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terça-feira, novembro 21, 2017

A infiltração comunista em Hollywood



Por Johnathan Gray(*).

Imagem Ilustrativa da Matéria de Felipe de Moura Brasil Celebridades Hipócritas de Hollywood


Nos últimos anos, escritores, atores e produtores pró-comunismo na “lista negra de Hollywood” nas décadas de 1940 e 1950 tiveram uma exposição positiva nos meios de comunicação. A lista negra em si é muitas vezes vista como um exemplo de censura governamental, decorrente das pesadas táticas do agora extinto “Comitê de Atividades Antiamericanas”, cujo objetivo era proibir e reprimir os movimentos comunistas nos Estados Unidos.

Mas a situação é mais complicada do que a atual perspectiva que se tem sobre o assunto. A história mostra que muitos na lista negra foram colocados lá por uma boa razão, já que muitos admitiram trabalhar como agentes soviéticos e moldaram narrativas pró-comunistas através de seus filmes.

Uma análise mais aprofundada revela que se tratava de um círculo de indivíduos, alguns com diretrizes diretas da Rússia, que apoiavam a derrubada violenta do governo dos Estados Unidos. A criação da lista negra de Hollywood foi uma resposta a este círculo que transformou a indústria do entretenimento americana em uma ferramenta de propaganda de um regime assassino e totalitário, enquanto atacava os valores e o modo de vida do povo americano.

Antes da Segunda Guerra Mundial, muitos membros do Partido Comunista da Alemanha, o segundo maior grupo comunista fora da Rússia, deixaram a Alemanha rumo a outras partes do mundo.

Muitas dessas pessoas foram rejeitadas e rotuladas como indesejáveis por outras nações desenvolvidas, como o Reino Unido, e, por isso, emigraram para os Estados Unidos. Ao chegar, muitos escritores e produtores de filmes se uniram a grupos do Partido Comunista Americano.

Esta onda de imigração serviu de apoio à infiltração soviética nas artes e na cultura, e à penetração nas instituições políticas em meados da década de 1930. Com este sistema, os comunistas planejavam fazer o que os ditadores brutais Vladimir Lenin e Josef Stalin conseguiram na Rússia soviética: transformar a indústria do entretenimento em uma ferramenta para disseminar a ideologia e a propaganda comunistas.

Subversão cultural
Segundo Michael Kazin, professor de história na Universidade de Georgetown, este grande sistema de cooptação começou em Hollywood na década de 1930 com esquerdistas influentes no setor cinematográfico, como Yip Harburg, compositor de “O Mágico de Oz” e da música “E Rússia é seu nome”, usada no filme “A música da Rússia”. Harburg foi um dos principais artistas pró-soviéticos da indústria cinematográfica de Hollywood.

Harburg e outros pró-soviéticos exerceram uma influência psicológica no público amante do cinema. Eles moldavam as narrativas que o público americano, e o mundo em geral, absorviam do cinema.

Muitos desses escritores, produtores e diretores de Hollywood, alguns dos quais eram membros fanáticos do Partido Comunista, fizeram filmes contendo ideias e ideologia pró-comunistas e pró-socialistas. De alguma forma, uma grande parte dos filmes dessa época foram projetos artísticos que funcionavam como veículos para as sutis técnicas de doutrinação comunista. Veículos que tentavam substituir os princípios americanos de liberdade e direitos individuais pela ideologia do ateísmo e da luta de classes.

Entre eles estava John Garfield, um ator de renome cuja conexão com 17 organizações comunistas foi revelada em uma edição de junho de 1950 dos Red Channels (publicação dedicada a expor o comunismo na indústria do entretenimento).

O entusiasmo no uso de filmes para espalhar propaganda vinha do topo do regime soviético. Kenneth L. Billingsley escreveu em seu livro “Os filmes perdidos de Hollywood”, que Stalin era um verdadeiro cinéfilo, tremendamente entusiasmado com a promessa do cinema de exaltar ideais comunistas.

