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terça-feira, novembro 17, 2015

Na Europa, a esquerda descobriu que o “almoço grátis” será pago por ela.





Na Europa, a esquerda descobriu que o “almoço grátis” será pago por ela.
por Gary North(*)




Ao mesmo tempo, isso é apenas o início da crise, pois as condições que estão estimulando as pessoas a fugirem de seus respectivos países só irão piorar. E a União Européia, com países que possuem os maiores e mais bem equipados sistemas assistencialistas do mundo, parece estar estupefata e impotente perante tudo isso — politicamente, moralmente e administrativamente.


Essa paralisia cria um significativo risco para a União Européia. Ninguém acredita seriamente que os países-membros — particularmente Itália e Grécia, os dois países mais afetados — possam superar, por conta própria, os desafios de longo prazo gerados pela imigração em larga escala. 


Por outro lado, vários países-membros rejeitam um esforço comum europeu, postura essa que ameaça acelerar a erosão da solidariedade dentro da União Européia e reforça a atual tendência rumo à desintegração — Joschka Fischer.



Joschka Fischer foi Ministro das Relações Exteriores e vice-chanceler da Alemanha de 1998 a 2005, no governo do social-democrata Gerhard Schröder. Posteriormente, ele fundou o Partido Verde alemão. Ou seja, ele costumava estar dentro do sistema; hoje, ele está nas franjas.

No trecho acima, ele está descrevendo o colapso da União Europeia. Ele está também descrevendo o colapso dos estados assistencialistas europeus do pós-guerra. 

Ambos os arranjos estão condenados. Ao longo dos próximos anos, a Europa será atingida por milhões de imigrantes oriundos de países arrasados do Oriente Médio. Estes imigrantes irão — como já fazem na França — tirar proveito de todo o sistema assistencialista em voga na Europa, da educação gratuita à saúde gratuita. Eles tenderão a ser mão-de-obra de baixa produtividade e incapazes de falar os idiomas locais. Terão baixa educação formal e viverão segregados em seus guetos, com suas antenas parabólicas apontadas para as redes do Oriente Médio. Já é assim na França há décadas. Será assim em toda a Europa. 

O tsunami de imigração em massa ainda não atingiu a Europa. Atingirá na próxima primavera européia (a partir de abril de 2016). Milhões já chegaram até a Europa. Outros milhões farão essa mudança enquanto ainda for fácil. As cercas de arame farpado foram colocadas apenas pela Hungria e pela Croácia. Mas a tendência é que, na próxima primavera européia, elas se intensifiquem.

O governo da Polônia já anunciou que não aceitará mais imigrantes. O governo da República Tcheca está indo pelo mesmo caminho.

Os cidadãos europeus sempre pensaram que seriam os únicos beneficiados das generosas políticas assistencialistas de seus respectivos países, as quais são sustentadas pela tributação dos ricos. Agora, repentinamente, eles descobriram que eles se tornaram "os ricos", e terão de sustentar as massas de imigrantes. A consequência disso é que seus estados assistencialistas irão falir sob o peso de imigrantes oriundos de estados falidos.

Tudo parecia tão fácil após a Segunda Guerra Mundial... Apenas vote nas políticas social-democratas e você usufruirá segurança econômica por toda a sua vida, devidamente financiada pelos impostos sobre os mais ricos. E então, surpresa! O jogo virou, os beneficiados repentinamente se tornaram "os ricos", e serão devidamente tributados para sustentar os milhões que estão chegando para reivindicar esse "direito ao assistencialismo".

Esses imigrantes, que não pagam impostos, têm várias bocas para alimentar, vários corpos para abrigar, e jovens mentes para educar. Eles não conseguirão certificados e licenças profissionais nas esclerosadas burocracias européias. Eles não conseguirão fazer parte dos sindicatos em uma Europa que já é dominada por guildas mercantilistas.

Porém, sendo progressistas, a maioria dos europeus não exigirá que estes imigrantes se alimentem por conta própria, se eduquem por conta própria, e paguem sozinhos por suas moradias. Isso seria uma intolerável e inaceitável demonstração de thatcherismo. Consequentemente, seus governos irão incorrer em maciços déficits orçamentários para arcara com tudo isso, tudo devidamente financiado pelo Banco Central Europeu.

A Europa não é apenas consumida por sindicatos; ela também é consumida pela culpa. Seus cidadãos sempre acreditaram na promessa de votar para receber políticas assistencialistas. Dentro de 25 anos, eles não mais serão a maioria desses votos. Os filhos dos imigrantes serão os votos decisivos. Pode até ocorrer em menos de 25 anos.

