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sexta-feira, março 02, 2018

13 causas que os artistas da Rede Globo nunca apoiaram


por João César de Melo(*).






Artistas ricos e famosos – quase todos ligados à Rede Globo – liderados por Caetano Veloso protagonizaram mais um vexame. Indiferentes ao colapso da segurança pública no Rio de Janeiro, produziram um vídeo contra a intervenção federal que, por mais atrapalhada que seja, é um alento para a população que sofre diretamente com a violência. Tanto que 85% da população apoia a medida.


Abaixo, listo algumas campanhas que a sociedade adoraria vê-los fazendo, mas que eles nunca apoiaram:

▶1. Estímulo ao estudo e ao trabalho

Os artistas da Rede Globo poderiam utilizar a fama e o espaço que têm na grande imprensa para percorrer as maiores favelas brasileiras, oferecer projeção aos jovens que rejeitam o crime em nome de uma vida digna e honesta e encorajar outros jovens a fazerem o mesmo.

▶2. Estímulo à caridade privada

Imagine se cada um desses artistas visitasse um orfanato por mês ou mostrasse as causas para as quais doam dinheiro próprio mensalmente, pedindo aos fãs que fizessem o mesmo.

▶3. Não se pode ter luxo onde se tem pobreza

Já que sempre atacam a “elite”, os artistas da Rede Globo poderiam provar que não fazem parte dela por meio de uma campanha para que seus fãs de classe média e alta destinassem à caridade o dinheiro que gastariam com roupas, viagens e restaurantes bacanas.

▶4. Semana sem drogas

Imagine a quantidade de dinheiro que seria arrecadada se esses artistas promovessem uma campanha pedindo que os eleitores do PSOL deixassem de farrear e se drogar por um final de semana por mês, utilizando o dinheiro economizado para dar aos mais pobres que eles dizem querer ajudar. Imagine!

▶5. Crowdfunding para caridade

O que impede que pessoas como Gregório Duvivier, com quase 1 milhão de seguidores no Facebook, promovam campanhas de arrecadação de dinheiro para construir creches ou ajudar famílias vítimas da violência? Nada, mas não o fazem.

▶6. Divulgação de pequenos negócios

Imagine se os atores da Rede Globo resolvessem, toda semana, dar as caras numa favela para divulgar o pequeno negócio de alguém, comer um PF em um boteco ou fazer o cabelo em um pequeno salão, aproveitando a oportunidade para pedir menos impostos e burocracia para esses e todos os empreendedores.

▶7. Além da CLT!

Como os artistas da Rede Globo adoram a CLT – apesar de utilizarem Pessoas Jurídicas (PJs) para fugir da CLT – eles poderiam fundar empresas comprometidas em contratar “excluídos pelo capitalismo”, pagando todos os “direitos trabalhistas” que tanto defendem.

Poderiam, também, deixar de trabalhar para produtoras e veículos de comunicação que tenham funcionários que não são celetistas. Fora PJs!

▶8. Mi casa, su casa

Seria o tema da campanha em que os artistas destinariam um dos imóveis milionários – como os R$ 60 milhões de reais em imóveis de Caetano Veloso, por exemplo – que possuem para os sem-teto. Um quartinho em suas próprias casas, pelo menos! Com isso, eles estimulariam seus fãs a fazerem o mesmo, pondo fim à falta de habitação.

▶9. Manifestação contra a corrupção

A Lava Jato, sozinha e em menos de 4 anos, colocou na cadeia quase 120 corruptos, mais do que tudo o que foi feito pelo restante da justiça brasileira até hoje. Foram presos políticos poderosos, grandes empresários e altos funcionários do governo que roubaram bilhões. Apesar disso, há grande movimentação de políticos e do STF para acabar com a operação.

Sendo assim, não seria algo pertinente que artistas como Camila Pitanga e Letícia Sabatella utilizassem a popularidade para apoiar a Lava Jato, exigindo que políticos de todos os partidos sejam punidos exemplarmente, ao invés de apoiar políticos condenados pela justiça?

