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domingo, outubro 12, 2014

Auto-engano e barbárie.










Auto-engano e barbárie.

por Leonildo Trombela






Quanto mais profunda se mostra a corrupção material do PT, mais profunda é a necessidade que seus eleitores em boas condições de vida parecem ter de se alienar da realidade e defender o partido com mais vigor. Em outras palavras, a corrupção material, quando praticada por um grupo visivelmente psicopata, parece incitar com igual teor a corrupção espiritual e psicológica. Isso é plenamente observável a cada nova denúncia de uma nova pilhagem que o governo pratica sobre o erário público.

É consideravelmente perceptível nesse grupo de eleitores a necessidade de se defender de um crime apontando ora a rotina da prática, ora a similaridade dela nos adversários do partido (vejam como os escândalos do PSDB são evocados para justificar os do PT, como se um crime expiasse o outro). Isso muito se parece com algum tipo de mecanismo de defesa psicológica que pretende restaurar uma suposta normalidade. Porquanto, admitir que se está votando de boa vontade em um partido que tem uma nítida agenda de destruição do país implicaria ter de admitir posições que seriam extremamente desconfortáveis psicologicamente.

Claro que essa fuga da realidade para ideologias políticas é algo vastamente disseminado hoje, de modo que inclusive o próprio pessoal peessedebista mais fervoroso tem mostrado sofrer, embora em grau menor que o petista, porém ainda considerável. (Por outro lado, é interessante notar que boa parte dos eleitores de mentalidade mais conservadora, tendem a evocar [ironicamente] os medicamentos antieméticos para o dia da votação, o que é uma atitude mais saudável psicologicamente se comparada à justificação do injustificável.)

Relativa a essa barbárie política de fuga da realidade [ou verdade] e aprofundamento na corrupção de si mesmo, há uma passagem interessante dita por Olavo de Carvalho no discurso Reparando uma injustiça pessoal (1999) que nos dá uma luz no assunto:

No século XIX, um homem chamado Napoleão Bonaparte descobre uma coisa terrível: a política, diz ele, é o destino inevitável dos tempos modernos. Tudo vai virar política e os homens não se ocuparão senão de política. Ele descobre a politização geral de tudo. E o que significa a politização geral? Significa que todos os conflitos já não poderão mais ser arbitrados pela análise dos conteúdos dos termos em questão, mas serão resolvidos sempre por um confronto de forças entre o grupo dos amigos e o grupo dos inimigos. Ou seja, terminou a civilização e começou a barbárie. A politização geral de tudo é simplesmente a barbárie, a violência institucionalizada, seja sob a forma de violência física, seja como a violência moral da mentira imposta como verdade obrigatória. [...] A politização geral da vida quer dizer que um garoto de quinze, de dezesseis anos, que mal está entrando na vida, que não tem a menor idéia do que se passa neste planeta, já está cooptado, já está inscrito no grupo dos amigos, cuja única finalidade é matar o grupo dos inimigos. 

Em vista dessa barbárie, seria até paradoxal citar o dito de Santo Agostinho: "Conheci muitos com desejo de enganar aos outros, mas não encontrei ninguém que quisesse ser enganado". Longe disso, hoje presenciamos um espetáculo horroroso de auto-engano que nada de bom inspira. As massas tornaram-se extremamente ariscas a qualquer contato civilizatório (i.e. moral, religião, leis, liberdade de expressão e outros meios que, segundo Aleksandr Zinoviev, servem para o indivíduo se proteger contra a força avassaladora das próprias massas ignaras); todos estão dispostos a enganar e se deixar enganar. Uma mentira para justificar a outra.



Leonildo Trombela Junior é jornalista e tradutor.

sexta-feira, novembro 01, 2013

Os médicos e os beagles.






por Olavo de Carvalho.




Todo mundo tem alguma opinião sobre o caso do Instituto Royal. Eu não tenho nenhuma. Vejo nele, no entanto, uma amostra didaticamente clara do quanto os debates correntes na vida diária, hoje em dia, são ecos meio inconscientes de conflitos internos do movimento revolucionário mundial.

