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quinta-feira, janeiro 17, 2013

Os Irmãos, Israel, os judeus, os macacos e os porcos.


Os Irmãos, Israel, os judeus, os macacos e os porcos.

por Caio Blinder



Denunciar antissemitismo é tarefa contínua. Bom quando o jornal mais importante do mundo, o New York Times, faz parte do esforço. Reconfortante quando a denúncia está na primeira página (edição da terça-feira). E é algo explosivo quando o alvo da denúncia é a Irmandade Muçulmana do presidente egípio Mohamed Mursi. Basta desta bobagem que a imprensa liberal fecha os olhos para os perigos que acompanham as boas oportunidades da Primavera Árabe.

O artigo lista virulentos comentários antissemitas e antiocidentais de Mursi, em 2010, nos tempos em que ele era dirigente da Irmandade Muçulmana, do gênero “devemos acalentar nossos filhos e netos” no ódio aos judeus e ao sionismo. Há também os insultos do estilo que os judeus são “descendentes de macacos e porcos”, algo dito de forma trivial em mesquitas sauditas e em outras partes do mundo islâmico.

É uma postura que alimenta a narrativa em Israel sobre a impossibilidade de apostar em melhores perspectivas na região, além de acelerar de forma vertiginosa a direitização no país. A menos de uma semana das eleições, com o avanço da extrema direita, o primeiro-ministro Benjamin Netanhyau, no contexto, se torna um pilar de moderação. Em Israel, há vozes que não ficam a dever à retórica de Mursi, como a de um líder dos colonos judeus na Cisjordânia, Moshe Feiglin. Certa vez, ele disse que “nós não podemos ensinar um macaco a falar e nós não podemos ensinar um árabe a ser democrático”.

Ir no arquivo das declarações de Mursi (está tudo documentado em vídeo) faz parte de um debate no qual se levantam questões sobre os esforços do presidente egípcio para se apresentar justamente como uma força moderadora e estabilizadora no exterior, em particular na questão palestina e na preservação do acordo de paz Egito-Israel.

E aqui uma interesssante contribuição para o debate na imprensa egípcia. É um artigo publicado no jornal independente Al-Masry Al-Youm (que tem um site em inglês). Adaptei de forma marota o título do artigo para ser o da minha coluna. O autor, Mohamed Hosny, ressalta que no seu núcleo a Irmandade Muçulmana é antijudaica e a animosidade é anterior, obviamente, à criação do estado de Israel.

No entanto, no decorrer de sua história, a Irmandade Muçulmana alternou esta virulência antissemita com posições pragmáticas no conflito entre Israel e o mundo árabe. Aliás, a retórica antissemita não é privilégio de grupos assumidamente islâmicos no Egito. Tal retórica faz parte da cultura política do país e para quem tem saudades da ditadura Mubarak não custa lembrar que este discurso permeava o espaço público naqueles tempos, como válvula de escape.

Hosny acredita que não devemos nos impressionar tanto com alguns “gestos retóricos”, pois a Irmandade Muçulmana tem uma “longa história de zigue-zagues e pragmatismo”. O New York Times também elabora sobre esta questão de pragmatismo e que o presidente inclusive é visto hoje por muitos no seu país como um “colaboracionista” do Ocidente, o que neste momento impediria um recuo, mas arremata que “as declarações passadas de Mursi podem ainda levantar questões sobre como ele poderia agir no futuro se o Egito não estivesse limitado por sua dependência financeira, relativa fraqueza militar e uma rede de alianças ocidentais”.

A família egípcia merece irmãos melhores do que estes da Irmandade. Em termos estratégicos, o dilema para o Ocidente, a destacar os EUA, é até que ponto faz sentido cultivar Mursi, o dono da casa, na ausência de melhores alternativas. E na terça-feira, na esteira da reportagem do New York Times, a Casa Branca não teve alternativa e precisou “condenar energicamente” a retórica antissemita do presidente egípcio.


PUBLICADO NA RUA JUDAICA DE 11/01/2013
por Osias Wurman

Entrevistas gravadas em 2010 mostram o presidente do Egito, Mohamed Morsi, chamando sionistas de 'sanguessugas' e descendentes de porcos





O MEMRI – Instituto de Pesquisas de Mídia do Oriente Médio publicou esta semana uma série de entrevistas dadas pelo Presidente do Egito, Mohammed Morsi, dois anos antes de sua eleição. As entrevistas, que foram postadas na internet em 2010, descrevem os sionistas como "sanguessugas" e descendentes de macacos e porcos, e pede "resistência militar" contra Israel, e que se cortem todos os laços com o Estado judeu. 

