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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Taiguara - Que as Crianças Cantem Livres

QUE AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES













Nesse tempo, citado no vídeo, não existiam assassinos cruéis que arrastavam crianças pelas ruas, que incendiavam uma família inteira dentro de um carro - com mais uma criança vítima da barbárie -, filhas que tramavam e participavam  da morte de seus pais (com direito a fã clube) ou mesmo filhos de degolavam pais que, acertadamente, lhes negavam dinheiro para compra de drogas.


Dirão alguns que vivíamos em plena ditadura, não podíamos expressar nossas opiniões livremente; não podíamos, simplesmente, ser "contra" o governo. 'Tá bem, eu concordo e assino em baixo. Mas... não tínhamos um partido político (tínhamos apenas dois) que metesse a mão, descaradamente, nos cofres públicos. Não tínhamos um presidente tão descaradamente leniente e incentivador do escambo, da rapinagem e do alinhamento automático com a escória política do mundo.

Muitas músicas foram censuradas, dirão outros. Vá lá, novamente concordo. Mas por quê será que a música "Brasil Corrupção" da Ana Carolina e do Tom Zé não é executada, em plena era de "liberdade" democrática? A censura hoje é bem pior. Antes todos sabiam o que podiam e o que não podiam fazer, falar e cantar. Hoje, em plena democracia, veículos são "incentivados monetariamente" a não tocarem em certos assuntos que possam melindrar o ego do governante de plantão. Bem pior, não?

Taiguara (Chalar da Silva) também teve muitas composições censuradas. Não quero imaginá-lo (se vivo estivesse) como um puxa-sacos de Fidel, como o Chico, nem como um adesista e conivente como o Gil, artistas que, como Taiguara, afrontaram a ditadura, mas que hoje são coniventes com os desmandos e a "ignorantização" do país.

Nesse 14 de fevereiro (relembrando a morte de Taiguara) quero recordar a genialidade de um grande compositor, maestro e intérprete (de voz mansa), de um tempo difícil, mas que podíamos dormir de janelas abertas, sem sequestros e sem assaltos a bancos (apenas os que estão hoje no poder o faziam, em nome de uma ideologia retrógrada). 

O vídeo acima, para os apressados é longo (6 minutos), fala exatamente dos tempos da censura e mostra-nos uma bela canção: "Que as crianças cantem Livres"; o que não deixaram o pequeno João Hélio Fernandes Vieites fazer. (saiba mais aqui) 

terça-feira, fevereiro 13, 2007

SOCORRO, CADÊ A JUSTIÇA?



SOCORRO, CADÊ A JUSTIÇA?


"O que ocorre é que geralmente se discute a legislação e mudanças na legislação sob um clima de tensão, sob um clima de emoção e isso não é necessariamente a melhor forma de discutir legislação" Ministra Ellen Gracie, STF.


Seria interessante que a sra. Ellen Gracie fizesse essa declaração olhando nos olhos de Rosa Cristina Fernandes e Elson Lopes Vieites, pais do pequeno João Hélio Fernandes Vieites. Antes de fazer essa declaração - infeliz - a sra. Ellen Gracie que é mãe como Rosa Cristina e que foi adolescente como Aline Fernandes, 14 anos, irmã de João Hélio Fernandes, se dignasse a ler a carta que essa jovem (marcada para o resto de sua vida) escreveu:


"Socorro! Cadê a justiça?

Ele é de menor? Eu sei. Eu também sou, e meu bebê também era. Na hora que esse "menor" apontou a arma pra minha cabeça e arrastou meu bebê até a morte ele foi muito adulto. Agora é muito fácil pra ele ser tratado como uma criança quando na verdade ele já foi um monstro cruel e sem coração. Ele deve ser tratado como adulto! Olha pra mim. O que você vê? Uma mulher e não uma criança. Eu sei o que faço e procuro agir de maneira correta. Tenho 14 anos e estou péssima. Minha família está sem chão, o Rio emocionado e o Brasil revoltado. Se essa não é a hora da mudança, quando será? Quando acontecer novamente? Quando mais uma vida por tirada por um homem de 16 anos? E o pior é que ele vai passar só 3 anos de sua vida dentro de um centro de recuperação. É muito fácil garotos como ele cometerem crimes bárbaros sabendo que praticamente nada acontecerá com eles, que a justiça não será feita. O presidente e outros políticos que não estão de acordo, dos 2 um: ou eles não têm filhos, ou eles não têm alma. Eles andam cercados de seguranças e permitem que esses crimes aconteçam. Não queremos aparecer, não queremos vingança, queremos justiça.



