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segunda-feira, junho 02, 2014

Decreto 8243: você já é um marxista sem saber.

















Em síntese: "você está autorizado a expressar a opinião que quiser, desde que alinhada com o marxismo".



Introdução

O maior problema do estado é que, tal qual um paciente de hospício, ele acredita possuir superpoderes, podendo violar as regras da natureza como bem entender. Dois exemplos bem conhecidos pelos liberais: ele considera ser capaz de ler mentes de milhares de pessoas ao mesmo tempo com uma precisão incrível e ter uma superinteligência capaz de fazer milhões de cálculos econômicos por segundo. Um roteirista de história em quadrinhos não faria melhor.

O estado brasileiro, no entanto, não está satisfeito com seus delírios atuais, e pretende aumentar o espectro dos seus poderes sobrenaturais para dois campos que a Física considera praticamente inalcançáveis. E parece estar conseguindo: a partir de 26/05/2014, viagem no tempo e teletransporte passaram a ser oferecidos de graça a todo e qualquer cidadão brasileiro.

Obviamente, a tecnologia está nos seus primórdios e ainda tem suas limitações, de tal modo que você, pretenso candidato a Marty McFly, pode escolher apenas um destino para suas aventuras: a Rússia de abril de 1917. Em compensação, prepare-se: graças ao estado brasileiro, você está prestes a enfrentar a experiência soviética em todo o seu esplendor.


A “máquina do tempo” que nos leva de volta a 1917 tem um nome no mínimo inusitado: chama-se Decreto nº 8.243, de 23 de maio de 2014. Aqui a denominaremos apenas de “Decreto 8.243”, ou “Decreto”.

Este artigo se destina a investigar o seu funcionamento – ou, mais especificamente, quais as modificações que esse decreto introduz na administração pública. Também farei algumas breves considerações a respeito da analogia que se pode fazer entre o modelo por ele instituído e aquele que levou à instauração do socialismo na Rússia: trata-se, no entanto, apenas de uma introdução ao tema, que, pela importância que tem, com certeza ainda gerará discussões muito mais aprofundadas.
O Decreto 8.243/2014

Chamado por um editorial do Estadão de “um conjunto de barbaridades jurídicas” e por Reinaldo Azevedo de “a instalação da ditadura petista por decreto”, o Decreto8.243/2014 foi editado pela Presidência da república em 23/05/14, tendo sido publicado no Diário Oficial no dia 26 e entrado em vigor na mesma data.

Entender qual o real significado do Decreto exige ler pacientemente todo o seu texto, tarefa relativamente ingrata. Como todo bom decreto governamental, trata-se de um emaranhado de regras cuja formulação chega a ser medonha de tão vaga, sendo complicado interpretá-lo sistematicamente e de uma forma coerente. Tentarei, aqui, fazê-lo da forma mais didática possível, sempre considerando que grande parte do público leitor dessa página não é especialista na área jurídica (a propósito: que sorte a de vocês.).

Iniciemos do início, pois. Como o nome diz, trata-se de um “decreto”. “Decreto”, no mundo jurídico, é o nome que se dá a uma ordem emanada de uma autoridade – geralmente do Poder Executivo – que tem por objetivo dar detalhes a respeito do cumprimento de uma lei. Um decreto se limita a isso – detalhar uma lei já existente, ou, em latinório jurídico, ser “secundum legem”. Ao elaborá-lo, a autoridade não pode ir contra uma lei (“contra legem”) ou criar uma lei nova (“præter legem”). Se isso ocorrer, o Poder Executivo estará legislando por conta própria, o que é o exato conceito de “ditadura”. Ou seja: um decreto emitido em contrariedade a uma lei já existente deve ser considerado um ato ditatorial.

É exatamente esse o caso do Decreto 8.243/2014. Logo no início, vemos que ele teria sido emitido com base no "art. 84, incisos IV e VI, alínea a, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. , inciso I, e no art. 17 da Lei nº 10.683”. Traduzindo para o português, tratam-se de alguns artigos relacionados à organização da administração pública, dentre os quais o mais importante é o art. 84, VI da Constituição – o qual estabelece que o Presidente pode emitir decretos sobre a “organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nemcriação ou extinção de órgãos públicos”.

Guarde essa última frase. Como veremos adiante, o que o Decreto 8.243 faz, na prática, é integrar à Administração Pública vários órgãos novos – às vezes implícita, às vezes explicitamente –, algo que é constitucionalmente vedado ao Presidente da República. Portanto, logo de cara percebe-se que se trata de algo inconstitucional – o Executivo está criando órgãos públicos mesmo sendo proibido a fazer tal coisa.

Os absurdos jurídicos, contudo, não param por aí.
A “sociedade civil”


Analisemos o texto do Decreto, para entender quais exatamente as modificações que ele introduz no sistema governamental brasileiro.

Em princípio, e para quem não está acostumado com a linguagem de textos legais, a coisa toda parece de uma inocência singular. Seu art. 1º esclarece tratar-se de uma nova política pública, “a Política Nacional de Participação Social”, que possui “o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”. Ou seja: tratar-se-ia apenas de uma singela tentativa de aproximar a “administração pública federal” – leia-se, o estado – da “sociedade civil”.

O problema começa exatamente nesse ponto, ou seja, na expressão “sociedade civil”. Quando usado em linguagem corrente, não se trata de um termo de definição unívoca: prova disso é que sobre ele já se debruçaram inúmeros pensadores desde o século XVIII. Tais variações não são o tema deste artigo, mas, para quem se interessar, sugiro sobre o assunto a leitura deste texto de Roberto Campos, ainda atualíssimo.

Para o Decreto, contudo, “sociedade civil” tem um sentido bem determinado, exposto em seu art. 2º, I: dá-se esse nome aos “cidadãos, coletivos, movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.

Muita atenção a esse ponto, que é de extrema importância. O Decreto tem um conceito preciso daquilo que é considerado como “sociedade civil”. Dela fazem parte não só o “cidadão” – eu e você, como pessoas físicas – mas também “coletivos, movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Ou seja: todos aqueles que promovem manifestações, quebra-quebras, passeatas, protestos, e saem por aí reivindicando terra, “direitos” trabalhistas, passe livre, saúde e educação – MST, MTST, MPL, CUT, UNE, sindicatos… Pior: há uma brecha que permite a participação de movimentos “não institucionalizados” – conceito que, na prática, pode abranger absolutamente qualquer coisa.

Em resumo: “sociedade civil”, para o Decreto, significa “movimentos sociais”. Aqueles mesmos que, como todos sabemos, são controlados pelos partidos de esquerda – em especial, pelo próprio PT. Não se enganem: a intenção do Decreto 8.243 é justamente abrir espaço para a participação política de tais movimentos e “coletivos”. O “cidadão” em nada é beneficiado – em primeiro lugar, porque já tem e sempre teve direito de petição aos órgãos públicos - art. , XXXIV, “a” da Constituição -; em segundo lugar, porque o Decreto não traz nenhuma disposição a respeito da sua “participação popular” – aliás, a palavra “cidadão” nem é citada no restante do texto, excetuando-se um princípio extremamente genérico no art. 3º.

