segunda-feira, dezembro 09, 2013

Assassinato de Reputações












Será que ninguém nunca desconfiou de como o Lula foi tão bem tratado quando preso no DOPS? E a relação tão amistosa entre o senador Tuma - que o prendeu quando delegado do DOPS - e Lula? Não foi tão mais estranha a nomeação do Romeu Tuma Jr como secretário nacional de Justiça? 




Lucas 12:2 Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.




A Secretaria Nacional de Justiça é um posto estratégico no organograma de poder em Brasília. Os arquivos do órgão guardam informações confidenciais de outros países, listas de contas bancárias de investigados e documentos protegidos por rigorosos acordos internacionais. Cercado por poderosos interesses, esse universo de informações confere ao seu controlador acesso aos mais restritos gabinetes de ministros e a responsabilidade sobre assuntos caros ao próprio presidente da República. Durante três anos, o delegado de polícia Romeu Tuma Junior conviveu diariamente com as pressões de comandar essa estrutura, cuja mais delicada tarefa era coordenar as equipes para rastrear e recuperar no exterior dinheiro desviado por políticos e empresários corruptos. Pela natureza de suas atividades, Tuma ouviu confidências e teve contato com alguns dos segredos mais bem guardados do país, mas também experimentou um outro lado do poder — um lado sem escrúpulos, sem lei, no qual o governo é usado para proteger os amigos e triturar aqueles que são considerados inimigos. Entre 2007 e 2010, período em que comandou a secretaria, o delegado testemunhou o funcionamento desse aparelho clandestino que usava as engrenagens oficiais do Estado para fustigar os adversários.

As revelações de Tuma sobre esse lado escuro do governo estão reunidas no livro Assassinato de Reputações — Um Crime de Estado (Topbooks; 557 páginas; 69,90 reais), que chega às livrarias nesta semana. Idealizado inicialmente para desconstruir a campanha de difamação de que o autor foi vítima (Tuma foi demitido do governo sob a acusação de manter relações com contrabandistas), o livro, escrito em parceria com o jornalista Claudio Tognolli, professor de duas universidades em São Paulo, pescou mais fundo das memórias do autor: “Entrevistei Tuma Junior seis dias por semana durante dois anos. Ele queria uma obra baseada na revelação de fatos, queria que a publicação do livro o levasse ao Congresso para depor nas comissões, onde ele poderia mostrar documentos que não tiveram lugar no livro na sua inteireza”. Fica a sugestão. 

O senhor diz no livro que descobriu a conta do mensalão no exterior
Eu descobri a conta do mensalão nas Ilhas Cayman, mas o governo e a Polícia Federal não quiseram investigar. Quando entrei no DRCI, encontrei engavetado um pedido de cooperação internacional do governo brasileiro às Ilhas Cayman para apurar a existência de uma conta do José Dirceu no Caribe. Nesse pedido, o governo solicitava informações sobre a conta não para investigar o mensalão, mas para provar que o Dirceu tinha sido vítima de calúnia, porque a VEJA tinha publicado uma lista do Daniel Dantas com contas dos petistas no exterior. O que o governo não esperava é que Cayman respondesse confirmando a possibilidade de existência da conta. Quer dizer: a autoridade de Cayman fala que está disposta a cooperar e aí o governo brasileiro recua? É um absurdo.




Por que Assassinato de Reputações?
Durante todo o tempo em que estive na Secretaria Nacional de Justiça, recebi ordens para produzir e esquentar dossiês contra uma lista inteira de adversários do governo. 0 PT do Lula age assim. Persegue seus inimigos da maneira mais sórdida. Mas sempre me recusei. (…) Havia uma fábrica de dossiês no governo. Sempre refutei essa prática e mandei apurar a origem de todos os dossiês fajutos que chegaram até mim. Por causa disso, virei vítima dessa mesma máquina de difamação. Assassinaram minha reputação. Mas eu sempre digo: não se vira uma página em branco na vida. Meu bem mais valioso é a minha honra.

De onde vinham as ordens para atacar os adversários do PT?
Do Palácio do Planalto, da Casa Civil, do próprio Ministério da Justiça… No livro, conto tudo isso em detalhes, com nomes, datas e documentos. Recebi dossiês de parlamentares, de ministros e assessores petistas que hoje são figuras importantes no atual governo. Conto isso para revelar o motivo de terem me tirado da função, por meio de ataque cerrado a minha reputação, o que foi feito de forma sórdida. Tudo apenas porque não concordei com o modus operandi petista e mandei apurar o que de irregular e ilegal encontrei.
(…)

O Cade era um dos instrumentos da fábrica de dossiês?
Conto isso no livro em detalhes. Desde 2008, o PT queria que eu vazasse os documentos enviados pela Suíça para atingir os tucanos na eleição municipal. O ministro da Justiça, Tarso Genro, me pressionava pessoalmente para deixar isso vazar para a imprensa. Deputados petistas também queriam ver os dados na mídia. Não dei os nomes no livro porque quero ver se eles vão ter coragem de negar.

O senhor é afirmativo quando fala do caso Celso Daniel. Diz que militantes do partido estão envolvidos no crime.
Aquilo foi um crime de encomenda. Não tenho nenhuma dúvida. Os empresários que pagavam propina ao PT em Santo André e não queriam matar, mas assumiram claramente esse risco. Era para ser um sequestro, mas virou homicídio.
(…)

O senhor também diz no livro que descobriu a conta do mensalão no exterior.
Eu descobri a conta do mensalão nas Ilhas Cayman, mas o governo e a Polícia Federal não quiseram investigar. Quando entrei no DRCI, encontrei engavetado um pedido de cooperação internacional do governo brasileiro às Ilhas Cayman para apurar a existência de uma conta do José Dirceu no Caribe. Nesse pedido, o governo solicitava informações sobre a conta não para investigar o mensalão, mas para provar que o Dirceu tinha sido vítima de calúnia, porque a VEJA tinha publicado uma lista do Daniel Dantas com contas dos petistas no exterior. O que o governo não esperava é que Cayman respondesse confirmando a possibilidade de existência da conta. Quer dizer: a autoridade de Cayman fala que está disposta a cooperar e aí o governo brasileiro recua? É um absurdo.
(…)

O senhor afirma no livro que o ex-presidente Lula foi informante da ditadura. É uma acusação muito grave.
Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. O que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo. Conto esses fatos agora até para demonstrar que a confiança que o presidente tinha em mim no governo, quando me nomeou secretário nacional de Justiça, não vinha do nada. Era de muito tempo. 0 Lula era informante do meu pai no Dops (veja o quadro ao lado).

O senhor tem provas disso?
Não excluo a possibilidade de algum relatório do Dops da época registrar informações atribuídas a um certo informante de codinome Barba.


sábado, dezembro 07, 2013

Paulo Freire e a “educação bancária” ideologizada.

Paulo Freire e a “educação bancária” ideologizada.



Por Luiz Lopes Diniz Filho*



Recentemente a Gazeta do Povo publicou uma reportagem com mais uma batelada desses chavões que os seguidores de Paulo Freire usam para nos fazer acreditar que esse sujeito era um educador preocupado com liberdade e autonomia do indivíduo, quando ele não passava de um doutrinador ideológico dogmático e autoritário (mas de fala mansa). Como crítico de sua pedagogia, gostaria de tecer alguns comentários.

Segundo a reportagem, Freire – que “defendia uma educação assumidamente ideológica” – “propunha uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos e condenava o tradicionalismo da escola brasileira, que chamou de ‘educação bancária’, em que o professor deposita o conhecimento em um aluno desprovido de seus próximos pensamentos. Tal sistema, diz, só manteria a estratificação das classes sociais, servindo o ensino de mero treinamento para a formação de massa de trabalho. Contrariamente, Freire propunha a construção do saber de forma conjunta, em que o professor se aproxima dos conhecimentos prévios dos estudantes, para com essas informações ser capaz de apresentar os conteúdos aos alunos, que teriam poder e espaço para questionar os novos saberes”.

Na prática, a coisa funciona assim: o professor questiona os alunos sobre o seu dia a dia, apresenta uma explicação ideológica para os problemas e insatisfações relatados, e depois discute com eles o que acharam desse conteúdo. Se os alunos discordarem da explicação, o professor argumenta em favor do seu próprio ponto de vista ideológico. Ao fim do diálogo, o professor conclui que os alunos que ele conseguiu convencer estão agora “conscientes” da sua “verdadeira” condição de oprimidos e explorados pela sociedade de classes.

