quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Eu sabia da renúncia desde setembro de 2011.




por Antonio Socci












Nota do site do Padre Paulo Ricardo: publicamos este interessante artigo do jornalista italiano Antonio Socci que, num furo jornalístico extraordinário, já havia anunciado, há um ano e meio (!), a decisão de Bento XVI de renunciar ao Pontificado.


A renúncia de Bento XVI não é somente uma notícia explosiva, mas um evento epocal, sem precedentes (pode-se citar o caso de Celestino V, há setecentos anos, mas foi um acontecimento muito diferente, num contexto bem diverso).

O que está acontecendo diante de nossos olhos é um acontecimento que, pela sua própria natureza planetária e espiritual, faz empalidecer todas as outras notícias de acontecimentos destes dias e certamente não tem relação alguma com elas (a começar com as eleições italianas).

Ontem, Ezio Mauro, na reunião de redação de "República" transmitida no site, e que obviamente foi dedicada ao pontífice, revelou que Bento XVI chegou a esta decisão "depois de uma longa reflexão. Hoje pela manhã – acrescentou Mauro – ele nos disse que já tinha tomado a decisão há tempo e que mesmo assim a manteve no segredo".

Na realidade a decisão foi tomada, pelo menos desde o verão de 2011 e não era mais uma notícia secreta desde 25 de setembro de 2011, quando, neste jornal, eu a trouxe à luz, tendo dela sabido de diversas fontes, todas confiáveis e independentes umas das outras. Naquela ocasião, a entrega do cargo fora pensada, por Ratzinger, para o seu aniversário de 85 anos, ou seja, na primavera de 2012.

O problema é que, dois meses depois do meu artigo, no outono de 2011, começou a eclodir o caso do vazamento de informações do Vaticano (conhecido como Vatileaks) e imediatamente ficou claro – até que não se concluísse o caso – que o Santo Padre não colocaria em prática sua decisão. De fato, no livro de entrevista publicado há alguns anos, "Luz do mundo", com Peter Seewald, analisando a possibilidade de renúncia de forma teórica, explicara que, quando a Igreja se encontra em meio a uma tempestade, um Papa não pode renunciar.

Por isto, no dia 11 de março de 2012, faltando um mês para o aniversário de 85 anos do Pontífice (que é 16 de abril), eu escrevi nesta coluna: "É necessário que se diga que a tempestade que se abateu nestes meses sobre a Cúria vaticana, em particular sobre a Secretaria de Estado, afastou a hipótese da renúncia do Papa, o qual sempre deixou claro que a renúncia deve ser excluída quando a Igreja está em grande dificuldade, pois poderia parecer uma fuga da responsabilidade". A forma como os fatos se desenvolveram posteriormente confirma esta reconstrução. Já que a renúncia do Papa aconteceu, finalmente, passado exatamente um mês da conclusão definitiva do caso Vatileaks, com o perdão concedido ao mordomo Paulo Gabriele.

Sinal de que esta renúncia já havia sido efetivamente pensada no verão de 2011.

Eis as razões apresentadas ontem pelo Papa: "cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino".

Com sua habitual clareza, o Papa disse a simples verdade e fez a escolha que considera a melhor para o bem da Igreja, escolha esta, aliás, de humildade, que é uma característica importante de sua humanidade e de sua fé.

Nós, no entanto, podemos e devemos observar que quase todos os papas precedentes envelheceram e permaneceram no cargo, embora com forças reduzidas, governando através de seus colaboradores.

Pode-se então levantar a hipótese que Bento XVI não tenha feito esta escolha por julgar não ter colaboradores à altura desta tarefa (com a sua renúncia, decaem os cargos mais importantes da cúria).

Pode-se claramente dizer que Bento XVI foi um grande pontífice e que o seu pontificado foi – ao menos em parte – dificultado por uma Cúria que não estava à sua altura, mas também pela escassa sintonia com o Papa por parte do episcopado.

Joseph Ratzinger, que confirma ser um papa extraordinário também com esta sua saída de cena, certamente carregou a cruz do ministério petrino sofrendo muito e dando tudo de si mesmo (não lhe faltaram nem incompreensões, nem desprezo).

Foi uma pena verificar que o seu esplêndido magistério muitas vezes não foi escutado.

Quando publiquei o meu furo jornalístico, escrevi que teria o desejo de ser desmentido pelos fatos e esperava que nós católicos rezássemos para que Deus nos conservasse este grande Papa por mais tempo.

Infelizmente, muitos crentes, ao invés de escutar este meu apelo à oração se puseram a me atacar, como se fosse crime de lesa majestade dar a notícia de que o Papa estava considerando a renúncia. Uma reação puritana que demonstra um certo clericalismo bem comum. Bento XVI – com a sua constante apologia da consciência e da razão – está entre os poucos que não possuem uma mentalidade clericalista.

Basta recordar que não hesitou em chamar com o seu nome próprio todas as pragas da Igreja e de denunciá-las como jamais se fizera.

Na sua admirável liberdade moral ele não hesitou nem mesmo em desmentir alguns de seus colaboradores mais próximos sobre o "segredo de Fátima". Aconteceu em 2010, quando decidiu fazer uma repentina peregrinação ao santuário português e lá declarou:

"Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída [...] Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima. [...] Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade".

Uma expressão que certamente faz pensar (o centenário das aparições de Fátima será em 2017), também numa relação com os famosos "dez segredos" de Medjugorje.

Por outro lado, o próprio anúncio da renúncia aconteceu em uma data gloriosamente mariana, o 11 de fevereiro, aniversário (e festa litúrgica) das aparições da Virgem de Lourdes. É fácil prever que agora irão se desencadear explicações fantasiosas, que irão evocar Malaquias, a monja de Dresden e todo o resto.

Permanece, porém, o fato que o Papa, com o peso da decisão epocal que assumiu, coloca toda a Igreja diante da gravidade dos tempos que vivemos. Gravidade que Nossa Senhora enfatizou dolorosamente um todas as aparições modernas, desde La Salette, Lourdes, Fátima e Medjugorje (passando pelo misterioso e milagroso derramamento de lágrimas da imagem de Nossa Senhora em Civittavecchia).

É de se esperar, além do mais, que não se atribua a este nosso amado Papa, aquilo que foi atribuído a um seu predecessor, Pio X, que a Igreja proclamou santo.

É um episódio que tem sido difundido há alguns meses em alguns ambientes católicos e também na Cúria.

Parece que Pio X, em 1909, teria tido uma visão durante uma audiência que o angustiou: "O que vi foi terrível! Serei eu, ou um meu sucessor? Vi o Papa fugir do Vaticano entre os cadáveres de seus padres. Irá refugiar-se em algum lugar, incógnito, e depois morrerá de morte violenta".

