de uma agenda humanitária e de promoção da paz.

Além de FHC, participaram do jantar o arcebispo sulafricano Desmond Tutu, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter; Martti Ahtisaari, ex-presidente da Finlândia; Gro Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega; e Mary Robinson, a primeira mulher a assumir a presidência da Irlanda e ex-alta comissária da ONU para Direitos Humanos.

O que chama a atenção é a civilidade entre a presidente e o ex-presidente. É de conhecimento público que os partidos de Dilma e Fernando Henrique, PT e PSDB respectivamente, travam uma batalha pelo poder no país. Os tucanos têm a ambição de chegar ao Planalto em 2014 com Aécio Neves e a disputa deverá ser com a própria Dilma. No entanto, FHC e Dilma mantêm um tom de cordialidade entre ambos e isso é super importante. É inegável que FHC teve uma contribuição importantíssima para o país e pode colaborar com Dilma com seus extraordinários conhecimentos e experiência.


Ainda não é notório saber de quem é a iniciativa da cordialidade. Sabe-se que o governador Beto Richa também mantém um afago pela presidente, ao menos neste período que ainda está longe das eleições estaduais e federais. Apesar do carinho pela presidente, a TV do governo do estado cometeu um ato falho ao boicotar o discurso da presidente no anúncio do metrô em Curitiba. Um dos motivos é a exposição da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann que deverá ser a adversária de Richa em 2014.


Mas nada elegante e cordial é a relação entre o exgovernador Roberto Requião e o governador Beto Richa. Ser deselegante é uma característica do ex-governador e hoje senador. Da tribuna do Senado, Requião se dirigiu a Beto com “governadorzinho”. A mágoa do senador pode ser porque a bancada do PMDB na Assembleia Legislativa que venerava o então governador até 2010, hoje está prostrada aos pés de Beto Richa. Requião se esqueceu que seu partido é doente pelo poder. Oposição não é o seu papel.


O que Requião e Beto deveriam seguir é o exemplo de Dilma e Fernando Henrique e se abrirem ao diálogo. A não ser que o ex-governador não tenha nenhuma contribuição para passar ao atual governante do Paraná" Fonte: Jornal de Colombo.


Então vamos ao que interessa: Os Anciãos (The Elders) devém mesmo estar afetados com alzheimer, ou usufruindo da aposentadoria, esqueceram de ler jornais confiáveis e passaram longe da internet. Que o sêo Tutu e o Jimmy Carter - e também os demais "gringos" - não estejam nem aí com tudo o que ocorre no Brasil até passa, mas o senhor Fernando Henrique (chamado pelos atuais donos do Brasil, em tempos passados, de Viajando Henrique) deveria ter a obrigação de afastar-se do núcleo da corrupção. Nada deselegante ter um compromisso inadiável no dia do jantar. Lula foi useiro e vezeiro para se desvencilhar de pessoas que não gostava ou que seu partido não afinava politicamente. 

Mas é claro, que quando se trata de egos inflados a coisa fica meio incontrolável. FHC não consegue frear seu ego. Parece existir nele uma força que o impele a ser politicamente correto o tempo todo, talvez até na hora de ir ao banheiro.


Sendo o politicamente correto que é, FHC deu de mão beijada a presidência a Lula e largou o Serra na arena com os leões (ratos seria mais adequado, mas...). Politicamente correto, FHC não moveu um dedo (e ele tem dez) em favor de Alckmin em 2006 e praticamente só atrapalhou o Serra novamente em 2010 (mas o Aécio atrapalhou também). Cheio de salamaleques temo que FHC entenda que chegou a hora de São Paulo, a cidade e o estado, mudarem de mão e, como em 2002 ele acabe fazendo campanha para a petralhada. 


Chegou a hora da aposentadoria presidente FHC; se não pode - ou não quer - ajudar, pelo menos não atrapalhe.

quinta-feira, novembro 27, 2008


NOSSA CAIXA AGORA É DELLES


O carecão do Zé Serra tanto fez que acabou vendendo a Nossa Caixa para o BB. Foi uma venda legal? O frentista do posto onde abasteço me garantiu que sim; e como ele me garantiu que as urnas eletrônicas da Lavinia Vlasak são à prova de sacanagens mas as do TSE não: a partir de então eu acredito sempre no que ele diz.

Para nós paulistas é um fardo a menos, menos cabides de empregos e eteceteras; agora esse fardo passa a ser dividido entre todos os idiotas, digo, brasileiros.