Ora, isso é apenas a dita “educação bancária” camuflada de diálogo! O professor apresenta uma única via para explicar as situações relatadas pelos alunos: a ideologia em que ele acredita. O aluno é deixado na ignorância sobre a existência de pesquisas que explicam as situações de pobreza, desigualdade, problemas urbanos e ambientais, entre outros, fora do universo teórico e ideológico do professor.

O próprio simplismo do pensamento de Paulo Freire permite exemplificar como isso se dá. Suponham que um aluno de Freire, um operário em processo de alfabetização, convidado a falar sobre sua vida cotidiana, dissesse que está desempregado. Aproveitando a oportunidade para “conscientizar” o aluno, o professor Freire apresentaria a sua visão sobre o tema: “O desemprego no mundo não é, como disse e tenho repetido, uma fatalidade. É antes o resultado de uma globalização da economia e de avanços tecnológicos a que vem faltando o dever ser de uma ética realmente a serviço do ser humano e não do lucro e da gulodice irrefreada das minorias que comandam o mundo” (a citação é de Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa).

É claro que o aluno hipotético só poderia contestar essa análise se tivesse lido trabalhos de economistas sobre as causas do desemprego. Entretanto, o aluno obviamente não leu nada disso, pois está se alfabetizando! Ou seja, o aluno não tem nem poder nem espaço para “questionar os novos saberes” apresentados pelo professor.

O que se tem aí, portanto, é um método que consiste em transmitir ao aluno verdades prontas, tal como na dita “educação bancária”, mas disfarçado por um processo dialógico manipulado pelo professor, que sonega ao aluno o conhecimento de explicações alternativas e mais sofisticadas do que aquela!

* Doutor em Geografia pela FFLCH-USP, professor do Departamento de Geografia da UFPR e colaborador do Escola Sem Partido.

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Águas de Junho.

Águas de Junho.


Para dar maior credibilidade à paródia do Felipe Moura Brasil, vai aqui uma notícia já velha que saiu no Globo (vez em quando eles esquecem o lado PT)

Black Bloc Caviar



RIO - Suspeito de atuar como “ativista profissional” em atos como o Ocupa Cabral e Ocupa Câmara, Jair Seixas Rodrigues, o Baiano, de 37 anos, esteve três vezes nos Estados Unidos num período de 15 meses, segundo dados da Seção de Fiscalização do Tráfego Internacional da Polícia Federal. A frequência das viagens de Baiano ao exterior despertou a atenção de agentes da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) e da Coordenadoria de Informações e Inteligência (Cinpol) da Polícia Civil, que investigam o caso.




Preso sete vezes desde junho, quando teve início a onda de manifestações na cidade, Baiano admite não ter uma ocupação formal nos registros feitos nas três delegacias por onde passou. Com o segundo grau incompleto, ele se identifica como ativista da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (Fist), o que não lhe garante uma renda. Por isso, a polícia tenta identificar a origem dos recursos do suspeito, que permanece preso na Cadeia Pública Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste.

O levantamento feito junto à PF com base no passaporte mostra que Baiano viajou para os EUA em 25 de maio de 2010, retornando ao Brasil menos de um mês depois. O ativista voltou à América do Norte outras duas vezes, a última em 6 de agosto de 2011. Conforme O GLOBO revelou domingo, Baiano é suspeito de integrar um grupo, juntamente com outras cinco pessoas vindas de estados das regiões Norte e Nordeste, de “ativistas profissionais”, que receberiam dinheiro para atuar em protestos.

Baiano foi preso pela primeira vez em 2 de julho, acusado de depredar patrimônio público durante o Ocupa Cabral, no Leblon. Depois, ele voltou a ser preso outras seis vezes sob a acusação de desacato, agressão, desobediência e de atear fogo a um coletivo e a uma patrulha. A polícia tenta rastrear a origem do dinheiro usado no pagamento de fianças do ativista.

Em defesa de Baiano, o advogado André de Paula, representante da FIST, afirma que a frente prega o voto nulo e que jamais esteve ligada a qualquer partido político. Em nota, o advogado afirma que as viagens do ativista aos EUA se devem a seu casamento com uma norueguesa, que, segundo ele, pagou arcou com os custos:

— Cabe ressaltar que foi a mulher de Baiano quem pagou sua passagem, nunca tendo tal expediente sido patrocinado por qualquer partido que seja, ou mesmo qualquer banco. Baiano permanece preso, isolado numa cela, sem direito a banho de sol e recebendo comida fria — conclui.

 

Trecho de "Fogo petista", versão de Felipe Moura Brasil de "Águas de março" [http://letras.mus.br/tom-jobim/49022/]: 


É Black, é Bloc, é o PT no caminho
 É o caos planejado, é o fogo amiguinho 
É a quebra do vidro, é mais um... coquetel 
É agência bancária, é surra até em coronel 
É um braço do Foro, é guerrilha urbana 
José... Dirceu... black bloc bacana 
É o Estado crescendo, cheio de mensaleiro 
Mídia ninja fingindo... que isto é ser brasileiro 
É a rua fechada, é o fim do trabalho 
É polícia de quatro, é o Gilberto Carvalho 
É a mídia afagando, é conversa rasteira 
Das trevas da Globo, é mais uma parceira 
É a Dilma, é o Lula, é a marcha do crime 
Barricadas no chão, todos do mesmo time... 
É um tributo a Fidel, é um apoio ao Irã 
É o MPL, é o Brasil de amanhã... 
São revolucionários fazendo um Cubão 
É a certeza de morte da população...





terça-feira, dezembro 03, 2013

Manual do ódio à classe média.













por Paulo Rosenbaum – 

Vários mandatários nacionais têm reclamado das demandas e exigências de uma classe social que só faz crescer no país.

Em rara unanimidade políticos, legisladores, intelectuais, sindicatos e fiscais tomaram a decisão de esmagar este inimigo crítico que ousa levantar a voz contra o Estado. Quem mandou ficarem insatisfeitos com a mão que anestesia? Quem foi que disse que uma classe alçada do nada por governos tão benévolos — que dispuseram de dinheiro de contribuintes para assegurar uma renda mínima para todos — tem o direito de sair berrando que só aquilo não basta? Já se viu pedintes rechaçar o níquel depositado nos chapéus? Querem agora cuspir no prato que comeram? Onde foi que desaprenderam com tanta rapidez o respeito? Quem fez a cabeça dessa gente que agora não se curva para ser ungida com as migalhas possíveis?

A análise seria dura demais, extensa demais e explícita demais para que alguém tivesse a paciência de ler. Mas uma síntese pode ser concluída antes do próximo clique do mouse. A razão pela qual os governantes não suportam a crítica é a mesma pela qual têm insônia e pesadelos com uma imprensa livre e combativa e gente comum que começou a ajuntar os pedaços do quebra-cabeças do poder

Reclame dos impostos e os coletores te perseguem, fale das cotas raciais e ouvirás de tudo (menos que as quotas deveriam ser sociais, antes que étnico-raciais). Ouse mencionar a diminuição da idade penal e verá a esquerda-mordaça ceifar tua língua. Agora explique calmamente que você não entende para onde vão suas contribuições e que só queria que a educação e a saúde não fossem tratadas a quatro anos ou sob grandes reservas de fósseis decompostos.

Faça com que eles se fixem nas grandes construções, em meganegócios que o pais atrai e despreze as manchetes que tragam dúvidas sobre a seriedade econômica da nação. Lembre-o sempre: somos a sétima economia do mundo. Repita como mantra que o país estourou. Se alguém falar mal do teu partido diga que ele não entendeu o espírito da coisa. E se o fulano quiser insinuar que está tudo mal feito encerre a discussão propondo uma cerveja num lugar mais tranquilo. Use outra estratégia com jornalistas cricas que aporrinham todo mundo com lamúrias: mande ele sair do pais e buscar lugar melhor.

E se te contestar com a ladainha de que “quer melhorar este aqui e não sai daqui nem a pau” cogite dar um gelo, constranja-o em público. Se falhar, ameace com coisa pior para ele saber com quem está falando. Por um tempo vocês ficarão estremecidos. Assimile. Tudo passa, e assim que reencontrá-lo finja que nunca haviam discutido antes. Pode ser que você não o convença de vez, mas sempre que o ódio é plantado a semente pode germinar e vingar lá adiante.

