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terça-feira, janeiro 22, 2013

O despontar do radicalismo islâmico.








por Herman Glanz


 Execução por apedrejamento, por islâmicos: A mulher é enterrada parcialmente, em alguns lugares. Depois é apedrejada até à morte. 

Estamos presenciando um avanço do islã radical na região do Mediterrâneo, especialmente no norte da África, em sequência da Primavera Árabe. É a retomada do projeto de implantação do Califado europeu, o Esplendor Al Andaluz. O que preocupa é que essa Primavera se estende pelo verão, outono e inverno, e se torna em violência local e com uma inclinação contra o Mundo Ocidental, europeu e americano.

No momento a atenção mundial se desloca para Mali e Argélia, que são países vizinhos, onde aconteceram dois sequestros de estrangeiros e locais trabalhando em instalações petrolíferas e de gás de cada país, e que terminaram numa carnificina, tanto de reféns como de terroristas, depois da reação das respectivas forças armadas. E em ambos os casos, grupos terroristas ligados à al-Queida foram os responsáveis pelos sequestros.

Apesar das declarações americanas de que a al-Queida estava fadada a desaparecer depois da morte de Osama Bin Laden, estamos verificando que a al-Queida continua operativa – os americanos não acabaram com esse conglomerado do terror. Preocupa observar a aliança dos grupos radicais islâmicos vizinhos com reivindicações contra o Ocidente. No sequestro da Argélia exigiam a libertação do Sheik egípcio Omar Abdelrahmane e da paquistanesa Aafia Seddequi (noticia aqui), presos nos Estados Unidos por apoio ao terrorismo.

Exigiam, também, a libertação de ‘militantes e combatentes’ islâmicos e reação à intervenção francesa no Mali, intervenção em apoio ao governo e contra a ação de terroristas islâmicos. Observa-se, assim, apoio desses terroristas aos interesses dos radicais islâmicos egípcios, pois grande parte dos terroristas é constituída de egípcios tanto da Irmandade Muçulmana como dos Salafistas, tendo ocorrido manifestação no Cairo, em frente da embaixada da França, pedindo a expulsão do embaixador francês, havendo confrontos com grupos contrários.

No Mali, além da empresa petrolífera argelina, operam a Statoil, russa e a British Petroleum, o que esclarece porque o Presidente Putim deu apoio aos franceses, mandando avião Antonov de auxílio no transporte de tropas e armamentos. O diário Asharq Al Awsat lamenta ter a comunidade internacional saudado a intervenção francesa para salvar o povo de Mali, mas não se manifesta em favor do povo da Síria, massacrado há praticamente dois anos pelo governo de Bashar Assad que, aliás, se mostra satisfeito pois esquecem dele enquanto se fala no Mali e na Argélia.

A França, sob o governo do socialista François Holande, declara ter ido à guerra no Mali porque “não podemos ter um estado terrorista na porta da Europa”, mas quando Israel lança uma operação em defesa de seus cidadãos contra ataques com mísseis dos terroristas de Gaza, toda a mídia francesa protesta contra a ‘agressão israelense’. Mas devemos ter presente que Paris fica a mais de 6.000 km de Bamako, capital do Mali, e a distância entre Israel e Gaza é de 1 km.

Observa-se também na mídia destaque para a campanha atual do Presidente americano em favor do desarmamento mas, por outro lado, manda caças F-16 e tanques Abrams para o Egito governado pela Irmandade Muçulmana, que apoia o terrorismo islâmico. Em razão desse fato já se observa na mídia comentários de que tudo indica tratar-se de ação do governo americano em favor dos movimentos islâmicos, procurando, dessa forma, sendo simpático aos islâmicos radicais, salvar a reputação americana pelo mundo afora.

Seria, assim, uma ação coordenada americana, o que pode justificar ter deixado Israel de lado, inclusive se imiscuindo nas eleições israelenses, com a pretensão de derrotar Netanyahu, para ter um governo israelí simpático aos americanos, mesmo sabendo que são os israelenses quem determinam seus próprios interesses, contra qualquer interferência estrangeira.

Fonte: Pletz

sábado, janeiro 19, 2013

Desarmando americanos, armando terroristas.






por Daniel Greenfield


Traduzido por Eliseu P. L. J. 
do artigo da FrontPageMag:Disarming Americans, Arming Terrorists










Enquanto a Casa Branca estava ocupada na elaboração de propostas para proibir rifles de assalto, a última das regulamentações impostas às viagens sauditas para os Estados Unidos após o 11 de setembro estava sendo desmontada. Enquanto alguns oficiais do governo americano estavam ocupados com seus planos para desarmar americanos, outros oficiais estavam negociando a transferência de F-16s e tanques Abrams para o Egito governado pela Irmandade Muçulmana.


Obama não está disposto a confiar em americanos com uma AR-15, mas está disposto a confiar em um grupo terrorista genocida com tanques Abrams e caças F-16. O canhão M61 Vulcan do F-16 pode disparar 6.000 tiros por minuto e a ogiva de 146 lb (aproximadamente 66,2 kg) de seus mísseis HARM podem fazer muito mais do que colocar algumas cavidades em uma parede de tijolos. O canhão de 120 mm do Abrams pode penetrar 26 cm de couraças de aço, tornando-o muito mais formidável do que até mesmo as mais loucas fantasias dos liberais de São Francisco sobre as capacidades do assim chamado "rifle de assalto".
  
Logotipo da Irmandade Muçulmana

Enquanto Obama não tem se disposto a respeitar a Constituição dos Estados Unidos e sua Declaração de Direitos, ele tem estado disposto a armar um grupo terrorista cujo lema é: "O Alcorão é nossa constituição, o Profeta Maomé é nosso líder, Guerra Santa é o nosso caminho e morte em nome de Alá é nosso objetivo". Se um estudante de Escola Secundária escrevesse isso em sua página no Facebook, ele seria preso pela polícia dentro de uma hora, mas uma organização internacional e um governo nacional que comercializa tal retórica recebe poder de fogo devastador do governo americano… de graça.
Logotipo do Hezbollah

Além de dar ao governo do Líbano governado pelo grupo terrorista Hezbollah 200 veículos blindados M113, Obama deliberadamente fez vista grossa enquanto a Al Qaeda e outros grupos rebeldes islâmicos na Líbia recebiam embarques de armas do Catar. Essas armas incluem poder de fogo muito maior do que qualquer coisa que você possa comprar no Wal-Mart e mais tarde foram parar em Mali e na Síria. Mais armas foram parar nas mãos de terroristas do Hamas em Gaza. Se alguma dessas armas foram usadas no assalto à missão diplomática em Benghazi é desconhecido, mas perfeitamente possível.

Enquanto os atacantes da Al-Qaeda em Benghazi estavam fortemente armados, com a cumplicidade do governo de Obama, os americanos foram obrigados a respeitar as leis de controle de armas da Líbia, porque, enquanto Obama estava disposto a bombardear um país e ajudar a armar seus terroristas, ele não estava tão disposto a permitir que os agentes de segurança da embaixada desprezassem a lei de armas de fogo em uma cidade governada por milícias terroristas. Ao invés disso, a milícia terrorista da Irmandade Muçulmana foi contratada para fornecer segurança para a missão de Benghazi… com resultados trágicos.

Tem havido uma grande quantidade de choro sobre o leite derramado ao falar da irresponsabilidade de Nancy Lanza em manter armas por toda a casa, mas e a irresponsabilidade de Obama ao enviar armas para traficantes mexicanos (operação Fast and Furious) e jatos e tanques para terroristas muçulmanos?

Com base em seu histórico, Obama acredita que é seguro enviar armas a traficantes mexicanos, ao Hezbollah e aos terroristas da Al-Qaeda, para não mencionar a Irmandade Muçulmana, mas que é muito perigoso para um americano possuir um cartucho de munição que pode conter mais de 10 rodadas.
E isso significa que Obama não tem em alta conta o caráter moral dos americanos, mas tem em alta conta os terroristas muçulmanos.