Podemos, então, reescrever o texto do art. 1º usando a própria definição legal: o Decreto, na verdade, tem “o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e os movimentos sociais”.

Compreender o significado de “sociedade civil” no contexto do Decreto é essencial para se interpretar o resto do seu texto. Basta notar que a expressão é repetida 24 (vinte e quatro!) vezes ao longo do restante do texto, que se destina a detalhar os instrumentos a serem utilizados na tal “Política Nacional de Participação Social”.
“Mecanismos de participação social”


Ok, então: há uma política que visa a aproximar estado e “movimentos sociais”. Mas no que exatamente ela consiste? Para responder a essa questão, comecemos pelo art. 5º, segundo o qual “os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta deverão, respeitadas as especificidades de cada caso, considerar as instâncias e os mecanismos de participação social, previstos neste Decreto, para a formulação, a execução, o monitoramento e a avaliação de seus programas e políticas públicas”.

Traduzindo o juridiquês: a partir de agora, todos os “os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta” (ou seja, tudo o que se relaciona com o governo federal: gabinete da Presidência, ministérios, universidades públicas…) deverão formular seus programas em atenção ao que os tais “mecanismos de participação social” demandarem. Na prática, o Decreto obriga órgãos da administração direta e indireta a ter a participação desses “mecanismos”. Uma decisão de qualquer um deles só se torna legítima quando houver essa consulta – do contrário, será juridicamente inválida. E, como informam os parágrafos do art. 5º, essa participação deverá ser constantemente controlada, a partir de “relatórios” e “avaliações”.

Os “mecanismos de participação social” são apresentados no art. 2º e no art. 6º, que fornecem uma lista com nove exemplos: conselhos e comissões de políticas públicas, conferências nacionais, ouvidorias federais, mesas de diálogo, fóruns interconselhos, audiências e consultas públicas e “ambientes virtuais de participação social” (pelo visto, nossos amigos da MAV-PT acabam de ganhar mais uma função…).

A rigor, todas essas figuras não representam nada de novo, pois já existem no direito brasileiro. Para ficar em alguns exemplos: “audiências públicas” são realizadas a todo momento, a expressão “conferência nacional” retorna 2.500.000 hits no Google e há vários exemplos já operantes de “conselhos de políticas públicas”, como informa este breve relatório da Câmara dos Deputados sobre o tema. Qual seria o problema, então?

A questão está, novamente, nos detalhes. Grande parte do restante do Decreto – mais especificamente, os arts. 10 a 18 – destinam-se a dar diretrizes, até hoje inexistentes (ao menos de uma forma sistemática), a respeito do funcionamento desses órgãos de participação. E nessas diretrizes mora o grande problema. Uma rápida leitura dos artigos que acabei de mencionar revela que várias delas estão impregnadas de mecanismos que, na prática, têm o objetivo de inserir os “movimentos sociais” a que me referi acima na máquina administrativa brasileira.

Vamos dar um exemplo, analisando o art. 10, que disciplina os “conselhos de políticas públicas”. Em seus incisos, estão presentes várias disposições que condicionam sua atividade à da “sociedade civil” – leia-se, aos “movimentos sociais”, como demonstrado acima. Por exemplo: o inciso I determina que os representantes de tais conselhos devem ser “eleitos ou indicados pela sociedade civil”, o inciso II, que suas atribuições serão definidas “com consulta prévia à sociedade civil”. E assim por diante. Essas brechas estão espalhadas ao longo do texto do Decreto, e, na prática, permitem que “coletivos, movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações” imiscuam-se na própria Administração Pública.

O art. 19, por sua vez, cria um órgão administrativo novo (lembram do que falei sobre a inconstitucionalidade, lá em cima?): “a Mesa de Monitoramento das Demandas Sociais, instância colegiada interministerial responsável pela coordenação eencaminhamento de pautas dos movimentos sociais e pelo monitoramento de suas respostas”. Ou seja: uma bancada pública feita sob medida para atender “pautas dos movimentos sociais”, feito balcão de padaria. Para quem duvidava das reais intenções do Decreto, está aí uma prova: esse artigo sequer tem o pudor de mencionar a “sociedade civil”. Aqui já é MST, MPL e similares mesmo, sem intermediários.

Enfim, para resumir tudo o que foi dito até aqui: com o Decreto 8.243/2014, (i) os “movimentos sociais” passam a controlar determinados “mecanismos de participação social”; (ii) toda a Administração Pública passa a ser obrigada a considerar tais “mecanismos” na formulação de suas políticas. Isto é: o MST passa a dever ser ouvido na formulação de políticas agrárias; o MPL, na de transporte; aquele sindicato que tinge a cidade de vermelho de quando em quando passa a opinar sobre leis trabalhistas. “Coletivos, movimentos sociais, suas redes e suas organizações” se inserem no sistema político, tornando-se órgãos de consulta: na prática, uma extensão do Legislativo.
“Back in the U. S. S. R.”!


Esse sistema de “poder paralelo” não é inédito na História – e entender as experiências pretéritas é uma excelente maneira de se compreender o que significam as atuais. É isso que, como antecipei no início do texto, nos leva de volta a 1917 e aos “sovietes” da Revolução Russa, possivelmente o exemplo mais conhecido e óbvio desse tipo de organização. Se é verdade que “aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”, como diz o clássico aforismo de George Santayana, é essencial voltar os olhos para o passado e entender o que de fato se passou quando um modelo de organização social idêntico ao instituído pelo Decreto8.243/2014 foi adotado.

Essa análise nos leva ao momento imediatamente posterior à Revolução de Fevereiro, que derrubou Nicolau II. O clima de anarquia gerado após a abdicação do czar levou à formação de um Governo Provisório inicialmente desorganizado e pouco coeso, incapaz de governar qualquer coisa que fosse.

Paralelamente, formou-se na capital russa (Petrogrado) um conselho de trabalhadores – na verdade, uma repetição de experiências históricas anteriores similares, que na Rússia remontavam já à Revolução de 1905. Tal conselho – o Soviete de Petrogrado – consistia de “deputados” escolhidos aleatoriamente nas fábricas e quarteis. Em 15 dias de existência, o soviete conseguiu reunir mais de três mil membros, cujas sessões eram realizadas de forma caótica – na realidade, as decisões eram tomadas pelo seu comitê executivo, conhecido como Ispolkom. Nada diferente de um MST, por exemplo.

A ampla influência que o Soviete possuía sobre os trabalhadores fez com que os representantes do Governo Provisório se reunissem com seus representantes (1º-2 de março de 1917) em busca de apoio à formação de um novo gabinete. Isto é: o Governo Provisório foi buscar sua legitimação junto aos sovietes, ciente de que, sem esse apoio, jamais conseguiria firmar qualquer autoridade que fosse junto aos trabalhadores industriais e soldados. O resultado dessas negociações foi o surgimento de um regime de “poder dual” (dvoevlastie), que imperaria na Rússia de março/1917 até a Revolução de Outubro: nesse sistema, embora o Governo Provisório ocupasse o poder nominal, este na prática não passava de uma permissão dos sovietes, que detinham a influência majoritária sobre setores fundamentais da população russa. A Revolução de Outubro, que consolidou o socialismo no país, foi simplesmente a passagem de “todo o poder aos sovietes!” (“vsia vlast’ sovetam!”) – um poder que, na prática, eles já detinham.