O que você não deveria aceitar em hipótese nenhuma é que ele faça troça das campanhas político-partidária. Essa classe média é o seguinte! Mas vamos lá: se te disser que todos falam a mesma coisa diga que ele é surdo, se o sujeito reclamar que todo mundo se locupleta na vida pública rebata com o infalível “isso é assim no mundo todo”. Sim, esse pessoal é difícil mesmo. Às vezes não entende a lógica do socialismo para todos, menos alguns. Ignore.

Tente mostrar que as coisas seriam muito mais fáceis se houvesse só um partido. Ele vai vir com o discurso de “pluralidade”. Aqui chegou a hora de negar. Negue tudo. Insista, e explique que absolutamente não é verdade que não há liberdade de expressão em ditaduras centro- americanas. Tente dizer tudo com parcimônia e máxima convicção. Sem forçar, lógico. O defeito que ele enxerga é a grande solução: seguir modelos onde há igualdade sem liberdade. Só o burguês não entende isso.

Faça um gesto com a mão e indique que a maioria das campanhas contra Estados totalitários que tratam bem seus povos não passa de difamação plantada pelos grandes capitalistas. Batata. Ele virá então com aquele discurso de “veja o que acontece com a Venezuela”, aí você dá um basta e afirme calmamente e sem elevar o tom de voz que aquele é um pais do futuro, assim como já foi o nosso.

Fonte: Pletz

domingo, dezembro 01, 2013

Programa Mais Médicos: a farsa.









por Carlos Marden Cabral Coutinho(*)



No dia 08 de julho de 2013, o Governo Federal (por meio da Medida Provisória n° 621) lançou aquilo que chamou de Programa "Mais Médicos", uma suposta resposta aos clamores da população quanto à precariedade do Sistema Único de Saúde - SUS. Em resumo, a proposta do Governo Federal apresenta as seguintes medidas: a) abertura de 10 mil vagas de médico no interior, mediante remuneração de R$ 10 mil; b) aumento do curso de medicina em 02 anos, os quais devem dedicados a trabalho no Sistema Único de Saúde na área de atenção básica; c) aumento da oferta de aproximadamente 11,5 mil vagas nos cursos de medicina nos próximos 04 anos; e d) contratação de médicos estrangeiros para suprir as vagas que não forem do interesse dos médicos brasileiros.

A coisa toda não passa de um castelo de cartas, um conjunto incoerente de medidas paliativas com o evidente objetivo de ganhar tempo até a (re)eleição de 2014, como aconteceu com as natimortas propostas referentes a uma suposta constituinte exclusiva ou a um plebiscito. Todos aqueles que são brasileiros (e, principalmente, aqueles que, como eu, foram às ruas) sabem que o que a população precisa é de um serviço de saúde de qualidade, o que claramente não será atingido com esse programa lançado ontem. Não sou médico (sou "advogado") e não pretendo esgotar o assunto, mas vou tentar explicar o que está acontecendo, já que a farsa me parece elementar até para aqueles cuja formação na área da saúde se resume ao bom senso somado às aulas de biologia no ensino médio. Para tanto, vamos por pontos.

Em primeiro lugar, o problema do acesso da população carente (e interiorana) ao direito à saúde não será resolvido com a contratação de 10 mil médicos para trabalhar nos rincões do país, ainda que se lhes pague a quantia prometida. O problema do Programa de Saúde da Família não é salarial, mas sim de estrutura! Coloque no Google a expressão "quanto ganha um médico no PSF" e confira por si mesmo. Em Londrina (LONDRINA! Deixa eu repetir: LONDRINA!!!) os médicos recusam mais do que isso. O que leva o Governo Federal a pensar que o salário do Programa "Mais Médicos" é atrativo? Respondo: NADA!!! Trata-se de mero jogo de cena, no qual ele finge que ofereceu oportunidades que previamente sabe que serão recusadas, de modo a transferir a responsabilidade para os próprios médicos. Por outro lado: se a cidade paga bem, por que os médicos não se dispõem a trabalhar lá? Serão eles seres diferenciados, que baseiam suas condutas por critérios vocacionais e sem pensar no dinheiro? Teríamos que ser bastante tolos para pensar que sim! Se determinadas cidades não são atrativas para os médicos brasileiros, não é por pagarem mal ou porque eles não se importem com dinheiro, mas sim porque as condições de trabalho oferecidas são sofríveis. Só para se ter uma idéia, vejam se existe dificuldade para contratar juiz ou promotor para as mesmas cidades, às vezes ganhando até menos. Então... Para bom entendedor...

O segundo ponto do programa é de um despropósito tão descarado, que eu tenho dificuldade até de saber por onde abordar a coisa! Parafraseando um ex-professor meu, é um absurdo esférico: por onde quer que você olhe, a coisa não se sustenta. Em primeiro lugar, qual o sentido de se alterar compulsoriamente o programa dos cursos de medicina, se o modelo atual é plenamente funcional? Para quem não sabe, um médico especializado com quem você se consulta percorre (em regra) a seguinte via crucis até sentar na sua frente e se declarar sei-lá-o-quê: 06 anos de faculdade de medicina (sendo os 02 últimos de internato - época em que se estuda a prática dos diversos campos da profissão), 02 anos de uma residência genérica (como pediatria ou clínica médica) e 02 anos de uma residência especializada (como endocrinologia ou pneumologia). Em resumo: são 10 anos de estudo, dos quais 02 são de internato (realizado de graça) e 04 são de residência (realizada mediante uma remuneração de R$ 2.384,82 com uma carga de 60 horas semanais). Sendo assim, no modelo atual, se paga paga R$ 114.471,36 ao médico e ele trabalha efetivamente 72 meses em atividade prática! Em outras palavras, sob o argumento (plausível) de que se trata de ensino, pega-se um profissional que já teve toda a formação teórica e se explora o seu trabalho por 06 anos (dos quais 04 com carga horária de 60 horas semanais!), mediante uma remuneração média de R$ 1.589,88. A proposta genial da Dilma é a seguinte: sem qualquer motivo razoável (já que o modelo atual funciona), exigir que os médicos trabalhem mais dois anos quase de graça (vez que haverá fixação de uma bolsa, certamente com valor menor do que o da residência). Olha, se isso não for uma medida inconstitucional e autoritária, decorrente exclusivamente de uma mentalidade esquerdista que acredita que o indivíduo deve existir em função da sociedade, então eu realmente não sei o que possa ser... Pense assim: será que o mundo não "seria melhor" se todos os estudantes da sua área de formação específica também trabalhassem de graça por dois anos? Pois é...

Já se cogita estender a medida para outros profissionais da área da saúde e logo todo estudante universitário vai ter que trabalhar para o Estado durante 02 (dois) anos mediante uma remuneração indigna. Aqui, inclusive, tem outro detalhe relevante, qual seja o de que a medida não se limita apenas aos cursos das Universidades Federais! Uma vez que a Medida Provisória n° 621 alterou o próprio programa dos cursos de medicina, mesmo aqueles alunos que estudaram em faculdades privadas (certamente a maioria deles em 2015) terão que se submeter aos dois anos no Sistema Único de Saúde - SUS. Como conceber que uma medida dessa seja implementada de maneira autoritária, sem qualquer discussão prévia com a sociedade e com a classe médica? Admitir que tal medida prospere é submeter o ensino universitário ao bel prazer do Governo Federal, que passará a moldar os cursos conforme a sua convicção, se valendo dos programas para atingir seu objetivos políticos. Simplesmente inadmissível...