Brasília acorda!!!
Antes de dizer o que disse, a sra. Ellen Gracie deveria apontar soluções viáveis e não sonhadoras como as que estão no Estatuto da Criança e do Adolescente, uma peça de ficção num país que discute salários de R$ 24.000, 00 (Não é mesmo, ministra?), verbas indenizatórias de R$ 15.000,00 (Não é mesmo srs. deputados?), doação de R$ 20 milhões para a Bolívia (Não é sr. Omisso da Silva?) e não consegue fechar a entrada de tanta droga e armamentos pesados que alimentam a violência, todos os dias. Se formos esperar a violência diminuir para depois discutirmos o endurecimento contra o crime, talvez só restem no Brasil a senhora. e o sêo. Omisso da Silva. Acorda senhora Ellen!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

MENINO ARRASTADO COMOVE O PAÍS, MAS DE NADA ADIANTARÁ





Rio de Janeiro, 8 de fevereiro de 2007

















Mais uma vez um bárbaro crime comove o país. Mais uma vez serão gastas páginas e mais páginas de jornais retratando a "execução" de um menino de 6 anos arrastado por 7 quilômetros.

Os estúpidos já estão presos, entre os facínoras um menor de 18 anos.


Novamente o código penal de "mil novecentos e não se sabe" será taxado de ultrapassado, o Estatuto da Criança e do adolescente será criticado e tudo será esquecido na próxima semana; afinal o carnaval está chegando e este é o país da alegria, da malevolência, da sensualidade e ... da esculhambação.


Iremos todos ver a Mangueira entrar na passarela (e no reto do povo), os trios elétricos da Bahia (com direito a ministro Gilberto Gil rebolando) e o frevo de Recife. Na quarta-feira de cinzas, iremos contabilizar quantos morreram nas belíssimas estradas federais, os ginecologistas terão excesso de trabalho, a pílula do dia seguinte baterá recordes de distribuição e o menino que foi arrastado terá sido esquecido. O BBB7 (esse programa exemplar que expõe a faceta mais vil de quem participa e de quem assiste) voltará a bater recordes de audiência, a novela das oito continuará mostrando a sociedade decadente (e sendo aplaudida) e o menino arrastado até a morte... "Quem? Num tô sabendo cara!" "Onde foi isso, no Iraque?" .


Nada vai acontecer de prático. O STF continuará ignorando o clamor dos pais e mães das vítimas de crimes hediondos e a progressão da pena continuará beneficiando assassinos. Nossos bravos parlamentares continuarão fazendo de conta que legislam, o Executivo continuará produzindo peças publicitárias e as nossas Polícias continuarão prendendo, arriscando a vida para depois ver que seu trabalho de nada valeu. O Padre Lancelotti continuará defendendo o direito dos meninos (de 17 anos, 11 meses e 29 dias) serem inimputáveis, enquanto ele próprio não for a vítima de um desses anjinhos.


Assim, após o Carnaval, estaremos prontos para mais um crime violento e começaremos novamente ao blá blá blá de sempre. Por que no Brasil... é assim mesmo!.
A vítima de mais esse bárbaro crime é João Hélio Fernandes, 6 anos: Que Deus possa aplacar a dor de seus familiares; o João Hélio já está com Ele.

..."O pai de um dos assaltantes responsáveis pela morte de João Hélio Fernandes, de seis anos, teria ajudado a polícia a prender seu próprio filho, de acordo com o delegado do caso, Hércules Pires do Nascimento. 'Me sinto como pai do garoto que morreu. Não posso mais fazer nada. Quem vai fazer é a justiça', afirmou Nilson Nonato, pai de Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, que, ao ser questionado se sentia remorso pelo sofrimento dos pais de João, respondeu: 'Eu não tenho filho'..."