terça-feira, julho 14, 2015

O estatuto do desarmamento nunca alcançou seu objetivo.





por Gabriel Castro, Veja Brasilia




Quando foi às urnas decidir sobre o desarmamento, em 2005, a população brasileira tinha diante de si uma proposta que bania a venda de armas e outra que restringia seriamente essa possibilidade. Mesmo com a vitória do "não", a legislação sobre o tema se tornou mais dura, graças a uma proposta aprovada pelo Congresso antes do referendo: o Estatuto do Desarmamento. O porte de arma de fogo é proibido em todo o país, salvo em situações excepcionais - como nos casos comprovados de risco de vida, por exemplo. Um projeto de lei do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC) inverte essa lógica e, dentre outras mudanças, autoriza o porte para todo o cidadão que cumprir os requisitos de idoneidade, estabilidade psicológica e treinamento para manuseio de armas de fogo. A proposta está sob análise em uma comissão especial criada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e pode ir a plenário no próximo semestre. Leia a entrevista ao site de VEJA.

O senhor defende que o cidadão deve ter o direito de portar uma arma? 
Na verdade, o cerne do projeto é acabar com a discricionariedade. Esse é o principal objetivo. Hoje você segue todas as exigências legais e mesmo assim não tem direito ao porte de arma. Os pontos básicos para ter uma arma vão continuar iguais ou mais exigentes. Uma das exigências é o treinamento de tiro. Outra é a questão de antecedentes criminais. É necessártio que as pessoas não tenham cometido nenhum tipo de crime, passem por exames psicotécnicos, tenham residência fixa. Isso fica. Propomos a descentralização para que volte para as mãos dos Estados a possibilidade de conceder o porte de armas.Em Santa Catarina, que tem 6 milhões de habitantes, só temos 150 portes de arma. Já tivemos 20 000.

O plebiscito de 2003 foi uma falsa vitória dos antidesarmamentistas? 
O referendo foi bem claro. Perguntou para a população se ela era contra ou a favor o desarmamento, e aproximadamente 65% disseram que não. Foram quase 60 milhões de pessoas. Nunca um presidente da República foi eleito com tantos votos, e mesmo assim as restrições não mudaram absolutamente nada. Se nós fizemos outro referendo hoje no Brasil - temos pesquisas em Santa Catarina e dados de outras regiões do país - com certeza vai aumentar o percentual das pessoas contra o desarmamento. A população tem claramente definido que ela quer também ter direito de ter uma arma para se defender.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, assumiu o compromisso de levar a proposta a plenário ainda neste ano? 
Não, em nenhum momento ele deixou claro isso. Nós pretendemos votar na comissão provavelmente no final de agosto ou em setembro e pretendemos, por meio das lideranças e da pressão popular, fazer o presidente colocar em votação ainda neste ano. Desde que começou a tramitar, esse projeto está sempre entre os três que causam maior interação popular na Câmara. Nós queremos levar esses dados ao presidente para que ele coloque em votação ainda esse ano.

O projeto tem apoio suficiente para ser aprovado? 
Eu diria que na comissão, sim. Na Câmara de modo geral fiz uma pesquisa na legislatura anterior e havia um certo equilíbrio. Não fiz pesquisa nessa legislatura mas a gente percebe que ela tem um perfil mais conservador. Acredito que nós possamos aprová-lo. No Senado, não sei, até porque o presidente Renan Calheiros tem uma posição frontalmente contrària à possibilidade de o cidadão de bem ter uma arma, então eu não sei como fica. Não quero nem entrar no mérito se vamos conseguir aprovar em plenário, mas nosso objetivo é que o relatório seja colocado em votação neste ano.

Os opositores da proposta dizem que aumentar a circulação de armas eleva a criminalidade. Isso absolutamente não confere. O Mapa da Violência tem dados de nove anos antes da lei aprovada e de nove anos depois da lei aprovada. Antes da lei aprovada, de 1995 a 2003, 64,9% dos assassinatos no Brasil foram com arma de fogo. Depois do estatuto, entre 2004 e 2012, 70,8% dos assassinatos foram com arma de fogo. E por outro lado houve uma redução na compra de armas legais em 90%.Ou seja, diminuiu sensivelmente o número de armas nas mãos do cidadão de bem e a participação das armas de fogo nos crimes aumentou. Outro dado: os Estados mais armados do Brasil são Acre, Roraima, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Têm 36% das armas. E quantos por cento dos homicídios? Nove. Os cinco estados menos armados da federação são Pernambuco, Bahia, Sergipe, Ceará e Maranhão. Têm 6% das armas do Brasil e 26% do total de homicídios. É uma coisa clara. As armas dos criminosos são aquelas contrabandeadas da nossa fronteira. É só ir ali na Argentina e no Paraguai tentar comprar uma arma, e eles entregam do lado de cá com a maior facilidade. Os órgãos de segurança do Brasil têm que atuar sobre as armas contrabandeadas, e não as legalizadas.

Boa parte das instituições que estuda o tema tem posições divergentes das do senhor. 
Esses institutos são patrocinados muitas vezes pelo governo, e o governo tem claramente uma posição nesse sentido. O Instituto Sou da Paz(*), por exemplo, nunca divulgou uma pesquisa contrária à opinião do governo. Ele utiliza critérios que realmente não têm nenhuma explicação lógica. A verdade é a seguinte: o estatuto do desarmamento nunca alcançou seu objetivo mínimo, que é reduzir a participação das armas de fogo no cometimento de crimes. É uma posição ideológica do governo que aí está. Nós só queremos a liberdade, como é nos Estados Unidos. Lá, por exemplo, existe uma arma por habitante e aconteceram 11 mil homicídios no ano de 2013. No Brasil tem oito armas para cada 100 habitantes e nós temos 60 mil homicídios por ano. A Suíça tem a população mais armada do mundo, e teve 18 homicídios em 2013. Aí dizem: "Mas não dá para comparar". Então pegue dentro do Brasil os Estados mais armados e menos armados. Vamos ter exatamente esses números e a certeza de que não é a arma na mão do cidadão de bem que comete crime.

O governo tem o foco errado nessa questão? 
Eu costumo dizer que quando eu coloco um agasalho para me defender do frio, não quer dizer que essa blusa vai acabar com o inverno. Na segurança nós precisamos investigar mais em policiais mais preparados, mais bem remunerados, com armamentos em iguais condições que o bandido, temos que melhorar a educação do brasileiro, tudo isso com igual intensidade. Mas não é tirar a arma do cidadão de bem que vai resolver o problema, como não está resolvendo. O foco está fora da realidade. Eles agen como se esse fosse o principal objetivo, como se isso fosse resolver tudo. Aquilo que interessa não está sendo feito.

O senhor tem arma? 
Eu sou da região do Vale do Itajaí, em que existem cerca de 150 clubes de caça e tiro. Lá, mesmo as crianças têm a cultura de participar da caça e do tiro. Isso é da própria cultura alemã, e não leva de forma alguma à criminalidade. Eu nunca vi nesses clubes de caça e tiro da região ninguém que tenha cometido algum tipo de crime. Aliás, sempre me perguntam se fui financiado pela indústria armamentista. Nunca recebi um tostão. A minha motivação é a minha região e pelo referendo. Eu já tive arma, mas a partir do momento em que mudou a legislação eu tive que me desfazer dela. Assim que eu tiver a facilidade e puder, quero fazer um curso, me preparar e ter uma arma para me defender.