Esse dois pesos e duas medidas é o tema principal do atual governo americano. Um punhado de tiros em um massacre é o suficiente para privar todos os americanos de seus direitos constitucionais, mas o pior ato de assassinato em massa dos americanos não é o suficiente para privar estudantes sauditas muçulmanos que procuram uma boa escola de voo de seus vistos.

Mesmo enquanto Obama e Biden estão forçando mais checagens de antecedentes para os proprietários de armas, os estudantes sauditas serão submetidos a menos checagens de antecedentes. Em "A Audácia da Esperança", Obama prometeu ficar com os muçulmanos se os ventos políticos mudassem para uma direção horrível. Mas quando os ventos políticos mudam para uma direção horrível para os proprietários de armas, então Obama pode ser encontrado soprando no ventilador.

Nos EUA de Obama, apenas algumas pessoas podem esperar a proteção da Declaração de Direitos. E, em uma crise, há direitos civis de algumas pessoas que nós violamos e os direitos de algumas pessoas que nós não violamos.

Não há nada na Declaração de Direitos que diz que você não pode fichar viajantes muçulmanos em aeroportos. Para usar o mesmo argumento que os controladores de armas, aeroportos e aviões nem sequer existiam na época dos Pais Fundadores, portanto não poderiam ter previsto a sua existência ou aplicado qualquer limitação a qualquer violação dos direitos civis que podem ocorrer dentro deles.

O assassinato de 3.000 pessoas não tornou aceitável de forma alguma discriminar especialmente um muçulmano, apesar das leis da lógica, de probabilidade, e senso comum. Isso seria um exagero. Isso significaria punir um grande número de pessoas, o que seria inaceitável, não importa quantas vidas pudesse salvar. Mas privar milhões de americanos da proteção da Segunda Emenda após vários tiroteios realizados por adolescentes com doença mental é, por algum motivo, uma reação não exagerada.

Não é aceitável discriminar um número relativamente pequeno de muçulmanos nos Estados Unidos para salvar as vidas de milhares de pessoas, mas é imperativo que nós, discriminemos dezenas de milhões de americanos para salvar um número menor de pessoas. A lógica de segurança pública disso não se sustenta de acordo com os números, a ética ou a lei.

O negociante de armas da Irmandade Muçulmana na Casa Branca está operando sob flagrante caso de dois pesos e duas medidas. Ou um ato de assassinato em massa é uma razão válida para privar as pessoas de seus direitos civis, ou não é. Ou armas perigosas devem ser mantidas fora do alcance de pessoas potencialmente perigosas, ou não deveriam. Mas o que ele não pode fazer é o que ele está tentando fazer, que é ter as duas coisas, a concessão de privilégios especiais para muçulmanos do exterior e em casa, privando os americanos de seus direitos civis básicos.

Se o presidente Mohammed Morsi, que há apenas dois anos descreveu os EUA como um inimigo, e que, desde então, tem torturado e assassinado o seu único povo pode ser confiado com tanques Abrams e F-16s, então certamente o americano proprietário de arma pode ser confiado com uma AR-15 e um cartucho de munição que detém mais de 10 rodadas.


Fonte: Julio Severo

sexta-feira, setembro 28, 2012






por Deborah Srour – 



No segundo capítulo da novela da semana passada, o promotor geral do Egito emitiu mandatos de prisão contra oito cidadãos americanos na terça-feira. Seus crimes seriam relacionados com a produção do trailer crítico de Maomé, usado como desculpa para todas as manifestações que vimos ao redor do mundo.

Um desses americanos indiciados é uma mulher que se converteu do islamismo ao cristianismo. De acordo com a Associated Press as acusações seriam: insultar e publicamente atacar o islamismo, espalhar informações falsas e ferir a união nacional do Egito. De acordo com a declaração do promotor-chefe egípcio, se condenados, os oito podem pegar a pena de morte. Um advogado egípcio entrevistado pela Associated Press disse que isso iria desencorajar qualquer um que queira expressar sua liberdade de expressão sobre o islamismo.

O desejo de intimidar as pessoas livres a se calarem sobre esta religião é um dos objetivos declarados da irmandade muçulmana. Três dias após os ataques à embaixada americana na Líbia, o chefe espiritual do grupo, Yussuf Qaradawi fez um discurso na televisão egípcia. Apesar de usar um tom aparentemente moderado, ele conclamou sua audiência a fazer de tudo para que a América criminalizasse os direitos de expressão ou críticas dos seus cidadãos ao islamismo – assim como fizeram seus camaradas europeus nos últimos anos quando confrontados com intimidação e terrorismo islâmico.

Senhores leitores, esta é uma guerra real que está sendo travada pelo mundo. Mas esta é pior do que todas porque o inferno do radicalismo islâmico não está limitado a um país ou região. Depois de expulsar os judeus com a criação do Estado de Israel, cristãos que moram em países muçulmanos não podem ir à Igreja, são humilhados, cargos oficiais e em grandes empresas lhe são proibidos, além de muitos serem convertidos à força.

Um embaixador americano é morto na Líbia no 11 de setembro e a resposta da administração americana é um ataque frontal à um dos pilares da Constituição dos Estados Unidos: a liberdade de expressão. Eu quero repetir o que disse na semana passada: estas manifestações não são sobre este filmeco. O ataque ao embaixador foi um ato intencional por muçulmanos radicais que procuram impor suas crenças ao resto do mundo. Não foi coincidência que também na semana do 11 de setembro os iranianos tenham aumentado o preço pela cabeça de Salman Rushdie (lembram dele?) por ter escrito os Versos Satânicos criticando o Corão, em 1989. Agora o prêmio para quem matá-lo subiu para $3.3 milhões de dólares.

E ao mesmo tempo em que os muçulmanos exigem respeito à sua religião e profeta, eles o negam às religiões alheias. A destruição dos Budhas em Bamyan em 2001, a regular conversão de igrejas e sinagogas em mesquitas, os discursos semanais chamando os judeus e cristãos de porcos e macacos, atestam à um duplo standard que os muçulmanos querem impor.

Nossa mensagem deve ser que isso não será tolerado!

Mas quero ir um pouco mais longe. Todos estes eventos são consequência direta da política de apaziguamento e desculpas impostas por Obama, este “gênio” de política externa apoiado cegamente pela mídia. Todas estas manifestações expuseram a falácia desta política e agora a mídia está fazendo de tudo para que Obama não leve a culpa.

Não é preciso voltar muito no tempo. Há quatro anos atrás, Obama decidiu dar sua primeira entrevista depois de eleito presidente dos Estados Unidos, ao canal de televisão Al Arabiya. Durante esta entrevista ele prometeu trazer a paz ao Oriente Médio. Aí ele fez sua primeira viagem ao exterior para o Cairo gelando Mubarak, aliado de longa data, e convidando representantes da Irmandade Muçulmana, na época banida pelo governo por suas atividades violentas.

Se qualquer um se der ao trabalho de ler qual é a missão declarada da Irmandade, entenderá porque ela foi banida por Mubarak. Seu motto é “Allah é nosso objetivo. O profeta é o nosso líder. O Corão é nossa lei. O Jihad é o nosso caminho. Morrer por Allah é nossa maior esperança.” Recentemente, o presidente eleito do Egito e membro da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi, declarou que “Jerusalem será nossa capital”.

Um outro fator muito importante para compreender a política de apaziguamento desta administração é o seu relacionamento com uma organização que muitos provavelmente nem ouviram falar. A OIC – Organização de Cooperação Islâmica. Esta organização é a segunda maior do mundo depois da ONU. Eles dizem representar todos os muçulmanos do mundo, mesmo os que vivem em países não muçulmanos como os Estados Unidos. Em 2005 eles publicaram seu plano de ação para os próximos 10 anos para impôr no mundo inteiro um código de expressão baseado na Sharia.

