terça-feira, novembro 17, 2015

Na Europa, a esquerda descobriu que o “almoço grátis” será pago por ela.





Na Europa, a esquerda descobriu que o “almoço grátis” será pago por ela.
por Gary North(*)




Ao mesmo tempo, isso é apenas o início da crise, pois as condições que estão estimulando as pessoas a fugirem de seus respectivos países só irão piorar. E a União Européia, com países que possuem os maiores e mais bem equipados sistemas assistencialistas do mundo, parece estar estupefata e impotente perante tudo isso — politicamente, moralmente e administrativamente.


Essa paralisia cria um significativo risco para a União Européia. Ninguém acredita seriamente que os países-membros — particularmente Itália e Grécia, os dois países mais afetados — possam superar, por conta própria, os desafios de longo prazo gerados pela imigração em larga escala. 


Por outro lado, vários países-membros rejeitam um esforço comum europeu, postura essa que ameaça acelerar a erosão da solidariedade dentro da União Européia e reforça a atual tendência rumo à desintegração — Joschka Fischer.



Joschka Fischer foi Ministro das Relações Exteriores e vice-chanceler da Alemanha de 1998 a 2005, no governo do social-democrata Gerhard Schröder. Posteriormente, ele fundou o Partido Verde alemão. Ou seja, ele costumava estar dentro do sistema; hoje, ele está nas franjas.

No trecho acima, ele está descrevendo o colapso da União Europeia. Ele está também descrevendo o colapso dos estados assistencialistas europeus do pós-guerra. 

Ambos os arranjos estão condenados. Ao longo dos próximos anos, a Europa será atingida por milhões de imigrantes oriundos de países arrasados do Oriente Médio. Estes imigrantes irão — como já fazem na França — tirar proveito de todo o sistema assistencialista em voga na Europa, da educação gratuita à saúde gratuita. Eles tenderão a ser mão-de-obra de baixa produtividade e incapazes de falar os idiomas locais. Terão baixa educação formal e viverão segregados em seus guetos, com suas antenas parabólicas apontadas para as redes do Oriente Médio. Já é assim na França há décadas. Será assim em toda a Europa. 

O tsunami de imigração em massa ainda não atingiu a Europa. Atingirá na próxima primavera européia (a partir de abril de 2016). Milhões já chegaram até a Europa. Outros milhões farão essa mudança enquanto ainda for fácil. As cercas de arame farpado foram colocadas apenas pela Hungria e pela Croácia. Mas a tendência é que, na próxima primavera européia, elas se intensifiquem.

O governo da Polônia já anunciou que não aceitará mais imigrantes. O governo da República Tcheca está indo pelo mesmo caminho.

Os cidadãos europeus sempre pensaram que seriam os únicos beneficiados das generosas políticas assistencialistas de seus respectivos países, as quais são sustentadas pela tributação dos ricos. Agora, repentinamente, eles descobriram que eles se tornaram "os ricos", e terão de sustentar as massas de imigrantes. A consequência disso é que seus estados assistencialistas irão falir sob o peso de imigrantes oriundos de estados falidos.

Tudo parecia tão fácil após a Segunda Guerra Mundial... Apenas vote nas políticas social-democratas e você usufruirá segurança econômica por toda a sua vida, devidamente financiada pelos impostos sobre os mais ricos. E então, surpresa! O jogo virou, os beneficiados repentinamente se tornaram "os ricos", e serão devidamente tributados para sustentar os milhões que estão chegando para reivindicar esse "direito ao assistencialismo".

Esses imigrantes, que não pagam impostos, têm várias bocas para alimentar, vários corpos para abrigar, e jovens mentes para educar. Eles não conseguirão certificados e licenças profissionais nas esclerosadas burocracias européias. Eles não conseguirão fazer parte dos sindicatos em uma Europa que já é dominada por guildas mercantilistas.

Porém, sendo progressistas, a maioria dos europeus não exigirá que estes imigrantes se alimentem por conta própria, se eduquem por conta própria, e paguem sozinhos por suas moradias. Isso seria uma intolerável e inaceitável demonstração de thatcherismo. Consequentemente, seus governos irão incorrer em maciços déficits orçamentários para arcara com tudo isso, tudo devidamente financiado pelo Banco Central Europeu.

A Europa não é apenas consumida por sindicatos; ela também é consumida pela culpa. Seus cidadãos sempre acreditaram na promessa de votar para receber políticas assistencialistas. Dentro de 25 anos, eles não mais serão a maioria desses votos. Os filhos dos imigrantes serão os votos decisivos. Pode até ocorrer em menos de 25 anos.

Os estados assistencialistas europeus já estavam rumo ao colapso em decorrência de passivos futuros (gerados pelo estado de bem-estar social) para os quais não havia uma equivalente quantidade de receitas programas (algo que, contabilmente, é chamado de "passivo a descoberto"). Com as imigrações em massa, esse processo será acelerado.

O que um esquerdista irá fazer contra tudo isso? Coerentemente, nada. A esquerda sempre proclamou acreditar no "socialismo democrático", também chamado de democracia econômica. Agora eles receberão aquilo que sempre proclamaram defender, e em grandes doses. Eles apenas nunca imaginaram que seriam eles que arcariam com a fatura; sempre imaginaram que eles seriam os beneficiários da fatura. A esquerda sempre se viu como sendo o lado ativo do assalto perpetrado pelas urnas; repentinamente, descobriu que estaria do lado passivo do furto.

As lamúrias estão apenas começando. "Isso simplesmente não é justo!". É verdade, não é justo. Mas é o sistema que vocês próprios criaram.

Fischer termina sua coluna dizendo que:






No longo prazo, os estrategistas políticos terão de explicar aos seus eleitores que é impossível usufruir, simultaneamente, prosperidade econômica, um alto nível de seguridade social, e uma população em que pensionistas geram um crescente fardo sobre os economicamente ativos. Para que tal sistema seja mantido, a força de trabalho européia terá de crescer continuamente, e esse é justamente um motivo pelo qual os europeus deveriam parar de tratar os imigrantes como uma ameaça e começar a vê-los como uma oportunidade.



Em uma economia de livre mercado, na qual cada pessoa, por meio do seu trabalho, provê a si própria, esse raciocínio é perfeitamente verdadeiro. Já em um estado assistencialista esclerosado, burocrático e dominado por sindicatos, são as multidões que abocanham a maior fatia do espólio.

Isso seria uma vitória do "eu avisei" dos teóricos anti-assistencialismo em uma escala jamais vista no Ocidente, embora já vivenciadas pela URSS e pela China comunista.

Ludwig von Mises passou 60 anos de sua vida alertando para isso. A esquerda não quis escutar.

As ruas das cidades européias estão se tornando abarrotadas de imigrantes desempregados. Eles adquiriram o direito de ter três refeições gratuitas por dia (e, alguns casos, chegam a receber dinheiro vivo tão logo chegam ao país). Quem irá dizer a eles que "chega"? Quando? Utilizando qual argumento?

Esse é o início do fim daquilo que passou a ser chamado de "política da culpa e da comiseração". Ao contrário do que previu Karl Marx, a "revolução vermelha" jamais varrerá a Europa. O que varrerá a Europa serão as "contas no vermelho".

Será fascinante assistir a tudo isso . . . a uma distância segura.



(*) Gary North , ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website.

Fonte: Mises

sexta-feira, novembro 13, 2015

Ex-espião da União Soviética: Nós criamos a Teologia da Libertação







Ex-espião da União Soviética: Nós criamos a Teologia da Libertação.






REDAÇÃO CENTRAL, 11 Mai. 15 / 12:06 pm (ACI).- Ion Mihai Pacepa foi general da polícia secreta da Romênia comunista antes de pedir demissão do seu cargo e fugir para os EUA no fim da década de 70. Considerado um dos maiores “detratores” de Moscou, Pacepa concedeu entrevista a ACI Digital e revelou a conexão entre a União Soviética e a Teologia da Libertação na América Latina. A seguir, os principais trechos da sua entrevista:

Em geral, você poderia dizer que a expansão da Teologia da Libertação teve algum tipo de conexão com a União Soviética?