Entrar numa discussão sem saber qual a origem histórica das ideias que defendemos e atacamos é a melhor maneira de fortalecer ou debilitar correntes ideológico-políticas que desconhecemos. Assim ajudamos a produzir resultados que, se deles tivéssemos antecipadamente alguma consciência, talvez nos parecessem horríveis.

Nesses confrontos de opinião, cada um acredita piamente falar em nome de puros valores universais, em si mesmos inquestionáveis. No caso em questão, é o dever de piedade para com os animais contra o dever médico de salvar vidas humanas.

Acontece que, colocada assim, a questão só pode ser decidida pela adesão aos “direitos dos animais”, tal como formulados pelo filósofo Peter Singer, ou pela proclamação da prioridade absoluta da autoridade científica.

Os valores que legitimam os argumentos são, em si mesmos, universais e abstratos, mas as escolhas práticas incumbidas de traduzi-los em ações no mundo real não são nem abstratas nem universais: são propostas ideológicas nascidas dentro do movimento revolucionário em duas épocas distintas do seu desenvolvimento.

Você pode argumentar em nome de valores puros, mas, sem saber, está pondo lenha na fogueira em que a mentalidade revolucionária vem queimando o mundo há mais de dois séculos.

Até os tempos de Luís XIV pelo menos, os médicos eram funcionários subalternos como os cozinheiros, os adestradores de cavalos e os pintores (mesmo ilustres como Velásquez ou Michelangelo).

Foi a Revolução Francesa que, na esteira do Iluminismo, fez deles uma classe de sábios e como que sacerdotes, investidos de um papel de relevo no guiamento moral da espécie humana. 

O positivismo de Augusto Comte – cujos netos e bisnetos ainda andam pelo mundo, sob nomes diversos – completou o rito de sagração mediante a idéia da "política científica", segundo a qual o mundo só teria paz quando as decisões políticas fossem tomadas racionalmente por uma elite científica, eliminado todo direito às divergências subjetivas e às "razões do coração" (o melhor livro que conheço a respeito é Régénérer l’Espèce Humaine. Utopie Médicale et Lumières, do historiador Xavier Martin, Paris, 2008).

A partir de então, muitas questões de natureza filosófica e religiosa foram transferidas para a alçada da classe médico-científica, que, naturalmente, fazia abstração dos seus aspectos mais problemáticos e sutis, reduzindo tudo aos parâmetros do seu método especializado e, em última análise, à distinção do "normal" e do "patológico". 

Até hoje, no entanto, essa dupla de conceitos é alvo de dissensões ferozes, contrastando com a nitidez pacífica da antiga distinção religiosa entre vícios e virtudes, que, nominalmente, ela veio substituir pela racionalidade de conceitos "claros e distintos".

Por exemplo, o homossexualismo é normal ou é doença? O gayzismo tem hoje o prestígio de uma causa revolucionária, mas houve um tempo em que o profeta mesmo da "liberação sexual", o psiquiatra alemão Wilhelm Reich, via nas práticas homossexuais uma perversão típica da sociedade capitalista, destinada a desaparecer da face da Terra tão logo a energia sexual fosse liberada da repressão burguesa e todos fossem felizes para sempre no paraíso heterossexual socialista.

A transferência da autoridade moral para a classe científica resultou na dissolução de inúmeros conceitos científicos na massa amorfa de infindáveis debates ideológicos mais confusos e mais insolúveis do que qualquer disputa teológica do século13.

O direito ao uso praticamente ilimitado de animais na experimentação científica é algo que teria escandalizado um escolástico da Idade Média – para não mencionar os franciscanos, que conversavam com passarinhos; mas, no século 19, isso pareceu inteiramente normal, porque era simplesmente um passo a mais na progressiva concentração revolucionária do poder nas mãos de uma elite iluminada, e incumbida de "regenerar a espécie humana".

