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domingo, novembro 05, 2017

O atordoante custo da Revolução Russa em termos de vidas humanas



por Yuri N. Maltsev(*).



Nunca houve uma ideologia tão insidiosa e mortífera quanto o marxismo-leninismo.







Ao que tudo indica, o presidente russo Vladimir Putin gostaria de ignorar a Revolução Bolchevique, que completa 100 anos este mês (ela ocorreu no dia 25 de outubro de 1917 pelo calendário juliano ou 7 de novembro pelo calendário gregoriano). Segundo a imprensa, Putin disse aos seus conselheiros que seria desnecessário comemorar a ocasião.

Sábia decisão. Não há nada do que se orgulhar nesta data.

Começou com a Revolução de 1917

Os horrores do socialismo do século XX — de Lênin, Stalin, Hitler, Mussolini, Fidel Castro, Mao e Pol-Pot — são frutos de 1917.

Setenta anos antes, Marx e Engels previram que a derrubada da burguesia requereria muita violência e "uma ditadura do proletariado [...] para eliminar os eventuais resquícios de elementos capitalistas."

Lênin conduziu esta "eliminação" recorrendo ao terror indiscriminado, assim como os socialistas russos haviam feito antes dele e outros continuariam fazendo após sua morte.

O falecido Rudolph Rummel, o demógrafo perito em contabilizar todos os homicídios em massa causados por governos, estimou o total de vidas humanas dizimadas pelo socialismo do século XX em 61 milhões na União Soviética, 78 milhões na China, e aproximadamente 200 milhões ao redor do mundo. Todas essas vítimas pereceram de inanições causadas pelo estado, coletivizações forçadas, revoluções culturais, expurgos e purificações, campanhas contra a renda não-merecida, e outros experimentos diabólicos envolvendo engenharia social.

Em termos de monstruosidade, esse terror simplesmente não encontra paralelos na história humana.

O golpe dado por Lênin no dia 7 de novembro de 1917, o dia em que o governo provisório de Kerensky caiu perante as forças bolcheviques, abriu uma nova etapa na história humana: um regime de escravidão do povo. Marx e Engels haviam definido o socialismo como "abolição da propriedade privada". Na prática, o componente mais fundamental da propriedade privada — a propriedade do indivíduo sobre si próprio — foi o primeiro a ser abolido.

O planejamento econômico coletivista deu início à coerção, à violência generalizada e aos homicídios em massa.

Destruição no atacado

Os maiores alvos dos marxistas sempre foram a família, a religião e a sociedade civil — obstáculos institucionais à imposição do estado onipotente. Com os bolcheviques no poder, Lênin se dedicou com ímpeto à destruição destas instituições.

O assassinato de crianças se tornou uma norma após Lênin ter ordenado a execução do czar Nicolau II, de sua mulher Alexandra e de seus cinco filhos. Milhões de famílias foram capturadas, presas e coercivamente realocadas para as remotas e desabitadas regiões da Sibéria e do Cazaquistão. Durante a jornada ao exílio, centenas de milhares de crianças morreram enfermas ou de inanição, sendo enterradas em volumosas covas coletivas sem qualquer identificação.

Em 1935, Stalin introduziu o Artigo 12 do Código Criminal da URSS, o qual permitia que crianças a partir de 12 anos de idade pudessem ser condenadas à morte ou encarceradas como adultas. Esta "lei" foi criada visando especificamente às crianças órfãs das vítimas do regime, sob a crença de que, se os pais eram "reacionários", então seus filhos também seriam. Várias dessas crianças, cujos pais haviam sido encarcerados ou executados, eram conhecidas como bezprizorni, isto é, crianças de rua. Elas foram enviadas para celas imundas e desguarnecidas localizadas em gulags selvagens e violentos, onde foram misturadas a perigosos criminosos. Nestas celas, as crianças eram brutalizadas e estupradas tanto pelos guardas quanto pelos criminosos comuns.

A União Soviética foi o primeiro estado a ter como objetivo ideológico e prático a eliminação da religião — ou, em outras palavras, o extermínio físico de pessoas religiosas. Com o decreto de Lênin de 20 de janeiro de 1918, deu-se início à estatização das propriedades eclesiásticas: igrejas, catedrais, capelas, pátios das igrejas e todos os edifícios pertencentes a igrejas foram espoliados e saqueados, e todos os itens valiosos (ouro, prata, platina, quadros, ícones, artefatos históricos) foram ou roubados por comunistas ou vendidos ao Ocidente via burocratas do governo, simpatizantes comunistas, e até mesmo viajantes simpatizantes do regime, como o magnata americano Armand Hammer, que conheceu Lênin em 1921.

