segunda-feira, julho 20, 2015

Sete obras e gastos do governo brasileiro que custaram mais que a viagem a Plutão.










Se você está vivo e tem acesso à internet ou a uma televisão, deve ter se deparado em algum momento desta semana com as sensacionais fotos tiradas pela sonda americana New Horizons.

Lançada em 2006, ela carrega sete instrumentos científicos de nomes criativos — entre eles, os telescópios RALPH e LORRI, o detector de vento solar SWAP e os espectrômetros ALICE e PEPSSI.

No último dia 14 de julho, apontou todos esses equipamentos para Plutão e seus cinco satélites, gerando uma quantidade enorme de fotos e de análises a respeito do planeta-anão. O que foi divulgado até agora é apenas a ponta do iceberg: devido ao grande volume de dados coletados e à enorme distância entre Plutão e a Terra, só conheceremos todas as informações obtidas pela nave no final de 2016.

O provável próximo passo da sonda é a visita a pelo menos um dos objetos do Cinturão de Kuiper, uma área formada por centenas de milhares de corpos celestes remanescentes da formação do Sistema Solar. Dois deles são atualmente cogitados pela equipe que cuida da nave: os objetos 2014 MU69 e 2014 PN70.

A essa visita se sucederá uma jornada rumo ao infinito: juntamente com as sondas Pioneer 10 e 11 e Voyager 1 e 2, a New Horizons é a quinta nave espacial na história da humanidade a atingir velocidade suficiente para sair do Sistema Solar.

Não bastasse a exploração de Plutão e do cinturão de Kuiper, a New Horizons ainda conseguiu fotografar de passagem o pequeno asteróide 132524 APL e, de quebra, deu um pulinho em Júpiter — onde, em setembro de 2006, obteve dados inéditos a respeito dos anéis e luas do planeta, além de observar sua magnetosfera e suas condições meteorológicas. Nada mau, não?




Obviamente, uma viagem rumo ao infinito com escalas em Júpiter e Plutão não custa pouco. A passagem só de ida custou US$ 700 milhões, ou R$ 2,2 bilhões — esse valor, de acordo com a NASA, inclui todo o desenvolvimento da nave, seu lançamento, monitoramento, análise de dados e divulgação da missão.

É um valor sem dúvida enorme, e caro mesmo quando comparado a outras missões espaciais — só para se ter uma ideia, as sondas Voyager gastaram juntas US$ 865 milhões (US$ 432,5 milhões por missão) para visitar quatro planetas, esticar a viagem até o espaço interestelar e transmitir quase 50 anos de dados para a Terra (de 1977 até 2025, aproximadamente).

Mas, e se compararmos o custo da New Horizons a outras coisas?

Resolvemos investigar o quão caro é lançar uma sonda como essa comparando-a a alguns gastos que vemos de quando em quando na imprensa. No fim das contas, talvez explorar Plutão seja algo até relativamente barato.

A seguir, 7 coisas mais caras que a New Horizons pagas pelo seu bolso.

1) UM DIA DE IMPOSTOS BRASILEIROS

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No período entre 1º de janeiro de 2015 e a elaboração deste texto, os cidadãos brasileiros pagaram ao governo (federal, estadual e municipal) mais de R$ 1,091 trilhão — os dados são do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo.

Isso totaliza, por dia, R$ 5,369 bilhões de impostos pagos ao governo. Com essa arrecadação, se o Brasil enviasse uma nave a Plutão por dia, ainda sobrariam R$ 1,155 trilhão ao final do ano — um pouco menos que o PIB do México.

Para ficar em outra comparação astronômica: considerando que atualmente a New Horizons está a aproximadamente 4,8 bilhões de quilômetros da Terra, para se chegar à arrecadação tributária de um dia no Brasil teria sido necessário cobrar da nave um pedágio de R$ 1,12 a cada quilômetro percorrido. Proporcionalmente, uma tarifa dessas seria 11 vezes maior do que a dos pedágios pagos por um cidadão que viaja de São Paulo ao Rio de Janeiro (R$ 0,10 por quilômetro).

O Impostômetro também estima que a arrecadação total do estado brasileiro em 2015 será de R$ 2.086.204.685.685,00 — isso mesmo, mais de dois trilhões de reais.

Se você acha que o Brasil é um país em que os impostos são estratosféricos, reveja seus conceitos. Eles são praticamente interplanetários.

2) CORRUPÇÃO NA PETROBRAS

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Você quer saber qual exatamente o valor que o país perdeu com o esquema de corrupção na Petrobras? Boa sorte tentando descobrir.

Uma pesquisa no Google revela estimativas que variam dos R$2,1 bilhões a um valor dez vezes maior, R$21 bilhões

Para fugir da polêmica, vamos ficar aqui com o cálculo da própria Petrobras, lançado no balanço auditado divulgado em abril de 2015: de acordo com a informação disponibilizada na época, as perdas com corrupção apenas no ano de 2014 totalizaram R$ 6,194 bilhões.

Com esse dinheiro daria para lançar a New Horizons, as duas Voyager e ainda sobraria 1 bilhão de reais para comprar eventuais souvenirs interplanetários.

3) BRASÍLIA FUTEBOL CLUBE X GAMA

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Você já sabe: não se faz uma Copa do Mundo com hospitais. Também não se faz uma Copa do Mundo em Plutão — infelizmente, já que a baixa gravidade local tornaria o jogo bem mais interessante. Ainda assim, é mais caro fazer Copa do que ir até o planetóide — e de longe.

Enquanto a New Horizons custou R$ 2,2 bilhões, os doze estádios da Copa, somados, custaram R$ 8,4 bilhões.

A New Horizons também custou menos que os R$ 2,5 bilhões da diferença entre o custo inicial estimado dos doze estádios (R$ 5,9 bi) e o custo final (R$ 8,4 bi).

Mas a coisa fica pior se pensarmos em dólares. O valor acima é de 10 de junho do ano passado, data em que o dólar custava R$ 2,22. Pela cotação da época da Copa, os doze estádios saíram por US$ 3,819 bilhões — o suficiente para mais de cinco New Horizons.

Somente o Mané Garrincha custou US$ 630 milhões. É um pouco menos do que a nave, fato. Mas, como vimos, é mais do que o valor gasto na Voyager 1, que transmite dados ininterruptamente desde antes da Copa de 1978 e atualmente se encontra a quase 20 bilhões de quilômetros do Sol.

Só os três grandes "elefantes brancos" da Copa — Mané Garrincha, Arena Amazônia e Arena Pantanal — custaram R$ 2,716 bi, ou US$ 1,223 bilhões. É isso mesmo: chegamos a um ponto em que a sede do Campeonato Brasiliense é mais cara do que uma viagem aos confins do Sistema Solar.

4) FERROVIA NORTE-SUL

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Sabe aquela ferrovia que permite transportar cargas do Maranhão a São Paulo? Eu também não — até porque essa ferrovia atualmente não existe.

Embora o projeto original seja do governo Sarney (1987), tudo o que havia até 2014 era um trecho entre o Maranhão e o Tocantins, expandido no início deste ano. Espera-se a conclusão dos trabalhos para o final de 2015 — ou seja, mais de 28 anos após seu início.

Somente o trecho entre Anápolis (GO) e Palmas (TO), de 855 km, custou R$ 3,1 bilhões. Somando-se a ele o trecho entre Palmas (TO) e Açailândia (MT), tem-se 1.574 km de ferrovia que custaram R$ 5,7 bilhões — em valores não atualizados.