Não demorou muito para que, corroída pelo debate científico, a antiga noção bíblica do homem como imagem de Deus cedesse lugar à concepção da humanidade como uma simples espécie animal entre outras, tornando portanto aceitável a idéia de usar os próprios seres humanos como cobaias de laboratório ou de tratá-los com eletrochoques caso divergissem "patologicamente" da ideologia governamental.

O movimento revolucionário evolui, ao mesmo tempo, por expansão e por autonegação. O horror totalitário que ele próprio criou cedeu lugar, assim, ao discurso dos "direitos das minorias". Mas foi daí mesmo que, na fase seguinte do debate revolucionário, o professor Peter Singer tirou a conclusão de que devia condenar como delito de "especismo" a prioridade dos direitos humanos sobre os "direitos dos animais" e proclamar que é mais justo, num experimento científico, sacrificar antes um bebê mongolóide do que um macaco-prego inteligente.

Eis aí o pano-de-fundo ideológico sobre o qual se desenrola, sem esperança de solução, o debate entre os advogados dos Beagles e os defensores do Instituto Royal.

O mandamento cristão da piedade, aplicado com critério e inteligência, seria suficiente para dirimir todas as dúvidas e orientar o procedimento em cada caso concreto. Mas quem quer voltar a essas velharias em pleno século 21?




Nota de Olavo de Carvalho publicada no Facebook:

Os ensaios do Peter Singer são uma coleção de platitudes que preparam o leitor para engolir, anestesiado, conclusões práticas absurdas. Evitar sofrimentos para os animais é uma exigência moral da qual ninguém discorda, em teoria, mas é evidente que, se proibirmos completamente a matança de animais de todo gênero, estes se multiplicarão até o nível de uma ameaça catastrófica, e então teremos de aceitar passivamente a extinção da espécie humana ou então introduzir o controle da natalidade animal, esterilizando bichos a granel e fazendo-os, portanto, sofrer, seja por dor física, seja pela simples privação da possibilidade de seguir seu desenvolvimento natural normal. Bastou, por exemplo, proibir a matança de lobos em alguns Estados americanos durante uns poucos anos, para que eles proliferassem e voltassem a constituir ameaça para os seres humanos. Se não é justo fazer nenhum animal sofrer, não se pode negar aos lobos e leões o direito que se dá às galinhas. Abrir uma exceção para os animais perigosos é regular o direito à vida animal pelo critério do interesse humano, caindo portanto no pecado de 'especismo' que se queria evitar. Por onde quer que se examine, a filosofia de Singer consiste em chegar a conclusões absurdas pela via do puro consequencialismo lógico alheio à experiência prática da vida. É uma filosofia para adolescentes irresponsáveis. 'Pereat mundus, fiat philosophia.'


quinta-feira, agosto 22, 2013

Professores.









por Olavo de Carvalho




No debate da TV Futura com o intelectual católico Sidney Silveira, talento superior que mecereria adversários bem melhores, um sr. Ricardo Figueiredo de Castro, professor de História Contemporânea na UFRJ, deu um show de ignorância à altura do que é de se esperar da classe universitária hoje em dia, enquanto seu colega Paulo Domenech Onetto, professor de Filosofia Política na mesma instituição, preferiu caprichar na baixeza e na mendacidade como seria mais próprio de um ministro de Estado.

O primeiro, com aquele olhar de tranqüilidade soberana que dá a qualquer um os ares de uma tremenda autoridade científica, assegurou que “os conservadores de hoje em dia, como os do século XIX, tendem a pensar o processo histórico desde uma perspectiva rígida, formalista, que não aceita a mudança”. Sei o quanto é injusto, cruel e desumano exigir que um professor universitário de hoje em dia conheça alguma coisa, mas, se esse professor de História conhecesse ao menos a história da própria disciplina que leciona, saberia que o senso do tempo, da história e da mutabilidade foi introduzido no pensamento europeu por historiadores e intelectuais conservadores, em reação contra a ideia dos revolucionários de 1789 que, inspirados na física newtoniana, acreditavam numa sociedade moldada segundo os cânones universais e imutáveis da Razão. Os nomes de Georg W. F. Hegel, Edmund Burke, François-René de Chateaubriand, Leopold von Ranke e, mais tarde, os de Jacob Burckhardt e Hippolyte Taine, deveriam bastar – para quem os leu, é claro, o que não é absolutamente o caso – para eliminar qualquer dúvida a respeito.