Nas imagens, descritas pelo MEMRI como "arquivamento" de entrevistas que foram originalmente publicadas on-line em 2010, Morsi declara: "Os sionistas não têm direito à terra da Palestina. Não há lugar para eles na terra da Palestina. O que eles tomaram antes de 1947-48 constitui saque, e o que eles estão fazendo agora é uma continuação desta pilhagem. De maneira alguma reconhecemos a sua Linha Verde. A terra da Palestina pertence aos palestinos, e não aos sionistas ". 

Desde que venceu as primeiras eleições democráticas, em junho passado, após a destituição do antigo presidente Hosni Mubarak, Morsi tem atenuado de forma significativa sua retórica anti-Israel. A ascensão de Morsi ao poder provocou temores entre israelenses sobre o futuro do tratado de paz 

No entanto, suas garantias de que iria respeitar as obrigações internacionais do Egito -, bem como a nomeação de um novo embaixador em Tel Aviv, em outubro, depois de quase um ano de ausência - foi uma forma de aliviar as tensões. 

O presidente egípcio também trocou correspondência com o presidente israelense, Shimon Peres, em duas ocasiões nos últimos meses - uma vez, em julho, pouco depois de chegar ao pode, e novamente ao entregar a Peres as credencias do novo embaixador. 

"Grande e bom amigo", escreveu Morsi na carta-protocolo entregue a Peres, "estamos desejosos de manter e reforçar as relações cordiais que existem entre os nossos dois países, eu indiquei o Sr. Atef Sayed Mohamed Salem El Ahl para ser nosso embaixador extraordinário e plenipotenciário ". 

Em ambos os casos, Morsi recebeu duras críticas de membros da Irmandade Muçulmana sobre as correspondências. 

No entanto, Israel tem visto as atitudes de Morsi mudar nestes breves meses no cargo. 

O Egito retirou seu embaixador em novembro depois que Israel lançou a Operação Pilar de Defesa contra as organizações te rroristas da Faixa de Gaza, território controlado pelo Hamas. Um mês antes, um vídeo mostrou Morsi pronunciando a palavra "Amém" depois de um momento de oração no Cairo, onde o pregador pediu a Deus para "destruir os judeus e os seus apoiadores." 

Desde então, tem sido grande o silêncio de Morsi sobre Israel, apesar de ajudar a mediar um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, dando fim aos oito dias de conflito em que a Força Aérea Israelense realizou centenas de ataques contra alvos militares em Gaza, e os terroristas dispararam cerca de 1.500 foguetes contra comunidades israelenses. 

Em entrevistas destacadas pelo MEMRI em 2010, Morsi é visto descartando o processo de paz entre israelenses e palestinos, considerando o acordo um desperdício de tempo. 


"Essas negociações são um desperdício de tempo e oportunidades. Os sionistas ganham 
tempo e mais oportunidades, enquanto os palestinos, os árabes e os muçulmanos perdem tempo e oportunidades, e não ganham nada com isso. Podemos ver como esse sonho se dissipou. Este sonho sempre foi uma ilusão...A Autoridade Palestina foi criada pelos sionistas e os inimigos americanos com o único propósito de se opor à vontade do povo palestino e seus interesses ", disse Morsi à TV al-Quds libanês. "Nenhuma pessoa sensata pode esperar algum progresso nesta pista. Ou [aceitar] os sionistas e tudo o que eles querem, ou então é guerra. Isto é o que esses ocupantes da terra da Palestina sabem, que atacam os palestinos, estes senhores da guerra, os descendentes de macacos e porcos ".
Fonte: Rua Judaica.

domingo, novembro 04, 2012

A hipocrisia humanitária da esquerda cristã.









A hipocrisia humanitária da esquerda cristã.
por Raymond Ibrahim


No momento em que cristãos estão sendo perseguidos severamente em todo o Oriente Médio graças à farsesca “primavera árabe”, a esquerda cristã levanta-se justamente contra Israel, o único país da região no qual existe verdadeira liberdade religiosa.