O terceiro ponto é aquele referente ao aumento significativo de vagas nos cursos de medicina do país. Sinceramente, qual a possibilidade de uma medida assoberbada dessas dar certo? Sério... Todo mundo sabe que medicina é um curso que depende de uma estrutura bastante complexa para que possa ser de qualidade, tanto que talvez seja o curso para o qual se fazem mais exigências para a criação de novas vagas. Isto posto, como é que, de repente, 11,5 mil alunos a mais vão ingressar na estrutura atualmente existente? Sim, porque, do alto da minha inocência, estou supondo que os hospitais não vão surgir num passe de mágica, né? Ora, só existe uma resposta lógica, qual seja a de que o Ministério da Educação vai reduzir significativamente as exigências para a abertura de novas vagas nos cursos de medicina pelo país, especialmente nas faculdades particulares! O solução do Governo Federal, portanto, consiste em aumentar a oferta de médicos com má formação! Aqui não se trata de especulação, todo mundo sabe o que aconteceu com o nível dos profissionais nos casos em que houve expansão acelerada e exagerada de vagas, sendo o curso de direito o exemplo mais emblemático. E olhe que se tratava de um curso no qual se exige uma estrutura mínima para um funcionamento de qualidade! O que virá na seqüência? Uma "prova da OAB" pra evitar que médicos despreparados causem danos irreversíveis à saúde das pessoas? Se sim, então o plano do Governo Federal tem um viés perverso, na medida em que pretende permitir que os médicos estrangeiros contornem a avaliação, ao mesmo tempo em que nos proporciona uma geração de médicos que precisarão se submeter a ela! Parabéns, Dilma...

Por fim, falemos da "importação" de médicos estrangeiros, começando por destacar que não é proibido que qualquer pessoa formada em medicina no exterior exerça a atividade médica no Brasil. Para tanto, basta que ela revalide o seu diploma, em uma das universidades públicas competentes para tanto. No caso específico dos médicos, tal revalidação é condicionada à aprovação ao Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos - REVALIDA, obrigação que continuará a existir para os médicos formados no estrangeiro, com exceção daqueles que se dispuserem a trabalhar no Programa "Mais Médicos", que serão dispensados de avaliação. Vejam bem: não se trata de que os médicos estrangeiros serão submetidos a uma prova mais simples, mas sim de que eles não serão submetidos a prova nenhuma. Nesse ponto, a Medida Provisória n° 621 é absolutamente clara, em seu artigo 10, §3°, ao dizer que "a declaração de participação do médico intercambista no Projeto Mais Médicos para o Brasil, fornecida pela coordenação do programa, é condição necessária e suficiente para a expedição de registro provisório pelos Conselhos Regionais de Medicina". Ou seja, a solução do Governo Federal para melhorar a qualidade da saúde é permitir que médicos formados no exterior exerçam a medicina no Brasil, sem que se avalie a qualidade da formação deles.. É isso! Vou comprar mantimentos, me trancar em casa e esperar pelo pior...

Por tudo isso, fica evidente não apenas que a presidenta Dilma está se valendo de uma tentativa desesperada de recuperar a sua popularidade (com vistas a manter viva a esperança da reeleição no ano que vem), mas também que o Governo Federal não tem a menor pretensão de resolver em definitivo o problema da saúde no Brasil! Com o intuito de jogar pra torcida, o Programa "Mais Médicos" se propõe a uma série de absurdos: 
a) mascarar o fato de que a falta de condições de trabalho é a principal causa da falta de médicos no Programa de Saúde da Família - PSF; 
b) criar um serviço compulsório gratuito de 02 anos para os médicos, sem que isso tenha qualquer valor pedagógico comprovado; 
c) promover o declínio da qualidade dos cursos de medicina, mediante a oferta súbita de vagas sem o aumento correspondente de estrutura; e 
d) permitir que uma série de estrangeiros despreparados (como mostram os resultados das últimas edições do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos - REVALIDA) exerça a medicina no país. De quebra, a cereja do bolo: vai intervir no mercado para promover a desvalorização de uma das classes profissionais que mais investe em formação e que mais tem relevância para a sociedade! Percebam a lógica nefasta da coisa: em vez de valorizar os professores, elevando-os ao nível dos médicos; a proposta é desvalorizar os médicos... Genial! Só que ao contrário...

Por fim, seria eu um cínico, se trouxesse toda essa carga de críticas e não apresentasse um modelo que entendo adequado! Fá-lo-ei, pois... O problema da falta de médicos no interior poderia provavelmente ser mitigado se lhes fosse dispensado um tratamento digno em relação à segurança com a qual trabalham, pois atualmente os médicos que atuam no Programa de Saúde da Família - PSF não têm qualquer vínculo sólido com o Estado, restando à mercê do governante municipal da vez (responsável pela administração das verbas do programa). Ora, se o Programa de Saúde da Família - PSF veio para ficar, porque não criar uma carreira própria, na qual os médicos recebam um salário razoável, mas tenham uma situação protegida contra as intempéries locais? Esse assunto já é discutido dentro da própria classe médica e o que falta é vontade política para amadurecer a questão de uma forma que atende ao interesse dos envolvidos. Tal organização, entretanto, não servirá de nada sem estrutura! Não adianta desembarcar um caminhão de pedreiros em determinado local, se o material da obra não veio previamente... A solução pro Programa de Saúde da Família - PSF passa, então, necessariamente, por um investimento pesado em estrutura e pela organização da carreira médica pertinente! Não estou inventando a roda aqui, isso é falado há anos, feijão com arroz mesmo... Infelizmente, tem gente que nunca cozinhou e quer oferecer comida sofisticada para impressionar os convidados!

Claro que é preciso de dinheiro (e muito!) para tanto! Pois bem... Há 20 anos, existe no Brasil uma coisa que se chama desvinculação das receitas da União - DRU e que permite que o Governo Federal gaste 20% do dinheiro que é arrecadado para a seguridade social. Trata-se de arrecadação vinculada a 03 áreas (saúde, previdência social e assistência social) e que acaba sendo desvinculada, ou seja, não é gasta nas áreas específicas para as quais se realiza a tributação. Agora, sabem quanto isso significa por ano? Façam o seguinte: digitem vocês mesmos no Google a seguinte pesquisa "aprovada prorrogação da DRU e bilhões" e caiam pra trás! Pronto, é isso mesmo que vocês leram aí... A expectativa para 2013 é de que 62 bilhões de reais sejam objeto de desvinculação, ou seja, todo esse dinheiro é arrecadado, deveria ser destinado à saúde e é acumulado pelo Governo Federal. Eis então a minha sugestão: vamos colocar em pauta que sejam investidos em saúde os recursos que atualmente são objeto de desvinculação das receitas da União - DRU! Não precisa criar novo tributo nem aumentar a alíquota dos existentes, basta gastar o dinheiro arrecadado no local certo, investir em saúde o dinheiro arrecadado para tanto... Que tal? O quê? Onde e como gastar? Bom, aí eu deixo para o pessoal da área da saúde discutir e decidir! Para um alienígena, acho que já falei até demais...



* É procurador federal, professor universitário, doutorando em Direito Processual da PUC Minas.

Fonte: Portal do CFM

sexta-feira, novembro 29, 2013

Você sabe o que é o AVAAZ?.











Você sabe o que é o AVAAZ?.
por Heitor de Paola

O que há de mais barulhento no ativismo esquerdista atualmente - da defesa do aborto às badernas urbanas do MPL, passando pelo ambientalismo à caçada aos opositores da agenda gay - é fomentado e financiado por uma elite globalista multimilionária que, contando com o engajamento de milhões de ‘idiotas úteis’ ao redor do planeta, acaba por obter ainda mais influência e poder.



Provavelmente o leitor ou a leitora – a linguagem politicamente correta obriga a usar os dois sexos, digo, gêneros, com mil perdões pelo conceito antiquado, pois como todos sabem não existem mais sexos. Pois como eu dizia: você aí que está lendo este texto provavelmente já recebeu um ou mais e-mails da AVAAZ para apoiar alguma iniciativa e respondeu clicando no link enviado. Saiba que isto o registrou como membro da AVAAZ sem que você nem saiba do que se trata. Pois então saiba.

A AVAAZ é mais uma da miríade de organizações fundadas e financiadas por George Soros (ver aqui e aqui), o judeu antissemita e antissionista húngaro que, dizem as más línguas, começou sua brilhante carreira de multibilionário denunciando aos nazistas pessoas da comunidade judaica de Budapest. Seu verdadeiro nome é György Schwartz. Seu pai, Tvadar Schwartz, judeu não religioso, trocou o sobrenome por Soros quando o nazismo começou a crescer na Hungria em 1930. Em 1944 quando Adolf Eichman chegou à Hungria para levar a cabo a “Solução Final”, os filhos de Tvadar foram distribuídos por famílias cristãs. György acabou na casa de um homem cujo ‘trabalho’ era confiscar propriedade dos judeus. Soros o acompanhou e também lucrou. Mais tarde, declarou que 1944 foi o melhor ano de sua vida. (ver em Soros: Republic Enemy #1).