Esse custo se refere apenas aos trechos já operacionais da ferrovia. Somando-se a eles os trechos ainda em construção (lembrando que o projeto original é de 1987) e atualizando-se os valores, chega-se a um investimento total de R$ 25,8 bilhões — o dado é do próprio Governo Federal.

5) VLT DE CUIABÁ


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Nessa aqui os custos empatam. Se você tiver R$ 2,2 bilhões no bolso, pode escolher entre explorar um pedaço de pedra e gelo nos confins do Sistema Solar ou implantar um metrô de superfície de 22 km em Cuiabá.

A diferença é que a New Horizons foi executada em menos de cinco anos — a ideia original da nave foi submetida à NASA em abril de 2001, e seu lançamento se deu em 19 de janeiro de 2006. Já o VLT de Cuiabá está sendo discutido desde 2011, e sua conclusão está sendo prevista para 2018 — o que ocorrerá com muita sorte, dado o número enorme de escândalos de corrupção e propinas que acompanham a obra desde a licitação.

6) OLIMPÍADAS

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Uma das ideias por trás da criação dos Jogos Olímpicos modernos foi a de reviver o espírito das competições realizadas na Grécia na Antiguidade. Se esse objetivo será cumprido ou não no Rio de Janeiro em 2016 é uma boa pergunta — mas, ao menos no que diz respeito a gastos públicos, com certeza o ideal de imitar os gregos já foi realizado em toda sua plenitude. Até o momento, o custo das Olimpíadas brasileiras é estimado em R$ 38,2 bilhões.

Dentro desse valor, estima-se que R$ 6,6 bilhões serão gastos com obras em arenas esportivas, e R$ 7 bilhões serão desembolsados pelo Comitê Organizador com a logística do evento, cerimônias etc.

Cada uma dessas rubricas por si só já seria suficiente para pagar três viagens a Plutão.

7) O MAIOR PRECATÓRIO DO PAÍS

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"Precatórios" são dívidas do estado com empresas e cidadãos reconhecidas pelo Judiciário. Em um resumo bem simples, a coisa funciona assim: se você considera que o estado tem alguma dívida com você (salários atrasados, indenização etc.), pode entrar na Justiça e pedir o seu reconhecimento. Se ganhar a causa, será emitido em seu favor o tal do "precatório", que basicamente é um papel que coloca o credor na enorme fila de débitos públicos existente no país.

Entre o ajuizamento da ação e o pagamento (período esse que leva décadas, no plural mesmo), o valor é acrescido de juros e corrigido monetariamente, podendo chegar a quantias milionárias.

Atualmente, a maior dessas dívidas é de R$ 5 bilhões, devida pela União Federal ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Rondônia (SINTERO). Seu pagamento foi suspenso pelo CNJ em 2012.

Caros professores rondonienses, fica aqui uma dica: se um dia vocês conseguirem esse pagamento (o qual, naturalmente, virá do bolso de todos os demais cidadãos brasileiros), aproveitem parte da grana para montar uma sonda espacial. Será uma experiência inesquecível para as aulas de Ciências.



Artigo originalmente publicado no site do Spotniks

domingo, julho 19, 2015

As vacas não voam.






por Diogo de Almeida Fontana




O que eu vou fazer, tal qual os dissidentes do Leste Europeu, é ignorar essa lei cretina e impossível de ser cumprida.


Era com pequenos atos de desobediência que os dissidentes do comunismo combatiam os governos que os oprimiam. Se o regime inventava uma lei estapafúrdia que mandasse afixar uma foto do presidente nas lojas ou hastear uma bandeira na porta de casa numa data qualquer, os dissidentes ignoravam, agiam como se não houvesse lei, como se nada acontecesse. Faziam-no pondo em risco a vida e a liberdade, como no caso do poeta cubano Armando Valladares, jogado numa prisão por duas décadas porque se negou a colocar a plaquinha “Estoy con Fidel” na mesa de trabalho.

Os dissidentes não eram minoria entre um povo de entusiastas do regime; pelo contrário, eram a face corajosa da maioria cansada de ser oprimida pela elite comunista de bandoleiros, psicopatas, nulidades e ladrões que lhes impunha seus caprichos ao custo da destruição econômica e moral dos países.

Soa familiar, não é?

Todas as leis precisam ser aplicáveis. De nada vale legislar para que vacas voem ou para que Lula se torne um homem culto e elegante. Um mandato parlamentar não confere a ninguém o poder para dobrar a estrutura da realidade. Leis absurdas, sem sentido ou de impossível aplicação, que contrariam o bom senso e a sanidade, são leis obscenas e, na última instância – a divina –, inválidas. Nenhum povo, por mais submisso que seja, pode aguentar indefinidamente governantes que o humilham com a imposição da loucura na forma de lei. Ainda mais quando esses governantes escarnecem desse povo e enchem o bolso com o seu dinheiro.

Digo tudo isso porque a senadora potiguar Fátima Bezerra (petista, é claro) inventou o PLS 49/2015, que proíbe os varejistas de concederem descontos maiores que 10% na venda de livros durante um ano. Em outras palavras: num momento de recessão brutal, a mulher arroga-se autoridade para limitar as condições de venda de todos os livros novos comercializados nesta nação continental de 200 milhões de habitantes.

Num caso assim, entrar no mérito da questão é até errado: não dá para legitimar o debate sobre uma lei maluca que não passa de prelúdio para a estatização do setor. Hoje o Estado determina o preço; amanhã, o lucro; depois de amanhã, o conteúdo. Discutir é bobagem; este PLS deveria ser rejeitado em bloco e qualquer um que o propusesse a sério, recebido com o tilintar de um panelaço. Ninguém suporta mais os políticos de Brasília. Qualquer coisa que venha desse partido que nos governa tem de ser descartado de imediato, atirado fora sem pestanejar. Depois do estrago que os petistas fizeram, eles não têm moral para ditar regras sobre nada, para querer mandar em ninguém. Deveriam apenas juntar suas coisas e ir embora; parar de atrapalhar quem trabalha seriamente.

Não vou combater o PLS 49/2015. Que o aprovem! Há tempos o Senado não faz senão inventar leis contrárias ao interesse da maioria dos brasileiros. Uma a mais ou a menos fará pouca diferença. O que eu vou fazer, tal qual os dissidentes do Leste Europeu, é ignorar essa lei cretina e impossível de ser cumprida; continuarei vendendo livros normalmente, conforme as leis econômicas e a livre flutuação dos preços. Quem sabe assim terei de contar aos netos: “Um dia o governo comunista me perseguiu. Por vender livros”.


Publicado no jornal Gazeta do Povo.

Diogo de Almeida Fontana é editor, livreiro e escritor.

sábado, julho 18, 2015

Islâmico, Islâmico.



Islâmico, Islâmico.



por Raymond Ibrahim.

Piloto jordaniano Muath al-Kaseasbeh sendo queimado vivo(*)




Bangladesh: No dia da Páscoa, uma aldeia cristã católica da tribo Khasia foi atacada por muçulmanos. Syed Ara Begum, muçulmano, proprietário de uma plantação de chá juntamente com uma turba de muçulmanos, atacaram a aldeia cristã enquanto seus moradores participavam da missa. O proprietário da plantação, segundo consta, estava querendo tomar a terra dos cristãos. Ao que parece, após ouvir os gritos de seu rebanho, o Pe. James Kiron Rozario correu para a cena do ataque. Chegando lá, a multidão de muçulmanos o atacou com uma faca, ferindo-o gravemente, ameaçando-o de morte. A turba muçulmana prosseguiu roubando objetos no valor de cerca de US$4.000. Ela também destruiu Bíblias, cruzes, imagens sagradas, instrumentos musicais e casas, além de matar a esmo galinhas e cabras. De acordo com o Monsenhor Bejoy N. D'Cruze OMI, Bispo de Syleht, "vivemos com medo. ... Queremos justiça e segurança para nossos padres e crentes. Temos a esperança que o governo irá encontrar uma solução pacífica e que nossa gente poderá viver livre de tensões... Ela (Khasia Católica) é uma comunidade por demais pacífica, mas é frequentemente vítima da maioria Bengali (muçulmana)".