Parece que teria voltado a esta visão em 1914, perto de sua morte. Ainda lúcido, transmitiu novamente o conteúdo da visão e comentou: "O respeito a Deus desapareceu dos corações. Deseja-se até mesmo apagar a sua lembrança".

Há algum tempo circula esta "profecia" também porque se diz que Pio X teria igualmente declarado que se trata de "um de meus sucessores com nome igual ao meu". O nome de Pio X era Giuseppe Sarto. Ou seja, José, portanto, Joseph. Desejo ardentemente que se trate de uma falsa profecia ou que não diga respeito aos nossos dias.

Mas a sua divulgação faz ver o quanto o pontificado de Bento XVI – como o de seu predecessor – esteja circundado de inquietações.

Além do mais, foi ele mesmo quem o iniciou pedindo a oração dos fieis para que não fugisse diante dos lobos. O Papa não fugiu.

Sofreu e realizou a sua missão até que pôde e hoje pede à Igreja um sucessor que tenha as forças para assumir este pesado ministério. Além do mais, para todos é evidente que o papado, já faz três séculos,tornou-se um lugar de martírio branco, da mesma forma com que, nos primeiros séculos, significava certamente o martírio de sangue.

De fato, os tempos modernos se abriram com um outro evento místico acontecido com o papa Leão XIII, o papa da "questão social" e da "Rerum novarum". No dia 13 de outubro de 1884 (13 de outubro é também o dia do milagre do sol em Fátima) o pontífice teve uma visão durante a celebração eucarística.

Ficou chocado e abalado. O pontífice explicou que dizia respeito ao futuro da Igreja. Revelou que Satanás, nos cem anos seguintes, chegaria ao cume de seu poder e que faria de tudo para destruir a Igreja.

Parece que ele teria visto também a Basílica de São Pedro assediada por demônios que a faziam tremer.

O fato certo, porém, é que o Papa Leão se recolheu imediatamente em oração e escreveu aquela maravilhosa oração a São Miguel Arcanjo, vencedor de Satanás e protetor da Igreja, que desde então era recitada em todas as igrejas, no fim da Missa.

Esta oração foi abolida com a reforma litúrgica que se seguiu ao Concílio Vaticano II, a reforma litúrgica que Bento XVI procurou tanto reelaborar. Nunca como hoje a Igreja necessita da oração de proteção a São Miguel Arcanjo.





O que os nazistas copiaram de Marx.










O que os nazistas copiaram de Marx.
por Ludwig Von Mises









O marxismo afirma que a forma de pensar de uma pessoa é determinada pela classe a que pertence. Toda classe social tem sua lógica própria. Logo, o produto do pensamento de um determinado indivíduo não pode ser nada além de um "disfarce ideológico" dos interesses egoístas da classe à qual ele pertence. A tarefa de uma "sociologia do conhecimento", segundo os marxistas, é desmascarar filosofias e teorias científicas e expor o seu vazio "ideológico". A economia seria um expediente "burguês" e os economistas são sicofantas do capital. Somente a sociedade sem classes da utopia socialista substituirá as mentiras "ideológicas" pela verdade.

Este polilogismo, posteriormente, assumiu várias outras formas. O historicismo afirma que a estrutura lógica da ação e do pensamento humano está sujeita a mudanças no curso da evolução histórica. O polilogismo racial atribui a cada raça uma lógica própria.

O polilogismo, portanto, é a crença de que há uma multiplicidade de irreconciliáveis formas de lógica dentro da população humana, e estas formas estão subdivididas em algumas características grupais.

Os nazistas fizeram amplo uso do polilogismo. Mas os nazistas não inventaram o polilogismo. Eles apenas criaram seu próprio estilo de polilogismo.

Até a metade do século XIX, ninguém se atrevia a questionar o fato de que a estrutura lógica da mente era imutável e comum a todos os seres humanos. Todas as interrelações humanas são baseadas nesta premissa de que há uma estrutura lógica uniforme. Podemos dialogar uns com os outros apenas porque podemos recorrer a algo em comum a todos nós: a estrutura lógica da razão.

Alguns homens têm a capacidade de pensar de forma mais profunda e refinada do que outros. Há homens que infelizmente não conseguem compreender um processo de inferência em cadeias lógicas de pensamento dedutivo. Mas, considerando-se que um homem seja capaz de pensar e trilhar um processo de pensamento discursivo, ele sempre aderirá aos mesmos princípios fundamentais de raciocínio que são utilizados por todos os outros homens. Há pessoas que não conseguem contar além de três; mas sua contagem, até onde ele consegue ir, não difere da contagem de Gauss ou de Laplace. Nenhum historiador ou viajante jamais nos trouxe nenhuma informação sobre povos para quem A e não-A fossem idênticos, ou sobre povos que não conseguissem perceber a diferença entre afirmação e negação. Diariamente, é verdade, as pessoas violam os princípios lógicos da razão. Mas qualquer um que se puser a examinar suas deduções de forma competente será capaz de descobrir seus erros.

Uma vez que todos consideram tais fatos inquestionáveis, os homens são capazes de entrar em discussões e argumentações. Eles conversam entre si, escrevem cartas e livros, tentam provar ou refutar. A cooperação social e intelectual entre os homens seria impossível se a realidade não fosse essa. Nossas mentes simplesmente não são capazes de imaginar um mundo povoado por homens com estruturas lógicas distintas ente si ou com estruturas lógicas diferentes da nossa.

Mesmo assim, durante o século XIX, este fato inquestionável foi contestado. Marx e os marxistas, entre eles o "filósofo proletário" Dietzgen, ensinaram que o pensamento é determinado pela classe social do pensador. O que o pensamento produz não é a verdade, mas apenas "ideologias". Esta palavra significa, no contexto da filosofia marxista, um disfarce dos interesses egoístas da classe social à qual pertence o pensador. Por conseguinte, seria inútil discutir qualquer coisa com pessoas de outra classe social. Não seria necessário refutar ideologias por meio do raciocínio discursivo; ideologias devem apenas ser desmascaradas, denunciando a classe e a origem social de seus autores. Assim, os marxistas não discutem os méritos das teorias científicas; eles simplesmente revelam a origem "burguesa" dos cientistas.

Os marxistas se refugiam no polilogismo porque não conseguem refutar com métodos lógicos as teorias desenvolvidas pela ciência econômica "burguesa"; tampouco conseguem responder às inferências derivadas destas teorias, como as que demonstram a impraticabilidade do socialismo. Dado que não conseguiram demonstrar racionalmente a validade de suas idéias e nem a invalidade das idéias de seus adversários, eles simplesmente passaram a condenar os métodos lógicos. O sucesso deste estratagema marxista foi sem precedentes. Ele tornou-se uma blindagem contra qualquer crítica racional à pseudo-economia e à pseudo-sociologia marxistas. Ele fez com que todas as críticas racionais ao marxismo fossem inócuas.