Ouçam o que eles dizem e entenderão bem o que ocorreu na semana passada.

Seu objetivo é criminalizar internacionalmente toda comunicação ou qualquer expressão que na sua opinião seja ofensiva ao islamismo, mesmo em países como os Estados Unidos. Ninguém, não muçulmanos, não não-muçulmanos, não americanos, não brasileiros têm permissão para falar, escrever ou de qualquer modo comunicar algo que na opinião deles é ofensivo à eles ou à sua religião. Eles têm como objetivo forçar o Ocidente livre a dizer adeus à liberdade de expressão, liberdade de religião e este é o aviso que recebemos hoje.

Muitos podem pensar que isso nunca irá acontecer nos Estados Unidos, mas estão errados. O presidente Obama com a ajuda de Hilary Clinton, fizeram aprovar na ONU a Resolução 1618 que exige que países membros aprovem leis contra referências derrogatórias ao islamismo. Pior que isso, há um ano atrás, organizações islâmicas escreveram à Casa Branca pedindo para que todo o material usado por agências federais como o exército, FBI e CIA, fosse “limpo” de toda referência ao islamismo e que o pessoal fosse retreinado dentro de uma filosofia politicamente correta do islamismo.

Quando membros do Congresso americano perguntaram quem estava liderando esta “limpeza” e “retreinamento”, o Governo Obama disse que a informação era secreta e que os senadores e deputados não teriam acesso à ela. Se isto for verdade, senhores e senhoras, estamos muito atrás neste jogo. Estamos perdendo rapidamente nosso sentido de liberdade e prejudicando nossa capacidade de identificar o inimigo real. Em vez de aceitar a verdade básica e defender o nosso modo livre de vida, Obama justifica o colapso de sua política externa retirando dos americanos seu inalienável direito à livre expressão.

Nesta semana a Assembléia Geral das Nações Unidas entra em Sessão. Mais uma oportunidade para Ahmadinejad jogar seu veneno e Abbas tentar o reconhecimento do Estado Palestino. Obama diz estar com sua agenda cheia. De acordo com a senadora Bachman, ele tem uma entrevista com David Letterman, um encontro com Beyonce e outro com o cantor de Rap Jay-Z. Dá para entender porque ele não tem tempo de se encontrar com Netanyahu.

Obama precisa rearranjar suas prioridades. Há uma grande diferença entre apaziguar alguém que foi ferido por suas ações e apaziguar aqueles que querem sua destruição. Para apaziguar aqueles que odeiam seu modo de vida você precisa mudar seu modo de vida. Se o ocidente quer apaziguar o mundo muçulmano, deve decidir deixar de ser livre. E no século 21, depois de tudo o que alcançamos, acho que não é este o legado que queremos deixar aos nossos filhos.


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Filme anti-islã é usado por radicais em seu jogo político

Para TARIQ RAMADAN, conservadores tentam se impor como guardiões da religião no pós-primavera árabe e pressionar os moderados

MARCELO NINIO
DE JERUSALÉM


Os protestos que varreram o mundo islâmico nos últimos dias foram alimentados por grupos radicais que emergiram da clandestinidade depois do terremoto político causado pelas revoltas da Primavera Árabe.

A análise é do suíço Tariq Ramadan, 50, um dos principais pensadores do islã no Ocidente. Para ele, os protestos evidenciam a disputa pelo papel primordial de guardiões da religião e colocam pressão sobre os islamitas moderados que chegaram ao poder no Egito e na Tunísia.

"É uma contradição extremamente delicada: como se relacionar com o Ocidente de forma crítica e manter a credibilidade religiosa diante de sua população", diz ele.

Mas Ramadan não poupa críticas à política dos EUA para a região, à qual atribui parte do sentimento antiamericano. Uma das maiores contradições, afirma, é que os EUA mantenham como aliadas as "petromonarquias" do golfo Pérsico, que são as principais fontes financeiras e ideológicas dos salafistas.

Leia trechos da entrevista concedida à Folha por telefone, de Paris.


Folha - Por que um filme que poucos viram é capaz de incendiar o mundo islâmico?

Tariq Ramadan - Não é uma surpresa, se lembrarmos da controvérsia das caricaturas [do profeta Maomé] na Dinamarca, em 2005. O problema é que hoje nos países de maioria muçulmana há correntes que usam essa controvérsia com o objetivo de se apresentar como a única e exclusiva corrente islâmica.

Militantes salafistas (islamitas ultraconservadores) empurraram nesse rumo no início dos protestos, no Egito. Depois eles se alastraram para outros países, onde as pessoas nem viram o filme, mas tiveram reação emocional ao desrespeito ao profeta.

Líderes e intelectuais islâmicos têm a responsabilidade de deixar claro que violência não é aceitável e que o islã nos ensina a ser sábios em nossas reações.

Quem são os salafistas? Há coordenação entre eles?

É uma questão importante, porque as revoltas no mundo árabe deflagraram uma disputa entre islamitas na Líbia, na Tunísia e no Egito.

Os salafistas estão tentando competir pela credibilidade religiosa nas sociedades. Há 15 anos, eles rejeitavam o jogo político, dizendo que a democracia não é islâmica.

Mas algo mudou. Tendemos a esquecer, mas isso começou no Afeganistão, quando o Taleban, que estava distante da política, foi usado contra a Rússia pela Arábia Saudita, com o apoio dos EUA. Em oito meses, tornaram-se uma força política.

No Egito, em seis meses vimos grupos que consideram a democracia anti-islâmica criando partidos e ganhando 24% do Parlamento.

Está claro que, embora não seja um só grupo, há conexões. A Rand Corporation publicou um relatório há três meses dizendo que, um pouco antes da eleição no Egito, organizações do Qatar e da Arábia Saudita colocaram US$ 18 milhões (R$ 36 milhões) em grupos salafistas.

Na Tunísia, também houve apoio semelhante. Portanto, esses grupos estão recebendo um empurrão. Supõe-se que todos sejam islamitas e trabalhem juntos com a Irmandade Muçulmana, mas na verdade ocorre o oposto.

O objetivo é criar divisões na tradição islâmica sunita. O mundo islâmico vive uma competição por espaço.

Há um terceiro fator: nesta semana, participei de uma discussão com Paul Wolfowitz [ex-subsecretário de Defesa dos EUA], que tentava explicar que os EUA cometeram um erro ao deixar o Qatar se envolver nas medidas de segurança da Líbia.

Eu respondi que é estranho os EUA dizerem que o Qatar é o aliado errado. Os EUA são aliados das petromonarquias do golfo Pérsico, de onde os salafistas recebem recursos financeiros e ideológicos. É um jogo bastante complexo, que vai muito além de saber se você está com os salafistas ou com o Ocidente. E varia de um país para outro.

Qual o interesse dos EUA em ter aliados que apoiam radicais antiamericanos?

É uma contradição não resolvida e muitas vezes usada pelos EUA. À primeira vista, qualquer tipo de desestabilização nos países muçulmanos é contra os interesses americanos. Mas também justifica sua presença na região, o que significa controle.

Devemos ter uma compreensão mais profunda do que está acontecendo. A instabilidade nesses países não joga só contra os interesses americanos, mas também a favor.

Como os EUA devem lidar com as petromonarquias?

Nada justifica violência e assassinatos, é anti-islâmico. Mas o governo e a sociedade americanas têm que entender que a percepção geral no Oriente Médio é que os EUA só se importam com os seus próprios interesses. Ontem estavam apoiando ditadores e hoje apoiam democracias, mas só para garantir espaço.

A percepção é que os americanos não se importam com o derramamento de sangue nem com a dignidade dos árabes. Adicione-se a isso o apoio unilateral a Israel e a discriminação contra os palestinos. O que esperamos do governo americano é coerência: se falam de democracia, que apoiem todos os democratas, e não só quando lhes for conveniente.

