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sábado, junho 02, 2007

A Gautama do éter


A Gautama do éter.

A TV Pública é a Gautama do éter. Assim como a Gautama faz obras que custam caro e ninguém vê, a TV Pública custará caro e ninguém a verá. A Gautama deu dinheiro a um monte de lulistas. A TV Pública dará dinheiro a outros tantos. O pessoal da Gautama foi parar na cadeia. Minha torcida é para que, futuramente, por algum motivo, o pessoal da TV Pública tenha o mesmo fim.




O que diferencia a Gautama da TV Pública é o preço. O da TV Pública é mais alto. Muito mais alto. O butim foi calculado inicialmente em 250 milhões de reais por ano. Agora, como diria Zuleido Veras, o contrato já foi aditado. De acordo com o assessor de imprensa informal de Franklin Martins, que despacha regularmente na Folha de S.Paulo, a TV Pública receberá 350 milhões de reais por ano. Se continuar nesse ritmo, logo mais a TV Pública terá de ser chamada de Andrade Gutierrez do éter ou de Mendes Júnior do éter.




Um conselho de oito profissionais foi reunido para idealizar a TV Pública. Há gente como Eugenio Bucci, recentemente afastado da Radiobrás, Florestan Fernandes Júnior, filho do sociólogo petista, e Beth Carmona, diretora da TVE. Quando Beth Carmona foi nomeada para a TVE, Luiz Gushiken declarou que se tratava de uma "escolha pessoal do presidente Lula". É com esse estigma que ela chega à TV Pública. Beth Carmona é uma espécie de teórica do traço. Traço é como se define o programa de TV com ibope igual a zero. Em sua defesa, ela argumenta que "a TV é uma concessão pública e, como tal, deve servir aos anseios da sociedade, e não à busca desenfreada pela audiência". Traduzindo: o espectador não sabe o que é melhor para ele, quem sabe é a Beth Carmona. Quais seriam os "anseios da sociedade"? Neste momento, estou sintonizado na TVE. Há um porquinho tocando violino. Meu único anseio é ele parar de tocar.




Outro conselheiro da TV Pública é Laurindo Lalo Leal. Ele apresenta um programa na TV Câmara, o Ver TV. Apesar do nome, desconfio que seja um dos programas de TV menos vistos de todos os tempos. Laurindo Lalo Leal acredita no seguinte: "Deve-se lutar contra o índice de audiência em nome da democracia. A TV regida pela audiência contribui para exercer sobre o consumidor as pressões do mercado, que não têm nada da expressão democrática de uma opinião coletiva esclarecida". O autor dessa charlatanice bolivariana é Pierre Bourdieu. A mensagem é aquela de sempre: somos incapazes de entender o que é bom para nós. Hoje à noite vou ver a novela da Globo e comprar todos os produtos anunciados nos intervalos comerciais. Só para incomodar Laurindo Lalo Leal e os acólitos de Pierre Bourdieu.




Se a meta da TV Pública é garantir apoio para o lulismo, não há o menor perigo de sucesso.


Diogo Mainardi - VEJA Edição 2011 6 de junho de 2007

sexta-feira, maio 25, 2007

Lula: Um discurso para cada platéia.


Lula: Um discurso para cada platéia.


Quando foram pegos comprando dossiês "fabricados", Lulla chamou seus companheiros de "aloprados". Essa frase foi para agradar os incautos que acreditavam na lisura do Candidato Lula em 2006, apesar de todos os escândalos.
Lula elogiou Palocci, mesmo sabendo que este cometera grav´ssimos crimes(Prevaricação,Denunciação caluniosa,violação de sigilo funcional e quebra de sigilo bancário).
José Dirceu, indiciado pelo procurador da República por corupção ativa, continuou merecendo os mimos do presidente. Assim também aconteceu com os companheiros Delúbio, Silvio Pereira, Genoíno e Luiz Gushiken. O companheiro João Paulo Cunha, indiciado por corrupção passiva, mereceu do presidente algo mais: autorizou o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, candidato à reeleição, a editar um vídeo no qual aparece afagando o deputado acusado pelo Ministério Público de sacar dinheiro do valerioduto. “Se tivesse um título de revelação política, com certeza você o receberia por seu comportamento e lisura”, diz Lula no vídeo como que investido do papel de magistrado plenipotenciário (Correio Braziliense 29/08/06). Esses agrados revela o "outro" Lula, o que não quer se indispor com os companheiros.