A propósito, Adriano Benayon tem um excelente artigo sôbre os nossos maravilhosos bancos:


Enquanto o crescimento real dos lucros dos bancos brasileiros acumulou 147% de 2003 a 2007, no mesmo período o salário do trabalhador aumentou 1,18%. Os lucros de 31 bancos em atividade no Brasil aumentaram, em 2007, para R$ 34,4 bilhões, com crescimento real de 43,3% em relação a 2006, quando tinham atingido R$ 25,05 bilhões. O retorno sobre o patrimônio aumentou de 21,2 para 24,3%.
Os 43,3% de crescimento real daqueles 31 bancos, em que estão incluídos os cinco com maiores lucros, superam o percentual destes, que aumentou 30,6% em 2007, com R$ 27,89 bilhões. De 2005 para 2006, seu aumento real foi 19,73%.
Que temos então? Uma escalada em aceleração desde o início dos oito anos de FHC, período em que a média de crescimento real foi 11% aa. (ao ano), ou seja, acumulou 130%. Nos dois primeiros anos de Lula, a média subiu para 14% aa. De 2003 a 2007, a média anual de crescimento real desses lucros foi 19,8%, acumulando 147% em apenas 5 anos. Computando os dois períodos, foram 468%, ou seja, os lucros reais multiplicaram-se por quase seis.
Esses números contrastam gritantemente com a deterioração dos rendimentos do trabalho. Por exemplo: em 1998, um trabalhador assalariado em São Paulo, capital, ganhava, em média, R$ 1.626,00, a preços de hoje corrigidos pelo IPCA. Em 2008 essa remuneração caiu para R$ 1.202,00. Baixou, portanto, 35,3%, em termos reais, em 9 anos. Queda maior (36,9% em 5 anos) ocorreu de 1998 para 2003, quando o valor afundou para R$ 1.188,00. De lá ao presente, houve pífio aumento de 1,18% em 4 anos, por exemplo, menos da metade de 1% aa.
Os ganhos dos bancos têm sido propelidos por: 1) extorsivas taxas de juros aliadas à expansão do crédito; 2) receitas das tarifas de “serviços”. Estas, em 1995, cobriam 25% da folha de pagamento dos bancos. Atualmente esse percentual é de 125%, ou seja: as tarifas cobrem integralmente a folha e acrescentam ao lucro um valor correspondente a 25% dela.
Esse é um dos efeitos da desregulamentação instituída em 1995, por FHC, no contexto dos acordos com o FMI e do poder conferido ao Banco Central, sempre em mãos guiadas pela mão invisível dos banqueiros mundiais, permitindo tudo aos bancos, que ele deveria controlar, se estivéssemos num País em exercício da autodeterminação.
Trata-se da mesma política que faz manter no Brasil taxas de juros abusivas, de longe as mais altas do Mundo, pagas pelos clientes aos bancos, malgrado reduções, nos dois últimos anos, da taxa SELIC, aplicável a títulos da dívida pública interna.
Em 2007, houve receitas extraordinárias com a venda de participações em empresas, entre elas, Bovespa e BM&F, por parte do Bradesco, Itaú e Unibanco. Deu-se também a alienação irresponsável da SERASA para o estrangeiro Experian Group, pela qual Itaú, Unibanco, Bradesco e Real-AMRO receberam, no total, cerca de R$ 2,32 bilhões. Em 2006 o Itaú teve o lucro diminuído em mais de R$ 2 bilhões, em função da compra de agências do Bank of Boston.
Embora tenham contribuído para o aumento dos lucros em 2007, essas transações não são suficientes para explicar o salto de 19,7% (2005/2006) para 30,6% (2006/2007).
Entre outras benesses providas pela legislação implantada por FHC, sob a égide do Consenso de Washington, está a de deduzir dos lucros os juros sobre o capital próprio, o que abate, nos balanços, os lucros líquidos tributáveis, sujeitos ao Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Portanto, os lucros reais são ainda maiores que os das estratosféricas cifras contidas nos dados citados neste texto. Em 2005, as despesas dos bancos com encargos tributários caíram em R$ 2,1 bilhões por meio desse favor fiscal.
No mesmo ano, os cerca de 200 bancos em operação no País pagaram, no total, R$ 7,5 bilhões de impostos. Os rendimentos do trabalho retidos na Fonte pelo IR foram taxados em R$ 30,75 bilhões. Decorrentes das declarações arrecadaram-se mais: a) R$ 7,02 bilhões de pessoas físicas; b) R$ 47,2 bilhões de pessoas jurídicas.O IR para os bancos tem alíquota de 15%, bem menor que a alíquota máxima para outros contribuintes, de 27,5%. Os bancos contam, ainda, com a isenção do IR nos dividendos pagos a seus acionistas. Além disso, suas receitas por tarifas crescem com a intensa movimentação dos “investidores” estrangeiros nas operações com títulos da dívida pública. Essas e as remessas de lucros e dividendos ao exterior estão isentas do IR, pela Lei nº 9.249, de 26.12.2005 (governo Lula).
O Brasil mantém 25 tratados, para evitar a dupla tributação. Assinala Osiris Lopes Filho: “A regra básica nesses tratados é o tax credit, vale dizer, o imposto que seria incidente aqui é crédito no país do Primeiro Mundo ...Desde tal lei, o Brasil abdica de tributar aqui, nas remessas de lucros e dividendos, em abjeta generosidade em favor dos países ricos, fornecedores internacionais de capital. A arrecadação é realizada integralmente pelos Fiscos dos países recebedores das remessas. Nada é coletado no Brasil.”
A legislação facilita, ainda, aos bancos compensar prejuízos por meio de créditos tributários, benefício estendido para prejuízos verificados no exercício presente ou em qualquer dos últimos10 anos. Disso se valeu, em 2007, a Caixa Econômica Federal. Ela apresentou lucro de R$ 2,51 bilhões, graças, em parte, a esses créditos, que compensaram perdas com títulos hipotecários no mercado norte-americano. Mais que questionável, pois, a gestão desse banco do governo federal.

Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras. benayon@terra.com.br

domingo, outubro 26, 2008

QUEM VENCEU EM SÃO PAULO FOI JOSÉ SERRA OU FOI O LULLA O GRANDE PERDEDOR?






Na verdade o Lulla perdeu feio, Martaxa Martox perdeu feio, José Serra também perdeu*, as empresas que vendem semáforos em finais de tunel perderam, quem comercializa palmeiras a preço de ouro perdeu e mais um sem número de petralhas, altamente desqualificados, também perderam uma boquinha na prefeitura.




E quem ganhou? Quem ganhou foi o Kassab que sabia (?) desde o começo que as pesquisas eram mentirosas e que os Institutos Pesquisas-cabeça-de-bacalhau começariam a tomar juízo apenas e tão sómene quando o resultado das urnas (que deveriam ser sepultadas) demonstrou a verdade.

Aquela paradinha nos computadores do TRE-SP quando o Kassab disparava e o Geraldo também crescia, me deixou encafifado.




(*)O José Serra perdeu porque ficou numa sinuca de bico: se concorrer à presidência, não tem quem apoiar para a sua sucessão dentro do PSDB (do Geraldo ele definitivamente não gosta), muito menos no DEM. O Serra vai ficar desempregado porque vai perder para a informática (o maior cabo eleitoral de Lulla).




De uma coisa eu tenho absoluta certeza: fico livre de ver a cara da Martox e da Virginia Vlasak com aquele barrigão todos os dias na TV e... Vamos trabalhar,




Toc, toc, toc bate na madeira, Martaxa outra vez nem de brincadeira...



quarta-feira, maio 21, 2008

Serra é o candidato do Lula

Serra é o candidato do Lula (*)

Embora já tenha levado uma estrondosa vaia em evento parecido ao de ontem (Em evento, Lula e Serra trocam afagos - Estadão aqui), o governador José Serra não desanimou e, daqui até 2010 (se o NoçuGhia não conseguir emplacar o 3º mandato), será o scort boy do presiMente, tôdas as vêzes que este vier a São Paulo para o lançamento de mais uma obra com finalidades eleitoreiras, é claro.

O governador Serra é dessas pessoas teimosas e rancorosas aos seus pares mas, quando se trata do NoçuGhia as coisas mudam. Quando Alckmin, teimosamente, lançou sua candidatura a prefeito (Dividido, PSDB lança Alckmin em São Paulo - Valor, aqui), o governador inventou uma viagenzinha providencial ao Piauí: o governador acertou em cheio. Como poderia estar ao lado de alguém que não respeita o presiMente? Ao lado do Lulla sim; dividindo palanque com Alckmin - o Ingrato - não.