O uso do cinema como ferramenta de propaganda remonta aos primeiros anos do movimento comunista.

O ditador bolchevique Lenin foi o primeiro líder comunista a reconhecer a importância de materializar a manipulação do pensamento, em escala mundial, através dos filmes.

Dizem que, em 1919, quando tanto o cinema como o Comitern (a Internacional Comunista) estavam em seus primeiros estágios, Lenin confiou a seu secretário de educação, Anatoly Lunacharsky: “você sempre deve considerar que, de todas as artes, o cinema é para nós a mais importante”.

“Use-o contra eles”
Billingsley observa que o plano do Partido Comunista dos Estados Unidos (CPUSA da sigla em inglês) ficou claro para pessoas como o agente e ativista comunista Willi Münzenberg, ex-membro do Partido Comunista da Alemanha. Após exilar-se nos Estados Unidos, ele entrou rapidamente para o establishment de Hollywood como propagandista e ativista pró-comunista e pró-soviético.

Münzenberg escreveu sobre a indústria cinematográfica em um artigo de 1925 para o jornal do CPUSA, o Daily Worker (Diário do Trabalhador), que “uma das tarefas mais prementes que enfrenta o partido comunista no campo da propaganda é a conquista de uma unidade, até agora monopólio da classe dominante”.

E acrescentou: “Devemos lutar para tomá-la e usá-la contra eles”.

Münzenberg acreditava que os anos 30 eram o momento perfeito para que os comunistas americanos e seus supervisores atacassem. A Grande Depressão estava em pleno andamento. Aproveitando o fato de que muitos procuravam distrações e entretenimento, Münzenberg viu a chance de doutrinar contra o capitalismo as pessoas que iam ao cinema.

Billingsley escreveu em seu livro de 1998, “Partido de Hollywood: Como o Partido Comunista seduziu a indústria cinematográfica americana nas décadas de 1930 e 1940”, que em 1935, V. J. Jerome, secretário da cultura do CPUSA, havia estabelecido uma filial oficial do partido em Hollywood. Esta filial era uma unidade secreta, fora da vista do público.

Com esta unidade secreta, o CPUSA podia recrutar clandestinamente novos membros para o partido, infiltrar-se nas associações e sindicatos do cinema e arrecadar fundos para causas pró-soviéticas.

Entre esses subversivos do partido comunista em Hollywood, havia pessoas como o renomado escritor Walter Bernstein, que confessou em sua autobiografia de 1996 que “nós tínhamos uma aritmética sagaz; encontrávamos frentes e fazíamos com que dois se tornasse um”. Em outras palavras, através de frentes populares, os não-comunistas avançavam com os planos comunistas, e isso foi feito de maneira “astuta”, sem que os companheiros soubessem que estavam sendo usados.

Naturalmente, as autoridades começaram a desconfiar cada vez mais dessas atividades comunistas. O Congresso respondeu formando o Comitê de Atividades Antiamericanas em 1938.

O repórter do jornal Human Events, Allan H. Ryskind, declarou que o Comitê “descobriu mais de 200 membros do partido em Hollywood”, embora Ryskind diga que seu pai, um roteirista de Hollywood na época, acredite que o número real estava mais próximo de 300.

Ryskind disse que, apesar das investigações do comitê, em meados dos anos 40 os comunistas nos Estados Unidos haviam se infiltrado completamente em Hollywood, de cima a baixo, embora a maioria deles estivesse bem escondida, alinhada com a doutrina do partido comunista de ocultar seus objetivos, e nunca reconheceriam publicamente sua filiação ao partido.

Apoio a governos genocidas
Em seu livro “Traidores de Hollywood: Lista negra dos roteiristas – Agentes de Stalin, aliados de Hitler”, Ryskind escreve: “Nada do que o partido comunista fez na América foi feito sem a direção do Kremlin. Nada”.