Paquistão:Na manhã de 17 de abril, homens armados, islâmicos, suspeitos, abriram fogo contra a escola católica St Francis High School, fundada em 1842 em Lahore, há muito tempo considerada uma das melhores escolas da cidade. Um estudante e dois seguranças ficaram feridos e foram levados ao hospital. Muito embora a motivação do ataque ainda não tenha sido estabelecida, o advogado cristão Sardar Mushtaq Gill, um importante defensor dos direitos dos cristãos no Paquistão, manifestou em um parecer que esse "novo ataque mostra a deterioração da situação dos cristãos no Paquistão e espalha ainda mais medo".

Em 29 de março, Shamim Masih, um repórter cristão que expõe a perseguição muçulmana, foi atacado em Islamabad por dois homens em uma moto. De acordo com o líder do Partido do Congresso Cristão Paquistanês, Nazir S. Bhatti: "os atacantes da moto desceram e começaram a espancar Shamim Masih... Eles quebraram seu braço e o ameaçaram, caso ele não parasse de fazer reportagens sobre questões cristãs, que eles conheciam sua família e sua casa e que dariam uma lição a ele e à sua família". Como de costume, a polícia não registrou o incidente. Nas palavras de Bhatti: "como Shamim Masih é um jornalista cristão... a polícia e a administração não estão dando nenhuma atenção ou mostrando qualquer interesse em investigar o incidente".

Em 1º de abril, militantes islâmicos balearam e feriram o irmão e ativista do advogado cristão Sardar Mushtaq Gill. Esse é o último ataque contra Gill e sua família por militantes islâmicos, furiosos, ao que tudo indica, por ele ter criticado as controvertidas leis da blasfêmia, desculpa essa rotineiramente usada para atacar a minoria cristã paquistanesa. De acordo com o defensor dos direitos humanos "Pervaiz Gill (seu irmão) sofreu um ferimento em consequência de um tiro na região lombar, sendo então transferido às pressas ao Jinah Hospital em Lahore onde a bala foi retirada". No entanto "a polícia não está atrás do atirador", já identificado como Muhammad Bilal, "nossas vidas correm perigo se o atirador não for detido". No último mês de agosto, a casa de Gill foi metralhada durante a noite, pela segunda vez.

Síria: Desde que a cidade de Idlib caiu nas mãos dos rebeldes em 28 de março, os habitantes cristãos vem sendo atacados, o sacerdote ortodoxo grego de 57 anos Ibrahim Farah, presidente da paróquia grego-ortodoxa dedicada à Virgem Maria foi sequestrado. Segundo relatos recentes, Farah, que optou por permanecer na cidade e cuidar dos cristãos incapazes de fugir, estava aguardando um "julgamento".

Palavras Animadoras, Não Atitudes

Pelo fato da perseguição dos cristãos pelos muçulmanos estar aumentando exponencialmente, cada vez mais líderes cristãos e políticos estão começando a se manifestar a respeito, embora não haja uma resposta proporcional. Em uma missa em abril, o Papa Francisco disse que a Igreja de hoje é uma "Igreja de mártires". Ele continuou:

nos dias de hoje há quantos Estevãos no mundo! Pensemos em nossos irmãos que tiveram as gargantas cortadas na praia da Líbia "pelo Estado Islâmico", pensemos no jovem menino que foi queimado vivo, pensemos naquelesimigrantes jogados ao mar por outros imigrantes por serem cristãos, pensemos, que foi antes de ontem, que osetíopes foram assassinados porque eram cristãos... e pensemos em muitos outros. Muitos outros sobre os quais nem temos conhecimento e que estão sofrendo em prisões por serem cristãos... A Igreja hoje é uma Igreja de mártires: eles sofrem, dão sua vida e nós recebemos a bênção de Deus pelo seu testemunho.

O Patriarca Kirill de Moscou e de Toda a Rússia, que certa vez escreveu uma carta para Barack Obama implorando ao presidente que reconsiderasse sua política externa que permite a perseguição de cristãos na Síria, se manifestou novamente sobre a ameaça dos cristãos serem extintos no Oriente Médio:

eu recebo constantemente relatos sobre crimes hediondos que são cometidos naquela região contra cristãos, especialmente no norte do Iraque. Eu visitei aqueles lugares e lembro que havia muitas igrejas e mosteiros. Só na cidade de Mossul havia 45 igrejas. Hoje já não há mais nenhuma. As construções foram destruídas. Quatrocentas igrejas foram destruídas na Síria... O cristianismo agora é a religião mais perseguida. A mesma coisa está acontecendo na Nigéria, Paquistão e no norte da África.

De acordo com o escritor saudita Hani Naqshabandi "nossas instituições religiosas não nos dão espaço para exercitarmos a liberdade de pensamento... Elas (instituições sauditas) dizem que o cristão é um infiel, um habitante do inferno, um inimigo de Alá e do Islã. Então dizemos: Alá amaldiçoe-os". Ele também realça o fato pouco conhecido de que os "cristãos necessitam de proteção... O que aconteceu com os cristãos no Iraque e na Síria e em regiões mais distantes como a Argélia, não recebeu cobertura da imprensa árabe, no que tange à questão humana, independentemente da religião".

Até mesmo o Primeiro Ministro do Reino Unido David Cameron, que comumente é criticado por ser tolerante demais em relação aos islamistas, teceu os seguintes comentários em sua mensagem de Páscoa:

também temos a obrigação de nos manifestarmos diante da perseguição de cristãos ao redor mundo. É traumático que em 2015 ainda haja cristãos sendo ameaçados, torturados, até mortos em virtude da sua religião. Do Egito à Nigéria, da Líbia à Coréia do Norte. Por todo o Oriente Médio os cristãos estão sendo caçados em suas casas, forçados a fugirem de uma aldeia a outra, muitos são forçados a renunciarem a sua religião ou serem brutalmente assassinados. Para todos os cristãos corajosos no Iraque e na Síria que praticam sua religião ou que acolhem pessoas, dizemos "estamos com vocês.


Sobre essa Série de Artigos

Embora nem todos, nem mesmo a maioria dos muçulmanos esteja envolvida, a perseguição aos cristãos está aumentando. A série "Perseguição Muçulmana aos Cristãos" foi desenvolvida para reunir algumas, nem todas, as instâncias de perseguição que aparecem a cada mês.

Ela documenta o que a grande mídia frequentemente deixa de noticiar.

Ela postula que esse tipo de perseguição não é aleatória e sim sistemática, e que ocorre em todos os idiomas, etnias e lugares.

Notas:

[1] De acordo com um padre local e porta-voz copta, o ataque muçulmano em uma igreja cristã copta que seria construída, com a permissão do Presidente Sisi, para homenagear os 21 cristãos coptas que foram massacrados pelo Estado Islâmico na Líbia, não foi nada além do padrão e um lembrete que a atitude da Sharia Islâmica continua a solapar a soberania do estado egípcio. Em uma entrevista, ele afirmou:

primeiramente o que aconteceu foi o seguinte, quando tomamos a decisão no que diz respeito à igreja e não fomos capazes de implementá-la (construir a igreja) porque alguns muçulmanos não a querem, porque eles não querem a igreja, isto significa, antes de mais nada e acima de tudo, o fracasso do estado e de sua autoridade e a falência do estado de direito. Quando um grupo se opõe (com violência, vários coptas ficaram feridos) e a polícia nada faz, é como uma doença que irá se disseminar para todos os lados.