Sim. Soube que a KGB teve uma relação com a Teologia da Libertação através do general soviético Aleksandr Sakharovsky, chefe do serviço de inteligência estrangeiro (razvedka) da Romênia comunista, que foi conselheiro e meu chefe até 1956, quando foi nomeado chefe do serviço de espionagem soviética, o PGU1; Ele manteve o cargo durante 15 anos, um recorde sem precedentes.

Em 26 de outubro de 1959, Sakharovsky e seu novo chefe, Nikita Khrushchev, chegaram à Romênia para as chamadas “férias de seis dias de Khrushchev”. Ele nunca tinha tomado um período tão longo de férias no exterior, nem foi sua estadia na Romênia realmente umas férias.

Khrushchev queria ser reconhecido na história como o líder soviético que exportou o comunismo à América Central e à América do Sul. A Romênia era o único país latino no bloco soviético e Khrushchev queria envolver os “líderes latinos” na sua nova guerra de “libertação”.

Eu me investiguei sobre Sakharovsky, vi os seus escritos, mas não pude encontrar nenhuma informação relevante sobre sua figura. Por que?

Sakharovsky era uma imagem soviética dos anos quentes da Guerra Fria, quando os membros dos governos britânico e israelense ainda não conheciam a identidade dos líderes do Mossad e do MI-6. Mas, Sakharovsky desempenhou um papel extremamente importante na construção da história da Guerra Fria. Ele ocasionou a exportação do comunismo a Cuba (1958-1961); ele manipulou de maneira perversa a crise de Berlim (1958-1961) criou o Muro de Berlim; a crise dos mísseis cubanos (1962) e colocou o mundo na beira de uma guerra nuclear.

A Teologia da Libertação foi de alguma maneira um movimento ‘criado’ pela KGB de Sakharovsky ou foi um movimento existente que foi exacerbado pela URSS?

O movimento nasceu na KGB e teve um nome inventado pela KGB: Teologia da Libertação. Durante esses anos, a KGB teve uma tendência pelos movimentos de “Libertação”. O Exército de Libertação Nacional da Colômbia (FARC –sic–), criado pela KGB com a ajuda de Fidel Castro; o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criado pela KGB com o apoio de “Che” Guevara; e a Organização para Libertação da Palestina (OLP), criado pela KGB com ajuda de Yasser Arafat, são somente alguns movimentos de “Libertação” nascidos em Lubyanka – lugar dos quartéis-generais da KGB.

O nascimento da Teologia da Libertação em 1960 foi a tentativa de um grande e secreto “Programa de desinformação” (Party-State Dezinformatsiya Program), aprovado por Aleksandr Shelepin, presidente da KGB, e pelo membro do Politburo, Aleksey Kirichenko, que organizou as políticas internacionais do Partido Comunista.

Este programa demandou que a KGB guardasse um controle secreto sobre o Conselho Mundial das Igrejas (CMI), com sede em Genebra (Suíça), e o utilizasse como uma desculpa para transformar a Teologia da Libertação numa ferramenta revolucionária na América do Sul. O CMI foi a maior organização internacional de fiéis depois do Vaticano, representando 550 milhões de cristãos de várias denominações em 120 países.

O nascimento de um novo movimento religioso é um evento histórico. Como foi construído este novo movimento religioso?

A KGB começou construindo uma organização religiosa internacional intermédia chamada “Conferência Cristã pela Paz”, cujo quartel general estava em Praga. Sua principal tarefa era levar a Teologia da Libertação ao mundo real. A nova Conferência Cristã pela Paz foi dirigida pela KGB e estava subordinada ao respeitável Conselho Mundial da Paz, outra criação da KGB, fundada em 1949, com seu quartel geral também em Praga.

Durante meus anos como líder da comunidade de inteligência do bloco soviético, dirigi as operações romenas do Conselho Mundial da Paz (CMP). Era estritamente KGB. A maioria dos empregados do CMP eram oficiais de inteligência soviéticos acobertados. Suas duas publicações em francês, “Nouvelles perspectives” e “Courier da Paix”, estavam também dirigidas pelos membros infiltrados da KGB –e da romena DIE2–. Inclusive o dinheiro para o orçamento da CMP chegava de Moscou, entregue pela KGB em dólares, em dinheiro lavado para ocultar sua origem soviética. Em 1989, quando a URSS estava à beira do colapso, o CMP admitiu publicamente que 90 por cento do seu dinheiro chegava através da KGB3.

Como começou a Teologia da Libertação?

Eu não estava propriamente envolvido na criação da Teologia da Libertação. Eu soube através de Sakharovsky, entretanto, que em 1968 a Conferência Cristã pela Paz criada pela KGB, apoiada em todo mundo pelo Conselho Mundial da Paz, foi capaz de manipular um grupo de bispos sul-americanos da esquerda dentro da Conferência de Bispos Latino-americanos em Medellín (Colômbia).

O trabalho oficial da Conferência era diminuir a pobreza. Seu objetivo não declarado foi reconhecer um novo movimento religioso motivando os pobres a rebelar-se contra a “violência institucionalizada da pobreza”, e recomendar o novo movimento ao Conselho Mundial das Igrejas para sua aprovação oficial. A Conferência de Medellín alcançou ambos objetivos. Também comprou o nome nascido da KGB “Teologia da Libertação”.

A Teologia da Libertação teve líderes importantes, alguns deles famosas figuras “pastorais” e alguns intelectuais. Sabe se houve alguma participação do bloco soviético na promoção da imagem pessoal ou dos escritos destas personalidades? Alguma ligação específica com os bispos Sergio Mendes Arceo do México ou Helder Câmara do Brasil? Alguma possível conexão direta com teólogos da Libertação como Leonardo Boff, Frei Betto, Henry Camacho ou Gustavo Gutiérrez?

Tenho boas razões para suspeitar que havia uma conexão orgânica entre a KGB e alguns desses líderes promotores da Teologia da Libertação, mas não tenho evidência para comprová-la. Nos últimos 15 anos que morei na Romênia (1963-1978), dirigi a espionagem científica e tecnológica do país, e também as operações de desinformação destinadas a aumentar a importância de Ceausescu no Ocidente.



Recentemente vi o livro de Gutiérrez “Teologia da Libertação: Perspectivas” (1971) e tive a intuição de que este livro foi escrito em Lubyanka. Não surpreende que ele seja considerado agora como o fundador da Teologia da Libertação. Porém, da intuição aos fatos, entretanto, há um longo caminho.

quinta-feira, novembro 12, 2015

Progressismo doentio sofre derrota no Texas.









por Luiz Gustavo




Os eleitores de Houston, no Texas, saíram em grande número e rejeitaram a proposta de decreto do prefeito Annise Parker (Lésbica), que teria permitido homens a usarem banheiros, chuveiros e vestiários destinados às mulheres, com base na teoria da identidade de gênero. A proposição foi rejeitada por 61% dos eleitores.

Jonathan Saenz, presidente da Texas Values Action, disse que o resultado da votação significa uma virada de jogo. “A votação de hoje é uma vitória enorme para o bom senso, a segurança e a liberdade religiosa, não apenas em Houston, mas para todo o Texas. Os olhos da nação estavam em Houston, e as pessoas enviaram uma mensagem clara ao rejeitar esta proposta intencionalmente enganosa e perigosa”.