Antes mesmo do Decreto 8.243, o modelo soviético já antecipava de forma clara o fenômeno dos “movimentos sociais” que ocorre no Brasil atualmente. Com o Decreto, a similaridade entre os modelos apenas se intensificou.


Em primeiro lugar, e embora tais movimentos clamem ser a representação do “povo”, dos “trabalhadores”, do “proletariado” ou de qualquer outra expressão genérica, suas decisões são tomadas, na realidade, por poucos membros – exatamente como noIspolkom soviético, a deliberação parte de um corpo diretor organizado e a aclamação é buscada em um segundo momento, como forma de legitimação. Qualquer assembleia de movimentos de esquerda em universidades é capaz de comprovar isso.

Além disso, a institucionalização de conselhos pelo Decreto 8.243/2014 leva à ascensão política instantânea de “revolucionários profissionais” – pessoas que dedicam suas vidas inteiras à atividade partidária, em uma tática já antecipada por Lênin em seu panfleto “Que Fazer?”, de 1902 (capítulo 4c). Explico melhor. Vamos supor por um momento que o Decreto seja um texto bem intencionado, que de fato pretenda “inserir a sociedade civil” dentro de decisões políticas (como, aliás, afirma o diretor de Participação Social da Presidência da Repúblican este artigo d’O Globo). Ora, quem exatamente teria tempo para participar de “conselhos”, “comissões”, “conferências” e “audiências”? Obviamente, não o cidadão comum, que gasta seu dia trabalhando, levando seus filhos para a escola e saindo com os amigos. Tempo é um fator escasso, e a maioria das pessoas simplesmente não possui horas de sobra para participar ativamente de decisões políticas – é exatamente por isso que representantes são eleitos para essas situações. Quem são as exceções? Não é difícil saber. Basta passar em qualquer sindicato ou diretório acadêmico: ele estará cheio de “revolucionários profissionais”, cuja atividade política extraoficial acabou de ser legitimada por decreto presidencial.

A questão foi bem resumida por Reinaldo Azevedo, no texto que citei no início deste artigo. Diz o articulista: “isso que a presidente está chamando de ‘sistema de participação’ é, na verdade, um sistema de tutela. Parte do princípio antidemocrático de que aqueles que participam dos ditos movimentos sociais são mais cidadãos do que os que não participam. Criam-se, com esse texto, duas categorias de brasileiros: os que têm direito de participar da vida púbica [sic] e os que não têm. Alguém dirá: ‘Ora, basta integrar um movimento social’. Mas isso implicará, necessariamente, ter de se vincular a um partido político”.

Exatamente por esses motivos, tal forma de organização confere a extremistas de esquerda possibilidades de participação política muito mais amplas do que eles teriam em uma lógica democrática “verdadeira” – na qual ela seria reduzida a praticamente zero. Basta ver que o Partido Bolchevique, que viria a ocupar o poder na Rússia em outubro de 1917, era uma força política praticamente irrelevante dentro do país: sua subida ao poder se deve, em grande parte, à influência que exercia sobre os demais partidos socialistas (mencheviques e socialistas-revolucionários) dentro do sistema dos sovietes. Algo análogo ocorre no Brasil atual: salvo exceções pontuais, PSOL, PSTU et caterva apresentam resultados pífios nas eleições, mas por meio da ação de “movimentos sociais” conseguem inserir as suas pautas na discussão política. As manifestações pelo “passe livre” – uma reivindicação extremamente minoritária, mas que após um quebra-quebra nacional ocupou grande parte da discussão política em junho/julho de 2013 – são um exemplo evidente disso.

O sistema introduzido pelo Decreto 8243/2014 apenas incentiva esse tipo de ação. O Legislativo “oficial” – aquele que contém representantes da sociedade eleitos voto a voto, representando proporcionalmente diversos setores – perde, de uma hora para outra, grande parte de seu poder. Decisões estatais só passam a valer quando legitimadas por órgãos paralelos, para os quais ninguém votou ou deu sua palavra de aprovação – e cujo único “mérito” é o fato de estarem alinhados com a ideologia do partido que ocupa o Executivo.

Pior: a administração pública é engessada, estagnada. Não no sentido definido no artigo d’O Globo que linkei acima (demora na tomada de decisões), mas em outro: os cargos decisórios desse “poder Legislativo paralelo” passam a ser ocupados sempre pelas mesmas pessoas. Suponhamos, em um esforço muito grande de imaginação, que o PT perca as eleições presidenciais de 2018 e seja substituído por, digamos, Levy Fidelix e sua turma. Com a reforma promovida pelo Decreto 8.243/2014 e a ocupação de espaços de deliberação por órgãos não eletivos, seria impossível ao novo presidente implantar suas políticas aerotrênicas: toda decisão administrativa que ele viesse a tomar teria que, obrigatoriamente, passar pelo crivo de conselhos, comissões e conferências que não são eleitos por ninguém, não renovam seus quadros periodicamente e não têm transparência alguma. Ou seja: ainda que o titular do governo venha a mudar, esses órgãos (e, mais importante, os indivíduos a eles relacionados) permanecem dentro da máquina administrativa ad eternum, consolidando cada vez mais seu poder.
Conclusão


O Decreto 8.243/2014 é, possivelmente, o passo mais ousado já tomado pelo PT na consecução do “socialismo democrático” – aquele sistema no qual você está autorizado a expressar a opinião que quiser, desde que alinhada com o marxismo. Sua real intenção é criar um “lado B” do Legislativo, não só deslegitimando as instituições já existentes como também criando um meio de “acesso facilitado” de movimentos sociais à política.

Boa parte dos leitores dessa página podem estar se perguntando: “e daí?”. Afinal, sabemos que a democracia representativa é um sistema imperfeito: suas falhas já foram expostas por um número enorme de autores, de Tocqueville a Hans-Hermann Hoppe. É verdade.

No entanto, a democracia representativa ainda é “menos pior” do que a alternativa que se propõe. Um sistema onde setores opostos da sociedade se digladiam em uma arena política, embora tenda necessariamente a favorecimentos, corrupção e má aplicação de recursos, ainda possui certo “controle” interno: leis e decisões administrativas que favoreçam demais a determinados grupos ou restrinjam demasiadamente os direitos de outros em geral tendem a ser rechaçadas. Isso de forma alguma ocorre em um sistema onde decisões oficiais são tomadas e “supervisionadas” por órgãos cujo único compromisso é o ideológico, como o que o Decreto 8.243/2014 tenta implementar.

Esse segundo caso, na verdade, nada mais é do que uma pisada funda no acelerador na autoestrada para a servidão.

Autor: Erick Vizolli em Liberzone.

terça-feira, abril 08, 2014

Desabafo no Facebook.