Este dossiê acima pode ser adquirido em http://www.aim.org/soros/. Para conhecer melhor Soros leiam, no mínimo,The Hidden Soros Agenda: Drugs, Money, the Media, and Political Power, e The Dangerous Soros Agenda, ambos de Cliff Kincaid.

A AVAAZ é um apêndice globalista da MoveOn.org, um dos principais tentáculos da Open Society Foundations, dirigida diretamente por Soros, e sua função é publicar propaganda anti-israelense, exigir de Israel a negociação com a organização terrorista Hamas, que sequer aceita a existência do estado judeu. No Canadá fez campanha para tirar das eleições todos os candidatos do Partido Conservador.

Outra organização afiliada é a Change.org, que está apoiando os baderneiros de São Paulo (Movimento Passe Livre) e Rio, além de organizar o movimento com coordenação mundial de manifestações já acertadas em vários países. O que tem o preço das passagens de ônibus com isto? É só o estopim.

Esta é exatamente a ‘missão’ da AVAAZ, uma organização ‘e-advocacy’ registrada no Estado de Delaware, para promover agendas políticas esquerdistas e promover campanhas através de movimento pela Internet, organizando cidadãos de todas as nações para ‘transformar o mundo que temos no mundo que queremos’ (lembram do slogan ‘um outro mundo é possível’?). Seus métodos principais de ativismo são e-mails massivos, organizar petições on-line, vídeos, organizar cidadãos em torno de campanhas do tipo ‘escreva para seu representante’ e de apoio ou repúdio a indivíduos ou organizações partidárias ou de outra espécie. A AVAAZ também tenta influenciar eleições diretamente, seguindo a orientação de Soros. AVAAZ significa ‘voz’ em vários idiomas europeus, do Oriente Médio e Ásia. A organização foi fundada por Res Publica e MoveOn e conta com o apoio do Service Employees International Union (SEIU). Entre as principais pessoas que dirigem a AVAAZ encontra-se Ben Brandzel,ex-advogado da MoveOn, que foi diretor e levantador de fundos da campanha de Barack Obama através das ‘novas mídias’ (web, redes sociais, e-mails, etc.). Já havia trabalhado para as campanhas de Howard Dean e John Edwards.

AVAAZ opera em 14 idiomas e em julho de 2011 dizia contar com 9.650.000 membros. No mapa interativo do site hoje (16/06/2013), conta com 22.919.209. Passe o mouse por cima dos países e verá quantos em cada país. O país com o maior volume de idiotas úteis, o Brasil, tem obviamente a maioria com 3.936.758, quase 1/5 do total. Nos EUA são 1.212.207 e a Índia, com seis vezes a população do Brasil, são 793.170. Como já disse acima, uma pessoa se torna membro simplesmente se votar em alguma petição ou consultar o site ou simplesmente responder aos e-mails.

Desde janeiro de 2007 são 133.845.917 ações de vários tipos em 178 países. Em 2008 gastou US$ 1.067.848 em campanhas sobre aquecimento global, contra a ‘tortura’ em Guantánamo (no lado leste é claro, na área cubana, todos sabemos como o povo vive bem e é respeitado), eleições canadenses, vídeos ‘de paz’ para o Oriente Médio advogando a idéia dos ‘dois Estado’, mas nitidamente pró-palestinos, inclusive uma campanha ativa denominada “Welcome Palestine” pela aprovação da Palestina como estado membro da ONU.

São as principais ligações da AVAAZ: Human Rights Watch, Inter-American Dialogue, Gorbachëv Foundation-USA, Amnesty International, MoveOn, Union of Concerned Scientists, US Climate Action Network, Obama, Oxfam International, Greenpeace, Res Publica, National Council of Churches, J Street, Organizing for America, Global Campaign for Climate Action Organizing for America, Rain Forest Acton Network, National Abortion Federation, Sierra Club e muitas outras. (Ver o mapa interativo do Discover the Networks).

Soros e Avaaz no Brasil
Os interesses de Soros no Brasil, assim como em todo mundo, são vastos. Investiu em terras no Brasil, Argentina e Uruguai através de sua empresa ADECOAGRO, cujas propriedades atingem 300 mil hectares e vende terras com 36% de desconto. Mais informações sobre a empresa podem ser lidas aqui. A especulação corre solta. Um exemplo é a Fazenda San Jose comprada por US$ 85,00 o ha. e vendida por US$ 1,212.00, 14 vezes mais caro. Suspeita-se que muitos índios invasores de terra são falsos índios financiados por Soros, que teria interesses na madeira, produção de etanol e minerais.

No setor financeiro Paul Krugman lançou suspeitas de que Soros teria agido especulativamente através de inside informations de seu pupilo Armínio Fraga quando este foi Presidente do Banco Central. Processado por calúnia, reconheceu não ter provas. Mas há muitas manobras suspeitas naquela época: quem financiou deputados e senadores para aprovar a re-eleição? Por que FHC, dois meses (04/03/1999) depois de empossado pela segunda vez dispensou seu assessor e um dos principais elaboradores do Plano Real, Gustavo Franco, e nomeou Armínio Fraga para o BACEN? Por que o valor do dólar disparou depois do compromisso eleitoral de que isto não iria acontecer? São perguntas sem respostas adequadas.

Impossível de negar são as ligações de Fraga com o Inter-American Dialogue ao qual pertence FHC, como também o fato de que FHC estar envolvido na campanha maciça de Soros a favor da descriminação do uso de drogas. Além disto, Fraga é membro do Council on Foreign Relations,

Através do Soros Fund Management LLC, George Soros vendeu 22 milhões de dólares de ações ordinárias da Petrobrás e comprou 5.8 milhões em ações preferenciais, em 2010.

A AVAAZ é dirigida no Brasil pelo petista Pedro Abramovay (assistir seu vídeo aqui). As campanhas da AVAAZ no Brasil vão desde a tentativa de remoção do pastor Marco Feliciano da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, do fim do voto secreto no Congresso, da cassação do diploma de psicólogo do pastor Silas Malafaia e doimpeachment de Renan Calheiros, até a oposição à Usina de Belo Monte e da campanha pela Lei da Ficha Limpa que atraiu tantos ingênuos brasileiros que acreditaram que acabaria com a corrupção no Brasil. Se você, leitor ou leitora, se entusiasmou e assinou alguma petição, além de se registrar como membro da AVAAZ, deu força a uma organização globalista que nem está interessada na corrupção, apenas em sua agenda esquerdista global.






Nota:

[i] Para verem como funciona, bastou eu ter entrado no site destas organizações para escrever este texto, imediatamente recebi esta pérola da Change.org:



HEITOR,

O Brasil está vivendo um momento único, como não acontecia há décadas. Para nossa geração isso é um sinal de que estamos acordando politicamente, estamos voltando às ruas para exigir nossos direitos. A imprensa e a polícia tentam nos classificar como vândalos, mas não é verdade. É uma desculpa para usar uma força policial violenta e brutal. A grande maioria de nós é contra a violência, só queremos um país livre para exercer a nossa cidadania.Por isso nós lançamos este abaixo-assinado, pedindo para a Presidenta Dilma vir à público garantindo o direito de nos manifestarmos.Não se trata mais somente do aumento das tarifas de ônibus, já é muito mais do que isso: por uma outra cidade, um outro Brasil. Mas estamos com medo! Vários amigos apanharam da Polícia Militar, presenciamos cenas absurdas de repressão e lemos notícias de que manifestantes serão tratados como terroristas, sobre gente presa por formação de quadrilha e por portar vinagre. Enquanto isso, só ouço evasivas e absurdos dos meus governantes diretos Fernando Haddad e Geraldo Alckmin.Talvez você não concorde especificamente com o protesto contra o aumento da passagem. Mas todos temos que defender o direito de nos manifestarmos. Por que se hoje é contra a passagem, amanhã poderá ser para defender um direito seu. Por favor, assine, é nos manifestando que este país vai mudar! Não podem tirar o nosso direito! 

Obrigada,Olívia de Castro e Marília Persoli.



Fonte: Mídia Sem Máscara




quarta-feira, novembro 27, 2013

A falácia da desmilitarização da polícia.