Foi justamente por causa dos truques do polilogismo que o estatismo conseguiu ganhar força no pensamento moderno.

O polilogismo é tão inerentemente ridículo, que é impossível levá-lo consistentemente às suas últimas consequências lógicas. Nenhum marxista foi corajoso o suficiente para derivar todas as conclusões que seu ponto de vista epistemológico exige. O princípio do polilogismo levaria à inferência de que os ensinamentos marxistas também não são objetivamente verdadeiros, mas sim apenas afirmações "ideológicas". Mas isso os marxistas negam. Eles reivindicam para suas próprias doutrinas o caráter de verdade absoluta. 

Dietzgen ensina que "as idéias da lógica proletária não são idéias partidárias, mas sim o resultado da mais pura e simples lógica". A lógica proletária não é "ideologia", mas sim lógica absoluta. Os atuais marxistas, que rotulam seus ensinamentos de sociologia do conhecimento, dão provas de sofrerem desta mesma inconsistência. Um de seus defensores, o professor Mannheim, procura demonstrar que há certos homens, os "intelectuais não-engajados", que possuem o dom de apreender a verdade sem serem vítimas de erros ideológicos. Claro, o professor Mannheim está convencido de que ele mesmo é o maior dos "intelectuais não-engajados". Você simplesmente não pode refutá-lo. Se você discorda dele, você estará apenas provando que não pertence à elite dos "intelectuais não-engajados", e que seus pensamentos são meras tolices ideológicas.

Os nacional-socialistas alemães tiveram de enfrentar o mesmo problema dos marxistas. Eles também não foram capazes nem de demonstrar a veracidade de suas próprias declarações e nem de refutar as teorias da economia e da praxeologia. Consequentemente, eles foram buscar abrigo no polilogismo, já preparado para eles pelos marxistas. Sim, eles criaram sua própria marca de polilogismo. A estrutura lógica da mente, diziam eles, é diferente para cada nação e para cada raça. Cada raça ou nação possui sua própria lógica e, portanto, sua própria economia, matemática, física etc. Porém, não menos inconsistente do que o Professor Mannheim, o professor Tirala, seu congênere defensor da epistemologia ariana, declara que a única lógica e ciência verdadeiras, corretas e perenes são as arianas. Aos olhos dos marxistas, Ricardo, Freud, Bergson e Einstein estão errados porque são burgueses; aos olhos dos nazistas, estão errados porque são judeus. Um dos maiores objetivos dos nazistas é libertar a alma ariana da poluição das filosofias ocidentais de Descartes, Hume e John Stuart Mill. Eles estão em busca da ciência alemã arteigen, ou seja, da ciência adequada às características raciais dos alemães.

Como hipótese, podemos supor que as capacidades mentais do homem sejam resultado de suas características corporais. Sim, não podemos demonstrar a veracidade desta hipótese, mas também não é possível demonstrar a veracidade da hipótese oposta, conforme expressada pela hipótese teológica. Somos forçados a admitir que não sabemos como os pensamentos surgem dos processos fisiológicos. Temos vagas noções dos danos causados por traumatismos ou por outras lesões infligidas em certos órgãos do copo; sabemos que tais danos podem restringir ou destruir por completo as capacidades e funções mentais dos homens. Mas isso é tudo. Seria uma enorme insolência afirmar que as ciências naturais nos fornecem informações a respeito da suposta diversidade da estrutura lógica da mente. O polilogismo não pode ser derivado da fisiologia ou da anatomia, e nem de nenhuma outra ciência natural.

Nem o polilogismo marxista e nem o nazista conseguiram ir além de declarar que a estrutura lógica da mente é diferente entre as várias classes ou raças. Eles nunca se atreveram a demonstrar precisamente no quê a lógica do proletariado difere da lógica da burguesia, ou no quê a lógica ariana difere da lógica dos judeus ou dos ingleses. Rejeitar a teoria das vantagens comparativas de Ricardo ou a teoria da relatividade de Einstein por causa das origens raciais de seus autores é inócuo. Primeiro, seria necessário desenvolver um sistema de lógica ariana que fosse diferente da lógica não-ariana. Depois, seria necessário examinar, ponto por ponto, estas duas teorias concorrentes, e mostrar onde, em cada raciocínio, são feitas inferências que são inválidas do ponto de vista da lógica ariana mas corretas do ponto de vista não-ariano. E, finalmente, seria necessário explicar a que tipo de conclusão a substituição das erradas inferências não-arianas pelas corretas inferências arianas deve chegar. Mas isso jamais foi e jamais será tentado por ninguém. Aquele gárrulo defensor do racismo e do polilogismo ariano, o professor Tirala, não diz uma palavra sobre a diferença entre a lógica ariana e a lógica não-ariana. O polilogismo, seja ele marxista ou nazista, jamais entrou em detalhes.

O polilogismo possui um método peculiar de lidar com opiniões divergentes. Se seus defensores não forem capazes de descobrir as origens e o histórico de um oponente, eles simplesmente taxam-no de traidor. Tanto marxistas quanto nazistas conhecem apenas duas categorias de adversários. Os alienados — sejam eles membros de uma classe não-proletária ou de uma raça não-ariana — estão errados porque são alienados. E os opositores que são de origem proletária ou ariana estão errados porque são traidores. Assim, eles levianamente descartam o incômodo fato de que há divergências entre os membros daquela que dizem ser sua classe ou sua raça.

Os nazistas gostam de contrastar a economia alemã com as economias judaicas e anglo-saxônicas. Mas o que chamam de economia alemã não difere em nada de algumas tendências observadas em outras economias. A economia nacional-socialista foi moldada tendo por base os ensinamentos do genovês Sismondi e dos socialistas franceses e ingleses. Alguns dos mais velhos representantes desta suposta economia alemã apenas importaram idéias estrangeiras para a Alemanha. Frederick List trouxe as idéias de Alexander Hamilton à Alemanha; Hildebrand e Brentano trouxeram as idéias dos primeiros socialistas ingleses. A economia alemã arteigen é praticamente igual às tendências contemporâneas observadas em outros países, como, por exemplo, o institucionalismo americano.

Por outro lado, o que os nazistas chamam de economia ocidental — e, portanto, artfremd [estranho à raça] — é em grande medida uma conquista de homens a quem que nem mesmo os nazistas podem negar o termo 'alemão'. Os economistas nazistas gastaram muito tempo pesquisando a árvore genealógica de Carl Menger à procura de antepassados judeus; não conseguiram. É um despautério querer explicar o conflito que há entre a genuína teoria econômica e o institucionalismo e o empiricismo histórico como se fosse um conflito racial ou nacional.