“Milhões de dólares de extremistas LGBT, um prefeito descontrolado e o ataque da mídia parcial, nada disso conseguiu superar os esforços incansáveis de pastores de Houston e de pessoas de fé que acreditam na prudência, na segurança e na liberdade”, continuou Saenz. “Eu nasci e cresci em Houston, e eu tinha fé que os cidadãos fariam a coisa certa, e eles fizeram. Esta votação terá impacto sobre a nação e mostra, mais uma vez, que as pessoas ainda apoiam os valores texanos.”

A eleição para prefeito de Houston também foi impactada por essa proposta. Sylvester Turner, que apoiou o projeto do prefeito, agora vai enfrentar o empresário Bill King, que profundamente se opôs à proposta de portaria. Turner era tido como favorito, mas terminou apenas com uma vantagem de 11 pontos no primeiro turno. O segundo turno, em dezembro, dará aos eleitores uma nova oportunidade para rejeitar esta portaria e os valores que ela representa.

Fonte: Breitbart
Fonte: pautaprincipal.wordpress.com

quarta-feira, novembro 11, 2015

Acadêmicos britânicos e a intolerância contra Israel.



Acadêmicos britânicos e a intolerância contra Israel.
por Michael Curtis




Centenas de acadêmicos britânicos, atolados na ignorância e na intolerância, assinaram um anúncio publicitário no Guardian pregando boicote à academia israelense. Essas pessoas não conhecem a vergonha

Os fanáticos querem boicote contra Israel



O Reino Unido tem muitas atrações: Wimbledon, morangos e creme, e os partidos políticos que falam um com o outro. Que pena que também tenha demasiados acadêmicos hipócritas e santos do pau oco, cujo fanatismo é tão considerável como a sua falta de conhecimento das realidades do Oriente Médio.

O fog britânico físico, tão familiar nas histórias de Sherlock Holmes, pode ter desaparecido, mas a confusão mental prevalece nas mentes de alguns membros do corpo docente.

Vergonha para aqueles 343 membros do corpo docente acadêmico, aos quais foram adicionados outros 150, que assinaram um anúncio no jornal britânico, The Guardian em 27 de outubro de 2015 comprometendo-se a não cooperar com instituições acadêmicas israelenses. 
Em um mundo em que centenas de milhares de pessoas do Oriente Médio estão fugindo para os países europeus e, quando em um mês de outubro 2015 dez israelenses foram mortos e mais de 100 ficaram feridos por esfaqueamento por palestinos, os 343 indivíduos opinativos originais tinham uma prioridade diferente. Eles não estavam preocupados, muito menos perturbados, pela continuação da violência e do terrorismo contra civis israelenses durante esse período.

Em vez disso, eles declararam, na língua de fanáticos, que eles foram motivados pela "profunda preocupação pelos palestinos... lutando para manter alguma aparência de vida normal em circunstâncias irremediavelmente difíceis de ocupação e de negação dos direitos humanos."

Assim, esses acadêmicos resolutos tomarão um bravo, de fato heróico, posicionamento. Eles não vão aceitar convites para visitas acadêmicas a Israel ou para participar de eventos organizados, financiados ou patrocinados por instituições acadêmicas nem para agir como árbitros a elas relacionados ou para colaborar de alguma forma.

Tudo isso é essencial por causa da "profunda cumplicidade de instituições acadêmicas israelenses em violações israelenses da lei internacional".

Compreende-se que muitos dos signatários da declaração do Guardian devem ter sido submetidos à influência dos pares e pressão de grupos palestinos. É difícil saber o grau de conhecimento do direito internacional ou de violações dos direitos humanos em Israel ou em outros lugares possuídos pela academia proveniente das disciplinas relacionadas, tais como arte, clássicos, história do design, lingüística, física, química, engenharia civil, estudos de tradução e zoologia.

Claro, não se espera que esses especialistas discutam ou comentem sobre ocupações ou discriminação em relação ao controle da China sobre o Tibete, ou a Turquia sobre Chipre do Norte, ou a Rússia sobre a Criméia ou leste da Ucrânia. Mas algumas informações elementares sobre duas questões, o comportamento palestino, bem como o papel e o comportamento das instituições israelenses, era de se esperar.

Sobre a primeira questão, eles poderiam ter conhecido o comentário do presidente Bill Clinton sobre o fracasso das negociações de Camp David, em julho de 2000, entre ele, o então primeiro-ministro de Israel, Ehud Barack e o presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat: "Lamento que Arafat tenha perdido a oportunidade de concretizar aquele estado (palestino).”

Quanto à segunda questão, eles poderiam ter tomado conhecimento que árabes israelenses, 20 por cento da população, são responsáveis por 50 por cento dos estudantes na principal escola de medicina de Israel, e que constituem 22 por cento do total de estudantes universitários israelenses. Este registro não parece ser o que os acadêmicos chamam de "privação de oportunidades" para os árabes israelenses. Ocupado com os seus estudos eles podem ter esquecido que os hospitais israelenses tratam um grande número de pacientes palestinos, incluindo membros da família dos líderes do Hamas.

Há realmente apenas duas perguntas a serem feita sobre os signatários do anúncio infame. Qual é o seu motivo real na assinatura, e por que estão ansiosos para impedir o progresso e pesquisa na Grã-Bretanha?

Sem dúvida, esses acadêmicos sentiram auto-satisfação e retidão moral ao assinar a declaração, mas eles deviam se envergonhar por desmentir todo o ethos da academia: diálogo aberto e busca de novas idéias. Agiram não só de uma forma ignorante, mas também divisionista, discriminatória e prejudicial aquela que torna a busca da paz e compreensão no Oriente Médio mais difícil. Eles estão destruindo pontes, não as construindo.

Eles não compreenderam que as próprias instituições acadêmicas que desejam boicotar estão entre os corpos que são muitas vezes mais crítico das políticas israelenses e são lugares onde as diferenças abertas sobre políticas relativas aos palestinos são apaixonadas. Eles podem comparar as expressões de preocupação de muitos acadêmicos israelenses para melhorar a vida dos palestinos com a liberdade de expressão e de discussão aberta disponível na Síria, Iraque, Irã, Arábia Saudita, ou mesmo entre as facções dos palestinos do Fatah e do Hamas que ainda estão se matando uns aos outros.

A ignorância dos signatários tão preocupados com as iniqüidades de Israel é verdadeiramente espantosa. Será que os 343 acadêmicos buscam a verdade em suas próprias disciplinas acadêmicas. Nesse caso das relações entre a Grã-Bretanha e Israel estão inexplicavelmente impedindo o progresso.

Será que eles aceitam a narrativa palestina de vitimização e da declaração, publicada no mesmo dia que seu anúncio, do jornal oficial da Autoridade Palestina, Al-Hayat Al-Jadida, que foi a Declaração de Balfour, de Novembro de 1917, que "arrastou a região para os desastres da guerra e da instabilidade?”

Um breve fornecimento de evidências, simplesmente tomando-se quatro exemplos, pode ser útil para eles, se eles forem convidados a assinar qualquer denúncia futura do Estado de Israel ou do seu pessoal.

Um deles é o esquema Birax britânico-israelense, de cinco anos, parcialmente financiado pela Pesquisa do Câncer do Reino Unido e da Fundação Britânica do Coração, para a investigação e as parcerias de intercâmbio acadêmico no campo da medicina regenerativa, que reúne pesquisadores de ambas as origens. É um sinal do valor de ouvir e respeitar opiniões diferentes de parte a parte.

Outro é o Olive Tree Program, iniciado em 2004, que dá apoio a um número igual de israelenses e palestinos para estudos na City University, em Londres. Seu objetivo, exatamente o oposto dos 343 acadêmicos, é reunir os envolvidos no conflito e oferecer a oportunidade de refletir e aprender. O Programa já concedeu mais de 50 bolsas de estudo em uma variedade de assuntos sobre os palestinos e israelenses.

No Negev, em Israel o Instituto Arava, um dos “think tanks” (1) líderes ambientais mundiais também têm o mesmo número de palestinos e israelenses, juntamente com jordanianos, engajados no estudo de energia, gestão de água, gestão de resíduos e as questões agrícolas sustentáveis.