Hoje por exemplo foi tomada uma decisão, mas há, digamos 3 ou 4 membros da Irmandade Muçulmana ou Salafistas que são contra e o governo aparece protestando juntamente com eles, nesse caso foi dado a todos que querem se opor (com violência) a oportunidade de se oporem.

[2] De acordo com a Associated Press:

A polícia de Palermo afirmou ter detido 15 suspeitos do ataque ocorrido em alto mar, ataque este que a polícia tomou conhecimento enquanto entrevistava os sobreviventes, aos prantos, da Nigéria e de Gana que chegaram a Palermo na manhã de quarta-feira após serem salvos do mar pela embarcação Ellensborg.

Os 15 foram acusados de múltiplos homicídios com a agravante de ódio religioso, conforme declaração da polícia.

Os sobreviventes disseram que tinham subido em um bote de borracha em 14 de abril na costa líbia com 105 passageiros a bordo, parte da onda de imigrantes que estavam aproveitando a calmaria e o clima quente para se arriscarem na travessia a partir da Líbia, de onde se origina a maioria das operações de contrabando.

Durante a travessia, os imigrantes da Nigéria e de Gana, segundo consta eram cristãos, foram ameaçados de serem abandonados em alto mar por cerca de 15 passageiros da Costa do Marfim, Senegal, Mali e Guiné Bissau.

No final a ameaça se concretizou e 12 passageiros foram lançados ao mar. O motivo declarado era que as vítimas "professavam a religião cristã ao passo que os agressores eram muçulmanos".


O Estado Islâmico Massacra Etíopes Cristãos
Apenas dois dias depois do Estado Islâmico (EI) ter publicado um vídeo mostrando seus membros massacrando 21 cristãos coptas na Líbia no domingo do dia 19 de abril, o grupo jihadista islâmico divulgou outro vídeo de mais cristãos na Líbia, cerca de 30 etíopes, referindo-se a eles, com desprezo, por meio do porta-voz do EI como "adoradores da cruz", sendo assassinados por não terem pago a jizya, extorsão exigida do "Povo do Livro" que serecusa a se converter ao Islã, de acordo com o Alcorão 9:29.

Alguns dos cristãos foram mortos pelas costas com um tiro na cabeça no estilo execução, os demais foram decapitados, como fizeram com os coptas.

O porta-voz do EI se dirigiu então aos "cristãos do mundo todo":

dizemos aos cristãos onde quer que se encontrem, o Estado Islâmico irá se expandir, com a permissão de Alá. E ele chegará até vocês mesmo que vocês estejam em fortalezas reforçadas. De modo que aquele que se converter ao Islã estará seguro e aquele que aceitar o contrato Dhimmah (subjugado, tratamento e status de cidadão de terceira categoria) estará em segurança. Mas todo aquele que se recusar não verá nada de nós além da ponta da lança. Os homens serão mortos e as crianças serão escravizadas e seus bens serão tomados como espólio. Esse é o julgamento de Alá e Seu Mensageiro.

Em uma declaração, a Igreja Cristã Copta do Egito assinalou que os mártires etíopes, assim como os 21 coptas, foram "assassinados somente por se recusarem a abandonar sua religião".

Al Shabaab Assassina 147 Pessoas, Separa Muçulmanos de Cristãos

Em 2 de abril no Quênia, homens armados do grupo Somali Islâmico, Al Shabaab, "a juventude (islâmica)", invadiram a Universidade Garissa, separaram os estudantes cristãos assassinando todos, alguns por decapitação. Um total de 147 pessoas foram mortas no ataque, tornando essa jihad mais "espetacular" ainda do que o ataque do Al Shabaab em 2013 no Shopping Westgate em Nairóbi que deixou 67 mortos (naquela ocasião os homens armados islâmicos também separaram os cristãos para serem massacrados).

Os homens armados islâmicos tiveram o cuidado de separar os cristãos dos muçulmanos antes com começar a carnificina, segundo testemunhas oculares. (Embora o Quênia tenha 83% de cristãos, ele ainda conta com 11% de minoria muçulmana). Collins Wetangula, vice-presidente da união dos estudantes, reportou que podia ouvir do quarto onde estava escondida, os homens armados abrindo portas e perguntando se os internos eram cristãos ou muçulmanos. "Se fosse cristão era imediatamente morto a tiros. A cada som de tiro eu achava que iria morrer".

O Al Shabaab tem uma longa história de separar cristãos dos muçulmanos para o massacre (clique aqui para obterquatro exemplos). Outros grupos jihadistas, incluindo o Boko Haram e o Estado Islâmico também entendem como questão de honra selecionar os cristãos antes de massacrá-los, fato este, não raramente omitido pela "grande mídia".

Igrejas Egípcias sob Ataque

Em 5 de abril, enquanto os cristãos coptas estavam comemorando o Domingo de Ramos, uma igreja foi atacada em Alexandria, Egito. Homens armados abriram fogo contra uma igreja durante a noite, ferindo um policial e dois civis.

Em 12 de abril, no Domingo de Páscoa, segundo o calendário ortodoxo, duas explosões atingiram duas igrejas na região de Zagazig. Um carro explodiu próximo a uma igreja ortodoxa copta e uma bomba explodiu perto de uma igreja evangélica na mesma região. Embora não houvesse vítimas, poderia ter havido um grande número, com base em casos anteriores. Por exemplo, em 1º de janeiro de 2011, quando os cristãos do Egito celebravam o Ano Novo, carros bomba explodiram próximo à Igreja Dois Santos em Alexandria, matando 23 crentes e ferindo dezenas gravemente.

Muçulmanos fizeram manifestações violentas porque o Presidente Sisi concordou que os coptas construíssem uma igreja em Al-Our, onde 13 dos 21 cristãos decapitados cresceram e onde suas famílias ainda residem. Muçulmanos locais iniciaram o tumulto logo depois das rezas islâmicas da sexta-feira, 3 de abril. Eles gritavam que jamais permitiriam que uma igreja fosse construída, que o "Egito é Islâmico"! Ao cair da noite, coquetéis Molotov e pedras foram arremessadas contra outra igreja copta, carros foram incendiados, inclusive o de um parente de um homem decapitado pelo Estado Islâmico e várias pessoas ficaram feridas.[1]

Um dia mais tarde, em 4 de abril, muçulmanos protestaram com violência e atacaram os cristãos da aldeia de Gala', bairro de Samalout. Após esperarem por anos a fio para restaurarem sua igreja dilapidada (clique aqui para visualizar as fotos), os coptas locais finalmente receberam os devidos alvarás para iniciarem a restauração. Logo pessoas, casas e negócios coptas foram atacados com pedras. Lavouras pertencentes a cristãos foram destruídas e as plantações arrancadas. Slogans islâmicos foram constantemente entoados, como: "não há outro Deus senão Alá" e "Islâmico! Islâmico"!

Após esperar 44 anos, os cristãos de Nag Shenouda, na cidade de Sohag, finalmente receberam o alvará necessário para construir uma nova igreja. Os muçulmanos promoveram tumultos violentos indendiaram a tenda que os cristãos tinham erguido para rezar. Os cristãos de Nag Shenouda foram forçados a comemorar a Páscoa no meio da rua (clique aqui para visualizar a foto). Quando um cristão tentou manter o serviço religioso em sua casa, uma turba de muçulmanos o atacou e também a sua família.