Falando em livrarias, notei que há umas 3 semanas estão desesperados tentando vender um especial "50 ANOS DO GOLPE MILITAR, QUE COLOCOU A DITADURA MAIS BRUTAL, SANGUINÁRIA, VIOLENTA, CARNICEIRA, COMEDORA DE CRIANCINHAS E INIMIGA DA ESQUERDA ANGELICAL NO PODER PELOS MILITARES FASCISTAS FINANCIADOS PELA CIA ESTADUNIDENSE", muito bem, muito bem, aquela papagaiada em moto perpetuo que ouvimos sempre de nossos professores trotskystas que parecem uma vitrola com disco do Vandré riscado causando looping infinito até que se torne verdade. Mas vem cá, tem ALGUMA COISA sobre a ditadura que você ainda não saiba? Você, que é um cara culto, fodão, fez faculdade pública (logo, vamos admitir de uma vez, é meio riquinho classe B pra cima) e cursinho e estudou História e lê a "Folha-se" - seja um cara mais prog ou um cara mais coxinha?


Porque, sério, a ditadura que matou em 21 anos menos do que Che Guevara matou sozinho em um ano, a ditadura anos de chumbo que em duas décadas legou um saldo de mortos de 1% (sem brincadeira) do que o índice de homicídios de um aninhozinho de merda do PT no poder, tem mais livros a respeito dela do que, sei lá, gente que ela matou, perseguiu, torturou, prejudicou (e depois alçou ao poder total com pompas de "lutei contra a ditadura", sem nunca dizer que lutou a favor de OUTRA ditadura incontavelmente pior).

Tem livro sobre a ditadura, sobre a crítica da ditadura, sobre o revisionismo da ditadura, sobre os anos de chumbo da ditadura, sobre os militares na ditadura, sobre os civis na ditadura, sobre os papagaios na ditadura, sobre os ditadores na ditadura... e parece que a produção cultural brasileira parou ali, antes do Fifi. Sério, tem algum livro de literatura decente no Brasil hoje? Alguma coisa que não seja "sobre a ditadura"? Parece que tem Alexandre Soares Silva e Cristóvam Tezza, não sei se alguém mais escreve sobre nossa realidade - e a ditadura já acabou há mais tempo do que ela durou.

O melhor é livro sobre a "ânsia da classe média por soluções autoritárias" na ditadura. Já ouviu falar em gente que vota no PT, fio? Já ouviu falar de gente que VOTA num partido que expulsa jornalista gringo, mata dois prefeitos do próprio partido, quebra sigilo de caseiro pra evitar denúncia e não tem um FILHA DUMA DILMA na blogosfera financiada para lutar pelo pobre contra o rico da equação, num partido que escangalha a Petrobras (sério, TENTE falir uma petrolífera; TENTE; sei lá, queime petróleo, rasgue dinheiro, mande as paredes dos escritórios serem pintadas pelo Romero Britto, sei lá, você não vai CONSEGUIR falir uma petrolífera), depois de anos falando "nossa, que horror, querem tucanar a Petrossauro, já pensou que horror será pro brasileiro?", um partido de Marco Civil da Internet, de Controle Social da Mídia, de blogosfera progressista, amigo de Chávez, de Fidel Castro, de Maduro, de Ahmadinejad, que chama Kadafi de "meu amigo, meu irmão, meu líder", que tentou abrir embaixada em Pyongyang... nooooooooossa, mas a classe média coxinha, essa é autoritaríssima, cara, você não viu as velhinhas saudosas da ditadura chamando o golpe militar de "revolução"?! Um pe-ri-go para o país!!

Aí eu vejo que somos mesmo de um capirismo atroz - você fala pro brasileiro sobre as verdadeiras ditaduras do mundo nas décadas de 60 e 70, fala de Primavera de Praga e o cara nem sabe do que você tá falando, fala de Ceaușescu e ele acha que era algum patinador, fala de Pol-Pot e ele diz "eu não gosto de nenhuma ditadura" como se você estivesse falando de coisas equivalentes e da mesma categoria, e a única solução possível mesmo é falar, meu, sério, vai estudar com algum historiador minimamente menos mongolóide do que Hobsbawm ou esses lixos de História do Brasil porque, sério, vocês ainda não sabem NAAAAAAAAAAAAAAAAAADA sobre o séc. XX.

E falta coisa na ditadura. Não é revisionismo, mas dá pra falar de muita coisa que as pessoas ainda não sabem. Por exemplo, que a tal Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi TRAÍDA pelos militares, já que o prometido era eleição no ano seguinte e Carlos Lacerda seria presidente facinho e esse país aqui seria coisa séria, não "nossa, mas o Lula tirou 200 milhões de brasileiros da miséria absoluta e hoje estão todos operando na Bolsa e somos igual Singapura com 10% de milionários, enquanto FHC vendeu as teles e nosso minério, hoje em dia não temos telefone". Quem vai contar isso pro povão e pros intelectuerdas de Facebook?

Ou que tal alguma ficção realmente gente grande? Sei lá, uma biografia de Che Guevara vindo pra cá conversar com o Jânio Quadros, aí o Jânio admite que tá dando medalha pra ele só pra sacanear, Che dá uma olhada pelo Brasil industrial e urbano e fala: "putz, banho, aqui é tomável", aí ele se aproxima de um caboclo líder estudantil (a segunda pior profissão do mundo depois de degustador de esperma - ou, sei lá, talvez a pior mesmo) que na época estava do mesmo lado dele, José Serra, e os dois começam a ver que esse papo de comunismo é o cacete, aí o Che vem pro Brasil e funda o PSDB junto com o Serra e eles mandam esse papinho de DCE pra PQP e hoje estariam todos do PSOL "nem sou tão radical assim, veja o PCO" xingando muito no Twitter que Che Guevara é fascista, interventor, colocou a PM na reitoria da USP, que é um braço direito (sic) de José Serra, que precisamos de um DCE livre democrático representativo para os estudantes e, claro, estariam pedindo cota contra a dupla anti-estudantes Serra e Che, esse racista de merda elitista que só favorece a burguesia e manda prender os líderes estudantis degustadores de esperma da década de 2010 porque é homofóbico e ditador e somos todos presos políticos da reitoria.

Tão vendo, gente? Não precisa de grandes volteios imaginativos e genialidade, dá pra inventar o roteiro inteiro enquanto faço uma piadinha de merda no Facebook. Sei lá, custa tanto assim virar a página, ver que precisamos falar de uma caralhada de coisas do Brasil e do mundo que não se resumem a "classe média fascista quer impedir o comunismo e os militares só pensam em poder, e um mito bobo de olavete acreditar que o comunismo é uma ameaça no Brasil, portanto vamos votar nos comunistas contra a classe média católica branca coxinha"?