A falácia da desmilitarização da polícia.

por José Maria e Silva 




Criar um “SUS” da segurança pública, unificar as polícias e despir a PM de sua farda – eis as propostas que prometem revolucionar a segurança pública no País. Praticamente unânimes entre os acadêmicos especializados na área, essas ideias conquistam cada vez mais adeptos em Brasília. É o que se percebe nas discussões da Comissão Especial de Segurança Pública do Senado, instalada em 2 de outubro deste ano com o objetivo de debater e propor soluções para o financiamento da segurança pública no Brasil. Criada por iniciativa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a comissão é presidida pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e tem como relator o senador Pedro Taques (PDT-MT).


“O sistema de segurança pública no Brasil está absolutamente falido” – com essa declaração, proferida numa audiência pública realizada no dia 13 de novembro último, o senador Pedro Taques resumiu um sentimento das ruas que hoje encontra guarida até nos quartéis. Cada vez mais estão surgindo depoimentos de policiais militares colocando em descrédito a própria corporação a que pertencem. É o caso do livro O Guardião da Cidade (Editora Escrituras, 2013, 256 páginas), do tenente-coronel Adilson Paes de Souza, fruto de sua dissertação de mestrado “A Educação em Direitos Humanos na Polícia Militar”, defendida na Faculdade de Direito da USP em 2012, sob a orientação do cientista político Celso Lafer.


Nesse trabalho acadêmico, festejado por toda a imprensa, o tenente-coronel da PM paulista defende a ampliação da carga horária do estudo de direitos humanos na formação dos oficiais da Polícia Militar, como forma de combater a tortura. Em artigo anterior, procurei demonstrar que se trata de uma falácia. O Curso de Formação de Oficiais é praticamente um curso completo de Direito e, como se sabe, é impossível estudar qualquer disciplina do Direito sem tratar dos direitos humanos, uma vez que a Constituição de 88, base legal de todas as disciplinas jurídicas, é alicerçada, de ponta a ponta, nos direitos da pessoa humana.


Sobrevivendo na Gestapo brasileira


Em vários momentos do livro, influenciado por pensadores de esquerda, que vêm na polícia um braço armado do sistema capitalista, Paes de Souza, de modo quase indisfarçável, compara a Polícia Militar brasileira com a Gestapo de Adolf Hitler. Chega a descrever o produto das ações da PM como um novo campo de concentração nazista. Com base em artigo da psicóloga e psicanalista Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes, sintomaticamente intitulado “Violência, Massacre, Execuções Sumárias e Tortura”, o tenente-coronel cita como exemplo desses casos, os 111 mortos do Carandiru, em 1992, os 493 mortos quando dos ataques do PCC em 2006 e a Operação Castelinho em 2002, “que constituiu uma emboscada”, com 12 mortos – todos bandidos do PCC, acrescente-se, já que o coronel não o faz em sua tese.


Para a psicóloga Maria Auxiliadora Arantes, citada no livro O Guardião da Cidade, tais acontecimentos “são crimes filhotes de um Estado que deixou intacto um aparelho de matar e que não puniu os que o montaram”. O tenente-coronel Adilson Paes de Souza corrobora literalmente suas palavras, tanto que acrescenta a elas a seguinte frase: “De fato, Auschwitz faz-se presente”. Reparem: Paes de Souza está comparando o trabalho da Polícia Militar – instituição em que atuou durante 28 anos, chegando a tenente-coronel – com a violência das forças nazistas nos campos de concentração de Hitler. Justamente num momento em que a PM está sob o fogo cerrado dos formadores de opinião.


O cientista político Celso Lafer, responsável pela dissertação de mestrado de Adilson Paes de Souza na USP, deveria ter-lhe feito uma pergunta singela antes de aceitar a orientação de seu trabalho: “Onde o senhor estava, na condição de tenente-coronel da Polícia Militar, quando seus subordinados de farda se tornaram exemplos atuais da Gestapo de Hitler, torturando e executando pessoas?” Antes de pontificar sobre os problemas da Polícia Militar, apresentando soluções mirabolantes do conforto de uma cátedra universitária, o tenente-coronel deveria ter respondido para si mesmo essa pergunta. Na condição de tenente-coronel da Gestapo brasileira (a se crer nos seus próprios conceitos), ou Paes de Souza foi cúmplice do holocausto que denuncia ou foi omisso diante dessa carnificina que imputa à PM. Em qualquer dos casos, deveria refletir com mais profundidade sobre o assunto, antes de se arvorar a defender tese, escrever livro e contribuir, ainda que involuntariamente, para a difamação sistemática de que a PM é vítima na imprensa e nas universidades.


Não é possível sobreviver durante 28 anos num aterro sanitário moral e dele sair com a alma cheirando a talco, como canta Gilberto Gil. Em seu livro, citando o economista Albert Hirschman, Paes de Souza fala que os membros de uma instituição podem abandoná-la ou criticá-la quando se sentem descontentes. O autor não diz, mas, no caso da Polícia Militar, a via mais frequente é a omissão: o policial se esconde numa carreira burocrática, evitando o confronto das ruas e, com isso, pode pontificar sobre direitos humanos sem correr riscos. O tenente-coronel sobreviveu ao horror que denuncia foi por essa terceira via? Sem essa explicação, suas reflexões e denúncias sobre a PM perdem muito da autoridade que poderiam ter.


Depoimentos de PM homicidas


Para exemplificar as críticas que faz à polícia, Adilson Paes de Souza colheu o depoimento de dois policiais militares condenados por homicídio e se valeu também de dois depoimentos colhidos pelo jornalista Bruno Paes Manso, do jornal O Estado de S. Paulo. Em junho de 2012, Manso defendeu no Departamento de Ciências Políticas da USP a tese de doutorado “Crescimento e Queda dos Homicídios em São Paulo entre 1960 e 2010”, em que faz uma “análise dos mecanismos da escolha homicida e das carreiras no crime”. Essa tese de Manso já havia lhe rendido o livro O Homem X: Uma Reportagem sobre a Alma do Assassino em São Paulo (Editora Record, 2005), no qual o tenente-coronel buscou os dois depoimentos.


Os policiais ouvidos por Paes de Souza ganharam os apelidos de “Steve” e “Mike”, geralmente dados aos policiais que trabalham nas ruas. O policial Steve foi condenado a mais de 20 anos de reclusão por um homicídio a tiros e facadas. “No auge da prática do ato, senti que estava cheio de ódio e acabei descarregando tudo sobre o corpo da vítima. Tinha um sentimento de ódio generalizado de tudo”, afirma o policial. De origem nordestina, ele contou que seu pai era PM aposentado e costumava conversar com toda a família na hora do jantar sobre o sentimento de honra que envolvia a profissão. Inspirando-se no pai, Steve, ao completar 18 anos, ingressou na polícia, por meio de concurso público.


“Fui designado para trabalhar numa unidade da Polícia Militar na periferia da cidade de São Paulo. Comecei a ver uma realidade que não conhecia: favelas, meninas estupradas, pessoas pobres vítimas de roubo, o que causou revolta”, conta Steve. Movido por essa revolta, diz que começou a trabalhar além do horário normal, prendendo o máximo possível de bandidos, na esperança de acabar com a criminalidade na região. O PM conta que, numa ocasião, prendeu em flagrante dois ladrões que tinham roubado um supermercado, mas na noite do mesmo dia viu os dois na rua. Quando os abordou, soube que fizeram um acordo com o delegado, inclusive deixando na delegacia uma parte da propina para o policial.


“Nesse momento, percebi que a corrupção existente nos distritos policiais da área onde trabalhava gerava a impunidade dos delinquentes”, afirma Steve, que passou a frequentar velórios de policiais mortos em serviço, alimentando ainda mais sua revolta com a impunidade dos bandidos. Foi aí que decidiu fazer justiça com a própria farda: “Eu era juiz, promotor e advogado. Levava a vítima para um matagal, concedia-lhe um minuto para oração e a sentenciava a morte”. Essa vida de justiceiro fardado destruiu sua família. Sua mulher chegou a tentar o suicídio. E, na cadeia, sofreu maus-tratos e não teve a solidariedade dos colegas: os policiais que o visitavam estavam mais preocupados em sondá-lo para saber se não seriam delatados, em virtude de outras ocorrências.