Já entre os revolucionários, nem mesmo em Karl Marx aparece claramente o senso da “mudança como algo inerente ao processo histórico”, para usar os termos do prof. Figueiredo, já que a visão marxista da história é a de um processo predeterminado por leis tão imutáveis quanto as de Newton, caminhando de fatalidade em fatalidade até desembocar inexoravelmente no socialismo.

A elevação da “mudança” às alturas de mito abrangente e força universal soberana não aparece no pensamento ocidental moderno antes de Nietzsche -- aliás um discípulo de Jacob Burckhardt --, embora tenha tido alguns precursores nas fileiras do anarquismo e também em alguns obscuros representantes da intelectualidade revolucionária russa pré-marxista.

Confiante na sua devota ignorância histórica, o referido sentenciou ainda que os conservadores “tendem a exagerar o papel dos políticos de esquerda na condução do processo de transformação, como se este fosse gerido por pequenos grupos de intelectuais e não algo que faz parte da dinâmica da sociedade”. Ele deveria ter ensinado isso a Lênin, que zombava de todo “espontaneísmo”, como ele o chamava, e enfatizava mais que ninguém o papel da vanguarda revolucionária. Poderia também ter dado lições a Georg Lukács, para o qual a consciência-de-classe do proletariado não era sequer uma realidade presente, mas apenas uma possibilidade abstrata a ser concretizada pela ação da elite. Poderia também passar uns pitos em Antonio Gramsci, para o qual a força criadora da revolução está acima de tudo na elite intelectual. Ou então poderia escrever uma tese de que Lênin, Lukács e Gramsci foram conservadores.

É claro que na sociedade há processos de transformação espontâneos mesclados à ação planejada de grupos políticos. Já escrevi aqui mesmo que a distinção meticulosa desses dois fatores, bem como a análise das suas múltiplas relações e interfusões, é a chave de toda narrativa histórica decente. Mas quererá o prof. Figueiredo dizer que setenta milhões de chineses foram para o beleléu assim sem mais nem menos, por força da mera “dinâmica da sociedade”, sem que alguém no topo do governo ordenasse a sua extinção? Quer dizer que vinte milhões de russos foram morrer no Gulag levados por forças impessoais e anônimas e não por um decreto oficial? Quer dizer que trinta mil vítimas das Farc morreram porque estavam acidentalmente na direção de balas perdidas, e não porque a narcoguerrilha as matasse? Quer dizer que dezessete mil cubanos foram fuzilados por acidente e não por ordem direta de Fidel Castro e Che Guevara? Quer dizer que seis milhões de judeus pereceram no Holocausto por mera coincidência, sem que ninguém no governo alemão decidisse dar cabo deles? Quer ele ignorar que os acontecimentos de maior impacto desde o início do século XX não foram inocentes coincidências espontâneas, mas decisões fatais de elites governantes e grupos ativistas?

Pois já que ele acredita tanto no poder da mudança, deveria saber que a principal mudança histórica dos últimos cem anos foi a criação de meios técnicos de ação que aumentam formidavelmente o poder das elites governantes e dos grupos ativistas bem financiados, reduzindo a população a um estado de inermidade patética.

O professor também afirmou que “não vejo nenhuma animosidade contra os conservadores na universidade brasileira” e que “os comunistas nunca foram hegemônicos no PT”. Tsk, tsk, tsk.