Claro, vi que todos os livros da ditadura fazendo coleção nas livrarias estão rigorosamente, como dizer?, ENCALHADOS. Passou a semana passada inteira, com todas as revistas falando "MEIO SÉCULO DO GOLPE QUE MUDOU O BRASIL E NOOOOOOSSA SE VOCÊ NÃO TÁ ATUALIZADO DAS ÚLTIMAS DESSE GOLPE VOCÊ NÃO É INFORMADO" e todo mundo pouco se fodeu bonito, não teve salva de tanques explodindo sede do PT no Exército, teve um bate-boca entre Bolsonaro e uns cubanófilos que "nossa, calaram a boca do Bolsonaro, esse homofóbico terrível, ainda bem que só gostam do Fidel Castro" e o resto foi só "é, então, um dia como qualquer outro".

Talvez meio século depois vocês entendam que o Muro de Berlim caiu, que o problema do mundo se chama KGB e não imperialismo estadunidense (não me lembro de ele ter invadido a Criméia nos últimos anos) e que, afinal, existe mais coisa no mundo além de "ditadura militar e sua classe média saudosista torturadora fascista".

sábado, março 08, 2014

Quando o Terrorismo está no DNA.



Quando o Terrorismo está no DNA.





Dilma manda votar contra o envio de missão da OEA à Venezuela e respalda, de novo, as ações de um governo assassino, que prende opositores e censura a imprensa.

por Reinaldo Azevedo


Jamais apostem errado achando que há um piso para a indignidade da política externa brasileira e para a indigência moral e intelectual na qual mergulhou — ou foi mergulhado — o Itamaraty. Não há. “Eles” sempre podem descer mais baixo; “eles” sempre podem ser mais abjetos. Nesta sexta, o Brasil VOTOU CONTRA o envio de observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos) para a Venezuela e se opôs a uma reunião de chanceleres para debater os confrontos naquele país. O pretexto é tão meritório como falso: o Itamaraty se justifica afirmando que a intervenção da OEA poderia agravar os conflitos por causa da presença dos EUA. É uma desculpa de vigaristas.

O governo Dilma resolveu dar apoio a uma reunião na Unasul (União das Nações Sul-Americanas), mas só depois da posse da presidente eleita do Chile, Michele Bachelet, na terça. Ah, bom: vamos contar os esquerdistas ou loucos influentes da América do Sul: Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai), Dilma Rousseff (Brasil), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Bachelet (Chile), Ollanta Humala (Peru) e o próprio Nicolás Maduro (Venezuela). Adivinhem o que vai acontecer. O subcontinente está mais para um hospício. Ainda assim, atenção! A reunião será entre chanceleres. O Brasil se opôs ao envolvimento de presidentes na questão.

De todo modo, a barra está começando a pesar para Dilma, e os plantadores de versões do Palácio do Planalto espalham na imprensa a versão falaciosa de que o Brasil não vai aceitar nem um eventual rompimento da ordem vigente na Venezuela nem a violência de estado contra os manifestantes. Como assim? Já não há truculência o bastante? Os 21 mortos até agora não entram na contabilidade de Dilma Rousseff?

Não é por acaso que esta senhora figura no vídeo que os manifestantes espalham mundo afora como cúmplice de assassinatos e tortura. É precisamente nisso que se transformou o governo brasileiro. Leio no Estadão que os sábios de Dilma avaliam que a situação se acalmou e que o risco de uma crise institucional diminuiu.

Entenderam? Nicolás Maduro mete adversários na cadeia, convoca milícias armadas a sair às ruas para enfrentar a população na porrada, governa o país como um déspota, mas, em Brasília, considera-se que as coisas estão melhorando. Essa deve ser a impressão que Marco Aurélio Top Top Garcia passou à presidente.

Nota da OEA
Sem o envio de observadores ou uma reunião de chanceleres, a OEA conseguiu, no máximo, aprovar uma nota mixuruca, que segue abaixo — está em espanhol, mas não precisa de tradução. Volto depois:


En relación con los hechos recientemente acaecidos en la República Bolivariana de Venezuela, el Consejo Permanente declara:

Sus condolencias y solidaridad con las víctimas y sus familiares, con el pueblo y el gobierno de la República Bolivariana de Venezuela, y hace votos para que las investigaciones tengan una rápida y justa conclusión.

Su respeto al principio de no intervención en los asuntos internos de los Estados y su compromiso con la defensa de la institucionalidad democrática y del estado de derecho de acuerdo con la Carta de la OEA y el derecho internacional.

Su más enérgico rechazo a toda forma de violencia e intolerancia, y hace un llamado a todos los sectores a la paz, a la tranquilidad y al respeto a los derechos humanos y libertades fundamentales, incluyendo los derechos a la libertad de expresión y reunión pacífica, circulación, salud y educación.

El reconocimiento, pleno respaldo y aliento a las iniciativas y los esfuerzos del Gobierno democráticamente electo de Venezuela y de todos los sectores políticos, económicos y sociales para que continúen avanzando en el proceso de diálogo nacional, hacia la reconciliación política y social, en el marco del pleno respeto a las garantías constitucionales de todos y por parte de todos los actores democráticos.

Su interés de mantenerse informado sobre la situación y el diálogo instaurado en Venezuela.


Ainda que a nota defenda o respeito aos direitos humanos e aos direitos fundamentais, é evidente que ela não espelha nem remotamente o que está em curso no país.

Estados Unidos, Canadá e Panamá votaram contra a resolução justamente porque sustentam que ela ignora o que está em curso na Venezuela. Suas restrições também foram tornadas públicas. Leiam. Volto para encerrar.


1: La República de Panamá presenta sus reservas a la presente declaración.

I – No está de acuerdo con la inclusión de la palabra solidaridad en el título de la Declaración ya que de lo que se trata es de brindar respaldo al diálogo, la paz y la democracia.

II – Así mismo, considera que el respaldo y aliento a las iniciativas y esfuerzos del gobierno democráticamente electo de Venezuela puede interpretarse como una parcialización hacia el Gobierno, frente al resto de los actores sociales. La referencia a que continúen avanzando en el proceso de diálogo nacional se podría entender como que solo apoyamos el diálogo actual.

III – Con referencia al último párrafo, la República de Panamá considera que la OEA debe tener una actitud más dinámica y darle seguimiento, a la situación y al diálogo nacional en Venezuela y no solamente declare su interés en mantenerse informado sobre el diálogo ya instaurado.

2. Estados Unidos apoya el llamado a una resolución pacífica de la situación en Venezuela con base en un diálogo auténticamente inclusivo. Sin embargo, Estados Unidos no puede respaldar esta declaración dado que no refleja adecuadamente el compromiso de la Organización de promover la democracia y los derechos humanos en el Hemisferio. Además, la declaración coloca a la OEA en una posición de parcialismo, lo cual no puede hacer.

Específicamente, el párrafo 2 sugiere, incorrectamente, que la supuesta necesidad de mantener el orden y el respeto por el principio de la no intervención tiene prioridad sobre los compromisos de todos los Estados Miembros de la OEA de promover y proteger los derechos humanos y la democracia. La declaración contradice el artículo 2 de la Carta de la Organización de los Estados Americanos y los principios consagrados en la Carta Democrática Interamericana.