"Foi muito duro tirar o Silas (Operação Navalha), tenho consciência que é um homem de bem". "Ele não tem posses, terá dificuldades de pagar advogado.". Qual dos Lullas proferiu essa frase? Silas Rondeau está na categoria dos aloprados?
Quanto a não ter dinheiro para pagar advogados, o presidente não precisa se preocupar tanto, certamente aparecerão os bons companheiros de sempre para defendê-lo, graciosamente. Gushiken também não tinha bens,mas sua casa foi assaltada e levaram R$ 10 mil em espécie e muitos dólares. Se existe algo que essa gente sabe fazer é Poupança.


quinta-feira, junho 29, 2006

O gabinete de Brasília


O gabinete de Brasília.


“O Gabinete do Dr. Caligari” filme mudo, em preto e branco e dirigido por Robert Wiene é um marco no cinema expressionista alemão. Caligari domina, por meio de hipnose, um rapaz chamado Cesare, quem jazia sonâmbulo havia 23 anos. A comparação entre Caligari e Hitler é evidente. Assim como aquele controlava a mente de Cesare, este dominava milhões de alemães. Caligari usava Cesare por ter a certeza de que a mente de um sonâmbulo poderia ser facilmente dominada. Para mostrar a confusão mental de Caligari os cenários são pintados em planos e linhas tortuosos, distorcidos, com forte contraste em claro-escuro, deixando o ambiente ainda mais macabro.

No Brasil o cenário eleitoral é muito parecido. Lula, aos moradores da periferia de Olinda, dizendo que a oposição faz jogo rasteiro e não possui caráter: “Todo dia aparece alguém para me agredir. Essas pessoas estão pensando: puxa vida, nós estamos governando o Brasil desde que Cabral pôs os pés aqui e não conseguimos fazer nada. Por que esse metalúrgico está fazendo?” O próprio “pai dos pobres” respondeu: “Este metalúrgico está fazendo porque tem uma coisa que eles não têm: este metalúrgico tem caráter.”


O metalúrgico deve ter esquecido o caráter em casa quando se confraternizou, no evento em que seu partido homologou as candidaturas de petistas mensaleiros, com aqueles que o “traíram” em um outro famoso filme de terror. A lista de atores candidatos ao Oscar, categoria “Valerioduto”: José Genoino, Antônio Palocci, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor e a deputada dançarina Ângela Guadagnin.


O problema é que na refilmagem do épico Ali-Babá e os 40 ladrões, o procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, denunciou uma quadrilha de 40 criminosos, entre eles, o ex-capitão do time José Dirceu, Anderson Adauto, Luiz Gushiken, José Genoino, Delúbio Soares, Silvio Pereira, Marcos Valério e Duda Mendonça.


Pior: na cena mais assustadora do encontro petista, Aloízio Mercadante, candidato ao governo paulista, defendeu a presença dos mensaleiros. “A população terá o direito de julgar, nas urnas, se a biografia dos protagonistas do escândalo é mais importante que seus erros”. Quais biografias? Ser ex-guerrilheiro conta? Não foram apenas erros; foram crimes. Ao menos uma palavra do roteiro Mercadante decorou: “protagonistas”.


Muitas cenas de banditismo explícito do maior filme de 5ª categoria da “história desse País” foram exibidas em horário impróprio nas tevês de todo o Brasil sem que os adultos fossem alertados a tirarem as crianças da sala: a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo, os dólares na cueca e em caixa de uísque, os milhões da Telemar na empresa do filho de Lula, os R$ 55 milhões repassados por Marcos Valério ao PT e aliados do governo Lula que, segundo o relatório da CPI dos Correios, a origem de quase R$ 31 milhões veio da Brasil Telecom, Banco do Brasil, Usiminas e Visanet, além de inúmeras outras perversidades. Já no remake de “Sexo, mentiras e vídeo tape” vieram a cafetina de Brasília e a “República de Ribeirão”, os depoimentos às CPIs e o vídeo flagrando o funcionário dos Correios recebendo propina.


Hoje as pesquisas apontam Lula como o preferido do eleitor Cesare, o sonâmbulo, cuja mente é facilmente dominada pelo “quadrado mágico” da propaganda. Em “De Caligari a Hitler, uma história psicológica do cinema alemão”, Siegfried Kracauer afirma: “Os filmes de uma nação refletem a mentalidade desta, de uma maneira mais direta do que qualquer outro meio artístico”.


Como a vida imita a arte, em 2002 o jingle para o thriller do PT era: “Por um Brasil decente”. Mas como em seu romance inacabado Lula disse que “Sarney foi um parceiro extraordinário” e ainda assistiu ao jogo da seleção ao lado de Jader Barbalho, na campanha à reeleição uma frase do novo jingle é ainda mais horripilante: “São milhões de Lulas povoando este Brasil”. Kracauer está coberto pelo manto sagrado da razão.


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