(*) ...Sustentado pelo dinheiro do milionário pró-comunista Samuel Rubin (cuja Samuel Rubin Foundation também subsidia no Brasil o Instituto “Sou da Paz”) (ver artigo aqui)


VEJA TAMBÉM: A farsa do desarmamento (do blog de Felipe Moura Brasil de 20 de fevereiro de 2015)



1) Um levantamento internacional feito por uma ONG norte-americana mostra que o Brasil é o 11º país mais violento do mundo.

2) Desde que o Estatuto do Desarmamento foi implantado, o número de homicídios praticado com arma de fogo aumentou 6,95%. (* O Brasil tem o maior número absoluto de homicídios do mundo,segundo a OMS: 64 mil em um ano.)

3) A taxa de homicídios brasileira é de 26,8 casos por 100 mil habitantes. A taxa mundial é de apenas 6,2 mortes por 100 mil habitantes.

4) A campanha do desarmamento contou com forte apoio político dos presidentes FHC, Lula e Dilma Rousseff.

5) Os ex-ministros da Justiça Tarso Genro e Márcio Thomaz Bastos e o atual José Eduardo Martins Cardozo também foram favoráveis ao Estatuto do Desarmamento.

6) A lei foi eficiente em desarmar os cidadãos de bem. Os bandidos agora não só usam armas cada vez mais sofisticadas, como, ao atacar, têm a certeza de que a vítima estará na maioria das vezes desarmada.

7) Em nenhum país onde a população foi desarmada, houve a redução dos índices de criminalidade. A Inglaterra, por exemplo, viu a violência explodir depois que fez isso.

8) Os Estados Unidos, onde 10 milhões de armas são vendidas anualmente e há 300 milhões de armas de fogo nas mãos da população, vêm experimentando quedas sucessivas de todos os tipos de crime.


segunda-feira, julho 13, 2015

Assessoria da CNBB defende os réus da Lava Jato e Petrolão.






por Percival Puggina.




Após quase um ano de abençoado silêncio, rompendo longa tradição de frequentes edições trimestrais ou quadrimestrais, a assessoria da CNBB emitiu nova Análise de Conjuntura. Eu estava convencido de que a cúpula da entidade houvesse apontado a porta da rua à equipe, após a produção do texto relativo a agosto de 2014. Naquele documento, em incisiva defesa da candidatura presidencial governista, os redatores se enredaram em previsões sobre a realidade nacional que conseguiram ser tão falsas e enganosas quanto as da candidata petista. Para os assessores da Conferência, naqueles dias, a única coisa que fazia mal ao Brasil era o sombrio discurso da oposição e as previsões de um certo ente maligno, filho do demônio com a Madame Mim, que atende pelo nome de mercado.





Pois eis que as análises de conjuntura renascem das lixeiras. Foram, ao menos recicladas? Não. Vêm no mesmo tom de sempre, classificando como retrógrado tudo que significa progresso e de progressista todo retrocesso. Num ponto discordam do governo, mas não das posições históricas do petismo: colocam-se contra a responsabilidade fiscal e as medidas tomadas para reduzir o gasto do Estado. Querem jantar num Brasil à grega!



Afirmam haver no país um ambiente hostil aos direitos humanos. Esquecem, como tantos falsos defensores desses direitos, que os direitos humanos fundamentais - vida, liberdade e propriedade - são os mais furiosamente atacados por aqueles a quem defendem, homicidas, estupradores, sequestradores e assaltantes, de todo tipo e idade, de cujas vítimas não se ocupam. Sustentam que o desemprego cresce por conta de uma perversidade inerente à natureza do empreendedorismo e do capital privados, e não pelo desastre econômico e fiscal em que o governo, irresponsavelmente, lançou o país.



Acima e além de tudo isso, o que mais impressiona no texto, elaborado para iluminar o discernimento dos senhores bispos, é a contradição entre uma breve condenação à corrupção, com louvores ao jornalismo investigativo e o que vem depois: obcecada defesa dos réus e investigados nos processos do petrolão e da operação Lava Jato. Nisso, superam o próprio PT! Condenam o que chamam "politização do judiciário" e criticam a "condenação midiática". Falam em agressão aos princípios da "presunção de inocência" e do "devido processo legal". Renegam o instituto da delação premiada (objeto de "pressão sobre acusados") e falam em "rito sumário de condenação". Proclamam estar em curso uma ruptura de princípios jurídicos fundamentais. Só faltou dizerem que o juiz Sérgio Moro é que deveria estar preso. E arrematam: "Tais práticas, realizadas com os holofotes da grande mídia brasileira, transformam réus confessos em heróis". Inacreditável, leitor? 



Quem são os autores dessa extraordinária peça? São quatro padres e quatro leigos. Dos primeiros nada sei exceto aquilo que assinaram. Dois dos leigos são membros da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB, e quem é do ramo sabe, portanto, em que time jogam. Dos outros dois, um foi braço direito de Gilberto Carvalho na Secretaria de Articulação Social da Presidência da República e o outro foi candidato a deputado federal pelo PT do Distrito Federal em 2010. Assim está e permanece a CNBB, com concordância de muitos, leniência de outros tantos e discordância de poucos senhores bispos, tomada por dentro e por fora, para tristeza e constrangimento do mundo católico brasileiro.


quarta-feira, julho 08, 2015

A violação da linguagem.



A violação da linguagem.por Jeffrey Nyquist







Em sua obra 'A Quarta Teoria Política', Alexander Dugin diz algumas coisas profundas, que precisam ser conhecidas (mesmo por alguém que se opõe a sua convocação pela destruição dos EUA). “Na política pós-antropológica”, ele escreve, “tudo é invertido: lazer e trabalho (a ocupação mais séria, verdadeiro trabalho, é assistir televisão), conhecimento e ignorância... Os papéis tradicionais macho e fêmea estão invertidos. Ao invés de serem anciãos estimados e experientes, os políticos são escolhidos por sua juventude, glamour, aparência e inexperiência. Vítimas se tornam criminosos e vice versa...”

Dugin vê corretamente que um tipo de inversão tem acontecido. E esta inversão é fundamental. É um sintoma de enorme transformação dentro da alma. A humanidade, como era, tinha dois polos. E estes polos estão sendo desorganizados, negados e invertidos. Tão estranho como possa parecer, ao escrever sobre o equilíbrio de poder entre os dois grandes atores bipolares (Rússia e América), estamos agora acostumados a negar a bipolaridade que simplesmente promete o inverso da mesma polaridade. Isto pode ter a ver com neurose em massa e a negação da morte, ou é o resultado de algum processo alquímico sinistro.

Na semana passada a Suprema Corte dos EUA validou o casamento gay como direito a nível nacional. Deixando de lado o nonsense que perpassa o debate em ambos os lados desta questão, a coisa mais perturbadora é que o casamento é agora definido sem considerar o masculino e o feminino. De acordo com os ensinamentos da maioria das tradições espirituais, gênero é um princípio universal que tem a ver com regeneração. Apenas a união de masculino e feminino tem significado regenerativo. O juiz Kennedy rejeitou esta ideia quando escreveu: “Na formação de uma união matrimonial, duas pessoas tornam-se algo maior do que foram certa vez. Como alguns requerentes nestes casos demonstraram, o casamento personifica um amor que pode resistir até mesmo além da morte. Seria interpretar mal estes homens e mulheres dizer que eles desrespeitam o casamento. Seu apelo é que de fato o respeitam, respeitam tão profundamente que buscam encontrar sua realização para eles próprios”.