Aqueles na lista negra de Hollywood não eram antifascistas, mas mudaram suas lealdades junto com as mudanças nas políticas soviéticas. Incluídas entre suas atividades, Ryskind observa o curioso flerte que muitos membros do partido comunista tinham com o Partido Socialista (nazista) dos Trabalhadores, de Adolf Hitler.

“Quando Hitler inicialmente ameaçou a Rússia, os membros do partido em Hollywood, sob as ordens de Moscou através da sede do partido em Nova York, se mostravam apaixonados anti-nazistas”, escreve Ryskind. “Quando Hitler apontou as armas contra o Ocidente, apoiado por seu pacto com Stalin em 1939, eles dedicaram suas vidas a dificultar a sobrevivência das nações anti-nazistas”.

Somente depois que Hitler surpreendeu Stalin com a invasão nazista da União Soviética em 1941, os comunistas de Hollywood se voltaram novamente contra Hitler.

Ryskind escreveu: “Eles não eram honrados antifascistas ou patriotas americanos, como argumentam seus defensores, mas aparatos leais aos soviéticos, uma quinta coluna trabalhando para Stalin”.

Esta mesma glorificação de ditadores e assassinos em massa continua hoje em Hollywood. Ryskind observa que Hollywood inclusive idealizou figuras comunistas, como Che Guevara e Fidel Castro. Che executou pessoalmente 180 pessoas e ordenou a morte de milhares de cubanos, incluindo mulheres e crianças.

Arthur Eckstein, historiador americano e distinto professor de história que o establishment de Hollywood nunca perdeu a paixão pelo partido comunista, tanto no sentido político como cultural.

Ele relembra a realização de uma cerimônia em 27 de outubro de 1997 para comemorar o 50º aniversário das audiências originais do Comitê de Atividades Antiamericanas. A celebração foi patrocinada por várias associações e organizações produtoras de filmes, incluindo a Associação de Atores e o Sindicato dos Escritores da América.

Muitos participantes do evento glorificaram aqueles que o comitê havia identificado como os “Dez de Hollywood”, chamados por alguns como os “Dez hostis”. O evento retratou esses homens como “mártires” e “não conformistas” ante a tirania e o autoritarismo.

Eles inclusive fizeram com que grandes estrelas recriassem partes selecionadas das audiências do comitê que se ajustavam à narrativa revisionista do establishment de Hollywood. Houve uma brincadeira em que Billy Crystal atuou como Larry Parks, um ator que, em 1951, admitiu ser membro do partido comunista, o que arruinou sua carreira.

John Lithgow e Kevin Spacey, entre outros atores, contribuíram igualmente com suas atuações para o evento. A cerimônia culminou com a chegada de alguns membros dos Dez, que foram recebidos com aplausos efusivos.

O romance de Hollywood com o comunismo, uma ideologia que tem produzido fome, guerras e genocídios em todo o mundo e que custou a vida de mais de 100 milhões de pessoas, continua até hoje.

Lenin parece ser o próximo a ganhar uma renovação em sua imagem por parte de Hollywood. O ator Leonardo DiCaprio está em negociações com a indústria cinematográfica russa pelo papel do ditador que o romancista e historiador russo Aleksandr Solzhenitsyn estima ter matado entre 60 e 66 milhões de pessoas.

Em uma crítica dos “Traidores de Hollywood” de Ryskind, Allan C. Brownfield escreveu:

“Longe do que se pensa sobre o papel do Congresso, é difícil entender como escritores comunistas que trabalharam tanto para outra nação e contra os interesses de seu próprio país, se tornaram heróis para muitos liberais. Como podem respeitar homens e mulheres que disseram que Hitler era maligno em um dia e que o aceitaram no dia seguinte, não por convicção genuína, mas por seu hábito de seguir a liderança de Stalin, assim como fizeram com todas as outras coisas? ”



(*)Johnathan Gray é escritor, produtor de filmes e veterano do exército. O presente artigo foi escrito sob um pseudônimo, uma vez que expressar opiniões anticomunistas pode prejudicar sua carreira em Hollywood.