O polilogismo não é uma filosofia ou uma teoria epistemológica. É apenas uma postura de fanáticos de mentalidade estreita que não conseguem conceber que haja pessoas mais sensatas ou mais inteligentes que eles próprios. Tampouco é o polilogismo algo científico. Trata-se da substituição da razão e da ciência pela superstição. É a mentalidade característica de uma era caótica.




Ludwig von Mises foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico. Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política. Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico. Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia". 


Artigo extraído do livro Omnipotent Government: The Rise of Total State and Total War, originalmente publicado em 1944.

Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Fonte: Mídia sem Máscara


terça-feira, fevereiro 12, 2013

Malafaia versus Gabi: a loura perdeu.




por Mirian Macedo - 




Repórter não discute, nem opina, repórter pergunta. Marília Gabriela está lá para perguntar e provocar, isto ela sabe fazer com competência. Na entrevista com o pastor Silas Malafaia, Marília Gabriela quis meter os pés pelas mãos e falar do que não sabe; estrepou-se. Malafaia pulverizou-a. Bem feito.

A loura nada sabe de ciência nem de religião, mas tem lado: defende todos os mantras politicamente corretos da esquerda (aborto, gayzismo, etc). Malafaia é contra e não amarelou. Deixou a loura militante desconcertada.

Gabi está acostumada a entrevistar pessoas para quem ela só tem que levantar a bola. Desta vez, encontrou quem a enfrentasse. Malafaia só não calou Marília Gabriela porque ninguém cala uma mulher. 

O que ficou claro, pelo que se falou depois da entrevista, é que qualquer pessoa que ouse falar em religião, na Bíblia ou pronunciar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo é rebaixado, independente do que fala, à condição de tosco, precário, indigente mental, obscurantista e retrógrado. 
  



Em contrapartida, qualquer 'iluminado' que defenda a manjada cartilha libertária (gayzismo, abortismo, eutanásia, ateísmo, liberação de droga, legalização da prostituição, etc.) é incensado e louvado nas alturas. Impressionaram o apoio a Marília Gabriela, a torcida para que ela ganhasse a discussão e o sucesso do vídeo "Resposta de geneticista a Silas Malafaia".

Pode-se criticar a abordagem do homossexualismo feita pelo pastor; afinal de contas, as suas causas e fundamentos ainda são questão aberta, não há conclusão se ser gay é genética ou comportamento ou uma mistura dos dois. 

Há uma profusão de teorias explicativas, envolvendo/excluindo fatores biológicos, psicológicos, culturais, morais, espirituais etc. Mas as objeções à argumentação de Malafaia não tiram o brilho da entrevista. 

A verdade é que não há nenhuma prova científica conclusiva de que homossexualismo tem fundamento genético. Nem de que não tem. O pastor poderia ter sido mais coerente ao argumentar. Se, por um lado, ele afirma que não há pesquisa científica provando nada, ele não poderia declarar categoricamente que homossexualismo é só comportamento.



Mas se Eli Vieira, o geneticista, fosse honesto e conseqüente, do ponto de vista científico, ele também teria que dizer que o assunto está sob investigação, que o debate não está encerrado, por aí. Porque este é o 'status quaestionis', no que diz respeito às causas, origens, bases e fundamentos do homossexualismo. 

E eu pergunto: qual é a autoridade científica de Eli Vieira, que não tem mais que 25 anos? Um bacharelado e Licenciatura em Ciências Biológicas na UnB (sou formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília, entrei em 72 e saí em 1980, quando a UnB já não era granché; aliás, nunca foi) e um mestrado em "Evolução molecular de loci associados ao comportamento humano", na UFRS. 
O doutorado em Cambridge - Eli faz crer que ele já é doutor - foi iniciado somente este ano. Ele se formou em 2009, é só fazer as contas. Este currículo jamais seria suficiente para tanto "como eu já mostrei" e "simples assim'.

Não é preciso recorrer a nenhuma revista especializada em genética para pôr em xeque todas as 'provas' que o 'geneticista' Eli Vieira apresenta. Em 2007 (e nada mudou substancialmente desde então), a revista Galileu publicou extensa matéria cujo título é ‘O polêmico gene gay’.

A publicação cita pesquisadores contra e a favor da teoria de que o homossexualismo tem base genética e demonstra cabalmente: não há nada provado sobre gene gay, nem sobre gêmeos univitelinos terem maior probabilidade de serem ambos gays.

Uma pesquisa com gêmeos univitelinos chegou a 60% de probabilidade; outra, num universo mais abrangente, achou 7%, o suficiente para levar seus autores a afirmar que, "se há influência genética (no homossexualimso), ela é inexpressiva". Repetindo: a ciência nada pode dizer de concreto sobre a questão e a genética é a área que apresenta mais dificuldades para que se obtenham resultados confiáveis.

Há outro aspecto a ser considerado: se querem impugnar os argumentos de Malafaia por ele ser um homem da religião, Eli Vieira é um militante gay. E ateu. Ele é presidente da LiHS- Liga Humanista Secular, que ostenta orgulhosa, entre os prêmios recebidos (o único), o Troféu Triângulo Rosa do Grupo Gay da Bahia. 

A LiHS é uma ONG que "apóia pessoas não-religiosas que buscam viver eticamente sem crenças sobrenaturais e supersticiosas e que trabalha por uma sociedade aberta, com liberdade de crença, liberdade de expressão, e laicidade nas leis, na educação, na mídia, e no cenário público em geral, sem privilégios para a religião, especialmente a historicamente estabelecida".

Uma curiosidade: entre os Membros Eméritos da Liga Humanista Secular, figuram o deputado homossexual Jean Wyllys, do PSOL; o filósofo ateu, Daniel Dannett; o lingüista americano, também ateu, Daniel Everett; a antropóloga abortista, Débora Diniz e a militante ateísta, a finladesa Åsa Heuser, que é vice-presidente da LiHS. 

(Um parenteses: Heuser ganhou notoriedade, tempos atrás, ao defender o militante ateu, Haroldo Galves, acusado de pedofilia. A polícia encontrou em seu poder 65 mil fotos de crianças nuas, arquivadas em seu computador pessoal. Sobre Galves, Ana Heuser declarou:

"Ele nunca foi acusado de nada além de possuir algumas fotos de nus de menores de idade; principalmente não há uma única acusação de qualquer contato com alguma criança". (Comentário do site Marxismo Cultural: "Aparentemente, para a Sra. Ana Heuser, ativista ateísta, Vice-Presidente da Liga Humanista Secular do Brasil, ter fotos de crianças nuas é perfeitamente normal").