Seu colega, o sr. Paulo Domenech Onetto, também tem algumas opiniões, mas não vêm ao caso. Na ânsia desesperada de dizer algo contra mim, ele afirmou, com ares de quem acreditava mesmo nisso, que tenho à minha volta um pelotão de guarda-costas eletrônicos, que barram todo acesso à minha pessoa na internet, para me proteger de debates. Não ocorreu à criatura que para fazer isso os referidos teriam de violar a minha correspondência e neste caso não seriam meus guarda-costas, e sim espiões. Interessa conhecer as opiniões de um difamador mentecapto incapaz de compreender as suas próprias invencionices?





Publicado no Diário do Comércio.

sexta-feira, outubro 19, 2012

PAULO FREIRE UMA INUTILIDADE.


PAULO FREIRE UMA INUTILIDADE.

Um patrono à altura.
por Carlos Ramalhete(*)




Vivemos atualmente a dissolução de uma sociedade edificada ao longo de milênios. É uma longa e bela construção, fundada na filosofia grega e no personalismo judaico-cristão, e burilada ao longo dos séculos. Essa sociedade nos deu a noção de que todos têm direitos inalienáveis; que a natureza pode e deve ser estudada e, ao mesmo tempo, preservada; que o Belo e o Bom têm valor. Deu-nos as universidades, a democracia representativa, o reconhecimento da dignidade dos mais fracos.

Este imenso patrimônio cultural é a herança a que cada brasileiro tem – ou teria – direito. O que vemos, contudo, é o oposto. Mais de um terço dos universitários são analfabetos funcionais. As escolas servem à doutrinação política e à “desmitificação” dos valores da nossa sociedade, deixando de lado o ensino e a preservação da cultura.

Paulo Freire, um dos maiores culpados deste estado de coisas no Brasil, recebeu, com razão, o título de “Patrono da Educação Brasileira”. É justo que ele seja o patrono de uma “educação” que não é capaz de ensinar a ler e escrever, mas que martela nos alunos uma visão tão deturpada do mundo que é mais fácil encontrar dez estudantes que creiam que a luta de classes é uma lei da natureza que achar um que saiba enunciar a Segunda Lei da Termodinâmica.

A História e a Geografia passam a ser apenas denúncia de supostas monstruosidades; o vernáculo, na melhor das hipóteses, uma tentativa de reproduzir a verbalidade. As ciências – deixadas quase de lado –, uma sucessão de conteúdos “bancários”, no dizer dos seguidores do falso profeta recifense. Faz-se força para enfiar alguma ideologia nas ciências, mas não há luta de classes na Química ou opressão econômica na Física. Fica difícil.

Só o que fez este triste patrono foi descobrir que o aluno é um público cativo para a doutrinação marxista. A educação deixa de ser uma abertura para o mundo, uma chance de tomar posse de nossa herança cultural, e passa a ser apenas a isca com a qual se há de fisgar mais um inocente útil para destruir a herança que não conhece.

As matérias pedagógicas da licenciatura resumem-se hoje à repetição incessante, em palavras levemente diferentes, das mesmas inanidades iconoclastas. Os cursos da área de Humanas, com raras exceções, são mais do mesmo, sem outra preocupação que não acusar aquilo que não se dá ao aluno a chance de conhecer. O que seria direito dele receber como herança.

Paulo Freire é o patrono da substituição de conhecimento por ideologia, de aprendizado por lavagem cerebral. Merece o título.

(*)Carlos Ramalhete é professor.


A propósito do assunto Paulo Freire, fuçando daqui e dali encontrei no blog do Contra algo de estarrecer os e as PauloFreiretes de plantão:

"Certa vez, por obrigação profissional, tive de fazer uma palestra-louvação sobre Paulo Freire. Foi um dos momentos mais constrangedores de minha vida. Já sabendo que o famoso "método" inventado por essa vaca sagrada do esquerdismo tupiniquim não vale uma promessa de Lula ou de Dilma Rousseff, engoli em seco minha opinião e passei cerca de uma hora enaltecendo-o, reproduzindo o discurso oficial perante uma platéia de devotos da seita freiriana. 