Fonte: midiasemmascara.org

quinta-feira, janeiro 12, 2017

Você está com dó de Meryl Streep? Nem eu.








por Flavio Morgenstern(*)



A atriz das atrizes de Hollywood, Meryl Streep, usou um subterfúgio bem fictício para atacar Donald Trump: se fazer de coitada. Alguém cai?

O infame discurso de Meryl Streep na entrega do Globo de Ouro, em que a atriz se aproveita de sua condição privilegiada para atacar o presidente eleito americano, Donald Trump, já rendeu toda a sorte de análises pela internet.

Um ponto, entretanto, permanece o mais das vezes intocado: o fato de Meryl Streep ter se colocado na posição de coitadinha. Segundo a talentosa atriz, “Vocês e todos nós nessa sala, realmente, pertencemos ao segmento mais difamado da sociedade americana agora”. Streep se referia a Hollywood, à imprensa e aos imigrantes, que compõem os dois grupos.

Pouco precisa ser dito sobre a confusão brutal entre “imigrantes” (a América foi feita por eles) e “imigrantes ilegais“, que Meryl Streep trata como se fossem uma única categoria, o que gera algumas pequenas confusões sinápticas. Ou sobre sua lambeção quase pornográfica da velha mídia clintonista, que espalha difamações de hora em hora sobre Donald Trump e os Republicanos, tratados como nazistas (spoiler: foram eles que venceram os nazistas, acabaram com a escravidão etc), enquanto esconde as tramoias de Democratas como Barack Obama e Hillary Clinton (dos rituais satânicos de seus amigos ao escândalo de Benghazi, nada chega aos ouvidos moucos fora da América republicana).

O mais chocante é ver Meryl Streep, em uma das festas mais caras do globo (!), dizendo que faz parte do “segmento mais difamado da sociedade”. Chamar de “esquerda caviar” não é sequer suficiente: qual a “coragem” tão aplaudida da atriz em ir a uma festa de atores de Hollywood, os atores mais bem pagos do planeta, e repapagaiar a única visão política-ideológica-epistemológica-metafísica-moral-cosmológica permitida na bolha de atores endinheirados?

Será que alguém, mesmo que concorde com a visão da atriz sobre Donald Trump (o que é o mesmo que concordar com a visão de todo mundo que se informa pela Rede Globo ou pela CNN sobre Trump), acha mesmo que Meryl sabe mesmo o que é ser difamada? O que é estar numa posição socialmente desfavorável? Lembra a descrição de uma vítima do personagem Rorschach, de Watchmen: “Gordo. Rico. Acha que sabe o que é sofrer.” Pior: Meryl Streep nem se digna a ser gorda para nos insuflar alguma dózinha perdida entre nossas parcelas atrasadas do FGTS.

Como assim, a atriz bem paga das atrizes bem pagas, a atriz das atrizes, a celebridade non plus ultra, diz que é uma pessoa estigmatizada por… bem, por ser a atriz das atrizes, la crème de la crème das pessoas que não precisam de mais nada na vida, e se ainda “trabalham” é só porque seu trabalho é morbidamente idêntico ao que os comuns mortais denominam entretenimento?

Sério, podemos nos esforçar para sentir uma dó profunda de Meryl Streep, nos comovermos com sua voz embargada na cerimônia do Golden Globe (e como não sentir dó de alguém após sua 30.ª indicação para o Globo de Ouro, 8.ª vitória e ainda um prêmio de conjunto da obra?), cogitando se quando uma atriz talentosa nos arrebata com suas lágrimas, se ela está sendo sincera ou atuando, mas… dá para andar na rua e ver alguém que, se perguntado, não cogitaria largar toda a sua vida para trocar pela chuva de difamações de nossa heroína. A técnica de Streep para uma voz descompassada, de respiração ofegante (falar expirando, inspirar de boca aberta), é bem conhecida de qualquer aspirante a ator em sua quarta aula do método Stanislavski. Difícil crer que logo Meryl não manjaria do assunto.