Si bien el párrafo 4 hace referencia al diálogo, este carece de un elemento clave para solucionar los problemas de Venezuela. Para tener éxito, el diálogo debe ser genuino e incluir a todas las partes. La declaración apoya parcialmente un diálogo patrocinado por el gobierno, que ha sido rechazado por importantes sectores de la oposición.

Estados Unidos cree que el diálogo genuino requerirá la participación de un tercero que goce de la confianza de todas las partes. También exigirá el fin de todo intento de reprimir la libertad de expresión y la liberación de los presos políticos. Desafortunadamente, la declaración no promueve suficientemente estos objetivos. La OEA no puede sancionar un diálogo en el cual gran parte de la oposición no tiene voz ni fe. Solamente los venezolanos pueden encontrar soluciones a los problemas de Venezuela, pero la situación actual del país exige que un tercero de confianza facilite el debate mientras los venezolanos buscan estas soluciones.

Por último y fundamentalmente, Estados Unidos no puede concurrir con el llamado de la declaración a un “pleno respaldo de la OEA” a un proceso de diálogo orquestado por un solo actor. La OEA tiene la responsabilidad de permanecer neutral; no puede tomar partido.



Faço minhas todas as restrições à nota. Quanto ao governo brasileiro, dizer o quê? Quem tem povo descontente dentro de casa tem medo. A esta altura, outros monumentos morais, como Cristina Kirchner, Evo Morales ou Rafael Correa, olham apavorados para a Venezuela. Vai que…
Segue, mais uma vez, o vídeo que corre mundo afora.



quinta-feira, fevereiro 20, 2014

O PT e a Venezuela.

 O PT e a Venezuela.





Nota do PT acerca da Venezuela.

O Partido dos Trabalhadores (PT), diante dos graves fatos que vêm ocorrendo na República Bolivariana da Venezuela, torna público o que segue:


1. Condenamos os fatos e ações com vistas a desestabilizar a ordem democrática na Venezuela; rechaçamos ainda as ações criminosas de grupos violentos como instrumentos de luta política, bem como as ações midiáticas que ameaçam a democracia, suas instituições e a vontade popular expressa através do voto. Lembramos que esta não é a primeira vez que a oposição se manifesta desta forma, o que torna ainda mais graves esses fatos.

2. Nos somamos à rede de solidariedade mundial para informar e mobilizar os povos do mundo em defesa da institucionalidade democrática na Venezuela, fortalecer a unidade e a integração de nossos povos.

3. Nos solidarizamos aos familiares das vítimas fatais fruto dos graves distúrbios provocados, certos de que o Governo Venezuelano está empenhado na manutenção da paz e das plenas garantias a todos e todas cidadãos e cidadãs venezuelanas.

São Paulo, 18 de fevereiro de 2014.

Rui Falcão
Presidente Nacional do PT

Mônica Valente
Secretária de Relações Internacionais do PT



A PresidentE se encontra com o chefe da Maior Democracia dos séculos XX e XXI.

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Dilma financia ditadura anticristã com nosso dinheiro.










por Thiago Cortês








A presidente Dilma Roussef está investindo o nosso dinheiro em uma ditadura que prende cristãos, ataca igrejas, impede a evangelização e a livre circulação de missionários.


Dilma esteve na ilha presídio dos irmãos Castro para inaugurar o grandioso Porto de Mariel. O governo brasileiro investiu U$ 682 milhões na construção do porto de Cuba. Nenhum porto brasileiro jamais recebeu tamanho investimento. Confira aqui.


O governo federal também tem injetado dinheiro na ditadura através do programa Mais Médicos. Quase nada fica com os médicos cubanos e quase tudo vai para os Irmãos Castro. Leia sobre aqui.


O pagamento nos primeiros seis meses de convênio do Mais Médicos é de U$ 511 milhões. Ou seja, 2014 ainda nem começou, e Dilma Roussef já garantiu mais de 1 bilhão de dólares para a ditadura que antes era sustentada pelos investimentos da União Soviética.


Enquanto estiver no poder, a esquerda brasileira fará o possível para ajudar o decadente regime ditatorial cubano a sobreviver. Talvez você ainda não tenha percebido, mas o dinheiro que vai para Cuba sai do seu bolso, e não do bolso de Dilma, Lula ou Gilberto Carvalho.


Toda essa dinheirama sai do bolso dos brasileiros que pagam impostos. É o dinheiro que está no Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), não para ser utilizado no desenvolvimento do nosso País, mas na ajuda à uma ditadura que persegue e executa discordantes.


Além de perseguir dissidentes políticos, a ditadura cubana impõe restrições graves e desumanas aos cristãos que lá vivem. Recentemente, a comunidade cristã cubana sofreu uma nova onda de repressão, com prisões em massa e atos de violência orquestrados.


Os líderes evangélicos cubanos recentemente publicaram uma carta aberta conjunta questionando a repressão que os cristãos têm sofrido na ilha e pedindo ajuda internacional. Leia aqui.


Desde que Raul Castro assumiu o poder, as organizações missionárias registraram mais de 100 violações da liberdade religiosa na ilha. Os líderes do Movimento Apostólico em Cuba tiveram sua principal igreja destruída por ordem do governo no ano passado. Leia os relatos aqui.


O reverendo Omar Perez e sua família sofreram uma perseguição cruel na ilha desde que o líder evangélico passou a expandir sua obra missionária em Cuba. A propriedade da igreja foi confiscada e o reverendo foi intimado a depor no tribunal.


Desde então Omar e sua família têm sido alvos de perseguição sistemática, incluindo “atos de repúdio” que contam com a participação de multidões violentas nas cercanias de sua residência. Tudo isso, é claro, é orquestrado pelos agentes de segurança dos Irmãos Castro.


Os evangélicos que lá vivem relataram aos missionários que sofrem com detenções arbitrárias, assédio constante dos agentes de segurança do Estado e restrições financeiras severas.


Os cristãos cubanos sofreram uma forte onda de repressão quando da visita do então Papa Bento XVI à ilha caribenha. Na época o regime cubano prendeu centenas de evangélicos e católicos que poderiam se manifestar durante a visita do pontífice.


Ditadura assassina
A ditadura cubana já praticou centenas de execuções de cidadãos que discordam da ideologia comunista. É um fato vergonhoso que fez até com que um comunista notório como o escritor José Saramago retirasse seu apoio ao governo cubano nos idos do anos 2000.


Em 2003 Fidel Castro ordenou a execução sumária de quatro cidadãos cubanos acusados de tentar sabotar a ditadura. Eles foram mortos sem direito a julgamento ou defesa.


O governo federal está investindo em uma ditadura anticristã o dinheiro captado via impostos no Brasil, ou seja, o nosso dinheiro. É uma afronta a todos os evangélicos e católicos brasileiros que nunca quiseram se tornar patrocinadores de sanguinários ditadores ateus.


É necessário que a Bancada Evangélica no Congresso Nacional leve esses questionamentos adiante, pois tenho certeza de que os cristãos brasileiros não autorizaram que seu dinheiro seja utilizado no financiamento de um regime estrangeiro anticristão.