Ser religioso na União Soviética quase sempre significava uma sentença de morte. O objetivo era o monopólio completo e absoluto do estado sobre as idéias e o espírito das pessoas. E a maneira de fazer isso era por meio da imposição de uma religião secular, o socialismo. Praticamente todos os clérigos e milhões de devotos de todas as religiões tradicionais foram ou fuzilados ou enviados para campos de trabalhos forçados. Seminários foram fechados e publicações religiosas, proibidas.

O marxismo-leninismo almejava ser um "socialismo científico", capaz de apresentar a explicação universal para a natureza, a vida e a sociedade. No entanto, quaisquer desvios em relação a esta ideologia, especialmente o uso de métodos da tradicional ciência "burguesa", eram punidos com morte. A perseguição aos cientistas não alinhados — que deu origem ao lysenkoismo — acabou se degenerando em um verdadeiro genocídio da classe. E a ciência russa, que até então havia prosperado aceleradamente, entrou em rápido declínio.

Um fracasso abjeto

Em dezembro de 1991, após setenta e quatro anos de caos, destruição e miséria, a Revolução Bolchevique fracassou e finalmente foi oficialmente abolida. O país mais extenso da terra, repleto de abundantes recursos naturais de todos os tipos, não mais conseguia nem sequer suprir as necessidades básicas de seus cidadãos.

Sem propriedade privada sobre os meios de produção, sem uma economia de mercado com um sistema de preços livres, e sem ter como fazer cálculo de lucros e prejuízos, o arranjo simplesmente não tinha como alocar racionalmente recursos escassos.

O mais lamentável é que tudo isso era perfeitamente evitável. Ainda em 1920, Ludwig von Mises já havia demonstrado de maneira até hoje irrefutável que o socialismo, além de utópico, era um esquema ilógico, antieconômico e impraticável em sua essência. Ele é impossível e destinado ao fracasso porque desprovido da fundamentação lógica da economia: o socialismo não fornece meio algum para se fazer qualquer cálculo econômico objetivo — o que, por conseguinte, impede que os recursos sejam alocados em suas aplicações mais produtivas. 

E a efetiva implantação prática do socialismo mostrou a total validade da análise de Mises. O socialismo tentou substituir bilhões de decisões individuais feitas por consumidores soberanos no mercado por um "planejamento econômico racional" feito por uma comissão de iluminados investida do poder de determinar tudo o que seria produzido e consumido, bem como quando, como e quem faria a produção e o consumo. Isso gerou escassez generalizada, fome e frustração em massa. Quando o governo soviético decidiu determinar 22 milhões de preços, 460.000 salários e mais de 90 milhões de funções para os 110 milhões de funcionários do governo, o caos e a escassez foram o inevitável resultado. O estado socialista destruiu a ética inerente ao trabalho, privou as pessoas da oportunidade e da iniciativa de empreender, e difundiu amplamente uma mentalidade assistencialista.

O socialismo produziu monstros como Stalin e Mao Tsé-tung, e cometeu crimes até então sem precedentes contra a humanidade, em todos os estados comunistas. A destruição da Rússia e do Camboja, bem como a humilhação sofrida pela população da China e do Leste Europeu, não foram causadas por "distorções do socialismo", como os defensores dessa doutrina gostam de argumentar. Elas são, isto sim, a consequência inevitável da destruição do mercado, que começou com a tentativa de se substituir as decisões econômicas de indivíduos livres pela "sabedoria dos planejadores".

O fracasso do socialismo não depende da cultura, da época ou da localização das vítimas. Vai da Alemanha à Venezuela; de Cuba ao Camboja; da Coreia à Nicarágua. O socialismo já é falho em seu núcleo: a propriedade "coletiva" dos meios de produção. Sendo assim, não há como criar uma versão funcional e produtiva do socialismo em lugar nenhum do mundo. 

Na prática, os problemas teóricos do socialismo geram convulsões sociais e protestos, os quais são combatidos com rigor pelas forças policiais do estado, resultando em uma carnificina maior que a de todas as guerras oficiais já travadas no mundo. Quando o povo se torna faminto e infeliz, é impossível o estado sobreviver caso esse povo saiba que há pessoas em outros lugares do usufruindo uma vida muito melhor. Por isso, os estados comunistas recorrem à propaganda, à desinformação e à censura para fazer com que uma já cativa população fique ainda mais confusa e submissa.

Infelizmente, em 1920, o entusiasmo pelo socialismo era tão forte, principalmente entre os intelectuais ocidentais, que os alertas de Mises foram totalmente ignorados. E a humanidade pagou caro por isso.