Sério mesmo. Pode perguntar pra qualquer um, “quer sua vida sem difamações ou a vida de Meryl Streep?”, e provavelmente o Datafolha dá 102% de respostas para “Meryl Streep, Meryl Streep, Meryl Streep”. Aliás, você já viu o tamanho da página de prêmios da protagonista das protagonistas na Wikipedia?

Claro, podemos sentir uma desconfortável contrição ao descobrir, por exemplo, que, em 2014, o Ranking das Celebridades da Forbes mostrou que ela caiu da posição de 73.ª atriz mais rica para apenas 92.ª. Certamente haverá algum textão de Hillary Clinton a respeito, divulgado como “lacrada” pelo Estadão e repetido entre outras lágrimas enternecidas pela Globo News sobre a necessidade de revisão dos contratos de mulheres em posição desvantajosa. É excelente para criticar Donald Trump pela única coisa que ele pode ser criticado: dizer que é “machista” por não aceitar políticas feministas.

O caldo entorna quando, lembrando João Ubaldo Ribeiro, pesquisamos o cachê de um único filme de nossa querida atriz. Para quem está acostumado a ler Forbes, e até corrigir a Forbes, sem notar o curioso que é ler a revista no metrô lotado, de repente nos damos conta de que estamos acostumados a lidar com tais cifras ao falar do PIB de países da Ásia, não do salário mensal de uma atriz.

Quando descobrimos que Streep embolsou US$ 8 milhões só pelo filme Simplesmente complicado, nós, que parcelamos viagem em 24 vezes e andamos de avião pela primeira vez depois de sair da faculdade, mal conseguimos acreditar que tal grana exista. Se Meryl quiser, podemos sofrer todas as ofensas e difamações e sofrências que ela heroicamente agüenta todo dia só pelos US$ 35 mil do seu primeiro filme, O Franco-Atirador. A bem da verdade, por 5% do atual cachê, aceito até tomar umas porradas. Só não vale xingar a mãe. Mas por 10%, talvez até ela entenderia. Mãe é mãe.

Se Meryl Streep consegue ir a uma festa no qual só entram triliardários, vestida num vestido que custa duas vezes meu rim direito, coberta de jóias que resolveriam uma semana de fome na África, e dizer, invertendo a respiração, que está numa sala com as pessoas mais “perseguidas” na sociedade americana hoje, sobretudo porque vários são imigrantes, que dirá eu, que sem querer não entendi o que o garçom disse em Nova York e aceitei uma água de US$ 10 dólares com o câmbio a R$ 3,60!

Este é um dos grandes problemas da esquerda mundial: tentar bancar a pobrezinha, explorada, injustiçada, oprimida e outros particípios de verbos pesados, quando na verdade é mais rica, poderosa, admirada e topo de cadeia alimentar do que quem está criticando. Quando falam em “inversão de valores”, poderíamos até colocar valores financeiros na jogada: os ricaços de Hollywood sentando a ripa nos pobres rednecks americanos que têm de plantar a própria comida e sem os quais Los Angeles, Miami e Nova York morreriam de fome. Basta se dizer eleitor de Hillary Clinton e crente cego no New York Times e voilà, está criado um “oprimido” pelo terrível autoritarismo republicano!

Se Meryl Streep já havia dado um festival de very poor choice of words, os exemplos que usa para defender imigrantes são ainda mais incompatíveis com a vida real (e sempre ignorando a leve distinção entre imigrantes legais e ilegais). Por exemplo, afirmar que Natalie Portman nasceu em Jerusalém. O que será que Streep tem a dizer sobre a política externa de Donald Trump, que pretende mudar a embaixada americana de Tel Aviv para a Jerusalém da cidadania de Natalie Portman?