▶10. Somos todos venezuelanos!

Os artistas da Globo poderiam lançar uma campanha de arrecadação de fundos para os refugiados do socialismo na Venezuela. Dinheiro para alojamentos, comida, tratamentos médicos descentes, etc. Melhor, eles mesmos poderiam ir à Roraima recepcionar os milhares de venezuelanos que chegam todos os dias.

▶11. Diga não à escravidão!

É comum artistas se manifestarem contra as empresas que utilizam trabalho escravo. Bravo! Sendo assim, creio que seria coerente eles expandirem essa indignação para as ditaduras socialistas de Cuba e Coreia do Norte. Esses países são os únicos que proíbem seus cidadãos de irem embora, obrigando-os a passar a vida trabalhando, em péssimas condições, para sustentar elites políticas e militares. Ou seja, são dois regimes que mantém suas populações em regime de escravidão.

Nessa campanha, eles repudiariam todo partido político e movimento que apoie essas ditaduras e publicariam um vídeo dizendo: “Não apoie a escravidão. Não vote em partidos que apoiam as ditaduras socialistas”.

▶12 – Diga não às grandes corporações capitalistas!

Desde sempre escuto artistas da Rede Globo dizendo que são contra o capitalismo, contra as grandes corporações, etc. Sendo assim, chegou a hora deles iniciarem uma campanha de boicote a todas essas empresas, começando por recusar todo tipo de patrocínio e campanhas de publicidade feitas por multinacionais, além de deixarem de participar de programas de grandes grupos de comunicação como a Rede Globo.

▶13 – Vivência solidária e distribuição de renda

Imagine a repercussão se Sônia Braga, por exemplo, trocasse seu apartamento em Nova Iorque por um barraco na favela por uma semana e convidasse seus fãs a fazerem o mesmo pagando diárias? Certamente ajudaria na renda das famílias mais pobres.

O que impede os artistas de fazerem essas coisas?

Eu não concordo com a tese de que a riqueza de uns é resultado da pobreza de outros, mas, se esses artistas acreditam mesmo nisso, não seria a hora deles serem o exemplo do que cobram que os outros sejam?


(*)Marcelo Faria é

sexta-feira, novembro 17, 2017

Errando o alvo na mosca





por Beto Moraes(*).




No início dos anos 1990, minha irmã, então roteirista da Fundação Roberto Marinho, me convidou para ser seu assistente na lida sub-literária de escrever roteiros de teleducação e empresariais. Iniciou-se assim minha carreira na seara das letras plebeias, que durou mais de 20 anos. Graças a minha irmã, entrei na panela, e segui adiante por conta própria: conheci muita gente do meio artístico, ‘bacanas’ aos montes, e até mesmo tentei praticar a tal da ‘arte’. Cheguei a criar e escrever um seriado juvenil para a TV Cultura (Galera) e participei da roteirização de um longa de pegada popular (O Menino da Porteira), que foi visto nos cinemas por mais de um milhão de pessoas (Lei Rouanet, eu confesso, também pequei). O fracasso, no entanto, nunca me subiu à cabeça e minha carreira não foi adiante pelas minhas próprias deficiências e pela minha falta de tino sociopatológico (Thank you, Lord!). O ambiente é tóxico.