A ameaça sempre existe

Tendo por base minha própria vida na União Soviética, período esse que acabou no mesmo ano em que Vladimir Putin relatou aos seus chefes do KGB o colapso do Muro de Berlim, posso apenas atestar toda a validade da declaração feita por Ludwig von Mises de que o socialismo equivale a uma "revolta contra a economia".

E, no entanto, o socialismo ainda possui milhões de simpatizantes no Ocidente. Muitos acreditam que o socialismo é bom, e que o comunismo, o fascismo e o nazismo é que são violentos e anti-democráticos. A mentalidade anticapitalista gerou homicídios em massa em todos os países socialistas, e segue gerando sofrimento até hoje nos locais em que ainda é experimentado.

A União Soviética já acabou, assim como as enormes estatuas de Marx e Lênin que literalmente emporcalhavam várias cidades do Leste Europeu. Porém, idéias têm consequências, e nenhum outro corpo de idéias atraiu um número maior de seguidores devotos do que o marxismo-leninismo.

Se o poderoso argumento da impossibilidade do cálculo econômico sob o socialismo e a astronômica carnificina gerada por esse regime ainda não foram capazes de desanimar a esquerda em suas reiteradas exortações por mais socialismo, então nada mais o fará. 

Há um aforismo russo que diz: "A única lição da história é que não aprendemos nada com a história". Para um enorme número de pessoas — que continuam ignorando que o socialismo é uma ideia falida e mortal, tanto na teoria quanto na prática — isso nunca foi tão verdadeiro.



(*)Yuri N. Maltsev é membro sênior do Mises Institute e foi um dos economistas da equipe de reforma econômica de Mikhail Gorbachev antes de desertar para os Estados Unidos, em 1989. Foi o editor de Requiem for Marx e leciona economia no Carthage College.



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sexta-feira, novembro 06, 2015

A OMS, a carne vermelha, as mudanças climáticas e o controle estatal: a conexão é explícita.


por Yuri N. Maltsev (*).




O cada vez mais poderoso complexo verde-industrial, cujo quartel-general está nos EUA, está se revelando extremamente eficaz em utilizar a ONU, suas trinta e duas instituições "irmãs"(como o Banco Mundial, a UNESCO e vários "tribunais") e centenas de centros de pesquisa e treinamento. Esta enorme e continuamente crescente máquina burocrática já emprega mais de um milhão de "servidores públicos internacionais" para administrar aquilo que nossos visionários socialistas sonham se tornar o governo mundial do futuro.

Uma "instituição irmã" da ONU que está se tornando cada vez mais importante é o altamente politizado "Departamento Mundial de Saúde", também conhecido como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual, como parte de sua nova campanha do medo, emitiu recentemente a declaração de que bacon, presunto, salsicha são cancerígenos. E complementou dizendo que todas as carnes vermelhas são "provavelmente cancerígenas".

[N. do E.: vale ressaltar que a OMS não mostrou o relatório científico final e também omitiu o fato de que sete dos vinte e dois cientistas que participaram das pesquisas não aprovaram o relatório desconhecido. Até mesmo o politicamente corretíssimo doutor Dráuzio Varella achou isso muito estranho. Diz ele: "[...] não existe consenso entre os epidemiologistas. Não houve unanimidade sequer entre os 22 especialistas do painel da Iarc: sete deles se abstiveram de votar a favor das conclusões por não estarem convencidos da qualidade das evidências apresentadas ou por não concordarem com elas."]

Essa nova campanha anti-carne, no entanto, nada tem a ver com a sua saúde, mas sim com a "saúde do planeta". O ataque da OMS à carne ocorreu, coincidentemente, antes da Conferência do Clima em Paris, que ocorrerá no final do ano e que irá discutir "soluções governamentais" para se controlar o clima, e faz parte da lenta, porém progressiva, revolução socialista envolta no lema de "conscientização sobre as mudanças climáticas". Para essa gente, todo o necessário para fazer com que tudo fique bem é entregar o controle da economia mundial para os planejadores centrais dos governos. Na mente deles, basta o governo acionar suas engrenagens e elas automaticamente farão tudo com assombrosa precisão para preservar o status quo climatológico. Como sempre, políticas socialistas atuais são justificadas como sendo uma "necessidade para as gerações futuras". 