Um quarto corpo cooperativo é o programa de Daniel Turnberg Middle East Fellowship que reúne mais de 170 pesquisadores médicos palestinos da Cisjordânia e de Gaza e de Israel para trabalhar em universidades britânicas em questões como câncer infantil, doença do neurônio motor, acidente vascular cerebral, e autismo.

Talvez um desses programas científicos valiosos possa ajudar os 343 acadêmicos a curarem a si mesmos, para que possam participar do avanço da causa da paz no Oriente Médio.


(1) Think tanks são organizações ou instituições que atuam no campo dos grupos de interesse, produzindo e difundindo conhecimento sobre assuntos estratégicos, com vistas a influenciar transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas, sobretudo em assuntos sobre os quais pessoas comuns não encontram facilmente base para análises de forma objetiva. Os think tanks podem ser independentes ou filiados a partidos políticos, governos ou corporações privadas.

Tradução: William Uchoa

Fonte: www.heitordepaola.com/





Michael Curtis, autor de "Judeus, anti-semitismo, e o Oriente Médio", é Ilustre Professor Emérito em Ciências Políticas na Universidade de Rutgers. Curtis é o autor de 30 livros, e em 2014 foi premiado com a Legião de Honra francesa






sexta-feira, novembro 06, 2015

A OMS, a carne vermelha, as mudanças climáticas e o controle estatal: a conexão é explícita.


por Yuri N. Maltsev (*).




O cada vez mais poderoso complexo verde-industrial, cujo quartel-general está nos EUA, está se revelando extremamente eficaz em utilizar a ONU, suas trinta e duas instituições "irmãs"(como o Banco Mundial, a UNESCO e vários "tribunais") e centenas de centros de pesquisa e treinamento. Esta enorme e continuamente crescente máquina burocrática já emprega mais de um milhão de "servidores públicos internacionais" para administrar aquilo que nossos visionários socialistas sonham se tornar o governo mundial do futuro.

Uma "instituição irmã" da ONU que está se tornando cada vez mais importante é o altamente politizado "Departamento Mundial de Saúde", também conhecido como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual, como parte de sua nova campanha do medo, emitiu recentemente a declaração de que bacon, presunto, salsicha são cancerígenos. E complementou dizendo que todas as carnes vermelhas são "provavelmente cancerígenas".

[N. do E.: vale ressaltar que a OMS não mostrou o relatório científico final e também omitiu o fato de que sete dos vinte e dois cientistas que participaram das pesquisas não aprovaram o relatório desconhecido. Até mesmo o politicamente corretíssimo doutor Dráuzio Varella achou isso muito estranho. Diz ele: "[...] não existe consenso entre os epidemiologistas. Não houve unanimidade sequer entre os 22 especialistas do painel da Iarc: sete deles se abstiveram de votar a favor das conclusões por não estarem convencidos da qualidade das evidências apresentadas ou por não concordarem com elas."]

Essa nova campanha anti-carne, no entanto, nada tem a ver com a sua saúde, mas sim com a "saúde do planeta". O ataque da OMS à carne ocorreu, coincidentemente, antes da Conferência do Clima em Paris, que ocorrerá no final do ano e que irá discutir "soluções governamentais" para se controlar o clima, e faz parte da lenta, porém progressiva, revolução socialista envolta no lema de "conscientização sobre as mudanças climáticas". Para essa gente, todo o necessário para fazer com que tudo fique bem é entregar o controle da economia mundial para os planejadores centrais dos governos. Na mente deles, basta o governo acionar suas engrenagens e elas automaticamente farão tudo com assombrosa precisão para preservar o status quo climatológico. Como sempre, políticas socialistas atuais são justificadas como sendo uma "necessidade para as gerações futuras". 

O famoso Nobel de física, o Dr. Ivar Giaever, que já foi um ardoroso apoiador de Obama, mudou de lado e hoje está contra o presidente americano na questão do aquecimento global. "Eu diria que, basicamente, o aquecimento global é um problema inexistente". Giaever escarneceu Obama por este ter declarado que "nenhum desafio é mais ameaçador para as gerações futuras do que as mudanças climáticas". O físico disse que essa era uma "declaração ridícula" e complementou dizendo que Obama "está sendo mal assessorado" na questão do aquecimento global. 

Já eu estou certo de que Obama e outros políticos estão impondo a agenda do aquecimento global não por causa de "má assessoria", mas sim porque os defensores dessa tese, inadvertidamente ou não, lhes fornecem todas as justificativas necessárias para adotar políticas de planejamento central e para restringir as liberdades individuais.

A Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas 2015, que será realizada em Paris de 30 de novembro a 11 de dezembro, está sendo propagandeada pelo governo Obama como um grande passo adiante rumo a um governo mundial e a um planejamento centralizado. Será a vigésima primeira sessão anual da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, criada em 1992, e a décima primeira sessão do Encontro das Partes (a primeira ocorreu no Protocolo de Kyoto, em 1997). O objetivo da conferência é alcançar um acordo universal e legalmente compulsório a respeito do clima, para todos os países.

Todos os globalistas se mobilizaram em preparação para este evento. O papa Francisco, por exemplo, publicou uma encíclica chamada Laudato Si' para ajudar a garantir o sucesso dessa conferência. A encíclica clama por uma ação imediata contra as "mudanças climáticas causadas pelo homem". Já a Confederação Sindical Internacional, que tem suas origens na Primeira Internacional fundada por Karl Marx, exortou o objetivo de "carbono zero, pobreza zero", e seu secretário-geral, Sharan Burrow, proclamou que "não há empregos em um planeta morto".

A guerra contra a carne faz parte dessa ofensiva das relações públicas. Lord Stern, do Reino Unido, que já foi economista-chefe do Banco Mundial, afirmou que "a carne é um grande desperdício de água, e cria muitos gases geradores do efeito estufa. Ela causa uma enorme pressão sobre os recursos naturais do mundo. Uma dieta vegetariana é muito melhor."

Já o embaixador americano Todd Stern, nomeado por Obama emissário especial dos EUA para assuntos climáticos, cuja função será assegurar um rígido acordo climático na conferência de Paris, está hoje viajando para Brasil e Cuba com o intuito de conseguir o apoio destes dois corruptos governos socialistas contra "a ameaça global representada pelas mudanças climáticas"

Nos EUA, socialistas fanáticos e seus parceiros "capitalistas" já conseguiram destruir a indústria do carvão. Todo o setor energético está sob inclemente ataque há um bom tempo. Agora, eles estão indo atrás da indústria de carnes, a qual é, de acordo com eles, "insustentável". A esquerdista Union of Concerned Scientists (União dos Cientistas Preocupados) listou o hábito de comer carne como sendo a segunda maior ameaça ambiental para o planeta (a ameaça número um são os veículos movidos por combustíveis fósseis).

Na União Soviética, de onde fugi, quando havia carne, esta era disponível para o alto escalão do Partido Comunista. O cidadão comum, com muita sorte, encontrava um pouco no mercado negro. O Partido "explicava" para as massas que comer carne era nocivo para a saúde. Em Cuba, você dificilmente encontra carne nas mercearias. Bife (normalmente misturado com soja), frango, salsicha e presunto são racionados pelo governo cubano à quantia de 225 gramas por pessoa para cada 15 dias. Meus amigos cubanos, no entanto, se queixam de que nem mesmo este racionamento é respeitado pelo governo, e que frequentemente as rações de carne são "canceladas" sem qualquer explicação.

Nos EUA, o Comitê Conselheiro de Diretrizes Alimentares (Dietary Guidelines Advisory Committee) publicou, neste ano, um relatório de 571 páginas de "evidências" pseudo-científicas para estimular os americanos a não comerem carne vermelha. O Departamento de Agricultura dos EUA utilizará essa ciência fajuta como base para sua política federal de nutrição, incluindo um programa de US$ 16 bilhões para financiar almoços em escolas.