Obama parecia ter ficado do lado certo da história quando apoiou as revoltas árabes, ainda que com atraso. Isso não melhorou a imagem dos EUA?

Há um grande desapontamento com Barack Obama na região. O que ele fez diferente de George W. Bush? Nada. Há seis anos Bush disse que queria democracia no mundo árabe. São só palavras. O que queremos é mais ação.

Mostre-me o que mudou para os palestinos com Obama na Casa Branca: nada. O que mudou para as pessoas que estão em Guantánamo?

Além desses motivos, o sr. concorda que há um sentimento anti-Ocidente enraizado na cultura islâmica?

É verdade, e esse talvez seja o principal motivo da hostilidade. O mundo árabe e os países do sul cultivam um sentimento antiamericano que é composto por grande dose de vitimização.

É claro que há uma tendência no mundo árabe de culpar o Ocidente por tudo e ver os EUA como o demônio. Mas o fato é que a maioria tem percepção negativa. Por isso os EUA têm que fazer um esforço maior para explicar o Ocidente nos países islâmicos.

Governos islamitas moderados, como Egito e Tunísia, terão de escolher entre os papéis de guardiões da democracia ou defensores do islã?

Sim. Estão diante de uma contradição delicada: como se relacionar com o Ocidente de forma crítica e ao mesmo tempo aberta e manter a credibilidade religiosa diante de sua população. É uma situação traiçoeira e um dos desafios do processo democrático.

Os islamitas moderados têm força suficiente para manter esse equilíbrio?

Devem ter o cuidado de não cair na tentação populista de querer ser mais islâmicos que os outros. É preciso propagar a mensagem de que a referência islâmica é manter-se crítico sem ser violento. Não se pode cair na armadilha da divisão entre facções.

No Egito e na Tunísia, a Irmandade Muçulmana diz ter como meta um "Estado civil com referência islâmica". Essa definição não aumenta o espaço para disputas?

Sim, isso precisa ser esclarecido. Essa referência é diferente para moderados e reformistas. Pode ser que algo emerja da experiência política, como na Turquia ou na Malásia. É possível ser democrático com valores islâmicos, como na Turquia.

Mas alguns princípios são inegociáveis, como separação de Poderes, igualdade entre os cidadãos e distinção entre o poder político e o religioso. Ainda é cedo para saber se isso será alcançado.

A emergência de grupos radicais pode desviar a Primavera Árabe para o modelo de islã ultraconservador?

É preciso pôr as coisas em perspectiva e lembrar que milhões se manifestaram de forma pacífica para pedir justiça e democracia, e agora há uma minúscula minoria revoltada contra o que é percebido como insulto ao islã.

Claro, qualquer coisa pode acontecer. Por exemplo, se Israel decidir atacar o Irã, ninguém pode prever qual será a consequência. Mas eu ainda acho que o movimento popular por democracia é mais profundo e amplo do que reações emocionais causadas por um filme. Líderes e intelectuais muçulmanos precisam levantar a voz contra a violência cometida em nome da religião.












sábado, setembro 22, 2012

Pretexto Fundamental.








por Jose Roitberg (*) 




Para entender o levante salafista islâmico atual contra os Estados Unidos em diversos países árabes é preciso compreender e rever alguns fatos. O primeiro deles é que NÃO é um levante atual, mas parte da Guerra ao Terror iniciada em 11 de setembro de 2001, pelo Terror.

Por quase dois dias, foi gerado um cenário antissemita difícil de desfazer quando o diretor verdadeiro do filme “Inocência do Islã”, Nakoula Basseley Nakoula, 55 anos, cristão copta (ramo cristão egípcio que já foi violentamente atacado pela Irmandade Muçulmana hoje no poder), se declarou “judeu-israelense” com o pseudônimo de Sam Bacile ou Nicola Bacily ou Erwin Salameh E OUTROS, conforme informação do Tribunal Federal da Califórnia. Portanto, o cristão copta é um estelionatário conhecido das autoridades norte-americanas. O auto-proclamado porta-voz do filme é Steven Klein, apresentado como consultor. Ele pretendeu a notoriedade e fama defendendo o bacilo…


A mídia brasileira, vivendo de notas de agências internacionais ainda não sabe exatamente quem é este Klein. Mas uma pesquisa de 2 minutos pelo Google revela tudo.

De cara, qualquer um diria e os muçulmanos e a esquerda estão dizendo: “Olha só como tem judeus envolvidos na blasfêmia”, até porque há uma CERTEZA incutida pelos governos árabes e muçulmanos, e pela propaganda de esquerda internacional, ao longo de mais de 60 anos de propaganda antissemita covarde de que os “Judeus Controlam Hollywood”, logo, um filme contra o islã tem que ser “judeu”. Ainda mais quando um “Klein” declara de forma SAFADA que o filme foi financiado por 500 judeus!!! Isso circulou o mundo rapidamente e NENHUMA mídia irá desmentir. Está amplamente divulgado nas mídias brasileiras. Pelo contrário, as mídias dos governos de esquerda e muçulmanos vão INCENTIVAR esta compreensão.

O nome verdadeiro do segundo crápula antissemita é Steven Anthony Klein. Não é judeu. Com 61 anos ele viveu no Texas e em Utah. Steven Anthony Klein foi fundador, secretário e ensaísta de um grupo chamado “Courageous Christians United” (Cristãos Corajosos Unidos), ativo desde 2007, cuja retórica é atacar os muçulmanos e os mórmons (vertente do candidato republicano Mit Romey). Este Klein também fundou outro grupo, chamado “Concerned Christians for the First Amendment” Cristãos Preocupados com o Primeiro Artigo (da Constituição Americana, a liberdade de expressão, liberdade religiosa), cujo foco é anti-islâmico. O CAIR (que é a entidade de representação política dos muçulmanos americanos) já havia entrado com queixas contra dos grupos de Klein pela distribuição de folhetos contra os muçulmanos nas ruas da Califórnia.

Um pequeno jornal da costa oeste americana escreveu sobre Steven Anthony Klein: ele é um ex-fuzileiro naval que acredita que a Califórnia está cheia de célula muçulmanas que estão esperando a ordem para começar a matar aleatoriamente quantos americanos puderem, “eu sei disso e estou me preparando para responder aos tiros.”

Em 2004 Steven Anthony Klein criou uma empresa chamada Middle East Experts Team (Equipe de Especialistas em Oriente Médio) e, aparentemente através dela, se autoproclamou o conselheiro técnico do filme de Nakoula Basseley Nakoula, o que provavelmente é verdadeiro.

Estamos diante de um ataque de radicais cristãos contra o islã. Mas o islã não é o judaísmo. Ontem circulou um cartum que mostrava um árabe pichando um judeu ortodoxo estereotipado cheio de sangue e demoníaco e uma criança pichando um Maomé bonitinho. O árabe gritava: “Você não sabe que isso é ofensivo?” Essa é a verdade neste caso. O judeu endemoniado fere a sensibilidade de poucos judeus, como a minha, por exemplo. A massa judaica não se importa. A massa judaica recebe este tipo de agressão há tantos séculos, não anos, mas séculos, que simplesmente não se importa. O Estado de Israel não se importa, considera liberdade de expressão.

E não nos importamos por quê? Porque como minoria imprensada nos guetos, sujeita a todo o tipo de leis discriminatórias e sem fazer parte dos exércitos, os judeus aprenderam a se calar para tentar sobreviver. Hoje a realidade é outra, mas o “cale-se” é tão arraigado que permanece. Os judeus que gritam são taxados de idiotas.

Qualquer livro de memórias sobre os judeus da Polônia, quando a comunidade era de 3,5 milhões, um terço da população do país traz: “… se um goy xingar você, roubar você, bater em você, não reaja… se reagir ele irá matá-lo… melhor ficar vivo para ser roubado novamente…” Isso quando éramos 1/3 do povo. Como minorias muito pequenas, nossa voz pouco importa.