Mas meritíssimo juiz Kennedy, a realização do casamento se efetiva em crianças. E tal como o juiz Roberts, que argumentou que a decisão da Corte era um curto-circuito no processo democrático, receio que mesmo que a maioria vote a favor do casamento gay isto não tornará possível que homens produzam descendência sem mulheres. Tudo o que tais decisões ou votos podem fazer é eliminar a definição prévia da palavra “casamento”, que o dicionário de meu avô, o Webster's International Dictionary de 1943, define assim:

“casamento, n.1 Estado de estar casado, ou estar unido a uma pessoa do sexo oposto como marido ou esposa; também a relação mútua entre marido e esposa; abstratamente, a instituição pela qual homens e mulheres são unidos num tipo especial de dependência legal, para o propósito de fundar e manter uma família”.

Como você pode ver, a Suprema Corte violou a língua inglesa, isto é, a Corte assumiu um poder que nenhuma autoridade governamental pode, com prudência, assumir. É o poder mais arbitrário imaginável; pois a Suprema Corte pode agora dizer que “em cima” é “em baixo”, e que “preto” é “branco”. Não podemos dizer o que tal Corte fará a seguir, pois agora é certo que nenhuma propriedade está segura, nenhum contrato está protegido. Qualquer coisa pode acontecer. Não somos mais governados por leis, pois leis são feitas de palavras e agora, a partir deste momento, as palavras são feitas de nada, não possuindo significado intrínseco. São apenas sons, com significados que podem ser atribuídos e reatribuídos politicamente. Foi isto que nossa Suprema Corte fez, e ao fazê-lo, transformou toda a lei em algaravia. E isto, sustento, é a coisa mais perigosa de todas. Não é apenas o casamento que tem sido debilitado. É o estado, a Constituição, a língua inglesa e a sensatez pública. Esta, na verdade, é a mesma prática que aparece na neutralização de nosso poder militar e econômico. É um sintoma de uma dissolução interna, um colapso do instinto e um declínio na anarquia. O que tenho escrito estes muitos anos nunca foi primariamente a respeito da ameaça de Rússia ou China. Meus textos têm sido a respeito da progressiva falsificação da realidade, auto engano nacional e corrupção que servem ao nosso declínio social. Simplesmente selecionei os elementos mais claramente suicidas em nosso auto engano nacional como temas principais. A mesma linguagem distorcida que usamos para referirmo-nos a inimigos como “parceiros” é aqui replicada em nosso uso do termo “casamento homossexual”.

Os inimigos da América podem ver isto. Eles o revelam, apesar de suas sociedades estarem repletas de perversão. Os russos foram os primeiros a serem vitimizados por líderes insanos. Lênin e Stalin foram psicopatas que modelaram o estado russo de acordo com seu próprio distúrbio mental. Porém, os americanos nunca foram governados por Lênin ou Stalin. Então, qual a nossa desculpa? Como chegamos a algo que é pior que o leninismo ou o stalinismo? Pois a maldade de ditadores é algo que podemos relatar. É uma velha história, remontando aos césares. Mas um mal que inverte a realidade, que viola a linguagem e falsifica conceitos fundamentais, não é um mal que possa ser entendido da mesma maneira. Trata-se uma perversão espiritual que nos conduz às portas do oculto; a algo não visto, a algo conectado com as artes sombrias.

No dia da decisão fatídica o juiz Scalia observou: “O que realmente surpreende é a arrogância do golpe judicial de hoje. Estes juízes sabem que limitar o casamento a um homem e uma mulher é contrário à razão; eles sabem que uma instituição tão antiga como o próprio governo, e aceita por cada nação na história até quinze anos atrás, não pode ser apoiada por outra coisa a não ser ignorância e intolerância. E eles estão querendo dizer que cada cidadão que não concorda com isso, que adere ao que era, até quinze anos atrás, o juízo unânime de todas as gerações e todas as sociedades, fica contra a Constituição”.

Este novo conhecimento, que ataca o dicionário inglês, que ataca o próprio fundamento da legalidade, significa a destruição de toda lei. A Suprema Corte dos EUA cometeu um ato de desconsideração, de desagregação, de auto eliminação. Esta decisão não diz respeito realmente à questão da tolerância e intolerância a determinada minoria. Esta questão apenas nominalmente diz respeito a homossexuais. Na verdade, a comunidade gay tem sido usada como um joguete político para realizar um tipo de alquimia sinistra. Agora, a partir deste ponto, qualquer violência poderá ser cometida a qualquer um. Cada uma das várias causas pode ser ativada contra as outras; pois que reservas tem a lei agora? Que reverência? Que credibilidade? Perdeu o senso de suas próprias palavras, decaindo em insanidade por si.

Não pode haver justiça quando as palavras são usadas em sentido perverso. Quando os significados podem ser invertidos e o mundo virado de ponta cabeça. Nenhuma ideologia pode transformar uma mentira em verdade. Nenhuma alegação especial vai abalar o eixo da terra. As Leis Universais prevalecem. O niilista que nega esta lei é o arauto de sua própria destruição. A sociedade que saúda este niilista, que o eleva à Suprema Corte, que elege congressistas e presidentes deste tipo, não pode ser salva.



Tradução: Flávio Ghetti

terça-feira, julho 07, 2015

A barbárie bolivariana: juíza estuprada na prisão rompe o silêncio.









por Bruno Braga




Na Venezuela, María Lourdes Afiuni rompeu o silêncio. Em audiência realizada no dia 30 de junho a juíza expôs os detalhes da tortura, maus-tratos e estupro que sofreu em 2010, quando esteve presa no "Instituto Nacional de Orientación Feminina" (INOF).

Thelma Fernández, advogada da juíza, contou como foi o depoimento no Tribunal. Afiuni relatou "como lhe destruíram a vagina, o ânus e a bexiga, quando guardas do INOF e funcionários do Ministério da Justiça a estupraram" [...] "narrou que um agente da Guarda Nacional a feriu com uma botinada, causando-lhe uma distensão em parte do seio. Destacou que presas condenadas por ela foram transferidas para celas ao lado da sua, e que foi vítima de vários ataques, não sendo feito nada para evitá-los. Confessou que em várias oportunidades aspergiram gasolina na sua cela". Certa vez, no estabelecimento penal feminino, "houve um princípio de incêndio, retiraram todas as detentas, menos a juíza, que deixaram trancada na cela". Em outra ocasião, ainda segundo Thelma Fernández, Afiuni foi conduzida até o Hospital Militar "para fazer um exame ginecológico, e fizeram-na despir-se na presença de mais de 20 funcionários da GNB, a Guarda Nacional Bolivariana.

"Em seis anos destruíram a minha vida, a da minha filha e da minha família. Na Venezuela, os juízes não julgam, eles satisfazem os caprichos do governo", conta a própria María Lourdes Afiuni. Ouça o pesado depoimento no áudio abaixo:



María Lourdes Afiuni está sendo julgada por deixar em liberdade o empresário Eligió Cedeño, seguindo uma resolução da ONU. A juíza obteve liberdade condicional em junho de 2013, mas está proibida de sair da Venezuela, de falar nos meios de comunicação nacionais e internacionais, e de escrever nas redes sociais Twitter e Facebook.

Fontes:

Tradução e adaptações: Bruno Braga

domingo, julho 05, 2015

Vítima da Ideologia de Gênero.







Vítima da Ideologia de Gênero.
por Vanderlei de Lima








Pretendemos, hoje, desmascarar a “prova” da diabólica Ideologia de Gênero apresentada pelo médico norte-americano Dr. John Money a partir dos quase indizíveis sofrimentos de Bruce Reimer, cuja alma recomendamos ao Senhor em nossas preces.