O uso de dois pesos e duas medidas para qualificar quem é o oprimido merecedor de ajuda está em crescimento. Duas histórias recentes mostra isso claramente:

Primeiro, uma matéria relatou por meio das palavras da Coalizão Turca da América o “contínuo interesse turco em expandir os negócios e laços culturais com a Comunidade dos Índios Americanos” e “o interesse turco em construir pontes para comunidades americanas nativas país afora”. O congressista republicano Tom Cole (Oklahoma) até introduziu um projeto de lei que daria aos turcos direitos especiais e privilégios nas áreas tribais dos nativos americanos sob o argumento de que “esse projeto de lei trata-se de uma ajuda aos índios americanos”, além de “ajudar os habitantes originais do novo mundo, que é exatamente o que essa lei fará”.

A própria ideia do governo islâmico da Turquia estar interessado em “ajudar os índios americanos” já é um disparate, tanto do ponto de vista histórico quanto contemporâneo. No século XV, quando os europeus estavam descobrindo as Américas, os muçulmanos turcos estavam conquistando e matando cristãos na Europa (e é evidente que esse era o motivo principal pelo qual os europeus começaram a velejar em direção oeste). Se os primeiros colonos europeus lutaram e mataram os nativos só recentemente, a Turquia cometeu um genocídio em massa contra os cristãos armênios. E enquanto os Estados Unidos fizeram compensações aos nativos indígenas, os turcos não só negam o holocausto armênio como continuam a abusar e perseguir nativos cristãos.
Imagens do Genocídio Armênio 1915

Resumidamente dizendo, se os turcos estão querendo ajudar os marginalizados e oprimidos, deveriam começar a fazer isso em casa.

Mas é claro que a Turquia está apenas querendo ajudar a si mesma; os índios americanos são meras ferramentas de infiltração. Não é preciso pensar muito no perigo que representa milhares de muçulmanos turcos se estabelecendo em áreas semiautônomas dentro da América e trabalhando bem próximos de uma minoria que guarda rancor contra os EUA.

Portanto, se é possível entender as tramoias turcas, o que fazer com outro relatório recente? Quinze líderes de variadas denominações cristãs, compostas majoritariamente de protestantes – incluindo luteranos, metodistas e UCC (United Church of Christ) – pediram ao Congresso para que ele reavalie a ajuda americana para Israel, pois “a ajuda militar servirá apenas para sustentar o status quo e a ocupação militar israelense em territórios palestinos”

Esses são os mesmos líderes cristãos que não disseram uma única palavra a respeito da desenfreada perseguição de milhões de cristãos em todos os cantos do mundo islâmico – perseguição essa que faz com que a situação palestina seja insignificante se for comparada.

Se os muçulmanos são subjugados em terras israelenses, pelo menos é possível argumentar que os judeus estiveram lá milênios antes dos muçulmanos conquistarem Jerusalém no século VII. Por outro lado, milhões de cristãos – pelo menos 10 milhões apenas no Egito, ou seja, os coptas nativos – têm sofrido em sua própria terra natal por 14 séculos desde que os islâmicos chegaram lá com suas espadas.

Isso é algo que não pode tampouco ser limitado pela visão histórica: do oeste da Nigéria até o leste do Paquistão, cristãos estão sendo, neste exato momento, presos por apostasia e blasfêmia; suas igrejas estão sendo bombardeadas ou queimadas; as mulheres e crianças estão sendo sequestradas, escravizadas e estupradas. Para se ter uma ideia, veja meu periódico mensal Muslim Persecution of Christians, onde eu acumulo mensalmente dúzias de breves narrativas dessas histórias de perseguição – cada uma delas, se fosse com um palestino, seria manchete mundo afora; mas como se trata apenas de cristãos “fora de moda” que estão sofrendo essas atrocidades, a atitude perante eles é de negligência.

Além disso, os cristãos palestinos também não estão imunes a esse fenômeno: recentemente, um pastor comentou que a “animosidade em relação às minorias cristãs em áreas controladas pela Autoridade Palestina tem aumentado. As pessoas estão sempre dizendo [aos cristãos]: converta-se ao Islã, converta-se ao Islã.”

Entretanto, o Comitê Judaico Americano, que estava “ofendido pelo pedido dos líderes cristãos”, fez a coisa certa e disse: “No momento em que a liberdade religiosa e a segurança dos cristãos estão ameaçadas por todo o Oriente Médio por conta das repercussões da “Primavera Árabe”, esses líderes cristãos escolheram dar início a uma polêmica contra Israel, justamente o país que protege a liberdade de expressão religiosa dos cristãos, muçulmanos e demais religiões”.