Mais Ataques Islâmicos contra Igrejas Cristãs

Síria: O Estado Islâmico destruiu pelo menos três igrejas sob seu controle:

no domingo de Páscoa o Estado Islâmico destruiu a Igreja Virgem Maria, uma igreja assíria construída e consagrada em 1934 em Tel Nasri, no norte da Síria. Tel Nasri, em tradução livre "Monte Cristão", é uma das dezenas de aldeias cristãs assírias ao longo do rio Khabur, todas foram atacadas e ocupadas pelo Estado Islâmico no final de fevereiro (clique aqui e aqui para mais visualizações).

Em 28 de abril a Igreja Assíria Santo Odisho em Tel Tal e a igreja Armênia Santa Rita Tilel em Aleppo, também foram destruídas.

Nigéria: Em 1º de abril uma turba de muçulmanos ateou fogo em uma igreja em uma aldeia cristã no Estado Kano no norte da Nigéria. Os muçulmanos estavam a procura de um jovem com o objetivo de assassiná-lo, ele tinha renunciado ao Islã e se reconvertido ao cristianismo. A turba munida de facões também atacou aldeias cristãs, ateou fogo na casa de um pastor e matou uma de suas filhas. De acordo com uma autoridade local, o General Dikko disse o seguinte:

a igreja e todas as propriedades foram queimadas na presença da comunidade cristã apesar de todos os apelos para que parassem com a destruição. Os incendiários juntaram espigas de milho dentro da igreja para aumentar ainda mais a destruição... Nós temos o direito de pertencer à religião de nossa preferência e residir em qualquer lugar desse país. Solicitamos às autoridades de todos os níveis para que assumam sua responsabilidade de protegerem a vida e a propriedade de cada cidadão desse país.

Paquistão: Dois criminosos em uma moto abriram fogo nos portões principais de uma escola cristã em Lahore, no fogo cruzado duas pessoas que passavam pelo local ficaram feridas.

Malásia: No domingo do dia 19 de abril uma turba muçulmana de cerca de 50 pessoas provocou tumulto e protestoem frente a uma pequena igreja protestante na capital de Kuala Lumpur. O motivo da fúria era uma cruz no topo da casa de orações. Membros da turba disseram que a cruz, símbolo do cristianismo, representava "uma ameaça ao Islã" e poderia "influenciar a fé dos jovens". A cruz foi retirada.

Mais Massacres Muçulmanos de Cristãos

Alto-mar: Em 16 de abril, durante a travessia da Líbia, imigrantes muçulmanos jogaram ao mar, segundo consta, cerca de 53 cristãos, de acordo com a polícia da Sicília. O motivo reportado era que as vítimas "professavam a religião cristã ao passo que os agressores eram muçulmanos". Outro relatório dizia que o motivo dos cristãos terem sido jogados ao mar foi em razão de um menino ter sido visto orando para o Deus judeu-cristão. Os muçulmanos ordenaram que ele parasse dizendo "aqui nós só oramos para Alá". Com o passar do tempo os muçulmanos, segundo as palavras de uma testemunha "surtaram", e começaram a gritar, "Allahu Akbar"! e em seguida começaram a jogar os cristãos no mar.[2]

Nigéria: "Todas as 276 alunas cristãs sequestradas pelo Boko Haram em 2014 podem estar entre um grupo demulheres massacradas pelo Boko Haram no último mês de (março), segundo a imprensa nigeriana noticiou na segunda-feira 6 de abril",[3] de acordo com o Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU".

Síria: Rebeldes islâmicos lançaram foguetes em um bairro cristão em Aleppo na madrugada do dia 10 para o dia 11 de abril. O ataque causou enorme destruição na região oriental do bairro Sulaymaniyah, predominantemente assírio e armênio. Pelo menos 40 pessoas, em sua maioria assírios, inclusive mulheres e crianças, foram mortas. Uma catedral católica assíria também foi bombardeada, ferindo três civis. "Nossa festa de Páscoa se transformou em sofrimento", uma freira em Aleppo disse o seguinte: "algumas pessoas acordaram e de repente se viram sem casa e outros morreram entre os destroços, vítimas da violência".

Egito: Um muçulmano esfaqueou repetidas vezes uma mulher cristã e em seguida jogou seu corpo em um canal. A mulher copta, Gamila Basilious, de 48 anos de idade, casada, residia em Minya. De acordo com relatos da polícia, o homem, Mahmoud Hassan Abdulhamid, veio à sua porta perguntando pelo marido. Ao descobrir que o marido não se encontrava, aproveitou-se da situação atacando-a com uma faca, esfaqueando-a no pescoço e no tórax. Sendo "infiéis", os cristãos coptas são regularmente atacados no Egito. Os ataques incluem sequestro, ataques a igrejas e massacres aleatórios.

Ataques Islâmicos contra a Liberdade Cristã: Apostasia, Blasfêmia, Proselitismo

Uganda: Cinco homens muçulmanos estupraram coletivamente e espancaram a filha de 17 anos de um pastor cristão. Segundo consta, os ataques foram desfechados em "retaliação" a recusa do pastor de parar com os serviços religiosos cristãos em uma região de maioria muçulmana. Uma menina estava se aproximando da Igreja Nova Esperança onde seu pai trabalhava como pastor quando ela foi sequestrada e levada pelos estupradores para um matagal próximo. Em suas palavras:

os cinco muçulmanos me imobilizaram e me estupraram ali mesmo. Eu tentei gritar, eles ameaçaram me matar. Um deles disse, "seu pai deve parar com essas rezas na congregação e parar de tentar converter os muçulmanos ao cristianismo e fechar a igreja, nós o avisamos diversas vezes.

Os suspeitos fugiram quando membros da igreja chegaram para uma vigília das rezas que iria durar a noite toda. Eles a levaram apressadamente a uma clínica local onde ela foi tratada de graves ferimentos e trauma psicológico. De acordo com seu pai, "a menina ainda apresenta problemas para se comunicar. Ela apenas diz algumas palavras e depois fica em silêncio. Ela necessita de acompanhamento psicológico". Mais cedo, o pai tinha recebido avisos ameaçando-o e exigindo que ele parasse com os serviços religiosos cristãos. Uma das mensagens dizia "esteja avisado de que nós não queremos sua igreja nessa região. Se o seu culto religioso continuar, você se arrependerá".

Bangladesh: Uma turba muçulmana atacou um ex-muçulmano e sua esposa por terem se convertido ao cristianismo. O casal foi atacado ao voltar para casa após ser batizado. O homem recebeu bofetadas de um imã muçulmano na frente dos dois filhos do convertido. A turba muçulmana destruiu a cerca da casa da nova família cristã e disse que iria expulsar os "apóstatas" da aldeia por eles terem deixado o Islã. O homem que batizou o casal também foi atacado, espancado pela turba em sua própria casa, mais tarde acabou perdendo o emprego.