Mas os muçulmanos são maioria e uma maioria enorme. Não lhes faltam nem armas descontroladas a nem apoio de aparelhos completos de Estado com exércitos complexos, forças aéreas, marinhas, forças especiais, serviços secretos, mísseis, armas nucleares, reatores nucleares, mídia controlada, sucessões controlada e petróleo. Sendo uma maioria destas eles podem fazer o que bem entenderem e o mundo vai continuar a se curvar, com poucas alternativas. Um cartum que demoniza um “judeu genérico” é uma coisa. Um filme que mostra Maomé desnudo fazendo sexo com um monte de mulheres é outra coisa.

O islã não está preocupado com a demonstração do caráter sanguinário de seu profeta contra os infiéis. Até aplaude isso. Mas numa teologia que não permite mostrar rostos, sequer mãos ou pés do profeta e seus seguidores originais (teologia sunita, pois na xiita mostram) as cenas de seios, coxas, peitos e sexo são um OFENSA CAPITAL, e a pena será de morte.

O ocidente tenta cobrir e compreender estes fatos com uma mentalidade ocidental, mas o problema é árabe muçulmano. A mentalidade é outra. O sistema de referências é outro. São condições normais de temperatura e pressão alienígenas às nossas. Nos países sem liberdade de expressão a liberdade de expressão é passível de pena de morte sumária sim. E se não se pode matar quem fez, que se mande um recado.

E aí é que precisamos entender que os ataques iniciados no dia 11, por salafistas (ideologia radical muçulmana criada na Arábia Saudita e apoiada pelo Estado) não tem a ver com o filme. O filme é um pretexto. O trailer de 14 minutos foi colocado no YouTube no dia 2 de julho. A legendagem em árabe chegou em meados de agosto e o ataque foi em 11 de setembro. Não há conexão. A Google removeu ontem o vídeo legendado em árabe.

Neste caso a Google deveria remover a versão em inglês também, pois a morte dos diplomatas americanos está se tronando lucro para Nakoula e Anthony. Há menos de 15 horas, o vídeo tinha sido visto por pouco mais de 250.000 pessoas. Hoje, com o caso estourado, já passou de 1.330.000 views. A mensagem do filme está sendo difundida de uma forma muito maior do que poderia ter sido. Segundo o diretor o filme foi passado na íntegra apenas uma vez e havia “um punhado de pessoas no cinema.”

Salafistas são a Irmandade Muçulmana e a Al Qaeda. Qualquer ataque terrorista tem como característica o momento político local, a oportunidade, a surpresa e a cobertura. Neste caso, a cobertura é o filme, o momento político é o do poder nas mãos dos Salafistas e um mundo árabe sendo varrido por essa agenda. A surpresa é o ataque de uma forma inteligente que não pode ser retaliado, em princípio. Não há grupo específico atacando. Há grandes grupos populares atacando embaixadas americanas, com pouca ou nenhuma reação das polícias locais. A Al Qaeda criou uma forma inteligente de marcar seu território, pois parece que ninguém está impressionado com as centenas de mortes promovidas pela Al Qaeda no Iraque ao longo de agosto e neste início de setembro. É preciso que eles matem americanos para dar o recado. Deram.

Resta ainda um ponto. É prerrogativa dos regimes árabes e muçulmanos a produção de filmes e séries de TV ofensivas. Eles PODEM publicar Shatat, Zara Blue Eyes, Horseman Whitout a Horse, e todos os outros filmes com enredo baseado no Protocolos dos Sábios de Sião que quiserem. Podem vilanizar e demonizar os judeus à vontade. Podem exibi-los nas noites do Ramadã para incitar centenas de milhões de pessoas no ódio aos judeus, ano após ano. Eles podem fazer isso por serem amparados por seus governos, parlamentos, clérigos, milionários e população.

Nós não podemos. Não somos amparados por nada ou por ninguém. Os judeus que se insurgem contra esse massacre promovido pela mídia islâmica são apenas judeus idiotas.

(*)José Roitberg – jornalista idiota

Obs: “idiota” é um sujeito com pouca inteligência. A pouca inteligência no caso é atribuída pela massa imbecil, aos que não se comportam como ela.

terça-feira, setembro 04, 2012

O novo enfoque atual.




por Herman Glanz

O enfoque sobre a política global, (não mais mundial), deve ser atualizado. De um lado, temos o Irã, que não deixa de dizer a que veio, declarando explicitamente ter interesse em destruir o Estado de Israel e, evidentemente, os judeus. Caso se tratasse exclusivamente do Estado de Israel não teria promovido ataques a alvos judaicos mundo afora, como foi o caso da AMIA, em Buenos Aires.

E o governo iraniano não tem nenhum pudor, como fez diplomata do Irã no Brasil, publicando artigo no jornal “Folha de São Paulo”, em 20 de agosto passado, demonstrando a intenção de seu país eliminar Israel, e que mereceu repúdio na imprensa local. Mas, ao lado de outras ações para sobressair no meio árabe e muçulmano, e no mundo, com a construção da bomba nuclear, o Irã fomenta o Hizbollah, no Líbano e mais ainda, no Sinai, para se introduzir na Faixa de Gaza e cercar Israel também pelo sul.

Lançados de Gaza, dois mísseis feriram dois israelenses hoje mesmo. Portanto, o Irã está na fronteira de Israel por meio de seus representantes. Segundo o diário libanês Al-Joumhouria, o Hizbollah colocou 10.000 homens de sua tropa de elite em manobras no Líbano, para se preparar para uma guerra contra Israel, que será decidida pelo Irã. O jornal kuaitiano Al-Seyassah informa que o Hizbollah está implicado nos atos de terror no Sinai. A célula do Hizbollah no Sinai, sob o comando de Zial Al-Kachache, mandado por Talal Hamieh, responsável pelas operações no exterior do Hizbollah, tem duas finalidades: perturbar as relações de Israel com o Egito e fincar um pé em Gaza.

Todavia, entre as preocupações do mundo ocidental, capitaneado pelos Estados Unidos, com vistas à segurança global, estão os problemas com a Rússia e a China, que estão se armando e colocando seus esquemas de combate em situações estratégicas, para atrair os Estados Unidos, em caso de guerra, para posições mais próximas das próprias bases russas e chinesas. Tais preocupações incluem ainda Israel na disputa, para ganhar a hegemonia do poder global. A Rússia ajuda o Irã e a Síria, e a China vende armas para a Síria e Irã, também disputa ilhas com o Japão, numa escalada que provoca instabilidade mundial; entretanto a situação de Israel com os palestinos é apresentada como desestabilizadora da paz.

Desde o início sabia-se no Ocidente que os árabes muçulmanos se mostravam contra o reconstruído Estado de Israel. Já o provaram em 1948 quando atacaram o recém reconstruído Israeç. Depois os árabes buscaram o apoio da então União Soviética para seu pan-arabismo e posições antiocidentais. Nesta semana lembramos dos três “nãos” da Liga Árabe de 1º de setembro de 1967 – não à paz, não reconhecimento e não negociações com Israel. As coisas começaram a mudar com a paz firmada por Israel com o Egito, e, a seguir, começaram as intifadas do finado Arafat, até os Acordos de Oslo, que acabaram conduzindo à apresentação d os palestinos como “coitadinhos” maltratados por Israel.

Não importa que os fatos tenham sido falseados e a história deturpada, mas Israel ficou sendo o problema, devendo sempre ceder às exigências palestinas e ao mundo árabe. Israel é que provoca os atentados terroristas árabes pelo tratamento cruel dispensado aos palestinos, assim se destaca na mídia. É dessa forma que se apresenta a postulação do reconhecimento unilateral pela ONU de um Estado Palestino, contra a situação já existente do reconhecimento de Israel pela Carta das Nações Unidas; é substituir um pelo outro, que muitos não percebem.