Um dos entrevistados pelo repórter Bruno Paes Manso, citado na dissertação do tenente-coronel Paes de Souza, também relata que se via em guerra contra os criminosos e, movido pelo ideal de resolver o problema da criminalidade, trabalhava praticamente o dobro: as oito horas regulamentares pagas pelo Estado somadas às oito em que combatia o crime de graça, por sua própria conta e risco. Esse policial contou ter deparado com vários casos graves, que só via em filmes. Certa vez, atendeu a uma ocorrência em que uma criança de quatro anos foi estuprada e ele, junto com outros policiais militares, evitou o linchamento do estuprador. “Nesse momento, achou um contrassenso ter que proteger quem havia praticado uma monstruosidade contra uma menina. Sentiu revolta”, relata Paes de Souza.


Mais confrontos, mais mortes


Esse é praticamente o padrão dos depoimentos de policiais militares condenados por homicídio: 
1) imersão idealista do policial no combate ao crime; 
2) revolta com a impunidade dos criminosos; 
3) justiça com a própria farda; 
4) prisão, arrependimento e transferência da culpa para a corporação militar. 
O livro Sangue Azul (Editora Geração Editorial, 2009), baseado no depoimento de um soldado da PM do Rio de Janeiro ao documentarista Leonardo Gudel, também segue esse padrão. E, de acordo com as entrevistas concedidas pelo autor, parece que o recém-lançado Como Nascem os Monstros (Editora Topbooks, 2013, 606 páginas), romance do policial carioca Rodrigo Nogueira, condenado e preso por homicídio, também não foge à regra.


Um sargento preso por homicídio e ouvido por Bruno Paes Manso explica que o “assassinato é uma importante ferramenta no cotidiano perigoso do policial militar que trabalha na rua”, e acrescenta que “se os policiais fossem proibidos de matar seria melhor que parassem de trabalhar”. Esse mesmo policial diz ainda: “Sem contar que a bandidagem está cada vez ficando mais ousada, mais armada e respeita cada vez menos a polícia. Isso é explicado dessa forma, isso não foi a polícia que motivou. Hoje tem muito mais reação, o pessoal enfrenta, por isso tem mais morte”. O tenente-coronel Paes de Souza, do alto de sua tese da USP, classifica essa fala do sargento como simplista, por afirmar que mais criminalidade significa mais confronto e, consequentemente, mais mortes.


Ora, simplista é o modo como o tenente-coronel, desprezando seus 28 anos de experiência como policial, deixa-se seduzir pela inútil retórica da academia e utiliza esses depoimentos para corroborar teses injuriosas a respeito da Polícia Militar, que a acusam de ser uma máquina assassina, nazista, semelhante a Auschwitz. Quando atribuem à Polícia Militar o suposto “genocídio da juventude negra”, calúnia que já foi corroborada até por membros do Poder Judiciário, os acadêmicos escondem dois detalhes cruciais: primeiro, muitos jovens negros das periferias são recrutados pelo narcotráfico e matar ou morrer são verbos que conjugam diariamente; segundo, a Polícia Militar emprega muito mais negros do que as universidades que a criticam. Então, a ser verdade o que diz a academia, esses policiais não seriam genocidas, mas suicidas: estariam matando deliberadamente seus próprios familiares.


O tenente-coronel e os demais acadêmicos que escrevem teses sobre segurança pública acreditam que basta perorar sobre direitos humanos no ouvido de um soldado para que ele saia à rua com flores na boca do fuzil, ajudando velhinhas no semáforo e pegando crianças no colo, até que surja um marginal armado e esse policial, consciente de seus deveres, saque da farda um exemplar da Constituição e atire no rosto do bandido seus direitos humanos, para que o criminoso estenda os pulsos com cidadania e seja algemado com dignidade. É óbvio que a terrível complexidade da segurança pública não se rende a golpes de retórica sobre direitos humanos.


Policial só se equipara a médico


Uma análise verdadeiramente profunda dos depoimentos dos homicidas da PM revela a complexa natureza do trabalho policial, que, em qualquer tempo e lugar, é inevitavelmente insalubre para a alma. O policial é como o médico: sem uma dose sobre-humana de frieza, ele não será capaz de proteger vida nenhuma, pois o medo do sangue, da mutilação, do cadáver, irá acovardá-lo diante do dever a ser cumprido. Por isso, ser policial não é para qualquer um. Os policiais homicidas tentam enganar a própria consciência quando dizem que a corporação os transformou em violentos. O potencial de violência já estava presente neles ou não teriam sonhado em ser policial, uma profissão que, em algum momento, há de exigir violência para que as leis sejam cumpridas. Afinal, se bandido ouvisse conselho, não entraria no crime.


Polícia não é assistência – é contenção. Ela é chamada justamente quando as normas da cultura e os mandamentos da lei já não são suficientes para manter o indivíduo no bom caminho e alguém precisa contê-lo. Por isso, a polícia tem de ser viril. A testosterona que faz o bandido violento é a mesma que faz o policial corajoso. Daí a importância de se separar ontologicamente o policial do criminoso. Ao contrário do que acreditam os acadêmicos, o policial tem que tratar o bandido como inimigo, sim. O soldo sozinho – por maior que seja – não é capaz de separar o policial do criminoso, pois a natureza mais profunda de ambos e o ambiente em que vivem se alimentam da mesma virilidade masculina, responsável por mais de 90% dos crimes violentos em qualquer cultura humana em todos os tempos.


O policial de rua, obrigado a enfrentar o crime de arma em punho e não de uma sala refrigerada da USP, é como um médico num campo de refugiados ou em meio a uma epidemia letal: se trabalhar só pelo dinheiro, ele voltará para casa na hora, pois não há salário que pague sua própria vida, permanentemente em risco. Para compensar os riscos da profissão, o policial precisa ser tratado como herói. Especialmente num País como o Brasil em que a criminalidade soma cerca de 63 mil homicídios por ano (de acordo com estudos do Ipea). O policial precisa ter a certeza de que, ao tombar no campo de batalha, sua morte não será em vão: a sociedade irá cultuá-lo como herói diante de sua família enlutada e o bandido que o matou será severamente punido.


No Brasil, ocorre justamente o contrário: enquanto a morte de bandidos é cercada de atenção pelas ONGs dos direitos humanos e gera violentos protestos de rua em São Paulo e Rio, a morte de um policial não passa de uma efêmera nota de rodapé no noticiário e, em muitos casos, sua família não recebe nem mesmo a visita das autoridades da própria segurança pública, temerosas do que possam pensar os formadores de opinião. Já em países como os Estados Unidos, um bandido reluta em matar um policial, pois sabe que o assassinato será motivo de comoção pública e a pena que o aguarda será à altura dessa indignação cívica com a morte de um agente da lei.


Completa inversão de valores


Mas não basta tratar como herói o policial – também é preciso tratar o bandido como bandido. O ser humano é um ser relativo e não consegue julgar em absoluto, mas somente por meio de comparação. Por isso, ao mesmo tempo em que se enaltece o policial corajoso e honesto, é preciso punir verdadeiramente o criminoso, para marcar a diferença entre ambos. O policial se revolta ao proteger de linchamento o estuprador de uma criança ou ao levar para o hospital o bandido ferido que tentou matá-lo porque sabe que seu trabalho heroico e humanitário foi inútil: logo, esses bandidos serão postos na rua para cometer novos homicídios e estupros.


Mesmo o estuprador de uma criança ou o homicida que queima viva sua vítima têm direito a todas as regalias da legislação penal, travestidas de direitos humanos. Até criminosos que matam ou estupram mulheres gozam de benefícios absurdos, como a famigerada visita íntima. A Resolução CNPCP Nº 4, de 29 de junho de 2011, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, instituiu de vez a visita íntima como um direito do preso qualquer que seja a gravidade do seu crime. No seu artigo 4º, a resolução deixa claro que “a visita íntima não deve ser proibida ou suspensa a título de sanção disciplinar”; ou seja, mesmo se o preso promover rebeliões e mortes na cadeia, a visita íntima continuará sendo assegurada a ele como um direito sagrado, à custa da segurança da sociedade. É óbvio que a mulher que se presta a lhe servir de repasto sexual também há de lhe fazer outros favores associados diretamente ao crime, como passar recados para seus comparsas que estão fora das grades.