Por isso me senti vingado pelo texto a seguir, do professor Olavo de Carvalho. Com o estilo e a verve habituais - e, principalmente, com fatos e argumentos -, OC demole mais esse deus do panteão esquerdista, recolocando-o em seu devido lugar. Demonstra, de forma cabal, que o tal "método", assim como a fama de Freire, não tem nada a ver com educação, mas com ideologia. Se eu pudesse voltar no tempo, começaria aquela palestra com a pergunta feita por OC já na primeira frase. Poucas vezes transcrevi um texto com tanto gosto como faço agora. (GB)"


O Texto é de Olavo de Carvalho:


Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.


As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.

Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.

Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:

“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)

“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)

“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)

“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)

“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It's All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)

“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)

“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)

“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed.,Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)

Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).


Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus própios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.

Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

Fontes: Midia Sem Máscara, Blog do Contra, Olavo de Carvalho

sábado, maio 12, 2007

DEBATENDO O CRIME



As alegações em favor da liberação do aborto são tão escandalosamente mentirosas que o simples fato de aceitar debatê-las já é conceder-lhes uma honra indevida. Não é a mesma coisa discutir com a pessoa honesta que tem uma idéia errada na cabeça e com vigaristas dispostos a impor suas decisões por meio de quantas fraudes e engodos lhes pareçam necessários para isso. Os abortistas, sob esse aspecto, já superaram a quota de mendacidade rotineira de qualquer movimento social ou político, tornando-se um perigo público que deve ser denunciado como tal. Mesmo porque a impunidade de que vêm desfrutando só os encoraja a usar a própria justiça como instrumento da fraude, perseguindo e acossando os discordantes por meio de trapaças jurídicas como aquela, já aqui denunciada, de tentar criminalizar o uso da palavra abortistas para designá-los, como se existisse termo melhor.
À desonestidade permanente e sistemática da sua propaganda acrescenta-se ainda a brutalidade incomum de uma retórica baseada na intimidação e na chantagem psicológica, que inventa males sociais puramente imaginários para em seguida imputar sua culpa aos adversários do aborto, fazendo da fé religiosa um crime e assim legitimando implicitamente a matança de cristãos e as legislações repressoras que configuram de maneira cada vez mais nítida um deliberado e crescente genocídio cultural.
Só a título de amostra, vejam alguns dos feitos notáveis do movimento abortista, e digam, com toda a franqueza, se essa gente merece um debate educado ou uma resposta judicial à altura.
1. As Católicas pelo Direito de Decidir são uma organização pró-abortista fraudulenta que se finge de católica para ludibriar a população religiosa mas na verdade é explicitamente satanista. Se isso não é propaganda enganosa e estelionato, a lei mudou sem que eu fosse avisado. Já acusei a organização em público por esses crimes, e a presidente da entidade, após uns rosnados de puro blefe, se recolheu a um silêncio altamente significativo.
2. O processo judicial Roe versus Wade , que produziu a legalização do aborto nos EUA, foi uma fraude completa. A própria autora da petição inicial, que solicitava permissão para abortar sob a alegação de estupro, já confessou que não sofreu estupro nenhum, que foi tudo uma invencionice tramada entre ela e os líderes do movimento abortista.
3. As estatísticas que procuravam impressionar o público americano com a alegação de milhões de abortos clandestinos realizados anualmente foram forjadas pelo líder abortista Bernard Natanson, que já confessou tudo. Natanson foi proprietário da maior clínica de abortos dos EUA, mas se arrependeu dos seus crimes, voltou à fé judaica da sua infância e hoje é um dos mais corajosos denunciadores do genocídio abortista. Ainda hoje essas estatísticas monstruosamente aumentadas são brandidas pela grande mídia nacional como argumentos sérios.
4. O financiamento bilionário da campanha abortista vem dos mesmos grupos multinacionais que há meio século tentam impor ao mundo o controle populacional por todos os meios lícitos e ilícitos. A desculpa da campanha era eliminar a miséria no Terceiro Mundo. Hoje está provado que o seu único resultado foi, ao contrário, diminuir a natalidade nos países ricos, desencadeando a onda de imigração ilegal que hoje ameaça destruir a sociedade européia e americana.
Em vez de admitir o erro, os iluminados autores da idéia decidiram redobrar a aposta, adquirindo a peso de ouro o apoio dos partidos de esquerda por toda parte e investindo no controle indireto por meio do incentivo ao aborto e ao homossexualismo. Resultado: aqueles partidos, que na década de 60 denunciavam a campanha de controle populacional como intervenção imperialista, se tornaram os maiores defensores e apóstolos daquilo que condenavam. Se isso não é comércio de consciências, não sei o que é.
5. O comércio de fetos para a indústria de cosméticos é o beneficiário mais direto e óbvio da legalização do aborto, mas nem uma palavra sobre isso se admite nos “debates” montados pela grande mídia, toda ela comprometida com a causa abortista.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Imprensa pró Alckmin?