Já foi aqui repetido à exaustão – mas nunca é demais relembrar – o que essa ideologia antinatural ensina: ninguém nasce homem ou mulher, mas, sim, vem ao mundo como um ser neutro que, com o tempo, escolherá tornar-se homem, mulher ou neutro (nem um nem outro) de acordo com a educação recebida. Isso afronta o plano de Deus (cf. Gn 1,27) e a própria ciência médica que mostra aos pais o sexo do bebê: homem ou mulher. O neutro é invenção ideológica, sem prova científica empírica.

No entanto, nos anos de 1960, o Dr. John Money, médico da John Hopinsk University, de Baltimore (Estados Unidos), tentou, por meios espúrios, comprovar que a sexualidade depende da educação e não da Biologia, usando da boa fé de uma família em desespero que o procurou como médico.

O caso, em suma, foi o seguinte: o casal Janet e Ron Reimer gerou dois filhos homens, Bruce e Brian, mas um deles (Bruce) teve seu órgão genital amputado em uma circuncisão, de modo que os pais entraram em desespero até conhecerem o famoso Dr. Money em um programa de TV. Aí ele defendia que é possível a um bebê ter um sexo neutro ao nascer e que, por isso, pode ser mudado com o correr dos dias.

Ante os pais aflitos, o médico se propôs a mutilar cirurgicamente Bruce com a castração, forçando-os a ensiná-lo como mulher. Daí, na cirurgia plástica, ter-lhe feito as aparência externas de um aparelho genital feminino a fim de que o menino se sentisse menina e fosse educado como tal: vestido, bonecas, brincadeiras de casinha etc.

A primeira tentativa de vestir Bruce – que já, então, era chamada de Brenda – com um vestidinho, no entanto, não deu certo. O menino artificialmente transformado em mulher o arrancou instintivamente, de modo que a mãe, assustada, confessou: “Meu Deus, ele sabe que é um menino e não quer se vestir como menina” (J. Scala. Ideologia de Gênero: o neototalitarismo e a morte da família. S. Paulo: Artpress, 2011, p. 24). Era o início do pesadelo de Bruce.

Sim, na escola, ele agia como menina, embora com trejeitos de homem, de modo que ao frequentar o sanitário feminino era ameaçado pela navalha de alguma menina por urinar em pé. Elas imaginavam, talvez, que Bruce fosse um espião em seu banheiro. Daí ele confessar, anos depois, o drama: “Foi uma espécie de lavagem cerebral… Daria qualquer coisa para que um hipnotizador conseguisse apagar todas essas lembranças de meu passado. É uma tortura que não suporto. O que me fizeram no corpo não é tão grave quanto o que me fizeram na mente” (idem).

Na adolescência, o médico, Dr. Money, talvez percebendo esses episódios todos, afastou-se da família Reimer. Foi aí que, perante os sofrimentos do filho, em 1980, o pai lhe contou toda a verdade. Brenda optou por uma cirurgia chamada de faloplastiae, depois de cinco anos, voltou a ter a aparência de um homem normal com o pseudônimo de David. Nessa condição, aos 23 anos, conheceu Jane, uma mãe solteira com três filhos, com quem se casou, mas se separou, no ano 2000, quando sua verdadeira história – de Bruce/Brenda/David – veio a público no difundido livro do Dr. John Colopinto que, no Brasil, foi publicado com o titulo Sexo trocado: a história real do menino criado como menina(Ediouro, 2001).

Em 2002, seu irmão gêmeo, Brian, triste por não ter ajudado melhor Bruce, se suicidou, mas Bruce também se sentiu culpado pela morte do irmão, dado que havia escondido dele sua real situação e também pôs fim à vida em 2004, levando para o caixão a pretensa prova científica da Ideologia de Gênero do Dr. Money.

Quem conhece tudo isso nunca diz “Sim” à Ideologia de Gênero que não liberta, mas, ao contrário, pode escravizar os seres humanos de ontem e de hoje.


Entendendo Ideologia de Gênero em 2 minutos:





Fonte: IPCO

Educação domiciliar, casamento gay, liberais ateus e outras notas.










Por Alexandre Magno Fernandes Moreira



Dias atrás um amigo brincou, dizendo: "do jeito que as coisas estão indo, o STF vai acabar considerando obrigatória a educação domiciliar!" Na hora, achei engraçado o otimismo dele, mas depois me lembrei que na verdade a educação domiciliar já é obrigatória. Quando a Constituição declara que a educação é um dever da família, está obrigando os pais a educarem seus filhos em casa. A educação domiciliar, portanto, não é um direito dos pais, mas um dever que deve ser cumprido por eles, sem possibilidade alguma de delegação.


O que está em discussão agora no STF é se um dos componentes da educação, a instrução, pode ser dada exclusivamente em casa ou se requer a frequência a uma escola. Nós estamos preparados para demonstrar não apenas que os pais têm autonomia para decidir sobre isso como também em regra têm condições adequadas para instruir os filhos em casa.

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Está confirmado para a Global Homeschool Convention (Rio de Janeiro, março de 2016) Sugata Mitra, uma das maiores autoridades mundiais em inovação educacional. Vale a pena conferir sua fantástica palestra no TED:






O pessoal "mais esclarecido" adora propagar a existência de uma equação que seria mais ou menos assim: "mais escolas é igual a menos presídios". Em outras palavras, quanto maior o acesso à educação formal, menor a criminalidade. O curioso é que no Brasil tem acontecido o fenômeno inverso: há pelo menos três décadas, o aumento da criminalidade está ocorrendo de forma concomitante com o aumento do acesso à educação formal, e ambos de forma bem expressiva. Quem tiver paciência, pode conferir, por exemplo, a evolução do número de homicídios conjugada com o número de estudantes universitários; nas duas situações, os números foram multiplicados por várias vezes nas últimas décadas. Em estatística, isso pode significar duas coisas: a) não há relação nenhuma entre essas duas variáveis; ou b) o aumento de uma contribui, ou é até mesmo determinante, para o aumento da outra. Neste ponto, sou obrigado a fazer uma pergunta incômoda: e se a verdadeira equação for "mais escolas é igual a mais presídios"? Em outros termos, e se o aumento do acesso à escola estiver de algum modo contribuindo para o aumento da criminalidade?

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Não acredito no discurso do pragmatismo. Seres humanos são profundamente emocionais e simbólicos, e apenas raramente agem tendo em vista um resultado futuro favorável. Então, quase sempre em que alguém usa um raciocínio consequencialista, fico me indagando qual é a sua real motivação.

Isso me veio à mente quando assisti o entusiasmo dos deputados de esquerda com a rejeição da emenda constitucional que previa a redução da maioridade penal para 16 anos (apenas para crimes hediondos). Afora alguns que têm um interesse concreto no aumento da criminalidade, todos estavam agindo para defender sua visão de mundo, essencial à sua identidade como seres humanos. O esquerdista típico acredita na bondade inata das pessoas, que seriam corrompidas pela "sociedade" (sim, isso é Rousseau!), mais exatamente por não ter tido oportunidades suficientes nessa sociedade.

É inconcebível para a esquerda a existência do mal. Tudo seria resolvido por mais oportunidades econômicas e mais educação. É mais ou menos assim: o sujeito mata e estupra porque é pobre (já perceberam o preconceito contra os pobres?) e porque não estudou suficientemente Geografia, Química e Matemática. Faz sentido pra você?