O silêncio da esquerda evangélica
Tão terrível quanto a atitude do governo Dilma de investir nosso dinheiro em uma ditadura que persegue, censura e aprisiona cristãos é o silencio indulgente de personalidades evangélicas diante do matadouro de liberdades que é o regime cubano.


O pastor Ariovaldo Ramos não perde a chance de usar qualquer turbulência social no Brasil para fazer jorrar rios de absurdos contra policiais da Tropa de Choque, políticos conservadores e líderes evangélicos que se opõem ao comunismo (que seus artigos convertem em estereótipos).


Os artigos explosivos do pastor – como este no qual delira sobre evangélicos avançando contra a Polícia – dão a impressão de que vivemos sob um regime autoritário e que os policiais, os conservadores e os evangélicos anticomunistas são todos fascistas enrustidos.


A verdade é que Ariovaldo tem assegurado, no Brasil, o direito de publicar todas essas bobagens sem sofrer qualquer tipo de perseguição estatal. Os irmãos cubanos jamais poderiam criticar diretamente o a ditadura dos Castro sem sofrer sérios riscos.


Nunca ouvi ou li qualquer crítica de Ariovaldo sobre o regime cubano, mais especificamente sobre a perseguição imposta a pessoas que querem apenas o direito de professar sua fé e dizer o que pensam – como o próprio Ariovaldo pode fazer no Brasil.


É uma vergonha, e espero que o pastor Ariovaldo se corrija. Não porque estou pedindo, mas por amor à igreja perseguida.




Thiago Cortês é sociólogo e jornalista.


Fonte: Mídia Sem Máscara


Publicado no Gospel Mais.

terça-feira, maio 21, 2013

Segurança pública e luta de classes.








por Percival Puggnina.

Imagem: gracanopaisdasmaravilhas.blogspot.com





Em dezembro, a ministra Maria do Rosário, como presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, editou uma Resolução cuja principal finalidade era coibir o uso de arma de fogo pelos policiais. Você sabe como é. Policiais são aquelas pessoas treinadas para enfrentar, em encrencas mais ou menos grossas, até mesmo indivíduos apetrechados com armas de guerra e explosivos. A Resolução da ministra informava aos bravos profissionais, escassos, mal pagos e em desvantagem no equipamento, que, se puxassem o gatilho no exercício de sua atividade - ai deles! Sairiam da encrenca com o crime para um rolo com os inquéritos e com a Justiça.

A criminalidade - tenho como coisa óbvia - venceu a guerra que empreendeu contra nós. Hoje, em todo o país, o crime controla a sociedade e impõe regras. Nós as acolhemos por medo e os governos por motivos ideológicos. "Como assim?", indagará o leitor. Ora, ora, nossos governantes acreditam em luta de classes. Para eles, a ação dos criminosos contra os cidadãos é uma expressão inevitável dessa luta. Ao fim e ao cabo, os bandidos realizam tarefa política compatível com o que, dominantemente, pensam as autoridades. Não esqueça que muitos dos nossos atuais governantes legitimavam, com esse mesmo entendimento, os crimes que cometiam ao tempo da luta armada, nos anos 70 e 80 do século passado. Assaltavam bancos, supermercados, roubavam automóveis e sequestravam aviões para abastecerem de recursos sua belicosa atividade. Agora, a identificação com os métodos e objetivos de então levou à complacência e à solidariedade que se derrama da Resolução nº 8 do tal Conselho. O agente policial que porta arma continua sendo visto, pelos nossos governantes, como inimigo de classe. Não se requer muitas luzes para perceber isso. Ou você já os viu expressando preocupação, manifestando condolência ou prestando apoio às vítimas da bandidagem?

Quem não gostar vá chorar deitado. É mais confortável.

A realidade que descrevi só vai mudar com uma política que se expresse em outra forma de lidar com o problema, coisa que tão cedo não acontecerá. Segundo todas as pesquisas de opinião, a sociedade está muito satisfeita com o grupo que hegemoniza a política nacional. Crê, sob fé cega, que sua insegurança é causada pelos bandidos e não pela omissão/conivência dos governos que fazem absolutamente nada - mas nada mesmo! - do que deveriam fazer, na proporção exigida, para reverter a situação. Ou seja: novas e mais rigorosas leis penais; maiores contingentes policiais mais bem apetrechados de recursos materiais e financeiros; aumento significativo das vagas em estabelecimentos prisionais; respeito aos direitos humanos dos cidadãos e das vítimas da criminalidade.

Quando a polícia do Rio de Janeiro empreendeu caçada a um dos maiores traficantes do país e o matou durante tiroteio, ouriçaram-se as autoridades contra a violência da ação. Encrenca prá cima dos responsáveis pela operação. Pior para nós, os derrotados, os desarmados, os desassistidos, os expropriados. Enquanto isso, nos Estados Unidos, poucas horas depois do atentado praticado durante a maratona de Boston, um dos terroristas estava morto e o outro preso. Sim e daí? Daí que em vez de recriminar o FBI pela "violência da operação", o presidente Obama foi para a tevê registrar o sucesso da ação e afirmar que "o mundo testemunhou uma segura e firme verdade: os EUA se recusam a ser aterrorizados". Nós afirmamos o oposto.



Publicado no jornal Zero Hora.


terça-feira, julho 06, 2010

PNDH 3 JOVENS CONTRA O PLANO


PNDH 3 JOVENS CONTRA O PLANO


No próximo domingo, (11 de julho), 36 jovens começarão uma epopéia pelo Brasil com o objetivo patriótico de alertar a população sobre as atrocidades contidas no Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), e o que pode acontecer com a sociedade brasileira se ele por aprovado.

O nome deste projeto foi batizado de “Caravana Terra de Santa Cruz”, uma vez que o Brasil não pode deixar de ser um país cristão, tendo a cruz como seu estandarte de fé.

Os jovens terão a missão de alertar a população, explicando o que significa o PNDH-3e como este conjunto de leis anti-cristãs pode afetar a família brasileira.

O objetivo é conseguir milhões de assinaturas contra o PNDH-3, coletadas em cartões amarelo de advertência aos parlamentares, em alusão ao que fazem os juízes de futebol com os jogadores indisciplinados.

(Veja aqui como você pode ajudar esta campanha)

Ao final da campanha, estes cartões amarelos serão levados até Brasília, para que os políticos saibam que o Brasil é enfaticamente contra este projeto e, por isso, alerta os parlamentares para que não o apóiem.

Por conta desta iniciativa, a Central de Atendimento do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, está recebendo diversas perguntas sobre a Caravana Terra de Santa Cruz.

Fonte:

IPCO

sexta-feira, maio 16, 2008

DIARRÉIA MENTAL

DIARRÉIA MENTAL(*)

"Alguns dizem que a anistia foi feita para todos, inclusive para os torturadores. Eu respondo que se ela foi feita para os torturadores, eles têm que ser julgados, eles têm que receber uma pena. Eles se escondem hoje em uma postura arrogante que não aceita a controvérsia política" - Tarso Fernando Herz Genro, que está ministro da Justiça(??!!)