Para Meryl Streep, sem os imigrantes, não haveria nada para se assistir na América além de futebol e MMA, as mixed martial arts, que “não são arte de verdade”. Como não são?! Seguir o Bushido exige mais auto-disciplina, superação de limites, respeito ao próximo e mentalidade aberta do que aulas no Actor’s Studio. Aliás, que preconceito é esse com imigrantes? Não existe arte marcial americana (até o Brasil tem duas) – de repente, dá para fazer um discurso “anti-xenofobia” maldizendo o jiu-jitsu, o tae kwon do, o muay thai e até a capoeira?!

Artes marciais exigem também um timing constante. Timing que Meryl ignorou completamente, além do conteúdo: como pode afirmar logo isso, sendo ovacionada em desespero hollywoodiano e faniquitos meméticos mundiais, poucos dias após um eleitor de Donald Trump, cadeirante, ser espancado e torturado por 4 ativistas do Black Lives Matter, obrigado a dizer “Fuck Trump” e “Fuck white people”, no caso de maior tortura com desproporção de força (e exploração, e opressão, e desigualdade…), que, miraculosamente, foi exatamente o caso de violência menos comentado pela imprensa mundial – a imprensa que Meryl Streep termina seu discurso defendendo, por seus “princípios”, que nunca vão contra seu grande financiador, George Soros?

Tudo o que Meryl Streep quis foi a famosa LACRADA, a última modinha de 2016. É quando pessoas de esquerda, sem muito ânimo para se admitirem “esquerdistas” nos tempos que correm, soltam uma frase de efeito sem nenhum conteúdo factual, um flatus vocis, tão somente para pegar bem com quem já concorda com tal proposição. Nos anos de PT no Brasil ou de Obama na América, poderia até parecer uma, digamos, “verdade”: bastava ter ganhado as eleições para esperar vitórias absolutas ad eternum. Mas discursos lacradores cansam por serem ocos: logo as pessoas querem conteúdo, não só um rostinho bonito papagaiando platitudes.









A coisa já é ridícula quando os maioristas (“bolchevique” não significa exatamente isso?) confunde maioria com verdade, mas se torna ainda mais cacete quando a esquerda progressista, ainda mais em posição minoritária, ataca uma maioria de pobres, de coitados, de gente realmente explorada, oprimida e incapaz até mesmo de conceber sua vida luxuosa em nome destes mesmos pobres – que, assim que não compram mais um discurso vazio, passam a ser “brancos” e “sem instrução” e gente que “assiste futebol e MMA”.
Você defende o povo ou a elite, afinal?



Fonte - sensoincomum.org

(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen


quinta-feira, dezembro 08, 2016

O Filme “Capitão Fantástico” e a Fantástica Cara-de-pau de Hollywood




por Ricardo Bordin





“Ben é o pai de seis crianças pequenas, que decide fugir da civilização e criar os filhos nas florestas selvagens do Pacífico Norte. Ele passa os seus dias dando lições às crianças, ensinando-os a praticar esportes e a combater inimigos. Um dia, no entanto, Ben é forçado a deixar o local e retornar à vida na cidade. Começa o aprendizado do pai, que deve se acostumar à vida moderna.”



E quem acreditar em uma linha sequer desta sinopse ou caiu no conto do vigário, ou deve estar chorando a morte de Fidel neste momento. Difícil imaginar alternativa diante da peça publicitária vermelha. A cor do terno do herói do filme não me deixa mentir.

O real sumário desta película que mais parece uma fábula: um pai de seis filhos resolve tirá-los da civilização – a mais nova das meninas tem apenas oito anos de idade – e criá-los na floresta, submetendo-os constantemente à lavagem cerebral por meio de livros de cunho anticapitalista quase o dia inteiro. No tempo que sobra, ensina-os a caçar e sobreviver sem depender dos cruéis empresários do mundo que abandonou, até o dia em que a realidade bate a porta – como costuma dar-se com todos os “progressistas”, por sinal.