E tudo isso está sendo bancado pelos pagadores de impostos. Os EUA estão financiando a ONU e suas instituições "irmãs", incluindo a OMS, em um montante que vai de 25 a 35% do orçamento da organização. A única esperança para o mundo é que as pessoas não recebam todo o governo pelo qual estão pagando.



(*)Yuri N. Maltsev é membro sênior do Mises Institute e foi um dos economistas da equipe de reforma econômica de Mikhail Gorbachev antes de desertar para os Estados Unidos. Foi o editor de Requiem for Marx e leciona economia no Carthage College.

quinta-feira, novembro 05, 2015

As quotas raciais não funcionam e reforçam os piores estereótipos contra os negros







As quotas raciais não funcionam e reforçam os piores estereótipos contra os negros.

por André Petry da Veja.





Nesta polêmica e extremamente instigante entrevista ao correspondente de VEJA em Nova York, André Petry, publicada em 9 de março passado, o respeitado economista americano, professor e autor de livros Walter Williams explica por que, em sua opinião, o sistema de cotas não funciona. E se declara de tal forma um adepto radical da liberdade que é capaz de produzir declarações como esta: “Uma biblioteca pública, que recebe dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos, não pode discriminar. Mas o resto pode. Um clube campestre, uma escola privada, seja o que for, tem o direito de discriminar. Acredito na liberdade de associação radical. As pessoas devem ser livres para se associar como quiserem”.

“Inclusive para reorganizar a Ku Klux Klan?”, pergunta o repórter. Resposta: “Sim, desde que não saiam matando e linchando pessoas, tudo bem. O verdadeiro teste sobre o nosso grau de adesão à ideia da liberdade de associação não se dá quando aceitamos que as pessoas se associem em torno de ideias com as quais concordamos. O teste real se dá quando aceitamos que se associem em torno de ideais que julgamos repugnantes.”

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Walter Williams é um radical. Na juventude, preferia o incendiário Malcolm X ao pacifista Martin Luther King. Hoje, aos 74 anos, Williams admira os dois líderes negros, repudia a violência e se define como um libertário radical, como os americanos se referem aos que se opõem ao excesso de ativismo do Estado e propugnam mais liberdade individual.

Fiel ao seu ideário, é contra ações afirmativas e cotas raciais, e diz que o melhor instrumento para vencer a desigualdade racial é o livre mercado: “A economia de mercado é o grande inimigo da discriminação”. Criado pela mãe na periferia de Filadélfia, Williams acaba de publicar uma autobiografia em que narra sua trajetória da pobreza à vida de professor universitário (desde 1980, leciona economia na Universidade George Mason, na Virgínia).

Com 1,98 metro de altura, voz de barítono, bom humor, ele demonstra muita coragem nesta entrevista.

Quem lê sua autobiografia fica com a impressão de que ser negro nos Estados Unidos das décadas de 40 e 50 era melhor do que ser negro hoje.

Claro que os negros estão muito melhor agora, mas não em todos os aspectos. Hoje, se os negros americanos fossem uma nação à parte, seriam a 15ª mais rica do mundo. Entre os negros americanos, há gente riquíssima, como a apresentadora Oprah Winfrey. Há famosíssimos, como o ator Bill Cosby, que, como eu, vem de Filadélfia. Colin Powell, um negro, comandou o Exército mais poderoso do mundo. O presidente dos Estados Unidos é negro. Tudo isso era inimaginável em 1865, quando a escravidão foi abolida. Em um século e meio, fizemos um progresso imenso, ao contrário do que aconteceu no Brasil ou no Caribe, onde também houve escravidão negra.

Isso diz muito sobre os negros americanos e sobre os Estados Unidos.

Em que aspectos a vida dos negros hoje é pior?

Cresci na periferia pobre de Filadélfia entre os anos 40 e 50. Morávamos num conjunto habitacional popular sem grades nas janelas e dormíamos sossegados sem barulho de tiros nas ruas. Sempre tive emprego, desde os 10 anos de idade. Engraxei sapatos, carreguei tacos no clube de golfe, trabalhei em restaurantes, entreguei correspondência nos feriados de Natal.

As crianças negras de hoje que vivem na periferia de Filadélfia não têm essas oportunidades de emprego. No meu próximo livro, Raça e Economia, mostro que em 1948 o desemprego entre adolescentes negros era de 9,4%. Entre os brancos, 10,4%. Os negros eram mais ativos no mercado de trabalho. Hoje, nos bairros pobres de negros, por causa da criminalidade, boa parte das lojas e dos mercados fechou as portas.

Outra mudança dramática é a queda na qualidade da educação oferecida às crianças negras e pobres. Atualmente, nas escolas públicas de Washington, um negro com diploma do ensino médio tem o mesmo nível de proficiência em leitura e matemática que um branco na 7ª série. Os negros, em geral, estão muito melhor agora do que há meio século. Mas os negros mais pobres estão pior.

O Estado de bem-estar social, com toda a variedade de benefícios sociais criados nas últimas décadas, não ajuda a aliviar a situação de pobreza dos negros de hoje?

Todos os economistas, sejam eles libertários, conservadores ou liberais, concordam que sempre cai a oferta do que é taxado e aumenta a oferta do que é subsidiado. Há anos, os Estados Unidos subsidiam a desintegração familiar. Quando uma adolescente pobre fica grávida, ela ganha direito a se inscrever em programas habitacionais para morar de graça, recebe vale-alimentação, vale-transporte e uma série de outros benefícios.

Antes, uma menina grávida era uma vergonha para a família. Muitas eram mandadas para o Sul, para viver com parentes. Hoje, o Estado de bem-estar social premia esse comportamento. O resultado é que nos anos da minha adolescência entre 13% e 15% das crianças negras eram filhas de mãe solteira. Agora, são 70%. O salário mínimo, que as pessoas consideram uma conquista para os mais desprotegidos, é uma tragédia para os pobres. Deve-se ao salário mínimo o fim de empregos úteis para os pobres. A obrigação de pagar um salário mínimo ao frentista no posto de gasolina levou à automação e ao self-service. O lanterninha do cinema deixou de existir não porque adoramos tropeçar no escuro do cinema. É por causa do salário mínimo.

Na África do Sul do apartheid, os grandes defensores do salário mínimo eram os sindicatos racistas de brancos, que não aceitavam filiação de negros. Eles não escondiam que o salário mínimo era o melhor instrumento para evitar a contratação de negros, que, sendo menos qualificados, estavam dispostos a trabalhar por menos. O salário mínimo criava uma reserva de mercado para brancos.

As ações afirmativas e as cotas raciais não ajudaram a promover os negros americanos?

A primeira vez que se usou a expressão “ação afirmativa” foi durante o governo de Richard Nixon (1969-1974). Os negros naquele tempo já tinham feito avanços tremendos. Um colega tem um estudo que mostra que o ritmo do progresso dos negros entre as décadas de 40 e 60 foi maior do que entre as décadas de 60 e 80. Não se pode atribuir o sucesso dos negros às ações afirmativas.

As ações afirmativas não funcionam?

Os negros não precisam delas. Dou um exemplo. Houve um tempo em que não existiam jogadores de basquete negros nos Estados Unidos. Hoje, sem cota racial nem ação afirmativa, 80% são negros. Por quê? Porque são excelentes jogadores. Se os negros tiverem a mesma habilidade em matemática ou ciência da computação, haverá uma invasão deles nessas áreas. Para isso, basta escola, boas escolas, grandes escolas.