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É difícil imaginar um sujeito mais esquizofrênico do que o militante liberal e ateu. Ele realmente acredita na utopia de um mundo sem religião e com Estado mínimo. Para essa pessoa, além de sugerir um bom psiquiatra, não custa nada lembrar que, ao menos no mundo ocidental, a principal força contra a expansão do poder estatal é a religião, essencialmente as várias denominações cristãs. Aliás considerando que quase toda caridade privada é feita por meio de organizações religiosas, se estas deixarem de existir, qual entidade você acha que vai assumir esse espaço?

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Boa parte das pessoas se casa e tem filhos principalmente por status. Constituir família seria um atestado de que a pessoa tornou-se madura, ultrapassou os desvarios da juventude. A pressão implícita dos amigos tem papel fundamental nessa decisão (quando quase todos os amigos se casaram, você sente que "o cerco está se fechando"). A partir de certa idade, pega mal não estar casado ou não ter filhos. O resultado dessa busca por status são casamentos que nunca deveriam ter acontecido, pois um ou mesmo os dois cônjuges não têm nenhuma vocação matrimonial e assim apenas conseguem criar um inferno para si mesmos. Da mesma forma, filhos são muitas vezes gerados apenas para que seus genitores possam se declarar "pai e mãe" perante seus pares; obviamente, gerar é muito mais fácil que educar, o que leva ao conhecido fenômeno da "terceirização dos filhos".

Permitam-me perguntar: como seria se o casamento e a criação de filhos não gerassem absolutamente nenhum status, nenhuma nova forma de respeitabilidade?

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Nessas discussões coloridas e acaloradas sobre a decisão da Suprema Corte americana, acho que dois fatores importantes estão passando despercebidos.

Em primeiro lugar, tanto nos EUA quanto aqui, a Constituição não prevê o direito ao casamento gay. Em ambos os países, as cortes supremas fingiram interpretar a Constituição quando na verdade apenas expressaram a ideologia da maioria de seus membros (no caso do STF, de todos os seus membros). Isso deveria deixar de cabelo em pé todas as pessoas que atuam na área jurídica, independente da sua opinião sobre o assunto. Pelo visto, não provocou comoção nenhuma. Bem, tanto aqui como lá, o desprezo pela Constituição vem travestido como interpretação desta. Nunca se sabe o que virá a seguir...

Em segundo lugar, parece que esqueceram de alguém nessa equação: as crianças, que, nos termos da Constituição, devem ter "prioridade absoluta". Alguém por acaso já ouviu falar em um estudo empírico sobre menores criados por casais gays? Pois é, nem eu! Quer dizer que criaram uma nova instituição jurídica sem saber qual o efeito que terá sobre os membros mais frágeis da sociedade? Vale lembrar o óbvio: reconhecer a existência jurídica do casamento homossexual significa necessariamente reconhecer o direito de os cônjuges adotarem. E o direito dos futuros adotandos? Ninguém está preocupado com isso?

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O conservadorismo em uma frase: "a realidade existe" (você é livre para ir contra ela, mas terá que arcar com as consequências). O esquerdismo em uma frase: "tudo são opiniões" ("e nós queremos impôr nossas opiniões a vocês ").

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Há uma gigantesca diferença entre ser vítima e fazer o papel de vítima. Todos nós já fomos vítimas de injustiças incontáveis vezes. Desde um chefe que indevidamente não reconheceu o trabalho do subordinado até a pessoa que brigou com o cônjuge apenas para descontar em alguém a sua frustração com a vida, não faltam situações em que somos injustamente prejudicados. A grande questão é como reagir aos infortúnios inevitáveis da vida.

De modo bastante simples, a pessoa pode agir ou reclamar. Ao agir, os reveses são reconhecidos como oportunidades de crescimento, amadurecimento e aprendizado. Não se perde tempo buscando culpados: ou se busca uma solução ou se releva o infortúnio como algo irrelevante. Essa é atitude de uma pessoa emocionante adulta.

Por outro lado, quem apenas reclama escolhe o papel de vítima. Ele decidiu jogar toda a responsabilidade por sua vida nas costas alheias. "O mundo é injusto e eu nunca sou responsável pelas coisas ruins que me acontecem" é o lema de sua vida. E com muita facilidade racionalizam esse sentimento. Sempre encontram bons argumentos. São os adolescentes emocionais, mesmo que há muito já tenham passado dos 18 anos.

Todos são livres para escolher uma ou outra atitude. Porém, ao escolher o papel de vítima, as pessoas abrem mão da maior dádiva que o ser humano tem: a de definir seu próprio destino.

*

É muito fácil descobrir se uma pessoa é feliz ou não: basta pedir que ela fique totalmente parada, sem fazer nada, por, digamos, cinco minutos. Se ao final desse período, ela se sentir ansiosa para fazer algo, qualquer coisa mesmo, a infelicidade predomina. Se, ao contrário, ela se sentir bem consigo mesma, sem angústia ou ansiedade, estamos diante de uma pessoa feliz. A verdadeira felicidade é isso: saber que o simples fato de você existir já é o suficiente para sentir-se bem.


Alexandre Magno Fernandes Moreira é advogado.

sábado, julho 04, 2015

Publicidade federal para mídia alternativa vai a R$ 9,2 milhões em 2014.



Publicidade federal para mídia alternativa vai a R$ 9,2 milhões em 2014.

por Fernando Rodrigues




Estatais fornecem 91% do dinheiro para esse setor da mídia

Aumento total de 2013 para 2014, ano eleitoral, foi de 33,3%

Veículos de audiência limitada e especializados em fazer cobertura de assuntos políticos ou econômicos tiveram um aumento de 33,2% das verbas federais de publicidade em 2014 sobre 2013. Saíram de R$ 6,9 milhões para R$ 9,2 milhões no ano passado, que teve eleições gerais no Brasil –e a presidente Dilma Rousseff foi reeleita.

Quem turbina a chamada mídia alternativa são as empresas estatais. Há pouco controle e quase nenhuma transparência sobre os gastos de propaganda das empresas comandadas pelo Palácio do Planalto. Os números sobre publicidade só são liberados quando o interessado faz um pedido por meio da Lei de Acesso à Informação, como foi o caso do Blog para esta série de reportagens a respeito de propaganda federal.

Dos R$ 9,2 milhões consumidos em propaganda em sites e em veículos impressos de audiência limitada, R$ 8,4 milhões saíram dos cofres das estatais. Ou seja, 91% do dinheiro estatal federal que faz comerciais nessa mídia alternativa sai dos cofres de empresas públicas.

Embora o dinheiro tenha origem nessas empresas, é o Palácio do Planalto que tem grande influência sobre como é realizada essa distribuição de verbas.

Três empresas são as mais propensas a estampar propaganda em veículos de baixa circulação: Petrobras (e subsidiárias), Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Todas são fortemente comandadas por pessoas indicadas pelo PT.

Os veículos considerados nesta reportagem são tidos, dentro do PT e em parte do governo federal, como iniciativas positivas na mídia. “É preciso ajudar essa nova mídia emergente”, disse uma vez neste ano ao Blog o ministro titular da Casa Civil da Presidência da República, Aloizio Mercadante.

Essa política produz um certo contraste entre o objetivo do governo –“ajudar essa nova mídia emergente”– e o interesse comercial das empresas estatais que gastam dinheiro nessa operação.

O Blog perguntou à Secom quais seriam os critérios reais para contratar publicidade nos sites da mídia alternativa. A resposta foi que são usadas “pesquisas e dados técnicos de mercado para identificar e selecionar a programação mais adequada'', sem detalhar exatamente do se trata essa estratégia.

