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segunda-feira, setembro 19, 2016

Por que Lula parece um ditador acorrentado?.










por Thiago Kistenmacher (para o institutoliberal.org.br).







Não é de hoje que conhecemos os perigos de Luiz Inácio Lula da Silva. Seus discursos demagógicos causam aversão e medo em qualquer pessoa que tenha bom senso. Lula tem sua disposição todas as ferramentas que, por sorte, ainda não foram usadas.

Em seu último discuso tratou sua acusação com ironias e chorou de forma dissimulada. Enquanto esteve na presidência da República chamou de “companheiros” os tiranos Hugo Chávez e Fidel Castro, se aproximou de Ahmadinejad e apoiou o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Durante sua fala de defesa, na qual protagonizou um papel que só encanta seus seguidores, disse que se a oposição quiser vencê-lo, terá que fazer isso nas ruas. Qualquer semelhança com o que está acontecendo na Venezuela de seu “companheiro” Maduro não é coincidência. Lula deveria saber que numa democracia a oposição se vence nas urnas, não nas ruas, que geralmente se transformam em campos de batalha. Mas não poderíamos esperar nada diferente de um apreciador de autocracias.

Ademais, não é preciso muita sagacidade para perceber a capacidade de manipulação desse “messias” político – seu choro forçado só comove indivíduos como Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Rui Falcão. Lula rememora Tiradentes numa clara tentativa de ser identificado como o salvador da nação, um herói. E com um discurso teleológico repleto de promessas para um Brasil igualitário, encarna o messianismo político, demonstrando toda sua fé na política, cujos problemas foram discutidos por Michael Oakeshott em “A Política da Fé e a Política do Ceticismo” [ainda sem tradução para o português]. Todo messias político carrega um ditador dentro de si. Além disso, traz consigo uma tropa de indivíduos facilmente manipuláveis que aguardam as ordens do chefe.

De forma muito bem fundamentada, o Ministério Público mostrou que Lula não é só o líder máximo da corrupção, ele também é o coronel de uma horda disposta a tudo. Ele pode ser visto como um ditador acorrentado e acompanhado de grupos que vem assumindo o papel de milícias, no caso a CUT e o MST; ele tem sectários ao seu redor que defenderiam sua inocência mesmo que ele fosse réu confesso, isso considerando desde a militância da base, passando pelos professores acadêmicos e chegando ao governo federal; ele tem um partido transformado em causa máxima da vida de várias pessoas; ele beija a camisa e o símbolo do PT no intuito de cativar seu rebanho, de tornar seus soldados ainda mais aguerridos; ele convoca os militantes e partidários a usarem o vermelho pelas ruas; e com a narrativa do “golpe”, excita sua tropa contra aqueles que ele denomina “inimigos da democracia”.

Pior ainda, Lula não emite uma só palavra de reprovação sobre a violência perpetrada pelos arruaceiros que quebram tudo, gritam e picham “Fora Temer”. Evidente que não o faria, pois se a justiça brasileira tirar suas correntes, ele fará o mesmo. Lula vem demonstrando comportamento semelhante ao de um ditador acorrentado tentando estourar o cadeado. Seu passado sindicalista tem muita semelhança com o fascismo de Mussolini e seu discurso salvacionista esconde uma ameaça real à democracia brasileira.

A única pobreza que Lula combateu foi a sua própria, afinal, hoje ele considera como coitado aquele que ganha R$ 2000,00 e diz ser simples um relógio de R$ 800,00. Até nisso Lula se parece com seus parceiros ditadores que usufruem do bom e do melhor enquanto vociferam contra seus inimigos. Por isso é aconselhável que permaneçamos vigiando os cadeados da justiça e conferindo as correntes que nos mantém seguros deste sujeito que só não se assenhoreou de todas as instituições por falta de oportunidades.

O Brasil tem duas opções: ou mantém Lula acorrentado ou ele é quem nos acorrentará, afinal de contas, Lula, a autointitulada “jararaca” está pronta para dar o bote. Aliás, além de aparente psicopatia, veneno é o que ele tem de sobra.

domingo, agosto 30, 2015

Demagogia generalizada.







Demagogia generalizada.por Paulo Cruz(*)





Quando Marx afirmou que a história da humanidade é a história da luta de classes, repetia a ideia maluca de Rousseau, formulada quase 100 anos antes, de que o homem era naturalmente bom, mas se corrompeu pela instituição da sociedade e da propriedade privada. Desde então, a doutrina marxista ganhou ares axiomáticos e praticamente todo formador de opinião concorda com ela. Esse pensamento é reproduzido não só na academia, mas também na cultura: literatura, cinema, novelas, programas de tevê.

Dias atrás, assistindo a um famoso programa dominical, fui surpreendido por um quadro interessante. Quatro artistas – desses que fazem novelas – convidaram quatro crianças beneficiadas por um projeto social da emissora em parceria com a Unesco para terem contato com a profissão que desejam seguir. Foi lindo ver o olhar daquelas crianças, vislumbrando a possibilidade de fazer aquilo com que sonham. Uma delas, com 7 anos e um desejo impetuoso de ser médica, vibrou ao presenciar a realização de um ultrassom. Possibilitar esse contato muitas vezes é decisivo para um indivíduo. Mostrar aonde seu esforço pode levá-lo é um exercício de motivação incomparável. Parabéns aos envolvidos.

Porém, na semana seguinte, o programa convidou quatro crianças de condição social elevada para visitar projetos sociais. E o maniqueísmo ideológico estava formado.

O problema não foi a ação em si, mas o discurso implícito. Da boca dos artistas, essas crianças foram convidadas a “viver uma experiência nova”. Uma delas ouviu: “eu tenho certeza de que esse lugar vai mudar a sua vida”. E a outra disseram que teria contato com crianças que, como ela (?), “sonham com um futuro melhor”. Pensei: que mundo é esse onde crianças ricas não sabem mais o que são crianças pobres? Na minha infância isso era a coisa mais normal do mundo. Tive amigos ricos e amigos favelados.

Antes da falência do ensino público – bingo! – e do isolamento dos ricos por causa da violência – bingo! –, era comum ricos e pobres estudarem e brincarem juntos. Fato é que, apesar de as crianças de condições sociais muito díspares estarem cada vez mais separadas hoje, essa não é a realidade absoluta. Qualquer família que melhora um pouco sua renda coloca os filhos em escolas particulares, onde eles têm contato com crianças mais ricas (e com melhor ensino, claro). Eu mesmo, que sou negro, professor de escola pública e no programa fui curiosamente representado pelas crianças assistidas pelo projeto social, tenho filho em escola particular. E grande parte da população está dentro dessa média que o discurso ignora. Por que reforçá-lo, então?

Em seu livro 'Os intelectuais e a sociedade', o economista americano Thomas Sowell lembra-nos de que, em geral, os formadores de opinião favorecem-se de “crenças abstratas que são comuns entre os intelectuais, os quais podem ter pouco ou nenhum conhecimento de primeira mão sobre os indivíduos, as organizações ou as circunstâncias concretas envolvidas”. E que, “além do mais, tais atitudes não são somente disseminadas para muito além das fileiras da intelligentsia, mas se tornam base de políticas, leis e decisões judiciais”. Bingo! Esse discurso favorece a própria intelligentsia e o governo, que dele se aproveita para criar seus programas sociais que, apesar de não resolverem os problemas, lhe geram o bom e velho capital eleitoral.


Publicado na Gazeta do Povo.

(*)Paulo Cruz é professor de filosofia e mestrando em Ciências da Religião.