Sob qualquer aspecto, as atuais atrocidades que estão sendo cometidas contra cristãos por todo o mundo muçulmano são muito mais ultrajantes e merecedoras de atenção para a busca de uma solução do que a tão falada “questão palestina”. Aliás, o tratamento israelense dado aos palestinos, alguns dos quais, como o Hamas, declaram abertamente a intenção de erradicar o estado judaico é em grande parte baseada no que se foi dito acima: Israel sabe da animosidade inata do Islã para com os não-muçulmanos e não deseja estar sob o jugo deles, daí as medidas que toma para continuar a existir.

Finalmente, há uma considerável ironia em se tratando das diferenças entre os muçulmanos turcos e os cristãos liberais [NT.: liberal no sentido de “defensor das ideias de esquerda”] dos EUA: enquanto o primeiro usa da hipocrisia para delegar poder ao Islã, o segundo usa da hipocrisia para enfraquecer o cristianismo, mesmo inconscientemente. Assim como os liberais americanos se esforçam para se dissociar da herança europeia – vendo-a como raiz de todos os males, e lutando avidamente pelos direitos dos não-brancos como os índios americanos – os cristãos liberais americanos estão lutando para se dissociar da herança cristã, lutando avidamente pelos direitos dos não-cristãos, o que explica o interesse pelos muçulmanos palestinos.

E enquanto tudo isso acontece, o grupo religioso que é de fato perseguido em todos os cantos do mundo islâmico – ou seja, os cristãos – é devotamente ignorado pelos hipócritas humanitários.



Raymond Ibrahim integra o Middle East Forum, presidido por Daniel Pipes, e é “Shillman Felow” no David Horowitz Freedom Center.

Publicado no site da FrontPage Magazine.

Tradução: Leonildo Trombela Júnior


quinta-feira, outubro 11, 2012

A Primavera Árabe e o Inimigo Israelense.











por Abdulateef Al-Mulhim 

Trinta e nove anos atrás, no dia 6 de outubro de 1973, teve inicio a terceira maior guerra entre árabes e israelenses.A guerra durou apenas 20 dias. Os dois lados já haviam se envolvido em duas outras grandes guerras, em 1948 e em 1967.

A guerra de 1967 durou apenas seis dias. Mas, estas três guerras não foram os únicos confrontos árabe-israelense. De 1948 até hoje, muitos confrontos aconteceram. Alguns deles foram pequenos conflitos e muitos foram batalhas generalizadas, mas não aconteceram grandes guerras afora as acima mencionadas. O conflito árabe-israelense é o conflito mais complicado que o mundo já viu. No aniversário da guerra de 1973 entre árabes e israelenses, muita gente no mundo árabe está começando a levantar muitas questões relativas ao passado, o presente e o futuro do conflito árabe-israelense.

As questões agora são: Qual o custo real destas guerras para o mundo árabe e para o seu povo. E a questão mais difícil que nenhum cidadão árabe quer perguntar é: Qual o custo real pelo não reconhecimento de Israel em 1948 e por que os países árabes não gastaram seus recursos na educação, saúde e infraestrutura em vez de gastá-los com guerras? Mas, a questão mais dura que nenhum cidadão árabe quer ouvir é se Israel é o verdadeiro inimigo do mundo árabe e deu povo.

Eu decidi escrever este artigo após ver fotos e matéria sobre uma criança faminta no Iêmen, ver um antigo mercado árabe de Alepo, na Síria, ser queimado, ver o sub desenvolvido Sinai no Egito, ver carros bomba no Iraque e os prédios destruídos na Líbia. As fotos e as reportagens foram mostradas na rede Al-Arabiya, que é o mais visto e respeitado canal de notícias do Oriente Médio.

A única coisa comum entre tudo o que eu vi foi que a destruição e as atrocidades não foram feitas por um inimigo externo. A fome extrema, os assassinatos e a destruição nestes países árabes são causadas pelas mesmas mãos que deveriam proteger e construir a unidade destes países, além de proteger suas populações. Então, a questão agora é quem é o verdadeiro inimigo do mundo árabe?