Voltando a Eli Vieira, para complementar as informações sobre seu painel de interesses, basta entrar na sua página no Facebook e dar uma espiada no que ele 'curte'. Ali, acaba o mistério:

"Cem homens em um ano; 
Lgbtts Ateus e Agnósticos; 
Feminews; 
Direitos dos Animais; 
Homem Feminista de Verdade;
Assentamento Milton Santos;
Anarcomiguxos; 
Católicas Pelo Direito de Decidir – CDD; 
Aborto é um Direito. Pela legalização do aborto no Brasil." 

Quanto à Teoria da Evolução, que Eli Vieira brande como o Troféu Fiat Lux da ciência, a única coisa sensata que se pode afirmar é que ninguém sabe se ela aconteceu ou não.

Além disto, é preciso saber de que Teoria da Evolução estamos falando: intra-espécie ou inter-espécie? Macro-evolução ou micro-evolução? Dentro da mesma espécie é uma coisa. Uma virar outra...opa! Calma que aí complica. Hoje, a Teoria da Evolução é que virou religião. Crença cega.

Quanto ao pastor Silas Malafaia, eu, às vezes, o apoio e estou do lado dele; em outras ocasiões divergimos. Desta entrevista, eu gostei. Eu sou católica, logo, tenho implícitas divergências teológicas com Silas Malafaia. Nenhum problema, religião se discute. Fé é que não se impõe.

Mas, minhas ressalvas mais sérias a Malafaia são as que dizem respeito ao apoio (inaceitável e inadmissível) que ele hipotecou ao petista Lula na sua campanha de 2002 e à sua reeleição em 2006, em que era escancarada a defesa pelo PT do casamento gay e do aborto. Um cristão não pode aceitar o aborto e o casamento entre homossexuais em hipótese alguma.

(Ele também apoiou FHC: ainda que o PSDB não inclua a defesa do aborto e casamento homossexual em seu programa, o partido aceita as duas teses, como ficou claro na elaboração do PNDH-1 e 2, alterado para pior pelo PT no PNDH-3. Entre PT e PSDB, melhor PSDB, claro). 

Apesar do erro de apoiar Lula, Malafaia teve a coragem de rever sua posição e, na eleição de 2010 para Presidente da República, ele declarou seu voto contra Dilma Rousseff e contra Marina Silva pela defesa que seus partidos - o PT e o PV - fazem do aborto e do casamento gay.

Convém não esquecer que o cristão Silas Malafaia foi um dos únicos na comunidade evangélica - junto com o abençoado e brilhante Pastor Paschoal Piragine Jr., da Primeira Igreja Batista de Curitiba - a desencadear uma campanha corajosa contra o PT na campanha de 2010. A questão era a defesa da legalização do aborto no programa do Partido dos Trabalhadores.

Por ocasião da votação da PL 122, Malafaia foi, com milhares de pessoas, para a frente do Congresso Nacional denunciar a aberração do projeto de lei (que criminaliza a “homofobia” e fere a liberdade de culto) e defender a família brasileira. 

Quanto à denúncia de enriquecimento da Forbes, o assunto está fora da minha alçada. Para chamar Malafaia de ladrão, eu tenho que ter provas. Malafaia prometeu processar a revista. Aguardemos.


PS: Há um texto sobre homossexualismo escrito pelo psiquiatra Eduardo Adnet, de Curitiba, que formou-se em medicina há 25 anos (a idade de Eli). Vale a pena ler o ensaio de Adnet. A abordagem é bem ampla: médica, sociológica, psicológica e ideológica: Homossexualidade é Doença?

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Corrupção no Brasil faz hora extra.









Titulo original:Licença Ambiental Prévia de aterro sanitário da empresa Torre é emitido pela ADEMA de Sergipe em horário noturno

por Enio Noronha Raffin (do site Mafia do Lixo)



A revista Época, dessa segunda-feira (11/02), traz um detalhe que merece uma profunda investigação do Ministério Público do Estado de Sergipe.

O jornalista Felipe Patury, em sua coluna na revista Época, edição 768, página 26, diz que “a Grande Aracaju carece de aterro sanitário. À empreiteira Torre pretende resolver o problema construindo um no município de Nossa Senhora do Socorro. A área escolhida está em litígio. Ela foi loteada em 1983 por uma fundação. A prefeitura local deveria receber a área, destinada a 34 ruas e nove praças. A fundação vendeu o terreno á Torre, sem ressarcir a prefeitura. Desde o início de 2012, uma ONG tenta melar o negócio. A Torre diz que o município não teve qualquer dano, porque as ruas e praças não foram construídas, e o objeto da ação prescreveu.Neste ano, a entidade ambiental de Sergipe ignorou o processo e liberou a construção do aterro. O documento foi emitido às 22h53 do dia 23 de janeiro. Trabalham muito os funcionários da agência.”



Ora, é inacreditável que um funcionário público estadual, pertencente ao quadro da Administração Estadual do Meio Ambiente – ADEMA, de Sergipe, tenha fornecido o licenciamento ambiental, denominado Licença Prévia, para a Torre Empreendimentos Rural e Construções Ltda e seu Pólo de Gerenciamento de Resíduos de Itacanema, no horário extra e noturno das 22:51:53 do dia 23 de janeiro de 2013!.








No dia seguinte, 24 de janeiro, a empreiteira Torre Empreendimentos Rural e Construções Ltda já fazia uso do documento, tendo protocolado o ofício Ger. Cont.016/2013 na Empresa Municipal de Serviços Urbanos – EMSURB, da Prefeitura de Aracaju, encaminhando cópia da Licença Ambiental Prévia no. 227/2013 (aquela que foi emitida no horário das 22:51:53 no relógio da ADEMA), informando que “no mais curto tempo possível, estaremos recebendo também a Licença de Instalação, haja vista estarmos de todo o material, estudos, projetos destacados nesta LP, e assim iniciando as obras”.

O que a empreiteira Torre Empreendimentos Rural e Construções Ltda não informou para a Administração Estadual do Meio Ambiente – ADEMA, é que o RIMA (volume II) que integra o material, estudos, projetos destacados nesta Licença Ambiental Prévia no. 227/2013 traz uma fotografia digital de um empreendimento de Santa Catarina, denominado de Tijuquinhas, na tentativa de convencer os sergipanos, em especial os moradores da cidade de Nossa Senhora do Socorro, do quanto é aprazível a região do seu aterro sanitário.