Imprensa pró Alckmin?




Pois é. O pt de Marco Sargentão Garcia acusa a imprensa de trabalhar a favor de Geraldo Alckmin. É apenas parte da tática petralha: acuse os inimigos daquilo que voce é. A Carta a Otavio Frias, da Folha - e do data-falha - desmente os petralhas:




Prezado Otávio Frias Filho,
Peço que você leia atentamente o artigo abaixo reproduzido. Não há nenhuma razão decente para o seu jornal continuar ocultando sistematicamente os fatos que ali apresento, os quais se tornaram ainda mais indesmentíveis depois do discurso pronunciado por Lula no Foro de São Paulo em 2 de julho de 2005. E não adianta alegar que o jornal publicou alguns dos meus artigos a respeito. Você sabe perfeitamente que artigos na seção de opinião não têm força nenhuma, quando os fatos em que se baseiam estão ausentes das páginas de noticiário. Nestas, o Foro de São Paulo e seus crimes foram meticulosamente omitidos ao longo de muitos anos, e continuam a sê-lo num momento em que essa omissão arrisca ludibriar novamente os eleitores, induzindo-os a confirmar na presidência da República um homem cuja verdadeira história ignoram por completo. Você, como outros empresários de mídia, está apostando seu jornal, sua carreira, sua reputação e sua fortuna contra uma verdade muito bem confirmada. Algum dia ela será fatalmente revelada aos olhos de todos, provando a covardia e a desonestidade daqueles que se furtaram à obrigação de mostrá-la em tempo. Isso é absolutamente inevitável, e se acontecer quando você tiver setenta ou oitenta anos não será nem um pouco menos doloroso do que se acontecer no mês que vem. Você tem dinheiro e influência; mas a verdade tem do lado dela uma arma invencível: o tempo. A única esperança dos que apostam contra ela é morrer antes de que ela apareça. O único consolo que lhes restará, nesse caso, será o alívio barato de haver conseguido fugir ao desprezo em vida, escondendo-se por trás do seu próprio cadáver. Pelo respeito mútuo e boas relações que sempre tive com você, espero, sinceramente, que esse não seja o seu destino.
Atenciosamente,

Olavo de Carvalho
PS - Estou divulgando esta carta por todos os meios ao meu alcance.
PS 2 - Como você sabe, tentei publicar os fatos sobre o Foro de São Paulo na própria Folha, como matéria paga. Informado de que pela lei eleitoral o anúncio não poderia ultrapassar um oitavo de página, desisti da idéia, para não ser acusado de gastar dinheiro de amigos num empreendimento inócuo.