Os estados assistencialistas europeus já estavam rumo ao colapso em decorrência de passivos futuros (gerados pelo estado de bem-estar social) para os quais não havia uma equivalente quantidade de receitas programas (algo que, contabilmente, é chamado de "passivo a descoberto"). Com as imigrações em massa, esse processo será acelerado.

O que um esquerdista irá fazer contra tudo isso? Coerentemente, nada. A esquerda sempre proclamou acreditar no "socialismo democrático", também chamado de democracia econômica. Agora eles receberão aquilo que sempre proclamaram defender, e em grandes doses. Eles apenas nunca imaginaram que seriam eles que arcariam com a fatura; sempre imaginaram que eles seriam os beneficiários da fatura. A esquerda sempre se viu como sendo o lado ativo do assalto perpetrado pelas urnas; repentinamente, descobriu que estaria do lado passivo do furto.

As lamúrias estão apenas começando. "Isso simplesmente não é justo!". É verdade, não é justo. Mas é o sistema que vocês próprios criaram.

Fischer termina sua coluna dizendo que:






No longo prazo, os estrategistas políticos terão de explicar aos seus eleitores que é impossível usufruir, simultaneamente, prosperidade econômica, um alto nível de seguridade social, e uma população em que pensionistas geram um crescente fardo sobre os economicamente ativos. Para que tal sistema seja mantido, a força de trabalho européia terá de crescer continuamente, e esse é justamente um motivo pelo qual os europeus deveriam parar de tratar os imigrantes como uma ameaça e começar a vê-los como uma oportunidade.



Em uma economia de livre mercado, na qual cada pessoa, por meio do seu trabalho, provê a si própria, esse raciocínio é perfeitamente verdadeiro. Já em um estado assistencialista esclerosado, burocrático e dominado por sindicatos, são as multidões que abocanham a maior fatia do espólio.

Isso seria uma vitória do "eu avisei" dos teóricos anti-assistencialismo em uma escala jamais vista no Ocidente, embora já vivenciadas pela URSS e pela China comunista.

Ludwig von Mises passou 60 anos de sua vida alertando para isso. A esquerda não quis escutar.

As ruas das cidades européias estão se tornando abarrotadas de imigrantes desempregados. Eles adquiriram o direito de ter três refeições gratuitas por dia (e, alguns casos, chegam a receber dinheiro vivo tão logo chegam ao país). Quem irá dizer a eles que "chega"? Quando? Utilizando qual argumento?

Esse é o início do fim daquilo que passou a ser chamado de "política da culpa e da comiseração". Ao contrário do que previu Karl Marx, a "revolução vermelha" jamais varrerá a Europa. O que varrerá a Europa serão as "contas no vermelho".

Será fascinante assistir a tudo isso . . . a uma distância segura.



(*) Gary North , ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website.

Fonte: Mises

sábado, outubro 24, 2015

A maneira como ajudamos as pessoas não ajuda as pessoas.








por Dominic Frisby(*)



A maior forma de caridade, argumentou o filósofo judeu Maimônides, ainda no século XII, ocorre quando a ajuda dada permite ao ajudado se tornar auto-suficiente.

No entanto, os sistemas de caridade estatal vigentes ao redor do mundo — eufemisticamente chamados de 'sistemas de bem-estar social' — geraram o efeito oposto: eles na realidade criaram dependência. Logo, é urgente repensar a maneira como estamos atualmente delegando ao estado a tarefa de ajudar as pessoas.

Irei aqui sugerir algo que muitos poderão considerar perturbador e desconcertante: o bem-estar social e todas as variedades de assistencialismo seriam mais eficazes, mais variados, mais difundidos e mais baratos se não houvesse nenhum envolvimento estatal.

As pessoas instintivamente pensam que, sem um programa assistencialista gerido pelo estado, os pobres e os necessitados não seriam cuidados e, consequentemente, seriam deixados à míngua. Com esta inaceitável perspectiva em mente, as pessoas consequentemente se tornam fervorosas em sua defesa de algum programa assistencialista estatal, ainda que possam porventura apresentar reservas à maneira como tal programa esteja sendo gerido pelo estado. 

Antes de nos aprofundarmos, gostaria de fazer a seguinte sugestão: sugerir que o assistencialismo estatal não está funcionando e que ele deveria ser abolido não é a mesma coisa que sugerir que os pobres e necessitados não devem receber cuidados. Com efeito, é justamente o oposto.

A assistência é algo complicado — e não é apenas o assistido o que importa

O fornecimento de serviços assistenciais é um processo delicado, complicado e imprevisível. Em algumas ocasiões, simplesmente dar dinheiro pode realmente levar o assistido ao caminho da auto-suficiência; em outras, não. Dar dinheiro pode gerar uma redução temporária de seu sofrimento, mas frequentemente gera uma maior dependência e uma menor auto-suficiência. 