Ora, apresentar o Polo de Gerenciamento de Resíduos de Itacanema no RIMA, com foto de um aterro sanitário em Santa Catariana, é uma fraude, até porque o titular proprietário da fotografia digital não concedeu autorização para a Torre Empreendimentos Rural e Construções Ltda a fazer uso da imagem, a qual pertence ao administrador Enio Noronha Raffin, editor do blog Máfia do Lixo.

A velocidade com que acontece o licenciamento ambiental do empreendimento dessa empreiteira (a ADEMA imitiu em horário extra e noturno dia 23 e no dia seguinte já era entregue na prefeitura de Aracaju) é um dos itens que deve ser investigado também pelo Ministério Público Federal (MPF), onde tramita o INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO, processo no. 1.35.000000247-2012-05, que tem por objetivo a apuração de possíveis irregularidades na construção do aterro sanitário denominado “Polo de Gerenciamento de Resíduos – Itacanema”, de responsabilidade da empresa Torre Empreendimentos Rural e Construção LTDA., localizado no Povoado Taboca, em Nossa Senhora do Socorro, Sergipe.


domingo, fevereiro 10, 2013

O lado obscuro do milagre chinês.







por Luis Dufaur




O “milagre” chinês tem um lado sombrio. A coluna vertebral de seu salto econômico são os mais de 200 milhões de migrantes que abandonaram o campo para buscar trabalho na cidade – revelou a BBC.
Esses migrantes constituem um terço da população economicamente ativa (de 15 a 65 anos de idade) e não têm acesso à saúde ou à educação. Para eles, o “milagre” chinês é uma utopia ou um pesadelo.
A BBC Mundo entrevistou a escritora Hsiao Hung-pai, autora de Scattered Sands e Chinese Whispers, dois estudos-chave sobre o fenômeno da migração chinesa.

BBC – A Sra. descreve uma marginalização e grande vulnerabilidade dos migrantes no setor de mineração, onde mais de três mil morrem por ano, nas fábricas ou nas construções.

Hsiao Hung-pai – Os trabalhadores migrantes ganham a metade do salário típico urbano e não têm nenhuma proteção trabalhista ou legal.

Não têm contrato, as condições de segurança são precárias ou inexistentes, o salário é baixo e, dada a ausência de direitos trabalhistas, muitas vezes simplesmente não são pagos.
A isso se soma o tema do registro domiciliar, o Hukou, que dá acesso à saúde e à educação públicas. Um camponês se ficar doente, deve pagar como paciente particular ou voltar à sua região de origem para ser atendido. Uma operação de emergência pode ser uma tragédia.
Estes mais de 200 milhões de migrantes internos são fantasmas que circulam pelas cidades chinesas sem qualquer tipo de direitos.

BBC – Eles migram porque na cidade estão melhores que no campo.

Hsiao – Trata-se de uma decisão desesperada. A saúde está nas mãos do Estado, mas desde que Deng Xiaoping lançou sua Gaige Kaifan – abertura pró-capitalista da economia – ela é gerenciada com critérios de benefício econômico e o atendimento médico é caro e inacessível para muitos.
Outra razão típica da migração é o confisco de terra. As autoridades municipais confiscam a terra sem pagar a compensação de acordo com a lei. Sem essa terra, os camponeses migram para a cidade.

BBC – A China precisa de consumidores que sem acesso à saúde e à educação terão de economizar em vez de consumir. 

Hsiao –Na China não existe o conceito de que esses camponeses são cidadãos.Na saúde, a situação é dramática, os camponeses ficaram sem cobertura médica.

BBC – O grau de conflitos sindicais é muito alto.

Hsiao – Com a crise econômica de 2008 milhões perderam seus empregos, muitas vezes sem que lhes pagassem o que lhes deviam. Segundo as autoridades, houve uma média de 80 mil incidentes por ano desde 2008, entre eles distúrbios, protestos, greves e ocupações.
O sindicato oficial não representa os trabalhadores e se opõe a qualquer tipo de protesto, e os trabalhadores se organizaram informalmente e obtiveram várias vitórias.
Mas na China não é possível ter organizações independentes. Cerca de 80% das ONGs são ilegais.
Hsiao – Não há mudança à vista. As mudanças não podem ocorrer.

BBC – Não é uma ironia que depois de mais de 60 anos de uma revolução encabeçada pelos camponeses, eles sejam os grandes excluídos?

Hsiao –Durante [o governo de] Mao, a coletivização do campo serviu para manter o crescimento industrial e a população urbana.
O mundo fala de um milagre chinês. Mas se alguém vai aos mercados de trabalho informais das grandes cidades, a história que ouve é totalmente diferente. Os migrantes falam da exploração, da corrupção, da discriminação e da marginalização em que vivem. É um mundo totalmente diferente que afeta a mais de 200 milhões de pessoas.
Como é possível considerar milagroso um modelo que explora um terço de sua população economicamente ativa?
-----
E tudo começou em novembro de 2004:



O Brasil reconheceu a China como uma economia de mercado durante a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao (China), em Brasília, como queria o governo chinês.


"O presidente Lula anunciou (durante a reunião) o reconhecimento do status de economia de mercado para a China", disse Hu Jintao, depois do encontro. No fim do dia, Lula confirmou a informação.

"O Brasil hoje deu uma demonstração de confiança, deu uma demonstração de que a nossa relação estratégica é para valer. Isso é a demonstração mais inequívoca da objetividade, da seriedade e da prioridade que nós damos à relação Brasil-China", afirmou Lula.

Hu Jintao elogiou a decisão brasileira. "Essa postura do Brasil vai certamente criar as condições para uma relação estratégica muito mais rica e vai favorecer a cooperação econômica e comercial (entre os dois países)."
-------
A modernidade chinesa:


Uma agência de notícias chinesa, o Shanghai Evening Post, conseguiu retratar uma realidade muito pouco conhecida pela população mundial. No início do mês de setembro, o veículo infiltrou um de seus jornalistas na fábrica da Foxconn em Taiyuan, na China, onde é produzido o novo iPhone 5, lançado no último dia 12. 

O jornalista se passou por um funcionário novato durante dez dias, reunindo informações e imagens sobre o trabalho da fábrica, o processo de produção e a rotina intensa e desumana imposta aos profissionais. A empresa realiza a montagem de outros aparelhos eletrônicos como o iPad e o Xbox 360 e é conhecida pelas péssimas condições de trabalho que oferece aos seus empregados. 



Alojamentos destinados aos funcionários não possuem limpeza e conforto mínimos. (Foto: Reprodução)



Os funcionários trabalham sobre a pressão de cumprir uma meta de 57 milhões de iPhones fabricados ao ano, prazo este estipulado e fiscalizado com rigor pela Apple. Logo no primeiro dia, o jornalista passou por um rápido processo de seleção, pouco depois de responder questões sobre suas faculdades mentais. Em seguida foi levado à fabrica, onde teve início o período de treinamento.