Egito: Gad Yunan, um professor cristão copta e cinco dos seus alunos foram presos sob a acusação de "desrespeito às religiões". O "crime" deles foi o de fazer um vídeo de 30 segundos no iPhone de Yunan, zombando do Estado Islâmico, que ao que tudo indica, os muçulmanos egípcios e as autoridades equiparam com zombar do Islã, ainda que os muçulmanos no Ocidente insistam em afirmar que o EI "nada tem a ver com o Islã". Yunan foi "banido" da sua aldeia de al-Nasriya na tentativa de acalmar os muçulmanos locais, eles reagiram ao vídeo com violência, inclusive arremessando pedras contra casas e comércio dos cristãos. Nas palavras de Khamis, irmão de Yunan: "não vejo nada de ofensivo ao Islã no vídeo. Eles estavam brincando e zombando do Daesh (sigla do EI em árabe), não do Islã. Meu irmão não teve a intenção de ofender a religião islâmica". [4]

Etiópia: Gemechu Jorgo e o Xeque Amin, dois homens que estavam distribuindo Bíblias na região de Melka na Etiópia foram presos. A lei islâmica proíbe a propaganda e a disseminação de qualquer religião que não seja o Islã. Enquanto estiveram encarcerados, ambos foram molestados e sofreram abusos físicos das autoridades. A certa altura, Jorgo lembrou ao administrador do distrito Jamal Adam de seu direito constitucional de praticar livremente sua religião cristã. Em resposta, o administrador muçulmano usou a Bíblia de Jorgo para esbofeteá-lo três vezes. Amin, que já foi um xeque muçulmano e líder de oração de uma mesquita, recentemente se converteu ao cristianismo. Enquanto esteve encarcerado, as autoridades prisionais viviam pressionando-o a abandonar Cristo e retornar ao Islã. Ele se recusou. No final ambos foram soltos. A Etiópia é uma nação de maioria cristã, embora os muçulmanos constituam um terço da população.

Uzbequistão: Apareceram relatos em abril sobre assédio, encarceramento e multas de vários cristãos por praticarem seu direito à liberdade de religião ou crença. Um dos prisioneiros políticos o Batista Doniyor Akhmedov do Conselho das Igrejas, foi multado em um salário mínimo por mais de três anos após sua soltura em que esteve preso por 15 dias. Outros prisioneiros políticos que estiveram presos por pouco tempo foram: um protestante em Bukhara, sentenciado a sete dias de prisão por atividade religiosa "ilegal" e outro também protestante sentenciado a 10 dias de prisão por "lecionar religião ilegalmente". Suas identidades continuam no anonimato por receio que eles possam sofrer mais represálias. Mais nove protestantes foram multados por "armazenarem ilegalmente" material e literatura cristã. Suas casas foram atacadas pela polícia, que confiscou livros cristãos, CDs e DVDs. "As minorias religiosas são monitoradas de perto no Uzbequistão, são impedidas de exercerem abertamente suas crenças sem sofrerem punições como cadeia ou pesadas multas", conforme reportagem do Forum 18 News.

Dhimmitude: Violência Generalizada e Hostilidade contra Cristãos

França: Em 15 de abril, 215 lápides cristãs e cruzes no cemitério de Saint-Roch de Castres (Tarn) foram danificados e profanados (clique aqui para visualizar as imagens). O responsável foi depois detido. Segundo o promotor, Charlotte Beluet: "o suspeito, detido às 12h45 da quinta-feira, corresponde à descrição de uma testemunha, um funcionário do cemitério, que passou pelo homem vestido em uma djellaba branca (vestimenta árabe/muçulmana) e o seguiu... O homem fica repetindo orações muçulmanas, baba e não consegue se comunicar: sua condição foi declarada incompatível com a detenção anterior". Ele foi hospitalizado sob o pressuposto de ser "mentalmente desequilibrado".

Iraque: O Estado Islâmico publicou fotos em que seus membros estão destruindo lápides e cruzes em cemitérios sob seu controle, inclusive o mais antigo cemitério cristão de Mossul próximo a Catedral Ortodoxa da Síria. O EI cita escrituras islâmicas para justificar suas ações. Vários Websites jihadistas postaram as fotos. Algumas mostravam membros do Estado Islâmico usando marretas para destruírem as lápides e apagarem as cruzes esculpidas nelas.

Os cristãos sobreviventes, segundo a declaração, só conseguiram permanecer a bordo por meio da formação de uma "corrente humana" para resistir ao ataque...

[3] O influente jornal This Day revela que Zeid Ra'ad al Hussein disse que "a recente recuperação de territórios no nordeste da Nigéria trouxe à luz cenas macabras de valas comuns e outros sinais evidentes de assassinatos cometidos pelo Boko Haram". Ele citou vários relatórios obtidos pelo seu escritório em Genebra que "incluem o assassinato de mulheres de combatentes, mulheres e meninas escravizadas".

[4] Um lojista copta contou como foi violenta a reação dos muçulmanos após saberem do vídeo:

houve três ou quatro marchas em diferentes lugares da aldeia, uma vez que nossa aldeia é consideravelmente grande. Eles entoavam slogans contra os cristãos e o cristianismo. Eles cantavam: "com nossas almas e nosso sangue, nós o defenderemos, oh Islã! Não o abandonaremos, nós o vingaremos"!

Eles atiravam pedras nas casas dos cristãos, batiam violentamente em portas e janelas, atacavam lojas de cristãos coptas. Eles destruíram a porta da minha loja e o estúdio fotográfico pertencente ao pai de um dos meninos.

Durante quatro dias vivemos aterrorizados e em pânico. Ficamos dentro de casa e nossos filhos não frequentaram as aulas. Também não pudemos ir à igreja para participar das missas da Semana Santa (Copta).

Outro copta local descreveu como sua casa foi atacada:

na noite de quinta-feira (9 de abril), manifestantes muçulmanos atacaram nossa residência. Atacaram-na com pedras e nos insultaram. Eles gritavam "oh kafirs (infiéis), não podemos deixá-los viver por aqui. Nós expulsaremos vocês da nossa aldeia". Eles também roubaram as janelas da nossa casa... Não tivemos condições de ir à igreja durante esses eventos. Além disso, não fomos à igreja no sábado para participar da missa de Páscoa. Até o presente momento estivemos dentro de casa com medo que os ataques contra nós recomeçarão.

(*) As cenas do piloto jordaniano sendo queimado cenas são fortíssimas 



Raymond Ibrahim é o autor de Crucified Again: Exposing Islam's New War in Christians (publicado por Regnery em cooperação com o Gatestone Institute, abril de 2013).

Original em inglês: "Islamic! Islamic!"

Tradução: Joseph Skilnik

sexta-feira, julho 17, 2015

O petismo e a bajulação da imprensa.









por Luis Milman (*)



No ambiente jornalístico, a presença dominante dos comunistas é incontestável há décadas. A grande maioria dos jornalistas sempre esteve próxima do esquerdismo. Não digo hoje, como militância aberta, mas no plano da adesão intelectual e da adoção bajuladora e servil a um argumento da autoridade petista, que é um partido da esquerda confessional, aquela que trata o marxismo como um tipo de religião revelada. Sem a submissão a este argumento da autoridade, o governo Dilma Rousseff já teria perdido sua sustentação junto àintelligentsia e, como não possui qualquer respaldo popular, teria desabado.

Em idioma vicário, o comunismo transmutou-se em progressismo, depois do colapso da União Soviética. Essa presença comunista nas redações, não é abertamente ativista, o que não significa dizer que não seja muito ativa. Ela explica o apoio com que contam, no meio jornalístico, todas as posições esquerdistas nos chamados temas sociais controversos, como a liberação do consumo de maconha, o fator antrópico de aquecimento global, a descriminalização do aborto, a proibição do uso de armas, a manutenção da maioridade penal em 18 anos e a tentativa de criar crimes diferenciados contra homossexuais.