É por isso que quando uma patrulha da PM leva um criminoso ferido para o hospital, muitas vezes junto com um policial também ferido na troca de tiros, os policias que assim agem precisam ser tratados como heróis. É sua única recompensa. Não há salário que pague esse gesto. Não é fácil para nenhum ser humano salvar a vida de seu próprio algoz sabendo que aquele criminoso que tentou matá-lo não será punido como merece, pois, na cadeia, continuará comandando o crime, com direito a saídas temporárias, visitas íntimas e outras regalias. A legislação penal é tão moralmente hedionda que um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, depois de preso, jogou água quente em sua companheira dentro da própria cela. E esse novo crime bárbaro só foi possível porque o Estado brasileiro – cúmplice contumaz de bandidos – garante a famigerada visita íntima até para um monstro dessa espécie.


Feministas contra a polícia


Mas, por incrível que pareça, até as feministas – que criticam violentamente a polícia – defendem as visitas íntimas para presos, consideradas uma extensão dos direitos humanos e classificadas como “direitos sexuais”. Ora, direito sexual é como o direito de expressão: toda pessoa tem o direito de falar, mas não tem o direito de obrigar o outro a ouvi-la. O preso não pode ser impedido de sonhar com uma mulher ou até de satisfazer solitariamente sua libido. Mas isso não significa que ele tem o direito de manter relações sexuais dentro da cadeia, mesmo que seja com sua esposa. E a razão é simples: seu desejo sexual não pode ser posto acima da segurança da sociedade. É óbvio que, durante a visita íntima, não há meio de controlar o preso. Ele pode usar a visita – e sempre usa – para transmitir recados aos comparsas fora da cadeia, daí o comando que o cárcere continua tendo sobre o crime organizado. Praticamente todas as centrais telefônicas do PCC são administradas por mulheres de presidiários. E mulher de preso inevitavelmente o obedece, sob pena de ser morta.


O mesmo se dá com a alimentação do preso. Não deixar um latrocida morrer de fome e sede na cadeia é garantir-lhe um direito humano básico, mas permitir que ele escolha o cardápio, por meio de rebeliões, como ocorre com muita frequência nos presídios brasileiros, não passa de um abuso com o dinheiro de suas vítimas. Hoje, até o criminoso que queima sua vítima viva tem direito a remissão de pena não por dias trabalhados, por horas de estudo e, pasmem, até pela simples leitura de romances na cadeia. Ou seja, o que os acadêmicos chamam de “direitos humanos” são, na verdade, privilégios civis, que deveriam ser privativos do cidadão que respeita as leis e não do bandido que fere o contrato social e, por isso, tem de ser excluído da esfera da cidadania enquanto cumpre sua pena.


Hoje, a inversão de valores é tanta que, oficialmente, por meio das políticas públicas do governo federal, o policial militar se tornou o inimigo público número um, enquanto se concede ao criminoso o monopólio dos direitos humanos. A Resolução nº 8, de 21 de dezembro de 2012, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, sob o comando da ministra Maria do Rosário, estabelece em seu artigo 1º que, quando um bandido morre em confronto com a polícia, na descrição de sua morte nos registros oficiais não deve mais ser usada a expressão “resistência seguida de morte” e, sim, “homicídio decorrente de intervenção policial”.


A alegação é que os policiais utilizam o chamado “auto de resistência” para esconder execuções. Ora, nos casos em que isso ocorre, não vai ser mudando as palavras que o crime deixará de ser praticado. Mais do que a nomenclatura, o que importa em qualquer crime é a investigação. E essa não deixará de ser feita caso um auto de resistência levante suspeitas, a não ser que as autoridades responsáveis pelo controle externo da polícia se omitam. Prova disso é que dezenas de policiais militares são expulsos da corporação em todo o País. Classificar esse tipo de ocorrência como “resistência seguida de morte” é uma questão de respeito com o policial. É um absurdo que, após uma troca de tiros com assaltantes de bancos armados de fuzil, o policial tenha de descrever a morte de um dos bandidos como “homicídio decorrente de intervenção policial”.


Criminoso é “reeducando”, policial é “homicida”


A sociedade honesta e trabalhadora, que não se acumplicia com bandidos, não pode aceitar essa calúnia legalizada contra a polícia, tachando previamente de “homicida” o policial que mata para proteger a sociedade, cumprindo seu dever constitucional. Se numa investigação sobre um auto de resistência ficar provado que não houve confronto, mas execução, então que o policial seja punido. O que não se pode aceitar é que o policial seja antecipadamente tachado de homicida mesmo quando é obrigado a matar para proteger vidas. Na prática, é essa a mancha que o policial terá de carregar em sua imagem, caso seja obrigado a registrar a morte de um bandido em confronto como “homicídio”. Isso é ainda mais grave quando se compara o tratamento de “homicida” que querem dar ao policial com o tratamento de “reeducando” que a Justiça dá a latrocidas e estupradores nas cadeias.


Atentem para esta fórmula de inversão dos valores: policial que mata um sequestrador é “homicida”, até que prove o contrário; já o sequestrador que mata o refém vira “reeducando” quando é preso e condenado pela Justiça. Como se pode notar, há uma completa inversão dos valores morais: o policial é culpado até que prove sua inocência; já o bandido é inocente como uma criança de escola (“reeducando”), justamente quando sua culpa foi provada e sentenciada nos tribunais. Esses fatos mostram que os acadêmicos que criticam a Polícia Militar não estão preocupados com a segurança da população honesta e trabalhadora – querem é atacar a sociedade capitalista, como se não fossem justamente os mais pobres os que mais perdem com o enfraquecimento da polícia? Os ricos podem contratar segurança privada. E os pobres? E a classe média? O que será deles sem a polícia?


A grande verdade é que a Polícia Militar não é necessariamente pior do que as demais instituições humanas. Convém relembrar uma máxima do economista Albert Hirschman não aproveitada na tese do tenente-coronel Paes de Souza: “Sob qualquer sistema econômico, social ou político, indivíduos, firmas e organizações, em geral estão sujeitas a falhas de eficiência, racionalidade, legalidade, ética ou outros tipos de comportamento funcional. Não importa quão bem estabelecidas as instituições básicas de uma sociedade; alguns agentes, ao tentarem assumir o comportamento que deles se espera, estão fadados ao fracasso, ainda que por razões acidentais de quaisquer tipos”.


Ou seja, todas as demais instituições indispensáveis à Justiça, como o Judiciário, o Ministério Público, a OAB, a Polícia Federal e a Polícia Civil, para citar as principais, estão sujeitas a gravíssimas falhas por parte de seus membros. Um juiz que mata um inofensivo e desarmado vigilante de supermercado, como já ocorreu no Brasil, é infinitamente mais criminoso do que um policial desesperado, que, depois de escapar por pouco das balas de um assaltante, resolve terminar de matá-lo ao se dar conta de que ele está ferido. É errada essa atitude do policial? Sem dúvida. Mas é compreensível, tanto que a maioria da população, equivocadamente, a aprova. E a única forma de inibir essa justiça vicária feita com a própria farda é dar ao policial a certeza de que ele pode entregar o bandido aos tribunais, que a sociedade será vingada mesmo assim – sem visitas íntimas, sem saídas temporárias, sem indultos de Natal, sem celulares na prisão, sem regime semiaberto, sem remissão de pena e sem as demais regalias dadas ao criminoso.


É bom lembrar que leis mais duras serviriam inclusive para punir os maus policiais, que também existem, mas, hoje, acabam ingressando no crime organizado ao serem expulsos da corporação. Se os maus elementos de cada instituição humana fossem enforcados nas tripas dos maus elementos das outras, não sobrariam condenados nem tripas. A maldade humana está relativamente bem distribuída em todas as instituições. Por isso, é tolice creditar os problemas da segurança pública à Polícia Militar, como insistem em fazer os acadêmicos e até policiais influenciados por eles. Tortura, corrupção e truculência não são privativas da PM. E a injustiça com a PM é ainda mais grave quando se leva em conta o contexto em que a corporação atua – a miséria moral dos mais ferozes criminosos, que não têm o menor respeito pela vida humana. Por isso, é tolice achar que, desmilitarizando a PM, se resolvem todos os problemas da segurança pública. Mesmo se isso fosse verdade, seria um desatino desmilitarizar a polícia justamente quando os bandidos andam com fuzis nas ruas e transformaram até as cadeias em quartéis crime.

Fonte: http://libertatum.blogspot.com.br