Dito isto, proponho, então, uma questão de natureza aritmética das mais simples, prosaica e nada artística: quantos artistas brasileiros e vacas sagradas da cultura brasileira (música, artes dramáticas, cinema) têm uma carreira internacional? Quantos gozam lá fora do prestígio e da intocabilidade crítica de que gozam (ops!) aqui? Resposta: nenhum. Zero, zero, zero. Por quê? Também é fácil responder. Porque lá fora não é essa terra de compadres que é a cultura nacional, com trocas de rapapés e tapinhas mútuos nas costas. Essa gente não sobreviveria em uma cultura competitiva, em que o mérito e a qualificação fossem atributos indispensáveis. As atrizes famosas daqui seriam eternas garçonetes lá. Nenhum artista do Olimpo artístico brasileiro, a Globo, conseguiu se instalar de fato na selva mortalmente perigosa que é Hollywood: The Industry. Todos que tentam, quebram a cara. Não me venham dizer que Rodrigo Santoro é um ator hollywoodiano de prestígio. Não é. Sua situação, longe de espetacular, é o máximo que os atores e atrizes conseguem imaginar de sucesso interncaional, o que só mostra o horizonte da mediocridade nacional. A Globo é o limite dessa gente. Por quê? Porque são muito ruins. Só servem para fazer telenovelas, que é um lixo. É o que servem, conscientes da má qualidade do produto, para o povo, que os sustenta com sua audiência, e ao qual devotam o mais supremo desprezo (retrógrados, religiosos fanáticos etc). Eu conheci atores e atrizes que não se envergonhavam de dizer que não viam o trabalho que haviam feito quando este era exibido na televisão. Não viam as novelas que faziam, nem para ver o resultado. A ambição do artista brasileiro não é fazer arte e sim ser famoso e fazer parte de uma turma, da panela do Projac. Uma amiga atriz me contou, que ao fazer um seriado televisivo global, começou a ser tratada por outros atores/atrizes globais, que desconhecia totalmente, como uma antiga amiga. Ela se sentiu mal, achou asquerosamente falso. Não sei como anda agora. Vai ver que se acostumou. Essa panela é nefasta, para eles mesmos e para o país. Todo mundo finge, principalmente eles próprios, que não se trata de um bando de medíocres. E são, todos. As exceções confirmariam a regra, se existissem. Não existem.

A vaca sagrada do teatro brasileiro, Fernanda Montenegro, Dona Arlete, quando indicada para a categoria de melhor atriz, por sua atuação em Central do Brasil (Hollywood, cínico, se dá ao luxo de fazer essas concessões paternalistas aos países do terceiro mundo, que logo se abraça à glória efêmera, como se não odiasse até ontem mesmo o imperialismo americano, salivante de raiva e impotência), pois então, dona Arlete protagonizou um clássico da vergonha alheia ao se lançar à aventura de falar em inglês em uma entrevista no então mais famoso talkshow da TV americana, capitaneado por David Letterman (modelo de Jô Soares). A coisa foi de um constrangimento atroz: “The rivers and mountains are on the table”. A torcida alienista nacional urrou quando ela conseguiu dizer: “I’m the old girl from Ipanema!”. Vejam só, que linha shakespeariana. A muié não fala lé-com-cré em inglês. Parecia uma débil mental (que ela obviamente não é).



Mas a chuva ufanista nacional inundou qualquer possibilidade de visão da realidade do que tinha de fato acontecido: foi constrangedor. Esta é a verdade: os atores e atrizes nacionais são constrangedores. Cadê os grandes papéis da Dona Arlete no cinema internacional, depois de ter ficado sob os holofotes dos abutres midiáticos mundiais, pelos 15 minutos de fama de praxe concedidos aos melhores artistas de todos os tempos de países do terceiro mundo? Não adianta procurar. Zero. Nada.

Quando fazem sucesso, como o Wagner Moura, começam a se achar demiurgos iluminados e pessoas esclarecidas do bem, e só constrangem ainda mais pela burrice decorrente do estado de torpor mental ideológico (o cara ultrapassa todos os limites da estultice com aquela pose de sabichão imbecil). Nisso, convenhamos, não ficam atrás de Matt Damon, Di Caprio, Meryl Streep e outras sumidades do pensamento humano ocidental.

A classe artística brasileira é uma das certezas nacionais. É garantido: sempre erram o alvo na mosca. (Gracias a Millôr, pela boutade, este sim um artista universal que só não foi mundialmente reconhecido porque escreve em uma linguagem quase secreta chamada português).


Fonte: Midiasemmascara.org
(*)Beto Moraes, 57, é roteirista e tradutor.