As respostas das empresas contatadas pelo Blog também não são muito claras sobre qual seria a razão pela qual a Caixa ou Banco do Brasil precisam anunciar em sites com apenas 100 a 300 mil visitantes únicos por mês. No mundo digital, sites com menos de 1 milhão de visitantes únicos são considerados modestos. Em dezembro de 2014, o país tinha 72,8 milhões de usuários de internet, segundo dados da Nielsen.

Investir num site ou blog com baixa audiência só se justifica se ali há realmente uma audiência muito qualificada que ajuda a vender o produto anunciado.

Nenhuma das estatais contatadas pelo Blog explicou de maneira substantiva qual teria sido o retorno ao gastar dinheiro em sites de baixa audiência.

O custo para anunciar na internet é difícil de ser apurado. Os sites e portais têm tabelas variadas para precificar o que é chamado de CPM (custo por mil).

Funciona assim: o anunciante diz quantas vezes deseja que seu anúncio seja visto e o site cobra um valor específico para cada 1.000 visualizações (“page views” ou “impressões, no jargão do mercado).

Ocorre que os dados oficiais divulgados pela Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto não contêm esse detalhamento. Sabe-se apenas o nome do anunciante (uma empresa estatal ou ministério), o valor gasto para publicação do anúncio e o nome de quem ganhou o dinheiro. O Blog está divulgando hoje todas as planilhas de dados recebidas, para os anos 2000 a 2014.

Para estimar a desproporção entre os custos de publicidade estatal em vários sites e portais, o Blog considerou o número de visitantes únicos que passa por esses veículos mensalmente. Há várias empresas especializadas para fazer essa medição. O Blog usou a métrica da Nielsen.
[contexto: “visitante único'' é o usuário de um site que é contabilizado apenas uma vez quando passa por uma página na internet durante o período de 1 mês. É diferente da audiência medida em páginas vistas, ou “page views'', que registra o número de cliques que todos os usuários dão numa determinada página].

Uma vez apurado o número de visitantes únicos, calculou-se para esta reportagem qual foi a média mensal que cada veículo recebeu de verbas publicitárias estatais federais. Ao cruzar os 2 dados, chega-se ao valor de cada “visitante único”.

Dois quadros mostram todas essas informações.

Uma das tabelas apresenta o cálculo sobre quanto custa por visitante único para o governo anunciar em sites e veículos de pequena audiência e qual é o custo em grandes portais.

O quadro seguinte mostra quanto cada um desses veículos alternativos ganhou de dinheiro para publicar publicidade estatal federal nos últimos anos.








AUDIÊNCIA
Como se observa nas tabelas acima, a audiência de vários veículos subiu de 2013 para 2014. Ocorre que quase todos partiram de uma base muito baixa.

Outro fato a se considerar é que a audiência de grandes portais também cresceu no mesmo período. O mercado de internet está em expansão. Crescer é a regra. Aumentar o número de visitantes únicos é algo mais ou menos normal e esperado.

Por exemplo, a audiência do UOL, maior portal do país, saiu de 35,3 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2013 para 39,8 milhões em dezembro de 2014.

Nesse cenário, a audiência um pouco maior dos veículos alternativos usados pelo governo para fazer publicidade ainda é insuficiente para provar que são –do ponto de vista comercial– um bom negócio para divulgar anúncios.

Por exemplo, no caso de portais como Globo.com/G1 e UOL, o custo por visitante único (se todos fossem atingidos com um anúncio num mês) seria de R$ 0,03 (3 centavos) –considerando-se a audiência desses portais e o quanto o governo pagou para colocar propaganda nas suas páginas.

Já em um site como o Brasil 247, o custo por visitante único no mês sai por R$ 0,15. Esses 15 centavos representam um aumento de 400% sobre o que é pago aos grandes portais.

O site comandado pelo jornalista Luís Nassif tem um custo por visitante único um pouco maior do que o do Brasil 247 quando se trata de publicidade estatal federal: R$ 0,17.

No site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, o custo por visitante único para os anunciantes do governo federal é de R$ 0,27. Dito de outra forma, fica 800% maior do que nos grandes portais.

Há algumas situações em que a relação “audiência X custo por visitante” fica favorável ao governo. Trata-se, por exemplo, do site DCM, do jornalista Paulo Nogueira. Com 701 mil pessoas passando pela sua página em dezembro do ano passado, o custo para a propaganda estatal federal ficou em R$ 0,02 por visitante único –um pouco abaixo dos 3 centavos que se observa nos grandes portais.

Mas há uma ressalva a ser feita: essa relação custo-benefício no caso do site DCM ocorre porque a empresa de Paulo Nogueira recebeu bem menos dinheiro de publicidade do que outros veículos da mídia alternativa.

Enquanto o Brasil 247 ficou com 1,5 milhão em 2014, o site DCM teve R$ 210 mil.

O CASO DO “BRASIL ECONÔMICO''
Um caso interessante de crescimento de receitas publicitárias no meio impresso é jornal “Brasil Econômico”, que tem entre os proprietários o grupo português Ongoing.

Mesmo sem ser auditado pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação) e tendo uma audiência pequena na web (82 mil visitantes únicos em dezembro de 2014), o “Brasil Econômico” conseguiu aumentar suas verbas publicitárias estatais federais em 60% no ano passado.

O diário financeiro saiu de um faturamento de R$ 2,2 milhões em 2013 para R$ 3,6 milhões em 2014. Desse total no ano passado, quase tudo veio de empresas estatais (R$ 3,4 milhões).

O “Brasil Econômico” já existe há mais de meia década, mas ainda não se firmou de maneira robusta no mercado. Tem boas relações com o governo desde o início. Logo no lançamento, contratou a então mulher do ex-ministro José Dirceu (condenado no mensalão), Evanise dos Santos.

Hoje, Evanise não é mais casada com Dirceu. Ocupa o cargo de diretora de relações governamentais do “Brasil Econômico”. Ela afirmou ao Blog que cabe à Secom e aos órgãos que optaram por fazer publicidade no seu veículo explicar os critérios da escolha.


(Colaborou nesta reportagem Bruno Lupion, do UOL, em Brasília).
Fonte: http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/

quinta-feira, julho 02, 2015

Favorável à taxação de grandes fortunas? Não seja trouxa!.







Favorável à taxação de grandes fortunas? Não seja trouxa!.

por David Amato





Então você é a favor da taxação de grandes fortunas? Você por acaso já ouviu falar sobre o Massacre de Ludlow? Não? Então vamos voltar no tempo e entender que diabos o massacre tem a ver com a taxação de grandes fortunas.

Em 20 de abril de 1914, no Colorado, mais precisamente no que hoje é a cidade fantasma de Ludlow, que fica no Condado de Las Animas, nos EUA, a Guarda Nacional massacrou dezenas de mineiros a mando do proprietário das minas, John D. Rockefeller, Jr..

Entre os mortos estavam mulheres e crianças, algumas mortas por asfixia e incineração, uma vez que os lacaios da Combustíveis e Ferro Colorado, também propriedade de John D. Rockefeller, Jr., atacaram os mineiros juntamente com a já citada Guarda Nacional.

A reputação de John e seu clã foram seriamente manchadas com o episódio, e o resgate da imagem mediante a opinião pública só se deu com muitas décadas de enormes somas de dinheiro doado à "filantropia".


A filantropia é um grande negócio nos EUA: uma vez que parte da sua fortuna seja prometida à filantropia, você adere a um programa chamado Lifetime Legacies. Nele, as deduções de imposto da fortuna, que pode ser gerenciada/especulada até o fim da sua vida, são muito atrativas.