O mundo árabe perdeu centenas de bilhões de dólares e dezenas de milhares de vidas inocentes lutando contra Israel, que eles consideravam ser o seu inimigo declarado, um inimigo cuja existência eles nunca reconheceram. O mundo árabe tem muitos inimigos e Israel deveria estar no último lugar da lista. Os verdadeiros inimigos do mundo árabe são a corrupção, a falta de uma boa educação, a falta de uma boa assistência médica, falta de liberdade, falta de respeito pela vida humana e, finalmente, o mundo árabe teve muitos ditadores que usaram o conflito árabe-israelense para reprimir o seu próprio povo.

As atrocidades cometidas por estes ditadores contra o seu próprio povo são de longe piores do que as guerras generalizadas entre árabes e israelenses.

No passado, nós falamos sobre a razão de alguns soldados israelenses atacarem e maltratarem os palestinos. Além disso, vimos aviões e tanques israelenses atacarem vários países árabes. Mas, será que esses ataques se igualam às atuais atrocidades que estão sendo cometidas por alguns estados árabes contra o seu próprio povo?

Na Síria, as atrocidades vão além da imaginação de qualquer pessoa. E, não são os Iraquianos os únicos que estão destruindo seu próprio país? Não foi o ditador da Tunísia quem foi capaz de roubar 13 bilhões de dólares dos pobres tunisianos? E como pode ter uma criança morrendo de fome no Iêmen se suas terras são as mais férteis do mundo? Por que os cérebros iraquianos deixam o país, um país que faz 110 bilhões de dólares de exportação de petróleo? Por que os libaneses fracassaram em governar um dos menores países do mundo? E o que fez os Estados árabes começarem a afundar para dentro do caos?

No dia 14 de maio de 1948, o estado de Israel foi declarado. E apenas um dia depois, em 15 de maio de 1948, os árabes declararam guerra à Israel para conseguir a Palestina de volta. A guerra terminou no dia 10 de março de 1949. Ela durou nove meses, três semanas e dois dias. Os árabes perderam a guerra e chamaram esta guerra de Nakbah (guerra catastrófica). Os árabes não ganharam nada e milhares de palestinos se tornaram refugiados.

Em 1967, os árabes, liderados pelo Egito, governado por Gamal Abdul Nasser, declararam guerra à Israel e perderam mais terras palestinas e criaram mais refugiados palestinos que vivem da misericórdia dos países que os abrigaram. Os árabes chamaram esta guerra de Naksah (frustração). Os árabes nunca admitiram a derrota em ambas as guerras e a causa palestina ficou mais complicada. E agora, com a interminável Primavera Árabe, o mundo árabe não tem tempo para os refugiados palestinos ou para a causa palestina, porque muitos árabes são agora, eles mesmos, refugiados e estão sob constantes ataques de suas próprias forças. Os sírios estão abandonando seu próprio país, e não é porque os aviões israelenses estejam jogando bombas neles. É a Força Aérea Síria quem está jogando as bombas. E agora, os mais inteligentes cérebros árabes muçulmanos iraquianos,estão trocando o Iraque pelo Ocidente. No Iêmen, a peça mais triste da tragédia humana está sendo escrita pelos Iemenitas. No Egito, o povo do Sinai está esquecido.

Finalmente, se muitos dos estados árabes se encontram em tamanha desordem, então o que aconteceu com o inimigo declarado dos árabes (Israel)? Israel agora tem os mais avançados centros de pesquisa , universidades de ponta e uma infra-estrutura avançada. Muitos árabes não sabem que a expectativa de vida dos palestinos que vivem em Israel é muito maior do que a de muitos estados árabes e que eles gozam de muito mais liberdade política e social do que muitos de seus irmãos árabes. Mesmo os palestinos que vivem sob a ocupação israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza desfrutam de mais direitos políticos e sociais do que em alguns lugares do mundo árabe. Não seria um dos juízes que mandaram um ex-presidente de Israel para a cadeia um israelense-palestino?

A Primavera Árabe mostrou ao mundo que os palestinos são mais felizes e se encontram em melhor situação do que seus irmãos árabes que lutaram para os liberar dos Israelenses. Agora, é tempo de parar com o ódio e com as guerras e de começar a criar melhores condições de vida para as futuras gerações árabes.


Tradução: Ivan Kelner – Blog Pass ItOn
Fonte: Liveleak/Pletz

terça-feira, setembro 04, 2012

O novo enfoque atual.




por Herman Glanz

O enfoque sobre a política global, (não mais mundial), deve ser atualizado. De um lado, temos o Irã, que não deixa de dizer a que veio, declarando explicitamente ter interesse em destruir o Estado de Israel e, evidentemente, os judeus. Caso se tratasse exclusivamente do Estado de Israel não teria promovido ataques a alvos judaicos mundo afora, como foi o caso da AMIA, em Buenos Aires.