Talvez, como todo esquerdopata, o ministro Tarso só consiga enxergar numa só direção: o cabresto o impede - e a todos os seus pares - de analisar a história de um país, que começou a se esfacelar, exatamente quando um bando de sequestradores, assaltantes e assassinos adentrou no poder.
Todos os que quiseram transformar o Brasil, numa republiqueta comunista, sabiam que estavam afrontando a lei e a ordem vigentes. Essa escória - defendida pelo ministro - matou, sequestrou, torturou e assaltou e, como só num país desprovido de vergonha poderia acontecer, recebem hoje polpudas indenizações às custas do trabalho dos brasileiros. Como só num país tomado por uma verdadeira quadrilha, essa escória ocupa hoje cargos de relevância no governo e nas estatais, dilapidando um patrimônio que não é deles. Como só acontece num país em que a minoria grita - e é aplaudida por uma imprensa subserviente e pôdre -, essa turba de ex-bandidos(?) quer ditar normas de ética, moral e probidade; coisa que eles jamais tiveram.

Algumas das ações desses estupidopatas que, pelo andar da carruagem, ainda terão estátuas em praça pública:
"...Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a "garota", que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de "Elza", com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.." http://www.ternuma.com.br/elza.htm

"...Na tarde de 09 de maio, Lamarca comandou o assalto simultâneo aos bancos Federal Itaú Sul-Americano e Mercantil de São Paulo, na Rua Piratininga, bairro da Moóca, cujo gerente, Norberto Draconetti, foi esfaqueado e o guarda-civil, Orlando Pinto Saraiva, morto com dois tiros, um na nuca e outro na testa, disparados por Lamarca, que se encontrava escondido atrás de uma banca de jornais..."

"...Poucos minutos depois, Yoshitane Fujimore, acercando-se por trás do Tenente, desferiu-lhe, com a coronha do fuzil, violentos golpes na cabeça. Caído e com a base do crânio partida, o Ten Mendes gemia e contorcia-se em dores. Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a.Lamarca, perante os 4 terroristas, responsabilizou-se pelo assassinato.Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensangüentada, o Ten Mendes foi enterrado...". http://www.ternuma.com.br/lamarca.htm

(*) O sugestivo título está inserido no comentário do Vide Versus ..."disse o ministro peremptório, que parece andar com diarréia mental nos últimos dias."



quinta-feira, maio 08, 2008

DILMA LÁGRIMAS DE CROCODILO 10 x O SENADORES DE BANANOLÂNDIA

DILMA LÁGRIMAS DE CROCODILO 10 x O SENADORES DE BANANOLÂNDIA



Se houvesse uma prévia avaliação do QI de um candidato a parlamentar no Brasil, o Congresso Nacional, todas as Assembléias Estaduais e as Câmaras de Vereadores ficariam às môscas.
Depois de terem driblado a falta de inteligência dos governistas, convocando não uma, mas três vêzes a mamapac, aquêles que errôneamente se intitulam Oposição, deixaram escapar uma grande oportunidade de revelar a verdadeira face do governo do NoçuGhia. O senador Agripino não precisaria citar o passado criminoso da ministra: a Imprensa é vermelha e desqualificaria qualquer tentativa de desnudar a ministra.
Essa gente avermelhada mente sempre, está no caráter - ou na falta dele -; a ministra não fugiria à regra. O senador deveria saber mais a respeito da ministra. Segundo os avermelhados, Dilma “foi barbaramente torturada por 22 dias”. Nem a Mulher Maravilha aguentaria tanto e, segundo os mesmos avermelhados, muito macho não passou do segundo dia de tortura.
Os senadores, ditos de oposição(??), poderiam espernear e exigir a abertura das contas da presidência. Poderiam também desmascarar o PAC, que nada mais é do que uma peça publicitária eleitoreira.
Os supostos oposicionistas verdadeiros - se é que existem - poderiam mandar os senadores Arthur Virgilio e Heráclito Fortes calarem a bôca.
Os senadores poderiam tudo, desde que tivessem um QI maior do que o de uma ameba; mas aí seria exigir muito dessa gente que recebe muito, para nada fazer.
Abertamente, senhores senadores, assumam de vez que estão ao lado da corrupção, que desejam a continuidade desse governo - com Lula ou com o próximo corrupto que ele indicar -, debandem-se de vez para o partido único. O PMDB já assumiu essa postura.
PS - Quando a jovem Dilma optou por lutar para implantar no país uma república comunista, muitos jovens como ela ralavam trabalhando honestamente. Enquanto eles assaltavam bancos, muitos estudavam. Hoje somos obrigados a sustentar esses estúpidos e prestar-lhes reverência. Essa merda de país já afundou. Viva o Titanic!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Heinz Dieterich Steffan o guru do Hugo Chávez




O GURU DO CHÁVEZ (E NÃO É DIRETOR DE PALCO!)

Heinz Dieterich Steffan, o nome da fera. Sua idéias são tão boas que não são aproveitadas na Alemanha, país em que nasceu.

-O Legislativo é dispensável?
- Não. Essa participação popular deve ser gradual. Trata-se de um longo processo de transição, que requer aprendizagem. Para decidir sobre orçamento, o povo precisa saber de economia (ou seja: nunca). Num primeiro momento, por exemplo, se poderia submeter a consulta popular eletrônica 10% da lei do orçamento, enquanto 90% seriam decididos normalmente, pelos parlamentares. Tudo isso implica conflito de interesses. Os ministérios não vão querer ceder no orçamento, as elites econômicas não aceitarão um referendo em que se decida um aumento de impostos. É um conflito normal da democracia. Poder popular e poder de Estado precisam coexistir.

.... Uma vez, Marta Harnecker lhe sugeriu[a Hugo Chávez]que governasse sem partidos políticos. Eu disse que era um absurdo, pois eles são a base do sistema burguês, e a Venezuela tem uma superestrutura burguesa. Talvez daqui a 50 anos, mas por enquanto é necessário.

- Explique a questão dos preços. Eles serão abolidos?
- Toda economia precisa de um sistema para medir e expressar o valor de um produto. Na de mercado, esse sistema é o preço, que expressa a correlação de poder entre dois sujeitos econômicos. Não se trata apenas de poder econômico, mas militar, cultural e político. E isso explica por que esse princípio de regulação opera em benefício do poderoso. Os bancos definem os juros, o empresário define os salários e o dono do mercado, seus preços. Uma sociedade diferente precisa de uma economia qualitativamente diferente. Os produtos terão um valor, baseado no tempo médio gasto em sua produção, ou time-imput. Se um aparato de medicina de Cuba representa 100 horas de trabalho, e o mesmo ocorre na produção de 500 barris de petróleo, podemos trocá-los de forma justa.

Chávez já queimou etapas, não esperou 50 anos para abolir os partidos políticos. Segundo o guru do Chávez, voltaremos ao sistema de trocas: Um avanço.E como perguntar não ofende, quanto custará uma azeitona, afinal a maturidade da oliva demora 40 anos? Trocaremos uns 10 barris de petróleo por um vidro de azeitonas?