Dessa maneira, as doações feitas a fundações e universidades pela elite metacapitalista, que já transcendeu o esquema financeiro e não quer mais estar sujeita as oscilações e concorrências do mesmo, passa a moldar o cenário político e cultural.

São essas mesmas elites intocáveis que inoculam a palhaçada de taxação de grandes fortunas, uma vez que as fortunas confiscadas não serão as delas. Ou você conhece algum político capaz de peitar e amealhar dinheiro dos Rockefellers, Rothschilds, Warburgs, Morgans, Schiffs e turma? Nem a pau.

Fora isso, a camada mais baixa de bilionários e milionários faz como fez na França: arruma as malas e vai embora. A conta da fuga de capital estrangeiro e investimento fica para o povo babão pagar.

Se tudo isso parece absurdo, consulte o livro The New Leviathan, de David Horowitz, onde há diversas provas documentais de como a esquerda retributiva e sua agenda revanchista recebe doações bilionárias, pois acabam sugando as preciosas moedinhas dos elos mais fracos e depositando no cofre da verdadeira elite mundial.

Mas não é sequer preciso adquirir o livro: aí estão os Fóruns Social Mundial e Econômico, fundados e custeados pela elite metacapitalista, que zomba do intelecto alheio quando entrega para a militância pelega e descerebrada pautas como "a crise do capitalismo". O capitalismo vai muito bem, obrigado, e graças a ele você pode esquerdar loucamente nos respectivos fóruns.

Então, em vez de ficar entoando o mantra de "um outro mundo é possível", tire alguma lição com o Tio Patinhas e saia desse barco furado, afinal, tempo é dinheiro

O pior dos crimes no mundo islâmico.









por Uzay Bulut






Violência e intolerância permeiam o mundo muçulmano. Pessoas que cometem crimes bárbaros, massacres de cristãos, judeus, muçulmanos e hindus, todos enfim, dizem que estão meramente pondo em prática a lei da Sharia islâmica contra a "blasfêmia", apostasia e contra os "infiéis". Esses extremistas islâmicos tomam diariamente a lei em suas próprias mãos, assassinam qualquer um que queira pensar livremente ou de maneira diferente. Todos os dias, detenções, julgamentos, açoitamentos, tortura e assassinatos de jornalistas, poetas, estudantes e ativistas de direitos humanos já viraram rotina.

Em 2013, o professor paquistanês Junaid Hafeez que leciona o idioma inglês, foi detido e encarcerado, acusado de blasfêmia depois que um estudante filiado ao grupo Jamaat-i-Islami acusou-o de insultar Maomé, o fundador do Islã, no Facebook. Seu primeiro advogado, Chaudhry Mudassar, abandonou o caso em junho de 2013 após receber um grande número de ameaças de morte. O segundo advogado Rashid Rehman, foi morto a tiros em seu escritório em frente de colegas em 7 de maio de 2014. O advogado atual Shahbaz Gurmani, foi ameaçado de morte, houve disparos defronte de sua casa e lhe foi enviado uma carta do grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS em inglês), recomendando que ele abandonasse o caso, ameaçando decapitá-lo se ele insistisse em defender o cliente.

Junaid Hafeez continua preso.

Em 28 de dezembro de 2014 a escritora egípcia Fatima Naoot foi levada a um tribunal por ter, segundo consta, "insultado" o Islã. O "crime" dela foi ter tecido comentários em sua página do Facebook criticando o massacre de animais durante o Eid al-Adha, a festa do sacrifício celebrada pelos muçulmanos. "Não esmorecerei mesmo se eu for encarcerada", disse Naoot à Reuters. "O perdedor será o movimento cultural".

Fatima Naoot é uma colunista e poeta com pensamento crítico. Ela tem a coragem de se manifestar abertamente contra as injustiças da sociedade em que vive, características estas ameaçadoras demais para muitos muçulmanos.

O Artigo 98(f) do Código Penal Egípcio proíbe cidadãos de "ridicularizarem ou insultarem religiões divinas ou incitarem agitação sectária".

Mas no Egito a lei, ao que tudo indica, vale apenas contra seguidores de qualquer religião que não seja a Islã sunita. De acordo com o relatório anual de 2014 da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA,

"o grosso das acusações tem como alvo artistas muçulmanos sunitas, importantes personalidades e jornalistas. No entanto, a maioria dos condenados à prisão por blasfêmia em um tribunal é formada de cristãos, muçulmanos xiitas e ateus, na maior parte dos casos em julgamentos viciados. Cerca de 40% dos réus eram cristãos, proporção esta extremamente alta se comparada com a população cristã de aproximadamente 10% a 15%".

O clérigo muçulmano Hussein Ya'qoub, declarou em 2009: "os judeus são inimigos dos muçulmanos independentemente da ocupação da Palestina. Vocês têm que acreditar que nós lutaremos, os derrotaremos e os aniquilaremos até que não reste nenhum judeu sobre a face a terra".

Outro clérigo muçulmano Sallah Sultan, afirmou em um discurso transmitido pela TV do Hamas em 2012, que as pessoas com as quais ele tem se encontrado, em qualquer lugar a seja, têm "sede do sangue dos judeus... Israel usou meninas com AIDS para seduzir jovens egípcios com o objetivo de infectá-los", segundo ele, evidentemente sem se preocupar em apresentar provas, o que é apenas mais um exemplo da imaginação do ódio contra os judeus.

Nenhum dos clérigos foi intimidado a comparecer perante um tribunal por ter orgulhosamente proposto genocídio, mas Fatima Naoot é julgada por criticar o massacre de animais durante o Eid al-Adha.

Em 30 de agosto de 2014, o fotógrafo iraniano Soheil Arabi, 30, foi condenado por um tribunal penal em Teerã àpena de morte por enforcamento por "insultar o profeta do Islã" (Sabbo al-Nabbi) em postagens no Facebook. Em 24 de novembro de 2014, o Supremo Tribunal do Irã manteve a sentença de morte.

Em 2014, Raif Badawi, 31, um blogueiro saudita e criador de um website destinado a fomentar o debate político e religioso, foi condenado a 10 anos de prisão, 1000 chicotadas e uma multa de 1 milhão de riais sauditas (cerca de US$267.000) por "adotar pensamentos liberais" e "insultar o Islã". Badawi recebeu as primeiras 50 chicotadas da sentença em 9 janeiro de 2015 em frente a uma mesquita logo após as rezas matinais, "rodeado por uma multidão entusiasmada que entoava incessantemente Allahu Akbar (Deus é grande)" durante as chicotadas". A sentença foi mantida na semana passada pelo Supremo Tribunal da Arábia Saudita, a comutação da pena só pode ser promulgada pelo Rei Salman.

De acordo com a lei da Sharia islâmica, o livre pensamento é o crime mais imperdoável no mundo muçulmano. Estar preso, ser torturado ou executado por pensar livremente também é a razão pela qual há uma defasagem de séculos entre os países muçulmanos e o Ocidente no que tange à emancipação humana. Para Eurípides "não poder expressar o próprio pensamento é a verdadeira escravidão, em muitos países muçulmanos o livre pensamento é sentença de morte.

Aqueles que têm a coragem de tentar abolir essa "escravidão" no mundo muçulmano, são forçados a pagar um preço incomensurável. A jovem ganhadora do Prêmio Nobel Malala Yousefzai foi baleada na cabeça por pleitear poder estudar. Advogados que representam aqueles que tentam abolir essa "escravidão" ou outras alegações, mesmo as fraudulentas, são assassinados.