E o governo iraniano não tem nenhum pudor, como fez diplomata do Irã no Brasil, publicando artigo no jornal “Folha de São Paulo”, em 20 de agosto passado, demonstrando a intenção de seu país eliminar Israel, e que mereceu repúdio na imprensa local. Mas, ao lado de outras ações para sobressair no meio árabe e muçulmano, e no mundo, com a construção da bomba nuclear, o Irã fomenta o Hizbollah, no Líbano e mais ainda, no Sinai, para se introduzir na Faixa de Gaza e cercar Israel também pelo sul.

Lançados de Gaza, dois mísseis feriram dois israelenses hoje mesmo. Portanto, o Irã está na fronteira de Israel por meio de seus representantes. Segundo o diário libanês Al-Joumhouria, o Hizbollah colocou 10.000 homens de sua tropa de elite em manobras no Líbano, para se preparar para uma guerra contra Israel, que será decidida pelo Irã. O jornal kuaitiano Al-Seyassah informa que o Hizbollah está implicado nos atos de terror no Sinai. A célula do Hizbollah no Sinai, sob o comando de Zial Al-Kachache, mandado por Talal Hamieh, responsável pelas operações no exterior do Hizbollah, tem duas finalidades: perturbar as relações de Israel com o Egito e fincar um pé em Gaza.

Todavia, entre as preocupações do mundo ocidental, capitaneado pelos Estados Unidos, com vistas à segurança global, estão os problemas com a Rússia e a China, que estão se armando e colocando seus esquemas de combate em situações estratégicas, para atrair os Estados Unidos, em caso de guerra, para posições mais próximas das próprias bases russas e chinesas. Tais preocupações incluem ainda Israel na disputa, para ganhar a hegemonia do poder global. A Rússia ajuda o Irã e a Síria, e a China vende armas para a Síria e Irã, também disputa ilhas com o Japão, numa escalada que provoca instabilidade mundial; entretanto a situação de Israel com os palestinos é apresentada como desestabilizadora da paz.

Desde o início sabia-se no Ocidente que os árabes muçulmanos se mostravam contra o reconstruído Estado de Israel. Já o provaram em 1948 quando atacaram o recém reconstruído Israeç. Depois os árabes buscaram o apoio da então União Soviética para seu pan-arabismo e posições antiocidentais. Nesta semana lembramos dos três “nãos” da Liga Árabe de 1º de setembro de 1967 – não à paz, não reconhecimento e não negociações com Israel. As coisas começaram a mudar com a paz firmada por Israel com o Egito, e, a seguir, começaram as intifadas do finado Arafat, até os Acordos de Oslo, que acabaram conduzindo à apresentação d os palestinos como “coitadinhos” maltratados por Israel.

Não importa que os fatos tenham sido falseados e a história deturpada, mas Israel ficou sendo o problema, devendo sempre ceder às exigências palestinas e ao mundo árabe. Israel é que provoca os atentados terroristas árabes pelo tratamento cruel dispensado aos palestinos, assim se destaca na mídia. É dessa forma que se apresenta a postulação do reconhecimento unilateral pela ONU de um Estado Palestino, contra a situação já existente do reconhecimento de Israel pela Carta das Nações Unidas; é substituir um pelo outro, que muitos não percebem.

A “Primavera Árabe” veio mudar a situação, com a passagem do Egito para o poder da Irmandade Muçulmana. O Sinai não é mais uma zona tampão do Tratado de Paz do Egito, se seus dirigentes já se falam em mudar o Tratado com Israel. Diz-se que se irá tomar Jerusalém, dispondo de milhares de mártires para marcharem àquela cidade. Segundo a mídia, o Presidente do Egito, na sua viagem ao Irã, para a Cúpula dos Não Alinhados, passará pela China para comprar armas nucleares. As eleições americanas trabalham a favor do Irã, que poderá detonar uma bomba ainda antes das eleições, se Israel não se adiantar.

É um dilema difícil, mas as opções devem ser estudadas, porque os fatos mudam rapidamente e é preciso ficar alerta diante do novo enfoque.

Fonte: Pletz.