Os alojamentos, por sua vez, chamaram ainda mais a atenção do repórter do que a rigidez na empresa. Todos eram sujos e apresentavam mau cheiro, além de não possuírem condições mínimas de conforto e estarem infestados de baratas. Já no segundo dia de trabalho todos os novos funcionários foram obrigados a assinar contratos após se alimentarem num refeitório superlotado. Neles, haviam cláusulas a respeito do vazamento de informações adquiridas no local, sem ao menos citar assuntos como acidentes de trabalho e horas extras. 


Funcionários se alimentam com comida de má qualidade e em um refeitório superlotado. (Foto: Reprodução)

  




Ao longo dos outros dias de treinamento o repórter ressaltou a naturalidade com que os funcionários responsáveis pela supervisão do trabalho de produção tratavam mal os operários.
Segundo o jornalista, os instrutores afirmavam que o tratamento era adotado daquela forma para o bem de todos. O estresse era aliviado em uma área livre, reservada para os gritos guardados dos trabalhadores durante o período de trabalho, enquanto que tentativas de suicídios eram combatidas com a instalação de grades em todas as janelas da fábrica.


Operários passam por revista diária antes de acessar a linha de produção do novo iPhone 5 (Foto: Reprodução)


   

Após a fase de treinamento, os novos operários conheceram a linha de produção do novo iPhone. Para entrar no local, cuja segurança é máxima, todos são revistados e passam por detectores de metais, obrigando todos a retirar fivelas de cintos, correntes, brincos e aparelhos eletrônicos. Vale lembrar que cada operário ganha em média R$ 8 a cada duas horas, mesmo que sejam realizadas durante a madrugada.

O repórter retratou também passagens onde funcionários descarregaram a raiva esmurrando aparelhos ainda na esteira de montagem, enquanto seus supervisores não estavam por perto. Ainda segundo o jornalista, apenas dois dos 36 operários que iniciaram o processo de seleção permaneceram no trabalho. Após o 10º dia, ele não suportou o cansaço e o estresse e pediu demissão da empresa.


Fontes: IPCO; BBC Brasil e br.finanças.yahoo

sábado, fevereiro 09, 2013

Como o estado irá definhar até se tornar irrelevante.











Como o estado irá definhar até se tornar irrelevante.

por Jeffrey Tucker





O Google comprou o YouTube em 2006, quando a histeria sobre violações de direitos autorais estava em seu auge. Os novos proprietários do YouTube imediatamente se ocuparam em tentar criar uma plataforma condizente com os padrões legais para evitar bilhões de dólares em processos pendentes. Os usuários do YouTube estavam postando uma enorme quantidade de material protegido por direitos autorais, e a Google seria responsabilizada judicialmente por isso. 

Durante os três anos seguintes, as retiradas de materiais postados ocorreram furiosamente. Usuários estavam tendo seus materiais deletados. Filmes caseiros que utilizavam músicas de fundo protegidas por direitos autorais tiveram seu som apagado. Vídeos que faziam homenagens a artistas populares utilizando suas músicas sumiram. Até mesmo vídeos que mostravam pessoas dançando em seus carros enquanto ouviam alguma música foram abolidos.

Isso não era divertido para ninguém. Os artistas não gostaram dessas medidas. Eles são os mais beneficiados quando um fã faz um vídeo em sua homenagem e ficam contentes (e lisonjeados) em ver sua música sendo difundida. Os proprietários dos direitos autorais também não ganharam nada com essa censura. Eles não obtinham nenhuma receita com a retirada dos materiais.

Já a Google não gostou nada de ter de fazer isso por causa de todos os gastos que teve de incorrer para criar programas que vasculhassem continuamente o site. Era também constrangedor quando esses seus programas deletavam um vídeo caseiro de uma festa infantil só porque as crianças estavam cantando "Parabéns pra Você". Para os consumidores e usuários, ter seu vídeo removido é um insulto imperdoável.

Ou seja, ninguém realmente se beneficiava desse sistema. E a situação estava se tornando cada vez mais difícil de ser controlada, uma vez que os uploads de vídeos cresciam exponencialmente (48 horas de vídeos novos surgem a cada minuto). Mas ainda assim a censura perdurou. A presunção de que músicas protegidas por direitos autorais não podiam ser postadas no YouTube estava enraizada no sistema.

Ninguém realmente gostava da maneira como o sistema funcionava. Mas era difícil imaginar outra forma. Afinal, aquele era o sistema que a lei havia construído. E certamente a lei deve prevalecer independentemente de quão absurdo seja o resultado. Era como as cenas de As Bruxas de Salem, de Arthur Miller: ninguém em Salem realmente acreditava na prática de matar bruxas, mas as pessoas prosseguiam com a carnificina porque era assim que o sistema funcionava.

Era evidente que a lei havia criado uma situação insustentável. Ela criou um sistema custoso demais para todos. Não podia continuar assim. Mas o que iria mudá-lo? E como? Foi exatamente aí que as forças da economia de mercado vieram ao resgate.

A Google criou um novo sistema que exibe anúncios comerciais na parte inferior de cada vídeo. E permitiu também a veiculação de propagandas antes do início dos vídeos. Várias dessas propagandas são incrivelmente interessantes, diga-se de passagem, e nada aborrecidas para os usuários, como poderiam ser — mesmo porque há a opção de pulá-las após 5 segundos de exibição. (Toda a instituição dos anúncios comerciais no YouTube merece um artigo à parte).

Adicionalmente, a Google costurou um acordo entre os usuários do YouTube e os proprietários de direitos autorais. Se um determinado vídeo infringisse direitos autorais, o proprietário destes direitos seria notificado e teria então duas opções: ordenar a retirada do vídeo ou permitir um anúncio comercial neste vídeo, o qual lhe garantiria receitas. Praticamente todos optaram pela solução comercial, e simplesmente porque é mais vantajoso para o proprietário ganhar dinheiro do que perseguir o criador do vídeo utilizando o sistema judicial.

Os proprietários dos direitos autorais aprenderam nesse processo algo que já era óbvio para muitos de nós havia muito tempo, mas que, por motivos estranhos, ainda não havia sido captado pelos fiscais da lei. Eles aprenderam que aquilo que parece ser uma violação da lei e uma transgressão dos direitos de propriedade pode ser retrabalhado e transformado em uma forma pacífica e mutuamente benéfica de publicidade. O maior inimigo de qualquer empreendimento comercial é a obscuridade; e não há maior aliado do que pessoas atentas que podem eventualmente vir a se tornar clientes.