A “Primavera Árabe” veio mudar a situação, com a passagem do Egito para o poder da Irmandade Muçulmana. O Sinai não é mais uma zona tampão do Tratado de Paz do Egito, se seus dirigentes já se falam em mudar o Tratado com Israel. Diz-se que se irá tomar Jerusalém, dispondo de milhares de mártires para marcharem àquela cidade. Segundo a mídia, o Presidente do Egito, na sua viagem ao Irã, para a Cúpula dos Não Alinhados, passará pela China para comprar armas nucleares. As eleições americanas trabalham a favor do Irã, que poderá detonar uma bomba ainda antes das eleições, se Israel não se adiantar.

É um dilema difícil, mas as opções devem ser estudadas, porque os fatos mudam rapidamente e é preciso ficar alerta diante do novo enfoque.

Fonte: Pletz.

terça-feira, julho 03, 2012

O antisemitismo Islâmico e a Mídia.



por Deborah Srour



Agora já sabemos: a Irmandade Muçulmana é senhora do Egito. A grande questão é como o novo presidente Mohamed Morsi poderá resolver o paradoxo que o acordo de paz com Israel representa para a ideologia deste grupo islâmico radical.

Uma das promessas de campanha que o elegeu foi de cancelar ou no mínimo, re-examinar o tratado de paz com Israel. A Irmandade Muçulmana tem como objetivo maior a restauração do Califado Islamico que eles chamam de Estados Unidos dos Árabes com capital em Jerusalem. Em seus discursos Morsi nunca deixou de repetir o mantra do grupo: “o Korão é a Constituição, o Jihad é o caminho e a morte por Allah sua maior aspiração”. No entanto, em inglês, a estória é outra. Em Dezembro de 2011, ele afirmou ao senador americano John Kerry que o Egito tinha a obrigação de honrar os acordos assinados.

Então o que fica: a revisão ou o cumprimento do tratado de paz com Israel? Numa entrevista há um mês atrás, ele explicou a discrepância: Para que o Egito continue a respeitar o acordo, Israel por seu lado, teria que respeitar “todos” seus acordos. Para Israel há 2 acordos: o de paz com o Egito e o acordo com os palestinos. Como para Morsi Israel não tem mantido suas obrigações para com os palestinos, então o Egito não precisaria manter o seu acordo de paz com Israel.

Mas isto é uma besteira. O próprio tratado de paz estabelece no seu Artigo VI(2) que “as partes se obrigam a cumprir suas obrigações em boa-fé independentemente de qualquer ação ou omissão de qualquer outra parte ou de qualquer instrumento estranho à este Acordo.” Mas a comunidade internacional obviamente não sabe destes detalhes. Os Estados Unidos, como intermediários, se obrigaram a tomar todas as medidas para garantir que as partes observassem o Acordo de Paz. O que a América fará se Morsi decidir colocar o Acordo com Israel na mesa para ser renegociado ou num referendo nacional?

Agora tudo depende do que a Irmandade Muçulmana acha que pode fazer. Apesar da plataforma profundamente antisemita que é consenso geral, a vitória apertada da Irmandade mostra que metade da população não concorda com a imposição da lei islâmica no país. Os partidos seculares do Egito e a imprensa jordaniana e palestina têm expressado ira e desapontamento pelo apoio e reconhecimento da administração Obama à Irmandade Muçulmana.

Agora Morsi e seu governo terão que equilibrar seu profundo ódio aos judeus e à existência de Israel com os limites impostos pela comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos. Como cumprir o que prometeu em sua campanha sem ameaçar a continua ajuda americana que alimenta milhões de egípcios? Os outros países da região estarão prestando atenção. A mídia e líderes muçulmanos já não se incomodam com o politicamente correto e publicam artigos abertamente anti-semitas. Não mais sob a máscara do anti-sionismo mas profundamente anti-judaicos. É o que aconteceu esta semana no Irã.

Apesar de ter uma das maiores populações judaicas num país muçulmano, o vice-presidente do Irã disse num forum das Nações Unidas contra as drogas que os Judeus controlam o tráfego internacional de entorpecentes. Ele disse que os judeus vendem drogas para cumprir um mandato do Talmud: “de destruir qualquer um que se oponha aos judeus”. Para ele, a conspiração é obvia já que segundo suas fontes, não existem judeus drogados. Ele chegou ao ponto de dizer que “a Republica Islamica do Irã pagará qualquer um que encontrar um só sionista viciado. Eles não existem. Esta é a prova do seu envolvimento no tráfego de drogas”.

E a reação da mídia à este discurso? Os jornais do mundo livre ou não se incomodaram ou tentaram minimizar o efeito destas palavras. De acordo com o jornal the New York Times, o vice-presidente não odeia judeus, só os sionistas. Seu reporter, Thomas Erdbrink não mediu esforços para nos convencer que tirando esta pequena aberração, o regime iraniano é perfeitamente respeitável. Nós sabemos que este não é o caso. O Supremo Líder rotinamente se refere à Israel como um câncer que deve ser removido. Vários jornalistas escreveram sobre os discursos antisemitas do vice-presidente Mohamed-Reza Rahimi como prova de que o Irã não pode adquirir armas nucleares.

É óbvio que um regime de fanáticos religiosos que procura efetuar um genocídio messiânico não pode adquirir armas nucleares. Mas da mesma forma que Hitler chegou a ser nomeado “O Homem do Ano” pela revista Time em 1939, os jornalistas de hoje continuam a desconsiderar ataques antisemitas de líderes fanáticos que prometem aniquilar o povo judeu. 70 anos mais tarde, nada une mais os muçulmanos do que o ódio aos judeus e mesmo assim, o antisemitismo é o assunto menos divulgado do planeta.

A mídia ocidental acha que o mundo islâmico deve ser apaziguado e que devemos encontrar meios para acomodar a Irmandade Muçulmana e o Irã. Reportar ataques antisemitas não ajuda. Outros dizem que o ódio aos judeus é justificável por causa dos palestinos. Ambas as desculpas para o ódio aos judeus são escandalosas. E a contínua presença de dignatários estrangeiros dando legitimidade à Teherã é ainda pior.

Se Rahimi tivesse direcionado seu ódio à qualquer outro povo, raça, credo, estado ou cor, nenhum diplomata ocidental teria ficado para escutar outra palavra saída desta latrina. A mídia, por seu lado, em vez de denunciar o racismo, a discriminação e a campanha de incitação contra os judeus, ela colabora com os perpetradores.

Nesta última terça-feira, o New York Times publicou um artigo sobre os esforços dos palestinos de Battir, um vilarejo ao sul de Jerusalem, que quer que seu sistema de irrigação em terraços da época romana, seja reconhecido pela UNESCO como herança mundial. Eles dizem que se isso não acontecer, Israel poderá construir a barreira de separação pelo vilarejo e danificar o sistema. Só que o sistema não é romano. É judaico da época do segundo templo. Battir é a pronuncia árabe de Betar, o local aonde Bar-Kochba liderou a última batalha dos judeus contra o Império Romano.

Como sempre, o New York Times não falou nada disso pois feriria o nacionalismo palestino e levantaria questões sobre o direito dos judeus à terra. Assim, tudo bem fazer uma reportagem errada. E eu que pensava que a mídia estava aí para reportar os fatos e não redesenhar verdades.

São órgãos da mídia como a revista Time e o jornal The New York Times, de certa respeitabilidade que se sentem no direito de negar, reportar mal ou enganosamente a razão mais importante por trás dos eventos do Oriente Médio hoje: o ódio islâmico aos judeus. O mesmo ódio que levou os nazistas a exterminarem 6 milhões de homens, mulheres e crianças. O mesmo ódio que temos a obrigação de combater por todos os meios possíveis. Só depende de nós.