Em determinadas ocasiões, uma abordagem estritamente local é tudo de que se necessita; em outras, uma abordagem mais prática passa a ser essencial; já em outras, é necessária uma abordagem puramente psicológica ou emocional; e há também ocasiões em que se deve buscar algo que seja mais específico às circunstancias particulares de cada indivíduo. Por fim, há também ocasiões em que todo o necessário é apenas dar o proverbial "tapinha nas costas". Diferentes circunstâncias requerem diferentes abordagens e diferentes formas de assistência.

A dignidade do assistido também tem de ser considerada. Ser alvo da caridade alheia pode ser algo degradante e humilhante. Em algumas ocasiões, o anonimato pode ser necessário; em outras ocasiões, não.

Tendo tudo isso em mente, a seguinte pergunta se torna inevitável: como pode alguém realmente pensar que é viável criar um programa de assistencialismo estatal que seja feito de cima para baixo, e imaginar que tal programa irá satisfazer todas essas necessidades distintas e variáveis, de maneira consistente?

E a coisa se complica ainda mais. Até agora, falamos apenas do assistido. Temos de falar também do doador, do "filantropo". Ele também tem de ser considerado.

Compaixão, assistência e caridade são atitudes humanas essenciais. Elas fazem parte da natureza humana. Assim como as pessoas precisam receber, elas também devem dar. Assim como as pessoas precisam ser ajudadas, elas também devem ajudar. Basta apenas ver o olhar de satisfação das crianças quando elas recebem algo para comprovar a evidência desta afirmativa. Mesmo aquele que talvez tenha sido o mais brutal e sanguinário traficante da história, Pablo Escobar, era conhecido por ser um prolífico filantropo. Ele construiu vários abrigos, igrejas e escolas em sua cidade natal, Medellín, e o fez em uma escala insuperável até mesmo para o governo colombiano.

No processo caritativo, o filantropo também tem suas necessidades. Em algumas ocasiões, ele quer anonimato; em outras, ele quer reconhecimento. Há ocasiões em que ele quer estar envolvido de alguma maneira com o assistido; e há ocasiões em que ele prefere não ter envolvimento nenhum.

No entanto, quando a caridade se torna um programa estatal compulsório, as necessidades do filantropo nem sequer são consideradas. Sua renda é confiscada via impostos e fim de papo. O filantropo não tem nenhuma voz ativa; ele simplesmente não pode especificar a maneira como o dinheiro que ele ganhou e que lhe foi tomado deve ser gasto. Para piorar, o filantropo é, na maioria das vezes, moralmente contra os programas que seus impostos financiam.

A tributação é um ato de doação forçada que destrói a satisfação altruísta que as pessoas normalmente sentem quando fazem doações voluntárias. Ajudar os outros e compartilhar com eles um pouco do que temos é parte de nossa humanidade. No entanto, em um mundo em que o governo se arvorou a responsabilidade de cuidar dos pobres e necessitados, essa compaixão foi removida. Como resultado, o estado hoje detém um quase-monopólio da compaixão.

Com efeito, a coisa é ainda mais bizarramente específica: a esquerda defensora de um estado assistencialista inchado e generoso detém hoje o monopólio da compaixão. Qualquer um que não concorde com o conceito de um estado assistencialista inchado e generoso é imediatamente tido como insensível e egoísta.

Como o estado destrói a propensão filantropa das pessoas

Quando você é obrigado a pagar impostos para o governo para que ele forneça serviços assistencialistas (ou mesmo educação e saúde) para os necessitados, a sua capacidade de pagar por estes mesmos serviços para você e para sua família é reduzida, pois agora você tem menos dinheiro. Após uma parte da sua renda ser confiscada via impostos, torna-se mais difícil para você bancar a escola de seus filhos, seu plano de saúde e seu aluguel. E se torna ainda mais difícil você ser caridoso para com terceiros, o que significa que tal tarefa será delegada com ainda mais intensidade ao estado. Pior ainda: o próprio fato de você agora ter menos dinheiro significa que você provavelmente também dependerá do estado para determinados serviços. Isso faz com que a rede de dependência cresça cada vez mais.

No que mais, se o estado está fornecendo auxílio para os necessitados com o seu dinheiro, então você inevitavelmente se sentirá absolvido da responsabilidade moral de ajudar os outros necessitados.