Há um aspecto em que as ações afirmativas são até prejudiciais. Thomas Sowell, colega economista, tem um estudo excelente sobre o assunto. Mostra como os negros se prejudicam com a política de cotas raciais criada pela disputada escola de engenharia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das mais prestigiosas instituições acadêmicas dos Estados Unidos. Os negros recrutados pelo MIT estão entre os 5% melhores do país em matemática, mas mesmo assim precisam fazer cursos extras por alguns anos. Isso acontece porque os brancos do MIT estão no topo em matemática, o 1% dos melhores do país. Os negros, mesmo sendo muito bons, estão abaixo do nível de excelência do MIT. Mas eles podiam muito bem estudar em outras instituições respeitáveis, onde estariam na lista dos candidatos a reitor e sem necessidade de cursos especiais.

Por causa de ações afirmativas, muitos negros estão hoje em posição acima de seu potencial acadêmico. Se você está aprendendo a lutar boxe e sua primeira luta é contra o Mike Tyson, você está liquidado. Você pode ter excelente potencial para ser boxeador, mas não dá para começar contra Tyson. As ações afirmativas, nesse sentido, são cruéis. Reforçam os piores estereótipos raciais e mentais.

O senhor já teve alguma experiência pessoal nesse sentido?

Quando eu dava aula na Universidade Temple, em Filadélfia, tive uma turma com uns trinta alunos, todos brancos, à exceção de um. Nas primeiras aulas, eles me fizeram uma bateria de perguntas complexas. Você pode achar que era paranoia minha, mas eu sei que o objetivo deles era testar minhas credenciais. A cada resposta certa que eu dava, eu podia ver o alívio no rosto do único aluno negro da classe.

De onde vinha esse sentimento, esse temor do aluno negro de que seu professor, sendo negro, talvez não fosse suficientemente bom? Das ações afirmativas. Não entrei na universidade via cotas raciais. Por causa delas, a competência de muitos negros é vista com desconfiança.

Num país como o Brasil, onde os negros não avançaram tanto quanto nos Estados Unidos, as ações afirmativas não fazem sentido?

A melhor coisa que os brasileiros poderiam fazer é garantir educação de qualidade. Cotas raciais no Brasil, um país mais miscigenado que os Estados Unidos, são um despropósito. Além disso, forçam uma identificação racial que não faz parte da cultura brasileira. Forçar classificações raciais é um mau caminho. A Fundação Ford é a grande promotora de ações afirmativas por partir da premissa errada de que a realidade desfavorável aos negros é fruto da discriminação.

Ninguém desconhece que houve discriminação pesada no passado e há ainda, embora tremendamente atenuada. Mas nem tudo é fruto de discriminação. O fato de que apenas 30% das crianças negras moram em casas com um pai e uma mãe é um problema, mas não resulta da discriminação. A diferença de desempenho acadêmico entre negros e brancos é dramática, mas não vem da discriminação. O baixo número de físicos, químicos ou estatísticos negros nos Estados Unidos não resulta da discriminação, mas da má formação acadêmica, que, por sua vez, também não é produto da discriminação racial.

Qual o meio mais eficaz para promover a igualdade racial?

Primeiro, não existe igualdade racial absoluta, nem ela é desejável. Há diferenças entre negros e brancos, homens e mulheres, e isso não é um problema. O desejável é que todos sejamos iguais perante a lei. Somos iguais perante a lei, mas diferentes na vida. Nos Estados Unidos, os judeus são 3% da população, mas ganham 35% dos prêmios Nobel. Talvez sejam mais inteligentes, talvez sua cultura premie mais a educação, não interessa.

A melhor forma de permitir que cada um de nós – negro ou branco, homem ou mulher, brasileiro ou japonês – atinja seu potencial é o livre mercado. O livre mercado é o grande inimigo da discriminação. Mas, para ter um livre mercado que mereça esse nome, é recomendável eliminar toda lei que discrimina ou proíbe discriminar.

O senhor é contra leis que proíbem a discriminação?

Williams: é fácil defender a liberdade de expressão quando dizem o que julgamos positivo e sensato

Sou um defensor radical da liberdade individual. A discriminação é indesejável nas instituições financiadas pelo dinheiro do contribuinte. A Universidade George Manson tem dinheiro público. Portanto, não pode discriminar. Uma biblioteca pública, que recebe dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos, não pode discriminar. Mas o resto pode. Um clube campestre, uma escola privada, seja o que for, tem o direito de discriminar. Acredito na liberdade de associação radical. As pessoas devem ser livres para se associar como quiserem.

Inclusive para reorganizar a Ku Klux Klan?

Sim, desde que não saiam matando e linchando pessoas, tudo bem. O verdadeiro teste sobre o nosso grau de adesão à ideia da liberdade de associação não se dá quando aceitamos que as pessoas se associem em torno de ideias com as quais concordamos. O teste real se dá quando aceitamos que se associem em torno de ideais que julgamos repugnantes.

O mesmo vale para a liberdade de expressão. É fácil defendê-la quando as pessoas estão dizendo coisas que julgamos positivas e sensatas, mas nosso compromisso com a liberdade de expressão só é realmente posto à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas.

O senhor exige ser chamado de “afro-americano”?

Essa expressão é uma idiotice, a começar pelo fato de que nem todos os africanos são negros. Um egípcio nascido nos Estados Unidos é um “afro-americano”? A África é um continente, povoado por pessoas diferentes entre si. Os vários povos africanos estão tentando se matar uns aos outros há séculos. Nisso a África é idêntica à Europa, que também é um continente, também é povoada por povos distintos que também vêm tentando se matar uns aos outros há séculos.

A presença de Obama na Casa Branca não ajuda os negros americanos?

Na autoestima, talvez. Mas não por muito tempo, o que é lamentável. Em 1947, quando Jackie Robinson se tornou o primeiro negro a jogar beisebol na liga profissional, ele tinha a obrigação de ser excepcional. Hoje, nenhum negro precisa ser tão bom quanto Robinson e não há perigo de que alguém diga “ah, esses negros não sabem jogar beisebol”. No caso de Obama, vale a mesma coisa. Por ser o primeiro negro, ele não pode ser um fracasso. O problema é que será. Aposto que seu governo, na melhor das hipóteses, será um desastre igual ao de Jimmy Carter. Vai ser ruim para os negros.

Uma boa mãe apóia um bom aborto.


por Felipe Mello (*)




Não há, na visão do abortista, nada intrinsecamente valioso na vida humana. A vida de uma pessoa não tem valor por si mesma, mas por elementos extrínsecos a ela

O aborto é, sem dúvida, a maior calamidade humana de todos os tempos.


Não conheço Rita Lisauskas. Fiquei sabendo de sua existência através de um blog no site do jornal O Estado de S. Paulo intitulado “Ser mãe é padecer na internet”. Para seu último texto do blog, Rita escolheu uma bela manchete: “Sou mãe e a favor do aborto”. Curioso. Resolvi ler o texto, (in)felizmente. E, após ter me deparado com uma porção considerável de afirmações perigosas, para dizer o mínimo, resolvi escrever um punhado de comentários. Eles estão abaixo em itálico, e se referem sempre aos grifos em vermelho que fiz ao texto original.

"Eu nunca fiz um aborto. E se você não quiser fazer um aborto, também não é obrigada a fazer.
Mas todas as mulheres que querem abortar e têm dinheiro vão à clínicas chiquérrimas onde são tratadas com todo o respeito, higiene e com que há de mais moderno inventado pela medicina. Também são servidos cafés e petit-fours “Está boa a temperatura do ar condicionado, Dona Mariana?” [1]

[1] Para alguém que nunca abortou, Rita Lisauskas parece conhecer bem como é uma chiquérrima clínica de aborto. Ou isso, ou se trata apenas de um recurso meramente retórico para o que virá a seguir.