Fonte: Pletz

sexta-feira, junho 22, 2012

O direito de Israel a Jerusalém.




por Deborah Srour –



As eleições no Egito não resultaram em surpresas. O candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi está na frente. Em um rally no dia 1o. de maio Morsi prometeu liderar o Egito na formação do novo Califato Muçulmano com sua capital em Jerusalém. Morsi também prometeu expulsar todos os cristãos coptas do Egito se não se converterem ao islamismo ou a reduzi-los a cidadãos de segunda classe, ou dhimmis.

Em vez dele se concentrar em como irá arrumar a economia do Egito que está em frangalhos, ele une o povo através de um discurso absurdo de unir todo o povo árabe e muçulmano da região para destruir Israel. Aonde vimos isto antes? E porque Jerusalém? Ela nunca foi capital de qualquer coisa islâmica na história da humanidade. É porque Jerusalém se tornou o símbolo do fracasso guerreiro islâmico e só sua reconquista irá reabilitar os muçulmanos aos seus próprios olhos.

E foi na semana passada, 45 anos atrás, que o exército de Israel libertou a Cidade Velha e reunificou a capital do país. A maioria das batalhas travadas hoje são só uma lembrança distante descritas em livros de história. Quando se visita Jerusalém é difícil visualizar que o exército jordaniano se encontrava alí, no coração da cidade, cercando as muralhas em três flancos. As forças iraquianas estavam do outro lado do Jordão prontas a mandar reforços. Quando os jordanianos abriram fogo, mais de 6 mil projéteis de artilharia choveram sobre os residentes judeus da cidade, deixando mais de mil feridos.

Depois de vários avisos aos jordanianos, o exército de Israel finalmente não teve outra opção senão atravessar a linha de cessar-fogo de 1949 e capturar os territórios usados pelos árabes para atacar o estado judeu. Logo após a Guerra dos Seis Dias, a ONU discutiu o direito das partes que reclamavam Jerusalém e para tanto teve que analisar as circunstâncias de como cada uma delas tomou posse da cidade.

A captura de Jerusalém em 1948 pela Jordânia, foi na época descrita pelo secretário geral da ONU, Trygve Lie, como o primeiro caso de “agressão armada” desde a Segunda Guerra Mundial. Em contraste, a entrada de Israel nas porções leste da cidade em 1967, foi descrita como uma ação em defesa própria. Esta distinção ficou ainda mais aparente quando a União Soviética não conseguiu, apesar de repetidos esforços, rotular Israel de “agressor” no Conselho de Segurança em Junho de 1967 e depois na Assembléia Geral da ONU.

O grande jurista americano Stephen Schwebel, que se tornou presidente da Corte Internacional de Justiça de Haia, escreveu em 1970 que “quando um ocupador anterior de um território, o tomou de forma ilegal, o estado que subsequentemente toma aquele território exercendo auto-defesa, tem um título de propriedade melhor que o ocupador anterior”.

Israel tem um direito histórico milenar sobre Jerusalém, reconhecido pelo Mandato Britânico. Mas isto infelizmente sumiu do discurso internacional depois de 1967. Pelo direito internacional, Israel tem mais direito sobre Jerusalém que a Jordânia. Hoje, depois de qualquer guerra, o mundo tenta restaurar o status quo territorial anterior ao conflito. Mas isto não pode ser feito com Jerusalém já que a ocupação da cidade pela Jordânia foi considerada ilegal pela comunidade internacional.

O fato das Nações Unidas não terem enviado forças para proteger Jerusalém em 1948, e evitar a expulsão dos judeus que lá viviam, fez com que as clausas de internacionalização da cidade do Plano de Partilha, se tornassem inviáveis. Assim, quando o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir um plano de paz após a Guerra dos Seis Dias, havia muita ambivalência sobre o que deveria ocorrer com o território e especialmente Jerusalém. A linha de cessar-fogo de 1949 não era sacrossanta. Nunca fora uma fronteira internacional reconhecida. Era apenas e tão somente a linha de trégua separando dois exércitos inimigos após a Guerra da Independência de Israel.

Quando finalmente o Conselho de Segurança da ONU adotou a Resolução 242, se absteve de exigir que Israel se retirasse de “todos os territórios” que havia capturado, como queria a União Soviética, mas chamou para que novas fronteiras seguras e reconhecidas, fossem delineadas. É o que hoje chamamos o direito de Israel a fronteiras defensáveis.

A resolução 242 não só não pediu para Israel se retirar para trás das linhas de 1967, mas nem se referiu a Jerusalém. E essa omissão foi proposital. O presidente americano da época Lyndon Johnson deixou aparente seu entendimento, nunca se referindo à Jerusalém do Leste como “território ocupado” e insistindo que as linhas de armistício que dividiam Jerusalém não eram mais viáveis. Estas declarações tinham implicações legais muito claras.

Desde 1988, os palestinos dizem que substituiram os jordanianos na arena diplomática e procuram ter reconhecida uma soberania sobre Jerusalém à qual nem a Jordânia teria direito.

Para corroer o direito de Israel, eles começaram a introduzir linguagem nas resoluções da ONU sobre “territórios palestinos ocupados”, incluindo Jerusalém do Leste. Em 1994, a administração do president Clinton se colocou firmemente contra estas tentativas quando a embaixadora americana na ONU Madeleine Albright explicou o veto americano no Conselho de Segurança dizendo que “hoje estamos votando contra uma resolução exatamente porque ela implica o fato que Jerusalém seja um território palestino ocupado”.

A estratégia diplomática dos árabes e palestinos tem sido fazer a comunidade internacional adotar seu discurso e terminologia legal mentirosa. Infelizmente, muitos israelenses levantaram as mãos fazendo com que a nova geração de isralenses não conheça seus direitos legais e históricos à cidade de Jerusalém, à Judéia e à Samária. Direitos infinitamente mais fortes que os reclamados pelo lado árabe.

Estes detalhes ainda são muito importantes 45 anos depois. Em março deste ano, os palestinos conseguiram aprovar uma resolução no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, descrevendo Jerusalém como “território palestino ocupado”.

Numa época em que o ataque à legitimidade dos direitos de Israel está no centro da agenda dos seus inimigos, precisamos levar à frente a verdade histórica do que ocorreu 45 anos atrás e não deixar esta narrativa mentirosa e deturpada tornar-se o discurso oficial dos árabes, da mídia e das Nações Unidas.

No Pletz

terça-feira, junho 12, 2012

Mais do que uma Guerra.




por Herman Glanz

No mundo islâmico a facção sunita domina as nações árabes em geral, enquanto a xiita está com não árabes. Daí termos também confrontos entre facções. No Egito, sunita, a condenação do ex-presidente Osni Mubarak a prisão perpétua trouxe confrontos. Enquanto isso, o segundo turno das eleições no mesmo Egito prognostica vitória do candidato da Irmandade Muçulmana, entidade sunita radical, que vai conseguindo espaço nos países árabes. Na Jordânia, a Irmandade Muçulmana busca derrubar a monarquia. Aliás, a Irmandade busca expulsar governantes moderados e que promovem governos laicos em todas as nações islâmicas. Os árabes consideram que o presidente americano, Obama, tem dado apoio a essa Irmandade Muçulmana.

Na Síria, os Estados Unidos fornecem armas ao grupo rebelde “Amigos da Síria”, que lutam, junto com outros grupos, para derrubar o governo de Bashir Assad, mas esse grupo pretende entronizar no governo a Irmandade Muçulmana. Também devemos observar que, enquanto o governo americano expulsa diplomatas sírios, recebe em Washington o Príncipe governante Salman bin Hamad Al-Khalifa, do Bahrein. O Príncipe não esteve com Obama, para evitar, talvez, algum constrangimento, mas prometeram-lhe armas sofisticadas, ainda não vendidas, porque o Congresso não autorizou. Todavia o apoio ao Bahrein se dá porque interessa aos sauditas, que mandaram tanques reprimir as revoltas locais no Bahrein. Os americanos se entendem com a Arábia Saudita: é o dinheiro saudita que conta. No caso do Yemen, apoiaram a mudança do dirigente porque interessava aos sauditas.