O famoso Nobel de física, o Dr. Ivar Giaever, que já foi um ardoroso apoiador de Obama, mudou de lado e hoje está contra o presidente americano na questão do aquecimento global. "Eu diria que, basicamente, o aquecimento global é um problema inexistente". Giaever escarneceu Obama por este ter declarado que "nenhum desafio é mais ameaçador para as gerações futuras do que as mudanças climáticas". O físico disse que essa era uma "declaração ridícula" e complementou dizendo que Obama "está sendo mal assessorado" na questão do aquecimento global. 

Já eu estou certo de que Obama e outros políticos estão impondo a agenda do aquecimento global não por causa de "má assessoria", mas sim porque os defensores dessa tese, inadvertidamente ou não, lhes fornecem todas as justificativas necessárias para adotar políticas de planejamento central e para restringir as liberdades individuais.

A Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas 2015, que será realizada em Paris de 30 de novembro a 11 de dezembro, está sendo propagandeada pelo governo Obama como um grande passo adiante rumo a um governo mundial e a um planejamento centralizado. Será a vigésima primeira sessão anual da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, criada em 1992, e a décima primeira sessão do Encontro das Partes (a primeira ocorreu no Protocolo de Kyoto, em 1997). O objetivo da conferência é alcançar um acordo universal e legalmente compulsório a respeito do clima, para todos os países.

Todos os globalistas se mobilizaram em preparação para este evento. O papa Francisco, por exemplo, publicou uma encíclica chamada Laudato Si' para ajudar a garantir o sucesso dessa conferência. A encíclica clama por uma ação imediata contra as "mudanças climáticas causadas pelo homem". Já a Confederação Sindical Internacional, que tem suas origens na Primeira Internacional fundada por Karl Marx, exortou o objetivo de "carbono zero, pobreza zero", e seu secretário-geral, Sharan Burrow, proclamou que "não há empregos em um planeta morto".

A guerra contra a carne faz parte dessa ofensiva das relações públicas. Lord Stern, do Reino Unido, que já foi economista-chefe do Banco Mundial, afirmou que "a carne é um grande desperdício de água, e cria muitos gases geradores do efeito estufa. Ela causa uma enorme pressão sobre os recursos naturais do mundo. Uma dieta vegetariana é muito melhor."

Já o embaixador americano Todd Stern, nomeado por Obama emissário especial dos EUA para assuntos climáticos, cuja função será assegurar um rígido acordo climático na conferência de Paris, está hoje viajando para Brasil e Cuba com o intuito de conseguir o apoio destes dois corruptos governos socialistas contra "a ameaça global representada pelas mudanças climáticas"

Nos EUA, socialistas fanáticos e seus parceiros "capitalistas" já conseguiram destruir a indústria do carvão. Todo o setor energético está sob inclemente ataque há um bom tempo. Agora, eles estão indo atrás da indústria de carnes, a qual é, de acordo com eles, "insustentável". A esquerdista Union of Concerned Scientists (União dos Cientistas Preocupados) listou o hábito de comer carne como sendo a segunda maior ameaça ambiental para o planeta (a ameaça número um são os veículos movidos por combustíveis fósseis).

Na União Soviética, de onde fugi, quando havia carne, esta era disponível para o alto escalão do Partido Comunista. O cidadão comum, com muita sorte, encontrava um pouco no mercado negro. O Partido "explicava" para as massas que comer carne era nocivo para a saúde. Em Cuba, você dificilmente encontra carne nas mercearias. Bife (normalmente misturado com soja), frango, salsicha e presunto são racionados pelo governo cubano à quantia de 225 gramas por pessoa para cada 15 dias. Meus amigos cubanos, no entanto, se queixam de que nem mesmo este racionamento é respeitado pelo governo, e que frequentemente as rações de carne são "canceladas" sem qualquer explicação.

Nos EUA, o Comitê Conselheiro de Diretrizes Alimentares (Dietary Guidelines Advisory Committee) publicou, neste ano, um relatório de 571 páginas de "evidências" pseudo-científicas para estimular os americanos a não comerem carne vermelha. O Departamento de Agricultura dos EUA utilizará essa ciência fajuta como base para sua política federal de nutrição, incluindo um programa de US$ 16 bilhões para financiar almoços em escolas.

E tudo isso está sendo bancado pelos pagadores de impostos. Os EUA estão financiando a ONU e suas instituições "irmãs", incluindo a OMS, em um montante que vai de 25 a 35% do orçamento da organização. A única esperança para o mundo é que as pessoas não recebam todo o governo pelo qual estão pagando.



(*)Yuri N. Maltsev é membro sênior do Mises Institute e foi um dos economistas da equipe de reforma econômica de Mikhail Gorbachev antes de desertar para os Estados Unidos. Foi o editor de Requiem for Marx e leciona economia no Carthage College.