Simultaneamente, o assistencialismo estatal, além de ser inflexível, é caro. As burocracias que administram os programas de redistribuição de renda sempre são ineficientes e dispendiosas. Mais ainda: elas são propensas à corrupção e ao rentismo (pessoas que manipulam o sistema para ganhos políticos e para proveito próprio).

Se você analisar o que ocorreu ao longo das últimas décadas com itens como tecnologia, alimentação e vestuário — necessidades humanas essenciais que, em grande parte, não são fornecidas pelo estado —, verá que houve uma queda dramática nos preços (mensurados em termos de horas de trabalho necessárias para se adquirir a mesma quantidade de cada item) e uma sensível melhora na qualidade dos produtos. A concorrência reduziu os custos. No entanto, no campo assistencialista, não houve tal melhoria. Por que não? Porque, graças ao quase-monopólio estatal, não há concorrência nesta área.

A ideia de haver concorrência para serviços caritativos é ofensiva para muitas pessoas. Mas é necessário haver concorrência se a intenção for melhorar a qualidade e reduzir os custos.

O maior gasto em nossas vidas não é, como muitos acreditam, nossa casa ou a educação de nossos filhos. Nosso maior gasto é com o governo. E tal gasto não deve ser mensurado apenas em termos de carga tributária, mas também em termos de regulamentação, de burocracia, de infraestrutura decadente e de serviços pelos quais temos de pagar em dobro, pois os que o estado fornece com nossos impostos são lastimáveis (como saúde, educação e segurança). Sendo assim, imagine um mundo com um estado mínimo. Repentinamente, este gasto desnecessário seria removido. Sem o custo do estado, teríamos agora mais capital para investir e gastar. As pessoas genuinamente estariam no poder. Nossa capacidade de ajudar os necessitados seria aumentada.

Em um mundo sem estado, ou com um estado genuinamente mínimo, nossa responsabilidade moral em ajudar os outros seria repentinamente restaurada. Mais ainda, seria aumentada. Simultaneamente, e graças à concorrência, a ajuda que queremos e podemos oferecer seria mais barata, mais variada e de melhor qualidade. Organizações estariam competindo entre si para oferecer mais ajuda a um preço menor. E mesmo organizações que visam estritamente ao lucro estariam propensas a fazer isso porque, no mínimo, seria bom para a imagem delas.

Qual seria o resultado? Auxílios caritativos a custos mais baixos, auxílios caritativos mais eficazes, auxílios caritativos mais variados, mais difundidos e mais flexíveis, que poderiam satisfazer necessidades específicas. Em suma, uma rede caritativa de maior qualidade e que estimulasse algum retorno dos auxiliados em termos de qualificações profissionais.


Você diz que, sem o estado assistencialista, os pobres e necessitados seriam deixados à míngua? Pois eu digo que eles serão tratados em um padrão muito mais elevado do que aquele que vigente hoje.

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(*)Dominic Frisby é jornalista e autor do livro Life After the State

sexta-feira, maio 04, 2007

QUEBRA DE PATENTES



QUEBRA DE PATENTES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina na sexta-feira o ato de licenciamento compulsório (quebra de patente) do medicamento anti-Aids Efavirenz, informou o Palácio do Planalto.

...."A empresa tem repetidamente solicitado um encontro cara-a-cara (com o ministro da Saúde) no qual poderíamos avançar num acordo aceitável com o governo brasileiro que ajudasse a atingir seu objetivo de acesso universal ao tratamento do HIV/Aids", disse a porta-voz da Merck Sharp & Dohme.


Quebrar patentes á algo perigoso, pois, significa desestimular a pesquisa e o desenvolvimento, bem como, o investimento na busca e na colocação de novos fármacos no mercado brasileiro, o que poderá causar prejuízos os mais graves, não para aqueles que tomam tais atitudes e sim, para os que necessitam dos produtos para, não raro, manter as suas próprias vidas. O argumento usado para medida tão radical refere-se ao alto custo do medicamento e consequentemente para a saúde/Brasil. Não deixam de ter uma certa razão. Contudo, por outro lado, porque então não começar pela redução da absurda carga tributária que recai sobre os medicamentos, para a efetiva aplicação da CPMF no sistema de saúde e não em outros cantos, sabe-se onde, no combate à corrupção e aos desvios já denunciados que envolvem este sistema, ou, ainda pedir de joelhos ao presidente Lula que não mais contigencie valores destinados ao Ministério de Saúde e muito menos que retire verbas para dirigi-las aos programas populistas e assistencialistas, tais como o bolsa família (esmola) que, de positivo para o governo somente traz os votos de cabresto não desejados.

Dr. David Neto
Médico e Jornalista - Ex- Secretário de Saúde e Medicina Preventiva