Para o jornalista padrão, o adjetivo “conservador” significa “reacionário”. E, saliente-se: por total ignorância, este jornalista padrão sequer sabe o que designa, no universo político-doutrinário, o termo “conservadorismo”. A militância da redações muito precariamente ouviu falar de um Burke ou, mais recentemente, de um Scruton, mas as posições “progressistas” são defendidas, em que pese a sua rejeição pela esmagadora maioria da sociedade, como as pesquisas de opinião não cansam de apontar.

Darei três exemplos: na mídia circulante, o ex-tupamaro Mujica – e isto é uma forte credencial -, tornou-se um estadista porque liberou a maconha no Uruguai; Noam Chomsky é o teórico mais influente do mundo porque acusa os EUA dos mais abjetos crimes e Benjamin Netanyahu é um obstáculo à paz porque lidera a radical direita israelense contra posições negociáveis do moderado presidente palestino Abu Mazen.

Tudo isto é risível. Mujica é um marxista incurável; Chomsky, um mentiroso cínico e compulsivo, e Netanyahu um político de direita, é claro, mas democrata, prudente e não está negociando com Abu Mazen porque o palestino não é, na prática, o moderado que a mídia esquerdista nos apresenta. Pode parecer paradoxal que a sociedade se expresse de um modo conservador e a imprensa, no polo contrário, de uma forma sistematicamente “avançada”. Abrem-se espaços generosos e constantes, nos jornalões e jornalecos brasileiros, para especialistas aparvalhados pelo marxismo de almanaque lançarem explicações desesperadas para o que chamam de “onda conservadora brasileira”. É claro que a classe média do país cansou do PT. Caiu a máscara do lulopetismo para os chamados cidadãos e cidadãs comuns, de classe média, o segmento social que Marilena Chauí - talvez a filosofa maior daquela pocilga intelectual que Reinaldo Azevedo chama de o “Complexo PUCUSP”-, disse odiar, com frenesi e sob o aplauso de Lula, seu líder. 

As análises que as estrelas da mídia tradicional nos oferecem sobre a virada brasileira à direita são tão miseráveis quanto a ideologia de baixo marxismo que eles abraçam e insistem em espalhar. São sempre análises autoindulgentes, que sequer raspam o cerne das razões pelas quais o PT se espatifou politicamente: a ausência escancarada de energia moral, a desgraçada insistência em agredir os valores mais caros ao povo e a corrupção, que, mais do que entranhada no partido, é inerente à sua doutrina.

Existe, é claro, na chamada mídia, uma trincheira heroica, daqueles que desafiam essa quase unanimidade. No entanto, o quase-consenso vermelho é policiado selvagemente por lideranças políticas, intelectuais delirantes e por uma legião de blogueiros e twitteiros da linha justa. Se apenas com isto não se pode impedir que escândalos sejam noticiados, que o naufrágio do lulopetismo se mostre irreversível, então que se trate de apertar mais a corda nos pescoços dos bajuladores petistas usuais, que dominam as redações. Talvez assim aquilo que já está péssimo não desande. Não é por acaso que Lula sai por aí, enquanto o país afunda numa crise moral, política e econômica patrocinada pelo seu partido, a uivar que a mídia quer destruir o PT. Muito menos que os petistas, que se lambuzaram na corrupção do Mensalão e do Petrolão, dizem que toda essa podridão não passa de uma construção da mídia reacionária. Eles sabem, é certo, que a mídia é precisamente o oposto do que a acusam, ou seja, é uma mídia amestrada por anos de submissão a um marxismo de clichês.

A elite petista sabe que a companheirada que os ampara nas redações pode muito. Mas nós sabemos que ela não pode tudo.



(*)Luis Milman é professor de filosofia e jornalista.

Fonte: Mídia Sem Máscara

quinta-feira, julho 16, 2015

A real taxa de desemprego no Brasil.










A real taxa de desemprego no Brasil.

Por Leandro Roque.
Nota: artigo escrito em 2012 mas os dados continuaram sendo manipulados; portando valem para hoje








Não são poucas as pessoas que nos escrevem pedindo comentários e explicações sobre a supostamente baixa taxa de desemprego no Brasil. De fato, um estrangeiro mais desinformado que olhe para os números brasileiros irá se sentir tentado a arrumar suas malas, vender sua casa europeia e vir voando com toda a família para o Brasil.

Quando me perguntam minha opinião sobre a taxa de desemprego no Brasil, apenas respondo: qual taxa? A do IBGE ou a do DIEESE? A do DIEESE é simplesmente o dobro da do IBGE. Enquanto o IBGE fala que a taxa de desemprego de outubro foi de 5,3%, o DIEESE afirma que foi de 10,5%. Dois indicadores iguais, uma margem de erro de incríveis 100%. E as implicações disso são enormes. Ao passo que uma taxa de desemprego de 5,3% é menor que a de todos os países europeus (exceto Suíça e Áustria), norte-americanos, asiáticos e da Oceania, uma taxa de 10,5% só é inferior à francesa, portuguesa, irlandesa, grega e espanhola. Ou seja: o mesmo país, o mesmo indicador, duas realidades totalmente opostas.

Desde que comecei a prestar mais atenção no assunto — e, principalmente, desde que me inteirei melhor da metodologia —, perdi completamente o interesse pelo indicador. Ele não indica nada. A metodologia do IBGE é totalmente ridícula. Um malabarista de semáforo é considerado empregado. Um sujeito que vende bala no semáforo também está empregadíssimo. Um sujeito que lavou o carro do vizinho na semana passada em troca de um favor é considerado empregado (ele entra na rubrica de 'trabalhador não remunerado'). Se um sujeito estava procurando emprego há 6 meses, não encontrou nada e desistiu temporariamente da procura, ele não está empregado mas também não é considerado desempregado. Ele é um "desalentado". Como não entra na conta dos desempregados, ele não eleva o índice de desemprego.

Além disso, o índice também coloca na rubrica 'empregado' todas aquelas pessoas que exercem trabalhos considerados precários, como o sujeito que trabalha poucas horas por semana e gostaria de trabalhar mais, mas não consegue (muito provavelmente por causa das regulamentações trabalhistas), e o sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo. Ou seja, você substitui seu vizinho na barraca de pipoca dele por três dias. Em troca, ele lhe dá R$250. Você foi considerado pelo IBGE como estando empregado — tendo efetivamente trabalhado 3 dias no mês.

Com todos esses truques, não é de se estranhar que o Brasil esteja com "pleno emprego", mesmo com sua arcaica legislação trabalhista, sua escandinava carga tributária e seus espoliadores encargos sociais e trabalhistas.

Mas isso, sejamos francos, não é uma exclusividade brasileira, não. O governo americano, por exemplo, também divulga 2 índices, cada um com uma metodologia diferente. Obviamente, ele se pauta apenas por aquele que fornece o mais róseo resultado. Uma fonte privada complementa fornecendo o terceiro índice, bem mais rigoroso. Veja abaixo:


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Na Europa, a coisa é ainda mais discrepante. Alguém realmente acredita que o real desemprego na França e em Portugal é a metade do espanhol? A impressão que tenho é que a Espanha é o único país que de fato adota uma metodologia mais rigorosa.

Indo para os finalmentes

Felizmente, o IBGE disponibiliza em seu site todos os dados coletados desde março de 2002, possibilitando que uma pessoa mais interessada em fatos e menos em ideologias possa analisar um pouco melhor a realidade do país. A tabela divulgada para o mês de outubro está aqui. Veja lá todas as categorias que mencionei acima: Pessoas Desalentadas, Pessoas Subocupadas por Insuficiência de Horas Trabalhadas, Pessoas Ocupadas com Rendimento/Hora menor que o Salário Mínimo/Hora, Pessoas Marginalmente Ligadas à PEA (População Economicamente Ativa).