Um negócio quase honesto
Olavo de Carvalho,Jornal do Brasil, 13 de abril de 2006

Ao mesmo tempo que o Exército Brasileiro comunicava a prisão de agentes das Farc na Amazônia, a IstoÉ de 12 de abril informava: documentos apreendidos com Fernandinho Beira-mar "comprovam a antiga suspeita de que o bandido fornecia armamentos e munições às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em troca das toneladas de cocaína com que abastecia pontos-de-venda de droga no Brasil". Uma agenda, preenchida pelo traficante com o registro de suas operações no ano 2000, "é a prova cabal da aliança entre Beira-Mar e as Farc", assegura a revista.


Beira-Mar não decerto é o principal amigo brasileiro dos delinqüentes colombianos. A Resolução número 9 do X Foro de São Paulo, de 7 de dezembro de 2001, condenou a repressão à narcoguerrilha como "terrorismo de Estado" e como "verdadero plán de guerra contra el pueblo". Entre as assinaturas estava a do sr. Luís Inácio Lula da Silva, então ainda presidente do Foro.
No mesmo ano, líderes das Farc foram recebidos como hóspedes oficiais pelo governo petista do Rio Grande do Sul.


Mas seria injusto dizer que a colaboração do PT com as Farc se limitou à troca de gentilezas. As duas organizações publicam juntas uma revista, "America Libre", dirigida pelo sublime dr. Emir Sader, na qual defendem seus interesses comuns contra o governo da Colombia e dos EUA, o Exército brasileiro e outras entidades malignas. Pelo menos até 2004, o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, estava no Conselho Editorial da publicação ao lado do comandante das Farc, Manuel Marulanda Vélez, o famigerado "Tiro Fijo". Lá estava também o impoluto deputado Greenhalgh -- aquele mesmo que propunha controlar a criminalidade mediante o desarmamento geral das vítimas.


Quando o porta-voz das Farc, Olivério Medina, contou que a organização tinha dado dinheiro para a campanha eleitoral do PT, houve uma correria geral para persuadir o público de que tudo não passava de bravata. Mas, logo depois, a elite petista organizava um movimento de protesto para libertar da prisão o homem acusado de manchar a reputação do partido com fanfarronadas irresponsáveis. Em vez de enxergar algo de suspeito em tamanha incongruência, a nação preferiu acreditar que o PT era um partido cristianíssimo, que retribuia o mal com o bem.


Em 2002, três dos quatro concorrentes à presidência eram membros de partidos aliados às Farc no Foro de São Paulo, e o quarto, José Serra, informado de tudo, preferiu perder a eleição de bico fechado, provando fidelidade estóica às suas raízes esquerdistas. Enquanto a mídia local celebrava a lisura do pleito, o vencedor confessava ao "Le Monde" que a eleição tinha sido "apenas uma farsa, necessária à tomada do poder", sendo confirmado nisso pelo sr. Marco Aurélio Garcia em declaração ao jornal argentino " La Nación " de 5 de outubro de 2002. Em julho de 2005, o então já tarimbado presidente admitia ter tomado decisões de governo em reuniões secretas do Foro de São Paulo, longe do Congresso e da opinião pública.


A troca de cocaína pelas armas que Fernandinho Beira-Mar trazia do Líbano era feita na Tríplice-Fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai). Semanas atrás, o promotor do Distrito de Manhattan, Robert Morgenthau, conseguiu fechar um canal de dinheiro pelo qual três bilhões de dólares de drogas, seqüestros, contrabando e outros crimes tinham fluído dessa região para organizações terroristas muçulmanas, por meio de um banco de Nova York. Quando a existência desse canal foi denunciada pela primeira vez, a esquerda brasileira protestou com veemência, dizendo que era tudo uma sórdida mentira imperialista.


Aos poucos, a verdade está aparecendo. Mas ela é ainda grande e feia demais para os olhos sensíveis de uma nação que se deixou enfraquecer por uma longa dieta de mentiras cor-de-rosa. O Brasil talvez precise de mais alguns anos para entender que, comparado à trama do Foro de São Paulo, o Mensalão é quase um negócio honesto.