Fica até difícil decidir por onde começar a apontar os indícios de doutrinação ideológica da mais desavergonhada, mas vamos primeiro ao mais hilário dos aspectos observados: a trupe do papai Ben está isolada do materialismo e do consumismo ocidentais, pero no mucho: periodicamente, o rapaz desencantado com a incessante busca humana pelo “vil metal” vai até a cidade para… sacar dinheiro! Sim, é óbvio que ele não teria como produzir todos os bens de que necessita para sobreviver, e precisa, vez por outra, engajar-se em trocas voluntárias – com exceção dos episódios em que ele resolve ensinar seus filhos a “libertar a comida” do supermercado. Furtar, no caso, mas temperado com eufemismo e uma boa causa, tudo fica mais divertido; para que usar palavras duras, certo?

O porém dessa história é que ele e seus filhos não produzem valor algum em suas vidas medíocres – como um ou outro esquerdista por aí. A origem desta grana que banca a aventura fantasiosa da turma permanece nebulosa, mas o fato é que ele a possui (como resultado do trabalho de estágios anteriores de sua vida, decorridos em meio aos gananciosos urbanos; ou foi colhida em árvores), guardada em um banco, e com ela compra roupas, livros e põe gasolina no ônibus que dirige nestas incursões à selva monetária – o qual, a propósito, não é movido a óleo de canola nem é feito de material reciclável, vejam vocês.

Bastante diferente, aliás, de como procedeu Henry David Thoreau, quando resolveu viver por mais de dois anos em florestas americanas, provendo seu sustento com o trabalho de suas mãos e dentro das limitações impostas pelo ambiente. É que isso deve dar um trabalho danado, rapaz…

Não tive como não lembrar-me do patético evento que costuma ocorrer em Nevada/USA, mas iniciou em São Francisco/Califórnia (onde mais poderia ser?), denominado Burning Man. Trata-se de um festival onde “onde não se pode pagar por nada” durante dez dias festivos – virando o rosto, claro, para o fato de que, antes de por o pé na Black Rock City, é necessário desembolsar em torno de US$400. Brincar de comunidade utópica logo após pagar essa importância ajuda a entender os socialistas de Iphone, ao menos. A possibilidade de recarregar as baterias para suportar mais um ano de “racionalidade e limitações impostas pela hipocrisia da sociedade faz-de-conta do lado de fora” justifica rumar para o oeste americano, sem dúvida. Ô saudade dos longínquos 1960!

Mas porque, então, não esticar a folga e passar o ano inteiro livre do convívio com o “mundo careta e repressivo que sufoca a auto-expressão e embota a criatividade das pessoas mais espontâneas do planeta”, tal qual o uncle Ben faz? Seria porque os burners não tem dinheiro pra sacar ao seu bel prazer, e precisam trabalhar o resto do ano para pôr comida na mesa e comprar o ingresso do ano seguinte? É possível, creio.




Quando mencionei que livros são devorados no acampamento da família mais bicho-grilo do cinema atual, não tenha dúvida: todos seguem a linha editorial dos autores que sonham com o paraíso na terra. Não à toa, o filho mais velho se declara maoísta, apenas como exemplo bizarro. E menos por acaso ainda, esse adolescente, quando se depara com uma mulher atraente no decorrer da trama, paga um mico de padrões kingkonguianos, o que o leva a rezingar para o pai: “eu não sei nada da vida real”. Fique tranquilo, amigo: tens tudo para ser um grande intelectual no futuro. Solteiro, provavelmente.

As pobres crianças repetem slogans de tom marxista à exaustão, como o bordão Johnleniano “power to the people”, chamam refrigerante de “água envenenada” (ao melhor estilo Che Guevara), dentre outros mantras e gritos de guerra. Pior: o pai os ensinou a comemorar o dia do nascimento de Noam Chomsky, em vez do Natal – “para que celebrar uma lenda?”, justifica ele.