Em termos práticos, na atual metodologia, se um gerente de banco é demitido e passa a fazer malabarismo no semáforo, a taxa de desemprego não se altera. Se um desempregado lava o carro do vizinho em troca de um favor, a taxa de desemprego cai.

O leitor interessado pode baixar aqui uma enorme planilha de Excel com os valores de todas essas variáveis coletadas desde março de 2002. Eu fiz isso e calculei uma taxa de desemprego mais realista. 

Coletei os seguintes dados:

1) pessoas desocupadas;

2) trabalhadores não remunerados;

3) pessoas com rendimento/hora menor que o salário mínimo/hora (aquele sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo);

4) pessoas marginalmente ligadas à PEA (pessoas que não estavam trabalhando na semana da pesquisa mas que trabalharam em algum momento dos 358 dias anteriores à pesquisa e que estavam dispostas a trabalhar); e

5) pessoas desalentadas.

De canja para o governo, deixei de fora as pessoas subocupadas, pois uma pessoa que trabalha regularmente um determinado número de horas por semana não está tecnicamente desempregada.

Somei estes cinco itens e dividi pela soma entre população economicamente ativa, pessoas marginalmente ligadas à PEA e pessoas desalentadas. (Estas duas últimas também não entram no denominador do cálculo do IBGE porque não são consideradas economicamente ativas pelo IBGE, o que é um despropósito.)

Logo, a real taxa de desemprego brasileiro é essa abaixo:

taxa.png






















Portanto, a real taxa de desemprego no Brasil em outubro foi de 20,8%. Nada surpreendente quando levamos em conta nossa legislação trabalhista e tributária. Encargos sociais e trabalhistas onerosos em conjunto com uma paquidérmica carga tributária sobre as empresas não poderiam permitir outro resultado senão esse. Um quinto da população sem emprego fixo após três anos de economia "pujante", segundo o animador de circo que habita o Ministério da Fazenda.

Observe o efeito da expansão artificial do crédito criada pelo Banco Central em conjunto com o sistema bancário de reservas fracionárias a partir de meados de 2009. Sem que nenhuma alteração na estrutura da economia brasileira houvesse sido feita, a taxa de desemprego caiu para o historicamente baixo nível de 20%. Por isso ela é insustentável: ela é totalmente guiada pela expansão do crédito, um mecanismo de curto prazo

A economia, como foi previsto neste site ainda no segundo semestre do ano passado, já está parada. O desemprego, como em todos os outros países, tende a ser a última variável a ser afetada.



Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

quarta-feira, julho 15, 2015

Por que não falar a verdade?











por Mateus Colombo Mendes para o Mídia Sem Máscara


Só quem torce o nariz à simplicidade e à honestidade da verdade de homens comuns e de Bolsonaros são esses intelectualóides e os jornalistas de esquerda, além dos estrategistas cagões de centro e de direita.


Mentira, engodo, desinformação, confusão etc. conformam as estratégias da esquerda há século e meio. Mundo afora, a reação de parte dos não-esquerdistas, logo depois do atordoamento por lidar com o descaramento do adversário, é tentar imitá-lo, colocando a estratégia política acima da verdade indiscutível.

Olhemos para o Brasil. O PT mente há 30 anos. No meio desse caminho, seus adversários desistiram de defender a realidade. Passaram a fazer de conta que não eram a favor de ações corretas (e.g., austeridade e eficiência nas contas públicas e flexibilização de leis trabalhistas) e começaram a levantar as mesmas bandeiras do adversário mais eloquente. 

Quantas vezes vimos o PSDB pintando de azul bandeiras petistas? [Sim, assumo aqui que haja a possibilidade de o PSDB não ser mera linha auxiliar a serviço do PT.] Quantos políticos que sabíamos ser contrários ao desarmamento e outros esquerdismos não "esquerdaram" no Plenário ou aos microfones midiáticos?
Resultado: esquerda esmagadora e culturalmente hegemônica no Ocidente e politicamente poderosa em lugares como o Brasil.

Por que, então, ante tantos fiascos e fracassos, não tentamos simplesmente falar a verdade?


Ao surgimento de uma nova direita no Brasil, com o renascer do liberalismo econômico e do verdadeiro conservadorismo moral, há muita coisa boa, excelentes notícias. Mas uma analisada mais atenta é capaz de revelar quem esteja incorrendo novamente no erro do caminho mais fácil (e ineficaz e burro) de querer apropriar-se de bandeiras esquerdistas, em vez de substituí-las. Isso ocorre, sobretudo, entre os liberais.

A ideia é subverter a subversão da esquerda, usando as cartilhas de estratégia revolucionária (Maquiavel, Antonio Gramsci, Saul Alinsky) contra os próprios revolucionários. Ora, por que precisamos disso se contamos com a realidade dos fatos? Por que, em vez de imitar o PT, estimulando o ressentimento racial ao criar o Tucanafro, o PSDB não se esforçou em esclarecer o povo sobre os males das ditas discriminações positivas (ou ações afirmativas)? E o que dizer da seção "gay" do EPL (Estudantes Pela Liberdade), grupo que defende as liberdades individuais mas dá espaço à bandeira de grupos de pressão? 

Esse tipo de estratégia, à qual não-esquerdistas aderem por pragmatismo ou mesmo de forma induzida e realmente engajada (e esquizofrênica, neste caso) é torpe e afronta diretamente o liberalismo e o conservadorismo, porque é orientada ideologicamente, por idéias abstratas, não pela busca da verdade, da realidade dos fatos. O máximo que deveríamos fazer com as armas de guerra política da esquerda, em geral, seria estudá-las a fundo para entendê-las e combatê-las. Assimilar as bandeiras e as formas do discurso da esquerda, a fim de subverter a subversão, é começar a guerra já vergonhosamente derrotado. 

Ademais, além de possuir a moralidade do esquerdismo (ou seja, nenhuma moralidade), esses gramscismos e alinskyanismos de sinal trocado são absolutamente ineficazes, porque causam 

  • desconforto e constrangimento entre quem está do lado dos estrategistas, por causa da artificialidade e da mendacidade do negócio, 
  • confusão no observador neutro ou indeciso 
  • e risos no adversário, que colherá os frutos desses marqueteiros.

Estratégias políticas são, sim, importantíssimas, mas não são fundamentais -- pois o fundamento está na verdade. Basta ver o sucesso que tipos de certa forma toscos como Jair Bolsonaro faz entre o povo. Por quê? Porque simplesmente "dão a real". Escorregam aqui e ali, como qualquer pessoa, mas, em geral, falam aquilo que toca a população, aquilo que o homem comum pensa. [E isso, falar o que o povo pensa, é muito diferente e muito mais honesto do que falar como o povo, como faz Lula, com sua humildade fingida.] E se há algo que a realidade nos mostra é que a sabedoria do homem comum, que vive a vida real, é muito mais valiosa que as masturbações intelectuais de ideólogos de gabinete. Aliás, só quem torce o nariz à simplicidade e à honestidade da verdade de homens comuns e de Bolsonaros são esses intelectualóides e os jornalistas de esquerda, além dos estrategistas cagões de centro e de direita. Estes, a propósito, são os mesmos para os quais dirijo a questão central deste texto: POR QUE NÃO FALAR A VERDADE?

A forma e a retórica são valiosíssimas, sim -- desde que orientadas pela verdade. Se estiverem esvaziadas de conteúdo fático, preenchidas somente com o gás etéreo da estratégia pela estratégia, serão prestadoras de serviço à maldade e ineficazes em seus intentos. Não sou eu, mas a História é quem afirma isso tudo.