É permitido explodir uma escola repleta de crianças, deliberadamente atropelar inocentes em nome da jihad, massacrar pessoas durante as rezas e logo em seguida distribuir doces para comemorar sua "vitória", depreciar o valor da mulher de incontáveis maneiras, tendo quatro esposas, espancando-as, divorciando- se delas com apenas uma palavra e você será elogiado por muitos muçulmanos por ser um "herói", um "mártir" ou "um verdadeiro muçulmano".

Essa maneira de ser nada tem a ver com o Ocidente ou qualquer tipo de interferência ocidental. Não foram os europeus, os Estados Unidos ou o Estado de Israel que espalharam essas coercitivas leis baseadas na sharia contra a blasfêmia e apostasia entre os muçulmanos.

Os regimes muçulmanos, que sequer conhecem a definição de liberdade, sem falar da sistemática criminalização da liberdade de expressão, supressão da pesquisa e criatividade, intermináveis disputas tribais, são a razão pela qual seus povos continuam no século VII.

A ascensão do ISIS no Iraque e na Síria, a expansão do alcance do Irã em mais quatro países (Iraque, Síria, Líbano e Iêmen) à medida que os Estados Unidos vão se retirando de três (Líbia, Iêmen e Iraque) além da indiferença da maior parte do mundo muçulmano em face a essa nova catástrofe, tudo indica que ainda não pode haver muita esperança para alguma mudança positiva no mundo muçulmano. Até mesmo os visionários pedidos para a reforma islâmica do Presidente do Egito Abdel Fattah el-Sisi não foram bem recebidos publicamente por nenhum líder ocidental sequer.

Com exceção dos defensores da liberdade como Hafeez, Naoot, Arabi e Badawi, a situação parece estar piorando dia a dia. Um panfleto distribuído pelo ISIS responde a 27 perguntas, entre elas: "É possível capturar todas as mulheres infiéis"? E "é permitido manter relações sexuais com uma escrava que ainda não tenha atingido a puberdade"?

O panfleto também aprova a escravidão, estupro (inclusive de meninas que ainda não atingiram a puberdade), espancamento para obter gratificação (darb al-tashaffi) e tortura (darb al-ta'dheeb).

Uma ideologia que incentiva seus adeptos a participarem de tumultos violentos que resultam em mortes, incendiarem embaixadas e a cometerem assassinatos devido a caricaturas e que não dão mostras de sinais de arrependimento quando meninas pequenas são vendidas e estupradas, muito provavelmente não tem muito a contribuir para o avanço da civilização.

Uma ideologia que trata as mulheres como propriedade, que assassina ou encarcera intelectuais e sentencia um blogueiro a 1000 chicotadas e dez anos de prisão, se ele sobreviver, não tem o direito de jogar a culpa pelos seus problemas no Ocidente ou em quem quer que seja.


Uzay Bulut, nascida e criada como muçulmana, é uma jornalista turca estabelecida em Ancara, Turquia.


Publicado no site do The Gatestone Institute - http://pt.gatestoneinstitute.org

Tradução: Joseph Skilnik

quarta-feira, julho 01, 2015

Porte de armas irrestrito, os profetas do apocalipse e a síndrome de vira-latas















Acabo de ver a notícia no portal da NRA que o Kansas adotará nesta quarta-feira (01/07) o porte de armas independente de autorização estatal ou treinamento. Os profetas desarmamentistas já estão com sua histeria habitual clamando o final dos tempos!

Pai Dito, este humilde brasileiro, que não tem nada de paranormal - no máximo ouve de vez em quando um "para, anormal" -, prevê que nada acontecerá!

O Kansas não é o primeiro estado a aprovar o porte ilimitado, ou seja, se você pode comprar uma arma, você pode portá-la sem que o papai estado tenha que ser consultado. Nos outros o que aconteceu? Nada! Absolutamente nada! Nada de balas perdidas, nada de tiroteios, nada de bang-bang!

Essa é a inteligência americana, o pensamento legislativo coerente e com o propósito de simplificar a vida do cidadão que não é tratado como um débil mental incapaz de assumir responsabilidades.

Tenho certeza que alguns, ou muitos, estão nesse momento pensando: no Brasil isso nunca daria certo! Viraria um bang-bang! O brasileiro não tem cultura para isso! Blá, blá, blá... Pois bem, vejamos então uma resposta para os portadores do que Nelson Rodrigues batizou de síndrome de vira-latas.

Primeiramente, gosto de lembrar aos mais novos que o Brasil já foi praticamente assim! Até 1997, quando o "direitista" FHC transformou em crime o porte ilegal de armas, praticamente qualquer um podia andar armado, normalmente apenas com o registro pois a pena era apenas uma multa e a apreensão da arma que era rapidamente devolvida com uma simples petição ao juiz. Bolsas masculinas vinham de fábrica - TODAS ELAS! - com coldres. Outro ponto importante é que muitos brasileiros acham que o americano típico é aquele cara cool (eu não disse cara de c... ok?) de NY ou San Francisco. O americano médio é o Homer Simpson! O Kansas é lotado dos chamados (pejorativamente) de rednecks, um tipo de caipirão, com alguns dentes faltando na boca, um pickup gigantesca na garagem, participando de campeonato de cuspe à distância, com uma .45 na cintura e um fuzil do lado da cama ou dentro do carro. E ninguém atira em ninguém.

Mesmo assim não dá para comparar? Lá não tem impunidade (tem sim, mas não falarei disso agora), a justiça funciona, o Estado é eficiente para punir qualquer um que fizer a coisa errada com a arma... Bom, imaginemos que isso é verdade. Então o que me dizem do Paraguai? Lá, qualquer um compra e porta armas de fogo e o país possui três vezes menos homicídios que o Brasil, isso levando-se em conta que a taxa nacional sofre elevação por conta da área fronteiriça com o... Brasil! Na maioria das cidades Paraguaias a taxa de homicídios é próxima das taxas médias da Europa! Oh! Armas malvadas não matam paraguaios, só brasileiros depois que atravessam a fronteira em forma de contrabando.

*

Duas decisões judiciais tiveram grande destaque em Porto Rico. A primeira foi que aquele estado não pode impedir que seus cidadãos possuam e usem armas de fogo. A segunda, com repercussão mundial, foi que a Suprema Corte Americana sentenciou que nenhum estado americano ou seus territórios podem proibir a união civil entre homossexuais, decisão que no Brasil aconteceu em 2013 mas parece que ninguém lembra...

Imediatamente o governador desse território, Alejandro García-Padilla do Partido Popular Democrático (Oh! Que surpresa!), comemorou uma e disse que recorrerá contra a outra... Nem preciso dizer de qual ele recorrerá, não é mesmo?

Pois bem, tudo ótimo, tudo lindo e os "liberals", a esquerda americana, comemoraram efusivamente essa vitória que na realidade já era realidade em 36 estados americanos... Tudo eram flores até que o Bob Owens, editor da BearingArms.com, levantou uma questão mais do que pertinente: se o casamento gay deve ser respeitado em todos os estados com base na 14a. Emenda, o porte de armas também! Ou seja, estados como a Califórnia terão obrigação de aceitar uma licença para portar armas expedida pelo Texas, por exemplo! Allen West, um dos mais conceituados republicanos, já abraçou a tese e discorreu sobre ela em seu site. Quero ver agora os tais "defensores das liberdades individuais" engolirem essa...

Ah! Lembrando que semana passada um grupo de libertários gays foi expulso de uma passeata gay por estarem armados! Mas assim é a esquerda mesmo: liberdade que vale é só a minha!


(*)Bene Barbosa preside o Movimento Viva Brasil - http://mvb.org.br
Fonte: Mídia Sem Máscara