"Tenho algumas amigas que já abortaram. Não foi uma escolha fácil para nenhuma delas. Mas tudo foi feito com segurança. Uma delas porque achou que não tinha estrutura financeira e emocional para ter um filho. Mas há mulheres que abortam porque são vítimas de estupro. Outras simplesmente porque não se veem como mães e querem dar outro rumo para vida. [2] Algumas foram abandonadas pelo parceiro idiota, homens que usam eabusam do direito de praticar um aborto às avessas, simplesmente fugindo do mapa e fingindo que o problema não é com eles. [3] Foram lá e fizeram. Sentiram culpa? Algumas sim, outras não. Saíram de lá vivas e saudáveis? Saíram."


[2] Notamos que tudopode servir de justificativa para o aborto – desde violência sexual, um crime bárbaro que deixa seqüelas físicas e psicológicas profundas, até o simples “ah, não estou afim de ser mãe”. Olhando por esse lado, é difícil não perguntar: mulheres que decidiram abortar “simplesmente porque não se veem como mães e querem dar outro rumo para vida” realmente tiveram de fazer uma escolha difícil?

[3] Uma das comparações mais estapafúrdias feita pelas feministas, das mais perspicazes às mais pedestres, é entre o aborto praticado pela mulher e o abandono praticado pelo homem diante de uma gravidez indesejada. Abandonar uma mulher grávida, que carrega seu próprio filho no ventre, é um ato de covardia indesculpável. Nisso, todos concordamos. Mas, por mais covarde que seja, ele não se compara à crueldade que é matar uma criança ainda no ventre materno. A desproporção entre os dois atos é tamanha que misturar as duas coisas propositadamente é um sinal claro de desonestidade intelectual.


"As mulheres que não têm dinheiro para um aborto na clínica chiquérrima parecem não ter direito ao próprio corpo [4], ainda que sofram com os mesmos dilemas. Não têm estrutura emocional e financeira. Foram estupradas. Não se veem como mães. Abandonadas pelo parceiro que virou as costas para ela, praticando o aborto masculino socialmente aceito. Elas, como não têm dinheiro, como o Estado lhes vira as costas e a opinião pública aponta o dedo (Vagabunda! Na hora de abrir as pernas não pensou nas consequências, né?), compram um remedinho abortivo no mercado negro e sangram até a morte. Ou vão naquela clínica suja da periferia que mais parece um açougue. E morrem." [5]


[4] Toda e qualquer pessoa, homem ou mulher, tem direitos sobre si mesmo, inclusive sobre seu próprio corpo. Uma coisa, entretanto, que sempre fica clara na argumentação feminista é que a criança que se encontra no ventre materno é, também, parte do corpo da mulher. A criança em gestação não é vista como um outro ser humano completamente diferente: seu status, para o discurso feminista, é ou de um apêndice desagradável que pode ser removido, ou de um parasita asqueroso que precisa ser eliminado.

[5] O nível de sociopatia dessas afirmações beira o delírio. Provavelmente Rita Lisauskas deve desconhecer a centenas de iniciativas particulares, muitas delas de cunho religioso, que acolhem mulheres vítimas de violência e que, mesmo sem se verem em condições materiais ou psicológicas de levarem adiante da gravidez, decidem não fazer aborto. Nenhuma dessas mulheres é tida por vagabunda porque “não fechou as pernas”.


"As complicações do aborto já são a quarta causa de morte materna no Brasil [6]. É uma questão de saúde pública. E não precisa ser nenhum gênio para descobrir que não são as mulheres da clínica do cafezinho e do petit-four que são mutiladas ou morrem. São as mulheres desesperadas e sem dinheiro. Pobres. Da periferia. São aquelas que não têm com quem contar."

[6] Além de não fornecer qualquer tipo de fonte para fornecer esse dado, Rita Lisauskas apenas repete um dos velhos ritornellos de quem defende o aborto. As informações mais recentes disponibilizadas pelo Ministério da Saúde são do ano de 2011, e lá consta que o número de óbitos maternos em decorrência de aborto correspondeu a 8,4% do total de óbitos maternos, totalizando 135 vítimas. Se Lisauskas tem fontes mais atualizadas e corretas, jamais saberemos: ela as omitiu em favor de um efeito retórico emocional.


"Quem diz que é contra o aborto porque é “a favor da vida” não pensa na vida dessas mulheres. A vida delas vale menos que a de alguém que não nasceu? [7] Se esse bebê nascer sem amor, sem grana, sem pai, sem estrutura, sem escola, sem apoio, sem o direito a uma família (já que família agora é só a formada com pai e mãe, né Congresso Nacional), o que será dele?"

[7] Aqui, vemos a recorrência de mais um jogo retórico mentiroso de palavras que visam apenas a criar um efeito emocional forte, mas que tem quase nenhuma correlação com a realidade. Uma coisa que Rita Lisauskas parece ignorar é que o próprio aborto fragiliza profundamente a mulher: a ocorrência de auto-lesões propositadas aumenta em 70% (cf. Anne C. Gilchrist, “Termination of Pregnancy and Psychiatric Morbidity”. Psychological sequelae of abortion – The myths and the scientific facts. Berna, 2011); a chance de uma mulher que abortou cometer suicídio aumenta em 6 vezes (cf. Mika Gissler, Elina Hemminki, Jouko Lonnqvist. “Suicides after pregnancy in Finland, 1987–94: register linkage study”. BMJ 1996; 313:1431); e que o aborto está relacionado ao desenvolvimento de transtornos mentais e comportamentais, como abuso de drogas, ansiedade, depressão, além de ideação e tentativa de suicídio (Mota, Natalie P, BA; Burnett, Margaret, MD, FRCPC; Sareen, Jitender, MD, FRCPC. “Associations Between Abortion, Mental Disorders, and Suicidal Behaviour in a Nationally Representative Sample”. Canadian Journal of Psychiatry 55.4 [Apr 2010]: 239-47).


"Se é contra a sua religião, não faça. Mas não queira que sua fé decida o que outra mulher deve ou não fazer. Se você não pretende criar o filho de ninguém, se não será você quem dirá a criança que não tem comida em casa, se não será você quem vai reconhecer os traços de um estuprador no rosto dela, se não será você quem irá aguentar os nove meses de uma barriga indesejada, se não será você quem irá explicar aos vizinhos que não, “não, não sou casada”, “não, esse filho não tem pai”, “não, não sou vagabunda”, “não, eu fui estuprada”, “não, eu não estava vestida para ser estuprada”, “não, não usei camisinha”, você não tem direito a opinar sobre a gravidez alheia. E mesmo se respondeu “sim” a alguma das questões acima, também não tem o direito de querer obrigar ninguém a levar uma gravidez indesejada adiante."[8]

[8] Na visão dos defensores do aborto irrestrito, ninguém, absolutamente ninguém tem o direito de dizer à mulher grávida: “Olha, o que você carrega no ventre é uma criança, um ser humano diferente de você, e aborto é a mesma coisa que assassinato.” É o império do subjetivismo. Mesmo que um exército de geneticistas, obstetras, ginecologistas e embriologistas defenda isso e forneça toneladas de evidências científicas sólidas, eles são apenas opressores. O que importa é que matar a criança que se carrega no ventre deve ser um direito humano (!!!), uma garantia inalienável de cada mulher.


"Já foi provado: a legalização diminui o número de mortes maternas. Dê uma olhada no nosso vizinho, Uruguai, que jogou o número de mortes de mulheres que abortam próximo a zero. Também diminuirá o número de mulheres que buscam o Sistema Único de Saúde todos os anos para se recuperar de abortos mal feitos. O aborto seguro tem de estar disponível a todas que vão recorrer a ele, porque você querendo ou não, Eduardo Cunha esperneando ou não,as mulheres vão procurar o procedimento como opção para interromper uma gravidez indesejada." [9]

[9] O argumento acima poderia muito bem ser utilizado para, por exemplo, descriminalizar o latrocínio. Afinal, a existência de uma lei que puna o latrocínio não impede que ele seja cometido. O mesmo se estende para o assalto a mão armada, o homicídio, até mesmo a corrupção. A lógica é: se a lei não impede que o crime seja cometido, então, vamos abolir a lei.