O governador é dessas pessoas que vai até o fim quando quer algo. Serra quer passar a qualquer custo a PEC 12: não importando que milhares de pessoas morram antes de receber seus precatórios. Serra quer também ser presidente do Brasil - nem que seja honestamente - e para isso é preciso estar sempre ao lado do Lulla. Todavia, embora seja um homem vivido, Serra peca ao acreditar que lulla vai largar o osso logo para ele. Serra - e também o Aécio - acredita piamente na farsa das pesquisas-cabeça-de-bacalhau e na urna eletônica.

Caro governador José Homer Serra Simpson, já tens idade suficiente para não acreditar em Papai-Noel: acorda!. Faça o papel para o qual milhões de eleitores o elegeram: seja O-PO-SI-ÇÃO; mas aí acho que é querer demais.

"São exemplos de cooperação e de coordenação que nem têm necessariamente um faturamento político individual, mas quem ganha é a população. Na administração pública temos que trabalhar para todos e para todas, não para partido, não segundo a cor da camisa de cada político. Na eleição a gente disputa, tem rivalidade, choques, mas no governo a gente soma esforços, município, Estado e governo federal." - José Serra, ontem [19/05], em mais um evento eleitoreiro do presiMente.

Cooperação onde? Dos impostos que os idiotas Paulistas recolhem - como de resto todos os brasileiros - pouco volta à origem. O governo federal, esteja nas mãos do afagador de corruptos ou na de qualquer outro, não produz nada; apenas despesas inúteis. Governador: vai te catar, pô! Pelo menos dessa vez não levou vaias; mas deveria.
Imagem chupada do http://leokruel.wordpress.com/ (*) Candidato a Mico do século, é óbvio.

domingo, maio 11, 2008

MÃE

MÃE (Homenagear é fácil. Descer o pau é que são elas)

Algumas mães não poderão ser homenageadas nesta data e a culpa é sómente delas: as mães dos homens-bomba, que não deram uma bronca explosiva em seus filhos; as dos terroristas das FARC, que viram seus filhos virarem - e comercializarem - pó; e um sem número de outras mães que melhor fariam se tivessem evitado a gravidez.
As mães que já se foram dessa para pior - espero - são lembradas sempre; embora seus filhos não tenham sido bovinos, insistimos em chamá-las de Vacas:
-A mãe do Stálin, por exemplo, algum dia terá dito a esse escroto que matar um é pecado, matar milhares é horrível e milhões é execrável?
-A Senhora Célia Guevara, teria feito melhor se endurecesse um pau de macarrão na cabeça desse assassinozinho, sem perder a ternura, mas como a desgraçada apoiava esse estúpido, espero que ela também esteja queimando no inferno junto com o filho e aguardando a visita do Fidel.
Nesse dia das Mães, lembrei-me de homenagear as mães dos responsáveis pelo Incor (ou será Incor-petência?), chamando os seus filhinhos de "Filhos da P_ _ _a". Esses desgraçados fazem o check-up do Lula há uma década; sem que ele espere em filas ou preencha dezenas de fomulários. Enquanto isso, milhares de cidadãos aguardam meses por uma consulta nesse antro de vagabundos vestidos de branco, todos bem pagos com o nosso dinheiro..

Não posso me esquecer de (des)homenagear a Mãe dos presidentes do PSDB e do DEM que permitem, passivamente, que esse país se transforme numa imensa privada entupida.

É claro que a mãe do presidente do PMDB será lembrada por mim durante todo o dia: ela merece ser eternamente prestigiada pela merda que trouxe à luz. As mães do presidentes do PCdoB, do PSOL, PSTU e de outros esquerdopatas, nem precisa ser lembrada: comunistas não nascem...(é isso aí que você pensou mesmo).
Por falar em mãezonas, o Serra e o Kassab são as mães do grupo Folhas nessa semana. O Serra inaugurou o novo prédio do Instituto do Câncer e o Kassab inaugurou a ponte estaiada; as duas obras com o nome de Otavio Frias de Oliveira. Será que isso compra uma ascensão do Kassab ou do Serra nas pesquisas do data-folha? Duvido; a mãe do data-folha é o Lulla. Que o Serra: nem pense em mudar o nome do meu estado para Estado da Folha de São Paulo...
Enfim, são muitas as mães que devem ser (des)homenageadas hoje; a elas - que devem estar comemorando a data no infermo - meus sinceros cumprimentos.

Àquelas que pretendam ser mães um conselho: cuidem bem dos seus rebentos e jamais serão lembradas como as mães dos juízes de futebol.