As críticas ao presidente americano, Obama, pela ausência de uma ação mais dura contra a Síria e contra o Irã são entendidas, mas Obama está em ano de eleições que ocorrerão em novembro próximo. O presidente americano não pode embarcar numa guerra, a não ser que haja um motivo muito forte. Do contrário pode perder as eleições, porque os americanos não querem seus filhos morrendo em terras estranhas. Por isso Obama vai empurrando qualquer solução agressiva para depois das eleições falando em soluções diplomáticas e forçando Israel a permanecer isolado.

Mas o tempo pode ser fatal no caso iraniano. A Síria já está removendo sua fronteira com o Líbano, tomando conta deste país, com apoio do Hizbollah, e onde já morreram 8 em confrontos. E diante da situação interna de guerra civil na Síria, Assad está mandando para o Hizbollah os foguetes e mísseis mais avançados de seu estoque de armas, e daí poderão atingir qualquer ponto de Israel e países vizinhos. Hizbollah e Síria estão pretendendo, ainda, fazer chegar tais armas à Faixa de Gaza. A ameaça a Israel fica mais séria.

O ódio continua sendo o “molho bem apimentado que faz o povo engolir e digerir as políticas”, disse Jabotinsky, ainda em 1940. Dirigentes americanos e também israelenses não entendem o sucesso que faz a propaganda do ódio aos judeus, e, porque não dizer, aos próprios americanos. Os homens têm instintos bárbaros para matar seus semelhantes. Parece que nada foi aprendido com as guerras e genocídios, e os massacres no século passado, não só da Alemanha nazista, não só na ex-União Soviética como denunciado na Declaração de Praga, bem como na antiga Iugoslávia, Ruanda, Bangladesh, Iraque, Sudão, este ainda fazendo seus massacres, sem esquecer Pol Pot.

A barbárie continua, e se não houver uma forma de estancar genocidas, o povo judeu enfrentará novos perigos. Todavia algo se move e pode tudo mudar, porque a ameaça do Irã continua e as potências estão inquietas. Segundo noticia a mídia, Obama autorizou ataque com vírus às instalações nucleares iranianas, como é o caso do vírus Flame, que furta informações, um vírus espião; e já se fala em intervenção militar na Síria.


Fonte: www.pletz.com

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Eleição Fraudada no Egito.

Eleição Fraudada no Egito.



Segundo a comissão eleitoral do Egito, a Irmandade Muçulmana conquistou 37 porcento na primeira rodada de votações e os salafistas, que fomentam um programa islamista ainda mais extremista, 24 porcento, recebendo juntos impressionantes 61 porcento dos votos.



Esse assombroso resultado desperta duas questões: Trata-se de um resultado legítimo ou manipulado? Os islamistas estão prestes a controlar o Egito?
Legítimo ou Manipulado? Ninguém levava a sério as eleições soviéticas com os seus 99 porcento de eleitores votando a favor dos comunistas, enquanto o processo e o resultado das eleições egípcias sejam menos flagrantes, merecem ceticismo semelhante. O jogo é mais sutil, ainda assim um jogo, a seguir, como ele é praticado:

A Irmandade Muçulmana (fundada em 1928) e a ditadura militar (que governa o Egito desde 1952) têm uma ideologia paralela e uma longa história que faz deles simultaneamente rivais e aliados. Durante décadas, cooperaram intermitentemente em um sistema autocrático ligados pela lei islâmica (Sharia) e na opressão dos elementos liberais e seculares.

Nesse espírito, Anwar El-Sadat, Hosni Mubarak e agora Mohamed Tantawi conferiram poderes, taticamente, aos islamistas, como manobra para obter apoio do Ocidente, armas e dinheiro. Por exemplo, quando George W. Bush pressionou Mubarak a permitir maior participação política, ele (Mubarak), respondeu que o parlamento tinha 88 membros da Irmandade Muçulmana eleitos, advertindo assim Washington que democracia = tomada de poder pelos islamistas. A aparente fraqueza dos não islamistas amedrontou o Ocidente a continuar insistindo em uma transição para a participação política. Contudo, um olhar minucioso nas eleições de 2005 mostra que o regime ajudou os islamistas a obterem 20 porcento das cadeiras.


Hoje, Tantawi e o Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF) ainda apostam nesse antigo jogo já desgastado. Veja os diferentes métodos: (1) Notícias sobre o aparecimento de fraude eleitoral, por exemplo em Helwan. (2) O SCAF, de acordo com o destacado islamista Safwat Hijazi, ofereceu um "acordo" aos islamistas: compartilhar o poder com eles contanto que façam vista grossa a sua corrupção.
(3) Os militares subsidiaram tanto a Irmandade Muçulmana quanto os partidos salafistas durante as recentes eleições parlamentares. Marc Ginsburg faz menção de um caixa dois do SCAF acumulando milhões de dólares "em dinheiro para a compra de votos, doações de alimentos e roupas", que possibilitou a centenas de sucursais de organizações políticas islamistas a comprarem votos. Ginsburg fala de um emissário do SCAF que "se encontrou secretamente com representantes da Irmandade Muçulmana e de outros movimentos de orientação política islamista no último mês de abril, para criar contas bancárias para os "comitês de ação" de política local para canalizar uma cadeia clandestina de suprimentos de apoio financeiro e de commodities".

Outros ditadores no Oriente Médio, como o presidente iemenita e o presidente da Autoridade Palestina, também fazem esse jogo duplo, fingindo que são anti-islamistas moderados e aliados do Ocidente, quando na realidade são violentos, cooperam com os islamistas e reprimem os verdadeiros moderados. Até mesmo tiranos contrários ao Ocidente como o presidente Assad da Síria e Kadafi da Líbia fazem esse jogo oportunista quando há necessidade, ao retratarem gigantescos levantes contrários a eles como movimentos islamistas. (Recorde de como Kadafi culpou a Al-Qaeda pela insurreição líbia por terem misturado o café dos adolescentes com drogas alucinógenas).
Os salafistas obtiveram um quinto dos votos? Parece suspeito

Controlar o Egito? Se os militares conspiraram com os islamistas para se manterem no poder, obviamente eles e não os islamistas é que irão, em última análise, manter o controle. O que significa que o ponto-chave que os analistas convencionais não percebem é o seguinte: os resultados da última eleição permitirão que os militares continuem no poder. Conforme observa corretamente o ambicioso político egípcio Mohamed ElBaradei, "agora está tudo nas mãos do SCAF".

Verdade, se os islamistas controlarem o parlamento (o que ainda não é certo, os militares poderiam ainda decidir reduzir a porcentagem deles em futuras rodadas de um procedimento de votação excepcionalmente complexo aberto a irregularidades), eles adquirem certos privilégios e movem o país mais em direção à Sharia – até onde, de qualquer jeito, o SCAF permitir. O que continua a tendência de longo prazo de islamização em andamento, desde que os militares tomaram o poder em 1952.

E a política ocidental? Primeiro, pressionar o SCAF a construir a sociedade civil que deve preceder a verdadeira democracia, de modo que os civis moderados e modernos no Egito tenham a oportunidade de se expressarem.

Segundo, cessar instantaneamente toda ajuda econômica ao Cairo. É inaceitável que os contribuintes ocidentais paguem, mesmo que indiretamente, pela islamização do Egito. Voltar com a ajuda somente quando o governo permitir que muçulmanos seculares, liberais e coptas, entre outros, se expressem com liberdade e se organizem.

Terceiro, opor-se tanto à Irmandade Muçulmana como aos salafistas. Menos ou mais extremistas, qualquer tipo de islamistas são nossos piores inimigos.


por Daniel Pipes e Cynthia Farahat

National Review Online

6 de Dezembro de 2011