Honestamente, o roteiro é paupérrimo no quesito honestidade. Pura alucinação, onde a vida rupestre dos personagens é repleta de exercícios matinais, ócio criativo, refeições extraídas direto da natureza, e quase nada dá errado. E quando algo vai mal, a culpa é do mundo exterior, ou seria muito pior nele (ao melhor estilo Chávez e sua metralhadora apontada para os “imperialistas Yankees”). Ou, quem sabe, a comparação pretendida pela produção seja com povos indígenas comumente retratados como seres totalmente integrados às florestas – sem considerar que eles ateavam fogo em largas extensões de mata para caçar e plantar, e otras cositas más.

Toda essa incompreensão do mundo capitalista é simbolizada pela figura do sogro do “protagonista”, o qual, munido de toda sua insensibilidade, não compreende o que se passa na cabeça do pobre rapaz que quer apenas criar seus rebentos afastados da poluição mental provocada pela prosperidade do livre mercado, e ameaça, pois, até mesmo mandá-lo prender por criar seus netos como bichos – os quais precisam, inclusive, aprender a matar animais e costurar suas vestimentas, já que conceitos como divisão do trabalho e comércio passaram a quilômetros do mato onde vivem. Convenhamos, todavia, que caçar pombos e cães de rua para matar a fome são habilidades fundamentais em lugarejos agraciados com “el socialismo del siglo XXI”; confirma, camarada Maduro?

Não que o diretor não faça de tudo para convencer os espectadores de que, a partir de seu ponto de vista deturpado e delirante, the kids are alright, thanks. E, para isso, faz dos sobrinhos do Tarzan frustrado duas mulas estúpidas que só sabem jogar videogame, os quais, claro, quando confrontados intelectualmente com os filhos daquele, levam uma surra humilhante. Mas convenhamos que, aqui, a produção do filme tem um ponto: frequentar escolas (COM partido, e muito) e dominar competências e conhecimentos relevantes são conceitos cada vez mais apartados nos dias atuais. Difícil discordar neste caso.

E o preparo físico desses atletas mirins? Padrão Cuba de excelência no esporte – em todos os sentidos, inclusive nas tentativas desesperadas de fuga do regime ditatorial imposto de cima para baixo. Americanos obesos são chamados de hipopótamos, e um médico declara que os ratinhos de laboratório são “muito fortes para suas idades”, para orgulho de papai Ben. Acontecem um ou dois incidentes de percurso, sim, mas as “conquistas sociais” devem justificá-los, tal qual ocorre na ilha caribenha, imagino. Liberdade para comer o que quiser e até para ser um gordo sedentário são luxúrias hodiernas.

A sensação que fica após o último minuto de tortura cinematográfica certamente vai agradar aos frequentadores do festival de Sundance, enquanto esses comem tofu e choram abraçados a derrota de Hillary: Ben não é, nem de longe, uma má pessoa; trata-se apenas de uma idealista, que sonhou com um mundo igualitário e longe da opressão do capital. Nem tudo dá certo em seu louvável plano, mas a ganância de todos os demais humanos que acordam cedo para labutar é a grande responsável por seu fracasso. Pol Pot curtiu muito, lá do inferno comunista .



A “boa alma” do personagem principal, que não se digna sequer a respeitar rituais fúnebres e gosta de representar o “líder supremo” do partido em sua família, não pode, conforme a tosca narrativa, ser condenada pela aberração que seus filhos se tornam. Lembram aquele mais velho que não sabe o que fazer diante de uma bela mulher? Então: ele vai para Harvard! E como ele já está acostumado a safe spaces (viveu boa parte da vida em um, afinal), certamente tornar-se-á um vulto de destaque no meio acadêmico – ainda mais com uma história de vida dessas para relatar durante os fóruns sociais da vida ou oficinas realizadas durante “ocupações”.

Não vai ter golpe na selva, companheiros! Nem papel higiênico, mas isso faz parte de nosso processo de conquista da igualdade – para com os animais, no caso.

Fonte Instituto Liberal