"O que o Congresso tenta empurrar-nos garganta abaixo é um retrocesso. Mulheres tendo de provar que realmente foram estupradas. Pílulas do dia seguinte proibidas. Cadeia para quem explicar para a mulher que o corpo é dela e que a escolha é dela." [10]

[10] Mentiras que já foram suficientemente expostas em meu último artigo.


"Eu amo o meu filho. Porque eu quis ser mãe dele. Lutei para engravidar dele, inclusive. Reservei o melhor de mim para criá-lo. Uma criança só devia vir ao mundo se for desejada." [11]

[11] “Uma criança só devia vir ao mundo se for desejada”. Essa afirmação possui a quintessência do totalitarismo abortista: se eu quero, deixo nascer; se eu não quero, mato. Não há, na visão do abortista, nada intrinsecamente valioso na vida humana. A vida de uma pessoa não tem valor por si mesma, mas por elementos extrínsecos a ela – e, neste caso, o mero desejo de outrem de que ela possa nascer.

Quando lançamos o olhar para o século XX, vemos que foi nele que surgiram as ideologias mais mortíferas de toda a história humana, sistemas filosóficos e políticos que, quando tomaram o poder, dedicaram-se a eliminar deliberada e meticulosamente vidas humanas. O Holocausto nazista, o Holodomor ucraniano, o “Grande Salto Adiante” chinês, os gulags soviéticos, todos eles nos legaram uma montanha com centenas de milhões de cadáveres. Nenhuma dessas tragédias, entretanto, pode ser comparada em escala e em crueldade ao assassinato de uma criança em desenvolvimento, perfeitamente inocente, completamente frágil, no ventre materno.

O aborto é, sem dúvida, a maior calamidade humana de todos os tempos.


quarta-feira, novembro 04, 2015

Fundo do Poço











por Denis Lerrer Rosenfield










A situação do País é de extrema gravidade e, no entanto, a maior parte dos atores políticos age como se nossos problemas fossem menores e facilmente equacionáveis. A política termina se reduzindo a uma equação medíocre dos maiores e menores benefícios que certos políticos e partidos possam obter, como se o Brasil pudesse suportar infinitamente a duração dessas contendas. Acontece que quanto mais decisões forem postergadas, maiores serão seus efeitos perversos no futuro. Há limites que não deveriam ser ultrapassados, mas o jogo político é feito como se tudo fosse possível e permitido.


Parece tornar-se um consenso que o País não pode suportar mais três anos do atual governo, incapaz de reconhecer os seus erros e persistente no desconhecimento das causas que nos levaram a esse buraco. Ou seja, o País não aguenta esperar até o final de 2018, sob pena de que, nesse longínquo futuro, os problemas a serem enfrentados se tenham tornado ainda mais graves. Decisões corretas hoje tomadas certamente abreviarão o sofrimento futuro; decisões não tomadas ou equivocadas só aprofundarão a quebra de expectativas, a frustração e, mesmo, o enfraquecimento institucional do Brasil. Crises sociais têm repercussões políticas e institucionais.



Contudo, paradoxalmente, os atores políticos agem como se o fundo do poço ainda não tivesse sido atingido. É como se dissessem: “O País ainda pode aguentar mais!”. A resposta sensata seria: até quando? Ou: qual é o limite? Ou ainda: será que há um limite para a deterioração econômica e política, a desagregação social e o enfraquecimento institucional?



Infelizmente, nossos vizinhos, nossos “hermanos” ou nossos “companheiros”, na linguagem petista e na de nossa diplomacia terceiro-mundista, mostram que a decadência pode não ter limite. O lixo ideológico acompanha essa mentalidade atrasada.



A Argentina pode ser o símbolo do Brasil amanhã. Economia totalmente desarrumada, indicadores econômicos falsificados, crise social, miséria, desrespeito ao Estado Democrático de Direito, censura, falta de liberdade de imprensa e dos meios de comunicação em geral e um populismo esquerdista desenfreado. De próspero país no passado, tornou-se uma paródia de si mesmo. E isso com a total conivência dos governos petistas que não cessaram de apoiar os Kirchners e, em particular, a atual presidente. Nossa presidente gosta de aparecer publicamente com Cristina Kirchner, mostrando uma afinidade para lá de eloquente.



A Venezuela, ícone de nosso esquerdismo decadente, é mais um símbolo da deterioração da esquerda e do populismo. Rica em petróleo, tornou-se um país de inflação descontrolada, desabastecimento e queda de renda da população em geral. O Estado apropriou-se do mercado e da sociedade. Mais especificamente, numa política de fazer inveja ao Lenin e ao Stalin de antanho, seu governo, “socialista”, se caracteriza por perseguir a oposição, usar milícias para aterrorizar a população e todos os que dele ousam demarcar-se. A violência e a mentira tornaram-se meros instrumentos da “arte de governar”, como se assim a “promessa bolivariana” pudesse ser implementada.



Seu fracasso salta aos olhos. A democracia está lá em frangalhos, dando lugar, cada vez mais explicitamente, à ditadura. E o atual governo brasileiro é conivente com as flagrantes violações dos direitos humanos e dos processos democráticos! O ex-presidente Lula chegou a dizer, em seu apoio ao finado presidente Hugo Chávez, que havia “democracia demais” naquele país. Retrospectivamente, faz todo o sentido!



Torna-se evidente que a atual mandatária já não governa, tendo abdicado de equacionar os problemas nacionais. O ajuste fiscal nada avançou, o PIB só afunda, o desemprego desponta, a inflação aproxima de dois dígitos... e o governo permanece no total imobilismo! O discurso da ilusão, amplamente utilizado no marketing eleitoral do ano passado, não funciona mais. A presidente já deu suficientes mostras de que não consegue liderar o País e levá-lo a porto seguro. Está perdida nos problemas comezinhos da política atual, incapaz de fazer um gesto que possa fazer o Brasil sair de sua difícil situação.



Uma vez que é incapaz de fazer esse gesto, seja mediante nova política de unidade nacional, seja por meio de sua própria renúncia, apresenta-se como uma saída deste impasse que se inicie o processo de impeachment. A sua irresponsabilidade administrativa e fiscal é patente, além de sua omissão diante de todos os desmandos na Petrobrás e de seu aparelhamento partidário. Tal processo sinalizaria que o País não suporta mais permanecer num poço sem fundo e que poderia vislumbrar outro futuro.



Acontece, porém, que a atual governante, seu criador e o seu partido se aferram a seus privilégios e interesses mais imediatos, como se os “trabalhadores” e os brasileiros em geral fossem sem nenhuma importância. São meros instrumentos de uma narrativa ideológica, como se apenas isso fosse uma garantia de alguma competitividade eleitoral para 2018. O País também não suporta mais tal narrativa.



O início do processo de impeachment está nas mãos do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, que, por sua vez, tudo faz apenas para sobreviver, tentando conservar seu mandato. Todos os seus passos são calculados em função dessa única finalidade. O País, também para ele, parece não ser o objetivo maior. As provas materiais de seu envolvimento com a corrupção parecem ser robustas e as chances de preservação de sua atual posição se esvaem conforme transcorre o tempo. Queira ou não, termina, apesar de si, fazendo o jogo da presidente e do PT. O impasse continua, as posições ficam congeladas e o País continua refém desse jogo.



Urge sair de tal impasse e que, num gesto de grandeza, o deputado se ponha em sintonia com a imensa maioria da população brasileira. Sairia por cima, como se diz em linguagem popular. Tiraria o foco de si mesmo e obrigaria o País a fazer um novo jogo, o de assegurar o seu futuro.





(*)Professor de Filosofia na UFRGS;