Hoje, o YouTube hospeda uma vasta quantidade de materiais que, dois anos atrás, eram considerados piratas e ilegais. Está tudo lá, atendendo às demandas de milhões de usuários que não pagam um centavo para utilizar este serviço. Ele está fazendo aquilo que o Napster fazia na virada do século, antes de ser destruído pelo governo. A diferença é que o acesso gratuito é financiado por meio de formas pacíficas de publicidade. Aquilo que a lei estatal havia transformado em uma guerra de todos contra todos, o mercado converteu em um sistema de paz e abundância para todo mundo.

Trata-se de uma solução absolutamente brilhante, além de ser um fantástico exemplo de como o mercado é capaz de fornecer soluções pacíficas para problemas que, caso contrário, o estado iria abordar com coerção e brutalidade. A solução do mercado para este caso foi do tipo "breaking bad"[1], no sentido de que foi uma rejeição explícita a tudo que o estado estava tentando impor. E como os custos impostos pela agressiva abordagem estatal estavam crescendo enormemente, o mercado encontrou outra saída. Guerra custa caro.

Já a prosperidade requer paz. O estado queria guerra, mas o mercado disse 'não'. É claro que seria muito melhor se as regulamentações e as proteções aos monopólios intelectuais fossem revogadas e o próprio mercado fosse incumbido da tarefa de criar modelos comerciais de distribuição em um ambiente livre de intervenções. Porém, em vez de apenas ficar inerte esperando por mudanças na lei, o setor privado encontrou uma forma de contornar a lei.

E esta solução está mudando completamente a maneira como se faz distribuição musical. Quando o cantor/rapper sul-coreano PSY surgiu com sua música "Gangnam Style", ainda em julho deste ano, seu vídeo se tornou um viral muito além das expectativas de qualquer ser humano. Ele está fadado a ser o primeiro vídeo do YouTube a receber 1 bilhão de visualizações, e tudo isso em um extremamente curto período de tempo.






PSY (Park Jae-Sang) é um artista que padecia no anonimato havia uma década. Ele sabia o valor da exposição. Quando sua música começou a ser pirateada, quando restaurantes com o nome de Gangnam Style começaram a surgir, quando camisetas e produtos com sua marca começaram a pipocar por todos os lados, ele veementemente se recusou a impingir sua propriedade intelectual. Ele muito sabiamente percebeu que qualquer tipo de compartilhamento de sua imagem poderia ser positivo para ele. E, sem nenhuma surpresa, estima-se que ele irá faturar US$8,1 milhões este ano apenas com downloads de sua música no iTunes, ingressos para suas apresentações e publicidade. Graças à sua recusa em participar do sistema estatal de proteção ao monopólio intelectual, ele se tornou um dos músicos mais famosos do mundo, e rapidamente será um dos mais ricos também.

Vale a pena pararmos para refletir um pouco sobre as lições deste exemplo. Em nossa época, o aparato de regulação estatal — não apenas para a propriedade intelectual, mas também, e principalmente, para todas as áreas da economia — criou uma situação intolerável e insustentável para todos os cidadãos. Até mesmo aqueles que imaginavam que iriam se beneficiar das regulamentações protecionistas não estão colhendo as promessas — pelo menos não no grau em que imaginaram. E é assim porque a marcha da história não pode ser interrompida nem mesmo pelas maiores e mais violentas tentativas de coerção estatal. O mercado sempre irá prevalecer — o que é apenas outra forma de dizer que a ação humana irá preponderar sobre a coerciva maquinaria do estado — no longo prazo.

Estamos testemunhando isso em todas as áreas da vida. As leis estatais antidrogas estão sob séria pressão de pessoas revoltadas com as horrendas ondas de encarceramento por causa de ações que a maioria das pessoas não considera serem crimes sérios (como fumar maconha). A educação pública, por mais poderosos que sejam os sindicatos de seus funcionários, está desacreditada, e sua decadência está levando os pais a optarem pelo ensino doméstico autônomo, pela educação via internet ou por alternativas criativas oferecidas pelo mercado (como a Khan Academy). Em poucos anos, a educação pública — e sua usina de doutrinação marxista — deixará de ter qualquer importância.

Até mesmo o até então poderoso e intocável setor bancário está passando por turbulências, não obstante todas as tentativas dos bancos centrais e dos governos de monopolizarem o sistema. A nova moeda Bitcoinestá crescendo e prosperando, não obstante todas as tentativas de dizer que o arranjo é uma farsa e uma fraude. Novos sistemas de pagamento estão surgindo diariamente na forma de cartões-presentes [também chamado de Gift Card, é um cartão pré-pago que tem como objetivo ser usado para presentear pessoas para quem você não sabe qual presente específico dar] e de cartões que podem ser instantaneamente carregados com dinheiro. Aplicações digitais estão permitindo novas formas de empréstimos que contornam completamente o sistema oficial chancelado pelo estado.

Pessoal, se vocês quiserem entender como o estado entrará em colapso no futuro, é para essa direção que vocês têm de olhar. O colapso do estado não ocorrerá pela via política. Não ocorrerá por meio de reformas implementadas de cima para baixo. Ocorrerá, isso sim, por meio do sistema empreendedorial de tentativa e erro, pois o mercado não ficará inerte. Tendo de lidar com os pavorosos custos impostos pelo anacrônico sistema estatal, o mercado continuará encontrando maneiras criativas e surpreendentes de burlar o aparato coercivo, inventando com eficácia novas esferas de liberdade que permitirão que o progresso ocorra.

Todo e qualquer ato de empreendedorismo é, por definição, revolucionário. Há um espírito anarquista em sua raiz. Um ato empreendedorial é um ataque ao cerne do status quo. Empreender significa estar insatisfeito com a atual situação. Empreender significa imaginar algo novo e melhor. Empreender é um ato que produz mudanças graduais, inesperadas e não consentidas, pois acrescenta uma nova dimensão de experiência a como nos vemos, a como nos entendemos e a como interagimos com os outros.

Sem empreendedorismo, a história não registraria nenhum momento de progresso, a nossa compreensão do quão singular e especial é essa nossa época neste mundo seria para sempre indefinida, e toda a sociedade iria atrofiar até finalmente morrer. Com o empreendedorismo, toda e qualquer tentativa de controlar e paralisar o mundo encontra resistência e, no longo prazo, sempre fracassa.

A história nos ensina que aqueles que ousam tentar bloquear o progresso humano sempre acabam sendo atropelados. Sim, haverá muito atrito e vários poderosos serão vitimados à medida que tentamos nos mover do atraso para o progresso. Mas chegaremos lá, um ato de desobediência criativa de cada vez.


[1] Trocadilho com um seriado americano homônimo. O termo "breaking bad" é uma gíria do sul dos EUA que significa que alguém se desviou do caminho correto e passou a fazer coisas erradas.